Agradecimentos a Aly pelo comentário ;)

Boa leitura ;)


A metade do mês de agosto chegou voando, logo Sirius retornaria a Hogwarts. Ele já tinha ido à casa de alguns alunos nascidos trouxa entregar as cartas e iria com eles comprar os materiais. Hermione se arrumou normal, sem muita frescura. Era sábado e ele levaria as crianças e os pais ao Beco Diagonal.

Ele parecia nervoso, nunca tinha feito nada disso e ela iria para auxiliar. Vestida com uma camisa de botões negra e jeans escuro, calçou as sapatilhas surradas e desceu para encontrar com ele.

"Até parece que nunca fez isso", ela disse vendo-o tentando dar um nó na gravata que Minerva insistiu que ele usasse. Das cores da Grifinória, a casa que ele e Remo agora eram co-diretores.

"Sim, algumas vezes. Minha mãe me levou na primeira, na segunda foi o meu tio Alfardo e depois Andrômeda passou a me acompanhar até o final da escola. Lembro dos últimos anos, Dora sempre ia conosco", ele riu lembrando da prima, realizando que em alguns anos seria a vez de Teddy.

Andaram até a lareira, pegaram o pó de flu e disseram juntos "O Caldeirão Furado". Saíram na lareira do bar e foram para a entrada trouxa. Haviam dois casais, cada um com uma criança perto de si, olhando para os lados. Sirius acenou para ambos e eles se aproximaram.

"Hermione, esses são os Nazareth, a filha deles vai atender ao ano letivo. Venha cá, gracinha", a menina se aproximou dela, era uma gracinha, realmente. Cabelo liso e escuro, com olhos índigo. "Esta é Helena Nazareth, vai fazer doze anos no Halloween. Tem muito talento, mas temos que convencer o Chapéu Seletor a coloca-la na Grifinória", Sirius piscou para a esposa, que ria dele. "E este rapaz é Rafael Hernandez. Vamos, seja cavalheiro e beije a mão da nobre senhora, rapaz".

O garoto fez a mesura e Hermione se derreteu pela doçura dele, com certeza seria um ótimo lufano. Cumprimentou os pais e foi apresentada como Hermione Black, esposa do professor Black e que auxiliaria os pequenos nas compras. Entraram de volta no bar, trocaram algumas palavras com Tom e foram para os fundos do bar, onde ficava a parede.

"Faça as honras, querida", Sirius disse, vendo-a corar. Hermione tirou a varinha do bolso do casaco e tocou nos tijolos e logo depois eles começaram se mover, formando uma entrada. "Bem-vindos ao Beco Diagonal".

"Aqui vocês vão poder comprar tudo que precisarem para a escola. Livros, penas, tintas, uniformes. Mas primeiramente, precisamos ir ao banco, trocar o dinheiro de vocês por dinheiro bruxo", Hermione disse apontando para um prédio que estava sendo reconstruído e riu ao lembrar da fuga no dragão durante a guerra.

"Estão vendo aqueles andaimes no prédio? Estão tendo que reconstruir o banco por causa dela", Sirius disse cutucando a cintura dela. "Passamos por uma grande guerra ano passado, bruxos das trevas tentaram dominar o mundo bruxo, mas graças à minha esposa, o meu afilhado e um amigo deles, estamos todos aqui para rir do fato que Hermione sugeriu que eles aparatassem de cima de um dragão", ele arregalou os olhos, rindo das expressões horrorizadas dos pais e das deleitadas das crianças.

"Você é uma péssima influência, Almofadinhas", uma voz masculina falou. Era Remo com Tonks e Teddy. "Muito prazer, Remo Lupin, professor de Defesa Contra as Artes das Trevas e co-diretor da Grifinória junto com Sirius", o lobisomem disse apertando as mãos dos pais. "Sirius e Hermione são um casal perfeito, mas ela tem ideias melhores que as deles".

"Enquanto você leva os pais ao banco, eu levo as crianças para comprarem bichinhos de estimação, todo aluno de Hogwarts deve ter um", ela piscou para as crianças. Hermione pegou os dois pela mão e os levou até gaiolas de corujas. "Todo aluno de Hogwarts deve ter um mascote: um sapo, um gato ou uma coruja. Quando eu atendi a Hogwarts, tive um gato chamado Bichento".

