Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: Primeiramente, quero expressar minha alegria fenomenal devido ao capítulo 590 do Naruto... Deveria se chamar "Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a comunidade Uchihacest". Hoho!
Outra coisa que quero complementar é que alguns leitores estão me perguntando do lemon dessa fanfic... Bom, claro que terá lemon, mas ainda vai demorar mais um pouquinho. Por mais que eu adore escrever lemon, eu não posso adiantá-lo por causa do bem da trama. Então se vocês desejam muito ler lemon Uchihacest, leiam Liebesspiel – fanfic que fiz pra comemorar o ItaSasu day. Ok folks?
Então vamos lá, respire fundo e gritem comigo: Tudo pelo bem do plot!
(Oh Kami... Mas que eu quero muito postar um lemon em Haunted, aaaave como quero xD)
HAUNTED
Capítulo V
_ Oi Teme – a voz irritante de Naruto soou às suas costas, e esse ato por si só não contribuiu nada para melhorar seu humor assassino. Sasuke acelerou o passo, tentando deixar o loiro para trás e possuir paz ao menos no trajeto da portaria de seu prédio até o ponto de ônibus – Não adianta correr, eu preciso conversar com você.
_ Você realmente acha que depois de ter invadido o meu apartamento quando eu tinha visita e... – o moreno se virou para brigar cara a cara com Naruto, mas parou prontamente de falar ao observar as olheiras ainda maiores sob os olhos do amigo. Os orbes azuis que o encaravam não pareciam àquelas safiras bonitas que ele tanto conhecia, e sim os olhos de um pai sofredor, que perdera a esposa no parto de trigêmeos e agora precisava lidar com o luto e a criação dos filhos madrugada à dentro. Ok, brigar com Naruto podia esperar. – O que aconteceu?
Irritou-se com a preocupação praticamente palpável em seu tom de voz, mas Naruto não pareceu perceber para tornar isso um motivo de gozação. Limitou-se apenas a fungar e suspirar penosamente, e por fim apenas abaixou a cabeça e continuou a andar.
_ Te conto no caminho.
Sasuke concordou com um aceno de cabeça, mesmo sabendo que o loiro não podia vê-lo, e passou a segui-lo na caminhada, lado a lado.
Os dois trabalhavam juntos no primeiro turno de Sasuke e durante a tarde Naruto ia para sua faculdade de Educação Física, enquanto Sasuke seguia para o segundo turno. O trabalho da manhã não era muito complicado, Sasuke e Naruto eram atendentes de um supermercado, o problema era que Naruto não podia aparecer no trabalho daquele jeito... Seu emprego estava por um fio por causa dos últimos momentos de distração e destruição quase que completa do suplemento de tetra park do estoque, e Sasuke praticamente prometeu se prostituir para que a gerente Karin não demitisse seu amigo loiro (mas este, por sua vez, sequer fazia ideia do grande sacrifício que seu amigo iria fazer).
Pensando nisso, Sasuke sabia bem que Karin iria desejar marcar o encontro oferecido naquela semana, já que nas últimas semanas Sasuke estava praticamente em transe por causa dos acontecimentos de Itachi.
_ A família dela me odeia... – Naruto falou em um sussurro, e Sasuke precisou pensar por alguns segundos para entender o que o loiro dizia. Oh sim, como era mesmo o nome? Hinata... É, isso – Fui almoçar na casa dela ontem, foi um pesadelo. O pai dela me mediu de cima a baixo e fez perguntas sobre política internacional da Noruega. Talvez quisesse especular se eu era uma pessoa ligada na economia mundial...
_ O que você certamente não é.
_ Mas Teme: N-o-r-u-e-g-a!
_ Se fosse Estados Unidos, China ou qualquer potência internacional, você também não iria conseguir responder.
_ Que seja – Naruto fez bico, irritando-se com a veracidade das palavras de Sasuke, que sorriu de canto de boca, sentindo-se vitorioso – E, não contente com toda a humilhação, a mãe dela começou a falar sobre os casamentos magníficos da família Hyuuga, sobre como são caros e importantes e como a outra família geralmente pagava tudo e...
_ Você por um acaso disse "Eu achava que famílias de brasão como os Hyuuga pagariam dote e as despesas do casamento e ainda dariam um apartamento para o casal"? – Naruto o fitou com um olhar arregalado, e Sasuke ergueu uma das sobrancelhas em descrença – Por favor, diga que sim.
_ Claro que não! Acho que a Hinata-chan iria chorar se eu falasse algo assim.
_ Então você é um Dobe completo mesmo, como deixou eles te pisarem dessa maneira? Como ela deixou? – chegaram ao ponto de ônibus conjuntamente com o meio de transporte. O moreno fez sinal e os dois interromperam a conversa por alguns instantes, ate adentrarem o veículo e se sentarem nos últimos assentos.
_ Mas Sasuke o que eu deveria fazer? Se eu desafiasse aqueles dois eu estragaria a minha chance de ter algo mais sério com a Hinata-chan.
_ Usuratonkachi, acorde, pelo amor de Deus. – Sasuke suspirou, esfregando a mão no rosto e tentando manter a calma com seu colega imbecil.
