Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: Linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: Oie. Não tenho muita coisa pra dizer nessa nota, apenas quero agradecer aos leitores que comentam! Vocês são meus amados 8%. Não sei o que seria sem vocês!
E boa leitura a todos os leitores, independente de comentarem ou não.
Até o próximo capítulo.
HAUNTED
Capítulo XXV
Sasuke imaginou que finalmente estivesse conseguindo progresso com o controle dos efeitos colaterais, pois ao que tudo indicava não iria sofrer a fadiga e o frio descomunal que sempre o atingia logo após o desaparecimento dos olhos violetas. Contudo, isso não passava de uma comemoração impertinente e antes do tempo.
Depois de descer para a sala e se sentir vitorioso pelo suposto feito, ele aceitou uma xícara de café e caminhou até uma das poltronas. Mas no meio do caminho, todos os efeitos colaterais reapareceram: estava tremendo muito de frio e mal conseguia manter os olhos abertos. Derrubou sua xícara de café sem conseguir dar o primeiro gole, trazendo para si a atenção dos outros dois presentes.
_ Sasuke? – Karin indagou, aproximando-se rapidamente do moreno.
_ Ei ei, Teme, calma! – Naruto exclamou, correndo mais rápido do que a garota e agarrando os ombros de Sasuke, numa tentativa de mantê-lo de pé, segurando-o a tempo.
_ Eu... Eu achei... Achei que não ia acontecer... Já passou... Quinze minutos... – o Uchiha murmurava com muita fraqueza em seu tom de voz. Sentiu as penas cederem abaixo de si e envolvendo os braços ao redor de Naruto para conseguir algum tipo de apoio.
O Uzumaki foi ágil o suficiente, o segurando de forma desajeitada no colo, levando-o até a cadeira mais próxima a fim de inspecionar sua pulsação.
_ De novo Teme? – apesar do tom de voz irritado, a preocupação que sentia era palpável. Será que Sasuke teria esses efeitos colaterais terríveis a todo o momento?
Ademais, não estavam na companhia de Itachi agora, e apesar de Naruto suspeitar que Kisame os assistisse de longe, não era nem um pouco reconfortante e tranquilizador ter de cuidar de um Uchiha doente sozinho. Ele não era uma pessoa qualificada para isso!
_ O que ele tem? – Karin indagou, seu tom de voz repleto de preocupação.
Sasuke agora fechava os olhos se aproximando cada vez mais de Naruto e depositando a cabeça no ombro do amigo, que ainda tentava medir sua fraca pulsação. O Dobe estava quente, e ele estava com frio; era desta maneira simples que seu cérebro trabalhava no momento.
_ Ele está com... Anemia.
Essa foi à primeira resposta deslavada que Naruto conseguiu pensar, e Karin pareceu engolir, pois ficou quieta e não atrapalhou mais.
Naruto não tinha nenhuma especialidade em medicina, mas como estudante de educação física sabia identificar algumas doenças relacionadas com a fadiga muscular e, apesar de não ser exatamente o caso em questão, sabia os primeiros socorros. Sendo assim, era de praxe medir a pulsação de seus alunos em momentos de crise, logo conseguiu averiguar que a pressão sanguínea do Uchiha caia bem rapidamente.
_ Teme, vou te levar pro quarto. – urgentemente, segurou o outro com firmeza em seu colo, gemendo pelo peso de Sasuke (Droga, ele parecia bem mais magro!).
_ Não me carregue assim Dobe...! – ele respondeu, ainda lúcido o suficiente para sentir vergonha e humilhação pela posição; era quase como se ele fosse uma mocinha precisando de resgate.
Mas Naruto o ignorou prontamente, subindo as escadas com grande esforço, ainda o mantendo em seus braços.
Quando finalmente tocou os lençóis, Sasuke se deu conta do quão furioso estava consigo mesmo. Novamente falhara! Porra! Itachi ficaria furioso mais uma vez. Céus, ele mesmo estava completamente lívido com sua incapacidade.
Sasuke, não seja tão duro consigo mesmo.
E outra, não se importe tanto com a opinião do Itachi. Você tem que fazer isso por você, não por ele.
É Sasuke. Seja razoável... 'Tá certo, Itachi é tudo de bom, mas você tem que pensar primeiro nas suas necessidades.
Ele não teve tempo de responder mentalmente a sua opinião sobre o assunto, pois segundos após ser colocado deitado contra a cama, entrara em um sono profundo e sem sonhos.
Naruto o observou por algum tempo, cobrindo-o da mesma maneira que Kisame instruíra na outra ocasião. Quando se certificou de que não havia frestas no edredom para o escape de calor, o mais novo pegou o copo vazio da cabeceira do amigo, lembrando-se que ele sentiria muita sede ao acordar. Virou-se para voltar a cozinha e buscar uma jarra d'água e trocar o copo por um limpo, mas seus planos foram interrompidos ao dar de cara com Karin, parada na porta do quarto.
_ Nós precisamos conversar. – a ruiva falou, empurrando os óculos que haviam escorregado para a ponta do nariz, caminhando dois passos para dentro do quarto e entregando um pequeno cartão para o loiro.
O loiro leu, releu, leu mais uma vez, e finalmente pareceu compreender a profundidade das informações contidas ali. Abobalhado, encarou a ruiva com perplexidade, e não lutou contra a mão da garota, que agarrou o seu braço e o puxou em direção à saída.
Afinal de contas, precisavam de privacidade para conversar e ela sabia que aquele quarto podia ser muita coisa, mas definitivamente não era privativo...
Naruto e Karin já estavam bem longe dos aposentos de hóspede quando alguém adentrou pela janela e apreciou o Uchiha como se, enfim, tirasse a sorte grande.
_ Finalmente, Sasuke. – o intruso murmurou, deixando uma risada baixa e rouca escapar entre os seus lábios, preparando-se para fazer o que já devia ter feito há muito tempo.
A alguns metros daquele lugar, Naruto ouviu os passos, sem saber o que acontecia dentro do quarto. Eram suaves e nem mesmo identificou o ruído como sendo passos, acreditando que pareciam mais um suave ranger do piso de madeira do que passadas propriamente ditas.
Ainda sim, isso o deixou com uma "pulga atrás da orelha" e ele parou de caminhar subitamente, segurando a mão de Karin com força para que ela também parasse de andar.
_ Naruto! – ela protestou, massageando o ombro que quase deslocara com o puxão inesperado.
_ Você ouviu algo? – Naruto questionou, virando-se para trás e encarando a porta fechada no fundo do corredor.
A ruiva, impaciente, continuou a puxá-lo para longe do quarto.
_ Não é nada, para de paranóia e venha! – ordenou com urgência, conseguindo a atenção do Uzumaki novamente para sim.
Pelo menos não é nada que poderíamos ter evitado, Naruto... – Pensou com amargura, sabendo que muito provavelmente Sasuke Uchiha já não se encontrava mais sobre o seu teto.
(***)
As paredes brancas, o teto gelado, a cama dura... Nada disso o incomodava mais. Alias, Gaara tinha uma suspeita de que nada mais poderia incomodá-lo naquele local. O mundo exterior, os problemas, as dificuldades... Tudo havia desaparecido, se perdido em um passado próximo, que inconscientemente parecia cada vez mais distante.
Quando o colocaram no manicômio e o levaram para o seu (estupidamente branco) quarto, Gaara suspirou com letargia. Ali podia não ser o melhor destino do mundo, mas certamente era melhor do que ele esperava; ao menos naquela solidão estaria em paz.
Ele não conseguia deixar de pensar em castigo divino.
É tolo pensar assim, mas muito provavelmente essas coisas aconteceram por culpa do seu passado, da pessoa que um dia fora. O ruivo judiou de tanta gente, ameaçou tantas vidas... Suspeitava que provavelmente algumas de suas vítimas se tivessem se suicidado, simplesmente pelo medo de suas ameaças ou por não desejarem sofrer mais.
Indiretamente, ele não era um simples delinquente juvenil: ele era um terrorista, um torturador, possivelmente um assassino. E não adianta o quanto ele se esforçasse para melhorar, o passado estaria sempre ali, atormentando-o, lembrando-o da pessoa asquerosa que um dia foi.
O Uchiha também não tinha a ficha limpa nisso tudo, mas Gaara achava que ele pagou mais do que o necessário pelos seus erros. Sempre soube que o maldito era órfão e talvez não fosse absurdo demais em pensar no castigo divino antecipado. Além disso, Sabaku teve certeza que o castigo de Sasuke foi ainda mais intensificado com a morte dos pais de Naruto, pois ele sofreu muito com essa perda também.
Naruto... Pobre Naruto, sempre acabava prejudicado pelos problemas dos dois. Ele não queria, de maneira alguma, que o seu castigo particular recaísse em Naruto tal como o de Sasuke o atingira. Já basta o que acontecera no passado! Independente de seu sentimento de amor pelo loiro, o Uzumaki era alguém que não merecia sofrer.
Mas o louco do Deidara deixou bem claro que poderia acabar com Naruto facilmente. E foi por isso que ele optou por se calar. Mesmo com a presença do amigo em seu quadro de visitas diariamente, ele não queria falar.
Não podia falar.
Deidara saberia, e o maldito não era uma pessoa normal... Ele era um monstro, e muito provavelmente tinha o apoio de outras pessoas como ele. Afinal de contas, Gaara sabia muito bem que por pior que uma pessoa seja, ela geralmente tende a se concentrar em gangues – agir sozinho é quase desafiar o próprio Deus. A união na criminalidade dá força, dá o sentimento de proteção e poder... Heh, metade das coisas que ele fez em sua juventude não teria feito se não tivesse o apoio de sua gangue.
Sentia-se extremamente estranho por não estar desejando se vingar do loiro excêntrico. Algumas coisas realmente mudam nessa vida sem que você sequer se desse conta disso.
Nas visitas diárias, enquanto Naruto tentava arrancar qualquer informação dele, Gaara pensava bastante. Será que o loiro o acharia completamente lunático caso ele dissesse que aquilo que aconteceu foi um castigo divino? Porque ele sabia que jamais deu indícios de ser uma pessoa religiosa... Será que seu amado iria argumentar e dizer que "Deus jamais faria algo assim"?
Será que iria, realmente, acreditar que ele estava louco?
Podia até ser, ele se sentia maluco por, de uma hora para a outra, acreditar em Deus, e ainda mais em um Deus tão rancoroso. Ele era ateu até alguns dias atrás, mas é aquilo que dizem: o ateu deixava de ser cético quando passava por uma experiência de quase morte. E, sinceramente? Gaara não encontrava outra explicação! Só podia ser castigo, o que aconteceu com Sasuke comprovava sua teoria!
