Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: Capítulo novo finalmente!
Minha outra long-fic ativa possui revisora, mas Haunted não. Gostaria de aproveitar esse espaço para perguntar se alguém tem o interesse de me ajudar revisando apenas o português e erros de concordância, nada muito pesado. Caso eu não encontre revisores, vocês vão ter que arcar com os errinhos eventuais ok? Perdoem-me, pois estou realmente sem tempo pra reler o capítulo e ver se há erros (e se me conheço, deve haver =P).
Beijos enormes a todos e obrigada meeesmo por comentarem =D
Espero que gostem!
HAUNTED
Capítulo III
_ Me manter vivo foi a pior escolha que você fez na vida. – respondeu com a voz ainda mais rouca. Sasuke parou de respirar, aguardando as demais palavras do estranho. – Eu vou ser a sua ruína, Sasuke.
_ O... o que quer dizer com isso? – o mais novo questionou completamente perdido, levantando-se da cadeira e se aproximando mais ainda da cama de hospital. Itachi apenas sorriu de canto de boca, relaxado, fechando os olhos e inspirando profundamente, como se não tivesse pronunciado nada de tão grave. Sasuke trincou os dentes diante de tal reação, sua raiva crescendo progressivamente. – Você está me ameaçando?
_ Eu? De onde tirou isso? – o moreno de longos cabelos questionou, ainda mantendo os olhos fechados e sorriso à postos, falando com um tom de voz de chacota que era o combustível necessário para aumentar ainda mais a raiva crescente do Uchiha.
Sasuke estava se sentindo no auge de sua irritação. Esse homem, além de bagunçar com sua rotina, ter a aparência semelhante aos seus pais, ainda tinha a audácia de tirar sarro da sua cara tão descaradamente? Estava se irritando por demasia na presença daquela pessoa, mas sabia que não podia abusar da boa vontade da lei mais uma vez em tão pouco tempo, então preferiu sair irritado do quarto, batendo a porta em seguida.
_ S-senhor Uchiha! – a médica plantonista o chamou, correndo ao seu lado pelos corredores do hospital e tentando pará-lo para conversar. Sasuke apenas se desvencilhou do toque da mulher, exclamando com uma voz arrastada e irritada a informação que, para ela, seria pertinente.
_ Teu paciente palhaço acordou!
Reavaliando a importância dos acontecimentos, a médica deixou o Uchiha em paz, caminhando até o quarto do desconhecido com velocidade. Sasuke, frustrado, retornou ao seu pequeno apartamento, batendo a porta com tanta força que provavelmente acordara todos os moradores do prédio.
Grunhiu em frustração, puxando os próprios cabelos com força enquanto se jogava de encontro à própria cama. Acreditava que iria remoer todo esse mistério que aparecera em sua vida em tão pouco tempo, mas devido ao seu grande cansaço (já que ficou preso na delegacia e sem dormir), assim que se aprumou adormeceu quase que instantaneamente em um sono sem sonhos: sem Itachi, sem Mikoto.
Deus parecia estar lhe dando uma noite de folga.
(***)
Os dias se passaram, Sasuke tentou ao máximo não voltar mais àquele hospital. Irritava-se demais com a presença de Itachi e seus comentários ácidos de tempos em tempos. Bem verdade que voltou no dia seguinte, logo depois do expediente (precisou matar aula para isso). Questionou o mais velho durante horas sobre quem ele era e o que ele fazia naquele momento no banheiro público onde ocorrera o suposto "acidente", mas Itachi se limitava apenas a sorrir de maneira prepotente e analisá-lo com olhos curiosos, sequer verbalizando um simplório: "não vou responder, desista".
E quando falava era para provocar Sasuke: o chamava de "tolo", "estúpido" e "inconsequente", em meio a frases elaboradas e extremamente constrangedoras. Nem é preciso dizer que o humor do Uchiha estava delicado e por um fio.
