Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: Bom gente, agora acabou minhas demoras. Tive duas provas finais na faculdade e uns problemas familiares, por isso não atualizei na semana passada (e isso estava fora dos meus planos, sinto muito ._.). Mas agora acabou! Vou me mudar em 7 dias e estou formada em Direito finalmente! Falta só a colação de grau! o/
O que isso significa? Que estou de férias até março de 2013 quando começarei minha pós-graduação. E os que acompanham Haunted desde os primórdios sabem que eu atualizo bem mais nas férias!
Minha outra longfic foi finalizada, então pretendo dar minha atenção exclusiva para Haunted até o final, eventualmente fazendo one-shots e tudo mais, mas nada de começar outra long tão cedo. Então minha dedicação não será mais dividida entre fanfics!
Um beijo a todos!
HAUNTED
Capítulo XIX
_ Como foi?
_ Dentro do planejado.
Kisame observava a cena com certo interesse. Ele sabia que Kakashi Hatake era mais alto e pesado do que Itachi, mas este o segurava no colo como se estivesse segurando uma criança pequena. Estava tão admirado com a cena peculiar que mal percebeu que o outro parecia levemente irritado, olhando para ele com censura.
_ Apresse-se e suma daqui! Madara deve ter mandado capangas. Pain estava no apartamento e, se bem conheço Madara, ele não hesitou na sua escolha. – Itachi disse, atirando o vidrinho medicamentoso para Kisame, que o apanhou no ar. – Esconda pra mim por algumas horas, logo te procuro pra pegar novamente a medicação. Pain pode querer me revistar.
_ Você compreendeu a posologia? Não vai abusar porque pode ser irreversível!
_ 'Tá, suma daqui Kisame!
Kisame contorceu o nariz pela aparente falta de agradecimento do mais novo, mas sabia que realmente tinha que se retirar o quanto antes, já que Kakashi estava desacordado pelos golpes certeiros de Itachi, mas não machucado. O Hatake ficaria apenas "inativo" por algum tempo em razão da grande dose de barbitúrico¹. Agora ele finalmente compreendia porque Itachi lhe pediu essa medicação semanas atrás.
_ Droga para 'dormir'?
_ Não exatamente isso. Algo que mantenha a vítima desacordada, com pouca pulsação.
_ Em suma, uma droga para coma induzido?
_ Aí é com você. Disso eu não entendo.
Kisame olhava para a mão machucada de Itachi e suas roupas rasgadas com certo interesse. O mais novo parecia cansado, abatido e até mesmo um pouco desmotivado. Itachi nunca foi o tipo de pessoa que procuraria ajuda daquela forma, a não ser que houvesse alguma dívida a ser paga.
Kisame considerou isso uma espécie de demonstração deturpada de amizade, e por isso sorriu.
_ Ok, eu vou te entregar algo. Sente-se.
Itachi concordou com um aceno de cabeça, ignorando completamente o sorriso caloroso do outro, e se sentou em um banquinho praticamente destruído por cupins, torcendo para que este não cedesse de vez com seu peso. Kisame caminhou até um armário, abrindo a porta de vidro e procurando algo entre os diversos medicamentos ali guardados.
O refúgio de Kisame era uma casa abandonada, localizada no subúrbio da cidade. Todos os indícios de atuação da Akatsuki eram levados para lá, antes de serem transportados para o QG. Nenhum deles sabia a real localização do QG, apesar de Itachi desconfiar que Kisame soubesse mais ou menos em que país ficava.
Quando iam ao QG ou eram levados até uma missão, sempre eram desacordados por algumas horas, para que jamais tivessem consciência de seu endereço. Isso nada mais era do que uma forma de proteção para possíveis traições. Com toda a certeza, ideia de Madara.
_ Você tem certeza que não há espiões aqui perto?
_ Absoluta, Itachi. O sistema de proteção dos refúgios é tão impenetrável quanto o do QG.
_ E como eu consegui entrar? – questionou, erguendo uma sobrancelha em dúvida e cruzando os braços. Kisame riu baixinho.
_ Porque eu deixei, oras! Reconheci essa sua cara emburrada nas câmeras de segurança.
