Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: Linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: Ok, a leitura da cena de sexo aqui vai exigir um pouco de atenção. Será narrada em primeira pessoa, com alternância de narrador-personagem. Eu geralmente não gosto desse tipo de narrativa, prefiro que a fanfic toda seja escrita sob o ponto de vista de um só personagem quando ela é em primeira pessoa, só que essa cena praticamente implorou pra ser escrita assim hahaha. Vocês vão entender o por que disso quando chegarem na cena.
Tenham paciência comigo com o foco em primeira pessoa... Não é o meu estilo narrativo habitual e sinto muita dificuldade.
._.
Para os curiosos, a música citada se chama "Love, Hate, Love" da banda "Alice in Chains". Até enjoei da música depois de tanto ouvir pra escrever essa cena hahaha!
Prestem atenção na explicação do Madara! Não vão se afobar por causa de lemon, porque se não vocês não vão compreender a "vibe".
Espero que a espera de vocês tenha valido a pena e que vocês gostem do capítulo! Eu atrasei por conta dos estudos e porque tive dengue... Mas já estou bem!
Leiam as notas finais depois ok?
Um beijoooo!
[ERRATA]: Leitores do fanfiction . net, eu estou com problemas pra demarcar o Sasuke sublinhado. A edição do site as vezes bagunça e retira todos os sublinhados, ou só alguns... Enfim, eu tentei conferir até ficar certinho, mas se o site bagunçar tudo quando eu postar ou se não aparecer pra vocês leitores, interpretem as falas do Sasuke sublinhado no contexto. Percebi que esse erro vem acontecendo há algum tempo, e peço desculpas por isso. A culpa é desse site horrível, não minha.
HAUNTED
Capítulo XXVII
Konan não estava dormindo direito há alguns dias. Revirar-se de um lado para o outro na cama já se tornou uma rotina e ela tentava desesperadamente entender porque seu organismo resolveu protestar daquela forma, em especial levando o seu estado emocional naqueles dias que se sucederam o espetáculo patrocinado por Madara. Aquele episódio mexeu profundamente com a sua visão de mundo e ela precisava ser sincera consigo mesmo para admitir que se sentia abalada por isso.
_ Konan, mas que saco! Para de se mexer! – Pain exclamou, também se virando na cama e puxando as cobertas para cima de si novamente. Konan se moveu tanto que arrastou as cobertas totalmente para o outro lado da cama. – Você sabe que nós somos treinados pra acordar a qualquer mínimo movimento, você não está me deixando dormir todos esses dias porque não para quieta!
_ Desculpe. – ela respondeu, aquietando-se no seu lugar e olhando para o teto escuro, fracamente iluminado pela chama da vela pequena na mesinha de cabeceira, deixando-se levar pelos seus pensamentos.
Desde que viu o que Madara fez com Itachi, ela estava refletindo muito sobre as questões da vida. Não tinha atingindo muitas certezas ainda, apenas uma: aquilo que ela presenciou destruiu todas as certezas que ela possuía.
Em virtude de seu treinamento, Konan pôde ver a ira de Madara escancarada em suas atitudes e pequenas variações de suas micro-expressões faciais. E, é claro, estava bem evidente os sentimentos que Itachi e o menino Sasuke sentiam, visto que estavam tão apavorados com a situação que sequer tentavam esconder suas emoções.
Aquele pequeno ensinamento que Madara proporcionou da câmara de treinamento foi muito interessante para avaliar suas habilidades e Konan não se arrependia de ter visto o que viu. Por que se arrependeria de receber conhecimento? Tolice.
Porém, ver que Itachi podia sentir sensações tão intensas quanto Sasuke lhe deixou impressionada. Konan sempre achou que aqueles criados dentro dos muros da Akatsuki não conseguiriam sentir esse tipo de sentimento destrutivo como a paixão ou amor, até porque não havia histórico algum que provasse a contrariedade de sua teoria, assim ela a tomou como uma verdade absoluta. E era algo reconfortante saber que jamais seria vítima de sentimentos tão... Complexos.
Na realidade, ela se sentia aliviada em pensar que jamais passaria por isso, pois se até Madara, que sentia mil sensações humanas por dia, muitas vezes tomava decisões erradas por causa desses sentimentos, imagina as demais pessoas do mundo? Imagina ela passando por isso? Seria o caos!
Konan não era boba de tomar Madara como o seu Deus, alguém que nunca erra, mas ela tinha uma experiência de vida considerável para saber que Madara tinha um grande conhecimento para tomar as melhores decisões da vida. Em suma, ela não o considerava perfeito, mas achava que ele errava menos que as outras pessoas; errando em virtude de seus sentimentos, não pela falta de genialidade.
Deidara e Sasori, por sua vez, tratavam Madara como um Deus encarnado na Terra, enquanto ela apenas o considerava seu chefe. Por sinal, Konan estava levemente chateada com seu líder no momento, porque ele sequer reconheceu seus esforços na última missão. Apesar das câmeras filmando todos os momentos carnais de Sasuke e Itachi, Madara não conseguiria ler com tanta precisão as expressões de Itachi como ela e provavelmente poderia ser enganado, acreditando que aquilo não passava de uma farsa do ex-número três para tentar convencer Sasuke de sua 'farsa', um teatro. Mas não era: era paixão genuína e se ela tinha alguma dúvida disso, as solucionou no momento em que Itachi foi castigado e agiu daquela forma.
Em suma, se não fosse por ela, aquele showzinho não teria acontecido. E, pela primeira vez em toda sua vida, Konan soube que estava arrependida.
De fato, inicialmente ela achou que Itachi merecia uma punição ao trair Madara por um moleque que nada lhe ofereceria, mas depois, ao visualizar as reações de Itachi durante aquela humilhação colossal, ela começou a sentir coisas que jamais pensou ser capaz de sentir. No início não soube determinar esse sentimento, mas depois de muito refletir ela conseguiu decifrar esse mistério: pena, ela sentiu pena.
Pena! Quem diria, justo ela! Se Madara soubesse disso, ela estaria em maus lençóis!
Interrompendo seus pensamentos, Pain se virou para Konan, abraçando-a lateralmente e deitando sua cabeça em seu peito com delicadeza. Konan instintivamente o acolheu em seus braços, em silêncio por hora. Depois de um longo período de contemplação, o ruivo resolveu se pronunciar:
_ Eu perdi o sono. – ele murmurou, puxando-a mais para si e fazendo com que ela também o envolvesse ainda mais forte com os braços. – Você 'tá afim?
Ela sabia o que ele estava perguntando, apesar da pergunta vaga: só havia uma coisa que faziam quando Pain fazia aquela pergunta.
_ Não muito. – ela respondeu, levando uma das mãos a cabeça dele e acariciando seus cabelos rebeldes. Se ele desejasse sexo ela iria ceder, mas como ele perguntou, Konan disse apenas a verdade. Não estava no clima para isso.
_ Hum... O que mais a gente pode fazer...? – ele sussurrou, pensativo. Provavelmente também não estava no clima para sexo aquela noite, mas a rotina lhe fez tomar aquela opção como primeira possibilidade.
_ Pain, o que você acha do Madara? – ela questionou, se perguntando se poderia conversar esse tipo de coisa com o seu parceiro.
Konan e Pain se davam muito bem, praticamente não brigavam. Ao contrário de outras duplas, não tiveram dificuldade para aprender a lidar com a convivência: Pain era pacífico, tinha alguns hábitos estranhos, mas nada que fosse insuportável, e, em suma, seus passatempos se complementavam. Como por exemplo: Konan gostava de montar flores de origami enquanto Pain gostava de assistir. Os dois não conversavam muito por falta se assunto, mas quando conversavam tinham momentos muito tranquilos um ao lado do outro.
Quando atingiram a adolescência e começaram a ter aulas de educação sexual, Konan não pensou em ninguém mais para tentar "experimentar" o que eles ensinavam, e Pain nem sequer questionou porque ela recorreu a ele, então ela acreditava que ele também não pensou em outra pessoa para usar como teste. Quando Madara os visitou para tentar "uni-los", os dois já estavam em uma relação sexual de algumas semanas.
Madara pareceu bastante satisfeito com isso, mas ainda sim resolveu assistir para ver se eles "faziam corretamente" e participou minimamente do ato. Pain ficou calado durante toda a demonstração e, ao contrário de outros casais, nunca mais chamou Madara para juntar-se a eles nas demais noites. Madara nunca os questionou sobre isso, mas ela sabia que ele tinha um pouco de preocupação pelo casal não tê-lo chamado para participar novamente; os outros casais faziam isso com certa frequência e esse era o comportamento natural esperado por Madara.
No início da adolescência, consequentemente o início do seu treinamento com micro-expressões, Konan não soube identificar o comportamento de Pain diante da intervenção de seu líder, mas atualmente ela sabia definir o que o ruivo sentiu com perfeição.
Pain sentiu ciúmes.
O porquê, exatamente, ela não sabia dizer; talvez jamais descobrisse o verdadeiro motivo.
_ Eu acho Madara um bom líder. – depois de muito refletir, Pain finalmente disse sua opinião da maneira mais neutra que conseguiu responder. Enfiou a mão por dentro da camisola de Konan e retribuiu carícia ao passar o polegar em círculos sobre o umbigo da companheira. – Por que a pergunta?
Konan, como sempre, não reclamou de seu toque e suspirou relaxada com a carícia. Ainda sim, continuou a conversa que se iniciou, ainda um pouco apreensiva.
_ Eu estou pensando em algumas coisas. – ela respondeu, ainda incerta se deveria contar suas dúvidas para Pain. Será que ele entenderia sua linha de raciocínio ou iria censurá-la por não seguir cegamente os ordenamentos de Madara?
_ Sobre o que aconteceu com o número três?
Também. – ela não pôde deixar de pensar, porque apesar de Itachi ter desencadeado todo aquele questionamento, quase tudo em sua vida se tornara motivo para ser refletido e analisado com calma, e não apenas o que aconteceu com o ex-colega.
_ O quê você pensa dos outros aqui na Akatsuki? – ela perguntou, por fim, percebendo que aquela seria a melhor maneira de averiguar o terreno. – Incluindo Madara e Itachi.
_ Número três não é mais da Akatsuki. – Pain respondeu mecanicamente, lembrando-se das instruções de Madara para não tratarem Itachi como igual depois de tudo que aconteceu. O assunto até se tornara um tabu entre os demais colegas do QG, apesar de Konan e ele ainda possuírem alguma liberdade para conversar entre si sobre o assunto.
_ Por isso eu o chamei pelo nome. Ele não é mais o número três.
Pain ficou pensativo por um tempo, mas no fim concordou com um pequeno aceno de cabeça. Itachi não fazia mais jus ao título, não havia porque tratá-lo com desta forma. Mas isso não tornava menos estranho tratá-lo pelo nome de batismo.
Ele e Konan se tratavam pelo nome entre quatro paredes e sabiam que as duplas geralmente se tratavam assim; com a intimidade, a ideia de utilizar o nome real se tornava mais atrativa. Sendo assim, Madara foi o único que chamava número três de Itachi durante muito tempo. E após a traição à Akatsuki, talvez Kisame também tivesse adquirido o hábito, mas parava por aí.
_ Você está certa. – ele respondeu, sentando-se na cama com as pernas cruzadas e a encarando nos olhos.
A chama da vela da mesinha de cabeceira refletia nos olhos de Pain sombriamente. Ele percebeu que a conversa seria séria, por isso resolveu se portar no mesmo grau de seriedade exigido. Konan se controlou para não mostrar apreensão e morder seu lábio, mas estava com medo do que Pain iria dizer.
_ Eu acho Madara um bom líder, mas acho que algumas vezes ele perde o controle por conta dos seus problemas particulares. – ele fez uma pausa e ela esperou pacientemente. – Só que eu não sei até que ponto são problemas particulares ou são problemas da organização
Ao fim da explicação sobre Madara feita pelo ruivo, Konan se sentiu incrivelmente mais calma: Pain estava dividindo a mesma opinião que ela! Ele parou para refletir de novo, provavelmente analisando os demais membros da Akatsuki pela primeira vez. Konan compreendia bem, até então ela também não tinha feito essa reflexão.
_ Eu... Eu ainda não sei o que dizer sobre todos da Akatsuki, mas posso falar sobre Itachi. – declarou, finalmente, trocando olhares com a mulher de cabelos roxos pela primeira vez desde o início do assunto.
_ Prossiga. – ela respondeu, mantendo o olhar firme e as feições tão sérias quanto as de Pain.
_ Eu acho Itachi corajoso.
_ Corajoso? – ela questionou, um pouco surpresa pela resposta. Essa, definitivamente, não era a imagem que Madara queria passar para os seus subalternos.
_ Não que eu concorde com o que ele fez, mas ele sabe que comprar briga com Madara não é uma boa escolha. Ele foi corajoso em tentar, ao menos. – Pain parecia um pouco confuso com suas próprias palavras, como se estivesse com dificuldade para se expressar. Konan, por sua vez, parecia encorajá-lo com o olhar, porque queria ouvir sua opinião custe o que custar. – Independente da atitude dele ter sido algo bom ou ruim, ele teve a coragem de ir contra o Madara,o que eu não imaginava que ele fosse capaz de fazer.
_ Isso é bom ou ruim?
Novamente ele se calou, refletindo com calma sobre a pergunta da companheira. Konan estava muito curiosa hoje!
_ Bom... Eu... Hum... Sinceramente não sei.
_ Diga-me o que você está pensando, eu acho que estamos pensando em coisas parecidas. Por favor... – ela pediu com delicadeza, acariciando o rosto do companheiro e ganhando um suspiro em retorno.
_ Acho que a coragem do Itachi pode ser interpretada como algo bom ou ruim, dependendo do que você considera bom ou ruim. – ele explicou, retirando a mão de Konan do seu rosto e tomando-a as suas. – Para Madara, foi algo ruim, pois o prejudicou. Mas você se lembra do que o Kisame disse quando nós o capturamos, não lembra?
A mulher de cabelos roxos concordou com a cabeça, abaixando um pouco o olhar e sentindo, novamente, o terrível sentimento de culpa.
_ Ele não lutou contra nós e não respondeu nossas perguntas. Ele só disse que aceitaria morrer sem arrependimentos, porque valeu à pena ajudar Itachi. Ele até disse que valeu mais a pena aquelas semanas de rebeldia do que a vida inteira no QG.
_ Pois então, é aí que eu quero chegar. Pra Madara, a coragem de Itachi foi ruim; só que pro Kisame, foi algo bom.
Agora, ela se sentia um pouco confusa. Não havia pensado na possibilidade de haver várias interpretações sobre esse assunto; até então buscava uma resposta absoluta paras suas perguntas.
_ E pra você? – ela repetiu a pergunta feita anteriormente com outras palavras, talvez agora Pain conseguisse responder.
_ Eu já disse, eu não sei. – Hum, talvez não conseguisse... – O que aconteceu com Itachi está nos fazendo refletir, mas se isso vai resultar em algo bom ou ruim eu não sei dizer. Mas eu preferia a simplicidade que nossa vida tinha antes disso acontecer.
Konan, não aguentando mais a pressão da troca de olhares, fitou seu colo, sentindo um aperto grande se formar em seu peito. Mas que porcaria de emoções imbecis! Como as pessoas conseguiam viver com aquilo o tempo todo?
_ O que houve? – Pain questionou, tentando erguer o rosto dela e voltar a observar seus olhos. Konan não o obedeceu.
_ Eu fui encarregada de levar Itachi para o hospital dirigido pelo Jiraya Sannin e...
_ Eu sei. – ele interrompeu. – Eu estava junto quando o Madara te deu essa missão.
_ E... Eu deixei o meu frasco de proteína para o Itachi. – sua voz soou tão fraca e incerta que pigarreou, em uma tentativa de voltar a falar com certa dignidade. – E Madara não me ordenou a fazer isso.
Pain, desta vez, lhe forçou a olhar para cima, fitando-a com um completo pavor estampado em seu rosto. Konan se sentiu confusa, esperava algum olhar de julgamento ou uma briga, mas não aqueles traços apavorados no rosto do seu companheiro. O que estava acontecendo? Aquela reação não era o que ela esperava!
_ Você 'tá brincando comigo, não tá? – a voz dele soou trêmula, confundindo-a ainda mais. Por que Pain estava tão preocupado?
_ Não estou entendendo sua preocupação. Se você acha que eu fiz algo de errado, diga ao Madara e limpe seu nome nessa confusão. Ele vai te condecorar como o novo braço direito. – Konan respondeu com sinceridade, mesmo que, no fundo de seu coração, não desejasse que Pain tomasse essa atitude.
