Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: Linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
Gente! Eu criei uma página no facebook para quem quiser acompanhar atualizações por lá! Sei que tem leitores sem conta nos sites, então se preferirem curtir a página eu aviso quando atualizar as fanfics e algumas outras coisinhas! Confiram, o link está no meu perfil!
N/A: Olá leitores!
Primeiramente quero agradecer todas as reviews carinhosas que recebi no capítulo passado! A maioria delas citou a minha nota final e demonstrou preocupação e apoio, fiquei extremamente surpresa com tudo isso e me senti muito especial. Obrigada! Estou muito melhor agora e vocês ajudaram mais do que imaginam!
Estou viajando com uma amiga e acabei terminando o capítulo antes de pegar a estrada. Por causa dessa viagem, a próxima atualização pode demorar um pouco (bem pouco, a viagem é curta). Esta daqui já demorou um pouquinho mais do que eu imaginava pra sair por causa disso...
Agora sem mais delongas: Ao capítulo!
HAUNTED
Capítulo XXII
Os primeiros raios de sol já invadiam as frestas da persiana do quarto de hóspedes quando Sasuke finalmente relaxou sobre os lençóis embolados. Estava exausto, mal conseguia manter seus olhos abertos enquanto tentava estabilizar sua respiração. Itachi deitava ao seu lado, igualmente sem fôlego, mas longe de estar tão esgotado quanto o mais novo, e por isso rolou poucos segundos depois para abraçá-lo lateralmente.
_ Não encoste em mim... – era para soar como uma ordem, mas a fadiga intensa de Sasuke não permitiu que sua voz saísse com força. Itachi mal conseguiu ouvir o murmúrio que mais soou como um pedido do que como um ordenamento.
_ Não seja dramático, Sasuke. – Itachi respondeu no mesmo tom de voz brando, mordendo a orelha de Sasuke antes de continuar sussurrando com a voz suave. – Foram apenas três vezes.
_ Pra você, seu idiota! – o outro respondeu com mais irritação do que antes, tentando fugir do toque e se distanciar na cama de casal. – Você é quem parava toda vez que estava 'perto' e não me deixava fazer o mesmo! Pior: dificultava as coisas ainda mais pra mim até eu não conseguir aguentar!
_ 'Tá, que seja, pra você também não foi tanto assim. Foram quantas? Umas cinco vezes?
_ Doze Itachi, doze!
Itachi riu baixinho, satisfeito em ouvir aquelas palavras. Realmente havia perdido a conta de quantas vezes Sasuke chegou ao orgasmo, mas não imaginava que foram tantas assim. Ele admitia que não fora muito condolente com o Uchiha, mas não era sua culpa se ele emitia os melhores sons do mundo e fazia as expressões faciais mais magníficas do universo toda vez que chegava ao 'auge'. Itachi não se cansava de ver, oras! Simples assim.
_ Dizem que número impar dá mais sorte, sabia? – sabia que seu argumento era estúpido, mas queria aproveitar os últimos minutos antes do completo amanhecer com maestria. Depois deixaria seu namorado dormir, como era sábado ele não precisaria trabalhar então podia dormir a manhã toda.
Sasuke debruçou-se para fora da calma, procurando algo no chão e mostrando suas costas descobertas para Itachi, que obviamente não conseguiu se controlar, agarrando-o por trás na tentativa de morder a pele pálida que tanto o tentava (e que já exibia uma grande quantidade de marca dos seus próprios dentes).
_ Se você ousar em tentar algo comigo nesse instante, eu vou te castrar assim que você abaixar a guarda! – Sasuke rosnou, empurrando-o e entregando o que havia procurado: a cueca de Itachi – Se vista e me deixe dormir!
Inicialmente ele não respondeu, até colocou a cueca para que assim Sasuke relaxasse um pouco. Dito e feito, poucos minutos depois o Uchiha ressonava pacificamente, não se importando com o abraço suave em suas costas.
_ Está dormindo?
_ Não... você... não... me deixa... em paz... – Apesar das palavras negativas, o tom de voz não mentia: Sasuke aparentava estar em um estágio entre a consciência e o mundo dos sonhos.
E isso foi a carta branca para Itachi. Massageou o corpo dolorido do parceiro com calma e delicadeza por vários instantes mantendo um abraço de "conchinha", até Sasuke entrar em um sono leve. Contudo, não estava nem um pouco disposto a desistir de sua investida, queria ter Sasuke ao menos mais uma vez antes de se retirar do quarto. Por isso, Itachi guiou sua mão ainda mais pra baixo, em direção à região íntima do outro, dedilhando suas costas até a abertura entre suas nádegas, acariciando o ânus com o dedo médio e sentindo-se especialmente excitado ao constatar que Sasuke ainda estava úmido por causa da submissão de duas horas atrás.
Foram três rodadas de sexo. A primeira foi a mais intensa, pois foi algo diferente para ambos. Nunca haviam transado daquela maneira e o mais velho podia dizer com toda certeza que se sentiu mais envolvido fazendo aquilo com Sasuke do que nas últimas experiências com Madara... E se Madara descobrisse, eles estariam mortos.
Mas Sasuke ficou muito cheio de si depois do ato, agindo como se houvesse realizado o maior feito da face da Terra e que devesse ser congratulado por todos os presentes no quarto (no caso, Itachi). Apesar de também ter achado especial, Itachi irritou-se com o ego de Sasuke e resolveu se vingar.
A segunda rodada foi uma avalanche de orgasmos para Sasuke, com Itachi sendo um ativo extremamente controlado. Quando ele finalmente se rendeu e atingiu o ápice, Sasuke reclamou qualquer coisa sobre "é fácil demais quando é o ativo, quero ver conseguir isso ao contrario".
Mas agora Itachi tinha a completa certeza que Sasuke nunca mais iria respirar fundo para proferir aquelas palavras novamente. A terceira vez foi uma questão de honra, muito bem defendida, obrigado. A vingança total resultou em 12x3 para Itachi. Sasuke pensaria duas vezes antes de virar um Uchiha prepotente novamente depois daquela tortura satisfatória... Mas Itachi queria mais!
_ Isso é estupro sabia? – Sasuke praticamente ronronou essas palavras, Itachi não tinha certeza se o garoto havia despertado ou não, mas mesmo assim riu do completo absurdo. É lógico que se Sasuke implorasse de verdade para que ele parasse, ele não iria forçá-lo. Sasuke estava testando-o com jogo de palavras, apenas isso.
_ Até parece. Só vou tirar o esperma de dentro de você, você ainda tá cheio sabia?
Itachi sentiu o rosto de Sasuke esquentar-se contra o seu, mas ao mesmo tempo em que sabia que o garoto corava de vergonha, ele não pode deixar de notar que este passara a sorrir com prepotência mais uma vez com um leve repuxar em sua bochecha.
_ Mas não estou mais cheio do que você, Itachi... A-ah! Maldito! – Foi à vez de Itachi sorrir daquela forma quando Sasuke arqueou as costas com a surpresa e provável leve ardência. Afinal, se ele não havia acordado completamente até agora, com certeza despertou abruptamente ao ser penetrado de maneira nada delicada pelo seu dedo médio.
_ Você está certo, e já que você insiste tanto pelos 'direitos iguais na cama', teremos que resolver esse pequeno inconveniente. – Itachi sentia-se ainda mais animado ao penetrar o segundo dedo e sentir o esperma ainda quente auxiliar na lubrificação. Continuou sussurrando no ouvido de Sasuke, com a voz mais ríspida e arrastada do que antes – Quer ficar 'igual a mim', Uchiha? Adoraria aumentar o placar para doze e ter um empate contigo.
Espero que Deus não seja realmente onipresente, porque se ele ouvir essas palavras absurdas do Itachi qualquer ínfima chance que ele tinha de ir para o paraíso já foi completamente descartada.
Isso é tudo sua culpa!
Minha culpa?
Na verdade concordo com Sasuke. Você em ação inflou demais o ego dele e...