As mães das crianças resolveram ficar com Hermione, para que os filhos não fossem pestinhas com ela, mas logo os homens encontraram com elas e as compras de fato começaram. Foram primeiramente a Floreios e Borrões comprar os livros que as crianças precisariam para o ano letivo. Particularmente, Sirius não havia pedido livro algum, ele achava que as suas habilidades como animago eram suficientes para o ensino de crianças de onze anos. Depois foram ao Escribbulus para comprar penas, tintas e outros itens de papelaria. Uma ida rápida à loja de Caldeirões e quase tudo estava comprado.

Entraram na Madame Malkin e Hermione viu a coisa que menos esperava. Uma figura loira com um menino assustado sendo tomado pela mão. Ah, sim, lembrou-se que Sirius havia dito que Lucrécia havia se casado com um Rosier há vários anos. Aparentemente o filho mais velho deles atenderia à Hogwarts também.

"Ora se não é Mimi Black, a digníssima Senhora da Mui Antiga e Nobre Casa dos Black", a loira disse desdenhosa. "O que fazem aqui?"

"Acompanhando alguns alunos de meu marido nas compras da escola. Vejo que o seu filho também vai para Hogwarts. Sempre imaginei que algum Malfoy acabaria indo para Durmstrang", Hermione tentou rebater no mesmo tom.

"Evan é um Rosier, não um Malfoy, acredito que tenha lido o Diretório Puro-Sangue. Meu esposo quis que ele fosse para Hogwarts e assim estamos fazendo. Ah, e graças a você, os Black não fazem mais parte do Sagrado Vinte e Oito. Vamos, Evan, o local está cheio de sangues ruins", o garoto sorriu tristemente e saiu ao lado da mãe.

Aquilo ainda mexia com ela, mesmo quase dez anos depois. Se armou de toda a coragem que tinha e pediu as vestes escolares. Entregou três conjuntos a cada e saíram. Florean havia voltado a funcionar a todo vapor. Se sentaram em uma mesa do lado de fora e pediram vários sundaes.

"Sra. Black, o que quer dizer sangue ruim?", a mãe de Helena perguntou.

"Eu não gostaria de ter de explicar na frente das crianças, sra. Nazareth...", mas a mulher não se deu por vencida, encorajou a castanha a falar. "Então, sim. Sangue ruim quer dizer sangue sujo, imundo, é a pior ofensa a quem nasceu trouxa, cujos pais não sejam bruxos. Não é uma coisa que se diga em uma conversa civilizada. O sobrinho daquela mulher me chama de sangue ruim desde que tínhamos doze anos".

"Então você também é nascida trouxa, é assim que fala? O que é esse tal Sagrado Vinte e Oito, então?"

"Sim, meus pais são dentistas e têm um consultório no centro da cidade. O Sagrado Vinte e Oito é constituído pelas vinte e oito famílias de sangue puro da Inglaterra. São famílias inteiramente mágicas, por assim dizer, mas algumas já não figuram mais. Como os Weasley, Longbottom, Olivaras e agora, Black. Os Weasley foram excluídos quando o filho mais velho deles se casou com uma bruxa parte veela. Os Longbottom saíram recentemente por causa do casamento do herdeiro da família com uma moça de sangue mestiço. O dono da loja Olivaras é sangue puro e há mais ou menos vinte anos nasceu o primeiro mestiço da família. Por último, os Black foram retirados da lista não só por Sirius se casar comigo, mas por eu estar grávida de um filho dele", Hermione respondeu envergonhada.

"Grávida? Oh, que coisa boa, meus parabéns! Tenho certeza que o sr. Black deve estar muito contente", Reneé Hernandez disse suave. "Se precisar de qualquer auxílio médico, meu marido e eu nos dispomos a ajudar. Eu sou enfermeira e ele é obstetra".

Sirius ainda não sabia de nada. Quando Hermione começou a ficar atrasada, por assim dizer, e começou a sentir enjoos matinais e viu que os seus seios ficavam maiores a cada dia, foi a uma farmácia trouxa e comprou alguns testes de gravidez. Monstro nunca havia feito tanto suco de abóbora na sua miserável vida. A castanha estava esperando o momento perfeito para contar. Estava tão assustada que nem raciocinava direito. Podia muito bem comprar uma camisa preta escrito Almofadinhas e filha. Ou filho. "Ele ainda não sabe, ainda não sei como contar".

"Mas ele já deve ter filhos, não? Ele é um pouco... experiente para você", Julia Nazareth perguntou sem tato algum.

"Sim, ele é um pouco velho para mim, mas sempre tivemos um tipo de relação além da amizade. Ele é padrinho do meu melhor amigo, digamos que sempre estivemos em família", ela riu das próprias palavras. "Tenho certeza que ele será um ótimo pai".

