Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: Olá! Como foram de férias leitores? Se divertiram bastante? =)
Atualizaçãozinha só pra animar a volta às aulas (hahaha)! Leiam as mensagem ao final do capítulo e opinem hein!?
Um beijo a todos os leitores, espero que gostem. =)
Música (cena 2): Imaginary (versão demo #2) – Evanescence.
(a letra e o som são diferentes da versão do CD, pra quem já conhece a música)
HAUNTED
Capítulo XXX
Naruto gemia baixinho, rolando de um lado para o outro na cama e protestando com uma voz imaginária de Kushina Uzumaki, que gritava em sua cabeça sem parar: "Vá pra aula Naruto!", cada vez mais alto e demandante.
_ Só mais três minutinhos... – ele murmurou para ninguém em particular, se perdendo novamente naquele estágio entre o sono e o despertar.
Claro, o loiro estava consciente o suficiente para saber que sua mãe não estava viva, nem tampouco lhe mandando levantar, mas não o suficiente para perceber que não havia necessidade de responder seus pensamentos em voz alta. Sua consciência assumia a voz de Kushina quando o ordenava a fazer algo que ele estava protelando, e Naruto às vezes se perguntava se Kakashi o acharia interessante para estudos psicológicos caso soubesse desse pequeno detalhe sobre si.
Bom... Mas se os estudos envolvessem recompensas físicas, eu não me importaria nenhum pouco em contribuir para seus estudos. – dessa vez foi sua própria voz mental que ele ouviu e não a de Kushina. Graças a Deus, já que ouvir a mãe dizendo algo assim seria estranho. – Ok, chega de pensar besteira.
Naruto suspirou fundo e girou na cama, espreguiçando-se manhosamente enquanto criava coragem para levantar. Seu corpo ainda doía por causa das "atividades físicas de combate no solo" que realizou com Kakashi, mas ele não tinha nenhum motivo para reclamar deste pequeno desconforto. Sorriu e abriu os olhos, sentou-se na borda da cama e deixou a cabeça cair preguiçosamente sobre o seu ombro, inspirando fundo e sentindo o cheiro de Kakashi que estava impregnado em sua pele.
Ele sabia que isso não era muito normal dentre a maioria das pessoas da Terra, mas se havia algo que detestava fazer depois do sexo era tomar banho. Por quê? Porque por mais que se sentisse sujo o suficiente para ansiar pela limpeza que somente água corrente podia proporcionar, o banho pós-sexo lavava o perfume de Kakashi de seu corpo, o que para Naruto não era algo bom.
Aliás, Kakashi muito provavelmente achava estranho como Naruto acabava buscando algum acessório no guarda-roupa do mais velho sempre que colocava roupas novas após um banho, seja um cachecol no inverno um uma camiseta no verão. O grisalho algumas vezes até chegou a comprar peças de roupas semelhantes para o Uzumaki, achando que ele emprestava as suas por gostar do estilo. Mas o real motivo dos empréstimos era que o loiro não conseguia mais viver sem a presença do outro em sua vida particular, e não havia nada mais íntimo do que sentir o cheiro de seu companheiro em sua pele.
Até mesmo quando era dia de Kakashi dormir no hospital com Itachi, Naruto só conseguia agarrado no travesseiro do outro, justamente por causa do cheiro. E quando era o próprio Uzumaki quem tinha que dormir no hospital com Itachi, ele sempre se embrulhava em algum casaco quente de Kakashi.
Apesar de aceitar esse pequeno vício como uma necessidade, ele reconhecia que era estranho agir assim, principalmente para alguém como ele. Antes, quando Naruto ainda não namorava com Kakashi e tinha todos aqueles problemas de aceitação sexual, ele repudiava esse tipo de coisa. Não gostava de muito contato físico no sexo, justamente para não sentir o cheiro da pessoa em si no retorno para casa – e caso fosse bem sincero consigo mesmo, as únicas pessoas com quem fizera sexo e não chegou a se importar tanto com esse detalhe foram Gaara e Sai (o que não quer dizer que ele gostava, mas apenas que não odiava). Todavia, talvez ele apenas suportasse esse tipo de coisa com os dois porque ambos eram mais do que sexo: os dois eram seus amigos.
O sorriso suave que estava estampado nos lábios de Naruto enquanto pensava em Kakashi desapareceu instantaneamente ao pensar em Gaara e Sai. Ele suspirou fundo, cobrindo os olhos com as mãos, apertando-os enquanto refletia, pela enésima vez naquela semana, sobre os problemas que enfrentavam seus amigos. Onde estaria Sai? Onde estaria Sasuke? Como diabos iam conseguir livrar Gaara daquele inferno? Naruto não era inconsequente ao ponto de sair em uma busca sem um norte atrás de Sai e Sasuke, mas precisava confessar que a vontade de procurá-los pelo mundo era grande. Ele estava muito preocupado! Fazia seis meses que não via os dois! E isso tirava o seu sono com mais frequência do que ele gostaria de admitir.
Mas ele sabia muito bem que não ajudaria em nada correr a esmo, então precisava se concentrar no que podia fazer: primeiro, tentar ser uma boa testemunha e um bom amigo para Gaara, ajudando-o naquele momento difícil de julgamento e depois disso dar o devido apoio para que, quem sabe, o ruivo abrisse o bico e contasse o que diabos aconteceu naquele dia do desastre da família Sabaku. E, com alguma sorte, contaria algo que pudesse ajudá-los a encontrar Sai e Sasuke.
A outra coisa que estava em seu alcance no momento era "lidar com Itachi". E a respeito de Itachi... bom, era um caso a parte. Naruto adquiriu uma competitividade intensa com o maldito Bezelbu (1) das trevas, mas conseguia admitir que gostava um pouco da companhia dele. Claro, jamais admitiria isso para outra pessoa, nem mesmo pra Kakashi, só que era um fato que ele não podia negar: Itachi também se tornou seu amigo.
No início ele apenas aturava a presença de Itachi em prol das investigações sobre o paradeiro de Sasuke, mas hoje em dia... Resumindo bem tudo que Naruto sentia: ele desejava, do fundo de seu coração, que Itachi pudesse continuar ao lado deles quando tudo isso acabasse; mas morando há uns 30 quilômetros de distância de sua casa, e sem um celular para interromper suas noites de sexo com Kakashi. Óbvio!
Naruto se levantou da cama e bocejou. Sabia que tinha que tomar banho (droga, banho não!) e ir para faculdade. Talvez conseguisse arranjar uma desculpa convincente para o atraso e conseguiria a presença na matéria de Bioestatística, mas a preguiça estava grande demais.
No fundo Naruto sabia que ia pegar dependência em várias matérias deste semestre, e quem podia censurá-lo? Foi um semestre do cão; não, fora um ano inteiro do cão, tanto no que tange às disciplinas quanto na sua vida particular. Muita coisa ruim aconteceu e ele nem sequer sabia como ainda tinha forças para ir para as aulas, pois se desconcentrava tanto naquele lugar que passava praticamente o tempo todo pensando no que estaria acontecendo com Sasuke e Sai naquele momento!
Principalmente Sasuke, porque ainda havia uma pequena esperança de que Sai não estivesse em uma situação tão complexa quanto à de Sasuke.
Claro, ele estava sendo pessimista e isso não condizia com sua natureza. É lógico que tudo que aconteceu com Sasuke o deixou completamente arrasado, mas também surgiram coisas boas naquele ano e a maioria desencadeadas desse problema com Sasuke. Shikamaru se reaproximou, ele descobriu que Karin era sua irmã, conheceu Itachi (e ganhou um novo passatempo: irritar Itachi!), iniciou seu namoro com Kakashi, dentre muitos outros acontecimentos bons na sua vida.
Mas mesmo assim, sem todos os seus amigos ao seu lado, Naruto não se sentia completo. Ainda mais no que diz respeito à Sasuke, que era muito mais do que um amigo para si: o Teme imbecil, mal humorado, ranzinza e temperamental era seu irmão!
Naruto suspirou fundo, mas não deixou os pensamentos tristes interromperem seus planos.
_ Chega de se lamentar! A vida segue! – ele murmurou baixinho, estalando os ombros ao se espreguiçar e debruçando-se sobre a mesinha de cabeceira para pegar o celular e conferir as horas. Pelos seus cálculos, deviam ser duas da tarde, ou talvez três. Com sorte, conseguiria chegar a tempo de salvar ao menos uma presença na matéria de aula-dupla.
Ao olhar o visor do celular, Naruto se deu conta que algo fora do normal aconteceu com seu aparelho celular.
_ Dezessete chamadas não atendidas? – ele balbuciou, tendo certa dificuldade para teclar a senha de desbloqueio e verificar quem ligara tantas vezes naquele dia. Claro, Naruto se lembrava que alguém ligou sem parar para o seu telefone enquanto estava transando com Kakashi, mas não havia reparado que foram tantas ligações assim.
Ele imaginou que se fosse algo correlacionado a Sasuke ou Sai, ou seja, algo importante, acabariam ligando no celular de Kakashi caso ele não atendesse as ligações; afinal, todos os envolvidos nas investigações tinham o celular de Kakashi. Quem diabos ligaria dezessete vezes para ele numa única manhã?
_ Hinata? – ele exclamou quando leu o nome do contato das chamadas perdidas, e sua voz soando bem menos sonolenta do que antes.
Naruto sentiu um mal pressentimento intenso, um frio na espinha que não lhe deixou nenhum pouco confortável ao ver a foto de Hinata e o nome do contato escrito logo abaixo. Não que ele não gostasse de Hinata, não era essa a questão – ele definitivamente considerava a garota uma grande amiga, apesar de todos os pesares. O problema era que se Hinata o ligou, boa coisa não estava acontecendo.
Agindo de modo automático, tentou retornar a ligação e ouviu, com certa impaciência, o toque de chamada se repetir muitas vezes, sem que ninguém atendesse o celular da outra linha.
A relação de Hinata e Naruto no pós-término do namoro nunca foi das melhores, mas não era completamente inexistente. O garoto, sentindo-se culpado por tudo que fizera a Hyuuga passar, tentou pedir desculpas mais enfaticamente: mandou alguns e-mails, mensagens e ligou algumas vezes para ela, que não atendia suas chamadas nem tampouco respondia seus recados.
Algum tempo depois, quando Naruto e Kakashi já estavam em um relacionamento sério, Hinata o contatou. Agradeceu a paciência e por ter deixado que ela tivesse um tempo para refletir, disse que agora estava melhor, conseguia compreender o término com mais naturalidade e propôs a retomada da amizade. Em nenhum momento ela transpareceu ter deixado de lado a paixão que nutria por Naruto, mas queria que os dois tivessem um contato de amizade verdadeira e sincera. Disse, inclusive, que não queria perdê-lo de sua vida, e se não podia tê-lo como namorado, apenas como amigo já era o suficiente.
Naruto, acreditando totalmente no coração incrível que sua ex-namorada tinha, aceitou a proposta de muito bom grado. Kakashi ficou sabendo da reaproximação dos dois e acabou aceitando; até porque Naruto aceitava a reaproximação de Kakashi e Iruka... mas isso é outra história.
Pois bem. Naruto e Hinata reataram uma amizade, um pouco estranha, mas ainda assim uma amizade. Viam-se todos os meses para conversar sobre amenidades, e em uma das ocasiões Naruto revelou estar em um relacionamento com Kakashi. A surpresa de Hinata foi grande e o loiro se arrependeu instantaneamente do que acabara de dizer, mas ela tentou agir com certa naturalidade no restante do encontro de amigos. Só que depois daquele dia, Hinata não tentou mais marcar encontros com Naruto, arranjando desculpas para manter-se longe, apesar de ainda aceitar conversar por telefone ou e-mail sem problema algum.
Ela estava com o coração ferido e Naruto sentia-se um idiota por ter deixado isso acontecer novamente. A única solução que ele encontrou para esse problema foi dar mais um tempo para a garota se acostumar com a ideia e, para que isso fosse possível, sumiu por algumas semanas.
Até receber essa avalanche de ligações, algo que não era do perfil de Hinata de forma alguma – nem como namorada, muito menos como amiga.
_ Atende Hinata-chan! – ele murmurava, colocando o celular para repetir as tentativas de ligações automaticamente e deixando-o no viva-voz. Correu pelo quarto enquanto ouvia o barulho irritante da nota lá maior emitida pelo aparelho, catando roupas limpas e vestindo-se no desespero.
Estava preocupado e todos os seus planos anteriores foram por água abaixo. Não iria nem sequer se preocupar com banho e em vestir uma camisa de Kakashi, não iria para a faculdade tentar não levar falta. Iria para a casa de Hinata, independente de ela estar evitando sua presença ou não, e descobrir o que acabara de acontecer. Isso não era normal!
Quando pegou o celular e deu o comando para que parasse o redial, Naruto já estava completamente vestido e pronto para sair dali. Sem pensar duas vezes, correu para fora de casa e tomou o primeiro táxi que encontrou na rua, sabendo que demoraria demais caso fosse de ônibus - estava impaciente e preocupado com o que poderia ter acontecido com Hinata para se dar ao luxo de economizar no transporte mais lento.
Estava tão preocupado que nem tentou ser gentil com o taxista e iniciar uma conversa amena sobre o tempo, provavelmente agia tão antipático quando o Teme maldito, mas não conseguia se preocupar com isso no momento. Quando chegou ao seu destino, entregou uma nota de vinte para o taxista (que não estava nem um pouco feliz em ter sido ignorado em todo o trajeto) e pulou para fora do carro, correndo até os grandes portões de ferro da mansão Hyuuga.
_ Ooooi! Tem alguém ai!? – ele acenava para a guarita do segurança do outro lado do portão, visto que era difícil saber se havia alguma pessoa do outro lado com aquele vidro fumê à prova de balas.
A família de Hinata tinha muito dinheiro, muito mais do que Naruto sonhava um dia em ter, e talvez por isso seus familiares nunca apoiaram o namoro de Hinata com Naruto. Claro, Naruto sabia que não era um bom partido digno de ter a herdeira Hyuuga como namorada, mas reconhecia fazer o possível para agradar a garota e torná-la feliz enquanto namoravam. Aliás, eles já eram amigos de longa data, e mesmo na época em que não namoravam nenhum dos criados parecia feliz em vê-lo tentando entrar na casa da garota. Havia um preconceito descarado pela diferença de classe social entre os dois, mas ele já estava acostumado com esse tipo de comparação para se enfezar com isto.
