Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: A recepção de vocês foi ótima! Muito obrigada gente! Vou continuar a fanfic e tentar atualizar sempre que puder, espero que eu consiga suprir as expectativas de vocês.
HAUNTED
Capítulo II
_ Sou Itachi, e quem é você, tolo estressadinho?
_ Hei! Quem você 'tá chamando de "tolo estressadinho"? – Sasuke irritado, aproximando-se do homem e cruzando os braços.
Itachi riu minimamente pelo nariz, abaixando a cabeça e encarando o próprio colo. O Uchiha, sentindo-se desafiado pela atitude corporal do mais velho, o puxou pela gola da camisa até que levantasse o outro daquele chão imundo. Sasuke constatou que o homem era alguns centímetros mais alto que ele, pouca coisa, mais ainda sim maior. O corpo de Itachi também aprecia um pouco mais forte que o seu, mas ele estava irritado demais para se importar com isso.
_ Eu aconselho que você me solte agora. – o mais velho falou com suavidade e paciência, com as feições neutras e indecifráveis. Sasuke estalou a língua nos dentes e se preparou para responder rispidamente, mas então um cheiro familiar invadiu suas narinas.
Sangue. E isto não lhe trazia boas lembranças.
Vasculhou o local com olhar, procurando de onde vinha aquele cheiro, logo encontrou uma poça de sangue fresco onde Itachi se sentava há poucos instantes.
_ V-você está ferido? – Sasuke questionou com a voz fraca, tentando deixar as memórias ruins de lado e soltando o corpo de Itachi, contornando-o a fim de analisar suas costas, pois a camisa branca do homem mais velho não estava manchada pelo carmesim na parte da frente. Viu de relance uma ferida na lateral do corpo, bem na altura do rim direito. A camisa social estava rasgada e parecia que fora destruída por algum objeto cortante.
Antes que pudesse analisar a gravidade do ferimento, Itachi se movimentou com extrema maestria e velocidade. Segundos depois Sasuke estava imobilizado contra a pia, encarando o reflexo de ambos pelo espelho. Ele piscou atordoado, não compreendendo como acabara naquela posição. Como que um homem ferido podia se mover dessa forma? E o pior de tudo: vencê-lo desta maneira? Sasuke não era um exímio lutador, mas já passou por poucas e boas na adolescência e mal atingira a vida adulta; nunca alguém foi capaz de imobilizá-lo daquele jeito!
O rosto de Itachi não estava mais indecifrável: exibia ferocidade e autodefesa, como um gato selvagem que foi encurralado por um predador e pretendia lutar por sua vida. Sasuke engoliu em seco, pois não acreditou no que o espelho refletia: se Itachi era parecido fisicamente consigo e com sua mãe, aquele olhar feroz certamente pertencia ao seu pai.
Não havia como imitar aquela ferocidade no olhar. Muito menos como esquecer.
_ Encoste um dedo em mim novamente e você passará longos minutos catando os fragmentos de seus dentes pelo chão. – sussurrou perigosamente junto ao ouvido do mais novo, soltando-o e voltando a se sentar no mesmo local onde estava antes de Sasuke aparecer, não se importando com a quantidade enorme de sangue no chão. Afinal de contas, suas roupas já estavam encharcadas mesmo.
Sasuke demorou a perceber que foi liberado, respirava de maneira ofegante e sabia que uma quantidade enorme de adrenalina foi despejada em seu organismo. Girou o corpo, novamente encarando o homem que agora se sentava ainda mais despojadamente, com os olhos fechados e aparentando cansaço e derrota.
Foi mesmo esse homem que acabara de imobilizá-lo?
De qualquer forma, Sasuke odiava sangue e mesmo que o infeliz houvesse lhe tratado com tamanha brutalidade, ele não seria irracional ao ponto de deixar um homem ferido naquele local.
_ Vamos sair daqui e eu te levo pra um hospital. – Sasuke falou, se abaixando para ajudar Itachi a se erguer.
