Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.

Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.


N/A: Olá leitores!

Eu demorei, eu sei… Mas vamos ao que interessa (o capítulo) antes de eu dar as minhas explicações.

Um beijo a todos! Leiam a nota final!


HAUNTED

Capítulo XXIX

_ Porraaa!

Sasuke não conseguiu impedir o grito visceral de escapar da sua garganta ao sentir o orgasmo de Madara tão intensamente dentro do seu corpo; com toda certeza a puxada forte que recebeu em seus cabelos não ajudou nenhum pouco na tentativa de manutenção da estoicidade. As mãos do mais velho, por sua vez, apertavam seu quadril com tanta força que ele sabia que ficaria com marcas por semanas.

Em contrapartida, suas unhas arranhavam o corpo do mais velho com tanta violência que ele sentia gotas quentes de sangue pingarem sobre a sua barriga – muito provavelmente fora isso que fizera Madara perder o controle e chegar ao ápice. Sasuke já sentia o cheiro de seu próprio sangue há alguns minutos, apesar de não fazer ideia onde Madara o machucou naquela noite. Tudo doía, era difícil saber.

Madara, de olhos fechados, respirou ofegante por alguns instantes, provavelmente saboreando o fim de seu prazer enquanto Sasuke aguardou em silêncio, olhando-o com repulsa. Depois de algum tempo o mais velho abriu os olhos e sorriu com prepotência, adorando as manchas avermelhadas de sangue e esperma no corpo de Sasuke e no lençol branco.

Hum, Sasuke gozou em algum momento da nossa brincadeira. – Madara constatou, deslizando o indicador sobre a pequena poça vermelho-claro, uma mistura do perolado do esperma e vermelho escuro do sangue ao se acumular no umbigo do Uchiha.

_ Eu já te falei que vermelho combina com você? – ele murmurou com a voz fraca, ainda sim repleta de superioridade.

_ Posso dizer o mesmo de você. – Sasuke respondeu com os dentes cerrados, apreciando os rastros de sangue que escorriam das costas de Madara e pingavam em seu corpo. Apesar da repulsa que sentia em pensar nos fluídos corporais nojentos daquela pessoa caindo sobre o seu tórax, ainda era reconfortante saber que ele machucava o outro de alguma maneira.

Este lado sadomasoquista que despertava nele era algo novo, mas Sasuke já estava se adaptando muito bem com essa nova natureza. Afinal, quando nenhum dos dois usava Tsuki no Me, o sexo era daquela forma: doentio, doloroso, absurdo e sádico. Como se os dois tentassem adquirir prazer em uma tentativa de matar um ao outro, o que gerava muita satisfação física, Sasuke tinha que confessar. Sair machucado nessas noites de sexo animalesco o reconfortava: era como uma punição por recorrer a tais métodos para aliviar sua frustração.

Além disso, havia outro ponto positivo em tudo isso, já que machucar Madara lhe trazia ainda mais satisfação. Era puro sadismo e masoquismo, na mesma medida.

Talvez isso decorresse de sua solidão, pois inicialmente foi difícil para ele lidar com isso. Suas mentes, as únicas companhias remanescentes que ainda tinha, só apareciam quando ele estava sobre o efeito da droga. Mas apesar da ausência de efeitos colaterais, se drogar trazia um empecilho muito grande para si: ele via Itachi e, pior ainda, ele desejava, imensamente, estar com Itachi.

Sasuke não conseguia compreender como isso acontecia. Claro, ele sabia que desejava Itachi intensamente antes de saber toda a verdade, mas mesmo quando se esquecia das mazelas por causa do efeito de Tsuki no Me, Sasuke não deveria voltar a desejá-lo. Afinal de contas, aquela paixão estava morta e enterrada... Não estava?

Como era possível para ele sentir algo que não existia mais?

Isso o irritava profundamente, mas servia como combustível para seu avanço físico. Em suma, ele revertia a fúria em treinamento e isso gerava frutos. Seu desempenho, nas palavras de Pain, estava impressionante. Madara nunca o elogiava, até porque Sasuke não costumava lhe dar ouvidos.

Sasuke ainda usava Tsuki no Me com uma grande frequência, mas havia noites, como aquela em especifico, que ele queria sofrer e não fugir da realidade. Noites em que ele queria que doesse, queria que latejasse, queria que um machucado em seu corpo ardesse mais que a solidão e a decepção que parecia crescer cada vez mais em seu peito.

De imediato, tinha efeito. Em longo prazo, essas noites apenas pioravam ainda mais os sentimentos de Sasuke: a raiva crescia, o ódio se intensificava, a dor ficava cada vez mais insuportável. Era uma bola de neve, ele sabia muito bem disso. Mas chegou a um estágio de sua vida que não conseguia mais evitar que isso ocorresse.

Sasuke perdeu completamente o pouco controle que ainda tinha sobre si - não que ele fosse admitir isso em voz alta, mas no fundo sabia que a situação chegou a um ponto crítico. Estar coberto de sangue e esperma, com o corpo de Madara ainda dentro do seu (e o pior: com seu consentimento!), só demonstrava que, de fato, algo deu extremamente errado na sua vida.

Madara girou o corpo e caiu de costas no lençol ensanguentado, suspirando de leve e fechando os olhos com sonolência. Sentiu o leve movimentar na cama e soube que Sasuke se preparava para sair de seu quarto.

_ Sasuke. – Madara o chamou, mas o mais novo não respondeu, continuando a vestir as roupas rasgadas que estavam jogadas de qualquer jeito no chão. No entanto, o mais velho não alterou sua postura, falando com tranquilidade o que tinha para dizer, apesar da grosseria do Uchiha menor. – Eu pedi para Orochimaru deixar o vidro de pílulas roxas na sua cama.

Sasuke derrubou a camisa que segurava, olhando para a cama e esperando Madara abrir os olhos para encará-lo de uma vez. Madara estava devolvendo as pílulas? Isso significava que...

_ Seu treinamento está indo bem. Você está com uma base em artes marciais extremamente satisfatória. Vamos exercitar o restante das suas habilidades sobre o efeito da pílula, assim como o desempenho com as armas brancas e as de fogo. Se seu desempenho não decair, dentro de mais seis ou sete meses, você estará pronto.

Sasuke, pela primeira vez, pareceu prestar atenção no que Madara falava. Concordou com um aceno de cabeça breve e buscou a camisa rasgada do chão, vestindo-a de qualquer forma e caminhando para a porta, a fim de sair logo de lá e tomar o bendito comprimido que tanto ansiava.

_ Sasuke. – Madara o chamou mais uma vez e Sasuke ficou imóvel, com a mão sobre a maçaneta, mas sem forçar a porta; iria escutar o que o outro diria. Todavia, ele não se virou para encarar Madara, simplesmente ia contra sua natureza dar esse gostinho àquele desgraçado. – Se você desejar ficar ao meu lado depois que tudo isso acabar, eu aceitarei de bom grado. Você sabe que não precisa necessariamente morrer quando tudo isso terminar... Certo?

O mais novo apertou a maçaneta com força, odiando o tom persuasivo e jocoso na voz do mais velho, enquanto se lembrava do acordo tácito entre eles: no fim de tudo, após a vingança contra o maldito do Itachi, se Sasuke aceitasse ser a cobaia de Madara, Kakashi e Naruto estariam fora de qualquer perigo. Se acaso Sasuke tentasse fugir... Era um fato que todos estariam em maus lençóis.

Ele, sem sombra de dúvidas, é o maior cara de pau que eu conheci! – Sasuke estava tão indignado com o que acabara de ouvir, que sequer percebeu que Madara alcançou um pequeno controle-remoto debaixo do travesseiro e apertou um de seus botões, dando o comando para alguma coisa naquele quarto ligar ou desligar.

_ Eu prefiro morrer a me tornar seu brinquedinho, seu filho da puta! – Sasuke sibilou, abrindo a porta e marchando para fora do quarto com determinação, deixando a porta pesada bater com força atrás de si, e o barulho do impacto ecoar pelo ambiente.

O mais velho apenas deixou um riso sarcástico escapar de sua garganta, saindo da cama em um pulo e caminhando rapidamente até o outro lado do quarto para alcançar o roupão negro que deixava pendurado em um cabide. Cobriu-se e alongou o corpo, despreocupado, caminhando até o outro lado do quarto e retirando a câmera de seu esconderijo.

Ficou contente em constatar que conseguira parar a filmagem antes de Sasuke xingá-lo, assim não precisaria perder tempo editando o vídeo. Deu play e assistiu o filme no pequeno visor da câmera, acelerando aos poucos para que pudesse conferir todo o conteúdo que tinha ali. Toda a cena de sexo estava gravada, em um ângulo muito bom, diga-se de passagem.

Claro! Eu sou um artista! – pensou Madara se sentindo muito satisfeito, em especial após se recordar dos elogios que recebeu de Deidara e Sasori naquela noite épica, onde inaugurou a sessão de horrores prevista para Itachi; tudo em grande estilo por sinal. Naquele singelo vídeo pornô que assistia, ele percebeu que conseguiu registrar cada expressão de prazer do rosto e no corpo do Uchiha mais novo, não havia dúvidas de que a reação que causaria em seu alvo seria uma verdadeira obra prima.

