Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.

Warnings: Linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.


N/A: Olá leitores amados!

Que saudades! *-*

Eu estava em época de festa de formatura, avisei no facebook, mas como sei que nem todo mundo curtiu a page eu vou me explicar novamente. Primeiro, o carnaval me tirou de circulação (eu gosto bastante de festas) e depois vieram três dias de festas de formatura e alguns vários dias de preparação, corri bastante pra dar tudo certo. Por isso fiquei com pouquíssimo tempo pra escrever e a atualização atrasou, eu também tive uns probleminhas essa semana. Mas estou de volta! E sem ressaca!

Hihi!

Espero que gostem da atualização!

Um beijo a todos!


HAUNTED

Capítulo XXIV

Itachi voltou ao quarto de Sasuke logo após se retirar dos arredores da universidade. Estava cansado, queria dormir um pouco e a fadiga nada comum que sentia lhe fez perceber que dentro de alguns dias precisaria da injeção de proteína novamente. Contudo, o efeito colateral de Sasuke era um grande empecilho: como iria deixá-lo sem sua proteção, quando seus próprios efeitos colaterais ocorressem? O sono que sentia logo após a injeção o tornava uma proteção falha para o Uchiha, e ele precisaria estar alerta para ao menos evitar uma captura em sua "hibernação".

Ao entrar no quarto deu de cara com Kisame, que desamassava as próprias roupas e acariciava os olhos, aparentando estar igualmente exausto com a noite agitada.

_ Sasuke dormiu. – o homem de cabelos azuis falou, tendo a certeza de que Itachi preferiria saber a respeito do garoto antes de conversar sobre qualquer outra coisa. – Ele deslocou o ombro na queda, mas eu já o coloquei no lugar e imobilizei provisoriamente. Dentro de dois dias no máximo a dor deve passar, mas caso ele reclame de dor apenas o medique com paracetamol. Ele vai sobreviver.

_ E os efeitos colaterais? – Itachi questionou, um pouco mais aliviado com a informação.

_ Continuarão a existir até você treinar o pivete. – espreguiçou-se um pouco, tentando relaxar a dor muscular que sentia. Céus, como desejava uma cama! – E Naruto?

_ Ele me falou coisas... Interessantes. – o moreno respondeu, arrancando um sorriso irônico de Kisame.

_ Então o barulhento não é tão inútil quanto pensávamos? Que surpresa...

_ Kisame, – Itachi o interrompeu, as feições sérias demais indicavam que provavelmente não recebera boas informações do loiro hiperativo. – Suspeito que Madara saiba de algo.

Os dois ficaram em silêncio alguns instantes, cada qual imaginando o que poderia ser do conhecimento do líder naquele instante. Kisame não era tolo, já tinha chegado a essa conclusão desde que Itachi perguntou sobre a falsa reunião, e por isso tinha medo de voltar ao QG.

Suspirou com apreensão, terminando de ajeitar as suas vestes e preparando-se para sair de lá, virando-se de costas para o outro.

_ Itachi, seja lá o que você tenha descoberto, não podemos conversar mais sobre isso agora, talvez de noite. Madara deve estar furioso a minha espera, porque ele pediu para que eu reportasse antes das seis; eu ainda preciso dormir e...

_ Não volte. – Itachi murmurou, encarando os olhos do ex-companheiro com o rosto apático, naquela tentativa de esconder suas reais emoções, o colega já conhecia muito bem essa carta coringa de Itachi.

Mas se ele estava tentando esconder emoções, então...

Kisame arregalou o olhar em surpresa.

_ O que você disse? – indagou, murmurando ainda mais baixo do que o outro.

Seria possível que Itachi realmente estivesse preocupado com ele? Itachi? O número três? O insensível que afirmava jamais corresponder sua amizade? Difícil acreditar.

_ Não volte para o refúgio da cidade ou o QG. – e, novamente, seu tom de voz não parecia o de um ordenamento e sim de um pedido, causando ainda mais estranhamento em Kisame. – Reporte ao Madara de outra forma; Pain deve estar no apartamento perto da quitinete do Sasuke, diga que precisa continuar vigiando o Naruto e...

_ Se eu fizer isso, eu estarei assinando minha confissão de culpa Itachi. Você sabe como o Madara é. – disse Kisame se virando para encarar o moreno. – Ninguém mais do que você sabe todas as incertezas e neuras que se passam na cabeça dele.

Era verdade, ele sabia muito bem. Tanto é que foi essa sua falta de confiança exacerbada que gerou toda essa missão descabida e absurda. Se Madara desconfiasse seriamente de Kisame... Bom, ele preferia não pensar nisso. Não agora.

Incapaz de manter o contato visual, Itachi virou de costas, encarando Sasuke adormecido na cama de casal. Ele estava novamente envolto por diversos cobertores, um pouco corado (provavelmente pelo calor) e sorria enquanto sonhava com algo aparentemente bom. Itachi não se deu conta, mas ele imitou o gesto do moreno mais novo e sorriu um pouco, menos que o garoto é verdade, mas ainda sim era um sorriso perceptível.

E tal gesto foi prontamente percebido pelo outro presente do quarto, e logo sua voz soou, interrompendo a contemplação inocente de Itachi.

_ Ao vê-lo, você sente que está valendo a pena tudo isso, não é?

O outro membro da Akatsuki encarou o homem mais alto, praticamente machucando o seu pescoço com a velocidade de seu girar de cabeça. Kisame também mantinha um sorriso discreto no rosto, algo ainda mais comedido do que ele ou o Sasuke adormecido. Itachi não entendia o motivo dessa reação no outro.

_ Como sabe? – sua pergunta parecia um pouco acusadora.

Mas Kisame não ficou intimidado, na verdade, ele que deu um passo à frente e colocou uma de suas mãos no ombro esquerdo de Itachi, apertando-o em uma espécie de gesto reconfortante. Algo inédito na relação dos dois. E apesar daquela ser uma movimentação que facilmente seria interpretada como hostil (pelo treinamento que recebeu, Itachi jamais deveria permitir tal tipo de contato), ele não se esquivou do gesto. Afinal, por algum motivo tinha a certeza de que Kisame jamais o feriria.

Esse pensamento tanto lhe confortou quanto lhe fez estremecer por algum motivo que ele não entendia.

_ Eu simplesmente sei. – Kisame respondeu, rindo enigmático e tirando a mão de seu ombro.

Itachi encarou Kisame por alguns segundos, esperando uma explicação que não veio. O outro Akatsuki simplesmente se virou de costas, caminhando com passos largos e silenciosos até a janela enquanto falava por cima do ombro.

– Uma semana. – disse Kisame parando em frente a janela, ainda sem lhe encarar. – Acho melhor esperarmos uma semana, quem sabe isso apaga um pouco as suspeitas de Madara. – virou-se para encará-lo, voltando a ficar sério. – Continuarei vigiando Naruto, mas não vou te procurar.

_ Acho... Acho que é uma boa opção. – Itachi respondeu, pensativo, tentando decifrar o que Kisame quis dizer com "simplesmente sei".

Será que ele estava tão transparente assim?

Ele treinou a vida toda para que isso não acontecesse! Não podia deixar a máscara cair naquele momento! Aquela era uma falha que precisaria resolver, caso contrário todos poderiam estar mortos em no dia seguinte.

_ Então está certo. – Kisame subiu na janela aberta, e virou-se para Itachi, como se desejasse falar alguma coisa.

Contudo, permaneceu em silêncio por longos vinte segundos, contemplando o outro Akatsuki. Itachi franziu o cenho perante o comportamento peculiar, inquirindo silenciosamente uma resposta para o outro, ao erguer o queixo num indicativo para que Kisame falasse de uma vez o que hesitava em dizer.

E isso fez com que Kisame sorrisse mais uma vez.

_ Tchau Itachi. Fique bem. – ele falou e, sem aguardar uma resposta, pulou para fora da janela, deixando para trás o silêncio completo no quarto de hóspedes.

Itachi ainda ficou alguns minutos olhando para fora da janela, tentando compreender o que diabos aconteceu ali.

(***)

Quando Sasuke finalmente abriu os olhos, Itachi estava sentado ao seu lado na cama, acariciando seus cabelos suados pelo calor daquela montoeira de cobertores. Inicialmente abriu os olhos porque queria arrancar cada edredom e jogar do outro lado do quarto, mas ao ver o moreno mais velho, Sasuke teve certeza de que outra coisa era mais importante no momento.

_ Me desculpe. – ele falou, procurando qualquer indicativo emocional nos olhos de Itachi. Entretanto ele se mantinha indiferente, sem deixar escapar uma emoção sequer. – Eu... Eu agi sem pensar, devia ter conversado antes de ter partido pra briga. Desculpa.

Itachi abaixou sua mão, envolvendo o pescoço de Sasuke de uma forma ameaçadora. Mas o garoto não pareceu se sentir ameaçado, e isso foi mais do que o suficiente para Itachi.

Sorriu, um sorriso genuíno, e o mais novo sentiu seu coração pular por cada canto de sua caixa torácica diante da emoção surreal que sentiu ao ter o prazer de ver seu enamorado dar aquele belo sorriso. Ou melhor, a honra de ser o seu causador.

_ Eu nem estava bravo.

_ Mentiroso! – respondeu, rindo um pouco pelo alívio enquanto se sentava na cama. – Eu vi muito bem como você não estava de bom humor com o que eu fiz!

_ Ah... Acontece de vez em quando. – Itachi respondeu com um ótimo humor naquele momento.

Ele não era o tipo de pessoa que brincava com assuntos sérios e sabia Sasuke precisaria compreender como funciona o Frenesi. Mas quer saber? Estava tão contente com a nova perspectiva que Naruto mostrou e com as pazes que fizera com Sasuke que sequer queria pensar em problemas. Pelo menos, não nos próximos vinte minutos.

Inclinou-se para frente a fim de beijar o Uchiha, mas como se lesse sua mente Sasuke o impediu, segurando seu peito com a palma das duas mãos.

_ Nós precisamos conversar Itachi.

_ Eu sei... – o outro respondeu, puxando Sasuke para perto com velocidade, de modo que ele não pode se esquivar do movimento.

Agora Itachi se sentava de corpo todo na cama, suas pernas esticadas sobre o colchão sem se preocupar em sujá-lo com os sapatos, e Sasuke sentava-se ao seu colo, com as pernas entrelaçadas ao redor de sua cintura.

Provavelmente o mais novo iria protestar, mas Itachi o aproximou ainda mais de si com os dois braços, apoiando sua testa na testa dele, observando seus olhos cor de ônix com devoção.

_ Eu vou falar, mas agora... – não finalizou sua frase, abaixando o olhar e encarando os lábios rosados de Sasuke, desejando que ele realmente não o obrigasse a conversar. A última coisa que queria naquele instante era ter uma conversa séria e compenetrada sobre os problemas.

_ Tsk, agora nem eu quero saber mais Itachi. – Sasuke respondeu, sorrindo também e ganhando um beijo como recompensa pela resposta certa.

Itachi deveria estar exausto, tal como ele. Sabia que não iriam transar naquele momento, mas Sasuke não podia negar: por mais que durasse apenas um pouco, uma sessão de beijos carinhosos antes de dormir era melhor do que uma quantidade avassaladora de orgasmos...

Ounnn!

Mas nem fodendo! Vocês são todos lunáticos!

Não não, seu chato. Apenas somos apaixonados!

Lunáticos, apaixonados... Sinônimos!

Cale a boca!

Céus, será mesmo que eu sou a única parcela mental que não parece uma garotinha hormonal?

(***)

_ Resposta errada, Sabaku.

Gaara não conseguia parar de olhar para aquela pessoa como se fosse o maior louco que aparecera em sua vida. Motivos não faltavam: que tipo de ser humano batia na porta de alguém que não conhecia, perguntava sobre arte e ainda fazia uma cara de maníaco como aquela ao ouvir a resposta?

Aparentemente o estranho na sua frente. A situação era tão absurda que, de certa forma, Gaara esperava que surgisse alguém de alguma emissora de televisão dizendo que era uma pegadinha imbecil, porém aquele olhar alucinado lhe dava arrepios por alguma razão.

_ O que você quer, seu bizarro? – ele ainda teve a educação de repetir a pergunta, apesar de sua vontade de esmurrar a porta no nariz do loiro.

As feições alucinadas do estranho se contorceram em uma expressão de êxtase, um prazer puro que beirava a insanidade. O desconhecido começou a rir euforicamente, sua voz e cada vez mais alta e histérica; os olhos azuis saltavam das órbitas. Gaara engoliu um seco e decidiu que já tivera o suficiente e bateu a porta com tudo, trancando a casa as pressas. Ele inspirou profundamente quando conseguiu dar a última volta na chave, acreditando que trancou o desconhecido do lado de fora.

