Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.

Warnings: Linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.


N/A: Oi leitores!

Tenho bastante coisa pra falar pra vocês em notas... Mas vou por ao fim do capítulo ok? Gostaria que lessem depois.

Ah! Falando no capítulo, ele está bem denso. Sim, denso, plot rolando, capítulo longo, conflitos de sentimento, etc e tal. Daminha suave, mas ainda sim não está um capítulo totalmente comédia como alguns outros.

Por isso, se você não estiver em casa não leia ainda essa atualização, espere pra ler em casa. Pode ser que você fique cansado com a leitura e queira dar uma pausa (olha a quantidade de palavras!), mas eu decidi que era a hora de "vomitar" esses acontecimentos, e não dividir em dois capítulos (como eu tinha cogitado fazer anteriormente). Bom, espero que mesmo sendo uma leitura mais densa vocês se divirtam! Pensem no bem do plot hahahaha!

Um beijo amores!


HAUNTED

Capítulo XXIII

Kisame sentiu o calor do sol da aurora durante longos minutos antes de decidir que não poderia, de maneira alguma, ir dormir. Suspirou pesadamente, passando as mãos pelos olhos cansados. Aquela noite agitada lhe esgotou completamente.

Itachi já voltou para o quarto e não retornou, mas ele sabia que ainda existia a necessidade de sua participação naquela conversa. Ou talvez, apenas talvez, ele estivesse realmente com medo de voltar para o QG.

O que será que o Madara intencionava com aquela informação falsa?

Admitindo ou não o seu medo momentâneo, ele decidiu: não iria voltar. Itachi poderia precisar de uma mão com o pirralho, na hipótese do moleque se enfezar ao ponto de ativar novamente os sentidos especiais. Além disso, precisava ver se o garoto realmente se restabeleceu com as instruções de primeiros socorros que dera ao Uzumaki. Afinal, Madara já precisou de mais cuidados em situações extremas de efeito colateral.

Sendo assim, retornou até o quarto onde o Uchiha estava hospedado com certa velocidade. Contudo, ao adentrar demorou alguns instantes para entender o que acontecia.

Itachi estava no chão, os olhos cor de rubi cintilando furiosamente. Sasuke, por sua vez, tentava imobilizá-lo contra o carpete, e apesar do olhar violeta estar novamente a postos. Kisame sabia muito bem que número três não estava lutando para fugir do ataque.

Afinal, uma fuga de combate em solo como aquela não era feita através da força e sim da técnica. E de técnica Itachi, o prodígio, entendia bem (aliás, estava há anos luz de qualquer um naquele quarto, até mesmo dele, quando se tratava de esquiva e fuga).

_ O que você quer dizer com "foi necessário"? – Sasuke rosnava alto, forçando o outro a olhá-lo. Itachi parecia demasiadamente irritado, mas tentava se controlar.

_ Eu não quero te machucar Sasuke. – ele respondeu com o mesmo tom de voz ríspido e furioso.

Kisame procurou Naruto pelo quarto, encontrando-o com um olhar apavorado do outro lado da cama, e o ar de culpa podia ser palpável naquele lado do recinto. Decerto o loiro não relatou os acontecimentos com Kakashi Hatake da melhor maneira possível.

Oh, que surpresa! – pensou Kisame, antes de revirar os olhos demonstrando sua irritação com o Uzumaki.

_ Você falou o quê? – Kisame questionou ao loiro, trazendo para si sua atenção.

_ A verdade...? – sua resposta foi fraca e incerta, como se realmente não intencionasse o fato de que dizer a verdade para Sasuke causaria toda essa confusão.

_ Eu não consigo acreditar que você tentou matar o Kakashi! – o garoto Uchiha gritou alto, ignorando os demais presentes no quarto novamente.

Kisame franziu o cenho, detestando o pivete mais do que detestava Madara naquele instante.

_ Ow, Teme... N-não foi isso que eu disse... – Naruto murmurou, esticando o braço para tocar no ombro do amigo, mas Sasuke estapeou sua mão para longe.

Kisame não quis mais se manter como espectador. Deu dois passos largos, alcançou a gola de Sasuke e o atirou para longe, com uma falta de delicadeza que o pivete estava implorando para receber. Pego de surpresa, Sasuke não conseguiu desviar do golpe e acabou batendo as costas com tudo na parede do outro lado do quarto, soltando um gemido de dor alto. Suas pálpebras fecharam-se, e ao abrirem novamente, não exibiam mais a coloração lilás. Uma fina camada de sangue escorreu pelo canto de seu lábio, e o Uzumaki correu até ele em uma tentativa de ampará-lo e verificar o estrago daquele golpe.

_ Sasuke, puta que pariu viu! Você é doido de atacar esse cara desse jeito? – disse Naruto apreensivo.

O loiro tentou puxar um dos braços do Uchiha, mas um gemido alto interrompeu sua ação, fazendo com que ele retroagisse por pensar que, talvez, Sasuke estivesse com algum osso quebrado. E, céus, era só o que faltava! Eles não podiam se dar ao luxo de perder tempo com cuidados médicos! O que o idiota do Sasuke tinha na cabeça para enfrentar aquele bastardo do Itachi?

Apesar de toda dor que sentia, o Uchiha ainda olhava para Itachi, que agora se sentava no chão e trocava o mesmo olhar irritado, seus olhos vermelhos mostrando-se extremamente mortíferos. Estava claro para qualquer um que Itachi não reagira porque não quis, e não porque realmente foi rendido pelo companheiro. Suas mãos estavam acima dos seus joelhos e tremiam, provavelmente de raiva.

Ele estava realmente lutando contra sua própria natureza para não partir para cima do Uchiha.

_ Pirralho, Sasuke, acho que devo frisar pra você que se não fosse pelo Itachi, muito provavelmente o seu amigo Kakashi já estaria a vinte palmos abaixo da terra. – Kisame falou com certa indignação, caminhando até o garoto e levando os dois dedos até a pulsação de sua jugular. – Você vai ter os sintomas novamente. Bem feito!

_ Quê? – exclamou Naruto arregalando o olhar para Kisame. – Ah, que bosta!

Naruto ficou de pé e cruzou os braços. Estava com raiva pela atitude desmedida de Sasuke e não fazia questão de esconder, dando um olhar irritado ao Uchiha caído no chão. Oras, quem geralmente agia por impulso naquela família era ele! O que foi que deu naquele Teme maldito para fazer isso!?

Sasuke começava a se mostrar arrependido pelo que fizera sem pensar, e não foi apenas o crescente desconforto físico e a careta que o Uzumaki lhe mostrava. Agora, sem tanta adrenalina no seu sangue e com os batimentos cardíacos diminuindo consideravelmente, conseguia perceber que talvez devesse ter conversado com Itachi antes de partir para o ataque.

_ Naruto. – Itachi sibilou, chamando a atenção do loiro eufórico para si. – O plano.

_ Ahm... O plano... Eu quero conversar com você a sós sobre isso, Itachi-bastardo.

Kisame teve certeza que havia algo errado naquela cena: Naruto xingou Itachi num momento de quase-frenesi, e ele ainda estava vivo! Isso significava que Itachi realmente devia gostar do pivete Uchiha para aguentar tanto desaforo numa única noite.

Ao invés de matar o herdeiro da família Namikaze-Uzumaki, Itachi se aproximou do garoto com extrema velocidade e o segurou com apenas um braço, jogando-o por cima de um de seus ombros. Naruto gritou e se debateu, tentando compreender o que acontecia e se libertar, seus olhos jamais percebendo quando foi que Itachi chegou tão perto.

Patético!

_ Cala a boca Uzumaki! – Itachi sibilou com fúria.

Naruto finalmente compreendeu que Itachi não estava para brincadeiras e parou de se mover. Um leve tremor de pavor percorreu seu corpo, pois o tom de voz empregado deixou claro para todos no quarto que Itachi era infinitamente mais mortal do que aparentava ser, e Naruto sabia bem como se comportar diante de um predador mais perigoso do que ele.

Era instinto animal puro.

_ Eu cuido do moleque. Vai! – Kisame comandou, com medo de Itachi perder o controle naquela casa. Com toda certeza o estrago atrairia a atenção dos moradores, e não seria uma situação muito fácil de contornar.

Sasuke olhava para Itachi com certa incredulidade. Sabia que o outro era uma pessoa especial, completamente mortífera, mas jamais presenciara tamanha falta de controle: os olhos de Itachi estavam tão avermelhados que era impossível visualizar sua pupila. Ele sentia seu corpo tremer em arrependimento e medo, pois se Itachi perdesse o controle, quem iria pagar seria Naruto. Merda, se o namorado ficasse descontrolado, talvez ele também levasse a pior! Seu coração estava acelerado e o pavor corria em suas veias, deixando-o apreensivo e mais suscetível aos efeitos colaterais.

Itachi se virou para encará-lo e Sasuke viu que ainda era o mesmo Itachi de sempre, mas com uma áurea diferente, mais perigosa, inconstante; feral. Sasuke nunca teve tanto medo em sua vida, nem mesmo no seu encontro com Madara.

_ O que foi Uchiha? Não era você que confiava em mim? – ele questionou com desdém, seu tom de voz abaixando dois tons do que o normal, um som praticamente gutural ao ouvido dos presentes.

_ Itachi, vai porra! – Kisame gritou, agitando o braço direito e indicando a janela com energia; pois sabia que o ex-companheiro iria ceder se não saísse daquele quarto logo.

E então, tão rápido que nem o próprio Kisame pode ver, Itachi e Naruto desapareceram como fumaça.

_ O... Que... Diabos...? – Sasuke expirou quando se viu finalmente longe de Itachi, seu corpo tremendo ainda mais, tentando voltar à normalidade.

_ Pivete Uchiha, acho bom você preparar seu enxoval.

_ Hun? – Sasuke girou o pescoço para encarar Kisame, mas sentiu uma dor consideravelmente forte no ombro ao se movimentar. – A-ahn!

_ O que você acabou de presenciar é algo histórico para nós. – Kisame falou calmamente.

Ele levou a mão até o ombro do garoto e constatou que este foi deslocado na queda, depois pressionou os pontos certos, ignorando a dor de Sasuke, e pôs o osso novamente no lugar com uma precisão que poucos médicos conseguiram naquelas condições adversas.

_ Porra! Isso doeu pra caralho...! – Sasuke choramingou, respirando fundo e voltando a acalmar seus batimentos cardíacos. – Que porcaria é essa de "enxoval"? – questionou a Kisame, que agora andava pelo quarto a procura dos cobertores mais uma vez. E ele sabia que iria precisar, estava sentindo frio novamente.

Essa porcaria de efeito colateral é uma merda! Não gostei, quero as coisas como eram antes!

Shii! Enxoval é algo que me interessa! Vamos comprar tudo na cor púrpura e ametista, ok Sasuke?

Ah cara, mas tu é muito veado mesmo, puta que pariu...!

Quieto!

Sasuke estava tão curioso em arrancar mais informações do amigo de Itachi que sequer prestou atenção nos pensamentos absurdos de suas outras duas mentes. Assim que colocou as mãos no primeiro cobertor, Kisame voltou a falar.

_ O que acabou de acontecer aqui foi um autocontrole de frenesi. Você sabe há quantos anos tentamos controlar a besta interior pirralho?

_ "Besta"? – o garoto questionou, sentindo seu corpo arrepiar com a palavra estranha.

_ Itachi não te explicou nada sobre frenesi e rötschreck (1)?

_ Rot... O quê? – murmurou, sentindo as horríveis sensações de impotência, sede, dor e frio voltarem em seu corpo com velocidade. Não queria sucumbir: precisava manter-se acordado e lúcido. Kisame falava algo importante!

_ Ah, Uchiha... Itachi controlou o instinto assassino que nós tentamos controlar desde crianças. – Kisame sorriu de canto de boca, jogando o primeiro cobertor no corpo de Sasuke e envolvendo-o com a manta. – Ele controlou o incontrolável. Quer prova de amor maior que essa?

