Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: Isso já está virando rotina... Desculpa pela demora! Ahhh! Feriado, época de provas, visita, show... Tudo de uma vez só! Perdoem-me! 3
Mas estou de férias agora! Falta só uma prova, mas ela não vai atrapalhar em nada. Esse ano vou me mudar de cidade, mas a princípio isso também não deve atrapalhar. Então vou cumprir o prometido e atualizar com mais frequência, ok?
Um beijo a todos os leitores! Muito obrigada pela paciência com os atrasos!
OBS: LEIAM AS NOTAS FINAIS! SÃO IMPORTANTES!
HAUNTED
Capítulo XVIII
Sasuke observava com completa perplexidade a tela de seu notebook há mais de dez minutos, enquanto isso, seu cérebro fervilhava em uma discussão acerca daquela informação desnorteante.
Nii-san… Nii-san... Ni-san...
Alguma coisa está errada, não pode ser isso.
Claro que alguma coisa está errada! Que tipo de pessoa chamaria alguém que acabou de beijá-lo daquele jeito de...
Irmão...
Assim que recobrou certa parcela de dignidade e conseguiu forças para se levantar do chão, tomou um banho muito longo e procurou impedir os pensamentos de autopiedade de brotarem em sua mente. Ele não estava sofrendo, não é mesmo? Então não havia porque ficar pensando a respeito do que acontecera. Mesmo que seus olhos estivessem ardendo e pequenas gotículas de lágrimas se formassem nos cantos.
Acho que devemos ir ao médico.
É pode ser problema de vista.
Mas o que certamente não está acontecendo. Ele era um Uchiha, seus familiares provavelmente estavam se revirando em seus túmulos cada vez que ele sentia o mínimo de desejo de chorar. Sasuke, se dando conta que a dignidade novamente mandava lembranças, bloqueou suas lágrimas, sentindo seu orgulho cada vez mais ferido.
Quando a palavra "Nii-san" voltou a sua mente (aquela singela palavrinha proferida por Itachi para o estranho que o beijara e repetida por Sasuke em meio ao sexo), o Uchiha constatou que se por ventura se prendesse a esse pensamento que não causaria tanta vergonha de si mesmo. Assim, ele tratou de terminar logo o banho, se vestir e procurar na internet o significado da expressão japonesa.
"Nii-san" não significava apenas "irmão", significava "irmão mais velho". Não era um termo de tratamento entre amigos, entre pessoas intimas ou sequer amantes: era verdadeiramente usado para o termo familiar, com certo grau de respeito ainda por cima.
O que Itachi tinha na cabeça para chamar aquela pessoa de "irmão"? E por que ele pareceu gostar tanto quando Sasuke o chamou assim? Será que aquele homem realmente era irmão de Itachi?
Mas isso não é possível, o cara não estava nem de longe agindo como um irmão...!
Vocês são inocentes demais! Ele pode muito bem ser irmão do Itachi! Nós não conhecemos nada a respeito dele e certamente o homem possuía os mesmos talentos sobrenaturais!
Mas ele estava beijando o Itachi!
E...? Já ouviram falar em incesto?
Sasuke sacudiu a cabeça, sentindo um nó na garganta ao pensar em algo tão absurdo como aquilo... De qualquer forma, aquela pesquisa não passava de uma curiosidade branda, nada realmente relevante. Itachi podia beijar o Papa e acabar com toda moral da sociedade de uma vez só, não era mais problema dele!
Afinal, ele não iria ver Itachi em sua frente nunca mais!
Ah, 'tá bom, e o que vai fazer quando aparecer um monte de assassinos na porta da sua casa atrás de você?
Isso é um problema para o momento que acontecer!
As preocupações a respeito de sua vida foram deixadas de lado assim que Sasuke ouviu a campainha tocar. Derrubando alguns objetos pelo caminho (e se portando exatamente da mesma maneira Naruto agia, algo que geralmente recriminava) correu até a porta, desesperado para atendê-la e torcendo para que fosse Itachi.
Patético.
Em casos de paixão reprimida, a esperança é a última que morre. No fundo ele quer que Itachi volte e conte uma boa desculpa. Mas daqui dois minutos ele já está negando todos seus atos novamente.
Hn. Não deixa de ser patético.
Abriu a porta e expirou com força, sentindo toda sua excitação sumir ao perceber que não era Itachi do outro lado da porta. Era Sakura Haruno.
_ O que você está fazendo aqui? – perguntou com a voz ríspida, como se fosse culpa da menina o fato de Itachi não estar do lado de fora de seu apartamento.
Sakura estava produzida: vestia um vestido social e delicado, um par de sandálias prateadas de salto alto e tinha o cabelo amarrado em um penteado complexo demais para Sasuke nomear. Em suma, ela estava realmente bonita. Sorriu docemente, fingindo ignorar o tom grosseiro usado por Sasuke para cumprimentá-la. Como era de costume, apenas dava a devida atenção ao comportamento de Sasuke que era de seu interesse.
_ Eu estou a semanas tentando entrar em contato com você, mas você não responde minhas chamadas! Muito menos os meus e-mails...! – falou com certa amargura, voltando a aura reluzente e empolgada logo em seguida. – Tenho um evento importante hoje! Um coquetel de comemoração de fim de um Simpósio que ajudei a organizar!
_ Bom evento pra você, não precisa prestar contas pra mim para onde vai. – Sasuke respondeu amargurado, tentando fechar a porta novamente e voltar para o seu mar depressivo. Sakura o impediu, adentrando no apartamento e sentando na cama de Sasuke.
O Uchiha bufou: qual o problema de seus amigos? Naruto constantemente agia daquela forma e pelo jeito Sakura estava aprendendo a ser tão invasiva quanto o loiro.
_ Vem comigo?
_ Sakura, eu estou ocupado.
_ Estudando japonês? – ela questionou, dando uma olhada furtiva para o computador. – Ah Sasuke-kun, sem essa vai! Você sumiu mais do que o convencional dessa vez, tem que se redimir!
O Uchiha suspirou profundamente e se sentou ao lado da amiga, que instantaneamente passou um braço ao redor de seu pescoço, puxando-o para perto. As palavras de Sakura fizeram Sasuke lembrar-se prontamente do vexame que passara na companhia de sua amiga colorida há algum tempo, e ele sentiu seu rosto corar de vergonha.
_ Eu não estou em clima de sair hoje.
_ Eu posso inverter a ordem dos fatos se você aceitar ir comigo...
_ Hum?
Completamente inocente, Sasuke virou o rosto para tentar perguntar a garota o que ela queria dizer. Contudo, antes que pudesse sequer respirar para proferir sua dúvida, ela agarrou seu pescoço e o beijou, derrubando-o contra a cama com o peso de seu corpo e subindo acima de seu colo.
E então Sasuke compreendeu o que era "inverter a ordem dos fatos": Sakura geralmente só fazia sexo com ele depois que os dois fizessem algum programa juntos, como ir jantar ou ao cinema. Hoje, ela estava disposta a realizar o ato antes do seu evento.
_ S-sakura! – ele a censurou, tentando tirá-la de cima do seu corpo, mas ela novamente agia "com muita sede ao pote" e o prendeu contra a cama. Podia não parecer, mas Sakura não era uma garota fraca fisicamente (algo que, sem sombra de dúvidas, contrariava qualquer lei do universo). – Você está arrumada pra festa! Vai ficar desarrumada se...
_ Ah, dane-se essa festa! – ela murmurou antes de beijá-lo mais uma vez.
Sasuke sentiu seu peito contrair ao constatar um fato que ficou despercebido até então: ele tinha a completa certeza de que odiava beijar, o que o fazia uma pessoa completamente anormal; mas beijar Sakura o lembrou dos beijos trocados com Itachi e do quanto gostava aquele tipo de interação entre os dois.
Diferente de qualquer outra pessoa, inclusive aquela que, por hora, o beijava.
Oun!
Olha, estou ficando com diabetes já. Pelo amor de Deus, resolve logo tudo isso e tira essa garota daqui!
Você está mudado, sabia?
É só que... a Sakura não porra!
Concordo.
