Hermione estava sentada na sala de estar do Largo Grimmauld. Já passava da meia noite e enfim tinha conseguido que Teddy dormisse. As primeiras noites não haviam sido ideais e o garotinho ainda estava se acostumando a ficar longe dos pais. Sirius o estava mimando demais e se perguntava se ele seria assim com os futuros filhos deles.
Ela riu ao imaginá-lo com uma criança deles nos braços. Não seria num futuro tão distante assim, ainda tinham onze meses para anunciar a primeira gestação, teriam tempo de sobra para aproveitar as delícias do casamento.
Subiu as escadas cuidadosamente para não acordar o afilhado e o deitou no berço que agora repousava no antigo quarto de Régulo, o irmão de Sirius. Ligou a babá eletrônica e rumou o seu próprio quarto.
Sirius estava dormindo pesadamente e ruidosamente. Roncava como um porco e ela franziu o cenho.
"Roncador, acorde", ela disse sacudindo o marido.
"Desculpe", ele falou abrindo os braços para acolhê-la na cama. "Amanhã é o jantar na casa dos seus pais, não?", a última palavra saiu como um bocejo.
"Sim e por favor, vá elegante. Não que eu não goste das suas roupas, mas você vai conhecer o resto da minha família e quero causar excelente impressão", ela disse rindo.
"Me vestirei de acordo com certeza. Agora durma e me deixe dormir", ele resmungou e abraçou-a mais forte.
O dia raiou bem claro e Teddy já demonstrava estar acordado. O garotinho balbuciava e era fofo. Hermione se levantou da cama e foi até o cômodo onde o pequeno estava. Seus ralos cabelinhos agora estavam em um tom castanho igual ao dela.
"Quer se parecer comigo, pequenino?", ela riu o vê-lo estender os bracinhos para ir para o colo da madrinha. "Vamos tomar café da manhã? Mas antes preciso verificar você".
Graças a Merlin o menino estava somente molhado. Trocou a fralda do modo trouxa e tirou a calça. Lembrava-se que os primos sempre andavam assim pela casa, de camisetinha e fraldas. Voltou a colocar o menino no colo e desceu as escadas em direção a cozinha.
Sirius já estava de pé, fazendo café da manhã e algo que lembrou o cheiro de bacon frito e torradas. Também tinha uma mamadeira pousada em cima da mesa assim que ela entrou no cômodo. Hermione sorriu e beijou a bochecha do marido, que sorriu em resposta.
"Que bom que está de bom humor ao fazer uma mamadeira", ela riu.
"Depois de quatro dias, era impossível dar errado no quinto", ele gargalhou.
Hermione sentou-se em uma cadeira e pos Teddy em seu colo. O garotinho estava faminto e o seu cabelinho começou a mudar de castanho para azul quando a mamadeira tocou os seus lábios. Uma gracinha.
"Bom, hoje é sexta-feira, temos aquele jantar na casa dos meus pais. Lembra-se?".
Como Sirius iria esquecer? Sentia que não tinha causado uma boa impressão nos pais da castanha. Um bom marido para ela seria alguém da idade dela, com um future brilhante e que pudesse dar a ela filhos lindos; não um ex-presidiário velho, tatuado e espírito livre. Mas ainda a amava e isso ninguém ia tirar dele.
"Sim, lembro. Precisamos mesmo ir? Os seus pais não gostaram muito de mim no nosso casamento", ele retrucou.
"Os meus pais começaram a aceitar você quando eu disse que você me amava e que não encostaria em um fio de cabelo meu sem o meu consentimento".
Sirius apenas assentiu, sem expressão nenhuma.
O dia passou corrido, Minerva o estava pressionando para que começasse a preparar planos de aula e todas aquelas frescuras de professor. Os alunos sempre ficavam divididos sobre quem era o professor favorito, ele ou Lupin. Já tinha algumas aulas do outro ano prontas e iria fazer algumas para esse com a ajuda de Hermione. Ele sabia que ela seria uma excelente professora se quisesse, mas não, preferia trabalhar com criaturas mágicas. Ele sorria de si ao pensar isso.