Certamente, Itachi ficará maravilhado!

Tudo o que ele tinha que fazer era mandar um pouco de proteína para que Itachi pudesse readquirir a visão por alguns minutos e apreciar essa cena!

_ Aah, Sasuke... – ele murmurou para ninguém em específico, dando um sorrisinho malicioso ao visualizar suas jogadas iminentes e deliciando-se com o desespero que imaginava que Itachi sentiria. – O que você não sabe é que já é o meu brinquedinho...

Madara fechou a câmera após ver como Sasuke apertou com força os olhos em êxtase, mordendo o lábio inferior ao ponto de sair um pequeno fio de sangue. Ainda com um sorriso satisfeito, ele passou a procurar o celular entre suas roupas jogadas de qualquer jeito no chão do quarto.

Ao encontrar o aparelho, Madara ainda demorou alguns instantes olhando sua lista de contatos para decidir a quem iria instruir a próxima missão. Seria bom que fosse alguém de sua extrema confiança e que de quebra já tivesse algum problema de convivência com Itachi. Alguém que o odiasse e que fosse odiado em retorno... Só para tornar as coisas ainda mais interessantes.

Discou um dos números, sorrindo satisfeito pela escolha feita. Não precisou aguardar muito até que sua ligação fosse atendida.

_ Número quatro, tenho um trabalho fora de hora pra você e... – ele respondeu assim que percebeu que foi entendido. – ... tenho certeza que você vai adorar essa missão.

(***)

_ Você vai hoje pro hospital que horas? – grisalho perguntou em voz alta, ainda retirando os vestígios de creme de barbear do rosto, enxaguando-o na água corrente e fechando a torneira em seguida para que conseguisse ouvir a resposta enquanto enxugava o rosto de qualquer jeito na toalha próxima a pia.

Estava atrasado e tinha que correr.

_ Vou só de noite. – ouviu a voz de Naruto responder de outro cômodo, um pouco mais divertida do que ele imaginava que responderia. – E... Kakashi, tente não discutir muito com o Lulu até eu chegar.

Kakashi passou o pós-barba de qualquer jeito e saiu do banheiro, apagando a luz atrás de si e dando de cara com Naruto "casualmente" com o traseiro ligeiramente empinado enquanto varria o chão imundo do apartamento dos dois.

Tsk... Quem não te conhece que compre a sua inocência Kyuubi!

_ Lulu? – Kakashi questionou, erguendo a sobrancelha para a posição sugestiva e aguardando a resposta de Naruto, que ainda fingia se concentrar no chão sujo, mas o grisalho podia ver muito bem o leve repuxar nos lábios do seu namorado, uma indicativa de que estava tentando não rir.

_ É o apelido do Itachi essa semana, demorei meia hora pra pensar nele! – respondeu Naruto com uma risadinha marota de quem se diverte muito com uma piadinha própria.

Kakashi riu pelo nariz, balançou a cabeça em descrença e cruzando os braços enquanto apreciava o exercício doméstico de Naruto. Apesar de saber que era mais uma desculpa para tentar seduzi-lo do que realmente trabalhar na limpeza da casa, era reconfortante perceber que o Uzumaki finalmente criara vergonha da casa e decidira ajudar com a faxina. Afinal, já fazia três semanas que Kakashi tinha que limpar tudo sozinho.

_ E Lulu vem de...? – Kakashi questionou, verdadeiramente curioso de onde aquele apelido tão meigo teria vindo.

Naruto geralmente não era tão generoso com os apelidos que dava à Itachi. Normalmente o loiro chamava o Uchiha de "demônio", "capeta" e derivados do mesmo nível. "Lulu", com certeza irritaria Itachi, mas não estava no padrão do Uzumaki que, naquele instante, lhe dava um sorriso curvado divertido e malandro.

_ Lúcifer, é obvio!

Se Kakashi imaginou por algum momento que ele fosse não rir daquele jeito na companhia de Naruto ele estava redondamente enganado! Ele conseguiu visualizar bem a expressão que o Uchiha mais velho faria ao ouvir o "doce" e "meigo" apelido: olhos vermelhos arregalados cintilando um brilho mortal, lábios franzidos em um bico contrariado e um bufar, como um touro irritado, totalmente infantil e absolutamente inconsciente. Fato, aliais, que apenas Naruto conseguia fazer, diga-se de passagem. O apelido e essa visão fizeram com que o grisalho quase se engasgasse de tanto rir, divertindo-se de tal forma que o loiro virou de frente para ele e começou a rir junto. O som da gargalhada de Naruto era tão reconfortante e tão vívido que Kakashi só conseguia rir mais e mais, ao ponto de sentir sua barriga doer pela contração natural que se faz ao gargalhar e a respiração ficar difícil, mesmo assim ele ainda continuava rindo um pouco.

Naruto largou a vassoura apoiando-a na parede e deu dois passos em direção à Kakashi, abraçando-o e recebendo um afago nos cabelos instantaneamente; se havia algo que o mais velho adorava fazer era brincar com os cabelos de Naruto e este, por sua vez, adorava quando fazia Kakashi rir. Os dois estavam tão preocupados com Sasuke nos últimos tempos que toda vez que concretizavam aquela façanha era algo grande o suficiente para fazer Naruto comemorar internamente.

_ Quando Itachi sarar pra valer, ele vai te matar por causa de todos esses apelidos Naruto. – Kakashi constatou entre o riso, conseguindo finalmente controlar a gargalhada e se limitar a uma mera risadinha esporádica.

_ Vai nada! – Naruto respondeu com total certeza, pois ele sabia que Itachi era do tipo que ladra, mas não morde, pelo menos com ele. Com qualquer outra pessoa além dele e Sasuke, Naruto tinha certeza que as ameaças seriam cumpridas, afinal, nunca se deve irritar um Uchiha (ou mulher em TPM, o que dá quase no mesmo).

Olhou para cima e recebeu um beijo estalado nos lábios. Suspirou, entrelaçando os braços ao redor de Kakashi e perdendo-se no cheiro de colônia pós-barba que seu namorado costumava usar. Ele usava a mesma há anos, e desde menino Naruto sabia muito bem como apreciar o aroma particular daquela fragrância.

Bem que Kakashi podia não ir atrás de Itachi essa manhã. Seria tão bom se eles pudessem almoçar juntos uma vez na vida, só pra variar... Ou namorar... Ou transar... Fazia semanas que não dormiam juntos e...

_ Ok, chega. – o grisalho respondeu, empurrando o loiro de leve para trás e interrompendo o beijo. – Preciso ir, e de preferência sem uma ereção pra me constranger.

Naruto sentiu-se tão contrariado que não conseguiu deixar de exibir um beicinho de insatisfação. Kakashi instintivamente tocou os lábios de Naruto com o seu indicador, algo que já acostumou a fazer toda vez que o garoto agia daquela forma. Seis meses de relacionamento servem para acostumar com os joguinhos um do outro, não é mesmo?

_ Pare. – ele disse, dando pequenos petelecos no lábio de Naruto até que ele desistisse da birra e começasse a rir de leve. – Quinta-feira está chegando, nós vamos viajar para a audiência de Gaara e teremos uma noite muito bem paga no hotel da cidade... Certo Kyuubi?

Naruto revirou os olhos, se afastando de Kakashi apenas um pouquinho, para cruzar os braços, aumentar ainda mais o beiço enquanto fitava os olhos do namorado, para demonstrar sua indignação.

_ Você fala como se eu fosse um pervertido como o Ero Sennin!

Kakashi deixou um sorrisinho sarcástico surgir em seus lábios enquanto o namorado bufava infantilmente. Em sua opinião, Naruto se tornou ainda mais adorável, mesmo que estivesse tentando arrebatá-lo em mais algum joguinho que, se ele não tomasse cuidado, acabaria na cama.

_ Se a carapuça serviu não tenho culpa. – o mais velho respondeu, puxando o loiro para perto de si mais uma vez e iniciando um beijo menos inocente que o anterior, que dentro de segundos passou a ser acompanhado de estalidos sensuais e gemidos impudicos.

Podia tirar sarro da afobação de Naruto no quesito sexo, mas ele não podia negar que também sentia muita falta de ter o corpo do Uzumaki apenas para si em uma relação mais carnal. Estavam naquele relacionamento desde o desastre que acontecera com Sasuke há pouco mais de seis meses, mas dava para contar nos dedos das mãos o número de vezes que conseguiram privacidade (e tempo) para se relacionarem na cama. Cada experiência com Naruto o viciava mais e mais, e ele não podia negar que também estava ansioso pela pequena viagem que fariam a dois. Apesar de não ser algo romântico e sim bastante problemático para Naruto e Gaara, ele finalmente conseguiria um tempo a sós com o loiro, mesmo que ainda tivesse que manter sua identidade escondida. Afinal, Madara não podia saber que ele saíra daquela cama de hospital.

De qualquer forma, seu corpo agradecia (e muito!) a viagem a sós com o namorado, obrigado!

