Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: Linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: Primeiro, vamos justificar um pouquinho a demora dessa atualização pra depois lançar a bomba hahaha!
Eu fui pra um retiro pascoal de sete dias em uma fazenda. Pros que não sabem, eu sou religiosa e faço essas coisas de vez em quando. Deixei um aviso nos perfis dos sites de fanfics e no facebook, mas como tem gente que não viu eu preferi repetir aqui. Portanto, não tive nem tempo, nem clima, pra escrever fanfic nesses dias.
Voltei pra casa numa segunda-feira, e na terça recebi uma visita de uma grande amiga minha que mora em outro estado. Ela veio ficar uma semana comigo, então fiz programa de turismo e companhia para ela, o que também diminuiu muito meu tempo de escrita.
Agora estou aqui, correndo contra o tempo pra atualizar sem mais atrasos!
Ao fim do capítulo tenho mais um aviso, leiam.
Beijos e espero que gostem da atualização! o/
HAUNTED
Capítulo XXVI
Itachi abriu os olhos e enxergou um cenário branco, totalmente desfocado. Piscou algumas vezes e, percebendo que de nada melhorava sua visão, optou por fechá-los de vez.
Ele não tardou a se lembrar dos acontecimentos terríveis que o fizeram sucumbir de uma maneira humilhante. Itachi raramente chorava, mas daquela vez ele chorou na frente de todos os seus "companheiros" da Akatsuki, de Orochimaru, de Madara...
E na frente Sasuke.
Ódio, raiva, pavor, rancor, medo. Os sentimentos ressurgiam em seu peito, e a dor aumentava cada vez mais. Sua cabeça retomava os acontecimentos como um flashback lento e doloroso, acima de tudo: interminável. Itachi apertava cada vez mais os olhos, como se o simples gesto pudesse impedir que aquelas memórias horríveis retornassem à sua mente.
Ou, ao menos, evitassem as lágrimas.
Contudo, Itachi não sentia nada, nem a umidade das lágrimas, apesar de saber que elas estavam ali, embaçando sua visão que já estava péssima. Onde estava a dor física? Itachi tinha a completa certeza de que deveria estar com o corpo todo latejando, e não apenas o seu coração repleto de dor.
Se bem que, mesmo se sentisse a dor física, ela jamais conseguiria ser maior que a dor emocional que sentia. O que sentia era uma dor opressora, muito mais intensa do que qualquer outra coisa que já tivesse experimentado antes: se sentia quebrado, como se jamais pudesse ter algum conserto. E isso importava? Porque se ele sequer sentia a dor física, então significava...
...Que ele estava morto.
E ainda assim a única coisa que realmente importava não estava ali.
Sasuke...
Era tudo em que conseguia pensar. A todo instante, sem cessar e não havia como não pensar nele. Onde estaria? O que fazia? Será que... Estaria ao menos aliviado por tê-lo matado? Será que ele se juntaria ao inferno com ele no futuro por ter cometido um ato tão hediondo e condenado pela maioria das religiões como o incesto e assassinato?
Provavelmente não.
Essas heresias não foram culpa do garoto, afinal de contas. Foi de Itachi, e da sua incapacidade de escolha e falta de sinceridade. Se Sasuke fosse condenado ao inferno, não iria por ter agido da maneira que agiu ao ser enganado, primeiro por Itachi e depois Madara; a culpa era deles, e não de Sasuke.
Sasuke deixou bem claro seu desejo imenso de destruir a sua vida. Não lhe deu a mínima chance de se explicar, de comprovar como Madara manipulou as informações para fazê-lo pensar a pior coisa ao seu respeito e... Bom... Pouco importava o que Sasuke pensava de si agora.
Itachi, o prodígio, estava morto e ponto final.
A verdade é que ele não era completamente santo nessa história, mas Madara dissera coisas irreais para Sasuke. Muito provavelmente o garoto agiria da mesma forma caso soubesse a verdade, mas ao menos saberia a verdade real, e não a verdade que seu Nii-san criara em sua mente possessiva e destrutiva.
_ Itachi, onde está Sasuke? – ouviu a voz estranhamente séria de Naruto soar ao seu redor, bem como vários passos apressados, que emitiam ruídos de aproximação.
Então existem demônios com a voz do Naruto no inferno? Bom, isso é bem apropriado... Meu inferno particular só seria pior se tivesse o Sasori aqui.
Itachi, contudo, não abriu os olhos. Retomava aos poucos a racionalidade, se dando conta que mesmo que houvesse clones do Naruto no inferno para atormentá-lo, eles provavelmente não perguntariam sobre Sasuke. Ele devia, de alguma forma, ter sobrevivido à vingança de Madara e estava com Naruto.
Por mais surreal e impossível que isso pudesse parecer.
_ Naruto, acalme-se, ele ainda está acordando. – escutou a voz de Kakashi Hatake soar com urgência.
Itachi sentiu um misto de surpresa e esperança ao ouvir aquele timbre de voz. Kakashi acordara! Kakashi poderia ajudar, ele...
Ok... Quem ele queria enganar? O que Kakashi poderia fazer? Expedir um mandado de busca e apreensão para que a polícia investigasse o QG da Akatsuki, um lugar que ele sequer sabia onde ficava no mapa?
Quando foi que eu fiquei tão otimista e idiota?
_ Mas já faz três dias Kakashi! Pode ter acontecido qualquer coisa com o Sasuke em três dias! – a voz estridente do loiro soou novamente, e ao ouvir tais palavras Itachi teve a força necessária para abrir os olhos mais uma vez.
Tinha que se esforçar para ajudar Sasuke, não importava como!
Desta vez não enxergou claridade alguma. Lembrou-se prontamente da época em que ficou em estado vegetativo pelo castigo de Madara, e tentou inutilmente mexer os dedos e sentir sua própria pele para comprovar sua suspeita. Estava certo, não sentia o tato em sua mão, sequer se dava conta se realmente conseguira movê-la. Ao que tudo indicava, apenas a audição permanecia intacta. Por quanto tempo? Seria difícil dizer...
_ Eu não consigo ver. – murmurou com a voz rouca e áspera, diferente de como costumava soar; talvez pela falta de uso em alguns dias, ou talvez pelo castigo de Madara... Difícil saber. Com certeza já devia se sentir sortudo por conseguir falar.
Os presentes ficaram em silêncio assim que ele se pronunciou. Itachi piscou por instinto, mas mesmo assim a escuridão que o envolvia não cedeu. Precisava se comunicar com eles e explicar o que aconteceu com Sasuke.
Ele sabia que estava daquela forma pela perda de sangue. Se sobreviveu, alguém lhe deu cuidados médicos e, com eles, transplante de sangue. Quando precisou de transplante há meses atrás, assim que conheceu Sasuke, Itachi ficou da mesma forma. Contudo, Madara apareceu na calada da noite e injetou a proteína em seu braço, e logo que o herdeiro Uchiha apareceu para visita, Itachi já estava bom o suficiente para se comunicar. O descaso dos médicos foi tão grande que só perceberam que Itachi tinha acordado quando Sasuke informou a uma plantonista, em um ímpeto de raiva. (1)
Mas agora, sem Sasuke ou Madara por perto, Itachi iria padecer rapidamente. Por isso, precisava repassar o máximo de informações antes de perder a audição completamente, já que era o único sentido que restava.
_ Eu vou entrar em um aparente coma daqui algum tempo, talvez algumas horas. – ele tossiu, sentindo o gosto de sangue em seguida. Bom, ao menos o paladar ainda se manteve; que inutilidade! – Prestem atenção no que eu tenho pra dizer.
_ Que babaquice é essa Itachi? Como assim entrar em coma? Você bateu tão forte com a cabeça que endoidou...?
_ Naruto, quieto. – uma voz mais grave ordenou, e não era a de Kakashi. – Itachi, eu sou Jiraiya e estou aqui pra te ajudar.
Jiraiya já havia conquistado alguns pontos com ele por ter mandado Naruto calar a boca. Itachi sorriu tristemente, ainda piscando em uma tentativa de fazer o ambiente escuro reascender sua luz, mas foi inútil.
_ Agradeço sua propositura de ajuda, mas não há nada que vocês possam fazer no momento. A única forma de evitar que isso aconteça seria...
_ Proteína, não é? – Jiraiya falou, surpreendendo Itachi.
Não era um grande segredo entre ele e Sasuke a questão das proteínas, mas pela quantidade de informações que tinham que compartilhar com Naruto diariamente nunca chegaram a explicar como isso funcionava. Como essa informação chegou nos ouvidos de Jiraiya se não por Naruto?
Interpretando seu silêncio como uma questão, o médico voltou a falar.
_ Você foi trazido por uma garota de cabelos azuis, bem bonita, sensual, enigmática e...
_ ERO SENNIN! – Naruto gritou, e Itachi contorceu seu rosto em uma careta pela voz estridente do loiro. Sua audição não estava muito boa, mas quando você se concentra para ouvir uma informação e recebe um grito deste, ele percorre direto para o seu cérebro e é capaz de fritar alguns neurônios no processo.
Como Naruto conseguia falar tão alto?
Era um fato que alguns dos seus neurônios foram danificados com aquela voz espalhafatosa e alta, sendo que ele não poderia se dar ao luxo de ficar ainda pior, não quando Sasuke estivesse em lugar incerto e não sabido, podendo estar em uma situação de risco.
_ 'Tá vendo Naruto? Você assustou o Itachi! – Kakashi censurou o garoto, e Itachi relaxou consideravelmente ao presenciar o loiro recebendo bronca.
De alguma forma isso era revigorante, mesmo no seu estado decrépito ele precisava admitir esse fato para consigo mesmo. Não era como deixar Sasuke rosado, mas ainda havia um estranho sentimento de divertimento ao provocar o Uzumaki.
_ Ele não me assustou não. – respondeu. – Eu só sofro com a poluição sonora que sai das cordas vocais do Uzumaki.
_ VOCÊ É UM BASTARDO! – o loiro gritou, e Kakashi passou a murmurar coisas em voz baixa, decerto para acalmar Naruto.
Itachi não conseguia entender, sua audição não estava muito boa, mas percebeu que o tom de voz utilizado por Hatake era suave e acalmou Naruto consideravelmente, que respondeu com indignação algumas coisas, mas depois de um tempo pareceu ceder. Um estalido de beijo soou no ambiente e Itachi não forçou muito a mente para entender o que acabara de acontecer. Ele desconfiava que cedo ou tarde Kakashi e Naruto ficariam juntos; até ele sabia que havia um sentimento entre os dois.
Sorriu de canto de boca, e antes que o casal pudesse aproveitar mais algum momento de intimidade, um pigarro desconfortável de Jiraiya trouxe a atenção de todos de volta para si.
_ Uhn... Como eu ia dizendo, a moça te trouxe pra cá e trouxe uma amostra da tal proteína. – disse Jiraya.
Nada melhor para cortar o clima de um casal do que falar sobre os problemas de vida ou morte, não é mesmo? O efeito foi imediato. Naruto e Kakashi pararam com os ruídos de beijo e um silêncio de preocupação pairou no ar.
Itachi esperava ouvir qualquer tipo de coisa e não se surpreendera tanto por Konan tê-lo salvado: ela provavelmente fizera isso a mando de Madara. Desse modo, era fácil acreditar que o seu Nii-san optou por salvá-lo apenas para judiar mais um pouco de si. Mas havia uma inconsistência nessa sua lógica.
Em nenhuma hipótese ele achou que Konan traria consigo um frasco de proteína sintetizada.
_ O que você disse? – Itachi indagou, surpreso demais pelo que ouviu; sem aguardar uma resposta, emendou outra pergunta: – O quê ela disse?
_ Ela trouxe você, nós o recebemos com urgência na UTI porque você estava... – houve uma pausa e Itachi tentou erguer a sobrancelha, em vão. – Bem, está um lixo. – Jiraiya falou, deixando bem claro que sinceridade era uma das suas maiores virtudes. – Aí ela entregou o frasco pro Kakashi, e disse para mantê-lo em temperatura ambiente pra conservação. Quando questionamos o que era, ela apenas disse que era uma proteína e você saberia nos dizer do que se tratava quando acordasse. Logo em seguida, ela desapareceu bem diante dos nossos olhos... Nem deu tempo de pegar o telefone dela...
_ VOCÊ É CASADO! – Naruto gritou novamente.
Um suspiro de impaciência vindo da direção de Kakashi foi muito audível para todos os presentes; ele provavelmente sentia que toda a argumentação melosa com Naruto não funcionara de maneira alguma.