Vocês estão me culpando por sentir prazer? Isso se chama agradecimento, sabia? Ok, eu sou foda, não precisa agradecer.
Você ainda vai engolir esse bom humor.
Quer apostar, frutinha?
Antes que a reunião mental acabasse de vez e Sasuke conseguisse pensar em algo igualmente constrangedor como resposta, Itachi parou abruptamente suas ministrações e retraiu seus dedos, calando qualquer conversa mental pelo estranho senso de perigo.
_ Itachi?
_ Shii!
Itachi rapidamente girou o corpo e alcançou duas kunais que posicionou estrategicamente embaixo de um travesseiro. Sasuke não tinha consciência disso, mas o outro sempre estava pronto para agir, seja lá qual fosse a ocasião.
_ Tem gente vindo. – sussurrou com urgência, entregando uma das armas para Sasuke e observando-o nos olhos. – Não durma!
Ao perceber que corriam perigo, Itachi não se sentia mais tão satisfeito por ter esgotado Sasuke daquela maneira. Se fossem atacados por um Akatsuki mediano ou cientista, ele conseguiria resolver tudo sozinho. Mas se fossem número um ou dois por qualquer motivo... Bom, digamos que ele não ficaria nem um pouco chateado em ver os olhos violetas de Sasuke novamente.
Droga, ele ainda nem teve tempo pra conversar com Sasuke sobre isso!
_ Eu estou sem roupas! – Sasuke murmurou no mesmo tom de voz urgente, apavorado com a perspectiva de ter sua primeira luta de verdade naquelas condições deploráveis: sono, fadiga, dor muscular, suor, esperma e falta de roupas não eram uma combinação muito boa para uma luta de vida ou morte.
_ Mais um motivo para eu arrancar os olhos deles assim que chegarem! – Itachi buscou os lençóis embolados no pé da cama e cobriu a si e a Sasuke com agilidade. – Agora finja que está dormindo.
_ Mas...!
_ Se eles acharem que nós estamos dormindo, vão tentar me matar durante o sono para depois pegar você. Nós teremos o elemento surpresa em nossas mãos, então se deite e fique quieto!
Sasuke agiu conforme o ordenado, e minutos depois ouviu a janela ser aberta e fechada em sequência. O som era muito suave, seja lá quem entrou no quarto realmente não parecia desejar se identificar, mas os ouvidos atentos de Sasuke conseguiram captar o rangido leve (bem como um som abafado de protesto, contudo este parecia advir do exterior). Prendeu a respiração, tremendo de leve por uma quantidade considerável de adrenalina em seu sangue e pelo medo do que aconteceria em seguida.
Ouviu os passos, que estranhamente não eram tão suaves quanto os de Itachi, e conseguiu perceber que se tratava de apenas uma pessoa andando. Itachi lhe ensinou a identificar esse tipo de coisa e escapar em situações de risco, apesar de ter deixado claro que não deveria tentar lutar de igual para igual. Comentou várias vezes durante os treinamentos no ginásio que Sasuke era especialmente talentoso para aquele tipo de combate físico e aprendia rápido, mas que os Akatsuki eram ainda mais especiais; não seria um treinamentozinho de algumas semanas que iria superar essa discrepância.
Uma risada debochada ecoou no quarto silencioso. E antes que Sasuke pudesse reagir com completo pavor, Itachi sentou-se na cama, provavelmente para encarar o indivíduo que adentrou no quarto.
_ Itachi, na próxima vez explique pro seu pivete que adormecidos também respiram. – o intruso falou em voz alta e algo foi arremessado na cama de casal, caindo próximo aos pés cobertos de Sasuke.
Ele sentou-se abruptamente ao perceber que Itachi não pretendia se mover, e olhou para os seus pés antes de observar o intruso pela primeira vez, surpreendendo-se instantaneamente ao observar a última pessoa que esperava ver naquele instante.
_ N-naruto?
Sim. Para o completo pavor de Sasuke, o corpo de Naruto foi o "objeto" arremessado acima da cama. O loiro estava amordaçado, com as mãos amarradas a sua frente e colocava-se de joelhos na cama, tentando buscar alguma dignidade naquela situação. Assim que se estabilizou, rosnou grave em protesto, olhando Itachi nos olhos como se a culpa daquela situação fosse dele. Entretanto, o moreno mais velho direcionava toda sua atenção para o invasor.
Sasuke piscou em confusão, finalmente erguendo o olhar para o estranho e surpreendendo-se com o visual nada convencional daquela pessoa. Alto (mais alto do que Itachi, e isso já era um completo assombro), pele pálida, quase azulada (alguém precisava tomar sol com urgência!), cabelos cor de anil, roupas longas e negras tais quais as utilizadas por Itachi quando ele desapareceu por cinco dias.
_ Por que você trouxe o Uzumaki pra cá, Kisame? – Itachi, aparentemente muito irritado, questionou ao estranho. Não parecia desconfortável com o fato de estar seminu na frente daquela pessoa, pelo contrário, parecia conhecê-lo.
Sasuke odiou perceber isto.
_ Vamos lá Naruto, responda a pergunta do Itachi. – o homem chamado Kisame esticou a mão para o rosto de Naruto, provavelmente para retirar a mordaça.
Mas Sasuke interpretou mal a movimentação, acreditando que Naruto seria ferido. Não pensou duas vezes antes de arremessar a kunai da mesma maneira que Itachi praticou consigo tantas vezes antes, acertando certeiramente a mão de Kisame, que aparentemente não esperava aquele ataque.
Todos os presentes olharam para Sasuke com um ar de incredulidade.
_ Não ouse tocar no Naruto! – Sasuke ordenou, colocando a postos seu olhar mais intimidador. Sentia uma raiva imensurável por ver seu "irmão" naquela situação absurda, ainda mais sendo vítima de alguém tão ameaçador. E pouco importava o fato de que, agora, não tinha mais nenhuma arma em seu alcance.
Contudo, Kisame não reclamou da dor e nem pareceu se incomodar com a kunai encravada nas costas de sua mão. Retirou o objeto com certa cautela, observando seu próprio sangue na ponta afiada como se jamais houvesse visualizado aquilo na vida. Seu olhar ascendeu como o de Itachi, e exibindo os olhos avermelhados extremamente furiosos ele voltou a encarar o Uchiha.
Talvez pelo olhar intimidador que Sasuke o direcionava, talvez pela raiva em seu tom de voz, talvez por um motivo diverso a esses... Kisame sorriu extremamente satisfeito, e a intensidade escarlate nas suas íris diminuiu consideravelmente.
_ Itachi! Você não me disse que as pílulas especiais fizeram efeito no pivete. Isso é muito interessante!
Sasuke viu como se fosse em câmera lenta, mas não conseguiu impedir. Kisame abaixou a kunai à altura da cabeça de Naruto, Sasuke gritou desesperado, tentando alcançá-lo. Todavia, Itachi o puxou para que se sentasse um pouco antes do lençol escapulir de sua cintura e Sasuke o empurrou para que o soltasse com toda sua força, o que de fato ele fez.
Mas então Sasuke viu a mordaça de Naruto escapulir de sua boca e entendeu que Kisame simplesmente cortou o nó que a prendia. A voz estridente do Uzumaki ecoou em todo o quarto assim que seus lábios se viram livres para falar.
_ TEME! PELO AMOR DE DEUS NÃO SE MOVA! NÃO QUERO TE VER PELADO! – e fechou os olhos com força, pedindo aos céus para que não visse Sasuke daquela maneira.
Ok, ele podia ser completamente apaixonado por Kakashi, mas não estava morto! Se visse Sasuke como ele veio ao mundo certamente algum efeito isso traria para si. Na pior das hipóteses seria algo físico e instantâneo, tendo em vista que ele tinha a plena consciência que um Sasuke nu não era uma visão ruim e ele estava em um celibato terrível (se não contasse aquela pequena experiência com Sai e Gaara que ele sequer se recordava). Naruto já se sentia humilhado demais naquelas circunstâncias, não queria piorar ainda mais a situação.