Kisame virou-se para encarar o outro e percebeu a coloração dos olhos do mais novo adquirirem um tom ligeiramente avermelhado, denotando que o outro se enfezava, por mais que seu rosto tentasse não transmitir raiva.
_ Não se preocupe, pois o filme já foi destruído. Ninguém além de mim saberá de sua visita. – o homem de cabelos azuis voltou a procurar algo no armário, tirando de lá um vidrinho com várias drágeas. Itachi ainda estava irritado quando Kisame lhe deu o medicamento. – Essa é uma espécie de droga composta de ácido barbitúrico. Ela vai fazer uma pessoa relaxar, se for empregada em pouca escala; ou entrar em coma induzido, se ingerir uma dose consideravelmente maior. Ela pode matar, como qualquer outra droga usada em excesso. Então tenha cuidado.
Itachi pegou o vidrinho com sua mão saudável e o analisou com cuidado. Havia instruções de como utilizar a medicação atrás do frasco, e ele teve certeza que a droga foi sintetizada no laboratório do QG. A letra de Orochimaru era algo único e impossível de copiar.
_ Você conseguiu as pílulas, Itachi? – Kisame questionou, interrompendo os pensamentos do mais novo.
O moreno balançou a cabeça mecanicamente, e isso foi o suficiente para Kisame compreender o porquê da falta de ânimo do outro. Mas, ainda sim, Itachi resolveu explicar.
_ Madara está me fornecendo pouca proteína. Por mais que eu esteja em boas condições físicas, meu potencial está baixo. Eu queria as pílulas para usar com Sasuke, acredito que ele aceitaria tomar. Se a Akatsuki passar a atacar diretamente, eu não sei se vou conseguir impedi-los no meu estado atual.
_ Você está com a mão ferida. Só por isso já consigo concluir que não está na sua melhor forma. Eu sei que ninguém é capaz de ferir o "numero três" quando você está no ápice de seu conteúdo protéico.
_ É, é. Sem fanatismo, por favor.
Kisame riu, colocando um segundo vidro sobre a mão de Itachi e observando com ânimo o olhar do colega arregalar em surpresa.
_ Considere um presente de despedida.
_ Mas Madara...
_ Eu vou conversar com Madara. Vou explicar que possivelmente devêssemos testar a reação da droga no corpo de Sasuke e que você seria a pessoa mais apta para agir como cobaia. Você tem alguma ideia de por que ele está agindo assim?
Itachi calou-se por algum tempo e no fim mentiu com convicção, mantendo as feições neutras e torcendo para que Kisame não compreendesse sua farsa.
_ Eu não compreendo porque Madara está fazendo isso.
Mas é obvio que ele sabia: ao contrário do que todos na Akatsuki achavam, Madara não confiava mais 100% nele. Era uma atitude típica do seu irmão deixar sempre uma carta na manga. E a carta na manga era deixá-lo mais fraco do que, respectivamente, número 1 e 2.
_ Você é diferente dos outros Itachi, você é o prodígio, é especial. Mas eu não dei o poder para alguém que eu não possa controlar.²
Madara, definitivamente, não dava laço sem nó.
Kisame, aparentemente, engoliu sua mentira, pois continuou a falar animadamente.
_ Você é um dos poucos em quem ele ainda confia, se duvidar vai até te presentear com uma centrífuga e mais algumas pílulas. Mas já adiante o procedimento e entregue estas para Sasuke, quando tiver a oportunidade. – Kisame abaixou consideravelmente o tom de voz, mantendo um sorriso desafiador nos lábios.
Não exatamente. Mas, talvez, Nii-san faça isso pro Kisame não ter suspeitas, caso ele realmente faça esse pedido.– Itachi constatou, piscando de maneira despreocupada. Sim... Talvez fosse melhor deixar essa situação ocorrer; ele não tinha nada a perder.
_ Essas são especiais. – disse Kisame, muito orgulhoso de si mesmo por algum motivo desconhecido.
_ Especiais? – Itachi questionou, fazendo o sorriso de Kisame se alargar ainda mais. Suspirou com irritação, sabendo que o outro não responderia sua pergunta. – Ok. Não vai fazer mal a ele, vai?