Itachi ficou até com pena do outro.
_ Mas não estou morto! – Jiraya respondeu, pronto para uma discussão com o pivete barulhento.
Se pudesse, Itachi teria revirado os olhos e em seguida mudaria o foco da conversa, porém a única opção era ignorar a discussão estúpida e entrar em alfa por alguns instantes, avaliando as últimas informações com calma.
Madara podia muito bem ter ordenado a Konan que o trouxesse para esse hospital a fim de manter o seu sofrimento por mais algum tempo, até que viesse finalmente dar a cartada final na sua tortura. Os transplantes, com toda certeza, foram feitos no QG. – Itachi não sobreviveria uma viagem até o hospital com a quase ausência total de sangue em que se encontrava.
Desta forma, se Madara, em razão de um surto de benevolência, decidisse injetar a proteína em seu novo sangue, ele teria feito isso nas dependências do QG antes de ordenar Konan para levá-lo. Ele jamais daria um frasco extra para Konan e instruiria para deixá-lo com Kakashi.
Até porque seria uma forma de dar acesso ao laboratório daquele hospital de uma das maiores descobertas de Madara dos últimos anos! Claro que não, isso não fazia sentido. Madara não mandaria o frasco, nem mesmo decidiria injetar o seu conteúdo antes da viagem de Itachi. Não, ele queria que Itachi ficasse em coma... Então...
_ Konan agiu por conta própria. – murmurou, encerrando a discussão dos outros presentes e trazendo a atenção de volta para si.
_ Hum? – Naruto e Jiraiya perguntaram e uníssono, mas Itachi não respondeu, ainda tentando juntar todas as peças do quebra-cabeça.
Todos os membros da Akatsuki recebiam uma amostra semanal de Madara. Desde que deixaram a infância, não precisavam mais que alguém injetasse o conteúdo no corpo de cada um deles. Portanto, Konan poderia muito bem ter entregado uma amostra própria para ele.
Mas a troco de quê?
Como ela ficaria sem a amostra essa semana? Como ela conseguiria esconder de Madara que seus sentidos estavam piorando? Por que ela fez isso?
Havia uma ínfima possibilidade do conteúdo do frasco não ser a proteína e ser uma espécie de veneno, mas Madara não teria todo esse trabalho para matá-lo desta forma estúpida – mesmo que seu modo de matar variasse com o seu humor fúnebre. Então a premissa de que o conteúdo trazido por Konan era realmente a proteína se mostrava algo bem mais palpável do que qualquer outra opção.
_ Não faz sentido. – Itachi murmurou novamente, e dessa vez Jiraiya resolveu intervir em seu pensamento.
_ Olha, eu não sei porque ela fez o que fez. O fato é que ela trouxe essa amostra e disse que você nos orientaria no que devia ser feito. Então, agiliza aí moleque.
O moreno ficou irritado com o tom de voz do outro e com a insolência da palavra "moleque", mas não perdeu tempo verbalizando sua insatisfação; não tinham muito tempo para isso. Dessa vez, Jiraiya estava certo: ele precisava instruí-los logo, antes que perdesse a audição.
_ Não tem muito segredo, apenas injete o conteúdo no meu corpo, com uma seringa normal.
_ Queeeeeee? – o loiro barulhento, mais uma vez, deixou bem claro que estava presente no recinto.
E, mais uma vez, tinha que ser da pior forma. Itachi quase estava reconsiderando a possibilidade de ele estar mesmo morto e o seu inferno particular ser escutar aquela voz alta o tempo inteiro. Porém não fazia sentido e tudo o que fez foi cerrar os dentes.
_ Quieto Naruto. – o mais velho ordenou. – Injeção intravenosa, subcutânea ou intramuscular?
_ Intravenosa.
_ Certo.
Alguns barulhos de objetos metálicos foram ouvidos, e passos apressados pelo quarto contribuíram para uma quantidade exacerbada de ruídos. Itachi aguardou pacientemente.
_ Você tem certeza que isso não é perigoso pra você Itachi? – Kakashi perguntou, aproximando-se da cama.
_ Achei que você não iria se preocupar com o meu bem estar depois do que aconteceu naquele beco perto da quitinete do Sasuke. – Itachi respondeu, com a voz cada vez mais fraca. Precisava da proteína, e logo!
A cada instante que passava, sua audição ficava ainda mais deteriorada e agora ele já não conseguia nem sentir o gosto de sangue na sua boca. Ele não achava que Hatake fosse lhe responder, mas contrariando suas suspeitas, ouviu uma risadinha debochada e um pequeno estalar de língua nos dentes.
_ Não sou uma pessoa de guardar ressentimentos Itachi, mas ainda vou fazer você pagar por ter enganado o Sasuke. Só que não vou judiar de um homem no fundo do poço, tenho meus princípios.
_ Do que você 'tá falando Kakashi? – Naruto questionou, com o tom de voz baixo e levemente preocupado. – O que o Itachi-bastardo fez?
_ Agora não é a hora pra DRs crianças. – Jiraiya interrompeu a conversa, segurando o braço de Itachi em seguida. Apesar do moreno não conseguir sentir o tato, ele ouviu a movimentação contra o colchão da cama de hospital. – Quero todos pra fora, já.
_ Quê? – Naruto protestou. – Por que Ero Sennin?
_ Porque eu preciso falar com o paciente a sós pra fazer um exame de check-up antes que vocês comecem com o interrogatório.
_ Mas...!
_ Não, Naruto, Jiraiya está certo. – Kakashi parecia compreender a intenção do médico, que muito provavelmente não era essa desculpinha esfarrapada que havia dado. – Vamos aguardar no corredor, ok?
_ Mas... o Sasuke...!
_ Se o Sasuke ainda está vivo depois de três dias, pode aguardar mais alguns minutos. – Kakashi respondeu, com uma racionalidade que chegou a machucar Itachi.
Ele estava certo. Se Sasuke estivesse vivo até agora, Madara não pretenderia matá-lo nos próximos dias. Mas a chance do pior ter acontecido era muito... desnorteante e incrivelmente dolorosa. Era até mesmo surreal que ele conseguisse sentir ainda mais dor psicológica, não bastasse tudo o que viveu há poucos dias.
Ouviu alguns passos duplos, indicando que o casal se retirava do quarto. Mas assim que o ruído da porta sendo aberta soou, a voz de Naruto se fez presente novamente, ressonando nos ouvidos de Itachi.
_ Bastardo, só te digo uma coisinha, uma coisinha ínfima. – ele falou em alto e bom som, tomando a atenção de Itachi para si. – Se algo aconteceu com o Sasuke e você escondeu isso de mim, eu vou acabar com você de um jeito que essa surra daí vai parecer brincadeira de criança!
De alguma forma que ele não conseguia entender muito bem, aquelas palavras do Uzumaki conseguiram amenizar um pouco a dor emocional que sentia. Itachi não entendia muito como é que funcionava muitas coisas na realidade onde Sasuke vivia e, inicialmente, até pensou que Naruto e Sasuke pudessem ser algo bem mais do que simples amigos, como se os dois fossem amantes.
E a verdade é que realmente eram algo mais do que isso, mas não era algo com o que ele deveria se preocupar: não era carnal. E não era só pelas caretas que os dois fizeram quando lhe explicaram pela primeira vez ou porque Naruto estava com Kakashi. Não era apenas por isso; havia alguma coisa a mais. E esse algo a mais o tranquilizava porque, de alguma forma, havia alguém que estava tão preocupado com Sasuke quanto ele.
Além disso, fosse o que fosse, esse "algo a mais" também estava dentro dele, se espalhando, envolvendo-o...Talvez ele estivesse mudando.
Essas constatações e as palavras ditas pelo loiro lhe fizeram sorrir, duvidando totalmente do que ouviu: Naruto era bonzinho demais para se vingar dessa forma.
_ Eu não vou esconder nada de você Naruto. – Itachi respondeu, não se incomodando com a ameaça e deixando claro a sinceridade no seu tom de voz.
A partir daquele momento em diante ele demonstraria mais as pequenas mudanças que estavam ocorrendo com ele. Essa era a sua escolha e, talvez, houvesse algum modo de dar certo.
Chega de mentiras. Chega de meias-verdades. Tentar poupar os envolvidos escondendo os acontecimentos ruins não ajudou em nada e todos sofreram. Dessa vez seria diferente porque ele estava diferente. Ele iria tentar ser franco dessa vez, e quem sabe agindo de outra maneira tivessem alguma chance nessa guerra?
Porque estava começando realmente a parecer uma guerra.
_ Acho bom. – Naruto respondeu, e ele e Kakashi saíram juntos do quarto de hospital.
A porta foi fechada, e Jiraiya injetou o conteúdo da seringa em Itachi. Segundos depois, a visão retornava, um pouco turva, mas funcionando – o que era sempre uma boa notícia. Poucas coisas no mundo conseguiam ser mais frustrantes do que não conseguir se comunicar com o mundo exterior, nisso Itachi tinha uma longa experiência e, se pudesse, gostaria de evitar.
O moreno piscou, encarando seu médico pela primeira vez. Jiraiya parecia tudo menos um médico: longos cabelos bagunçados e brancos, presos em um rabo de cavalo baixo. Olhar rígido, mas com ares de infantilidade que impregnavam sua íris, marcas de expressão de riso excessivo e idade no rosto e roupas inapropriadas para o exercício da medicina, encobertas por um guarda pó desabotoado.
Itachi gostou de Jiraiya instantaneamente e nem conseguia dizer o porquê disso. Ele o observava com calma, injetando o plasma de Madara em sua corrente sanguínea com paciência e lentidão.
_ Itachi... – falou com suavidade; o moreno até já sabia o que teria de ouvir. – Os ferimentos do seu corpo não são normais.
_ Eu sei. – ele respondeu, piscando e constatando que a visão voltava pouco a pouco.
_ Pelo meu dever como médico, eu não informei a Naruto e Kakashi exatamente o que aconteceu com você. Apenas disse que você levou uma surra e que ouviríamos sua versão.
_ Humm...
Bom, Itachi no momento em que percebeu que estava vivo e em tratamento médico também constatou que a pessoa que cuidava dele deveria ter notado o estupro. Mas não imaginou que Jiraiya esconderia isso de Naruto e Kakashi.
Decerto estava acostumado com médicos de quinta categoria, como Orochimaru, e esquecera que alguns realmente seguem o código de ética.
_ Obrigado. – ele agradeceu. Apesar de não ter vergonha do que aconteceu (sentia muito mais vergonha do que fizera com Sasuke do que pela suposta humilhação de um estupro), sabia que o gesto do mais velho deveria ser reconhecido e agradecido.
Jiraiya sorriu um pouco, contente com a palavra de agradecimento.
_ Se você precisar de tratamento psicológico, posso encaminhá-lo pra uma das alas do hospital. E você precisará fazer exames de DST daqui três meses.
Itachi estava começando a achar peculiar o comportamento de Jiraiya, o que o fazia se perguntar se aquele tipo de situação era capaz de causar tantos traumas para uma pessoa normal. Imediatamente todo o ânimo que sentiu instantes atrás se dissipou: ele se sentia como um monstro por não sofrer com o que acontecera consigo. Talvez ele realmente não fosse gente e tudo que Sasuke tentara lhe provar não passava de uma besteira sem tamanho.
_ Eu estou bem, não se preocupe. – ele respondeu, um pouco desanimado. – Eu só preciso sarar pra ir buscar o Sasuke, nem que seja a força.
_ Nem que seja a caveira do Uchiha, não é mesmo? – o medico falou, abaixando o olhar e cobrindo o pequeno furo na pele de Itachi com um curativo. – Eu não estou tão por dentro do que anda acontecendo com o Uchiha, mas sei mais ou menos o tamanho do estrago. E sei que Orochimaru está metido no meio, então não espero boa coisa.
Ouvir o nome de Orochimaru fez Itachi sair de sua áurea de tristeza, voltando a prestar atenção nas palavras de Jiraiya.
_ Você sabe sobre Orochimaru e a Akatsuki, Naruto mencionou isso pra mim (2). O que você sabe?
O homem mais velho sorriu, colocando a seringa usada em cima de uma bandeja de aço. Espreguiçou-se, estalando o pescoço demoradamente, antes de voltar sua atenção para Itachi e sorrir com animação.
_ Ah moleque, a gente tem muito o quê conversar!