Naruto, inclusive, só adentrou a casa da família propriamente dita em duas ocasiões: no dia em que conheceu os pais de Hinata e no dia que terminou com a garota. Todas as outras vezes ele não passava dos jardins ou das casas recreativas, nunca ficava muito tempo na casa principal. O namoro de Naruto e Hinata ocorria, em grande parte, no apartamento de Naruto ou em cinemas e lanchonetes.
A mansão Hyuuga era uma espécie de condomínio fechado e extremamente rico. Naruto sabia, inclusive, que outros Hyuugas moravam ali, assim como Neji. Mas suas passagens naqueles jardins eram breves demais para que ele encontrasse algum outro membro da família Hyuuga para importuná-lo; algo que ele era muito grato por nunca ter acontecido.
Só que ele não conseguiria chegar perto da casa de Hinata se o porteiro não abrisse os malditos portões!
_ Monsieur. – uma voz séria soou do dispositivo de interfone ao lado de Naruto, o qual, até então, ele nunca havia necessitado usar; geralmente Hinata avisava a portaria que receberia visitas e eles abriam automaticamente o portão.
Ser chamado de monsieur quase lhe fez rir, ele provavelmente estaria gargalhando se não fosse pelo nível de preocupação que sentia naquele momento. Olhou para o aparelho de interfone com indagação, mas compreendeu seu funcionamento rapidamente e apertou o botão para falar com o porteiro.
_ Oi. Eu vim encontrar Hinata Hyuuga. Ela está? – ele respondeu em voz alta, soltando o botão e aguardando uma resposta.
_ Mademoiselle não informou a respeito de visitas.
_ Mad... O que? – Naruto murmurou, mas sabia que o porteiro não conseguiria ouvir caso ele falasse sem apertar o botão, o que o fez logo em seguida. – Olha cara, eu sei que ela não informou nada aí na portaria, mas é um assunto sério e eu preciso falar com ela agora. Será que pode chamar a Hinata-chan pra mim? Eu o sou amigo dela, Naruto.
Soltou o botão e aguardou com impaciência. Já estava quase apertando o botão novamente para xingar o porteiro quando, finalmente, recebeu uma resposta.
_ Naruto Uzumaki, sua entrada no complexo Hyuuga foi negada. Tenha uma boa tarde.
_ Mas que...!? – ele acionou o botão novamente. – Ow! Que parte do "eu preciso falar com Hinata" você não entendeu? Transfere a minha chamada pra ela pelo interfone! – aguardou, mas não recebeu nenhuma resposta. – Seu filho da puta!
Emburrado, Naruto soltou o botão de speaker e chutou o portão de ferro, machucando seu pé inutilmente pelo momento de descontrole. Bufou com raiva, mas decidiu desprender sua energia em atividades menos dolorosas, como caminhar de um lado para o outro enquanto refletia a respeito do que poderia fazer para entrar em contato com Hinata. Nunca teve o telefone de casa da garota, justamente porque não queria ter o azar de ser atendido pelos criados formais; estava proibido de entrar em sua casa por algum motivo e ela não atendia o celular. Que outra opção restava?
_ Que se foda. – ele xingou baixinho, buscando seu celular no bolso da calça e procurando o contato que ele menos gostaria de telefonar, mas o único que poderia ajudá-lo em alguma coisa naquele momento.
O telefone tocou uma, duas, três vezes. Na quarta vez, contudo, a ligação foi atendida.
_ Não acredito que o otário finalmente ligou pra mim. Sentiu minha falta?
_ Neji, sem idiotice, por favor. – Naruto falou, trincando os dentes de raiva. Sabia que se arrependeria de ter ligado para o babaca do Neji, mas não tinha muita escolha no momento. – A Hinata está com você?
_ Hinata-sama viajou com os pais dela, não que eu deva qualquer tipo de informação pra um infeliz como você, mas só estou contando porque quero ouvir seu desespero. Chore para mim, Uzumaki.
Naruto quase atirou o seu celular no asfalto depois dessa. E o idiota ainda teve a ousadia de falar com um tom jocoso!
_ Olha aqui Neji! – Naruto rosnou para o celular, apontando o dedo para ninguém em particular, como se estivesse com o próprio Hyuuga a sua frente, pronto para levar um esporro. – Você não 'tá entendendo a seriedade do problema aqui! Se aconteceu com a Hinata o que está acontecendo com os meus outros amigos, ela pode...
_ O chororô 'tá ficando interessante. Está achando que a Hinata foi pra mesma pindaíba que o Sai?
Depois de ouvir isso, Naruto se calou. Não é como se Sai fosse do círculo de amizade dos seus colegas de colégio, Neji não devia saber a existência de Sai. O que estava acontecendo?
_ Você sabe de alguma coisa. – isso não foi uma pergunta, foi uma afirmação. Naruto parou de andar e segurou o aparelho com força, um pouco surpreso pela informação indireta que acabou de receber.
_ É, eu sei de muita coisa. – o moreno respondeu, transmitindo uma sensação de poder na voz. Naruto respirou fundo para não interromper o outro e estragar qualquer pequena conversa que poderia chegar a algum lugar. – Mas não posso falar sobre isso por telefone. Precisamos nos encontrar.
Apesar da proposta grandiosa, Naruto não pôde deixar seu lado competitivo falar menos do que a curiosidade.
_ Eu não tenho interesse em te ver, babaca. – exclamou com irritação, recebendo uma risadinha sarcástica em retorno.
_ Como preferir então, otário.
_ Não, não! Espera! – o Uzumaki gritou para o telefone, percebendo que estaria perdendo uma oportunidade única por causa de orgulho. – Ok, ok, você venceu. Satisfeito?
_ Eu só vou ficar satisfeito quando você sentir na pele tudo que fez os outros sentirem, mas isso já é um começo.
Naruto, pela enésima vez, suspirou fundo e realizou o exercício mental de contar até dez que Kakashi o ensinou. Um pouco mais calmo, falou novamente com Neji, mudando o foco daquela conversa para o que verdadeiramente importava.
_ Quero saber o que você tem pra dizer, o que aconteceu com a Hinata e como sabe do Sai.
Desta vez Neji pareceu entrar no clima e não rebateu seu pedido com alguma idiotice do gênero, respondendo com a voz séria:
_ Podemos nos ver antes da audiência do Gaara?
Ok, foi a vez de Naruto ficar surpreso mais uma vez naquele dia. Como Neji estava sabendo dessa audiência? Claro, os dois foram colegas de turma quando adolescentes, mas ainda sim...
_ Você foi chamado?
_ Eu tenho uma espécie de função de ouvir os lamentos de todo mundo que teve o coração partido por você Naruto, caso não tenha percebido. – o moreno respondeu secamente, e Naruto sentiu-se culpado pelas palavras que ouvira, apesar de não admitir em voz alta tal sentimento. – Além disso, eu estudei com ele e a polícia sabia que nós mantínhamos um contato mesmo depois da formatura. Fui chamado sim e tenho certeza que você foi também, já que você era o...
_ Ok, entendi, ok ok, pare de falar.
Naruto mordeu o lábio, sentindo vergonha da memória passada que invadiu sua mente naquele instante. Sim, Neji sabia do caso de anos que ele e Gaara tiveram, o que não era algo muito reconfortante; e pior ainda era tocar naquele assunto justamente agora.
Ele e Neji nunca se deram muito bem, o Hyuuga era um bastardo arrogante! Pior do que Sasuke e indiscutivelmente mais intransigente com Naruto por considerá-lo inferior a ele em todos os sentidos. Por mais que Naruto se esforçasse para melhorar na escola, Neji sempre tinha um discurso desmotivador do tipo "não há como mudar o seu destino fracassado". Céus, como Naruto detestava a presença de Neji!
De qualquer forma, eles estudaram durante muito tempo na mesma sala e, por mais que Naruto não suportasse o Hyuuga, ele precisava aceitar sua presença no círculo de amizade, já que, infelizmente, Neji era muito amigo de Lee, que era outro grande amigo de Naruto.
Em uma ocasião em específico, quando Naruto e Gaara já tinham chegado até os "finalmentes" e estavam com os hormônios à flor da pele, Neji os flagrou no vestiário masculino em um intervalo da aula de educação física. Foi um pesadelo! Gaara só puxou as calças para cima antes de cair em cima de Neji e os dois rolarem no chão aos murros, enquanto ele não sabia o que fazer, se parava para impedir aqueles dois, se começava a se vestir ou se cometia suicídio pela vergonha. Ninguém sabia do seu lance com Gaara, ele até mesmo estava flertando com uma garota chamada Tenten que, para o seu azar, ainda era amiga do infeliz do Neji.
Depois do que parecia ter sido o inferno, o desgraçado do Neji exigiu que Naruto parasse de flertar com Tenten antes que as coisas ficassem sérias. Bem, o Uzumaki cedeu e terminou com Tenten (o que foi um verdadeiro pesadelo, até hoje o loiro não entendia porque tinha inventado de sair com aquela garota possessiva), mas nem por isso conseguiu ficar em paz com Neji. Na verdade, o relacionamento entre Neji e Naruto ficou ainda pior.
Quando começou a namorar com Hinata a situação ficou ainda mais complicada. Hinata era prima de primeiro grau de Neji e foi criada na mesma casa, quase como irmã. Óbvio que o Hyuuga ficou furioso com esse romance, até porque sabia que Hinata nutria expectativas com relação à Naruto desde o ensino fundamental.
No primeiro mês de namoro, Neji e Naruto brigaram muito, mas nunca na frente de Hinata. As discussões eram recorrentes, já que Neji não aprovava o namoro e queria que ele terminasse, mas dessa vez Naruto não estava disposto a fazer como fizera com Tenten. Ele já não estava mais com Gaara e, pelo menos a princípio, não tinha planos de trair Hinata. Estava disposto a se apaixonar, amar e casar – ele queria sossegar e Hinata era a melhor garota que ele conhecera em toda sua vida.
Como não conseguiu o que queria, Neji passou a seguir Naruto a fim de conseguir alguma prova de que ele não tinha "mudado" coisa nenhuma e ainda era o mesmo "gay cachorro enrustido" de sempre. Foi por isso que os dois tiveram aquele "singelo e amigável" encontro na boate gls, Neji estava na sua cola naquela época. Mas desde que terminou com Hinata, Neji sumiu do mapa e não veio incomodá-lo novamente.
Só que parece que havia mais coisa nessa história, coisas que ele sequer sabia que existiam.
_ Vá sozinho. – Neji pediu, ainda com aquele tom de voz sério, interrompendo os pensamentos de Naruto sobre o passado dos dois.
_ Mas meu namorado vai viajar comigo pra audiência! – sentiu suas bochechas esquentarem ao admitir aquilo, quase conseguia ver o sorriso sarcástico que Neji o lançava do outro lado da linha. – Ele vai querer me acompanhar se eu sair do hotel.
_ Seu namorado, é? Parou de ser enrustido?
_ Não era isso que você queria com tanto gosto? Que eu deixasse de ser enrustido?
Argh! Neji exercitava mais sua paciência do que mil Itachis e mil Sasukes juntos! E isso era um feito e tanto!
_ Pouco me importa com quem você transa Uzumaki. Eu só queria que você parasse de destruir o coração das pessoas importantes ao meu redor. – ouvir essas palavras fizeram com que Naruto se sentisse realmente culpado pela pessoa que era antigamente. Neji podia ser um babaca e tudo mais, mas ele estava certo nesse sentido. Não que Naruto fosse admitir isso em voz alta, é claro! – Mas não quero que seu namorado vá. O que temos que conversar não interessa a terceiros; essa é minha oferta final.
O loiro apertou o telefone e mordeu o lábio inferior, se perguntando de que maneira conseguiria desmarcar a viagem com Kakashi. Era realmente necessário se encontrar em outra cidade? Se bem que sabendo o que sabia da Akatsuki, talvez fosse melhor que eles não se encontrassem naquele território. Vai ver Neji sabia algo a respeito disso e por isso queria realizar um encontro tão longe. Com alguma sorte, o Hyuuga poderia fornecer-lhe informações inéditas sobre o paradeiro de seus amigos.
Ainda sim, esse súbito conhecimento era de se duvidar. Como Neji podia saber de todos esses acontecimentos?
_ Você tem certeza que a Hinata está bem?
Naruto, nem sequer por um minuto, pensou que Neji estivesse escondendo informações para prejudicar Hinata. Não, isso não condizia com a sua natureza. O Hyuuga podia ser prepotente, estúpido e chantageador, mas não havia ninguém mais importante para a vida dele do que Hinata e ele jamais faria algo para prejudicar a garota. Por mais que Naruto não quisesse admitir, ele sabia que o outro tinha um bom coração; só tinha uma maneira diferente de lidar com as coisas. Uma maneira meio "bastarda" de ser.
_ Sim, Hinata-sama está bem. Eu não posso dar maiores detalhes por telefone, mas ela está bem. Confirme o encontro e lá eu te digo mais informações.
Bom, isso era o suficiente. Naruto tomou sua decisão, balançando a cabeça de leve enquanto falava no aparelho; tinha aquele hábito de se comportar como se a pessoa da outra linha estivesse à sua frente quando conversava através de telefones.
_ Certo então, eu vou sozinho, cinco horas antes da audiência em um lugar a sua escolha.
_ Vou te mandar o endereço por sms. Até mais, perdedor.
Naruto, mais uma vez, sentiu um impulso desmedido de jogar o celular no chão e pular no aparelho até que todos os pedaços do objeto tivessem tamanhos de átomos, mas se conteve. Precisava do aparelho intacto para receber a bendita sms de Neji e encontrar com ele, para que pudesse entender o que estava acontecendo ali.
O Uzumaki tinha a impressão que tudo na sua vida estava se encontrando de alguma forma com a Akatsuki. Jiraiya, alguém que ele jamais imaginava que faria parte em uma confusão como aquela, era ex-colega de Orochimaru, um dos principais negociadores de Madara. Shikamaru, seu grande colega de escola, agora estava envolvido até o pescoço com a Akatsuki pela segurança de sua família. Karin, sua irmã perdida, também tinha negócios mal resolvidos com Orochimaru... E como se não bastasse seu inimigo, Neji, parecia saber bem mais coisa do que ele previa inicialmente.
De certa forma isso lhe fazia se sentir desconfortável e indefeso. Naruto sempre tentou ao máximo imaginar que conseguiria viver sua vida da melhor forma possível, apesar de temer que os assassinos de seus pais voltassem a atormentá-lo, ainda mais depois que finalmente conseguiu ler o conteúdo das cartas. Mas agora, de certo modo, ele se perguntava se ainda havia alguma parte de sua vida onde a Akatsuki não tivesse colocado um empecilho sequer.