No terceiro dia, Sasuke partiu para cima de Itachi com punhos fechados envolto em uma áurea tão violenta que tinha certeza que podia ser vista a olho nu.
Mas o homem era sortudo, se é que poderia considerar isso um sinônimo de sorte: como Itachi se recusava a responder os questionamentos dos oficiais da lei, então foi considerado um homem perigoso e era fiscalizado de perto por um policial até que recebesse alta e fosse encaminhado a um presídio local, onde aguardaria a data de seu julgamento em prisão preventiva. Tal segurança, obviamente, ouvira a explosão de Sasuke e conseguira interferir antes de Itachi sofrer a consequências físicas de sua língua afiada.
Sasuke sumira do quarto de Itachi por uma semana depois desse incidente. Quando finalmente tentara, mais uma vez, retornar e questioná-lo, foi barrado pelos médicos e pelo policial.
_ Por que volta tanto para visitar esse preso? – eles inquiriam. – Sua atitude está muito suspeita!
Permaneceu frustrado por mais alguns dias, tentando novamente o contato com Itachi, mas não lhe fora permitido sequer de adentrar no quarto onde o mais velho se recuperava. Em uma tarde em específico, quando Sasuke recebera um dia de folga de seu emprego, dois policiais bateram em sua porta.
_ Sim? – o Uchiha atendeu a porta com o cenho franzido, encarando os dois policiais conhecidos, pois Kakashi era o superior de ambos e Sasuke já os conhecia de outras ocasiões.
_ Senhor Uchiha, temos mandado para investigar sua residência. – um deles falou com educação e profissionalismo, fingindo não lhe conhecer, entregando o documento para que ele avaliasse sua veracidade.
O Uchiha verificou a autenticidade do mandado depois de um minuto de leitura, dando licença para que os policias investigassem o local.
_ O que procuram? – Sasuke questionou com irritação, indignando-se quando o outro policial, que permanecia calado até então, abria cada porta de seu armário.
Nenhum dos dois respondeu. Demoraram-se mais alguns minutos em seu apartamento, mas ao final da busca não encontraram o que procuravam. Despedindo-se dele com um aceno leve de cabeça e retiraram-se. Sasuke imediatamente retirou seu celular do bolso, discou para Kakashi e aguardou sem muita paciência que o grisalho atendesse o telefonema para que pudesse sanar sua dúvida.
(***)
_ Naruto.
_ Hum?
_ Atenda meu celular. – Kakashi falou com a voz firme, ainda compenetrado em sua leitura pornográfica, entregando o aparelho para o mais novo.
Naruto, desgrudando os olhos da televisão, visualizou o celular e percebeu se tratar de Sasuke. Questionou Kakashi com o olhar, e este, apesar de exibir o semblante entediado de sempre, o correspondeu com um olhar nervoso.
_ Sasuke nunca te liga e você sempre reclama, quando ele liga não quer falar com ele?
_ Sasuke deve ter acabado de descobrir que Itachi fugiu, pois dois membros de minha equipe foram procurá-lo em sua casa... Ou talvez eles tenham percebido o perigo iminente e preferiram manter o silêncio. Qualquer um dos dois casos significa o apocalipse na Terra.
_ Kakashi! – Naruto exclamou com irritação, ignorando o toque irritante do celular do grisalho. – Como pôde suspeitar de Sasuke assim?
_ Não seja idiota! Eu não suspeito dele, eu só permiti a busca para calar a boca do pessoal que realmente suspeita! Essas visitas estranhas do Sasuke nada contribuíram para sua presunção de inocência.
O Uzumaki ficou quieto, ainda olhando o aparelho que vibrava e tocava. Logo o aparelho se silenciou, mas dentro de instantes voltou a tocar. Decidido, o Uzumaki jogou o celular de volta ao colo do ex-tutor enquanto se levantava e buscava um casaco em seu quarto. Ao retornar à sala, Kakashi aguardava com o mesmo olhar questionador que Naruto lhe direcionara há poucos instantes.