Itachi correspondeu o sorriso, sentindo que acabou de ver uma luz no fim do túnel. A situação não estava melhor, mas ter alguma direção ou qualquer informação nova que fosse lhe dava uma nova perspectiva para trabalhar. Talvez não estivesse tudo tão perdido como ele imaginava.
_ Mas ainda tem muita gente pra te visitar hoje. – comentou Jiraya com displicência, lhe dando um enorme sorriso. – Acho que depois que você desembuchar pra galera, nós podíamos ter uma reunião particular.
_ Muita gente pra me visitar? – Itachi questionou, franzindo o cenho – Quem mais quer falar comigo fora Kakashi e Naruto?
Jiraiya riu com vontade, levando uma das mãos até o ombro enfaixado de Itachi.
_ Ah jovem, você nem faz ideia de quanta gente envolveu nessa bagunça...
Evidentemente surpreso, Itachi se moveu de maneira desconfortável na cama, tentando arranjar alguma forma de se deitar que não doesse tanto; foi inútil. Até aí, nada que o deixasse realmente incomodado, porém a perspectiva de sabe-se lá quem vir lhe visitar lhe deixava apreensivo, não por medo e sim por não compreender as razões daquilo. Só que a falta de conforto podia ser ignorada, a curiosidade também, mas o sono aparecia para atormentá-lo sem dó nem piedade.
_ Um dos efeitos colaterais da injeção de proteína é ficar sonolento. – ele comentou para o médico, sabendo que não aguentaria ficar acordado por muito tempo. – Então se você tiver algum energético pra me dar eu agradeceria.
_ Não seja ridículo! Durma! – o outro respondeu, censurando o pedido do mais novo com uma careta. – Kakashi está certo, se Sasuke ainda está vivo depois de três dias não é alguns minutos que farão a diferença. Durma e quando acordar prepare-se pra ser mais assediado do que jogador de futebol em dia de final da copa do mundo.
Itachi não tinha ideia do que era futebol e nem copa do mundo, mas mesmo assim ainda ficou surpreso. Por mais que reavaliasse tudo o que ocorreu até ele estar naquele hospital, ele não conseguia ver como pôde ter reunido tantas pessoas.
_ É tanta gente assim?
Eu sinceramente não me lembro de ter envolvido tantas pessoas!
_ Digamos que eu acho que você conseguiu formar um pequeno exército, Uchiha.
A utilização do sobrenome não passou despercebida por Itachi, mas antes que ele pudesse abrir a boca para perguntar qualquer coisa a respeito, Jiraiya deu-lhe uma pequena piscadela com o olho esquerdo, andando até a porta enquanto falava com animação.
_ Então durma e sonhe com mulheres bonitas! Ou... Hum... Homens bonitos, sei lá. – ele falou enquanto se despedia com um breve aceno de mão. – Te acordo em uma hora porque provavelmente não conseguirei segurar o Naruto mais do que isso. Aproveite a soneca!
Isso dito, Jiraiya se retirou do quarto, deixando Itachi completamente sozinho e com um humor um pouquinho melhor do que quando despertara há poucos minutos.
Quando foi mesmo que eu fiquei tão otimista? – se perguntou, deixando um sorriso emoldurar seus lábios antes de perder a guerra contra o sono.
(***)
_ Transtorno Dissociativo de Identidade? – Sasuke repetiu, piscando rapidamente e se movendo de forma desconfortável no divã. – O que isso significa?
Kakashi não respondeu prontamente, ainda anotando algumas coisas em sua caderneta. Sasuke optou por aguardar, brincando com os dedos de suas mãos, agora dispostos tranquilamente sobre seu abdômen. Odiava o maldito divã, mas tinha que concordar que depois de dez minutos ele até que ficava confortável.
De qualquer maneira, ele estava recebendo uma espécie de diagnóstico de Kakashi, e isso o deixava curioso o suficiente para aguardar com paciência o resultado de sua análise. Não queria que o grisalho lhe acusasse de mais um ímpeto de irritação e deixasse para falar o resultado das incontáveis "enchessões de saco" quando Sasuke estivesse "mais calmo e complacente".
Cacete. Queria respostas já!
Kakashi quer nos separar Sasuke, não acredite nele!
Ele é um cuzão, ele não nos entende! Você está feliz conosco, não está?
Eu...
Porém, antes que ele pudesse argumentar com as estranhas vozes em sua mente, Kakashi se manifestou, falando com clareza e trazendo a atenção do garoto de volta para si.
_ Pra falar bem a verdade, tenho apenas 95% de certeza deste diagnóstico. – comentou o Hatake, escrevendo alguma coisa na caderneta. – Você tem sintomas típicos, como uma personalidade mais agressiva e uma mais passiva, e reiteradas alucinações auditivas, já que você diz que elas se comunicam com você...
Kakashi parou de falar, continuando a rabiscar freneticamente no maldito caderninho. Sasuke sinceramente não compreendia porque Kakashi insistia em fazer mistério com a situação e, pelo menos quanto aquele ponto, seus "inquilinos" também concordavam. Além disso, ele tinha o pressentimento de que não gostaria nada do que o mais velho iria falar. Ele se virou para Kakashi, observando-o atentamente e aguardando o veredicto.
_ Mas faltam alguns sintomas: como o controle dessas personalidades sobre o seu corpo, bem como a ausência de amnésia, seja retrógrada ou temporária, algo que é muito frequentemente associado com essa... Hn... Condição mental.
O adolescente sentou-se de forma abrupta e, inconscientemente, começou a bater o pé direito no chão, aparentando impaciência. Estava cada vez mais desconfiado do seu psicoterapeuta, mas isso não impediu Kakashi de continuar a falar, como se sua reação e "nada" fossem a mesma coisa.
_ Você apresenta todo um quadro traumático propício para TDI, possivelmente a morte dos pais de Naruto apenas foi a gota d'água que fez toda essa condição se iniciar. – Kakashi respondeu, calmamente, como se estivesse falando do tempo chuvoso daquela manhã. – Contudo, posso estar errado. Por isso eu recomendaria que você consultasse um psiquiatra, vou encaminhar uma orientação pra você levar pra diretora do orfanato; o Estado pagará essas consultas certamente.
O olhar do adolescente tornou-se rígido e ele uniu as sobrancelhas em irritação. Kakashi já esperava que iria enfrentar esse tipo de comportamento ao dizer o seu diagnóstico, mas, mesmo assim, suspirou pesadamente. Afinal, a esperança é a última que morre!
_ Sasuke, não comece...
_ Você é um idiota ou o quê?! – o garoto indagou, lívido pelo que acabara de ouvir. Kakashi realmente lhe tirava do sério às vezes! – Se eu precisar de tratamento pra esquizofrenia eu...
_ TDI não é esquizofrenia, escute o que eu tenho a dizer!
Mas, infelizmente, o Uchiha não queria ouvir. Na verdade, Sasuke estava esbravejando desenfreadamente sem lhe dar qualquer chance de explicar a diferença de esquizofrenia para TDI. Kakashi desistiu de tentar explicar, apenas ouvindo o mais novo expor seu desespero. Para ser muito franco, Kakashi não sabia se tinha pena do adolescente ou se achava engraçado, já que Sasuke não era do tipo que falava, e menos ainda tinha um "piti".
_ ... vão me designar um curador, um tutor! Kakashi, por favor, por favor, não diga isso pra assistente social!
Foi a vez do grisalho se sentir surpreso; não era todo dia que via o garoto Uchiha implorar daquela forma. O menino estava corado, com feições irritadas que, transmitindo um grande pavor de ter sua vida nas mãos de um simples diagnóstico como esse. Ele estava colocando toda a sua irritação de lado pelo medo descomunal que sentia com a perspectiva de enquadrar-se novamente em uma família.
_ Você faz muito drama em cima de pouca coisa Sasuke. – Kakashi respondeu, suspirando pesadamente. – Eu poderia muito bem cuidar de você, já estou até cadastrado como um dos interessados em ser seu tutor e consegui a guarda do Naruto, semana que vem ele se muda pra minha casa. Qual o problema?
_ Você sabe qual é! – ele respondeu rápido demais, mordendo o lábio e tentando controlar suas lágrimas. Odiava, odiava, odiava esses momentos de fraqueza que tinha nas consultas de Kakashi, mas era extremamente grato pelo grisalho fingir que isso não estava acontecendo.
Apesar de ter uma caixa de lenços de papel ao seu lado, Kakashi não oferecia a Sasuke quando ele chorava nas consultas; ambos agiam como se as lágrimas fossem meras ilusões. E talvez fossem mesmo, pelo menos Sasuke acreditava que sim; ele não conseguia admitir para si mesmo que era capaz de chorar.
Uchihas não choram.
Não mesmo.
Nem pensar.
Além de Kakashi, apenas outras duas... hum... "pessoas" conheciam seu momento de fraqueza. Essas eram suas mais novas mentes, ou era assim que ele preferia chamar.
Sasuke particularmente gostava da nova companhia. Sentia-se menos sozinho por ter com quem conversar e elas pareciam completamente inofensivas. Eventualmente elas pediam para assumir o "controle", mas Sasuke se negava e um simples "não" bastava. Ele não entendia porque Kakashi viu tanto problema nisso.
Deixou escapar a informação em um momento de descontrole, quando uma de suas mentes o irritava consideravelmente e Kakashi o bombardeava com perguntas vergonhosas. Falou em voz alta com uma das mentes e o grisalho, que não é bobo nem nada, entendeu que havia algo de diferente com ele. Desde então, não deixou mais esse assunto morrer.
E agora essa coisa de Transtorno Dissociativo de Identidade... Tsk.
Ele comentou algumas vezes que essas mentes poderiam ter nascido em decorrência de seu sentimento de impotência e solidão gerada pelas sucessivas mortes de pessoas queridas por si, mas era a primeira vez que dava um nome para essa "doença".
Independente disso, Sasuke era grato pela companhia que tinha em sua cabeça. Podia compartilhar qualquer coisa sem ser julgado, poderia manter a feição de Uchiha inabalável enquanto sofria e chorava em seu interior, e ninguém precisaria saber disso!
Bom, isso se aqueles malditos momentos de fraqueza parassem! E Kakashi fechasse o bico, óbvio.
_ Ninguém aqui está morrendo por sua causa. – o grisalho retomou o ponto depois de um longo silêncio. – Você precisa parar de achar que uma nova família significará uma nova tragédia.
Apesar de não gostar do sentimento, Kakashi não conseguia evitar sentir muita pena do garoto, porém sabia que a situação só pioraria se o consolasse; Sasuke se recusava a receber ajuda. O adolescente não era como Naruto e queria ser tratado como uma pessoa forte e inabalável.
Só que na verdade Sasuke era um garoto muito traumatizado e frágil...
Apesar de toda choradeira desde a morte dos Namikaze-Uzumaki, Naruto lidava melhor com o problema do que Sasuke, e Kakashi sabia disso. O loiro estava vivendo cada etapa da superação da maneira esperada, enquanto Sasuke não. Definitivamente o Uchiha não estava aceitando tudo muito bem.
Os mecanismos de defesa, isolamento e negação, eram tão frequentes na vida de Sasuke que Kakashi acreditava não precisar ser especialista em Freud para identificá-lo; até Naruto já havia comentado sobre essa condição de seu amigo com ele.
Kakashi precisou frear seus pensamentos ao perceber que o herdeiro Uchiha finalmente se pronunciava.
_ As sepulturas de meus pais e padrinhos provam o contrário. – ele murmurou em resposta, abaixando o olhar. – Eu já tenho que lidar com muita culpa Kakashi, me poupe de mais uma aflição.
Kakashi suspirou pesadamente, jogando a cabeça para trás com um ar nada profissional. Por mais que tivesse boa intenção em ajudar o adolescente cabeça-dura, era realmente maçante apontar a solução mil vezes e ver que essa era escutada por um ouvido, mas saia logo pelo outro. E lá vinha mais uma vez a "Síndrome de Assombrado", como ele nomeava o distúrbio do Uchiha.
Era frustrante trabalhar com um caso como o de Sasuke. Não era seu primeiro caso na profissão de psicoterapeuta, mas desde que assumira sua última promoção na hierarquia policial, Kakashi estava afastado dos pacientes e não procurava voltar à ativa. Contudo, os acontecimentos com Kushina e Minato fizeram com que ele se afeiçoasse a Sasuke e Naruto antes mesmo de conhecê-los mais a fundo, e ele possuía uma ligação extremamente peculiar com Sasuke.
Por isso, ele quis ajudá-los, e se Sasuke não aceitava sua ajuda de outra forma, ao menos a ajuda profissional ele desejava proporcionar.