Na primeira noite naquele lugar, ninguém veio visitá-lo. O medicaram com calmantes fortes, mas mesmo assim ele não dormiu. Não. Não. Não podia dormir. Tinha que por as ideias no lugar.
Se ficasse ali, como um louco, seriam poupados. Muito provavelmente a polícia suspeitava que ele fosse o causador de todo esse absurdo, principalmente porque ele e seu pai nunca tiveram um relacionamento bom. Inclusive na última vez que trocaram palavras ofensivas, Gaara declarou publicamente que o mataria assim que tivesse a oportunidade. Tinha sido no meio de uma conferência internacional da empresa, havia muitas testemunhas no local; e dificilmente a polícia não se atentaria para essa ameaça.
Apesar da ameaça ter sido proferida há mais de três anos, e de Gaara já ter seguido sua vida particular sem ter movido um único pauzinho para realizar sua vingança, provavelmente ela ainda estava viva na cabeça de todos os envolvidos.
Às vezes, quando Naruto falava sobre o passado dos dois (talvez por acreditar que ele estivesse em um quadro de amnésia, vai saber), Gaara se via obrigado a lembrar de sua família. Ele nunca teve uma família perfeita, mas também não era aquele "caos familiar" que ele acreditava ser na época de sua juventude.
Seu pai (1) tinha um gênio difícil. Era um viúvo rancoroso, mas criara três filhos com sucesso, visto que apesar dos pesares os três deram relativamente certo na vida.
Kankuro, o filho mais velho, cursou ciências contábeis e agora acompanhava o pai nos assuntos do empreendimento familiar, e provavelmente seria quem levaria o negócio familiar adiante depois da morte do patriarca. Gaara dava graças a Deus por isso, pois odiaria ser obrigado a passar tanto tempo ao lado do pai, aprendendo como conduzir aquele hospício que ele chama de "empresa".
Temari, a filha do meio, se tornara militar, contrariando todas as tendências estereotipadas da família Sabaku. Inicialmente o pai torceu o nariz para isso, mas ao ver que sua menina realmente tinha muita vocação para a profissão e que ela lhe daria certa estabilidade, apoiou sua escolha. Afinal de contas, Temari sempre foi a favorita.
Já Gaara... Bom... Gaara era a ovelha negra, por assim dizer. Foi por causa de seu nascimento que sua mãe, Karura, morreu no parto. Ele nasceu prematuro, com muitas complicações hospitalares, causando estresse para o pai desde que abriu os olhos pela primeira vez. Apesar de Kankuro e Temari afirmarem que sua mãe ansiava o seu nascimento com muito amor, o pai preferiu colocar a culpa da morte de sua amada na pequena criança problemática e fraca. E esse comportamento hostil com o filho caçula perdurou durante os próximos anos.
Inicialmente, seu pai era extremamente rígido consigo, e Gaara tentava suprir suas expectativas, acreditando que aquela era sua forma de demonstração de amor. Mas depois dos cinco anos de idade, Gaara compreendeu que seu pai o odiava, o desprezava, assim como uma pessoa odeia o assassino de um familiar próximo.
Como criança, agiu de maneira infantil, provocando-o, fazendo arte, clamando atenção e desejando despertar no pai qualquer sentimento que não fosse o ódio; foi assim que seu pai perdeu a pouca paciência que restou, passando a ignorá-lo por completo.
Para que a vida do imprestável caçula não prejudicasse o rendimento escolar de seus irmãos, o patriarca precisou chamar alguém para cuidar do garoto. Foi naquela época que Yashamaru (2) surgiu em sua vida.
Yashamaru era seu tio por parte de mãe, tão semelhante fisicamente com as fotos que vira da sua progenitora que Gaara ficou completamente sem reação quando o conheceu. O amor que sentiu por aquela pessoa foi instantâneo, como se sua mãe houvesse ressurgido do mundo dos mortos e estava ali, naquela forma, para cuidar dele. Yashamaru o tratava muito bem, era bastante carinhoso e procurava entender seus traumas, ensinando sempre sobre o amor e a vida.
O fato é que, por algum motivo que ele não recordava muito bem, Yashamaru e seu pai brigaram e seu tio parou de frequentar sua casa. Ele ainda o procurava sempre que podia, mas como não o tinha tão próximo no seu dia-a-dia, sua influência diminuíra consideravelmente. E quando os amigos delinquentes apareceram, obviamente que a influência para o mal se tornou mais poderosa.
A última vez que falou com Yashamaru foi há dois meses, e Gaara se perguntava se o tio foi informado do que aconteceu. Se, talvez, acreditasse em sua inocência.
Difícil... Difícil...
De qualquer maneira, quando a porta de seu quarto se abriu e o enfermeiro anunciou uma visita, Gaara podia jurar que seria Yashamaru que entraria em seus aposentos. Em segunda opção, poderia ser Naruto (caso ele tivesse desistido de viajar), ou seus irmãos. Mas jamais pensou que seria aquela pessoa.
Shikamaru Nara.
Sem perceber, Gaara deixou emoções escaparem de seu controle ao observar o colega de tanto tempo atrás adentrar o seu quarto. A porta foi fechada em seguida, e Shikamaru caminhou lentamente até o lado oposto do quarto, sentando-se despojadamente na cadeira de sua pequena (e inutilizada) escrivaninha.
Shikamaru mantinha a mesma aparência de sempre: a não ser pela ausência de brincos e pelo corte de cabelo extremamente curto. Gaara franziu o cenho... Onde estava aquele espalhafatoso rabo de cavalo que ele costumava usar na adolescência? Mesmo assim, o restante de sua aparência ainda condizia com sua personalidade preguiçosa e desmotivada.
Trocaram olhares analíticos por alguns instantes, até Shikamaru sorrir com sapiência, empurrando a cadeira para trás e equilibrando-se apenas nas pernas traseiras, esticando os pés acima da mesa.
_ Sabia que era balela sua. Você 'tá bem lúcido, se não, não estaria me olhando dessa forma.
Droga! – Gaara não pode deixar de pensar. Pela surpresa, deixara a máscara cair, e agora Shikamaru já sabia suas reais intenções naquele lugar. Porque não havia como isso deixar de acontecer: afinal, com uma analise rápida, Shikamaru parece compreender tudo ao seu redor.
_ O que você quer? – o ruivo questionou com a voz rouca pela falta de uso, ainda irritado consigo mesmo pela sua falha colossal.
_ Eu quero o que todo mundo que vem aqui quer: respostas.
_ Não quero falar sobre o que aconteceu. – retrucou, mantendo as feições sérias, demonstrando que não cederia a um capricho tolo como aquele.
_ Que problemático... – ele respondeu, suspirando profundamente, mas levantando-se com um pulo. Caminhou lentamente até Gaara, mantendo as mãos nos bolsos da calça jeans durante todo o processo. – Terei de ser um pouco mais persuasivo então.
_ Vai me bater Sherlock?! – rosnou ameaçadoramente, mas nem por isso o moreno se intimidou.
Gaara estava lívido! Como aquela pessoa com quem nunca teve tanta intimidade podia ter a audácia de visitá-lo num local como aquele e, ainda sim, ordenar por respostas? Mas era muita petulância da parte dele!
Não achava que o ex-colega iria realmente lhe dar um soco ou persuadi-lo através da força física, afinal, Shikamaru era um pacifista. Mas jamais imaginou que a "persuasão" seria uma simples fotografia jogada em seu colo.
Era uma foto de Temari. Mas não uma foto qualquer da sua irmã, daquelas que geralmente apareciam nas colunas sociais dos maiores jornais do país por causa da empresa do seu pai, não.
Temari estava de branco, vestindo... Pelo amor de Deus... Um vestido de noiva!
_ O que significa isso? – o ruivo questionou com afobação, esticando a fotografia para Shikamaru grosseiramente. – De quando é a porra dessa foto?
Este, por sua vez, pegou-a com cuidado entre os dedos, olhando-a com carinho por alguns instantes antes de guardá-la novamente no bolso de sua calça.
_ Esta é uma fotografia do dia vinte e sete de janeiro do ano passado. Temari fez uma viagem à Austrália durante as férias do quartel, não fez? Então, é de lá... Veja a praia ao fundo. – Shikamaru respondeu despreocupadamente, sentando-se ao lado de Gaara naquela cama.
_ Como sabe disso? – o outro não pôde deixar de questionar, um pouco temeroso.
Será que todo o planeta estava vigiando sua vida e a de seus familiares? E que porra de vestido branco era aquele!? Só podia ser uma piada!
_ Porque eu fui junto. Afinal, eu não podia faltar o meu próprio casamento.
Se possível, os olhos verdes de Gaara se arregalaram ainda mais.
Como diabos Temari podia ter se casado sem avisar a família!? Sem avisar o seu pai! E com Shikamaru por cima das contas, céus! Ele sequer tinha consciência de que os dois se conheciam!
_ V-você não estava noivo daquela garota Ino na época da escola? – era uma pergunta tola, ele sabia bem que mesmo se fosse verdade, provavelmente o casamento não tivera acontecido. Mas ele queria entender como Temari entrou na vida de Shikamaru, e provavelmente isso só seria possível ouvindo toda a história.
_ Na verdade estávamos namorando, Ino que gosta de colocar a carruagem na frente dos cavalos. Mas não deu certo, percebemos que nosso namoro se tornou uma grande amizade com o tempo, e que deixamos de agir como namorados. – Shikamaru explicou com um pouco de paciência, sentindo pena de Gaara por não saber de nada.
Apesar de ser problemático demais, Shikamaru sabia que precisaria contar toda a história. Isso tudo era culpa da Temari, seria bem mais fácil se ela tivesse aberto o jogo logo no início.
_ Então quando chegamos no terceiro colegial eu decidi terminar nosso namoro, e até que ela aceitou numa boa. Eu ainda não sabia o que fazer da vida, acho que no fundo eu pretendia ficar olhando as nuvens para sempre, mas meu pai me persuadiu a fazer vários testes de vestibular, concursos e exames seletivos.
_ E você passou. – não foi uma pergunta, foi uma afirmação.
_ Em todos. O que foi um saco.
Gaara não pode deixar de pensar na ironia de Deus: dar tanta inteligência a alguém tão preguiçoso como Shikamaru só podia ser uma piada. Esse Deus que ele começava a conhecer agora tinha imperfeição demais para ser chamado de "Deus".