Kisame riu com gosto de toda aquela movimentação no quarto, observando algo no pé da cama que parecia ser o principal motivo de sua gargalhada. Sasuke olhou para o mesmo ponto e se deu conta de que seu namorado levantava-se do chão com cara de poucos amigos.
Ele não empurrara tão forte, não é mesmo?
Itachi 'tá ficando fraquinho...
Não sei, viu? Você não está se sentindo estranho Sasuke?
Sasuke não teve tempo de participar da conversa mental, sentiu uma onda de tontura muito intensa e caiu com as costas de volta à cama. Itachi, ainda vestido apenas com a roupa de baixo, mas agora de pé, envolveu o corpo de Sasuke com o lençol de casal até o pescoço, puxando-o para seu corpo em seguida.
_ O que está havendo? – Itachi questionou para o Uchiha, aparentemente mais preocupado com a saúde do garoto do que com os outros presentes no quarto. Ele abaixara a guarda demais, e Sasuke não sabia ao certo o que pensar disso.
_ É efeito colateral Itachi, Sasuke vai ter alguns quando isso acontecer até se acostumar. – Kisame respondeu, espionando por cima do ombro de Itachi e observando os olhos lavandas do Uchiha perderem sua coloração lentamente. – E vai ter que treiná-lo melhor, ele não tem ideia de como utilizar a força ainda.
_ Quem é você? Do que está falando? – Sasuke questionou, arrependendo-se no mesmo momento por sentir uma pontada forte de dor de cabeça ao falar, gemendo e fechando os olhos com força pela enxaqueca.
_ Itachi já disse, eu sou o Kisame.
_ Ele é o meu aliado que cuida de Naruto e Kakashi, Sasuke. – Itachi respondeu, retirando a franja de Sasuke da testa para medir sua temperatura com sua mão. Estava abaixo do normal.
_ Auto lá! Isso daqui é cuidar?! – Naruto gritou indignado, erguendo as mãos amarradas e mostrando-as para Itachi. O loiro finalmente abrira os olhos, mas não encarava Itachi; muito pelo contrário, observava Sasuke com grande apreensão. – Trate de me soltar já Itachi-bastardo!
_ Vocês se conhecem? – Sasuke murmurou ainda mais fraco, praticamente adormecendo nos braços de seu amante.
Itachi observou Naruto por alguns instantes, optando por deixar o xingamento passar daquela vez. Sasuke estava mal, e não perdoaria se um de seus amigos recebesse uma punição diante de seus próprios olhos.
_ Kisame, solte o pirralho Uzumaki.
_ Mas ele vai ser escandaloso e dificultar consideravelmente as coisas. – ele respondeu com simplicidade, ganhando um olhar indignado do loiro em protesto.
_ Sasuke precisa de ajuda e eu e você precisamos conversar. Solte o Uzumaki, ele não vai deixá-lo na mão.
_ Como pode ter certeza disso? – Kisame questionou, franzindo o cenho diante de tal constatação nada condizente com o Itachi que ele conhecia há tantos anos.
_ Porque os olhos preocupados de Naruto são iguais aos de Sasuke quando ele questiona sobre a segurança da família dele pra mim. – Itachi falou seriedade.
Kisame e Itachi trocaram olhares por alguns instantes, cada qual mantendo as feições sérias e compenetradas, como se desejassem manter o ponto do argumento intacto. Ao fim, Kisame cedeu, levando a kunai até as cordas que prendiam as mãos de Naruto.
_ Você mudou Itachi. – ele murmurou tão baixo que Naruto teve certeza que o outro não conseguira ouvir. Mas Itachi respondeu, provando possuir uma audição incrível.
_ Ele me mudou. – falou, observando Sasuke no mesmo instante em que ele gemeu de dor; o enrolou melhor nos lençóis, colocando-o de costas na cama, mantendo a cabeça dele em seu colo. – Sasuke, – Itachi murmurou com um tom de voz doce, Kisame nem conseguiu conter o espanto ao deixar sua boca abrir em surpresa. – Naruto vai ficar com você, ok? Eu não vou longe, já volto.
_ O que...? – Sasuke tinha muitas perguntas a fazer, mas Itachi o calou com um dedo sob seus lábios.
_ Na volta eu explico tudo, tá?
O moreno mais novo o encarou nos olhos, percebendo a sinceridade de suas intenções. Concordou com um suave manejar de cabeça, e Itachi substituiu seu colo pelo travesseio.
Naruto acabava de se ver livre da última volta apertada da corda que trancava sua circulação, e massageava os pulsos. Levantou-se da cama e deu a volta até chegar próximo de Itachi, corando consideravelmente pelo fato do mais velho ainda encontrar-se apenas com a roupa íntima cobrindo seu corpo, mas procurou ignorar seu constrangimento pelo bem de Sasuke.
_ O que aconteceu com ele? – Naruto estava sério. Sabia que a situação não comportava qualquer tipo de brincadeira; e ele poderia esbofetear Itachi e aquele idiota do Kisame em outra ocasião.
_ Você viu os olhos dele? – Itachi questionou, achando estranho Naruto não ter surtado até agora com o olhar nada convencional que Sasuke exibira instantes atrás.
_ O que tem os olhos do Teme? – agora o Uzumaki sentia-se envergonhado por não ter conseguido sequer olhar nos olhos de Sasuke. Estava tão apavorado em não olhar para o corpo do Uchiha que teve medo de observá-lo de qualquer forma.
Malditos hormônios. Maldito Uchiha... Nas palavras sábias de Kakashi: "Todo mundo no planeta tem atração física pelo Sasuke."¹
Itachi obviamente achou sua conduta extremamente suspeita, mas não tinha tempo a perder por hora.
_ Cuide dele por vinte minutos. Eu já volto.
_ O que devo fazer? – Naruto parecia realmente perdido, olhando para Sasuke com certo pavor. Geralmente era Kakashi quem cuidava deles quando os dois adoeciam, e não um do outro.
Se ao menos Kakashi estivesse ali... Maldito Kisame!
_ Dê água para o moleque e o mantenha aquecido, a temperatura do corpo dele irá cair bruscamente. – Kisame o orientou, apontando para alguns cobertores dobrados próximos dali e para o aquecedor de ambientes embutido na parede ao lado da cabeceira da cama (algo que só uma casa milionária como aquela podia ter) – Esses são os procedimentos iniciais, depois eu resolvo o resto.
_ Eu quero respostas!
_ E eu também, pivete. – Kisame respondeu com autoridade. – E não pense que você vai se livrar tão fácil dessa.
Kisame virou-se, observando Itachi vestir um par de calças e uma camiseta velozmente, antes dos dois pularem para fora da janela como se pulassem de um trampolim. Naruto não se permitiu ficar surpreso com aquele comportamento estranho, pois havia observado muito bem tudo que Kisame era capaz de fazer antes de chegarem até aquele lugar.
O maldito era praticamente... Praticamente... O Batman!
Sim, o Batman. Já que ele não conseguia pensar em comparação melhor para aquele absurdo digno de histórias em quadrinhos.
Tendo a plena consciência de que não pensava nada de útil e havia alguém mais importante requisitando sua atenção, voltou a observar Sasuke. O enrolou ainda mais no lençol antes de buscar os cobertores do outro lado do cômodo para cobri-lo (dando graças aos céus que não precisaria vê-lo sem roupas).
De nada adiantaria pensar nos dois estranhos super-heróis (ou super-vilões) naquele instante, já que os dois provavelmente retornariam.
E se não retornassem, melhor ainda.
(***)
Sasuke sentia como se houvesse tomado todas as bebidas alcoólicas disponíveis em um bar (inclusive o estoque quente e horrível) em apenas uma noite. Seu mundo girava, a vontade de vomitar tudo que havia em seu estômago era crescente e cada vez mais isso lhe parecia algo extremamente convidativo. Tremia dos pés à cabeça devido ao frio e a dor intensa que se instalava em cada célula de seu corpo, contudo isto era nada perto da sede surreal que sentia no momento.