Arranjando força de vontade o suficiente, conseguiu se livrar da imobilização da garota e a retirá-la de cima de si. Sakura tentou voltar ao seu colo, mas ele mantinha sua pegada firme sobre seus ombros.
_ Não dá!
_ Mas...! Sasuke-kun!
_ Não dá mais, Sakura! Eu não consigo! – ele olhou com determinação nos olhos verdes e maquiados da garota, finalmente soltando-a quando ela parou de se debater diante do olhar penetrante.
_ O que está acontecendo com você?
_ Eu só estou indisposto. Entenda Sakura eu...
_ Indisposto uma ova! – ela gritou, colocando-se de pé e cruzando os braços, contrariada. – Nós já transamos num maldito acampamento, no inverno, quando você estava com princípio de pneumonia!
_ Você tem alguma noção do quão feio fica pra você ficar falando essas coisas? – ele rebateu, fazendo uma careta e sentindo seu rosto corar. Falar sobre sexo não era um de seus assuntos favoritos.
_ E você tem noção do quão estranho é um cara de vinte um anos sequer conseguir ter uma ereção?
Sakura um. Orgulho Uchiha zero.
_ Sakura, você está me tirando do sério!
_ Eu só quero saber qual é o seu problema! – ela falou com um tom de voz que começava a soar choroso. Seus olhos começaram a brilhar pela formação de lágrimas e Sasuke teve a completa certeza que não teria tanta paciência como da última vez se ela começasse a chorar. – Eu te amo Sasuke-kun, pare de fugir de mim!
_ MAS EU GOSTO DE OUTRA PESSOA, PORRA!
Orgulho Uchiha: menos dez.
Sasuke só se deu conta do absurdo que falara quando as palavras já haviam escapado de sua boca e Sakura o examinava com completa perplexidade.
_ O que disse? – ela questionou com a voz fraca, deixando os braços caírem na lateral de seu corpo. – Você está apaixonado?
_ Não foi isso que eu quis dizer, eu só...
_ É o Naruto?
O questionamento fez o rosto de Sasuke se contorcer em uma careta de pavor.
_ Qual diabos é o seu problema? Por que seria o Dobe?
_ Porque é lógico que se trata de um homem! – ela sentou novamente ao seu lado, cobrindo o rosto com as mãos e estremecendo de leve. – Tem que ser um homem!
_ Como assim?
_ Tem que ser um homem Sasuke! Por favor, me diga que não é uma mulher! – ela implorou enquanto soluçava, deixando Sasuke cada vez mais desconfortável com aquela situação completamente anormal. – Se for uma mulher diferente de mim eu não vou suportar!
Eu não estou entendendo...
Vocês são completamente insensíveis! A menina está se sentindo rejeitada, por isso prefere que Sasuke goste de um homem do que de outra garota que não seja ela, assim fere menos o seu orgulho!
Mas...
Argh! Não é tão difícil de entender!
Isso pra você, que é a parcela mental completamente veadinha e melosa!
Ah tá, como se o Sasuke fosse muito hétero!
Hey!
_ Sakura... – ele a chamou, retirando as mãos do rosto da amiga. Sua maquiagem começava a ficar manchada e Sasuke limpou as lágrimas da amiga antes que o estrago em seu visual fosse maior. – Você é a única garota com quem sai mais de uma vez, sabia? É uma das poucas que eu ainda tenho um pouco de paciência e que me preocupo com o bem estar.
_ E-eu...? – ela tentou falar, mas ele a interrompeu.
_ Então, se fosse uma garota, certamente seria você. – finalizou, pigarreando logo ao final, sentindo-se completamente sem jeito com suas palavras.
Argh! Não!
Sem essa, foi a melhor saída que ele podia ter encontrado!
Ela o observou por alguns instantes, como se procurasse alguma mentira em suas palavras. O Uchiha manteve o olhar firme: mesmo achando a possibilidade de se apaixonar por Sakura um completo absurdo, não era mentira o que ele havia dito: se ele gostasse de garotas, era muito mais óbvio que ele se apaixonasse por Sakura do que pelas estranhas que ele jamais dera qualquer tipo de importância.
Você finalmente está admitindo os fatos? Está admitindo que gosta de homens? E sem voltar atrás dessa vez?
A partir do momento que a porra do meu pau não levanta ao ver uma mulher vestida como a Sakura está vestida hoje, acho que não há muito mais o que sustentar na negação.
Ótimo! Agora só falta admitir que está completamente apaixonado pelo Itachi.
Isso não!
_ Eu sinto muito Sakura.
_ Acho que podia ser pior... – ela sussurrou, passando os seus próprios dedos abaixo dos olhos para conter o estrago de seu delineador. – Me prometa apenas uma coisa Sasuke.
_ O que?
_ De que você não vai deixar de ser feliz por causa da opinião dos outros, por medo de julgamentos sociais e, principalmente, por causa do seu orgulho! – ela jamais o observara com tanta seriedade, até mesmo seu choro cessara. – Eu me recuso a desistir de você, se for pra você ser infeliz!
_ Mas que...?
_ Me prometa Sasuke!
Os dois permaneceram em silêncio por alguns momentos, Sasuke se sentindo ainda mais acuado com a presença da garota. Não estava acostumado com aquele comportamento, acreditou que ela fosse chorar e fazer escândalos como sempre fazia.
Aparentemente, ela havia amadurecido o suficiente para, ao menos, lidar com isso.
_ Eu prometo.
E, talvez, ele também tivesse amadurecido o suficiente para encarar a verdade.
(***)
Ele estava bêbado.
Corrigindo, ele estava além do simples estado "bêbado", porque para um bêbado admitir seu grau de embriaguês a coisa tem que estar muito feia mesmo. Principalmente para alguém tão teimoso nesse aspecto quanto ele.
Quando Gaara e Sai o irritaram até o limite do suportável com discursos de "você precisa se controlar!", que só pioravam cada vez mais o seu humor, Naruto decidiu sair sozinho e deixou os dois falando com as paredes. Eles tentaram impedir, mas o loiro era ágil e conseguiu escapar. Desligou o celular (pois sabia que, caso deixasse ligado, teria que aturar diversas ligações de Gaara e, posteriormente, Sasuke) e se dirigiu para o boteco mais furreca que viu na vida.
Ele tinha apenas dez reais no bolso, então necessitava de algum lugar que cobrasse apenas cinquenta centavos pela dose de cachaça. Naquele momento passou pela cabeça do Uzumaki que ele realmente precisava voltar a trabalhar, mas a sua mágoa e raiva por causa do incidente com Kakashi e Iruka retiraram o pensamento racional de sua mente tão rápido quanto ele aparecera.
Voltar para o apartamento foi uma tarefa árdua, ocorreram tantos tombos que Naruto perdeu a conta. Quando finalmente conseguiu entrar no apartamento, depois de quinze minutos brigando com a fechadura e finalmente se dando conta que tentava abri-la com a chave errada, Naruto deu de cara com Sai vestido apenas de toalha e com os cabelos ainda molhados pelo banho.
Enquanto o loiro piscava e tentava assimilar a cena, o moreno cruzou os braços e fechou a cara.
_ Gaara perdeu a paciência e foi te procurar. Eu já estou mais acostumado com seus rompantes alcoólicos, mas tem alguma ideia do quão preocupado Gaara fica quando você faz essas coisas?
Naruto mal conseguia assimilar as palavras de Sai, então decidiu ignorá-las por completo.
_ Por que você está pelado? – questionou com uma voz arrastada.
_ Eu não estou "pelado", eu acabei de sair do banho. E você está tão bêbado que está enrolando a língua!
Naruto fez um barulho de reprovação com a garganta, caminhou para mais próximo de Sai e acabou tropeçando e abraçando-o para que não o caísse de encontro ao chão. Seu rosto se alojou na dobra do pescoço do moreno, e ele sentiu o cheiro de banho tomado que muito o agradou, apreciando-o sem qualquer vergonha.
_ Para Naruto, você 'tá cheirando a pinga e o Gaara vai me matar se a gente fizer algo aqui!
_ Acha que eu preciso de um banho, é? – Naruto beijou com delicadeza o pescoço de Sai, ganhando um suspiro recompensador em retorno. Sai era tão fácil de distrair e agradar...