Mas não foi o que aconteceu.

Gaara ainda estava segurando a chave quando sentiu a aproximação de alguém atrás de si. Por um momento ele quis acreditar que era Sai, mas se fosse, ele teria escutado as passadas do outro. Um arrepio percorreu sua coluna quando ele sentiu uma respiração morna na sua nuca, enquanto quem quer que fosse sussurrava na sua orelha:

_ Você realmente não quer saber o que eu acho a respeito da arte?

O ruivo ouviu seu coração ficar acelerado com o pavor crescente que sentia e se virou, mas o homem já não estava atrás de si. O loiro estava displicentemente sentado no sofá, com o mesmo sorriso alucinado de instantes atrás, brincando inocentemente com um pequeno controle.

Mas... Como?

Da porta para o sofá havia a distância de cinco passos, era impossível chegar lá tão rápido! Pela primeira vez, Gaara queria saber quem era aquele cara e o que ele queria, mas sua voz estava presa em sua garganta. O terror que sentia só aumentou quando ele percebeu que os orbes outrora azuis de algum jeito adquiriram um sutil tom avermelhado, cintilando predatórios para ele. Era impossível! O desconhecido não era albino, então como poderia ter olhos daquela cor? (1) E o outro definitivamente não tinha olhos assim há alguns instantes!

_Oportunidade única, Sabaku.

Gaara estava assombrado demais para conseguir formular alguma resposta coerente e a única coisa que conseguia entender é que estava em perigo. Seja lá quem fosse aquele cara, não era um maluco qualquer: era alguém definitivamente perigoso. Aqueles olhos demonstravam isso sem qualquer margem de erro.

_ Agora que tenho sua atenção, vamos lá! – começou a falar, abrindo os braços como se apresentasse um show.

Sai ainda estava enxugando a louça, mas achou estranha a movimentação nada comum na sala e caminhou lentamente até a porta da cozinha em passos lentos e observou o desconhecido no sofá, de costas para ele. Ele piscou sem entender quem era aquela pessoa e olhou Gaara pedindo uma explicação, porém as expressões faciais do ruivo lhe surpreenderam.

Gaara não era o tipo de pessoa que se surpreendia com facilidade, muito menos que era pega desprevenida; mas naquele momento, o amigo estava diferente, aparentando pavor. Não era necessário ser um gênio para saber que aquela reação era causada pelo desconhecido.

O desconhecido não parecia ter notado Sai na porta da cozinha e aquela talvez fosse a chance para o outro se trancar e chamar a polícia, mas havia um "porém". Sai era especialista em interpretar mal as situações, talvez pensasse que o cara no sofá fosse mesmo uma visita e os dois estariam em péssimos lençóis.

Gaara não era do tipo que rezava, mas naquele momento ele rezava um mantra interno, suplicando que Sai compreendesse a gravidade da situação.

Funcionou, Sai fez um gesto rápido com a cabeça e o desconhecido começou a falar.

_Meu nome é Deidara.

Sai deu passos sutis para trás, enquanto retirava de dentro das vestes o celular, porém Gaara piscou e quando abriu novamente os olhos o celular de Sai tinha uma estrela ninja cravada no visor. Ele demorou alguns segundos para entender quem foi o autor daquilo. Como é que aquele cara disparou aquilo? E o que esse tal Deidara queria com eles? Pior: o que faria com eles?

Todas essas perguntas sem resposta apenas fizeram com que Gaara se sentisse ainda mais aflito e ele percebeu que o seu horror era compartilhado com Sai, quando seus olhares se cruzaram.

O loiro se ergueu do sofá, ainda brincando com o pequeno objeto em suas mãos. Com um horror crescente, Gaara percebeu que não era um controle, na verdade, o objeto assemelhava-se a um detonador, igual aqueles dos filmes de ação.

_ Você deveria sentir-se honrado por estar diante de um dos maiores artistas superflat (2) da humanidade!

Com alguma apreensão, Sai viu o homem chamado Deidara vir até ele em passos lentos. Suas pernas pareciam chumbo, impedindo-o de se mexer e tudo o que fez foi encarar os olhos escarlates com firmeza. Pelo jeito que agia, o homem devia ter fumado umas pedras de crack e agora ficou violento, embora isso não justificasse aquela velocidade surreal e o porquê tinha aquele tipo de arma, muito menos a coloração de seus olhos.

_ E você também devia se sentir honrado! E nada de chamar amigos pra cá pelo celular. – disse Deidara sorrindo, quando ficou frente a frente com ele. Depois tirou o celular das suas mãos, jogando-o em algum canto do apartamento; Sai tentou ficar calmo para não provocar nenhuma reação violenta no outro. – É uma apresentação particular!

O Akatsuki agarrou o braço de Sai com força, tentando arrastá-lo, porém Sai resistiu e sentiu seu braço ser puxado violentamente, forçando-o a ir até a sala, onde foi arremessado de qualquer jeito no sofá, sua cabeça batendo com força no encosto do móvel. Deidara não se importou, em vez disso fez o mesmo com Gaara, que reagiu pelo medo de acontecer algo ainda mais grave, caso não cooperasse com o loiro.

Deidara riu com energia quando os dois, sentados como verdadeiros espectadores, direcionaram a ele sua completa atenção. Era tão raro conseguir platéia para seus espetáculos! Ele lembrava muito bem que quase não se conteve de felicidade quando o líder lhe deu carta branca para sua apresentação.

Pigarreou e abriu a leve cortina que fechava a janela acima da televisão. Era perfeito, perfeito! A vista não podia ser melhor! Precisaria agradecer a Madara com a própria alma quando voltasse para o QG! Essa, sem sombra de dúvidas, seria sua obra prima!

_ Vejam bem, a verdadeira arte acontece em um segundo! Uma explosão de adrenalina, um sentimento único, intenso, que dura apenas alguns momentos! – explicava com animação, como se Gaara e Sai estivessem interessado em sua futilidade. – Essa coisa de arte eterna é uma baboseira, porque a arte nada mais é do que um momento tão intenso que jamais será apagado da memória das pessoas! A verdadeira arte vira lenda!

Gaara estava quase gemendo de angústia... O que fizera para receber um louco como aquele em sua casa? Tudo bem que tinha suas manchas no passado, mas que pessoa não as tinha? Nada justificaria aquela situação, nem o sofrimento de saber o que é que poderia acontecer com ele, caso aquele maluco pirasse de vez e resolvesse descontar neles. Mas Sai, ao contrário do que ele imaginou, dava ouvidos à baboseira do loiro. Por um momento ímpar, Gaara esqueceu todo o seu pavor por sentir uma profunda admiração e irritação por Sai, como é que o outro conseguia agir tão calmamente daquele jeito? Seus miolos estavam fritando toda vez que pensava em como o maldito Deidara falava de arte ou arremessava armas neles!

Sua irritação apenas aumentou quando Sai deu aquele maldito sorriso coringa amarelo de sempre, o qual normalmente usava em discussões. Vontade de esganar alguém não faltava em Gaara naquele maldito segundo.

_ Eu discordo. – disse Sai ainda com o maldito sorriso. – A verdadeira arte é estudada, feita com calma e imortalizada depois de muito trabalho duro e talento exercitado.

_ Errado! Isso não é arte! – Deidara grunhiu, apontando o indicador de maneira acusatória para o moreno. – Isso é repetição do pop! O culto a falta de pensamento, ao "copia e cola"!

Simplesmente não dava para acreditar naquela situação. Gaara olhava para Sai sem realmente engolir que o outro pudesse mesmo estar discutindo arte com aquele louco, ainda mais aparentando tanta calma ao retrucá-lo. Ao olhar para Deidara, tudo o que o ruivo percebia era uma ira gelada naquelas íris rubras e novamente Gaara se viu rezando para que Sai não falasse mais idiotices que pudessem irritar ainda mais o loiro.

Dessa vez não funcionou.

_ Só porque há estudo não significa que seja cópia.

_ É cópia! – rugiu Deidara socando a parede com força. – O fato de você encontrar influências na obra de um "artista" já demonstra que não é algo original!

Gaara olhava de um rosto para o outro com completa descrença. Ele realmente ouvia aquela discussão absurda!? Pior, Sai precisava provocar o outro daquele jeito?Não estavam lidando com qualquer agressor e eles precisavam tomar cuidado, mas o que seu amigo fazia? Cutucava a onça com vara curta!

_ Sai, para de discutir com o louco! – o ruivo murmurou, cutucando a costela do amigo com o cotovelo.

Sai grunhiu com o impacto, lançando à Gaara um olhar mal-humorado, mas se calou. Se seu ponto de vista não seria aceito pelo loiro, então ele realmente estava dando atenção a quem não merecia.

_ Eu não sou louco. – o loiro exclamou, agora com feições um pouco mais indignadas e irritadas. – Eu vou mostrar pra vocês a magnitude da minha arte!

Foi muito rápido. Gaara viu Deidara tirar algo das vestes e em seguida ele viu que a cortina foi presa com algo afiado; uma kunai. Ele reconheceu o objeto por causa de uma memória de quando era adolescente, se bem recordava, algum integrante da gangue de Sasuke utilizava kunais para o ataque.

O loiro, após se certificar que a cortina não cobriria a vista da janela, virou-se para seus apreciadores. Sorrindo em deleite, ele girou o pequeno detonador entre os dedos, observando que o garoto ruivo parecia entender bem o que ele faria a seguir, sua expressão de pânico apenas lhe deixava ainda mais empolgado para apertar o botão vermelho.

_ Apreciem a magnitude artística diante de seus olhos! Em três... Dois... Um! – ele apertou o botão, saiu de frente da janela e gritou em plenos pulmões. – A ARTE É UM ESTOURO!

Para o completo assombro dos dois, algo realmente aconteceu. Um barulho grande de explosão atingiu o ouvido de ambos, fazendo-os correr até a janela para olhar a paisagem. Ouviram gritos da população, barulho de buzinas e gritos de socorro, uma grande cortina de fumaça negra se formara em uma região da cidade, a umas sete quadras dali, e cobria quase toda a região.

Gaara sentiu seu coração disparar e um desespero alarmante começar a tomar conta do seu corpo, porque ele reconhecia a região de onde a fumaça preta saia, não era longe do seu apartamento. E algo dentro dele sabia que se a fumaça viesse mesmo daquele lugar, ele...

Com passos suaves e lentos, Deidara caminhou até a janela e segurou os ombros do ruivo, que estremeceu com o seu toque, lhe dando uma vontade enorme de sorrir. Ele se abaixou até a orelha de Gaara e sussurrou o nome da sua obra:

_ Eu chamo essa obra prima de Rua Sunagakure, número 04.

Soltou os ombros do ruivo, que escorregou de encontro ao chão, sentando-se acima de seus joelhos de qualquer jeito, enquanto olhava para frente com os olhos arregalados e assombrados.

_ Gaara! – Sai exclamou, abaixando-se para ajudar o amigo a se levantar, acreditando que Deidara havia atingindo-o com algum golpe.

Mas o ruivo não se movia. Sai tentou dar um leve empurrão no outro, mas não respondia, apenas mantinha a expressão de quem estava desnorteado e sentindo muita dor, causando-lhe uma sensação desesperadora que jamais pensou que sentiria. Ele tentou mais uma vez chamar a atenção do amigo, mas Gaara sequer respondia ao seu toque. Ele olhou furiosamente para Deidara, desta vez não conseguindo mais controlar suas expressões.

_ O que você fez com ele!? – exigiu resposta, levantando-se e empurrando o intruso com toda força.

Entretanto, Deidara mal se moveu, mas obviamente não gostou de ser tocado por Sai porque seu olhar apenas adquiriu uma tonalidade ainda mais rubra. E depois observou Gaara, ainda estático no chão, e sorriu com mais vontade.

_ Eu não fiz nada. – disse Deidara ainda sorrindo. – Eu só usei a casa dos pais dele como tela em branco pra minha arte, ele deve estar extasiado pela honra momentânea! Escute a maravilha! A cidade inteira está apreciando meu talento! – exclamou, adorando os sons de pavor que ecoavam por toda cidade. – Eu sinceramente queria usar a casa de Naruto Uzumaki e Kakashi Hatake, mas acho melhor deixar para outra ocasião.

Deidara retirou um segundo aparelho do rosto, deixando claro onde a bomba daquele dispositivo estava instalada. Mas suspirou, guardando-o novamente na roupa, como se desejasse "trabalhar naquela arte" mais tarde.