Teddy era um bebê fofo e tão lindinho, Hermione achava. Tinha bastante de Remo, inclusive os olhos. Seria um arrasa corações quando fosse para Hogwarts com os seus filhos. A castanha já tinha recebido a primeira carta do ministério dizendo que estava se contando ainda onze meses para o anúncio da primeira gestação. Sentia raiva de Quim por causa disso.
Logo a noite chegou e eles saíram rumo à casa dos pais de Hermione. Era o aniversário de casamento de sua avó, Imelda. A velhinha com certeza faria várias perguntas sobre o repentino casamento da neta, ela tinha certeza. Tocaram a campainha e porta logo foi aberta pelo pai de Hermione, Logan.
"Boa noite, querida. Boa noite, Black", ele disse com a voz um pouco mais grave que o normal.
"Boa noite, Granger", Sirius falou de volta no mesmo tom.
"Sirius, pai, modos", a castanha alertou baixo enquanto Teddy dormia nos seus braços.
Houve de fato uma grande exaltação quando Hermione apareceu com um homem com idade suficiente para ser o seu pai e um menino nos braços. Uma tia afirmou que ela estava fazendo coisas que não deveria ao invés de se dedicar ao trabalho. De fato, os familiares não tinham muito tato para tratar alguns assuntos. Depois explicou que o menino era Teddy Remo Lupin, o seu afilhado e que Sirius Black era o seu marido. Não mencionou em nenhum momento a guerra e a lei do casamento. Para os demais, Sirius e ela viveram um amor proibido nos anos anteriores por ela ser mais nova que ele. Não deixava de ser verdade.
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"Então, Sirius, não tivemos oportunidade de conversar direito no casamento. Me conte, o que faz da vida?", o pai de Hermione falou sério.
"Sou professor há pouco tempo, mas nunca precisei trabalhar. Os Black eram uma família abastada na sociedade bruxa, coloquemos assim", Sirius respondeu desconfortável.
"Professor de quê?", o homem ouviu Hermione resmungar.
"Tranfigurações em Hogwarts, aceitei o cargo ano passado", o animago respondeu.
"Interessante. Família abastada significa rica em outros termos. Pode me contar mais sobre?", Logan perguntou curioso.
"Os Black eram uma família de bruxos de sangue puro, que toda a sua ancestralidade é mágica, sem trouxas. A minha mãe me chamava de traidor de sangue aos quinze anos", ele riu amargo. Logan fez um olhar como que se pedisse para que ele prosseguisse. "Quem tem o sangue puro, por assim dizer, é sempre ensinado a rebaixar os mestiços e nascidos trouxa, como se eles não fossem dignos de estudar magia. Eu nunca concordei com isso, nem meus primos Weasley, Prewett e Potter. Não é o sangue que determina o quão a pessoa é obstinada e habilidosa, é ela mesma. Meus familiares nunca entenderam isso", Sirius deu um gole no uísque trouxa que era realmente bom.
"Então você é primo de Harry e Ronald?"
"Sim, com alguns graus de afastamento. Sou padrinho de Harry, fui o melhor amigo do pai dele enquanto Tiago estava vivo", ele sorriu levemente ao lembrar do amigo.
"Então a minha filha se casou com o padrinho do melhor amigo… E os seus pais? Morreram?", Sirius nao sabia aonde essa conversa iria acabar, mas estava com um pressentimento péssimo.
"Sim, se casou. Hoje em dia não existem mais quase famílias de sangue puro. Se minha mãe ainda estivesse viva, com certeza eu teria me casado aos dezoito anos com alguma prima minha, talvez eu tivesse tido um filho e o moleque cresceria afetado com o preconceito de sangue. Eu sempre odiei aquilo tudo", ele colocou o resto da bebida na boca e resolveu que pararia de beber por essa noite.