_ Definitivamente! – o outro respondeu, com um pouco de autocontrole, o que impressionou Naruto: Sai, geralmente era o primeiro a ceder, mas agora lutava para fugir de seu toque.
Desde aquela tarde um pouco mais "calorosa" com Kakashi, Naruto se privara de qualquer contato íntimo com outra pessoa. Ele sabia que o sexo funcionava como uma espécie de válvula de escape e relaxamento de seus problemas, mas estava se sentindo tão miserável nos últimos tempos que sequer desejava esse tipo de contato. Pensou que talvez fosse uma boa oportunidade para tentar conter seus impulsos e provar para Kakashi que aquela palhaçada de "sublimação" era uma grande mentira.
Mas o seu estado alcoólico e a visão de Sai apenas de toalha fez tudo parecer extremamente irrelevante... E talvez 'sublimar' não fosse algo tão ruim assim, né?
_ Por que não me ajuda, então? – ele questionou com o tom de voz alterado pela bebida, conseguindo aproximar-se do pescoço de Sai mais uma vez e mordendo sua pele branca com delicadeza. – Você mesmo disse que eu 'to bêbado demais, preciso de ajuda no banho.
_ N-naruto, o Gaara vai me matar! – ele sussurrou em resposta, virando-se para sair logo daquele cômodo.
Todavia, o loiro não permitiu sua fuga, puxando-o pelo braço para perto de si novamente, desta vez juntando ambas as intimidades encobertas, prendendo Sai contra si com as duas mãos em seu traseiro.
Sai gemeu, evidentemente com saudades de Naruto naquele aspecto. Ele sabia muito bem que Gaara era apaixonado pelo loiro, mas o que o Uzumaki e ele dividiam nada mais era do que uma amizade com certos momentos de sexo para aliviar as preocupações do dia a dia.
Era, de certa forma, uma hipocrisia desmedida. Os três possuíam essa relação de amizade colorida, mesmo que Naruto tivesse encerrado esse tipo de contato com Gaara há algum tempo pela própria sanidade mental do ruivo, não era segredo entre nenhum dos três a união que todos possuíam. Sai propôs o ménage apenas por brincadeira, pois sabia que o ruivo jamais aceitaria dividir Naruto consigo caso participasse em conjunto; Gaara sabia da relação que o loiro tinha com Sai, mas é o que dizem: o que os olhos não veem o coração não sente.
Ou algo assim, visto que Sai não conseguia mais pensar direito.
_ Gaara pode se juntar a nós... – o loiro respondeu, sussurrando em seu ouvido. – Você mesmo propôs isso.
_ Mas... – sua argumentação foi interrompida pelos lábios de Naruto, e mesmo com o gosto grosseiramente amargo de bebida, Sai se derreteu com o beijo.
Naruto não costumava ser um amante muito carinhoso, na verdade ele era bastante egoísta. Não o beijava muito e, certamente, não fazia essas carícias suaves que agora fazia com suas mãos sob sua cintura. Não sabia ao certo o motivo da mudança de comportamento, mas ela foi o suficiente para fazer Sai se esquecer de qualquer preocupação.
Sai sentiu as mãos de Naruto acariciarem suas costas com delicadeza, enquanto o lóbulo de sua orelha era mordiscado e depois lambido com lentidão, fazendo-o estremecer. Ele gemeu baixinho e Naruto o pegou no colo, espalmando as mãos em seu traseiro e derrubando ambos no sofá. O Uzumaki se abaixou e capturou seu lábio inferior entre seus dentes, puxando-o gentilmente enquanto brincava com sua língua, logo em seguida chupando com delicadeza e completude sua boca.
O loiro levou uma de suas mãos até os cabelos molhados de Sai, sentindo suas mechas serem puxadas pelos dedos pálidos do moreno, que se acomodava melhor debaixo de si.
Sai se deu conta de que estava completamente excitado, retribuindo o beijo de maneira intensa, se perdendo da realidade cada vez mais. Naruto já parecia ter esquecido até seu próprio nome naquela altura do campeonato, tamanha era sua vontade de fazer sexo. E nada, absolutamente nada, iria fazê-lo parar.
_ Vocês dois realmente não tem nem um pingo de vergonha na cara?!
A voz ríspida de Gaara fez Sai voltar à realidade. Ele interrompeu o beijo com velocidade e empurrou Naruto de cima de seu corpo, se levantou e deu graças a Deus que sua toalha ainda estava firmemente presa em sua cintura.
_ Gaara, eu e o Naruto só...!
_ Não se explique, eu vi!
O ruivo exibia irritação evidente em seu olhar, ora encarando Sai, que estava completamente mortificado; ora encarando Naruto, que parecia muito orgulhoso do que acabara de fazer.
Maldito Uzumaki: o egoísta do sexo. Por que diabos eu gosto de você? – Pensou Gaara com raiva, observando o olhar lascivo que o Uzumaki lhe lançava.
_ Para de drama e venham pra cá os dois! – Naruto os chamou com um gesto displicente com as mãos, deixando evidente para todos que havia perdido a guerra contra o álcool há um bom tempo. Exibia um sorriso sádico nos lábios, aparentemente fazendo pouco caso da raiva que Gaara demonstrava naquele minuto.
O ruivo trocou olhares com Sai mais uma vez, antes de puxá-lo para si e beijá-lo, para a completa surpresa do moreno.
Naruto sorriu ainda mais largamente.
_ Você é um idiota! E é a sua vez de olhar! – o ruivo rosnou para Naruto quando interrompeu o beijo para que pudesse respirar, antes de recomeçar a carícia com o moreno novamente.
Sai não sabia se comemorava ou ficava assustado com a perspectiva de estar no meio de um campo de batalha, pois era isso que indicava a voz de Gaara. Cedendo aos seus impulsos sexuais, abraçou o pescoço de Gaara, retribuindo o beijo da mesma forma.
O bêbado se levantou do sofá, caminhando até os dois e abraçando Sai por trás, demonstrando sua presença para Gaara ao segurar firmemente em seu braço.
_ Você realmente acha que eu vou apenas olhar? – murmurou no ouvido dos dois, empurrando seu quadril contra as nádegas de Sai, fazendo-o pressionar a virilha de Gaara com a movimentação e arrancando um gemido dos outros dois. – Não mesmo Gaara!
O ruivo, recobrando sua compostura, voltou a olhar de maneira completamente furiosa para Naruto, sentindo uma súbita vontade de bater com toda força contra a cara de raposa que o loiro fazia naquele instante.
_ Desafio aceito, Kyuubi.¹
(***)
Depois da saída de Sakura, Sasuke tentou ao máximo dormir, mas sem muito sucesso. Sua casa inteira lembrava a Itachi, desde o cinzeiro abarrotado de cigarros até a sua maldita cama, que exalava um suave odor de canela e o suor do hóspede maldito. Irritado, Sasuke pegou materiais de limpeza fortes, com cheiro de lavanda e passou a esfregar em cada canto de sua casa.
Quanto mais limpava, mais coisas de Itachi ele encontrava. E mais ele sentia raiva...
_ Vou jogar toda essa merda pela janela! – Ele exclamou, ao encontrar uma camisa debaixo da cama que com toda certeza não era dele. Maldito... Além de Itachi ser um completo prepotente-filho-da-mãe-traidor-de-uma-figa, ainda era um bagunceiro que lhe fazia trabalhar mesmo depois de ter saído do apartamento.
Sua faxina foi interrompida pelo soar da campainha, Sasuke ignorou por alguns minutos, mas cedeu quando se deu conta de que o barulho era irritante demais para aturar. Não era Itachi, disso ele estava certo e não sabia por que achara que Itachi pudesse tocar a campainha quando fora Sakura quem o visitou, pois o seu ex-hóspede...
Ex-namorado Sasuke...
Morra!
... nunca se dava ao trabalho de anunciar sua chegada; mesmo assim, não queria visitantes. Abriu a porta pronto para mandar seu mais novo visitante embora, mas só aí percebeu que seu visitante era ninguém mais ninguém menos do que Kakashi.
E Kakashi ele simplesmente não podia expulsar.