_ A vista não seria tão linda, quem sabe depois, quando eles voltarem pra casa... Un.

Com um horror que não parava de crescer, Gaara percebeu que Deidara não era um louco qualquer e era mais que um louco poderoso: ele sabia muito a respeito da vida dos dois. Ao ponto de saber da existência de Naruto, de seu desaparecimento, e o endereço de seus pais. O ruivo deixou as primeiras lágrimas de pavor escorrerem de seus rosto, não conseguindo arranjar forças para implorar por misericórdia. Se sua família... Seus pais... Morreram... Mas Naruto não! Naruto não podia morrer!

Sai observou as lágrimas escorrerem pelo rosto do ruivo, sentindo o seu próprio peito afundar com aquela visão e tentando, ao menos, entender quanta dor o outro parecia reunir em si naquele instante; mas era inútil, ele não conseguiria entender aquela dor. Então desviou sua atenção para Deidara e sentiu uma raiva desmedida ao ver aquele sorriso petulante nos lábios do outro.

_ Por favor... – Gaara murmurou.

Mas nenhum dos presentes ouviu, pois Sai perdeu o controle e, mesmo sabendo que combate físico não era sua especialidade, tentou desferir um soco no rosto debochado de Deidara. Contudo, ele desviou com maestria, prendendo Sai em uma chave de braço apertada.

_ Shii, shiii, escute o som do pavor! – sussurrou em seu ouvido, enquanto o moreno se debatia cada vez mais e mais, tentando se soltar.

Mas era impossível! O loiro era muito mais forte do que ele e o prendia com maestria, o que não lhe impedia de tentar resistir ao toque do outro. Mais do que tudo, Sai queria que Gaara reagisse, mas o ruivo ainda estava em choque.

Cansado por Sai não prestar atenção em sua arte, Deidara o soltou e deu um soco poderoso em seu estômago e o moreno caiu de joelhos no chão, abraçando sua barriga e tentando recuperar o fôlego.

_ Tsk, queria ensinar-lhes mais coisa, só que acho que não vai dar! – disse Deidara olhando-os com desprezo. – Já está na hora do meu grand finale!

O Akatsuki deixou Gaara e Sai na sala e caminhou até a cozinha. Abriu o gás de todas as bocas do forno, e ali permaneceu até finalmente sentir o cheiro suave do vazamento. Satisfeito, voltou para a sala, e neste momento Sai começava a se recuperar do golpe, respirando as primeiras arfadas de oxigênio e reconhecendo prontamente o cheiro de GPL (3) no ar.

Deidara estava novamente a sua frente, e agora apontava uma arma pequena para trás, em direção à cozinha sem observar seu alvo, porque não havia um. Sai entendeu instantaneamente o que ele pretendia fazer e seu coração deu um solavanco no peito pela perspectiva horrível que se despontava. Sua respiração ficou entrecortada, mesmo que toda sua racionalidade lhe dissesse que o outro não faria aquilo.

_ Você não vai fazer isso, se fizer vai morrer também. – ele murmurou para o assassino, tremendo dos pés a cabeça, procurando a mão de Gaara ao seu lado e tomando-a com a sua. O ruivo ainda estava em choque, e sequer retribuiu o aperto de mãos.

O olhar de Deidara tornou-se ainda mais avermelhado, cintilando na penumbra como se fossem dois rubis; para o completo pavor de Sai, Deidara começou a gargalhar como um lunático.

_ Não, eu não vou morrer. Mas é isso que eu quero sentir, idiota! O medo, o pavor, o Rötschreck! (4)

Ele apertou o gatilho, e antes que as chamas consumissem completamente o seu arredor, Sai observou os olhos de Deidara se tornarem mais vermelhos do que o fogo furioso que invadia sua casa. E um rugido furioso e assustador escapou da garganta daquele que o olhava com uma promessa de morte dolorosa no olhar, mas isso era o menor dos problemas de Sai no momento.

Instintivamente, Sai puxou o corpo de Gaara, envolvendo-o em um meio abraço, tentando protegê-lo. Logo em seguida, ele recebeu uma batida forte em sua cabeça, provavelmente de algum objeto que voou com a explosão. Ou talvez fosse um ataque do Deidara animalesco que substituíra o "artístico", era difícil saber.

Não que ele ainda conseguisse pensar... Pois quando se perde a consciência, isso se torna impossível de se fazer.

(***)

(Uma semana depois)

Sua cabeça doía muito, mas ele se recusava a reclamar em voz alta. Com muita calma, abriu lentamente os olhos, sem conseguir enxergar exatamente quem o observava. As memórias voltavam ao poucos para sua mente, gerando um turbilhão de emoções.

[...]

_ Por favor... Acorda e volta pra mim...! – a voz de Naruto soava em um sussurro fraco, Kakashi sentia as duas mãos envolverem seu rosto, transmitindo calor para a sua pele. – Por favor...! Kakashi!

[...]

_ Sabe, eu sinceramente acho que você tem que cortar seu cabelo, já está começando a dar nó. – o garoto falava com falsa animação, e o grisalho sentia o pente em seu couro cabeludo, ajeitando as madeixas que deveriam estar bagunçadas desde que deitou naquela cama.

[...]

_ Hoje eu cruzei com o Teme aqui no hospital, ele estava saindo quando eu cheguei. Ele continua o bastardo hipócrita de sempre, estou com muita vontade de socá-lo até a morte! – ele falava casualmente, passando os polegares nas costas da mão direita nele. – Às vezes eu só gostaria de voltar alguns meses no tempo... E voltar na minha rotina de bater no Teme, tomar café com você, reclamar do professor Jiraiya... – Kakashi ouviu um soluço penoso, e depois de alguns instantes de silêncio, a voz de Naruto alterou-se completamente, demonstrando que cansou de manter a calma aquele dia. – Por favor! Por favor, levanta! Que droga, três dias já é demais!

[...]

_ Kakashi, não faz isso comigo. Eu preciso de você! – ele gritava, abraçando seu corpo inerte com tanta força que ele quase acordou de verdade para reclamar. Tsk... Se conseguisse abrir aqueles malditos olhos...

[...]

_ Você é um preguiçoso né, Kakashi? Só 'tá dormindo ainda pra faltar o trabalho, tenho certeza disso! – A voz soava divertida, mas as lágrimas que molhavam seu rosto desmentiam cada palavra.

[...]

_ Eu... Eu preciso… – o loiro suspirou fundo, como se pensasse nas palavras corretas. – Kakashi, eu não sei se você consegue me ouvir, ou se vai se lembrar disso quando você acordar, mas eu preciso dizer. No fundo eu sei que não fará a mínima diferença, mas eu preciso desabafar.

Ele tomou sua mão direita nas dele, irradiando o calor para sua pele gelada. Kakashi gostaria muito de poder segurá-la com força, mas não conseguiu. Naruto levou cada um de seus dedos aos seus lábios, beijando-os com ternura enquanto iniciava seu discurso.

_ Gaara está hospitalizado também. – ele murmurou docemente, mas com uma dor tão grande em seu tom de voz que Kakashi sentiu no seu próprio coração. – A situação é um pouco diferente que a sua... E ele precisa de mim; mais que você, nesse momento. Ocorreu um acidente, apesar da polícia ainda não descartar uma tentativa de suicídio, e a casa de Gaara pegou fogo logo depois de uma explosão na casa dos pais dele. Me perguntaram se Gaara podia ter tentado se matar, porque da janela dele era possível ver o que aconteceu na casa de sua família, mas conhecendo o meu amigo eu duvido. E eu sei que, no fim das contas, a polícia acha que Gaara tentou matar sua família e em seguida tentou se suicidar, porque o pai de Gaara morreu e eles nunca tiveram uma boa relação...

O loiro largou sua mão, pegando a negligenciada até então e repetindo o mesmo processo.

_ Ele está em um manicômio, precisa muito de mim pra superar o trauma que passou pra poder testemunhar e "colaborar com a justiça". – continuou a falar, com certa melancolia e ironia, mas mantendo a calma em sua explicação. – Ele está em outra cidade, onde o restante da família dele mora. Eu vou pra lá, Kakashi... Espero que você entenda.

Lógico que entendo! – ele queria gritar, ordenar para que Naruto fosse logo atrás de seu colega de infância. De que adianta perder tempo falando com alguém que não poderia sequer responder suas preces e limpar suas lágrimas?

_ Eu... eu sinto que tenho um pouco de culpa nisso. Eu não sei o que aconteceu Kakashi, mas... Bom, acredito que você saiba o que se passa em minha cabeça agora.

Eu sei, não fale! Não em voz alta, podemos ser vigiados agora! – Kakashi suplicou mentalmente, sabendo muito bem que a suspeita de Naruto não era absurda. O caso dos Uchiha e de seus pais podia muito bem ter uma ligação com esses acontecimentos. E se isso ainda os atormentava, com toda certeza havia vigília no seu encalço.

_ Mas eu vou voltar, toda madrugada. São apenas três horas de viagem de ônibus, então posso intercalar as visitas se faltar as aulas... Venho ver você e Sasuke, mesmo que ele seja um maldito idiota. Kisame disse que a dose que deu pra você aquela noite foi um pouco forte, mas você deve acordar em no máximo uma semana.

Naruto, você é um idiota. – Kakashi queria censurá-lo por se sacrificar assim por causa de nada e por citar Kisame sem pensar.

Kakashi recordava-se muito bem das visitas de Itachi e Kisame antes da transferência hospitalar, a qual, inclusive, só foi possível com a ajuda do primogênito Uchiha. Pelo conteúdo das conversas, descobrira que ambos faziam parte da equipe do inimigo, mas que se rebelaram contra sua tirania e agora estavam do lado deles. Isso era bom, o jogo duplo ajudaria muito!

O grisalho também sabia que Itachi e Sasuke estavam em uma espécie de relação, o que não era muito... Cristão. Apesar de todos esses dias de reflexão, não conseguiu chegar a um consenso a respeito do que fazer. Como diria a verdade para Sasuke quando chegasse a hora?

Independente disso, Naruto não podia citar o nome dessas pessoas tão abertamente. Claro, provavelmente Kisame o vigiava nesse instante e eles estavam seguros para um monólogo com aquele conteúdo, mas ainda sim era arriscado!

Sobre Naruto voltar para checar Sasuke e ele... Bom, decerto não sabia o que pensar do Uchiha primogênito e de sua relação com Sasuke, mas sabia que ele protegia os dois garotos mais importantes de sua vida, então não havia porque Naruto voltar para verificar a segurança de Sasuke.

E ele? Ah, ele era um completo inútil naquele momento. Não havia qualquer motivo para se preocupar com ele.

Os pensamentos de Kakashi foram interrompidos ao sentir sua mão ser colocada acima de seu colo e a respiração de Naruto aproximar-se consideravelmente de si.

_ Eu te amo. – sussurrou, abaixando-se um pouco e beijando-o num singelo selinho, um pouco mais demorado que o normal, mas tão doce quanto um beijo infantil. Quando Naruto desprendeu os lábios dos dele, acariciou suavemente seu lábio inferior com o polegar. – Então esteja acordado pra me receber qualquer dia desses, ok?

Naruto se foi logo em seguida, Kakashi ouviu o som suave da porta sendo fechada.

Kakashi despertou dez horas depois. Naruto não voltou nos dias que se seguiram.

[...]

_ Finalmente parou de vadiagem e resolveu acordar, é, Kakashi!?

Grunhindo pela iluminação descomunal, o grisalho piscou algumas vezes e moveu os dedos com calma, sentindo um formigamento surreal espalhar por todo seu corpo. Quando conseguiu focalizar quem o observava, se deu conta de que era Jiraiya com um sorriso satisfeito nos lábios.

_ Pronto pra conversar assuntos sérios pra caralho ou quer comer primeiro?

A preguiça que lhe atingiu ao pensar em voltar a lidar com todos aqueles problemas foi tão grande que Kakashi quase desejou voltar a dormir.

Só que já tinha passado da hora de encarar a realidade.

(***)

Naruto suspirou profundamente ao alcançar a maçaneta do quarto de Kakashi.

Teve uma semana terrível ao lado de Gaara. Não que uma semana ao lado de um amigo que necessitava de ajuda fosse algo ruim, mas era péssimo ver Gaara naquelas condições: tremendo, dos pés a cabeça, se recusando a comer ou tomar os remédios, se recusando a viver; apenas existindo.

Céus, o que diabos aconteceu com seu amigo?