Sasuke já não compreendia mais as palavras sem sentido do estranho colega de Itachi, pois a dor voltava em proporções cavalares, mas antes de adormecer pela fadiga intensa mais uma vez, conseguiu notar que realmente passou da conta dessa vez por deixar Itachi tão bravo...

E que podia muito bem não estar vivo naquele determinado instante.

(***)

Naruto assistia a cena a sua frente com descrença completa. Piscava, tentando assimilar o que ocorreu, mas absolutamente nada fazia sentido, inclusive o que acontecia agora!

Itachi saiu do quarto de Sasuke em uma velocidade descomunal, e antes que Naruto entendesse o que aconteceu, ele foi jogado no chão sem cuidado algum. Quando seus olhos se acostumaram com a escuridão, a primeira coisa que notou é que estavam em um ginásio abandonado; a segunda é que Itachi estava há alguns metros de distância. O bastardo estava sentado no chão de qualquer maneira e apertando os olhos com força, grunhindo e aparentemente tentando se controlar.

_ PORRA! – Itachi gritou, urrando desesperado. Inconscientemente apertando os punhos em seu colo.

Apesar do medo, Naruto deu passos curtos até Itachi, que grunhia e rosnava descontroladamente. O que diabos acontecia com ele? Até a poucos instantes ele estava normal, e naquele momento sequer poderia ser definido como uma pessoa.

_ I-itachi? – desta vez ele decidiu não usar o prefixo "bastardo", estava com muito medo para abusar demais da sorte. Não com o moreno naquelas... Condições.

Mas o outro não o ouviu, forçando-o a se aproximar um pouco mais e então ele sentiu o cheiro intenso de sangue. Sem pensar, Naruto correu até o outro se ajoelhando e vendo Itachi morder o lábio inferior com tanta força que um fio grosso de sangue escorria pelo seu queixo, enquanto cravava as unhas na palma de suas mãos, deixando-as também ensanguentadas.

_ Pare! – Naruto implorou, pegando as mãos do outro e tentando forçar os dedos a desfazerem os punhos apertados, puxando os dedos desesperadamente para que ele relaxasse, sem sucesso. – PARE DE SE FERIR!

O que diabos está havendo?!

_SAIA! – gritou Itachi ainda mais alto que Naruto, fazendo sua voz ecoar pelo ginásio. Mas o Uzumaki continuou tentando ajudá-lo.

_ Pare com isso! – ele ordenou, mais uma vez. – Sasuke precisa de você saudável! CONTROLE-SE PELO SASUKE!

E então ficou tudo em silêncio. Itachi prendeu a respiração assim que ouviu o nome de Sasuke, forçando-se a controlar seu temperamento. Inspirou e expirou lentamente diversas vezes, concentrando-se nisso até que abriu as mãos e libertou o lábio machucado. Repetiu o processo até acalmar-se o suficiente para abrir seus olhos, agora negros, e ver a expressão chocada no rosto do outro.

_ O que diabos aconteceu aqui? – a voz do Uzumaki ainda soava apavorada, mas em um volume consideravelmente menor. Céus... Itachi o assustara demais!

_ Um milagre. – Itachi respondeu com a voz fraca, passando a costas de sua mão em seus lábios para limpar o sangue que escorria dali até a ponta de seu queixo.

Naruto permitiu que seu corpo padecesse, sentando-se na frente de Itachi de maneira despojada.

_ Se isso é um milagre, eu tenho medo de presenciar uma praga! – Naruto respondeu, arrancando uma risada curta do outro e sorrindo da mesma forma, finalmente se sentindo em segurança.

_ Até que você não é tão burro quanto parece, Uzumaki. – Itachi comentou se erguendo e ficando em pé. Ele olhou para o sangue na palma de suas mãos e ficou irritado por ter se machucado daquela forma. Em seguida as limpou na roupa.

_ Ei bastardo, quem você pensa que é pra falar assim comigo? – o loiro questionou levemente irritado. Era certo que não queria abusar da sorte, mas, porra, chamar de burro era demais!

_ Naruto, antes que eu perca a paciência e te mate, vamos logo tratar de negócios. – o moreno falou dentre um suspiro, encarando os olhos azuis tão parecidos com os de Deidara, certificando-se de que mantinha superioridade hierárquica na força de seu olhar. – Diga-me seu plano.

_ Cacete viu, como assim? Onde diabos a gente 'tá?

Mas aparentemente não importava o quanto Itachi se esforçasse para transmitir com um olhar a mensagem subliminar de 'morte certa' no caso desobediência ao outro; Naruto era um kamikaze.

_ Na faculdade onde você e Sasuke estudam, esse é um dos ginásios de Educação Física. – Itachi respondeu, percebendo que mesmo cego pelo frenesi conseguiu trazê-los para um lugar apropriado. – Ninguém entrará no campus antes das sete e meia da manhã, então temos tempo o suficiente para ouvir o seu plano. – Itachi novamente o olhou com irritação, deixando um pouco do olhar carmesim reaparecer propositalmente em suas íris. – Só que eu estou ficando sem paciência, Uzumaki. Então anda logo e fale de uma vez!

O loiro piscou atordoado. A casa onde Sasuke estava hospedado devia ficar próxima dos bairros de classe alta e isso não era nem um pouco próximo da faculdade! Era surreal estarem ali tão rápido! Itachi... Era o Flash (2)!

_ O-ok Itachi... Então senta de novo. – Naruto olhou para cima, vendo o olhar irritado do outro por causa do comando. – Eu não acho que estou calmo o suficiente pra conversar de pé, então para de ser cuzão e senta!

O bastardo estava delirando se achava que ia dar uma de mandão para cima dele! Naruto ficou firme, mesmo quando o olhar de Itachi brilhou ainda mais escarlate; ele quase sentia o soco que levaria.

_ Eu vou sentar. – disse Itachi. O Uzumaki expirou com alívio. – Mas porque eu quero!

_ Como preferir.

Relutante, Itachi obedeceu, sentando-se na frente de Naruto com as pernas cruzadas em uma posição completamente ereta, digna de meditação (bem diferente da maneira como estava sentado anteriormente, diga-se de passagem). Naruto sentiu vontade de sorrir em vitória, mas se controlou. Não iria botar tudo a perder justamente agora.

Demorou um pouco para Naruto situar suas ideias e Itachi aguardou com impaciência, mas assim que conseguiu o Uzumaki se moveu um pouco e pegou uns papeis cuidadosamente dobrados do bolso traseiro, segurando-os firmemente entre os dedos como se valessem ouro.

_ Eu estou andando pra cima e pra baixo com isso desde que você me apareceu. Esperava que você viesse quando Kakashi acordasse, você viria brigar comigo e queria que você lesse...

_ O que é isso? – Itachi questionou, estendendo a mão para pegar os documentos, mas, Naruto ergueu o braço em desespero, tirando-os de seu alcance.

_ Tira a mão sangrenta daqui! Você não vai sujar isso!

Itachi sentiu vontade de arrancar o braço inteiro do Uzumaki filho da puta e jogar do outro lado do ginásio, quem sabe assim ele aprendesse a lição? No entanto, o loiro percebeu que sua integridade física estava por um fio e explicou.

_ Essas folhas são importantes pra mim! E não quero que suje de sangue ou poeira... Eu nem devia estar andando pra cima e pra baixo com isso. – ele falou com sinceridade, mantendo o olhar firme; os papeis eram importantes para ele e Itachi precisava entender.

_ Então leia! – Itachi respondeu com rispidez, apertando o olhar e odiando, mais uma vez, ser influenciado pelo Uzumaki. Maldito!

Naruto quase sorriu satisfeito ao perceber que o outro, mais uma vez, cedeu aos seus caprichos, mas pigarreou para esconder seu contentamento.

_ Hum... Eu vou ler, mas antes preciso explicar algumas coisas.

Itachi não respondeu, apenas cruzou os braços e aguardou Naruto começar.

(***)

Naruto não tirou as mãos do elástico da calça de Gaara, puxando-o cada vez mais para mais perto e sentindo uma intensa vontade de cometer uma loucura, ali mesmo, no jardim. Os beijos que trocavam ficavam cada vez mais intensos, e a chuva fria não os incomodava nem um pouco.

_ Naruto! Entre logo! Está chovendo e quero falar com você! – ouviu a conhecida voz soar da porta da frente, lugar de onde não conseguiria ver os dois adolescentes trocando carícias.

Com muito esforço, o Uzumaki interrompeu o beijo, ignorando o grunhido de irritação do outro enquanto gritava uma resposta para o seu pai.

_ Já vou, já vou! Estou só pegando um livro com o Gaara! – o adolescente incrementaria a mentira, mas Gaara puxou a gola de sua camisa, trazendo-o para mais um beijo e enroscando uma perna em seu corpo, aproximando ainda mais os corpos dos dois.

Hormônios... Hormônios...

_ Você podia ter encontrado uma desculpa mais demorada... – o ruivo ousado gemeu em seu ouvido, tentando abrir o botão de sua calça, mas sendo impedido por Naruto a contragosto.

_ Quando o velho chama, eu tenho que ir. Se não ele vai comer meu fígado com tempero! – Naruto murmurou, tirando as mãos do outro de perto de si. Doía recusar aquele contato, mas era necessário; ele não gostava de ir contra as ordens de seu pai.

_ Nessas horas não é tão ruim ter um pai que não liga pra mim, ao menos tenho liberdade pra fazer o que eu quiser. – Gaara respondeu, repuxando os lábios em um sorriso maroto enquanto cruzava os braços. Ele se afastou, dando um olhar sugestivo à ereção do outro. – Quer que eu te ajude com isso mais tarde?

_ Não seria uma má ideia... – Naruto respondeu com um sorriso lascivo, e Gaara deu um passo à frente, quase voltando para os seus braços. – Vou conversar com o Sasuke.

Gaara suspirou, sentindo uma irritação momentânea. Girou os calcanhares e ameaçou sair dali, mas Naruto o impediu, segurando seu pulso.

_ Não é o que você 'tá pensando!

_ Vai pedir carta de alforria pro Uchiha, vai! – esbravejou por cima do ombro, puxando com força o pulso e se desprendendo do toque de Naruto. Estava furioso!

_ Não é isso! Sasuke e eu dividimos o quarto Gaara, você sabe disso!

_ E daí? Você não aparece toda hora na minha casa por que o Sasuke 'tá com companhia? Deixe-o trancado pra fora mais uma vez oras! Ele faz por merecer! – Naruto novamente alcançou o braço do outro e o puxou para si, trazendo-o para perto e depositando um singelo selinho em seus lábios. Gaara pareceu mais feliz com o gesto, mas ainda murmurou contrariado. – Uchiha é um empata foda do caralho!

_ Como se fosse só por isso que você não gosta dele, né?

_ Eu podia matar o Sasuke de uma vez. Ia solucionar um monte de problema! – o ruivo respondeu, pensativo. Naruto gargalhou com gosto, abaixando o boné de Gaara e cobrindo seus olhos com a aba. – Falo sério, Kyuubi!

_ Aham! 'Tá bom! – Naruto respondeu entre as risadas, não levando a ameaça de Gaara a sério.

Se fosse há um ano, ele com toda certeza não estaria rindo. Mas desde que começou a amizade com o ruivo, ele conseguiu fazer a briga de gangue de Sasuke e Gaara diminuir consideravelmente.

Ainda se detestavam, mas como havia um terceiro envolvido (e que era importante para os dois, diga-se de passagem) Sasuke e Gaara tentavam diminuir a quantidade de sangue derramado. Já fazia dois meses que o moreno não aparecia com o olho roxo em casa, inclusive Sakura mencionou que os dois fizeram um trabalho de equipe na aula de geografia sem se matarem! Era um grande avanço!