Naruto realmente achava que teria algum futuro com a garota? Ele sequer aguentava ficar muito tempo com ela! Desde que começara a namorar com a menina, Naruto aparecia cada vez mais frequentemente na casa de Sasuke para incomodá-lo ou chamá-lo pra sair, em encontros duplos ou não. Não é natural que quando se gosta da namorada deseje passar mais tempo com ela do que com os amigos, pelo menos durante a fase inicial da paixão? Bom, não era o que acontecia com o Uzumaki
_ Vou colocar as coisas de um modo um pouco sutil pra ver se você entende, preste atenção: Você está pouco se fodendo pra Hinata.
_ Isso não é verdade! – Naruto exclamou, virando-se para Sasuke e olhando-o com irritação, enquanto este suspirava e tentava concentrar o olhar para um ponto qualquer na parte dianteira do ônibus, preparando-se para entrar em alfa e não prestar atenção nas babaquices que o loiro iria despejar em seus ouvidos – Você também? Já não basta o Kakashi falar essas coisas e agora tenho que aguentar isso vindo de...
Não precisou exercitar sua meditação para desprender a atenção das palavras de Naruto, pois a visão que tivera fez seu coração acelerar em poucos minutos. Fitando-o do outro lado do ônibus, sentado de costas para o motorista, estava Itachi. Vestia roupas casuais, os cabelos trançados e óculos escuros. Se não fosse pelo sorriso prepotente a postos, Sasuke não teria reconhecido o mais velho com o visual nada convencional e o penteado peculiar.
O que diabos ele estava fazendo naquele ponto de ônibus? Ele realmente estava arriscando sua liberdade para infernizá-lo? Sua loucura chegava a esse ponto?
Voltou a respirar quando Itachi desviou o olhar, apoiando a cabeça na janela do ônibus e passando a observar o exterior (pelo menos aparentemente, pois por causa dos óculos escuros era difícil ter certeza de qualquer coisa).
_ O que foi Teme? – Naruto questionou, interrompendo seu discurso. Sasuke pigarreou, tentando retomar a compostura e encarou Naruto de frente, abrindo a boca para falar apenas quando teve certeza de que não iria gaguejar.
_ Nada, apenas me entediei com o seu blábláblá.
_ TEME!
E então Naruto continuou a falar, e Sasuke permaneceu a encará-lo, porém sem jamais deixar de pensar em Itachi. Tentou olhar de relance algumas vezes para o moreno mais velho, mas este continuava a se portar como um completo desconhecido. Será que ele havia levado a sério aquela história de "decifrar um ao outro"? Sasuke propôs o desafio só pra contrariar Itachi, realmente não estava se sentindo confortável com a maneira como ele queria descobrir as coisas de sua vida e se tornar seu segurança particular, mas não imaginou que Itachi seria tão insistente para pagar a suposta dívida.
Quando chegaram ao ponto final, Sasuke não mais encontrou Itachi no ônibus. Acreditou que ele desceu em algum ponto quando ele fingia prestar atenção em Naruto e não deu muita importância para o assunto. O loiro, por sua vez, estava calado e melancólico, e Sasuke até tentou animá-lo, mas recebeu uma frase extremamente peculiar em retorno:
_ Sasuke eu quero ter uma família, será que estou tão errado assim em tentar isso com a Hinata? – o loiro nunca falava sério daquela forma, e pela primeira vez o moreno compreendeu como aquele assunto era delicado pro mais novo.
_ E por que a Hinata? Por que você acha que ela pode te dar uma família? – bom, se era pra conversar sério, ele também conseguia. Ambos precisavam caminhar pouco até o supermercado, mas podiam continuar o assunto ate chegar lá.
_ Porque ela é uma boa mulher: é atenciosa, carinhosa, fiel e tem uma boa educação. Por que eu não a escolheria?
_ Por causa de algo muito importante Naruto: você não a ama.
_ Teme... – Naruto tentou argumentar impaciente, mas Sasuke o silenciou, puxando seu braço e fazendo-o se calar e encará-lo de frente.
_ Estou falando sério Naruto. Te conheço desde o berço e só te vi apaixonado pela Sakura até agora.
_ Eu não sou apaixonado pela sua amiga colorida. Eu era pré-adolescente quando tinha aquela obsessão pela Sakura.
_ Não é agora, até porque ela não seria minha "amiga colorida" como você diz se você ainda fosse apaixonado por ela, você sabe disso. – Naruto sorriu contente, e Sasuke preferiu ignorá-lo, apenas para não tornar aquela conversa ainda mais estranha do que já estava – Alguém apareceu na sua vida e fez você esquecer essa obsessão que sentia por ela.
O loiro corou e finalmente Sasuke teve certeza de suas especulações. Naruto mudou de uma época para a outra, achava que havia sido devido à morte de seus pais e sua posterior ajuda, mas agora tinha certeza que uma paixão ajudou o loiro a superar a dor do luto. Isso já era meio caminho andado, só faltava fazer o Uzumaki compreender isso.
_ Ok, quem era?