Tentou diversas vezes conversar, mas ele fingia não perceber sua presença naquele lugar (ou talvez realmente não percebesse, Gaara realmente parecia ter enlouquecido). Perguntou sobre Sai em tantos momentos que perdeu a conta, mas era impossível arrancar qualquer tipo de informação do ruivo. Naruto não conseguia decidir o que o preocupava mais: o estado deplorável de Gaara, ou o sumiço de Sai.

Contudo, ele realmente pretendia manter a promessa que fez ao Kakashi adormecido e voltar para fazê-lo companhia todas as noites, apesar de, no fundo, saber que não passava de um capricho besta, pois Kakashi jamais perceberia sua presença ou ausência por causa de sua inconsciência.

Mas ele não conseguiu. Não era do feitio de Naruto quebrar uma promessa, mas no momento ele sequer se sentia o mesmo Naruto de sempre. Sentia-se... Incompleto, impotente, incapaz.

Duas pessoas extremamente importantes para si estavam hospitalizadas, Sasuke corria um risco de vida que sequer o próprio se dava conta disso, Sai havia desaparecido no mundo. O que sobrava? O que existiria em sua vida se tudo que era importante para si acabava destruído ou ameaçado?

_ Eu estou... Cansado... – ele murmurou, abrindo a porta com um ruído sombrio e adentrando no quarto.

Abaixou o olhar enquanto caminhava, pois não queria ver Kakashi deitado naquela cama de hospital do mesmo jeito que ele o deixara há uma semana. Sentou-se na cadeira próxima à cama de leito, ela já era seu lugar marcado. Apoiou os cotovelos nos joelhos e segurou a cabeça, tampando os olhos com os dedos e sentindo a umidade crescer e escorrer por seu braço.

_ Eu não vou aguentar... – ele suspirou, engolindo um soluço sentido.

Estava prestes a ceder e chorar como se não houvesse amanhã, mas sentiu um dedo tentar erguer seu queixo subitamente. Assustado, levantou o rosto e observou quem acabara de encostar-se a si.

_ K-kakashi...!

E era Kakashi, e um Kakashi muito lúcido. Ele sorria, um sorriso verdadeiro, sem se preocupar com a exposição de seu rosto, algo que sempre o incomodou. Era um sorriso tão intenso que se assemelhava aos que o próprio Naruto dava, tão raros atualmente.

_ Viu só? Estou acordado pra te receber! – Kakashi exclamou, sentando-se na cama e abrindo os braços, deixando bem claro para Naruto que ele não acabara de despertar; a julgar pela movimentação energética, Kakashi já lhe esperava há alguns dias.

Naruto não aguentou a emoção e se jogou nos braços do grisalho, agarrando-o com força e sem se dar conta de que poderia machucá-lo ao agir assim, mas o outro apenas riu e acariciou sua cabeça; já estava praticamente restabelecido.

A quantidade de emoções controversas sentidas por Naruto foram demais para que ele aguentasse.

_ Kakashi! – ele gritou com a voz esganiçada, soluçando a cada sílaba, chorando e rindo ao mesmo tempo. Não tinha certeza de que sobreviveria àquela quantidade de sentimentos avassaladores que se multiplicavam dentro dele.

Em poucos instantes o sentimento de tristeza foi completamente destruído pela alegria. Ahh... Há quanto tempo ele não sentia uma alegria genuína como aquela!?

_ Por que você 'tá chorando Naruto? – Kakashi questionou dentre o riso, beijando os cabelos loiros do topo da cabeça do garoto em seus braços e sentindo-se extremamente realizado por, finalmente, poder retribuir os gestos de carinho.

_ Eu... E-eu... Eu não s-sei! – Naruto respondeu no mesmo grau de desespero. Kakashi riu novamente, abraçando-o ainda mais.

_ Pare de chorar. – ele pediu com docilidade, afastando-se um pouco para olhar o mais novo nos olhos. – Por mais que eu adore a maneira como suas íris brilham quando você chora, eu detesto te ver assim.

_ N-não consigo! – o Uzumaki respondeu, enquanto o grisalho limpava com os polegares as lágrimas que não paravam de escorrer de seus olhos.

Ele sorriu da mesma maneira que fizera ao cumprimentar Naruto e inclinou-se para frente, ficando há milímetros de distância do outro. Diante da súbita movimentação, o loiro parou de soluçar e respirar, surpreso e esperançoso.

_ Então eu vou te fazer parar. – Kakashi sussurrou, tomando os lábios de Naruto com os seus, e aceitando de muito bom grado os braços que entrelaçaram ao redor de seu pescoço.

Desta vez, não havia desculpas para o beijo. Não, não havia uma explicação lógica, psicológica ou de qualquer outra vertente racional. Kakashi não se permitiu usar o cérebro enquanto mapeava cada pedacinho dos lábios de Naruto com suaves selinhos.

Foi Naruto quem aprofundou o beijo, enterrando os dedos nas madeixas prateadas como se receasse que o corpo tão próximo a si desaparecesse de sua frente. De fato, para o loiro tudo estava muito confuso, mas ele também não queria pensar. Se Kakashi queria beijá-lo, ele iria beijá-lo! Não havia outra opção, não havia como recusar esse pedido silencioso. Seus anseios amorosos não abriam brechas para conversas naquele instante.

Mas Hatake parecia pensar diferente.

_ Me perdoe. – ele arfou quando o mais novo interrompeu o beijo doce com uma mordida suave no lábio inferior, provavelmente pela necessidade de respirar. – Naruto, me perdoe! – repetiu com um pouco mais de fôlego, abrindo os olhos e encarando os olhos cor de topázio, recheados de confusão.

_ Você está me pedindo desculpas pelo beijo? – Naruto questionou, juntando as sobrancelhas num gesto de evidente decepção.

_ Não! – o outro respondeu, tomando as mãos geladas do outro com as suas e beijando seus dedos, tal qual ele fizera consigo em outra ocasião. – Peço perdão por não ter acreditado em você.

Naruto ficou quieto, observando o tratamento carinhoso de Kakashi como se estivesse diante de uma das sete maravilhas do mundo. Sorria, sua boca ligeiramente entreaberta de surpresa, seu olhar amaciando consideravelmente a cada selinho depositado na ponta de seus dedos e na palma de sua mão.

_ Não era sublimação. – Kakashi constatou o óbvio, beijando o mindinho direito do Uzumaki antes de ajeitar a postura e encará-lo com falsa seriedade.

_ Não. Não era… – respondeu sem fôlego, puxando Kakashi pela gola e subindo acima de seu corpo sem medo de ser rejeitado, muito menos se preocupando com a integridade da cama de hospital. Tch, ela era forte! Aguentaria o peso dos dois.

Não que isso fosse uma preocupação de Naruto no momento. Aliás, depois de anos, finalmente podia dizer que não se preocupava com nada nem ninguém. Nem que fosse por meros minutos de paz. Se a cama não aguentasse... Foda-se, ele não dava a mínima!

Todos merecem um pouco de folga, não é? E Naruto já tinha passado da hora de tirar suas férias.

Os beijos se multiplicavam em quantidade e intensidade, gradativamente. Mais ardentes, mais intensos, mais sublimes. Cada vez mais e mais.

_ É claro que eu perdoo. – Naruto respondeu a pergunta feita há muitos minutos atrás, antes do início da sessão de beijos intensa entre os dois. Kakashi piscou algumas vezes até conseguir recorda-se a respeito do que o outro falava, o coração batendo forte demais para que pudesse se concentrar em qualquer outra coisa que não fosse os sentimentos compartilhados entre os dois.

Naruto encostou a ponta do nariz ao de Kakashi, acariciando-o com ternura e afeição, fugindo quando o mais velho tentou, mais uma vez, beijá-lo. Riu do som de frustração que o outro deixou escapar de sua garganta, e começou a acariciar os cabelos de Kakashi com ternura.

Jamais imaginou que um contato físico mais sentimental fosse tão melhor do que algo estritamente carnal... Era até covardia comparar as experiências passadas com o que sentia junto do seu amor.

_ E por que você está me beijando Kakashi? – questionou, ignorando o grito de protesto de cada célula de seu corpo. Seu organismo não queria conversa, queria ação!

Mas ele sabia que com Kakashi as coisas não podiam ser desse jeito; precisavam por em pratos limpos antes de tentar qualquer coisa. Ele era importante demais para ser um simples parceiro de uma noite só. Agora finalmente entendia o que seu ex-tutor queria dizer naquela outra ocasião. Podiam até deixar para conversar sobre os problemas depois, mas agora tinham que, ao menos, colocar a relação em pratos limpos.

Compreendendo as atitudes de Naruto, Kakashi relaxou um pouco. Suspirou profundamente, como se também tivesse dificuldade de lidar com seus desejos físicos. Em seguida, girou Naruto na cama, colocando-o deitado ao seu lado com o rosto virado para si, abraçando sua cintura para que nenhum dos dois caísse da cama.

_ Digamos que algumas semanas em coma são o suficiente para você pensar, e pensar muito. Não é como dormir, sonhar. Não. Pelo menos não foi assim pra mim, eu me sentia consciente todo esse tempo. Tudo que você dizia me fez pensar; pensar em você, em mim, Sasuke, nessa confusão com os criminosos, em Iruka... E eu finalmente compreendi meus sentimentos. (5)

_ Você se lembra? – Naruto questionou, incrédulo, arregalando o olhar e ganhando um peteleco brincalhão em seu nariz.

_ Me lembro de cada palavra que você disse. – sorriu novamente, agora apertando a ponta do nariz do loiro assustado que corava cada vez mais. – Inclusive as últimas.

_ Oh... – foi tudo que Naruto conseguiu responder, girando na cama novamente e presenteando Kakashi com suas costas.

Na verdade pretendia esconder seu rosto corado pela vergonha, mas o outro considerou tal movimentação um convite, puxando-o pela cintura e encaixando-se em seu corpo por trás, beijando sua nuca com delicadeza.

E o Uzumaki precisava admitir: era impressionante como deitar dessa forma com Kakashi era extremamente confortável e pacífico. E olha que Naruto não era do tipo de pessoa que gostava de se enroscar na cama dessa forma com seus companheiros.

_ Naruto, eu também te amo.

Ok, esquece tudo antes dito a respeito de conforto e paz. O Uzumaki agora tinha certeza que seu coração explodiu dentro de sua caixa torácica e dentro de segundos sua alma ia se mudar para o mundo dos mortos.

_ Que... Diabos? – sussurrou, mas sua voz saiu tão fraca e incrédula que sequer ele próprio conseguiu compreender suas palavras.

_ Calma, eu vou explicar. – aproximou-se ainda mais, acariciando a cintura de Naruto por cima da roupa e deixando-o ainda mais corado. – Eu não sei se te amo da mesma forma que você me ama, mas eu definitivamente te amo. Eu moro com você há anos, me preocupo com você e com o que você faz, não gostaria que nada de ruim acontecesse contigo e faria o possível e impossível para não te ver sofrer. Acho que isso define o amor, não é?

_ Kakashi, eu...

_ Escute, seu bocudo. – o grisalho censurou, interrompendo o outro da mesma forma que foi interrompido e ganhou um grunhido irritado em retorno; este foi respondido com um sorrisinho lúdico que o loiro não apreciou por estar de costas. – Eu achei que esse amor que eu sentia por você fosse algum sentimento de amizade, ou talvez até mesmo algo paternal, pois eu praticamente te criei da metade da adolescência até o final.

Era só o que faltava! Esperei anos pra que Kakashi falasse algo do gênero para, em seguida, levar um balde de água fria e ser chamado de "filho" por tabela? Puta merda!

_ Me solte Kakashi! – rosnou baixinho, a raiva invadindo seu corpo gradativamente.

_ Eu não falei pra você ouvir calado? – Kakashi ainda mantinha o maldito tom divertido em sua voz.

Canalha!

_ Eu não quero ouvir! Porra!

Perdendo o restante de paciência que tinha, Naruto tentou sair da cama e sumir daquele quarto por algum tempo, ao menos até colocar as ideias no lugar. Arrependera-se de voltar para visitar Kakashi, devia ter ficado ao lado de Gaara!

_ Mas que coisa! Pare quieto! – Kakashi o segurou, impedindo-o de sair dali com uma imobilização corporal. Era de se esperar que a essa altura do campeonato Naruto já tivesse aprendido que ele não era páreo para combate corpo a corpo com um policial.

_ Que saco! Me solte! – ele gritou, tentando desprender suas pernas. Contudo, Kakashi novamente o girou com facilidade naquele colchão, e agora o Uzumaki estava de costas para os lençóis, com o corpo do mais velho acima de si, prendendo-o com eficiência.