O moreno mais velho abriu os olhos, revelando novamente feições frias e calculistas, balançando a cabeça em negação e depois sussurrar penosamente:
_ Nós estamos presos aqui, já que porta do banheiro não está abrindo por dentro. Eu estava esperando alguém entrar e pedir para segurar a porta, mas você tinha que entrar todo estressado e deixar a porta bater.
O Uchiha voltou seu olhar para a porta, percebendo que realmente não havia maçaneta do lado de dentro. Correu ao seu encontro, tentou empurrá-la e chutá-la, mas ela não parecia ceder em nenhum momento.
_ Ela abre por fora, não dá para arrombar de dentro.
_ Mas que merda! – Sasuke gritou, dando um chute particularmente forte na porta e machucando seu próprio pé, tentando conter um gemido de dor para não se envergonhar diante do estranho, mas falhou miseravelmente.
Itachi riu alto com o gemido de Sasuke, surpreendendo até a si próprio pela intensidade de sua gargalhada.
O som da risada do outro era contagiante, fazendo com o que o mais novo sorrisse também, apesar de não compreender como um homem, perdendo a quantidade de sangue como estava perdendo, tinha a capacidade de rir. Por outro lado, as duas risadas estavam longe de possuírem um ar de divertimento.
_ Você vai morrer. – Sasuke disse entre o riso, arrependendo-se em seguida das próprias palavras. Merda, ele quase nunca costumava falar sem pensar, mas quando o fazia certamente escolhia os piores momentos possíveis. Itachi não pareceu ligar, balançando a mão num gesto indicando para que ele relaxasse, ainda rindo de leve.
_ É, isso seria bom.
_ Você quer morrer? – Sasuke questionou, agora com feições extremamente sérias. – Foi você quem fez isso? Como parou aqui desse jeito?
_ E por que eu responderia tudo isso para alguém que nem o próprio nome diz? – o moreno de cabelos compridos respondeu, gemendo ao fim da frase. Realmente estava doendo bastante e cada vez mais estava difícil de manter os olhos abertos. Ele queria, no entanto, continuar olhando e conversando com o mais novo, percebendo que este parecia se desesperar cada vez mais com a situação.
_ Meu nome é Sasuke. – respondeu sem muito pensar, procurando algo em seus bolsos, provavelmente o celular.
_ Não se incomode, Sasuke, não tem sinal. Este banheiro 'tá em reforma. Está cheio de máquinas nos fundos e isso impede... Impede... ahn... Desculpa, eu esqueci... O que ia... falar... – o homem disse com ausência completa de coerência, fechando os olhos de novo e respirando mais lentamente.
Sasuke perdeu a sanidade e a calma naquele exato momento, percebendo o quão complicado as coisas realmente estavam. Há alguns instantes estava crente de que um milagre aconteceria, que alguém entraria porta a dentro e conseguiria liberar os dois homens a tempo, mas Itachi estava perdendo a consciência antes do que ele imaginava.
Será que esse era o destino de Sasuke Uchiha para todo sempre? Presenciar mortes em um ciclo de repetição de cinco em cinco anos? Será que ele era assombrado a esse ponto? Sentiu uma extrema dor no peito, mas constatou que Itachi não era um dos cadáveres que vira em sua vida: o outro ainda estava vivo. E ele ainda podia fazer algo. Tinha que fazer algo e acabar com essa maldição em que vivia desde os nove anos de idade!
_ Por favor, não morra! – implorou o moreno mais novo, se aproximando mais ainda do homem a sua frente e segurando sua cabeça com as duas mãos – Abra os olhos, olhe pra mim! SOCORRO!
Gritava em voz alta, repetindo o mantra constantemente, afastando-se de Itachi, batendo a porta e gritando sem parar. Ninguém parecia ouvir, o som do ambiente externo estava muito alto devido à banda do local. O banheiro deveria estar interditado e Sasuke, no momento de raiva, não vira os avisos. Ninguém entraria ali, ninguém iria salvar Itachi, ninguém conseguiria salvar Sasuke de presenciar mais uma morte.