_ Vou amaciar a fera, você ganhe tempo, ok?
Kakashi sorriu um sorriso que suas vestes impediam Naruto de ver, e deslizou o dedo no touch-screen do aparelho, atendendo-o e ouvindo os primeiros berros irritados de Sasuke do outro lado da linha no exato instante em que loiro saia de casa com velocidade.
(***)
Itachi fugiu.
Kakashi demorou a responder seus questionamentos e andara em círculos por muitos e muitos minutos. Quando finalmente recebeu a informação que buscava, Sasuke sequer se incomodou em responder, desligando o aparelho em seguida.
Milhões de coisas passaram em sua mente em poucos instantes. Óbvio que esperava que Itachi fosse tentar fugir, afinal de contas o indício de que seria condenado era muito grande. Mas como ele conseguira fazer isso se sempre havia um guarda de plantão à frente da porta de seu quarto? Ele tinha a plena consciência que o moreno prepotente estava próximo de receber a alta hospitalar, então deveria estar munido de uma saúde razoável... Mas como uma pessoa conseguiria fugir durante uma tarde de sexta-feira ensolarada sem ser percebido?
Antes que pudesse se perder mais uma vez em seus pensamentos, ouviu a maçaneta ser girada e visualizou um Naruto vestido de roupas pretas adentrar em sua casa, pegando-o de surpresa. Não que fosse surpreendente o Uzumaki invadir sua casa, mas era no mínimo surreal imaginá-lo vestido de roupas escuras. Questionou-se por um instante como o amigo conseguira entrar sem bater, mas depois se lembrou que não trancara a porta desde a saída dos policiais.
Naruto agradeceu a todos os deuses do Olimpo quando, mais uma vez, invadiu o apartamento do moreno e o encontrou intacto e sem vestígios de fúria Uchiha. Mas Sasuke não ficou nada feliz ao ver a cara de raposa levada do amigo, se jogando de encontro à cama e cobrindo a cabeça com o travesseiro, tentando abafar o som do tagarelar que tanto o irritava.
_ Estava começando a achar que havia acontecido algo a mais naquele tempo que vocês dois ficaram presos no banheiro, Teme! Não é normal alguém se hipnotizar por um estranho desse jeito! 'Tá certo que o Kakashi também adquiriu algum tipo de obsessão paternal por você depois que te tirou... ahn ... Bom, você sabe. Mas o bizarro lá parece não dar a mínima pra você e...
_ Argh Usuratonkachi! – Sasuke gritou, saindo debaixo do travesseiro e atirando o objeto no loiro, tentando fazê-lo se calar. Estava com a cabeça latejando! – O que você quer hoje caralho?
Naruto sorriu, adorando finalmente arrancar um tipo de reação de Sasuke, mesmo que fossem palavrões e xingamentos. Afinal de contas, já fazia semanas que o mais velho parecia apenas existir, mas não realmente viver.
Vasculhou seus bolsos com velocidade, procurando algo que provavelmente perdera nas próprias roupas. O Uchiha observou a cena com olhar impaciente, sabendo que boa coisa não sairia dos bolsos do loiro. Girou os olhos quando, depois de dois minutos, este não havia encontrado o que procurava, até que finalmente ouviu uma exclamação de felicidade.
_ Show, agora, porque a fila vai estar grande! – Naruto disse, revelando dois ingressos brilhantes que acabara de retirar do bolso traseiro. Sasuke não tinha certeza se o ingresso brilhava mais do que o sorriso estampado na cara de pau do Uzumaki ou se acontecia o inverso.
_ Quê? – questionou, verdadeiramente não entendendo como Naruto podia ter essa tendência bizarra de incomodá-lo e tirá-lo do sério com tanta facilidade.
_ Show! Daquela banda...
_ Naruto, vaza! – interrompeu, saindo da cama e tratando a empurrar o colega porta a fora.
_ Mas...! Sasuke!