"Como funciona esse ideal de sangue? Fiquei bastante curioso, confesso", o homem olhou curioso.
"Um bruxo de sangue puro deve se casar com uma bruxa de sangue puro para manter a linhagem imaculada, como diria a minha adorável mãe", Sirius nem se dava mais ao luxo de esconder o sarcasmo do pai de Hermione e ele percebeu isso. "A minha família era uma das piores. Toujours pur, sempre puro. Quando eu tinha dezesseis anos fui deserdado por fugir de casa. Não concordava com a supremacia e fugi para a casa de Tiago. Depois disso fui queimado da tapeçaria genealógica dos Black. Minha prima favorita, Andrômeda, também teve o mesmo destino porque se casou com um nascido trouxa", ele disse amargo. Pela primeira vez se sentiu confortável o suficiente para conversar isso com alguém. Estava apavorado com o que poderia dizer.
"Então você é o único Black que restou?", agora Logan bebia café.
"Da linhagem masculina, sim. Tenho duas primas vivas, embora só tenha contato com Andrômeda. Então eu que decido o que vai acontecer a partir de agora. Eu amo a sua filha e me casei por amor, não porque essa estúpida lei de casamento entrou em vigor. Tenho muito orgulho da família que vamos contruir. Ela é minha esposa e os nossos filhos terão um lar, isso é o que importa".
Sirius sentiu um repuxão no estômago, nem se tivesse tomado um frasco inteiro de veritasserum teria vomitado verdades assim. Hermione fazia isso com ele, o fazia ser outra pessoa.
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"Eu amo a sua filha e me casei por amor, não porque essa estúpida lei de casamento entrou em vigor. Tenho muito orgulho da família que vamos contruir. Ela é minha esposa e os nossos filhos terão um lar, isso é o que importa".
O coração de Hermione parou quando ouviu isso. Ele nunca havia sido tão direto com alguém quanto aos sentimentos deles. Teddy agora dormia pesadamente no colo de Hermione dentro do táxi. A castanha pousou a cabeça no ombro do marido de fechou os olhos. Estava começando a imaginar a família deles. Ela sempre quis ser mãe, apesar de tudo. Apesar de ser jovem demais, queria alguma companhia para que não ficasse sozinha no fim. Mas agora, imaginava uma menina com pele clara, cachos negros e olhos cinzentos, se chamaria Cassiopeia. Mas também imaginava um menino, com os olhos castanhos como os dela e cabelos negros, se chamaria Alphard.
Entratam no casarão e ela deixou Teddy no quarto que outrora pertenceu à Régulo Arturo Black. Ele estava um anjinho de tão bem comportado.
Sirius já estava no banho e ela seria a próxima. Se sentia estranhamente animada e achava que isso era pelo que tinha ouvido mais cedo. Logo ele saiu e ela entrou, não trocaram sequer um olhar. Deixaria esse contato para logo mais. Hermione não demorou muito, só precisava relaxar um pouco depois da tensão que tinha tido no jantar.
Algumas das prima mais novas de Hermione simplesmente não pararam de se insinuar para Sirius, que parecia gostar de toda aquela atenção. Era a boa aparência dos Black. Quando Mary e Joan fizeram comentários maldosos sobre a honra dela ainda estar intacta, a castanha sentiu o sangue ferver. A conversa terminou com um o que eu faço ou deixo de fazer com minha esposa, entre quarto paredes ou não, não diz respeito à meninas intrometidas, destilem o seu veneno fora daqui.
Assim que terminou o banho, a castanha escovou os dentes e os cabelos. Cogitou seriamente se vestiria um pijama. Optou por não, o que faria logo mais não precisaria de roupas. Se enrolou na toalha e rumou o quarto. Sirius estava deitado de olhos fechados, duvidava que estivesse realmente dormindo.