Com muito esforço abriu os olhos e deu de cara com Naruto, que lhe observava com grande atenção, seus olhos cintilando preocupados.
_ N-na... – Ele tentou falar, mas sua voz falhou miseravelmente logo na primeira sílaba. Naruto pareceu ainda mais preocupado, já que ele nunca evidenciava fraqueza, e se aproximou um pouco mais dele.
_ O que você 'tá sentindo Teme?
Frio.
Agonia.
Ânsia.
Dor.
Sede.
Mate-me, por favor!
_ Sede. – foi o que Sasuke optou por falar dentre tantas opções, mas apenas um pequeno sibilo escapou entre seus lábios. Contudo, Naruto pareceu entender, buscando o copo d'água que o Uchiha costumava, desde pequeno, a deixar na mesa de cabeceira para eventual sede noturna.
O copo estava cheio, aparentemente Itachi ainda não lhe dera tempo suficiente para sentir 'sede' ou qualquer outra necessidade àquela noite. Bastardo maldito! De qualquer forma, Naruto apenas trouxe o objeto para mais perto na mesinha ao perceber que precisaria auxiliar Sasuke a se levantar.
_ Eu vou precisar que você se sente Sasuke, se não eu vou acabar te molhando. – Naruto passou um dos seus braços por detrás do Uchiha e o ajudou a erguer o tronco, puxando-o para cima e apoiando suas costas na cabeceira da cama.
Sasuke notou vagamente que estava tão envolvido pelos edredons e cobertores que não seria uma tarefa muito fácil escapar deles se fosse necessário, mas estava com tanto frio que realmente não se importava com aquilo por hora. Naruto levou o copo até seus lábios e, gentilmente, aguardou que ele bebesse seu conteúdo, ainda que desajeitadamente.
Para o moreno, cada gole parecia um sopro de vida, era até mesmo surreal como algo tão simples pudesse fazer esta imensa diferença em seu organismo. Seu corpo parou de tremer depois do primeiro copo, e ele não hesitou em pedir mais.
Naruto encheu o copo de vidro várias vezes na pia do banheiro da suíte, pois sabia que não é uma boa opção andar por aí atrás de uma cozinha em uma casa que sequer sabia a quem pertencia. Alias, assim que Sasuke melhorasse, ele teria muito o que explicar.
O Uchiha bebeu, ao todo, sete copos e agora finalizava o oitavo. O loiro estava boquiaberto com a quantidade imensa de sede que Sasuke sentia.
_ Caramba Teme! Você fez tanto oral que ficou com essa sede infinita?
Instantaneamente Sasuke arregalou os olhos em choque, sequer conseguindo se controlar e acabando por cuspir o líquido que estava em sua boca. Naruto fez um ruído de nojo, que o Uchiha prontamente ignorou, já que estava ocupado demais tossindo, tentando voltar a respirar. Naruto, provando ser um amigo da onça, ria escandalosamente, embora tentasse lhe ajudar a desengasgar - não que Sasuke quisesse ajuda desse imbecil.
_ Não morra! – Naruto exclamava entre o riso, dando batidinhas nas costas do moreno, que agora se debatia para liberar os braços da coberta.
Liberando um de seus braços, Sasuke passou a empurrar o Uzumaki enquanto tossia, desejando que Naruto desintegrasse no ar pela piada maldita. Céus, parecia que o maldito Usuratonkachi estava castigando-o pela farsa no hospital! Depois de um pigarro particularmente forte, Sasuke parou de tossir, evitando olhar para o Uzumaki ao procurar um ponto qualquer nos edredons para concentrar sua atenção, porém Naruto tinha outros planos, ao se debruçar sobre ele.
Ao menos se sentia melhor.
_ E aí? Acertei ou não acertei? Noite agitada?
Sasuke, agindo antes mesmo de pensar duas vezes, aproveitou que libertou um de seus braços, fechou o punho e acertou com força na barriga de Naruto, fazendo-o cair na cama abraçando seu próprio abdômen e grunhindo de dor.
_ Agora sim eu me sinto bem melhor! – Sasuke murmurou, sorrindo de canto de boca ao ouvir os gemidos de protesto do loiro.
Bem feito.
Acho pouco.
_ Teme idiota...! Você devia estar sofrendo de dor e não me batendo!
_ Mas isso é a mesma coisa que um tratamento terapêutico, Usuratonkachi. Se você fosse saco de pancadas num spa, tenho certeza que metade dos problemas das pessoas seriam resolvidos facilmente. – Sasuke puxou o outro braço, escapando das cobertas um pouco mais facilmente desta vez. Abriu e fechou os punhos algumas vezes, auxiliando sua circulação e sentindo-se um pouco mais quente. – Eu realmente estou melhor. – falou para si mesmo com certa descrença na recuperação tão imediata quanto à suposta doença.
_ O turbarão disse que era um efeito colateral de sabe lá o quê. Já deve ter passado. – Naruto murmurou quando a dor passou. Mesmo com o orgulho ferido pelo soco que o pegou desprevenido, o loiro não pretendia revidar. E se Sasuke voltasse a se sentir mal?
Estava pensativo, assim como o Uchiha, observando a cor voltar aos poucos no rosto de Sasuke. Ele não era uma pessoa muito corada, mas certamente estava parecendo um cadáver há... O que? Trinta segundos atrás?
Isso era realmente muito estranho!
_ Quem diabos é aquele cara? Aliás, que merda você 'tá fazendo aqui, Dobe? – o moreno questionou ao deixar de lado o comportamento estranho de seu corpo, tentando mais uma vez sair de dentro do emaranhado de cobertores. Naruto não poderia responder qualquer pergunta sobre este fenômeno estranho, então ele preferiu optar por perguntas que o loiro pudesse, de fato, responder.
E que calor dos infernos!
_ Teme, puta que pariu! – Naruto o segurou pelos ombros, enrolando ainda mais as cobertas em seu corpo. – Você 'tá pelado! Para de querer mostrar seu 'documento' pra mim!
_ Não seja bicha, Naruto! – o outro protestou, tentando novamente sair das cobertas e sendo, mais uma vez, impedido com veemência e leve desespero.
_ Exatamente! Eu sou bicha porra, sou gay! G-A-Y! Você vê garotas mostrando o corpo desse jeito pra homens héteros em que elas não estão interessadas? Não, né! Então, o mesmo se aplica a mim quando se trata de homens!
Sasuke parou abruptamente qualquer tentativa de fuga dos edredons e dos braços de Naruto, se dando conta da importância das palavras que acabara de ouvir.
_ Você está admitindo?
_ Ahn?
_ Você finalmente está admitindo em voz alta que é gay?
Naruto o soltou, arregalando o olhar como se somente naquele instante se desse conta do que disse.
_ Eu acho que estou... – Naruto murmurou em tom de assombro e piscando lentamente em seguida.
Talvez Naruto fosse quem mais estivesse surpreso ali e Sasuke riu baixinho, tirando o outro de seu transe e trazendo sua atenção novamente para si.
_ É... As coisas mudam. Naruto Uzumaki: o famoso namorado "crise dos três meses" de todas as garotas do ensino médio... Quem diria que um dia sairia do armário! – a vingança era bela, ao menos para Sasuke. Não podia deixar de tirar um pequeno sarro, não é mesmo? Por mais que realmente estivesse feliz pela iniciativa de Naruto admitir a pessoa que era.
Já havia passado do tempo!
_ Oh, olha quem fala, idiota! – Naruto rebateu, pondo-se de pé com energia e apontando um dedo acusatório para ele. – Eu acabei de flagrar você com a porra do seu namoradinho! Literalmente com a porra do seu namoradinho, porque essa cama tem manchas de esperma por todos os cantos!