_ Você 'tá louca? – ele ergueu consideravelmente o tom de voz, um pouco mais afobado do que antes. – Eu não vou contar pro Madara!
Ela piscou incrédula, deixando um silêncio estranho ecoar no quarto. E isso a deixou ainda mais surpresa com tudo, além de mais confusa. Não havia lógica no comportamento do parceiro, assim como não havia algo que a motivasse a ter deixado seu frasco de proteína com Itachi. Esses últimos dias foram absurdamente confusos especialmente por causa das emoções que eventualmente sentia e agora essas mesmas emoções mudavam o modo de agir de Pain; tudo era extremamente confuso.
_ Por quê? – A cabeça dela começava a latejar de dor, em uma tentativa de entender o que acontecia – Por que teme que o Madara possa não acreditar na sua palavra? Ou tem medo que ele te coloque como cúmplice dessa história? Ou talvez...
_ Não, Konan! Apenas não! – ele gritou, agarrando-a pelos ombros e a sacudindo, tentando fazê-la compreender a realidade – Porque eu ia perder você!
Ele fechou a boca abruptamente, um pouco surpreso pelo que acabou de dizer. Konan também arregalou o olhar, soltando-se do ruivo rapidamente e afastando-se dele naquela cama, observando-o como se acabasse de ver um fantasma naquele lugar. Pain não fez nada para impedi-la de se distanciar.
O que está acontecendo? – ela não parava de se perguntar, agora também apavorada, encarando seu parceiro com o coração cada vez mais acelerado. Não entendia o que estava acontecendo, nem com ela e nem com ele, e isso a deixava com um medo absurdo do desconhecido.
O que diabos aconteceu com a sua tão querida e quentinha zona de conforto?
_ Eu não conseguiria viver aqui sem você Konan. – ele respondeu, sua voz agora muito mais fraca e baixa do que antes, apesar da manutenção firme da troca de olhares. – Eu estou com medo do chefe descobrir o que você fez e te tirar daqui.
_ Não está com medo de isso acontecer com você? – ela perguntou observando bem o companheiro. – De ele te considerar um cúmplice?
_ Não. – Pain respondeu, tentando se aproximar um pouco dela e se sentindo reconfortado ao perceber que ela não mais fugia da sua presença. – Mas por que você me disse? Até parece que você quer que eu te entregue pro Madara.
Parece mesmo, não parece? Konan não havia questionado seus motivos, só sabia que desejava compartilhar aquela informação com Pain. Contudo, depois de refletir um pouco sobre o que acabara de acontecer, percebeu suas reais intenções; e isso não a reconfortou nem um pouco.
_ Eu queria que você saísse ileso desse acontecimento, se me entregasse para o líder e permanecesse intacto nessa confusão, pra mim já seria o suficiente. – ela respondeu. – Eu estou sentindo umas coisas estranhas, como alegria por você decidir não me entregar...! E... Medo do que pode vir a acontecer com você. Por sentir tantas coisas, eu... Estou me sentindo fraca...!
_ Em suma, você está se sentindo como eles, os do mundo de lá... Não é?
O ruivo agora já estava próximo dela mais uma vez, tão próximo seus narizes quase se encostavam. Ele não entendia o seu anseio de ficar tão próximo dela naquele momento, mas algo dentro dele gritava para abraçá-la, beijá-la e fazer todas aquelas coisas que eles só faziam quando transavam.
Seu corpo estava agindo como um idiota, já que Konan deixou claro que não queria um contato carnal! Só que ele tampouco conseguia se refrear, mesmo que ele também não quisesse sexo naquele momento. Era estranho! Se ele não queria sexo, então por que queria ficar tão próximo de sua companheira? Não fazia sentido. E ainda assim, a vontade ainda estava ali.
_ Eu estou assustada. – ela murmurou, lacrimejando um pouco ao pensar na possibilidade sentir o que os outros, do mundo exterior, sentiam.
Isso não devia estar acontecendo! Nós éramos superiores a isso!
_ Eu também. – ele respondeu, sem fôlego, levando seus braços até cintura dela com delicadeza, temendo que ela fugisse novamente de seu toque. – Por que você entregou a proteína pra ele?
_ Eu não sei! Eu não sei de mais nada!
Foi nesse dia que Pain viu Konan chorar pela primeira vez.
Também foi a primeira vez que ele a abraçou apenas por abraçar e não porque queria sexo. Foi a primeira vez que ela molhou seu ombro com lágrimas quentes, assim como foi a primeira vez que ele sentiu seus olhos arderem em vontade de chorar, apesar de não ter se permitido fazer isso.
Pain compreendeu rapidamente que em momentos como aquele um deles teria que ser o forte, pois se os dois sentissem um momento de fraqueza juntos, não teria como um puxar o outro de volta à superfície. Ele adotou a posição de força naquela noite, permitindo que Konan exteriorizasse seus sentimentos com as lágrimas e os soluços de medo, aguardando pacientemente e acariciando suas costas em um gesto de conforto.
Depois de alguns minutos de choro, ela se controlou novamente e se soltou dos braços do ruivo, que a assistiu limpar os olhos com as mãos. Konan suspirou fundo, tentando regularizar sua respiração. Quando finalmente se sentiu pronta, tirou os dedos de suas pálpebras e encarou Pain, que a observava com um olhar extremamente brilhante e enigmático.
Pela primeira vez, ela não conseguiu interpretar as emoções dele... Ou talvez ela não quis interpretar; era difícil saber ao certo. Ao mesmo tempo em que ele teve certeza que faria o possível e o impossível para não ver mais traços de lágrimas no rosto tão belo de Konan pela primeira vez.
E essa foi à primeira certeza que ele teve depois de tanto questionamento, talvez uma das verdades mais fortes e imutáveis para ele: Konan não podia e não merecia chorar, e ele não permitiria que isso acontecesse mais uma vez.
_ Posso te beijar? – sem compreender o porquê de seus próprios anseios e acreditando que suas cordas vocais agiram por conta própria, Pain aguardou ansiosamente por uma resposta.
Konan não conseguia mais refletir, sua cabeça latejava tanto que ela só queria voltar a dormir e nunca mais precisar questionar tudo aquilo novamente. Contudo ela sabia que aquele inverno tenebroso estava longe do fim, assim como sabia que, estranhamente, também desejava a mesma coisa que Pain, mesmo que não estivessem em um momento íntimo.
Ainda que ela se aproximasse cada vez mais de Pain, não evitou perguntar, fechando os olhos calmamente enquanto seus lábios roçavam contra os dele em cada sílaba proferida:
_ Por que você quer me beijar?
E ele, pela primeira vez da noite, sorriu.
_ Pelo mesmo motivo que você quer me beijar Konan. E qual seria? – ele questionou, levando uma de suas mãos até os cabelos soltos e curtos da companheira e a outra segurando a cintura dela com delicadeza. Ele também fechou os olhos, respirando o cheiro do xampu dela que invadia suas narinas e apreciando aquele perfume suave.
_ Porque... – ela tentou responder, mas ele não deixou, finalmente unindo seus lábios contra os dela e iniciando um beijo extremamente passional, diferente dos demais que trocaram até aquele instante.
Porque quando eu estou com você, "sentir" faz muito mais sentido do que "pensar". – os dois responderam a mesma coisa em suas mentes, se rendendo ao beijo e a troca de carinhos, deixando todas as demais preocupações guardadas e longe de suas cabeças. Sentiam-se leves e despreocupados, presos apenas nas sensações de prazer e na velocidade dos batimentos cardíacos que aceleravam consideravelmente, criando uma melodia suave em seus ouvidos pela intensidade forte de circulação sanguínea em seus corpos. Os estalidos de beijo intensificavam-se cada vez mais, bem como a velocidade de busca pelo tato, cada vez mais insaciado, e a intensidade da respiração descompassada do casal.
E, ao menos até o dia seguinte, nenhum dos dois pensou em outra coisa que não fosse o seu parceiro ali, diante dos seus olhos e em todas as coisas que poderiam fazer para agradá-lo ainda mais. As preocupações e incertezas nada mais pareciam do que um longo e tenebroso pesadelo, do qual já haviam despertado, mas eles sabiam que não era isso. Aquele momento é que era um sonho, um sonho bom, e a realidade não era um mero pesadelo, era palpável e preocupante.
Pelo menos até o dia seguinte teriam paz. Com o nascer do Sol, todas as incertezas e os medos voltariam a atormentá-los com força total. Mas bastava pensar um no outro, e assim um pouco de certeza voltaria às mentes atormentada do casal. A certeza de que, independente do que significasse toda aquela confusão emocional, sempre encontrariam um pouco de paz e calmaria na companhia um do outro.
(***)
Quando acordou novamente, Itachi estava se sentindo muito, muito, muito...
Pior.
Sabia que isso aconteceria com a volta dos sentidos, mas nem por isso seu desconforto foi menor. Seu abdômen doía de um jeito inacreditável e cada músculo do seu corpo parecia gritar em protesto. Até suas pálpebras ardiam como se estivessem submetidas a um tratamento de colírio com ácido, sua pele parecia ter sido arrancada com uma faca de cozinha não amolada, apesar de ainda estar ali, lhe incomodando demais!
_ Como se sente? – Jiraiya questionou, aparecendo no campo de visão de Itachi por breves segundos e tomando a atenção dos olhos negro-avermelhados para si.
Sim, apenas segundos, porque instantes depois o moreno se apoiava para fora da cama e vomitava toda a (ausência) de conteúdo do seu estômago.
_ Acho que isso responde minha pergunta. – Jiraiya comentou brevemente, cruzando os braços e erguendo a comadre hospitalar que Itachi usou para vomitar, colocando no colo do doente, que parecia mais pálido do que um fantasma. Ele sabia que isso podia acontecer, então já tratou de deixar o objeto em um local estratégico. – Bom, é uma reação natural à anestesia... Talvez você não se sentiu enjoado antes porque estava sem a proteína.
Itachi nem tentou responder, agarrando o objeto com todas as forças e, mais uma vez, sentindo um enjoo grande e colocando seus líquidos estomacais para fora. Nem havia o que vomitar, seu corpo estava vazio, mas seu organismo parecia simplesmente não entender esse pequeno detalhe.
Mas ele sabia o que era aquele comportamento. Ele já sentiu antes, mais vezes do que se recordava... Jiraiya não estava entendendo perfeitamente a situação, e por isso ele se esforçou a falar.
_ Morfina. – ele murmurou, quando Jiraiya entregou uma toalha de papel em sua mão direita, para ser utilizada quando ele parasse de vomitar.
_ Sim. Eu já te dei uma boa dose de morfina, você estaria gritando de dor se...
_ Não! – Itachi interrompeu, mais uma vez lutando contra os espasmos de seu corpo e aquela vontade terrível de por para fora algo que não existe. Quando se controlou novamente, limpou a boca na toalha de papel e ergueu o olhar para o mais velho, sabendo que agora a situação ficaria ainda pior. – Não me dê mais morfina!
_ Mas...! Itachi, sem a morfina...! – Jiraiya tentou explicar.
Morfina era algo assustador para muitos pacientes e só era empregado nos momentos de dor extremamente intensa. As pessoas, em geral, não gostam muito de se submeter a uma droga tão forte, só que no caso de Itachi aquilo era inevitável; ele provavelmente desmaiaria de dor sem uma pequena dose da droga.
Mas Itachi, pelo jeito, não queria saber dos seus argumentos, interrompendo sua fala com veemência.
_ Não me dê! – ele exclamou, um pouco alterado. – Eu aguento a dor, eu sou programado pra aguentar a dor! Mas eu não sou programado pra aguentar opiáceos(1)!
Por óbvio, o termo utilizado por Itachi não passou despercebido pelos ouvidos do médico. Como ele era capaz de saber aquela terminologia? Ele não era um profissional da área, ao que parecia. Contudo, naquele momento a forma como ele utilizara a palavra "programado" para referir a si mesmo lhe chamou mais atenção, e Jiraiya não pode deixar de sentir pena do garoto. Que tipo de pessoa utiliza uma palavra tão robótica para definir o seu organismo ou um comportamento?
_ Você fala de si mesmo como se falasse de um robô, Itachi... – o mais velho murmurou, sentindo um pouco de pena pelas reações que o corpo de Itachi demonstrava.
O suor, a ereção dos pelos do braço, a elevação da temperatura, o rubor crescente, a constrição da pupila; até parece que ele estava em um processo de overdose de morfina, ou heroína! Mas ele sabia muito bem que isso era impossível, porque não dera tanto sedativo assim para Itachi. Nem se ele fosse alérgico teria essa reação! Não fazia sentido!
Talvez Itachi soubesse explicar melhor o que acontecia, ele parecia já ter algum tipo de experiência com a droga.
_ Como sabe o que é opiáceos? Você estuda medicina?
Itachi balançou a cabeça negativamente, ainda agarrando o objeto em seu colo como se aguardasse uma nova reação desconfortável. Ainda estava enjoado, mas no fundo sabia que não iria vomitar mais; agora viriam outros sintomas.
_ Madara e Orochimaru têm meios particulares de tortura, sendo que Orochimaru era o encarregado delas. A primeira vez que Madara me torturou pra valer foi esta, as outras ocasiões foram com Orochimaru. – ele explicou brevemente, não sabendo ao certo como colocar sua experiência com a morfina em palavras. – Ele gosta de drogas opiáceos, porque todos nós da Akatsuki temos uma rejeição a esse tipo de droga! É um efeito colateral da nossa proteína, Kisame me... me... contava.
Sua voz estava fraca e ele se sentia cada vez mais quente. Céus, torcia com todas as forças para que não sentisse as alucinações. Não agora!
_ Orochimaru... – Jiraiya murmurou, refletindo um pouco sobre a informação que acabara de adquirir. Muitas dúvidas se formavam em sua cabeça, mas não podia perder tempo: Itachi estava praticamente morrendo diante dos seus olhos, ele precisava agir! E logo!
Aproximou-se mais do paciente e retirou o objeto de suas mãos, colocando longe. O moreno estava a um passo de desmaiar,e Jiraiya precisava colocá-lo em aparelhos respiratórios com urgência; ele já apresentava arritmia cardíaca e respiração instável.
_ Ok garoto, escute! Você vai sair dessa, mas vamos ter que lutar um pouco aqui, ok? Eu não sabia que você teria toda essa reação, e vou te tratar como se fosse uma overdose.
Itachi nem entendia o que o outro queria dizer, mas concordou apenas para transparecer um pouco de calma. Jiraiya parecia nervoso.
_ Ok. Ok. – ele respondeu sem fôlego.
Permitiu que Jiraiya fizesse suas ministrações médicas sem reclamar. Não estava com medo, mas já fazia um bom tempo que não tinha a infelicidade de passar por algo como isso com Orochimaru. E, digamos, que ele não tinha boas lembranças e duvidava que qualquer outro Akatsuki tivesse recordações maravilhosas envolvendo morfina.
_ Naloxona (2)... Naloxona... Cadê porra!? – Jiraiya murmurava, correndo de um lado para o outro e procurando algo nos armários. Itachi se lembrava desse nome, era outro tipo de droga que Orochimaru ministrava, mas somente quando os sintomas estavam em um estágio crítico.
Surpreendentemente, os primeiros procedimentos pareciam muito com os procedimentos aos quais ele era submetido no QG naquelas situações. Mas ele não pôde fazer uma grande análise da habilidade profissional de Jiraiya.
Afinal, um minuto depois, Itachi já estava inconsciente.
(***)
Desta vez, quando despertou, Itachi sentia seu corpo latejar em uma dor excruciante que provavelmente faria qualquer pessoa gritar em plenos pulmões.
Ótimo. Bem melhor do que os efeitos colaterais de morfina!
_ Sente-se melhor? – Jiraiya questionou, um pouco apreensivo.
_ Me sinto um lixo... – o mais novo respondeu, tossindo um pouco e sujando os lençóis de sangue. – Isso é bem melhor.
Havia algo positivo em tossir, por mais que fizesse toda sua caixa torácica latejar em pontadas que lhe davam muita agonia: o efeito da morfina com certeza já passou. Apesar do sangue não ser um bom indício. Nunca era, mas dos males o menor.
Contudo, Jiraiya não parecia nada feliz. O médico olhava para a mancha de sangue com certa melancolia, provavelmente considerando aquilo sua culpa, não que Itachi entendesse o porquê disso. Aguardou alguns instantes até voltar a falar, e quando ele o fez sua voz soou fraca.