_ Não. Seu namoradinho está seguro.
_ Sasuke é apenas a minha missão, ele não é...
_ Me poupe Itachi! Eu não sou o Madara. – o mais velho respondeu, dando-lhe as costas e voltando para os seus afazeres. Como Itachi optou por ficar calado, Kisame simplesmente considerou seu silêncio como um consentimento. – Eu estou do seu lado, independentemente da decisão que você tome. Eu não estaria arriscando minha existência entrando em seu jogo duplo, se não o considerasse meu amigo.
_ Não fique falando essas coisas absurdas! – o moreno respondeu rispidamente, pondo-se de pé e saindo do local rapidamente, sem se despedir ou fazer qualquer outro tipo de barulho.
O outro continuou a trabalhar, não se importando com a aparente rispidez de Itachi. Sabia que o mais novo era uma pessoa de poucas palavras, e que não conseguia se relacionar muito bem com os outros quando não estava interpretando um papel em missões. Às vezes sentia-se especial, por ser um dos únicos a conhecer o verdadeiro Itachi – por mais que ele não se desse conta disso, ou fingisse não saber que Kisame o compreendia perfeitamente.
E se o moleque Uchiha também estava começando a conhecer o real Itachi, ele também era uma pessoa especial...
_ Itachi... Se você não matou Kakashi Hatake, posso considerar que já tomou sua decisão?
O moreno não respondeu inicialmente, colocando Kakashi no chão e cortando sua própria mão logo em seguida, sujando o grisalho de sangue em pontos estratégicos.
_ O que você acha, Kisame? – perguntou, um pouco envergonhado, sabendo que a frase que acabara de dizer nada mais era do que uma afirmação positiva a pergunta do colega.
_ Eu acho que você realmente entendeu que é 'ser humano'. – o outro respondeu, dando as costas para o companheiro e saindo daquele beco o quanto antes.
Pain iria checar, verificar a suposta morte de Kakashi com um olhar leigo, e Madara requisitaria que fosse buscar o corpo o quanto antes. Obviamente se atrasaria propositalmente, Sasuke tinha que encontrar o grisalho antes para levá-lo a um hospital, e a continuidade do plano de Itachi se estender.
Ainda não sabia o que o outro pretendia com tudo isso, mas uma coisa era certa: ele estava arriscando muita coisa para não ferir o coração de Sasuke. Não havia mais dúvidas de que Itachi tomara uma decisão; ele se apaixonara.
_ Vida longa ao casal! – Kisame se pronunciou, caminhando despreocupadamente pela rua escura, desejando, realmente, que aquele ciúme tolo passasse o quanto antes.
Itachi estava lutando por sua felicidade, e isso era o suficiente para deixar Kisame satisfeito. Afinal, Sasuke mantinha Itachi humano, e era o próprio Itachi quem mantinha a humanidade de Kisame.
E isso, por si só, era o suficiente.
(***)
Naruto acordou abruptamente, sentando-se com tudo na cama e arrependendo-se no momento em que o primeiro raio de sol veio de encontro com sua retina e ativou todos os efeitos da pós-bebedeira intensa. Grunhiu, levando as mãos até os olhos, tentando diminuir aquele desconforto horrível.
Sentiu falta de Sasuke, pois o Uchiha sempre o presenteava com boas doses de aspirinas em momentos como aquele... Mas sentiu ainda mais falta de Kakashi e de seu amargo café para "cortar o efeito do álcool" que só o deixava cada vez mais enjoado.
Em suma, sentia falta de sua rotina normal e, porque não, de sua família.
_ Droga, por que eu fui beber tanto? – questionou para ninguém em particular, mas recebeu em retorno um barulho de reprovação. Tentou abrir os olhos e descobrir quem era sua companhia do momento, mas a ação foi completamente infrutífera.
_ Sabe Naruto, eu estou começando a achar que você não tem mais jeito.
Era Gaara, e sua voz parecia irritada. Naruto levantou um pouco a pálpebra esquerda e deu de cara com um ruivo extremamente decepcionado, de braços cruzados, vestido com a roupa de trabalho e, aparentemente, aguardando o doloroso despertar do Uzumaki.