_ Sasuke... – Itachi chamou com a voz fraca e ofegante e o mais novo praticamente se jogou acima dele, novamente segurando sua cabeça – Arma... Calça...
_ Quê?
_ Pega.
Itachi conseguiu forças para erguer uma de suas mãos, segurar fracamente a mão direita de Sasuke e colocá-la sobre sua perna. Os olhos de Sasuke arregalaram-se, e ele não entendeu o gesto peculiar de Itachi até apalpar sua perna e perceber que ele tinha algo em seu bolso. Uma das consciências de Sasuke gritou fortemente em seu ouvido que não era condizente para padrões sociais como os de Sasuke sair apalpando a perna de estranhos ensanguentados à beira da morte, mas o moreno ignorou a demanda cerebral e enfiou a mão dentro do bolso sem cerimônia alguma, encontrando uma Desert Eagle.50 AE¹. Assim que percebeu do que se tratava o objeto, deixou-o cair no chão e Itachi gemeu com impaciência.
_ Você é quem tem que tirar a minha vida, não ele. – apesar das palavras firmes, Sasuke só pode deduzir que Itachi estava em um momento de delírio a beira do paraíso.
_ Você é louco, cara... – Sasuke sussurrou, ainda olhando para a pistola com completa descrença.
Itachi girou os olhos, fechando-os novamente ao perceber que Sasuke não faria o que ele pedira, mas se surpreendeu, arregalando o olhar uma última vez ao ouvir o som estridente do tiro. Teve tempo o suficiente para ver Sasuke de pé ao seu lado, atirando na parede do banheiro que dava para o sentido contrário do salão local, antes de vê-lo cair para trás e bater com tudo no outro lado da parede. Certamente o garoto nunca empunhou uma arma antes e não sabia como aliviar a força do tranco.
_ Ouch! – Ele gemeu dolorosamente ao constatar que deslocara seu ombro do lugar.
_ O que diabos você fez? – Itachi conseguiu falar com mais coerência devido à quantidade de adrenalina que fora despejada no seu sangue remanescente ao ouvir o som alto que apenas uma Desert Eagle consegue fazer. Sasuke sorriu minimamente, soltando a arma ao lado do corpo ao mesmo tempo em que a porta do banheiro era escancarada e seguranças voavam para dentro do recinto.
_ Eu acabei de te salvar.
Se Sasuke iria falar mais alguma coisa, Itachi jamais pode saber. Sua visão novamente ficou turva e ele observou a quantidade fenomenal de pessoas tentando imobilizar Sasuke como se ele fosse um criminoso perigoso.
_ Senhor! Senhor! – ouviu um dos seguranças bradar para si, olhando-o de perto. Itachi deixou uma risadinha abafada escapar de seus lábios, sussurrando suas últimas palavras antes de desmaiar de vez.
_ É um completo tolo mesmo...
(***)
_ Sasuke Uchiha, alguém pagou sua fiança. – o carcerário exclamou, abrindo a cela comunitária e empurrando os outros presos enquanto Sasuke saia com velocidade do lugar imundo.
_ Poxa gracinha, vou sentir sua falta! – um dos presos falou em tom de chacota, imitando barulhos de beijos com os lábios.
_ Você vem me visitar, princesa? – outro perguntou, dando uma beliscada no traseiro de Sasuke enquanto ele se concentrava em sair da cela.
O Uchiha quase voltou para cela e esmurrou aqueles presos até a morte, só não fez isso pois sabia que teria outra denúncia contra ele caso o fizesse. Após tantos acontecimentos nas últimas horas ele voltara a agir com racionalidade, assim respirou fundo e marchou para fora, ignorando os assobios e cantadas pelo caminho. O carcereiro também exibia um sorriso sacana e superior, mas o olhar mortífero de Sasuke fez com que ele voltasse a exibir as feições sérias.
_ Eles não estão acostumados a novatos como você, geralmente pessoas como você já ficam em cela separada por causa do curso superior.
_ Me ouviu perguntar algo? – respondeu rispidamente, fazendo o carcereiro se calar prontamente. Alguns instantes depois chegaram ao portão principal da delegacia e o carcereiro destrancou a porta, permitindo que Sasuke saísse na frente.