_ Você teve delírios no sono, febre e alucinações. – ele falou baixinho, passando uma toalha molhada e fria na pele de Itachi, que só agora ele percebeu estar coberta de suor. – Pivete, eu me caguei de medo, você não pode morrer agora ainda mais devido à um erro meu.
Itachi não era idiota, ele sabia que a preocupação do médico pela sua integridade física estava nas possíveis informações que ele podia dar sobre o paradeiro do herdeiro Uchiha, mas ainda sim as palavras de Jiraiya deixaram no ar aquele sentimento de acolhimento; mesmo que fosse com segundas intenções, era bom ter alguém preocupado consigo além de Sasuke.
_ Eu vou sobreviver pelo tempo necessário pra salvá-lo, não se preocupe.
Jiraiya, sem mais delongas, apenas concordou minimamente com um aceno de cabeça e voltou sua atenção para o corpo moreno. Itachi estava encharcado de suor, tanto que molhou todos os curativos e sua roupa hospitalar. Os curativos precisavam ser trocados com urgência, pois poderiam piorar os pontos de infecções e diminuir a cicatrização.
_ Eu preciso cuidar novamente dos seus machucados. Vou ter que te despir.
Itachi não sentiu vergonha como Jiraiya imaginou que poderia acontecer. Quando tratou de suas feridas na primeira ocasião, o Uchiha estava desacordado e por óbvio não teve como protestar, mas aquele comportamento dócil pegou o médico de surpresa. Em todos os anos como médico, Jiraya percebeu um padrão entre os pacientes e vergonha era um deles, seja em mínima ou grande escala.
De qualquer forma, procurou agir rapidamente: retirou a camisola e cobriu a parte íntima de Itachi com o lençol, apenas para não constrangê-lo ainda mais (não que o Uchiha primogênito parecesse constrangido, mas Jiraiya não queria arriscar), e começou a retirar as ataduras e esparadrapos de sua pele.
_ E a sua dor? O que você pode tomar de analgésico? – ele questionou, depois de um pequeno e quase imperceptível suspiro de dor.
_ Não se preocupe com isso. Como eu disse, a dor pra mim não é um problema.
_ Você já sentiu uma dor dessa magnitude?
Quanto mais Itachi tratava toda aquela situação como algo corriqueiro, mais preocupado Jiraiya ficava. Que tipo de absurdos estaria Orochimaru envolvido?
A pele de Itachi estava arranhada e cortada em diversos pontos, coberta de equimoses roxas, quase negras. Em muitos pontos via-se claramente o rompimento da pele em uma fratura exposta de seus ossos que não puderam ser engessados por conta de todo machucado da superfície. Itachi tinha talas na perna, em uma tentativa de imobilizá-lo, e seu quadril também estava enfaixado em virtude de um enxerto. Foi preciso retirar um pedaço do osso da bacia para aplicar em suas pernas, pois em alguns pontos suas feridas foram tão intensas que os ossos foram triturados, e não simplesmente quebrados.
_ Não. Mas isso não importa. Dói bem mais saber que Sasuke está lá do que a minha condição física atual. Eu não vou desmaiar de dor. – ele respondeu com a voz ríspida, regendo os dentes quando a cada leve toque de Jiraiya em seu corpo.
Doía muito, ele não podia negar. Doía mais do que receber a surra, porque parecia uma dor crônica, e sem a adrenalina no corpo era mais difícil de aguentar aquela situação. Nada que fosse impossível, é claro, mas ainda sim não era o tipo de dor que um humano normal fosse capaz de suportar. Nem o mais forte deles conseguiria se manter consciente diante àquela sensação ardente e latejante.
Algo, contudo, lhe fez se esquecer da dor momentaneamente.
(***)
Sasuke não sabia ao certo há quanto tempo estava sentado no chão gelado do boxe do chuveiro. Tinha uma vaga consciência de que estava limpo e sentia o cheiro do sabonete tão forte ao seu redor que estava com uma vontade de espirrar. A água escorria por suas costas, fazendo cócegas em seu corpo e arrancando pequenas risadinhas.
Estava se divertindo com algo tão imbecil e simplório que sequer parecia se reconhecer. Desde quanto tomar banho o causava tanta alegria? Ele sabia que na merda em que se encontrava no momento, não deveria estar se divertindo com algo assim.
Mas, para falar a verdade, ele não conseguia se lembrar direito o que de tão ruim havia acontecido... Por que ele estava com raiva mesmo?
_ Hahaha... Que porcaria! – ele riu, erguendo a mão de qualquer jeito para fechar a torneira e parar de sentir cócegas. Não estava com vontade de se levantar, por isso permaneceu sentado, agarrando seus joelhos e ainda se divertindo com nada em particular.
Sua mente estava pura agora, completamente límpida. Se antes sabia que havia algo de errado acontecendo consigo e que há poucos minutos estava ardendo em raiva por algum motivo, agora essa contestação sequer passava novamente em sua cabeça.
Se você não está com raiva mais, não interessa o motivo.
É Sasuke, desencana. Está tudo tão bem agora!
Sasuke sorriu, levando as mãos até os cabelos que estavam diante de seus olhos, molhados e grudando em sua tez, acariciando-os, como se retirasse os embaraçados produzidos no banho.
Estou feliz que vocês voltaram... Não me deixem mais!
Ele pensou, não entendendo porque pensara isso. As mentes não sumiram, não é mesmo? Não... Tudo parecia tão vago, tão irreal... Devia ser algum sonho, é, com certeza era isso!
Tudo estava perfeito demais! Com certeza aquele vago sentimento de tristeza que ainda o assombrava um pouquinho não passava de um pesadelo besta. Ele acordou, e agora estava tudo bem! E esse pensamento ridículo parecia muito válido naquele instante.
Oun Sasuke! Há quantos anos eu quero que você nos valorize e falasse algo assim! Senti sua falta também!
Sem viadagem Sasuke, me poupe.
Enquanto Sasuke ria mais uma vez da conversa engraçada que se acontecia em sua cabeça, ouviu o barulho da porta do banheiro se abrindo. Ainda com o sorriso a postos, deitou a cabeça em seus joelhos e observou a porta, prestando a extrema atenção no homem que acabava de entrar.
Seu sorriso se tornou ainda mais radiante. Será que era possível ficar mais satisfeito do que ele estava naquele momento? Ele daria tudo, absolutamente tudo, pra conseguir congelar o tempo e viver naquela situação para sempre.
_ Vem aqui... – ele pediu, com a voz dengosa, ainda na mesma posição e aguardando o outro terminar de fazer seja lá o que diabos fazia.
Assim que entrou, Madara observou Sasuke com aquela expressão besta no olhar, rindo de algo que ele não sabia do que se tratava. A droga parecia ter efeito total mais rapidamente no corpo do garoto no que no dele, mas isso não era fora do normal; afinal, Madara era maior, tanto em altura quanto em massa muscular, e com certeza tinha uma imunidade maior há ação de medicamentos. Como Orochimaru disse, ele ainda tinha cinco minutos de sobriedade.
Por isso, usou o momento de lucidez para criar um ambiente melhor para os acontecimentos que se seguiriam. Caminhou até a banheira redonda de hidromassagem que se encontrava no canto do grande banheiro da suíte e ligou as torneiras, torcendo para que não demorasse muito a encher. Derrubou dentro da banheira alguns sais de banho que há muito tempo estavam inutilizados, isso desde que Itachi começara a evitar momentos assim com ele, e observou as pequenas espumas com cheiro de jasmim surgirem na superfície da água.
Teria alguns minutos até que a banheira enchesse completamente.
Olhou novamente para Sasuke, que estava com uma expressão de dengo surreal, parecendo um garotinho contrariado desejando algo proibido. Madara até deixou um sorriso brotar em seus lábios: apesar de não estar sob os efeitos alucinógenos ainda, não podia deixar de constatar o quanto o pivete parecia extremamente apetitoso daquela forma.
Perguntava-se quem Sasuke estaria vendo agora em seu momento de alucinação. Apesar de que, no fundo, acreditava saber quem seria essa pessoa.
O herdeiro Uchiha era muito previsível, ao menos para ele.
_ Você não vem aqui? – Sasuke resmungou, um pouco envergonhado, escondendo o rosto no joelho por sentir medo de uma possível rejeição.
_ Já vou, Sasuke. – Madara respondeu, endireitando a postura e caminhando até a pia do banheiro. Ao observar-se no espelho, se deu conta do quão abatido parecia.
(***)
_ Itachi... – desde este novo despertar, Itachi ainda não ouvira a voz de Naruto, mas não havia dúvidas de que ele acabara de se pronunciar. Ele estava no quarto, em algum ponto, e seu tom de voz era ainda mais deprimido do que o de Jiraiya, talvez até um pouco espantado.
Ah... Era só o que falava! – Itachi pensou, detestando a perspectiva de encontrar Naruto naquele estado deplorável.
_ Pirralho, o que você 'tá fazendo aqui de novo? – o mais velho ralhou, olhando para a porta com irritação. Itachi não tentou virar o pescoço para encarar o loiro barulhento, temendo passar mal novamente caso assim fizesse. – Eu falei pra você esperar!
_ Eu não sabia... – ele falou, o horror agora evidente em seu timbre de voz, e aproximou-se da cama com passos lentos. – Eu não sabia que ele estava tão mal assim...!
Itachi ainda não tinha acesso a um espelho, mas sabia que deveria ter hematomas no rosto. Todavia, Naruto não devia saber dos cortes em sua pele e dos machucados mais profundos. Jiraiya parecia só dividir o essencial com Naruto e Kakashi sobre sua condição, o que era um comportamento natural da ética medicinal; os dois não eram sua família e, pelo que Itachi sabia, essas informações só deveriam ser repassada aos familiares.
_ Bom, agora você sabe. – Itachi respondeu, se sentindo bem desconfortável com o tom de voz do mais novo. Nunca viu o garoto usar aquele tom e não sabia direito como deveria agir. – Parabéns pra você, Uzumaki.
Irritado, Itachi percebeu que preferia um Naruto barulhento e furacão-humano, do que um benevolente e filantropo. Tsk... Detestava ser alvo da pena alheia, principalmente nas condições em que se encontrava no momento. Ainda mais pena advinda do loiro em questão!
_ Naruto, saia do quarto, eu preciso cuidar do Itachi. – Jiraiya comandou, ainda olhando para o garoto que se aproximava com ares de censura.
_ Eu quero ajudar. – ele respondeu, agora finalmente no campo de visão de Itachi, observando Jiraiya com seriedade.
Ainda era muito estranho para Itachi ver o loiro agir daquela forma; a primeira vista, jamais considerou que o garoto pudesse se portar daquela maneira, mas a conversa que os dois tiveram há alguns dias atrás provou o contrário. Naruto era muito capaz de tratar sobre assuntos sérios e, pelo jeito, considerava a situação do moreno algo muito relevante naquele instante.
Por mais estranho e surreal que fosse, Naruto parecia até mesmo preocupado com ele, o que não fazia o menor sentido possível.
_ Naruto, isso daqui não é igual "ajudar a limpar a casa". – o médico respondeu, não parando os seus afazeres por conta da interrupção do loiro. – É sério, não há o que você possa ajudar.
_ Mas...
Como é teimoso! – Itachi não pôde deixar de constatar; mesmo assim, suspirou pesadamente e interrompeu a discussão. Decerto, não queria o Uzumaki ali, mas não era como se o mais novo fosse arredar o pé, então que ficasse, se era mesmo o jeito. Naruto lhe dava uma canseira mental surpreendente, falando ou não.
_ Deixe Jiraiya, eu não me importo.
Naruto se aproximou da cama e olhou diretamente para ele, tentando transmitir alguma coisa que Itachi não pôde captar perfeitamente, ou talvez não quisesse. Os olhos azuis cintilavam em sua direção, mas não era um olhar de pena, como Itachi previu: era um olhar estranhamente compreensivo. E, por mais que Itachi odiasse usar essa palavra, também era acolhedor.
Ele não conseguia entender porque recebia esse tipo de olhar do Uzumaki, justo dele. Os dois se odiavam, não era? De onde veio toda essa compreensão?
Como nenhum dos dois se pronunciou novamente, e como Jiraiya percebeu que era voto vencido naquela discussão, voltou a cuidar dos ferimentos de Itachi. Alguns pontos estavam infeccionados e ele precisava limpar com frequência para curar a infecção, não podendo deixar os curativos úmidos pois piorariam muito aquele quadro infeccioso. Isso era um trabalho de enfermeiro, mas ele não podia se dar ao luxo de mostrar a um colega de trabalho o real estado de Itachi; isso poderia causar problemas sérios tanto para ele, quanto para o jovem.
Toda limpeza durou pouco mais de quarenta minutos. Durante todo esse tempo, o Uzumaki permaneceu ao lado do Uchiha, sem falar nada, se portando estranhamente sério e Itachi quase desejava o Naruto barulhento de antes; aquele comportamento não combinava com o loiro e conseguia fazê-lo ainda mais irritante que o normal, o que era quase uma proeza.
Porém Naruto apenas continuava perdido em seus próprios pensamentos, com o olhar vago e distante; ele também estava ligeiramente enjoado com o cheiro de desinfetante hospitalar e sangue. Ainda assim, ele queria permanecer ao lado de Itachi, não só para entender toda aquela confusão, mas porque o outro precisava de apoio naquela hora difícil, mesmo que fosse um idiota.
Itachi estava curioso sobre o que se passava na cabeça do loiro, mas seu espírito de competitividade com Naruto lhe impedia de perguntar. Ele estranhamente via esse ato como uma demonstração de fraqueza, e não queria parecer fraco na frente do garoto.
Quando Jiraiya colocou a última atadura no corpo do paciente, olhou para os dois presentes com certa expectativa, questionando-os sobre o que seria feito a seguir de maneira silenciosa.
_ Eu quero falar com o Itachi.
_ Naruto, o Itachi acabou de passar por...
Foi por apenas um segundo e o olhar de Naruto entrou no seu campo de visão, mas bastou para Itachi compreender que não poderiam perder mais nenhum segundo: em algum lugar, Sasuke precisava dele. O Uzumaki sabia disso e ele também.
_ Eu quero falar com o Naruto. – Itachi interrompeu mais uma vez, ainda preso naquela estranha ligação de olhar com os olhos azuis do mais novo.
Jiraiya balançou a cabeça negativamente, pegando a bandeja de aço repleta de ataduras usadas, sujas de vermelho-sangue, e se afastou dos dois presentes gradativamente, caminhando em direção à porta.
_ Eu nunca vou entender a nova geração... – ele murmurava, irritado com o comportamento dos dois mais novos. Será que ninguém se preocupava com a saúde de Itachi além dele? – Estarei esperando do lado de fora, e você, pivete. – Jiraiya se dirigiu à Naruto, apontando de forma acusatória para o seu rosto. – Se você der showzinho, eu entro aqui e não deixo você se aproximar do Itachi pelos próximos 15 dias!
_ 'Tá bom, 'tá bom, Ero Sennin! – ele respondeu, cruzando os braços, contrariado e exibindo um beicinho de protesto nos lábios.
Essa reação tão "Naruto" tranquilizou Itachi mais do que ele queria: até arrancou uma singela risada dele! Mas ele precisou parar subitamente de rir pela intensa dor que sentiu em suas costelas e o ataque de tosse que se seguiu. Céus, ele realmente estava um lixo!
Jiraiya saiu do quarto e Naruto observou o ataque de tosse de Itachi com curiosidade. Dessa vez o outro felizmente já não estava mais tossindo sangue, embora era visível pelas caretas de dor que todo seu corpo reclamava pelo esforço. Quando ele conseguiu se controlar, o loiro abriu a boca mais uma vez:
_ Quem mandou fumar? – ele falou em um tom descontraído, aproximando-se de Itachi um pouco mais e puxando uma das cadeiras para próximo da cama do paciente. Ao fazer isso, lembrou-se das diversas vezes que fizera isso enquanto Kakashi estava hospitalizado e fungou com melancolia, detestando as lembranças terríveis daquele período de espera.
_ Você não é idiota o suficiente de achar que o cigarro fez isso comigo, né? – Itachi sabia a resposta, mas ainda sim não pôde deixar de provocar o garoto, chamando-o de tolo e ingênuo por tabela.
Isso fazia bem ao seu humor e ele certamente precisava de alguma melhora. Talvez fosse a única vantagem em ter Naruto por perto, porque ele realmente não gostava de ficar próximo do Uzumaki irritante, não mesmo.