Se aproximou com cuidado da cama e lentamente se sentou no colo do marido, surpreendendo-o. "Não devia brincar com fogo, Mimi", ele falou.
Não foram ditas muitas palavras, nem fora preciso, em fato. Sirius sabia o que ela queria e Hermione sabia o que Sirius queria. Lentamente, ela deixou a toalha de banho escorregar pelo corpo, revelando as suas curvas jovens. Ele passou as pontas dos dedos pelos braços dela, delicadamente acariciando a pele sedosa da castanha. Ela, por sua vez, aproximou o seu rosto do dele plantou alguns beijos em sua boca, suas bochechas, seu pescoço.
As mãos do homem foram de encontro aos seios médios dela, num misto de curiosidade e experiência. Ela já sentia o membro dele cutucar-lhe a intimidade, a única vontade que tinha era de arrancar a roupa dele e fazer amor do modo mais selvagem possível. Sirius começou a distribuir beijos pelo ombro dela, descendo até chegar os lábios onde queria. Tomou um dos seios nos lábios e continuou acariciando o outro com a mão, nun toque nem tão gentil. Ele se satisfazia com cada gemido que a esposa soltava. Eram extremamente deliciosos de se ouvir.
"Eu não aguento mais, faça amor comigo", ele sussurrou ao ouvido dele.
Num súbito movimento, Hermione saiu do colo de Sirius para que ele removesse a calça do pijama, sendo que ele fez isso magicamente e sem usar a varinha. Já estava completamente excitado. Ela não encontrou dificuldade em achar o caminho de volta, passando uma perna por cada lado do quadril dele e se deixando ser penetrada lentamente, sem problemas. Suspirou baixo quando sentiu que ele estava todo dentro dela. Ainda não tinha muito jeito em assumer o controle, mas começou a se movimentar devagar, arrancando alguns grunhidos de prazer dos lábios dele. Novamente, o homem começou a traçar mais uma trilha de beijos por ela, sempre brincando com o seu seio e apertando levemente. Não demorou muito para que Sirius começasse a auxiliá-la, apertando as mãos em seu quadril e movimentando-a adorava vê-la por esse ângulo, completamente entregue a ele. De repente, alguns espasmos tomaram conta do corpo dela, seus pêlos da nuca começaram a se eriçar nos dedos dele e o seu gemido foi o mais alto que proferiu durante a noite toda. Ele sabia que ela tinha atingido o seu ápice.
Também não tardou muito para que Sirius chegasse ao seu ponto máximo, se derramando nela como se fosse única coisa realmente importante na vida. Bom, naquele momento, para ele era.
Ao terminarem, ela se deitou ao lado dele, nua, e se aconchegou em seus braços. Ele afagava calmamente os cabelos rebeldes dela, numa expressão serena no rosto e um sorriso sincero nos lábios.
"Cassiopeia", ela falou quebrando o silêncio.
"Como? O que?", ele perguntou intrigado.
"Cassiopeia, ou Alphard. Nomes para os nossos filhos. Não que eu goste das tradições puristas, mas acho que colocar nomes de estrelas e constelações é uma boa tradição, na minha opinião. Podemos continua-la?", ela disse mordendo o lábio inferior.
"Apenas se realmente desejar, claro. Eu sempre pensei em homenagear o meu irmão, Régulo, de algum modo. É um ótimo nome, também. Ele pode ter sido um pateta e no final, sempre nos gostamos mesmo".
"Bom, eu quero saber uma coisa… Estamos realmente tentando, você sabe… ter filhos?", ela perguntou incerta.
"Eu gosto de pensar que sim", ele sorriu marotamente. "Por que a pergunta?"
"Podemos tentar mais um pouco esta noite?", Hermione finalizou rindo. "Teddy vai dormir a noite toda, está tão cansado e limpo. Podemos aproveitar e continuar…"
"Ninguém disse que precisávamos parar", ele disse finalmente antes de tomar os lábios da castanha novamente nos seus.
Seria uma longa noite.