O moreno piscou, tentando se acostumar com a claridade do local. Mal percebera que havia amanhecido e o quanto aquela sala de espera era iluminada, demorando a acostumar seus olhos com a bem-vinda claridade; até finalmente focalizar quem pagara sua fiança.
_ Oh... Bosta... Me deixa voltar. – sussurrou para ninguém em particular ao reconhecer o rosto completamente furioso de Kakashi.
O carcereiro, contendo mais uma risada de deboche, simplesmente deu-lhe as costas e voltou para dentro da delegacia, pretendendo acalmar o ânimo dos presos que ainda gritavam por Sasuke. Kakashi avançou lentamente até moreno, fazendo-o se encolher minimamente.
Não, Kakashi nunca fora o tutor de Sasuke, mas isso não significava que a relação que os dois tinham não fosse extremamente parecida com isso. Naruto, que morava com o mais velho, constantemente tinha mais "folga" dos momentos paternos do grisalho, enquanto Sasuke era tratado como o "garoto problema". Até porque ele realmente fora um na adolescência, aparentemente o policial ainda aguardava algum momento de rebeldia fora de época.
Falando em Naruto, o maldito Usuratonkachi também estava presente, um pouco mais distante do que Hatake, encostado na parede e mordendo os lábios numa tentativa de conter uma risada. Dobe filho da puta.
_ Você foi preso. – Kakashi começou um discurso com a voz firme, olhando diretamente em seus olhos com um ar intenso de autoridade. No entanto, a visão de Naruto fizera Sasuke agir naturalmente com um ar desafiador, interrompendo o grisalho com um tom irônico no tom de voz.
_ Oba, você sabe constatar o óbvio.
_ Pela segunda vez! – O grisalho gritou com autoridade. Sasuke sabia que estava realmente muito ferrado dessa vez. No entanto, não iria ceder sem lutar.
_ Auto lá! A primeira vez foi culpa do Naruto!
_ Ei! – o loiro gritou do outro lado da sala, se aproximando dos dois rapidamente e apontando para o peito de Sasuke com o dedo indicador. – Não foi culpa minha! Foi culpa do Kakashi!
O grisalho suspirou pesadamente, recordando desta ocasião em específico.
Naruto tinha acabado de tirar sua carteira de motorista e lhe pediu o carro emprestado, mas ele estava completamente adormecido naquela ocasião, praticamente em transe. Então o inevitável aconteceu: ele concedeu a permissão, mesmo não estando em plena consciência para registrar o empréstimo em sua memória. Naruto pegou o carro, buscou Sasuke e os dois acabaram passando a noite fora, sendo os dois adolescentes inconsequentes que costumavam ser. Kakashi acordou no outro dia para trabalhar e não encontrou o carro estacionado na frente de sua casa, nem passando pela sua cabeça que Naruto teria a ousadia de pegar o carro sem pedir. Como o ele era policial, obviamente acionou seus subalternos para que buscassem seu suposto "carro roubado". E foi assim que Sasuke e Naruto pararam na delegacia de furtos e roubos pela primeira vez. Mas aquela vez Kakashi demorou três dias para tirar os dois de lá, afinal de contas, eles precisavam aprender uma lição.
Funcionou, porque nenhum dos dois chegou perto de seu carro novamente, nem mesmo quando Kakashi oferecia o volante.
_ Vocês andam muito corajosos relembrando isso como algo completamente normal! Ainda acho que não castiguei vocês o suficiente. – Kakashi constatou, agora encarando Naruto de frente. O loiro se limitou a engolir em seco e coçar a nuca sem jeito, sorrindo envergonhado e murmurando um "foi mal, foi mal".
As feições do grisalho instantaneamente amaciaram e Sasuke girou o olhar: odiava esse jeito natural que Naruto possuía de conseguir tudo que queria com Kakashi.
_ O que você sugeria que eu fizesse, hein? Deixasse o homem morrer? Ninguém estava me ouvindo lá de dentro, precisei fazer um barulho maior. – falou para Kakashi, gesticulando com impaciência.