_ Quando chegou a hora de escolher, eu tinha certeza apenas de uma coisa: jamais iria para uma escola militar, ou para uma academia de polícia. Ainda faltavam os testes físicos, e eu sei que sou muito preguiçoso pra trabalhar nesses tipos de profissão... – Shikamaru exibia uma careta, provavelmente pensando no tempo de sono que perdera fazendo todas aquelas provas. – Mas pro meu pai não ficar falando no meu ouvido, eu fui pro primeiro teste físico, que foi na Escola Y de Oficiais do Exército (3), e eu pretendia agir como um babaca pra ser reprovado. Só que foi lá que eu conheci a sua irmã.
_ Temari não frequentou essa Escola, ela frequentou a feminina. – Gaara não se lembrava do nome da academia de oficial de Temari, mas sabia que não era esta.
_ Sim, mas ela estava lá, no time de avaliação, acompanhando um Terceiro Tenente.
Gaara aparentou ainda mais irritação, direcionando-a para Shikamaru no seu tom de voz.
_ Temari é mulher, o que diabos ela estava fazendo lá?
Neste instante, o moreno compreendeu o que sua esposa sempre dizia com: "meu pai e irmãos são superprotetores, jamais aceitariam a notícia de um casamento, porque seriam obrigados a admitir que eu cresci". Ele sorriu ironicamente, se dando conta da briga familiar que geraria dentro de alguns minutos.
_ Sabe como é, Temari é sutil como um rinoceronte... Ela é mais assustadora do que a minha mãe, e olha que isso é dizer algo! (4) Acho que os oficiais queriam ver como nos sairíamos ao receber ordens de uma mulher.
_ E você vai me dizer que "foi paixão a primeira vista" e que "decidiu dar o melhor de si pra ter uma chance com Temari"? Não sabia que você gostava de clichês.
Shikamaru riu, balançando a cabeça em negação.
_ Lógico que não, né? Eu odiei sua irmã e ela queria arrancar minha cabeça fora com as próprias unhas. – Shikamaru respondeu, sorrindo um pouco ao se recordar da memória. – Ela queria comer meu fígado na ponta da faca, tenho certeza disso. Até porque eu aceitei de muito bom grado a rivalidade, passei no teste e fui pra escola.
Finalmente, Gaara estava conseguindo visualizar sua irmã naquela descrição. Era reconfortante saber que ela reagiu dessa forma e não foi completamente enganada por um casanova qualquer.
_ Mas ainda sim, vocês estudavam em escolas diferentes. – o ruivo pontuou, desconfiado.
_ Sim, mas era na mesma cidade, então no fim de semana a turma feminina sempre encontrava a masculina nos bares. Lá nos conversávamos bastante, participávamos de desafios, éramos o centro das atenções. Acho que todos os colegas diziam que nós acabaríamos juntos, e a gente tinha um pavor só de pensar nessa perspectiva.
Shikamaru sorria tanto que Gaara se perguntava se o vira sorrir daquela forma quando ele esteve com Ino; ele não se recordava disso, ao menos.
_ Ela era a melhor da turma dela e um pouco a frente da minha, mas eu consegui recuperar o tempo perdido e no mesmo ano saímos oficiais. Daí veio a nossa competição por divisas. Sua irmã subiu de Aspirante à Segundo-Tenente mais rápido do que eu, só que ao que tudo indica minha promoção por mérito vai sair daqui dois meses.
_ Por que diabos você 'tá me dando tantos detalhes? Achei que quem queria respostas era você! E, só pra deixar bem claro, não vou falar nada.
Não é que Shikamaru estivesse tentando distraí-lo para arrancar essa informação, ele simplesmente estava com certo receio de contar o fim da história. Oh, bem, não dá para adiar ainda mais o que já foi adiado por tanto tempo, uma hora eles saberiam de qualquer jeito.
_ Porque é aí que eu quero chegar: Na noite de comemoração da promoção dela, nós cedemos aos comentários dos nossos amigos e decidimos ficar juntos. Não lembro ao certo como foi, tínhamos bebido muito, mas no dia seguinte começamos a namorar. Dois meses depois nos casamos, porque já conhecíamos muito bem um ao outro e tínhamos certeza do que queríamos e porque quando os dois militares são casados, o exército os transfere para a mesma cidade.
_ Claro, e, além disso, você tinha certeza de que queria morrer nas minhas mãos, não é Nara? – Gaara ameaçou, cruzando os braços e aguardando o fim da história.
Precisava da confissão total de Shikamaru antes de declarar sua pena de morte.
_ Uhn... Bem, na verdade eu queria comprar uma casa pra nós aqui na cidade, mas como fomos transferidos pro interior tivemos direito a uma casa na vila militar e aceitamos. Ela optou por manter tudo isso em segredo até agora, voltando pra casa do seu pai nas férias como fazia antigamente... Só que... Hum...
O moreno retirou outra coisa de dentro do bolso, e entregou para Gaara. Desta vez, era uma foto dele e Temari, juntos e abraçados, parecendo mais felizes do que em qualquer momento de suas vidas.
_ Essa é a minha menina. – ele murmurou, um pouco apreensivo, fitando os olhos de Gaara com certa esperança.
_ Eu entendi que a minha irmã casou com um idiota como você, da pra mudar o disco?
_ Não Gaara. Essa daqui é a minha menina. – Shikamaru se repetiu, apontando para a foto, especificadamente para o abdômen de sua irmã.
Finalmente o ruivo atentou melhor para os detalhes da foto, e viu que ambos seguravam a barriga de Temari como se ela fosse um troféu. Somando dois mais dois, Gaara levantou o olhar, não se preocupando nem um pouco em esconder a hostilidade em sua expressão facial.
_ Entenda, você vai ter que me falar o que aconteceu. – Shikamaru explicou calmamente – Porque eu não vou deixar um capricho seu colocar em risco a vida da minha mulher grávida de três meses e da minha filha que ainda nem nasceu. Ela tinha acabado de sair da casa quando a explosão aconteceu, e nunca mais, nunca mais, vou deixar que ela sofra esse tipo de risco novamente.
Sem pensar duas vezes, Gaara pulou para cima de Shikamaru, mal dando atenção aos enfermeiros que invadiram o quarto no mesmo instante, a fim de salvar o visitante.
_ EU VOU TE MATAR! – ele grunhiu, tentando se soltar dos enfermeiros, que o imobilizavam com agilidade. – EU VOU TE MATAR NARA! VOCÊ VAI SE ARREPENDER DE TER ENGRAVIDADO A MINHA IRMÃ, SEU FOLGADO DE UMA FIGA!
Shikamaru saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Suspirou cansado, apoiando-se na parede e ainda ouvindo os intermináveis gritos e juras de morte do ruivo.
_ Bom... Ao menos consegui arrancar uma reação dele. – murmurou baixinho, apenas para si, dando um impulso com a perna para que saísse logo dali. – Só falta fazer com que ele reavalie as prioridades, nós precisamos matar outras pessoas antes que ele decida me matar.
Que problemático. – Shikamaru não pode deixar de pensar, mas ainda sim, sabia, no fundo no fundo, que era questão de tempo para que conseguisse arrancar as informações certas de Gaara.
E era bom se apressar! Temari o esperava no carro, e se ele demorasse demais provavelmente teria de lidar com a ira de mais um Sabaku naquele dia.
(***)
Itachi abriu a porta do quarto de Madara com cautela, como se aguardasse um ataque assim que colocasse os pés naquele local. Mas o moreno mais velho parecia distraído, lendo algum livro enquanto permanecia deitado lateralmente na cama, de costas para a porta.
Era uma cena estranha diante de seus olhos: Madara simplesmente não costumava ler, ao menos não em sua companhia. Se ele lia alguma coisa, o fazia em suas missões. Itachi franziu o cenho perante o comportamento fora do comum.
_ Nii-san. – Itachi se fez anunciar, não sabendo ao certo se deveria agir desta forma ou caminhar para dentro do quarto.
Como é mesmo que ele costumava agir com Madara? Ele nem lembrava direito, seu cérebro e coração estava repleto de "Sasuke" para que ele conseguisse agir sem um sentimento de estranheza com Madara.
Isso não era um bom sinal... Se Madara o chamou para uma "reunião" (que, ao que parecia, era apenas uma noite em conjunto), ele certamente tentaria algo sexual. Itachi não podia parecer desconfortável com o sexo, afinal de contas, ele sempre mostrou amar dividir a cama com o outro. Mudar esse comportamento agora seria o mesmo que assinar sua confissão de culpa.
_ Otouto, por que ainda não entrou? – seu irmão questionou, virando-se na cama e o encarando com um olhar inocente.
Inocente até demais...
Será que Itachi estava se precipitando? Será que Madara ainda não sabia do que estava acontecendo? Ou será que ele planejava algo minuciosamente e ainda não queria revelar o que já descobrira?
Decidindo que de nada adiantava ficar estático na porta de entrada, Itachi caminhou lentamente até a cama. Ao chegar próximo desta, foi surpreendido por Madara, que puxou seu braço, trazendo seu corpo para baixo, indicando que ele deveria se sentar ao seu lado. Logo que Itachi compeliu a ordem silenciosa, Madara o abraçou imediatamente sua cintura, o puxando para que ele se deitasse ao seu lado.
Itachi prendeu a respiração, deixando seu corpo ser conduzindo e esperando pelo pior, mas Madara simplesmente o colocou deitado ao seu lado, passando um braço ao redor de sua cintura, puxando-o para mais perto e encaixando o quadril em suas nádegas.
Ele mordeu delicadamente o lóbulo da orelha de Itachi, e este fechou os olhos com força, sentindo desconforto intenso em estar naquela posição. Era completamente surreal como as coisas mudaram em tão pouco tempo; há apenas algumas semanas atrás, ele estaria possuído pela imensa vontade de ter Madara unindo seu corpo ao dele.
Agora, tudo que ele queria era que acabasse logo.
_ "Nós não pertencemos a nós mesmos, assim como não nos pertence aquilo que possuímos. Não fomos nós que nos fizemos, não podemos ter a jurisdição suprema sobre nós mesmos. Não somos nossos próprios senhores."
As palavras de Madara, nada convencionais, fizeram com que Itachi parasse de pensar nos desconfortáveis beijos que recebia em seu pescoço e nas mordidas suaves no lóbulo de sua orelha, e percebesse que, realmente, algo não estava dentro do normal.
Não o interrompeu, no entanto, e Madara continuou a sussurrar em seu ouvido.