A política da escola não deixava parentes, sanguíneos ou legais, na mesma sala, assim desde que os pais de Sasuke morreram, este mudou de sala (mesmo que Naruto não entendesse o porquê, já que não eram oficialmente parentes). De modo que o Uchiha estava na sala de Gaara e Sakura, e ele na de Neji, Kiba, Shikamaru e outros amigos. Naruto se dava bem com a maior parte dos colegas de sala, exceto Neji que o odiava gratuitamente.

Por outro lado, Sasuke era um caso a parte. Antes do desastre familiar ele já se mantinha longe dos colegas, depois tudo piorou: ele criou amizades supérfluas com crianças do bairro que estudavam em outro colégio. Na verdade, a "amizade" era uma gangue juvenil extremamente irritante e Naruto os odiava, mesmo assim encobria o Uchiha por medo da reação de seus pais, caso soubessem da verdade.

Gaara tinha seus comparsas, todos mais velhos, dentro do colégio deles, e não ia com a cara de Sasuke. Inevitavelmente as duas gangues estudantis se tornaram rivais e todo dia brigavam. Assim Naruto se aproximou de Gaara para tentar amenizar o lado do Uchiha e acabou desejando ajudar o ruivo, que ficava cada vez mais violento, superando até mesmo a raiva e rancor que Sasuke demonstrava o tempo todo.

Sua aproximação com Gaara fez bem, pois atualmente as coisas estavam mais pacíficas e eles conseguiram criar uma amizade que evoluiu ao ponto de se tornar colorida (e muito agradável). O problema entre Sasuke e Gaara não foi resolvido totalmente, mas já não parecia mais que morreriam por causa de uma briga violenta.

Em suma, Naruto tinha esperanças de que um dia conseguiria ajudar os dois amigos sem envolver outras pessoas. E, assim, Fugaku e Mikoto podiam finalmente jazer em paz. Amém!

_ Olha Naruto, se você não fosse meu amigo eu já tinha matado esse idiota. – Gaara comentou despreocupadamente, como alguém comenta sobre o tempo chuvoso daquele dia. O outro estremeceu, pensando no destino cruel que poderia ter acontecido se não interferisse a tempo.

_ Eu sei. – o loiro respondeu sombriamente, desviando o olhar e virando-se de costas para Gaara. Não queria entrar naquele assunto agora, precisava entrar. – Eu vou negociar com ele e te ligo daqui a pouco, ok? A gente combina algo.

_ Ok. – o ruivo respondeu baixinho, demonstrando estar arrependido por ter tocado nesse assunto naquele instante.

Naruto contornou o muro de casa de volta e foi até a entrada, sem se despedir calorosamente do amigo. Detestava quando Gaara tocava nesse assunto, porque gostaria muito que ele e Sasuke conseguissem se entender de verdade e era horrível pensar que isso jamais aconteceria. Suspirando e decidindo deixar esse assunto de lado, ele entrou em casa.

A porta estava destrancada e a sala ocupada. Sasuke jogava videogame, esparramado no sofá; ao que parecia, estava em uma fase bem difícil, pois sequer desviou o olhar para conferir quem chegou. Naruto descalçou os sapatos de qualquer jeito, tirou a jaqueta encharcada, passou as mãos pelos cabelos na tentativa de tirar o excesso de água e não ouvir reclamações de sua mãe por ter sujado demais o chão.

_ Tadaima, Bakanomo. – cumprimentou Naruto, correndo até o sofá e se jogando ao lado de Sasuke. Suas calças não estavam tão molhadas, então ele podia se sentar.

_ Okaeri, Chikushou. Está treinando, é? – Sasuke respondeu, rindo com prepotência da idiotice de Naruto. – Mas você está pronunciando a silaba tônica incorreta.

Sasuke tinha descendência japonesa, contudo não falava japonês, a não ser o básico que toda criança descendente acaba aprendendo com seus familiares. Quando a relação de Sasuke e Kushina melhorou, ele adotou os pronomes de tratamentos japoneses para os tios com mais frequência, e Naruto ficou ainda mais enciumado. Os dois já tinham se apelidado com pequenos palavrões (japoneses ou não), mas um belo dia Naruto apareceu com uma lista de palavras japonesas obscenas, iniciando uma competição estúpida de quem conseguiria aprender mais xingamentos no idioma nipônico. Disso Sasuke compreendeu que Naruto queria provar que podia ser melhor do que ele em alguma coisa, nem que fosse xingar em um idioma estrangeiro. Coisa de adolescente desocupado, mas como Sasuke definitivamente não tinha coisa melhor para fazer, aceitou a competição tola.

_ Você não sabe, Teme! – ele o acusou, arrancando um sorriso prepotente do Uchiha.

_ Eu sei sim, 'tá no sangue!

_ Vai se foder. – Naruto olhou para a televisão, percebendo que Sasuke estava quase no fim de Resident Evil 3. – Você vai morre-errrr...! – cantarolou de maneira infantil, almejando irritar o outro para que ele realmente perdesse a jogada.

_ Cale a boca imbecil! – Sasuke rosnou, ajeitando-se no sofá e apertando os botões do controle freneticamente, numa tentativa de salvar Jill Valentine, mas não foi habilidoso o suficiente. Jogou o controle longe, perdendo o resto de paciência que ainda tinha com aquele jogo idiota. – O que você quer?

_ Agora? – Naruto respondeu com uma voz divertida, controlando o riso. – Agora eu quero te zoar por você ter morrido!

_ Ah 'tá, você quer apanhar né, Usuratonkachi? – Sasuke respondeu irritado, olhando para Naruto sem o mínimo de paciência.

_ Ou fazer um acordo, se você preferir. – Sasuke ergueu uma das sobrancelhas em questionamento e Naruto respirou fundo para continuar sua proposta – Esse assunto morre aqui, a gente finge que você detona no PlayStation e você libera o quarto pra mim essa noite!

Sasuke o olhou por alguns instantes como se avaliasse o pedido, mas no fim balançou negativamente a cabeça.

_ Nem sonhando Dobe, amanhã tenho prova de matemática. Preciso estudar!

_ Então estuda na sala Sasuke! – Naruto pediu, com um tom de voz choroso. – Eu também não vou dormir se você ficar com a luz acesa a noite toda!

_ Você dorme que nem uma pedra mesmo se tiver um terremoto! E eu gosto de estudar no quarto.

_ Mas Sasukeeeeeeee...! Temeeeeeeee! – Naruto começou a sacudi-lo, e Sasuke levantou-se do sofá para não brigar com Naruto enquanto seus tios estavam em casa. Não queria ficar de castigo aquele fim de semana, tinha planos! – Eu liberei o quarto pra você e pra aquela garota Tayuya na segunda-feira!

_ E?

_ Bastardo!

Naruto simplesmente detestava dividir o quarto com Sasuke! Era até divertido ter uma companhia quando eram mais novos e viviam em uma paz parcial, pois brincavam, conversavam sobre babaquices infantis e, às vezes, até encaravam um ou outro filme de terror, já que como tinham companhia não era assim tão aterrorizante. Infelizmente, a puberdade tornou incômodo dividir o quarto. Muito incômodo!

Pelo menos não usavam mais o beliche, já que requisitaram camas separadas há um ano e, depois de muita insistência, conseguiram duas camas de solteiro minúsculas, pois o espaço do quarto não era muito grande. Mas era o suficiente para eles: beliches não eram apropriados para os exercícios práticos da aula de educação sexual.

Minato entendeu o pedido dos garotos, mas se fez de inocente. Kushina ainda se perguntava porque diabos os meninos quiseram trocar de cama tão subitamente. Obviamente, nenhum dos pais tinha a consciência das companhias trazidas para dentro de casa em algumas madrugadas do ano, já que a janela do quarto dos garotos era perto do muro e fácil de pular, para dentro ou para fora.

Não era algo que faziam com muita frequência, Naruto só chegou ao "home run" com Gaara e assim gostaria de permanecer até encontrar a garota ideal. Sasuke estava no seu segundo rolo, com aquela ruiva detestável que Naruto não suportava. De qualquer forma, Naruto nunca soube quem foi à primeira de Sasuke, e este, até então, não questionou quem era a companhia de Naruto.

Até então...

_ Você 'tá saindo com a Sakura? – Sasuke questionou despreocupadamente, levantando-se para desligar o videogame e retirá-lo do caminho. Naruto praticamente se engasgou ao ouvir a pergunta.

Sakura era uma paixonite de infância de Naruto. Era, porque atualmente não conseguia compreender o que chamou sua atenção na época que era mais novo. Sakura era completamente apaixonada por Sasuke, que não tinha nenhum critério para escolher companhia feminina, e só não a chamou para sair porque provavelmente acreditava que Naruto ainda era apaixonado por ela. Apesar do Uchiha e do Uzumaki terem um relacionamento complicado, eles ainda tinham muita cumplicidade.

_ Não é a Sakura. – Contudo, Naruto não queria que Sasuke se envolvesse com ela, então preferia não dizer para o moreno que não estava mais apaixonado. Por quê? Porque Sasuke era um cuzão e Sakura era sua amiga. Simples assim.

Ele sabia que a garota era tola demais para levar isso como um critério de eliminação. A maioria das meninas que se interessavam por Sasuke achavam que, um dia, conseguiriam mudá-lo e amarrá-lo em um relacionamento sério.

Pff. Vai nessa.

_ Ok. – o Uchiha respondeu, levantando-se e olhando com atenção para o amigo. – 'Tá, eu vou descer as dez e subo de volta às duas da madrugada.

_ Uhul! – Naruto tentou se jogar acima de Sasuke, mas este desviou com maestria de sua investida, e o loiro caiu de cara no tapete da sala.

_ E se você me trancar a noite toda pra fora de novo, eu vou acordar a tia Kushina, só pra te pegar no flagra!

_ Sasukeee! – choramingou ao levantar a cabeça e massagear o nariz, o bateu na queda. – Eu dormi aquela vez, não foi minha culpa!

_ Hn.

_ NARUTO! – os dois adolescentes ouviram a voz irritada de Minato soar da cozinha e o loiro se colocou de pé em um pulo. Ele esqueceu que o pai lhe chamara, e este provavelmente não estava muito feliz em esperar tanto tempo.

_ Cara, se você ficar de castigo esse final de semana, eu te mato! – o Uchiha rosnou, empurrando o loiro em direção a cozinha. Se Naruto fosse castigado, significava que ele não conseguiria um único momento sozinho em casa no sábado e isso simplesmente não podia acontecer!

_ Que solidariedade, hein? Teme! – Naruto murmurou por cima do ombro, correndo para a cozinha e deixando Sasuke para trás, enquanto este voltava sua atenção novamente para a bagunça da sala. Já chegava a hora do garoto mais velho sair para dar a sua rotineira "volta pelo bairro", então o outro supôs que ele desejasse arrumar a bagunça da sala o quanto antes para poder se ausentar dali.

O loiro entrou na cozinha, abaixando a cabeça e aguardando a bronca que viria a seguir.

_ Desculpa velho, eu esqueci que você me chamou e... – alguém colocou a mão em sua cabeça, e não da maneira que seu pai costumava fazer quando estava prestes a lhe chamar a atenção.

_ A última vez que nos falamos, você era um menininho. – uma voz suave e gentil soou, e apesar de levemente conhecida, Naruto não conseguiu identificar a quem pertencia. Ele ergueu o olhar.

Foi teleportado para o dia do desastre da família Uchiha instantaneamente, quando ainda possuía nove anos e viu, pela primeira vez, a pessoa que estava novamente a sua frente. Ele se mantinha igual: cabelos acinzentados, rosto encoberto (e desta vez sem a farda de policial), olhos bondosos com uma cicatriz fina que cortava um deles até a sobrancelha.

_ Você cresceu! – ele falou, retirando a mão de cima da cabeça de Naruto.

O coração do mais novo disparou instantaneamente. Ele não compreendia o que aquele homem fazia ali, em sua casa, depois de tantos anos. Mas ele não podia negar o quanto essa nova aparição em sua vida era completamente especial.