_ Você 'tá parecendo uma dona de casa. – o grisalho constatou, encarando as mangas arregaçadas do moreno e a maneira completamente bizarra que ele tinha amarrado sua franja para impedi-la de atrapalhar no trabalho doméstico. Sasuke soltou um xingamento baixinho e arrancou a faixa do cabelo, bagunçando-os em seguida. Kakashi se controlou para não rir.
_ O que você quer? – Sasuke sorriu de maneira prepotente, finalmente prestando atenção na aparência do mais velho. – Naruto quebrou sua cara pra valer, hein?
_ Vamos deixar o seu lacinho de cabelo e o Naruto de lado por enquanto, o que acha? – Kakashi respondeu, empurrando Sasuke e adentrando no apartamento completamente bagunçado. – Você se lembra do que pediu pra mim há algumas semanas atrás?
Sasuke suspirou com impaciência, fechando a porta e se virando para o grisalho, que analisava a pilha de roupas de Itachi com olhar analítico. O Uchiha entrou em pânico e arrancou as roupas de lá, jogando-as de qualquer jeito no outro lado do quarto, fingindo ainda continuar a arrumar a bagunça. Sabia que Kakashi não conseguiria perceber que aquelas roupas não eram dele apenas pelo olhar, mas se sentisse o cheiro de cigarro nelas com toda certeza saberia que não eram roupas dele e muito menos de Naruto.
_ Eu não lembro mais, o que eu pedi?
_ Você me pediu uma sessão de hipnose Sasuke.²
Sasuke encarou os olhos escuros de Kakashi, franzindo o cenho e tentando recordar de ter pedido algo do gênero.
O esforço foi bem sucedido.
[...]
_ Preciso te pedir um favor. – Sasuke falou subitamente, tirando Kakashi de seus devaneios. O grisalho o incentivou a prosseguir com um ruído incentivador e Sasuke falou o mais rápido que conseguiu, sabendo que levaria uma bronca em seguida. – Há alguns dias eu bebi um pouco além da conta e algo importante aconteceu, só que eu não lembro.
_ Eu não acredito que você fez isso de novo! Como pode ser tão irresponsável? E... – Sasuke entrou em piloto automático durante a bronca de Kakashi. Contou mentalmente o tempo e percebeu que ela durou apenas dois minutos. Novo recorde!
_ Ok, foi mal. Então, seguinte, acha que dá pra me ajudar a lembrar? – Sasuke fez a sua maior cara de inocência, encarando os olhos descrentes de Kakashi sem amarelar em sua convicção. Depois de segundos sem receber uma resposta, tentou novamente. – Sabe do que estou falando, né? Pode ser até hoje e...
_ Me recuso a passar a mão na sua cabeça quando você erra, arque com as consequências de seus atos! – Kakashi falou com irritação, levantando da cama e pretendendo sair do quarto.
_ Mas...! Kakashi, só dessa vez! Por favor!
Uma nova lição de moral estava prestes a começar, mas desta vez quem interrompeu a conversa foi Naruto, invadindo seu próprio quarto com um rosto furioso, jogando-se na sua cama e enfiando o travesseiro no rosto, gritando abafadamente em seguida.
Naturalmente, o grisalho e o moreno deixaram de lado a sua picuinha particular.³
[...]
_ É... Eu pedi mesmo... – Sasuke corou, recordando-se da noite em que saiu para jantar com Karin, bebeu demais logo em seguida e simplesmente se esqueceu do que aconteceu. Mas Itachi estava agindo estranho no dia seguinte e também tinha aquele maldito chupão que foi motivo de chacota por parte de Naruto.
_ Ainda tem interesse?
_ Não sei mais se quero saber.
É verdade. Na época a curiosidade era tremenda, mas depois de tudo que aconteceu imaginava que seja lá o que ele e Itachi tivessem feito, não seria nem um pouco bom para sua sanidade mental se recordar dessas coisas... pelo menos não agora.
Kakashi suspirou e passou a mão no rosto, tentando pensar em uma saída de última hora. Precisava por Sasuke em transe para que pudesse vasculhar o apartamento em busca de mais alguma pista. Tinha que saber se Itachi e Sasuke realmente estavam dividindo o apartamento. E o pior: se estavam juntos como ele imaginava. Afinal de contas, o resultado do DNA era realmente assustador, mas ele só iria contar para Sasuke se houvesse algum indício de que eles estivessem juntos como amantes.
Caso contrário, Sasuke poderia ir para o túmulo sem saber a verdade; já que ela só causaria mais dor.
_ Olha Sasuke, às vezes é melhor se arrepender de algo que você fez do que de algo que você não fez. Tem certeza que quer viver com a dúvida?
_ Você odeia me hipnotizar. Por que está insistindo tanto? – Sasuke odiava como a convivência de Kakashi e Naruto faziam com que os dois soassem parecidos algumas vezes.
_ Porque se nós não buscarmos essa memória logo, ela vai ficar cada vez mais difícil de ser acessada, já que se trata de uma amnésia alcoólica. – Era mentira, o que acabara de falar não tinha nenhum embasamento científico, mas ele se utilizaria de qualquer meio para conseguir colocar Sasuke em transe.
O Uchiha pareceu pensativo, observando um ponto qualquer de sua parede.
_ Ok...
Como assim "ok"? Você realmente quer se lembrar do que você e o puto do Itachi fizeram?
Já te disse, seu chato: a esperança é a última que morre!
Esse maldito Sasuke é um masoquista!
Não sei se vocês sabem, mas eu também estou presente e sou eu quem comando essa merda de cérebro. Então calem a boca!
_ Ok então. Deite-se.
Sasuke se deitou na cama sem lençóis, agradecendo aos céus por ela não possuir mais o cheiro de Itachi. Kakashi ficou em pé do seu lado, observando-o com atenção.
_ Já faz alguns anos que nós fizemos isso, mas você lembra o procedimento?
_ Sim.
_ Esqueça-o. Aquela técnica de antes era para que você superasse os traumas e para que eu pudesse coletar informações a respeito dos casos abertos envolvendo a morte dos seus pais e dos pais de Naruto. Era o método de sugestão psicológica. Sua intenção, agora, é se lembrar de algo que, a princípio, não se trata de um trauma. Vamos utilizar um método mais simples.
_ 'Tá, e o que devo fazer? – Sasuke questionou, fechando os olhos e tentando relaxar; sabia que isso era algo indispensável.
Kakashi sentou ao lado de Sasuke, na borda da cama, esticando as pernas do garoto assim como seus braços para que ele ficasse em uma posição completamente relaxada.
_ Você só tem que ter em mente que deseja ser hipnotizado, que pode ser hipnotizado e confiar em mim. Não vai precisar fazer algo muito diferente do que fazia antes. Como nós trabalhamos bastante a conexão antigamente, vai ser ainda mais fácil por esse método.
Kakashi se lembrava bem do quão difícil foi para ele conseguir hipnotizar Sasuke pela primeira vez. Mais de trinta tentativas foram feitas e o ceticismo do Uchiha causou diversas dificuldades para os dois. É um princípio básico da hipnose que o paciente acredite e queira ser induzido ao transe, e que, principalmente, confie no hipnotizador. Por óbvio, no início Sasuke não desejava nenhuma dessas três coisas.
Mas o grisalho ainda tentou, pois algumas (raríssimas) pessoas são bem suscetíveis as práticas de hipnose mesmo sem o seu consentimento. Não teve esse sucesso com Sasuke, e só depois de muita terapia teve o primeiro sucesso. Nesta época, Sasuke voltou a se relacionar com Naruto devido a uma indução hipnótica deixada no inconsciente do Uchiha. Naquele dia, Kakashi se sentiu extremamente orgulhoso de si mesmo.
Com os meses de prática, tudo foi ficando mais fácil: a confiança aparecera, e Sasuke passou a acreditar que podia melhorar com aquela forma de terapia. O garoto chegou ao absurdo de entrar no transe dentro de um minuto – um recorde para Kakashi. A conexão deles como psiquiatra e paciente era imensamente maior do que a que o mais velho conseguira com Naruto.
_ Kakashi, quero te pedir algo. – o grisalho só murmurou em resposta, e Sasuke mordeu o lábio com apreensão. – Aconteceu algo íntimo, disso eu tenho certeza. Por favor, não me faça narrar.