Em algum momento, Naruto envolveu o seu pescoço, puxando os cabelos de sua nuca com firmeza enquanto se beijavam vorazmente. O Uzumaki gemia languidamente em meio ao ósculo, fazendo questão de acariciar seu membro com o joelho, apenas para provocá-lo - Kakashi sabia disso e gostava. Os dois tentavam parar com as carícias e os beijos intensos, mas nenhum deles realmente desejava se afastar do outro. Naruto já estava praticamente enfiando as mãos dentro de sua calça jeans quando Kakashi finalmente segurou os seus pulsos e se afastou um pouco, censurando-o com o olhar.

_ Naruto, não...! – ele murmurou, mas o mais novo voltou a beijá-lo, hipnotizando-o em instantes e fazendo-o esquecer do que iria reclamar.

O menor parou de beijá-lo nos lábios e mordiscou seu pescoço de leve, dando pequenos selinhos e empurrando cuidadosamente sua mão cada vez para dentro da calça enquanto a mão direita desafivelava o cinto de Kakashi com maestria. O grisalho, aparentemente, se esquecera que deveria botar força na pegada nos pulsos de Naruto para impedi-lo de agir dessa forma; ou já não se importava mais com o atraso do compromisso.

_ Shii... Uma rapidinha...! Cinco minutos! – Naruto respondeu ao pé do ouvido do outro, baixinho, praticamente sussurrando. – Uma vez sem preparação não mata ninguém.

Dizendo isso, Naruto mordeu sua orelha para em seguida lamber o lóbulo e plantar leves sucções no seu pescoço, fazendo um arrepio de prazer percorrer o seu corpo inteiro. Hatake sentiu seus hormônios em chamas pela proposta obscena (e maravilhosa) de seu namorado, mas ainda teve forças para retrucar.

_ Mesmo sem preliminares, cinco minutos não existe entre a gente, você sabe disso...! – ele falou com a voz mais grave que o normal, efeito da excitação que sentia. – E geralmente é culpa sua!

Maldito Naruto! Kyuubi! Demônio! Incubus que o arrastaria direto para o inferno! E ele reclamava disso? Absolutamente não, só queria entrar calças adentro desse maldito e amado ser!

_ Vou me comportar... É só umazinha!

Olha só! Ele nem cora de vergonha! – Kakashi constatou, observando a faceta inocente demais de Naruto. Quem o observasse agora nem imaginaria a obscenidade das palavras que o loiro acabara de proferir!

_ Te conheço! – Kakashi suspeitou que sua voz parecia mais um grunhido do que uma resposta, mas Naruto compreendeu mesmo assim, sorrindo inocente demais antes de responder.

_ Eu prometo! – Ele respondeu, mas a mentira estava exposta em seu tom de voz. Se não tivesse com as mãos tão ocupadas, Naruto provavelmente teria cruzado os próprios dedos.

Mas quando Naruto estava quase conseguindo atingir o seu objetivo, praticamente afastando a cueca de Kakashi para baixo com os dedos, o celular do mais velho tocou. Irritado, o loiro arrancou a mão de dentro da calça do dono do celular barulhento e olhou para Kakashi com indignação. O grisalho, com as mãos trêmulas, pegou o aparelho celular e fez uma careta ao ver o visor.

_ É o empata-foda do Itachi, não é? – Naruto perguntou, mas Kakashi não respondeu, deslizando o dedo na tela do celular e atendendo-o imediatamente.

_ Oi Itachi. – Kakashi respondeu ao celular, um pouco arrependido de ter deixado um aparelho com o paciente.

Quando começaram o tratamento de hipnoterapia, Itachi não ligava com frequência; ainda não fazia isso, visto que os dois não se davam lá tão bem. Contudo, o Uchiha parecia ter um sexto sentido, pois quando ligava sempre interrompia algum momento a dois com Naruto e o mais novo já estava extremamente irritado com essas interrupções.

Como se comprovasse os seus pensamentos, Naruto praticamente rosnou a sua frente; Kakashi sabia que teria que lidar com um namorado muito irritado pela frustração sexual quando desligasse o aparelho. Ele próprio não gostava das ligações de Itachi, mas sabia que poderiam ser importantes então não podia deixar de atendê-las. Afinal, o Uchiha era a única chave que tinham para descobrir onde diabos estava Sasuke.

_ Você não vem pra sessão de terapia hoje? – Itachi questionou do outro lado da linha. – Tsunade pediu para eu te perguntar, porque ela não vai poder atrasar a fisioterapia.

Bom, desta vez o assunto não era tão importante e revelador assim.

_ Eu já estou indo, aconteceram uns imprevistos e...

_ Ah, quer saber? Que se foda!

Surpreso, Kakashi abaixou o olhar para Naruto no mesmo instante que o garoto roubava o aparelho celular de sua mão, pegando-o desprevenido e sem qualquer chance de tirá-lo do alcance.

_ Naruto! – ele gritou, ainda observando o loiro perplexo demais para fazer qualquer coisa. – Me devolve já isso!

_ Itachi-bastardo-empata-foda-do-caralho, como vai seu dia? – o loiro falou irritado ao telefone, não se importando nenhum pouco com o olhar mortificado que Kakashi lhe direcionava.

_ "Empata foda", é? – Itachi perguntou do outro lado da linha, Naruto praticamente conseguia ver o sorrisinho cínico e desafiador a sua frente. Seu sangue ferveu! – Não se incomode com as minhas ligações... Continue fazendo o que está fazendo.

_ O quê? – não que isso fosse admitir, mas o desafio da vez quase o fez corar... Itachi realmente estava desafiando-o a fazer isso?

_ Sasuke já atendeu Kakashi enquanto a gente estava na cama e nem por isso foi menos divertido. – a voz de Itachi soou de uma forma tão casual que Naruto corou imaginando a cena.

Como diabos o Teme envergonhado teria feito aquilo? Itachi realmente exercia um poder sobrenatural em Sasuke no quesito "sexo", porque o Sasuke que ele conhecia jamais faria algo assim. Ele mal conseguia falar sobre sexo sem agir como se o mundo estivesse acabando!

_ É mentira sua, o Teme nunca faria isso!

_ Pergunte ao Kakashi.

Naruto olhou para Kakashi, que conseguia ouvir a conversa devido a proximidade e percebeu que ele também estava corado... Mas balançou a cabeça afirmativamente. A boca de Naruto abriu com o choque: Sasuke, aquele que agia como uma menina virgem para falar sobre sexo, tinha feito mesmo aquilo? Itachi era mesmo um bastardo deflorador de Sasukes indefesos!

_ Ele até tentou disfarçar, mas fez. Agora chega de besteira com o Itachi no telefone, me devolva! – Kakashi tentou novamente tirar o aparelho de Naruto, mas este conseguiu se esquivar a tempo.

_ Viu o que eu disse? – Itachi falou no outro lado da linha, provavelmente também ouvira a resposta de Kakashi. – Até o Sasuke conseguiu e você não consegue!

Naruto estava começando a se sentir irritado; apenas começando. Itachi parecia sentir isso do outro lado da linha. Kakashi pressentia que algo não tão bom ia acontecer.

_ Você está tentando me deixar envergonhado? – ele questionou e ouviu Itachi rir brevemente do outro lado da linha.

Bastardo maldito! Lúcifer dos infernos!

_ Lógico, conselho sexual é que não é. Você não teria coragem o suficiente pra fazer isso.

_ Vá à merda Itachi! Você não me conhece! – Naruto gritou indignado, mexendo no celular rapidamente e colocando a ligação no viva-voz. Jogou o aparelho perto na mesinha do corredor e agarrou Kakashi, desta vez sendo bem ágil com o maldito cinto e a abotoadura da calça.

Desafio aceito! Itachi vai engolir as palavras dele!

_ Naruto, pare! – Kakashi tentava se esquivar das mãos do Uzumaki, mal acreditando que a competitividade do seu namorado com Itachi podia chegar a esse extremo, mas Naruto foi ágil demais. Assim que seu membro, ainda excitado, foi agarrado pela mão experiente de Naruto, ele teve a certeza que não conseguiria mais fugir do toque tão ansiado, por isso partiu para a segunda opção. – Itachi, desliga o celular!

O Uchiha riu do outro lado da linha e sua voz reverberou pelo ambiente, mas não desligou o aparelho. Kakashi se sentiu mortificado quando Naruto ficou de joelhos a sua frente e, sem cerimônia alguma, lambeu toda a extensão de seu falo antes de colocá-lo por completo dentro de sua boca.

Kakashi grunhiu, sentindo-se incapaz de permanecer em silêncio depois de três semanas sem esse tipo de contato com Naruto, esquecendo-se instantaneamente do maldito Itachi naquela ligação de celular sem propósito algum. Agarrou os cabelos de Naruto com firmeza, sem machucá-lo, e o forçou a receber mais de si. Naruto, como de costume, não reclamou nenhum pouco, pelo contrário! Suspirou satisfatoriamente enquanto levava suas mãos para abaixar sua calça de moletom e dar algum alívio a sua própria ereção.