_ Você está bravo comigo porque eu bebi? – Naruto perguntou incerto.
Não era muito comum Gaara ficar com aquele tipo de ânimo (a não ser que Sasuke estivesse presente). O ruivo geralmente era uma pessoa carinhosa e, por mais que reprovasse as condutas de Naruto quanto ao quesito álcool, não brigava ou demonstrava aquela quantidade de irritação quando isso acontecia.
_ Arrume meu quarto antes que eu volte do trabalho!
Foi tudo que o outro respondeu antes de sair com passos firmes do cômodo, batendo a porta ruidosamente atrás de si.
_ Quarto...?
Finalmente acostumado com a iluminação intensa que quase o cegava, Naruto percebeu que realmente estava no quarto do amigo e não no sofá onde costumava dormir. O lugar estava completamente irreconhecível: havia móveis caídos, objetos espalhados pelo chão, bagunça nos lençóis (que estavam, em alguns pontos, rasgados) e camisinhas jogadas pelo... Espera aí, camisinhas?
_ O... que... diabos?
A constatação de que algo muito além do que ele planejara ocorrera fez todos os sintomas de ressaca se tornar secundários. Colocou-se de pé em um pulo, observando a existência de várias camisinhas usadas pelo chão, o que geralmente era visto como um comportamento típico de mau cliente de motel. Ele não estava em um motel e... Bem... Nessa situação, aquela bagunça era algo ainda pior.
Ele e Gaara passaram a noite juntos? Bom, a característica sensibilidade em seu corpo (mas especificadamente em sua virilha) indicava que sim. E isso estava longe de ser uma coisa boa.
Puta que pariu!
Naruto, que graças ao bom pai estava vestido com sua roupa íntima, procurou sua calça em meio aquela bagunça, vestiu-a e correu para fora do quarto, procurando encontrar Gaara antes que ele fosse trabalhar. Sabia que se isso realmente houvesse acontecido, o ruivo e ele possuiriam sérios problemas... Afinal de contas, Gaara não conseguia manter uma relação casual com ele, e talvez por isso estivesse irritado.
Percebeu que foi lento demais e o amigo já saíra. Suspirou com impaciência e ouviu um barulho característico de panelas advindo da cozinha. Era estranho Sai acordar tão cedo, pois geralmente trabalhava de noite e dormia até de tarde, mas ao que tudo indicava, no momento, estava tomando café.
Foi para a cozinha, sentindo fome e decidindo que qualquer conversa que fosse ter com Gaara esperaria até seu retorno do trabalho. Sai realmente estava lá, de costas, fritando algo nada saudável em uma frigideira, provavelmente ovos mexidos.
_ Bom dia. – Naruto cumprimentou com um bocejo, abrindo a porta da geladeira à procura de algo para beliscar. Sai costumava cozinhar para três, então ele sabia que poderia dividir aquela refeição com o moreno.
Contudo, o outro não respondeu ao seu cumprimento, o que jamais acontecera até então. O loiro era uma pessoa distraída, mas não precisava ser nenhum gênio da concentração para compreender que algo muito estranho ocorreu naquele apartamento.
_ Por que você e Gaara estão irritados comigo? – perguntou, observando uma latinha de cerveja na geladeira e fazendo careta para o objeto, como se ele fosse o culpado de todos os problemas atuais.
_ Você realmente não se lembra do que fez? – respondeu, virando-se minimamente e encarando o recém desperto por cima de seu ombro.
O tom de voz de Sai era sério, e isso por si só já era algo assustador. Naruto não se recordava de ter conversado com o moreno sem que ele estivesse com um sorriso no rosto, mesmo que fosse um daqueles sorrisos amarelos e irritantes. O loiro engoliu em seco, sentindo um receio crescente e um nó na garganta que se formava aos poucos.
_ Você não lembra. – o moreno constatou, voltando sua atenção para o fogão dando, novamente, as costas para o colega. – Você só fez cagada ontem.
_ Eu percebi que transei com o Gaara, o quarto 'tá uma zona, mas porque você está...
_ Esse não é o ponto Naruto. Não é o fato de nós três temos feito o que fizemos...
_ O... o quê?!