_ Bastardo! Eu só estou tentando quebrar o gelo. – Naruto respondeu, girando os olhos em suas órbitas e se controlando para não ser mais enfático em sua argumentação. Sabia que Jiraiya falou bem sério naquela ameaça antes de sair, e não queria ser tirado de perto de Itachi antes de receber algumas respostas. – Eu sei que você ainda não tem idade pra ter um problema tão sério com o cigarro, mas daqui uns dez anos você vai ver!
Itachi abaixou o olhar, encarando seus dedos machucados por alguns segundos. Naruto não sabia nem metade de tudo que acontecia, mas ele prometeu a si mesmo que não iria mais esconder aquelas informações. Precisava de ajuda, precisava de pessoas que se importavam com Sasuke para que tivessem algum sucesso na investida contra Madara.
Em suma: ele precisava de Naruto.
Ele odiava profundamente admitir isso para si mesmo, pois, para ele, isso era igual a uma demonstração de fraqueza. Só que ser fraco ou não, isso já não importava mais: Sasuke era a única coisa que pensava no momento.
_ Eu nunca vou ter problema com cigarro. – ele respondeu, com a voz baixa, pigarreando e sabendo que teria um longo caminho para percorrer naquela explicação. – Eu sou um pouco mais diferente do que você imagina.
_ Eu sabia que os poderes de Flash não eram a única anomalia em você. – Naruto constatou, achando graça das palavras escolhidas pelo maldito. 'Tá certo que ele tinha todos aqueles superpoderes, mas isso não significava que ele fosse imune a morte.
A situação deplorável em que ele se encontrava deixava bem claro isso.
_ E você estava certo.
O loiro ergueu a sobrancelha, curioso por Itachi não ter respondido a provocação e, pior, ter concordado com suas palavras: isso quase poderia significar que o apocalipse a caminho. Ele se aprumou um pouco mais na cadeira.
_ Você 'tá levando muito a sério o que eu 'tou falando! – respondeu Naruto um pouco apreensivo. – Eu não te acho uma anomalia, Itachi-bastardo!
Quando Itachi ergueu o olhar para o outro viu que o Uzumaki exibia um daqueles animados e verdadeiros sorrisos. Isso o surpreendeu para valer porque pelo menos por alguns milésimos de segundo ele quase acreditou que não era mesmo uma anomalia. Quase...
Itachi suspirou pesadamente e essa atitude arrancou o sorriso dos lábios do Uzumaki. O mais velho balançou a cabeça em negação, se perguntando se Naruto ainda seria capaz de sorrir daquela forma para ele depois de saber toda verdade. Mas no íntimo, ele previa a resposta.
É lógico que não.
O loiro, por sua vez, não compreendeu a melancolia de Itachi, mas optou por ficar em silêncio, se dando conta que, finalmente, seria o momento de receber alguma informação. Itachi parecia pensar na melhor forma em começar a falar, e ele ansiava demais por esse momento.
_ Eu vou... Eu vou te contar algumas coisas. – Itachi não abaixou o olhar novamente, mostrando firmeza em sua decisão – E, por mais que você deseje me interromper, espere eu terminar de falar.
Não soou como uma ordem e sim como um pedido. Naruto não tinha um bom pressentimento sobre o discurso que se iniciaria, mas ainda sim concordou com um aceno de cabeça, descansando as mãos no seu colo e concentrando-se apenas em ouvir Itachi falar.
Naruto nunca esteve tão certo em seus pressentimentos como nesta ocasião; Itachi não explicava os fatos, ele simplesmente lançava uma bomba atômica em várias certezas e convicções do Uzumaki. Mas, ainda sim, ele ouviu tudo calado.
Por mais surpreendente que fosse, Naruto realmente o ouviu sem dar um pio, o que era reconfortante. Primeiramente, ele precisou contar tudo àquilo que Sasuke sabia, sendo que a maior parte já tinha sido repassada ao Uzumaki, o qual ficou profundamente entediado nessa parte (para variar). Todavia, Itachi sabia que era melhor começar falando sobre as coisas mais "leves" da sua história, sendo recompensado pela relativa surpresa que Naruto demonstrou sobre as informações referentes ao QG, as duplas e a sua relação com Madara.
Itachi mencionou, da mesma maneira que fizera com Sasuke, que algo desencadeou sua curiosidade pelo mundo exterior, mas não disse com todas as letras qual foi esse fato. Comentou sobre cada um dos membros da Akatsuki e o pouco que sabia sobre suas habilidades, também perdeu um grandessíssimo tempo explicando como a mente do Madara funcionava e toda a caça ao tesouro que se instalara para a captura de Sasuke.
Quando Naruto parecia que iria perder a calma e gritar, Itachi acreditou que seria à hora de lançar informações mais pessoais sobre o assunto; não queria brincar com a sorte e ter que ouvir um Naruto estressado e barulhento naquela altura.
_ Eu não queria mais ajudar Madara a capturar Sasuke.
Naruto, que havia se posto de pé em um pulo, sentou-se novamente, observando o mais velho com um pouco de surpresa.
_ Então você também se apaixonou pelo Sasuke... Né? – inquiriu Naruto com afobação, deixando evidente o quanto se preocupava com Sasuke estar sendo enganado por ele. – Diga que sim, por favor, se não eu vou ser obrigado a bater num moribundo e nem vou me sentir culpado por isso!
Itachi sorriu, ignorando a dor que aquele simples movimento trazia.
_ É um pouco mais complexo do que isso, mas eu estou sim apaixonado pelo Sasuke. – ele respondeu, um pouco envergonhado por falar sobre isso com outra pessoa que não fosse o Uchiha, mas entendendo a necessidade crucial dessa conversa. – Sasuke me mostrou um mundo que eu não conhecia e me encantou de um jeito um pouco assustador. Eu pretendia apenas seduzir o Sasuke para corroborar com o plano de Madara, mas tudo mudou quando houve um envolvimento emocional.
Em seguida, Itachi contou o que aconteceu no seu castigo nos mínimos detalhes, por mais que sua voz tivesse vacilado quando contou sobre a morte de Kisame. Quando falou isso, Naruto emitiu um ruído de surpresa, mas nada disse para lhe interromper. Entretanto, Itachi via as expressões no olhar do Uzumaki se transformarem, oscilando entre a raiva e a tristeza em uma rapidez surpreendente. Era estranho ver como alguém de fora parecia sofrer tanto por algo que não vivenciou, mas, ao mesmo tempo, também lhe dava algum conforto porque parecia que Naruto estava mesmo entendendo a situação e, pelo menos, até aquele ponto, não lhe julgou.
Pelo contrário, Naruto parecia que não estava lhe tratando como um monstro, e escutava o seu relato em silêncio. Itachi deixou de lado a revelação de Madara e o golpe final de Sasuke e quando terminou um silêncio opressor se instalou entre eles. Naruto desviou o olhar do Uchiha e ficou quieto por um tempo, analisando todas as informações dadas e tendo a certeza de que algo estava faltando ali. Itachi parecia ter dito mesmo a verdade, mas ainda estava faltando informações.
_ Você vai continuar essa história e encaixar esse quebra-cabeça, não vai? – o loiro perguntou, um pouco duvidoso se seria capaz de ouvir mais revelações de Itachi, mas sabendo que deveria forçá-lo a falar tudo naquele momento.
Afinal, se ele já estava escondendo alguns pontos naquele momento de coragem, imagina depois de algum tempo? Era óbvio que Itachi vacilaria depois e Naruto não seria capaz de repreender o outro por isso. Devia ser muito difícil falar sobre tudo que ele falou, e Naruto certamente já achava Itachi demais por não ter chorado em meio ao seu relato. Um bastardo, mas realmente naquele aspecto, ele precisava admirar o outro. Afinal, ele próprio perdeu a compostura apenas lendo uma carta de sua mãe na frente do outro!
Vergonhoso. – era o pensamento que os dois tinham naquele momento, cada qual pensando no seu próprio momento de fraqueza: Naruto se lembrando das cartas, Itachi pensando no que deixara de contar a Naruto, mas que inevitavelmente teria que dizer.
O mais velho suspirou e levou a mão direita até o seu rosto, cobrindo os olhos e agradecendo aos céus por ainda ter um membro de seu corpo que não foi quebrado. Sua movimentação nada mais era do que uma vontade inconsciente de fugir, mais uma vez, daquela revelação.
_ Vamos Itachi, eu não vou te matar. Eu juro! Conte o que você fez, por pior que seja. – Naruto pediu com delicadeza, tremendo um pouco pela ansiedade e pelo medo do conteúdo que poderia surgir com o fim daquela história.
_ Sasuke me quer morto. – Itachi murmurou, ainda sem coragem de observar Naruto nos olhos, e odiando profundamente seu momento de covardia.
Queria poder encarar o mais novo e usar o habitual tom de indiferença, mas era impossível! Porque ele inevitavelmente se lembrava da feição transtornada de Sasuke ao remexer nos papéis que Madara cuidadosamente arquivou, todas as provas dos crimes que ele fez. Acima de tudo, seu peito doía ao se lembrar ao olhar de profunda ira que o Uchiha mais novo lhe lançou naquela ocasião. Ele praticamente conseguia enxergar Sasuke gritando para ele que queria matá-lo e isso conseguia ser mais doloroso do que qualquer ferida atual.
_ Por quê? – Naruto soava surpreso e descrente, achando que era exagero de Itachi tirar aquela conclusão.
_ Porque eu matei Fugaku e Mikoto Uchiha, e porque Sasuke é... É meu irmão mais novo.
Sem nem entender o porquê, Itachi apertou ainda mais os olhos, mantendo-os ainda mais fechados, mesmo que suas pálpebras reclamassem do esforço. Ele aguardou qualquer tipo de xingamento, qualquer palavra ofensiva vinda da boca de Naruto, mas o outro permaneceu quieto por sabe-se lá quanto tempo em silêncio. Itachi se viu obrigado a tirar a mão do rosto e olhar para Naruto, enquanto este o observava com uma calma tão inesperada que chegava a ser assustadora.
_ Eu estava esperando pra ver se você ia me contar. – o Uzumaki respondeu, cruzando os braços e mantendo o olhar firme no rosto assustado de Itachi. – Eu já sabia.
Quê? Como assim?
_ Isso é impossível! – Itachi murmurou, tendo uma crise de tosse pouco apropriada logo depois.
Como assim Naruto já sabia disso? Por que ele nunca disse ao Sasuke? Como diabos ele conseguiu aquela informação? Seria Kakashi quem o informou do parentesco? Mas Kakashi não sabia que ele era o assassino de Mikoto e Fugaku! E por que ele não estava furioso e fora de si? Por que não estava lhe xingando? Ou lhe batendo? Ou fazendo qualquer coisa irritante e idiota como de costume? Por que Naruto parecia ainda acreditar nele? Em suma, Naruto não parecia julgá-lo; isso o deixava verdadeiramente confuso e assustado. Não fazia sentido algum!
Itachi sequer conseguia se concentrar em fazer seu acesso de tosse diminuir, por mais que todo o seu corpo estivesse latejando ainda mais por causa do esforço que fazia.
_ Não é impossível. – Naruto respondeu, procurando a jarra de água que geralmente ficava próximo da cama dos pacientes de hospital. Estava tão acostumado com hospitais agora, que já sabia que isso era algo de praxe nos quartos.
Ao encontrar, encheu o copo de vidro que estava do lado da jarra e ajudou Itachi a beber todo o conteúdo. A tosse melhorou consideravelmente depois disso e Itachi percebeu pela primeira vez como estava faminto e com sede.
Mas tinha assuntos mais urgentes para resolver no momento.
_ Como? – ele questionou com a voz fraca, ainda tossindo um pouco.
_ Karin me contou, no dia que Sasuke foi capturado e, pelo jeito, você também. – ele respondeu, ainda calmo. – Ainda bem que já faz uns dias que eu descobri, se não provavelmente eu iria te matar Uchiha-bastardo.
Ok, a situação estava cada vez mais confusa...
_ Karin? A noiva do Sasuke? Como ela sabia disso?
_ Vocês realmente não acharam nada estranho uma garota, do nada, oferecer abrigo pra alguém que se diz procurado por criminosos, em troca de um suposto casamento sem sentimento? – Naruto parecia tirar sarro da situação, balançando a mão direita como se ridicularizasse o julgamento que Itachi e Sasuke tiveram de Karin. – Ou, pior, uma garota que mora numa mansão imensa, diz que seus pais estão viajando, mas eles nunca ligam!
Itachi, honestamente, nunca sentira tanta vergonha na vida como ao ouvir os fatos colocados dessa forma. Naruto estava certo, era muito óbvio! Karin era uma cilada e fora por isso que Sasuke acabou sequestrado!
Naruto sequer conseguia acreditar no ligeiro rubor que tingia as bochechas pálidas e machucadas de Itachi. A vontade de gargalhar era imensa, mas ele não fez isso. Apenas se permitiu um ligeiro riso de contentamento, levando uma das mãos até a nuca, que coçou um pouquinho encabulado.
_ Diz que não, vai? – disse Naruto encabulado e Itachi se virou para encarar o outro. – Se não só eu vou ficar me achando o único idiota desse hospital!
Itachi quis bater no idiota do Uzumaki! O pirralho lhe fez pensar que ele agiu como um idiota de marca maior, sendo que ele também não havia cogitado essa possibilidade!
Palhaço!
O mais novo riu um pouco, divertindo-se com as feições de incredulidade que Itachi deixara passar de sua tentativa de estoicidade. Por algum motivo, sabia que com ele Itachi parecia perder a habilidade de esconder as emoções. Foi o próprio Kakashi quem pontuou isso há alguns dias, e Naruto não pôde deixar de concordar.
Ele realmente sabia domar Uchihas! Era um talento nato!
_ Desembucha de uma vez! – Itachi ordenou, agora um pouco mais calmo com a situação em si. Se o loiro já estava a par daqueles acontecimentos, então não havia nada de muito mais grave que ele poderia falar.
_ Você não manda em mim! – o outro rebateu, detestando ser ordenado por Itachi. – Quem precisa de quem aqui!? Hein?
_ Sasuke! – Itachi respondeu, elevando o tom de voz e ascendendo os olhos rubros pela primeira vez naquele dia. – Sasuke precisa de nós! Se você não cooperar, vai ser difícil!
_ Eu estou tentando cooperar aqui, senhor olhos-do-capeta! – Naruto respondeu; Itachi girou os olhos pelo apelidinho infame. – Só que você 'tá perdendo a paciência toda hora.
_ Então fale e para de me alugar! – ele rebateu, sentindo-se estranhamente infantil em dizer isso, mas não conseguindo se controlar.
O Uzumaki lhe dava nos nervos! Simplesmente era impossível ignorá-lo e ele tentava com afinco isso, mas não dava! Isso era incrivelmente revoltante!
Naruto fez um ruído de impaciência com a garganta, mas decidiu que não deveria continuar discutindo, não queria ser mandado para fora do hospital e Jiraiya era conhecido por cumprir suas promessas. Ficou de pé a fim de alcançar algo no bolso traseiro de sua calça, retirando de lá o cartão que Karin lhe entregou no dia do sequestro de Sasuke.
Estendeu-o para Itachi, que o agarrou sem o mínimo de delicadeza e leu o seu conteúdo.
_ Karin Uzumaki?
Itachi olhava para o pedaço de papel em suas mãos, incrédulo. Como Karin tinha o mesmo sobrenome que Naruto? Bom, claro, aquilo não era um documento oficial, era um mero cartão de visita, mas ainda sim...
_ Itachi, entenda: você não foi o único que foi tirado do berço e se tornou uma experiência científica.
A voz que soara não foi a de Naruto e sim a de uma nova pessoa que entrou no quarto sem que os dois presentes se dessem conta. Itachi, esquecendo-se completamente de sua condição e não dando a mínima para a dor que sentiria, virou a cabeça e encarou a porta. Karin estava lá, sorrindo com certa confiança.
Ela se aproximou da cama, caminhando até ficar ao lado de Naruto e o beijando no rosto logo em seguida, abraçando-o por trás enquanto ambos olhavam com curiosidade para o Uchiha, aguardando uma reação.
_ Quem... Quem é você?
Itachi não era tolo. Naquele momento já estava bem claro que Karin não era quem dizia ser, e que tinha uma grande participação em tudo isso. Esse, muito provavelmente, era o real motivo por ela ter permitido a entrada de Sasuke em sua casa (apesar de que ele não desconfiava, em nenhum momento, do interesse passional que a ruiva tinha em seu Sasuke).