_ Não sei do que está falando...
_ Usuratonkachi... Não precisa admitir pra mim sabe, admitia pra você mesmo, já é o bastante.
_ O que você saber sobre o amor Sasuke? – o loiro respondeu com rispidez, parando de caminhar e fazendo o moreno também parar e olhá-lo com surpresa – O coração de pedra, o que não ama ninguém, não cria laços, não sofre nada!
_ Ei! Quem disse que eu não sofro Naruto? – Sasuke sentia a paciência escapar de seu controle e ele se aproximava de Naruto com raiva no olhar. O loiro fazia o mesmo, aceitando o desafio e rivalidade de sempre. Sasuke perdeu a compostura, agarrando Naruto pela gola da camisa e forçando-o a fitá-lo nos olhos, demonstrando os poucos centímetros de altura que tinha a mais que o rival – Quem você pensa que é pra me julgar, idiota?
_ Obviamente não sou ninguém pra você Sasuke, ninguém!
_ Está havendo algum problema aqui!? – um dos funcionários do supermercado perguntou ao pé do ouvido de Sasuke, e este soltou prontamente a camisa de Naruto, que continuou a fuzilá-lo com o olhar.
Sasuke se arrependeu instantaneamente de ter perdido o controle. Naruto estava nervoso por causa de Hinata, não deveria tê-lo encurralado num momento como aquele, e nem descontado suas preocupações referentes à Itachi no amigo. Fazia anos que não discutiam sério, e quase partiram pra violência naquele momento.
_ Não. Aqui não está acontecendo nada, porque não há nada pra acontecer. – Naruto respondeu secamente, fuzilando Sasuke com os olhos azuis, e esquivando-se das duas figuras presentes, marchando para dentro do supermercado enquanto o moreno observava suas costas boquiaberto e arrependido.
(***)
O resto da manhã foi um desastre. Naruto e Sasuke foram designados para trabalharem em setores opostos, e por um lado isso até foi uma coisa boa, pois os ânimos não melhoraram em nenhum momento e provavelmente iriam brigar sério se estivessem trabalhando próximos. Karin estava de folga, graças ao bom Deus, então o moreno teve alguns momentos de paz (ou o tanto de paz que se podia ter atuando como caixa de supermercado).
Naruto tinha banco de horas, e por isso saiu antes de Sasuke. Provavelmente o fez para não precisar encontrá-lo e discutir novamente. Sasuke, por sua vez, precisava cumprir o horário um pouco além, e teve que sacrificar seu horário de almoço. Saiu correndo para o segundo emprego sem sequer tomar um copo d'água.
Seu segundo emprego consistia em trabalhar como atendente de uma lan house, e era consideravelmente mais tranquilo do que o expediente no supermercado, até mesmo um pouco entediante. Tinha acesso a um computador e geralmente passava a tarde toda fiscalizando os horários das máquinas, cobrando os clientes e passando tempo em sites de sacanagem. Aquela tarde não fora diferente, três abas de seu navegador estavam abertas com sites pornôs, mas por algum motivo aquilo não estava o entretendo como de costume.
O som característico de mensagem recebida o retirou de seu mar de tédio, e Sasuke esticou o braço para conferir seu celular.
"Oi Sasuke-kun como está? Ganhei duas entradas pro cinema essa noite, se puder matar sua aula não quer ir comigo? Beijos, saudades, Sakura."
O Uchiha não sabia se devia ficar aliviado ou se sentir penalizado pelo convite. Obviamente não desejava um encontro com Sakura, mas sentia que precisava aliviar essas tensões que estavam ocorrendo em sua vida, e nada era mais apropriado do que sair com a rosada. Sendo assim, decidiu-se em poucos instantes, teclando uma resposta afirmativa e aguardando o horário do fim de expediente.
(***)
Ela estava empolgada mais que o normal, Sasuke podia confirmar isso com toda certeza.
Sakura sempre foi do tipo de garota que ia "com muita sede ao pote" e por isso Sasuke a transformara em sua amiga colorida. Nunca chegaram a discutir como seria a relação pseudo-amorosa dos dois quando ela se iniciou há mais ou menos um ano, mas o moreno deixou claro que não possuía interesse nenhum a ter algo sério, seja com ela ou com qualquer outra mulher.
A rosada, por sua vez, não era tola. Sabia muito bem o desafio que o Uchiha significava, e talvez por isso se esforçasse tanto em tentar conquistá-lo. Primeiro tentou fazer o joguinho de "menina inocente para casar", mas Sasuke não pareceu sequer notar sua presença, procurando diversas outras pessoas para satisfazerem seus anseios carnais. Depois tentou uma abordagem mais direta, através de sexo: Isso Sasuke pareceu notar, mas não da maneira que ela desejava. Agora, em sua terceira fase de tentativa de sedução, Sakura só estava aceitando ir para a cama com o rapaz caso eles realizassem algum programa de namorados antes, como ir ao cinema ou jantar.
