Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.

Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.


N/A: *joga a cena pra vocês* Socorro! Ficou grande demais! *sai correndo*

Sério gente, desculpa, mas depois das 10mil palavras a votação se mostrou despropositada. Como eu ia escrever mais cenas pra um capítulo que ficou com quase 17mil palavras em apenas UMA CENA? -_- Enfim, aproveitem.

Contudo, tenham em mente que esse é uma cena SENTIMENTAL. É muito diferente do primeiro lemon da fanfic, justamente porque os personagens estão extremamente diferentes e passando por grandes emoções. Leiam com calma e interpretem os personagens, não leiam apenas por causa da interação carnal, certo? Se forem ler com essa intenção, vocês vão se decepcionar com o capítulo. Essa cena não tem a mínima intenção de ser "nosebleed", mas se vocês acharem sexy é lucro hahaha.


AVISO 1: Eu postei todas as músicas de Haunted no meu tumblr. Músicas no tumblr abrem mais rápido do que no youtube, e está em ordem de postagem dos capítulos... Bom, foi só pra dar uma utilidade ao meu tumblr inútil hahaha! Talvez eu poste as das outras fanfics também, se a ideia agradar vocês. É só apertar play e esperar uns 5 segundos, daí toca. Me deem opiniões!

As de Haunted estão aqui: www*.*pcspuzumaki*.tumblr.*com*/tagged/hauntedsong (retirem os asteriscos)

(pra quem já sabe como o tumblr funciona, a tag principal é #hauntedsong)

E... err... Essa cena tem dois lemons, e eu escrevi cada um com uma musica diferente.

A primeira música foi "Hellfire", de "Jorn Lande" – utilizada no primeiro lemon da cena.

A segunda música foi "Alleine Zu Zweit", de "Lacrimosa" – utilizada no segundo lemon da cena.

Elas estão no tumblr com suas respectivas traduções, eu optei por não colocar no corpo do texto porque são gêneros musicais que podem não agradar a todos. Hellfire é heavy metal e Allein Zu Zweit é gótico. Quem quiser ler os lemons ao som das músicas sintam-se convidado para tal. Mas eu PROÍBO vocês de escutem as músicas trocadas! Cada uma exprime as emoções específicas do lemon, que são completamente opostas. Se forem ouvir, ouçam na ordem, pelo amor de Deus!

Ah, e é claro: lembre-se que é a segunda música é em alemão e é gótica (ou seja, provavelmente diferente do que vocês estão acostumados a ouvir), então só escute se agradar os seus ouvidos. Eu sei que muita gente não gosta de música em outros idiomas fora o português, inglês e espanhol; e quem acha que Evanescence é gótico (hahahaha) vai estranhar pra caramba o estilo. Enfim, é apenas uma sugestão, não a leve tão a sério, eu nem citei no corpo da fanfic como as outras músicas. Eu geralmente escrevo cada cena com trocentas musicas, mas essas aí me envolveram bastante no momento da produção do capítulo por isso quis compartilhar com vocês.

Nota: eu fiz as traduções.


HAUNTED

Capítulo XXXI

No fundo de sua alma, Itachi sabia que Sasuke estava longe de ficar bem.

Ele o beijava com extremo desejo, intensa necessidade, com tanta força que chegava a machucar seus lábios. Sasuke agarrava em suas roupas hospitalares ridículas com um desespero desumano, fincando suas unhas no tecido como se a solução para todos os seus problemas fosse aquele singelo pedaço de algodão. E por mais que Itachi desejasse imensamente estar com Sasuke novamente, por mais que seu coração batesse tão forte que fizesse o ataque de overdose de morfina parecer uma piada, ele não podia alimentar as ilusões do mais novo. O presente realmente estava ali para ser vivido e ele queria se deixar levar e sentir tudo que ansiou sentir nos últimos meses, mas ele não podia mais agir como um inconsequente e fugir do que era importante. Não mais. Ele precisava fazer Sasuke entender, precisava!

Parou de corresponder ao beijo, torcendo para que seus instintos e desejos mais profundos não o fizessem ceder. Sasuke ainda o forçou a ser receptivo, mas quando viu que seus esforços seriam em vão, deu um passo para trás e observou Itachi com um olhar lívido e indignado.

_ Me beija! – ele ordenou, com o rosto coberto de lágrimas que, por sinal, ainda banhavam seus olhos. Apesar de toda a irritação estampada em seu rosto, Itachi soube identificar a extrema tristeza e necessidade de alívio; Sasuke estava tampando um problema grande com uma situação momentânea... E quantas vezes Itachi fizera exatamente a mesma coisa? – Anda!

Desistindo de aguardar alguma atitude de Itachi, Sasuke voltou a agarrá-lo pelas vestes e puxá-lo para si. Envolveu os lábios finos de Itachi com os seus lábios rachados pelas violências na cama cometidas por Madara, desejando que os novos ósculos apagassem aquelas memórias terríveis do que ele vivia naquele inferno.

Porque era o inferno. O QG era o inferno, não havia nenhuma dúvida disso!

Todavia, Itachi não o correspondia, sequer abria os lábios para que Sasuke pudesse iniciar um beijo de língua! Completamente lívido, Sasuke agarrou o rabo-de-cavalo levemente bagunçado do maior e o forçou a olhar em seus olhos, deixando bem claro o quão irritado estava na intensidade do brilho violeta de seu olhar.

_ Mas que caralho! Qual o seu problema?! – ele sibilou, aproximando-o o rosto do outro ao seu e visualizando o olhar avermelhado de Itachi se ascender por instinto.

Pff, como se ele pudesse fazer muita coisa contra ele naquelas condições físicas deploráveis em que se encontrava! Tenha dó!

_ Que universo você viu no QG da Akatsuki, Sasuke? – Itachi questionou com a voz neutra, até mesmo suave, ignorando completamente o repuxar desconfortável em seus cabelos.

Sasuke ficou tão surpreso pela pergunta que soltou Itachi, dando dois passos para trás e respirando de forma ofegante. Como ele podia... Como! Estaria ele... Não, ele não podia estar lendo sua mente!

_ Não é da sua conta o que eu acho do QG, seu bosta! – indignado, ele gritava em plenos pulmões – Não percebeu que eu não quero conversar com você? Eu só quero trepar, porra!

Mas Itachi simplesmente parecia não dar a mínima para as suas palavras ácidas.

_ Eu te avisei que espécie de lugar o QG era, mesmo assim você não ouviu meu alerta e se deixou envenenar, não é Sasuke? – Itachi respondeu com o mesmo tom de voz suave – Você sabia de tudo e ainda sim deixou Madara invadir a sua mente!

Ora, mas que audácia! Quem esse bosta pensa que é? – Sasuke pensava, sentindo seu sangue borbulhar de irritação. Itachi realmente estava tentando dar uma lição de moral nele na posição em que se encontrava? Ele era louco ou o quê?!

_ Madara não me dominou como dominou você, seu cachorrinho obediente de meia tigela!

Itachi riu baixinho, Sasuke não conseguiu mais se controlar: o atingiu com um tapa, forte o suficiente para doer, mas comedido o necessário para não quebrar nenhum osso (afinal, ainda desejava beijar Itachi quando ele percebesse que não havia nada para conversar e cedesse ao sexo. E ele ia ceder, custe o que custar!).

O primogênito sentiu dor, mas como sempre não deu a mínima; virou o rosto para a direita com o impacto e sentiu o sangue acumular-se debaixo de sua língua, mas engoliu a substância sem cuspir e sujar o chão do hospital. Naquele momento ficou feliz por estar sozinho, pois se tivesse alguém vigiando seu quarto no corredor ele provavelmente teria ouvido o estalo alto do tapa. A presença de Sasuke tinha que continuar em segredo; ele não iria denunciá-los enquanto não fizesse o garoto teimoso voltar a si.

Itachi simplesmente não conseguia viver em um mundo onde aquele Sasuke adorável e corado que ele tanto amava não existisse; por óbvio, esse Sasuke a sua frente nada o apetecia. Ele tossiu um pouco e limpou o excesso de sangue de seus lábios, recompondo-se rapidamente e voltando para a posição ereta, encarando Sasuke e se preparando caso ele tentasse acertá-lo mais uma vez – não que fosse se defender ou contra-atacar, simplesmente se preparou para apanhar.

Já apanhou muito por causa de Sasuke em outra ocasião, mais uma vez não fazia a mínima diferença. Afinal, era sua culpa que tudo isso estava acontecendo...

_ Eu falhei, eu deixei que pegassem você. – ele murmurou, entristecido e admitindo tal acontecimento em voz alta pela primeira vez.

Doía saber que falhou no seu dever de proteger Sasuke, doía saber que por causa de sua falha o seu amado irmãozinho estava tão repleto de raiva e confusão emocional. Doía fracassar. Muito. Se ele tivesse dito a verdade a situação poderia ser diferente... se ele não fosse tão covarde...

Contudo, por mais que boa parte deste desastre fosse sua culpa, não era apenas ele quem pecara.

_ Mas você sabia, sempre soube, o que lhe esperaria lá. Você soube, e mesmo assim ignorou todos os avisos.

Em poucos segundos, todo o sofrimento vivido nos últimos seis meses veio a sua mente como uma avalanche desmedida e violenta de sentimentos; Sasuke precisou parar de respirar para não soluçar de forma sentida e melancólica.

Não queria confirmar a afirmação de Itachi, não iria fazer isso, mas Itachi não estava de todo errado. Porque Sasuke sabia que estava no inferno e ainda sim abraçou o capeta. Mas isso não significava que Itachi tinha o direito de jogar isso na sua cara!

_ Cale a boca! – Sasuke exclamou, agora no auge de seu desespero, agarrando Itachi pelos cabelos mais uma vez e jogando-o na cama hospitalar sem delicadeza alguma.

Grande ato de sedução, não é? Madara ficaria radiantecom a sua capacidade imensa de se portar em uma missão sexual. Tsk, foda-se, ele não estava preocupado com Madara. Ele queria era aliviar sua dor nos braços de Itachi e não pensar no amanhã! Só que o maldito estava dificultando muito as coisas...

Mas não era um problema, ele também sabe como se portar com gente difícil!

Itachi, apesar de prever o golpe do garoto antes deste acontecer, não tentou se esquivar. Mesmo se estivesse com as pernas boas o suficiente para fugir do ataque, não havia necessidade. Ele entendia os propósitos de Sasuke, mas ele não iria tapar o sol com a peneira e fingir que aquele comportamento era normal.

Pois não havia como negar: ele agiu como Sasuke durante muitos, muitos, muitos anos. Sexo era algo que o reconfortava, que o deixava mais calmo, que fazia as suas dúvidas passarem, seus medos cessarem, seu sono vir com mais facilidade. Foi uma descoberta adquirida muito cedo por causa das lembranças de Izuna; por conta disso sua sexualidade despertou antes mesmo da puberdade e ele tentou a todo custo fazer com que Madara o correspondesse sexualmente (apesar de toda a distorção do sentimento, ele amava Madara e não desejava dividir a cama com outra pessoa). Contudo, por motivos próprios (provavelmente para aguardar que Itachi fosse ainda mais condicionado a agir ainda mais como Izuna, vai saber) Madara preferiu esperar até seu décimo quinto aniversário para finalmente compelir seus desejos, mesmo tendo iniciado a educação sexual dos demais membros da Akatsuki antes disso.