Sasuke corou consideravelmente, mas não desviou o olhar ou deixou de encarar aquele que o acusava como se estivesse agindo da maneira mais imoral do planeta. Ele não fez nada de errado, oras!
_ O que tem a dizer sobre isso, espertão!? – Naruto falou depois de um momento desconfortável de silêncio. Estava pressionando Sasuke, mas não fazia isso apenas para irritá-lo; quem sabe a provocação arrancasse uma reação do outro também?
É, Sasuke, qual vai ser?
Naruto já deu o primeiro passo, você bem que podia seguir o exemplo dele.
Sim, e aproveita pra contar pro Naruto que você foi ativo nessa noite!
Oh baby, Itachi provou muito bem que consegue ser dominante como passivo. Não há nada pra se gabar nesse aspecto.
Você é insuportável!
A recíproca é verdadeira.
_ Eu não estou negando! – Sasuke exclamou, interrompendo os pensamentos tolos de suas mentes. Naruto o olhou com ainda mais surpresa, e ele simplesmente balançou a cabeça como se quisesse afastar os pensamentos ruins e continuou num tom de voz mais calmo. – Eu... Eu não estou negando. É isso. Ponto final.
_ Você realmente admite que está com esse cara? O Itachi-bastardo? Sério?
_ Admito. E gostei do apelido. – Sasuke respondeu com um sorriso repuxando o canto de sua boca, fazendo Naruto rir com vontade, demasiadamente feliz pela confissão do outro.
Ambos expiraram com força, como se acabassem de retirar um peso extremamente incômodo das costas. Talvez fosse isso mesmo que aconteceu: finalmente não havia mal entendidos ou segredos entre os dois. E isso era algo reconfortante e motivacional.
O loiro olhou para baixo distraidamente e avistou a cueca que provavelmente pertencia ao Uchiha, estava bem próxima dos seus pés. Pegou-a com a ponta dos dedos como se ela estivesse contaminada (e, pff, quem visse a cena pensaria que o Uzumaki realmente tinha nojo de algo do gênero... grande ator!) e atirou para Sasuke. Virou-se de costas e passou a gargalhar com vontade tentando guardar eternamente em sua memória a cara de assombro de Sasuke ao reconhecer o pedaço de pano em suas mãos.
_ Não pegue minha roupa íntima desse jeito Dobe!
_ "Roupa íntima"... Essa é a prova real de que você realmente é gay Sasuke! – Naruto gargalhou ainda mais alto e o moreno atirou algum objeto em suas costas.
Contudo, ele estava satisfeito demais para se importar com a dor.
_ Se vista Teme! Temos um grande papo pra por em dia! – exclamou com energia e colocou os dois braços atrás da cabeça, sorrindo para a janela, e não seria completa loucura afirmar que seu sorriso era como o próprio sol surgindo no horizonte.
(***)
Kisame e Itachi estavam no telhado da mansão de Karin; Itachi já sabia que naquele ponto específico não havia sensores de movimento, então podiam permanecer ali antes que os primeiros criados saíssem para o jardim, pois quando isto acontecesse seria melhor não abusar da sorte.
_ O que havia nas pílulas de Sasuke? – Itachi questionou, agora compreendendo de onde veio o olhar peculiar do garoto Uchiha.
Kisame sorriu, extremamente satisfeito, esticando-se no telhado e apreciando uma brisa do fim da noite ligeiramente gélida em seu rosto com satisfação.
_ Não me pergunte, é do estoque particular do Madara. Coisa do Orochimaru.
_ Então, você não sabe a fórmula para criar as pílulas, nem os efeitos delas e me deu para entregar ao Sasuke? – Itachi questionou indignado, seus olhos avermelhando um pouco.
Kisame sentiu vontade de rir, o seu colega (ou ex-colega, dependendo do ponto de vista) da Akatsuki certamente estava bem superprotetor com o molequinho. Todavia, optou por não contrariá-lo, pois uma briga em um local inóspito como aquele não seria algo muito inteligente. Não que ele quisesse brigar com Itachi, mas se o outro vendesse briga, quem seria ele para não comprar?
_ Sei sim, mas as minhas não são como as do Orochimaru, já que ele acrescenta algo no composto que desencadeia esse efeito. - o olhar de Itachi ainda estava em um escarlate intenso. – Foi um experimento particular ordenado por Madara, Orochimaru trabalhou incansavelmente nisto nos últimos sete anos. Quando ele finalmente clamou sucesso, eu surrupiei algumas amostras sem que ele percebesse. – Kisame deu de ombros. – Acreditei que poderiam ser úteis em alguma ocasião, e Madara jamais tomaria algo que o fizesse mal.
_ Você já tramava algo antes de tudo isso começar? – Itachi questionou, com ar contemplativo. Era como se ele jamais esperasse um comportamento como aquele de Kisame.
O homem de cabelos azuis riu pelo nariz, esticou uma das pernas e apoiou o cotovelo no joelho da outra, tentando encontrar uma posição mais relaxada.
_ Itachi, ninguém está 100% satisfeito naquele lugar. Nem mesmo os que clamam estar. – explicou Kisame com o tom de voz descontraído. – Eu apenas fui atrás de uma carta na manga, mas confesso que jamais imaginei que encontraríamos outra pessoa compatível com as pílulas. Na época foi uma medida descabida, praticamente sem nenhum propósito lógico.
O mais novo contemplou o céu noturno, sem saber o que deveria dizer. Kisame estava certo: muitos na Akatsuki estavam insatisfeitos, mas não imaginava que eles tomariam atitudes como aquela. Talvez Madara realmente devesse agir de maneira paranóica mesmo.
_ Você já viu o efeito?
_ Dos olhos cor de lavanda?
_ É.
Kisame balançou a cabeça afirmativamente.
_ Assim como os nossos olhos são um efeito colateral da nossa manifestação de poder, os de Sasuke agem da mesma forma. Só que o efeito da força, a percepção do ambiente e do tempo serão alterados. Assim, seu moleque fica muito mais forte, ágil e sensível aos elementos externos do que nós.
Kisame explicava com calma, enquanto Itachi prendia-se a cada palavra, como se sua vida dependesse disso e, de fato, dependia. Aquela reação no prodígio divertia Kisame, pois era e não era algo esperado do outro. Itachi se preocupava com detalhes (e isso fazia diferença em quaisquer circunstâncias), mas apegar-se a alguém daquele modo certamente não, e ali residia a graça de tudo.
_ Nos primeiros momentos, ele terá efeitos colaterais mais dolorosos dessas manifestações de poder, assim como ele está sentindo agora. O mesmo acontecia com Madara e, quando isso ocorria, ele vinha ao laboratório. Ou nós íamos até o seu quarto, medicá-lo e dar instruções.
_ Madara realmente confiava no Orochimaru pra isso?
_ Lógico que não! E é por isso que eu entrei na jogada: era a mim que ele chamava, e não Orochimaru.
Por mais alguns instantes Itachi pareceu pensativo, avaliando a informação como se fosse ouro. Kisame sabia que, para o cérebro genial do colega, informações como aquela eram estritamente importantes.
_ O que devo fazer?
O mais velho surpreendeu-se completamente com a pergunta. Itachi não era o tipo de pessoa que pedia a opinião dos outros na hora de tomar suas decisões. Era da essência do mais novo planejar milimetricamente seus planos e não confiá-los a ninguém, talvez, antes, com exceção de Madara, mas vai saber?
_ Sasuke precisa ser treinado para aproveitar todo o seu potencial. Inicialmente ele "ativará" sua capacidade física, e consequentemente a coloração nova dos olhos, toda vez que se ver preso em algum tipo de emoção forte. Mas ele precisa aprender a controlar isso para ativar quando for necessário, assim como nós. Fora isso, ele terá efeitos colaterais, às vezes logo depois da ativação, mas isso tende a diminuir com o tempo até cessar completamente.
Itachi concordou com um aceno suave de cabeça, e considerando aquele assunto como encerrado, passou para o próximo da lista.