A argumentação foi intensa, mas rápida. Em quinze minutos Sasuke já tinha as primeiras peças de roupas jogadas sobre si e se vestia, tentando driblar o mau humor crescente. Naruto continuava a exclamar paspalhices sem sentido em voz alta, até que depois de muito esforço conseguiu retirar o moreno de seu covil das trevas e levá-lo para o almejado show de rock.
(***)
Sasuke queria morrer.
O show era horrível! E a banda era tenebrosamente ruim, a bebida era quente, os homens estavam mais bêbados do que solteiros em carnaval e as mulheres eram irritantes e desinteressantes como de costume! Naruto, para o seu completo desespero, não parecia ter saído intencionando encontrar uma companhia feminina, pois não largara seu pé nem sequer por um minuto. Quando questionado, o outro deu de ombros, afirmando que possuía namorada e não pretendia trair Hinata.
_ Mas você sempre teve namorada e isso nunca te impediu...! Não que eu esteja encorajando a ser o filho da puta de costume. – Sasuke falou, levemente interessado. Será que Naruto realmente estava apaixonado dessa vez?
Para sua surpresa, Naruto apenas suspirou casado, acariciando a parte de trás do pescoço como se tentasse aliviar um torcicolo e solveu o resto do conteúdo de sua long-neck de uma só vez, deixando a garrafa cair no chão em seguida. Não que isso fizesse alguma diferença, o local estava imundo e aglomerado de pessoas. Sasuke precisara implorar para que o loiro aceitasse assistir o show de longe, o mais longe possível daquela muvuca.
_ Eu... Sei lá, Teme! Eu gosto da Hinata-chan, mas também não é aquela coisa.
_ Mas então de onde veio essa historia de fidelidade?
_ Eu acho que eu... hum... Amadureci. Acho que quero dar uma chance pra ter um relacionamento sério de verdade, Hinata é a pessoa certa pra isso. – Naruto falou um pouco pensativo, olhando para a iluminação exagerada do palco.
Assim que proferira tais palavras, um bêbado saiu de dentro da multidão, se segurando na parede ao lado de Sasuke e vomitou bem próximo aos seus pés. O moreno olhou para o amigo com aquela cara mortífera onde se lia claramente: "Isso tudo é culpa sua, te condeno a eternidade de sofrimento no inferno!".
_ Pessoas maduras não costumam frequentar lugares assim! – respondeu secamente, dando a volta ao redor de Naruto e escorando-se na parede em seu outro lado, o mais longe do bêbado e de seus fluídos estomacais.
_ Eu só estou tentando te distrair Sasuke! Você vai ficar louco se continuar pensando no mistério do Itachi! Eu estou preocupado com você. – Naruto falou com seriedade, ainda perdendo seu olhar nas luzes psicodélicas e mal parecendo ter consciência do bêbado ao seu lado direito. Sasuke também ficou calado, observando as luzes e fingindo prestar atenção no show. Ele sabia muito bem o que significava o teor das palavras que acabara de ouvir.
Apesar de aos olhares alheios isso não estar evidente, Naruto e Sasuke desenvolveram um companheirismo grande com o tempo. Quem iniciou o "procedimento de distração" foi Sasuke, logo após a morte da família Namikaze-Uzumaki, levando-o para jogar, sair ou estudar sempre que o Uzumaki se mostrava melancólico, mesmo que não gostasse muitas vezes de fazer essas atividades.
Ele sabia que fazia bem para a mente esquecer um pouco dos problemas e se distrair, e o outro aprendera isso com ele. Não precisava que ele expressasse diretamente, mas tinha plena consciência de que seu amigo apenas o trazia para esses lugares inusitados e encontros às escuras por se preocupar consigo e desejar espantar fantasmas que sempre alimentava em seus momentos de solidão. O Uchiha só não conseguira se recordar ao certo quando foi que Naruto passou a não precisar mais de sua ajuda, e sim a ajudá-lo.
Talvez ele realmente houvesse amadurecido...