_ "Somos a propriedade de Deus. Não é para nós uma felicidade encararmos as coisas desse modo? Será a qualquer título uma felicidade, um conforto, considerarmos que pertencemos a nós mesmos? Os que são jovens e prósperos podem acreditar nisso."
As palavras não eram estranhas, Itachi sabia que era uma citação. Havia escutado ou lido em algum lugar... Mas onde? Onde ouvira exatamente as mesmas palavras? Seria em algum lugar que ele e Madara compareceram juntos? Seria um discurso do treinamento? Palavras escritas em algum cartaz espalhados pelas cidades dos raríssimos encontros que tiveram?
_ Madara, de onde você tirou... – mas ele não pode terminar sua indagação. Foi girado bruscamente: suas costas agora estavam presas contra os lençóis negros, seus dois braços imobilizados pelas mãos ágeis e fortes de seu irmão.
E ele mantinha os olhos fechados e o rosto bem próximo do seu, como se desejasse beijá-lo. Itachi, ainda completamente desconfortável, também fechou os olhos, aguardando o beijo que tinha certeza que viria.
Só que ele não veio.
_ "Mas, com o correr do tempo, acabam percebendo, como todos, que a independência não foi feita para o homem - que é um estado antinatural - que pode satisfazer por algum tempo, mas não nos leva com segurança até o fim..." – ele murmurou, abrindo os olhos conjuntamente com Itachi olhando-o com extrema seriedade e não deixando escapar o detalhe de pavor crescente no olhar do mais novo. – Você precisa de Deus, Itachi. Quem é seu Deus?
_ É você. – Itachi respondeu com a voz firme, apesar do medo que começava a sentir cada vez mais intensamente. – Você é tudo pra mim Madara.
Assim que ouvira a resposta, Madara gargalhou com vontade, uma risada repleta de veneno, que deixou Itachi ainda mais apavorado.
O mais velho agarrou algo que deixou propositalmente em cima da cama, e, ainda mantendo os braços de Itachi presos só que agora com apenas uma das mãos, trouxe o objeto para perto do campo de visão do outro, mostrando-o a capa do livro surrado que estava lendo há instantes atrás.
Itachi empalideceu visivelmente, compreendendo o porquê daquele discurso surreal.
O livro era "Admirável Mundo Novo", um dos livros que ele lera no apartamento de Sasuke, e um dos que mais marcara naquele mês, devido à pequena analogia que seu atual namorado fizera entre Itachi e um dos personagens principais. Apesar de reconhecer o livro surrado como sendo de Sasuke (e não uma versão recém-comprada na livraria), não foi isso que o apavorou.
Itachi possuía uma memória fotográfica sensacional. Recordava-se de ver o livro por cima da estante do quarto de hóspedes de Sasuke um dia antes da invasão de Kisame e Naruto, mas não conseguia lembrar onde ele estava logo no dia seguinte.
Madara foi visitá-los sem que se dessem conta... Justamente naquele dia...
E... E agora?
_ Madara... – ele tentou conversar, explicar o seu lado na história, mesmo sem ter conhecimento do que, exatamente, o outro sabia.
Não interessava, não importava! Qualquer coisa que Madara pudesse ter presenciado ou escutado naquele dia o incriminava! E ele precisava tentar se explicar antes do castigo vir, pois temia que não conseguisse mais falar, se recebesse sua punição.
Talvez não conseguisse sequer respirar!
Contudo, o mais velho atirou o livro longe e cobriu os seus lábios com a outra mão, impedindo-o de falar desculpas absurdas para justificar sua traição. Revelou os olhos violetas aterrorizantes para Itachi, e ao mesmo tempo exibiu um sorriso maléfico, cruel, o qual prometia uma vingança terrível e inesquecível.
O outro ainda tentou se mover e escapar, mas como Madara portava força intensa naquelas condições, e como a sua própria força estava diminuta pelos efeitos colaterais da injeção precária de proteína que tomara há uma hora, Itachi sequer conseguia se mover.
E a máscara do moreno mais novo caiu por completo, revelando os olhos mais assustados que Madara tivera o prazer de ver.
Ah... Isso vai ser muito interessante...!
_ E como seu Deus, vou te mandar para o inferno, seu pecador ingrato!
(***)
"Deixai toda esperança, ó vós que entrais!"*
Não era exatamente confortável, mas Itachi esperava mais.
Estupro? Sério mesmo? Com ele? Tenha a santa paciência!
Ele sentia até vontade de rir a cada soco e mordida que recebia, a cada gota de sangue e esperma que escorria entre suas coxas, a cada nova mancha formada nos lençóis, praticamente invisível perante a cor escura do cetim.
De que adiantava que Madara estivesse imobilizando-o para realizar o ato? Não era como se ele fosse fugir, ou implorar para que parasse. Não... Estupro não tinha nenhum efeito contra si, castigo físico não o atingia; ele passou por coisas muito piores do que isso nas sessões. Madara estava realmente perdendo o tato de maquiavélico se queria se vingar dessa forma.
Mas Itachi não era idiota. Se seu irmão acreditava que aquilo seria o seu castigo particular, quem era ele para afirmar o contrário? Estava de bom tamanho... Mesmo se ele o matasse depois de tudo, ainda assim não se arrependia do que fazia. Não era doloroso o suficiente em sua alma para implorar por misericórdia.
_ Você nem sente dor, não é, seu bosta? – Madara murmurava em sua orelha, machucando-a em seguida, mordendo com força. – Talvez até você goste, seu depravado de quinta categoria!
Itachi sorriu melancolicamente, abaixando a cabeça no travesseiro encharcado de sangue, optando por não responder.
Dizer que ele estava gostando era forçar um pouco a barra. Que tipo de pessoa gostaria desse tipo de coisa? Dor consensual, um masoquismo de vez em quando, isso era interessante... Mas aquele tipo de coisa não era algo que pudesse agradá-lo. A prova disso estava entre suas próprias pernas: seu sexo, que facilmente excitava-se com o mínimo contato físico, parecia sem vida.
Itachi sentia o seu corpo inteiro sem vida, diga-se de passagem. E quem não vive, não pode sentir dor.
Recordava-se daquela ocasião que Madara foi um pouco mais violento no sexo, movido por um sentimento de voyeurismo para com Sasuke; um ciúme possessivo e desmedido. Lembrava-se de como o garoto exibia um olhar aterrorizado, um pavor diante a cena que via. Provavelmente Sasuke achou que aquilo foi um estupro.
Mas comparado a isso, não passava de um sexo um pouco mais violento do que o convencional.
Antes de começar a relação sexual em si (se é que dava para nomear dessa forma), Madara o castigou fisicamente por quase uma hora, e em nenhum momento antes ou durante o sexo o beijou. Itachi não sabia se seu rosto ainda era reconhecível, visto que sequer conseguia abrir o olho direito por causa do inchaço. O gosto de sangue não saia mais de sua boca, sua língua foi cortada em vários pontos em virtude dos socos violentos que recebeu.
Madara, inclusive, tinha dois socos-ingleses (5) de aço, um em cada mão, sendo que o da mão direita possuía uma espécie de adaga, o qual ele utilizava para feri-lo e cortá-lo em regiões não vitais de seu abdômen. Ele também levou um corte tão profundo no lado do seu rosto que acreditava que perfurara totalmente sua bochecha esquerda.
Alias, nem se quisesse conseguiria responder Madara. Ele o forçou um sexo oral tão violento que Itachi podia adivinhar que a maioria do sangue em sua boca não advinha do corte, mas sim de sua garganta. Talvez não conseguisse mais falar... De qualquer forma, ele não queria falar.
Falar o que? Pedir perdão? Até parece. Se Madara se sentia bem fazendo isso, que continuasse... Ele não dava mais a mínima. Que pelo menos um deles saísse feliz de toda essa história.
E nem valia a pena mencionar os demais ferimentos do corpo, até mesmo em sua região íntima. Madara lhe ameaçou de castrá-lo tantas vezes que em algumas ele realmente quase acreditou nisso, pois foi machucado ali. Não castrado completamente, mas talvez por isso seu corpo não tentava, de maneira alguma, criar uma ereção: provavelmente resultaria em uma hemorragia intensa, caso seu sangue decidisse se acumular naquele lugar.
Falando em hemorragia, ela acontecia em diversas partes de seu corpo. Se Madara não o matasse depois de tudo isso, ele morreria por perda de sangue... Era fato, ele ia morrer. Sua visão já estava duplicada, os sons do ambiente pareciam cada vez mais distantes, o cheiro de sangue nem o incomodava mais. Era bom, porque ao menos sobressaia, cobrindo o cheiro de sexo. De um sexo que ele não desejava. Assim, ao menos parecia uma mentira.
E com seu sangue, as proteínas recém-injetadas em seu corpo saiam de sua corrente sanguínea, não fazendo efeito algum no seu organismo. Tanto trabalho para nada...
Enquanto Itachi observava a poça gigante de sangue que se formava ao lado da cama, escura e crescente, no chão de pedra, ele se perguntava mentalmente se Kisame estaria bem. Será que ele ajudaria Sasuke em sua ausência? Será que Naruto chegaria a algum tipo de resposta com as informações que seus pais o deram? Será que Sasuke o perdoaria, caso um dia soubesse a verdade sobre a ligação familiar que possuíam?
Sentia vontade de voltar no tempo e ter deixado uma mensagem para Sasuke, algo que ele pudesse ler após sua morte. Talvez algum tipo de jura de amor eterno.
Porque ele amava Sasuke. Agora ele entendia perfeitamente isso. Ele amava Sasuke muito antes de começarem a relação que possuíam, muito antes de se conhecerem para valer. Ele amava Sasuke de uma forma tão instintiva que sequer conseguiu feri-lo quando Madara o designou para a missão de eliminá-lo. Ele amara Sasuke ao ponto de optar por deixá-lo viver, mesmo que isso resultasse em três longos anos de silêncio absoluto em uma cama de hospital.
Seria devido ao parentesco? Ao sangue? Ao destino? Ao instinto?
Não importava, não interessava. O importante é que pensar em Sasuke fazia toda aquela dor valer a pena... Valia a pena estar ali se, de alguma forma, o garoto continuasse vivo. Valia a pena cada corte, cada gota de sangue derramado, cada humilhação corporal desmedida.
Ele também amava Madara e jamais conseguiria matá-lo por causa de Sasuke (ou vice versa), então talvez fosse natural aceitar que a sua incompetência de escolher um lado para apoiar resultasse em sua morte. E ele o perdoava, mesmo que Madara nunca se arrependesse de nada que fazia... Ele o perdoava de todo coração, porque Madara era seu Nii-san, seu primeiro amor e sua família.