Sasuke odiava essa parte, profundamente. Entediava-se com a companhia de Sakura, apesar de considerá-la uma amiga de infância. Afinal de contas, ela e Naruto eram seus únicos amigos no orfanato, e ele adquirira um sentimento pela rosada também. Só que ela jamais compreendia que seus sentimentos não passariam da amizade, e por mais que ele tentasse terminar tal relação carnal pelo bem da garota, ela mesma fazia um drama intenso e não permitia que isso acontecesse, gerando uma discussão acabava em horas de sexo.
Mulheres.
_ S-sakura, calma, espera... – Sasuke tentava falar entre os beijos da rosada, enquanto sua mão inutilmente tentava trancar a porta de seu apartamento.
Sakura realmente estava empolgada.
_ Sasuke-kun não me peça pra esperar... Senti tanto sua falta. – ela sussurrou ao pé de seu ouvido, e então ele não mais se importou em trancar o apartamento. Pegou-a pelas pernas, jogando-a acima de seu ombro esquerdo e a fazendo rir pela brutalidade de seu ato – Você, pelo jeito, também sentiu minha falta.
_ Não distorça as minhas ações para sua conveniência. – ele a alertou, jogando-a acima da cama. A rosada não pareceu ouvir seu alerta, geralmente ela só escutava o que lhe convinha, e puxou Sasuke para um beijo intenso, fazendo-o cair acima de seu corpo na cama.
Sasuke sabia que não era uma pessoa muito normal no mundo, mas tinha certeza que havia algum problema sério consigo quando simplesmente não conseguia gostar de beijos. Não só dos de Sakura, todas as mulheres que beijara se incluíam nessa categoria. Ele as beijava, sim, porque elas pareciam gostar, mas detestava e tentava ao máximo não fazer por muito tempo. Por isso desprendeu seus lábios da boca com gosto de gloss de morango, passando a mordiscar seu pescoço enquanto tentava abrir a blusa irritantemente cheia de botões de Sakura.
Detestava esses empecilhos pelos quais tinha que passar antes do ato em si, e por isso ocupava a mente com outros assuntos inconscientemente. Pensou em Naruto e na briga que tiveram, mas logo conseguiu afastar esse pensamento de sua mente, que voou instantaneamente para Itachi.
Itachi no chuveiro, seu chuveiro, tomando banho, há pouco mais de vinte e quatro horas atrás.
Mas que porra de pensamento é esse!
Instantaneamente saiu de perto de Sakura, sentando na cama enquanto tentava controlar seu rubor e respiração ofegante. Puta que pariu por que estava pensando em Itachi num momento como esse? Levemente desesperado, procurou os olhos verdes de Sakura com o olhar, notando que ela o fitava levemente.
_ Aconteceu alguma coisa Sasuke-kun? – perguntou incerta, ficando de joelhos e se aproximando do moreno com cautela. Tentou beijá-lo com carinho, mas Sasuke virou o rosto, pela primeira vez na vida sentindo vontade de dormir enquanto tinha uma bela mulher em seus lençóis.
_ Sakura, vou te levar pra casa.
_ M-mas por quê? – perguntou, desesperada, entrelaçando os braços ao redor do pescoço do companheiro, tentando fazê-lo reagir ao seu toque – Eu já sei, eu fui muito negligente né?
E então ela fez a última coisa que Sasuke desejava naquela circunstância horrível: levou sua mão direita ate a virilha de Sasuke, tentando friccionar a ereção ali presente, mas surpreendentemente não havia nada fora do "normal" em suas calças: onde estava a ereção de Sasuke? Ela tinha certeza que sentira algo em meio aos amassos antes de chegarem no apartamento!
Porra Deus, por quê? Por quê? – Sim, senhoras e senhores, Sasuke havia broxado.
(***)
_ OKASSAN! OKASSAN! – Sasuke gritava, esperneando-se no colo de Minato e tentando se soltar. O loiro desprendeu sua mão da mão de seu filho, agarrando o menino Uchiha com os dois braços e tentando mantê-lo parado em seu corpo. Mas o garoto tentava, a qualquer custo, livrar-se de seus braços e voltar para dentro da casa. Lágrimas de desespero se formaram nos olhos azuis do mais velho, e ele, mesmo tentando manter a compostura e segurar a criança, não as impediu de escorrerem face abaixo – ME SOLTE! ME LARGUE!
_ Menino Sasuke, por favor, compreenda que necessitamos de sua cooperação... – o grisalho tentava acalmar a criança, não compreendendo muito bem por que fazia isso. Nunca precisou intervir no cuidado com os filhos das vítimas, mas a maneira como o garotinho chorava era de cortar o coração.
_ CALE A BOCA! ME SOLTA TIO MINATO! – Sasuke implorava, até não mais conseguir falar, chorando penosamente e parando de se debater no colo do mais velho, aceitando o abraço de conforto. Minato também continuava a chorar e o menino mais novo, ao lado do pai, observava a cena com lágrimas escorrendo silenciosamente em seu rosto.