_ Da próxima vez vamos ao cinema, ok Dobe? Black Metal não faz parte do meu gosto musical, garotas irritantes e esmagadas dentro de espartilhos não fazem meu tipo e, principalmente, bêbados em estado catatônico também nada me apetecem. – falou com um sorriso singelo e tímido nos lábios, exibindo minimamente a sua gratidão. Naruto desviou o olhar das luzes, encarou Sasuke e deu um soquinho de brincadeira em seu braço, sorrindo largamente em retorno.
_ Nenhum tipo de garota faz seu tipo, Teme...! Vamos beber! – exclamou o mais novo entusiasmado, apontando para o bar que ficava o mais longe possível do palco.
Sasuke fez uma careta ao imaginar o gosto de mais uma cerveja quente em seus lábios, mas deu de ombros, começando a andar na direção sugerida pelo colega.
_ Ok.
Já que estava no inferno mesmo, o mínimo que podia fazer é abraçar o capeta¹... Ou a tequila.
(***)
_ Temeeeeeeeeee... Cuidado... Não vai...! – Naruto gritava, apoiando-se em Sasuke com um braço e fazendo os dois praticamente caírem de encontro ao chão.
_ Sai de mim Usuratonkachi! – o Uchiha balbuciou, empurrando o amigo bêbado para trás e fazendo-o cair sentado no chão.
Bom, ao menos não foram os dois.
Kakashi assistia a cena com a mão na testa perguntando mentalmente ao bom Deus: "onde foi que eu errei?". Realmente não sabia o que fazer com esses dois! Acreditava que os garotos já tinham atingindo a vida adulta e não agiriam mais como os adolescentes inconsequentes de sempre, mas nesse momento não conseguia definir qual dos dois estava mais bêbado. Suspirou fundo e agarrou Naruto pela gola, puxando-o para cima e colocando-o de pé enquanto ignorava seus protestos irritados.
Estava com vontade de trucidar os dois homens à frente! Não acreditava que os seguranças da casa de show tiveram que ligar para que ele fosse buscá-los porque ambos sequer estavam em condições de andar na rua sozinhos. Realmente, fazia mais de um ano que isso não acontecia, e depois de ter de buscar Sasuke na delegacia há alguns dias acreditou que os garotos o dariam férias por alguns meses.
Grande engano.
_ Sasuke, vai dormir! Vou com Naruto pra casa e amanhã eu brigo com vocês! – ordenou com o tom de voz cansado, ainda puxando o loiro pela gola em direção ao elevador.
_ Hn. – o moreno respondeu, fechando a porta e trancando-a com um girar de chave. Não sabia se ria ou chorava de seu estado alcoólico deplorável que o fazia tropeçar pelo apartamento.
Não passava pela sua mente naquele instante que ele se sentiria como um lixo no dia seguinte, mas uma consciência falava bem baixinho em seu ouvido que talvez, apenas talvez, ele devesse ter bebido um pouquinho a menos... Talvez apenas umas sete doses a menos de tequila já estaria de bom tamanho.
_ MAS QUE BOSTA! – gritou em plenos pulmões a dar uma topada extremamente dolorosa em um dos móveis da sua apertada residência.
Mancando e agora sentindo uma dor lancinante, conseguiu chegar até a cama, arrancar seus sapatos e se enfiar debaixo das cobertas geladas. A dor da topada, conjuntamente com o frio da cama, o fizera despertar consideravelmente e começar a ter enjoo.
– Era só o que faltava... – murmurou para consigo mesmo, tentando se levantar novamente para ir até o banheiro.
O escuro e grau de embriaguez nada ajudavam, e Sasuke estava prestes a cair de encontro ao piso de madeira de seu quarto, quando uma mão o aparou pelo braço, ajudando-o a se manter erguido. O Uchiha podia estar bêbado como um gambá, mas ainda conseguia perceber que não era normal ter alguém em sua casa naquele horário, muito menos quando ele se certificara de que a porta estava trancada ao entrar. Sem sentir qualquer desespero (afinal, o álcool costumava deixá-lo corajoso) apertou os olhos na tentativa de enxergar no escuro e conseguiu visualizar uma silhueta consideravelmente conhecida bem próximo de si.