_ Não vou soltar.

_ Por quê!? Porra! Se você me vê como filho, por que fica fazendo essas coisas? – ele indagou rispidamente, ainda se debatendo.

Kakashi o beijou mais uma vez, ignorando as mordidas que recebera em protesto até que o loiro se perdeu dentre a carícia, retribuindo avidamente, inclusive dominando o beijo, talvez para extravasar a própria raiva (e Kakashi não tinha o que reclamar, Naruto beijava maravilhosamente bem).

Quando se sentiu seguro de que ele não tentaria fugir novamente, Kakashi depositou diversos selinhos no rosto de Naruto, descendo até seu pescoço e sugando carinhosamente sua pele bronzeada. O loiro gemeu, e o grisalho riu brevemente pelo nariz.

_ O que eu quero dizer é que te amo, que faria qualquer coisa por você.

Ele murmurava próximo ao ouvido do garoto ofegante, mordendo o lóbulo sem machucá-lo. O loiro sabia que deveria empurrar o corpo de Kakashi para longe, estava irritado pelas palavras idiotas do outro, mas não conseguia mais ir contra os seus próprios desejos.

_ E que inicialmente eu pensei que pudesse ser um sentimento de amizade ou familiar, mas por causa disso... – Kakashi levou a mão de Naruto até sua virilha, colocando-a acima de sua ereção nada comedida. O loiro inspirou com força e prendeu a respiração; Kakashi precisou se concentrar para não rir – ... Eu percebi que não era nenhum dos dois sentimentos.

Empurrou o grisalho um pouco, para que pudesse encará-lo novamente nos olhos. E os orbes negros de Kakashi exibiam uma imensa luxúria, tão grande que Naruto sequer sabia como alguém era capaz de sobreviver depois de se ver vítima daquele olhar intensamente sexual. Engoliu seco algumas vezes, tentando lembrar o que diabos queria questionar.

Ah... Sim...

_ Você tem certeza? – ok, isso soou estúpido até para si. Como uma pessoa seria capaz de ter alguma incerteza sobre suas vontades sexuais quando olhava para outra daquela forma?

Kakashi sorriu de canto de boca, e Naruto considerou isso a cena mais sexy que viu na vida.

_ Posso não ter certeza de muitas coisas na vida, mas a natureza não mente... – Kakashi se aproximou mais uma vez, roçando de leve seus lábios nos rosados e úmidos de Naruto, quase sentindo mais uma vez o seu gosto adocicado. – Eu te quero, muito. E dessa vez não vou parar. Isto é, se você permitir.

_ Mas e se... E se você não me amar como eu te amo?

_ Bom, nós nunca vamos saber se não tentarmos, né? – Kakashi roçou os lábios aos de Naruto, mas não o beijou, sorrindo desafiadoramente antes de murmurar baixinho. – O "grande Naruto Uzumaki" está com medo?

Dessa vez foi Naruto quem pegou o outro de surpresa, girando-o na cama com eficiência e prendendo os braços de Kakashi acima de sua cabeça e sentando em sua virilha, arrancando um gemido de prazer e surpresa do grisalho.

_ Você não me conhece nesse aspecto Kakashi... – Naruto murmurou em seu ouvido, mordendo o pescoço a mostra de Kakashi no instante em que ele segurou a barra de sua camiseta, implorando para que ela fosse retirada o quanto antes.

_ Você vai me apresentar o seu lado "Kyuubi" agora?

Naruto riu e Kakashi acompanhou sua risada, escapando da imobilização de Naruto, mas não saindo debaixo de seu corpo. Puxou a cabeça do outro, unindo ambas as testas e se perdendo nos olhos azuis e brilhantes.

_ Não... Se você me quiser, o Kyuubi já era. – Naruto respondeu com um sorriso tímido nos lábios, só se dando conta da intensidade daquele pedido depois que já o proferira.

Kakashi compreendeu as entrelinhas, percorrendo suas mãos pelo corpo de Naruto até chegar a suas nádegas, espalmando-as com vontade e puxando-o para friccionar ainda mais contra a sua virilha. Foi a vez do loiro gemer com vontade e fechar os olhos, perdido na sensação.

_ É óbvio que eu te quero Naruto, mas você pode ser "o Kyuubi" apenas comigo, não pode?

Naruto entreabriu os olhos, mostrando o olhar de pura excitação para Kakashi, mais escurecido pela luxúria, com as pupilas extremamente dilatadas. Sorriu de maneira maliciosa, aparentemente concordando com o trato.

E então Kakashi arrependeu-se de ter desafiado o garoto, porque... Céus, o apelido era realmente apropriado! Naruto era um demônio na cama!

Quando Kakashi achava que tinha algum domínio sobre o outro, ele sabia exatamente o que fazer para que ele se visse anuviado pelo prazer e perdesse qualquer linha de raciocínio. Kakashi sequer percebera como Naruto arrancou sua camisola hospitalar ridícula, constando apenas quando sentiu as unhas do outro na lateral de seu corpo, arranhando-o com força. Hatake estava tão perdido dentre ao beijo que só com a dor acordou para a realidade e mordeu o lábio inferior do outro, procurando dominar o ósculo.

Depois de muito esforço ele conseguiu... Mas no fundo achava que foi o próprio Naruto quem permitiu aquela vitória.

Sentou-se na cama, mas Naruto continuou acima de seu colo, começou a rebolar e... Bom, difícil dizer o que aconteceu exatamente, Kakashi só sabia afirmar com toda certeza que conseguiu arrancar a camiseta do menor antes de sentir os dedos ágeis na barra de sua cueca. O resto era uma grande incógnita, pois seu cérebro foi massacrado pela volúpia.

_ D-deus... – gemeu, arrancando uma risadinha de Naruto.

Ele, agora, estava de quatro em cima do corpo de Kakashi, dando beijos em seu peitoral nu enquanto engatinhava para trás, abaixando-se cada vez mais na cama, até ficar mais próximo de sua virilha.

_ Não, amor, não é Deus. Sou só eu. – ironizou, mordendo o elástico da roupa intima de Kakashi e puxando-a com os dentes, até que ela chegasse ao meio das coxas magníficas do outro.

_ Nem de longe você seria Deus Naruto. – o outro respondeu, levantando um pouco o quadril para ajudar Naruto a terminar de despi-lo. – Você é quase um demônio.

_ É o que costumam me dizer. – o Uzumaki respondeu sem cerimônia alguma, jogando a peça de roupa para longe e beijando a lateral das coxas de Kakashi, deixando uma marca roxa de sucção bastante possessiva naquela região.

Antes mesmo de prestar atenção na masculinidade de Kakashi, Naruto instintivamente já levou uma de suas mãos até ela, acariciando-a enquanto mordia suas pernas. Não se importou com os xingamentos dissolutos que o grisalho deixou escapar de sua garganta, muito menos com os dedos um pouco violentos que seguraram seus cabelos com força.

Naruto afastou-se um pouco e apreciou o rosto corado de prazer, os olhos fechados e a boca aberta de Kakashi, respirando cada vez mais rápido. Satisfeito, abaixou o olhar e visualizou pela primeira vez o membro excitado de seu amante, realizando-se demais com a visão que tivera. Não esperava menos da sua maior fantasia sexual, não é mesmo?

O Uzumaki lambeu toda a extensão do pênis de Kakashi, da base até a cabeça, mas não o abocanhou, sussurrando o nome de Kakashi numa tentativa de chamar sua atenção. Todavia, o mais velho estava perdido na luxúria de tal forma que o loiro precisou chamá-lo novamente.

_ Kakashi... – ele falou um pouco mais alto, e o outro finalmente abriu um pouco os olhos, abaixando o olhar e finalmente registrando a cena absurdamente lasciva que era ter aquela pessoa maravilhosa entre suas pernas.

Só a visão fez com que Kakashi se sentisse ainda mais excitado, isso era comprovado pelas gotículas de liquido pré-seminal que escolheram justamente àquele momento para darem o ar da graça. Naruto sorriu e lambeu mais uma vez o falo de Kakashi, que enterrou as duas mãos ainda mais em seus cabelos, mas não o forçou para baixo.

_ Você nunca fez isso com um homem, né? – o loiro questionou, ignorando os dedos que puxavam cada vez mais suas madeixas.

Kakashi respirou diversas vezes, ofegante, antes de se pronunciar.

_ Não. – respondeu sem fôlego, ganhando um sorriso satisfeito de Naruto. – Mas...

_ Shii, não é o que você tá pensando. Se você nunca fez com um homem, significa que vai ser uma primeira vez pra você também.

_ Não vem dar uma de virgem pra cima de mim Naruto, eu sei que você já fez isso com outros. – ele realmente sabia, mas não conseguiu impedir sua voz de soar um pouco indignada.

Droga de possessividade masculina...

_ Eu fiz sim com outros, mas não do jeito que quero fazer com você. – Naruto respondeu com seriedade e Kakashi finalmente compreendeu o que ele queria dizer, arregalando o olhar.

Naruto ficou apenas de joelhos na cama, abrindo a fivela do cinto sem desgrudar o olhar do rosto de Kakashi, adorando consideravelmente o ar de surpresa que o outro exibia.

_ V-você fala sério?

_ Sim. – Naruto agora se sentia um pouco envergonhado. Mas bem pouco. Bem pouco! – Eu nunca cogitei fazer desse jeito com alguém que não fosse você.

_ Wow. – o grisalho abaixou o olhar, sorrindo dando um sorriso retorcido para a boxer laranja de Naruto, adorando o toque de personalidade na roupa intima do outro. Os jeans escorregavam para baixo, e Naruto retirou primeiro uma perna, sendo seguida pela outra, lentamente, sem deixar de encará-lo. – Me sinto um cavalheiro por ser o único digno de ganhar a sua virgindade.

Naruto juntou a sobrancelha com irritação e levou a mão direita até a nádega de Kakashi, beliscando-o e arrancando um ruído de surpresa do outro.

_ Não fale esse tipo de coisa, fica parecendo que eu sou uma garota. – Naruto abaixou sua boxer, retirando-a com rapidez e voltando a mesma posição, ainda de joelhos. Colocou as mãos na cintura, sorrindo de canto de boca quando Kakashi observou sua virilha descoberta sem pudor algum. – E eu não sou uma garota.

_ Não mesmo. – ele respondeu, novamente sem fôlego.

Naruto riu e desceu novamente, capturando os lábios de Kakashi para um beijo ardente, enquanto envolvia as duas masculinidades com sua mão, iniciando uma masturbação dupla e de velocidade considerável. Kakashi rosnou e agarrou com as unhas o traseiro de Naruto, deliciando-se com o quão farta a carne do outro era naquela região.

Podia parecer um pensamento digno de um filho da puta, mas ele não conseguia evitar: Tirei a sorte grande.

_ Unnmm... – Naruto gemeu despudoradamente, interrompendo o beijo e recebendo uma mordida precedida de um chupão particularmente doloroso em seu pescoço.

Kakashi, adorando a respiração que acelerava cada vez mais em seu ouvido, tomou coragem o suficiente para passar, levemente, um de seus dedos médios na entrada de Naruto, que suspirou alto. Isso fez com que seu pênis pulsasse por antecipação, enlouquecido para saber quais outros sons aquele homem faria quando atingisse seu ponto G.

Naruto levou a mão livre até os lábios de Kakashi e afastou-se um pouco para encará-lo nos olhos. O grisalho parecia extremamente perdido, e o mais novo entendia o porquê.

_ Confia em mim. – ele pediu, e o outro concordou prontamente com um aceno de cabeça, tomando seus dedos, um a um, eu seus lábios.

O mais novo excitava-se consideravelmente assistindo a cena, lambendo o lábio inferior de maneira lenta, seus olhos jamais deixando os de Kakashi, e este se sentia até um pouco envergonhado pelo que fazia. O loiro acelerou ainda mais a masturbação, grunhindo um pouco pelo próprio prazer e ganhando um suspiro em deleite do outro.

Quando achou que já era o suficiente, retirou seus dedos da boca de Kakashi e engatinhou para trás novamente, voltando a passar seus lábios por toda a extensão do corpo de seu amado, até atingir novamente sua região intima. Desta vez capturou o pênis com a boca, sentindo um extremo prazer em ter o controle, envolvendo-o cada vez mais e mais, lentamente, saboreando o gosto particular de seu parceiro.

_ Ahh! Naruto! – Kakashi exclamou, agarrando novamente as madeixas loiras e empurrando-o para receber ainda mais de si. Naruto nem engasgou, bendita experiência! – Ah... Tão bom...!