Três? TRÊS? Eu tenho que agradecer aos céus por Gaara não ter me castrado durante a madrugada!
_ ... Mas sim as coisas que você disse depois. Me admira Gaara ter deixado você dormir até o amanhecer na cama dele.
_ Mas...! – Naruto pretendia contestar, argumentar qualquer coisa, mas não sabia exatamente o que dizer. Não se recordava de absolutamente nada que acontecera em sua noite desde que saíra para beber, e jamais imaginou que as coisas acabassem daquela forma.
No fundo, ele sabia que Gaara poderia até ficar irritado caso fizessem algo do tipo, mas teria discernimento no momento que escolhesse participar. Podia, é claro, ficar com o coração partido, mas não furioso. E Sai, por sua vez, vivia dizendo que isso era algo que queria tentar.
Se os dois estavam naquele ânimo nada amistoso, significa que ele realmente fez ou falou algo em meio ao sexo que ofendeu muito os outros dois.
_ Eu sinceramente não sei o que falei, ou o que fiz. Mas peço desculpas. – falou com sinceridade, sentando-se à mesa e apoiando a cabeça nas mãos.
_ Nós podemos continuar essa conversa mais tarde, se você desejar, mas acho que tem algo mais urgente acontecendo agora.
_ O que quer dizer?
_ Seu celular está na sala, tocando sem parar a um bom tempo. Não consegui atender porque você bloqueou com senha, mas era o seu amigo, Sasuke.
Novamente sentindo a adrenalina invadir seu corpo e sufocar a sensação de ressaca, correu para sala e, coincidentemente, seu celular tocou mais uma vez. Desta vez a ligação foi atendida, e Sasuke parecia um pouco desnorteado por finalmente ter sido recepcionado.
_ Naruto? – o Uchiha questionou incerto.
_ O que aconteceu? – Naruto perguntou com a voz urgente, temendo pelo pior.
Se Sasuke estava ligando sem parar, isso significava que algo grave aconteceu. Sasuke nunca, nunca, ligava mais de uma vez para chamá-lo para algo ou simplesmente conversar. Quando algo ruim acontecia, era Kakashi que recebia as ligações reiteradas de Sasuke. E se o Uchiha não estava ligando para o grisalho...
_ Naruto, pelo amor de Deus, venha pro hospital! Rápido!
(***)
Já fazia uns vinte minutos que Naruto estava parado em pé parado ao lado da cama de hospital onde dormia, em um clima de falsa paz, Kakashi Hatake. Sasuke não estava mais ali, pois encontrou alguns médicos no corredor e foi buscar informações. Naruto, por sua vez, estava alterado demais para acompanhar o amigo.
Kakashi estava em coma.
Enquanto ele agia como um idiota pervertido inconsequente, transando com duas pessoas ao mesmo tempo, a sua 'pessoa mais importante' entrara em coma! E o pior? Eles não fizeram as pazes! Kakashi poderia não acordar nunca mais...! Talvez, Naruto não aguentaria se isso acontecesse, mas, talvez, Kakashi pudesse morrer sem que eles fizessem as pazes!
Não... Não queria pensar nisso.
Se ele pudesse, gostaria de apanhar e pagar pela tamanha idiotice que fizera! Qualquer coisa era melhor do que ver Kakashi daquele jeito. Estava verdadeiramente decepcionado consigo.
_ Se eu tivesse em casa... S-se... – ele falou consigo mesmo, calando-se por sentir que doía demais falar naquele momento; sua garganta chegava a arder por causa do nó psicossomático que se formara.
Piscou, não se incomodando com as lágrimas espessas que deixara escorrer com esse gesto e continuou observando o rosto sereno e descoberto de Kakashi.
Era tão raro ver o rosto dele daquela forma... Naruto sentia estar invadindo a privacidade do outro, ao observar seu rosto enquanto estava tão vulnerável. Kakashi definitivamente não gostaria de ser exposto daquela maneira, era algo que fazia parte de sua personalidade.
Inconscientemente buscou o lençol que cobria o corpo do doente, puxando-o para cima até encobrir a boca e nariz do mais velho. Como o lençol era fino e Kakashi estava submetido a aparelhos respiratórios, o pedaço suave de algodão não atrapalharia a respiração do paciente, apenas cobriria o rosto de seu amado da maneira como o próprio costumava fazer.