A curiosidade do grisalho aumentou, e se antes ele só estava interessado em vasculhar o apartamento, agora ele também gostaria de saber o que aconteceu com Sasuke naquela noite. Mas ele não iria ser tão idiota ao ponto de fazer isso com o garoto... Iria contentar-se em apenas buscar pistas, isso estava de bom tamanho.
_ Ok, eu prometo.
E então a sessão se iniciou. Kakashi induziu Sasuke ao relaxamento com um tom de voz suave e baixo, utilizando todas as técnicas de "pré-teste" antes de começar a sessão por si só. Como ele não faria perguntas, só deveria encorajar o garoto a não fugir da lembrança, o que certamente tenderia a acontecer se o seu passado revelasse algo que ofendesse a sua moral interior.
Enquanto Sasuke vasculhava suas lembranças, Kakashi voltou a sua atenção para a pilha de roupas.
(***)
Sem que tomasse consciência de seus atos, o moreno mais novo acabou por empurrar o corpo do mais velho até que se deitasse completamente na cama, almejado, instintivamente, imobilizá-lo contra o colchão, temendo que fosse escapar debaixo de si e impedi-lo de continuar saboreando aquela sensação única. Gemeu sem se importar em se denunciar quando este, prevendo sua movimentação, levou os braços ate sua cintura, acariciando a lateral de seu corpo com firmeza e, por fim, guiando suas mãos até suas nádegas, espalmando-as e apertando-as com força.
Wow. Cadê o Itachi puro e não corrompido?
Deve estar junto com o Sasuke heterossexual, jogando xadrez no outro mundo, o dos falecidos.
Deus te ouça.
_ Sasuke... – Itachi sussurrou, desprendendo seus lábios dos de Sasuke, cujo gosto estava encoberto pelo sabor de vinho barato.
O mais novo tentava manter a coerência, piscando e respirando com velocidade, e a sua excitação crescente dentro de suas calças em nada colaborava para que retomasse a compostura. Mantinha os olhos fechados, e passou a língua sensualmente sobre o lábio inferior de Itachi, que tentou beijá-lo novamente, entorpecido com a possibilidade de provar um beijo tão bom novamente. Todavia, ele foi mais rápido, trazendo-a novamente para dentro de sua boca e voltando a sussurrar em seu ouvido:
_ Lembra o que eu falei sobre não me tocar?
_ Ahn... Sim... – respondeu no mesmo tom de voz banhado em luxúria, não dando a mínima importância para o que o outro falava, devida a imensa quantidade de prazer e ansiedade que sentia. Nunca havia se sentido assim, jamais! E quando outras pessoas descreviam tal sentimento, ele acreditava que só podia ser mentira ou exagero de eternos apaixonados.
Itachi sorriu com malícia, puxando o corpo de Sasuke contra sua virilha, fazendo a ereção do mais novo friccionar-se contra a sua com força. O Uchiha praticamente delirou, grunhiu alguns sons incoerentes e tentou novamente beijar Itachi, e este retribuiu por alguns instantes, mexendo-se minimamente abaixo do corpo de Sasuke e, aparentemente, encorajando-o a rebolar. O mais novo não se fez de rogado: moveu-se quando Itachi parou o de se mover, tentando adquirir algum alívio para sua excitação crescente.
Itachi divertia-se com o desespero de Sasuke e quase riu, quase, pois também estava excitado e não havia como negar de que tal gesto também o fazia sentir-se muito bem. Muito melhor do que costumava se sentir nessa situação com outras pessoas, diga-se de passagem...
No entanto, regras são regras.
_ Se você lembra o que esta fazendo em cima de mim desse jeito? – questionou suavemente assim que desprendera sua boca da de Sasuke com um estalo molhado, abrindo os olhos e fitando pela primeira vez, desde o início da intimidade, os olhos negros e perdidos de Sasuke. Sorriu mais uma vez de canto de boca, e os olhos cor de ônix arregalaram-se em compreensão.
Logo em seguida, sem que registrasse como isso realmente acontecera, o corpo do Uchiha batia com força contra a parede oposta à cama, caindo sentado no chão com um ruído de destruição e grito de dor.
_ Eu avisei varias vezes... – Itachi comentou, contendo uma risada. Com agilidade colocou-se de pé, caminhando até o local onde Sasuke encontrava-se espatifado, ajoelhando-se até sua altura e levantando o seu queixo com o polegar, fazendo o jovem adulto parecer uma simples criança temendo uma surra do pai. Sorriu ainda mais maleficamente, percebendo um fino rastro de sangue na boca do mais novo – Mas de acordo com nossas regras, eu não estou proibido de te tocar.
_ Nossas regras? Você quer dizer suas re... humpf. – fora silenciado pelos lábios de Itachi, mais luxuriosos, mais demandantes, mais coordenadores. Sasuke, apesar de desejar o beijo mais do que qualquer coisa, ainda tinha um orgulho Uchiha para zelar.
E ninguém que o surrava daquela maneira sairia ileso.
Puxou o mais velho para perto pela sua gola, fingindo desejar um contato mais íntimo, mas quando Itachi relaxou sobre seu toque, concentrando-se apenas nos selinhos e alguns beijos mais profundos, Sasuke o acertou em um golpe de punho fechado e certeiro.
Na barriga.
Pela primeira vez.
Ahhh com certeza doeu muito mais do que ser jogado contra a parede!
VITÓRIA!
Ora veja só! Achei que você preferia o beijo.
Não... Orgulho fala mais alto, pra mim, pra você, e pra ele. Somos todos Sasuke Uchiha.
Faz sentido.
Sasuke ouviu o gemido de dor com um sorriso maníaco nos lábios, abrindo os olhos e apreciando sua arte com cuidado e devoção: Itachi estava de joelhos a sua frente, agarrando seu próprio estômago e tentando recobrar sua respiração sem aumentar a sensação de destruição de seus órgãos internos.
_ Novas regras Itachi: NÃO OUSE ME JOGAR DE NOVO NA PAREDE! – gritou, furioso, colocando-se de pé com certa dificuldade devido a dor e a tontura causada pelo álcool. Ouviu um rosnado animalesco vindo de sua vítima, e o encarou novamente...
Era impressão sua ou o avermelhado dos olhos de Itachi estava ainda mais evidente naquele instante? De qualquer maneira, as feições completamente raivosas eram sua maior preocupação no momento, depois pensava a respeito das peculiares íris revestidas de instinto assassino.
_ Você tá fodido Sasuke. – Itachi grunhiu guturalmente, fazendo Sasuke tremer dos pés à cabeça e dar dois passos para trás.⁴
Sasuke bateu as costas contra a parede enquanto tentava inutilmente fugir da figura perigosa que avançava para si, mas percebeu instantaneamente que a "parede" era mais mole do que o normal. Piscou, achando toda sensação muito estranha, sentindo um perfume diferente o qual nunca apreciara adentrar suas narinas, e focalizou Itachi com certa dificuldade, encontrando-o com novas feições no rosto... Pavor?
Ó sim, tenha medo de nós, seu babaca!
E-eu acho que não é bem de nós que ele está com medo.
O Uchiha sentiu seu sangue congelar em desespero quando braços fortes envolveram sua cintura, abraçando-o por trás. Alguém que realmente não deveria estar no seu apartamento encostou o queixo em seu ombro, levando o nariz até sua pele e sentindo seu cheiro sem nenhum pudor, de uma maneira que poderia ser descrito até mesmo como animalesca.
Seu primeiro reflexo foi tentar se liberar, mas quem o abraçava fora mais rápido, segurando seus braços e imobilizando em segundos. A pessoa atrás de si era ágil, e os reflexos entorpecidos pelo vinho ingerido naquela noite não ajudaram em nada qualquer reação de defesa. No instante seguinte, Sasuke levantou o olhar para Itachi, encontrando-o totalmente mortificado diante da cena.
_ I-itachi... – Sasuke tentou suplicar por ajuda, mas o som saiu tão fraco de sua boca que ele suspeitaria que o que acabara de dizer não fora ouvido por nenhum dos presentes naquele cômodo.