Ele queria muito que Sasuke viesse morar com ele porque queria protegê-lo. Queria dizer o que sabia de toda aquela história, porém havia uma diferença crucial entre "querer" e "poder". Ele sabia que havia "olhos demais" e "ouvidos demais" vigiando Sasuke, como se já não bastasse o temperamento peculiar do adolescente!
Tudo isso lhe impedia agir da maneira como gostaria.
Além disso, Sasuke já era bastante "assombrado" do jeito que estava, se o garoto soubesse de, ao menos, metade do que estava por detrás de todo aquele mistério! Isso lhe deixaria mais consciente da situação, mas também faria, com toda a certeza, que o adolescente sentisse uma síndrome de perseguição ainda maior.
Ainda sim, desejava fazer o possível e impossível pelo adolescente explosivo, só que havia coisas que estavam além de sua capacidade. E isso era extremamente frustrante!
_ Você não devia sentir culpa pela morte deles. – Kakashi explicou calmamente pela décima vez, reiniciando um discurso já decorado por ele. – Já conversamos sobre isso, mas podemos tocar nesse assunto novamente. Me diga o que...
_ Não quero falar sobre isso de novo, caralho! – Sasuke gritou em resposta, demonstrando mais uma vez sua falta de maturidade para lidar com algo tão simples como "conversar".
Kakashi acreditava que ainda estava para nascer um menino com temperamento mais difícil do que este na face da Terra! Ele normalmente não era impaciente, mas Sasuke possuía "o dom" de tirá-lo do sério às vezes. O pior? Parecia fazer isso de propósito!
_ O que você quer que eu fale então? Hum? Que deixe pra lá o meu compromisso como profissional porque você está estressadinho e não quer ajuda? – Kakashi aumentava consideravelmente o tom de voz, sua paciência praticamente esgotada. – Caso não saiba, você é de menor! Quem toma as decisões aqui são os adultos. Eu sou um adulto!
_ Você realmente quer me prejudicar, não é? – Sasuke o acusou com um tom de birra indisfarçável. Havia até mesmo um bico nos lábios do Uchiha. Um bico!
Isso fez Kakashi lembrar porque nunca gostaria de ter filhos: adolescência!
_ Não diga isso. – suspirou pesadamente, cansado daquele argumento de sempre. Sasuke parecia andar em círculos a cada sessão.
_ É O QUE PARECE! – gritou Sasuke, respirando profundamente e lhe lançando um olhar repleto de dor. O garoto ficou quieto alguns instantes e continuou: – Como você acha que eu me sinto, hein?
Kakashi se preparou para responder, mas Sasuke não esperou uma resposta, voltando a ficar com raiva, embora também houvesse dor em sua voz.
_ Eu sei que, de alguma forma, a causa de tudo isso sou eu! – rugiu o Uchiha, embora a sua voz tremesse levemente. – Eu mal consigo olhar pro Naruto...!
Os dois se encararam por breves instantes enquanto travavam uma batalha visual. Sasuke foi o primeiro a ceder. O adolescente abaixou a cabeça, fitando suas mãos sobre o colo; o Uchiha parecia uma criancinha envergonhada pela maneira como acabara de agir. E Kakashi conseguia enxergar com clareza aquele menininho assustado que contornou toda uma frota de policiais para ver os pais retalhados sobre o leito.(3)
_ Você deveria. – Kakashi murmurou com sapiência, cortando o silêncio incômodo que se instaurou entre eles. – Porque tudo que ele mais precisa é de você!
Sasuke arregalou o olhar, parando de respirar instantaneamente e voltando a encarar o outro por alguns segundos, porém logo desviou o olhar e fitou seus sapatos por longos cinco minutos de silêncio. Ele sabia como funcionava as sessões de psicoterapia: agora era a vez dele falar e Kakashi permaneceria quieto até que isso acontecesse.
_ Eu quero ajudar o Dobe. – pediu com a voz falha, tentando não chorar mais uma vez naquela manhã. Ele reuniu toda a sua coragem para encarar o outro e proferir o que era imprescindível ser dito. – Preciso de ajuda para fazer isso.
Kakashi ficou tão surpreso com aquelas palavras que quase pulou de sua cadeira em comemoração. Até que enfim algum progresso! Porém ele conseguiu recobrar a postura profissional antes de fazer algo absurdamente ridículo.
_ Eu tenho uma proposta. – falou com animação. – Uma proposta de tratamento.
_ Sem psicanálise?
Sasuke parecia tão motivado com a perspectiva de não ter de visitar um psiquiatra que Kakashi não pode evitar o sorriso que emoldurou os seus lábios.
_ Sim... Sem psicanálise. Só eu e você. Está bom assim pra você?
_ Ok... O que propõe?
_ Sasuke Uchiha, – o menino ergueu o olhar, curioso pelo tom de voz animado adotado por Kakashi. – você já ouviu falar em hipnoterapia?
(***)
Sasuke acordou, sem sequer se lembrar em que momento tinha se deitado. Encontrava-se em uma cama confortável e desconhecida, e precisou fazer uma força física surreal para conseguir se sentar no colchão macio; seu corpo desejava muito voltar a dormir, mas sua mente sabia que não era nem um pouco seguro voltar a adormecer em um lugar estranho como aquele.
Olhou os arredores, tentando lembrar como acabou naquele lugar. Era um ambiente escuro, com paredes de pedra e chão de alvenaria, o que nada combinava com os móveis elegantes da década de 30. Uma penteadeira, estante, armário e chapeleira estavam dispostos cada qual encostado em uma das paredes que não possuíam sequer uma janela. A cama onde estava deitado até possuía um dossel, algo que combinaria bem mais com o quarto da realeza do que com aquele ambiente com ares de masmorras.
Independente da surpresa que teve com o ambiente, Sasuke precisava recordar-se de como acabou naquele lugar. A última lembrança que lhe veio à mente foi o momento em que Naruto e Karin iam tomar café com ele e...
Subitamente, todos os acontecimentos dos dias anteriores voltaram a sua mente, fazendo-o gritar pela intensidade de informações que o atingiram certeiramente. O sequestro, a apresentação de Orochimaru, os dois dias de prisão comendo apenas pão e água, sem respostas às suas perguntas e sem companhia e, por fim, a vingança de Madara.
_ Itachi... – Sasuke murmurou sem fôlego, levando as duas mãos até os cabelos e agarrando as madeixas com força, tentando pensar.
Sua respiração ficou acelerada conforme o sentimento de desespero voltava a lhe invadir com uma velocidade surreal, sem que ele pudesse controlar suas emoções. Queria pensar, queria entender todos aqueles sentimentos! Mas não conseguia, muita coisa passava na sua mente ao mesmo tempo e era impossível se concentrar em apenas um fato.
A tortura física e psicológica, a maneira como chorara ao ver Itachi sofrer, a dor que ambos sentiram e a certeza de Sasuke de que deveria assistir àquele show de horrores até o fim. Orochimaru prometera que, no encerramento, ele receberia respostas sobre a morte de seus pais.
Não era como se ele conseguisse tirar Itachi daquela situação deplorável, mesmo se tentasse! Pelo menos, essa era a desculpa que ele dava para si mesmo toda vez que se controlava para não botar tudo a perder e tentar salvar Itachi: se reconfortava pensando que jamais conseguiria. Porém naquele instante ele pensava que talvez, apenas talvez, ele tivesse alguma chance...
Ainda assim, não queria admitir que aquilo se tratou de um acordo com o demônio, mas não havia outra forma de nomear o que aconteceu. Mas do que adiantava pensar nisso agora? O que estava feito, estava feito. Ele optou por assistir apenas para saber o que Orochimaru quis dizer ao propor o trato, e quando teve acesso à pasta de documentos seu mundo caiu.
Fotos. Várias fotos de Itachi estraçalhando o corpo de seus pais. Fotos dos olhos surpresos de Mikoto e, céus, fotos em que ela até sorrira à beira da morte! Todas as fotos tinham negativos (4) grampeados e eles comprovavam a veracidade da prova, não que Sasuke conseguisse pensar em uma possível armação com a quantidade de sensações naquele momento.
Além disso, tivera acesso a uma cópia autenticada da Certidão de Nascimento de Itachi, registrada em cartório, com o nome "Itachi Uchiha" e a mesma filiação que ele. Também percorrera o olhar trêmulo sobre mais fotos, essas um pouco mais antigas, de antes de seu nascimento: Fugaku carregava um bebê nos braços, e Sasuke sabia muito bem que aquele menino não era ele; isso sem contar o DNA, que retirou qualquer outra dúvida que poderia pairar no ar.
Fugaku jamais, jamais mesmo, o carregara nos braços, então não havia como aquela criança ser ele! E os olhos da criança não geravam dúvidas: era Itachi, seu irmão mais velho. O filho da puta do Fugaku até sorria na foto! Isso só serviu para aumentar ainda mais a raiva que sentira diante daquelas evidências. A ira o cegara de tal forma que tudo que ele conseguiu pensar era em vingança. Morte. Destruição.
Itachi tinha que morrer! O desgraçado tinha que morrer!
Mas ele conseguira matá-lo, não conseguira? Ele bateu sua cabeça no chão com toda a força que conseguiu juntar antes do mundo virar trevas e ele perder a consciência. Não sabia muito bem o que acontecera logo depois disso, mas sabia que em algum ponto apagou, provavelmente pelos sintomas idiotas que o perseguiam desde a primeira aparição dos olhos violetas.
O maldito estava morto.
O desgraçado tinha que estar morto! Ele merecia a morte depois de tudo que fez! Ele arruinou sua vida! O condenou ao inferno pela prática de um tabu imperdoável e acabou com a vida de sua mãe sem nenhum motivo aparente! Ele...!
Itachi Uchiha era um monstro!
Só que... Ao mesmo tempo em que pensava isso, Sasuke sentiu uma dor no peito tão grande que não conseguia dizer se ela estaria ligada a raiva ou ao rancor. Itachi estava morto não estava? E se o assassino estava morto, então a justiça foi feita. Assim não havia porque ele sentir dor, certo? Era para ele estar feliz porque finalmente, finalmente, o assassino da sua mãe pagou pelo seu crime. Ele não deveria se sentir assim.
Sasuke respirou profundamente, tentando se acalmar e compreender aquela tristeza que o invadia de forma sorrateira e gradual. Estranhamente, desta vez ela não parecia ligada com a morte de sua mãe. Parecia... Parecia que ele estava triste pelo que fizera com Itachi.
Isso não é possível! Eu estou enlouquecendo, não estou? Que tipo de sentimento absurdo é esse!?
Mas ninguém respondeu.
E só então Sasuke reparou em como sua mente estava silenciosa desde que tinha acordado. Nenhuma das suas mentes barulhentas e irritantes resolveram dar o ar de sua graça. Mas... Como?
_ O que está acontecendo comigo? – rosnou entre os dentes.
Ele apertou os olhos com força em uma tentativa de conter as lágrimas de raiva, mas isso foi inútil porque elas escaparam por entre seus cílios e deslizavam pelas suas bochechas, caindo no lençol. Ele pôs as mãos no coração, agarrando sua camisa suja com violência, como se assim conseguisse impedir a dor emocional e a solidão que o atingia sem um aparente por que.
Por que elas sumiram? Por que elas lhe deixaram sozinho de novo? Por que as coisas que lhe davam algum conforto sempre eram arrancadas de si?
_ Você acordou. – ouviu uma voz grave falar atrás de si, assustando-o e o fazendo parar de respirar.
O Uchiha se virou com agilidade, encarando Madara que estava parado próximo à porta, com as costas escoradas em uma das paredes e com os braços cruzados. Portava um olhar superior irritante, bem como um sorriso de prepotência em seus lábios; isso lhe lembrou que Itachi costumava agir assim quando o conheceu.
_ Já era tempo! – ele continuou a falar, vindo em sua direção. – Faz três dias que você apagou.
Sem nem pensar no que estava fazendo, Sasuke não se conteve: pulou da cama e correu para cima de Madara, a fim de destruí-lo da mesma maneira que fizera com Itachi. Depois tentaria entender esses sentimentos dolorosos em seu peito, porque no momento ele possuía uma oportunidade de ouro a sua frente!
Ainda não sabia ao certo qual era a participação de Madara em tudo isso, mas sabia que não era mínima e que era tão condenável quanto Itachi. Por isso, Sasuke se sentia na obrigação de encurtar seu período de vida e proporcionar a Madara e Itachi um reencontro no inferno.