Mas antes de Madara ceder aos seus "encantos" (ou hormônios, ou excesso de desespero, interprete como quiser) teve experiências com missões sexuais e lá ele percebeu quanto o sexo o reconfortava. Céus, ele nem se sentia atraído por aquelas mulheres, mas ainda sim o ato mecânico em si fazia maravilhas! Ele podia liberar seus fantasmas, suas frustrações, seu lado animal mais reprimido e simplesmente se desfalecer naquele momento. Renascer! Ser outra pessoa e se render aos instintos por alguns minutos (ou horas, dependendo do seu desespero e da estamina da vítima). Ele amava missões sexuais e ficava completamente radiante quando recebia alguma! Matar a vítima ao fim da missão nem era o suficiente para fazer com que ele não desejasse receber mais missões do tipo, porque ele sentia como se a satisfação hormonal valesse a pena qualquer sacrifício.

Só que era tudo momentâneo: tão rápido como começava acabava, fazendo com que a necessidade de procurar aquela euforia ressurgisse. Talvez por isso ele procurasse cada vez mais, mais,mais! E foi por isso que ele ficou do jeito que ficou.

Bom, ao menos era o que Kakashi dizia.

_ Sabe, seus planos não vão dar certo. – Itachi sussurrou e Sasuke o agarrou pelo pescoço, muito provavelmente desejando silenciá-lo, mas sem a força necessária para machucá-lo.

_ CALE. A. BOCA! – ele sibilou; Itachi o ignorou.

_ O sexo não vai fazer as memórias ruins e os medos desaparecerem. É algo momentâneo Sasuke. Você precisa lutar contra isso de outro jeito.

Farto de ouvir tanta besteira, Sasuke subiu acima da cama hospitalar e beijou Itachi mais uma vez, prendendo seus braços e pernas para que ele não conseguisse fugir caso desejasse fugir. Mais uma vez o Uchiha mais velho não correspondeu aos seus beijos cálidos e Sasuke praticamente rosnou em frustração.

_ Eu não quero um peso morto. – reclamou com seus lábios bem próximos ao de Itachi, que desta vez o olhava nos olhos e fazia Sasuke se sentir satisfeito por ao menos ter seu olhar retribuído – Eu também não quero te estuprar.

_ Eu sei. – Itachi respondeu, liberando uma de suas mãos e erguendo-a até os cabelos de Sasuke, retirando uma mecha que estava diante de seus olhos e colocando-a atrás da orelha – Você pode estar irritado e furioso, mas você não é como ele.

Sasuke mordeu o lábio, virando o rosto e olhando para um ponto qualquer no quarto de hospital.

Ele já não tinha mais a certeza de que era alguém melhor do que Madara, ainda sim não estava vulnerável o suficiente para admitir isso... Mas uma coisa era certa, ele definitivamente não conseguiria estuprar Itachi.

Todavia, isso não impediria de tentar, ao máximo, fazer com que o outro correspondesse seus anseios. Ele precisava do Itachi real! Porque se o Itachi fantasioso dos efeitos da Tsuki no Me surtiam um efeito tão reconfortante em seu corpo no momento que ele o provava, decerto o Itachi real faria milagres. Tinha que fazer. Deus do céu, tinha que resolver aquele problema!

_ Me corresponda. – ele pretendia ordenar, mas sua voz soou como um pedido. Sasuke queria se autoflagelar por ser fraco daquela forma, mas antes que pudesse abrir a boca para tentar falar algo ríspido à Itachi e deixar despercebido aquele momento de fraqueza, o outro o puxou para um beijo rápido, um simples tocar de lábios, ainda sim uma nova perspectiva diante de toda a frigidez anterior.

_ Se lembra do que eu sempre disse pra você? – Itachi falou baixinho, dando mais um segundo beijo rápido nos lábios semiabertos de Sasuke – Se quiser algo comigo, não faça imediatamente: peça primeiro. (1)

Sasuke lembrava perfeitamente bem daquelas palavras, escutá-las novamente trouxe uma dor tão grande em seu peito que ele sequer conseguiria explicar os sentimentos. Àquela época, quando Itachi e ele ainda estavam iniciando o romance, era tudo mais simples...

Céus, sua maior preocupação era o fato de desejar um homem, o "grande problema" era apenas isso! E olha o tamanho da confusão que se meteu dali para frente. Gostaria tanto de voltar no tempo... Mas agora não era hora de se lamentar!

_ Da pra você fazer o impossível e calar essa sua boca? – Sasuke sibilou rispidamente e puxou Itachi para um beijo mais intenso, sendo prontamente correspondido daquela vez.

Aleluia!

O beijo era sufocante e foi retribuído de igual forma. Sasuke sentia que o corpo de Itachi correspondia ao seu toque e seu baixo-ventre já se encontrava friccionado contra uma ereção nada comedida da parte do homem mais velho.

Isso era extremamente reconfortante, pois Sasuke queria que Itachi sentisse os mesmos anseios sexuais que ele. Queria que ele perdesse o controle e deixasse seu lado animal surgir, tal qual acontecera nas muitas vezes em que se relacionaram carnalmente. Sasuke precisava reviver aqueles momentos, precisava voltar ao passado, necessitava destruir sua dor!

_ Eu quero tanto transar com você Itachi... Tanto... – ele murmurou, ao desprender os lábios do seu parceiro beijar seu pescoço. Itachi estava com cheiro de menta àquela noite, o que era muito diferente do habitual cheiro de canela, mas talvez fosse por ter fumado um cigarro diferente. Ainda sim o seu cheiro particular era perceptível por debaixo do cheiro doce de menta, isso era mais do que o suficiente para trazer memórias boas do passado à tona, ao menos naquele momento – Você me quer também?

_ Vinte e quatro horas por dia Sasuke. – Itachi respondeu, um pouco sem fôlego, levando suas mãos ate a camisa negra do mais novo e abaixando o zíper que a mantinha fechada até a gola – Mas eu só estou concordando com isso porque quero provar meu ponto: a dor não vai passar.

O outro optou por ignorar essa resposta estúpida. O importante era que Itachi estava disposto a transar e isso por si só bastaria. Com Madara nunca bastava, mas com Itachi ia bastar. Ele sabia disso. Tinha que bastar para que ele saísse daquele inferno!

Sasuke sentia sua pele queimar de desejo, como sentiu falta do corpo de Itachi! Suas mãos já agiam de maneira mais invasiva, e os suspiros suaves que Itachi deixava escapar demonstravam que isso não era problema algum - ele também o queria. Em meio ao beijo, retirou a roupa leve que Itachi vestia com rapidez; Itachi mais do que depressa abaixou sua calça e cueca, envolvendo a mão direita em sua masculinidade mesmo sem receber uma ordem para assim agir.

Sasuke interrompeu o beijo e fechou os olhos com força, grunhindo baixo ao sentir aquela carícia tão conhecida por ele; aquela maestria que nem Madara e nem ele próprio conseguiriam imitar. Itachi tinha um jeito especial de realizar uma punheta, algo único. Na verdade tudo que Itachi fazia na cama era único e incomparável, mas Sasuke não queria pensar nisso agora.

_ Mais. – ele ordenou com um rosnado baixo.

Itachi puxou o queixo de Sasuke para a sua direção, fazendo-o olhar em seus olhos enquanto não parava de realizar o movimento de vai e vem com seu punho, cada vez mais rápido.

_ Como você quer dessa vez? – ele questionou, sua voz também arrastada e rasgada pela excitação.

Suspirando baixo, Sasuke instintivamente abaixou a cueca de Itachi e também envolveu sua mão no membro do parceiro, imitando seus movimentos na mesma velocidade. Ao sentir a parte mais íntima de Itachi pulsar entre seus dedos, Sasuke engoliu em seco e tentou pensar – o que, convenhamos, era algo difícil de fazer naquele instante.

Na verdade,bem na verdade, Sasuke queria o sexo convencional entre eles. Queria sentir Itachi acima de si, dentro de si, reviver tudo que sentia quando era feliz ao lado dele e lembrar-se de como Itachi conseguia destruir todas as suas certezas de mundo quando o possuía daquela forma. Queria ser enlouquecido sexualmente pelo seu parceiro, e de certa forma queria se sentir protegido por Itachi, algo que inevitavelmente acontecia quando o mais velho era o dominante na cama. Ele desejava simplesmente ceder todos os seus medos e frustrações da maneira mais eficiente, mas para isso precisaria se submeter - não que fosse um grande sacrifício, ele gostava de como as coisas funcionavam com Itachi do jeito "convencional".

Entretanto, não podia. Porque na noite anterior transara com Madara e não foi por pouco tempo. Se havia uma grande desvantagem em sexo homossexual, esta era a maior delas: o corpo não mentia, demorava uns dias para voltar em seu estado natural; Sasuke ainda estava dolorido e mesmo se não estivesse Itachi perceberia a diferença. Itachi teria certeza de que ele e Madara tinham uma relação carnal e não haveria nada que ele pudesse fazer para negar este fato.

Por algum motivo, isso era algo que Sasuke preferiria levar para o túmulo. Ninguém deveria saber disso, muito menos Itachi. Isso o envergonhava, o fazia se sentir inferior, mas era algo que ele não conseguia evitar. O sexo com Madara podia não solucionar seus problemas, mas resolvia momentaneamente a dor, tirando seus pensamentos do sofrimento nem que fosse por alguns minutos... Era um pequeno conforto no meio de todo aquele inferno.

Era tão ruim assim ter um, só unzinho, momento de fraqueza?

Mas uma coisa que Sasuke não suportaria, e que inevitavelmente viria se ele falasse essa verdade, eram os julgamentos que surgiriam. Por conta de tudo isso, Sasuke respondeu a única coisa que poderia responder:

_ Eu quero te comer. – ele sussurrou com um pouco de afobação, antes que Itachi tentasse qualquer coisa da maneira oposta e descobrisse seu segredo.

O mais velho fez um ruído de compreensão com a garganta e Sasuke se perguntou brevemente se Itachi estaria somando dois mais dois, até porque Sasuke nunca foi cara-de-pau o suficiente de falar isso com todas as palavras (mas dessa vez o desespero o fez agir sem pensar). Tsk, estava quase se dedurando... maldita afobação! De qualquer forma, Itachi concordou com um pequeno aceno de cabeça e, talvez para quebrar o clima estranho que se formara, voltou a beijá-lo de maneira intensa.

Em poucos minutos, Sasuke já nem pensava mais nesse incidente, completamente hipnotizado pelo corpo de Itachi e desejando consumar o sexo o mais rápido possível. Não tinha ânimo para preliminares, estava mais do que desesperado para se sentir no nirvana novamente e não era como se Itachi estivesse protestando contra as carícias mais ousadas. Na verdade, apesar de estar evidente que Itachi também se encontrava excitado, ele agia de maneira bastante mecânica, provavelmente ainda disposto a tentar "mostrar o seu ponto" a respeito de sua teoria sobre "sexo não resolver os problemas".

Que absurdo o Itachi, aquele ninfomaníaco de uma figa, dizer algo assim para ele! O sujo falando do mal lavado!