_ Eu já dormi? – perguntou para o estranho, ganhando aquela risadinha cínica e prepotente pelo nariz.
_ Você costuma sonhar comigo, é? – perguntou Itachi, ainda auxiliando-o a caminhar até o banheiro.
Sasuke não respondeu, estava enjoado demais para abrir a boca. Sem se questionar como Itachi descobrira sua moradia e de que maneira a invadira, muito menos se perguntar o que diabos aquele homem estaria fazendo ali, agarrou-se nas vestes do homem maior como se sua vida dependesse disso, aceitando o auxílio: chegar até a privada naquele momento parecia muito mais importante do que descobrir o que um foragido da lei estava fazendo no escuro e em seu apartamento.
(***)
O mais velho aguardava do lado de fora do banheiro. Acendera a luz e agora fumava um cigarro despreocupadamente, explorando a pequena quitinete de Sasuke enquanto ouvia os barulhos característicos de vômito e xingamentos de dentro do banheiro. Abriu uma gaveta, percebendo uma coleção considerável de revistas pornográficas, remédios para dor de cabeça, um livro de Stephen King surrado com as folhas extremamente gastas e uma lanterna. Abriu a segunda gaveta, encontrando algo mais interessante: um álbum de fotografias.
Sem grandes delongas, sentou-se a borda da cama, pousando os olhos sobre cada fotografia num período de 3 segundos, antes de virar a página com velocidade. Pretendia ver o máximo de fotos que conseguisse no breve período de tempo em que Sasuke estava no banheiro.
Ao que tudo indicava, se tratava da família de Sasuke, pois uma criança com o mesmo rosto e cabelo do jovem estava na maioria das fotos, sendo abraçada por uma mulher de cabelos longos ou recebendo olhares reprovadores de um homem com aparência autoritária; deveriam ser seus pais...
Certamente eram os pais de Sasuke.
Também havia fotos com outras pessoas: uma criança loira, um adulto também loiro e uma mulher ruiva muito bela. A última foto do álbum era de um homem de cabelos grisalhos, sozinho e com o rosto encoberto. Itachi, que observou cada fotografia com velocidade e sem alterar suas feições sérias e compenetradas, guardou o objeto exatamente no mesmo instante que Sasuke saia cambaleando do banheiro.
Sasuke não foi rápido o suficiente para pegar Itachi com a mão na massa. Fitou o homem mais velho por alguns instantes, antes de suspirar em derrota e sentar-se ao seu lado na cama.
_ Não fume na minha casa! – ordenou com irritação. Itachi fez menção de se levantar para apagar o cigarro, mas sorriu desafiadoramente, deu uma longa tragada e baforou a fumaça sobre o rosto de Sasuke, que tossiu freneticamente.
_ Não me de ordens! – falou com a voz rouca, levando o cigarro à boca para um segundo trago.
Sasuke, furioso como nunca, esticou o braço e conseguiu arrancar o cigarro de Itachi, jogando no chão e pisando com o pé descalço para apagar a chama. Seus olhos lacrimejaram de dor, se esquecera que retirou os sapatos, mas tentou fazer com que tal gafe passasse despercebida perante aquele que o desafiara. A tentativa foi frustrada, pois agora Itachi gargalhava com vontade, abraçando a barriga numa tentativa de controlar o riso.
_ O que está fazendo na porra da minha casa seu idiota? – Sasuke questionou entre os dentes cerrados, e rosnou irritado quando Itachi demorava a se controlar para responder.
Depois de muita luta, o moreno de longos cabelos conseguiu se controlar, olhando para Sasuke com feições frias e indecifráveis novamente.