E, devido a isso, a síndrome de perseguição voltava com todas as forças. Sasuke e Naruto sempre souberam que o passado voltaria a atormentá-los, apesar de encararem essa perspectiva de maneira diferente.
_ É Teme... E depois nós que somos loucos, né? – ele falou para um Sasuke imaginário, suspirando e virando os calcanhares para sair daquele bairro nobre da cidade. Tinha que ir para cara e pensar em uma desculpa para Kakashi não viajar consigo. Pelo jeito, teria uma noite bem complicada ao lado do seu namorado.
Itachi teria que se contentar em dormir desacompanhado.
(***)
_ E que horas você acha que o Uchiha vem?
_ Acredito que logo, talvez antes das sete; isso se ele conseguir acordar.
Pain estava sentado na cama, observando Konan dobrar as flores de origami que tanto gostava de fazer, atividade a qual ele amava assistir. Sua parceira tinha uma graciosidade incomparável e inimaginável, talvez por isso ele gostasse tanto de assistir essas atividades de passatempo. As mesmas mãos que arrancavam a vida de qualquer vítima com apenas um golpe eram capazes de dobrar com delicadeza cada pedacinho de papel, gerando inúmeras flores de modelos e cores diferentes, que se espalhavam pelo quarto nas madrugadas de quarta-feira, o único dia que não tinham treinamento pela manhã.
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Oh, paper flowers
Oh, flores de papel
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Madara achava este passatempo inútil e completamente desnecessário, e quando amanhecia Konan era designada a jogar fora todas as pequenas e delicadas flores que montou com aquela quantidade imensurável de papeis coloridos. Pain gostaria de poder guardar todas as flores no quarto dos dois, mas a inspeção de Madara nunca deixava esse tipo de coisa passar e eles eram forçados a limpar aquela "bagunça". Contudo, Konan nunca reclamava e geralmente limpava tudo sozinha sem qualquer tipo de ressentimento.
Apesar dos trabalhos com origamis, Madara não colocava Konan no "grupo dos artistas" do QG, sendo que os únicos membros da Akatsuki que faziam obras-primas (ao menos no julgamento de Madara, pois Pain achava os trabalhos de Konan mais bonitos do que aquelas supostas "amostras de arte") eram Sasori e Deidara, e a dupla tinha um depósito justamente para guardar seus trabalhos.
Em uma ocasião em específico, Pain perguntou para a dupla de artistas se poderia deixar os origamis de Konan no dito depósito, para evitar jogá-los fora. Ambos torceram o nariz pra sua pergunta, insinuando (sem dizer diretamente, é claro, eles ainda respeitavam a hierarquia) que o que Konan fazia era repetição de técnica e não arte. Deidara até disse qualquer coisa de "cultura do pop" e sabe-se lá mais o que.
Obviamente sua companheira nunca soube dessa sua tentativa frustrada de guardar suas preciosas flores, porque provavelmente os dois teriam brigado sério caso ela soubesse disso. Konan não gostava de desrespeitar as ordens de Madara, muito menos de envolver outros colegas da Akatsuki em seus problemas particulares, até porque tanto ela quanto Pain tinham o ranking mais alto na hierarquia e tinham uma reputação de superioridade a zelar.
Justamente por conta do comportamento natural de Konan, ele não compreendia como ela podia estar agindo daquela forma ao se sacrificar tanto para ajudar Itachi. Isso o deixava enciumado (já que ele não compreendia o que isso poderia significar) e extremamente irritado com os irmãos Uchiha de um modo geral – não apenas Itachi.
Pain estava descontando sua raiva no treinamento de Sasuke e sabia disso. Muitas vezes pegava pesado demais e, apesar de Madara sempre gargalhar à distância e encorajá-lo a continuar, Konan acabava segurando-o e impedindo de maltratar mais o moleque Uchiha. Ele sabia que era irracional descontar suas inseguranças no jovem, mas ainda sim Sasuke era tão petulante que praticamente implorava para apanhar!
Não que Sasuke não estivesse recebendo benefícios com aquele comportamento, muito pelo contrario: o garoto estava dez vezes mais apto para um combate corpo a corpo com a maioria dos membros da Akatsuki, demonstrando uma genialidade surreal no aproveitamento dos treinos e desenvolvimento de técnicas próprias.
Mas Konan o defendia e não gostava quando Pain passava do limite "tolerável". Aliás, Konan recentemente tinha inventado de negar sexo quando os dois discutiam por causa de Sasuke, e esse comportamento era ainda mais suspeito do que entregar a proteína para Itachi. Ela estava agindo tão... Diferente.
Pain suspirou fundo, sentando-se na cama com calma e cruzando as pernas, ainda apreciando as flores de papel se acumularem no chão do quarto por mais alguns minutos antes de respirar fundo e tentar recobrar a atenção da parceira para si.
_ Konan... – ele chamou em voz baixa, um pouco menos enfático do que gostaria. Estava com medo de tocar no assunto; sentia medo de qual seria a resposta dela.
_ Hum? – foi o que ela limitou a responder, não parando de desferir sua atenção a flor azul que fazia com muito esmero, dobrando cada pontinha do papel no local exato para fazer uma dobradura o mais simétrica possível.
_ Você está apaixonada?
.
I linger in the doorway
Of alarm clock screaming and monsters calling my name
Let me stay where the wind will whisper to me
Where the raindrops as they're falling tell a story
Eu permaneço em frente à porta
Ouço o despertador soar e monstros chamarem meu nome
Deixe-me ficar onde o vento irá sussurrar pra mim
Onde as gotas de chuva, enquanto caem, contam uma história
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Konan foi pega de surpresa. Nem em um milhão de anos ela esperava uma pergunta como aquela! Sem querer ela rasgou um pedaço da flor azul que criava e lançou um olhou assombrado para Pain, sequer se incomodando em mascarar suas emoções: o que diabos foi isso que ouviu?
_ De onde você tirou uma pergunta absurda como essa? – ela questionou com a voz fraca, depositando com delicadeza os pedaços de papeis rasgados na mesinha e se levantando de sua cadeira, caminhando lentamente para a cama onde Pain estava sentado, sem saber o que falar naquele momento.
Pain estava cabisbaixo, olhando para todas as flores que ela fizera nas últimas duas horas com tristeza.
Por que ele direciona esse olhar aos pedaços de papeis estúpidos? – Konan se questionava, cada vez mais perdida diante do comportamento do parceiro.
_ Você está fazendo flores cada vez mais bonitas. – ele constatou, ainda evitando olhar Konan depois da pergunta que fizera.
Ela sentou-se a sua frente, forçando o queixo de Pain para cima, observando-o com atenção. Sim, ele estava praticamente implorando para uma análise profissional! Que arcasse com as consequências!
_ Isso se chama prática, não paixão. – ela respondeu sem ousar piscar, analisando as expressões do companheiro minuciosamente, procurando uma resposta para sua principal dúvida no momento: o que Pain estava sentindo?
Ele, por saber muito bem o que Konan estava fazendo, concentrou-se ao máximo para manter uma expressão indecifrável ao responder.
_ Dizem que os artistas se sentem mais inspirados quando estão apaixonados. – ele respondeu, pressionando os lábios com força para que não exibisse nenhuma expressão inconsciente. Detestava sentir-se completamente transparente quando Konan o tratava daquela forma.
_ Isso não é "arte", isso é só um passatempo Pain! – ela soltou seu queixo ao perceber que Pain encontrou uma maneira de driblar sua análise, e instantaneamente o ruivo focou seu olhar a parede oposta da cama de casal. – Que história é essa de paixão? Por quem eu estaria apaixonada? Eu vivo com todo mundo no QG desde pequena!
Pain olhou para Konan mais uma vez, se dando conta de que ela realmente não queria que ele ficasse com essa imagem mental dela. Era tão importante para ela pensar que ele não a via como uma mulher apaixonada? Por que ela se importava tanto com o seu juízo de valor? Não é como se Itachi e Madara não tivessem uma relação de casal apaixonado antes de tudo terminar, e apesar de ninguém mais da Akatsuki parecer viver em um romance fantasioso com seu parceiro, nunca foi algo proibido entre eles. Alias, Madara nunca falou efetivamente sobre paixão com eles, e esse foi um termo que eles conheceram nas experiências passadas fora do QG – algo que o mundo ensinou, e não o chefe.
Em missões sexuais, muitas vezes precisavam fingir estarem apaixonados para que chegassem ao objetivo principal, ainda havia pessoas no mundo que só desejavam sexo caso sentissem uma ligação mais forte com o parceiro, portanto uma boa interpretação de "estar apaixonado" era necessária nessas ocasiões. Por sua vez, as vítimas constantemente se apaixonavam de verdade pelos seus assassinos antes de cada um dos Akatsukis realizar a missão designada, então não era como se Pain nunca tivesse presenciado uma mulher ou homem apaixonado em sua vida. Mais mulheres, para a sua sorte – Pain definitivamente não gostava de se envolver dessa forma com homens.
Sim, ele era acostumado com a "paixão". Ele só não estava acostumado em ver alguém apaixonado de verdade tão próximo de si. E Konan parecia, de fato, apaixonada: andava mais distraída, sorridente, um pouco mais carinhosa; também parecia mais emotiva, brigando com ele com mais frequência do que antes e exigindo coisas que antes não exigia, como atenção e conversas depois do sexo. Pain só não sabia por quem Konan estava apaixonada, mas tinha seus chutes.
_ Bom, mas temos um novo morador no QG agora, não temos? – ele respondeu.
Pain sentiu seu coração se contrair dolorosamente em seu peito e suas mãos suarem de nervosismo. Detestava esse seu palpite de que Konan estaria apaixonada pelo garoto Uchiha, mas as evidências estavam bem claras!
Konan demorou alguns segundos para responder, estupefata diante da insinuação de Pain.
_ Você realmente está achando que eu me apaixonei por Sasuke? – ela estava surpresa com aquela informação que nem sabia como expressar em voz alta sua indignação. De onde diabos Pain tirou uma idiotice como aquela? – Ele é quase uma criança!
_ Itachi se apaixonou por Sasuke e ele tem a mesma idade que nós! – ele disse quase apressadamente demais, e isso o fez virar o rosto para a parede oposta. – Madara também não deve ver Sasuke como uma criança qualquer para designar aquela função para ele.
Pain levantou da cama, mantendo as costas para Konan ao andar até o outro lado do quarto e catar os pequenos pedaços de papel do chão, usando isso como desculpa para que Konan não continuasse inspecionando suas microexpressões faciais. Não gostava de pensar no que Madara havia dito para Konan no telefone antes de se retirar, e não queria que ela percebesse seu momento vulnerável.
_ Ou talvez você esteja apaixonada pelo Itachi, já que está com essa coisa de se submeter a viver com meia dose de proteína só pelo bem dele, e eu sei lá o que vocês fazem quando você vai injetar a dose nele.
A essa altura do campeonato, Konan já estava completamente surpresa e suas feições não escondiam nenhum pouco seus sentimentos: olhos espantados e arregalados, queixo caído, posição ereta e mãos soltas ao lado do corpo, depositadas de qualquer jeito no colchão, suas palmas voltadas para o teto.
Ela não podia estar ouvindo um absurdo como esse!
_ Você está delirando! – ela exclamou assim que saiu do estágio inicial de surpresa, irritando-se consideravelmente– E outra, você também está se submetendo a tomar meia dose de proteína só pra me ajudar, não é? Eu estou vivendo da sua dose!
_ Pois é Konan! E por que será que eu estou fazendo isso? – Pain parou de evitar o olhar analítico da companheira, endireitou a postura e a observou nos olhos, extremamente irritado naquela altura do campeonato. – Anda Konan! Usa sua "mágica" e descubra porque eu 'tô fazendo isso!
_ Não fale assim comigo Pain! – ela respondeu, estreitando o olhar e exibindo os olhos avermelhados, gesto esse que foi imitado pelo outro no mesmo instante.
Konan nunca teve um temperamento instável, mas as palavras de Pain fizeram-na se sentir ofendida de tal forma que estava cogitando a possibilidade de comprar uma briga física com o outro; mesmo sabendo que Pain era mais forte do que ela, no fim das contas.
_ Você sabe que não temos hierarquia nesse quarto!
Ao perceber o nível de irritação que mulher de cabelos roxos atingiu, Pain assumiu uma postura defensiva, pendendo levemente o corpo para trás e abaixando a posição de sua cabeça.
_ Eu não quero brigar com você. – ele disse, apesar de estar evidente em cada expressão corporal. Mas mesmo constatando tudo isso, Konan não conseguiu diminuir sua indignação.
_ Não é o que parece! – ela gritou, sentindo que lágrimas de raiva se formavam em seus olhos. Konan não era de chorar com frequência, mas nos últimos meses sentia-se tão emotiva que não conseguia se controlar: era um ultraje o que Pain acabara de dizer! Ela e o Itachi? Ele realmente acha que ela seria capaz de... argh! – Você está com algum tipo de problema e está descontando em mim! Eu me recuso a acreditar que você pensa isso de mim!
Antes que a discussão dos dois pudesse se tornar mais intensa, ambos ouviram os passos no corredor que indicavam que não estariam sozinhos em breve. Se a nova companhia fosse um dos membros da Akatsuki, ele já teria capacidade o suficiente de ouvir qualquer conversa deles aquela distância, e mesmo se fosse um simples residente do QG era melhor evitar que estes pudessem ouvir seu desentendimento. Tinham uma reputação a zelar, afinal de contas, e por isso optaram por enterrar aquele assunto, ao menos por hora.
Pain atravessou o quarto, se jogando na cama de qualquer jeito e virando as costas para a porta. Respirava ruidosamente e tentava se acalmar, não podia receber qualquer visitante naquele descontrole. Konan, ainda de pé, limpava as lágrimas de suas pálpebras, suspirando fundo e se recompondo da melhor maneira que conseguiu.
Segundos depois, duas batidas fortes soaram no quarto escuro e Konan deu dois passos até a grande porta de madeira, destrancando-a e abrindo-a ruidosamente.
Como ela previa, Sasuke estava ali. Um pouco mais cedo do que ela imaginava, afinal ainda eram cinco da manhã, mas ainda sim presente, e com os bizarros olhos violetas a postos, algo que não via desde o castigo de Itachi na câmara de treinamento, circundados por olheiras profundas que indicavam uma péssima madrugada de sono.
_ Li o seu bilhete. – ele murmurou para ela, olhando para os lados naquele corredor, aparentando estar preocupado em ser seguido. – É seguro conversar?