_ Moço... – o loirinho chamou Kakashi, puxando a barra de sua calça. Kakashi abaixou-se, novamente agindo completamente fora de seu profissionalismo. O garotinho segurou sua cabeça com as duas mãozinhas de criança, e o mais velho não deixou de reparar o quão vermelho e inchados estavam aqueles olhos extremamente lindos, os mais bonitos que já vira na vida. A criança fungou, deixou mais algumas lágrimas rolarem e, por fim, falou com uma voz firme até demais para alguém com, no máximo, dez anos de idade – Nos ajude... Por favor.
(***)
Kakashi acordou de seu pesadelo recorrente com um característico bater de portas violento na entrada. Ergueu-se de sua cama com preguiça, passando a mão no rosto e recordando do toque macio e inocente de Naruto de tantos anos atrás.
_ Mas que porra de porta! – ouviu a voz de seu não tão inocente Naruto gritar da entrada de casa, e riu baixinho. Às vezes se esquecera de como as coisas mudaram depois de tantos anos. Levantou-se e foi atrás do loiro para descobrir o porquê da guerra na porta de entrada.
Para sua surpresa, não havia ninguém dentro do cômodo de entrada de sua casa. A sala estava vazia e apagada, assim como a cozinha. Será que Naruto havia saído? Um segundo baque surdo o fez compreender o que acontecia. Fazendo um barulho de reprovação com a boca, caminhou ate a porta, girou uma única vez a chave que estava na fechadura e abriu, escancarando-a.
Naruto caiu deitado de costas pro chão, grunhindo de dor pelo impacto. Kakashi se apoiou na parede, cruzando os braços e o encarando com reprovação.
_ Pelo cheiro, foi cerveja, vodka e um pouco de uísque.
_ E uma marguerita. – Naruto completou, fazendo Kakashi balançar a cabeça em descrença. O mais velho o agarrou pela gola do casaco, puxando-o de qualquer jeito pelo chão encerado sem dar atenção aos resmungos do loiro, até conseguir espaço o suficiente para fechar a porta. Em seguida deixou o garoto deitado ali no chão, pulando por cima de seu corpo e caminhando em direção à cozinha.
Naruto estava quase adormecendo quando sentiu o cheiro de café invadir suas narinas. Minutos depois, o grisalho o levantou do chão com certa dificuldade, colocando-o sentado no sofá e unindo suas duas mãos em uma caneca fumegante do liquido preto.
_ Beba.
_ Não quero.
_ Não me interessa. Beba ou está de castigo.
Naruto encarou os olhos raivosos de Kakashi com incredulidade. Não conseguia focalizar tudo muito bem e com certeza o álcool havia alterado a percepção de seus sentidos, mas tinha certeza que ouvira tamanho absurdo e não estava imaginando coisas.
_ Eu tenho vinte um anos, você não pode me deixar de castigo.
_ Ótimo, vamos fazer do seu jeito então: beba, ou arrume suas coisas e saia da minha casa, senhor adulto independente.
Não foi preciso argumentar mais, mesmo relutando e odiando cada palavra que Kakashi despejava em seus ouvidos, Naruto levou a caneca ate sua boca, bebendo o primeiro gole do café amargo e sem açúcar e fazendo uma careta de nojo em seguida.
_ Naruto, eu errei com você. Por você não causar os problemas que o Sasuke causou na adolescência, eu achava que estava maduro, e de fato você sempre foi o mais maduro, apesar de ser o mais bagunceiro e encrenqueiro. Sua capacidade de lidar com a dor sempre foi invejável, poucos adultos de cinquenta anos conseguiriam lidar com a perda como você lidou.
_ Minha cabeça dói, pare de falar. – pediu, colocando uma das mãos na testa. Kakashi apenas girou os olhos, mas continuou seu discurso.
_ Mas... – Kakashi, apenas para contrariar, continuou a falar ainda mais alto. Naruto choramingou de dor, e bebeu mais um gole de seu café horrível – ... eu errei no meu julgamento em algum ponto, porque não consigo compreender suas atitudes atuais. Eu não devia ter negligenciado esse cuidado por achar que você tinha mais capacidade de lidar com a dor do que Sasuke, e então vou fazer contigo o que eu e Sasuke fizemos, antes tarde do que nunca.
_ O que você...
_ Suas sessões de psicanálise começam amanhã, às vinte horas.
Os olhos de Naruto se arregalaram e ele quase derrubou a sua caneca. O que diabos? Agora compreendia porque Sasuke entrou na bronca, pois Kakashi foi o psicanalista do moreno à época de toda aquela confusão da adolescência. Foi uma maneira que o grisalho havia encontrado de permanecer próximo ao mais novo, e como não estava cobrando nada pelas sessões, os dirigentes do orfanato consideraram esta uma conduta importante e obrigavam que Sasuke frequentasse as sessões. Naruto não passou pelo mesmo procedimento, pois fora adotado por Kakashi e, por isso, julgavam que um homem como ele seria capaz de cuidar do adolescente sem a necessidade de intervenções de psicólogos, psicanalistas ou psiquiatras.
_ Kakashi não! Eu não preciso disso! É que eu tive uma briga com o Sasuke e...