_ Você tem lubrificante? – Itachi questionou, mordendo o lábio inferior de Sasuke no mesmo momento, fazendo-o tremer da cabeça aos pés. Ele definitivamente necessitaria de lubrificante, já que fazia mais de seis meses que não fazia... isso.

_ T-tenho... Bolso traseiro. – ele suspirou em resposta e sentiu as mãos de Itachi procurarem o objeto em seu bolso, apalpando-o bem mais do que o necessário para simplesmente pegar um tubo. Itachi aproveitou a deixa para abaixar um pouco mais as suas calças e espalmar seu traseiro por debaixo do pano da cueca.

Ok... Zona de perigo. – Sasuke pensou, retirando a mão boba de Itachi daquela região e censurando-o com o olhar. Não iria ceder, não podia!

Itachi simplesmente fez cara de inocente e fez um gesto de rendição com sua mão sacana, agora mostrando o tubo transparente para Sasuke. O mais novo girou os olhos e tratou de se livrar do resto de pano que ainda cobria seu corpo, aproveitando a deixa para tirar a cueca de Itachi, que ainda estava presa na panturrilha de sua perna direita. Agora estavam, finalmente, nus.

O Uchiha caçula não pode deixar de inspecionar o corpo de Itachi, apenas para sentir mais uma pontada de dor invadir seu coração. Itachi ainda estava machucado. Já havia se passado seis meses e ainda sim muitos machucados ainda estavam visíveis, principalmente em suas pernas. Como...?

_ Você ainda não sarou? – Sasuke perguntou com a voz fraca.

Seu tom fez com que Itachi, que também analisava seu corpo (e provavelmente se perguntava como ele conseguira todos aqueles ferimentos causados na cama por Madara, sabendo que eram ferimentos incomuns para simples treinamentos de combate) olhar para cima para fitá-lo nos olhos.

Ele parecia calmo, mas um pouco melancólico. Sasuke mordeu o lábio com apreensão... Itachi não era burro, ele sabia. Ele também já foi um dos parceiros de cama de Madara, óbvio que saberia identificar as marcas deixadas pelo déspota nojento. Ainda sim, nada falou a respeito, optando por responder o seu questionamento. E, por isso, Sasuke se convenceu de que talvez não passasse de paranóia da sua cabeça.

_ Precisei fazer muitas cirurgias. Minhas pernas não cicatrizaram na posição certa, tive que quebrar de novo e recolocar os ossos no lugar. Eu tirei o fixador externo (2) recentemente, ainda está cicatrizando. – Itachi respondeu rapidamente sua pergunta e voltou a olhar com tristeza os ferimentos de Sasuke. Suspirou fundo e fechou os olhos, tão entristecido que Sasuke quase perdeu parte de sua excitação ao ver Itachi agir com tanta melancolia – Vamos acabar logo com isso...

Sasuke também suspirou fundo e fechou os olhos com força, sentindo raiva de si mesmo por ter ficado triste ao receber aquela informação de Itachi a respeito de seus ferimentos. Ele até se sentira mal pelo ar depressivo que o outro expelia por sua causa! O que estava acontecendo? Ele não tinha que ligar! Ele não podia dar a mínima pra integridade física de Itachi e para os seus sentimentos superficiais e ridículos! Na verdade, ele tinha que dizer um "Bem feito! Um assassino mentiroso como você merece sofrer!", exatamente essas palavras!

Tratou de se convencer que provavelmente aquela melancolia era puro sentimento de possessividade, nada mais do que isso. Não era amor. Não era paixão. Ele não iria se preocupar com Itachi! Nunca! E chega de sofrer!

Mesmo com essa determinação ridícula e irrealizável, Sasuke sofria. E algo em sua aparência deve tê-lo denunciado a Itachi, pois este se sentou na cama e puxou o ombro de Sasuke para trazê-lo mais próximo de si.

O mais novo abriu os olhos e foi recepcionado por um olhar levemente bondoso; até o avermelhado da íris de Itachi desaparecera. A doçura evidente naqueles orbes fez Sasuke se sentir apunhalado pelas costas; ele parou de respirar, não sabendo ao certo como agir.

_ Não se preocupe. – o mais velho disse, sua voz soando suave o suficiente para fazer Sasuke se sentir enjoado pelo sentimento de culpa – Eu estou bem.

E, apenas para variar, Sasuke resolveu agir com a única defesa que conhecia: o ataque.

_ Eu não estou preocupado! Eu não dou a mínima para o que você sente! Eu só quero te comer! – foi a resposta imediata de Sasuke, desesperado por Itachi ter presenciado seu momento de insegurança. – Me dá essa merda de lubrificante de uma vez!

Suspirando fundo e com pesar, Itachi entregou o tubo de lubrificante para Sasuke que imediatamente abriu a embalagem e espremeu uma quantia generosa na palma de sua mão, levando-a para o seu membro (que já havia perdido um pouco do vigor ao ver Itachi tão machucado) e tentando reanimá-lo para o ato.

Itachi pareceu um pouco mais disposto a cooperar naquele momento, pois se aproximou de Sasuke e passou a estimulá-lo com beijos em sua clavícula e mordidas leves; até levou suas mãos para o pênis do outro, ajudando-o a espalhar a substância transparente. Sasuke recuperou o pouco que havia perdido de sua rigidez rapidamente e antes que seu cérebro pudesse pensar coisas inadequadas, ergueu uma das pernas de Itachi e o penetrou de uma vez só, ignorando prontamente o gemido de desconforto que acabou por ouvir.

O mais velho virou o rosto para a direita e fez uma careta, mas nada disse sobre o movimento abrupto de Sasuke. Claro, ele sentiu dor; Sasuke não o preparara e já fazia meses que ele estava sem sexo nesta posição (ou até mesmo na outra), mas definitivamente ele não se importou com aquele desconforto... Isso não era importante.

Sasuke, percebendo que Itachi sentia dor, soltou sua perna e levou a mão ao seu rosto, forçando-o a encará-lo. Itachi piscou algumas vezes, mas logo sorriu, levando seus braços ao redor do pescoço daquele acima de si e puxando-o para mais perto.

_ Eu estou bem. – ele sussurrou em seu ouvido e Sasuke estalou a língua nos dentes.

_ Não me interessa se você esta bem. Eu só quero que você olhe pra mim enquanto eu te como Itachi. – e essa afirmação soou falsa até para os seus ouvidos, mas mesmo assim ele não desistiu do argumento – E se doer, melhor ainda!

O mais velho acabou rindo ao ouvir aquelas palavras, brevemente, mas o suficiente para fazer Sasuke corar de vergonha dos pés à cabeça e se afastar um pouco, tentando censurá-lo com o olhar. Mas ao ver o avermelhar característico tingir as bochechas de Sasuke, Itachi foi incapaz de impedir sua excitação de aumentar no mesmo instante.

Sasuke sentiu seu membro ser comprimido com força, se perguntando o que fizera para o outro atingir novos níveis de prazer. Então se lembrou: Itachi tinha uma tara particular em vê-lo corado e, ao que tudo indica, gostava disso até mesmo quando invertiam os papeis.

_ Ok senhor malvadeza, faça o que tem que fazer então. – mesmo naquela situação absurdamente estranha, Itachi não pôde deixar de se lembrar de Naruto ao proferir tais palavras; ele riu baixinho, pensando que esse seria um típico apelido do Uzumaki para si. Peculiar direcionar tal tratamento à Sasuke, não?

Já Sasuke simplesmente ficou furioso, apesar de não saber se a maior parte da sua cólera vinha da ironia ou da risadinha idiota de Itachi. Ora! Itachi estava realmente tirando sarro dele? Ele realmente não sabia onde tinha se metido! Ele iria desejar nunca ter nascido! E por isso não foi nem um pouco piedoso com o corpo ainda machucado de Itachi, retirando-se completamente de dentro do corpo de Itachi e o penetrando novamente com a maior quantidade de força que conseguiu reunir.

Itachi chegou a abrir a boca em um grito silencioso – a penetração fora desajeitada, certamente não atingiu sua próstata e não trouxera um pingo de prazer para si. E mesmo acostumado em sentir dor... eram seis meses! E isso, por si só, parecia piorar consideravelmente aquela situação.

Sasuke, por sua vez, grunhiu alto pelo prazer de sentir a fricção tão fodidamente apertada do canal de Itachi e levou sua mão ate a boca do outro, tampando-a para evitar qualquer grito de dor que o outro pudesse dar. O primogênito Uchiha certamente não era alguém que reagiria à dor com escândalos, mas Sasuke não podia se arriscar daquela forma – estavam em um hospital, podiam ser pegos, não seria nada bom caso isso acontecesse. Não, definitivamente não queria audiência naquele momento.

O vai e vem continuou cada vez mais forte, ríspido, de forma violenta e dolorosa, mas com uma angulação um pouco melhor, de modo que após alguns segundos Itachi começou a sentir algum prazer de estar naquela posição. E agora, um pouco acostumado com a euforia particular de seus corpos, os dois encaravam um ao outro de maneira hipnotizante, sem sequer piscar.

Itachi viu tanta dor nos olhos de seu amado que nenhum vestígio de dor física que sentia pareceu incomodá-lo. Ele sentiu lágrimas se formarem em seus olhos – não pelo sexo mecânico, ou pela dor, pois como sempre qualquer desconforto físico não fazia a mínima para os seus sentimentos –, mas por ver Sasuke sentindo o que sentia. Estava claro que ele nunca estivera tão perdido na vida; mesmo sem se dar conta, Sasuke também formava lágrimas em suas pálpebras, deixando-as escorrer até seu queixo cada vez que piscava.

Sasuke parecia completamente quebrado, seu lábio inferior tremia rapidamente, e quando um soluço escapou dos lábios do mais novo Itachi não mais se controlou e tentou levar sua mão direita para a face do garoto, a fim de acariciá-lo e lhe dar algum conforto. Mas este, mais do que rapidamente, agarrou seu braço e o prendeu contra o colchão, não se permitindo receber um gesto de carinho.

Itachi assassinara sua mãe! Itachi mentira, escondera que era seu irmão! Itachi o transformou em um gay incestuoso! Tudo era culpa dele! Ele não tinha o direito de consolá-lo! Ele era um criminoso, devia ser tratado como o lixo de ser humano que era! Sasuke desejava ser capaz de estuprar Itachi. Queria ser capaz de destruir o corpo dele tal qual Madara havia feito. Céus, queria poder gargalhar do sofrimento dele! Queria tantas coisas!

Mas não conseguia, simplesmente não conseguia ver Itachi sofrer, ver Itachi machucado. Céus, o que diabos ele estava fazendo? Ele precisava parar, isso não era o certo! Ele precisava de ajuda, isso era... Ele não podia fazer isso com Itachi.

Não consigo!

Sasuke parou abruptamente de se mover, afastando-se um pouco de Itachi sem, contudo, retirar-se por completo de dentro do outro. Retirou sua mão dos lábios do mais velho, que começou a respirar ruidosamente pela boca. Instantaneamente, Sasuke procurou o membro de Itachi com o olhar e percebeu que apesar de ele também ter perdido um pouco da sua rigidez, ainda estava parcialmente excitado, demonstrando que provavelmente ele encontrara a próstata de Itachi em algum momento da penetração, mas que nem isso era o suficiente para fazer Itachi gostar efetivamente daquela sessão de sexo.