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Sirius entrou com os rapazes no Caldeirão Furado. Estando com professores de Hogwarts, os pais das crianças eram capazes de pelo menos beber um suco de abóbora.

"Você sentiu aquele cheiro novo em Hermione, Aluado?", Sirius perguntou. O seu faro animago estava sensível há algumas semanas.

"Sim. Eu sei o que é, mas não posso dizer. Mione me mataria, Almofadinhas", o lobisomem disse brincando. "Digamos que seja apenas o mesmo aroma que senti em Dora antes de Teddy nascer".

Sirius cuspiu a cerveja amanteigada que bebia e assustou os dois trouxas que estavam com eles, Pablo Hernandez e Daniel Nazareth. Pegou um guardanapo e limpo a boca. "Grávida? Minha esposa grávida e eu não sou informado?"

"Talvez ela quisesse manter segredo, mulheres grávidas são malucas. Eu só soube da existência de Helena quando Julia estava com quase cinco meses!", Dan riu.

"Eu não estou pronto para ser pai", Sirius começou a hiperventilar.

"Eu também não estava até você me chamar de lobo mijão abandonador de filhotes! Você me chamou de covarde por eu deixar a sua prima grávida e começar a trilhar missões suicidas. Imagine assim: se você não ficar com ela, alguém vai fazê-lo. Então hoje eu chamo você de cachorro mijão abandonador de filhotes se você sequer pensar em deixar Hermione", Remo bebeu da sua cerveja amanteigada. "É uma boa visão de se ter, imagine como você estará daqui a quinze anos e nos diga".

Sirius se imaginou quinze anos depois, grisalho e sem ser mais professor. Estava em King's Cross com Hermione e algumas crianças que pareciam ser deles. Viu uma menina de baixa estatura, com cabelos cacheados negros e olhos cinzentos acenando para ele de dentro do trem, assim como um menino e outra menina com as mesmas características. Segurava a mão de uma garotinha pequena enquanto Hermione arrumava as vestes escolares de mais uma menina. Ela estava grávida mais uma vez. Ela sorriu quando Sirius beijou a testa dela e disse até o Natal, papai. Era isso, mesmo que não estivesse pronto, não conseguia imaginar nada menos que uma família enorme com Hermione.

"Imaginei o time de quadribol que quero ter com Mimi", Sirius riu.

"Dora e eu paramos no Teddy. Não queremos correr mais riscos", o lobisomem disse vago.

O por do sol chegou e logo eles se juntaram às esposas., que tinham muitas perguntas do tipo por que diabos não nos ajudaram nas compras e coisas do tipo. As crianças iam na frente, felizes com as varinhas nas mãos. A de Helena era de carvalho, 29 centímetros e com núcleo de pelo de unicórnio, um exemplar extremamente raro. A de Rafael era de cerejeira, 27 centímetros e com núcleo de corda de coração de dragão. Poderosas, isso não se discutia.

Sirius e Hermione acompanharam os Nazareth e os Hernandez até o lado de fora do Caldeirão Furado. Viram os casais e as crianças se afastarem com os braços cheios de compras. Voltaram para dentro caminharam até a lareira, dizendo juntos "Largo Grimmauld, número doze".

Saíram da lareira em direção à cozinha, estavam famintos. Sorvete não é uma refeição. Monstro tinha deixado um lombo de porco assado pronto e levemente tostado, com purê de batas e legumes cozidos. Sirius desceu por uma escada que Hermione até então desconhecia. Quando ele retornou, voltou com uma garrafa de vinho e duas taças. Ali era a adega dos Black.

"Um brinde. À Cassiopeia ou Régulo Black", ele disse oferecendo um cálice meio vazio a ela, que estava com uma sobrancelha levantada. "Sentidos de animago, está bem?". Era óbvio que ele não ia dizer a Hermione que Remo soube primeiro.

"Há quanto tempo?", ela perguntou, rindo.

"Algumas semanas. Notei que o seu aroma estava diferente. De um jeito delicioso, claro", Sirius levantou as mãos em sinal de rendição.

"Então você não vai surtar, nem nada? Eu esperava um pouco mais de resistência da sua parte, Sirius Orion Black".

"Eu pensei em fugir. Pegar a minha moto e sumir no mundo, mas ficar com vocês me parece uma ideia bem mais interessante. À nova geração de Marotos", ele levantou a taça e sorriu.


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