Se Karin fosse mesmo uma Uzumaki, Itachi acabara de formular uma teoria: Todos os Uzumakis o irritam e querem o seu Sasuke. Malditos!
_ A família Uzumaki também teve uma criança que foi retirada do seu convívio, assim como você foi tirado da família Uchiha. – ela falou, retirando os óculos e observando Itachi pela primeira vez sem as lentes.
Ele parou de respirar momentaneamente, não acreditando no que via: apesar de só ter visualizado a garota à distância, ele já percebera que ela tinha uma coloração um pouco avermelhada em seus olhos, mas como a cor não mudava de intensidade, e como seria extremamente absurdo pensar nessa possibilidade, Itachi nunca suspeitou que ela pudesse ter algum tipo de ligação com toda aquela bagunça!
Mas os óculos... Os óculos escondiam a realidade dos seus olhos. Eles eram muito mais avermelhados do que o de Itachi, ainda mais luminosos, talvez pela cor natural que Karin tinha antes do início dos efeitos colaterais. Isso demonstrava que ela teria olhos claros se não fosse pela maldita proteína em seu organismo.
_ Mas como? – Itachi inquiriu à garota. Ela ainda abraçava Naruto, o qual não parecia perturbado com aquela aproximação. – Eu nunca te vi no QG!
_ Claro que não, Madara não sabe da minha existência.
Itachi sentia seu coração bater mais forte e Naruto parecia se divertir ainda mais com sua confusão mental e emocional. Raposa perversa!
Céus, cadê o sentido nisso tudo?
_ Karin é minha irmã, Itachi-bastardo. – Naruto complementou a informação, ganhando mais um olhar assustado de Itachi. – Nós fizemos os testes pra comprovar, ela é mesmo minha irmã de sangue. Ela é a nossa infiltrada na base do Orochimaru.
Depois de vários segundos de um silêncio mortal, Itachi não se aguentou e gargalhou alto, parando alguns instantes depois em virtude da dor fenomenal em seu abdômen. Naruto e Karin riram em conjunto, os dois se aproximaram um pouco mais de Itachi, que agora regularizava sua respiração e nem tentava esconder o sorriso de seus lábios.
Eles tinham um trunfo. E um trunfo dos grandes!
Itachi arriscou mais um olhar para o Uzumaki e viu o sorriso radiante que ornamentava os lábios do outro. Ao que parecia, sim, Naruto ainda era mesmo capaz de sorrir daquele jeito mesmo após descobrir toda a verdade. Alguma parte dele dizia que era melhor deixar o assunto terminar por ali, mas a maior parte dele precisava de uma certeza.
Ele precisava saber de uma última coisa.
O Uchiha parou de rir e Naruto ergueu a sobrancelha, ainda mantendo um sutil sorriso em seu rosto, que aparentava muita calma. Acima de tudo: o olhar que Naruto lhe dava não era como se estivesse vendo algum parasita ou qualquer coisa do tipo. O olhar do Uzumaki não mudou em nenhum momento.
_Você não está bravo comigo pela morte dos Uchiha ou pela minha relação incestuosa? – ele não pôde deixar de questionar, sabendo que não era muito seguro tocar naquele assunto novamente.
Entretanto, ele precisava saber. Inevitavelmente as lembranças ameaçaram vir a tona novamente, mas Itachi as bloqueou como pôde. Ele já bancou o fraco na frente de um Uzumaki naquele dia, não precisava passar por aquilo na frente de outro! Especialmente um que desejava o seu Sasuke, se é que algum dia Sasuke voltaria para ele.
_ Porque o Sasuke... – ele odiou em como seu tom de voz pareceu oscilante. – ... pareceu furioso.
Naruto sequer vacilou.
_ Sasuke não é seu irmão, é meu irmão.
_ Tecnicamente...
_ Não me importa a ciência aqui, Sasuke é o meu irmão e eu sei disso, então cale a boca e seja um bom cunhado. – Naruto lhe interrompeu, um pouco irritado com a tentativa de Itachi de tirar o seu título de "irmão". Pff, existiam laços muito mais fortes do que sangue, Itachi um dia se daria conta disso. – E sobre a morte dos tios Fugaku e Mikoto... Bom, eu ainda quero falar sobre isso com você, mas eu sei que não é de toda culpa sua nisso. Eu sei perfeitamente tudo que você passou na Akatsuki e sei que você não sabia do parentesco e não sabia como era errado matar outras pessoas.
Itachi ficou quieto, trocando olhares intensos com Naruto e não acreditando em como o loiro o compreendera tão facilmente. Ele sequer precisou explicar tudo! Observou Karin, que soltara Naruto e estava bem próximo de si, analisando seus olhos com profissionalismo ao colocar seus óculos novamente, parecendo entender a particularidade da coloração de sua íris de uma maneira que apenas Orochimaru entendia.
_ Eu sei o que eles faziam com você, Itachi. – ela disse e, satisfeita com o brilho do olhar de Itachi (e, consequentemente, com a quantidade de proteína em seu corpo) se afastou um pouco, sorrindo com compaixão. – Eu faço parte das pesquisas do Orochimaru, sei sua ficha médica de cabeça e sei dos experimentos de Madara com você.
_ Você é leal a Orochimaru? – ele não pôde deixar de questionar, agora um pouco apreensivo com essa possibilidade. O inimigo direto não era Orochimaru, mas ainda sim não adiantava nada derrotar Madara e deixar Sasuke ficar na posse de outro criminoso.
_ Eu era, Orochimaru me criou como filha. – ela respondeu com sinceridade, e Naruto deixou uma expressão de repulsa contornar as suas feições. – Mas quando ele envolveu Sasuke... Eu não pude...
_ Ela é leal ao Teme, Itachi. – Naruto complementou. – E ela também não quer que eu me ferre nessa história. Ela até me explicou que me demitiu do supermercado quando descobriu que éramos irmãos porque não queria que eu me envolvesse nessa confusão.
Certo, eu não estava tão louco de sentir ciúmes dessa garota então. – foi o pensamento imediato do Uchiha.
_ Eu também demorei um pouco pra descobrir a ligação de sangue que eu tinha com Naruto, não sabia nada sobre a minha família de berço, apenas que eu fui separada dela. – a ruiva complementou as palavras de Naruto, agradecendo o auxílio no discurso com um aceno de cabeça – Como você, eu também estava encarregada de vigiar Sasuke, mas com outros propósitos. Contudo, isso não é história para o momento, porque eu quero te perguntar uma coisa importante.
Itachi queria saber detalhes sobre todo o plano de Orochimaru, mas sabia que teria que cooperar também para que recebesse essas informações. Por isso, encorajou a garota a prosseguir em seus questionamentos, sabendo que em breve também adquiria informações sobre a cobra duas-caras chamada Orochimaru.
_ Madara estava te submetendo a experimentos que Orochimaru intitulava como "lavagem cerebral". – ela tomou novamente a postura de profissionalismo, empurrando os óculos para mais próximos dos olhos, pois esses escorregaram para a ponta de seu nariz. Itachi e Naruto ouviam tudo com atenção, curiosos com o rumo da conversa. – Eu era muito pequena, mas me lembro vagamente de algum deles e tive acesso aos resultados da época. Entendi que ele estava tentando condicionar o seu comportamento de alguma forma, a agir como alguém que ele um dia conheceu, para tal utilizando-se de memórias falsas e sintéticas, que eram inseridas em sua mente durante horas e horas de sessões científicas extremamente dolorosas e traumatizantes.
_ Como você pode confiar tanto tempo num homem que fazia essas coisas!? – Naruto inquiriu, olhando para os dois à sua frente sem saber ao certo para quem questionar essa dúvida.
Ah, vale pros dois! – refletiu Naruto por fim.
Karin e Itachi, dessa vez, trocaram olhares breves e entenderam o que se passava na mente do outro. Itachi finalmente sentiu que alguém compreendera a sua união com Madara, porque muito provavelmente Karin sentira o mesmo por Orochimaru.
Mas mesmo desejando conversar com a garota e sanar essa dúvida, ela voltou a assumir a postura profissional e ignorou sumariamente a acusação implícita que Naruto fizera contra Orochimaru, sabendo que se desejava salvar Sasuke precisaria de mais informações que só Itachi Uchiha poderia fornecer.
_ A pergunta é a seguinte: Quem era a pessoa que Madara queria que você se tornasse?
O moreno abaixou o olhar, detestando se lembrar que Madara apenas amou o seu parasita e jamais ele, o hospedeiro. Decidido que não fazia mais o menor sentido esconder isso de seus novos aliados, Itachi, mais uma vez, respirou fundo e começou a falar.
(***)
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I tried to love you, I thought I could
I tried to own you, I thought I would
I want to peel the skin from your face
Before the real you lays to waste
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Tentei te amar, achei que podia
Tentei te possuir, achei que conseguiria
Eu quero arrancar a pele do seu rosto
Antes que a verdadeira face seja desperdiçada
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Por mais que recusasse admitir isso, tudo que ocorreu entre ele e Itachi o decepcionou demais. Durante muito tempo, anos, Madara teve a completa certeza de que Itachi seria um bom substituto; ele tinha o perfil, além de uma aparência semelhante. Madara sabia que em algum ponto da vida em conjunto dos dois, ele quase se esqueceu de seu amor anterior por causa de Itachi. Ele passou a gostar dos momentos em que o mais novo agia como uma criança, como verdadeiramente era, e não como era condicionado a agir por causa dele.
Na verdade, naquela época Madara até mesmo cogitou deixar tudo o que sentia por seu amor anterior de lado e viver somente com Itachi e com o que o garoto poderia lhe oferecer, sem tentar forçá-lo a ser quem não era. E o motivo disso era muito simples: ele estava... feliz.
Ele amava as pequenas birras do Itachi, ou a maneira como ele era sedento por sexo (bem mais do que seu antigo amor, se é que isso era humanamente possível), tal como amava os momentos em que ele vinha à tona. Ele estava aprendendo a amar o filho mais velho de Fugaku. Ou talvez se acomodando, era difícil dizer.
Mas quando Itachi se rebelou por causa da missão envolvendo o assassinado de Fugaku e Mikoto, Madara se deu conta de que jamais poderia ter algo exclusivamente com Itachi. Ele não concordava com seus ideais, ele ainda agia como um adolescente rebelde e insensato, ao ponto de levantar a voz para ele e desafiá-lo com a maior audácia que já havia visto na vida. Nem Orochimaru o enfrentou daquele jeito.
Naquele momento, Madara soube que se estava sentido algum sentimento por Itachi, deveria parar ali mesmo. Não podia, Itachi teria que se eliminado daquele corpo; ele era uma ameaça. Todo o condicionamento comportamental já estava feito, e em noventa por centro do tempo Itachi tomava as decisões que ele tomaria. Itachi era o renascimento dele, era uma experiência muito bem sucedida!
Ele achou que conseguiria controlá-lo novamente, por tudo de volta no lugar. Os anos em que permitiu que a personalidade de Itachi fosse exteriorizada nada mais seriam que um tenebroso inverno, e Madara conseguiria contornar. Ele tinha certeza disso.
O seu irmãozinho pareceu cooperar no início, talvez um pouco a contragosto, era verdade, mas era o suficiente para Madara. Ele estava feliz novamente, até confiou à missão de Sasuke para Itachi.
E seu Otouto o decepcionou, mais uma vez. As sessões de nada adiantaram: Itachi amou Sasuke, o traiu, o enganou, mentiu descaradamente para ele, sem nenhuma vergonha do que fazia. Era bem filho do pai mesmo, nem tinha como negar o maldito sangue de Fugaku correndo em suas veias.
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You told me I'm the only one
Sweet little angel, you should have run
Lying, crying, dying to leave
Innocence creates my hell
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Você me disse que eu era o único
Pequeno doce anjo, você deveria ter fugido
Mentindo, chorando, ansiando por partir
A inocência criou meu inferno
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Ele tinha como começar todo o experimento do zero com outra cobaia, mas teria que ser uma criança para que a chance de dar certo fosse grande. Fora que com o fracasso da primeira tentativa, ele não tinha tanta certeza de que conseguiria condicionar bem o suficiente para fazer o novo experimento agir 100% como ele, isso sem levar em conta o fato de que quando a criança já tivesse a idade certa Madara já estaria com uma idade avançada.
Ele não podia mais perder tanto tempo de sua vida com isso. Por isso, iria usar a segunda alternativa com Sasuke. Não era o que ele queria, mas era uma boa fuga. Um momento de alegria no meio de um mar de sofrimento.
Era o bastante.
_ Itachi... Vem logo! – Sasuke choramingou, arrancando uma risadinha baixa de Madara.
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Cheating myself, still you know more
It would be so easy with a whore
Try to understand me, little girl
My twisted passion to be your world
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Enganando a mim mesmo, você sabia mais que eu
Isso seria bem mais fácil com uma prostituta
Tente me entender, garotinha
Minha paixão doentia será o seu mundo
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Então o garoto via Itachi, que ironia.
A droga funcionava da seguinte forma: a alucinação fazia memórias relacionadas a dor e ao sofrimento ficaram apagadas na mente do usuário, enquanto as boas memórias eram trazidas à tona. Sasuke muito provavelmente esqueceu toda a situação degradante que acabara de acontecer entre ele e Itachi, mas se lembrava dos momentos felizes que os dois tiveram.
Se Sasuke via Itachi no seu lugar, provavelmente significava duas coisas: ou ele estivera realmente apaixonado por Itachi antes de tudo isso acontecer e agora retomava aquele sentimento passado e superado, ou ele jamais deixara de sentir o que estava sentido agora, mas a mágoa abafava a paixão.
Madara não se importava com o que se passava na cabeça do Uchiha. Na verdade ele sabia que a probabilidade de Sasuke ver Itachi nele quando a droga fizesse efeito era grande, e isso podia ser usado em seu favor. Era até mesmo algo bom!
Decidindo que de nada adiantava ficar apreciando seu rosto abatido no espelho do banheiro, Madara arrancou o elástico que prendia de qualquer jeito o seu cabelo rebelde e jogou na pia. Abriu o botão e o zíper de sua calça, retirando-a com velocidade e um pouco de impaciência, arrancando sua roupa íntima no processo.
Sentia que seu coração batia mais forte e a sensação de leveza o atingia certeiramente, o que indicava que dentro de pouco tempo estaria completamente rendido à droga; precisava ser rápido. Abriu a porta do boxe do banheiro e ajoelhou-se no chão, próximo de Sasuke, olhando em seus olhos. O garoto parecia radiante, extremamente feliz e satisfeito.
A droga "Tsuki no Me" era um sucesso! Seu peito se encheu de orgulho de sua mais nova criação. E dentro de instantes ele também estaria sentido toda aquela alegria, mal podia esperar!
_ Itachi... Eu... – Sasuke não conseguiu finalizar sua fala, pois Madara colocou um de seus dedos nos seus lábios, o impedindo de formular mais uma palavra.
_ Sasuke, me chame de Nii-san e eu vou te chamar de Otouto... Ok? – murmurou com carinho, acariciando os cabelos molhados do rapaz.
Sasuke piscou algumas vezes, pendendo a cabeça na lateral, tentando encontrar algum sentido no pedido que acabou de receber.
_ Por quê? – ele questionou, um pouco perdido. Madara constatou que se lembrar do significado da terminologia "Nii-san" e "Otouto" era algo ruim na memória de Sasuke, e ele havia esquecido, assim como esquecera que Itachi era seu irmão.
Isso era bom, poupava explicações.
_ Porque eu quero. – respondeu, abaixando os joelhos de Sasuke e fazendo-o esticar as pernas para frente no chão gelado de azulejo.
Madara sentou do lado de Sasuke e antes que o garoto pudesse reclamar de qualquer coisa, o pegou no colo, colocando-se de pé sem esforço algum ainda com ele em seus braços. Chutou de qualquer jeito a porta do boxe, e o levou para a banheira que já estava com água pela metade.
Sasuke não reclamava, muito pelo contrário: circundava os braços em seu pescoço, deixando suspiros satisfeitos escaparem enquanto se agarrava cada vez mais nele, sentindo-se seguro e satisfeito.
O mais velho, por sua vez, entrou na banheira junto com o garoto, sentando-se no fundo e quase gemendo com a sensação deliciosa da água quente em sua pele. Ela já estava quase em seu umbigo e já o esquentava consideravelmente. Sasuke, por sua vez, não prendeu os ruídos de sensação, gemendo dengosamente quando foi depositado com cuidado na água aquecida de tal forma que até saia uma leve fumaça de sua superfície.