Agora a cena era um pouco mais aceitável... Mas, ainda sim, tudo naquela situação parecia extremamente errado.
_ Você é um idiota mesmo... – Sasuke se pronunciou, anunciando assim a sua volta ao quarto. Fechou a porta atrás de si e caminhou até ficar ao lado do amigo, segurando a pasta de prontuário que conseguira com os médicos com firmeza.
_ Cala a boca, Uchiha. – Naruto respondeu com a voz fraca, acreditando saber exatamente o que se passava na mente de Sasuke.
O ciclo parece estar se repetindo mais uma vez...
Os pais de Sasuke morreram, bem como os pais de Naruto. O Uzumaki acreditava que Sasuke não tinha sido adotado (ou se permitido adotar) porque não queria por em risco a vida de sua próxima família, tomando para si as dores por aqueles acontecimentos. Sasuke realmente achava que a culpa era dele. Muitos anos se passaram até que finalmente chegou àquela conclusão, mas ele não podia negar: fazia todo o sentido.
Nunca sentiu raiva de Sasuke, não era culpa dele. Mas não seria apenas coincidência dizer que o Uchiha era a única coisa em comum nas quatro mortes, mesmo que seu amigo não fosse a real causa dos assassinatos. Isso parecia se repetir mais uma vez, mesmo Sasuke fazendo questão de morar sozinho.
Sasuke, por outro lado, tentava compreender, utilizando-se das informações reveladas por Itachi, o que acabara de acontecer com Kakashi. Seu ex... (namorado?) hóspede deixou claro que existia outra pessoa cuidando da integridade física do grisalho e de Naruto, então era um completo absurdo isso ter acontecido, ainda mais próximo de sua casa. Será que depois da briga Itachi realmente deixou de protegê-lo? Mas e o plano com Madara?
Ah... Olha Sasuke, vocês brigaram e ao que tudo indica você foi bem injusto em seu julgamento de traição. Não seria tão absurdo assim se Itachi tivesse desistido de ajudá-lo...
Não fale asneiras! Itachi retribuiu o beijo do tal Madara com total culpa no cartório! Sasuke fez o que qualquer um faria numa situação de traição!
Mas nós não sabíamos quem era esse Madara, e agora que sabemos o que ele é capaz de fazer... Será que Itachi não estava simplesmente nos poupando de mais um perigo ao jogar nos dois lados?
E se for o contrário? E se ele estiver do lado do outro? E se Sasuke tiver caído em suas garras como um patinho imbecil?
Calem-se... De nada adiantará discutir isso agora.
Sasuke está certo. Se a traição de Itachi é justificável ou não, pouco interessa no momento. A questão é que Naruto e Kakashi estão em perigo pelo simples fato de estarem próximos de nós!
Sim. E aí Sasuke, o que você vai fazer?
Eu vou fazer o que já deveria ter feito há muitos anos.
_ A culpa é toda sua!
Naruto parou de respirar, levantando o olhar avermelhado pelas lágrimas e encarando a expressão fria de Sasuke.
_ Teme...?
_ Você veio pra cá com ressaca, cheirando a pinga e sexo! A culpa é toda sua se Kakashi está desse jeito! Se você estivesse junto, isso poderia não ter acontecido! Mas não...! Você saiu de casa para ser um inconsequente por causa de uma briga boba! E agora olha o resultado dos seus atos! – a voz de Sasuke aumentava o grau de censura conforme falava. Ele evitava encarar Naruto, prestando atenção em seus sapatos.
Naruto realmente queria ser castigado pelo que acontecera, mas ouvir isso da boca do amigo doeu mais do que ele esperava.
_ Você é um idiota, egoísta, egocêntrico que só pensa em você mesmo! – o Uchiha rosnou em tom baixo, aproximando-se de Naruto cada vez mais, enquanto este dava dois passos para trás.
_ Mas... o que... Sasuke, eu...
_ Cale a boca!
E o punho fechado do moreno atingiu em cheio o queixo de Naruto, fazendo-o virar o rosto pelo impacto do que, nem de longe, era um soquinho de brincadeira.