_ Onde conseguiu aquela arma, Sasuke? – Kakashi questionou, deixando de manter o ar autoritário e adquirindo a postura preocupada. O moreno, no fundo, no fundo, não sabia o que era pior: se o Kakashi furioso ou o Kakashi super protetor.
_ Como assim? É do cara, do Itachi.
_ Então esse é o nome dele?
_ Ele morreu? – Sasuke questionou com a voz falha, não acreditando que todo seu esforço foi em vão. No entanto, para sua surpresa, Kakashi balançou a cabeça negativamente.
_ Não, Sasuke, ele não morreu, mas perdeu bastante sangue, precisou de uma cirurgia, transfusão, tudo que você possa imaginar. Ele ainda está sedado e desacordado. E não conseguimos identificá-lo.
_ Mas como? Ele estava sem a carteira? Será que foi um assalto?
_ A coisa é mais complicada do que você imagina. – Naruto se pronunciou novamente, fazendo a cabeça dos dois homens voltarem para ele. – Esse homem não tinha nenhum tipo de identificação, Sasuke... Ele não tem sequer digitais nos dedos!
_ Quê? Como isso é possível? – o moreno arregalou o olhar, sentindo-se cada vez mais incomodado com os olhares penetrantes de seus colegas. Um homem em especial apareceu e pigarreou, Sasuke reconheceu prontamente a voz do delegado.
_ Uchiha, vou permitir que você saia sem iniciar o inquérito por baderna e porte ilegal de arma, se você prestar informações, mas isso se deve a amizade que tenho com Kakashi e por saber que você compreende a gravidade da situação. Espero que coopere.
(***)
_ Não, não, Hinata, foi apenas um contratempo... Relaxe, Sasuke já saiu da delegacia e está sendo o Teme insuportável de sempre. Eu te ligo quando chegar em casa, ok? Beijos. – Naruto desligou seu celular, soltando um assobio aliviado enquanto se aconchegava no banco de passageiro de Kakashi.
O grisalho observava a postura de Naruto pelo canto do olho com certa curiosidade. Sabia quem era Hinata, a atual namorada do loiro, mas ainda assim ele tinha extrema dificuldade para engolir que este realmente gostasse da menina.
Naruto sempre foi mais fácil de lidar do que Sasuke. Apesar do loiro ainda ter seus momentos de tristeza e possuir alguns traumas do passado, não gerou metade da confusão que Sasuke gerava quando tinha seus quinze/dezesseis anos. Desta maneira, Kakashi tentou ao máximo tratá-lo como um adulto, dando-lhe tarefas na casa e fazendo-o perceber que eles eram amigos, acima de qualquer coisa.
A diferença de idade podia parecer grande antigamente, mas a cada ano se tornava mais irrelevante. Kakashi estava perto dos trinta anos, enquanto Naruto acabara de entrar na casa dos vinte. As pessoas na rua sempre os confundiam com irmãos, pois ele aparentava ser mais jovem do que realmente era, talvez por isso (ou pela independência de Naruto) raramente agia como um verdadeiro tutor para com o outro. Tanto é que mesmo depois de atingir a maioridade, o Uzumaki continuara na sua casa, mas desta vez ajudando nas despesas com seu trabalho. Para qualquer estranho, não passavam de colegas de apartamento.
Já Sasuke sempre fora tratado por Kakashi como um filho - e dos bem rebeldes e complicados. O grisalho soube desde o momento que retirara o garotinho da casa dos Uchiha naquele dia tenebroso que estaria ligado a ele por toda vida; sentiu isso naquele instante e, por isso, continuara a manter contato com Minato. Ele só não tinha a consciência de que ganharia um loiro hiperativo de brinde e o quanto esse garoto acabaria se tornando importante com o tempo.
_ Ela está brava? – perguntou casualmente, continuando a dirigir para a o apartamento dos dois. Naruto fez um barulho de negação com a garganta, aparentando finalmente o cansaço que toda a confusão com Sasuke causara aos dois. Kakashi nada mais pronunciou e um silêncio desconfortável se estendeu.