Mesmo com as poucas experiências sexuais que os dois tiveram, Kakashi já havia percebido que nada excitava mais Naruto do que fazer um boquete; nem mesmo quando recebia ele agia daquela forma. Gemeu alto, olhando para cima e tentando não prestar atenção à visão excitante que Naruto proporcionava ao fazer aquilo, sempre olhando em seus olhos.

_ Vocês têm vídeo-chamada? – a voz de Itachi soou no ambiente, quebrando o encanto do casal em mil pedacinhos. Kakashi pode até ouvir a musiquinha sensual que tocava em sua mente falhar...

Agora estava na cara que Itachi fazia questão de ser mesmo um "empata-foda-do-caralho"!

_ Você é pior que o Ero Sennin! Morra na seca! – Naruto exclamou, levantando-se em um pulo e agarrando o celular com as mãos.

Itachi ria, divertido, provavelmente imaginando o rosto indignado de Naruto e essa constatação fez o Uzumaki grunhir de raiva, enquanto o Uchiha do outro lado da linha riu um pouco mais, obviamente extasiado pela vitória.

_ Você perdeu!

_ MORRA, MORRA, MORRA! – Naruto quase quebrou o aparelho, mas conseguiu desligar a ligação antes que maiores estragos ocorressem e o colocou de volta à mesinha. Fitou Kakashi e percebeu o olhar feroz que o outro direcionava à si. – Itachi me desafiou Kakashi, não foi minha culpa! E eu ainda perdi essa...

Que merda! Esse bastardo ainda me paga!

_ Naruto... – Kakashi suspirou, andando até o parceiro e o puxando para si. – Eu sinceramente não sei quem é pior, você ou o Itachi. Mas continua o que você estava fazendo, deixamos essa briga pra depois!

Isso fez com que o Uzumaki desse "o sorriso", aquele do tipo sacana e sensual dado apenas estava extremamente excitado; o tipo de sorriso que prometia muito prazer para os dois.

_ Depois quer dizer que você vai me castigar por ser um mau menino?

Kakashi sabia exatamente o que a mente pervertida do seu namorado estava pensando: cordas para amarrar na cama, tapas na bunda e todo esse tipo de perversão que, só de imaginar, já lhe deixava tão excitado que isso era quase insano. Ele ainda não sabia como uma pessoa com a aparência de anjo que seu namorado tinha podia ser tão, tão, tão pervertida! Deus realmente gostava de pregar peças!

_ Naruto! – ele censurou simplesmente para não perder o hábito, pois sabia que Naruto jamais iria deixar de se portar com aquele comportamento absurdamente excitante quando sexo estava em jogo.

E assim o casal não se preocupou mais com o horário, Itachi já estava "informado" que por causa de "situações adversas" Kakashi se atrasaria um pouco mais para o compromisso. Não havia problema, pois não é como se Itachi pudesse sair do hospital: ele estaria lá quando Kakashi chegasse.

Estavam em meio a mais uma brincadeira sexual quando o celular de Naruto tocou, mas dessa vez Kakashi nem pensou em buscar o aparelho, nem tampouco o próprio dono do objeto. Ele soava alto, do quarto do casal (que ainda estava no corredor e não parecia tentado a sair dali tão cedo): Uma, duas, três vezes.

Quando soou a quarta ligação, Kakashi estava sentado no chão com Naruto entre suas pernas, saboreando-o sem pudor algum (e, de quebra, realizando um show de masturbação para o grisalho, arrebitando o traseiro e enfiando lentamente dois de seus dedos previamente lubrificados em sua entrada), mas ainda sim conseguiu ser racional o suficiente para falar.

_ Pode ser importante. Pode ser o Sasuke. – como resposta, Kakashi recebeu uma sucção forte em seu membro, fazendo-o gemer de prazer.

Satisfeito, Naruto deu mais uma pequena lambida na virilha de Kakashi e engatinhou até a altura dos lábios de seu amado, beijando-os obscenamente enquanto sentava-se de vagar sobre aquela parte do seu parceiro que o dava tanto prazer.

Quem diria que Naruto iria gostar tanto de ser o passivo? Bom, com Kakashi qualquer coisa era boa, ele não tinha do que reclamar.

_ Não é o Teme, você sabe disso, ele tentaria o seu celular também. É o Ero Sennin ou o Itachi atrapalhando de novo. Depois eu retorno a ligação. – Naruto murmurou, tentando não vocalizar seu desconforto. Ainda não estava devidamente preparado, ele estava tentando manter sua palavra e fazer um sexo rápido com Kakashi, apenas para livrar os dois de suas frustrações.

Mas tudo valeu a pena e ele suspirou fundo ao receber uma mordida particularmente forte em seu pescoço. Kakashi estava se deixando conduzir e se entregando ao prazer... Quem sabe poderiam estender um pouco além aquela "rapidinha"?

_ Que ligação? – Kakashi perguntou, empurrando Naruto para baixo para que recebesse ainda mais de si.

Naruto sentia um pouco de dor, afinal foram três semanas na seca! Mas ainda sim riu, sabendo que aquelas palavras demonstravam que, finalmente, Kakashi estava parando de pensar e deixando os problemas de lado por hora.

E como era difícil para os dois pararem de pensar nos problemas e se entregarem daquela forma! Difícil, muito difícil! Eles tinham que aproveitar esse momento raro na rotina de seis meses dos dois, apesar de Naruto saber que só conseguiriam transar com tranquilidade quando Sasuke finalmente fosse encontrado... Parece que todos os Uchiha, diretamente ou indiretamente, são empata-foda!

Mas enquanto os dois saboreavam o momento e se divertiam em meio a um sexo tão intenso (e necessitado), o visor do celular de Naruto exibia o nome "Hinata", sem parar, a cada nova ligação. E, pelo número de tentativas e horário das chamadas, não era uma simples ligação cordial entre ex-namorados.

Algo realmente importante tinha acabado de acontecer.

(***)

Itachi colocou as muletas de lado e se deitou na maca desconfortável que colocaram no consultório improvisado de Kakashi, aguardando a vinda do seu psicanalista que acabara de ligar informando que "já estava chegando", após um "leve" atraso de "somente" três horas e meia. Cortesia de Naruto, é claro. Mas, ainda assim, Itachi não conseguiu impedir um sorrisinho sarcástico de brotar em seus os lábios, porque pensar que ganhou mais um desafio contra Naruto era divertido demais!

Ele tinha plena consciência da gravidade do problema que enfrentavam e do quão ruim tudo poderia ficar, mas de certa forma, e não era fácil para ele admitir isso, Naruto e seu jeito particular de ser conseguia amenizar um pouco a situação. Todos que estavam naquela bagunça conseguiam um ou outro momento de paz na companhia do Uzumaki, nem que fosse por alguns minutos ou horas, e mesmo ele era contemplado por isso – não que ele fosse falar isso em voz alta algum dia.

Ainda tinha algum orgulho a zelar, afinal.

Veja bem, Itachi ainda detestava o Uzumaki, não o levem a mal, bastava vê-lo e uma enorme vontade de esfregar aquela cara de raposa deslavada no chão vinha em sua mente, ou mesmo esquartejá-lo em pedacinhos pequenos com uma faquinha de manteiga. Só que sem Naruto ali eles jamais fariam os progressos que faziam porque jamais conseguiriam trabalhar em equipe.

Itachi compreendia que naquela "guerra" cada um tinha o seu próprio papel a desempenhar. Naruto era o elo que interligava cada um naquela pequena teia de aranha e o que mantinha todos centrados e dispostos a colaborar, mesmo que todos estivessem estressados por conta de toda aquela loucura.

Temari e Shikamaru continuavam a buscar informações no exército e, eventualmente, no governo. Itachi deu-lhes o nome de todas as pessoas relacionadas a Izuna, porém nenhum dos dois encontrou muitos dados sobre estas. Itachi até mesmo estava incerto sobre a veracidade dessas lembranças, embora se recordasse de Madara, Izuna e Tajima (1), vagamente se lembrava de algumas crianças, talvez os irmãos de Izuna e Madara. Mas... Tudo era muito incerto em sua mente porque Izuna... parecia viver por Madara.

E isso era tão intenso que mal havia lembranças sobre outras pessoas: tudo era Madara.

Engraçado, se Itachi fosse tentar acessar as suas memórias até pouco mais de um ano atrás certamente teria o mesmo cenário: muita memória envolvendo Madara e pouquíssimas envolvendo as demais pessoas.

Patético. Tanto ele quanto Izuna.

Por outro lado, tudo isso serviu para uma coisa: fazer Itachi perceber que ele não era Izuna. Kakashi trabalhou muito com essa ideia nos últimos meses, e agora ele conseguia compreender um pouco melhor a diferença entre as duas pessoas que habitavam sua mente: Izuna era a criação de Madara.

Izuna era o que Madara queria que ele se tornasse, a pessoa que ele era obrigado a ser. Quando Itachi era menino, ele sentia ciúmes de Izuna até que Madara lhe convenceu de que não havia como sentir ciúmes de si mesmo, já que ele era Izuna e Izuna era ele. Mas era uma mentira: Izuna era Izuna; Itachi era Itachi. Ele tinha consciência da diferença agora, muito embora não conseguisse diferenciar na prática.