Durante todos esses anos, Naruto desenvolveu uma espécie de obsessão por essa pessoa. Claro, todo o terror daquele dia ficou estampado em sua memória para sempre, mas quando ele sonhava com aquilo invariavelmente ele se lembrava do pedido de ajuda que fizera ao outro e em como este o compreendera integralmente. O olhar de compreensão e de apoio que aquele homem lhe ofereceu nunca mais foi visto por Naruto, nem mesmo em conversas com seus próprios pais. Era um olhar diferente de tudo que ele estava acostumado, e por isso inquestionavelmente intrigante ao ponto de ser imortalizado em sua memória.

Desta forma, quando ele cresceu um pouco e pôde andar sozinho pela cidade, procurou o posto policial onde este homem trabalhava. Lembrava-se vagamente do seu nome, mas não o suficiente para encontrá-lo com facilidade. E depois de alguns meses tentando, Naruto se convenceu de que não veria mais aquela pessoa.

E agora ali estava ele, bem na sua frente!

_ Naruto, este é o policial Kakashi Hatake. – seu pai falou, finalmente chamando a atenção do garoto para a sua presença. – Nós o conhecemos no dia...

_ Eu lembro. – Naruto o interrompeu, voltando a atenção para o grisalho e tomando o devido cuidado de guardar seu nome desta vez. Estendeu uma das mãos, procurando parecer uma pessoa adulta e não uma criança qualquer. Não queria que aquele homem ainda o visse como um garotinho de nove anos. – Muito prazer, sou Naruto Uzumaki.

_ O prazer é todo meu. – Kakashi respondeu, aceitando seu aperto de mão com firmeza.

Assim que desprenderam as mãos, Minato pigarreou para trazer a atenção dos presentes novamente para si.

_ Naruto, Kakashi está nos ajudando no caso dos seus tios.

_ Mas não o encerraram há anos? – Naruto olhou por cima do ombro furtivamente, lembrando-se que Sasuke estava próximo dali e podia ouvir a sua conversa. Abaixou consideravelmente o tom de voz antes de prosseguir. – Por que Sasuke não está com a gente falando sobre isso?

_ Porque não é sobre isso que vamos falar.

Minato caminhou cuidadosamente até a porta da cozinha, espionando para fora e vendo que Sasuke já saíra da casa; mesmo assim, fechou e trancou a porta com duas voltas na chave, apenas por precaução. Logo em seguida, indicou a mesa central para que Kakashi e Naruto se sentassem. O loiro, ainda sem entender o que acontecia, obedeceu ao seu pai, realmente curioso com o que ouviria.

(***)

_... Ele me falou sobre o testamento.

_ Testamento? – Itachi questionou com ares de dúvida, esperando qualquer coisa, menos isso.

Pelo que sabia da família Namikaze-Uzumaki, se Minato era ciente das ameaças, então não pensaria em bens patrimoniais e sim em como instruir o filho.

_ É! Ele falou onde estava o testamento, disse que se acontecesse algo o Kakashi seria o curador dos meus bens, explicou sobre procedimentos e os bens... Enfim, ficou uma hora falando disso! – Naruto fez uma pausa. – Eles morreram no dia seguinte.

O Uzumaki abaixou o olhar se lembrando do passado e segurando as lágrimas para não parecer um bebê chorão na frente de Itachi. Óbvio que o outro percebeu, mas nada comentou. Na verdade, Itachi analisou tudo o que ouviu e chegou uma conclusão inevitável:

_ Então Minato sabia que ia morrer.

_ Isso é óbvio! – respondeu Naruto encarando o outro com o olhar cintilando pelas lágrimas não derramadas. – Mas não foi só, porque isso é o que as pessoas de fora concluiriam. Ele deixou uma mensagem implícita pra mim.

_ Como assim?

_ Quando o Teme se mudou lá pra casa, o meu pai passava muito tempo com ele. – explicou Naruto pacientemente, em um tom calmo, quase como se Itachi não entendesse seu raciocínio. Era a primeira vez que Itachi não foi tratado como o gênio que era e, de certo modo, isso foi reconfortante. – Já que o Sasuke gostava muito do meu pai e ele queria deixá-lo feliz, a aproximação foi inevitável.

Itachi estava surpreso com a fala profissional de Naruto. Ele esperava uma gritaria sem sentido acerca do tal "plano", mas o que ele ouvia agora era surpreendente! De onde é que saiu este Uzumaki sério naquele escandaloso e afobado de antes?

_ Aí eu fiquei com ciúme. Também, eu era criança e filho único! – Naruto sorriu, como se quisesse demonstrar que tudo aquilo era passado. – Eu odiava aquilo na época e então meu pai tentou manter um laço comigo, algo que apenas nós compartilharíamos para me fazer sentir especial, já que o Sasuke não ia saber. É, meu ciúme chegava a esse ponto!

Naruto lançou um olhar de desafio à Itachi, que pouco se importou com isso e fez um gesto para que o outro continuasse.

_ Nosso laço era um pequeno código. Sempre que meu pai escondia algo de minha mãe ou do Sasuke, ele arqueava a sobrancelha e mordia os lábios. – Naruto demonstrou os gestos e depois sorriu melancólico. – Aí quando eu via isso sabia que ele escondia algo. Tenho certeza que muitas vezes não havia nada demais, mas ele agia assim apenas para eu me considerar importante. Meu pai tinha uma psicologia reversa muito boa para um leigo no assunto.

_ E ele fez esse gesto na conversa do testamento? – Itachi questionou, sentindo-se verdadeiramente curioso com o rumo daquela conversa.

_ Sim. Ele fez antes de começar a falar. – concordou com um aceno de cabeça, suspirando antes de continuar. – Então eu sabia que havia algo por trás daquele papo e, mesmo achando um absurdo sem tamanho esse papo de testamento, ouvi em silêncio. Meu pai não usava o gesto há anos, se ele usou naquele instante algo sério ia acontecer.

Naruto fechou os olhos, como se tentasse recordar com precisão dos acontecimentos da sua adolescência, continuando a falar sem abri-los.

_ Toda a conversa de testamento não envolvia bens pra minha mãe, e assim ele me deixou duas dicas: Primeiro, o nosso código; segundo, o fato dele não deixar absolutamente nada pra minha mãe no testamento. Isso era um absurdo! – Naruto abriu os olhos. – Meus pais tinham um casamento excepcional! E ele jamais a deixaria apenas com o quinhão da herança! Ali tinha coisa, mas eu não sabia o que era.

_ Naturalmente, você foi atrás de descobrir a verdade após a morte dele. – Itachi falou, crente que estava seguindo a linha de raciocínio do mais novo.

Só que ele estava enganado. Naruto balançou a cabeça negativamente e quando ergueu o olhar, revelou orbes completamente entristecidos, sem o brilho característico do azul topázio.

_ Lógico que não, Itachi-bastardo! – ralhou Naruto – Eu... Entrei em luto! Sofri como qualquer outro adolescente que perde os pais daquele jeito! Eu... Não tinha como imaginar que algo assim aconteceria tão rápido...!

Naruto parou de falar abruptamente para inspirar lenta e profundamente e, em seguida, expirando de forma ruidosa. Itachi permaneceu silencioso, vendo o Uzumaki aos poucos controlar suas emoções. Quando finalmente se acalmou, o mais novo voltou a encará-lo com o olhar penetrante e tristonho.

_ Eu achei que ia conseguir descobrir o que meu pai escondia. Pensei que fosse uma brincadeira, um teste, sabe? E... Foi um choque pra mim...

Itachi ouviu tudo calado, tentando compreender o que Naruto disse; era difícil. Ele nunca se apegou a nenhum progenitor; sua família era Madara. Ele tentou imaginar o que faria se algo ruim acontecesse com Madara e só de pensar nisso Itachi sentiu vontade de vomitar. A verdade é que poderia desejar ficar com Sasuke, assim como não desejava mal à Madara; ele precisava encontrar uma forma de encontrar um meio termo entre as duas coisas. Do seu jeito, Itachi entendeu como Naruto se sentia.

_ O Sasuke me ajudou na época. A gente ficou no orfanato por um tempo, morando juntos e ficando mais próximos do que antes. Ele até largou a gangue juvenil pra ficar comigo!

Não tão próximos, espero. – pensou Itachi. Inconscientemente seu olhar ficou avermelhado, mas Naruto não percebeu, pois estava perdido em lembranças e um sorriso nostálgico e contente despontou em seus lábios, deixando Itachi irritado.

_ Aí o Kakashi foi designado meu curador, mas era apenas isso. Só que depois ele se apresentou ao conselho tutelar interessado em ser meu tutor. – explicou Naruto pacientemente. – Eu fingi não tê-lo encontrado depois da morte dos meus padrinhos e Kakashi manteve a farsa. Ele conseguiu a minha guarda e tentou ser tutor do Sasuke, só que aquela mula não quis. Ele...

E Naruto deixou um risinho baixo soar, fechando os olhos para balançar a cabeça em negação. Itachi estava tentado a perguntar o porquê, embora no seu íntimo soubesse que aquilo era uma lembrança do Sasuke mais novo; ele sentiu inveja porque gostaria de ter convivido com Sasuke quando menino. O Uzumaki deu um pigarro e voltou a falar.

_ Bom, eu vi que tudo tinha sido planejado e tentei puxar papo sobre a conversa daquele dia, mas Kakashi não falava. Ele sempre me interrompia e agia como se fosse um tabu. – disse Naruto ficou mais sério. – Então descobri que éramos vigiados.

Itachi franziu o cenho, demonstrando, sem querer, sua curiosidade. Para ele era fácil chegar àquela conclusão, mas que meios o Uzumaki utilizou para saber disso? Isso o intrigou.

_ Como?

Naruto piscou atônito, depois lhe lançou um olhar desconfiado até que por fim e fez um gesto de desdém com os ombros. Itachi aguardou a resposta sem nada demonstrar.

_ Três motivos. – Naruto lhe mostrou três dedos. – Meu pai era ameaçado de morte, mas em vez de falar, ele deixou subentendido. Minha mãe andava nervosa há anos e às vezes agia totalmente fora do normal. Meu tutor não tocava no assunto. Nós éramos vigiados, estava claro pra mim. Minha família nunca teve tabus antes e 'do nada' passou a ter!

_ Recapitulando: até então você sabia que seu pai previu que morreria e que vocês eram vigiados, nada mais.

_ Sim. – respondeu Naruto, pendendo a cabeça para o lado por não compreender o porquê daquela recapitulação. Itachi sorriu de canto de boca, esticando a mão e fazendo um gesto para que ele prosseguisse. – Bom, aí fingi que não sabia de nada, né? Continuei minha vida normalmente, namorando, fazendo amigos e no meu luto. Eu não fui atrás de nada por alguns anos; afinal, eu era vigiado e faltava uma boa oportunidade, que só apareceu muito tempo depois.

Nesse momento, os orbes azuis cintilaram de maneira travessa enquanto um sorriso maroto curvava os lábios de Naruto, revelando seus dentes brancos e alinhados; e Itachi não conseguiu ler aquela expressão. Naruto se sentiu satisfeito, era como se tivesse um Royal Straight Flush (3) em mãos, e, bem, ele tinha mesmo.

_ Kakashi, como meu tutor, foi o curador dos meus bens, e os administrou durante três anos. Quando eu fiz dezoito anos, a partilha testamentária foi feita.

Itachi recordava-se um pouco de conversas legais nas aulas do QG, mas eram pouquíssimas. Sabia que o testamento era um documento que enumerava bens para serem doados a determinadas pessoas com a morte do proprietário, mas sabia que as regras sobre esse documento variavam de país para país.

Furioso pela própria ignorância, Itachi se viu obrigado a revelá-la para Naruto. Estava curioso em aprender mais, mas ao contrário de como as coisas funcionavam com Sasuke, detestava assumir uma fraqueza ao loiro. Sentia-se inferior, apesar de saber que não era.