Konan afastou-se da porta para permitir que o garoto Uchiha entrasse no quarto do casal; de longe, conseguiu ouvir Pain trincar seus dentes de raiva, mas não deu atenção para ele no momento, contente por ele ainda continuar deitado naquela cama e não comprar briga com Sasuke, que entrou no quarto sem grandes rodeios e permitiu que ela fechasse a porta em seguida.
Ela inspirou fundo, tentando se concentrar nos assuntos que tinha que tratar com Sasuke. Seu problema com Pain poderia esperar, apesar de ela estar se sentindo levemente sufocada por causa da prévia discussão. Fitou Sasuke nos olhos, tendo a plena certeza de que falaria bastante naquele início de manhã.
Sasuke precisava ouvir muitas coisas.
_ Sim. – ela respondeu, sem grandes rodeios. – Madara, como prova de confiança, não põe câmeras no quarto dos cinco primeiros da hierarquia. É uma das nossas recompensas, a privacidade, e isso incentiva que todos treinem cada vez mais pra subir na hierarquia, bem como faz com que nós, os com postos mais altos, lutarmos constantemente pela manutenção do posto.
Sasuke ouviu tudo em silêncio, mas fez um breve aceno de cabeça quando Konan pareceu terminar sua explicação.
_ Então é seguro conversar aqui. – ele concluiu o óbvio, arrancando uma risadinha sarcástica de Pain, o qual ainda estava na sua posição inicial: deitado de costas para os demais presentes.
Todavia, a risada foi o suficiente para desprender a atenção de Sasuke, que desferiu um olhar lívido e ainda mais brilhante para o ruivo. Konan resolveu interferir.
_ Aqui é seguro falar, mas onde leu o bilhete? – apesar de ser uma tentativa de evitar brigas, era uma curiosidade real. Konan confiava na capacidade lógica de Sasuke e sabia que ele teria cuidado ao ler o bilhete; ainda sim, precisava tirar essa preocupação da mente.
A pergunta, incrivelmente, trouxe a atenção de Sasuke de volta para si. Konan quase suspirou aliviada ao ver que conseguiria evitar uma briga, pelo menos por hora.
_ Li no quarto de Madara, ele nunca tranca a porta de comunicação com o meu quarto. – Sasuke respondeu, sua voz tão fria quanto a voz de Itachi (Tsk, Uchihas e suas malditas inexpressividades!). – Lá com certeza não tem câmeras, ele saiu cedo hoje.
_ Esperto, Uchiha, esperto. – ela respondeu, sorrindo um pouco ao elogiá-lo. Sasuke, apesar de parecer indiferente ao elogio, deixou escapar uma microexpressão que denunciou sua felicidade.
Não era como se ela estivesse apaixonada pelo menino Uchiha, Konan sentia até vertigem em pensar em um absurdo como esse! Mas o sentimento que ela nutria por Sasuke era diferente do que ela havia sentido até então por seus colegas do QG. Era algo protetivo, talvez por ele ter iniciado o treinamento tão fraco que parecia que iria quebrar no primeiro golpe forte que recebesse. Ou talvez fosse pela idade, ela o considerava muito novo em comparação aos outros naquele lugar para passar por aquele tipo de coisa, mesmo que ela própria tenha sofrido um treinamento mil vezes pior quando menina, antes mesmo da adolescência.
Era estranho.
De certa forma ela não queria que Sasuke se machucasse, queria auxiliá-lo a andar pelo caminho mais fácil e não o mais complicado. E ele parecia ter tomado o caminho difícil, afinal, depois do que vira Itachi passar, para ela estava bem claro o que acontecia com todos os brinquedinhos sexuais de Madara depois que perdiam a serventia.
A respeito das acusações absurdas de paixão que Pain fez, Konan não tinha nem o que pensar; estava certa de que aquilo definitivamente não era paixão, nem para Itachi, muito menos Sasuke.
Talvez fosse uma mistura de compaixão e curiosidade, afinal, ela queria aprender sobre o mundo exterior, e Itachi e Sasuke conheciam esse mundo. Afinal, ela compreendeu, depois de seis meses de questionamento, que vivia em um mundo criado por ela mesma.
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In my field of paper flowers and candy clouds of lullaby
I lie inside myself for hours and watch my purple sky fly over me
No meu campo de flores de papel e doces nuvens de canções de ninar
Eu repouso dentro de mim mesma por horas e assisto meu céu roxo voar sobre mim.
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Nunca mais tocou nesse assunto com Pain e chegou a esta conclusão sozinha. Apesar de saber que Madara privava todos de uma vida no mundo exterior, ela compreendia agora que suas experiências e certezas criaram um mundo particular naquela prisão. Dentro dos limites do aceitável por Madara, ela podia sonhar, fantasiar e viver a realidade que lhe era imposta; mas não podia ir além, e isso limitava a sua pessoa.
Ela tinha o seu mundo, o seu próprio universo: missões, reconhecimento, uma cama quente e um parceiro sexual todas as noites. Tinha um posto hierárquico bom, era reconhecida e admirada por todos do QG e não apenas pelos membros da Akatsuki, recebia algumas regalias por causa da hierarquia. Era uma das rainhas do mundo disposto por Madara e por ela aperfeiçoado no interior de sua mente.
Mas ela finalmente decidiu que não queria mais viver naquela doce prisão. Tal qual Itachi, queria ousar, queria se desprender das amarras que a limitavam, da venda que cobria seus olhos. Queria ser tão corajosa como ele.
Não, definitivamente não era apaixonada por Sasuke e Itachi. Ela protegia Sasuke, e admirava Itachi. Apenas isso.
_ Como conseguiu por o bilhete no quarto? – Sasuke questionou depois do breve silêncio, ainda um pouco desconfiado de toda aquela situação. – Madara disse que foi Orochimaru quem trouxe as pílulas. Meu quarto com certeza têm câmeras.
Konan não pestanejou em responder, ainda sorrindo de leve para o mais novo.
_ O bilhete foi escrito por Orochimaru, apesar de ser a pedido meu. – Sasuke pareceu mais desconfiado ainda e prestes a interromper, mas ela ergueu a mão em um pedido de silêncio; Sasuke permaneceu calado. – Orochimaru tem interesse que eu passe essa informação para você, apesar de eu não saber que tipo de ganho ele pode ter com isso. Ele já sabe o que vou informá-lo em breve, mas como ele obteve essa informação eu também não tenho a menor ideia.
Sasuke pareceu um pouco confuso por aquelas palavras, mas não achou que qualquer coisa que perguntasse a Konan com relação a Orochimaru fosse respondida com certeza – aquela maldita pessoa era um enigma. Ao constatar isso, buscou o pedaço de papel em meio as suas vestes e o entregou para a mulher mais velha lesse o que estava escrito. Se não foi ela quem escreveu o conteúdo daquelas palavras, seria bom saber se havia alguma jogada de Orochimaru por detrás disso.
_ Você pediu para ele escrever isso? – ele questionou, enquanto ela lia cada palavra do pequeno bilhete com rapidez.
_ "Sasuke Uchiha, Madara tem uma função importante para você e incumbiu a Konan a missão de lhe repassar as informações correlatas. Procure-a.". Sim, foi exatamente o que eu requisitei que fosse escrito. – ela respondeu, rasgando o bilhete em vários pedacinhos e deixando-os cair no chão para queimá-los-ia mais tarde, quando Sasuke se retirasse. – Eu precisava que você viesse me procurar no quarto, porque nos nossos treinamentos somos monitorados e eu não poderia tocar no assunto que preciso chegar.
Sasuke, ainda sim, não pareceu satisfeito com aquela resposta. Cruzou os braços, e mais uma vez indagou.
_ Se Orochimaru já sabe a informação que quis me repassar, por que não escreveu no bilhete e me fez vir até aqui falar com você?
O Uchiha mais novo definitivamente não gostava de Orochimaru, não que ele gostasse de muita gente no QG, só que Orochimaru era um caso a parte. O cientista constantemente seguia Sasuke, ou o provocava, e às vezes deixava no ar uma ameaça implícita de que assim que Madara resolvesse suas pendências com o mais novo, ele seria o próximo da fila.
Asqueroso!
_ Orochimaru sabe a parte técnica do assunto, mas não sabe a minha versão. – ela respondeu calmamente, ouvindo Pain se remexer de maneira incômoda nos lençóis da cama; provavelmente estava se sentindo desconfortável com a presença de Sasuke e esperava um bom motivo para expulsar o garoto de lá. – Eu quero que você saiba a minha versão e temia que se eu escrevesse e entregasse um bilhete por intermédio de Orochimaru você poderia ler e ter muitas emoções em um lugar vigiado. Se fosse pego lendo apenas esse bilhete, o problema seria bem menor do que se fosse pego lendo uma grande carta de minha autoria.
Essas palavras chamaram a atenção de Pain, que agora se sentava na cama e olhava para Sasuke e Konan com grande curiosidade. O Uchiha, por sua vez, não disfarçou seu imenso interesse no assunto, assumindo uma postura igualmente curiosa, talvez até um pouco afobada, mesmo com a falha tentativa de esconder suas emoções.
Konan achou que o garoto parecia realmente um garotinho empolgado naquele momento, sentiu seu coração um pouco mais quente por dentro. De relance olhou para a cama e percebeu que Pain agora encarava as costas de Sasuke; ao sentir seu olhar a observou nos olhos por alguns instantes.
Ela sentiu uma inexplicável vontade de fazer as pazes com seu parceiro, sem sequer entender de onde vinha essa reação.
_ Então diga logo o que tem para me contar! – Sasuke interrompeu seus pensamentos abruptamente, com impaciência e rispidez palpáveis em sua voz.
Ela balançou afirmativamente a cabeça e chamou Sasuke para adentrar ainda mais seus aposentos, indicando uma das cadeiras da mesa onde costumava fazer seus origamis. Mesmo achando estranho a quantidade de flores de papel naquele lugar, Sasuke realizou o desejo de Konan e sentou-se na cadeira.
Sasuke sabia que Konan gostava dele. Apesar de saber que Pain morria de ciúmes disso (e só um completo idiota não perceberia isso), Sasuke tinha consciência de que Konan o tratava daquela forma por causa de uma "síndrome de Kakashi". O que isso quer dizer? Que assim como Kakashi agia de maneira paternal consigo, Konan exibia um grande lado maternal com ele. Por quê? Oras, porque são dois desesperados para terem filhos! E essa era a única explicação que Sasuke conseguia criar em sua mente!
Claro, ela era mais fria que Kakashi e bem menos invasiva com seus assuntos particulares, o que era algo muito bom, já que assim ela não lhe irritava tanto. Porém, apesar de tudo, Sasuke não retribuía com a mesma intensidade o sentimento protetor de Konan. Não negava que era bastante reconfortante ter alguém preocupado com seu bem-estar naquele inferno e de certa forma até que gostava da atenção, principalmente por irritar o prepotente Pain e fazê-lo borbulhar de ciúmes (o infeliz merecia isso!), mas era só.
Konan sentou-se a sua frente e Pain saiu da cama, caminhando para próximo da companheira e depositando suas mãos nos ombros dela em um gesto carinhoso, mas ainda olhando Sasuke com irritação.
Se o mais novo não estivesse tão farto de toda aquela confusão ou mesmo tão cansado pela noite horrível de sono e aqueles malditos efeitos colaterais da pílula roxa, com certeza teria tirado sarro de Pain. Um dos poucos divertimentos que Sasuke tinha no QG era tirar o outro do sério, porém naquele momento ele optou simplesmente por sorrir prepotente para o ruivo, tendo como resposta o olhar avermelhado em instantes.
Tch, ele acha que eu tenho medo disso? Se tivesse medo de homem com olhos bizarros não teria virado de costas e dado pra um! Ou... Dois! – Sasuke pensou, assustando-se com o pensamento. Se não estivesse seis meses "sozinho", era até possível imaginar que foi um pensamento da sua outra mente problemática e desaparecida.
De qualquer forma, isso não tornava o pensamento menos vergonhoso, e para evitar o leve rubor que atingiu suas maças de ser percebido pelos demais presentes, também tratou de ativar ainda mais seu olhar e fitar Pain da maneira mais ameaçadora possível.
Aquela noite foi complicada, mas ao menos agora conseguia controlar o frio e sono excessivo, depois de uma noite inteira de dores de cabeça. Realmente, o treinamento de Madara ajudou muito em seu autocontrole, ao ponto de que ele até conseguia ficar com os olhos ativados por mais tempo do que antes e não sofria os efeitos colaterais na mesma intensidade, apenas um pouco de frio e fadiga muscular controlável. A sede, contudo, voltava com força total depois de algum tempo.
_ Espero que você ouça, de verdade, o que eu tenho pra dizer... – Konan comentou baixinho, mais para si mesma do que para os demais presentes. Sasuke franziu o cenho diante deste comentário, não gostando da mensagem implícita nele.
_ Quer saber? Não vejo como algo que você possa saber seja tão chocante assim para me contar. Você mora nesse inferninho criado por Madara desde sempre, o que sabe sobre o mundo pra me revelar?
_ Fecha a boca se for pra falar besteira, pivete! – Pain interferiu, mas Konan levou uma das mãos até a mão direita do ruivo, acariciando-a e fazendo-o corar com o contato.
Pain optou por se calar, um pouco mais feliz por perceber que com este gesto, de alguma forma, sua companheira perdoou a discussão de poucos instantes. Não queria estragar tudo e brigar com ela por causa de Sasuke. De novo.
Alheia à satisfação de Pain com seu toque suave, Konan continuou direcionando sua atenção para o Uchiha.
_ Bom Sasuke, caberá a você decidir no final das contas. Mas saiba que eu precisei rever muito dos meus próprios conceitos para compreender o que precisava ser compreendido, e eu não arriscaria minha vida para dizer algo sem importância.
_ Do que você está falando Konan? – Pain perguntou, um pouco preocupado pelas palavras que acabara de ouvir.
O que ela iria dizer para Sasuke? Quando soube que o pirralho iria fazer uma visita, Pain achou que Konan simplesmente ia repassar a missão dada por Madara. Afinal, ele estava ao seu lado quando Madara disse para ela repassar a missão pra Sasuke naquela manhã; Madara havia ligado e informado a mudança de missão do Uchiha, Pain ouvira a ligação. Mas a maneira como ela falava dava a entender que iria dizer mais alguma coisa, e alguma coisa grande.
_ Uchiha. – Konan começou a falar, adotando um ar um pouco mais técnico. – Madara me mandou te informar algumas coisas e te passar uma missão, mas ela foi alterada esta madrugada.
_ Missão? – Sasuke repetiu em tom jocoso, se perguntando qual seria a ousadia de Madara em achar que poderia lhe dar uma missão. Ora, tenha a santa paciência! – Que porcaria de "missão" é essa que o déspota quer que eu faça?