_ Isso é tão bom... Onde estamos? – ele perguntou um pouco grogue, olhando para "Itachi" à sua frente e apreciando o sorriso sacana em seus lábios.
Uma ereção começava a se formar em seu baixo ventre, mas não era sua culpa! Aquela situação favorecia demais a sua libido. Seu corpo sentia falta de Itachi de um jeito completamente surreal e não havia nada Sasuke pudesse fazer para impedir que agisse daquela forma. Ele queria, e o outro também parecia querer.
_ Isso importa? – Madara respondeu, puxando Sasuke para próximo de si e beijando seus lábios sem qualquer resistência. É, estava na cara que não importava. Ainda mais quando Sasuke retribuiu o beijo com fervor, subindo acima de seu colo e unindo ambas as ereções em formação.
Madara gostou do beijo de Sasuke. Era diferente do de Itachi, mais suave, mas ainda sim viciante; Sasuke mordia menos, mas gemia bem mais. Aproveitou os poucos segundos que ainda tinha de consciência beijando o garoto, pensando que talvez pudessem experimentar aquilo sem drogas algumas vezes. Porque ele sabia que tudo iria mudar em breve.
Em breve, não seria mais Sasuke quem estaria em seu colo. Em breve, tudo aquilo não passaria de um sonho absurdo, e uma nova realidade o invadiria sem deixar vestígios. Em breve, tudo estaria perfeito.
[Madara]
.
E, de fato, tudo mudou.
Em meio ao beijo, eu senti uma nova técnica. Muito provavelmente Sasuke não havia mudado a forma de beijar, mas o meu corpo sentia o que queria sentir. Eu sentia o beijo dele.
Porque eu nunca esqueci a forma como ele beijava...
Dessa vez não consegui me controlar e gemi satisfatoriamente enquanto enterrava minhas mãos no cabelo daquele que me beijava tão fervorosamente. O cheiro dele invadia minhas narinas, o gosto de seus lábios agora era perceptível, até mesmo o timbre de sua voz era captado em meio aos suspiros e pequenos múrmuros que ele deixava escapar.
Interrompi a união de lábios depois de quase um minuto, estava ofegante e precisava respirar. Ainda de olhos fechados, agarrei com possessividade a cintura da pessoa que sentava sem pudor algum em meu colo, ele era meu! Estava com tantas saudades, tanta vontade, tanto desejo... Os anos haviam se passado, mas eles não ajudaram em nada para que eu esquecesse aquela paixão intensa. Minha ansiedade por vê-lo não diminuía nem um pouco, e o fato de que tudo aquilo não passava de uma alucinação nem me perturbava mais. Eu esquecia, segundo a segundo, desse pequeno detalhe sórdido – e isso era um bendito efeito da droga no meu organismo.
Foda-se, se precisasse tomaria "Tsuki No Me" todo santo dia. Só para tê-lo novamente em meus braços.
Abri os olhos finalmente, encarando agora a íris negra e sapeca que há tantos anos não via. Fiquei totalmente sem fôlego, porque meu peito inflava com tanta alegria que eu não sabia se caberia oxigênio dentro de meus pulmões. Há quantos anos eu não me sentia assim?
Notei vagamente que minha visão embaçava e pisquei rapidamente para que continuasse a apreciar aqueles traços tão belos que eu nunca esquecera. Os olhos dele eram um pouco maiores que os meus, apesar de tão negros quanto; sua pele era levemente mais clara, agora com as bochechas coradas pelo calor; os lábios um pouco mais carnudos que os dos demais Uchiha, mais convidativos, mais pecaminosos; seus cabelos eram menos rebeldes; seu cheiro mais suave, adocicado; sua pele mais macia... Tudo nele era perfeito. Tudo!
_ Por que está chorando Nii-san? – ele perguntou, levando a mão gentil até a minha face e limpando as lágrimas que escorriam de minhas pálpebras; e olha que eu não sabia que ainda era capaz de chorar.
Peguei sua mão macia e a beijei brevemente antes de puxar todo seu braço, para que ele viesse para mais perto de mim, e ele não protestou em nenhum momento. Quando meus lábios já estavam próximos o suficiente de seu pescoço, não me contive e passei a desferir beijos estalados em toda sua pele que estivesse em meu alcance.
Céus, não havia nada mais delicioso do que isso.
Ele riu, e eu tive a certeza de que esse foi o som mais perfeito que ouvira na última década.
_ Isso faz cócegas! – protestou entre o riso, tentando puxar o corpo para longe.
Por óbvio o impedi antes que ele conseguisse fugir de meus braços. Afinal, tinha certeza que não desgrudaria dele nos próximos dias nem para ir ao banheiro. Era impossível pra mim, o medo de que ele sumisse novamente era grande demais.
_ Eu senti tanto a sua falta...! – murmurei, ainda com os lábios sobre o pescoço do meu amor, beijando-o em seguida e sugando a pele já bastante judiada pela minha boca, completamente perdido na mais pura fantasia. – Tanto...!
Será que era tão possível entrar num grau de felicidade tão grande que seu peito chegaria a doer? Eu me sentia na beira da morte, apesar de saber que aquela pessoa era a minha vida particular.
E como eu aguentei tantos anos sem ele?
[Sasuke]
.
Itachi chorava enquanto me beijava, eu sentia as lágrimas escorrendo de meu ombro, misturando-se as gotículas de água do chuveiro que ainda se encontravam em minha pele. Ele parecia feliz apesar disso, murmurando elogios e suspirando satisfatoriamente.
Pra mim era o paraíso! Nunca me senti dessa forma com Itachi, pois em nenhuma das outras ocasiões em que namoramos ele parecia se soltar dessa forma e liberar tantos sentimentos. Nesse instante, ele era um poço de sentimentos, e apesar de eu não entender o que desencadeou tudo isso, não seria eu o louco de reclamar!
O abracei, arranhando um pouco de suas costas sem querer ao puxá-lo para mim. Eu o desejava mais próximo de mim, além do que a própria física permitia, e ele parecia compartilhar do meu pensamento, também me abraçando mais forte. O seu cheiro de cigarro de canela se sobressaía àquele cheiro enjoativo de jasmim, e eu dava graças a Deus por isso; o outro cheiro era brochante.
Ele era especial para mim, tinha que ser apreciado com exclusividade!
Percebendo que a água já estava quase na superfície da banheira, eu o vi se mover rapidamente, alcançando a torneira e fechando-a em seguida, antes de apertar um botão que ligou a hidromassagem. Os sais de banho agora formavam uma espuma que crescia na água, enquanto eu ria um pouco mais por causa da massagem causada pelos jatos de água.
Assim como eu gostava de vê-lo transbordando emoções, ele parecia gostar de me ver rir.
_ Eu te amo. – Itachi falou, agora mordendo com um pouco de possessividade a minha clavícula, me fazendo suspirar de dor e satisfação pelas palavras que acabei de ouvir. Será que podia ficar melhor do que isso? – Não me deixe mais!
O pedido soou estranho. Quando foi que eu deixei Itachi? Na verdade, eu sequer conseguia me recordar quando a gente começou a ficar junto! Mas isso não importava agora, quem sabe eu estivesse embriagado demais pelo seu cheiro e seus beijos pra conseguir pensar em algo como aquilo, né?
_ É claro que não! – respondi, para reconfortá-lo um pouco. Agarrei os seus cabelos e o puxei para mais próximo de mim, iniciando um contato visual intenso enquanto me movia um pouco sobe seu colo, friccionando ainda mais as ereções agora completamente excitadas. – Eu também te amo, nunca vou te deixar!
_ Otouto… – ele murmurou o apelido estranho em meu ouvido, e o tom de voz utilizado pra falar aquela palavra me sentir borboletas de ansiedade no estômago. Ele podia me chamar do que quisesse, desde que continuasse a utilizar aquele tom de voz.
Para mim, ouvir Itachi falar comigo com tanta paixão e devoção era um completo afrodisíaco. Já tivemos algumas noites de sexo e paixão, mas amor? Amor parecia ser a primeira vez, pelo menos daquela forma tão escancarada. Eu queria muito me sentir desejado desta forma, porque era desta forma que eu o desejava.
Sentir seu sentimento retribuído dessa forma não tem preço. Eu estou tão feliz!
Eu também Sasuke, eu também! Nem vou pedir comando hoje, prefiro só apreciar.
Hum... É, até que não é de todo ruim. Também vou ficar na minha.
Significa que você também está feliz, parcela mental chata?
Não pense asneiras, veadinho.
[Madara]
.
Agora que o choque inicial parecia passar, eu enxergava bem o que estava acontecendo.
Ele estava ali comigo, no meu colo, se movendo de maneira impudica, me desejando como eu o desejava. Ele não ia sumir mais, ia ficar comigo para sempre! E não era apenas as risadinhas singelas que demonstravam sua aparente "animação".
_ Nii-san... – ele murmurou, sua boca bem próxima a minha, mordiscando meu lábio inferior e fugindo do beijo que eu tentei dar nele. – Eu estou com saudades de outras coisas também.
Eu sorri, soltando as mãos de sua cintura por uns instantes e buscando algumas espumas na superfície da água, colocando-as na cabeça dele e deixando-o com uma expressão ainda mais adorável. Pervertido e adorável, era possível essa combinação?
Era sim... Ah... Muito possível!
Ele me mostrou a língua, provavelmente lendo minha mente e sabendo que eu estava considerando-o fofo em minha mente. Ele sempre detestou que eu o chamasse de qualidades que, na sua opinião, não eram nada masculinas. Mas não importava quantos anos passassem, pra mim ele sempre seria o mais doce dos garotos que já tive o prazer de conhecer. Talvez sua doçura que me fizera me apaixonar por ele...
Mas eu preferia pensar que era o tipo de paixão destinada do útero, literalmente.
_ Eu vejo que você está com muitas saudades mesmo. – respondi, levando minha mão direita até sua ereção e agarrando-a com delicadeza, mas iniciando uma carícia cada vez mais rápida. A água estava repleta de sais de banho, deixando-a mais escorregadia, fazendo nossos corpos deslizarem um contra o outro com facilidade e pouco atrito.
Se estivéssemos sem isto na água, provavelmente ele estaria reclamando de dor pela velocidade da masturbação que eu fazia em seu membro, mas graças aquela água calibrada com tantos afrodisíacos ele gemia sem pudor algum. Buscou meus lábios, me beijando de maneira dominante enquanto eu acelerava cada vez mais a carícia.
_ Humm... Estou... – ele respondeu ofegante, tentando segurar meu braço e me fazer parar. Eu sentia que ele estava próximo do ápice, e sabia que isso decorria da afobação que ele sentia.
Ele não era o único que se sentia assim.
_ Ah... Droga… Assim não! – ele implorava para que eu parasse, e em um determinado momento eu acatei sua súplica. Afinal, eu queria fazer isso tanto quanto ele desejava, então não havia porque nos poupar do prazer.
[Sasuke]
.
Itachi parou de me masturbar, e eu expirei com alívio. Seria completamente humilhante ejacular minutos após o começo da brincadeira, até ia parecer que eu tenho treze anos! 'Tá certo que todo o ambiente favorecia demais, e Itachi também estava muito atencioso aquela noite, mas ainda sim...
Tenho uma reputação a zelar, não é mesmo?
Sua reputação já foi pro saco quando você assumiu a posição de passivo nessa relação.
Não seja ridículo! Sasuke, nem escute esse idiota. E você, babaca, disse que não ia interferir!
Eu não ia! Mas porra, ele 'tá quase gozando com alguns minutinhos de punheta? Quantos anos ele tem, hum?
Ah, nem sei por que eu fiquei feliz com a volta de vocês...
Enquanto eu me perdia momentaneamente naquela discussão sem propósito algum, Itachi me levantou da banheira e eu senti o azulejo frio nas minhas nádegas e coxas, causando um arrepio em todo o meu corpo. Ele me colocou sentado na borda da banheira, e eu sentia um frio imenso ao ficar tão exposto na superfície daquela forma.
_ Ah não, aqui 'tá frio! – protestei, tentando voltar para água.
Contudo, Itachi segurou meus joelhos, abrindo-os e se enfiando no meio de minhas pernas. Nesse momento eu tive a completa certeza do que ele pretendia fazer.
_ Não seja tonto Outoto, sei que você aguenta bem mais que um simples frio. – ele respondeu, sorrindo aquele sorriso extremamente sexy que deveria ser totalmente proibido no mundo inteiro. Era um crime, hediondo ainda por cima! Eu podia morrer só em observá-lo sorrir daquela maneira... E eu sabia disso desde a primeira vez que tivemos aquele tipo de contato físico.
Isso só mostra que, até hoje, nada mudou. Bom, talvez tenha mudado sim: pra melhor.
_ Ni... Ahh!
Inicialmente ele apenas me torturou, me provocou: lambeu a glande do meu membro com uma lentidão excruciante, prendendo minhas coxas contra a superfície onde eu estava sentado com força, de modo que eu não conseguiria me mover para forçá-lo a receber mais de mim dentro de sua boca.
Ao mesmo tempo em que eu odiava aquela tortura, eu não conseguia deixar de olhá-lo: era totalmente excitante o que ele fazia, sem sequer piscar. Ele me devorava com o olhar enquanto apenas me lambia, mas depois de muita tortura me devorou com sua boca. No momento em que seus lábios se fecharam contra a cabeça de meus pênis, eu achei que iria desmaiar. O sentimento que tinha toda vez que ele me sugava com força era absurdo; ele não estava sendo gentil!
Mas quem disse que eu queria gentilezas?
_ Ita... – me refreei, engasgando ao perceber que quase acabara de dizer seu nome. Por algum motivo ele não queria ser chamado daquela forma naquela noite, e eu iria realizar o seu pedido.
Ele acelerou mais o sexo oral, me recebendo cada vez mais fundo em sua garganta, fazendo um movimento de sucção que liberava sons lascivos pelo ambiente.
Pra variar, ele agia como um pervertido completo e sem conserto e estava me transformando em um pior ainda. Enquanto a estimulação continuava, eu fantasiava. Sonhava acordado com o que faríamos daqui alguns minutos, imaginava as posições mais absurdamente prazerosas que eu poderia compartilhar com Itachi e tudo que eu poderia fazer para deixá-lo louco.
Eu queria fazer com que ele perdesse o controle, assim como ele fazia comigo naquele momento!
_ Nii-san... Eu...
Eu choramingava enquanto ele gemia, e a vibração de seus gemidos faziam meu pênis pulsar e minha cabeça latejar. Algo que eu fazia o deixava excitado, talvez fosse a forma que eu cravava minhas unhas em seus ombros, era difícil dizer. Mas agora ele rosnava de prazer, se movendo para frente e para trás; em um dado momento me tirou de dentro de sua boca apenas para sorrir de maneira sarcástica.
Tenho certeza que eu corei pra valer naquele momento. Maldito e delicioso Itachi... Urgh.
_ Não se segure, quero ouvir suas palavras. Quero que você não tenha vergonha de dizer que é meu. – logo em seguida, voltou a me envolver por completo sem me dar qualquer chance de responder.
Gemi alto, agarrando seus cabelos e o forçando para receber mais de mim, e ele não pareceu ligar. Pelo contrário, suas pupilas dilataram ainda mais pelo êxtase, e ele não parava de me encarar.
Isso... Isso era... Absurdamente quente.
_ Ahh... D-deus... Eu, e-eu... – eu tentei avisá-lo, porque apesar de ele nunca ter reclamado quando eu... hum... chegava no meu limite sem avisar, eu não queria estragar o clima com algum inconveniente.
Mas é lógico que ele não me deixou avisar, porque ele simplesmente ama me contrariar, e por isso levou uma das mãos até a minha boca, me impedindo de falar. Tsk, nem sei se eu ia conseguir formular alguma frase mesmo.
De qualquer forma, eu não sabia se ele entendeu ou não o meu recado, mas o filho da puta definitivamente não me deu chances de defesa! Sem que eu percebesse, ele moveu a outra mão até a minha virilha, descendo mais e mais. Puxou minhas pernas para dentro da banheira, me obrigando a me apoiar na borda com as mãos, e assim conseguiu um acesso para poder tocar "naquele" lugar. Ainda continuou o boquete sensacional, mas eu senti um de seus dedos encontrar minha entrada e acariciar com força, arrancando qualquer vestígio de sanidade que eu ainda tinha.