_ Por isso mesmo Naruto, cadê sua estabilidade emocional? – Kakashi respondeu com paciência, apontando para a caneca indicando que Naruto deveria continuar a beber o liquido terrível – Vocês brigam toda hora, isso lá é motivo pra encher a cara desse jeito? Aliás, nada é motivo pra fazer isso. E isso é só a superfície do problema, e nós vamos descobrir e tratar o verdadeiro caos.
_ Mas...
_ Esteja em casa às vinte horas, sóbrio, ou eu troco as fechaduras e você nunca mais entra aqui. – falou com seriedade, encarando o loiro com o olhar mais sincero de sua vida. Naruto não tinha sequer como não considerar a ameaça, pois sabia que quando Kakashi portava aquele olhar, ele não estava para brincadeiras.
_ Ok...
_ Bom menino. – Kakashi respondeu, sorrindo por detrás de sua gola alta.
Naruto terminou o café, que não adiantou muita coisa para cortar o efeito do álcool, ainda estava tonto e sonolento. O grisalho retirou a caneca de suas mãos, depositando-a na mesinha de centro, e ajudou o mais novo a se levantar, auxiliando-o para o caminho até sua cama. O loiro deitou com tudo sobre a cama de solteiro, e Kakashi sentou ao seu lado, acariciando seus cabelos.
_ O que 'cê tá fazendo? – questionou, sentindo-se acuado com o comportamento nada normal de Kakashi. O grisalho sorriu, afastando-se do mais novo e falando com um tom de voz paternal.
_ Eu sonhei com você pequenininho, pedindo minha ajuda. E eu vou te ajudar, antes tarde do que nunca.
_ Kakashi, por favor, não me trate como você trata o Sasuke. – Naruto respondeu penosamente, fechando os olhos. O mais velho não conseguiu compreender o que ele queria expressar com tais palavras, pois fora impedido de analisar a transparência emocional de seus orbes, e por isso franziu o cenho, perdido nas palavras do mais novo.
_ Como assim?
_ Já é difícil do jeito que as coisas são, se me tratar como trata o Sasuke será ainda pior. – Naruto sussurrou enquanto adormecia, parecendo emergir em completo estado de sono depois das últimas palavras.
Kakashi continuou a observar seu companheiro de apartamento, admirando o quanto uma pessoa que vivia emocionalmente perdida podia parecer tão pacífica enquanto dormia. Decidiu não questionar muito sobre o que o mais novo falava, pois com as sessões tudo se tornaria mais claro e ele seria capaz de compreender o que tanto afligia a cabeça de Uzumaki.
Naruto se considerava adulto, mas agia como uma criança muitas vezes. E por mais que Kakashi não gostasse de admitir, esse era o ponto mais encantador da personalidade do loiro. No entanto, já fazia algum tempo que o desespero para "juntar os trapos" com alguma garota transformara o rapaz em uma pessoa carrancuda e cheia de fantasma, multiplicando ainda mais os problemas não-superados pela morte dos pais e padrinhos. Ao menos os problemas passados estavam controlados antes de tudo isso acontecer...
Kakashi realmente sentia falta do antigo Naruto, e iria reavê-lo, custe o que custar.
(***)
A garota parecia desolada, chorando compulsivamente enquanto Sasuke, a um fio da completa insanidade, tentava consolá-la e afirmar que não era culpa dela. Qual o problema dessa menina? Quem broxou foi ele, não ela! É lógico que não era culpa dela!
_ Sakura pelo amor de Deus quem devia tá chorando aqui sou eu. – ele falou entre uma risada levemente desesperada e sem qualquer graça, abotoando a blusa da menina. Nunca, nem nos seus pesadelos mais terríveis, achou que algo assim aconteceria consigo, e jamais imaginou que caso isso acontecesse sua parceira iria agir daquela forma.
_ M-m-mas isso s-só aconteceu porque eu... e-e-u... A culpa é minha! Eu estou gorda, não estou?
_Shii, Sakura, para vai. – ele sussurrou, tentando manter a compostura e não atirá-la apartamento a fora. Estava tentando ser paciente porque realmente a considerava sua amiga, pois se houvesse acontecido com uma desconhecida já tinha jogado a exemplar feminina janela abaixo. Deus, ele estava prestes a se matar de vergonha e a menina estava fazendo cena, que tipo de justiça existe na vida? – Entenda que eu estou cansado e realmente preciso de um momento a sós.
_ Mas...
_ Sakura. Por. Favor. – comandou rispidamente, em um tom de voz onde não cabiam maiores argumentos. Massageava as têmporas com velocidade, tentando fazer aquela dor de cabeça horrível passar – Eu te levo até o táxi e pago sua corrida, tá?
_ Ok... – Sasuke levantou da cama, tentando desamarrotar sua roupa e seguindo até a porta de seu apartamento, abrindo-a e aguardando a rosada. Sakura realizou o mesmo procedimento, limpando as lágrimas em seguida e andando até Sasuke, tomando-lhe a mão e fitando seus olhos profundamente – Eu te amo, Sasuke.