Konan gostava da ousadia de Sasuke na sua escolha de palavras, e apesar de não concordar com essa definição que Sasuke dava à Madara, sorriu em divertimento: Sasuke era corajoso, tal qual Itachi, e falava o que vinha a sua mente. Apesar de se mostrar um problema, tendo em vista o número de castigos que recebeu pela sua "boca grande", Konan via tal rebeldia como uma qualidade e não um defeito.
_ Você é, oficialmente, um membro da Akatasuki agora, herdando a posição de Itachi Uchiha, nível três na hierarquia.
Pronto, ela soltou a bomba e esperou a reação de Sasuke com certa curiosidade. Inicialmente ele pareceu chocado e muito provavelmente parou de respirar, mas depois de cinco segundo de um silêncio constrangedor, respirou tão ruidosamente que Konan achou que ele ia rugir em seguida.
_ O quê?! – tanto Pain quanto Sasuke gritaram alto, o som de suas vozes reverberando pelo ambiente.
Pain circundou a cadeira de Konan e se posicionou a sua frente, olhando-a com certo pavor e indagando-a antes mesmo de Sasuke começar a ter seu ataque emotivo.
_ Quando Madara te disse isso? – ele perguntou com a voz alterada, levemente esganiçada. Konan suspirou fundo, compreendendo a preocupação de Pain.
Pain, tal qual Konan, já suspeitava que em breve Sasuke participaria da Akatsuki; Madara já havia deixado essa informação no ar, e muito provavelmente ele acreditava que depois que o Uchiha caçula realizasse sua vingança acabaria aceitando permanecer na Akatsuki. Era difícil para eles descobrirem exatamente o que Madara queria, mas esses eram os planos mais lógicos. De qualquer forma, Madara não dava laço sem nó, e essa decisão de transformar Sasuke em número três não foi sem pensar.
Era fácil perceber que o líder não confiava em Sasuke para colocá-lo naquela posição hierárquica, entretanto a situação era no mínimo peculiar. As posições que os membros da Akatsuki possuíam eram dadas conforme o controle do Rötschreck e do Frenesi, somados com as habilidades de combate e ao grau de lealdade a Madara. O Uchiha mais novo não possuía olhos vermelhos, nem precisava da proteína. Sasuke sequer tinha quaisquer problemas com o Rötschreck ou Frenesi! De modo que a pergunta continuava sem resposta: por que Madara deu a terceira posição hierárquica para esse novato petulante?
Até porque colocá-lo na terceira posição criaria conflito com todos os inferiores de Sasuke, principalmente com o número quatro. Estaria ele tentando, mais uma vez, jogar com os seus subordinados e medir seu nível de lealdade? A traição de Itachi o deixou ainda mais desconfiado nesse aspecto?
Pain e Konan pensavam exatamente a mesma coisa no momento, e por isso Pain parecia tão preocupado. Eles não podiam se dar ao luxo de ter uma comoção contra a hierarquia no QG na situação em que se encontravam. Madara só podia estar enlouquecendo!
_ Mês passado, em um dia quando você e Sasuke estavam treinando imobilização. – ela respondeu em voz baixa, encarando Pain e pedindo silenciosamente que ele não transmitisse suas dúvidas no momento. Eles precisariam discutir a respeito disso sem a presença de Sasuke. – Pediu pra eu informar no dia que Sasuke despertasse os olhos violetas mais uma vez, e ele está aqui exibindo de bom grado o novo olhar.
_ Mas... Que palhaçada! Quem disse que eu quero fazer parte da Akatsuki!? Quem disse que eu quero uma missão? Tudo que eu quero é me vingar de Itachi, todo mundo sabe disso. Madara sabe e encoraja isso!
Sasuke falou tudo tão rápido que as palavras se embaralharam. Ele respirava ruidosamente, estava estressado, desconfiado e assustado com essa perspectiva. E, mais uma vez, estava bem claro que ele não tinha a mínima intenção de entrar na Akatsuki.
Qual seria a jogada de Madara?
_ Não pense que Madara está confiando em você Sasuke, ele tem seus motivos pra te designar esse cargo. – Konan explicou, tentando acalmar o garoto também.
Como Pain parecia preso em seus pensamentos, a mulher levantou-se e caminhou até Sasuke, fitando-o nos olhos e aguardando uma resposta.
_ Não faz sentido! – ele exclamou, também pensando mil coisas por segundo, tal qual Pain.
Todavia, o próprio Pain parecia ter desistido de achar uma resposta para aquelas perguntas e, para variar, descontou sua irritação em Sasuke para não perder o costume:
_ Algo na sua vida faz sentido Uchiha? – indagou o ruivo com desdém. O olhar avermelhado novamente em seus olhos. – Até agora eu não entendo como um bostinha como você veio parar aqui!
Ao ouvir essas palavras, Konan lançou um olhar desesperado para Pain, percebendo com horror que ele estava com os traços iniciais de Frenesi.
Como assim? Frenesi? Agora? Por quê!? Isso não poderia acontecer! Não agora!
No entanto, Sasuke não parecia ter percebido a situação específica de Pain naquele instante, e por isso rebateu a ofensa com o mesmo nível de lividez.
_ Olha quem fala seu merda! Vocês dois vivem nessa merda de fantasia e acham que podem apontar o dedo pra mim?
_ Já chega! – Pain exclamou, pegando impulso com seu braço direito, pronto para cair esmurrar Sasuke o máximo que conseguisse.
Contudo, Konan o segurou com força e impediu o golpe de ser desferido, segurando seu antebraço com força. Apesar de ter impedido o ataque de Pain, ela não estava nem um pouco feliz com as palavras de Sasuke.
E deixaria bem claro isso.
_ Não subestime minha capacidade de percepção, Sasuke Uchiha. – ela falou baixinho por cima do ombro, exibindo os olhos avermelhados para o garoto mais novo. – E não subestime um Akatsuki em fúria!
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Don't say I'm out of touch with this rampant chaos - your reality
I know well what lies beyond my sleeping refuge
The nightmare - I built my own world to escape
Não diga que sou inalcançável neste galopante caos - a sua realidade
Eu sei bem o que existe além do meu refúgio adormecido
O pesadelo - eu construí o meu próprio mundo para escapar
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Sasuke, percebendo que os dois estariam contra ele caso continuasse a explodir daquela forma, engoliu em seco. Apesar de Madara ser mais forte do que eles e ser uma ameaça física grande, Madara jamais o mataria por motivos óbvios. Pain provavelmente adoraria destruí-lo, e apenas o fato de ter Konan ao seu lado o fazia ter coragem o suficiente para provocá-lo. Irritá-la e fazê-la ficar contra si não era uma boa jogada, ainda mais naquela situação.
_ Acalme-se. – ela murmurou para Pain, olhando-o nos olhos e falando com suavidade, tentando acalmar o outro com seu tom de voz. – Você está quase entrando em processo de Frenesi e não faz seu perfil se descontrolar desse jeito por causa de um adolescente bocudo. Você é o número um! Não perca seu posto por algo assim!
Sasuke lembrava-se muito bem de como era assombroso ver um dos membros da Akatsuki naquela situação bestial; se não estava nem um pouco crente de que conseguiria enfrentar Pain no auge de seu poder, quem dirá Pain em frenesi? Mesmo com toda a força e percepção que os olhos violetas trazem, lhe faltaria técnica.
O ruivo suspirou fundo e se concentrou, sabendo que Konan tinha razão. Perder o controle daquela forma não apenas destruiria o quarto dos dois, como também poderia resultar em uma queda de patente – afinal, ele era o número um por ter o maior controle da besta interior dentre os demais Akatsukis.
Quando Pain já parecia recomposto o suficiente, Konan voltou a se sentar em sua cadeira, sem apagar o brilho rubro de seus olhos enquanto encarava Sasuke e ele, apesar de toda postura fria, demonstrava traços de apreensão visíveis em cada centímetro de seu rosto.
Pain, sabendo que agora caberia a ele as questões técnicas da Akatsuki (na ausência de Madara, era Pain que organizava os demais membros e suas atividades), caminhou ao lado de Konan. Também manteve os olhos avermelhados a postos, mas desta vez adotou uma postura profissional ao dirigir a palavra para Sasuke.
_ Numero três, espero que tenha compreendido todo o jogo de patentes e títulos desse lugar com a observação de nossas interações nos últimos seis meses. – ele falou, mostrando bem porque tinha a postura hierarquicamente superior ao não manter mais qualquer hostilidade ao Uchiha; se agora Sasuke fazia parte da Akatsuki, seria tratada por ele como tal, apesar de toda sua antipatia com o garoto cabeça-dura. – Você não é mais um mero protegido de Madara, esta no jogo ao nosso lado, e se tem alguma objeção quanto a isso fale com o líder no seu retorno.
_ Madara saiu por muito tempo? – Sasuke perguntou, recebendo um olhar raivoso de Pain em retorno por ter sido interrompido.
_ Madara está em uma viagem de sete dias, viajou essa madrugada. – Pain respondeu com os dentes cerrados de ira. – Mas ele te designou uma missão de iniciação a ser realizada agora, e você deve fazê-la independente de desejar entrar na Akatsuki ou não. Agora seja um bom subalterno e ouça o que número dois tem para te passar.
Sasuke girou os olhos após ouvir todo aquele formalismo de Pain, sabendo que se aquele bendito título não fosse passado para ele não seria tratado daquela forma no momento. Quando se deu conta de que Pain o chamara de "subalterno", Konan já estava explicando a situação, e portanto Sasuke perdeu a oportunidade que tinha para retrucar.
_ Sua missão consistia em uma visita ao leito de Kakashi, apenas para averiguação de sua integridade física e do seu estágio de coma. – ela falou, ignorando o ar indignado de Sasuke. – Era, muito provavelmente, uma missão de lealdade; o líder observaria caso você tentasse salvar Kakashi de seu destino, demonstrando não ser leal a ele.
_ Eu não sou leal a Madara. De onde ele tirou isso?
Essa é a pergunta que não quer calar, garoto.
_ Não questionamos as ordens do chefe, apenas as cumprimos. Ele tem seus porquês para qualquer coisa que não entendemos; se não tivesse objetivos palpáveis e uma boa tática de jogo, não seria quem é hoje.
Isso Sasuke não podia negar, mas jamais iria admitir em voz alta. Madara era um bom estrategista, e se não fosse não teria destruído Itachi da maneira que destruiu. Ele precisava continuar atento para não ser enganado pelo maldito déspota.
_ Todavia, sua missão mudou essa madrugada. – Konan falou, e aguardou por algum pronunciamento dos demais presentes. Pain nada disse, se colocando em posição de defesa por saber que, provavelmente, Sasuke teria um chilique; e o próprio garoto, por sua vez, estava curioso demais para interromper o que ela dizia. – Sua nova missão consiste em uma missão sexual contra Itachi Uchiha.
Sasuke arregalou tantos os olhos que mal parecia o Uchiha de antes. Konan lembrou-se vagamente do garoto desesperado e choroso no dia do castigo de Itachi. Certamente ele não esperava por uma missão como aquela.
_ ... O quê? – ele murmurou sem fôlego, mantendo a expressão de surpresa e desespero e seu corpo tremer de leve pelas emoções contraditórias que sentia naquele momento.
_ Madara quer que você realize uma missão sexual, recobrando a confiança de Itachi para si e agindo como espião de tático, documentando o que ocorre do "outro lado".
Todos ficaram em um silêncio desconfortável por um grande período de tempo. Apesar da situação estranha, Konan concluiu que isso era um bom presságio: se Sasuke não estava surtando, já era melhor que nada.
_ Itachi está em estado vegetativo pela ausência de proteína. – Sasuke respondeu tempos depois, sua voz soando levemente robótica, aparentando tentar se convencer daquilo que falava. Por óbvio, a essa altura do campeonato o garoto já estava questionando internamente essa informação.
_ Número quatro esteve atrás de Itachi Uchiha para realizar uma missão, mas ela foi adiada para daqui algum tempo, porque ele descobriu que Itachi está desperto e sobre cuidados. – Konan sabia que a explicação era mínima, mas ela própria não sabia detalhes sobre essa missão abortada. Madara não quis dar detalhes para ela, muito menos para Pain. – Alguém forneceu proteína para ele e Madara quer que você descubra quem, bem como quais são os planos de Itachi. Ele acredita que se aproveitando de sua condição de ex-namorado e atual paixão de Itachi, você consiga reatar um falso namoro e especular seus planos.
_ Mas eu...
_ Tendo em vista que Itachi se sente atraído sexualmente por você, ele acredita que o melhor tipo de missão no momento é uma missão sexual. – ela o interrompeu, não desejando ouvir reclamações do Uchiha antes de terminar sua explicação. – Você sabe o que é uma missão sexual?
Pain resolveu intervir naquele momento, não deixando que Sasuke respondesse a pergunta. Era óbvio que ele não sabia do que se tratava, apenas sabia que envolvia sexo na missão.
_ Missão sexual nada mais é do que uma espionagem de pert nosso tipo de missão mais difícil, porque envolve teatro e maturidade emocional. – Pain respondeu, explicando ao novato como as coisas funcionavam. – A chance de traição em uma missão sexual não é zero, pois sempre há a possibilidade de um de nós se apaixonarmos pela vítima, apesar de ser muito pouco provável que isso aconteça. O que nós fazemos é seduzir a vítima e arrancar as informações necessárias. Geralmente missões do tipo acabam em morte, porque não há motivos para uma vítima viver depois de esgotada todas as informações ou todas as outras coisas que elas podiam nos oferecer. Madara exige a morte da vítima como uma prova de que não nos apaixonamos e nos mantemos leais a ele.
Sasuke parecia completamente estupefato com aquela informação, e Pain, apesar de disfarçar muito bem, estava nervoso. Ele já sabia qual seria a missão de Sasuke, estava ali quando ouviu e temia que Itachi fosse realmente delatar Konan, por isso exibia apreensão – nada que alguém não dominador de microexpressões faciais fosse perceber, mas ainda sim estava muito apreensivo.
Pain se perguntava se, caso matasse Sasuke naquele momento e botasse a culpa no Frenesi, conseguiria assim salvar Konan de um final trágico. Estava bolando um plano de fuga, algo que pudesse salvar a pele de sua colega. Era a única coisa que importava no momento.
Alheio as artimanhas do mais velho, Sasuke ainda estava completamente apavorado pela informação que recebeu. Depois de mais alguns minutos de silêncio, ele se pronunciou, ainda com a voz fraca e incerta.