Os sentimentos de Izuna eram os seus sentimentos, principalmente o que sentia por Madara. Desde muito menino, Itachi amava Madara por uma memória sentimental que não pertencia ao seu corpo; um sentimento que alguém falecido sentia e que ainda assim vivia com ele, como um parasita.

Kakashi, Karin, Naruto... Todos conseguiam diferenciar "Izuna" de "Itachi", mas para ele era muito difícil fazer essa diferenciação. Isso lhe fazia se sentir ainda mais patético e um pouco irritado consigo mesmo.

Ao menos uma coisa ele sabia: quem amava Sasuke era Itachi. E isso, por si só, o deixava reconfortado de que a sua pessoa não ia ser apagada completamente da existência de seu corpo. Itachi, ele, ainda existia. Porque ele amava Sasuke Uchiha e por Sasuke ele continuaria existindo, mesmo que o outro jamais correspondesse seus sentimentos.

De qualquer forma, Kakashi estava tentando ajudá-lo a mudar essa forma de ver e sentir o mundo. E o moreno gostava de pensar que adquirira alguma melhora nesse aspecto; quem sabe algum dia poderia deixar de confundir as duas pessoas e ser apenas Itachi?

_ Você chegou antes de mim. – Kakashi interrompeu seus pensamentos; perceber que o mais velho chegou tão sorrateiro fez com que Itachi ficasse levemente enfezado consigo mesmo.

Estava abaixando a guarda com frequência.

E isso era, sinceramente, lastimável. Seis meses atrás nem uma formiga chegava perto de si sem que ele percebesse a pequena movimentação, agora ele se perdia em pensamentos com frequência e acabava surpreendido pelas pessoas ao seu redor. Naruto, aquele imbecil, se aproveitava dessa falha para tirar uma com a sua cara quase que em tempo integral, embora ainda fosse menos ruim do que no início da sua recuperação, quando aquele idiota assoprava (e enchia de baba) cada colherada daquela canja de galinha sem gosto que serviam para ele comer no jantar, depois dizendo "olha o aviãozinho" ou "olha o trenzinho". Se possível, Itachi se sentiu ainda mais irritado.

_ Eu não vi você entrar. – Itachi respondeu, sentando-se na cama e olhando para Kakashi com irritação.

Ele até planejou tirar um pouco de sarro do mais velho pelo que aconteceu no telefone mais cedo (apenas um pouco, ia deixar a pior parte para Naruto como vingança), mas o fato de Kakashi novamente surpreendê-lo acabou com seu bom humor. Kakashi, depois de muitas conversas em sessões de terapia, já sabia que a "surpresa" era algo que irritava Itachi imensamente, uma herança de sua própria criação no QG.

Surpresa, para Itachi, não significava coisa boa. Ainda mais se decorrente de uma baixa de guarda, indicando que estava perdendo o controle das coisas ao seu redor.

_ Você tem abaixado a guarda com certa frequência, Itachi. – comentou Kakashi brevemente, fitando o Uchiha nos olhos, percebendo que o avermelhado ascendia-se aos poucos. – É algum problema com a proteína?

Itachi balançou a cabeça negativamente, suspirando ao se lembrar do maldito mistério da proteína.

Ainda recebia as doses de proteína de Konan, com uma boa frequência, diga-se de passagem. Ela continuava a aparecer na calada da noite e injetar o conteúdo em seu corpo. Nunca respondia as suas perguntas e muitas vezes Itachi chegou a se questionar se ela realmente vinha por conta própria ou se Madara estaria ordenando que ela simulasse uma ajuda para conseguir sua confiança. O que ela estaria ganhando se fizesse aquilo sem ordens? Afinal, como ela estaria conseguindo mais proteína para si?

Não fazia sentido! Simplesmente não fazia sentido! Tudo estava tão desconexo que fazia com que sua agonia aumentasse e um desespero gigante estivesse dentro dele porque não havia nada onde se agarrar. Ele odiava não entender as coisas, acima de tudo: Itachi odiava perder o controle!

_ Eu tenho uma teoria Itachi. – Kakashi falou, arrancando-o pela segunda vez de seus devaneios naquele dia.

O grisalho fechou a porta do consultório improvisado e se sentou na cadeira posicionada perto da maca de Itachi, mas este ainda não adotara posição de paciente e se mantinha sentado de frente para o outro.

_ Diga sua teoria. – Itachi pediu, mesmo que sua voz tivesse soado um pouco mandona demais. – Quero entender por que isso está acontecendo.

_ É bem simples na verdade. – Kakashi respondeu, dando de ombros. – Você está começando a confiar em nós.

De todas as respostas possíveis e imagináveis, essa era a única que ele não esperava vindo do outro. Itachi piscou confuso, franzindo o cenho e ainda encarando Kakashi.

_ O que quer dizer?

Kakashi pensou em como iria explicar isso para Itachi de uma forma que o outro conseguisse entender, mesmo não passando por nenhuma relação de confiança na sua vida. Após refletir uns instantes, ele pensou no exemplo mais simples que lhe veio à mente, e chegou à conclusão que seria mais ou menos fácil de explicar.

_ Uma criança, quando é pequena, tem confiança total no pai e na mãe, talvez você tivesse a mesma confiança em Madara antes dos seus três anos de idade. – Kakashi começou a sua explicação e Itachi, curioso como sempre ficava com as particularidades do mundo onde não viveu, estava observando-o com atenção, o avermelhado de seu olhar diminuindo consideravelmente. – Os pais costumam fazer uma brincadeira com o bebê que mostra muito bem como funciona a confiança total de uma pessoa para alguém. Eles pegam as crianças no colo, jogam para cima e as seguram no ar, sem deixar com que elas caiam. As crianças, pequeninas e indefesas, não têm medo de serem derrubadas no chão; muito pelo contrário: ficam risonhas e felizes com aquele gesto. Mas iriam chorar se algum outro adulto fora do seu convívio pessoal, ou seja, fora da sua zona de confiança, fizesse a mesma brincadeira com elas.

Os olhos de Itachi se arregalaram minimamente, um brilho de entendimento em suas pupilas indicava perfeitamente ao grisalho que o Uchiha estava compreendendo bem aonde queria chegar. Sendo assim, Kakashi continuou:

_ Em outras palavras, você provavelmente está abaixando a guarda porque confia que não iremos te machucar e que estamos aqui para te ajudar. Confia, inclusive, na vigília de Karin, saberia que ela iria avisar caso alguém da Akatsuki chegasse aqui. Talvez por nós sermos as primeiras pessoas em quem você confiou, você esteja com dificuldade para conseguir aceitar isso. Na Akatsuki nunca prezaram por um trabalho em equipe, mas aqui você está aprendendo a como agir sobre essas circunstâncias.

Itachi piscou, assimilando as novas informações e tendo dificuldade em definir se aquilo era algo bom ou ruim. Tantas mudanças em tão pouco tempo... Ele nunca confiou em alguém antes de conhecer Sasuke. Todas as mudanças, todas as incertezas, todo esse amontoado de informações novas... Tudo. Isso tudo lhe deixava desconfortável demais por que...

_... Não gosto de não ter o controle das coisas. – ele falou, tendo a certeza de que conseguiu interpretar bem as suas atitudes. Realmente, se havia algo que ele definitivamente detestava, isso era "perder o controle". Talvez por isso as mudanças lhe deixassem tão desconfortável.

_ Em uma vida em sociedade, você nunca terá o controle de tudo que acontece consigo. – Kakashi explicou, paciente, gostando muito da maneira como Itachi estava conseguindo interpretar a si próprio com aqueles pequenos diálogos nas sessões. Era para isso que servia a terapia, não para entregar respostas prontas ao paciente: o paciente é quem precisava se compreender. – Precisa criar seu círculo de amizade e confiança, acreditando que eles caminharão ao seu lado e te auxiliarão a atingir o sucesso. Sem isso, não haveria porque viver em sociedade.

Itachi ficou pensativo por alguns instantes e Kakashi permitiu o momento de reflexão sem interromper. Minutos se passaram em silêncio, mas o terapeuta percebeu que já estava mais do que na hora de iniciarem a sessão de hipnose: ele colocou a mão de leve sobre o ombro de Itachi, indicando com um gesto suave que o outro deveria se deitar na maca novamente.

_ Vou pedir o que peço em todas as sessões, – Kakashi murmurou baixinho, apagando algumas luzes do ambiente para torná-lo mais sereno. – e espero que essa conversa prévia te ajude a rever as coisas e faça com que você siga o meu pedido: confie em mim.

_ Eu vou tentar. – foi a resposta imediata e mecânica de Itachi, mas não era isso que o outro queria ouvir.

_ Não pense "vou tentar". – Kakashi disse, com a voz tão suave quanto antes. – Pense "vou conseguir".