Obviamente ele não conseguiu sequer encostar em um fio de cabelo do homem mais velho, que o imobilizou com muita facilidade, envolvendo seus pulsos com algemas de aço que muito provavelmente já tinha em mãos, prendendo-os às suas costas. Sasuke sabia que faltava técnica para lutar com pessoas como Madara, mas se sentia estranhamente... Fraco.
Não era daquela forma que se sentia quando ativava os olhos violetas. A sensação era outra, os sentidos ficavam mais apurados e uma série de outros efeitos, mas naquele momento ele não sentia nada disso, só a raiva avassaladora direcionada à Madara.
E é lógico que a ira que sentia no momento os havia ativado! Não é mesmo?
Eu não pareço, em aspecto algum, a pessoa que era antes...
_ O que você fez comigo! – ele exigiu saber, e Madara simplesmente sorriu de maneira sádica, pegando-o no colo como se ele fosse um bebê ou uma noiva (mal se importando com a maneira como Sasuke se debateu em desespero) e colocando-o na cama novamente.
O mais novo sentia tanta raiva no momento que até mesmo sua visão parecia enxergar uma cor rubra de sangue em todo o ambiente. Se Deus quisesse era uma premonição: o vermelho simbolizaria o sangue derramado de Madara. Sim... Sim!
Estava tão irritado que nem sequer passou pela sua mente a ironia daquela situação: o Sasuke de antes tinha fobia de sangue... E o atual, bom, este desejava muito ver poças de sangue da pessoa a sua frente.
_ Nada. Você só está há quase cinco dias sem tomar a pílula e, sendo assim, voltou a ser o humano normal e fraco de sempre. Não tenho culpa se você é incompetente o suficiente para controlar os efeitos colaterais e dormir por três dias, Uchiha.
Sasuke parou de tentar se libertar, se dando conta de que certamente isso seria inútil. Se jamais conseguira fugir de Itachi antes de tomar aqueles malditos comprimidos, não tinha chance alguma contra Madara.
_ Bom menino... – Madara murmurou, sentando-se do seu lado, ainda com aquele maldito sorriso nos lábios. Levou uma das mãos em seus cabelos, pretendendo bagunçá-los ainda mais e tratá-lo como um menininho levado, subestimando mais uma vez sua pessoa.
Que audácia!
Furioso, Sasuke conseguiu ser ágil o suficiente para morder a mão de Madara; já que não conseguiria fugir, iria ao menos fazer o estrago que fosse capaz de fazer.
Madara riu sonoramente ao sentir os dentes afiados em seu polegar e, sem se importar em romper a pele, puxou a mão, agarrando o queixo de Sasuke e forçando-o a olhar em seus olhos. O seu sangue escorria nos lábios do garoto, e Madara apreciou a particularidade da cena com atenção.
Se havia uma cor que destacava um Uchiha, esta certamente era o vermelho; de preferência, o vermelho sangue.
_ Gosto de garotos revoltados como você Sasuke, são os mais interessantes de "quebrar". – rosnou ferozmente, piscando e mostrando os olhos violetas para Sasuke, que engoliu em seco – Você clama ser forte, mas o que é isso, hum?
Madara levou a mão boa até o rosto de Sasuke, passando o dedo em suas bochechas e, logo em seguida, mostrando os dedos sujos de lágrimas espessas que escorreram em decorrência dos sentimentos contraditórios que Sasuke sentia naquele momento. Madara levou-as até os lábios, sugando-as com um gemido impudico; o garoto sentiu seu corpo arrepiar por completo.
_ Te juro pivete, suas lágrimas ficam mais doces a cada vez que eu tenho o prazer de prová-las. – ele sussurrou em um tom de voz levemente sensual, deixando Sasuke ainda mais apavorado com aquele comportamento estranho.
_ Você é doente. – o Uchiha respondeu, tentando se controlar para não demonstrar fraqueza diante do psicopata maldito.
Ele se recordava, naquele momento, que Madara já havia tentado algo sexual com ele, antes mesmo de assumir seu relacionamento com Itachi (ou a atração que sentia pelo outro àquela época). Durante muito tempo a memória ficou apagada, mas com a hipnose de Kakashi ele conseguiu recobrar a consciência daquele dia; o desespero para por tudo em pratos limpos com Itachi foi tão grande que Sasuke não se prendeu tanto às insinuações de Madara.
Só que agora a preocupação voltava, e em dobro; aliás, o fato de que Madara já aparecer naquele quarto sem camisa não era um bom sinal. E ainda tinha aquele tom de voz e aquela aproximação: havia muitos fatores preocupantes ali. O pior deles era que Madara era mil vezes mais forte que ele, assim, se Madara realmente quisesse ter sexo com ele, poderia muito bem forçá-lo a isso.
_ Eu só gosto de apreciar as coisas boas da vida. – ele respondeu, lambendo seu dedo mais uma vez, como se tentasse saborear o final de uma sobremesa. – Lágrimas de Uchiha são um dos maiores afrodisíacos, na minha singela opinião.
Você é doido, isso sim. – Pensou o Uchiha em questão se movendo na cama e conseguindo o máximo de distância de Madara o quê, infelizmente, não era muita.
_ Relaxe, vai ser melhor pra você se cooperar.
_ O que você quer de mim? – Sasuke questionou, se dando conta de que não conseguiria atingir Madara. E se era incapaz de fazer isso, ao menos gostaria de receber algumas respostas antes de ser descartado. – Eu já participei da sua vingança contra o Itachi, por que me mantém aqui?
_ Você preferiria conhecer o meu tanque de ácido, Uchiha? – Madara respondeu, mostrando os dentes em um sorriso que beirava ao de um maníaco psicopata.
O mais novo não respondeu, controlando-se bastante para não se envergonhar ainda mais e emitir um som de desespero. Porém aquele olhar definitivamente ameaçador e aquele sorriso apavorante confirmavam a periculosidade da situação. Somente naquele instante ele finalmente se deu conta do quão ferrado estava.
Itachi mencionou que Madara desejava utilizá-lo para experiências e assim que sua utilidade como uma possível cobaia fosse encerrada, ele provavelmente iria se desfazer do corpo. No momento de raiva, Sasuke se esqueceu daquele detalhe, porém a informação acabou de retornar à sua cabeça.
E dessa vez não havia Itachi para salvá-lo das garras de Madara.
_ Não aja como se fosse o fim do mundo Sasuke.
Claro que não era o fim do mundo. Ele apenas estava em um quarto estranho, com uma pessoa extremamente perigosa que queria literalmente fodê-lo e ainda lhe fazia uma ameaça singela de jogar-lhe vivo em um tanque de ácido! Muito bom rever as a situação para se acalmar, não?
_ Se eu quisesse te matar, você não teria acordado do seu efeito colateral. Há muitas maneiras de deixar uma cobaia inerte enquanto os experimentos são feitos. – Madara o analisou por poucos instantes e cruzou os braços em seguida. – E isso não parece muito novo para você, não é? Itachi te contou minhas intenções.
_ Eu não sei mais o que pensar sobre as palavras de Itachi. – Sasuke respondeu com sinceridade, arrependendo-se pelo momento de franqueza.
Madara era o inimigo! Por que diachos ele estava conversando com o inimigo? Será que ele simplesmente não poderia controlar a sua boca? Se bem que, se continuasse conversando com o outro, talvez pudesse obter alguma resposta ou, pelo menos, manter Madara ocupado o bastante para não forçá-lo a ter sexo. E talvez ele encontrasse um meio de fugir dali.
_ Bom, acredito que você tenha muito que pensar então. – Madara parou de sorrir, exibindo feições sérias de negociação e surpreendendo Sasuke profundamente. – Mas acredito que eu possa te ajudar.
Sasuke piscou algumas vezes, surpreso pelo que acabou de ouvir, mas recobrou a compostura rapidamente. Ele deixou sua expressão neutra e ponderou sobre as palavras do outro, chegando a conclusão de que não conseguia se ver colaborando com Madara em nenhuma circunstância.
_ Não estou interessado em informações suas, não tenho motivos pra confiar em você. – o mais novo respondeu, num ímpeto de audácia que até o surpreendeu. – Eu só acreditei nas provas que me mostrou antes porque eram inequívocas. Sua palavra não vale tanto quanto um negativo de fotografia.
Madara deixou um ruído de descrença escapar de sua garganta, balançando a cabeça negativamente antes de voltar a falar. O moleque era uma figura! Não havia nenhuma obediência à hierarquia! Era óbvio que o garoto não tinha nenhuma trava para impedi-lo de falar o que pensava e essa impulsividade desmedida era uma tolice infindável. Mas também não era nada que lhe preocupasse; tinha meios satisfatórios de acabar com aquele gênio.
Tudo apenas contribuiria para a sua diversão.
_ Eu não pretendo te dizer a verdade. É como dizem: em uma discussão, existe sempre a verdade de um, a verdade do outro e a verdade dos fatos. Cabe a você optar o que deve escolher como a realidade, e não a mim entregá-la de mão beijada. – soltou os braços ao redor do corpo, olhando profundamente o Uchiha com seus olhos violetas e arrancando um arrepio intenso do menor. – Afinal de contas, o que você vai falar pro Itachi quando o encontrá-lo da próxima vez, se não sabe nada sobre coisa alguma?
O impacto de suas palavras no moleque foi delicioso. O mais novo arregalou os olhos e cerrou os punhos, contraindo minimamente os lábios, fazendo-o rir daquela reação. E assim todo o "amor" que Sasuke tinha depositado em número três foi convertido em ódio! Realmente, ele sabia como conduzir um ótimo espetáculo!
Eu só posso estar ouvindo coisas! Cadê vocês numa hora tão importante como essa!? – mas ninguém respondeu os seus pensamentos desesperados.
_ Acho que eu falei algo interessante, né?
Madara mantinha o tom de voz divertido, e Sasuke imaginou-se cortando o outro, membro por membro, primeiro cortando a maldita língua ferina de Madara, e depois lhe despedaçando. Essa imagem mental o acalmou um pouco; bem pouco.
_ Itachi está morto. – Sasuke murmurou – Nós o matamos!
_ Corrigindo a sua suposição estúpida: se Itachi estivesse morto, seria você quem o teria matado, e não eu. – o outro respondeu casualmente, como se toda a surra que deu em seu "irmão mais novo" não passasse de uma fantasia da mente de Sasuke. – Mas não, Itachi não morreu.
_ O que quer dizer com isso!? Ele estava com a vida por um fio!
_ Ah, estava mesmo... Foi bastante interessante não é?
Sasuke piscou algumas trocentas vezes, tentando acompanhar a mente sádica de Madara e falhando miseravelmente. Ao mesmo tempo em que estava horrorizado com o pensamento do outro, havia uma pequenina parte dele que estava quase... Feliz. Mas a raiva que sentia, por Madara, por tudo aquilo e por Itachi era grande demais para que ele se concentrasse naquele minúsculo fato.
_ Pare de falar absurdos!
Desta vez Madara não foi tão complacente: ergueu a mão até o pescoço de Sasuke, cravando as unhas na pele alva, e apertando-o com força e agilidade. O Uchiha ofegou, incapaz de respirar e tentando inutilmente fazer com que o aperto cessasse; Madara apenas encarava as tentativas patéticas de sobrevivência do outro com fúria.
_ Não se esqueça de quem manda nessa merda, pirralho. – rosnou em um tom de voz grave o suficiente para ser considerado gutural, soltando o pescoço de Sasuke em seguida.
O Uchiha, por sua vez, respirou o ar profundamente em grandes arfadas, segurando o pescoço até se acalmar, evitando ao máximo encarar o outro. Ele engoliu em seco, não ousando falar uma única palavra para ativar a ira de Madara mais uma vez. Estava irritado, sim, mas ainda tinha instinto de sobrevivência o suficiente para manter a boca calada, pelo menos naquele instante.
_ Itachi viveu sim. – Madara continuou sua explicação, mantendo o olhar sério de antes – Eu o permiti que vivesse.
_ Por quê?
_ Eu tenho os meus motivos Sasuke Uchiha. E eu jamais disse que responderia a todas as suas perguntas.
Sasuke sentiu vontade de morrer ali mesmo, naquele instante. O que tinha com todas essas pessoas que nunca diziam porra alguma sobre o que estava acontecendo ao seu redor?! Primeiro Itachi, agora Madara! Tenha a santa paciência! Ele não era a porra de uma criança! Era um adulto agora e tinha o direito de saber em que merda ele estava metido!