_ Hmmm... – o outro gemeu, chupando-o, massageando-o com sua língua, deliciando-se por finalmente sentir Kakashi daquela forma.

Sem nem perceber o que fazia, Naruto levou a mão até sua ereção, realizando um movimento de vai e vem breve, mas logo em seguida guiou os dedos previamente lubrificados até sua própria entrada, inserindo o dedo médio com certa dificuldade. Tentou se concentrar nos sons satisfatórios que Kakashi liberava, acreditando que assim não prestaria atenção na dor.

Foi paciente consigo mesmo, percebendo que gradualmente o desconforto diminuía e a adrenalina enchia sua corrente sanguínea. Iria dar prazer para Kakashi, um prazer que jamais dera a ninguém, que apenas ele poderia proporcionar ao outro porque ninguém, ninguém conseguiria amar Kakashi na cama (ou em qualquer outro lugar) mais do que ele. Tal pensamento o fez gemer tão alto que Kakashi sentou-se na cama, olhando para Naruto com curiosidade, tentando ver o que ele fazia.

_ Você quer me matar Naruto? – a voz de Kakashi soou grave, um pouco animalesca, e o loiro suspirou dengosamente em resposta.

Kakashi o empurrou, obrigando-o a desprender os lábios de sua masculinidade, tremendo de prazer ao olhar para os lábios inchados e úmidos do amante.

_ Responda!

_ Depende. – Naruto respondeu, colocando a língua para fora e saboreando novamente a cabeça da ereção de Kakashi. – Quero te matar de prazer.

O ex-tutor não pensou duas vezes: girou o outro na cama, colocando-o de barriga para cima e aproveitando para prender seus pulsos sobre sua barriga com sua mão esquerda. A direita ele guiou até os lábios de Naruto, que não hesitou em chupar cada um dos dedos com devoção.

_ Você realmente vai me matar se continuar agindo sexy desse jeito. – elogiou sinceramente, e Naruto riu, corando um pouco, mas continuando a acariciar os dedos de Kakashi com sua língua. Fechou os olhos, saboreando-os, fingindo que estes eram a ereção que o proporcionara tanto prazer há poucos segundos.

Cacete, justo ele estava fantasiando esse tipo de coisa! Ele jamais gostou de fazer sexo oral, apenas de receber. Isso só mostra que não há coisa ruim quando se trata de sexo; apenas existe a pessoa certa, e existem as erradas...

Decidindo que já vira o suficiente (e que chegaria ao orgasmo se continuasse a assistir Naruto chupar seus dedos com aquela expressão despudorada no olhar), Kakashi retirou os dedos de boca do Uzumaki. Em seguida passou a acariciar o lábio inferior do outro brevemente, antes abaixar sua mão até a entrada de Naruto, colocando o primeiro dedo com cuidado.

_ Siiiiiiimm... – o loiro suspirou, rebolando um pouco. O dedo de Kakashi era mais longo que o seu, então causava uma sensação ainda melhor, quase atingindo aquela região que ele sabia que deixava qualquer um louco de tesão.

Kakashi abocanhou um de seus mamilos, iniciando um vai e vem veloz com seu dedo médio, acrescentando o indicador logo em seguida. Naruto não pareceu se importar, muito pelo contrário: grunhia, gemia, implorava por mais.

_ Anda Kakashi, anda! Esperei demais por isso, mais rápido! Mais fort...

Kakashi o beijou na boca quando inseriu o terceiro dedo, interrompendo seus pedidos necessitados. Não porque não gostasse de ouvi-los, mas porque não tinha certeza se conseguiria evitar o orgasmo enquanto ouvia aquela tentação falar sem parar.

_ Esqueça, você não é um simples demônio. – murmurou ao interromper o ósculo.

Naruto instantaneamente mordeu o lábio inferior, mantendo os olhos fechados e rebolando com afobação em seus dedos, demonstrando que não doía mais nada. Kakashi rosnou baixo, e isso fez com que o mais novo sorrisse com prepotência.

_ Sou o que? Um anjo? – o filho da puta teve a ousadia de perguntar com a maior cara de pau do mundo; Kakashi gargalhou ferozmente.

_ Só na aparência, porque agora não caio mais nessa. Não, não... Você é um incubus(6).

_ Um o que... Ahhh!

Achei! – Kakashi não pode deixar de sorrir, satisfeito por ter encontrado a próstata de Naruto. Foi como apertar um botão de ligar, porque o loiro simplesmente enlouqueceu abaixo de si. Arranhou suas costas, rosnou palavras tão obscenas que até ele sentiu vergonha, enquanto rebolava cada vez mais e mais.

_ N-naruto, não aguento mais. – Kakashi falou em alto e bom som depois de um minuto de espetáculo, retraindo seus dedos e se posicionando entre as pernas do parceiro.

_ Então vem Kakashi. – ele sussurrou, puxando-o sensualmente para si ao circundar sua cintura com as pernas. – Vem, porque meu corpo está há anos implorando por ser fodido por você.

Kakashi levou uma de suas mãos para a barriga de Naruto, pressionando-o contra o colchão para que parasse de se movimentar. Olhou sério para o outro, e este retribuiu seu olhar com preocupação, perguntando-se o que havia feito de errado.

Droga, provavelmente Kakashi iria reprimi-lo por falar muita besteira... Ele e sua boca grande.

_ Eu não vou te "foder" Naruto. – Kakashi respondeu, e o loiro inspirou com força, indignado, provavelmente iria gritar tão alto que até as pessoas dos outros quartos iriam escutar. Kakashi o silenciou com um beijo, adentrando um pouco o seu corpo e arrancando um pequeno choramingar de dor. – Eu vou fazer amor com você. – murmurou sobre seus lábios, mordendo seu queixo para tentar extravasar o prazer que sentia.

O Uzumaki jogou a cabeça para trás, soltando um murmúrio de dor e prazer. Esses dois sentimentos se misturavam de forma tão intensa que era difícil decidir qual sobressaia. Quando Kakashi finalmente conseguiu penetrá-lo completamente, ele respirou profundamente diversas vezes, tentando acalmar seus sentidos mais primitivos.

Transar com Naruto era muito, mas muito mais intenso do que com qualquer mulher que um dia se deitou. E ele nem estava se referindo ao sexo anal, porque já fizera isso com algumas namoradas. Não. Era intenso porque era o Naruto, o seu Naruto, e porque ele o amava tão intensamente que ele conseguia até mesmo sentir.

E era tão... Tão... Tão... Singular!

_ N-naruto... E-eu... – e foi o loiro que o calou dessa vez, beijando-o avidamente; Kakashi se sentiu no céu.

Quando se deu conta de suas ações novamente, ele já se movimentava um pouco, arrancando suspiros de prazer de seu amante. O Uzumaki agora correspondia o beijo que, de alguma forma, foi dominado por Kakashi em meio a troca de carícias sexuais. Movimentava-se abaixo de si, mais rápido do que suas próprias investidas, exigindo uma penetração mais intensa. E foi aí que o mais velho percebeu algo que não havia se deu conta até então...

O girou novamente, e desta vez o loiro sentava acima de seu colo, ainda com o membro do mais velho dentro de seu corpo.

Naruto piscou, atordoado pela movimentação súbita e inesperada.

_ Você gosta de estar no controle, não é Naruto? – Kakashi perguntou, aguardando uma resposta do outro.

E ele sorriu. A visão de um deus grego suado daquela forma, corado pelo prazer, com as pupilas dilatadas, com os olhos entreabertos devido ao êxtase... Kakashi quase gozou, e precisou suspirar com muita calma para se controlar.

_ Você me entende tão bem na cama... – o loiro respondeu, rindo baixinho. – Podia ser assim sempre, brigaríamos menos.

_ Nah, brigar com você é quase um passatempo divertido. – respondeu, ainda respirando com calma e mantendo os olhos fechados.

_ Idiota. – Mas apesar das palavras ele ria, sentindo-se feliz, realizado, completo.

Aceitando a proposta implícita, Naruto adquiriu seu próprio ritmo, prendendo o quadril de Kakashi contra a cama, e subindo e descendo em seu falo, conhecendo o corpo abaixo de si com os dedos demandantes, acariciando cada parte exposta de seu corpo.

_ Você é maravilhoso. – ele disse, realmente hipnotizado por cada detalhe na pele de Kakashi: pelo sorriso branco e brilhante; pelos músculos salientes, sem serem exagerados; pelo cheiro delicioso de sua colônia que impregnava o ambiente.

_ Não mais que você. – o outro respondeu, pegando uma das mãos de Naruto e entrelaçando seus dedos.

O mais novo, pela primeira vez desde que começaram a transar, chorou. Não de dor, ou de tristeza, como antes. Chorou de felicidade, silenciosamente, molhando o rosto de Kakashi com as lágrimas salgadas quando se abaixou para beijá-lo.

_ Eu te amo. – sussurrou em seus lábios, tomando-os para si, apreciando-os com devoção.

E a partir dali, era difícil dizer se toda a noite foi um sonho celestial, ou uma realidade perfeita. Kakashi preferia acreditar que foi, simplesmente, a melhor note de sua vida. Já Naruto?

Bem... Naruto tinha certeza disso.

(***)

_ Itachi.

_ Quieto Sasuke!

_ Mas Itachi, você não devia...

O moreno lhe lançou um uma reprimenda com o olhar rubro, demonstrando seu péssimo humor para discussões. Tirou a agulha do braço de Sasuke e o pressionou com o algodão seco, colocando a outra mão do garoto acima do machucado para que o sangue estancasse.

_ Itachi, você não pode ver o Madara assim! – Sasuke insistiu teimosamente, saindo da cama e correndo até a pequena cômoda, onde Itachi colocou a centrífuga portátil.

Ela veio com a mudança das coisas de seu apartamento, e Karin não questionou muito sobre o objeto. Sasuke o manteve escondido, mas assim que ele e Itachi se reencontraram e conversaram sobre os acontecimentos, eles decidiram colocá-la ali para eventual uso.

Itachi não tocou no assunto desde aquele dia e Sasuke supôs que o namorado utilizou a proteína feita com o sangue de Madara. Só que depois de uma semana desde que Kisame e Naruto invadiram seu quarto, Itachi apareceu naquela tarde, aparentando estar nervoso com algo e lhe deixando preocupado.

Madara mandou um recado por meio de outro Akatsuki (alguém chamado Paint ou algo assim), dizendo que Itachi teria uma reunião de emergência dentro de duas horas. É lógico que Sasuke não caiu nisso, muito menos Itachi. Desse modo, seu namorado ligava a centrífuga com pressa.

_ Sasuke, eu te disse, preciso da proteína! Estava evitando injetar por sua causa, pra não te deixar sozinho caso você tivesse outro acesso de efeitos colaterais. – disse Itachi tentando reunir os vestígios de sua paciência.

Mas era difícil com Sasuke sendo tão cabeça-dura. Ele sabia que o outro estava preocupado por ele e o que aconteceria caso Madara fizesse algo, entretanto, ele não tinha muita escolha. Respirando fundo para acalmar-se e tentar recobrar sua compostura, Itachi continuou:

_ Se eu estivesse dormindo, você poderia ter até morrido por hipotermia. Você sabe disso!

_ É claro que eu sei disso! – exclamou Sasuke contrariado, revirando os olhos em frustração. Estava indignado pela falta de confiança de Itachi. – Eu já te disse pra parar de me tratar feito criança! Eu sei me virar, porra!

_ Ah, 'tá estou vendo! – comentou Itachi com falsa displicência. – Quem é que está perdendo o controle direto? E não no bom sentido.

Sasuke corou e se enfezou com o comentário, juntando as sobrancelhas em irritação. Itachi fez um barulho de impaciência com a garganta e voltou sua atenção para a centrífuga, apertando os botões pertinentes e observando o aparelho funcionar.

Era verdade, Sasuke estava com grandes problemas para aprender a controlar esses malditos efeitos colaterais. No dia seguinte a todos aqueles acontecimentos, Itachi propôs uma nova rotina de treinamento, mais puxada que a anterior, e Sasuke sentia cada pedaço do seu corpo protestar quando voltava para casa pela madrugada.

O treino consistia basicamente em duas coisas: Itachi o irritava até que seus olhos ficassem violetas, algo que só descobriu ter depois de horas de explicações de Itachi, ou melhor, horas de bate boca porque Itachi tinha dito que as malditas pílulas não modificariam seu organismo; e depois de ativar os olhos, ele precisava lutar naquelas condições e treinar seus novos sentidos.

Era um desastre.