_ O que Naruto está fazendo aqui? – perguntou, cerrando os dentes ao sentir certa indignação pela chegada do Uzumaki tê-lo atrapalhado em seu momento a sós com Sasuke.
Um sorriso despontou no canto da boca de Kisame e seus olhos cintilaram de um modo divertido, ao notar a indignação do mais novo. Era demasiadamente engraçado ver o prodígio naquele jeito irritadiço, como se estivesse com ciúmes. O que importava era que Naruto tirava Itachi do sério mesmo à distância, e isso era um feito e tanto!
_ Ele acordou Kakashi Hatake, parou de ministrar a droga e o policial acabou de despertar.
_ Ele o quê? – ameaçou ficar em pé naquele mesmo instante para fazer sabe-se lá o que.
Se possível, Kisame se divertiu ainda mais com aquela reação, fazendo um gesto para que o mais novo o escutasse, impedindo Itachi de agir impulsivamente. Outro feito impressionante de Naruto, diga-se de passagem. Kisame detestava admitir, mas até que estava indo com a cara da criatura loira irritante.
_ Relaxe, eu dei alguns tarja-preta antes de sairmos do hospital, Kakashi está dormindo até que você decida o que devemos fazer.
_ Como assim?
_ Olha, eu confesso que fiquei puto com Naruto e estava a um passo de matá-lo, ou colocá-lo em uma cama de hospital ao lado do maldito Hatake, seria muito bem feito. Mas ele alegou veementemente que tinha um plano e que queria falar com você e por isso eu o trouxe.
_ E que plano é esse?
_ Não sei, ele disse que queria falar com o "Itachi bastardo" e se recusou a me falar. – Kisame fez um gesto com os ombros para mostrar sua indiferença quanto a isso. – Confesso que só cedi ao pedido dele porque o garoto é uma comédia, e eu queria ver a sua cara quando ele te chamasse assim.
Kisame sorria mais uma vez, evitando o olhar de Itachi e devotando toda sua para observar o jardim da mansão, não possuía muitas plantas, mas era bem amplo. Itachi grunhiu baixo, no fundo da garganta, mas deixou de lado toda a provocação que parecia vir de brinde com qualquer menção do nome de Naruto. Teria que ensinar boas maneiras para este garoto inconsequente!
_ Que bom que o seu entretenimento fica numa posição de maior importância do que a segurança de nossas missões. – Foi o que falou assim que se acalmou o suficiente.
_ Obrigado. É um dom nato. – ele sorriu, empurrando o ombro de Itachi de maneira brincalhona e recebendo um olhar assassino em retorno. – Qual é numero três? Até parece que você queria que eu matasse o loirinho. Ele é importante pro seu pirralho, e ele não ficaria nada contente quando soubesse.
_ Sasuke já deve estar a par do que realmente aconteceu com Kakashi, duvido que ele esteja muito feliz.
Era verdade, provavelmente eles brigariam assim que Itachi colocasse os pés novamente naquele quarto, mas ele sabia que inevitavelmente este momento chegaria. Para falar a verdade, não imaginou que fosse demorar uma semana pra isso.
_ Bom, você tem que voltar de qualquer forma pra falar com o Uzumaki e descobrir qual é o plano genial. Eu seguro Sasuke, se for preciso.
Os dois, mais uma vez, ficaram quietos apreciando a paisagem, pelo menos, Kisame apreciou o céu que se iluminava cada vez mais; tudo ainda estava relativamente silencioso, embora houvesse alguns passarinhos cantarolando.
Por outro lado, a mente de Itachi estava longe dali, trabalhando a mil por hora, ao criar novas estratégias de combate, novos planos e questionamentos. Quando Kisame se moveu, preparando para se levantar e sair dali, Itachi se pronunciou uma última vez.
_Kisame, uma última pergunta.
_ Diga.
_ Por que você não está na reunião desta madrugada?
O mais velho já estava de pé ajeitando as vestes, intencionando voltar ao QG para adormecer por algumas horas, mas a pergunta o pegou de surpresa e sua atenção foi totalmente voltada para o moreno.
_ Reunião? – perguntou, realmente perdido com o questionamento que não esperava.
_ Madara comentou que haveria uma reunião extraordinária no fim da nossa reunião da noite, eu fui dispensado por causa da missão.
Hum... Isso não é um bom sinal.
_ Itachi... Não teve reunião alguma. – sua voz soou extremamente séria, pois ele sabia que se Itachi recebera aquele tipo de informação falsa, alguma coisa havia por detrás disso.
Bingo. O moreno reassumira a postura fria e calculista de sempre, escondendo suas reais emoções de qualquer pessoa. E Kisame sabia que quando Itachi colocava tal máscara, as emoções debaixo dela eram muito mais intensas do que aparentavam inicialmente.
_ Eu vou voltar. – o moreno falou ao fim, não se despedindo de Kisame ao se levantar e pular do telhado, agarrando-se nos parapeitos das janelas para chegar até a de Sasuke.
E o cientista soube, naquele instante, que boa coisa não aconteceria.
(***)
Madara a observava com o olhar completamente lívido. Não era necessário ser uma grande interpretadora de emoções pessoais, como ela, para compreender que o ódio por Itachi era crescente naqueles olhos negros furiosos. Ela respirou fundo algumas vezes, mantendo a posição firme, apesar do medo de ser o alvo imediato de uma possível vingança de seu chefe.
Ela sabia que o que aconteceu naquele quarto de hóspedes não estava dentro do combinado de Madara e número três. Itachi foi além, já que foi evidente a surpresa nos olhos do seu superior quando ela discriminou as posições em que o prodígio e Sasuke realizaram o ato sexual. Konan não queria dizer, mas como ele perguntou, ela deduziu que havia alguma importância ali.
Mesmo assim, a surpresa não foi maior do que quando ela mencionou os olhos violetas. A expressão de Madara, que inicialmente era de ofendido e entristecido, passou instantaneamente para uma fúria descomunal; e não havia máscara alguma que pudesse enganá-la dos reais sentimentos de seu chefe.
Ela era mulher, por isso tinha um lado mais delicado e analítico para os sentimentos humanos do que os homens, mesmo com todo o treinamento do QG. Madara aprimorou com esmero suas características femininas, principalmente quanto o sentimentalismo exacerbado e a interpretação de microexpressões físicas e faciais em muitos cursos. Seu chefe sabia que era necessário alguém assim em meio aos seus subordinados e, apesar dela ter permanecido muito tempo na penumbra com missões meramente físicas, sabia que seu dia de glória chegaria e ela conseguiria mostrar todo o seu real potencial.
E chegou!
Era realmente reconfortante saber que apenas ela era capaz de realizar essa missão com aquele grau de análise comportamental. Talvez, ainda mais reconfortante do que saber que ela era uma das únicas pessoas no mundo que eram capazes de interpretar os sentimentos de alguém tão fechado como Madara. Especialmente se levar em consideração que seu superior ocultava seus sentimentos excepcionalmente bem através daquela máscara de estoicidade, um feito e tanto.
Talvez por isso ele a designou a ficar de olho em Itachi, pois ela conseguiria, melhor do que ninguém, dar um parecer exato sobre suas ações. Ela conseguiria interpretar até que ponto os atos de Itachi condiziam com a sua missão ou iam mais além do combinado.
E certamente o que ela avistara não era algo resultante de uma simples missão.
_ Você está me dizendo que o Itachi está...
_ Apaixonado. Sim. – ela completou a frase, arrependendo-se no mesmo segundo por ter interrompido a fala de seu chefe. Ela deveria manter sua posição de subordinada, se não seria castigada; definitivamente teria mais cuidado na próxima ocasião.
Contudo, Madara, que estava especialmente furioso, não se ateve ao pequeno deslize de Konan, ignorando completamente o fato que foi interrompido.
_ Explique. – ele ordenou, sentando na cadeira de couro por detrás da mesa de mogno, cruzando os braços e aguardado um bom motivo para aquela acusação.