Seria isto um sentimento de rivalidade?

_ Eu não sei muito sobre essas coisas. – murmurou, envergonhando-se e sentindo o rosto esquentar. Naruto sorriu ainda mais.

_ É mesmo? – perguntou ironicamente, fingindo surpresa. – Quem diria!

_ Pare de babaquice Uzumaki, estamos perdendo um tempo precioso! – disse Itachi praticamente rosnando.

Para tentar se acalmar, Itachi fantasiou com uma briga sangrenta com Naruto, onde ele arrancava todos os membros do outro e o ouvia gritando. Céus, Naruto mutilava o pouco de paciência que ele possuía! E o pior? O Uzumaki parecia saber e justamente por isso o testava! Era revoltante!

_ Eu, obviamente, sei alguma coisa sobre isso. – comentou Naruto com um sorriso bobo na cara; Itachi quase bufou e o Uzumaki decidiu que chacoteou demais o outro e voltou a ficar sério. – Eles demoraram pra iniciar o inventário porque eu e Sasuke éramos menores de idade. No caso, eu era um herdeiro legal e testamentário, e Sasuke apenas testamentário.

Para seu próprio desgosto, Itachi não compreendeu os termos usados por Naruto, só que felizmente o Uzumaki não bancou o engraçadinho e explicou que o patrimônio poderia ser herdado por sucessão legal ou ainda legal e testamentária. Quando não existia testamento, a sucessão se encerrava logo após a entrega dos bens aos herdeiros e esta seria a sucessão legal simples; mas quando existia um, a pessoa que morreu poderia deixar bens para outros parentes, amigos, empresas e, em alguns países, até animais (muito embora Itachi não visse serventia nisso).

_Certo. No seu caso era uma sucessão legal e testamentária.

_ Isso aí! – aprovou Naruto. – Só que a sucessão dos bens só ocorre quando os herdeiros são maiores de idade, daí Sasuke e eu tivemos que esperar até termos dezoito anos. O tio Fugaku não deixou testamento e o Teme recebeu a herança completa.

_ Entendi.

_ Bom... – Naruto parecia se esforçar para pensar nas palavras, escolhendo as mais adequadas. – Se meu pai morresse sem deixar testamento, como o tio Fugaku fez, só haveria um herdeiro necessário, que seria eu, pois sou filho registrado. Sasuke não ia entrar na partilha, pois ele não foi adotado como filho, era apenas um dependente e já recebia seguro de vida da morte dos pais dele. Entende?

_ Dá pra parar de menosprezar minha capacidade cognitiva? – Itachi indignou-se, mostrando os olhos avermelhados mais uma vez.

_ Calma, calma... Eu hein! – o mais novo mordeu a parte interna das bochechas, tentando impedir um sorriso de se formar em seus lábios. Ah... Isso era ótimo! – Como já disse, meu pai fez um testamento e quando se faz um, apenas cinquenta por cento dos bens podem ser abrangidos nele, porque os outros cinquenta por centro ficam indiscutivelmente para os herdeiros necessários. Sendo assim, desses cinquenta por centro, meu pai dividiu metade pra mim e metade pro Teme. Ao todo, eu fiquei com 75%, o Teme com 25%.

_ Ok. – Itachi acalmou-se um pouco, por quanto tempo era difícil de saber.

_ Mas, ao contrário do normal, ele colocou o carro na parte testamentária, e não nos 50% que já era meu por direito. Por isso, o nosso carro ficou parado durante quatro anos, porque eu ainda não podia ter acesso a minha parcela testamentária e Kakashi não podia vendê-lo como administrador do meu dinheiro. Como o carro ficou parado e sem manutenção, desvalorizou muito e eu sai no prejuízo.

Naruto ficou em silêncio por alguns instantes, como se aguardasse uma posição de Itachi a respeito de seu problema financeiro. O outro estalou a língua nos dentes, compreendendo que o assunto não era exatamente a falta de dinheiro do Uzumaki e isso fez com que Naruto sorrisse em aprovação.

_ Seu pai não fez isso atoa.

_ Óbvio que não! – Naruto parecia orgulhoso, mas Itachi não sabia se era por ele ter compreendido o dilema, ou se era por se lembrar de seu pai. – Meu pai era advogado especializado em planejamento sucessório(4)! Ele sabia muito bem o que estava fazendo e jamais faria algo que financeiramente fosse gerar prejuízo pra mim ou pro Sasuke. Esse era o terceiro sinal dele.

_ O que te fez concluir que...?

_ Que a resposta estava no carro!

Itachi sentou-se ainda mais aprumado, seus ombros estavam tensos e, ele precisava admitir, estava empolgado com o rumo daquela conversa. Havia um brilho de reconhecimento em seu olhar, também pudera: o Uzumaki se mostrou muito mais inteligente do que um dia ele imaginaria. Isso era bom, muito bom! Para ter alguma possibilidade de escapar de Madara, ele precisava de pessoas com senso crítico ao seu lado.

_ Certo... E?

_ E... – Naruto continuou a falar, sorrindo abertamente. – Eu o vendi!

Itachi piscou e quase caiu para trás ao ouvir isso. "Mas... Que... Porra!" pensou ele com irritação, sentindo uma vontade imensa de acertar um soco naquele sorriso imbecil do outro. Esqueça o reconhecimento momentâneo: Naruto era um idiota. Simples assim.

_ Você o quê?! – ele praticamente gritou, indignado, deixando qualquer máscara fina que ainda cobria um pouco de suas emoções cair de vez. Alguém podia ser mais burro do que isso?!

_ Relaxa! – Naruto riu com gosto, sua risada alta e escandalosa, ativando todas as células raivosas de Itachi. – Eu vendi para um amigo, o filho do ex-sócio do meu pai! A preço de banana, ele praticamente nem pagou a papelada de transferência!

Faltava muito pouco para Itachi ter outra crise de frenesi, mas então o Uzumaki exibiu o mesmo sorriso travesso de instantes atrás e Itachi percebeu que o outro só lhe mostrava esse sorriso quando sabia de algo que ele não tinha ideia do que era. Na mesma proporção que ficou irritado, Itachi também ficou curioso; Naruto parecia saber disso porque sorriu ainda mais.

_ Meu amigo, Shikamaru, ouviu a história do carro com muita atenção, provavelmente achou que estava se metendo numa fria em comprar algo tão barato. E era isso que eu queria! Digo, não meter ele numa fria, mas que ele investigasse por mim e procurasse algo no carro, coisa que eu não podia fazer, né?

Naruto sorriu ainda mais e colocou as mãos atrás da cabeça, apreciando a expressão desnorteada que Itachi fazia, algo bem mais tolerável que a fachada de indiferença habitual ou dos olhos de coelho enlouquecido. Demorou um longo segundo até o outro se recuperar e bombardeá-lo com perguntas; foi quase um gesto infantil.

_ Mas você confiou isso pra essa pessoa? E se ele não procurasse? E se ele não confiasse em você? E se ele encontrasse algo e não te mostrasse? E se fosse algo de valor? E se...?

O Uzumaki fechou os olhos, balançando a cabeça negativamente, erguendo o indicador e negando com veemência. Itachi ficou sem entender.

_ Shikamaru confiava em mim, claro que sim porque éramos amigos. Mas ele entendeu que algo estava errado ali. Ele é um gênio e não ia deixar algo assim passar batido. – disse Naruto com seriedade. – Por ele ser meu amigo, eu confiava nele também. Afinal, o que seria de nós, se nem em nossos amigos a gente pudesse confiar?

Itachi ficou verdadeiramente pensativo desta vez e, sem querer, sua mente voou para Kisame. Ele confiava em Kisame, e vice versa; talvez Sasuke não tivesse errado tanto em seu pré-julgamento quando definira a necessidade de Itachi há alguns anos como "ter um amigo" (5). Infelizmente, ele não teve muito tempo para refletir sobre isso, pois o Uzumaki continuou a falar.

_ Dois meses depois Shikamaru apareceu em casa, reclamando de umas multas que chegaram pro carro. Na hora vi que era um álibi porque a data das multas eram do dia da transferência, e eu não usei o carro nesse dia; mas segui com o jogo. Aí ele me entregou uns papeis, fingindo estar aborrecido comigo e saiu de casa sem olhar pra trás. – Naruto abaixou o olhar, para os papeis observando-os com nostalgia. – São esses aqui.

Itachi não sabia por que o outro ficou entristecido, se porque brigou com o amigo ou se por causa do conteúdo dos papeis. De qualquer modo, o desconforto naquela conversa começava a pesar em ambos.

_ Hum... E você conseguiu ler? Não estava com medo de continuar sendo vigiado?

O Uzumaki deu um suspiro longo e fez um gesto afirmativo com a cabeça, voltando a encará-lo. Itachi observou a claridade lentamente se esgueirar pela quadra, mas esperou quieto até o outro se manifestar.

_ Na hora apenas passei o olho e depois guardei no meio de umas revistas pornográficas. Imaginei que, seja lá quem estivesse me vigiando, não faria isso nesses momentos particulares. – Naruto fez um gesto com os ombros. – Mesmo se me vigiasse antes nessa... Ahn... Situação... Acho que depois de quatro anos devia ter enchido o saco disso.

Itachi não conseguiu evitar e acabou deixando um riso baixo soar, mesmo que tentasse ocultá-lo com uma tosse. Naruto arregalou o olhar, assombrado pelo comportamento novo, percebendo que o outro deveria saber quem é que o vigiava. Se não fosse o próprio!

_ É, ele encheu o saco disso mesmo. – complementou Itachi, dando 'aquele' sorriso torto que conseguia tirar o loiro do sério com facilidade.

Ele sabe! – pensou Naruto ficando imediatamente contrariado, para felicidade de Itachi, cujos olhos estreitaram-se ligeiramente em sinal de êxtase. E isso irritou ainda mais o Uzumaki que bufou alto em indignação.

_ Você sabe quem é então? – praticamente cuspiu a acusação. – Bom saber com que tipo de pessoa o Teme 'tá se envolvendo!

_ Ora, tenha santa paciência! Eu falo pra você depois. – Itachi respondeu feliz em estar por cima naquele impasse. Até que enfim, hein? – Só que quero ouvir o fim de sua história antes de complementá-la. Continue.

Naruto o olhou desconfiado por alguns instantes, com os olhos mais estreitados que o habitual e Itachi tentou voltar à postura séria de outrora. O Uzumaki suspirou rendido e resolveu confiar nele. Na verdade, ele não tinha escolha. Independentemente do julgamento de Sasuke estiver certo ou errado, eles provavelmente iriam se ferrar de qualquer jeito mesmo, confiando em Itachi ou não.

Mas, se Itachi realmente os ajudasse, isso realmente ia favorecê-los, já que o namoradinho do Sasuke podia usar seus super poderes em benefício deles, além de ter mais informações sobre quem quer que fosse que os perseguia.

Suspirou fundo algumas vezes, e começou a ler:

"Meu filho, meu sangue, meu herdeiro;

Se você está lendo essa carta, então significa que fiz um bom trabalho e não morri em vão. Sei que deve ter sofrido para conseguir ler esta carta e está atrás de respostas, mas infelizmente não tenho a maioria delas. O que posso lhe dizer são apenas poucos dados concretos, que talvez ajudem você e Sasuke.

Meu tempo é curto para escrever, pois tenho certeza neste instante que não estão me vigiando. Depois de quinze meses, finalmente encontrei a oportunidade para escrever com a completa certeza de que ninguém me observa.

Talvez você se recorde deste dia... Quando você ler a carta, já será um passado muito distante (muito mais do que provavelmente eu suponho que seja, dependendo do tempo que você precisou para se certificar de que não estava sendo vigiado).

Lembra-se do dia que sua mãe sumiu diante dos seus olhos e de Sasuke? Lembra-se que falamos que ela estava estressada e que a pessoa que veio buscá-la era um médico, contratado por mim, para que ela relaxasse? Bom... ao menos é isso que eu vou falar quando te encontrar novamente.