Sasuke sentiu-se a pior das criaturas da terra naquele momento.

_ Por que parou? – o mais velho questionou, ainda sem ar, novamente levando seus braços ao redor do pescoço de Sasuke e puxando-o para baixo. Sorriu de maneira provocadora, como o ator que um dia fora, e lambeu de leve o lábio inferior do parceiro, tentando seduzi-lo – Não era isso que você queria? Hum? Cadê a solução pra todos os seus problemas?

Ele estava confuso... Sasuke estava confuso... Mas ainda sim, tinha orgulho a zelar! E Itachi estava brincando com o fogo!

_ Cale a boca! – Sasuke rosnou entre os dentes – Cale a boca, se não eu não vou ser tão bonzinho!

_ Quem está pedindo bondade aqui? – Itachi respondeu, levando suas unhas as costas de Sasuke e arranhando-o, com força o suficiente para marcar, mas não tão forte ao ponto de romper sua pele – Eu já disse, eu não ligo pra dor física. Se você acha que dessa forma vai ser melhor pra você, faça o que bem entender comigo. Anda Sasuke, me prova que você está certo!

Sasuke respirava tão descompassadamente pelo desespero surreal que sentia que Itachi praticamente sentiu vontade de rir com desânimo. Mas não o fez, não agora, Sasuke estava quase cedendo! Ficara muito claro em poucos minutos tudo que ele quisera provar ao mais novo.

Sasuke estava atordoado e olhava para todos os lados, desejando um milagre, que alguém surgisse para ajudá-lo, para e tirá-lo daquela situação terrível; mas nada o ajudou. Engoliu em seco e fechou os olhos, respirando fundo e se concentrando para não perder sua ereção. A perspectiva de machucar Itachi pra valer o deixava enojado, mas ele precisava mudar esse pensamento. Era um desafio!

E se conseguisse fazer isso, talvez conseguiria lavar sua alma e fugir daquele inferno! Sim! Essa era a resposta! Era tão simples… Só precisava ser feito!

_ Então quer dizer que você está amarelando...

_ CALE A PORRA DA SUA BOCA! – ele gritou alto, não dando a mínima se alguém naquele hospital iria ouvi-lo, e arrancou as mãos de Itachi de suas costas, prendendo-as contra o colchão e recomeçando o vai e vem ainda mais violentamente do que antes.

Procurou não olhar para Itachi, se concentrando em algum ponto neutro no travesseiro e deixando sua mente fluir. Estava excitado, Itachi também (a julgar pela maneira como o ânus do outro o comprimia sem dó nem piedade alguma), mas no fundo não era assim que ele queria que fosse o sexo dos dois, e algo lhe dizia que essa excitação não duraria muito tempo; nem para ele, muito menos para Itachi.

O mais velho, por sua vez, virou a cabeça para o lado de maneira desconfortável assim que Sasuke, propositalmente, mudou a angulação de suas investidas para o ângulo desconfortável de antes.

Itachi não merece sentir prazer, e que assim seja. – ele chegou a essa conclusão, mas até sua voz em sua mente soou incerta e quebrada.

Mesmo sem querer, fechou os olhos e fantasiou com a primeira vez em que eles inverteram os papeis: em como Itachi fez tudo aquilo parecer um presente, uma surpresa grandiosa. Lembrou-se de como aquela situação foi a maior prova de confiança que ele recebera do outro e de como ficou surpreso e realizado como aquela mudança. Foi muito além do que sexo, muito além do que dominar Itachi, muito maisprofundo do que isso que eles faziam agora. E, mais uma vez, Sasuke sentiu falta do seu passado.

Sua imaginação foi mais longe ainda: Sasuke acabou pensando brevemente em como era feliz, apesar de todos os pesares, ao lado de Naruto e Kakashi. Lembrou-se do dia em que Naruto e Kakashi ligaram e interromperam sua segunda transa com Itachi, e como apesar de naquele momento ter odiado aquelas ligações, aquelas pessoas eram importantes para si e faziam falta. Faziam muita falta.

Sua vida... ele queria sua vida de volta!

_ Oh... Deus... – Sasuke fungou baixinho, se sentindo um inútil por pensar naquele tipo de coisa em meio ao sexo que tanto queria ter com Itachi! Puta que merdade cérebro auto-sabotador ele tinha!

Decidindo que talvez um pouco de estimulação visual favorecesse o momento e o salvasse daquele dissabor, Sasuke abriu os olhos e se moveu um pouco para trás, a fim de ver o corpo todo de Itachi e se sentir mais "à vontade" com aquilo.

Mas o que suas pupilas visualizaram acabaram com toda a sua excitação.

Itachi estava com os lábios franzidos, o rosto virado para esquerda, e as lágrimas correndo silenciosamente de seus olhos quase completamente negros – não havia qualquer vestígio rubro de excitação em seu olhar, apenas o acaju de sempre na borda de sua íris. Seu queixo tremia e ele parecia estar tentando segurar o choro. Itachi, o Itachi, estava chorando, e por causa dele!

Como se não bastasse tudo isso, Sasuke desviou momentaneamente o olhar do rosto de Itachi e observou o membro do parceiro, que agora nem exibia qualquer vestígio de excitação. Para piorar ainda mais o seu quadro de pavor, Sasuke se deu conta que no meio de sua brutalidade rompera alguns pontos de um machucado na perna de Itachi, provavelmente feitos depois da cirurgia de remoção do fixador externo, e que agora o sangue escorria pela sua perna, sujando os lençóis.

Sangue...

Inundado por uma onda de completo terror, Sasuke saiu de dentro do corpo de Itachi e engatinhou para trás, caindo da cama e arrastando-se como um animal indefeso pelo chão até a parede oposta, o mais longe possível de Itachi. Por óbvio já tinha perdido toda a sua excitação; agora tremia da cabeça aos pés.

Isso não está acontecendo! Não pode!

_ Não... – ele murmurou baixinho, puxando os joelhos para perto de si, agarrando suas pernas, se desesperando tanto quanto se desesperara ao se trancar no banheiro quando o falso Itachi, personificado por Madara, o chamara de Izuna. Não, não, correção: muito mais apavorado do que naquela ocasião!

Isso não podia ter acontecido! Ele tinha certeza, certeza, que o corpo de Itachi seria o passaporte para a paz que ele tanto desejava encontrar, não era para isso fazê-lo se sentir tão ruim! Só podia ser um pesadelo!

_ Sasuke... – ele ouviu seu nome ser chamado, bem como alguns ruídos de movimentação da cama hospitalar.

_ FIQUE LONGE DE MIM! – o mais novo gritou em plenos pulmões, soltando um ruído de sofrimento ao deixar os primeiros soluços escaparem de seu controle. Droga, droga,droga! Era muito fraco! Inútil! Ele não aguentava mais isso! – SUMA DAQUI! DESAPAREÇA!

Eu só quero viver de novo! Por favor, Deus, por favor!

Suspirando de leve, Itachi saiu da cama de maneira desajeitada e colocou sua roupa íntima, andando com passos lentos, levemente mancando, até a porta de seu quarto e virando a chave duas vezes. Segundos depois, enquanto ainda estava parado em frente à porta, ouviu uma batida singela e um leve forçar na maçaneta.

_ Senhor Itachi? – ouviu a enfermeira Shizune chamar seu nome, mais uma vez forçando a maçaneta da porta – Está tudo bem ai?

É claro que eles ouviram Sasuke. Ele sabia que cedo ou tarde alguém apareceria, mas sentia-se mais reconfortado em saber que Deus ouviu suas preces mentais e adiou um pouco aquela situação. Seria pior se Shizune tivesse aparecido quando sua porta estava destrancada.

_ Está tudo bem. – ele respondeu, mantendo sua voz estoica para tentar mascarar a situação, enquanto limpava as suas lágrimas que ainda teimavam em escorrer de seus olhos – Eu estava com a televisão muito alta. Já abaixei.

Televisão... Itachi não via televisão nunca! Bom, a não ser quando Naruto o forçava a assistir. Mas ainda sim era a única desculpa plausível que ele encontrou para aquela situação, e como Shizune não sabia de todos os acontecimentos envolvendo sua real identidade e a Akatsuki, talvez ela acreditasse naquela mentira. Não era comum pacientes trancarem a porta do quarto, afinal de contas.

_ Tem certeza? – ela questionou – Parecia bem real para ser televisão...

_ Eu acabei me empolgando com o programa. Desculpe.

Aguardou mais alguns segundos, e por fim ouviu o barulho característico de alguém deixando a mão escorregar da maçaneta de forma ruidosa. Mal pode conter seu alívio ao suspirar fundo; estavam a salvo.

_ Ok senhor Itachi, qualquer coisa chame. O botão acima da sua cabeceira é pra ser usado em caso de emergência, certo?

_ Certo.

O tom de voz da enfermeira não demonstrava que ela havia comprado a mentira, mas deixava claro que ela não iria interferir novamente e isso bastava. Até o dia seguinte, quando Jiraiya aparecesse para questioná-lo, Itachi inventaria alguma desculpa mais convincente. Poderia usar a figura de Konan como um mártir, dizendo que os dois tiveram uma discussão em meio a mais uma dose de proteína e... Enfim, isso seria um problema para o amanhã.

O seu problema de hoje estava chorando miseravelmente no chão frio do hospital, e ele tinha que agir. Caminhou em passos lentos até onde Sasuke se encontrava e sentou-se de maneira desajeitada ao seu lado. As costas do menor tremiam e ele escondia seu rosto nos joelhos, agarrando suas pernas como se sua vida dependesse disso, arranhando-as com a intensidade do aperto de seus dedos.

_ Fale o que está sentindo. – Itachi disse baixinho, encostando sua cabeça na parede e fechando os olhos, um pouco exausto com toda aquela situação. Não estava feliz em ter passado por aquilo, mas fora necessário para que chegassem até aquela conversa. Ele sabia, de certa forma, que agora Sasuke estaria mais dócil para ouvi-lo, e que precisava desabafar.

Era terrível pensar assim, mas precisou deixar o jovem chegar ao fundo do poço para poder esticar o braço e puxá-lo de lá. Antes, Sasuke estava tão crente que escalando as paredes do poço chegaria ao topo novamente, que não aceitou qualquer tipo de ajuda...

Itachi só esperava que agora Sasuke, além de ouvi-lo, o compreendesse.

_ Eu não quero falar com você... – Sasuke respondeu dez vezes mais baixo do que a voz utilizada por Itachi, mas graças à audição super-apurada da proteína ele conseguiu compreender.

_ Você deveria falar, já que obviamente suas tentativas não estão surtindo efeito. Por que não dá uma chance pra minha sugestão?

Itachi aguardou até que Sasuke levantasse o rosto de seus joelhos para encará-lo. Seus olhos agora estavam completamente negros, sem qualquer vestígio do brilho violeta, cintilando pelas lágrimas. Isso fez com que Itachi sorrisse de maneira gentil e apreciasse as características da essência do Sasuke por quem se apaixonou: ele sempre foi o tipo de pessoa que ficava extremamente belo ao chorar, uma beleza estonteante e ao mesmo tempo triste; Itachi se sentiu aliviado ao perceber que aquela particularidade do seu irmãozinho não havia se perdido no meio de tanta dor.