Como de costume, ele não respondeu. Fez o prometido, levando-a até o ponto de táxi que era um pouco longe de seu prédio e aguardando a chegada de um dos carros. Despediu-se com um beijo no rosto, ainda sem criar coragem para encará-la nos olhos, mas sentindo a umidade de suas lágrimas ao encostar seus lábios em sua pele.
Sakura realmente sabia fazer um drama terrível e o fazia sentir-se ainda mais culpado nessa história.
Voltou para casa perdido em pensamentos, que variavam desde seu vexame (droga, isso com certeza era macumba de Naruto) até Itachi. Detestava admitir, mas não conseguia mais pensar em outra coisa que não fosse Itachi, o que diabos estava acontecendo com ele? Sua curiosidade realmente não parecia ter limites.
Sua vontade de tirar a própria vida voltou em dobro quando, ao abrir a porta, deu de cara com as costas de Itachi à beira de seu fogão, e o cheiro de comida e cigarro invadindo suas narinas.
_ MAS QUE DIABOS! – Sasuke gritou, perdendo completamente a paciência com tudo e todos e decidindo descontar toda sua raiva no moreno à frente. Marchou ate o local onde Itachi estava e o puxou pela gola da camisa e pretendendo retirá-lo do apartamento com velocidade.
Grande engano.
Em décimos de segundos, estava de joelhos no chão, apertando seu diafragma com força e tentando respirar ruidosamente. Itachi o olhava com frieza, ajeitando a gola de sua camisa.
_ Falei que não seria tão amigável na terceira vez Uchiha.
_ Porra... – gemeu, com lágrimas nos olhos, torcendo para que seus órgãos continuassem a funcionar. Nunca havia recebido um soco tão forte em sua vida, nem nas brigas mais intensas com Naruto. Itachi o ignorou, dando-lhe novamente as costas e voltando para o fogão.
_ E pare de ser um mal-agradecido, não vê que estou cozinhando pra você? – falou com o mesmo tom de voz neutro e despreocupado de sempre.
Sasuke conseguiu respirar novamente e, com certa dificuldade e necessitando auxílio das paredes com as mãos, colocou-se de pé. O soco pode ter sido algo extremamente doloroso, mas colocou as ideias no lugar novamente, e ele soube que por mais irritante que Itachi podia ser adentrando sem ser convidado em seu apartamento, ele possuía coisas mais importantes para questionar.
_ Você ouviu, não ouviu? Você estava aqui dentro. – falou rispidamente, sentindo raiva pela completa falta de privacidade.
_ Não, eu não estava aqui. Mas eu vi você e a garota do cabelo rosa, é a dona da calcinha?
_ Itachi... – preferiu não pensar novamente da calcinha e recordar seus momentos de completa vergonha e desespero, ignorando a pergunta por completo – Eu sei que você estava aqui, eu tranquei a porta quando sai com ela para o táxi.
_ O que te faz achar que eu entro aqui pela porta? – o mais velho questionou, virando minimamente a cabeça para encarar Sasuke no olhar. E então o Uchiha reparou novamente nos olhos cor de ônix, semelhantes aos de seu pai, mas com aquela peculiar coloração avermelhada ao redor da íris. Sentiu-se instantaneamente hipnotizado pelos orbes peculiares, e deu um singelo passo a frente. Itachi não pareceu se importar com a aproximação, e continuou a falar – Enfim, eu vi que a menina saiu aos prantos, mas não entendi o que aconteceu...
Sasuke o tocou novamente, com delicadeza desta vez. Pouco importou se acabara de levar a surra mais dolorosa de sua vida, não aprendeu nada com o erro aparentemente. Tocou o rosto de Itachi, sentindo a textura de sua pele pela primeira vez.
O mais velho possuía uma pele ainda mais pálida do que a sua, e igualmente perfeita. Contornou com suavidade a sua sobrancelha fina, passando a acariciar com o indicador a parte de baixo de ambos os seus olhos. Itachi parou de falar, e pela primeira vez Sasuke conseguiu ver uma leve coloração rosada sobre as maçãs do rosto do moreno mais velho.
_ O que está fazendo? – Itachi perguntou com a voz um pouco falha, deixando a máscara da indiferença cair minimamente. Ele sabia que devia surrar Sasuke por tocá-lo novamente, eram as regras caramba! O Uchiha não possuía aquele tipo de liberdade, apenas uma pessoa podia tocá-lo...
_ Por que seus olhos são vermelhos? – Sasuke perguntou com a voz baixa, fazendo Itachi prestar atenção em cada sílaba proferida pelos lábios avermelhados pelos prévios beijos da rosada.
Engoliu em seco, piscando e voltando a readquirir a calma, não compreendendo exatamente o que acontecia consigo. Por que não desejava bater em Sasuke naquele momento? Retirou as mãos de Sasuke de seu rosto com suavidade, e virou-se novamente para o fogão, respirando fundo antes de responder.
_ Eu não sei Sasuke, eu nasci assim. – sua voz voltava à postura anterior, seca e fria. Sasuke recobrou a consciência de seus atos assim que Itachi virou o rosto, não entendendo porque acabara de fazer o que fizera. Tremia de leve, assustado com seu próprio comportamento, e andou alguns passos até sua cama, deixando seu corpo cair de encontro aos lençóis bagunçados.