_ Mas digamos que eu tenha deixado Itachi viver para que você tivesse o prazer de se vingar da maneira que desejar, e não com um simples golpe de misericórdia. – ele continuou a falar, com uma cara-de-pau de dar inveja ao maior mentiroso do mundo.
Ah tá bom! Conta outra!
_ Isso é mentira.
Madara gargalhou com vontade, recebendo um olhar furioso de Sasuke, mas não se importando nem um pouco com a hostilidade.
_ É lógico que é! – respondeu com aquele ar de prepotência e falsa animação. – Apesar da motivação ser mentira, o resultado não deixa de ser real: caberá a você acabar com a vida de Itachi, ou mantê-lo em cárcere para sempre... Não me importo com o que você decida fazer, desde que ele não atrapalhe mais os meus planos.
_ Onde está Itachi agora?
Sasuke não sabia ao certo se queria ser informado do paradeiro de Itachi. Ainda estava confuso sobre os sentimentos que o assombravam no momento e sabia que teria de pensar antes de agir, apesar de não garantir nada, quando Sasuke perdia a paciência era difícil se lembrar desses pormenores para "avaliar os fatos pra tomar a decisão correta". Mas sua curiosidade falava mais alto, e se Itachi estivesse no mesmo lugar que ele...
Bom... Uh... Melhor ouvir o que Madara tem a dizer antes de tomar uma decisão.
_ Com Naruto Uzumaki. – ele respondeu, sem maiores delongas. – Número dois o levou para lá depois de um cuidado emergencial de Orochimaru.
Com... Com Naruto?
Sasuke conhecia bem Naruto. Se alguém trouxesse qualquer pessoa do mundo mutilado como Itachi estava, ele não pensaria duas vezes em pagar hospitais e auxílio para ajudá-lo, mesmo que Itachi fosse um procurado da polícia. O Dobe com certeza se meteria em encrenca como cúmplice! Era só o que faltava! E isso fez com que sua raiva por Itachi aumentasse mais e mais! O maldito era o responsável pela morte da sua mãe, desgraçar a sua vida e ainda iria colocar Naruto na cadeia!
Ao observar o olhar irritado de Sasuke, Madara continuou a se pronunciar, adivinhando perfeitamente o que o garoto pensava.
_ Não se preocupe com o que ocorrerá com o seu "irmãozinho".
_ Itachi não é meu irmão! – Sasuke interrompeu, e Madara manteve-se em silêncio por uns segundos. – Ele não merece essa honraria.
Demorou algum tempo até Madara se pronunciar, Sasuke tampouco acrescentou qualquer comentário, sequer encarando o outro.
_ Eu estava falando de Naruto, Uchiha. Sei que a relação de vocês se assemelha a irmandade. – Madara respondeu, sorrindo um pouco ao ouvir aquele tom de voz de Sasuke. – Mas gostei disso, quer dizer que sua raiva pelo meu Otouto não diminuiu, não é?
Era difícil saber. Agora que soube que Itachi ainda estava vivo, e estando um pouco mais calmo, Sasuke percebeu que o peso em sua consciência cessou e a raiva voltava gradativamente. Sasuke tentou pensar a respeito disso, mas Madara continuou a falar, interrompendo sua linha de raciocínio:
_ Kakashi Hatake foi transferido para outro hospital, que tem como Diretor um amigo de Naruto. – Madara comentou casualmente, deixando bem claro que sabia cada passo dado por Naruto e Kakashi. Droga! – Com certeza vão encobertar uma possível internação de Itachi sem denunciá-lo para as autoridades.
A informação, apesar de um pouco reconfortante, irritou Sasuke. Como é que Madara sabia de tudo isso e ele não sabia de nada que acontecia? Claro, ele sabia que Kakashi foi transferido e, pelo jeito, Madara ainda não sabia que o grisalho havia despertado. Mas pensou que isso decorresse de um procedimento padrão para o tratamento do seu amigo mais velho, não pensou que houvesse jogo de influência para essa transferência.
_ Que amigo?
Ainda escondiam muitas coisas dele. Que amigos Naruto teria que pudessem trabalhar em um hospital? Sasuke conhecia todos os amigos de Naruto (por mais que sentisse grande desafeto pela maioria), e nenhum deles era médico ou ligado à área da saúde!
Madara adorou o tom de voz em seu questionamento, aproveitando a oportunidade para por mais caraminholas na cabeça do Uchiha.
_ Existem coisas que até o pivete Naruto esconde de você, Sasuke. Acho que ninguém confia na sua capacidade de lidar com os problemas, não é? – ele riu brevemente pelo nariz. – É realmente um fracote e todos reconhecem isso.
Sasuke tentou se desprender das algemas mais uma vez, olhando furiosamente para Madara e arrancando mais risadas de deboche do outro. Ele não precisava que dissessem isso na sua cara! E ele não era fracote, mas... A sensação de ser o único perdido naquele jogo de intrigas era demasiadamente frustrante para ser ignorada. Até mesmo Naruto, o Dobe, talvez soubesse de mais coisas do que ele.
Calma. Não posso acreditar em tudo o que Madara diz. Ele mesmo disse que nem tudo o que ele diria seria verdade! E quem é mais confiável? Naruto? Ou Madara?
O Uchiha tentou se acalmar mais uma vez, porém não deu muito certo porque a raiva que sentia parecia que se acumulava mais e mais, dificultando sua linha de pensamentos.
_ Desembucha de uma vez e diz o que você quer porra! – praticamente gritou, respirando ofegante pelo esforço em vão.
Ele realmente se sentia mais fraco que o convencional, mas não queria demonstrar sua fraqueza e dar esse prazer para o ego de Madara!
_ Vou ignorar sua audácia momentaneamente, até porque acho que você fica especialmente sexy quando está irritado.
E você não é o único que acha isso. – Sasuke não conseguiu evitar pensar, sentido vontade de se jogar do topo de um prédio assim que tal pensamento cruzou sua mente.
Porra! Era pra ele esquecer tudo relacionado ao "namoro" dele com Itachi! Que babaquice era essa de pensar nesses absurdos? Grunhiu um pouco, irritado com seus pensamentos e com a ausência das outras mentes para colocá-lo de volta nos trilhos. Seria difícil se acostumar com aquela solidão novamente.
_ O negócio é o seguinte Sasuke, preste atenção porque não gosto de me repetir: É uma troca de favores, você faz o que eu quero e eu faço o que você quer.
_ E o que possivelmente eu ia querer de alguém como você?
Havia muitas coisas que Madara poderia fornecer para ele e Sasuke sabia disso. Mantê-lo vivo seria a melhor delas!
_ Treinamento? Respostas? – o mais velho respondeu, franzindo o cenho diante da pergunta estúpida. – Não me diga que você é tão incompetente que sequer consegue pensar nisso?
Como ele é irritante!
Mas Sasuke teve um momento de lucidez, suspirando profundamente e avaliando a proposta antes de explodir. Não era algo tão descartável assim, treinamento e respostas eram coisas bastante úteis, mais do que ele esperava receber de Madara na condição inferior que ele se encontrava agora.
_ Que garantia eu posso ter de que esses treinamentos serão efetivos? – mordeu o lábio em seguida, já detestando o que iria dizer. – Eu não sou nenhum prodígio como Itachi.
Madara se divertia consideravelmente com a posição de inferioridade de Sasuke, especialmente porque este corou um pouco. Por outro lado o Uchiha sentia seu ego ser estilhaçado mais uma vez naquela semana.
_ E nem os demais membros da Akatsuki, mas veja que eles conseguem se dar relativamente bem com o treinamento que EU proporcionei. – ele respondeu, com um ar de superioridade tão intenso que Sasuke sentiu-se enojado. – Você achou que Itachi era um bom professor? Tsk, você não me conhece Uchiha...
Sasuke analisou bem a oportunidade, percebendo que provavelmente seria um treinamento bem mais efetivo com Madara do que com Itachi; estaria recebendo "aulas" diretamente da fonte. Itachi podia ser um ótimo combatente, mas não era um professor. Não tinha uma ótima didática para ensinar.
A não ser quando oferecia seu corpo como recompensa caso os exercícios fossem bem feitos e...
PUTA QUE PARIU! NÃO PENSE NISSO!
_ E as respostas? – Sasuke achou que seria imensamente mais seguro mudar o foco daquela conversa, antes que ele odiasse a sua consciência remanescente cada vez mais.
_ As respostas dependerão do seu papel no trato. Se você fizer seu dever direitinho, receberá a quantidade de respostas pertinentes.
Papel no trato... Isso não cheirava muito bem. Mas Sasuke preferiu deixar isso de lado por hora.
_ Sobre o que exatamente?
Madara deu de ombros, indiferente as infinitas possibilidades de respostas.
_ Qualquer coisa. – respondeu brevemente, surpreendendo Sasuke.
O Uchiha podia jurar que Madara não estaria disposto a tratar de todos os assuntos. Itachi, ao menos, colocava alguns limites e não respondia tudo que Sasuke questionava. Isso era bem peculiar!
_ E a garantia sobre a veracidade do que você vai me falar? – ele se sentia cada vez mais e mais ansioso. Sentia-se perto das respostas, e era o que buscava avidamente há muito tempo!
_ Ah Uchiha... Você terá que aprender a confiar em mim, ou vai morrer na dúvida. Entenda garoto, não é como se você realmente tivesse escolha nesse trato. Ou aceita, ou sofre as consequências. Eu apenas estou tentando poupar um pouco do seu maldito ego Uchiha e fazer parecer que você tem uma escolha aqui. – Madara fechou a cara, mostrando mais uma vez o quão ameaçador pode ria ser. – Mas não se esqueça de que quem manda aqui sou eu.
Sasuke virou o rosto, não conseguindo aguentar mais a pressão daquele olhar cor de lavanda sobre sua retina. Madara exalava poder e isso ele não poderia negar; estava muito aquém do outro. Não fazia muito sentido aquele trato, se pensasse dessa forma.
_ O que você quer de mim em retorno? – indagou, verdadeiramente perdido. O que ele, um ninguém, teria para oferecer à Madara?
_ Nada que Itachi já não tenha conseguido.
O Uchiha parou de respirar, erguendo novamente o olhar com total descrença no que acabou de ouvir. Entendeu perfeitamente o que aquela afirmação significava, mas não acreditava no que acabara de ouvir.
_ Você pretende fazer tudo isso por... Sexo? – Sasuke perguntou, indignado. – Olha a quantidade de subordinados que você tem! Eles te veneram tanto que não iriam pensar duas vezes em te proporcionar isso!
Madara colocou de novo o sorriso superior a postos, parecendo extremamente entretido com o rumo daquela conversa. E lá estava novamente o sutil rosado tingindo as bochechas alvas do garoto e essa visão também era excitante.
_ Não é como se eu não soubesse disso, Sasuke. E não é como se eles não ganhassem o que querem...
E então Sasuke, pela primeira vez daquela noite, perdeu completamente a compostura, deixando a boca se abrir em surpresa e o olhar arregalar-se diante daquela revelação. Há cada segundo que passava, ele se dava conta do quanto enojava Madara.
Quase mais do que enojava Itachi por tudo que ele fez consigo.
_ Você... Eu não acredito... Então por que todo aquele drama de traição do Itachi!? – estava surpreso e indignado de tal forma que sequer conseguia esconder em seu tom de voz.
Madara não parecia dar a mínima para isso.
_ Seria impossível, para mim, manter todos esses homens sobre meu domínio se eu não os suprisse de todas as formas possíveis. Eu dava entretenimento, diversão e trabalho; tudo na medida certa. – Madara explicou, sentindo-se extremamente generoso no momento. Iria dar uma prévia para Sasuke de como ele estava disposto a responder suas perguntas... Isso não iria eximi-lo de cumprir sua parte do trato, por óbvio. – Com a puberdade, obviamente eles adquiriram também a necessidade de sexo, e eu os mostrei como devia ser feito.
_ Eles eram crianças...!
_ E daí?
Sasuke fechou a boca, agora encarando Madara com total repulsa. Obviamente odiava todos da Akatsuki pelo pouco contato que tive com eles, mas era impossível não considerar o homem a sua frente ainda mais monstruoso do que imaginou. Madara realmente parecia não medir as consequências de seus atos, ou era cruel demais e pouco se importava com elas!
_ Quando se propõe a ter poder Sasuke, tudo é válido. E não é como se eu os forçasse a alguma coisa... Eu nem sequer gostava. Eu apenas cumpri o meu papel para evitar os surtos de adolescência, o índice de rendição ao frenesi foi recorrente naquela época. Mas logo eles se entenderam com seus parceiros e minhas visitas diminuíram.