Sem conseguir respirar, eu cheguei ao ápice. Minha visão se tornou turva, seu nome ameaçou escapar de meus lábios, mas a falta de fôlego me impediu de falar. E ele engoliu tudo, sem reclamar, deixando um som de apreciação escapar de sua garganta.
Em momentos como esses, eu não sabia quem era o mais pervertido: ele, por parecer gostar de me saborear daquela forma; ou eu, por simplesmente venerar quando ele fazia esse tipo de coisa... Itachi iria me levar pro inferno depois da morte, eu já tinha certeza disso.
Isso não é um problema Sasuke, tenho certeza que no inferno ainda dá pra ter sexo.
Uhum. E não consigo ver a população do céu fazendo isso. Talvez seja uma boa pedida.
Hereges!
Quem 'tá aí de perna aberta e sem fôlego é você, não a gente!
O forcei a parar de me sugar, e uma pequena gota de esperma escapou entre seus lábios. Rapidamente a recolhi com o meu polegar, mas ele não deixou que eu limpasse minha mão na água. Ele agarrou meu dedo e o levou à boca, chupando-o e fazendo aquele maldito gemido de quem 'tava gostando muito, enquanto ainda me olhava nos olhos de maneira totalmente libidinosa.
_ Pervertido! – Eu disse, mas apesar de ser um xingamento soou como um elogio. Sorri da maneira mais sacana que consegui, e ele pareceu satisfeito com isso. Parou de chupar meu polegar e correspondeu o sorriso, subindo acima de mim e aproximando-se dos meus lábios, lambendo-os com delicadeza.
_ Delicioso. – Itachi me elogiou e eu percebi naquele momento que não seria nem um pouco difícil de ficar excitado novamente. Isso se eu tivesse perdido a excitação no pós-orgasmo, porque do jeito que a situação estava não parecia que eu amoleci sequer por um seguindo.
Culpa dele. Totalmente dele!
Itachi me puxou para dentro da banheira e colocou mais uma leva de malditas espumas brancas no meu cabelo (e eu nem havia percebido que as outras já tinham desaparecido), dessa vez deixando algumas na ponta do meu nariz. Mas que idiotice era aquela naquele momento?
Me enfezei um pouco, e quando abri os olhos encará-lo e protestar, ele riu com alegria.
_ Você parece um menininho assim. – o maldito disse. – Nem parece que acabou de fazer o que fez.
_ Você 'tá estranho hoje. – eu respondi, tirando a espuma do meu rosto. – 'Tá com alguma fantasia estranha, é?
Ele sorriu, cruzando os braços e se aproximando um pouco de mim.
_ Não é uma fantasia, é um fato. Você é um safado, mas ao mesmo tempo completamente adorável e inocente. É uma contradição que mais ninguém tem, só você...
Sasuke, ei, Sasuke!
O que foi?
Me deixe assumir!
Você não disse que ia ficar na sua?
Ahhh pare de ser chato! Eu sei o que fazer agora pra deixar o Itachi de boca aberta, eu sei que você não ia conseguir fazer.
Do que você está falando?
Me deixa assumir, você pode assumir de volta a qualquer momento não é? Então, o que custa tentar?
ISSO NÃO É JUSTO!
É sim! Você já teve a sua oportunidade aquela vez e fez merda, agora é a minha vez de brilhar, baby.
... Eu estou tão enojado que nem consigo retrucar.
Quem cala consente. Ok Sasuke, o que me diz?
Eu pensei bem nessa proposta, e me decidi que não faria mal tentar. Eu nem conseguia pensar num possível problema que pudesse acontecer... Pra mim, só coisas boas poderiam acontecer! O mundo era totalmente perfeito! O que podia dar de errado?
Pisquei, e agora quem estava no comando de meu corpo não era mais eu.
[Sasuke]
.
Eu estou no comando! Eu, euzinho!
Existe algo mais espetacular do que isso? Ah existe sim, o Itachi de braços cruzados, me olhando com aquela cara de safado que só ele consegue fazer e aqueles olhos cor de sangue, totalmente animalescos. Me olhando, me olhando! Não o Sasuke! Eu, eu, eu!
Bom, na verdade é o Sasuke, eu sou o Sasuke, mas... Ah... Não quero pensar!
Sem grandes cerimônias, me joguei em seus braços e o beijei, agarrando seus cabelos e praticamente escalando seu corpo numa tentativa de ficar ainda mais próximo dele. Sabe como é, por mais que eu esteja presente nesses momentos e sinta tudo que o Sasuke sente, é diferente estar no comando. É...
Ah. É tudo! É magia pura!
Estou ficando com dor de cabeça, para de se alvoroçar!
Invejoso recalcado!
Inveja de dar a bunda? 'Tá louco?
Nhe nhe nhe, vai lá chorar no cantinho vai. Tenho coisa melhor pra fazer. Beijo no recalque! FUI!
[Madara]
.
Ele mudou de comportamento repentinamente, ficando mais afobado por um contato físico do que antes. Me pegou desprevenido inicialmente, mordendo cada pedaço na minha pele que podia alcançar, beijando cada marca que deixava em meu corpo, me arranhando com força para manter minha pele sempre colada a dele.
_ Otouto? Mas... O que houve? – Eu questionei, segurando seus ombros e olhando em seus olhos brilhantes. Já o sorriso em seus lábios era tão radiante que eu acreditava que jamais o vira sorrir daquela forma.
_ Eu te amo! – ele falou claramente, levando as mãos até meus cabelos e me puxando para um beijo rápido, voltando a me encarar nos olhos depois que nossos lábios se desprenderam – Te amo tanto que não consigo me controlar!
Achei isso a coisa mais adorável que ele disse até o momento e o deixei agir por conta própria, curioso pela mudança de comportamento abrupta; definitivamente não me arrependi da escolha.
Depois de me deixar completamente arranhado e cheio de marcas, ele pareceu satisfeito, olhando meu corpo rapidamente como se apreciasse alguma obra prima. Riu, mergulhou na banheira e voltou a superfície com os cabelos totalmente molhados e cobertos de espuma, agarrando meu pescoço e lambendo os lábios enquanto me encarava com um olhar recheado de prazer.
Acho que eu jamais o observei tão devorável como nessa ocasião e senti meu próprio pênis pulsar em concordância.
_ Nii-san... – ele falou baixinho, bem dengoso, praticamente cantarolando. – Fica de pé pra mim?
_ Hum? – perguntei sem entender. Onde ele queria chegar com isso?
Ele sorriu, beijando de leve os meus lábios e pedindo mais uma vez, murmurando baixinho e docemente, fazendo uma cara de súplica completamente adorável... Parecia uma criança pedindo um brinquedo novo!
Honestamente, eu cheguei a me sentir num pedófilo naquele momento, mesmo sabendo que ele não era, não era mesmo, uma criança.
_ Por favoooor! – ele pediu, fazendo um beicinho de birra.
Ahhh... Tem gente que não sabe que quando se brinca com o fogo pode se queimar, né?
_ Se você continuar agindo assim eu vou desistir dessa banheira, te levar pra cama e te comer de um jeito que você jamais vai esquecer. – Declarei, com pouco fôlego, arrancando um leve rubor dele em resposta.
Puta merda, ele ficou ainda mais adorável. Que caralho!
_ Essa é a intenção, sabe? – ele respondeu, sorrindo de canto de boca e deixando bem claro que aquilo não passava de uma brincadeira pra me tirar do sério. O maldito me conhece bem! – Mas primeiro, fique de pé! Vamos!
Eu ergui uma sobrancelha em questionamento, mas quando ele lambeu os lábios obscenamente, piscando com lentidão, entendi o que ele queria. Como entendi!
E eu não seria louco de negar uma coisa dessas, não é?
[Sasuke]
.
Ele me obedeceu e ficou de pé, aleluia!
E, wow! Nessa perspectiva de visão, Itachi era ainda mais perfeito do que parecia quando eu não estava no comando. Dá pra entender porque o Sasuke nunca quer dividir! Acho que se eu fosse ele, ficaria com ciúmes também.
_ Você está me olhando como se nunca tivesse me visto assim antes. – ele interrompeu meus pensamentos, rindo um pouco da minha provável surpresa.
_ Ah, o que é bonito é pra se ver, né? – eu respondi, sorrindo brevemente antes de voltar aos meus... afazeres!
Agi por completo instinto: agarrei o membro de Itachi com as minhas duas mãos, como se minha vida dependesse disso, e não perdi tempo em iniciar um boquete que tenho a completa certeza de que seria i-nes-que-cí-vel para ele.
Porque o Sasuke pode até gostar de fazer isso, mas ele nunca admite! Quando a gente admite que isso é uma das sete maravilhas do mundo, o trabalho é feito com muito mais gosto! E um beijo pro puritanismo! Porque isso é algo que definitivamente não é a minha praia!
Deslizei uma de minhas mãos em seu pênis, mantendo a outra na base, até chegar bem na ponta. Encostei minha língua na cabeça, ganhando um suspiro do meu amor, mas não ia fazer ainda o que ele desejava, nananinanão! Deixei minha mão interferir em nossa união e tomei o meu dedo médio entre os meus lábios, sugando-o sem pudor algum enquanto ainda o observava nos olhos.
Seu olhar avermelhou ainda mais. Me senti extremamente capaz por arrancar esse tipo de reação dele.
_ O que você vai fazer? – ele me perguntou com a voz rouca, levando uma das mãos até sua ereção e passando-a despreocupadamente sobre os meus lábios, deixando bem claro o que desejava. Mas eu estava ocupado com outros planos, pelo menos por enquanto.
Quando considerei que meu dedo já estava lubrificado o suficiente, fiquei de quatro na banheira, apoiando-me no fundo com a outra mão e arrebitando meu traseiro da melhor maneira que conseguia, deixando-o totalmente fora da água. Itachi riu de uma maneira tão grave que quase pareceu um rosnado.
_ Me diz o que você vai fazer, safado. – ele ordenou e eu amei seu tom de voz.
A-m-e-i! Caramba, eu quase gozei só de ouvir!
_ Bom, eu não quero te deixar entediado Nii-san, então vou te dar duas opções para assistir. – respondi um pouco sem fôlego, desejando tirá-lo do sério o quanto antes. Detestava ser o único aqui quase gozando!
Ele ainda me observava com aquele olhar completamente excitante, e quando inseri meu dedo no meu próprio ânus e envolvi sua masculinidade com os meus lábios, ele não conseguiu se segurar e deixou um grande gemido escapar.
Logicamente isso ocorreu porque eu o acomodei até o fim, sem aquele maldito reflexo faríngeo que todo mundo possui. Sasuke possui, ele demora até conseguir acomodar Itachi totalmente sem desconforto.
Eu não, porque apesar de nosso corpo ser o mesmo, garganta profunda é uma arte para poucos.
...
Velho, você é pior do que eu pensava.
Você é quem vai levar a gente pro inferno, não o Itachi.
Quietos, porque o palco agora é meu!
_ AH! PORRA! – Ele gritou, agarrando meus cabelos quando eu, literalmente, o engoli. É, também não é todo mundo que consegue fazer isso, garanto que foi a primeira vez que ele sentiu esse prazer. – Ahhhh! Iz... Putz, você é foda...!
Eu ri ainda com ele em minha garganta, e acho que o sentimento foi demais para Itachi; no segundo seguinte, ele já agarrou meus cabelos e me forçou a continuar o boquete, agora era ele quem dominava o movimento, acelerando consideravelmente e enfiando cada vez mais fundo.
_ Puta merda! – ele gritou quando eu gemi e o chupei com força, eu pude sentir claramente o gosto de liquido pré-seminal. Acho que eu estava fazendo alguma coisa certa ali, não é mesmo?
Ah sim, você 'tá me matando de vergonha! É só isso que você sabe fazer certo, sua borboleta purpurinada.
Nhe nhe, recalque, recalque, recalque!
Eu ergui o olhar, encarando-o com desejo enquanto deixava ele me usar como bem entendesse, nada me traria mais prazer do que isso naquele momento. Eu sabia que Sasuke seria idiota...
Hey!
... e teria ciúmes do Itachi depois que tudo acabasse, e não me deixaria mais participar tão ativamente. Talvez aquela fosse a minha única experiência com o meu amado, então o quanto mais intenso fosse pra ele, melhor.
Ele estava sentindo muito prazer, isso era fato. Me observava com os dentes cerrados, os olhos entreabertos, respirando com força e, eventualmente, deixando a cabeça cair para trás enquanto murmurava algum palavrão seguido de um elogio. E eu me sentia tão excitado com isso que nem sentia dor com a preparação que fazia.
Mesmo só tendo lubrificado um dedo, eu já havia inserido o segundo dentro de mim, e como aquela água estava totalmente repleta de sabão não foi nem um pouco difícil. Itachi às vezes olhava para o meu ânus, às vezes para minha boca, não parecia se decidir o que trazia mais prazer para si. Vê-lo perdido daquela forma fez valer a pena todos aqueles anos de prisão na mente de Sasuke.
_ Pare, pare! Pare agora! – ele tentou me impedir de continuar, mas ahhhh... ahhh 'tá bom que eu ia parar né? Heh!
Eu também gosto de um banquete de vez em quando, ou um bukkake (3), mesmo que de uma fonte só.
EU VOU TE MATAR SÓ POR PENSAR NISSO!
VOCÊS NÃO PODEEEEM! NANANANANA!
Itachi, sabendo que acabaria arrancando meus cabelos se continuasse a me forçar a parar, se rendeu e permitiu que eu o estimulasse até o fim e provasse o delicioso gosto do seu esperma poucos segundos depois. E se alguém ainda chamava o hidromel de néctar dos deuses, estava totalmente equivocado.
Bom, aí ele fez aquela coisinha que eu a-d-o-r-o! Me pegou no colo rapidamente, de forma que eu nem consegui ver como diabos ele fez isso, e pulou para fora da banheira, mal se importando que estávamos cheios de espuma e lisos pelos sais de banho.
_ Nem um tempinho pra se recuperar? – eu murmurei em seu ouvido, agarrando seu pescoço enquanto ele atravessava o banheiro velozmente.
_ Vou me recuperar comendo você até o nascer do sol. Se eu for bonzinho você só vai deixar de andar por uma quinzena e não um mês!
_ Bom super-homem, eu estou esperando por isso há séculos! Até agora só foram promessas, porque no dia seguinte eu fico de pé numa boa. – respondi, e ele chutou a porta com tanta força que dessa vez ele definitivamente conseguiu quebrar. Ouvi de longe o fecho da maçaneta caindo no chão em algum lugar e a porta batendo com tudo na parede, derrubando algum objeto que estava atrás dela.
Itachi não pareceu ligar com a bagunça que fizera, e me jogou com força naquela cama de "Barbie princesa medieval" que eu adorei! Era até um pecado sujar aqueles lençóis com espuma...
Velho, até numa hora como essa você consegue ser veado desse jeito?
Você precisa de terapia.
Nós três precisamos, né?
[Madara]
.
Ele estava me testando. Tenho certeza disso... Me testando! E por isso eu o faria se arrepender disso!
Assim que ele caiu de bruços naquela cama, eu me posicionei acima dele e, sem perder um segundo para deixá-lo respirar, o penetrei com força.
_ SIM! – ele gritou em plenos pulmões, enterrando rosto no travesseiro e rebolando com vontade em meu membro.
Era tão singular estar dentro dele novamente... Nós éramos feitos um para o outro, tinha certeza disso! Encaixávamos como um quebra-cabeça, uma luva. Não doía, tampouco era menos prazeroso. Era perfeito, uma perfeição que eu nunca achei com outra pessoa.
E a forma como ele rebolava... Putz, acho que eu chegava a salivar só em ver ele agir daquela forma! Meu plano inicial de fazê-lo pagar por sua boca grande fora por água abaixo quando ele fez isso; eu precisei segurar seu quadril para me controlar e não atingir o orgasmo naquele momento. Seria um absurdo gozar logo após a primeira penetração!
Ele olhou para trás, procurando o meu olhar com ares de dúvida estampados em seu rosto. Me observou por alguns instantes e, em seguida, pareceu entender o que acontecia comigo.
_ Mas já? – ele me censurou, sorrindo com prepotência e superioridade, provavelmente se achando especial por causar aquele efeito em mim.
O que posso dizer? Ele é especial! Mas eu também tenho uma grande parcela de orgulho Uchiha dentro de mim, não é mesmo?
Naturalmente, eu o calei com um tapa bem dado em sua nádega esquerda, o fazendo choramingar mais pelo susto do que pela dor – eu não fui tão violento como costumava ser com as outras pessoas. Aquele era o meu amante, afinal de contas.