_ As ações de Itachi demonstram um grande sentimento de admiração por Sasuke. Inclusive, ele sempre está sorrindo, até quando o garoto não está lhe observando. Em um determinado momento do ato, Itachi optou por uma brincadeira sexual e vendou os olhos do menino Uchiha, que nada podia ver devido ao pano escuro. Mesmo assim, Itachi continuou sorrindo, sem falhar um único instante o curvar dos lábios. Era algo genuíno, ele estava muito feliz.
_ Mas Itachi pode ter percebido sua presença e ter tentado te enganar. Somente você e Pain sabem do plano, ele pode ter pensado que era outro Akatsuki observando-o.
_ Com todo respeito chefe, mas ninguém me engana nesse aspecto. Um sorriso falso ocorre da seguinte forma: ao contrair e esticar os lábios para sorrir, o músculo facial zigomático maior traciona o canto da boca em direção as orelhas, fazendo com que a boca tome o formato de "U". Mas o sorriso de Itachi era real, pois decorreu apenas da contração do zigomático maior, outros músculos do lábio superior e orbicular do olho, criando um leve enrugamento do nariz e ao redor dos olhos. Para quem sabe diferenciar são sorrisos completamente diferentes.²
Madara pareceu convencido com a explicação, como ela previa. Konan, devido a todo esse treinamento de interpretação corporal, era um dos mais eficientes detectores de mentira em todo o planeta. E foi por isso, além do fato de que confiava em sua lealdade, que ele acabara designando-a para tal missão.
_ Ademais, Itachi estava absorto demais com a presença de Sasuke para perceber minha presença, e olha que eu nem fiquei tão longe assim dos dois. – ela terminou de informá-lo, desejando internamente que ele não a fizesse contar todos os detalhes do sexo logo em seguida.
A verdade é que foi extremamente desnorteante presenciar a primeira cena de sexo, uma situação que ela pensou ser impossível de ser superada... Até que o segundo ato sexual começou. De modo que se ela já ficou extremamente envergonhada pelo que tinha visto, continuar observando se tornou impossível! Felizmente, ela já tinha informações suficientes para Madara e assim, ela abandonou o posto, a fim de informar seu chefe sobre o que presenciou.
Afinal, não era todo dia que se registrava uma traição daquele porte, bem como aqueles olhos sobrenaturais; não havia motivos para esperar o relatório semanal.
Madara se levantou subitamente, caminhando até a janela e apreciando a vista da cobertura com concentração. Konan tinha ainda mais certeza de que Itachi agiu além do que o combinado, porque seu chefe estava evidentemente furioso: suas sobrancelhas estavam franzidas, seus olhos brilhantes e os lábios cerrados, ela conseguia visualizar pelo reflexo do vidro.
E ela sabia que, nas ocasiões em que o líder estava irritado, alguém pagaria.
_ Quando se quer algo de um homem, não se destrói de vez toda a sua razão de existência. Se ele perder tudo, irá temer a nada. – ele falou com a voz firme, ainda de costas. – Sabe por que, número dois?
_ Porque não haverá mais nada a perder. – ela respondeu, certa de que escolhera a opção correta.
Madara concordou com um aceno de cabeça, virando-se para ela e encarando-a com seriedade.
_ Exatamente. A vida não é essa "força meticulosa espiritual" que nos faz respirar diariamente. Isso é apenas a existência. A vida consiste naquilo que temos próximos de nós: nosso trabalho, nossos objetivos e nossas pessoas amadas. Algumas pessoas tendem a amar demais uma dessas três coisas e, quando assim o fazem, se por ventura perdem o que as causa tanto amor, também perderão a completa razão de existir e aí... Ahh número dois... Aí elas morrem, mesmo que o coração não pare de bater. Eu sei disso muito bem, porque eu já perdi minha vida.
Em menos de um segundo, Madara deixou a expressão de tristeza escapar: suas pálpebras decaíram minimamente, seus olhos perderam o foco, os cantos dos lábios curvaram-se um pouco para baixo. Mas Madara era bom, muito bom. Se ela não fosse especialista, não teria percebido; pois logo toda a máscara da imparcialidade estava de volta.
Konan sentia vontade de perguntar, questionar o que Madara queria dizer com o fim de sua frase, apesar de compreender que ele recordara de algo extremamente triste. Mas optou por não exteriorizar suas dúvidas: Madara era seu superior, não caberia a ela forçar qualquer revelação. E, muito provavelmente, ele estava se referindo a traição de Itachi. É, era apenas isso.
Sentiu-se satisfeita em chegar a essa conclusão, e por isso fez a pergunta que o líder aguardava.
_ Então... O que devemos fazer?
_ Naruto Uzumaki é a chave. – ele respondeu com convicção. – Ele é precioso para Sasuke Uchiha e para Kakashi Hatake, assim atingir Naruto será o mesmo que atingi-los. Se optássemos por mirar diretamente em Kakashi ou Sasuke, o estrago na corrente daquela "família" seria grande, mas não o ideal. Se atingirmos Naruto e destruí-lo, isso abalaria todos os envolvidos numa magnitude surreal. Ele é nosso foco.
_ Ok, e como faremos isso? Kakashi já está hospitalizado... Nós o matamos? Naruto vai sentir com toda certeza, ele aparenta ser apaixonado por ele.
_ Não, pois como eu acabei de dizer, nós não devemos tirar toda a razão de vida de Naruto, já que assim ele morrerá por dentro e de nada irá nos servir. Pelo menos, por hora. – Madara disse calmamente, como se montasse uma estratégia para vencer uma disputa intelectual; parecia se divertir. – Precisamos de uma vingança sábia, lenta, e não um golpe fatal. Kakashi seria o golpe fatal, mas apenas no momento oportuno.
_ Então, o que faremos? Naruto está sem emprego, seus sonhos de vida são desconhecidos para nós, seus amigos próximos são Sasuke, o qual não podemos tocar, e Kakashi, que seria o golpe final. Não nos resta nada!
_ Ahh número dois. É nisto que resume a diferença entre nós dois, entre o subordinado e o líder. Deixe comigo, eu sei bem o que devo fazer. – Madara virou-se de costas mais uma vez, procurando algo em suas vestes enquanto observava a paisagem noturna e o céu salpicado de estrelas pela janela. – Você já me deu informações preciosas e, por enquanto, está dispensada da missão por tempo indeterminado. Irei agir e entro em contato para dizer quando voltará ao posto de espionagem. Pode se retirar agora.
Só isso? – ela não pode deixar de pensar. Certamente não esperava grandes congratulações, mas aguardava ao menos um agradecimento. Decepcionada, Konan deu-lhe as costas e saiu do apartamento tomada por sentimentos de decepção e ultraje palpáveis.
Madara mal percebeu o descontentamento da subordinada, e ela pouco o interessava no momento. Konan era boa para missões físicas também e ele podia tê-la mandado para a que se iniciaria a seguir, mas ele precisava de alguém mais... Chamativo.
Finalmente encontrou o telefone celular e buscou o número que procurava na discagem rápida. Em dois toques foi atendido.
_ Número cinco, tenho uma missão para você. – ele sorriu de maneira cruel. – E é do jeito que você gosta...
(***)
_ Eu sei que você ainda está irritado com ele, mas não está preocupado, não?
Gaara praticamente jogou o prato que lavava de volta a pia cheia de louça suja, virando-se para Sai com completa indignação.
_ O que você acha?! – questionou com ironia, enxugando as mãos no pano de prato e desistindo da louça suja por ora. Sinceramente? Não estava com a mínima cabeça para isso.
_ Gaara, pare. – Sai o alertou com a voz suave, sabendo muito bem onde aquele diálogo daria.
_ Você acha o quê? Que eu não estou surtando porque o Naruto desapareceu por uma semana sem nos dizer uma única palavra? Que eu acho normal ligar pro celular e só cair na caixa postal? Ou procurá-lo na casa do Kakashi e receber a informação do porteiro de que 'ninguém entrou naquele apartamento por mais de uma semana'? Ah, e que, inclusive, tem um amigo do Kakashi desesperado atrás dele também? O que você acha que eu estou sentindo Sai? Não é possível que você vá errar essa interpretação! – o ruivo falava com velocidade, praticamente vomitando as palavras.