Não era verdade. Não sei ainda como será a reação de vocês, mas vocês são muito jovens e manipuláveis, provavelmente vão esquecer ou não darão devida importância para esse acontecimento agora.

O nome do homem que encurralou Kushina é Orochimaru. Ele a buscou e trouxe-a até mim, para negociar com nós dois. Orochimaru tinha interesse em amostras periódicas do DNA de Sasuke, em troca de informações a respeito de quem nos ameaçava. Obviamente, eu e Kushina recusamos a oferta, e se ele se revelou para nós significa que, naquele momento, nós não estávamos sendo vigiados.

Porque a pessoa que nos vigiava deixava vestígios de que nos éramos vigiados. Recebíamos objetos que faziam parte de nosso passado: fotografias, fitas de vídeo e som, pequenos bilhetinhos trocados, roupas... A pessoa que nos vigia não é Orochimaru, porque ele poderia pegar, a qualquer momento, amostras de fios de cabelo de Sasuke caso tivesse acesso direto na nossa casa. Quem nos vigia é outra pessoa, e Orochimaru, com toda certeza, é um rival dessa pessoa... ou pessoas.

Orochimaru tem um infiltrado no território inimigo, ele estava de vigília no meio de nossa conversa. Seu nome é Kabuto e, pelo grau de conversa que tiveram, ele é uma espécie de espião que está fazendo jogo duplo. Os dois mencionaram a palavra "Akatsuki" e "pesquisas laboratoriais". Nada mais, nada menos.

Não houve acordo e Orochimaru ficou furioso com isso. Não sei ao certo de que maneira ele queria fazer as trocas de DNA do Sasuke sem que seu rival tomasse consciência disso, mas provavelmente utilizaria o tal Kabuto como intermediário. Eu e Kushina acreditamos que íamos morrer ao recusar o acordo, mas não podíamos colocar em risco a integridade física do Sasuke desta forma. Contudo, para nossa surpresa, sobrevivemos: Orochimaru simplesmente nos ameaçou, falou algumas palavras sem sentido e saiu pela porta da frente do escritório.

Apresentarei Kakashi para você quando as ameaças estiverem no auge, tenho certeza que estamos sendo torturados psicologicamente pela pessoa que nos ameaça, e ele indicará quando nossa morte estará próxima. Kakashi lhe será apresentado, mas ele é inteligente demais para achar que também não está sendo vigiado por estar envolvido com nosso problema. Confie em Kakashi, arranje alguma forma de comunicação com ele; ele sabe do caso e pode ser a salvação de todos os nossos problemas.

Kushina está a caminho de casa neste instante, vai resolver a situação com vocês e vai afirmar que Orochimaru era o tal especialista contratado por mim. Eu não sei por quanto tempo ainda estarei sem vigília, mas não vou abusar da sorte. Encerro meu contato por aqui, e espero que as informações mencionadas sejam úteis para alguma coisa.

Por fim, meu filho, quero deixar claro que eu não estou preocupado com sua vida, ou a de Sasuke. Estou em paz. Eu sei que você vai encontrar a resposta, pois eu acredito em você. Os pais sempre acreditam em seus filhos. (6)

Estou contando com você, Naruto.

Minato Namikaze."

Itachi estava boquiaberto, olhando para o papel nas mãos de Naruto como se visse alguma espécie de fantasma. Bom, de certa forma era uma pessoa morta, falando com o presente e trazendo informações tão atuais e relevantes que o deixaram com uma singela dor de cabeça. Em poucos segundos, ele reviu todo o seu planejamento com velocidade.

Tão logo o Uzumaki parou de falar, Itachi controlou sua expressão facial de surpresa, voltando a usar a máscara de estoicidade e em seguida trocando olhares de sapiência com o loiro.

_ Ele deixou algo útil para mim? – o garoto questionou, ansioso para saber alguma coisa sobre essa porcaria de vigília que o assombrava há anos.

_ Sim. Algo útil para todos nós. Eu não sabia do jogo duplo de Orochimaru... – Itachi fitou o outro papel na mão de Naruto, como se quisesse que a leitura continuasse. – São duas cartas?

_ São... – o loiro respondeu, corando um pouco. – Mas a outra não é tão útil como essa. É mais... Sentimental.

_ Leia. Pode ter informações escondidas que apenas eu consiga identificar.

Naruto encarou Itachi por um momento, aparentando estar confuso e depois observou o papel em suas mãos, apreciando a bela caligrafia por alguns segundos; Itachi tentou ser paciente, mas era complicado lidar com a curiosidade que sentia. Ele reparou que o Uzumaki ainda debatia consigo mesmo a necessidade de ler o conteúdo da carta.

Uma carta mais sentimental, certo? Então significava que o outro provavelmente iria se expor mais de agora em diante. Todavia, se quisessem sobreviver, Naruto teria de confiar nele. Se essa prerrogativa estava correta, o inverso também teria que acontecer; ele também teria de confiar em Naruto.

E isso era decididamente complicado para ambos. Mas se um deles admitisse isso formalmente, o outro teria que corresponder a esse pensamento. O desconfortou era quase palpável agora.

_ Ok. – disse o Uzumaki em um tom de voz baixo e decidido. – Eu vou confiar em você.

Naruto lhe lançou um olhar sério e Itachi assentiu com um gesto com a cabeça; agora era um ato formal. O Uzumaki pigarreou e recomeçou a leitura em voz alta.

"Meu bebê;"

Naruto se engasgou um pouco, corando instantaneamente com a saudação utilizada por sua mãe e esperando alguma brincadeira da parte de Itachi. Havia esquecido de todo conteúdo da carta, pois só lera uma única vez pelo medo de ser pego em flagrante; e, por isso, esqueceu que mães sempre conseguiam embaraçar seus filhos... Não importa quando!

Mas Itachi nada disse, embora no íntimo refletisse porque Naruto parou abruptamente, tentando entender porque o outro ficou corado sem nenhuma razão aparente. O loiro pigarreou e continuou a leitura, se dando conta de que o outro realmente estava interessado no que foi escrito e não iria lhe interromper.

"Há algum tempo estamos suspeitando de que há uma dupla vigiando nossa casa; por isso Minato optou por esperar a saída de Sasuke, assim um dos membros da dupla provavelmente o seguirá, enquanto o outro se concentrará na conversa entre você, Kakashi e Minato neste momento.

Esta conversa, como você já deve ter percebido, é uma fachada.

Neste instante eu estou no quarto e, provavelmente, sem vigias. Finalmente tenho liberdade para me comunicar contigo e transmitir minhas palavras finais!

Minato deixou a carta entre o edredom, bem como uma pequena nota de instruções para escondê-la no painel frontal do carro, dentre o sistema de fusíveis. Graças ao bom Deus sua mamãe aqui sempre foi uma mulher que sabe se virar, e nisso inclui saber o mínimo de mecânica básica. Vai ser moleza!

Não espere que desta carta saia muitas informações complementares, mamãe não sabe nada além do que seu pai já escreveu. Mas ainda sim, quero ter o prazer de escrever algo para você ler daqui algum tempo!

Uma vez, quando você era menininho, perguntou para mim como eu e seu pai nos apaixonamos. Eu estava transtornada naquele dia, a pessoa que nos vigia realmente abusou demais da minha mente. Eu tinha medo de que você e Sasuke morressem, eles ameaçavam vocês e seu pai constantemente. Meu amor, me perdoe. Eu não respondi sua pergunta por causa do estresse, não lhe dei a devida atenção, porque eu estava apavorada! E não sabe o quanto me arrependo disso, o quanto eu daria tudo no mundo para voltar atrás e passar mais tempo grudada em você e Sasuke, e não me desesperando...

Céus...! Eu não consigo imaginar um paraíso sem pensar na saudade que vou sentir de vocês dois na outra vida."

Naruto parou de falar, abaixando a carta e deixando duas lágrimas grossas rolarem de seus olhos até seu colo. Itachi não sabia exatamente o que fazer, nunca soube muito bem como agir quando Sasuke tinha algum rompante emocional e certamente o mesmo se aplicava para sua falta de jeito com o Uzumaki. Talvez fosse ainda pior com Naruto, porque, ao menos, com Sasuke ele tinha alguma intimidade.

Entretanto, ele sabia que precisava fazer alguma coisa quando ouviu a respiração ruidosa do Uzumaki, ainda na tentativa de controlar o choro. O instinto lhe indicou que ele deveria falar algo reconfortante, embora ele não soubesse exatamente o quê até se ouvir dizendo.

_ Se você não quiser ler... Tudo bem. – murmurou Itachi desviando o olhar. – Lemos em outra ocasião.

Mas Naruto balançou negativamente a cabeça, enquanto engolia o choro e limpava os olhos com as costas da mão. Em seguida ele se recompôs e enxugou a mão nas vestes.

_ N-não. Vamos continuar e resolver tudo. Eu não quero ler isto em voz alta depois!

Ele respirou fundo, e continuou.

"Mas cá estou eu, tentando me redimir nos meus momentos finais e responder a pergunta que muito provavelmente você já deve ter esquecido...

Eu e Minato nos conhecemos na faculdade, mas naturalmente não ficamos na mesma sala (fizemos cursos diferentes, seu pai é maluco por fazer Direito). Fugaku e seu pai já eram amigos naquela época, e eu acabei conhecendo Mikoto através de uns amigos em comum. Nós duas nos tornamos colegas e conforme a amizade aumentava, seu pai, por frequentar o mesmo círculo de amizades, tentava se aproximar mais de mim.

Mas eu o considerava um garoto esquisito e afeminado, e detestava sua companhia. Detestava ainda mais que Mikoto e Fugaku pareciam querer nos unir de qualquer forma, até porque eles estavam no começo de relacionamento e quando as pessoas estão apaixonadas tendem a agir como casamenteiros de todos seus amigos. Ah, se não fosse por eles...!

Eu me mudei de uma cidade do interior para estudar na capital, então não conhecia direito os lugares. Por isso, Mikoto costumava me levar para centros comerciais, pontos turísticos e outros lugares no fim de semana para que eu conhecesse a cidade e me sentisse em casa.

Numa dessas ocasiões eu estava próxima do ponto de encontro, esperando pela minha amiga, quando fui assaltada. Eu, sendo esquentada e independente do jeito que sou, reagi ao assalto e não foi uma decisão muito sábia, pois acabei rendida pelos dois assaltantes, que decidiram 'me dar uma lição de comportamento'. Naquele dia eu percebi que não podia ser tão independente como desejava ser, e achei que ia morrer.

Contudo, seu pai, Fugaku e Mikoto chegaram próximos do ponto de encontro naquele instante, mas eu estava de costas, não podia gritar por eles e pedir ajuda, os assaltantes me encurralaram em um beco; eu tinha certeza que ninguém conseguiria me ver ali.

Mas Minato viu. Não se importando para o fato de que os dois bandidos estavam armados, seu pai partiu pra cima deles de uma forma impressionante, rendendo os dois com golpes de artes marciais que eu jamais imaginei que ele saberia. O estranho que faz Direito? Lutando? Eu realmente menosprezei o seu pai.

Logo em seguida Fugaku correu até nós e os dois conseguiram imobilizar os bandidos, que foram presos assim que a polícia chegou até o local, por incrível que pareça. Quando saímos da delegacia, eu perguntei para seu pai como ele percebera minha presença.

Ele disse que foi meu cabelo, meu adorável cabelo ruivo que refletiu o sol daquela tarde e puxou a sua atenção imediatamente. Eu não sei se você sabe, meu amor, mas eu odiava meus cabelos até então, os considerava fora do normal, chamativos e irritantes.

Mas depois de ouvir aquele elogio tão verdadeiro de seu pai e me dar conta do grande homem que ele era, arriscando sua vida para salvar alguém que o desprezava como eu, ele me pareceu o mais magnífico dos homens de todos os tempos. E o meu cabelo, que eu tanto odiava, guiou aquele homem até mim, me salvou, nos uniu.