Mas, por ser o meu amante, ele sempre estava disposto a brincar. Por isso, eu puxei seus cabelos, o forçando a arquear na cama enquanto me jogava acima de seu corpo, mordendo sua orelha e sussurrando a minha resposta logo em seguida.
_ Nem nos seus sonhos!
_ Ótimo! – ele respondeu, contraindo seu rosto em um novo sorriso prepotente. – Achei que eu ia ter que comprar um vibrador!
Engraçadinho!
Eu optei por responder fisicamente, talvez porque imaginar ele com um vibrador me deixou intensamente excitado, mas completamente possuído de ciúmes. Nada, nem ninguém, pode chegar perto da minha propriedade!
_ Nem pensar safado, seu cu é meu. – ele corou um pouco mais com a minha resposta; sem moralismo, eu só estava deixando os fatos bem claros aqui!
Iniciei o movimento de vai e vem o mais rápido que consegui e ele delirou de luxúria, levando as duas mãos até os lençóis ensopados e agarrando com força o tecido, rompendo em alguns pontos.
_ Isso, isso! Annnnhh... Isso! Nii-san! – ele exclamava em deleite, movimentando-se conjuntamente comigo e arrancando alguns palavrões do fundo da minha alma. Sinceramente, eu não fazia a menor ideia do que falava pra ele, eu estava tão hipnotizado pelo corpo dele que parecia agir em piloto automático.
Não era eu quem estava fodendo aquele Uchiha maravilhoso, era ele quem me fazia ficar assim. Era um feitiço, uma maldição, não sei! Só sei que eu não tinha nenhum controle sobre os meus atos.
Sinceramente? Nem queria ter.
[Sasuke]
.
Há! Hahaha! Ele perdeu o controle! Ele perdeu o controle!
Eu sou sensacional, palmas para mim!
Grande merda, já fiz isso com o Itachi também.
Bom, mas eu quero ver se ele consegue me deixar sem andar mesmo. Isso nunca aconteceu com você.
Você é doente? Por que diabos ia desejar algo assim?
Ah, pra me lembrar do quanto foi foda!
Se isso acontecer, é você quem vai ter que aturar toda dor do corpo. Eu me retiro de cena amanhã.
Se você fizer isso, eu vou repetir a dose.
...
Sua puta.
Frígido!
Deixando os losers de lado, me concentrei novamente no meu deus grego. Itachi realmente sabia o que fazer pra me deixar excitado e o fato de deixar bem claro que havia perdido a cabeça me deixava particularmente satisfeito.
_ Você gosta, não gosta? – ele me perguntou depois de me xingar de mais de meia dúzia de palavrões.
_ Aham... Eu amo! – eu respondi dengosamente. – Eu gosto de te sentir beeeeem fundo...! – eu disse e contraí meu traseiro ouvindo-o grunhir alto enquanto ele investia. – Dentro de mim!
Eu não consegui segurar o riso quando ele me girou na cama com extrema brutalidade; no segundo seguinte eu fiquei cara a cara com o seu olhar predatório e levemente irritado.
_ Você 'tá fazendo isso comigo de propósito! – ele me acusou, com um tom ultrajado, como se fosse algo totalmente condenável querer vê-lo sem controle.
Achei uma gracinha! Ele ainda pensava que podia comigo, ounti!
_ Você é bem espertinho quando quer ser, né? – aiaiai, não dá! É mais forte do que eu! Eu sou um Uchiha oras, é da minha natureza falar essas coisas e tentar sair por cima nas discussões; por mais que eu desejasse parar de falar e continuar aquela foda excelente.
_ Então se prepare, seu puto, porque eu não ia judiar tanto de você, mas você 'tá implorando por uma surra de pica!
Ele entrou no clima, gostei! E... Entrou em outras partes também... D-deus!
Não tinha levado tão a sério a ameaça, mas ele parecia querer me quebrar! Sua penetração estava tão forte que o barulho de nossa pele úmida se chocando ecoava no quarto como tapas, e ele segurava meus joelhos contra os meus ombros, me deixando completamente a mostra e a mercê dos seus caprichos.
E que caprichos!
_ Tão bom! – eu suspirei em deleite quando ele atingiu minha próstata com uma precisão de fazer inveja, arranhei seus braços enquanto ele me empurrava ainda mais contra o colchão, me deixando sem ar. – Ahh! Por favor Nii-san! Pelo amor de Deus!
_ Você pediu por isso! – ele respondeu guturalmente, mordendo meu pescoço e, se possível, acelerando ainda mais a sua investida.
Todo meu corpo doía, principalmente minhas pernas. Agora eu já não tinha mais dúvidas de que não andaria direito pela manhã: ele realmente era capaz de fazer tudo o que se propunha a fazer!
Lógico, né? Ele é o meu super-homem!
Sou eu quem chama ele assim! Ponha-se no seu lugar!
'Tá com ciúmes baby? Eu sou você, lembra?
Não interessa!
Haha. Coitado.
Bloqueando novamente os pensamentos inconvenientes, me concentrei apenas no ato. Itachi lambia meus lábios enquanto continuava a me comer de um jeito surreal e eu precisei retribuir o beijo francês, entrelaçando nossas línguas e me rendendo ao prazer. Eu estava quase lá, não tinha como negar.
E eu não queria mais adiar o que certamente seria o melhor orgasmo da minha vida.
_ Mais forte amor! – eu comandei, murmurando sem fôlego em seus lábios e recebendo uma mordida intensa em meu pescoço como resposta.
Itachi me deu o que eu desejava, bem mais forte do que eu imaginava, e agora quem perdeu o controle fui eu! Comecei a falar absurdos que provavelmente estavam deixando a parcela mental chata de cabelo em pé! E definitivamente fui eu quem chegou ao orgasmo primeiro, gritando de prazer e arranhando as costas inteiras dele numa tentativa de me controlar.
Em vão, por óbvio.
_ ITACHIIIIIIIIIII! – eu gritei em plenos pulmões, antes de ser teleportado para um mundo de prazer durante longos cinco segundos.
Aproveita filho da puta. Você nunca mais vai chegar perto do meu Itachi de novo.
Amém!
.
Lost inside my sick head
I live for you, but I'm not alive
Take my hands before I kill
I still love you, I still burn
.
Perdido dentro da minha cabeça doentia
Vivo por você, mas não estou vivo
Pegue minha mão antes que eu te mate
Ainda te amo, eu ainda queimo.
.
[Madara]
.
Ao mesmo tempo em que ele gozou, ele disse um nome. Não era o meu nome, mas eu não me importei. Não conseguia pensar, ainda não! Eu precisava, eu... necessitava!
E pouco depois, eu atingi o nirvana também, despejando o sêmen dentro do canal abusado e completamente estimulante do meu amor. E, agora, quem não aguentou mais e gritou em plenos pulmões, fui eu.
_ IZUNA!
Céus, esse foi o melhor sexo da minha vida!
Mas... Mas porque ele me olhava agora com aquela expressão de completo pavor?
.
Yeah... Love, hate, love!
.
Sim... Amor, ódio, amor!
.
... Continua ...
(1) Opiáceos: são drogas derivadas do ópio. Morfina e heroína são produtos extraídos do ópio, e a única diferença de efeito entre a morfina e a heroína é que a morfina é uma droga lícita e a heroína não... Os efeitos da overdose e abstinência são os mesmos, e ambas causam dependência física e psicológica. Os efeitos iniciais da overdose de morfina foram descritos no texto, eu optei por pular a parte mais "trash", porque não era o foco e esse capítulo já estava muito grande quando eu escrevi a cena. E chega de ver o Itachi sofrer né gente?
(2) Naloxona: Também é uma droga (conhecida também como "Narcan" em sua forma comercializada), e ela é usada pra reverter os efeitos dos opiáceos. Eu preciso fazer uma pequena nota aqui, porque quando eu fui escrever a cena eu lembrei do filme Pulp Fiction, e é lógico que acreditava que overdose de opiáceos era resolvida com injeção de adrenalina diretamente no coração. Isso é um MITO! E um mito muito bem perpetuado pelo filme, ainda bem que eu fui pesquisar e arrumei a cena a tempo. Adrenalina não é usada, de maneira alguma, pra resolver casos de overdose de heroína ou morfina.
(3) Bukkake: Me recuso a traduzir isso, porque não foi só o Sasuke sublinhado que o Sasuke negrito envergonhou auhauahuahua! Tirem suas conclusões, usem sua experiência (real ou com vídeos pornô), ou google it!
Nota: Preciso fazer uma pequena (pequena?) consideração da fanfic nesse ponto pra quem tá em dia com o mangá. Se você não abre o mangá desde 2012, não precisa ler.
Leitores, alguns de vocês sabem (outros não sabem) que eu planejo toda a fanfic antes de começar a escrever: do primeiro capítulo ao último, cada personagem e cada cenário. Observem que comecei a fanfic em maio de 2012, então tudo já estava planejado naquela data.
Portanto, quando eu comecei a escrever Haunted eu me baseei no que o Kishimoto tinha feito no mangá até maio de 2012. Eu sei que nos capítulos mais recentes houve, FINALMENTE, uma participação um pouco maior do Izuna, mas as lembranças do Madara a respeito da personalidade do Izuna já estavam planejadas para Haunted. Pode ser que vocês considerem isso um pouco ooc, mas não tenho culpa. Eu até tentei alterar um pouco pra evitar isso, mas não pude fazer grandes milagres sem desmembrar a fanfic toda. Se eu trabalhar com esse personagem em fanfics futuras, eu vou atentar para o psicológico dele que agora foi revelado, mas quando eu planejei Haunted, o Izuna e o Hashirama eram personagens em branco, sem uma personalidade descrita pelo Kishimoto. Sendo um personagem em branco, eu dei ao Izuna a personalidade que achei melhor pra fanfic.
Até o Shisui, que faz parte do meu casal favorito (ShisuixItachi) só começou a ter uma definição de sua personalidade bem sutilmente, quando o Itachi Edo-Tensei fala dele pro Naruto em um capítulo do mangá. É engraçado porque antes de definirem a personalidade, o Shisui era descrito das mais diferentes formas em fanfics. Izuna e Hashirama seguiam essa ordem também. Até o Itachi tem dois momentos no fandom, o "Tachinho malvadeza" (antes da revelação da verdade, apelido dado pelo Desciclopédia haha) e o "Itachi Nii-san-te-ama-Sasu".
E o que foi a revelação da personalidade do Hashirama? Surpreendeu muita gente e deixou MUITO autor de fanfic apavorado hahahaha! (eu estou rindo, mas é foda quando o mangaka faz essas coisas. Quebra nossas pernas... Tenho até pena de quem escrevia longfic com o Itachi na época da transição do Tachinho Malvadeza pro Nii-san-te-ama-Sasu *estremece*).
Acho que essas reviravoltas de personalidade do Kishimoto só não superam a J. K. Rowling com o Snape, mas tudo bem. *estremece de novo*
Outra coisa, HashiMada tá em alta agora no fandom de Naruto, não é? Pois é, antigamente HashiMada até que tinha seus seguidores, mas MadaIzu tinha mais seguidores por conta do Madara ter pirado o cabeção com a morte do Izuna e porque o Hashirama era casado com a Mito Uzumaki, teve filhos e netos. Não que eu tenha preferências nesse sentido, confesso que estou AMANDO a parcela HashiMada do mangá, e tenho muitos ataques de fangirl e shippo loucamente hehehe. Em suma, eu gosto dos dois casais na mesma intensidade.
Mas negócios são negócios e, sendo assim, se alguém vier com essa de "Ahhhh nem pensar! MadaIzu não! Madara é do Hashirama!" nos comentários, eu serei obrigada a ignorar essa afirmação sumariamente. Até porque não teria esse tipo de reclamação tão veemente há cinco meses e eu me recuso a ouvir esse tipo de argumento só porque o casal tá na moda. Detesto isso, assim como detesto quando usam esse argumento pra defender que "o único casal yaoi de Naruto tolerável é SasuNaru". Se você é meu leitor, tenha em mente que eu não vou seguir este ou aquele casal só porque o fandom tá "no cio" por ele. Eu não faço fanservice, pois eu planejo tudo antes de escrever o primeiro capítulo, então a pira atual do fandom não importa porque eu não vou destruir o plot por conta disso.
Para vocês que brocharam com o MadaIzu e queriam HashiMada e pretendiam reclamar, leiam a seguir:
Pergunta: O Hashirama vai aparecer na fanfic?
R: Não sei! Ok, eu sei (hahaha), mas não vou responder.
A questão é que o termo Uchihacest é bem genérico na sinopse da fanfic, e por enquanto apareceram os seguintes casais de Uchihacest: FugaMiko, ItaSasu, SasuIta, MadaIta, MadaSasu e MadaIzu (viram quantos casais eu consigo englobar com uma palavrinha? Hehe). Eu só coloquei Uchihacest na sinopse pra deixar bem claro que não seria apenas ItaSasu, mas como vocês podem ver com o KakaNaru, MinaKushi e ShikaTema, os casais Uchihacest não são os únicos da fanfic. Mas pouca gente percebeu isso, achando que o "Uchihacest" era um sinônimo de "ItaSasu".
Enfim, o Hashirama pode aparecer, o que não significa que vá. A fanfic será finalizada com muitos casais, sendo que eu não citei nenhum deles na sinopse.
Pergunta: Por que você faz isso com a gente? ;-;
R: Porque eu quero que vocês leiam a fanfic independente do casal, simples assim. Quero provar que uma fanfic boa independe do casal a ser trabalhado, quero fazer com que vocês deixem os preconceitos de lado. Quero que vocês confiem em mim! Então não se preocupem tanto com isso e confiem em mim, ok?
E eu amo vocês viu? Não se sintam intimidados pelo tom da nota, eu só estou fazendo uma defesa prévia porque não sei como vocês vão reagir auhauhauhau!
Um beijo lindões! Até a próxima!
Respostas reviews "guest":
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Giih:
Oie!
Desculpe a demora pra responder, mas sabe como é ne, review deslogada só consigo responder em atualizações! .
Ahhh que legal! Unesp! Boa faculdade, parabéns! Acho que como já passou um bom tempo desde que você me deixou a review, você já deve ter se acostumado com a nova vida né? Espero que esteja bem!
Muito obrigada pelo apoio com o concurso! Tá chegando, continua na torcida, por favor! =D
Espero que tenha entendido a demora então! Eu sinceramente achei que podia demorar até mais... uahuahaua!
Itachi está melhorando aos poucos, e o fato de estar vivo já é algo grande!
Huhauhauahuhau é, seria o inferno particular do Itachi se os demônios tivessem a voz do Naruto. Tadinho!
Eu ia colocar nessa atualização todos os visitantes do Itachi, mas como você pode ver o capítulo ficou descomunal de tão grande, e por isso optei pra continuar essa cena no próximo. No próximo você já saberá quem são os visitantes do Itachi! ^^
Sasuke está numa situação bem delicada agora... não é? Já aconteceram algumas coisa se eu acho que você leu o capítulo antes de ler a minha resposta hehehe!
Itachi tem que correr mesmo! Apoio! =D
Querida, muito obrigada por sua review, sua opinião e sua paciência! Espero que não tenha se importado com todo o tempo que levou pra eu poder responder sua review, saiba que a li com muito carinho!
E sou eu quem tem que agradecer hehehe! *-*
Um beijão! Até a próxima! o/
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Srta Solaria:
Oie flor!
Fico feliz que tenha gostado do capítulo! Espero que a demora pra essa atualização (e consequentemente resposta da review) tenha valido a pena também!
Imprensa... é um bom chute! Ninguém mais imaginou isso! Como eu ainda não revelei quem são os visitantes do Itachi, vou considerar isso uma teoria. No próximo capítulo você vai saber! ^^
Uhauhauhauhua Naruto e Jiraiya discutindo é sempre uma comédia. E concordo, quem acha a voz do Naruto irritante não conhece a voz da minha irmã (coitada, mas é verdade haha!).
Tente salvá-lo do Madara então! XD e temos que concordar né, o Sasuke brabo é uma perdição...
Mas vamos torcer pelo amor do Itachi e Sasuke, porque a esperança é a última que morre! ^^
Muito obrigada pelo conselho do concurso! Eu atualizei, mas segui o conselho e demorei um bucadinho pra isso auhauhauhahua! Espero que eu consiga, torça por mim!
Um beijããão imenso pra você! Adorei a review, obrigada!