_ Gaara, pare. – Sai pediu mais uma vez, se levantando da mesa e se aproximando do colega de apartamento com passos pequenos e silenciosos.
_ Eu até troquei telefone com esse tal do amigo do Kakashi, o Iruka, na eventualidade de algum de nós encontrarmos os dois desaparecidos e...!
O ruivo parou de falar ao sentir os braços de Sai envolverem sua cintura, bem como os cabelos negros se encostarem no seu pescoço. Sai o abraçava por trás e apoiava seu rosto no ombro de Gaara, algo pouquíssimo convencional entre os dois apesar da relação colorida que possuíam.
Gaara Sabaku era uma pessoa extremamente carente.
Toda pressão e descaso familiar pela qual passou tornaram-no uma pessoa muito comprometida com seus amigos, mas ainda sim extremamente carente e ansioso por um amor correspondido. Era apaixonado por Naruto desde o início da adolescência, mas nunca foi correspondido desta forma. Pessoas como Gaara tentam suprir essa necessidade com contato físico, pois a carência se torna uma espécie de vício difícil de sobrepor.
E nos últimos meses Sai era o "contato físico" da vez.
Contudo, Sai sabia de todo esse problema de Gaara. Ele podia parecer alguém tolo e incapaz de analisar as pessoas, mas não era verdade. Quando a situação era realmente séria, Sai não parava de pensar no assunto até compreendê-lo por completo. Depois das primeiras semanas de relação com o ruivo, ele finalmente entendeu como o outro era carente.
Carência não é algo bom, Sai leu mais de um livro sobre isso. Carência é um sentimento que faz as pessoas tomarem decisões equivocadas para tão somente suprirem uma necessidade momentânea, que não resolveria o problema em seus corações e ainda procuravam contato físico exacerbado.
Exatamente por saber disso, ele procurava não agir como um verdadeiro companheiro com o ruivo: era sexo e apenas isso. Agindo desse modo, ele acreditava que, um dia, Gaara aprenderia a lidar com toda esta carência, superaria seu amor por Naruto (e até o loiro aparecer naquele apartamento, Sai não sabia que era ele o verdadeiro detentor do coração de seu amigo colorido) e poderia ser alguém feliz. Se ele agisse com muito carinho com o parceiro, Gaara se acomodaria no sentimento de carência sendo alimentado constantemente, e esta mudança não aconteceria.
Por prezar demais o ruivo, ele mantinha uma distância segura. Mas agora, neste instante, ele sabia que não era uma questão de carência. Gaara estava extremamente preocupado com Naruto, e merecia uma força.
O Uzumaki desapareceu de vez nesta ocasião. Falou no telefone com Sasuke e sumiu no mundo sem dizer um "ai". Sai e Gaara tentaram contatá-lo de diversas formas, mas o loiro não apareceu na faculdade novamente e, como estava sem emprego, à única opção que sobrou foi o antigo apartamento que dividia com Kakashi e o seu número de celular.
Todavia o apartamento estava inabitado há também uma semana, e o celular só caia na caixa postal.
Tentaram localizar Sasuke, pois algo que ele disse desencadeou este sumiço, mas, para a surpresa de ambos, Sasuke também desapareceu: a quitinete dele foi desocupada as pressas, e Gaara não tinha o telefone celular do moreno ou o endereço de seu trabalho, ou faculdade. Em suma, o ruivo o detestava tanto que procurava não saber absolutamente nada sobre o que o Uchiha fazia da vida, algo que ele se arrependia profundamente naquele instante.
_ Acalme-se. Nós vamos encontrá-lo, ok? – Sai murmurou em seu ouvido, agindo com seriedade e não da maneira espontânea e desmedida de sempre. Era algo completamente diverso de sua personalidade, mas existiam momentos que pediam aquele tipo de comportamento.
_ Eu... eu espero que sim. – Gaara respondeu, virando-se e encarando o colega e circundando os braços em seu pescoço, tentando puxá-lo para um beijo.
_ Não. – o moreno respondeu ao virar o rosto. Por mais que desejasse beijar Gaara, não podia perder o foco naquele instante. – Você está agindo com carência, pra variar.
_ Eu não sou uma pessoa carente! – Gaara respondeu entre os dentes cerrados, já estava cansado daquela basbaquice a toa de Sai toda santa vez que tentava algo fora da cama.
_ É claro que não. – Sai respondeu, dando aquele sorriso amarelo que não enganava ninguém. O ruivo o encarou com certa irritação, mas o soltou ao ouvir a campainha soar dois segundos depois.
Instantaneamente correu em direção à porta da frente, seu coração batendo forte por desejar que fosse Naruto ali, procurando-o e a salvo. Tropeçou no caminho por causa de sua afobação e, quando finalmente levou a mão à maçaneta, ouviu Sai gritar da cozinha:
_ Não vai explodir se não for o Naruto!
Tsk, irritante. – foi o que o ruivo pensou quando girou a chave e abriu a porta, dando de cara com um loiro.
Mas não era o quem queria ver: era um loiro desconhecido. Cabelos longos, amarrados em uma espécie de rabo de cavalo alto, com uma franja estranha que encobria um de seus olhos. Os olhos eram azuis, semelhantes aos de Naruto, mas ainda sim bem mais petulantes e menos doces do que os do Uzumaki, sua estatura era mediana, apenas um pouco maior do que ele.
Ele aparentava estar ansioso, ao contrário de Gaara, o qual parecia ser acabado de informar que o natal foi cancelado e substituído por horas extras no trabalho com direito ao chefe esbravejando em seu cangote.
Droga... Não é Naruto!
_ Gaara Sabaku? – o loiro questionou com um grande sorriso.
_ É ele mesmo. O que deseja? – o ruivo questionou com a voz monótona, irritado consigo mesmo pela falsa esperança.
_ Diga-me uma coisa, Gaara Sabaku... Qual a sua opinião sobre a arte? – o loiro questionou casualmente, como se sua aparição na casa de um completo estranho, precisamente às seis e meia da manhã, fosse algo totalmente normal.
Gaara substituiu a monotonia pela completa indignação com aquele cara completamente bizarro.
_ Pro caralho a arte. Quem diabos é você?
Mas o loiro não se afetou com seu tom de voz irritado. Muito pelo contrário, pareceu ainda mais empolgado e exibiu um olhar completamente maníaco, deixando um sorriso curvar seus lábios.
_ Resposta errada, Sabaku.
... Continua ...
¹ Citação do capítulo 11.
² Microexpressões faciais são expressões involuntárias mostradas na face do ser humano quando eles sentem uma emoção. O maior estudioso na área é o psicólogo Paul Ekman, e ele diz que as seguintes emoções são perceptíveis por meio das microexpressões faciais: nojo, raiva, medo, tristeza, alegria, surpresa, diversão, desprezo, excitação, culpa, orgulho, alívio, satisfação, prazer e vergonha. Elas são classificadas em tipos comuns e sutis, e duram em média um quinto de segundo.
Existia uma série de televisão que tratava desse assunto, o nome dela era "Lie to me" mas ela alterou várias coisas do ensinamento de Paul Ekman. Se vocês tiverem curiosidade de correr atrás disso, lembrem-se: vocês não são treinados, apenas pessoas treinadas conseguem perceber isso realmente, e não comecem a achar que está todo mundo mentindo pra vocês hahahaha!
Respostas reviews "guest":
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Dea:
De nada Dea! Pra mim é um prazer imenso atualizar e saber que tem leitores que acompanham com tanta ansiedade! Me sinto realizada como ficwriter. ^^
Não vou desanimar, pode deixar que as coisas vão se ajeitar com o tempo!
Muuuuuito obrigada pela força e pela review!
Um super beijão!