Acredito que foi naquele instante que eu me apaixonei, e seu pai até hoje deve estar assustado por eu tê-lo beijado tão subitamente.

Bom meu filho... Eu e Minato vamos morrer, em breve, temos certeza disso. Todas as noites nós permanecemos horas olhando um nos olhos do outro, tentando compreender as palavras que já não podem ser ditas. Eu não sei se seu pai aprendeu a me decifrar como eu aprendi a decifrá-lo, mas eu consigo ver em seu olhar que o fim está próximo. Mamãe já não aguenta mais toda a tortura, e eu confesso que estou feliz em saber que meu tempo chegará ao fim... Não, feliz não: a palavra certa seria 'aliviada'.

Naruto, só mais uma coisa antes da despedida final: ontem você conversou comigo e elogiou meus cabelos, dizendo que eram bonitos, e que você gostaria de ter cabelos ruivos como os meus, ou de seu amigo Gaara. Eu fiquei muito feliz por isso, porque você foi o segundo homem a elogiar meu cabelo. O primeiro foi seu pai, é claro. E tem uma coisinha especial que eu gosto de dizer para homens que elogiam o meu cabelo, inclusive você, Naruto: Eu te amo!

E como sou sua mãe, aproveitarei para agir como uma:

Não seja apressado para comer, coma bastante e se torne um homem bem forte!

Tome banho todos os dias, vá para a cama e durma bem!

Faça amigos, mantenha os atuais, não importa quantos! Apenas tenha certeza de que são verdadeiros amigos, pessoas em que você pode confiar. Nem que sejam poucos, é o suficiente.

Estude bastante. Eu nunca fui muito boa nisso, mas talvez você seja. Todos possuem habilidades em determinadas coisas e em outras não, não se sinta mal se você não puder fazer alguma coisa fora da sua vocação. Escute os professores na escola e na faculdade, se você decidir fazer uma.

E lembre-se: evite os três vícios de um homem!

Um: não pegue dinheiro emprestado se você puder evitar, guarde o que você conseguir com seu trabalho; Dois: não beba álcool até que seja maior de idade, e não exagere nisso ou vai destruir o seu corpo!; [...]"

Naruto deixou uma risadinha tristonha escapar, interrompendo a leitura e murmurando baixinho para si mesmo.

_ Eu me esqueci dessa parte mamãe... Mas vou consertar isso. Eu prometo!

Quase que inconscientemente Itachi sorriu junto, mas Naruto não percebeu.

"[...] E três: quanto ao amor, bem, eu sou uma mulher então não sei o que dizer. Mas existem homens e mulheres no mundo, e você vai querer namorar um dia. Só... Tente não escolher uma pessoa estranha, ok? Encontre alguém como eu.

E o quarto aviso: fique atento ao Jiraiya!

Naruto, você vai passar por muita dor e sofrimento, mas não se esqueça de quem você é! Encontre um objetivo, um sonho, não pare de tentar até que se torne realidade!

Tem tantas coisas que eu queria te dizer...! Tantas coisas que eu queria te ensinar...! Eu queria tanto ficar com você...! (7)

Eu te amo! Eu amo você e Sasuke!

Kushina Uzumaki."

Naruto abaixou a carta, olhando Itachi novamente com os olhos embaçados pelas lágrimas. Não queria chorar e demonstrar fraqueza, mas o moreno não parecia censurá-lo. Na verdade, ele parecia extremamente curioso e, ao mesmo tempo em que isso era um alívio, também lhe fazia questionar o porquê disso.

Qualquer um que tivesse um bom convívio com os pais entenderia suas lágrimas, ou diria qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Mas Itachi parecia realmente não entender o seu comportamento, quiçá saber como agir. Mantinha a face calma e controlada, esperando que ele continuasse, lhe observando com olhos contemplativos. De onde é que Sasuke desenterrou aquela figura?

Paciência, agora não era o momento para pensar sobre isso. Ele respirou fundo e voltou a se focar no tema daquela 'reunião'.

_ Bom, acho que agora chegou a hora de falar do plano. – Naruto falou baixinho, enxugando o rosto com a ponta dos dedos e suspirando fundo, parando de chorar e voltando a encarar Itachi com os olhos vermelhos, mas secos. – Jiraiya.

_ Quem é esta pessoa? – Itachi quase não percebera a relevância daquela pessoa no meio da carta emocional. Quase.

Naruto fechou a cara de repente e Itachi se perguntou se disse alguma coisa errada, que faria com que o outro voltasse a falar diversas palavras sem sentido e irritá-lo novamente. Ele quase se arrependeu de ter aberto a boca, quando percebeu que Naruto não estava irritado com ele.

_ É um maldito velho pervertido! – explicou Naruto cessando qualquer choro. – Que não quis a minha guarda!

_ Ele é seu parente? – o mais velho questionou, ainda mais interessado na história.

_ É como se fosse. Ele é o tio do meu pai e o criou durante um bom tempo, até o início da faculdade pelo que me contaram. – Naruto fez um gesto com os ombros. – Meu pai parou de falar do velho safado quando Sasuke foi morar conosco, e como eu nunca cheguei a conhecer essa pessoa, eu não senti falta das conversas sobre ele. Só depois de ler a carta de minha mãe que compreendi a importância delas.

_ Resumindo, seu pai deixou de mencioná-lo propositalmente.

Naruto balançou a cabeça afirmativamente, e Itachi deixou um "hum" escapar de sua garganta, aparentemente tentando desvendar o plano antes que Naruto pudesse dizê-lo. Todavia, não conseguiu e, sentindo-se perdido em meio das novas informações, requisitou que Naruto continuasse sua explicação com o olhar.

E, oh milagre, houve uma sinergia de seus pensamentos, pois Naruto começou a falar assim que fitou seus olhos em vez de irritá-lo, como de costume.

_ A princípio eu não tive certeza se a ausência do assunto "Jiraiya" era algo proposital, sabe? – Naruto comentou com displicência. – O Sasuke era uma criança complicada...

Naruto parou de falar e o encarou rapidamente, como se refletisse o que tinha dito, depois soltou a respiração pelo nariz; Itachi ficou desconfiado e arqueou a sobrancelha.

_ Ok, o Teme era um idiota completo. – disse Naruto e Itachi sorriu sem querer. Às vezes Sasuke ainda era isso. – Meus pais pareciam estar com vários problemas conjugais; hoje eu sei que era estresse por causa das ameaças, mas na época eu não compreendia. Eu achei que eles simplesmente decidiram não falar mais no passado, talvez para tentar inserir o Sasuke na nossa família ao conversar apenas sobre o futuro.

Itachi percebeu que Naruto não deveria ser uma pessoa tola desde a infância, mas essa não era a primeira impressão que ele causava. Um pouco curioso, Itachi o interrompeu para expressar sua dúvida, não percebendo que isso poderia ofender o Uzumaki.

_ Você se faz de idiota no dia-a-dia mesmo ou isso é um surto de inteligência momentânea?

Infelizmente, Naruto considerou isso uma ofensa e xingou Itachi tanto, mas tanto, que o moreno ficou abismado com a súbita mudança de comportamento. Era mais drástico do que quando Sasuke resolvia fazer alguma coisa e não conseguia, e o Uchiha podia ser bastante instável. Ele estava tentando tirar uma dúvida para meros fins acadêmicos e não isso!

_... E SÓ PORQUE VOCÊ É UM BASTARDO, MALDITO, CUZÃO VOCÊ PENSA QUE PODE AGIR COMO UM FILHO DE UMA CADELA E...! – Itachi tapou a boca do menor com as mãos, observando-o lutar para voltar a esbravejar a todo custo.

_ Pare! Não quis te ofender. – Itachi murmurou, só retirando a mão dos lábios do garoto quando percebeu que o outro não gritaria mais uma vez.

Naruto suspirou, tentando ao máximo não perder o controle novamente. Não podia perder o foco, mesmo que o maldito o interrompesse forma... Tsk, o que o Teme viu neste idiota?

Novamente, o pensamento era compartilhado por Itachi, que apesar de saber como Naruto cresceu junto com Sasuke, ainda não conseguia compreender como dois pólos distantes puderam virar amigos. Naruto era exatamente tudo o que Sasuke não era, embora Itachi precisasse admitir que, da sua forma irritante, Naruto também tinha um efeito sobre ele.

_ Como eu ia dizendo, antes de ser interrompido por idiotice...! – resmungou Naruto vendo Itachi ascender as malditas lanterninhas vermelhas! O maldito era um metamorfo por um acaso? Com aqueles olhos de farol?

Ok, talvez ele estivesse vendo televisão demais, mas o que poderia fazer? Pelo menos a TV a cabo do hospital ele tinha que aproveitar!

_ Jiraiya foi procurado para ficar com a minha guarda, mas se recusou. Disse que estava muito ocupado com pesquisas e viagens e não queria um pirralho torrando o saco dele. – o loiro parecia cada vez mais enfezado, e não era para menos.

E Itachi se flagrou sentindo um pouco de pena de Naruto, se surpreendendo pelos novos sentimentos que a presença do Uzumaki o fazia adquirir, após as injeções constantes de raiva.

_ Bom, então como ele poderia ser seu plano ele...

_ Ele sabe. – Naruto respondeu a pergunta feita pela metade, dando aquele sorriso de novo. – Ele fez de propósito. Ele não aceitou minha guarda por algum motivo.

_ E como você pode ter certeza disso?

O sorriso no rosto de Naruto morreu imediatamente, sendo transformado em uma expressão de total desprezo mesclado com um pouco de raiva, o que o deixou subitamente engraçado perante os olhos de Itachi, mais uma vez o Uzumaki modificava o seu humor drasticamente. Agora já dava para compreender um pouco porque Naruto e Sasuke eram amigos.

_ Porque ele, hoje em dia, é meu professor. – Naruto respondeu com desgosto. – Ele leciona na minha faculdade, fingiu que não sabia quem eu era quando leu o meu nome na chamada, e eu também fiz o mesmo ao descobrir o nome dele. Jiraiya sabe quem eu sou, sabe que é meu tio-avô. – Naruto fez um bico, extremamente contrariado. – E eu prefiro pensar que é por isso que ele não me deixa passar nunca na matéria dele!

Havia tanta raiva e tanta infantilidade na voz de Naruto que, sem querer, o bom humor de Itachi voltou. Isso devia parar, mas como se para algo que atravessa todas as suas barreiras?

_ Ele dá aula do quê? – o outro questionou, recordando-se que Naruto fazia curso de Educação Física de acordo com suas últimas vigílias. Sem desmerecer a profissão, um professor nessa área não poderia ajudá-los com o caso de Kakashi, o que obviamente era o principal objetivo do plano de Naruto.

_ Anatomia. Eu faço Educação Física, essa é uma matéria do primeiro semestre obrigatória. Ele me dá aula teórica, e a esposa dele dá as aulas laboratoriais... E eu não passo de jeito nenhum!

Um médico... Interessante...

_ Ele queria manter o contato com você? Por isso não te aprovava?

_ Prefiro acreditar que sim. Aliás, tenho certeza que sim! – Naruto espreguiçou-se, cansado de tanto falar e desejando que Itachi captasse suas intenções logo. – Ele me vigia também, não como os seus amigos bizarros, mas mantém o olho em mim de alguma forma. Eu tenho certeza disso!

_ Eu acho que essa sua síndrome de perseguição afetou seu cérebro. Pode ser uma mera coincidência.

_ Não. – Mas que droga de Itachi-bastardo que não entende as coisas! – Porque quando Kakashi foi internado, ele me ligou.

_ Hun? – Itachi franziu o cenho, avaliando essa informação que mudava sua linha de raciocínio, aproximando-a, finalmente, a de Naruto. – Kisame não me informou disso, e ele vem te vigiando há algumas semanas.