_ Ele continua bonitinho, do jeito que era quando criança. – a voz rouca e grave da pessoa que o imobilizava soara atrás de seu corpo, fazendo-o se arrepiar dos pés à cabeça.
_ Largue-o. – Itachi tentou comandar, deixando a autoridade de sua voz falhar ao fim de sua frase, o que resultou em uma risadinha cínica por parte do estranho.
_ Por que Otouto? Seu molequinho é uma graça, faz tempo que não brincamos com brinquedos novos... Estou bem afim hoje.
_ Madara, solte-o já! – dessa vez a voz do moreno de cabelos cumpridos soou mais forte e autoritária nessa tentativa, e Sasuke observou o avermelhar dos olhos de Itachi ascender novamente.
Por algum motivo que não conseguia compreender, tal visão lhe deu um pouco de segurança, como se o homem atrás de si não conseguisse feri-lo, pois Itachi estava ali para salvá-lo. Um sentimento irracional de proteção, que não recordava sentir desde quando era menino e sua mãe o defendia das brigas com Fugaku. Tal sentimento, há anos esquecido, fez seu corpo arrepiar ao ponto de estremecer pelo déjà vu.
Sua sensação de segurança durou apenas alguns segundos, pois recebera uma mordida em seu ombro e um chupão intenso e dolorido em seu pescoço; algo o dizia que o tal "Madara" encarava Itachi enquanto realizava tais atos. Sentia seu orgulho ferido de diversas maneiras: tanto pela facilidade com que aquele atrás de si usufruía de seu corpo livremente, quanto com a perspectiva de que era observado de frente por Itachi.
A raiva e o medo coexistiam dentro de si em uma mistura perigosa e praticamente insuportável.
_ Me ajuda! – Sasuke mexeu seus lábios em uma frase silenciosa e suplicante para Itachi, tentando manter a calma diante de tantos sentimentos e gemendo de dor pela força da sucção em sua pele.
_ Ele é doce. – Madara sussurrou ao desprender os lábios de seu pescoço. Itachi ainda encarava a cena com olhos assassinos, mas sem mover um músculo. – E aí Otouto, qual vai ser? Está a fim de brincar também ou vai só assistir?
Não... Não!
(***)
Sasuke se debatia tanto que Kakashi teve de parar sua busca pela quitinete, voltando para próximo do garoto e iniciando os comandos para a manutenção do transe.
(***)
"_ Não desista agora Sasuke, continue, você está quase lá."
A voz de Kakashi soou em sua mente de maneira extremamente clara, até mais do que a voz dos demais presentes. Todavia, naquele momento seu desespero era tão grande que Sasuke não conseguiu sequer pensar no absurdo que era ouvir Kakashi numa situação como aquela.
Itachi novamente não respondeu, e Sasuke sentiu todas as suas esperanças esvaziarem de seu corpo, assim como o sangue de sua face, tornando-o branco como um fantasma. Registrou minimamente a maneira como Madara o pegou no colo e jogou contra a cama, virando-o de barriga para cima e forçando-o a olhar em seu rosto.
Madara parecia com Itachi, tinha os mesmos cabelos negros e compridos, mas repicados e rebeldes, tal qual o seu seria se deixasse crescer. Os olhos eram mais perigosos, mas não avermelhados como os de Itachi: eram negros e opacos. Seu rosto possuía feições atraentes, mas com poucas rugas de expressão próximas aos olhos, o que indicava que ele era, no mínimo, quinze anos mais velho que Itachi.
Mas a aparência não parecia ter relevância alguma, pois tudo que Sasuke podia ver era o rosto de um predador, o sinal de que estava prestes a sofrer seu pior pesadelo com aquela pessoa que, sem delicadeza alguma, o empurrava com cada vez mais força de encontro ao colchão.
"_ Continue Sasuke, não tenha medo, são apenas lembranças!"
Sentia seu coração bater forte, descargas intensas de adrenalina sendo jogadas em sua corrente sanguínea devido ao batimento frenético de seu coração. Mas quando tentou agir, empurrando o corpo de Madara para cima com toda força, se viu completamente incapacitado.
Madara era mil vezes mais forte que Itachi; Sasuke não estava exagerando.
_ Não! – murmurou finalmente, conseguindo retomar a sua voz.
_ Não é justo Nii-san. – ouviu a voz de Itachi soar próximo dos dois corpos, mas Madara pareceu ignorá-lo, abaixando os lábios e beijando a pele exposta acima do colarinho de Sasuke. – Você não pode fazer isso na minha frente!
_ Você estava beijando o Uchiha, apalpando com gosto. – Madara repetiu o gesto de Itachi, enchendo as mãos nas duas nádegas de Sasuke e beliscando-o, voltando a prender seus dois braços novamente quando este voltou a se debater. – No entanto, não te culpo: ele é uma delícia mesmo.
_ Eu só estava agindo conforme minha missão!
_ Sua missão NÃO envolve esse tipo de coisa! – Madara gritou e sem soltar Sasuke levantou o olhar para encarar Itachi. – Não seja hipócrita, esse era nosso acordo! Você ia parar com missões do gênero, porque você é meu!
_ Não foi algo sem pensar: Sasuke sente atração por mim, será mais fácil adquirir sua confiança desta maneira, visto que ele não costuma criar laços com...
_ Poupe suas palavras e respeite o seu superior!
_ Não interessa que Sasuke não vai se lembrar disso amanhã por causa do álcool! Ele vai sentir dor, ele vai ver as marcas, e ele vai presumir que fui eu quem fez algo contra ele!
_ E daí? – o mais velho questionou, deslocando momentaneamente sua atenção de Sasuke e parando com suas ministrações, encarando Itachi sem sair de cima do menor. Sasuke, que prendera a respiração numa tentativa de conter seu desespero, expirou ruidosamente. – Se ele exigir que você saia de casa, continue a vigiá-lo de longe!
_ Você está estragando todo meu plano Madara! – Itachi contestou com a voz arrastada e um pouco impaciente. – A Akatsuki tem que pensar que eu estou gostando do Uchiha!
_ ... O quê? – Sasuke murmurou, sentindo uma pontada forte bater em seu coração. Não conseguia compreender direito o teor da conversa dos dois, mas as palavras que Itachi utilizava faziam tudo soar como uma grande traição.
Os morenos de cabelos cumpridos ignoraram sua pergunta, continuando a agir como se ele não estivesse presente. A raiva de Sasuke triplicou.
Filhos da puta!
"_ Não Sasuke, mantenha a calma! Você quer saber o que aconteceu, é apenas uma lembrança!"
_ E você acha que isso colocará a lealdade deles em cheque ainda mais?
_ Sem sombra de dúvidas. Você conseguirá ver qual deles será movido pelas emoções de inveja. Há aqueles que o admiram e ficariam ao seu lado mesmo com a oferta da liberdade que o sangue de Sasuke proporcionaria, mas também há os que optariam pela vingança, dominados pelas emoções. Nenhum deles gosta de mim por causa de nossa proximidade, então se eles forem suscetíveis ao ódio de tal forma que iriam buscar Sasuke apenas para se vingar de mim, como você poderia acreditar em alguém que se rende tão facilmente a emoções volúveis? O próximo a ser objeto do desejo de vingança pode ser você, Aniki. E eles poderiam até mesmo me delatar, fazer o Uchiha confessar, apenas para ver que tipo de reação você teria. Com uma proximidade maior com Sasuke, mais potenciais traidores surgirão.
Madara observou Itachi por alguns instantes, procurando algum indicio de mentira em sua expressão corporal ou na entonação de suas palavras, enquanto Sasuke se debatia e gritava para que o soltasse. Madara não deixou de analisar os olhos de Itachi.
_ Se você estiver planejando algo além do que diz...
_ Eu te amo, Nii-san. Eu jamais trairia você. – Itachi sussurrou, esticando a mão para Madara, num gesto de súplica para que ele viesse de seu encontro.
Eu... Eu não posso acreditar.
Hipócrita!
Nojento!
Madara aceitou o gesto, tomando a mão de Itachi e se levantando em seguida. Pegou Sasuke pelo colarinho de sua camisa antes que ele pudesse escapar e o jogou contra a parede, fazendo-o choramingar de dor e cuspir um pouco de sangue; no impacto, havia mordido e ferido os lábios.