_ Na verdade, não. – resolveu falar, pois o silêncio já estava começando a ficar incômodo. – Ela só estava preocupada comigo e com o bastardo... Ela é uma moça muito boa.
_ E por que você parece um miserável mesmo me dizendo isso? – Kakashi perguntou com curiosidade, Naruto ficou tenso ao seu lado. Sentou-se adotando uma postura impecável, o que apenas indicara que ele estava nervoso, e depois riu sem jeito, coçando a nuca e agindo como se estivesse desconfortável com alguma coisa.
_ Eu só estou cansado Kakashi. Não manipule as palavras pra fazer parecer que eu não gosto da Hinata-chan.
_ Eu não estou dizendo isso... Quem 'tá falando isso é você.
Kakashi continuou a dirigir em silêncio; desta vez Naruto decidiu ficar quieto também. Todo o caminho de volta para casa foi feito na companhia apenas de seus pensamentos, cada qual tirando algumas conclusões do silêncio pouco esclarecedor.
(***)
Sasuke assistia as feições serenas de Itachi enquanto este permanecia adormecido naquela cama de hospital, suspirando alto e tentando se acomodar melhor na cadeira do quarto de leito.
O moreno, inevitavelmente, precisou ir direto da delegacia ao hospital para arrumar seu braço, que agora estava imobilizado e enfaixado. E tanto Naruto quanto Kakashi não compreenderam porque o Uchiha decidiu permanecer como acompanhante de Itachi naquele local. Naruto lhe perguntou mais de uma vez porque se arriscara tanto por um estanho que, provavelmente, tinha problemas com a polícia, afinal, não era normal uma pessoa queimar a ponta de todos os seus dedos para não ser identificado e carregar armas perigosas e sem número de série; Sasuke não soube responder com palavras, limitando-se a dar de ombros.
A verdade é que o fato de Itachi (ou seja lá qual for seu nome) ter sobrevivido se devia exclusivamente à sua interferência. Ele jamais fora uma pessoa religiosa, alguém que acreditasse em milagres ou destino, mas ele preferia considerar a situação de ter encontrado o homem naquelas condições como uma redenção. Sentia-se um pouco mais leve, como se pudesse finalmente ser útil e salvar a vida de alguém, já que a de seus pais e padrinhos ele fora incapaz de salvar.
Tal pensamento era até mesmo egoísta, mas Sasuke não conseguia evitar. Sentia-se extremamente feliz por Itachi estar vivo, mesmo ele sequer possuindo qualquer tipo de relevância em sua vida até então.
Levantou-se de sua cadeira, desistindo de tentar dormir na situação completamente desconfortável em que estava submetido. Caminhou algumas vezes pelo quarto, tentando se distrair com alguma coisa, até que finalmente a ficha pendurada na cama do hospital chamou sua atenção. Pegou-a e analisou os poucos dados escritos na planilha:
Nome: Desconhecido.
Filiação: Desconhecida.
Endereço: Desconhecido.
...
Realmente esclarecedor. Sasuke pensou ironicamente, lendo os "desconhecidos" em sequência. Uma informação em específico, no entanto, chamou sua atenção.
Tipo sanguíneo: O.
Fator RH: negativo.
Seus olhos leram essas duas linhas algumas vezes, até que pendurou novamente a ficha na cabeceira da cama. Sentou-se novamente na cadeira e analisou Itachi com olhos ainda mais críticos.
_ Acho que estou ficando louco. – sussurrou simplesmente, fechando os olhos e pensando em silêncio.
O filho da puta do Itachi, além de parecer uma xérox de sua mãe, ter o olhar de seu pai e toda essa loucura que Sasuke não conseguia tirar da cabeça, tinha o mesmo tipo sanguíneo e fator RH que ele. O jovem adulto podia odiar tudo ligado a sangue nesse mundo, mas ele sabia algumas coisinhas básicas a respeito de seu próprio sangue: era um tipo raro, pouca parcela da população o possuía. Kakashi constantemente recomendava que ele doasse seu sangue, mas o simples fato de pensar nessa possibilidade o fazia enjoar.