Itachi suspirou fundo, fechando os olhos e se esforçando para relaxar o corpo. Queria que Kakashi conseguisse realizar a hipnose e descobrir de uma vez a localização de Sasuke, mas ao mesmo tempo sabia que algo na sua própria natureza o impedia de dar acesso a sua mente para outra pessoa. Talvez seja porque já bagunçaram tanto a sua cabeça desde criança que a perspectiva de se expor a isso mais uma vez fosse algo aterrorizante para o seu subconsciente.

Bom, ao menos era isso que Kakashi falava.

Todavia, se ele realmente queria salvar Sasuke e para isso precisasse viver em sociedade, então ele teria que aprender a lidar com ela. Ele se sentiu levemente sonolento, ouvindo as palavras suaves de Kakashi e tentando prestar atenção nelas, mas desta vez o sono veio de verdade. Itachi não precisou ficar vários minutos em silêncio e se irritando consigo mesmo por não conseguir se deixar hipnotizar. Depois de seis meses de tentativa, Kakashi finalmente conseguiu.

Desta vez, eles obtiveram sucesso.

(***)

_ Madara-nii-san! – ele gritava, extremamente entusiasmado, observando seu irmão mais velho adentrar na casa logo atrás do seu pai, que tirava o casaco pesado coberto de neve e o colocava na chapeleira. Estava frio, mas devido ao aquecimento da casa não havia necessidade de se usar roupas tão quentes em seu interior.

Ele estava com tantas saudades de Madara! Tanta vontade de brincar com ele até ficar muito tarde da noite... Não! Estava com vontade de brincar até o dia clarear de novo! Caso se esforçasse talvez conseguisse ficar acordado todo esse tempo, ele era um menino grande já!

_ Oi Izuna-chan! – seu ídolo respondeu, abrindo os braços para receber o cumprimento característico.

Izuna correu em sua direção com velocidade, praticamente se jogando nos braços de Madara e o apertando com força. Mas sua cabeça ainda batia na barriga de Madara... Ele precisava crescer logo e ficar grande como o seu irmão!

_ Madara-nii! Você vai dormir no meu quarto hoje, né? Né?

_ Izuna, controle-se! – seu pai falou atrás de si – Você não deve mudar sua rotina de estudos só porque o Madara veio te visitar!

Izuna olhou para o seu, pai não entendendo o porquê do tom de voz ríspido, mas não conseguiu observar seus olhos; o mais velho já tinha entrado na casa, exibindo as costas para os irmãos e desaparecendo em direção à cozinha.

_ Por que o papai está bravo? – Izuna questionou a si mesmo, baixinho, tentando compreender o acabara de acontecer ali. Seu pai não estava com aquele ar irritado antes de sair de casa para buscar seu aniki...

Quando ergueu o olhar para perguntar o que estava acontecendo ao seu irmão (afinal, Madara já era um menino super-hiper-mega-grande e já sabia de tudo!) se surpreendeu ao perceber que seu pai não era o único de mau-humor daquela casa.

Madara estava irritado também, olhava para as costas do pai deles como se visse alguém mal. Seu irmão estava com os olhos apertados e havia tanta raiva em seu rosto que lhe deixava com medo. Izuna sentia uma vontade enorme de chorar porque não conseguia entender o que se passava e ele tinha medo que alguma coisa ruim acontecesse com a sua família.

Mas não ia chorar! Já estava com quatro anos, não era mais uma criancinha!

Só que era tão difícil evitar...

_ Madara-nii... – ele choramingou, irritando-se como a sua voz soou fraca. Fungou, afastou-se de Madara e cobriu os olhos, tentando ao máximo não passar vergonha na frente do seu irmão. – Você e papai brigaram?

_ Não, Izuna. – Madara amaciou as feições duras e mudou a postura raivosa, olhando para Izuna com carinho e bagunçando os cabelos do mais novo com as duas mãos. – Não chore, bebezão!

_ Não estou chorando! – ele respondeu, indignado, ainda esfregando os olhos com força. – Não sou bebê!

Madara era o filho mais velho de Tajima e herdou muitos traços do pai: era alto para a sua idade (agora com dez anos, aparentava ter, no mínimo, doze); tinha a mesma cor dos olhos e dos cabelos, e até mesmo os mesmos traços do rosto do pai. Já Izuna era pequeno, delicado e apesar de ter todas as características marcantes de um Uchiha, possuía uma beleza andrógena que sempre hipnotizou Madara, apesar de ele ainda ser pequeno demais para compreender o que isso significava.

Izuna ainda não tinha consciência disso e nem mesmo Madara compreendia porque gostava tanto de apreciar os traços diferentes de seu irmão. O achava meigo, bonito, delicado... único. Amava os lábios mais grossos do que os seus e o beicinho adorável que o garotinho fazia quando queria alguma coisa, venerava os olhos cheios de vida e brilhantes de Izuna – tão diferente dos negros opacos e misteriosos dele e de seu pai – e, acima de tudo, adorava saber que ele era o irmão mais velho, o protetor de Izuna. Este vínculo que ele possuía com seu irmão menor não conseguia sentir com os trigêmeos, apesar de também amar muito seus outros irmãos. Mas algo em Izuna, algo que apenas ele possuía, o cegava completamente do mundo exterior.

Alheio a tudo isso, Izuna ainda choramingava. O garoto mais velho riu baixinho, achando engraçado e adorável a maneira como o outro parecia ainda mais novo do que realmente era.

_ É sim, é sim! – Madara exclamou, aproveitando que o menor estava vulnerável cobrindo o rosto; ele fez cócegas na barriga de Izuna, que riu instantaneamente e tentou escapar do ataque, mas Madara não deixava, segurando-o e aumentando ainda mais a intensidade da brincadeira.

_ ANIKIIIIIIII! – Izuna gargalhava e depois de muita luta Madara teve pena do garoto e o deixou se soltar.

No mesmo instante Izuna correu para o seu quarto no segundo andar e conhecendo bem o caminho Madara o seguiu. No corredor, ambos deram de cara com o pai, que os olhava rigidamente, censurando a conduta de correr dentro de casa.

_ Madara, isso são modos?! – ele indagou ao mais velho, colocando a culpa de tudo mais uma vez no maior. E não era de hoje que Tajima agia desta forma.

_ Pai a gente só estava indo pro... – Madara tentou se explicar, mas seu pai interrompeu qualquer tentativa sua de se safar da bronca.

_ Eu não te ensinei assim! – ele exclamou, perdendo ainda mais o pouco de calma que ainda restava e se exaltando, apontando o dedo num gesto de ameaça para o rosto do filho primogênito. – Aquela vagabunda da sua mãe está corrompendo o seu caráter!

Izuna cobriu a boca com as mãos, assustado com o palavreado de seu pai. Ele sabia que Madara tinha uma mãe diferente da sua (apesar de não conhecê-la) e achava estranho isso, mas sabia que por terem o mesmo pai eram considerados meios-irmãos e isso bastava para adorar seu aniki como adorava os seus outros irmãos de mesmo pai e mãe. Não entendia, porém, o que justificaria aquele palavrão. Palavrão é algo muito feio, seu próprio pai tinha lhe ensinado isso!

_Não fale assim da minha mãe. – Madara respondeu, a voz baixa e ameaçadora, apesar de não conseguir intimidar nenhum pouco o pai. Muito pelo contrário, pareceu piorar ainda mais a situação.

_ Falo apenas a verdade! – o tom de voz do mais velho aumentou consideravelmente, ele estava a um passo de perder o controle. – E se você acha que aqui vai ser como viver no prostíbulo que sua mãe chamava de casa, está muito enganado!

Madara nem sequer pensou duas vezes antes de respirar fundo e gritar com todas as forças:

_ NÃO FALA ASSIM DA MINHA MÃE!

Um barulho alto ecoou no corredor, Madara levou um tapa certeiro em sua face esquerda, a intensidade do impacto o forçando a girar cabeça para a direita. Seus olhos estavam abertos, assustados, e Izuna os encarou com completo pavor estampado em cada traço delicado de seu rosto infantil.

_ NII-SAN! – o caçula gritou, sentindo-se temeroso pelo que acabara de ver. Seu pai nunca, nunca mesmo, batera nele ou nos gêmeos.

Por que...?

_ Izuna quieto! – Tajima rosnou, fitando o mais novo nos olhos e tentando ensinar-lhe uma lição com o que acabara de ver. Seria bom, quem sabe Izuna não se tornasse um rebelde inconsequente ao ver o exemplo diante de seus olhos. – Madara fez algo errado e agora está sofrendo as consequências!

Mas Izuna não entendia. Ele não sabia o que era "consequências" e certamente não dava a mínima para isso. Tudo que ele compreendia era que Madara estava machucado e o avermelhado forte na face de seu irmão demonstrava que o tapa doera para valer, como aqueles que ele via na televisão.

_ Papai, por favor, não faz isso!

Antes que Tajima pudesse responder Izuna, Madara se pronunciou.

_ Otouto. Não se preocupe. 'Tá tudo bem. – sua voz soou fraca, ele sentia o gosto de sangue na boca, mas não queria dar um braço a torcer. Sabia que isso iria acontecer cedo ou tarde, só não esperava que fosse ocorrer logo na frente de seu irmãozinho. Precisava acalmá-lo.