_ Você assiste quieto, se não quiser morrer moleque. Porque assim, ao menos no seu inconsciente, você vai saber quem é dono de quem aqui.
_ Madara...! – Itachi tentou censurar o parceiro, mas Madara cobriu sua boca com uma das mãos.
_ Cale a boca porque já estou sendo generoso demais com você hoje, Otouto!
Madara soltou os lábios do mais novo, levando a mão até sua nuca e puxando para um beijo explicito. O jogou na cama previamente ocupada por Sasuke, e subiu acima dele com uma ferocidade intensa.
E Sasuke viu... Viu tudo... Viu muito mais do que queria ver. Sentia-se enjoado, amedrontado, furioso, temeroso pela própria vida se ousasse levantar-se dali. Tentou não presenciar a cena, pensar em outras coisas... Mas era impossível: não desgrudava os olhos da cena que se passava a sua frente, sempre procurando os olhos de Itachi, enquanto este parecia incapaz de encará-lo diretamente.
Num momento em que Sasuke poderia jurar que Itachi estava sentindo uma grande quantidade de dor, os olhares finalmente se encontraram.
O pesar de seu olhar era tão intenso que qualquer imbecil seria capaz de interpretar: Itachi não estava feliz, não estava satisfeito e certamente não estava orgulhoso do que fazia.
_ Confie em mim. – ele moveu seus lábios sem emitir som algum, mas Sasuke conseguiu compreender o que ele queria falar sem que Madara tomasse consciência.
Dentro de toda quantidade imensa de emoções que percorriam o coração do Uchiha, um novo sentimento surgiu: a dúvida.
Para qual dos dois presentes Itachi estava mentindo?
(***)
_ Sasuke?
O moreno abriu os olhos e se sentou abruptamente na cama, limpando as lágrimas que escorriam pelos seus olhos. A memória estava fresca, assim como o medo, raiva e pavor. Kakashi tentou tocá-lo, mas ele o empurrou com força para longe.
_ Não toque em mim! – gritou, agarrando os próprios ombros e puxando as coxas para próximo de seu peito, descansando a cabeça em seus joelhos e tentando controlar ao máximo o tremor de seu corpo.
_ Sasuke... Você...
_ Eu não quero falar sobre o que aconteceu! Vai embora!
O silêncio foi longo e extremamente constrangedor. Sasuke tentava acalmar seus sentimentos e Kakashi esperou um pouco para tentar tocá-lo mais uma vez, mas a reação foi igualmente violenta. E então o grisalho desistiu de uma abordagem mais sutil, até porque sua raiva naquele instante não o permitia agir com tanta paciência com as infantilidades do garoto.
_ Sasuke, eu só quero que você saiba de uma coisa: Você já falou.
O Uchiha levantou a cabeça, seus olhos arregalados em completo desespero. Kakashi mantinha as feições sérias e imparciais, mas por fim quebrou o contato visual, parecendo envergonhado ao relembrar o que acabara de ouvir.
_ Eu sinto muito, eu não induzi. Você mesmo narrou.
_ Eu... Eu confio nele Kakashi... – Sasuke tentou se explicar, tentou dizer que as coisas não pareciam o que eram naquela lembrança, que muita coisa aconteceu desde aquele dia, mas Kakashi o interrompeu.
_ Eu não quero saber! Eu não quero nem começar a brigar com você agora, porque vai ser uma longa lição! Arrume suas coisas, porque aqui você não fica nem mais uma hora! – voltou a encarar os olhos do garoto, com uma autoridade que apenas um pai poderia ter. – Isso não é um pedido, muito menos uma oferta Sasuke! Vou estacionar o carro na frente da portaria e se você não descer em dez minutos, eu venho te arrancar desse ninho de cobras!
Dito isso, caminhou até a porta, destrancou o apartamento e saiu, deixando um Uchiha extremamente trêmulo para trás.
O que eu vou fazer!?
(***)
"O amor é um animal selvagem,
Ele te morde e arranha, ele te chuta em minha direção.
O segura firmemente com a força de mil braços,
O arrasta para seu ninho de paixão,
O corrompe, desde a pele até os cabelos
E o estrangula dolorosamente através dos dias e anos.
Ele cai, leve como a neve:
Primeiro é quente, depois frio, e termina tudo em dor."*
Sasuke estava deitado e Kakashi Hatake parecia estar murmurando algum tipo de instruções para o Uchiha. Itachi não compreendia muito bem o que estava acontecendo ali, mas era inegável que o garoto parecia adormecido, apesar de toda agitação em seu suposto "sonho".
_ Isso se chama hipnose. – Madara sussurrou ao seu ouvido, aproximando o suficiente para abraçá-lo por trás e visualizar a janela da quitinete do rapaz conjuntamente com seu irmão.
O mais novo manteve suas feições imparciais e neutras, apesar da quantidade dilacerante de desejos contraditórios. Não sabia até que ponto permitia o braço de Madara ao redor de sua cintura: era pelo medo de confrontar alguém mais forte do que ele? Era para manter alguma fachada? Era por amor, por dissimulação, ou por seu próprio masoquismo?
Não teve tempo de se perder em seus próprios pensamentos, pois o mais velho continuou sua explicação.
_ O policial Kakashi está hipnotizando o seu molequinho para fazê-lo recordar de algum momento esquecido. Acho que você já deve ter alguma suspeita do que ele esta tentando fazer o garoto se lembrar, não é?
O mais velho mordiscou o lóbulo da orelha de Itachi, fazendo-o se arrepiar por completo e girar um pouco o rosto para fugir daquele toque que corrompia totalmente seus paradigmas e certezas.
_ Nós temos companhia.
_ Isso nunca te impediu de nada antes. Você ainda 'tá 'bravinho'?
_ Você estragou meus planos Madara.
Ele sorriu, aproximando-se ainda mais e sussurrando tão baixo que até mesmo com os seus sentidos aguçados, Itachi teve dificuldade para compreender.
_ Eu só quis tornar as coisas um pouco mais emocionantes pra você, irmãozinho. O que fará pra reconquistar o pivete?
Itachi preferiu não responder, nem sequer para pedir mais explicações sobre a hipnose; Madara sabia muito bem o porquê: Itachi já tinha experiência o suficiente para compreender as particularidades e obscuridades que uma mente era capaz de fazer e estava com medo de falar algo que não devia. Os dois ainda continuaram a observar a movimentação no apartamento, desta vez em silêncio.
Pain e Konan estavam próximos, a postos como dois guarda-costas de Madara, fingindo ignorar a intimidade do casal à frente. Itachi, como de costume na presença dos demais Akatsukis, não lhes dirigia a palavra em momento algum e sequer trocava olhares com os outros dois, mantendo assim a regra de não-comunicação. Não que os dois oferecessem algum perigo (ambos não eram testados pela prova de lealdade, pois trabalhavam ao lado de Madara), mas as regras eram supremas e nenhum dos três era louco o suficiente de contrariar. Os três anos de cama de Itachi foram mais do que o suficiente para servir de exemplo para evitar qualquer tipo de rebeldia.
_ Número três...
Itachi sentiu seu coração bater mais forte ao ouvir a voz de Madara soar profissional e autoritária, chamando-o pela sua denominação de cobaia. Isso significava apenas uma coisa...
_ Sim, chefe. – ele respondeu no mesmo tom sem, contudo, escapar do toque de Madara.
Quando seu amante assumia a postura de chefe, Itachi assumia a de subordinado. Não faria absolutamente nada que contrariasse a hierarquia, e então não cabia a ele sair de perto de Madara se não fosse ordenado para fazer isso.
Contudo o mais velho que interrompeu o toque, afastando-se um passo para trás e colocando a mão direita acima do ombro de Itachi, que ainda mantinha o olhar concentrado analisando Sasuke.
_ Creio eu que não seja necessário dizer em voz alta qual é sua missão, certo?
Itachi se moveu para cumprir o ordenado entre as entrelinhas, mas Madara o segurou mais firmemente pelo ombro, puxando-o para próximo de si e sussurrando a altura de seu ouvido uma última vez.