_ Parceiros?
Madara já estava ficando irritado com tantas perguntas, mas resolveu ser bonzinho por mais alguns minutos.
_ Sim, todos eles foram divididos em duplas justamente por isso. Eu sabia que quando a puberdade chegasse, seria bem conveniente que eles estivessem em duplas.
_ Mas Itachi não tinha uma dupla.
O mais velho pareceu pensativo, recordando-se de Itachi pequenino e na sua decisão de não designar uma dupla para o prodígio. Não havia nem o que pensar nesse aspecto, Itachi era seu desde criança e ele não iria dividi-lo com uma dupla quando a puberdade chegasse.
_ É verdade. Itachi era diferente dos demais.
_ Em que sentido? – o garoto questionou rapidamente, satisfeito demais por receber respostas para todas as suas perguntas.
Madara considerou que já tinha dado uma boa prévia de como funcionaria o trato dos dois.
_ Ora ora Sasuke, você está perguntando cosias demais. Não está na hora de fazer a sua parte do combinado também? – Madara respondeu, aproximando-se do garoto até ficar a milímetros de seus lábios, sorrindo em seguida por arrancar uma reação bem assustada do outro.
Não conseguia se decidir, o que seria mais excitante? Um Sasuke nervoso ou um Sasuke assustado? Difícil de responder.
Retraiu seu corpo, levantando-se da cama e se espreguiçando despojadamente, sempre com um ar irônico impressionante. Sasuke não conseguiu deixar suspirar em alívio por conseguir seu espaço pessoal novamente. Madara o causava arrepios!
Alheio a essa sensação de desconforto do outro, o mais velho circundou a cama e voltou para cima do colchão e puxou Sasuke pelo ombro, girando-o na cama e forçando-o a ficar de barriga para baixo, com a cabeça enfiada em um dos travesseiros.
_ Não! Madara! – Sasuke pretendia protestar mais, com medo do que aconteceria a seguir, mas ouviu um leve "click" metálico e logo em seguida seus braços foram liberados, deixando-o surpreso pelo gesto que não esperava.
Novamente ele se afastou de Sasuke, e este pode sentar-se livremente. No mesmo momento que o fez, Madara puxou uma de suas mãos e colocou um pequeno frasco pardo na sua palma, muito semelhante ao frasco das pílulas roxas.
_ Você está me devolvendo as pílulas? – ele questionou, não percebendo a leve diferença no rótulo escrito em manuscrito.
_ Uchiha, você precisa treinar um pouco sem os efeitos colaterais, depois de algum tempo de treinamento eu devolverei as roxas. Essas pílulas são diferentes.
Madara indicou com o olhar que Sasuke abrisse a tampa do vidro. Obedecendo ao comando, Sasuke abriu o compartimento, encontrando cápsulas vermelhas em seu interior, um pouco menores do que as arroxeadas que costumava tomar. Ergueu a cabeça mais uma vez, questionando o mais velho com um olhar pouco paciente. Quando a resposta da pergunta implícita não veio, Sasuke fechou o frasco e o colocou em cima da cama.
_ Eu não vou tomar isso. Eu não sei o que isso faz, isso pode me matar!
Madara riu pelo nariz, erguendo o queixo em um gesto inconsciente de superioridade. O garoto era mesmo bem burro. Será que não estava evidente que se ele realmente quisesse matar Sasuke, o Uchiha já não estaria morto?
_ Acredite Sasuke, se eu quisesse te matar você já estava há dez palmos debaixo da terra, ou boiando em um esgoto qualquer... Dependeria do meu humor fúnebre.
Sasuke estremeceu de leve, recordando-se mais uma vez que Madara estava falando bem sério naquele momento e que essas ameaças não eram tão inusitadas assim.
_ O que são essas pílulas?
Apesar do tom desconfiado, Madara não fez rodeios para responder com sinceridade a pergunta de Sasuke, sabendo que muito provavelmente ele não iria aceitar tomar por conta própria.
_ São drogas. Uma droga especial que eu e Orochimaru desenvolvemos depois de muitos anos de pesquisas.
Novamente, a informação lhe pegou de surpresa. A cara-de-pau de Madara era impressionante! Sasuke jamais imaginou que, na sua vida, ouviria esse tipo de absurdo com tanta naturalidade!
_ Você está querendo me drogar?! Você é idiota?! Eu não vou ficar dependente de você por causa dessa porcaria! Não é uma ideia muito inteligente tentar me prender dessa forma, eu estou limpo!
Sasuke nunca foi santo. No início de sua adolescência chegou a experimentar algumas coisas e provavelmente teria perdido o controle da situação se não houvesse ocorrido a tragédia com os seus padrinhos. Desde que tomou a decisão de ajudar Naruto, Sasuke não teve mais tempo (nem cabeça) para procurar esse tipo de fuga. Kakashi provavelmente sabia que ele era usuário antes de tudo isso acontecer, era difícil esconder qualquer coisa do Hatake. Além disso, Kakashi sabia que Sasuke conseguiu sair dessa sozinho e nunca tocou nesse assunto nas consultas, muito menos nos anos que se seguiram.
_ Mais uma vez, você não esta entendendo sua posição nesse jogo Uchiha. Se eu te quisesse dependente de drogas, acredite que altas doses de heroína já teriam sido injetadas em seu corpo nesses três dias de bela adormecida. – Madara murmurou, perdendo um pouco a paciência com a língua afiada do garoto. – E eu sei que seu corpo detonado por outras drogas iria aguentar numa boa.
Sasuke estremeceu, se dando conta que não seria nem um pouco simples conseguir se livrar de uma dependência de heroína. Ademais, acabou de constatar que Madara já tinha comparsas vigiando sua vida desde muito tempo atrás, e isso causou em si uma repentina onda de medo.
_ Essas são drogas especiais, elas não produzem dependência, nem efeitos colaterais. – Madara continuou sua explicação, sentindo-se levemente tolo por perder tempo explicando algo ao Uchiha. Ele não merecia esse tipo de esforço, mas Sasuke se assemelhava tanto com ele que Madara não podia deixar de agir assim. – Dependência física não, pelo menos; psicológica depende do usuário. Seres humanos dependem psicologicamente de muitas coisas, não é preciso ser uma droga pra causar esse tipo de reação. Há alguns que possuem até dependência psicológica emocional por certas pessoas.
_ Esse seria você, não é? O Showzinho deixou bem claro. – Sasuke murmurou sem pensar, deixando de lado o medo em nome de uma provocação contra o ego de Madara. O idiota merecia!
Madara perdeu a paciência, acertando o garoto com toda força em um tapa violento que ecoou pelo ambiente. Sasuke virou o rosto com força devido ao impacto, batendo a cabeça na cabeceira da cama de madeira maciça e sentindo o sangue escorrer entre seus lábios.
_ Ponha-se no seu lugar, seu bosta! – Madara rosnou, pegando o frasco de comprimidos da cama e enfiando novamente nas mãos do Uchiha, que parecia extremamente tonto pelo golpe e tossia um pouco de sangue, tentando retomar a consciência perdida momentaneamente com o forte impacto. – Se você não tomar essa merda, tenha certeza que eu vou enfiar ela na sua goela abaixo! Eu não sou gentil como o Itachi, então não espere que eu tenha paciência até você se decidir!
Sasuke engoliu o sangue que se acumulava em sua boca. Ainda lhe restava orgulho o suficiente para não deixar o líquido rubro escorrer ainda mais e mostrar o tamanho do ferimento que recebeu.
_ Eu vou tomar. – respondeu com a voz rouca. – Mas preciso de água e comida. Estou há três dias sem isso.
Quis esmurrar-se pela desculpa ridícula que nada mais passaria do que um breve adiamento do inevitável. Pela primeira vez se deu conta de que não estava com sede nem com fome, o que era muito estranho, mas Madara não precisava saber disso.
_ Você está alimentado, retirei os aparelhos que o mantiveram vivo há uma hora, porque sabia que estava na hora de você acordar. Talvez você sinta seu estômago vazio, mas fome e sede você não está sentindo. – ele ainda mantinha o tom de voz irritado, provavelmente furioso pela desculpinha deslavada de Sasuke. – Você realmente acha que conseguiria sobreviver três dias sem qualquer tipo de hidratação? Não seja ridículo!
Madara agarrou o queixo ensanguentado de Sasuke e, ao mesmo tempo, prendeu ambas as mãos agitadas do garoto que tentava se libertar com a sua esquerda. Nem precisou se esforçar, sem as pílulas roxas Sasuke nada mais era do que um inseto incômodo. Uma mosca: inofensiva e irritante.
_ Não tente me enganar Uchiha! Eu não usei nem cinco por cento da minha força nesse tapinha de nada e estou bem tentado em treinar novos golpes...! – sussurrou ferozmente, soltando-o assim que deixou bem claro que não estava ali para brincadeiras. Dessa vez Sasuke não tentou fugir, abaixando o olhar e escondendo seu rosto abatido com a sombra de sua franja. – Agora tome a porcaria, porque eu não vou pedir novamente!
Mecanicamente, Sasuke alcançou o frasco que acabara de derrubar ao lado da cama, destampou e pegou uma das cápsulas com o seu indicador e polegar. Observou a coloração rubra por alguns segundos, mas assim que sentiu a aproximação de Madara recomeçar levou a capsula até os lábios, usando o sangue que se acumulara em sua boca para engolir a droga mais facilmente.
Aguardou, esperando alguma reação de seu organismo. Se fosse para morrer, odiaria ter de morrer deixando Naruto a mercê de Itachi, murmurando mentiras absurdas e controlando o seu melhor amigo como bem entendesse. Mas, no fundo, tinha a certeza de que Madara não mentiu: se ele o quisesse morto, não teria permitido que ele acordasse antes de acabar com sua vida. E se fosse apenas uma droga... Bom, ele já conseguiu parar uma vez, não seria tão complicado realizar o mesmo feito de novo, independentemente que fosse uma droga produzida pelo monstro ao seu lado.
Todavia, antes de seu corpo ter qualquer tipo de reação, Madara tomou o vidro de suas mãos e pegou uma pílula com agilidade, engolindo-a da mesma forma que Sasuke fez, rapidamente e sem pestanejar.
_ O que... Por que você tomou também? – ele balbuciou, tentando entender o que acabou de acontecer.
_ Sasuke. – Madara murmurou, agora aparentando estar bem mais feliz do que antes. – Na porta a sua direita há um banheiro. Tome um banho, você está há cinco dias sem um e está fedido.
O quê? Que... Que tipo de ordem é essa?
_ Banho? Como assim! Você me fez tomar a porcaria do comprimido e...
_ Isso não é um pedido. – Madara o interrompeu, novamente utilizando o tom de voz ríspido e ordenador.
Não desejando receber mais um tapa naquele dia, Sasuke levantou-se da cama, ainda um pouco tonto pela surra, e caminhou até a porta indicada. Com alguma sorte poderia haver escapatória no banheiro... Ele precisava manter o otimismo!
Por mais que fosse difícil.
Madara se viu sozinho por poucos instantes, deitando na cama levemente bagunçada e suja pelo suor do Uchiha, agarrando um dos travesseiros e inalando o odor de Sasuke misturado ao do dono daquele quarto. Desativou o olhar arroxeado instantaneamente, sentindo-se relaxado como nunca antes, cochilando por poucos minutos antes de ter seu sono interrompido por leves batidas na porta do quarto.
_ Madara? – ouviu alguém chamá-lo na porta da frente, e mais do que rapidamente ele retomou a compostura.
_ Entre. – ordenou, colocando-se de pé em um pulo.
Orochimaru adentrou no quarto, andando imediatamente até Madara sem aguardar por instruções. Estava com um estetoscópio nos ouvidos, e sem pedir por qualquer permissão levou o diafragma do aparelho até o peito nu de Madara, medindo seus batimentos cardíacos. Logo em seguida, retirou uma pequena lanterna dentro do guarda pó branco que utilizava e direcionou a luz para as pupilas de Madara, que soltou um grunhido de irritação com a luz.
_ Você tomou há quanto tempo? – perguntou profissionalmente, direcionando a luz para o outro olho enquanto falava.
_ No máximo dez minutos. – Madara respondeu, aguentando a dor da iluminação com bravura. Apesar de já ter desativado os olhos violetas, seu sentidos ainda estavam bastante aguçados e a luz latejava em sua retina.