_ Eu estou farto da sua fraqueza! Nunca mais chegue perto de mim Naruto! E se tem o mínimo de vergonha nessa sua cara, você vai ao menos cuidar do Kakashi quando ele acordar! Isto é, se ele acordar!
Naruto ficou calado, não conseguindo sequer levantar o olhar e enfrentar Sasuke, sentindo seu coração se partir em mil pedacinhos. O Uchiha, por sua vez, girou os calcanhares, pegando a pasta que segurava e colocando acima da cama de leito.
_ Essa é a bosta do diagnóstico! Faça algo útil e ao menos leia essa porcaria antes do enfermeiro vir buscar!
Dito isso, marchou para fora do quarto, embrenhando-se cada vez mais no hospital até estar em um corredor seguro, sem companheiros, levemente escuro. Finalmente expirou com força, sentando-se em uma das cadeiras e cobrindo os olhos com as mãos, como se esse gesto fosse o suficiente para fazer as lágrimas não caírem.
Pegou pesado.
Naruto vai te odiar.
Essa é a intenção. Naruto... Ele precisa me odiar. Ele não pode mais ficar próximo de mim! Eu sou um perigo muito grande pros dois!
Essa é, com toda a certeza, a ideia mais imbecil que você teve nessa sua cabecinha oca, Sasuke. Naruto não é o tipo de pessoa que desiste facilmente dos outros, se é que não percebeu.
Mas... Nós não estamos falando do Naruto convencional. Esse Usuratonkachi de agora está abatido, se sentindo culpado e sem esperanças... Eu acho que Sasuke fez uma boa jogada.
Eu gostaria, de verdade, que vocês se calassem.
O pedido mental um pouco mais gentil que o convencional fez com que as outras mentes parassem de importuná-lo, o que era um verdadeiro milagre no momento.
Sasuke limpou as lágrimas, pigarreou até ter certeza que sua voz voltava ao tom habitual, e procurou o telefone celular em suas vestes. Ele estava decidido a tentar resolver, da melhor maneira possível, a situação de Kakashi e Naruto para que ambos saíssem ilesos disto; ou, ao menos, pouco machucados, visto que o grisalho não estava 'ileso', por assim dizer. E faltava uma coisa em sua vida que não substituía a força e informações que Itachi oferecera a si, mas ainda sim era extremamente eficiente.
Dinheiro.
Procurou em sua agenda o número de telefone que jamais achou que procuraria, discou e aguardou que a outra pessoa atendesse sua ligação.
Não deu nem dois segundos e uma voz urgente e conhecida o atendeu.
_ Alô? Sasuke? Aconteceu alguma coisa?
_ Eu aceito sua proposta... Mas preciso deixá-la a par de algumas coisas, Karin.³
(***)
Durante muito tempo, Naruto ficou sem reação depois da explosão de Sasuke. Um pedaço de si não queria acreditar que ele ouvira aquelas palavras advindas justamente da boca de seu melhor amigo, mas era inegável: Sasuke estava certo, era mesmo a culpa dele.
Quando finalmente compreendeu o que aconteceu, ele sentiu uma sensação de choque tão grande que sequer conseguiu chorar. Mecanicamente, puxou a cadeira de acompanhante para perto da cama de Kakashi e se sentou ao seu lado, mantendo o olhar penetrante sobre os olhos fechados do grisalho.
Talvez tenha ficado assim por horas, era difícil dizer. Quando a primeira lágrima escapou de seus olhos, outras mais surgiram, mas ele não movia um músculo do rosto num indicativo de dor emocional. Estava tão cansado de tudo que nem conseguia sofrer em paz.
Não sabia o que pensar e nem como agir. Sentia-se só, ainda mais com Kakashi naquele estado.
_ Por favor... Acorda e volta pra mim...! – ele pediu num sussurro fraco, colocando-se de pé, aproximando-se do grisalho e segurando o rosto com as duas mãos. – Por favor...! Kakashi!
Duas de suas próprias lágrimas caíram sobre os olhos de Kakashi, mas ele não abriu suas pálpebras.
_ Infelizmente a vida não é um conto de fadas.