_ Agora que tenho sua atenção... Vamos, me diga o que você está sentindo. – ele falou com doçura, refreando-se para impedir seu impulso e beijar a ponta avermelhada do nariz de Sasuke. Foi algo difícil de fazer, pois estava com um desejo quase incontrolável de consolá-lo e dar carinho.

_ Eu não consigo. – Sasuke sussurrou francamente enquanto as lágrimas ainda escorriam de suas pálpebras. – Eu não consigo falar; nem com você, nem com ninguém.

Sasuke estava se sentindo destruído de tal forma que sequer conseguia se preocupar em parecer humilhado ao revelar suas lágrimas ao ex-namorado. No fundo, ele desejava que Itachi fizesse um milagre e acabasse com toda aquela maldita dor que sentia... Estava tão despedaçado que mal parecia se importar com seu orgulho.

_ Certo. – Itachi murmurou, aproximando-se de Sasuke e iniciou um contato visual analítico, não desistindo de sua aproximação nem mesmo quando o outro tentou se afastar, receoso.

Veja bem, Itachi não era o tipo de pessoa que sabia perfeitamente como interpretar os outros, na verdade ele não era nem um pouco bom em fazer esse tipo de coisa. Isso era algo que apenas a Konan sabia fazer, ou talvez um ou outro morador desse mundo novo onde vivia. Mas em se tratando de Sasuke ele conseguiu interpretar perfeitamente; afinal, os papeis dos dois estavam invertidos, por mais irônico que isso pudesse parecer.

Itachi já vira aquele mesmo olhar algumas vezes em seu espelho no quarto do QG. Ele já esteve debaixo da pele de Sasuke e por conta disso sabia interpretá-lo perfeitamente, o que não quer dizer que isso fosse uma coisa boa. Por interpretá-lo, Itachi sabia que a situação de Sasuke não era das melhores.

Ah... Se pudesse fazer qualquer coisa pra arrancar aquela dor de Sasuke, qualquer uma, ele faria.

_ Seus olhos falam por você, Sasuke. Não precisa me dizer nada.

_ Você... mudou. – Sasuke falou, se perguntando o que queria dizer com essas palavras.

Aparentemente, Itachi estava mais fraco, mais pálido e com os cabelos mais longos. Continuava bonito como sempre fora, mas parecia bem mais frágil do que outrora e com a saúde bem mais delicada. Todavia, isso se restringia apenas à aparência: Itachi estava com um olhar forte, analítico, experiente, como se... era até absurdo prensar assim, mas era como se Itachi tivesse finalmente compreendido uma série de coisas, coisas que antes apenas aceitava sem entender de verdade. Antes, Itachi tinha uma apatia no olhar que Sasuke só conseguira ver nos olhos dos demais Akatsuki. Agora, ele tinha um brilho especial, algo único, que ele só vira em uma única pessoa na sua vida.

Naruto.

_ É. Eu mudei. – Itachi respondeu, sorrindo com uma leveza tão suave; a garganta de Sasuke se contraiu com força; um receio imenso o atingiu – Eu estou, finalmente, com os pés no chão.

Sasuke estremeceu mais forte do que antes. Itachi estava completo, parecia completo! Não estava mais perdido como antes, não era mais uma espécie de recém-desperto naquele mundo particular. Itachi havia recebido auxílio dos outros, agora não precisava mais dele. Itachi... ele...

Não havia mais lugar para ele na vida de Itachi. E apesar desse pensamento não dever atordoá-lo, Sasuke sentia uma dor no peito que mal o deixava respirar. Em milésimos de segundos pensou em Pain e Konan, naquela relação que ele invejava, e como, no fundo, ele achava que Itachi ainda teria uma relação assim com ele, mesmo que não pudessem vivê-la por motivos óbvios.

Mas agora o mais velho estava livre e não precisava mais ser guiado por alguém tão complicado como Sasuke. Decerto, Naruto mostrou a Itachi que existem pessoas com uma melhor companhia do que a dele. Itachi não precisava mais dele, o substituíra.

_ Dói...! – Sasuke gemeu de forma dolorosa, e isso fez com que Itachi percebesse que algo errado estava passando na cabeça do mais novo, de novo.

Sasuke às vezes pensa demais... E pensa só besteira.

Decidindo arriscar, se aproximou um pouco mais do caçula, como se estivesse tentando chegar perto de um gato arrisco. Ao perceber que Sasuke não fugiria, criou coragem e esticou sua mão, acariciando de leve a lateral do rosto do menor, limpando suas lágrimas com uma delicadeza incrível, ao ponto de que o outro mal conseguia sentir seu toque.

_ Mas mesmo ao conseguir finalmente recuperar o chão, tem algo que falta na minha vida.

Sasuke, que agora exibia um olhar esperançoso, fungou baixinho antes de respirar fundo para falar.

_ Itachi, você... – mas Itachi achou que ainda não era o momento certo para Sasuke começar a falar, algumas coisas precisavam ficar claras antes de qualquer novo pronunciamento.

Por isso ele o interrompeu.

_ Eu tenho um chão agora. Eu sei como o mundo funciona, tenho amigos, estou recebendo um tratamento, e até estou conseguindo viver bem entre trancos e barrancos. Mas apesar de ter todo esse chão eu ainda preciso de sonhos, preciso voar de vez em quando. E isso eu só consigo ter ao seu lado Sasuke.

Sasuke levou suas mãos aos olhos, escondendo seu rosto por detrás delas e escondendo o sorriso que brotara aos seus lábios. Não podia sorrir com uma declaração dessa, mas não conseguiu se controlar. Depois de se recuperar desse ímpeto imbecil, ele retirou as mãos do rosto e respondeu a afirmação de Itachi com um tom um pouco choroso, pois se lembrara de algo extremamente importante:

_ Nós somos irmãos... – soluçou, agindo como se acabasse de receber sua sentença de morte, abaixando o olhar com abatimento – Mesmo se nada tivesse acontecido, mesmo se você não tivesse mentido e feito o que fez, mesmo se Madara não existisse ou se eu fosse louco o suficiente para te perdoar... Nós somos irmãos!

Itachi estendeu a outra mão para o rosto de Sasuke e o forçou a fitá-lo nos olhos. Nenhum dos dois ousou piscar; Sasuke sentiu seu coração bater cada vez mais forte, sua respiração acelerar e sua ansiedade aumentar.

Era como se, no fundo, ele desejasse que Itachi o provasse o contrário. O convencesse de que não havia problema algum neles ficarem juntos, como se tudo não passasse de uma ilusão. Como se quisesse uma prova de que aquele exame de DNA era apenas uma grande mentira.

_ É verdade Sasuke, nos somos irmãos. – Itachi murmurou, despedaçando mais uma vez o pobre coração do Uchiha mais novo – Eu descobri isso na adolescência, antes disso eu achava que Madara era meu irmão de sangue. Eu descobri meu parentesco com Mikoto e Fugaku Uchiha tarde demais.

Itachi tocou em um ponto interessante na conversa e Sasuke quase questionou mais a respeito. No fim das contas, decidiu ficar calado: não importava a história que Itachi tinha a dizer, o que importava eram os fatos: Itachi era seu irmão de sangue, o assassino de sua mãe e um mentiroso por completo. Como iria confiar em alguém assim?

E, por Deus, como podia se sentir dependente de alguém assim?

Tirou o rosto do alcance do mais velho, encostando-se à parede mais uma vez e fechando os olhos. Queria dormir, pra sempre, de preferência... Queria ir para algum lugar onde nada disso tivesse importância, onde a vida fosse mais simples. Ela haveria de ser mais simples em algum lugar, não?

Itachi não estava disposto a encerrar a conversa naquele momento, e continuou a falar.

_ Mas pra mim isso não interessa. Eu sempre soube quem você era, desde que te conheci de verdade naquele banheiro interditado. Eu nunca me importei com isso.

_ Mas pra mim interessa! – Sasuke respondeu, um pouco alto demais e recebendo um "shii" de Itachi, para que abaixasse o tom de voz e não trouxesse mais atenção desnecessária para aquele quarto – Na minha sociedade isso interessa!

_ Eu entendi que isso tem importância na sua sociedade, Kakashi me explicou.

Mais uma vez, Sasuke sentiu seu peito se comprimir com a mais nova revelação.

_ Kakashi? – murmurou, mortificado – Kakashi sabe?!

_ Todos sabem. De tudo.

Sasuke ficou completamente horrorizado, de boca aberta e olhar arregalado. Como... como! Como Itachi podia ter revelado isso pros outros? Deus do céu, o que seus amigos estavam pensando a respeito dele agora!?

_ Eles devem ter nojo de mim... – Sasuke falou, ainda em choque.

Itachi não pode deixar rir pelo nariz.

_ Não... – Itachi esticou o braço e acariciou as costas de Sasuke, tentando se controlar com apenas aquele gesto; na verdade queria abraçá-lo com toda força – Na verdade, Naruto sempre quer me bater quando nós tocamos nesse assunto de você ser "meu irmão", porque ele diz que quem é seu irmão é ele. Sinceramente, ele não dá a mínima pro nosso laço sanguíneo.

Apesar de saber que Naruto sempre gritava em alto e bom som que os dois eram irmãos (e isso não era da boca pra fora como a maioria das besteiras de Naruto), o resto da informação o pegou de surpresa. Sasuke jamais imaginaria que Naruto iria agir com tanta calma diante de uma revelação como essa; principalmente por se tratar de Itachi, alguém que o loiro parecia odiar outrora.

_ Já Kakashi, a princípio, não gostou da revelação, que ele já sabia parcialmente. Mas acho que era mais por uma questão de confiança do que por causa de laços sanguíneos. Hoje ele confia em mim e não parece se importa mais.

Isso pegou Sasuke de surpresa ainda mais, fazendo-o abrir a boca em total descrença.

_ Kakashi... não se importa? – parecia até uma alucinação da sua mente. O Kakashi que ele conhecia tentaria estrangular Itachi durante a vida toda caso descobrisse a verdade!

_ Não. – Itachi respondeu, dando de ombros – O único que verdadeiramente se importa com isso é você, otouto.

O pronome de tratamento utilizado fez com que o corpo de Sasuke se arrepiasse da cabeça aos pés. Era tão errado... Ainda sim, algo na perspectiva de se sentir ainda mais unido a Itachi do que antes o deu um sentimento agridoce de curiosidade e desejo – e ele quis se matar ao constatar isso. Optando que mais sangue naquele cenário não seria algo interessante, limitou-se a exibir uma careta de nojo e limpou as lágrimas para recobrar certa compostura.

_ Não me chame assim. – ele murmurou, um pouco carrancudo.

Itachi aparentemente achou graça no seu tom de voz, pois sorriu ainda mais.

_ Prefere aniki?

Sinceramente, Itachi estava muito piadista! Isso só podia ser convivência com o Naruto!

_ Oh, cale a boca... – ele respondeu com amargura, irritado por Itachi não compreender o quão ruim tudo aquilo era.

Claro, de certa forma ele entendia porque o tabu não passava na cabeça de Itachi, principalmente depois de conviver com os demais Akatsuki. No QG, não havia tabus sexuais como existiam no resto do mundo, e provavelmente mesmo depois de informado que o incesto era algo extremamente ruim e mal visto na sociedade, Itachi nunca conseguiria compreender o porquê disso; ou simplesmente não se preocupava em entender, visto que a maneira mais simples de sua mente pensar a respeito do desejo sexual já satisfazia suas necessidades.