_ Madara... Está louco! Eu não vou transar com o Itachi, nunca! Muito menos pra... pra...!
Mais uma vez, Konan achou que era a hora de revelar mais informações ao menino Uchiha. Seria mais fácil para ele digerir tudo de uma vez só, não?
_ Uchiha, agora vem a parte que eu quero falar pra você, não correlacionada a nada que Madara disse. – ela falou, desfazendo a postura de hierarquia e voltando a adotar o ar maternal de antes, inclusive diminuindo a intensidade do avermelhado de seus olhos.
Era agora ou nunca.
_ Você não precisa tentar descobrir quem traiu Madara e deu a proteína pra Itachi.
_ Não... Konan! – Pain tentou interromper, e como tentou! Jogou-se por cima da mesa, tentando agarrar sua companheira e tapar-lhe a boca, mas ela foi mais rápida do que ele e conseguiu desviar.
Sasuke olhou toda a movimentação sem ousar interferir, percebendo que Pain queria evitar a informação de ser dita. Mas quando o mais velho quase conseguiu agarrar Konan e impedi-la de falar, Sasuke foi rápido o suficiente para agarrar seu braço, e olhou para a mulher de cabelos roxos com urgência.
_ Diga. – ele murmurou baixo e ela engoliu em seco, e por um segundo reviu todo o seu planejamento, temendo qual seria a reação de Sasuke ao saber a verdade.
Por fim, Konan mordeu o lábio inferior uma vez e suspirou fundo, mas não hesitou em falar. Ela havia decidido ser corajosa, estava na hora de sair da barra da saia de Madara e assumir seus próprios riscos. Ela não iria amarelar agora... E que o destino tomasse conta do resto!
_ Esta pessoa sou eu. Eu entrego a proteína para Itachi todos os meses.
Sasuke e Konan trocaram olhares igualmente assustados e temerosos, estavam tão perdidos nas próprias emoções que não perceberam Pain empalidecer consideravelmente em questão de segundos.
_ Não... Konan... V-você não pode ter dito isso a ele! – ele murmurou, exibindo um leve tremor em seus braços; os demais presentes voltaram sua atenção para ele. – V-você...
_ Pain... – ela tentou acalmá-lo, mas Pain estava muito nervoso.
Ele tremia, cada vez mais e mais, e esticou as duas mãos para segurar o rosto da companheira, olhando-a com olhos lacrimejantes e cheios de emoção.
_ Eu não posso perder você. – ele murmurou; ela acariciou seu rosto, tentando reconfortá-lo.
_ Eu estou aqui Pain, mas essa foi minha decisão. Não posso voltar atrás.
_ Por que disse isso ao pivete Uchiha!? – Pain gritou alto, puxando-a para si e a abraçando, colocando os demais presentes no quarto em uma situação desconfortável.
Apesar do gesto de Pain tê-la pego de surpresa, Konan retribuiu o abraço, levando a mão direita aos cabelos ruivos dele e acariciando-os com carinho. Sorriu um pouco, achando especialmente adorável a maneira como Pain se deixou levar pela emoção daquela forma. Sabia que nenhuma outra pessoa da sua vida seria capaz de dizer algo assim para ela.
Isso era muito bom, porque Pain também era uma pessoa especial para Konan. Seis meses de reflexão fizeram-na perceber essa peculiaridade que estava bem debaixo do seu nariz.
_ Porque eu quero saber o que Sasuke vai decidir fazer com essas informações. Eu quero ver como alguém de fora age no meio dessa dúvida.
Esta foi a primeira vez que Sasuke ouviu Konan chamá-lo pelo primeiro nome, e simplesmente não sabia o que pensar diante de tantas informações bombásticas e da cena que se passava em sua frente. Os dois agora desprendiam o abraço e olhavam para ele, como se aguardassem um veredito do que deveria ser feito.
Sasuke, sentindo-se mais desconfortável do que nunca, afirmou a única certeza que tinha naquele momento.
_ Eu... Eu não sou leal ao Madara. – ele falou, ao fim. Tanto Pain quanto Konan pareciam relaxar. – Eu não quero essa missão e tampouco quero dar essa informação pra ele! Mas você está traindo Madara em troca de que?
Ela suspirou fundo, tirando as mãos de Pain de seu corpo e virando-se totalmente para Sasuke, ignorando a maneira como o ruivo segurou seu pulso, aparentando temer que ela fosse sumir diante de seus olhos.
_ Itachi te ama Sasuke. – ela falou com a voz firme, mas recebeu uma risada debochada em retorno.
_ Tenha santa paciência...! – Sasuke ria, mas seu riso era totalmente rancoroso, sem a menor graça. – Itachi não ama ninguém a não ser ele mesmo!
_ Ele ama sim! – ela interrompeu, não deixando que Sasuke reclamasse de Itachi mais uma vez, já estava farta de ouvir esse tipo de reclamação, tanto Sasuke quanto Madara falavam isso a todo o momento! – Ele perdeu tudo por sua causa, tudo que tinha. Estava disposto a perder a vida por você. E sabe o que ele me fala todos os meses quando eu vou lá?
_ Eu não quero saber! – Sasuke respondeu rispidamente, mas Konan preferiu ignorar tal resposta.
_ Ele pergunta se você está bem, pergunta se está vivo e consciente, o que Madara está fazendo com você! Eu nunca respondo as perguntas dele, mas mesmo assim...! Ele falou para mim que te ama e diz que virá te buscar quando estiver bem!
_ Você fica dando mole pra conversa fiada dele Konan! – foi Sasuke quem disse isso, encarando-a com seriedade. – Se Itachi me amasse, não teria mentido pra mim ou feito o que fez!
_ Eu sou especialista em microexpressões faciais! Eu sei quando alguém mente para mim e sei que ele realmente te ama Sasuke! – sua voz soava um pouco desesperada, ela queria que Sasuke a ouvisse! Pelo menos uma vez.
_ Ele é um bom ator.
Mas, aparentemente, não era apenas um cabeça-dura... O Uchiha simplesmente não sabia pensar racionalmente!
_ Não subestime minhas habilidades Uchiha! – ela estava até um pouco ofendida pela insinuação de Sasuke. Oras! Até parece que Itachi iria conseguir enganá-la! E a troco de quê ele faria isso? – Ninguém consegue me enganar!
Estava pronta para retrucar ainda mais, mas Pain resolveu tomar a palavra para si naquele instante.
_ Do que você tem medo pivete? – foi Pain que falou, dando um passo a frente e ficando do lado de Konan, enquanto esta o olhava de canto de olho, surpresa pela sua iniciativa.
_ Olha quem fala! Você que 'tá se cagando de medo de eu denunciar a Konan!
_ Eu não quero que a Konan seja prejudicada por acreditar nos sentimentos das pessoas! Principalmente por acreditar num pirralho de bosta como você!
_ Acreditar no "sentimento" das pessoas? E isso não vai conta tudo que é ensinado aqui? Ou agora vocês estão tendo aulinhas de "intuição" na sexta-feira? – o sarcasmo de Sasuke era tão forte as vezes que Konan se perguntava se ele e Madara não seriam parentes de algum grau, porque só isso explicaria esse comportamento!
E esses dois, não tomam jeito mesmo! Pain parece voltar a ter 15 anos quando está com Sasuke!
_ Isso é contra tudo que nos é ensinado aqui, mas a favor de condição humana. – Konan desprendeu a mão de Pain de seu pulso, mas tomou-lhe com a sua, entrelaçando seus dedos ao redor dos dedos de Pain e ignorando o suspirar de surpresa que o companheiro deixou escapar ao seu lado. – Eu optei por aceitar minha condição humana e sair dessa zona de conforto criada por Madara e por mim. E se eu morrer...
Ela virou a cabeça e olhou para Pain. Ele, por sua vez, sorriu de maneira comedida, esticando o indicador e acariciando a bochecha esquerda de Konan. Aparentemente aquele simples gesto significou muita coisa para o ruivo, ao ponto de deixá-lo tão sereno e feliz, mesmo na presença de Sasuke.
_ Se você morrer, eu te encontro no inferno antes da quarta feira. É dia de te ver montar origami... Espero que nosso "chefe" de lá seja menos carrasco que o Madara e nos deixe manter as dobraduras.
Konan riu intensamente, sentindo-se tão realizada com as palavras de Pain que nem se preocupou mais com a presença de Sasuke, passando os dois braços ao redor do pescoço do ruivo e puxando-o para um beijo rápido.
E o Uchiha, vendo toda a naturalidade daquela cena, não pôde deixar de sentir-se um pouco menos apreensivo e talvez até um pouco feliz pelo casal. Não que Pain merecesse um amor retribuído, mas de certa forma era sempre bom ver duas pessoas amando. Sem querer, ele pensou em Itachi, e quis se espancar com toda força no mesmo instante.
Mas optou por não fazê-lo, e sim separar o casal a sua frente com um pigarro, denominando que exigia atenção. O casal interrompeu o beijo e voltou a fitar Sasuke, que estava em uma posição desconfortável naquele lugar, desejando se retirar dali o quanto antes.
_ Eu não posso recusar a missão... – ele falou, ainda refletindo – Mas eu posso utilizá-la para meus próprios propósitos. Eu posso sim seduzir Itachi e pegar informações para destruir Madara, e quando Itachi não me for mais útil simplesmente corto sua cabeça em uma madrugada de sono.
Até mesmo falar esse tipo de coisa doía no coração de Sasuke, mas ele não iria ceder. Ele tinha uma vingança a cumprir. Ele optou por isso, e mesmo se Itachi realmente o amasse... Isso só mostrava quem era o Uchiha mais doente e inconsequente dos dois, não é mesmo?
_ Sasuke, como você optou por manter nosso segredo, nós manteremos o seu. – Konan disse, um pouco entristecida por ouvir o garoto falar essas coisas.
No fundo, ela tinha a esperança de que ele fosse ouvir a razão, ou talvez o coração. Sasuke estava tão surdo que não ouvia absolutamente nada, agindo como um animal cego e desesperado, guiado pelo condicionamento de Madara. Tal qual ela, Pain e Itachi, há pouco mais de alguns meses.
_ Mas se você quer se aproveitar do Itachi, ao menos ouça de maneira neutra o que ele tem a dizer. – ela finalizou seu discurso, tentando se convencer de que, talvez, Itachi conseguisse por algum juízo na cabeça de Sasuke em uma das conversas que tivessem na missão sexual.
_ Ele... – o mais novo estava pronto para acusar Itachi de tudo! Dizer que não ia ouvir coisa alguma, que não se importava com a versão dele e tudo mais!
Mas Pain, que estava cansado das infantilidades de Sasuke, resolveu interromper antes que aquele discurso de vingança viesse a tona mais uma vez e o fizesse perder tempo ao ouvir Konan falar com as paredes.
_ Pivete, não fique em uma convicção eterna de algo simplesmente pelo medo de mudar o caminho. – dessa vez foi o ruivo quem falou, parecendo realmente sincero, sem nenhuma intenção de prejudicar Sasuke, apenas de cortar aquela estupidez antes dela começar. – Konan está arriscando muita coisa e eu também estou arriscando. Eu podia muito bem quebrar seu pescoço aqui e agora.
_ Pain! – ela gritou, mas Pain não parou de falar.
_ Assim, o segredo de Konan estaria a salvo, enterrado contigo em sua sepultura. Mas eu optei por confiar no julgamento dela, e consequentemente confiar em você. – ele continuou seu discurso, acariciando a mão de Konan como se pedisse perdão pela ameaça que fizera a Sasuke. Não queria chateá-la, ainda mais depois do beijo singelo, mas maravilhoso, que acabou de receber. – A vida que você vivia antes disso tudo não era técnica, era regada de emoções e intuições; a sua sociedade viveu muito bem até hoje desta forma.
Apesar do discurso de Pain, Sasuke ainda pareceu confuso pelo que acabou de ouvir. Ele estava lhe ameaçando ou aconselhando? Konan, percebendo sua confusão, resolveu explicar as palavras de seu companheiro, sabendo que era natural que o mais novo não as compreendesse por completo – afinal, ele não estava acostumado em ouvir conselhos do número um da Akatsuki.
Nem ela, para ser bem sincera.
_ O que Pain quer dizer Sasuke, é que não tenha medo de confiar nos outros. – Konan murmurou, dando dois passos a frente e acariciando afetuosamente o rosto assustado do garoto; ele certamente não estava pronto para aquele tipo de demonstração de afeto. – Sempre haverá alguém que confia em você. Mas, acima de tudo, não tenha medo de confiar no seu coração.
_ Meu coração está quebrado. – ele respondeu, novamente com aquela voz mecânica que não enganava ninguém.
Konan simplesmente sorriu, acariciando-o mais uma vez; Sasuke em nenhum momento deixou de olhá-la nos olhos, evidentemente surpreso e sem jeito com a carícia.
_ Então trate de consertá-lo. Você sabe como.
.
If you need to leave the world you live in,
lay your head down and stay a while
Though you may not remember dreaming,
something waits for you to breathe again
Se você sentir necessidade de sair do mundo onde vive,
Abaixe sua cabeça e se acalme
Apesar de não lembrar como sonhar,
Alguma coisa aguarda para que você volte a respirar
.
Sasuke permaneceu estático por vários minutos, encarando o olhar sereno de Konan e tentando compreender a resposta para suas perguntas. Seria possível consertar seu coração depois de tudo que foi forçado a presenciar e sentir naquela vida?
A perspectiva lhe parecia tão inatingível...
_ É impossível. – ele respondeu por fim, suspirando fundo e abaixando o olhar. – Não há como consertar algo que foi quebrado tantas vezes. É impossível!
Konan retirou seus dedos do rosto de Sasuke e se abaixou para o chão, pegando uma das flores de papeis que estavam espalhadas ao redor de seus pés e entregou para Sasuke, colocando-a na palma da mão do garoto e forçando seus dedos a se fechar ao redor do delicado objeto.
_ Não se perca no seu rancor, na sua verdade, no seu universo. O origami é algo delicado, mas mesmo quando se erra uma figura pode reaproveitar o papel para fazer outra, muitas vezes ainda mais bonita do que a primeira. – ela disse suavemente, retomando a posição anterior ao lado de Pain e novamente tomando sua mão à dela.
Sasuke sentiu uma grande vontade de chorar ao ouvir aquelas palavras, pois tinha a certeza que por mais bela que fosse aquela comparação, seu coração estava tão desmantelado que mais nada poderia ser feito dele. Ele se controlou, todavia, e não deixou lágrima alguma escapar de seus olhos.