_ Mas Madara-nii! – Izuna sentia as lágrimas se acumularem de volta em seus olhos. Seu pai ficaria ainda mais furioso se ele chorasse, mas não estava conseguindo se controlar.

Madara observava as lágrimas voltarem para os olhos de Izuna, e isso fez seu sangue ferver ainda mais do que ouvir a ofensa direcionada a sua mãe. Não era apenas Tajima quem estava quase perdendo o controle ali.

_ Deixa ele sentir prazer em bater nas pessoas menores do que ele Izuna. – disse Madara em um tom calmo e tranquilizador, dando um leve sorriso – Nosso maldito pai é assim mesmo.

Izuna piscou uma vez, sem entender enquanto mais um ruído forte de tapa foi ouvido, e desta vez Madara chegou a cuspir sangue no assoalho de madeira do corredor. Inconscientemente, Izuna não conseguia respirar direito e seus olhos estavam arregalados diante da cena, suas mãos tremiam levemente; seu corpo não se movia e isso conseguia lhe deixar ainda mais assustado. O pai gritou alguma coisa e Izuna conseguiu gritar alto, enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto sem que ele se importasse mais.

Sentia tanto, tanto medo! E a única coisa que ele conseguia fazer era chorar, como um bebê!

_ Seu pivete! – Tajima praticamente grunhiu, puxando Madara pelos cabelos com a intenção de levá-lo para longe do garoto menor. O bastardo receberia o pior castigo de sua vida, isso era certo! – Como ousa falar isso pra mim! Eu dei esse maldito sobrenome pra você, coisa que você nunca mereceu!

_ Você fala coisa pior da minha mãe e eu não aguento mais isso! – Madara retrucou, se debatendo, mas seguindo seu pai, temendo que seus cabelos fossem arrancados com a intensidade do puxão que recebia.

Izuna soluçava de tanto chorar, correndo atrás dos dois e tentando ao máximo implorar para que o seu pai que soltasse Madara. Mas ninguém lhe dava ouvidos! Era por que ele era muito pequeno? Por que eles precisavam se machucar? Por que tudo aquilo estava acontecendo? Por que não viam que estava doendo? Por quê?

Isso não pode ser de verdade!

"_ Itachi, acalme-se, isso não é real."

Quem diabos era Itachi!? Que voz era aquela que soou em sua mente?! Ele estava com medo, muito medo! Madara ria e provocava a fúria de seu pai cada vez mais, ganhando mais e mais tapas! Enquanto Izuna tentava, a todo custo, cobrir as orelhas para não ouvir aquele estalar medonho! Desistira de tentar fazer com que o mais velho soltasse seu irmão, ele sequer parecia reconhecer sua presença. Precisava fazer alguma coisa, qualquer coisa! Mas seu corpo tremia, e sua cabeça latejava, ele não conseguia pensar em nada.

Por favor, por favor! Isso tem que ser um pesadelo.

"_ Ok, isso é o bastante. Itachi, quando eu contar até três, você vai despertar."

_ É um sonho ruim... É só um sonho ruim...! – ele murmurava, fechando seus olhos com força e tentando se acalmar. A voz em sua cabeça não estava ajudando as coisas, muito pelo contrário. Ele estava cada vez mais assustado.

Madara não parava de falar, provocando ainda mais Tajima e desafiando-o. Ele tinha que parar... Ele tinha que se calar! Seu Nii-san estava piorando tudo!

"_ Um..."

_ Madara-ni! Para de falar! Por favor! – ele suplicou entre as lágrimas, soluçando a cada sílaba.

Desta vez alguém pareceu lhe dar atenção, pois Madara direcionou sua próxima frase para ele, apesar de ainda continuar irritando seu pai.

_ Esse idiota tem que saber que eu não tenho medo dele Izuna!

_ IDIOTA É VOCÊ POR FALAR ISSO NA CARA DO SEU PRÓPRIO PAI!

"_ Dois..."

Izuna sabia que ainda era muito pequeno, sabia que havia muitas coisas que desconhecia e que por isso não sabia como agir ou interpretar algumas coisas, mas... Aquele olhar que seu pai dava ao seu irmão... Aquilo o fez ter certeza de que não era apenas uma simples briga. Ele sabia que seu pai não estava para brincadeira! E isso lhe dava medo porque seu pai... Seu pai estava com muita raiva! Muita, muita, muita! Ele estava com medo!

Alguma coisa aconteceu antes de seu pai e do seu irmão chegarem. Alguma coisa fez seu pai ficar com aquela raiva e isso envolvia Madara. Só que isso não importava! Não mesmo! Porque ele tinha que fazer alguma coisa para salvar seu irmão! Qualquer coisa! Porque seu pai...!

Seu pai iria matá-lo! Ele precisava fazer algo! Já!

Sem medir as consequências de seus atos, Izuna pulou em seu pai e agarrou suas pernas, puxando-o para trás, arranhando-o, tentando fazer com que ele soltasse Madara de uma vez para que ele pudesse fugir dali.

Tajima virou-se para o seu filho menor, odiando a maneira como ele defendia Madara e abusava de sua autoridade tão inconsequentemente. Sua raiva foi redirecionada e nem quando o garoto levantou os olhos cheios de lágrimas para si conseguiu por a cabeça no lugar e medir a intensidade dos seus atos. Não importava se iria se arrepender disso quando a raiva passasse. Nada importava naquele momento!

O tapa que Izuna recebeu no rosto ecoou mil vezes mais que todos os que Madara sofrera até então.

"_ Três."

(***)

Itachi abriu os olhos e sentou-se abruptamente na maca onde estava deitado, com tanta afobação que quase caiu. Kakashi estava ao seu lado, segurando-o e tentando reconfortá-lo de alguma forma. Seu coração batia forte, ele sentia a fina camada de suor frio sobre sua pele, seus olhos ainda não conseguiam focalizar nada a sua frente.

O que diabos acabara de acontecer?

_ Fique calmo, essa confusão é algo normal. Nós conseguimos fazer a hipnose, você está de volta ao presente. – Kakashi murmurava palavras suaves em voz alta, fazendo com que Itachi parasse de tremer aos poucos.

Começou a compreender o que aconteceu. Entendia que foi hipnotizado e se recordou do passado de Izuna, vivenciando tudo como se fosse o próprio Izuna. Isso não era anormal, nas sessões aconteciam coisas assim com muita frequência. Só que havia um grande problema...

Aquela memória nunca, nunca mesmo, passou pela sua cabeça! Era a primeira vez que vivenciava algum momento ruim com o Madara da infância de Izuna e isso foi uma surpresa tão grande que ele nem tinha palavras para definir o que estava sentindo agora.

_ Você realmente é irmão de Sasuke, também tem esse hábito de narrar em voz alta quando é hipnotizado. – Kakashi comentou e aguardou alguns momentos para que Itachi se pronunciasse a respeito disso, mas o mais novo nada disse.

Após alguns minutos de silêncio, quando percebeu que a respiração de Itachi já havia se estabilizado, Kakashi optou por uma nova abordagem para fazê-lo falar.

– Por que você não me disse que Izuna e Madara possuíam mães diferentes?

Itachi apesar de mais calmo ainda se sentia sem chão. Sentou-se na maca e levou as mãos à cabeça, segurando-a e tentando pensar. Kakashi tinha que se calar para que ele pudesse pensar!

As informações eram diferentes daquelas que ele recebeu no QG da Akatsuki. Nenhuma memória de Izuna, até então, indicava que os dois irmãos possuíssem qualquer tipo de problema familiar. Isso não batia com o que acabara de presenciar, de sentir. Isso era muito, muito, muito estranho.

Como se vivenciar as memórias particulares de outra pessoa já não fossem estranho o suficiente!

_ Kakashi... – Itachi falou em voz baixa, soando estranhamente indefeso perante os ouvidos do mais velho. O grisalho se aproximou ainda mais, curioso com o que o outro diria a seguir. – Eu acho que há alguma falha nas memórias de Izuna que eu narrei pra vocês.

_ Por quê?

_ Porque o que eu vi hoje eu nunca tinha visto antes. Eu acho que... Elas foram manipuladas.

Kakashi pareceu pensativo por alguns momentos, criando mil perguntas em sua mente. Todavia, decidiu que por mais bizarro que fosse essa informação, Itachi já havia sofrido o suficiente para uma primeira sessão satisfatória de hipnose e qualquer pergunta sobre o assunto poderia esperar alguns minutos. Alcançou o copo d'água que costumava beber em meio às sessões fracassadas de Itachi, o qual havia ficado no esquecimento até então, e o entregou para o moreno, que o recebeu de bom grado e bebeu, sem se preocupar com a procedência do líquido em questão.

Itachi confiava totalmente em Kakashi, apesar de não se dar conta disso até agora. Um gesto tão simples como beber a água de procedência desconhecida indicava que Itachi confiava totalmente em sua pessoa. E isso era um avanço tão grande no tratamento do mais velho que ele sequer conseguiria colocar em palavras a satisfação que sentia naquele momento.