_ Isso é porque o Jiraiya já ligou em alerta. Ele disse: "Aqui é Jiraiya Sannin. Não diga nada, apenas escute. Quando eu terminar de falar, aja como se fosse uma propaganda de telemarketing, desligue o celular e mantenha-se longe do contato dos outros. Eu sei sobre a Akatsuki, eu sei sobre Orochimaru, eu sei sobre a sua falta de privacidade, eu sei sobre Kakashi. Consiga uma transferência para o Hospital X (8), eu e Tsunade trabalhamos ativamente naquele hospital e podemos te ajudar. Dê entrada no processo e certifique-se de que não vão achar o seu procedimento algo fora do comum. Conto com você, pirralho."

Itachi, novamente, estava boquiaberto. Naruto sorriu com prepotência, adorando sentir-se superior naquele instante.

_ E então ele desligou, e eu mantive a farsa, agradecendo em voz alta, mas recusando "a contratação de serviços telemarketing". Kisame, ou qualquer outro tubarão do gênero que estivesse me vigiando, não soube que eu tive essa conversa.

_ Você é esperto, não posso mais negar isso. – Itachi o elogiou sem perceber, e Naruto sorriu radiante, dissolvendo o vestígio de prepotência dos seus lábios. Sentiu-se realizado de verdade com as palavras de Itachi. – Vamos transferir o Kakashi sim, eu quero conhecer esse Jiraiya e saber sobre o que ele tem conhecimento a respeito do Orochimaru.

_ Você vai me contar sobre a Akatsuki e Orochimaru?

Naruto parecia ansioso, Itachi compreendeu que a sede por respostas era algo que Naruto sentia com frequência e provavelmente estava cansado disso. Ele entendia...

Ele sentia o mesmo.

_ Agora não, nosso tempo está acabando. – Itachi pontuou, ganhando um manejar de cabeça afirmativo em resposta. Naruto parecia compreendê-lo de alguma forma, isso era muito bom – Mas instruirei Kisame para fazer isso em breve, enquanto você cuida da transferência. Dê entrada no processo administrativo do hospital, eu vou movimentar a papelada sem que os funcionários me vejam, vou aceitar a transferência e dentro de alguns dias vocês serão encaminhados.

_ Ok. Farei isso agora mesmo. Eu sei que já estamos na faculdade, mas ainda é cedo, minha aula é vespertina... – Naruto suspirou, inclinando a cabeça para o lado como se tivesse uma ideia nova e avaliasse a possibilidade. – Vou aproveitar pra pegar uns avisos de estágio no mural, quem sabe despiste o verdadeiro motivo da minha presença no campus caso tenha alguém nos vigiando.

_ Sossegue um pouco Naruto, é apenas Kisame que está atrás de você...

Itachi interrompeu-se, engolindo as próprias palavras ao lembrar-se da informação falsa que Madara lhe disse a respeito da reunião da madrugada. Ela não ocorreu, então ele presumia que o excesso de cautela de Naruto estava ensinando-lhe uma coisa muito importante.

_ Não... – ele recomeçou a falar, fitando os olhos cor de safira com seriedade. – Você está certo, não abaixe a guarda. Mantenha os olhos abertos, você já fez isso durante anos, é só continuar por mais um tempo.

Naruto concordou, suspirando de leve e esfregando os olhos cansados. Estava exausto, uma semana de hospital com noites mal dormidas e uma madrugada em claro não fazia bem para a saúde. Quem sabe ele conseguisse dormir um pouco depois de passar no hospital.

Levantou-se, assim como Itachi, e este fez um gesto para que ele aguardasse e ouvisse suas últimas constatações.

_ Eu vou sair primeiro, inspecionar o local. Se eu não voltar em quinze minutos, pode se retirar, pois significará que está tudo certo. – Itachi abaixou o olhar, provavelmente pensando em tudo que acabara de ouvir. Naruto estava pronto para receber mais uma instrução ou uma pergunta, mas o que o moreno disse com uma voz tão suave e melancólica o pegou de surpresa. – Sua mãe gostava mesmo de você.

Naruto não aguardava aquele comentário, mas mesmo com a afirmação inusitada não conseguiu deixar de sorrir daquele jeito radiante que era sua marca registrada.

_ Sim! Mas isso é uma coisa óbvia, todas as mães amam seus filhos.

Itachi pareceu pensativo por longos instantes, deixando o Uzumaki curioso pelo que se passava na mente do outro.

Será que Itachi não possui mãe viva, assim como Sasuke e eu? – Assim que este pensamento brotou sua mente, Naruto se deu conta de que deixava nas mãos de um completo estranho toda a sua vida e razão de existência. – Ai Teme, espero que você saiba em quem está confiando... Porque eu sou obrigado a confiar em quem você confia.

_ A mãe de Sasuke também o amava? – Itachi questionou, retirando-o de seus devaneios. Sua voz estava um pouco fraca, sem observar o Uzumaki nos olhos e perceber a surpresa estampada em seu rosto pela pergunta.

_ Hum... É, sim, claro! Tia Mikoto amava o Sasuke, e vice versa. O Sasuke só não se dava muito bem com o tio Fugaku, o pai dele.

_ Hum? – isso pareceu chamar a atenção de Itachi, mas Naruto deu de ombros. Não era confortável falar sobre assuntos que não cabiam a ele contar.

_ Não cabe a mim falar sobre a vida particular do Teme. Pergunte a ele, se quiser saber mais sobre seus falecidos sogrinhos. – Naruto exibiu um sorriso pequeno de chacota. Itachi ignorou a provocação, olhando para frente com olhos distantes e desfocados.

Naruto sentiu um calafrio a se ver como receptor daquele olhar gélido e arrepiante e calou-se, desejando, mais do que nunca, sair daquele lugar de uma vez.

Sem se despedir ou dizer maiores instruções, o Itachi saiu do ginásio, pela porta da frente, com passos suaves e distraídos. Naruto, que já não estava compreendendo o comportamento do outro, achou ainda mais estranho o fato de Itachi agir como uma pessoa avoada e normal (apesar de isso não ter o menor sentido), mas aguardou os quinze minutos como pré-estabelecido. Por fim, saiu do ginásio da mesma forma que Itachi, recobrando o foco e seguindo o seu planejamento.

Quem sabe depois que tudo isso acabasse, ele poderia voltar a ser o bom e velho Naruto Uzumaki, despreocupado e bagunceiro de seis anos atrás. Porque viver em alerta definitivamente não condizia com a sua forma pacífica e simples de agir, e ele estava cansado de tanta pressão.

_ Alerta como um ninja! – ele murmurou para ninguém em particular, caminhando pelo campus com as mãos nos bolsos e aproveitando o calor do sol que agora esquentava seu corpo.

O sol quente daquele inverno demonstrava que, mesmo quando tudo dizia que o frio estava próximo, sempre algo inesperado podia acontecer e o tempo mudaria A "morte certa" não aconteceria, não senhor, pelo menos não agora! Porque o sol agora estava a postos naquele inverno tenebroso e assombrado da vida dele e Sasuke, e tudo iria mudar.

Ao se ver diante de um súbito grau de otimismo que o fez se sentir anos mais jovem, Naruto sorriu, acelerando o passo com animação.

Nós vamos conseguir, isso é uma promessa! E eu nunca volto atrás em uma promessa! É meu jeito "ninja" de ser! Heh!

Itachi observava o garoto Uzumaki de longe, e notou o sorriso esperançoso que o outro exibia com satisfação. Não pôde negar o quanto aquela simples visão o encheu de esperança. Naruto Uzumaki era um grande idiota, mas também era alguém especial.

... Continua...


(1) Frenezi e Rõtschreck são termos conhecidos pra quem joga qualquer sistema do RPG World of Darknes (WOD). Caso vocês já conheçam isso, aqui em Haunted é mais ou menos a mesma coisa, só que em humanos. Caso não conheçam não tem o menor problema, não é necessário fazer uma pesquisa pra tentar compreender (ate porque quem não conhece nada de RPG não vai entender quando encontrar sites sobre isso). Eu vou explicar isso com o tempo na fanfic, aguardem as explicações picotadas!

(2) Flash: é um herói de quadrinhos, será que o Naruto é fã da DC Comics? Huahuahuha!

(3) Royal Straight Flush: é a sequencia mais alta de um jogo de pôquer, a mão mais valiosa. Sequencia do Às até o Dez.

(4) Planejamento Sucessório: é uma especialidade de advocacia. Advogado trabalhista, penalista, etc são os mais conhecidos pra quem não é da área de direito, mas existem outras. Os advogados de planejamento sucessório ajudam o cliente a fazer o seu testamento, distribuir os bens da melhor forma correta pra gerar lucros pros herdeiros, veem se dá pra tirar fulano ou ciclano da herança... coisas do tipo.

(5) Citação do capítulo 15.

(6) Citação do Mangá 440 (adaptado pra UA).

(7) Citação do Mangá 498 e 504 (mesclados e adaptados pra UA).

(8) Hospital X: Por que esse nome? Porque eu estava completamente sem criatividade. Huahuahu!


N/A: Bom, vamos lá!

Primeiramente quero agradecer todas as reviews que recebi por causa da nota que postei na semana passada. Eu juro por Deus que não esperava um apoio como esse. Eu cheguei a chorar de emoção. Então muito obrigada mesmo leitores, muito obrigada àqueles que criaram coragem pra se manifestar e mostrar o ponto de vista de vocês! Eu sinto que os compreendo melhor agora, e espero que vocês me compreendam também! Sinto que nossa relação ficou ainda melhor e por isso foi válida aquela nota! xD Uma DR de vez em quando só faz bem!

Eu estou melhor, não tô 100% mas uns 90%, ok? Vou sarar, então não se preocupem!

Segundo, sei que muita gente deve estar querendo me matar por causa da cena do Deidara e Gaara que não apareceu no capítulo. Gente, desculpa, não coube, olha o tamanho desse capítulo! Vai ficar pro próximo, será a primeira cena (era pra ser a última deste mas... né...). Esperem mais um pouquinho.

Terceiro, o lemon threesome que eu fiquei de escrever em sidefic vai ser escrito, mas não esse mês, novamente. Porque eu estou em preparativos festivos, tenho meu baile de formatura daqui uns dias e isso está gastando mais o meu tempo do que eu imaginava. Em março vocês ganharão de presente de pascoa adiantado hahahahahah! (eu juro que queria escrever pro carnaval, mas não consegui).

Um beijo a todos os leitores maravilhosos que eu tenho o prazer de ter lendo as minhas bobagens auhauhauha!


Respostas reviews "guest":

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Dea:

Ahhhh! *_* Eu tenho duas reviews suas para responder linda! Porque na nota eu não respondi e tal, espero que tenha compreendido ok?

Fico feliz demais que você continue me prestigiando, deixando as review, sua opinião, e tudo mais! Você é uma leitora muito atenciosa e tenha certeza que eu não esqueço disso em nenhum momento!

Um beijo imenso pra você! Muito obrigada por gastar uns minutinhos comigo! ^^

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Srta. Solaria:

Amei suas palavras!

Hahahah não se preocupe! De vez em quando posso atrasar um pouquinho (tipo nessa atualização) mas nunca, nunca MESMO vai chegar a um ano. É meu jeito ninja atualizar com periodicidade hahahahhaha!
Ahhh eu me importo mesmo com o que vocês acharam da fanfic, por isso gosto de saber a opinião de vocês! Eu não acho que eu seja uma das ficwriters mais talentosas (diferentes devo ser, tá pra nascer gente mais perva do que eu hahahah), mas eu me dedico bastante pra escrever pra vocês. Não é fácil, demanda tempo, mas faço com muito gosto!

Olha que cobro hein! Se acontecer um milagre na face da Terra e eu conseguir escrever um livro quero que os leitores que gostam das fanfics comprem... UAHUAHUAHUA! (vamos sonhar, é de graça!)

Um beijo linda, amei os curativos de marshmallow! =3