Ele possui mudanças de comportamento muito abruptas, talvez sofra de algum desvio de personalidade... – sua mente chegava a esta conclusão, pois o Itachi a sua frente não parecia o Itachi que gargalhava divertidamente há poucos segundos atrás.
_ Eu estou aqui para cumprir minha dívida. – o mais velho respondeu, para a surpresa do menor, o qual geralmente não tinha o prazer de ouvir respostas às perguntas direcionadas ao homem misterioso.
_ Dívida? Do que você 'tá falando?
_ Você salvou minha vida, então tenho que retribuir salvando a sua. Só depois que eu fizer isso, estaremos quites. Faz parte do meu código de honra.
Sasuke ainda estava levemente embriagado, com muita dor no corpo e estômago, mas a constatação nada peculiar de Itachi fez com que ele se esquecesse de todos esses empecilhos e o fitasse com descrença total, e desta vez foi a vez de Sasuke gargalhar. Ao contrário do moreno mais novo, Itachi não pareceu nem um pouco incomodado, limitando-se apenas a levantar e se sentar do outro lado do cômodo, onde havia um sofá de dois lugares. Cruzou as pernas, acendeu um segundo cigarro e aguardou.
Quando o cheiro de nicotina atingira as narinas do Uchiha, este perdera completamente o senso de humor e, novamente, fuzilava o mais velho com o olhar. Sasuke era uma pessoa extremamente asseada, sua casa não podia cheirar a nada a não ser os produtos de limpeza que costumava utilizar.
_ Já mandei não fumar aqui dentro!
_ O acordo consiste apenas em salvar sua vida, não há mais nenhuma cláusula implícita de qualquer outra coisa que eu precise fazer.
_ Cara, quem diabos é você? – Sasuke perguntou cansado, se jogando na cama e cobrindo os olhos com o braço.
Estava farto, cansado, estressado e com início de ressaca, não queria ter que lidar com esse tipo de gente louca naquele momento. No fundo, ele se sentia extremamente aliviado por Itachi não ter desaparecido, poderia tentar a sorte mais algumas vezes e fazer novas perguntas, mas tudo que ele queria agora era dormir... E, se desse sorte novamente, não sonhar com sua mãe.
_ Eu também não preciso responder suas perguntas. Mas continue me chamando de Itachi, esse realmente é meu primeiro nome. – tragou mais uma vez seu cigarro, aguardando uma resposta do mais novo, que jamais veio. Itachi se levantou, caminhou silenciosamente até Sasuke e verificou que o mesmo já dormia profundamente, ressonando de leve e mantendo a mesma posição desconfortável sobre o colchão – Realmente tolo, que imbecil dorme desse jeito na frente de alguém que nem conhece?
Sentou-se ao lado do rapaz, acariciando seus cabelos revoltos e tentando ajeitá-lo para que não sentisse frio durante a noite. Itachi não compreendia esse seu esforço para manter o garoto aquecido e confortável, pois como ele mesmo havia pontuado nada disso estava no contrato, no entanto preferiu não questionar a vontade de ajudar o rapaz. Bem verdade, até agora não entendia porque o ajudara a caminhar até o banheiro...
Retirou o braço de Sasuke de cima de seu rosto, analisando cada centímetro de sua face com cuidado e tempo. Por fim, se levantou, apagou a luz e se deitou ao lado de Sasuke, mas por cima dos lençóis enquanto este estava abaixo das cobertas depois do zelo que o mais velho desprendera para deixá-lo quente e confortável. O luar entrava janela à dentro – Sasuke não possuía cortinas – e propiciava à Itachi a visão da pele clara do moreno mais novo em contraste com a escuridão da noite.
Suspirou fundo e deitou-se ao lado do mais novo, encarando o adormecido enquanto ele próprio tentava dormir.
_ E você Sasuke Uchiha... Quem você é? – foram suas últimas palavras, antes de acompanhar o mais novo ao mundo dos sonhos.
... Continua...
¹ - capeta, além de ser "o capeta", também é o nome de uma bebida alcoólica.