Itachi até sorriu um pouco, sentindo a ironia da situação ao pensar tão carinhosamente em Madara enquanto ele fazia não fosse só Sasuke quem o mantinha humano. De certa forma, Madara também fazia isso, por mais paradoxal que fosse pensar assim.
Ou talvez seja apenas os sentimentos do parasita...
De qualquer fora ele gostava se ser otimista. Quem sabe nenhum de seus dois amados morreriam. Quem sabe a sua morte os poupasse da guerra...
Os livros de romance bestas que encontrara no quarto de Sasuke o fizeram pensar que talvez o amor fosse a solução de todos os problemas.
Hipocrisia pura.
Se isso fosse verdade, por que agora estava ali, sofrendo um castigo não muito terrível para os seus padrões, mas ainda sim algo que resultaria em sua morte? Por amar demais? Por amar duas pessoas mais do que amava a si mesmo?
Não fazia sentido.
E... Não importava mais.
Amor não precisa de sentido mesmo.
(***)
.
Ladies and gentleman!
Boys and ghouls!
Step right up!
.
Senhoras e senhores!
Meninos e fantasmas!
Aproximem-se!
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Itachi abriu os olhos. Correção, um olho, porque o outro parecia estar coberto por alguma coisa. Tentou esticar a mão para sentir o que impedia sua visão, mas não conseguiu se mover. Sentiu um cheiro sutil e extremamente reconhecível de desinfetante hospitalar, e soube que provavelmente alguém cuidou de suas feridas.
Isso não era um bom sinal.
_ Acordou, bela adormecida? – ouviu a voz ríspida de Madara murmurar próximo de si, e ele não conseguiu se virar para ver seu irmão, limitando-se a observá-lo de canto de olho. – Agora que já usufruiu de toda a dor do primeiro círculo do inferno, o Limbo*, pelo seu paganismo em duvidar do que o seu Deus o ensinou e instruiu... Está pronto para o resto do tour?
Itachi tentou responder, mas de sua garganta não saiu nem um som. Seria possível que foi ferido de tal forma que mesmo depois de se recuperar um pouco, ainda sim, não conseguia falar? Há quanto tempo estaria descordado?
_ Vamos lá princesa! Agora, se me permite, entraremos no Vale dos Ventos*. Afinal, um dos seus pecados mais recorrentes certamente foi a luxúria.
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Behind this curtain lies a ghastly concoction of delight! Horror! Fantasy and terror!
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Por trás dessa cortina encontra-se uma mistura de prazer medonho! Horror! Fantasia e terror!
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Só naquele instante Itachi percebeu que havia uma cortina negra ao redor de sua cama hospitalar. Madara a retirou do meio do caminho, ao mesmo tempo em que acionava um dispositivo na cama fazia o colchão assumir uma posição de quase noventa graus, obrigando-o a se sentar. Ele gemeu pela dor, sentia que algum tipo de infecção se instalara em seu abdômen, mas não ousou protestar de outra forma, ou chorar.
Como sempre, a dor física não lhe fazia sofrer, mas o pavor que se instalava em seu coração sim. A vingança de Madara não havia terminado. Pior: estava prestes a começar. E isso não era nada animador.
Estava em um dos salões de treinamento, o maior de todos. A parede de pedra e o chão de concreto úmido pelo subterrâneo não mentiam; Itachi reconheceu facilmente a sua sina, já sofreu muito naquele lugar. E a prova real de que não errou o local estava nos seus colegas da Akatsuki, menos Kisame, dispostos lado a lado, em posição de sentido, formando um semicírculo espaçoso a sua frente. Alguns membros da equipe de apoio estavam presentes também... Mas o que mais o surpreendeu foi Orochimaru, segurando uma corrente grossa de metal que envolvia o pescoço de uma pessoa.
Sasuke Uchiha.
Não havia outra pessoa naquele mundo que possuísse aquele corte de cabelo. Itachi tentou gritar dessa vez, mas Madara segurou com força o seu pescoço, e mesmo se ele conseguisse formular qualquer tipo de som, aquele estrangulamento o impediria de exteriorizá-lo.
_ Sasuke, dê boa noite à Itachi. – Ele falou calmamente, sua voz ecoando pelo aposento de pedra.
Sasuke estava de joelhos, vestido com uma camisa branca imunda e uma calça de moletom rasgado, sem sapatos nos pés. Provavelmente era sua roupa caseira, na qual estava quando foi sequestrado por um dos comparsas de Madara. Itachi sentiu lágrimas se formarem em seus olhos.
_ Boa noite Itachi. – Sasuke respondeu com uma voz mecânica, suave e fria, mas que ainda sim soou nitidamente pelo aposento altamente acústico.
Sasuke não olhava Itachi nos olhos. Ele olhava para baixo, para os próprios joelhos. Suas mãos encontravam-se atrás de suas costas, provavelmente amarradas ou algemadas.
Itachi deixou a primeira lágrima escapar de seu olho bom. Madara sorriu com satisfação.
_ Como todos sabem, a luxúria é um dos pecados mais palpáveis que o nosso querido Itachi cometeu. Vamos ver como ele fazia isso? – seu Aniki exclamou para os demais presentes, apertando um botão em um controle remoto que Itachi não visualizou até então, que sem sombra de dúvidas estivera entre seus dedos até aquele momento.
Um telão desceu do teto, próximo à Sasuke, mas ainda sim o garoto não levantou a cabeça. Os demais direcionaram sua atenção para lá e, com um segundo comando de Madara, a intensidade das luzes da câmara diminuíram e um filme começou a passar na tela branca, de um projetor próximo a Itachi.
_ Aproveite a consequência de seus desejos, Itachi.
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Your every wish is our command!
Your every whimsical desire brought to life.
But I'm warning you...There's always a price…
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Todos os seus anseios são os nossos comandos!
Todos os desejos absurdos que você trouxe a vida.
Mas estou avisando ... Há sempre um preço...
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O filme... O filme...
Era ele e Sasuke no telão, e as cenas... As cenas consistiam na primeira noite dos dois, na segunda, na terceira...! Desde a primeira noite! Desde a primeira... Flashs, intercalando os momentos, dando closes nas expressões de prazer de Sasuke, nos rosnados de luxúria e leve dominação de Itachi.
Eles nunca tiveram privacidade.
Itachi chegou a falar brincando uma vez que não se importariam se eles filmassem, assim teria um vídeo para ver depois. Mas era uma brincadeira! Ele não conseguia olhar para isso, não queria!
Sasuke... Oh Deus...
Desviou seu olhar pra Sasuke, e percebeu que o garoto reconheceu os sons do vídeo mesmo sem levantar o olhar para conferir o conteúdo que passava na tela, provavelmente sua própria voz gritando por prazer, e as palavras sacanas e um pouco humilhantes de Itachi.
O herdeiro Uchiha corava consideravelmente, abaixando cada vez mais a cabeça, colocando sua testa acima dos joelhos, sacudindo o corpo em um choro silencioso. Ele se sentia humilhado. Completamente exposto, destruído, inferiorizado.
E isso fez o coração de Itachi apertar-se de tal forma que ele sequer sabia como ele não parou de bater ali, subitamente. Seus olhos (tanto o encoberto por algum curativo, quanto o exposto) provavelmente já exibiam a coloração rubra, mesmo que ele não oferecesse perigo para nenhum dos presentes.
Todos assistiam a cena, fazendo comentários desagradáveis, rindo um pouco pela humilhação de Itachi e Sasuke. Apreciando o show educativo de "Jamais traia Madara, ou você acabará assim".
Orochimaru subitamente puxou a corrente que envolvia o pescoço de Sasuke, obrigando-o a virar para o telão e encarar o vídeo caseiro, filmado de longe, mas com áudio extremamente alto, indicando que havia alguém ainda mais próximo, gravando apenas a voz dos dois "atores".
_ Aprecie o espetáculo, Sasuke. – a cobra ordenou, e Sasuke soltou seu primeiro soluço da noite.
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Welcome to the greatest show unearthed!
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Bem-vindo ao maior espetáculo desenterrado!
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Quando o vídeo aterrorizante acabou, Itachi não tinha nem forças para protestar. Madara amaciou consideravelmente a pegada em seu pescoço, mas ele não tentava falar. Seus olhos não desgrudaram de Sasuke durante todo o momento, enquanto o seu namorado se debatia para fugir, chorando, descontrolando.
Seu orgulho ferido de tal forma que Itachi nem podia sonhar o quanto doía no ego do rapaz.
Mas quando tudo acabou, Sasuke parou de se mover. Entretanto, não permaneceu estático por muito tempo, pois foi puxado mais uma vez para que se virasse à Itachi. E ele finalmente viu os seus olhos.
Estavam com a coloração violeta, e não era para menos. Depois de toda essa humilhação, com certeza Sasuke sentia-se ameaçado e furioso ao ponto de ativar aquele olhar. Mas por que ele não escapava? Por que aquela singela corrente no pescoço o impedia de usar toda a sua força física? Sasuke era mais forte do que todos naquele lugar menos Madara! Bom, talvez um pouco desprovido de técnica, mas ainda sim forte e com treinamento de escapismo de primeira linha!
_ Isso Sasuke, mantenha o controle! – Orochimaru falou, afrouxando um pouco a corrente. – Por que vai valer a pena aguentar até o fim...
E então a Itachi compreendeu: eles fizeram um trato com Sasuke!
_ E agora, senhoras e senhores, o terceiro círculo, a gula, o Lago de Lama*!
Madara apertou novamente outro botão, e mais um filme passou para os expectadores. Dessa vez, mostrava Itachi cozinhando, ou lendo os livros de culinária que pedira para Sasuke trazer para si, bem como as refeições que os dois faziam.
Os membros da Akatsuki riam, todos eles exceto Konan, que parecia extremamente séria perante aquele comportamento de seus colegas. Chamavam Itachi de mulherzinha, insinuaram que ele "prendera Sasuke pela barriga", o humilhavam com xingamentos sobre sua falta masculinidade e força de alfa.
Mas Sasuke e Itachi estavam alheios a tudo isso, presos em uma troca de olhar intensa, acusadora. Itachi deixou a segunda lágrima se derramar, e Sasuke apertou o olhar, desafiando-o.
Eles fizeram realmente um trato com Sasuke.
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The dark carnival is in town, you better be ready.
Just follow the parade of dancing skeletons.