Mas Sasuke queria sentir raiva do que acabara de ouvir, não "compreender" o lado de Itachi!

Alheio a mais nova onda de confusão mental de Sasuke, Itachi aproximou-se um pouco mais, dessa vez acariciando os cabelos espetados do outro e se sentindo extremamente feliz quando ele não fugiu de seu toque.

Sasuke continuava perdido, mas ao menos havia um lado bom nisso tudo: ele estava dócil. Isso facilitava imensamente as coisas...

_ Sasuke, vamos encurtar o caminho. – falou calmamente, trazendo os olhos negros e curiosos de volta a si – Você está aqui em uma missão de iniciação para Madara e decerto é uma missão sexual. Não é mesmo?

O Uchiha mais novo arregalou o olhar e Itachi confirmou positivamente as suas suspeitas. Mais de duas décadas ao lado de Madara não foram em vão, afinal de contas.

_ E-eu... eu... c-como...? – Sasuke pigarreou, tentando acalmar seu tom de voz. Itachi aproveitou a oportunidade para interrompê-lo.

_ Oras, não sei se Madara está subestimando minha inteligência ou se ele queria que eu descobrisse isso, mas é lógico que eu ia perceber! – Itachi respondeu, um pouco de irritação no seu tom de voz. Sasuke constatou que, pelo jeito, o mais velho continuava detestando não estar no controle – Eu já fui o braço direito dele um dia, sei como é o estilo de missão que ele determina como "missões de iniciação".

Isso realmente atraiu a curiosidade de Sasuke: Madara era o grande causador de todos os problemas em sua vida, mais até do que Itachi, e qualquer informação a respeito de como o cérebro do déspota funcionava era vital para uma vingança futura.

_ O que quer dizer?

Itachi, não percebendo o intento de Sasuke com aquela pergunta, respondeu com sinceridade.

_ As missões de iniciação são missões de cunho pessoal. Ele passou essa a você, pois é pessoal, vai te por em xeque e você terá que me matar ao final da missão. Ele fez a mesma coisa comigo na minha iniciação. E sabe o que isso significa Sasuke?

Itachi estava próximo de Sasuke, muito próximo, e mantinha um olhar totalmente indecifrável. O garoto se sentiu acuado com a aproximação e rapidamente procurou sua ninja-tō praticamente esquecida em seu campo de visão, encontrando-a ao alcance de seu braço direito, jogada de qualquer jeito no chão e com o cabo virado em sua direção. Pegou-a com agilidade e ameaçou Itachi, colocando a lâmina contra seu pescoço sem, contudo, romper a pele com um contato mais forte.

_ Fique longe de mim! – ele falou com a voz fraca e Itachi ficou em silêncio por algum tempo.

Observou os olhos assustados de Sasuke, a maneira como ele respirava ofegante e mordia os lábios com apreensão; ele estava tão fácil de interpretar aquela noite que até parecia uma piada.

_ Você sabe o que isso significa... – ele concluiu com sapiência, aproximando-se um pouco mais, sem qualquer receio de se machucar com a ninja-tō.

Sasuke não o machucaria, ele tinha certeza disso. Afinal, ele também sabia o que aquela missão significava.

_ Não se aproxime de mim! – Sasuke falou com a voz ainda mais fraca, mais incerto, perdendo a firmeza na pegada no cabo da espada. Itachi estava ainda mais perto agora e ele queria fugir dali, mas ao mesmo tempo não queria...

Urgh, dualidade maldita!

Deus do céu! Será que dá pra você se decidir, caralho!?

_ O-o quê...? – Sasuke falou sem fôlego ao ouvir o retorno de uma de suas mentes desaparecidas. Elas costumavam surgir nos momentos em que tomava a droga Tsuki no Me, mas... agora?

Itachi estava distraído em observar os lábios de Sasuke e não se preocupou em prestar atenção na indagação que acabara de ser proferida. O caçula, por sua vez, começou a observar a figura de Itachi como se um milagre houvesse acabado de acontecer. E verdadeiramente ocorreu! Itachi trouxe uma de suas mentes à tona! Itachi... ele realmente era a resposta!

Oh, que bom Sherlock! Você está chegando a algum lugar.

Sasuke pare de perder tempo e o beije logo! Eu estou com muitas saudades!

As duas! As duas estão de volta!

Oun Sasuke, senti saudades de você também!

Ainda alheio a tudo que se passava na complexa mente do Uchiha, Itachi continuou a falar:

_ Isso significa que Madara sabe, que eu sei, que todos sabem; só basta você admitir. – Itachi podia sentir a respiração ofegante do moreno mais novo em seu rosto, bem como o ar de desespero por ser acuado se multiplicar rapidamente – Você me ama Sasuke.

O que deu nas pessoas hoje pra falarem só coisas desnecessárias!? Duh, outro Sherlock!

Isso mesmo Itachi! Nós te amamos!

Fale por vocês.

É impressionante que mesmo com você tendo ficado com quase toda a teimosia do Sasuke, ele ainda tenha o suficiente pra ser extremamente cabeça-dura. Quer ver que ele vai negar?

_ N-não...

Eu disse, não disse?

Caso perdido...

_ Madara quer testar você, ver se você é forte o suficiente para colocar o seu amor de lado e me matar.

_ Não... Madara quer... ele quer... Ele quer saber quem está te entregando a proteína. Ele quer que eu... Oh D-deus... – o cérebro de Sasuke parecia ter sofrido curto-circuito e ele optou por ficar calado, visto que mal conseguia formular uma frase.

Itachi estava tão próximo agora que Sasuke já conseguia sentir de relance os lábios do outro em seu queixo, e isso gerava ondas de excitação que se espalhavam por todo o seu corpo. Tentou se convencer de que só não cortara a cabeça de Itachi porque ainda não chegara ao fim da missão, ao menos Itachi não sabia que ele já tinha a resposta para essa pergunta então esse tipo de desculpa colava... Ou era nisso que ele prendia o restante de sua sanidade.

Mas então Itachi resolveu dar sua cartada final, destruindo todos os planos de Sasuke:

_ Foi Konan e ela assumiu o risco de ser descoberta. – Itachi respondeu, beijando de leve a pele do rosto de Sasuke. Em seguida, levou os lábios ao ouvido do menor e sussurrou baixinho – Pronto, missão cumprida número três... Agora me mate.

Sasuke engoliu em seco enquanto sentia seu punho tremer tanto que mal conseguia segurar a arma branca. Itachi afastou-se um pouco de si para olhá-lo nos olhos, demonstrando não estar com nenhum medo de ser executado ali e agora.

Depois de quase um minuto de contato visual e desafio implícito, Itachi sorriu com um ar de vencedor, pegou a ninja-tō de Sasuke com delicadeza e tirou-a da mão do garoto, atirando-a para o outro lado do quarto, bem longe das mãos do mais novo membro da Akatsuki. Sasuke mal pareceu perceber tal movimentação.

_ "Quando quiser matar alguém, não ameace. Chegue matando" (3) – ele murmurou, contornando o lábio inferior de Sasuke com seu indicador, terminando o contorno na ponta do queixo e erguendo-o ao segurá-lo com seu indicador e polegar – Se lembra de mais coisas que eu te ensinei aquele dia Sasuke?

_ Sim... – o garoto murmurou, quase sem fôlego, fechando os olhos quando Itachi se aproximava lentamente. Estava rendido, nem conseguia pensar em reagir contra esse toque; Itachi o seduzira com uma facilidade invejável, nem parecia que era Sasuke quem tinha uma missão sexual ali.

Depois de soltar uma pequena risadinha pelo nariz, o mais velho encostou novamente os lábios em seu ouvido e sussurrou com um tom de voz bem mais grave do que o convencional.

_ Então esqueça tudo, porque aquilo era superficial. – ele lambeu o lóbulo de seu ouvido e Sasuke gemeu baixinho, se sentindo cada vez mais excitado com aquelas carícias suave – Hoje eu e você vamos aprender, juntos, a fazer amor.

Décimos de segundos após essa singela promessa Itachi estava de pé e com Sasuke no colo. Devido ao mais novo estar sem os olhos violetas ativados não conseguia compreender como essa movimentação abrupta ocorrera, mas não estava disposto a reativá-los mais uma vez naquela noite; a segunda ativação seguida gerava os efeitos colaterais mais intensos e ele simplesmente não podia se dar ao luxo de ter um colapso agora. Não enquanto houvesse um Itachi seminu carregando-o no colo e levando-o para a cama...

Mas esse mesmo "Itachi seminu" não podia estar fazendo isso! Ele estava machucado, não estava?

_ Você está louco? Vai se quebrar ainda mais! – ele censurou a conduta de Itachi, tentando escapar (sem muito se esforçar, era verdade) do colo do outro, que ainda caminhava novamente para a cama com passos mancos.

_ Quieto. – Itachi respondeu com a voz rouca de prazer, gostando de sentir Sasuke endurecer contra sua cintura enquanto o segurava. Devido à seriedade da conversa tinha até esquecido que o garoto ainda estava nu, mas agora essa compreensão surgiu como um presente maravilhoso.

Ao contrario do que faria caso estivessem simplesmente transando e ele estivesse naquele mesmo grau intenso de luxúria, Itachi não jogou Sasuke com tudo na cama. O colocou com delicadeza sobre os lençóis, agindo de uma maneira tão suave que até o próprio jovem se sentiu surpreso com o tratamento.

_ Itachi, o que...

_ Shii... – o mais velho sibilou, mandando-o se calar. Sasuke, incrivelmente, obedeceu. – Se você não acredita em mim e no que eu digo sentir por você, vou te mostrar até você se convencer.

Itachi sentou-se na borda da cama e tomou o pé direito de Sasuke em suas mãos, sentindo um leve ferimento em processo de cicatrização em sua planta. Conseguia até imaginar onde Sasuke teria se cortado, deveria ser na segunda clareira do treinamento externo, lá havia muitas armadilhas colocadas propositalmente para dificultarem ainda mais o treinamento. Sasuke realmente parecia estar treinando duro.

Ergueu o pé de Sasuke e beijou o machucado, docemente, recebendo um suspiro dengoso em retorno. Beijou a parte de cima de seus dedos, em seguida o tarso, o tornozelo, subindo com beijos suaves por toda sua perna, até chegar à altura dos joelhos e repetir o mesmo processo com a outra perna. Sasuke deu uma risadinha de cócegas ao receber um beijo estalado na planta do pé esquerdo e Itachi sorriu, feliz em ser o causador daquele som que há tantos meses não ouvia.

_ Sua risada é maravilhosa. É uma das coisas que mais venero em você. – ele respondeu, assim que beijou o segundo joelho de Sasuke e ergueu o olhar para fitar o rosto do seu amado.

Sasuke estava corado e Itachi fechou os olhos pesadamente numa tentativa de se controlar; às vezes ele acreditava que Sasuke agia assim de propósito, porque era impossível alguém o seduzir daquela forma!

_ Mas certamente o que mais venero em você é isso... – Itachi abriu os olhos (agora bem mais avermelhados que outrora), largou as pernas de Sasuke abruptamente.