_ Fará efeito em cinco minutos então. – Orochimaru respondeu, desligando a lanterna e encarando o seu "chefe" nos olhos, exibindo um sorriso satisfatório nos lábios. – Sabe que como cobaia deverá relatar todo o experimento quando o efeito passar, não sabe?
_ Sei. – respondeu rispidamente, sibilando entre os dentes e se controlando para não dar à Orochimaru o mesmo tratamento que Sasuke recebeu há poucos minutos. – E você sabe que como subordinado não pode me ordenar a nada, não é mesmo?
_ Alto lá Madara, trato é trato. Não se esqueça que quando tudo isso acabar, Sasuke Uchiha será meu. – Orochimaru estava agindo com tanta audácia que Madara sentia vontade de rir. – Fui eu quem o tirou da mansão de Karin, então tenho o direito de usufruir do meu prêmio.
Madara sorriu de canto de boca, resolvendo entrar no jogo por enquanto. Seria bom ter Orochimaru por perto por mais algum tempo, suas habilidades em química e medicina eram bastante úteis, ao menos por enquanto.
_ E você sabe que a palavra de um Uchiha vale mais do que ouro, não sabe?
_ A sua palavra não vale nem dez centavos, mas o meu detector de mentira particular vale bastante. – Orochimaru respondeu enigmaticamente, deixando claro que tinha uma grande quantidade de experimentos debaixo da manga, os quais Madara provavelmente só podia sonhar com sua existência.
Ele odiava constatar, mas Orochimaru era o seu subordinado mais audacioso e um dos mais importantes. Ele não podia descartá-lo com tanta facilidade, mas também não tinha o completo controle sobre os seus atos. Era... Frustrante!
_ E a não ser que tenha mudado de opinião, a veracidade de suas palavras ainda são as mesmas. – a cobra, como Madara o apelidou, terminou de falar, aguardando pacientemente por uma resposta do seu líder.
Madara não discordou, ele realmente não tinha a intenção de impedir Orochimaru de ficar com o moleque Uchiha ao fim de toda aquela situação... Agora, não podia dizer nada a respeito da integridade física da cobra maldita, não é mesmo?
Um sorriso curvou seus lábios, após seus últimos pensamentos e respondeu sem pestanejar:
_ Você terá Sasuke Uchiha em suas mãos em breve.
Isso não era uma mentira... Orochimaru nunca questionou sobre o depois, não é?
_ Ótimo! – o outro respondeu, parecendo evidentemente satisfeito com o que ouviu, seja lá como conseguia saber a verdade em suas palavras. – Então vá atrás de Sasuke. Os efeitos duram dez horas, devo mandar serviço de quarto?
_ Não. Eu peço se for necessário. – Madara respondeu, virando-se de costas para Orochimaru e caminhando até a porta do banheiro.
_ Aproveite! Mas contenha-se, porque eu serei o próximo!
Madara mostrou o dedo do meio para Orochimaru enquanto caminhava, arrancando uma risadinha sinistra do outro, que se mesclou ao barulho de porta sendo aberta e fechada em seguida.
_ Tudo de acordo com o plano. – Orochimaru murmurou, lambendo os lábios em deleite e olhando brevemente para os comprimidos soltos acima da cama.
Sorriu, com um evidente bom humor, e saiu do quarto muito antes da volta dos dois outros presentes daquela suíte. Que demorassem o tempo que quisesse... Afinal, a verdadeira vingança se come em um prato frio.
Paciência é algo que ele tinha de sobra.
... Continua...
(1) Acontecimentos do Capítulo 3.
(2) Acontecimentos do Capítulo 23.
(3) Acontecimentos do Capítulo 1.
(4) Eu jurava que não precisaria fazer uma nota sobre isso, mas questionei minha irmã (que tem a idade de alguns leitores de Haunted) e perguntei se ela sabia o que era um negativo de foto. Ela não sabia. Nem preciso dizer que me senti uma velha caquética né... Então vamos lá.
Eu nem sei como explicar direito o que é isso porque é algo tão "normal" pra mim que nem sei definir. O que posso dizer é que é o filme de fotografia e que nele pode ser visto a foto antes de sua revelação, com as cores invertidas (exemplo: o que é branco, fica preto no negativo). Em uma câmera fotográfica (que não é digital), nós precisamos colocar um rolo de filme fotográfico e lá ficam registradas as imagens com as cores invertidas (por isso o nome "negativo") e de tamanho pequeno. Quando revelamos, a foto fica com as cores trocadas e maior. Atualmente é raro encontrar negativo de fotos (ou filmes) porque faz anos que essa tecnologia está ultrapassada, mas na época que as fotos foram tiradas na fanfic esse tipo de fotografia estava em alta.
Ah, outra coisa: diferente de fotografia digital, um negativo não pode ser editado. Se isso for feito, ele estraga. Então a maioria das pessoas que ainda usa fotografia com filme são os detetives... Viu que chique? Huhauhau!
Uh... Acho que minha explicação ficou confusa -_- quem não souber o que é pergunte pros pais aihauhauhua! E como o Sasuke é só um pouco mais novo do que eu nessa fanfic, optei por considerar que ele soubesse o que é um negativo.
Próximo capítulo:
Karin? Sai? Gaara? Shikamaru? Sakura? – eu sei eu sei, muita coisa esperada ficou de fora nesse capítulo. Mas eu precisava fazer uma escolha, ou trabalhava com Sasuke e Itachi, ou focava nos personagens secundários. E acho que depois do final do capítulo anterior vocês estavam mais preocupados em saber o que aconteceu com Itachi e Sasuke, não é mesmo?
De qualquer forma... o próximo capítulo terá muitas respostas! Será o maior capítulo da fanfic, com toda certeza, com uma grande explicação de plot e um pouco de romance pra manter o sangue vivo hahaha. Então esperem aparição de quase todos os personagens! Se alguém tá boiando na trama, agora seria uma boa hora de passar o olho nos capítulos passados pra não boiar demais no próximo.
N/A:
Aqui vai a bomba:
Eu vou prestar um concurso muito... hum... importante pra mim daqui exatos dois meses.
É um concurso que eu estou colocando todas as minhas fichas, ele tem muitas matérias especificas então preciso estudar com muito afinco coisas que nunca vi na vida. Fora isso, estou fazendo pós-graduação e está bem difícil, tenho vários textos em outros idiomas pra ler (alguns dos quais eu sequer sei por onde começar a leitura - em inglês, espanhol, francês e italiano) e, em suma, TA FODA. Alias, se alguém conhecer alguma pessoa que traduza textos acadêmicos me avise ok? =( Principalmente em francês, porque desse idioma eu só sei falar "mon amour" hauhauhaua!
Eu pensei que depois da faculdade as coisas seriam mais fáceis. Grande engano, só piora gente... Só piora...
Por isso, nos próximos meses eu vou me focar mais nos estudos. Eu não quero perder essa chance do concurso. Caso eu não passe prefiro ter a consciência limpa de que estudei e não consegui, do que me arrepender por não ter me dedicado o suficiente.
O que isso significa? Significa que eu vou continuar atualizando Haunted, mas não vai ser tão rápido como costuma ser (uma vez cada duas semanas). Esse prazo pode aumentar pra três, ou às vezes quatro semanas. Contudo, isso só perdurará pelo tempo em que eu estiver estudando pro concurso ok? E prometo, NO MINIMO, uma atualização mensal.
Não prometo comemoração de datas de fandom esse ano, como sasunaru/narusasu/itanaru/itasasu/etcday, nem fanfics de comemoração de aniversario dos personagens, muito menos oneshots. Apenas continuarei com Haunted pra não fugir o nosso compromisso! Caso apareça algum trabalho do gênero no meu perfil, será devido a mais pura inspiração, e não a um planejamento propriamente dito.
Amores, eu espero que vocês, mais uma vez, me entendam... Farei das tripas coração pra não deixar vocês na mão ok? Mas espero um pouquinho de compreensão também. É meu futuro que está em jogo aqui... Eu quero MUITO passar, é o emprego que sempre sonhei pra mim.
Enfim, torçam por mim e sejam pacientes com a ficwriter que vos fala! Nunca vou abandonar vocês se essa parceria entre a gente estiver sempre presente ok? Amo escrever pra vocês! É um grande prazer! Mas tem horas que as minhas responsabilidades pessoais exigem uma maior atenção.
E eu sei que vocês vão entender, porque vocês são leitores maravilhosos! 3
Um beijo a todos! E até a próxima atualização!
Respostas reviews "guest":
.
Scar:
Huahauhauau!
Bom, que bom que você pode ler as atualizações agora!
Não chore! Não precisa chorar! Tenha fé que as coisas vão melhorar... Otimismo é sempre bom! Hahaha!
E que bom que gostou do KakaNaru viu? Fico feliz de verdade!
Um beijãoooooo! Obrigada por comentar! Adoooro seu feedback! ^^
.
Giih:
Oieee!
Nossa que maravilha! Olha, eu sempre entendo as desculpas dos leitores por demorarem a comentar, mas nunca uma me deixou tão feliz!
Meus parabéns caloura! Bem vinda a vida de universitária, é tudo de bom e você vai amar! Passou onde? Em que faculdade e em qual curso?
Foi por um ótimo motivo viu? Não peça desculpas pela demora, você tinha que se ajeitar logo!
Agora ao capítulo: sinto muito por ter te deixado em choque... =(
É começou meio fofo o capítulo, e de repente tudo desandou. Mas não acabou a felicidade, mesmo com tudo que aconteceu ainda terão cenas engraçadas na fanfic, como você pôde ver nesse capítulo atual. E toda essa coisarada trágica ainda terá um desfecho.
Gaara está sofrendo, pobrezinho!
E o Shikamaru é sempre muito inteligente e perspicaz, não tem jeito! xD (amo o personagem)
Me perdoe por te fazer chorar por causa do Itachi. E pelo choque com o que aconteceu com o Kisame. Madara realmente estava furioso por fazer todo esse circo de horror, não é?
Fico contente que mesmo com toda confusão e tristeza, você tenha achado o capítulo ótimo! Muito obrigada pelo elogio!
E você merece meus agradecimentos por deixar uma review tão gostosa! Muito obrigada flor!
Um grande beijo! Até a próxima!
.
SrtaSolaria:
Achou intenso? Ahhh fico feliz! =D
Fico feliz que tenha gostado das citações da Divina Comédia! Acho a obra muito inspiradora!
Apesar do medo você acertou hahahahah Itachinho não morreu! Não por enquanto, pelo menos! (olha eu querendo empurrar pessimismo pra você, não me escute! Eu sou tipo o capeta hahaha xD).
O que ele vai fazer... hum... veremos! Isso só o tempo (e a produção dos capítulos) vai dizer haha!
Amo demaaaais ShikaTema! E fico muito feliz por encontrar tantos leitores que gostam do casal. Esse é quase uma unanimidade entre os leitores né? Muito cannon hahahha!
Um abraço mais forte ainda! Muito obrigada por comentar e me impulsionar a escrever!
Beijoooos!
.
Mayara:
Oiee linda!
Eba! Adoro quando leitora nova sai do anonimato! =D
Você já leu todas as minhas fics em três semanas? Jura por Deus? Caramba! Como você lê rápido! Eu demorei quase três anos pra escrever tudo auhauahuhau!
Muito obrigada *-*! Não acredito que eu seja a melhor, mas fico muito feliz quando tenho o prazer de ler esse tipo de elogio! Obrigada mesmo, de todo coração, me sinto honrada por ler essas palavras vindas de você! (envergonhadinha hahaha).
Um cisco entrou no seu olho é? Sei... sei... huaauhau! Fico feliz que tenha gostado do capítulo e esteja ansiosa!
Sobre o lemon threesome... Eu cheguei a deixar uma nota na pagina do facebook, mas agora me dei conta que me esqueci de colar isso no Nyah e FFnet. Enfim, eu não sei se vou escrever esse lemon porque a maioria dos leitores que votaram à favor do lemon não acompanham mais a fanfic. Eu perdi muitos leitores desde aquele capítulo.
É uma cena difícil de escrever, não é um lemon fácil e ultimamente tive a impressão de que o trabalho não valeria a pena, porque pouquíssima gente ia ler. Mas eu ainda estou pensando se vou escrever ou não, só que se eu fizer não será agora...
Espero que me perdoe por isso. Se eu escrever e postar juro que aviso em nota em Haunted!
Fiquei muito feliz por você ter saído do anonimato! Obrigada pela alegria que me proporcionou!
Um graaaaaaaaaande beijo! Feliz Páscoa (super atrasada) pra você também! *-*