Sentidos aguçados são ótimos, quando você sabe utilizá-los. Caso contrário, podem ser usados contra você. Itachi era um profissional nessa área.

Eu que o diga! Quando Itachi começou o treinamento de audição e não parava de gritar no nosso ouvido, eu achei que nosso cérebro iria explodir.

E o dia que ele nos fez cócegas? Eu achei que o Sasuke ia mijar nas calças!

Tsk, isso não é nada! E aquele dia que ele apareceu com uma lanterna, e a ascendia toda vez que o Sasuke fazia algo errado? Porra, ficávamos quase quinze minutos sem ver!

Eu não vi nenhum de vocês me ajudando! Parem de reclamar caralho!

É, o treinamento era vergonhoso dessa forma. E ainda tinha o combate corpo-a-corpo, que estava bem mais puxado que o anterior. Mas isso não significava que Itachi podia jogar isso na cara dele! Ele estava se esforçando oras, o que ele esperava atingir com apenas uma semana de treinamento? Itachi só queria que ele vencesse a São Silvestre sem nenhum preparo!

_ Desculpa se eu não sou um "gênio" como você Itachi, mas eu faço o que posso! – Sasuke retrucou com irritação.

_ Então não está fazendo o suficiente! – a voz de Itachi soou gélida e acusatória.

O Uchiha, sem perceber, ativou novamente os olhos peculiares e sentiu o ambiente diferente. Irritação era uma das causas para aquele tipo de comportamento, e ele já devia ter aprendido a controlar isso. Porém não era assim tão simples.

No mesmo instante, Itachi olhou para trás e o pegou no flagra; mais uma vez ele se descontrolara, e já era a segunda vez naquele dia!

_ Ah ótimo! Agora você vai ter efeito colateral de novo e eu não vou estar aqui! Mandou bem Sasuke! – o grau de ironia de suas palavras feria Sasuke gradativamente, mas ele não queria dar um braço a torcer.

Estava prestes a retrucar (e a um passo de levar a discussão para algo físico) quando ouviu uma batida suave na porta.

_ Sasuke? Posso entrar? – era Karin.

E dessa vez o truque da calcinha rosa não ia funcionar.

_ Karin, não, espera! – ele correu em direção a porta no mesmo instante que ela abriu uma fresta, empurrando-a e trancando-a em seguida. – Eu... E-eu...

Sasuke suplicou que Itachi o ajudasse com o olhar, mas o outro moreno estava ocupado demais olhando para a porta com os olhos brilhantes a postos, como se no corredor houvesse um verdadeiro rival.

Ele tem ciúme da Karin.

Tsk, claro que não.

Olha Sasuke, vou ter que concordar. Ele tem muito ciúmes da Karin.

_ Você está se trocando? – Karin questionou, e Sasuke se estapeou mentalmente por não ter pensado nessa desculpa.

_ É! É! Isso, me trocando!

_ Bom, então deixa o Naruto entrar pelo menos. Ele veio te visitar. – ela falou, de novo forçando a maçaneta, mas não conseguiu abri-la.

_ Abre Teme! Hoje posso te ver pelado sem problemas! – Naruto falou com energia.

Sem que se desse conta, Sasuke acabou rindo baixinho e seus olhos voltaram ao estado natural. Itachi chamou sua atenção com um estralar de dedos, gesticulou sinais positivos para indicar que suas íris voltaram ao normal, e se escondeu no banheiro da suíte.

_ Eu não estou pelado Naruto, estou de calças, seu idiota. – Entendendo a mensagem, Sasuke arrancou a camisa e abriu uma pequena fresta, olhando para fora e dando de cara com o loiro sorridente do outro lado.

_ Oi Teme! – Naruto o cumprimentou com energia, empurrando a porta e entrando de vez no cômodo.

_ Que história é essa de "hoje posso te ver pelado sem problemas"? – Karin questionou com malícia.

Inicialmente, Sasuke não entendeu o tom malicioso até que uma voz do além lhe sussurrou que a garota diante de si estava imaginando coisas impróprias, que envolviam ele pelado tentando alguma coisa com Naruto.

Esse pensamento lhe deu calafrios e Sasuke novamente encostou a porta, dessa vez com um pouco mais de brutalidade, deixando o mínimo de fissura para se livrar logo de Karin.

_ Idiotices do Usuratonkachi, não dê ouvidos.

_ Aham, sei... – sussurrou a ruiva dando-lhe uma piscadela.

Sasuke revirou os olhos em irritação.

_ Ei! Eu 'tô bem aqui sabia?

Mas a ruiva e o moreno ignoraram a indignação do Uzumaki, que agora se sentava na cama como se estivesse em sua própria casa, arrancando os tênis com um movimento de pés. Sasuke girou os olhos com impaciência. Ele estava cercado de idiotas: tinha um namorado idiota, um melhor amigo idiota, e uma anfitriã idiota. Ele voltou sua atenção para Karin, se dando conta que ela o observava sem camisa com nenhum pudor no olhar.

Pigarreou, tentando deixar claro que não estava ali para servir de paisagem para garota. Ela sorriu, erguendo o olhar e encarando-o nos olhos.

_ Vou fazer um café pra nós. – sugeriu com energia, mas não aguardou uma resposta de Sasuke, caminhando novamente pelo corredor.

_ Você quer dizer "mandar fazer um café", não é? – Sasuke perguntou.

Ele sabia muito bem que a garota era incapaz de fazer qualquer coisa na cozinha; talvez não conseguisse sequer ferver água. Isso provavelmente advinha de uma vida de luxo, onde criados faziam tudo por ela desde o berço.

Mesmo assim, Karin era uma boa companhia. Não conversava muito com a garota, mas ela decidiu ajudá-lo e, por mais que levasse no mínimo três foras diários, jamais se irritava com Sasuke ou deixava de oferecer sua hospitalidade. Itachi detestava quando Sasuke precisava sair do quarto para "fazer social", e Karin obviamente amava esses momentos. Ao que parece, Naruto iria juntar-se aos dois naquele fim de tarde.

_ É! – ela respondeu por cima do ombro quando chegou à escadaria, descendo com animação.

Sasuke fechou a porta e direcionou sua atenção para Naruto e Itachi, que pelo jeito não optou por tomar banho como na outra ocasião e voltou ao quarto assim que ouviu o barulho da porta. Seu namorado o observava com os braços cruzados e um olhar ainda mais furioso (seria possível?), e até Naruto se mantinha quieto diante do ar hostil que o mais velho emanava. Todavia, era óbvio que o loiro estava se divertindo com a reação de Itachi, pois mordia o interior das bochechas como se tentasse conter uma gargalhada; Sasuke às vezes se questionava se Naruto tinha ou não senso de perigo - Noutros momentos, ele tinha certeza que o amigo tinha uma alma suicida.

_ O que eu fiz agora? – o Uchiha perguntou, sentindo-se perdido pelo comportamento estranho.

_ Nada. – Itachi resmungou, tentando aparentar indiferença.

Depois ele andou rapidamente até a centrífuga para preparar a sua seringa, dando as costas para Sasuke. Apesar de estar de costas, ele tinha plena ciência que o moreno mais novo estava vestindo novamente a camisa e que Naruto miraculosamente ainda não tinha feito um comentário impertinente.

– Só não entendi porque você precisou tirar a roupa.

E aquele último comentário foi demais para Naruto que não aguentou e gargalhou com vontade, esparramando-se na cama, segurando a barriga. Itachi encarou o loiro com um olhar assassino, mas, para variar, não teve o efeito desejado. Provavelmente Naruto estava rindo demais as suas custas para notá-lo; e, naquele momento, Itachi esqueceu que se encontraria com Madara dali a alguns instantes e se concentrou em imaginar-se cortando a jugular do loiro sorridente. Isso teve um efeito demasiadamente relaxante nele.

Sasuke viu o olhar do namorado escurecer gradualmente, mesmo que lançasse um olhar mal humorado ao Uzumaki. Sasuke também sorriu, dessa vez com um ar de superioridade bem perceptível.

_ Eu tirei a camisa só pra parecer que eu estava me trocando mesmo. – justificou-se Sasuke, aumentando o sorriso em seus lábios. – Você 'tá com ciúmes Itachi?

_ Não. – Itachi respondeu rápido demais, dando um peteleco na seringa para verificar se a agulha estava presa com firmeza, tentando ao máximo não transparecer seu ódio pela garota ruiva.

E falhando miseravelmente.

_ Ah, Itachi-bastardo, mas tem que ter! Todo mundo quer um pedaço do Sasuke! – Naruto se intrometeu na conversa, arrancando olhares de irritação para si dos dois morenos presentes. E não se importando nem um pouco por isso.

Para ser franco, Naruto estava acostumado a domar aquelas feras. Teve um longo e árduo treinamento com Sasuke, e Itachi, por mais mortal que fosse, ainda era menos temperamental que o Uchiha.

_ Não 'tá ajudando Dobe! – Sasuke murmurou irritado pelo canto da boca.

Itachi ignorou Sasuke, calmamente se virando para encarar o Uzumaki e usando uma voz suave, na mera tentativa de responder Naruto sem demonstrar seus reais sentimentos e conter seu instinto assassino.

_ Inclusive você, não é Uzumaki?

Porém sua pergunta teve uma reação diversa da que pretendera e Itachi precisou piscar para entender o que de errado ele disse. Naruto e Sasuke lhe encararam com as mesmas expressões faciais mortificadas, ambos com uma careta de desagrado, examinando-o como se ele fosse de outra espécie. Era quase... Cômico.

E olha que Sasuke não gostava de fazer cara de idiota! O Uchiha suspirou pesaroso, passando as mãos pelos cabelos, aparentando estar extremamente frustrado, enquanto Naruto pegava um travesseiro de Sasuke e batia a cabeça nele, também demonstrando grande frustração.

Itachi apenas olhava de um para outro, sem compreender nada. Instintivamente ele olhou para Sasuke, pedindo por uma explicação, mas o outro apenas fez um gesto com a mão, aparentando estar cansado e indo em direção ao Uzumaki. Sem escolha, e se sentindo novamente irritado, Itachi procurou ajuda nos olhos doe Naruto.

_ Cara, eu 'tô tão cansado de explicar isso toda hora... – o loiro murmurou, e Sasuke concordou com um breve aceno de cabeça. – Por que raios é que todo mundo vê a gente como um casal?

_Não me pergunte. Isso é... – disse Sasuke ao lado da cama.

Os dois se encararam e ao mesmo tempo disseram "Urg", seguido de uma careta. Sasuke tinha perdido as contas de quantas vezes lhe inquiriam se ele e Naruto estavam saindo juntos. Na escola, na faculdade e até mesmo no trabalho, sempre havia um imbecil para perguntar!

O que diabos têm de errado com o mundo todo?

Ah... Acho que se Naruto não fosse um Dobe idiota e vocês não tivessem sido criados juntos, fariam um casal interessante.

Até tu Brutus!? Você está oficialmente banido desse cérebro.

Você não pode fazer isso! Eu só expressei minha opinião!

Não precisava expressar esse ponto!

Não se estressem! Eu não quero ter cabelos brancos antes do tempo!

Contudo, a voz de Naruto interrompeu os pensamentos absurdos, e Sasuke quase agradeceu aos céus por isso.

_ Sasuke é como se fosse o meu irmão Itachi, eu não tenho nenhum tipo de tara por ele. E o que eu disse sobre "ver pelado" aquela vez é porque... Bem... – Naruto parecia hesitante e corou um pouco. Automaticamente Sasuke se virou para encarar Itachi, vendo o olhar do namorado ficar cada vez mais avermelhado. – Eu estava numa seca fodida e o Sasuke não é um cara feio, vamos combinar.

Naruto gostaria muito de cavar um buraco na terra e se enfiar lá dentro, não pelo constrangimento de falar disso para Itachi e Sasuke, mas porque se sentia um completo idiota ao ter que falar de hormônios para alguém visivelmente mal humorado e com instintos assassinos direcionados para ele. O buraco na terra seria quentinho e seguro, sem assassinos de olhos vermelhos e psicóticos!

_ Minha cabeça pode não sentir nada pelo Sasuke, só que eu... hum... Eu não queria passar por um constrangimento aquele dia. – concluiu Naruto arriscando olhar para Itachi e vendo uma promessa de morte lenta e dolorosa estampada naquele olhar rubro. – E outra, relaxe: já tenho alguém.

Itachi ainda manteve o olhar escarlate sobre si durante alguns segundos, mas eventualmente os olhos do outro foram ficando negros, inclusive a leve veia que pulsava na sua tez, ligeiramente encoberta pela franja, minimizou. Isso só poderia significar uma coisa: pelo menos por enquanto, Itachi não lhe mataria.