Full of ghoulish delights around every corner.
Don't tell your parents you're here.
They will soon be mourners!
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O carnaval sombrio está na cidade, é melhor você estar pronto.
Basta seguir o desfile de esqueletos dançantes.
Cheio de delícias fantasmagóricas em cada esquina.
Não diga aos seus pais que você está aqui.
Eles vão em breve sofrerão a perda!
.
_ Aniki... – Itachi conseguiu murmurar, quase sem voz, trazendo a atenção de Madara para si, que o olhou com certa curiosidade, provavelmente surpreso por ele conseguir falar algo.
Itachi fitou os olhos violetas com lágrimas de ira no seu de cor-carmesim. Madara sorriu ironicamente, encorajando-o a falar com um movimentar de cabeça.
_ Eu fiz tudo que fiz por amor. – disse, por fim, ganhando uma gargalhada intensa de Madara como resposta.
O mais velho se contorcia, agarrando sua barriga, dobrando-se para tentar controlar seu momento de descontrole por ouvir um absurdo sem tamanho como aquele.
Como Itachi era audacioso! Era até cômico!
_ Não, não, chega disso! – Madara exclamou, desligando o vídeo humilhante que ainda passava, dando pause bem na cena onde Itachi aparecia vestido com o maldito avental de Sasuke. – Chega, o Itachi está sendo comediante demais meus súditos! Sabe o que ele disse?
Madara falava para todos, sua voz ecoando com força pelo ambiente, deixando claro quem mandava naquela alcateia de hienas. Todos, sem exceção, olhavam para Madara e Itachi, aguardando o restante da humilhação em silêncio. Alguns, como Sasori, exibiam sorrisos sádicos nos lábios.
Maldito filho da puta.
_ Ele disse que fez o que fez por AMOR! Que gracinha! Meigo demais! – Madara gritou, voltando a rir e incitando aos demais a gargalharem da mesma forma.
Apenas Konan manteve-se quieta, e naquele momento olhava para Pain com certa indignação, cutucando-o com o cotovelo em sua barriga, arrancando um olhar indignado do ruivo. Mas todos os ocupantes do local estavam presos à sua própria sensação para prestar atenção na interação entre número um e dois.
Sasuke amaciou um pouco o olhar, voltando a encarar Itachi com certa surpresa nos olhos lilases, que perderam um pouquinho de sua coloração, mas ainda estavam lá.
_ Amor por quem Itachi? Me diz, estou interessado! Sasuke? – Madara questionou, puxando seu queixo para que ele o encarasse nos olhos. E a movimentação arrancou um sibilo de dor do mais novo, mas nem por isso o outro o soltou.
Ele piscou, tentando raciocinar. Não havia nada que pudesse falar para que Madara parasse com aquele absurdo... Mas ele não queria manter aquilo engasgado. Sasuke estava presente, seu Nii-san estava presente, e mesmo que Sasuke tivesse optado por aliar-se com Orochimaru em troca de informações e seu irmão o humilhasse daquela forma, ele os perdoava.
Ele não conseguia sentir raiva deles.
_ Os dois. Sasuke e você. – ele respondeu na inocência, ganhando um tapa extremamente forte em seu rosto, forçando-o a virar a cabeça com tudo para o outro lado.
O moreno mais velho, logo em seguida, o agarrou pela parte de trás do pescoço, jogando-o para o centro do círculo sem cerimônia alguma. Itachi caiu e bateu a boca no chão, machucando-se fisicamente mais uma vez, tossindo sangue que ardia demais ao escorrer para dentro de sua garganta.
E mais uma vez não se importando nem um pouco.
_ ITACHI! – Sasuke gritou, mas Orochimaru se ajoelhou ao seu lado, cobrindo sua boca com uma das mãos e murmurando instruções bem baixinho em seu ouvido, de modo que Itachi não conseguia ouvir quais eram.
_ Como ousa insinuar que isso é amor! Isso é ganância, seu filho da puta! – Madara rosnou como um animal, gritando com selvageria, agora longe de si, há alguns metros, para ser mais preciso.
Ele realmente o jogara com força...
_ Isso é ganância! A Colina das Rochas*! O seu quarto círculo do inferno! Seu castigo por querer mais do que podia ter! – ele exclamou com uma raiva descomunal, fazendo todas as risadas se silenciarem subitamente perante o medo de virarem alvo de sua fúria. – Sasori!
Itachi, pego de surpresa pela exclamação do nome do "colega" que ele menos suportava naquele local, conseguiu forças para erguer um pouco a cabeça. Ele observou o ruivo com feições infantis sair do círculo e caminhar até chegar próximo dele, carregando uma pequena caixa que provavelmente estava escondida atrás de seu corpo durante todo o show até o presente momento.
Sasori se ajoelhou à sua frente, colocando a caixa em seu campo de visão e abrindo-a em seguida, revelando o seu conteúdo.
_ Obrigado, número três. – Sasori falou em um tom de voz monótono, encarando o garoto praticamente paralisado com um olhar gélido. – Obrigado por me mostrar que existe alguém mais incompleto do que eu. Eles estão te destruindo, pouco a pouco, não é mesmo? (6)
_ Realmente, te destruíram aos poucos... – Sasori murmurou, apreciando o olhar de Itachi arregalar pela surpresa.
Dentro da caixa estava a cabeça de Kisame.
.
Welcome to the lower birth,
The greatest show unearthed!
We appear without a sound,
The darkest show around!
We will leave you in a daze
Madness, murder, dismay!
We will disappear at night
With blood on the concrete!
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Bem-vindo ao nascimento inferior,
O maior show desenterrado!
Nós aparecemos sem fazer barulho,
O mais sombrio espetáculo!
Vamos deixá-lo em transe
Loucura, assassinato, desânimo!
Vamos desaparecer à noite
Deixando apenas o sangue no concreto!
.
_ Quem deseja demais acaba sem nada, número três. – Sasori murmurou, fechando a caixa e voltando a sua posição no semicírculo, levando-a consigo e colocando-a no chão, aos seus pés.
Itachi simplesmente não conseguia captar o que acabara de ver.
Kisame... Kisame estava morto!
Não desaparecido, não perdido, não se escondendo em algum lugar, morto! Morto! Por causa dele! Por ser fiel aos seus ideais! Se Itachi o conhecia bem, Madara havia dado a prerrogativa de se redimir e contar quais eram os planos de dele em troca de um (falso) perdão, mas o seu ex-companheiro optou por calar-se e aceitar a morte.
Uma morte em nome da amizade. Em nome da liberdade que os dois buscavam...
Em nome de nada!
_ Não... – Itachi murmurou, recebendo uma onda descomunal de sentimentos, cada vez mais fortes: culpa, raiva, medo, ira... Frenesi.
E então ele cedeu, cedeu ao frenesi da forma como nunca cedeu até então. Colocou-se de pé em um pulo, como se não houvesse nenhum ferimento em seu corpo.
Matar! Matar! Matar! – Seu inconsciente gritava em seus ouvidos – Vingança, vingança, VINGANÇA! – Era tudo que ele conseguia pensar.
Se é que isso poderia ser chamado de "pensamento"; era puro instinto assassino.
Ignorando os ferimentos, Itachi atirou-se para a primeira pessoa que viu em seu campo de visão, sendo esta Madara. Ele estava forte, o frenesi movido pela sede de sangue costumavam deixar todos os Akatsukis muito mais velozes e fortes do que de costume, mas Madara ainda superava a força quando ativava os seus olhos especiais.
O frenesi era uma das coisas mais interessantes que tinha o prazer de estudar com todo aquele projeto científico. Uma sede de sangue e destruição que assolava todas as cobaias quando atingiam níveis inimagináveis de raiva; este era o frenesi. Quando crianças, eles tinham inveja e raiva com frequência, e por isso precisavam aprender a controlar isso, sendo colocados em salas específicas de treinamento toda vez que cediam a uma crise. Talvez por isso nenhum Akatsuki temesse a dor física, pois desde meninos estavam acostumados a mutilar uns aos outros em nome do autocontrole; só uma surra muito bem dada cortava o efeito do frenesi.
Com o tempo, as crises de frenesi diminuíam e o autocontrole era adquirido. Alguns mais controlados do que outros, mas evidentemente mais calmos do que quando meninos. Pain, Konan e Itachi eram os mais controlados entre eles, e por isso foram designados, respectivamente, de número um, dois e três. Era um status tremendo conseguir controlar parcialmente a besta interior.
_ Bem vindo ao quinto círculo, Rio Estinge*, pecado Ira... Outoto! – Madara exclamou com ironia, desvencilhando-se com agilidade de um golpe sem técnica de Itachi. Uma das coisas mais engraçadas dos altos números de hierarquia era que eles não conseguiam manter o mínimo de consciência nos momentos de frenesi, esquecendo tudo que aprenderam nos treinamentos e agindo como leões ferozes e selvagens (ou moscas imprestáveis e irritantes, perante àqueles que possuíam técnica de combate).
Sasuke observava a cena tremendo da cabeça aos pés, não ousando piscar sequer uma vez, derramando lágrimas de pavor ao ver Itachi daquela forma. Os demais, ao presenciarem o ilustre número três perder o controle diante a raiva, sorriram com prepotência.
_ Não tão perfeito, não é Itachi? – Deidara falou em voz alta, trazendo a atenção do Itachi possuído pela besta para si.
Diante do instante de baixa da guarda, Madara o imobilizou com eficiência, arrancando risadas do loiro sorridente, o grande usuário de Rötshereck.
Rötshereck era um pouco diferente de frenesi no que tange a ativação, apesar dos efeitos serem iguais: a liberação da besta interior. Mas o rötshereck era ativado com o medo, e não com a raiva, como acontecia com o frenesi. Por isso, as cobaias também aprendiam a lidar com o medo, e também entravam na "câmara de tortura" em casos de descontrole.
Alguns, como Deidara, desenvolveram uma técnica interessante: percebendo que não conseguiam controlar tão bem assim estes instintos primitivos de seu ser, o utilizaram como aliados, rendendo-se a sua malícia por vontade própria. Deidara frequentemente ativava seu rötshereck com explosões, porque não havia nada mais mortal neste universo do que o fogo gerado por aquelas bombas. Outros, como, Kakuzu, trabalhavam muito bem com o frenesi.
O que isso significava? Significava que eles se induziam ao rötshereck ou frenesi, e que conseguiam guardar um pouco da consciência para atingir os inimigos certos, apesar de não medirem a força de seus atos, ou o quão chamativo eles seriam em seus ataques bestiais.