Ambos permaneceram quietos durante os próximos minutos. Sasuke voltava a pensar a todo vapor, e não tinha certeza se Itachi fazia o mesmo enquanto cozinhava.
Ele não pode ser meu parente, ninguém na minha família tinha olhos dessa cor.
_ Toma. – o mais velho lhe estendeu um prato, e finalmente Sasuke compreendeu o que Itachi cozinhava, franzindo o cenho devido à escolha peculiar da refeição.
_ Achei que você nunca tinha comido espaguete na vida.
_ Eu não tinha comido, mas aprendi a fazer ontem observando você.
_ Eu não te ensinei, como aprendeu? Tá certo que é simples, mas não te dei as medidas de tempero pro molho e...
_ Eu aprendo rápido Sasuke. – Itachi respondeu com a voz ríspida, sentando-se ao seu lado na cama e aguardando para que o mais novo provasse sua refeição. Com um pouco de relutância, Sasuke levou o garfo à boca, e se surpreendeu instantaneamente com o sabor: era, sem tirar nem por, o gosto de sua própria receita – Ficou bom?
_ Ficou... – o mais novo respondeu, ganhando um sorriso prepotente de Itachi em retorno. Ok, então o Itachi irritante estava de volta a postos, Sasuke não sabia se comemorava ou chorava com tal perspectiva – Mas por que não cozinhou outra coisa? Nós comemos isso ontem.
_ Eu não sei cozinhar outra coisa. – Itachi respondeu com sinceridade, levantando-se para se servir e comer. Sasuke queria questionar novamente esse assunto, mas sabia que a conversa não levaria a lugar algum mais uma vez.
_ Itachi, eu quero saber se você pretende ficar aqui enquanto não cumpre sua dívida.
_ Eu vim pra te distrair... Você parecia chateado... – parou de falar abruptamente, sem realmente saber o que mais deveria ser dito.
Tal afirmação o pegou de surpresa. Sasuke parou de comer e encarou as costas de Itachi com o garfo ainda a caminho da boca. O mais velho estava demorando propositalmente mais do que o necessário para se servir, então Sasuke aguardou pacientemente ate que ele não pudesse mais fugir da explicação. Sendo vencido, Itachi se viu obrigado a respirar profundamente e continuar.
_ Eu percebi que você estava entristecido por causa da garota e que não comeu o dia todo, então vim pra cozinhar, mas já vou embora.
_ Fique.
Itachi se virou abruptamente, largando seu próprio prato no fogão enquanto tentava fitar os olhos de Sasuke e ter certeza do que ouvia. O mais novo estava corado, mas firme em sua decisão.
_ Fique. Não quero que seja preso por minha causa, se você ficar nos arredores pode acontecer. Se você está tão determinado a me socorrer até cumprir sua dívida de honra e nada que eu possa falar ou fazer vá te impedir, então ao menos não me faça sentir culpa por sua falta de segurança.
Itachi concordou minimamente com a cabeça, voltando à atenção para o seu prato e levando-o ate uma cadeira um pouco distante, onde passou a comer em silêncio.
O Uchiha terminou sua refeição sem trocar mais palavras com o mais velho, convicto de que essa seria a melhor decisão a fazer. Não poderia trazer garotas para dentro de casa enquanto Itachi estivesse ali, mas de que adiantava se ele o vigiava sabe Deus de qual lugar? Privacidade ele não tinha mesmo... Ele apenas estava prezando pelo bem de um... amigo?
Mas é claro, continue se enganando Sasuke – uma parcela de sua mente "falou", e ele até podia ouvir a sua própria risada interna ecoar.
Cale a boca – a outra parcela retrucou, e o moreno praticamente podia visualizar o seu próprio beicinho de irritação.
Suspirou fundo, levantando-se e começando a lavar a sua louça. De nada adiantava perder-se em pensamentos naquele momento. E se ele realmente estava preso à Itachi, deveria esforçar-se para que aquela situação não acabasse o deixando louco.
Ou pelo menos mais louco do que ele já parecia estar.
... Continua ...
N/A: Ok... Nós estamos entrando numa área que eu domino superficialmente. Eu fiz faculdade de psicologia, mas não cheguei a terminar e larguei logo no início, o pouco que sei dessa área advém de meus conhecimentos do meu próprio curso (temos algumas matérias de Psicologia), de uma amiga psicóloga e de minha vida particular, pois passei por tratamento de psicanálise durante um período complicado da minha adolescência. Vou tentar me ater ao mais próximo possível das teorias Freudianas de psicanálise, e escolhi esse ramo justamente por ser um dos únicos que considero dominar um pouco (e porque combina com o Kakashi hahaha quem conhece Freud sabe do que estou falando).
Se há estudantes de psicologia no recinto, sintam-se livres para me corrigir nas sessões futuras, mas peço encarecidamente que não me indiquem outra forma de psicoterapia, pois eu pretendo fazer uma abordagem voltada para os mecanismos de defesa, ok? Mas não se preocupem, obviamente não vou entrar tãããão a fundo nessa questão.