Por sua vez, Itachi decidiu acreditar no Uzumaki por duas razões: primeiro porque Naruto realmente soava sincero; segundo ele não poderia perder tempo brigando com os garotos. Realmente precisava ir pra tal reunião o quanto antes, assim abaixou a seringa e inseriu a agulha, injetando o líquido em sua veia.

Indiferente perante toda a interação entre Itachi e Naruto, Sasuke apenas se concentrou em uma informação dada por Naruto: "já tenho alguém". Todo o discurso do Uzumaki e até mesmo o feito miraculoso do Uzumaki em acalmar Itachi era irrelevante para o Uchiha naquele momento.

_ Do que você 'tá falando? Voltou com a Hinata? – Observou Itachi enquanto falava, chamando sua atenção quando viu o liquido desaparecer na seringa – Itachi...

Naruto, que agora parecia curioso com o que Itachi fazia, não respondeu a pergunta de Sasuke.

_ É só um pouco Sasuke, os efeitos colaterais não serão tão avassaladores. Mas vou precisar disso de novo daqui uns dias. – o reconfortou, mantendo a opção de não discutir mais com eles.

_ Mas e se... E se o Madara tiver descoberto?

Antes de iniciar o treinamento, Itachi contou tudo a respeito da conversa com Naruto, Kisame e de seus receios. Sasuke não era um completo ignorante, ele sabia que a situação se complicava cada vez mais. Ambos estavam preocupados, com medo de que ele adormecesse próximo de Madara e fosse assassinado se a "traição" fosse descoberta.

Mas para não preocupar mais o Uchiha, Itachi deixou de fora a informação de que Kisame, apesar de ter prometido apenas uma semana de separação, não voltou naquele dia... Sasuke acreditava que o prazo prometido por Kisame era de duas semanas, e não uma.

Itachi não tinha um bom pressentimento sobre isso. Precisava ir para se certificar do que acontecia ao redor de Madara, independente de qualquer reunião solicitada. Estava cansado de agir no escuro, isso lhe dava uma horrível sensação de falta de controle.

E, quem sabe, também estivesse um pouco preocupado com Kisame. Apenas um pouco...

_ É por isso que estou consumindo um pouco de proteína às pressas, mas nada vai acontecer. Madara tem capacidade para vir até aqui e matar todos nós, não tem? Se ele tivesse descoberto, já estaríamos mortos.

Era mentira. Uma completa mentira. Não era assim que funcionava a mente de Madara... Mas Sasuke não precisava saber disso.

_ Tem razão. – o garoto respondeu, mais aliviado, expirando com força. – Apenas volte logo, ok?

Itachi abaixou a manga de seu casaco, colocou a seringa em cima da cômoda, andou até Sasuke e acariciou seu rosto antes de depositar um selinho estalado em seus lábios. Naruto virou o rosto, odiando se sentir como "vela do casal" naquele momento.

_ Ok. Cuide-se.

Dito isso, como de costume, Itachi "evaporou" no ar, deixando para trás uma leve corrente de ar que arrepiou Sasuke dos pés a cabeça.

Mentalmente esgotado, o Uchiha sentou-se ao lado de Naruto na cama e quando virou a cabeça para olhar ao seu amigo, notou a marca roxa em seu pescoço. Independente de seu cansaço, a curiosidade era maior; e algo no fundo de sua mente dizia que Hinata jamais marcaria seu amigo dessa forma, e como Kakashi acordou há uma semana aguardando o retorno de Naruto, então... Será que...?

_ Quem é Dobe? – ele perguntou com curiosidade, fazendo com que o loiro voltasse a encará-lo.

_ Advinha! – Naruto respondeu animadamente, exibindo o maior sorriso que Sasuke já o vira dar até então e ajeitando sua postura, pulando de leve na cama enquanto o fazia.

Não precisava ser um gênio para compreender quem era a única pessoa que faria Naruto sorrir dessa forma, bem como agir igual a uma criança que acabou de receber o melhor presente do mundo. Sasuke não pôde impedir um sorriso satisfeito em seus lábios.

_ Heh. Antes tarde do que nunca!

O Uzumaki, surpreendendo seu melhor amigo, se jogou em seus braços, abraçando-o fraternalmente, e rindo baixinho diante do ruído surpreso que Sasuke emitira. Que bom que Itachi não estava ali, com certeza o outro iria interpretar tudo errado. Alguns segundos depois, Naruto parou de rir, respirando fundo para murmurar pensativamente.

_ Sasuke...

_ Hum? – o moreno respondeu, incomodado demais com aquele contato físico (ainda mantinha-se estático, sem retribuir o abraço).

_ Está acontecendo um monte de coisa horrível com você, comigo, com aqueles próximos a nós... Só que eu estou tão feliz hoje, pelo Kakashi ter acordado e... Você sabe. Eu... – mordeu o lábio, pensando na melhor forma de expressar em palavras a suas próprias incertezas. – Eu estou errado em ficar feliz?

Aquela pergunta pegou Sasuke de surpresa, mas ele logo se recuperou e sorriu um pouco. De certa forma, ele conseguia compreender exatamente a necessidade de apoio que o Uzumaki precisava e o abraçou em retorno, relaxando um pouco mais.

_ Não Naruto. – respondeu Sasuke com suavidade. – Você não é egoísta por ver uma luz no fim do túnel. Ninguém nasce apenas pra sofrer, então aproveita seu momento de felicidade!

E foi o que ele fez; Naruto interrompeu o abraço, colocou-se de pé com energia e começou a narrar com animação tudo que Kakashi havia dito e feito (por mais aterrorizante que fosse para Sasuke saber dos mínimos detalhes).

Apesar de toda preocupação com Itachi, Sasuke sorria perante o humor contagiante de Naruto, se perguntando mentalmente há quantos anos não o via dessa forma.

Era tão bom ter o verdadeiro Usuratonkachi de volta!

Senti tanta falta dele!

Eu também.

...

Vamos, parcela mental insuportável, admita!

Ok, eu também.

Melhor assim!

Hunf.

... Continua ...


(1) – Alguns casos de albinismo (os mais crônicos) as pessoas perdem a melanina nos olhos e eles se tornam vermelhos. Na verdade é porque as células da íris ficam transparente, sem cor, então a luz reflete diretamente nos vasos sanguíneos capilares dos olhos, e assim ele acaba refletindo a cor do sangue, o vermelho. Ainda sim, é muito raro um albino ser tão desprovido de melanina ao ponto de ter a coloração rubra nos olhos, então talvez vocês só conheçam albinos com olhos normais.

(2) – Superflat é um movimento artístico pós-modernista, que se contrapõe ao movimento pop, no Japão. Eu lembro vagamente do Deidara falando sobre isso no anime, de ele ser um artista superflat (e lembro que a legenda ignorou completamente isso =P Eu só capturei na fala dele essa palavra porque fui ninja-auditiva auhauhaua). Dei uma pesquisada sobre o personagem e minha suposição estava certa, ele realmente falou isso. Depois que você percebe a ligação das explosões do Deidara com esse movimento você entende um pouco melhor o que ele quer dizer como "arte", porque o movimento superflat é contrário ao vazio intelectual do movimento pop. Ou seja, ele é cultua a destruição do pop. Bem, isso só está aqui a título de curiosidade.

(3) GPL: Gás Liquefeito de Petróleo. É o que tem dentro do botijão de gás (ou do encanamento de gás, caso você não tenha esse tipo de coisa dentro da cozinha). Não vou dar aula de química aqui, se tiverem curiosidade pra saber o que tem dentro do botijão procurem no google! o/

(4) Rõtschreck: Calma, eu ainda não expliquei hahaha! Eu quis dar um exemplo de Frenesi e outro de Rõtschreck antes de explicar, e essa explicação vem no capítulo que vem. Mas vocês podem chutar!

* Ainda a titulo de curiosidade: eu não coloquei o Sai e o Gaara como vítimas do Deidara por acaso. Eu coloquei o Gaara porque foi Deidara quem o capturou no mangá, assim que ele se tornou Kazekage, e coloquei o Sai porque teve um atrito grande entre o Deidara e o Sai depois do Edo Tensei. Deidara envolveu até o Shin (irmão do Sai), o comparou com o Sasuke e ridicularizou sua arte. Sem dar maiores spoilers pra quem não está em dia com a trama original, tanto Gaara quanto Sai tem uma ligação com o Deidara sob forma de vítimas, e foi por isso que ele foi o escolhido para tal investida.

(5) Isso não tem comprovação cientifica, mas muitas pessoas que passaram por um coma dizem que se recordam das conversas no ambiente, dos toques, dentre muitas outras coisas. A ciência até hoje tenta descobrir se isso é verdade, ou se são meras coincidências. Como eu sou uma pessoa espiritualizada, eu acredito que esse tipo de coisa não acontece por acaso... Mas esta é apenas a minha opinião sobre o assunto!

(6) Hahahha é uma nota, não o emoticon do msn (apesar de combinar). Incubus é um demônio sexual com aparência masculina. Bom, existem vários tipos de demônio pra quem acredita neles e estuda mais a fundo, e esse é um deles. Ele suga a energia dos humanos através do sexo... Dizem que sonhos pervertidos são atos de incubus (quando a pessoa do sonho é um homem, mesmo que seja algum conhecido nosso) ou uma succubus (quando é uma mulher). Isso também é uma curiosidade, e apesar de eu conhecer não faz parte da minha crença particular.


N/A: Ok folks, espero que tenham gostado do pseudo-fluffy. Não é minha especialidade, mas eu me esforcei porque a cena pediu... tanto me esforcei que uma hora desandei e deixou de ser fluffy hahaha mas ok, faz parte, não consigo fugir tanto do meu estilo.

Isso foi um presente. Eu não pretendia fazer Naruto e Kakashi transarem agora, mas quis dar esse presente a vocês antes da última etapa da fanfic (não sei se perceberam, mas a fanfic está dividida em três etapas, e iniciaremos a terceira agora).

O próximo capítulo será pesado, MUITO pesado... Certifiquem-se de que possuem estomago forte antes de iniciar a leitura. Os warnings da fanfic não estão ai só pra fazer charme, eu espero que todos vocês tenham prestado atenção neles antes de iniciarem a leitura da fanfic.

De qualquer forma, obrigada pelo suporte leitores lindos! Até a próxima e um grande beijo a todos!


Respostas reviews "guest":

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SrtaSolaria:

Oi linda! Muito obrigada pela força! Fico feliz com o elogio, porque sempre faço o possível!

Claro que você dá sua opinião! Cada um tem um jeito diferente de se expressar! ^^

Que bom que gostou do capítulo e conseguiu ver a semelhança com a obra original! Faço isso propositalmente, adoro! Huhauaua!

Genialidade do Naruto assusta? Ahhh... tem que deixar é feliz, isso é uma luz no fim do túnel! Hehehe!

Amei o beijo diferente uahauhauhauhuahua!

Como eu não sou tão criativa como você, te mando um beijo convencional mesmo hahaha!

Muito obrigada pela opinião Querida!

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Giih:

Olá Giih!

Amei demais receber sua review! Foi muito bom você ter me mandado a sua opinião e deixado de ser fantasma! ^^ Eu gosto mundo quando os leitores entram em contato comigo, e você foi muito gentil! Não tem porque ter timidez comigo, sou super cara de pau e sem frescuras hahaha! E pode ter certeza que seu comentário me fez sorrir bastante!

A opinião dos leitores é sempre importante! Ainda mais quando é um leitor como você, que já me acompanha desde a época da minha primeira fanfic, e pode dar uma opinião sincera sobre a minha evolução (ou regressão hahaha!).

Fiquei contentíssima com seus elogios! E se você for ler The Plan mesmo, espero que goste! Ela é diferente das Uchihacests, mas tem alguns leitores mútuos hahahah!

Nho! *-* Fico muito contente que você goste tanto da leitura das minhas fanfics ao ponto de ansiar pro mais! S2 Muito obrigada!

Hahahaha é, sempre tem umas partes mais quentes nas minhas fanfics né? Sou perva também, não consigo deixar minha natureza de lado na hora de escrever hahahaha!

Huahuahuahua que bom que gostou da cena do "carro" e da irritação do Itachi! Coitado dele né, quase surtou!

Falou bastante sim! Eu amei seu comentário, muito obrigada mesmo. Vou aguardar seu comentários então ok?

Muito obrigada por acompanhar meu trabalho até hoje! Fico muito feliz por isso!

Um beijão!