Como é que Itachi podia ter tantas coisas em comum com ele? Parecia loucura completa da sua cabeça pensar nisso, mas era como se ele estivesse olhando para algum parente. No entanto, Sasuke sabia que era o único Uchiha remanescente no mundo, afinal, seu pai havia deixado claro quando ele era pequeno que caberia a ele continuar o nome da família, ter seus filhos e administrar a empresa – empresa essa que já havia falido.
_ Por que me olha como se eu fosse uma assombração, Sasuke? – ouviu a voz rouca de Itachi soar.
O mais velho sequer abrira os olhos, provavelmente sentira a intensidade fulminante de seu olhar. O Uchiha não conseguia saber a quanto tempo o moreno estava acordado e se percebera toda sua movimentação, mas não havia porque adiar essa conversa; ele estava confuso, imaginando coisas que só aconteciam em novelas mexicanas e, por isso, ele precisava retirar esses pensamentos tolos de sua mente.
_ Qual é seu sobrenome Itachi?
O moreno machucado abriu os olhos, revelando as íris extremamente negras tão semelhantes as suas. E então permaneceram naquele ato, cada qual encarando o olhar do outro com extrema intensidade. Itachi foi o primeiro a piscar, sorrindo de canto de boca enquanto olhava para a janela do quarto de hospital.
_ O que foi Sasuke? Está colocando caraminholas na sua cabeça só porque somos parecidos?
O Uchiha corara com aquelas palavras. Realmente parecia uma idiotice pensar no que ele estava pensando, mas ele não conseguia evitar. O fato de Itachi pontuar sua loucura o deixara ainda mais convicto de que deveria estar procurando pêlo em ovo, mas ainda sim várias coisas naquela história toda não se encaixavam.
_ Quem é você? – tornou a perguntar, tentando uma abordagem diferente. Itachi riu de maneira prepotente pelo nariz, gesto que Sasuke compreendera fazer parte da personalidade do homem mais velho e novamente voltou a fitar os olhos de Sasuke.
Desta vez, o mais novo conseguiu perceber algo que lhe passara completamente despercebido na ocasião passada: Itachi, apesar de possuir o olhar feroz semelhante ao de seu próprio pai, também possuía os olhos mais belos que já vira na vida. Eram mais bonitos do que os olhos de Naruto, algo que Sasuke jamais considerou que pudesse existir na face da Terra. Seus olhos eram levemente puxados, com cílios compridos e espessos. A cor não era tão apática como antes demonstrava, pois os olhos de Itachi eram extremamente negros assim como os seus, mas possuíam um degradê extremamente peculiar, de modo que ao redor da pupila podia-se perceber nuances de castanho acaju... ou seria um vermelho sangue?
Pessoas normais não possuem olhos vermelho sangue! Sua mente protestou prontamente, mas logo outro lado de sua consciência exclamou: Oras, e o que tem de normal no Itachi?
_ Eu salvei sua vida, acho que mereço saber isso. – Sasuke recomeçou, ignorando o arrepio que aquele olhar causava em si.
Itachi inspirou profundamente, fechando e abrindo os olhos diversas vezes e decidindo, por fim, parar de fitar o rosto do outro. Encarou o teto, como se escolhesse a melhor forma de responder aquela pergunta.
_ Me manter vivo foi a pior escolha que você fez na vida. – respondeu com a voz ainda mais rouca. Sasuke parou de respirar, aguardando as demais palavras do estranho. – Eu vou ser a sua ruína, Sasuke.
... Continua ...
¹ - Não seria uma Uchihacest de minha autoria se não tivesse armas (hoho adoro). Desert Eagle calibre 50 Action Express é uma pistola semiautomática extremamente barulhenta, da um coice (tranco, sei lá, terminologia que preferir) muito forte e é capaz de perfurar paredes e coletes a prova de balas de uma distância considerável. E é linda de morrer *-* Nem preciso dizer o estrago que isso faz, né?