Era uma fraqueza grande que eles possuíam, mas que conseguiam contornar com certa dignidade. Já números altos, como Itachi e Pain, não conseguiam se controlar muito bem nos casos de frenesi e rötshereck, apesar de raramente cederem a esse lado inferior de sua personalidade assassina.
_ Atacando seu próprio Deus, Itachi? – Madara murmurou no ouvido do imobilizado, o qual o respondeu com grunhidos e rosnados ferozes, se debatendo, tentando fugir e continuar a destruir seus arredores.
Madara sorriu sadicamente mais uma vez naquela noite, deliciando-se com o show espetacular que promovia. Poderia trabalhar em Las Vegas, não? Hah!
_ Isso, Itachi, é heresia... Atacar o seu Deus particular? Aquele que te deu a vida? Que uniu seus fragmentos? Tsk, tsk, tsk... Digno de Cidade de Dite*, meu caro.
Ele soltou o corpo descontrolado de Itachi, apenas para ter mais um pouco de diversão. Fugia de seus golpes com maestria, os atingia com força sem que o moreno machucado conseguisse ver de que forma foi nocauteado, e em toda vez que recebia o golpe Itachi choramingava como um cachorrinho ferido.
A besta era sensacional. Engraçada demais – Madara não podia deixar de notar, pensando que Itachi se sentiria ainda mais envergonhado ao se lembrar dos sons de dor que deixou escapar em um momento de descontrole. O Itachi real, o controlado, sem os efeitos do rötshereck e do frenesi, jamais deixaria tais ruídos escaparem de sua garganta.
Em um determinado momento ele acertou um golpe, arranhando Madara no rosto com uma onça descontrolada, arrancando sangue da pele impecável do mais velho. Ele o imobilizou mais uma vez, utilizando a outra mão para averiguar o estrago, passando acima do corte e olhando a palma ensanguentada com surpresa.
_ Oh... – Madara murmurou, o sorriso irônico jamais escapando de seus lábios, um olhar sombrio, de deleite, talvez até revestido de certo orgulho pelo feito de Itachi. – Que violência irmãozinho... Quer mesmo adentrar ao Vale do Flegetonte*, sétimo círculo? É? Perfeito.
Mais uma vez, Madara o liberou, mas desta vez o atacou para valer. Os demais presentes escancararam a boca em surpresa, pois nunca tiveram o prazer de observar seu mestre guerrear daquela forma. Sasuke voltou a gritar em desespero, sua voz completamente abafada pela mão de Orochimaru.
Itachi foi simplesmente obliterado. Era até covardia os golpes que ele levava de Madara, arrancando sangue e mais sangue em cada impacto, sujando o concreto branco com seus fluídos. Madara arrancava seus cabelos com força a cada puxada, jogando-o de um lado para o outro sem o mínimo de pena, destruindo-o, por dentro e por fora.
O barulho dos ossos sendo quebrados e das risadas dos expectadores ecoavam sombriamente, como uma melodia maléfica, assombrando Sasuke ainda mais.
Ele chorava, apavorado, desesperado, tanto de medo, quanto de desespero por ver Itachi sofrer daquela forma. Nenhum ser humano merecia aquilo!
Nenhum!
.
I will be your ticket taker
Come inside it's a dream!
Enter the fun house of mirror,
Where no one can hear you scream!
We can supply anything
That your heart desires,
But the consequences
Will surely be dire!
.
Eu serei o seu bilheteiro
Vamos, entre, é um sonho!
Adentre a divertida casa de espelhos,
Onde ninguém pode ouvir seus gritos!
Nós podemos fornecer qualquer coisa
Que o seu coração anseie.
Mas as consequências
Certamente serão terríveis!
.
Itachi sucumbiu, caindo com tudo no chão, retomando a sua consciência depois de uma surra descomunal como aquela. Não conseguia se mover, mas na posição em que caíra ainda conseguia ver Sasuke, bem no centro do seu foco de visão.
Mas não conseguia falar. Não conseguia mover sequer um músculo. Seus olhos estavam entreabertos, tão sem vida que os demais presentes perguntavam se ele não havia acabado de morrer.
Nesse instante, Sasuke mordeu a mão de Orochimaru, que pego de surpresa a retraiu com um soluço de surpresa.
_ ITACHI! – ele gritou a plenos pulmões, ganhando um puxão forte na corrente envolta em seu pescoço, que o estrangulou e o fez se calar.
_ Cala a boca pirralho. Aguarde o final! – Orochimaru ordenou, soltando a corrente e permitindo que o garoto tossisse e voltasse a normalidade. Ele não podia ser morto ainda.
Itachi piscou ao ouvir o grito desesperado do Uchiha, mas ninguém sabia dizer se ele estava consciente de seus atos ou não.
Subitamente, alguém riu espalhafatosamente, atraindo a atenção dos demais presentes para si.
_ O grande final! A obra-prima! – Deidara exclamou, abrindo os braços e girando em seu lugar, batendo palmas em seguida. – Mestre Madara, não sabia que era também um artista!
_ Eu sou melhor que vocês em qualquer coisa, número cinco. – Madara respondeu, satisfeito com o elogio do outro. Sasori também parecia emocionado, concordando positivamente com a cabeça. Para os dois, ele era o artista supremo dali.
Era bom saber que ainda tinha um controle sobre eles, através da admiração ainda por cima! O que podia dizer? Ele tem o controle do poder, afinal de contas!
_ Sasuke, pivete barulhento, você realmente acha que tem que ter pena dessa cobaia? – Madara falava docemente, caminhando lentamente em direção ao garoto.
Quando chegou próximo o suficiente, ajoelhou-se na sua frente para ficar da mesma altura. Estalou os dedos, e Orochimaru obedeceu ao comando e puxou os cabelos de Sasuke, forçando-o a erguer a cabeça e encarar Madara de frente.
Ele o olhava com raiva.
Que gracinha!
Madara segurou seu rosto, acariciando as lágrimas de raiva e limpando-as da pele branquinha do menino. Ele realmente era bonitinho, jamais se enganara no seu julgamento. Quase sentia tristeza por não ter conseguido fazer Itachi colaborar com um sexo a três com aquele Uchiha.
Levou os polegares molhados até os lábios, sugando as lágrimas de Sasuke com se apreciasse o mais refinado dos vinhos.
Ahh... Como adorava lágrimas de raiva. Eram as mais doces! E o melhor de tudo isso é que podiam ficar ainda MAIS doces!
_ Você realmente sente pena da pessoa que matou os seus pais, Sasuke Uchiha?
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Welcome to the lower birth,
The greatest show unearthed!
We appear without a sound,
The darkest show around!
We will leave you in a daze
Madness, murder, dismay!
We will disappear at night
With blood on the concrete!
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Bem-vindo ao nascimento inferior,
O maior show desenterrado!
Nós aparecemos sem fazer barulho,
O mais sombrio espetáculo!
Vamos deixá-lo em transe
Loucura, assassinato, desânimo!
Vamos desaparecer à noite
Deixando apenas o sangue no concreto!
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A reação dos presentes naquela câmara foi inesquecível: todos, exceto Madara, pararam de respirar. Alguns pela surpresa que a informação causou, outros por não acreditar como o mais velho conseguia dizer aquilo para Sasuke tão calmamente; estavam curiosos para saber qual seria a reação do Uchiha.
Itachi fechou o seu olho entreaberto, desejando de todo coração que morresse.
Queria morrer. Muito! Não queria ouvir o resto, não queria presenciar a raiva que Sasuke sentiria dele, não queria ser julgado sem sequer ter a chance de se defender. Não iria suportar...
_ O que vo-você está dizendo?! – Sasuke murmurou, tremendo tanto que seus dentes chegavam a bater ruidosamente.
Do que diabos aquele maldito sádico psicopata está falando!?
Sasuke, seja razoável! Olha o que esse cara acabou de fazer com Itachi!
Não confie nele.
Isso! Não confie!
Mas por mais que suas mentes auxiliares implorassem para que ele não desse ouvidos aquele absurdo, já era tarde demais. Madara tocou na sua maior ferida. E ele precisava saber! Precisava saber para julgar, para ter certeza de que era um blefe, para não manter mais um fantasma da dúvida na cabeça.
_ Veja bem Sasuke, – o filho de uma biscate falava suavemente, como se estivesse conversando com uma criança pequena. Sasuke sentia vontade de cuspir em seu rosto, mas não faria isso. Não até ele terminar de se explicar. – Itachi cometeu todos os pecados possíveis, ele é um monstro. Fraude, o Meleboge*, oitavo círculo do inferno... Itachi é uma farsa.
O Uchiha ficou quieto por algum tempo, simplesmente tentando compreender como Itachi poderia ser uma pessoa tão ruim assim. Simplesmente não fazia sentido! Pelo menos não em sua cabecinha apaixonada. Mas, ainda sim, ele questionou (porque nem fodendo ele ia deixar aquele assunto morrer!):
_ Que história é essa de que ele matou meus mais!? Hein? Que provas você tem disso! – seu tom de voz era exigente, um pouco falho pela tremedeira de ansiedade e medo pelo que poderia ouvir, mas ainda sim autoritário.
Madara gostou disso. Sasuke daria um brinquedo interessante, se tudo saísse de acordo com o planejado.
_ Você confia nele, Sasuke? – questionou Madara, verdadeiramente interessado em saber a resposta do garoto. – Você confia em alguém sem passado normal, ou pelo menos um passado que não pareça uma história de ficção; sem digitais; que só diz meias verdades e o esconde do que realmente acontece ao seu redor?
_ Eu... – Sasuke queria responder, queria gritar "Sim! Eu confio!", mas agora que Madara colocava as coisas dessa maneira... Talvez não fosse tão desmedido assim ter desconfiança. E, dessa vez, suas mentes não tinham nada para complementar.
Itachi abriu o olho ao perceber a incerteza no tom de voz de Sasuke. Ele se deu conta que seu coração doía mais do que qualquer outra parte de seu corpo completamente mutilado.
Madara o destruiu, mas Sasuke, com um simples tom de voz, parecia ter feito algo mil vezes pior.
_ Um dia eu temia que talvez Itachi fosse idiota o suficiente para me virar as costas. Sabe como é, as pessoas tem uma tendência natural de cuspir no prato onde comem. – Madara falou despreocupadamente, estalando os dedos e aguardando a realização do comando implícito por um de seus comparsas.