_ E tente voltar vestido da próxima vez... Eu gostei do avental, mas acho que Pain e Konan já viram o suficiente.
Itachi não respondeu a provocação, apesar de sentir seu sangue ferver com a memória. Manteve a mesma expressão de indiferença segurou sua Ninja-tō firmemente com a mão direita. Virou-se e despediu-se de Madara com uma breve reverência, pulando pela janela do apartamento logo em seguida, como se aquele fosse à maneira mais convencional do mundo de se retirar de algum lugar.
_ Número um. – o superior chamou, ainda mantendo as costas para os outros dois membros da Akatsuki.
_ Chefe? – Pain respondeu ao chamado, dando um passo para frente e esperando calmamente que Madara oferecesse suas instruções.
_ Certifique-se de que número três não irá falhar.
Ele e Konan trocaram olhares surpresos, não realmente acreditando na ordem que acabaram de ouvir.
_ Mas Chefe...
_ Está questionando a minha ordem, Pain?
Ele finalmente se virou, encarando o ruivo com um olhar de extrema superioridade. O cobaia número um, repetindo o gesto de Itachi de poucos instantes atrás, reverenciou-se minimamente.
_ Não senhor.
_ Ótimo. Se Itachi falhar, você morre.
Pain não duvidou em nenhum instante das palavras de seu superior.
Madara buscou alguma coisa de dentro de suas vestes, retirando de lá um maço de cigarros e um isqueiro zippo, ascendendo a brasa e tragando quase a metade do fumo de uma única vez. Expirou com força e virou-se para a janela novamente, constatando que Pain já desaparecera dentre a noite. Sasuke ainda estava em seu campo de visão, ele o observou por mais alguns instantes e depois falou em voz alta, praticamente cantarolando:
_ Amor... Amor... Todos querem domá-lo, mas somos nós que acabamos capturados por suas presas.*
Por fim, colocou novamente o cigarro em sua boca, apreciando-o com maior paciência enquanto se debruçava sobre o parapeito da janela e apreciava a escura noite urbana e as ruas pouco movimentadas.
Konan teve a completa certeza que a última frase não fora dirigida para si.
"O amor é um animal selvagem,
Ele consome você, ele procura por você.
Faz um ninho nos corações partidos,
Vai caçar com beijos e velas,
Suga rapidamente os seus lábios,
E cava túneis entre as suas costelas.
Ele cai, leve como a neve:
Primeiro é quente, depois frio, e termina tudo em dor."*
(***)
Kakashi desceu com velocidade todos os lances de escada, atingindo o térreo com grande rapidez. Correu para fora enquanto ainda procurava a chave de seu carro em seus bolsos, pensando que precisaria ligar para Naruto em breve. Independente de qualquer problema particular dos dois, Sasuke estava completamente perdido e numa situação delicada e perigosa; ele precisava da ajuda dele para lidar com tudo aquilo. Naruto também tinha que voltar para casa, nenhum dos três estava a salvo naquele momento quando se lidava com pessoas capazes de fazer o que Madara fizera na recordação de Sasuke.
Estava distraído em seus pensamentos e não se deu conta da companhia que se aproximava.
_ Olá, Kakashi Hatake. – ouviu seu nome ser proferido por uma voz suave.
Kakashi se virou com a intenção de atacar um possível predador, mas foi recebido calorosamente com uma espada no pescoço, fazendo-o parar de se mover pelo instinto de sobrevivência.
A mescla perfeita das características físicas de Fugaku e Mikoto Uchiha, a sósia mais velha de Sasuke estava à sua frente: os olhos rubros como as chamas, a faceta imparcial e gélida, e a espada firmemente agarrada pelo punho direito, ameaçando-o sem demonstrar qualquer fraqueza de suas convicções. Se o DNA deixou claro, a visão a cores não permitia dúvidas. Itachi realmente era o primogênito Uchiha.
E isso não era, nem de longe, uma reunião familiar feliz.
_ Sasuke confia em você.
Sentia-se um tolo por ter proferido tais palavras, mas foram as primeiras que vieram em sua cabeça. Itachi até pareceu surpreso por alguns milésimos de segundos, mas foi tudo tão rápido que Kakashi não sabia dizer se fora uma reação verdadeira ou uma ilusão gerada pelo seu corpo sedento por esperança.
Aparentemente foi a segunda opção, pois a espada foi forçada ainda mais contra o seu pescoço, o suficiente para cortar a sua pele.
_ E daí?
A resposta de Itachi foi ríspida e atingiu o coração de Kakashi de tal forma que ele limitou-se apenas a fechar seus olhos, aguardando a morte sem qualquer esperança de um milagre.
... Continua ...
¹ - Ok leitores, vamos negociar...
A cena de sexo foi cortada e não vai ser postada nessa fanfic porque, por mais que quando pensamos em "threesomes" geralmente pensamos em algo completamente "nosebleed" e tal, essa daqui tem uma intenção diferente. O que é relevante pra ela na trama é a consequência que isso vai ter na relação dos personagens, e não o sexo. E, por isso, eu cortei o lemon da trama principal.
Contudo, se vocês fizerem questão de ler, eu escrevo e posto em forma de side-fic.
O lemon aqui é um NaruSai x GaaraSai com algumas interações NaruGaa, mas o Sai é quem vai ser o uke dos dois e o Naruto não será submisso. Também sei que muita gente prefere o Sai de seme e não gosta de lemon assim, e por isso prefiro pedir a opinião de vocês antes de começar a escrever (já que não quero escrever algo que ninguém vai ler). Como essa seria uma sidefic com contexto, não vou postar como pwp, então apenas os leitores de Haunted vão ler. Assim sendo, só vou escrever se vocês quiserem.
É um tipo de lemon mais difícil de escrever, então caso vocês desejem a cena eu provavelmente publicarei em janeiro por causa da correria que está sendo os momentos finais de "The Plan" esse ano. Mas eu escreveria com muito gosto, pois já tem bastante tempo que quero escrever uma threesome, algo que até agora nunca fiz!
É isso, me digam suas opiniões!
² - A respeito da Hipnoterapia: Tenho leitores portugueses, então quero deixar claro que estou usando o meu conhecimento legal brasileiro nesse ponto da fanfic. Aqui no Brasil, a hipnose não é regulamentada, pode ser feita por qualquer pessoa que aprenda o método. O fato de Kakashi ser um psicoterapeuta não quer dizer que ele saiba hipnose ou que esteja apto a fazê-lo, Kakashi não aprendeu isso na faculdade e sim por conta própria. Eu não sei como funciona em Portugal, mas achei melhor pontuar antes de gerar qualquer tipo de polêmica.
Eu andei estudando durante meses pra escrever essa cena, então a técnica empregada foi retirada dos estudos e não de filmes ou relatos leigos. Assim, pode parecer um pouco estranho para vocês uma técnica de hipnose que não envolva "relógio na ponta da cordinha" e esse blábláblá todo. Se tiverem curiosidade a respeito das técnicas de hipnoterapia podem me perguntar que ajudarei no que for capaz de responder. Com o Sasuke, eu optei pelo método denominado "relaxamento progressivo" para o emprego de "relembrança".
Ah, e quanto aos que não sabiam: pois é, hipnose existe, não é criação do cinema não. =P
³ - Cena do capítulo 13.
⁴ - A cena do capítulo 7 foi cortada naquele ponto.
(*) As citações são trechos traduzidos da música "Amour" da banda "Rammstein" (foi traduzida pela minha prima, porque a tradução do alemão de sites de cifras é uma negação). Não sei se vocês sabem, mas cada casalzinho de Haunted (e de todas as minhas outras fanfics) tem uma música. Eu estava meio "emo" quando escrevi essa cena, então acabei citando a música MadaIta auhauhauhau. Nem se incomodem em ouvir, provavelmente não é do agrado da maioria de vocês... Eu só acho que a letra combina muito com eles.
Respostas reviews "guest":
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Scar:
Siiiiiiimmmmm! Muahuahuauahua!
xD
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Dea:
Eu fico com dó e raiva ao mesmo tempo, sou muito contraditória haha!
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Um beijo enorme àqueles que comentaram! Espero que tenham gostado da atualização e continuem acompanhando!