Subiu na cama, ficando de frente com o menor e beijando a ponta de seu nariz e em seguida as maças de seu rosto. Isso deixou Sasuke ainda mais corado pela surpresa de receber um comportamento tão doce de Itachi, mesmo quando ele exibia aquele olhar vermelho de prazer intenso; Itachi estava se controlando pra manter seu ponto?

_ Esse rubor. – Itachi falou, encostando sua testa a testa de Sasuke e acariciando as bochechas do outro com seus polegares, em movimentos circulares – Se eu pudesse, faria você ficar assim o tempo todo.

_ Você está... meio besta, Itachi. – foi tudo que ele conseguiu responder, tentando se virar para esconder seu rosto corado.

Mas Itachi escolheu exatamente aquele momento para friccionar a sua ereção ainda coberta na dele, arrancando um suspiro de surpresa e prazer do mais novo.

_ Provavelmente sim. – o mais velho respondeu, sorrindo um pouco, quase gemendo de tesão ao ver Sasuke corando ainda mais e cobrindo o rosto com vergonha – Mas não é assim que a gente fica quando está apaixonado?

O menor virou o rosto e o manteve coberto, incapaz de responder a pergunta ou continuar a fitá-lo nos olhos. Contente em deixar Sasuke envergonhado daquele jeito, Itachi voltou sua atenção para a parte do pescoço amostra. Beijando-o docemente, sem marcar, saboreando o gosto salgado do suor dele em virtude das atividades corporais de antes – Itachi se recusava a chamar aquilo de sexo. Tratou de lambê-lo da clavícula até a orelha, sussurrando com paixão ao final do trajeto.

_ Eu amo seu sabor.

_ I-tachi. – Sasuke murmurou, tentando enfiar o rosto ainda mais no travesseiro – Você está me deixando com vergonha.

_ Essa é a intenção. – ele respondeu com um tom lúdico.

Sasuke retirou as mãos do rosto virou-se rapidamente para encará-lo com um olhar de censura. Itachi aproveitou para depositar um selinho no biquinho contrariado que seu amado mostrava nos lábios, aprofundando o beijo em questão de segundos.

Logo Sasuke já nem se lembrava do que o deixara irritado e retribuía o beijo com um fervor intenso, mordendo o lábio inferior e superior do companheiro, afobado, desejando sentir cada vez mais; quando achava que sua excitação tinha chegado ao auge, Itachi segurava com força alguma parte de seu corpo e o provava o contrário: ele provavelmente iria enlouquecer aquela noite.

Realmente, só aquele beijo e aquelas carícias faziam toda atividade sexual de antes parecer uma completa piada.

Eu sempre disse que você deve deixar o Itachi dominar...

A questão não é essa frutinha, o problema é que o Sasuke estava agindo como um idiota, é claro que o sexo seria idiota.

Pera, Itachi me dominar?

Sasuke interrompeu o beijo abruptamente, respirando fundo pela surpresa. Uma das mãos de Itachi já estava na sua nádega direita sem que Sasuke sequer tomasse consciência disso por estar embriagado pelo prazer. Essa maldita mão estava muito próxima do lugar onde não podia chegar perto de jeito algum!

Sasuke tentou se controlar para não transparecer o seu pavor. Respirou fundo, duas vezes, antes de pedir do jeito mais dengoso que conseguiu (Itachi sempre cedia quando ele falava com dengo):

_ I-itachi, vamos fazer do outro jeito?

Pela primeira vez Itachi pareceu completamente decepcionado com aquele pedido, franziu o cenho em questionamento e afastou-se de Sasuke. Este, por sua vez, ficou desorientado por ter perdido o contato corporal e tentava compreender o que havia acontecido, mordendo o lábio e fitando o outro com ares de indagação. Quando o silêncio ficou pesado demais para suportarem, Itachi cruzou os braços e sentou sobre seus joelhos.

_ Sabe Sasuke, não sei se você percebeu, mas você não foi muito gentil agora pouco. Eu preferiria não fazer nada desse jeito nas próximas vinte e quatro horas. – o que mais Itachi podia dizer? Tudo tem limite nessa vida, oras!

O garoto mordeu o lábio e juntou as sobrancelhas, tentando pensar em alguma contra argumentação plausível.

_ Mas... a gente usa mais lubrificante... e...

_ O que foi? Você está com medo que eu perceba que você e o Madara estão transando? – Itachi perguntou casualmente; Sasuke parou de respirar para não gritar em desespero – Tarde demais.

O que eu faço agora!?

Vou saber? Você que teve essa ideia idiota de continuar transando com o Madara! Pra mim já dói ver você se submeter ao Itachi, agora ao Madara é absurdo!

Ah Sasuke se vira, estou com o chatolino nessa. Você que escolheu isso, arque com as consequências.

_ Eu... eu...

Itachi manteve a postura enfezada por alguns segundos, como se aguardasse uma resposta de Sasuke. Mas, ao final, desfez a farsa e deixou uma breve risada escapar de seus lábios. Bateu de leve com o indicador e dedo médio na testa de Sasuke, arrancando um ruído de indignação para si.

_ Ei!

_ Eu não sou idiota, sabia? – Itachi respondeu, debruçando-se novamente sobre Sasuke e colando testa com testa, abraçando seu corpo com ternura e devoção – Eu soube no momento que você respondeu rápido demais que queria "fazer" do outro jeito. Aliás, eu convivi muitos anos com Madara e sei muito bem que ele não é o tipo de cara que deixaria alguém como você passar intacto sem nenhum contato sexual.

_ Você sabe que Madara se deitava com outras pessoas quando vocês estavam juntos?

_ Claro que sim.

Itachi o encarou como se Sasuke acabasse de falar a coisa mais obvia do mundo; bom, que culpa Sasuke tinha se isso nunca passou pela sua cabeça? Por ele não desejar mais ninguém além de Itachi, acreditava que Madara deveria sentir a mesma coisa quando estava com Itachi, oras!

_ Mas... – Como Itachi pode responder com tanta naturalidade! – Você nunca ligou?

_ Não.

Sasuke pareceu pensativo com aquelas palavras, esquecendo brevemente o rompante de pavor que acabara de sentir ao ser descoberto. Percebendo que, mais uma vez, o garoto parecia estar pensando besteira, Itachi resolveu se explicar.

_ Eu nunca tive ciúmes de Madara e isso é algo que eu estou tentando entender ainda. – Itachi respondeu com franqueza – Porque não é como se eu não tivesse ciúmes de você Sasuke... Eu ficaria furioso se você tivesse algo com a Karin, por exemplo.

Ewwwww! Karin não!

A para né!? Ela não é de se jogar fora!

Sasuke optou por ignorar a discussão desnecessária de suas mentes, pois não havia dúvidas: Karin já foi atraente o suficiente para causar nele algum interesse meramente físico. Mas depois de se envolver com Itachi, ele simplesmente não conseguia mais olhar para qualquer outra pessoa da mesma maneira.

O sexo com Madara funcionava porque, de certa forma, Madara lembrava um pouco a aparência de Itachi e tinha um jeito semelhante na cama, talvez por conta das próprias experiências que os dois tiveram quando estavam juntos, vai saber. E mesmo quando ele não se animava nas preliminares, a mecânica corporal não o deixava na mão e ele começava a gostar do sexo quando já estava na metade dele. Isso não significa que Sasuke se sentisse atraído por Madara, apenas que seu corpo reagia aos anseios fisiológicos naturais. Ainda sim, isso não explicava o comportamento de Itachi e Sasuke indagou isso ao outro com o olhar.

Itachi compreendeu o questionamento; decerto Sasuke estava se perguntando por que ele tinha ciúmes de Karin e de Madara não. Era algo tão óbvio que ele mal sabia como responder.

_ Não é como se eu não me importasse Sasuke, eu simplesmente entendo o que está passando nessa sua cabecinha. E te perdoo, independente dos seus motivos.

Se Sasuke achou que não poderia sentir mais vergonha, ele estava redondamente enganado. Sentiu até suas orelhas esquentarem ao ouvir tais palavras; Itachi piscou duas vezes, engoliu em seco e expirou com força.

_ Primeiro, não há o que perdoar porque não estamos juntos! – foi a única resposta que Sasuke conseguiu pensar, mas Itachi sequer pareceu ouvi-la.

_ Uhum... – o outro respondeu, hipnotizado pela aparência de Sasuke, aproximando-se dele novamente e sem receber qualquer protesto em contrário.

Itachi aproveitou a deixa para levar suas mãos ao traseiro de Sasuke e apertá-lo com desejo, passando ambos os dedos médios na entrada do menor e sentindo que, realmente, estava bem claro que Sasuke fizera sexo na noite anterior. A constatação o fez sentir uma onda de ciúmes, mas ele foi racional o suficiente para controlá-la por hora. Afinal, ele não estava mentindo quando dizia entender Sasuke.

Mas isso não significava que ele queria que Madara e Sasuke continuassem indo pra cama juntos.

_ S-segundo... que... que...

Sasuke estava ofegante e incoerente. Itachi prestava tanta atenção no comportamento do mais novo que sequer tinha a consciência de qual era o seu próprio estado naquele momento. Tudo que interessava era Sasuke: a forma como ele corava, como seus lábios apartavam ao permitir que ele respirasse de forma rápida e ruidosa, como seu corpo reagia a cada singelo toque. Pra completar, o corpo do mais novo já estava coberto por uma fina camada de suor e seus cabelos negros e bagunçados grudavam em alguns pontos sua testa e pescoço; era uma tentação.

Quando Sasuke gemeu baixinho o nome de Itachi, ele perdeu totalmente o controle. Saiu de cima da cama (e sem sequer se importou com a maneira como sua perna direita latejou com a movimentação), girou o corpo de Sasuke, colocando-o de bruços, e partiu para cima dele, beijando suas costas e encaixando seu quadril ao do menor.

_ Eu tentei. – ele grunhiu no ouvido de Sasuke, enquanto abaixava sua própria roupa intima e liberava sua ereção, levando-a até a entrada de Sasuke e acariciando-a, deixando bem claro o quanto ele estava se contendo até aquele momento – Eu tentei ser carinhoso e amoroso e agir como aqueles malditos mocinhos de romance literário, mas puta merda Sasuke. Puta merda! Quem escreve aquelas porcarias não entende que não da pra se controlar quando se tem alguém como você na cama.

Sasuke sorriu com o elogio, aproveitando a posição pra esconder o rosto no travesseiro; Itachi mordeu seu ombro com um pouco mais de força do que antes e Sasuke não conseguiu conter o gemido libidinoso de escapar em seus lábios. Com tal estimulação, acabou dizendo uma frase que provavelmente o deixaria mortificado se dita em outra situação:

_ Então me come logo Itachi... – ele se apoiou em seus cotovelos, virando um pouco a cabeça para olhar o rosto de seu parceiro e adorando o olhar estupidamente excitante que recebeu como recompensa pelas suas palavras desavergonhadas – Reviva a minha memória. Quero ver se você continua tão bom como nos meus sonhos...