_ As coisas mudam, não vale a pena se fechar em uma mentira só para não aceitar a realidade que está diante de si. Faça a escolha certa, número três, e terá nosso silêncio eterno como recompensa.
Ela olhou para Pain, que lhe deu um olhar questionador em retorno. Sorriu, puxando-o pela mão para fora do quarto e deixando Sasuke para trás.
_ Espere! Eu...! – o garoto Uchiha tentou falar, mas Konan acenou de costas para ele.
_ Você tem muito o quê pensar. – ela respondeu enquanto Pain abria a porta, em dúvida do porquê de sua companheira agir com tanta ternura para Sasuke, mas ainda sim confiando plenamente em suas ações. – Então pense o tempo que precisar. Estaremos lhe aguardando no campo de treinamento às onze horas Uchiha!
Dito isso, os dois se retiraram, deixando Sasuke no cômodo repleto de flores de papel durante horas e horas de reflexão.
_ O que eu faço? – o Uchiha perguntou para si mesmo, sentando-se no chão ao redor dos origamis de Konan, apreciando-os distraidamente enquanto forçava sua mente para chegar a uma conclusão.
Mas ele sabia que, apesar de todo o esforço, não seria agora, nem mesmo ali, que ele conseguiria tomar uma decisão do que fazer da sua vida. E naquele instante, naquele ínfimo instante, Sasuke soube que estava longe de conseguir sair do seu mundo de vingança, do seu universo criado, da sua zona de conforto.
Iria ver Itachi e arrancar o máximo de informações possíveis. E que o destino tomasse conta do resto...
.
In my field of paper flowers and candy clouds of lullaby
I lie inside myself for hours and watch my purple sky fly over me
No meu campo de flores de papel e doces nuvens de canções de ninar
Eu repouso dentro de mim mesmo por horas e assisto meu céu roxo voar sobre mim.
.
(***)
Aquela noite ele estava sozinho e, porquanto, poderia se dar ao luxo de aproveitar um momento a sós! Naruto telefonara a pouco, informando que ele deveria ficar em alerta essa noite, pois era dia de Karin comparecer a reunião com Orochimaru (algo que jamais podia faltar, para não gerar suspeitas) e ele e Kakashi estavam discutindo algo importante. Itachi até sentiu vontade de brigar um pouquinho no celular com Naruto, só pra não perder o costume, mas o tom sério do garoto não deu nenhuma abertura para tanto.
Brigas de casal... Pelo jeito não era só ele quem tinha esse problema.
Itachi tragou fundo o bendito cigarro que finalmente conseguiu contrabandear aquela tarde, praticamente gemendo ao sentir a nicotina voltar para dentro de seu organismo. Céus, como sentia falta de fumar! E precisou prometer uma semana de trégua com Naruto para que Kakashi finalmente trouxesse um mísero cigarro horrível para ele fumar naquela noite quente de verão.
A primeira tragada, contudo, lhe fez se lembrar da conversa absurda que tivera com o grisalho e de como ele teve a ousadia de trazer essa porcaria sem qualidade.
_ O cigarro que você descreveu é um Gudang Garam (2). É esse daqui! – Kakashi falava, apontando para a pequena cigarrilha em mãos, vendida a granel. Itachi sabia que seus olhos já deveriam estar mais avermelhados que o convencional, observando o objeto com certa repulsa. Pelo amor de Deus, o filtro nem era da mesma cor!
_ Não é esse Kakashi! – ele exclamou mais uma vez, fitando o mais velho nos olhos. – Não tem o mesmo cheiro. Esse é de menta e a composição é diferente, só pelo cheiro consigo sentir que tem menos tabaco e mais essência. Isso cheira a camisinha!
Kakashi ficou em dúvida se devia perguntar como diabos aquela comparação surgiu, mas, por considerar que provavelmente tinha a ver com a vida sexual de Itachi e Sasuke, ele optou por ficar calado. Podia ter uma relação melhor com o fugitivo e tudo mais, mas toda vez que pensava em Itachi se relacionando carnalmente com Sasuke, seu lado paternal assassino de genros defloradores vinha à tona. Era melhor não arriscar!
_ Acho que você devia fumar outra essência de Gudang, mas a composição é a mesma que esse. – Kakashi respondeu de maneira neutra, tentando manter um pouco sua paciência.
Já foi difícil demais encontrar esse maldito cigarro e Itachi ainda estava reclamando? Só Itachi mesmo para fumar esses cigarros absurdos, por que ele não podia ser como fumantes normais e gostar de Marlboro ou um Camel? Não! Tinha que usar essas coisas de veado!
_ Não é! – Itachi rosnou, aumentando ainda mais o brilho de seus olhos. – Eu fumo há quase vinte anos, sei diferenciar o meu cigarro dos outros, eu só não sei o nome porque o Madara riscava toda indicação de marca.
_ Pare de agir como um pirralho mimado e toma o maldito cigarro! Foi o mais próximo da sua descrição que eu consegui achar na banquinha e adivinha? Tive que pagar por fora porque é proibido! – Kakashi o censurou, evidentemente irritado por ter de agir contra a lei. – Então acho que fiz muito por você, alteza.
Mesmo não sendo da qualidade que ele gostava, valia a pena fumar aquele cigarro; correção, valia muito a pena. Afinal, quando se está na abstinência até cigarro de palha faz o serviço. A segunda tragada foi mais suave, porque ele precisava fazer o cigarro durar - não podia tragar todo fumo de uma vez só.
Expirou com força, vendo a fumaça sair do quarto pela janela com velocidade, rezando internamente para que ninguém dos outros quartos sentisse o cheiro de tabaco e o denunciasse para Jiraiya na manhã seguinte. Ele sabia muito bem que era proibido fumar naquele hospital (ou em qualquer outro), caso contrário já teria fumado umas duzentas caixas nos últimos seis meses, em uma tentativa desesperada de diminuir sua ansiedade.
Ele se lembrava de quando começou a fumar: foi logo depois de uma sessão particularmente intensa que tivera no início de sua adolescência. Naquele dia, ele reviveu algumas lembranças de Izuna, onde este estava mais crescido e era um fumante compulsivo. Pelo jeito, ambos, Madara e Izuna, conheceram o vício cedo, no início da adolescência, mesmo que a primeira tragada nunca chegou a ser relembrada por Itachi.
De fato, seu vício veio de Izuna, mas ele sabia que naquela altura do campeonato já era uma compulsão própria também – o vício não era físico e sim psicológico. Não conseguiria parar nem se arrancasse o parasita (apelido particular que dera para Izuna) do seu corpo. Tsk, não era como se fizesse alguma diferença; seus pulmões estavam tão saudáveis quanto os de um morador do campo, rodeado do ar livre. Que problema o cigarro o traria em longo prazo para alguém que não podia adoecer?
Na terceira tragada, Itachi se lembrou de como Sasuke odiava seus hábitos fumantes e não pôde evitar a característica dor no coração de atingi-lo novamente. Instintivamente levou a mão ao peito e agarrou a maldita camisola hospitalar que vestia, em uma tentativa de fazer a dor diminuir. Pensar em Sasuke acabava consigo, lhe fazia se sentir impotente, fraco e entristecido. Ele sentia saudades!
Muita saudade!
Fechou os olhos e imaginou que Sasuke estaria fazendo naquele momento. Será que Madara era o responsável direto pelo seu treinamento? Será que descontava toda a raiva em Sasuke por causa da sua traição? Afinal, Itachi não tinha mais nenhuma dúvida: Madara provavelmente compreendeu muito bem que ele estava apaixonado pelo garoto.
E quem não estaria? Sasuke era... era... tudo. Era tudo para ele, basicamente isso.
_ Droga, odeio me sentir assim! – Itachi murmurou, fumando mais uma tragada e tentando interromper seus pensamentos.
De certa forma, Itachi se esforçava ao máximo para não pensar em Sasuke. Suas atividades no hospital, sessões de psicoterapia com Kakashi, fisioterapia, tentativas de homicídio (doloso) contra Naruto... Tudo ocupava sua mente e fazia um papel importante para diminuir seu estresse. No começo era mais difícil e Itachi pensava muito mais em Sasuke, mas agora uma rotina se formou.
Uma rotina agradável com a qual ele podia até dizer que se acostumou. Ele ocupava a mente, só que a dor e a saudades ainda estavam ali constantemente, de modo que era só ficar sozinho por dez minutos que voltava a pensar no Uchiha mais novo. E doía.
Tudo ao seu redor o lembrava de Sasuke: o branco do teto do hospital lembrava a pintura impecável da quitinete de Sasuke, os livros que Karin trazia para que ele lesse lembravam quando ele fazia a mesma coisa, a maneira como Naruto adorava ver televisão o lembrava de como o Uchiha odiava quando ele desligava o aparelho, simplesmente porque os programas o irritavam, muito. Tudo o fazia recordar dos momentos bons que tivera com Sasuke, mesmo que não tivesse uma relação direta com o Uchiha caçula. Kakashi dizia que isso era sintomas de paixão, que ela fazia as pessoas ficarem bestas desse jeito; Itachi ainda se perguntava se talvez as sessões de Madara não houvessem destruído seus neurônios, porque não fazia sentido uma fenda no azulejo do banheiro o lembrar de Sasuke só porque tiveram um momento sexual no banheiro uma vez.
Agora Itachi entendia como a paixão podia tornar as pessoas tão irracionais quanto os mocinhos dos livros da quitinete de Sasuke. Se Itachi se concentrasse, até conseguia sentir o cheiro do garoto, a textura de seus cabelos, a maciez de seus lábios, o gosto de sua pele, a firmeza do corpo dele contra o seu. E mesmo que a memória estivesse vívida em sua mente, ele sentia falta desta realidade.
Talvez ele não estivesse sentindo abstinência apenas de nicotina... Droga.
De qualquer forma, sentia falta não apenas de Sasuke, mas também de quem se tornara ao lado do mais novo. Claro, Naruto, Kakashi, Karin, Jiraiya e todos os outros o ajudavam a se descobrir como pessoa e seguir em frente, mas a primeira pessoa que perfurou a armadura protetora de Itachi, o prodígio número três da Akatsuki, foi Sasuke. Se não fosse por ele e por todos os sentimentos de admiração que causara em Itachi, este jamais conseguiria perceber que ele é alguém real, palpável, que ia além de Izuna.
Como eu queria tê-lo aqui comigo...
Se alguém perguntasse a Itachi o que ele mais desejaria mudar no seu passado, ele responderia que queria poder voltar no tempo e ter explicado para Sasuke a sua situação de quando vivia no QG, ou tudo que acabou fazendo com os patriarcas da família Uchiha. Itachi daria tudo para voltar e ao menos contar a sua versão dos fatos. Será que Sasuke o compreenderia caso ele tivesse explicado no passado? Alias, será que um dia iria compreender mesmo depois de toda essa confusão?
O fato é que ele precisava salvar o teimoso, o resto era detalhe: se Sasuke o deixasse se explicar, seria ótimo e Itachi se sentiria o homem mais sortudo da face da Terra, mesmo se seu irmãozinho não o aceitasse como amante novamente em virtude do laço sanguíneo. Mas se Sasuke optasse por não ouvi-lo, bom, ao menos ele estaria a salvo; pouco importava se ele optasse por matá-lo depois do resgate.
Sasuke era o único digno de matá-lo, e caso essa fosse sua decisão ele aceitaria o destino sem pestanejar. O fato é que Itachi preferiria morrer pelas mãos de Sasuke e ele havia dito isso de outra forma no dia que finalmente trocou suas primeiras palavras com ele, naquele bendito banheiro interditado. Mantinha o seu entendimento sobre o assunto intacto: a única pessoa que podia tirar sua vida era Sasuke.
Era um desejo até mesmo mórbido, mas inevitável. Era destino. Ele ia terminar sua vida ao lado de Sasuke, seja como seu irmão, companheiro, ou como sua vítima. O importante era estar ao seu lado, no seu último momento.
Nem que fosse apenas neste momento.
Céus, ele estava pensando tanto em Sasuke que realmente podia sentir seu cheiro no ambiente, como se ele estivesse lá. Mas que absurdo desmedido era essa coisa de 'paixão'!
Suspirando fundo, Itachi jogou pela janela o filtro do cigarro finalizado e se levantou dali com um pouco de dificuldade, teimando em não utilizar as muletas naquela noite. Todavia, assim que sentiu seus pés tocarem o chão e se inclinou para frente para fechar a janela de vidro, sentiu o característico toque metálico na lateral de seu pescoço.
A sensação era familiar, porque apesar de Itachi sempre ocupar o papel oposto naquela posição, ele sabia muito bem o que acontecia. Alguém o ameaçava com uma ninja-tō.
_ Quem diria que o ilustre e genial número três iria abaixar a guarda desse jeito, não é mesmo?
Itachi esperava ouvir a voz de qualquer membro da Akatsuki, ou da equipe de apoio do QG. Não seria pego de surpresa nem se fosse Madara ali, por mais desesperador que fosse pensar em seu aniki descobrindo que ele tinha proteína em sua corrente sanguínea. Mas aquela voz, aquela em particular, o forçou a parar de respirar para não emitir um ruído de surpresa. Ele definitivamente não estava preparado, não agora!
_ Sasuke... – ele murmurou, com um nó na garganta que chegava a doer de tão intenso. Seu corpo começou a tremer, um emaranhado de emoções intensas percorria cada célula de seu corpo; ele nem sequer sabia se estava feliz ou desesperado por perceber que Sasuke estava ali!
Naquele momento, a ninja-tō em seu pescoço foi completamente esquecida. Tudo que ele conseguia pensar era: Sasuke está aqui, Sasuke está aqui! AQUI!
Sasuke riu baixinho, puxando a espada para a parte frontal de seu pescoço, pressionando-o contra a parte cega da lâmina e puxando o corpo de Itachi para trás, até que o mais alto se chocou contra o abdômen do Uchiha mais novo. Essa movimentação finalmente fez Itachi relembrar a posição em que se encontrava, principalmente depois que Sasuke imobilizou suas mãos com agilidade, mostrando que certamente estava sobre um treinamento mais intensivo do que o anterior.
Itachi percebeu duas coisas naquele momento: o quanto Sasuke estava mais apto em um combate, e o quão fora de forma ele se encontrava depois de seis meses sem treinar. E, pela primeira vez na noite, sentiu medo.
_ Boa noite, Nii-san. – Sasuke murmurou sarcasticamente no ouvido de Itachi, e este, por sua vez sentiu a fragrância particular do seu namorado (ou ex-namorado, ou assassino em potencial... era difícil definir aquela altura do campeonato) ainda mais forte no ambiente, invadindo seus sentidos, embriagando-o como acontecia antes de tudo desandar.