_ Descanse um pouco, depois falamos sobre isso. – Kakashi falou com gentileza enquanto Itachi tomava longos goles d'água. – Sasuke não vai ficar muito feliz se eu abusar da integridade física do namorado dele.

Itachi parou de beber e encarou os olhos de Kakashi, não acreditando no que acabara de ouvir. Se surpreendeu ao perceber que ele sorria tão intensamente, pois mesmo com a gola alta da camisa de Kakashi o Uchiha pôde visualizar a maneira como ele fechava levemente os olhos por sorrir daquela forma tão compreensiva e satisfatória.

Agora não era mais apenas Itachi quem confiava em Kakashi; a recíproca, finalmente, era verdadeira.

(***)

Sasuke entrou em seu quarto e bateu a porta com tudo, escorando-se na madeira em seguida e escorregando até o chão, sentando-se no piso gelado de pedra. Agarrou suas pernas e as trouxe para perto de seu corpo, descansando a testa em seus joelhos e sentindo o sangue quente ainda deslizar lentamente de seu ombro até suas costas. Pelo menos agora sabia onde estava o ferimento profundo daquela noite.

Sentia-se inútil, exausto e principalmente desprezível. Era inegável que estava arrependido pelo que acabou de fazer, mas isso não era a pior parte. O pior era a certeza de que faria novamente na próxima oportunidade que tivesse e que na próxima vez tudo seria ainda mais intenso e doloroso.

Por mais que sua mente soubesse exatamente que aquele sexo animalesco e sádico com Madara apenas piorava a sua situação degradante, seu corpo simplesmente se recusava a obedecer a sua mente. E tudo isso, todas essas malditas mudanças e tudo o que o cercava era tão intenso, doíam tanto que o deixavam sem saber o que fazer. Ele estava tão confuso! Ele só queria um pouco de luz.

Queria Naruto para brigar com ele até que a vida fizesse sentido de novo ou que ao menos ficasse por perto, portando aquele sorriso idiota, dizendo que no fim todos ficariam bem de novo; Naruto sempre acreditou diretamente no futuro. Ele queria que Kakashi estivesse ali, sendo seu terapeuta e lhe dando alguns conselhos, orientando-o sobre que caminhos ele poderia seguir; Kakashi era sempre o guia. Sasuke queria muito ver os dois, acima de tudo: queria voltar ao tempo. E nunca, nunca mesmo ter entrado naquele maldito banheiro interditado!

Doía, ainda com bastante intensidade, mas nenhuma lágrima escorreu pelo seu rosto; Sasuke apenas suspirou fundo. Não era como nas primeiras noites daquela tortura, onde inevitavelmente acabava chorando. Já estava cansado e acostumado com aquilo, afinal já fazia seis meses que vivia no QG da Akatsuki. Seis meses... Sasuke sentiu-se inesperadamente vazio ao constatar o lapso de tempo.

Bem, dizia-se que o ser humano conseguia se acostumar com tudo em sua vida, Sasuke percebia a terrível verdade desse dito na pele. Passou as mãos despreocupadamente pelos cabelos, ainda úmidos pelo suor das "atividades físicas" de poucos minutos atrás e decidiu que precisava, indiscutivelmente, de um banho.

Colocou-se de pé e decidiu tomar o maldito comprimido antes de entrar no chuveiro. Ao menos saberia que no dia seguinte estaria mais forte para machucar Madara ainda mais e isso era um pensamento reconfortante em meio a tanta desgraça. Caminhou até a cama e se surpreendeu ao avistar um pequeno bilhete escondido abaixo do frasco de comprimido.

Sasuke não era estúpido: ele imaginava que Madara teria alguma câmera de vigilância em seu quarto, ele compreendera em todas as conversas que tivera com Itachi que Madara era do tipo paranóico – e ele tinha razões para ser assim, tendo em vista o tanto de atrocidades que fazia por debaixo daquela fachada. Ele sabia que provavelmente Madara não filmava o seu próprio quarto, e por isso preferia ter as relações sexuais lá ao invés dos seus aposentos, onde de certo havia várias câmeras de vigilância instaladas.

A pessoa que deixou o bilhete sabia disso, pois escondeu de tal forma que uma câmera seria incapaz de filmá-lo. Orochimaru provavelmente não delegou essa função a ninguém no QG, então o bilhete deveria ser dele, e se ele não veio falar algo na sua própria cara como costumava fazer, certamente não era algo que pudesse chegar aos ouvidos (ou olhos) de Madara.

E agora? Como Sasuke conseguiria ler?

Optou por tomar banho primeiro, adentrando a sua suíte para pensar em uma maneira de ler o maldito bilhete do Orochimaru sem que as câmeras o pegassem no flagra.

Depois de um banho (propositalmente) longo, Sasuke conseguiu pensar em uma opção: teria que ler o bilhete no dia seguinte, em outro local no QG; em seu quarto seria impossível de ler. Saiu do banheiro, se vestiu e, agora no escuro, agarrou os comprimidos e o bilhete minuciosamente dobrado de cima da cama. Adentrou os lençóis e escondeu o papelzinho casualmente entre o elástico de sua roupa íntima e a pele, rezando para que não se movesse muito durante o sono.

Olhou para o vidro de comprimido levemente iluminado pela luz da lua cheia e se perguntou se deveria tomar ou não tomar o medicamento. Madara certamente acharia estranho caso ele não tomasse a maldita pílula, mas e se o bilhete envolvesse alguma explicação sobre a medicação?

Se dando conta que Orochimaru provavelmente sabia que ele não conseguiria ler o bilhete naquele dia (e que Madara sabia que Sasuke desejava muito tomar o comprimido roxo mais uma vez e esperava um comportamento condizente nas filmagens) enfiou uma das tão conhecidas cápsulas na boca, engoliu com facilidade, tampou o vidro e o colocou no criado mudo.

Deitou e suspirou pesadamente, sabendo que era muito provável que não iria adormecer pela preocupação naquela noite, mas desejando que Deus tivesse piedade de si e permitisse um sono, se possível, sem sonhos.

_ Só espero ter feito a coisa certa... – Sasuke murmurou para si mesmo, fechando os olhos e tentando relaxar.

É, ele desejava ter feito a escolha certa. Tinha que ter feito a escolha certa! E isso não se referia apenas ao fato de tomar o maldito comprimido ou não, porque as dúvidas, os malditos questionamentos sobre a certeza de suas ações... Tudo...

Tudo sempre voltava a sua mente durante a noite.

E as noites regada de pesadelos com sua mãe e incertezas de suas condutas, eram o pior momento de sua asquerosa rotina atual.

... Continua ...


(1) Para quem não está em dia com o mangá ou não se lembra, Tajima é o nome do pai de Madara e Izuna.


N/A: Ok, a explicação. A situação é a seguinte: Eu tenho que fazer oito artigos por semestre na pós-graduação que estou fazendo. Cada artigo tem, em média, 25 página. E não é apenas o tamanho que complica a minha vida, mas sim os estudos que tenho que fazer por fora pra redigir, a quantidade de tempo que preciso desprender lendo livros, a maneira como fico apavorada pensando nesses malditos artigos todo santo dia, etc, etc, etc. Isso tá dificultando minha produção de Haunted, porque eu também tenho que pensar muito pra escrever nessa fanfic. Quando uma longfic chega à altura que Haunted está, o autor precisa reler muitos capítulos antes de digitar o novo, pra não deixar falhas na trama. Isso demanda tempo e concentração, duas coisas que estão escassas na minha vida nesse momento.

Por isso pode ser que as atualizações demorem um pouco mais do que o convencional, mas faço isso apenas pra poder escrever algo bom pra vocês ok? Prometo não deixar passar de um mês sem atualizar. Olha eu aqui de novo como prova! o/

Essas produções de artigo acabam no fim do ano, e no outro ano tenho monografia, mas eu pretendo terminar Haunted até o fim do ano. Caso isso não aconteça, saibam que eu escrevi minha primeira longfic Pride and Joy fazendo monografia na faculdade, então isso não é um problema pra mim. O problema, realmente, tá sendo esses artigos, pois são muitos artigos com temas diferentes. Monografia é um trabalho maior, mas é um tema só, então o estudo é mais direcionado.

A maioria dos leitores que deixam reviews estão em ano de vestibular, então eu imagino que vocês estejam estudando muito também e compreendam a minha dificuldade. Se vocês tiverem paciência comigo, vai dá tudo certo.

Um beijo imenso! Já agradeço de antemão a compreensão! S2


Respostas reviews "guest":

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Scar:

Eeee! Que bom que você sente saudades da fic! o/

É, a gente fica com pena né... Mas é essencial que o Itachi passe por esse processo.

Sasuke realmente foi pego de surpresa com essa informação e perdeu o chão.

Huahuahua e quem não odeia o Madara? xD

Um beijo! Obrigada pela review! Vou continuar sempre que der! o/

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Lyviah:

Oi flor! Atualizei finalmente, espero que tenha gostado. Sempre que posso atualizo. Beijos.

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Guest:

Mais! o/ Hahahaha! Beijos!