A voz que soou não era familiar, e ele também não ouvira a porta ser aberta e anunciar, assim, a chegada de mais uma pessoa. Esses médicos de hoje em dia eram cada vez mais silenciosos... Limpou as lágrimas com a barra de sua camiseta e quando achou que estava apto a encarar o doutor com um mínimo de dignidade, endireitou sua postura e virou-se.
Mas definitivamente aquela pessoa não era um profissional da saúde.
Os cabelos eram escuros e cumpridos, amarrados em um rabo de cavalo de altura média, roupas negras e levemente surradas, botas sujas de lama e olhos vermelhos completamente antinaturais e absurdamente assustadores. O homem lhe parecia um pouco familiar, mas o desespero de ver aquela figura sentada na janela do quarto fez seu cérebro parar de funcionar.
O pior de tudo não era o estranho em sua presença, ou toda a áurea assassina que o envolvia. O pior de tudo era que este homem era uma cópia mais velha de Sasuke. Definitivamente um xérox do Uchiha!
_ Temo que no nosso encontro anterior eu não estava em meu estado "lúcido" para cumprimentá-lo com a devida vênia. – o estranho cruzou as pernas em um gesto despreocupado. Buscou algo em suas vestes, retirando de lá um maço de cigarros e pegando um deles com os lábios, ascendendo-os com um isqueiro metálico e personalizado.
Ignorando o olhar questionador e levemente assustado de Naruto, bem como todas as demais regras anti-fumo de locais fechados, o desconhecido tragou profundamente. Quando soltou à fumaça e constatou que o outro realmente não parecia ter miolos para fazer qualquer indagação, ele próprio voltou a falar.
_ Muito prazer Naruto Uzumaki. Sou Itachi, Itachi Uchiha.
O herdeiro Uzumaki finalmente perdeu o restante de compostura, deixando seu corpo cair novamente de encontro à cadeira e arregalando os olhos tão assustadoramente que Itachi não pode deixar de sorrir maliciosamente de canto de boca.
Talvez isso seja mais divertido do que eu previ inicialmente.
... Continua ...
¹ Barbitúrico (Malonilureia ou Hidropirimidina) é uma droga utilizada como antiepiléptico, sedativo e hipnótico. Um de seus usos, esse mais específico, é para a manutenção de coma induzido.
Coma induzido é o estado em que o paciente fica em coma por causa de um procedimento hospitalar. Em suma: às vezes os médicos precisam colocar os pacientes em coma por algum tempo, para que o estrago em seu organismo não seja maior (caso ele acorde antes do tempo) ou, muitas vezes, para poupá-lo da dor. É algo bem comum e reversível, diferente do coma "normal".
Essa é uma droga multifuncional, comercializada em diversos medicamentos de tarja preta. Não seria difícil para o Itachi consegui-la em uma farmácia (pegando diretamente do estoque, óbvio, porque ele não teria receita). A parte teórica da medicação e posologia ficaram a encargo do Kisame, que não foi colocado a toa num laboratório nesta fanfic.
Eu estou há duas semanas com um livro de medicina tentando compreender essa droga pra não escrever bobeira. Mas, como todos sabem, não sou da área médica e posso errar. Espero não errar tanto assim e conseguir deixar o emprego dessa droga o mais real possível.
² Citação do Capitulo 14.
³ Bom, como já faz tempo, pode ser que vocês não lembrem qual foi a proposta da Karin. Para os que não se recordam: Capítulo 6.
Respostas reviews "guest":
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Dea :
*-* Fico contente que tenha gostado flor! Me desculpe pela demora, houveram alguns probleminhas mas agora estou de volta!
Ahhh eu vou escrever a side fic sim! Mas só vou publicar em janeiro ok? Aviso por N/A!
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Andrea:
Opa, leitora nova! Que bom que está curtindo a história! xD Adoro novos leitores!
Vou fazer a threesome hahaha fica de olho, vou avisar nessa fic quando postar (em janeiro, provavelmente).
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Guest:
Como assim "coloca foto" flor? Haunted tem capa, fica pequenininha. Se quiser ver maior, tem no Nyah também. É a isso que você se refere?
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Um beijo enorme àqueles que comentaram!