Itachi fechou os olhos, suspirando baixinho. Sentir o cheiro de Sasuke lhe fez se sentir mais calmo, pois fez com que Itachi pensasse novamente no que estava refletindo há pouco. Sasuke estava bem, estava inteiro, vivo! Existia algo mais importante do que isso?
E, além do mais, Sasuke estava ali para cumprir o seu destino e estava ao seu lado. Se optara por matá-lo, ao menos decidira fazê-lo de cara limpa, e Itachi era muito grato por isso. Sentir Sasuke próximo de si depois de tanto tempo... Valia a pena, mesmo que fosse morrer depois disso.
Mas ainda assim, esperança é a ultima coisa que morre.
_ Me deixe explicar o que aconteceu de verdade. – Itachi pediu com a voz fraca, se perguntando mentalmente como ainda estava de pé; sentia-se mais reconfortado, mas as emoções ainda o assolavam de maneira impiedosa.
Tentava a todo custo ver a figura de Sasuke refletida no vidro da janela, mas a iluminação exterior impedia a reflexão de se tornar nítida. Ele queria se virar, queria observar o seu amado no momento da morte. Ele queria tantas coisas...! Mas optou por permanecer quieto, aguardando pacientemente a resposta de Sasuke, que demorou um bom tempo para vir.
_ Não quero ouvir nenhuma explicação estúpida vinda de você, número três. – Sasuke respondeu secamente; aquele tom de voz não agradou Itachi nenhum pouco.
_ Não me chame assim Sasuke. – ele pediu, fechando os olhos mais uma vez e tentando respirar com certa dignidade. A dor ainda estava ali, sufocando-o, mas agora não era somente saudades que causava isso em seu organismo. – Você não, por favor.
Sasuke riu baixinho, parecendo se divertir com a agonia de Itachi. O quadro não era nem um pouco promissor, as esperanças do Uchiha mais velho pareciam se esvair ainda mais, por mais que essa inconstância de esperança e desistência alternasse de segundo a segundo.
O fato é que, no fundo, Itachi nem sabia mais o que esperar de Sasuke.
_ Tem razão, não há mais cabimento te chamar assim. – o Uchiha mais novo respondeu, puxando ainda mais a espada e praticamente enforcando Itachi com a parte cega da lâmina; mas ele nem se movia para tentar se soltar e respirar melhor. – Você é um desertor, um traidor, não tem mais esse título; ele foi passado a diante. Sabe quem é o número três agora, Itachi?
Sasuke soltou abruptamente a espada, que caiu no chão com um baque metálico. Itachi tossiu, tentando recobrar sua respiração e, no mesmo instante, sentiu seus pulsos serem soltos da pegada de Sasuke. Levou as mãos ao redor do pescoço e, ainda respirando com dificuldade enquanto tossia, ouviu o suave murmurar de Sasuke em seu ouvido.
_ Eu sou o número três.
Itachi sentiu lágrimas se formarem em seus olhos, e não foi por causa da pressão dolorosa que sentia em seu pescoço. Ele temia que isso fosse acontecer, e confirmar suas suspeitas não fizeram nada bem para si. Madara colocou Sasuke em seu lugar, pois ele agia como o próprio Itachi agia anteriormente, frio e calculista, maquiavélico e impiedoso. O seu Sasuke corado, envergonhado e absurdamente especial parecia não existir mais.
Agora Madara podia dizer que conseguiu destruir tudo que era importante pra Itachi, isso doía demais, mais até do que o maldito castigo que seu Nii-san o fizera sofrer naquela maldita câmara de treinamento há exatos seis meses.
Se Sasuke estava ali para matá-lo sem nem ao menos ouvir o que ele tinha para dizer, Itachi não queria mais observar o Sasuke destruído que Madara criara. Assim como câmara de treinamento quando ele achou que Sasuke iria matá-lo, ele preferia recordar-se do Sasuke que amava no seu leito de morte, e não era essa máquina que Madara criou. Manteve os olhos fechados e mesmo depois de solto não tentara se virar para encarar o mais novo.
Estava farto dessas falsas esperanças e dessa inconstância em sua esperança! Que se dane tudo!
_ Me mate logo. – ele pediu, sua voz até mesmo falha, rasgada, tentando ao máximo controlar o choro e manter um pouco de sua dignidade. – Se você algum dia foi feliz ao meu lado, me dê ao menos essa recompensa. Não me force a ver o novo robozinho que Madara criou, por favor.
_ Cale a boca! Eu não vim aqui pra ouvir suas desculpas, nem tampouco pra te matar ou falar do Madara! – Sasuke respondeu, mantendo sua voz propositalmente firme e indecifrável.
Itachi estava cansado das falsas esperanças, era verdade! Mas ele não conseguia, simplesmente não conseguia deixar de sonhar. Mais uma vez em questão de segundos suas esperanças voltaram com força total. Droga, desde quando se tornara uma pessoa tão instável assim?
Deixando de lado seus questionamentos sobre si próprio, Itachi, pela primeira vez, ousou virar-se e encarar Sasuke de frente, e não recebeu nenhuma resistência da parte do outro.
Se ele achava que seus sentimentos estavam inconstantes antes, ver Sasuke deixou bem claro que agora sim ele estava imerso em uma piscina de contradições sentimentais. Dentro de tudo que sentia, contudo, a surpresa era o que mais se destacava.
Não foi ver Sasuke que o surpreendeu, mas tinha que confessar que a mudança era visível: a pele pálida agora estava um pouquinho corada pelo sol, decerto por causa do treinamento externo no QG; os cabelos estavam um pouco mais compridos do que o convencional, alcançando seus ombros mais ainda sim mantendo o mesmo penteado de sempre; os lábios suaves, medianos e rosados, agora estavam cortados e rachados, Sasuke aparentava ter apanhado muito na boca; as sobrancelhas finas estavam intactas, se não fosse pelo pequeno corte que dividia sua sobrancelha direita, mas parecia estar cicatrizando sem grandes problemas; e os olhos negros e maravilhosos estavam substituídos pelos os olhos violetas - perigosos, ameaçadores e provavelmente não mais acompanhados pelos encargos dos efeitos colaterais.
Ele se via diante de um Sasuke um pouco menos esbelto e certamente mais feral. Apesar de tudo, o caçula continuava perfeito em sua aparência - talvez ainda mais sensual do que outrora, apesar de Itachi não estar com nenhum impulso sexual naquele momento de análise.
O Uchiha menor estava mais forte e aparentava um pouco mais alto, mas talvez isso fosse apenas uma sensação que Itachi tinha por estar, nas condições atuais, mais fraco fisicamente do que o garoto. Seus músculos, antes mais singelos (apesar de sempre presentes), marcavam a roupa negra que utilizava. Aliás, Itachi reconhecia muito bem os seus pertences no corpo de Sasuke, eram suas roupas... As roupas de Izuna. Madara estava realmente fabricando um novo brinquedinho para si.
Mas mesmo com todas as mudanças, era indiscutível que aquela pessoa era o seu amor. A pessoa que ainda mantinha Itachi vivo dentro de toda essa confusão emocional entre as duas naturezas de seu corpo; Sasuke era o amor exclusivo de Itachi, Izuna não tinha nada a ver com isso. E ele não podia desistir, por mais que tudo no visual de Sasuke exclamasse 'perigo'.
A esperança, que pareceu perdurar por mais de cinco segundos desta vez, fez com que Itachi abrisse a boca e tentasse colocar bom senso na cabeça do garoto.
_ Peço que reconsidere Sasuke, você não pode acreditar nas manipulações do Madara como uma verdade incontestável. – Itachi pediu mais uma vez, encarando Sasuke nos olhos e exibindo feições de súplica, que pegaram o mais novo de surpresa. Quem poderia censurá-lo? Ele não estava acostumado a ver Itachi demonstrar tantos sentimentos e se rebaixar daquela forma. – Escute a minha versão.
Pelo jeito Sasuke não foi o único que mudou nesses seis meses.
Mas a essência sempre permanece. – É, ao sentir seu coração bater forte daquela forma, Sasuke não teve como contestar seu próprio pensamento. A essência nunca muda.
_ A sua versão, Itachi, não importa. – Sasuke respondeu, dando um pequeno passo para frente, encarando o outro com os olhos violetas a postos. – A verdade nunca é uma só: há a sua verdade, a verdade de Madara e a verdade dos fatos. E eu cansei de correr atrás delas.
Itachi engoliu em seco, não compreendendo o olhar que Sasuke lhe direcionava. Parecia ameaçador, mas não como antes. Não estava descontrolado pela ira tal como estivera quando soube toda a verdade.
A esperança, milagrosamente, ainda pendurava em seu coração.
_ E-eu não estou entendendo. – Itachi murmurou baixinho, sem andar para trás enquanto seu destino se aproximava aos poucos.
Sasuke quase pisou em seus pés de tão próximo de seu corpo que ficou do outro, fitando-o nos olhos e confundindo Itachi cada vez mais. O dono dos olhos de rubi, por sua vez, se perguntava se estava delirando... Será que estava sonhando com aquele encontro inusitado e impossível?
O Uchiha mais novo piscou rapidamente, desativando os olhos violetas e encarando Itachi com o olhar negro e quente que era tão conhecido pelo outro. O coração de Itachi, se possível, bateu ainda mais forte. Não era um sonho, era verdade!
Não crie falsas esperanças! – sua consciência gritava, mas ele não dava à mínima. Paixão acaba com toda razão, não é mesmo?
_ Só existe uma verdade em toda essa história, uma que nem eu, nem você, e nem Madara podemos negar. – Sasuke sussurrou, e Itachi conseguia sentir a respiração do outro; estavam próximos demais.
_ Que verdade? – Itachi questionou, a voz ainda mais fraca do que antes.
Nenhum dos dois ousou piscar quando Sasuke se inclinou um pouco para frente e falou de maneira ofegante:
_ Que apesar de tudo, eu ainda sou louco por você ao ponto de vir aqui só para fazer isso.
Sasuke abaixou o olhar e fitou os lábios finos a sua frente, perdendo toda a racionalidade e beijando Itachi, o Itachi real, pela primeira vez depois de tanto tempo. Um simples e suave roçar de lábios, mas intenso o suficiente para fazer o tempo congelar – ou talvez fosse apenas impressão dos Uchihas apaixonados.
O mais novo se afastou de Itachi e, ainda encarando os olhos avermelhados do outro, enganou-se por alguns instantes, achando que depois de tudo, quem sabe, ia conseguir fingir que tudo isso foi encenação... Ele não ia gostar do que aconteceria a seguir, não mesmo! Era apenas uma missão!
Só que quando ele sentiu Itachi puxar sua gola e beijá-lo novamente (e desta vez com muito mais desejo do que em qualquer outra ocasião) Sasuke se permitiu pensar que talvez, apenas talvez, ele não conseguiria se enganar pela manhã novamente e dizer "esse sentimento não existe mais". Ele queria, queria muito! E não foi nenhuma mentira o que ele acabara de dizer antes de beijar Itachi.
Céus, como o desejava! Como o amava! Como o odiava! Que dualidade terrível e cruel!
Naquele instante, nada mais importava: Madara, missão, vingança, ódio, mentira... Tudo voou para longe de sua mente no instante que Itachi envolveu seus lábios aos dele. E, pela primeira vez em seis meses, Sasuke sentiu lágrimas de felicidade banharem os olhos tão calejados pelas duras e salgadas lágrimas de ódio e dor.
Era real, tudo era real, mas nem por isso deixava de ser uma fuga. Era tão efetivo quando usar Tsuki no Me, talvez até mais; mas Sasuke não queria se preocupar com o amanhã. O presente estava ali para ser vivido, que viessem as nefastas consequências de seus atos quando o maldito sol raiasse e acabasse com aquele bendito sonho de uma noite de verão.
... Continua ...
(1) Belzebu: É um dos demônios famosos. Eu não vou explicar cada nomezinho que o Naruto usar pra se referir ao Itachi, mas saibam que a maioria deles são nome de demônios famosos hahahaha! Por incrível que pareça eu conheço um bocado disso, por causa (principalmente) do RPG. Se querem saber a historia de cada demônio citado, acho que o google deve ter essas informações.
(2) Gudang Garam: é uma marca de cigarro, por óbvio auhauahuha! Não quis colocar nota nas outras citadas, porque são mais conhecidas. Não fumem crianças! o/
N/A: "Se vos causamos enfado por sermos sombras, azado plano sugiro: é pensar que estivestes a sonhar; foi tudo mera visão no correr desta sessão. Damas e cavalheiros, não vos mostreis zombeteiros; se me quiserdes perdoar, melhor coisa hei de vos dar. Sou eu, Puck, honesto e bravo; se eu puder fugir do agravo da língua má da serpente, vereis que Puck não mente. Liberto, assim, dos apodos, eu digo boa-noite a todos."
Precisei citar. Hihi.
Brincadeiras a parte, yeah, tá acontecendo isso mesmo. Não tirem conclusões precipitadas sobre o reencontro dos Uchihas, esperem a próxima cena!
Alias, sobre a bendita, vamos negociar. Como percebem, ela será um lemon, o qual venho escrevendo desde que comecei a fanfic e ainda não está finalizado, porquanto é um lemon bem complicado. Eu vou finalizar e postar, ok, mas eu quero saber se vocês querem um capítulo um pouco menor que o convencional, só com esse lemon, ou se querem esperar lemon + cenas subsequentes. Porque eu sinceramente gostaria de postar o lemon assim que terminasse. Ele tá cansando minha cabeça, visto que é o lemon mais importante da fanfic inteira e os personagens viraram dois oceanos de sentimentos, tá difícil de controlar até porque tá tendo maremoto nesses oceanos e... Enfim, enquanto o documento do lemon no meu pc, eu vou acabar "retocando-o" toda hora, então quero postar o quanto antes. O que acham disso?
Opinem! o/
Respostas reviews "guest":
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Lyviah:
Eeee que bom que está gostando!
Pois é né? Quase 300mil palavras! Essa é, oficialmente, a minha maior fanfic auhauahua! Vamos ver com quantas palavras ela será finalizada?
Um beijão! Obrigada pela review! S2
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Scar:
Eu faço isso porque sou malvada Scar! Ou é o que dizem.. Porque eu tenho certeza que sou um doce! xD
Não chore! Tenha fé, talvez as coisas melhorem hahaha!
Ahhhhh que bom que gostou de gastar um tempo das suas férias lendo a fanfic auhauhauhau! Espero que ainda de tempo de ler essa atualização nas férias. Se não fica pra depois né?
Um beijão! Muuuito obrigada pela review!
S2