Uma daquelas pessoas estranhas que Sasuke não conhecia saiu do semicírculo, levando uma pasta parda até Madara, entregando-a e voltando a posição anterior como um soldadinho obediente. O aparente líder a abriu, folheando alguns papeis em seu interior, sorrindo com satisfação pelo conteúdo, e estendendo-a para Sasuke logo em seguida.
Madara percebeu que o pivete agora mantinha os olhos grudados em Itachi, implorando por um auxílio, qualquer indicação de que aquilo não era real. Ao mesmo tempo, parecia desejar com aquele olhar de pena que o estado deplorável de Itachi fosse uma mentira. Provavelmente queria explicações daquela boca de boqueteira imprestável do Itachi.
Um pouco irritado, ele foi obrigado a chamar a atenção do moleque para si com um pigarro, e Orochimaru, automaticamente, cortou as cordas que prendiam os punhos de Sasuke unidos atrás de suas costas.
Logo que viu suas mãos livres, Sasuke olhou para cima, encarando o homem mais velho e avaliando suas possibilidades momentâneas: ele podia fugir. Mesmo. Itachi lhe ensinou a arte do escapismo, e por mais habilidoso que todos ali fossem, Sasuke provavelmente ainda era melhor nisso do que eles. Afinal, aquelas pessoas foram treinadas para perseguir e não para escapar.
Mas mesmo sabendo que conseguiria sair dali em segurança, Sasuke se rendeu a curiosidade, pegando a pasta parda em com os dedos trêmulos e examinando o seu conteúdo de maneira afobada.
Madara andou de volta até o corpo de Itachi, sentando-se ao seu lado no chão e pegando a cabeça do mais novo com delicadeza, fazendo-o abrir o olho descoberto.
_ Escute Itachi... – ele murmurou baixinho, fazendo um "shii" que ecoou pelo aposento.
Apesar de quase fora daquela realidade, Itachi ouviu.
_ Mas... Mas... O q-q-que!? – Sasuke aumentava o tom de voz cada vez mais, e barulhos de papeis sendo bruscamente jogados para os lados eram evidentes. Itachi constatou que, decerto, Madara tinha provas para demonstrar que foi a culpa dele a morte dos pais de Sasuke. – O QUE DIABOS É ISSO!?
O mais velho sorriu, provavelmente Sasuke chegou ao documento mais importante daquele dossiê. Não deixou de olhar para Itachi enquanto respondia a pergunta de Sasuke, porque não queria perder as expressões faciais daquele filho da puta quando ouvisse a sua sentença final.
_ Esse é o DNA que Kakashi Hatake havia encomendado da amostra adquirida de Itachi. Esse é o motivo pelo qual seu amigo foi mandado para o hospital, porque ele não queria que o policial despertasse. Afinal, ele iria revelar a mais incrível realidade de sua vida caso acordasse, Sasuke! Ele mentiu para você!
Não! – Itachi pensava, desesperado – Isso não é verdade! Sasuke! Acredite em mim!
Só que Sasuke, infelizmente, não tinha a capacidade de ler pensamentos.
_ Itachi... Itachi... UCHIHA!
Sasuke gritou, colocando-se de pé de uma vez só. Os olhos violetas de volta na maior intensidade possível, seu rosto contorcido pela raiva e fúria iminente. E Madara nem precisava olhar para o garoto para constatar tudo isso.
_ É! Seu irmão mais velho Sasuke! Venha dar as boas vindas ao sangue do seu sangue! – Madara respondeu, gargalhando, adorando o pavor no olhar de Itachi; amando a maneira como ele abria e fechava os lábios ensanguentados como se desejasse se explicar; venerando a sua dor.
Patético! Ele parece realmente patético! Que visão bela!
_ Esse é o destino dos traidores, Otouto. Lago Cocite*, nono círculo. – ele sorriu o sorriso mais sombrio que Itachi já viu na vida, Itachi teve certeza que seu coração parou de bater naquele instante. Tudo, tudo, estava perdido! – Espero que tenha gostado do tour, otário!
Mal Madara acabara de dirigir a palavra para si e Itachi sentiu seus cabelos serem puxados mais uma vez, dessa vez visualizando o rosto praticamente irreconhecível pelo instinto assassino do caçula Uchiha.
_ S... – ele tentou falar, juntou todas as suas forças para tal, mas Sasuke cobriu sua boca com um indicador trêmulo, impedindo-o de falar.
Ele respirava pesadamente, ruidosamente, como se fosse ceder a um estado de frenesi. Só que isso era impossível! Apenas as cobaias desprovidas de proteína sofriam com esses efeitos colaterais!
Então... Aquilo que via era... A mais pura ira. Sasuke o odiava. A verdade é que até os humanos carregam o verdadeiro diabo dentro de si, em um momento de dor passional mostram sua verdadeira natureza. Agora era a vez de Sasuke lhe mostrar o seu lado mais sombrio; e isso doía mais do que qualquer outra coisa.
Itachi fechou o olho mais uma vez, preferindo guardar a imagem bela que Sasuke tinha em sua memória, e não aquele monstro terrível. Aquele não era seu Sasuke... Então ele relembrou o seu passado, quando o viu pela primeira vez. O belo e inocente Sasuke, pequenininho, conversando com Naruto do balanço, logo após o massacre da família Uchiha, e como ele parecia desolado, sozinho e entristecido.
Itachi compreendeu que seu amor nasceu com aquela visão.
E... Era gostoso recordar de algo tão bom nos seus últimos momentos de vida, talvez aquilo fosse seu único consolo. Todavia, Sasuke não deu tempo para que ele apreciasse a memória carinhosa por muito tempo, batendo sua cabeça com toda força contra o chão. Itachi perdia o restante de consciência que ainda possuía.
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Come inside for the ride of your deepest darkest fears!
The best night of your life, you're never leaving here!
The unknown, the unseen, is what you're gonna find!
Witness this, witness that, until you lose your mind!
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Venha para o passeio de seus maiores e mais sombrios pesadelos!
A melhor noite da sua vida, você nunca sairá daqui!
O desconhecido, o nunca visto, é o que você encontrará!
Veja isso, veja aquilo, até você perder sua cabeça!
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Mas antes de perder totalmente a sua consciência, ele ouviu nitidamente a voz rouca e animalesca que nada parecia com a melodiosa e bela de Sasuke exclamar a plenos pulmões:
_ EU VOU TE MATAR!
E então, tudo se tornou trevas.
... Continua...
(1) Como vocês devem saber, o pai de Gaara não tem nome na serie original. Sempre se referem a ele como Yondaime Kazekage. Haverá algumas cenas em que, mais uma vez, vou me referir a essa pessoa, então eu gostaria de sugestões em como devo chamá-lo. Pensei em chamá-lo apenas de Kazekage, mas sei lá, penso no Gaara quando uso esse nome, assim como ao dizer Yondaime penso no Minato. Claro, posso continuar a não citar o nome dele, mais vai ser meio estranho dependendo do diálogo. Peço ajuda de vocês, me dêem opiniões... Claro, se você não achar que isso é pedir demais da minha parte, né?
(2) Yashamaru é homem nessa fanfic. Por quê? Porque ele É homem, Jesus amado! "Maru" é uma terminologia dada comumente a nomes masculinos e ele é dublado por um seiyu homem na versão japonesa. Alguns de vocês devem estranhar isso, porque na versão portuguesa e brasileira ele é dublado por uma mulher. Até mesmo nas legendas de animes eles se referem a ele no feminino. Mas, oficialmente, ele é homem, e eu me recuso a mudar o sexo do personagem porque não houve comprometimento por parte dos estúdios de dublagem. Está no databook de Naruto o seu sexo, então vou seguir a informação oficial.
(3) Escola Y de Oficiais do Exército: Como o "Hospital X", esse nome reflete minha falta de criatividade para criar nomes de lugares.
(4) O Shikamaru falou mesmo isso no mangá, só não lembro em qual capítulo.
(5) Eu ia colocar o link pra uma imagem desse soco inglês diferente, mas o ffnet não deixa. Se vocês quiserem ver, entrem no meu Nyah nesse respectivo capítulo. Lá eu consegui por!
(6) Citação do Capítulo 20.
* - Todas as nomenclaturas e características dos "círculos do inferno" criado por Madara advém do livro poético "A Divina Comédia" de "Dante Alighieri". A equivalência dos pecados citados com os locais de castigo também é a mesma. A frase solta com o asterisco é uma citação da mesma obra.
A Música citada na última cena é "The Greatest Show Unearth", Banda "Creature Feature".
Respostas reviews "guest":
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Giih:
Oi linda!
Fico muito feliz que tenha gostado do capítulo!
Itachi e Kisame são amigos, mesmo que o Itachi não queira (ou não consiga) admitir isso hahaha! E ele e o Sasuke juntos são sempre uma perdição, não é?
Pobre Sai e Gaara... Tadinhos, fui malvada, eu sei... Perdão! Você chorou? Não chore flor!
Calma, as explicações vão chegar ok? ^^ Logo digo o que aconteceu com nosso querido Sai!
Que boooooom que gostou do presente KakaNaru! Foi de coração! Me sinto satisfeita em saber que alguns leitores gostaram. Obrigada mesmo!
É... Agora é o momento da verdade! Bom, você já deve ter lido o capítulo antes de ver a minha resposta a sua review, então você já sabe o que o Madara fez com o Itachi... =(
UIhuiaehuiaehuiaehi é, Itachi com ciúmes (da Karin ainda, omg) é uma graça! Ainda mais com aquela reação do Naruto! Que bom que a cena te divertiu! xD
Sasuke e Naruto são sempre fofos! Não importa se como amigos ou como casal, é sempre uma gracinha e eu amo escrevê-los dessa forma!
Espero que tenha gostado desse capítulo então, mesmo sendo um pouquinho pesado. ;-;
Nós é que temos que agradecer pela compreensão e por todo o apoio! Muito obrigada!
Um beijo! Até a próxima!
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SrtaSolaria:
Gaara sempre sofrendo né flor? Alias, todo mundo sofre comigo nessa fanfic, tá louco hahahaha!
É... Deidara não é mocinho, ele é vilão. Por mais que seja um vilão sexy delícia haha!
Eba! Que bom que gostou do lemon KakaNaru! Fico feliz viu? O esforço valeu a pena então!
Huiheaiuheauihaieu entra na fila flor, eu também quero um pedaço do Sasuke (de preferencia do bumbum branquinho dele) e já estou na frente!
Não foi cara de pau =( eu não sou criativa pra mandar beijos, então minha criatividade falha em algum lugar uahauhauhau!
Muito obrigada pelo comentário! Um beijão queridona, até a próxima!