Itachi quase grunhiu, mas se conteve. Não queria transformar uma perspectiva de provar seu amor em um sexo animal sem qualquer racionalidade, por mais difícil que fosse evitar penetrar Sasuke ali e agora. Ele se inclinou para trás, sentou-se no colchão e fitou as nádegas do menor; elas estavam marcadas pelas unhas de Madara.

Naquele momento seu sangue ferveu pra valer e todo autocontrole caiu por terra. Ele entendia Sasuke e perdoava Sasuke, fato. Mas Madara-nii...

Madara-niio caralho! Como ele ousa marcar o que é meu?

_ Itachi? – Sasuke o chamou, achando estranho as mãos de Itachi deixarem o seu corpo por mais de quinze segundos.

Itachi não respondeu, sequer pareceu ouvir. Apartou as nádegas de Sasuke, observou sua parte mais íntima por poucos instantes e antes que Sasuke pudesse reclamar da exposição, ele se abaixou e...

Oh Deus como eu senti falta disso!

Só um pouquinho...

_ Hnnnnn... Itachii... – Sasuke empinou seu traseiro, afundando o rosto no travesseiro novamente e adorando sentir os movimentos da maravilhosa língua de Itachi dentro de si; continuava a ser tão estonteante quanto antes, talvez até um pouco melhor. Era difícil decidir, Sasuke mal conseguia pensar, quem dirá comparar o passado com o presente.

Depois de pouco mais de dois minutos de estimulação, Itachi procurou as cegas o tubo de lubrificante e milagrosamente o encontrou jogado em um canto da cama. Colocou uma quantidade generosa em seus dedos e inseriu o dedo médio onde sua língua se encontrava até poucos segundos atrás, aproveitando o momento para deixar um chupão forte em uma das nádegas de Sasuke. Quem sabe Madara entendesse o recado quando chegasse perto do seu amor mais uma vez!

_ Eu quero trucidar o Madara. – ele murmurou com a voz feroz, inserindo o segundo dedo no canal de Sasuke, observando novamente aquela região que o dava tanto prazer e não se controlando ao morder com força uma das marcas de arranhão explícito na pele branca de Sasuke.

_ Eu... Ahhn... achei que você não se importava.

_ O que os olhos não veem o coração não sente. – Itachi murmurou, acelerando um vai e vem rápido e se controlando para não enfiar logo o terceiro dedo.

Estava puto demais! Queria tomar Sasuke como seu logo! Sentia algo irracional, como se ao penetrar Sasuke, Madara jamais pudesse chegar perto dele novamente; o que era um completo absurdo, mas para a mente ciumenta e excitada de Itachi parecia fazer muito sentido.

Sasuke ainda gemeu impudicamente algumas vezes, gostando daquele tipo de tratamento tanto quanto estava adorando o lado mais carinhoso de Itachi, mas percebeu que seria melhor interferir e falar algo antes que toda aquela situação saísse de controle.

_ Então não olhe, volta pra cá... – ele murmurou, esticando uma de suas mãos e pegando o braço que Itachi usava para se apoiar na cama, tentando puxá-lo para perto de si.

Sasuke olhou para trás quando Itachi não se moveu, cruzando olhares com ele e fazendo o possível para colocar a sua maior cara de pidão à postos; Itachi instantaneamente pareceu relaxar um pouco e isso fez com que Sasuke respirasse aliviado novamente.

_ Desculpe... – Itachi murmurou, deitando-se sobre o corpo de Sasuke e beijando seu pescoço, ainda mantendo os dois dedos dentro do corpo do mais novo, mas diminuindo a intensidade do vai e vem para uma cadência mais gentil – Não sei o que me deu...

_ Eu sei. Eu sentia isso quando você se deitava com o Madara, lembra?

Itachi, satisfeito pelo perdão implícito, escolheu aquele exato momento para acurvar seus dedos dentro do corpo de Sasuke, fazendo-o arquear na cama pelo prazer de sentir seu ponto G ser estimulado com precisão. Itachi riu com prepotência parando para sussurrar no ouvido de Sasuke.

_ O que você estava falando mesmo otouto?

_ Ahnn... Itachi... Para com essa coisa de "otouto" porra... – Sasuke respondeu sem muita firmeza, desprendendo a principal parte das suas energias em rebolar com os dedos de Itachi dentro de si.

De fato estava reclamando daquele comportamento, mas sinceramente? Não era algo que estivesse preocupando-o tanto assim, não quando ele conseguia se sentir tão bem com as carícias de Itachi. Se ele o chamasse de qualquer coisa ele simplesmente não daria a mínima, mas discordou pelo simples prazer de discordar. Uchihas fazem isso, não é mesmo?

Itachi não respondeu, aumentando a intensidade do vai e vem progressivamente e inserindo o terceiro dedo, preocupado em tirar qualquer desconforto que Sasuke pudesse sentir. Claro, ele evidentemente estava bastante sensível pelas atividades com Madara (Maldito seja!), mas tudo que ele pudesse fazer para diminuir sua dor, ele faria.

Quando o mais novo já liberava os sons característicos de que estava quase no auge (Ah, maravilha! Há coisas que não mudam mesmo!), Itachi parou o vai e vem e sussurrou baixinho no ouvido de Sasuke.

_ Vire-se, eu quero olhar pra você quando fizer amor contigo.

_ Pare com essa coisa de "amor" tamb... – Sasuke parou de falar quando se virou e olhou de relance as pernas de Itachi, visualizando algo que fez todo o seu protesto parecer desnecessário.

As pernas de Itachi estavam completamente ensanguentadas devido aos seus machucados forçados e friccionados contra a cama, sujando todo o lençol de vermelho-sangue da metade para baixo. Céus, como Sasuke não sentira o cheiro!?

Itachi, percebendo que Sasuke parecia assustado ao olhar para suas pernas, também abaixou o olhar e se deu conta de que, em meio aquela movimentação, ele devia ter aberto ainda mais os machucados. Estava com a mente tão recheada de "Sasuke" que sequer prestara atenção na dor; simplesmente e não percebeu o que acabou fazendo consigo mesmo ao se colocar de joelhos na cama, pois se moveu por instinto. Sexo pede esse tipo de posição, não é mesmo? E ele lá ia lembrar que estava há seis meses em recuperação?

Impossível. Simplesmente impossível lembrar-se desses pequenos detalhes quando você tem um Sasuke nu deitado em seus lençóis.

_ Oh droga... – Itachi murmurou brevemente, mas logo voltou a atenção ao menor, abaixando-se e abraçando-o – Não liga pra isso, não é nada. Eu quero você.

_ Mas Itachi...

_ Por favor Sasuke. Eu preciso de você. – Itachi respondeu, deixando de lado a postura possessiva de antes e parecendo completamente perdido.

Não queria forçar Sasuke a nada, é claro, mas também não queria que ele desistisse do sexo por causa de um pouquinho de sangue. Mesmo que o sangue estivesse pingando para fora da cama; isso era apenas um detalhe, não era?

Ele realmente precisava ter Sasuke aquela noite, por isso orava mentalmente para que Deus fizesse o mais novo não ter um ataque ao ver o sangue; ele se lembrava muito bem o quão apavorado Sasuke podia ficar diante daquela singela e inofensiva substância vermelha.

Sasuke inspirou fundo, agora sentindo o odor adentrar suas narinas. Olhou para Itachi por alguns instantes e decidiu que não importava todo o seu medo por sangue, ou todo o horror que era imaginar Itachi se machucando por conta dele; ele também não conseguiria parar, precisava de Itachi, independente de qualquer coisa!

Mas nem por isso iria piorar ainda mais a situação.

Sasuke se levantou da cama e Itachi quase formou lágrimas de desespero nos olhos, mas então o garoto veio ate perto de si e beijou a ponta do seu nariz, gesto carinhoso que o pegou completamente desprevenido e o deixou abobalhado.

Sasuke estava... agindo com carinho? Sasuke?

_ Deita na cama Itachi. Eu vou cuidar de você.

_ Sasuke... – mesmo confuso com aquelas palavras, Itachi se deitou na cama e observou Sasuke correr para o banheiro da suíte hospitalar, ouvindo o barulho de água corrente logo em seguida.

O que ele está fazendo?

_ Fique deitado e quieto! – Sasuke falou em voz alta do banheiro, tomando o devido cuidado para não exagerar em seu tom de voz e falar alto demais. Lavou suas mãos com calma e precisão, utilizando bastante do sabonete anti-séptico que estava na pia.

Não sabia exatamente o que devia ser feito com o machucado de Itachi, não era especialista em fazer aquilo e certamente a sua fobia de sangue sempre ganhava dele quando se propunha a olhar para um machucado, mas estava disposto a cuidar de Itachi como nunca estivera na vida e sabia que tinha que manter as mãos limpas para evitar uma infecção.

Quando julgou que suas mãos estavam limpas o suficiente decidiu voltar para o quarto. No caminho encontrou, para seu alívio, uma grande quantidade de pacotes de gaze, micropore e água boricada na estante do pequeno corredor entre o banheiro e o quarto; ao que tudo indicava, os médicos e enfermeiros já deixavam esse tipo de coisa a mão, sabendo que Itachi iria, cedo ou tarde, precisar utilizar.

Sasuke nada disse quando entrou novamente no quarto com os objetos medicinais em mãos. Ficou levemente envergonhado por Itachi ainda estar nu e evitou fitar sua região intima (naquele momento, Sasuke se deu conta de que ele também estava nu e quis se bater por causa dessa constatação), mas ainda sim não amarelou em seu objetivo.

Por que você está fazendo isso? Você não o odiava e queria que ele sofresse, morresse e nhenhenhenhenhe?

Eu não quero que Itachi se machuque por minha causa. Vou consertar a bagunça que eu fiz.

Sasuke, puta merda, por um acaso você entende a contradição das suas atitudes?

Que jeito meigo de dizer "eu gosto do Itachi"!

Morram.

Não manteve contato visual com Itachi, mas fez tudo que queria fazer: limpou o excesso de sangue com a água boricada, enxugou delicadamente o machucado com pedaços de gaze (graças ao bom Deus não tinha nenhum ponto rompido) e, ao final, colocou uma camada generosa de gaze acima do corte e o cobriu com duas fitas de micropore. Itachi ficou quieto durante todo o procedimento, completamente extasiado ao ver Sasuke tratá-lo daquela forma.

Nunca, nem em seus sonhos mais absurdos, pensou que Sasuke conseguiria deixar de lado uma grande fobia sua para oferecer ajuda a ele de qualquer forma; muito menos cuidar de seus machucados! Isso que acabara de acontecer era muito mais surreal do que qualquer outra coisa que presenciara ao lado de Sasuke; ele sabia perfeitamente como valorar aquele gesto que para muitos não seria nada demais, mas em se tratando do Uchiha mais novo era algo grandioso.

_ Pronto. – o mais novo murmurou baixinho, soltando os objetos na mesa de cabeceira e voltando a fitar Itachi, somente para ficar completamente horrorizado ao ver que Itachi ainda mantinha a sua ereção a postos, talvez ainda mais intensa do que outrora – Porra, como que você ainda tá assim?

Eu sempre soube que Itachi tinha um fetiche por enfermeiros.

É você quem tem esses fetiches fantasiosos em toda oportunidade, não Itachi. Pervertido.

Itachi levantou o rosto de Sasuke para que ele parasse de olhar para sua ereção e o fitasse nos olhos. E então exibiu o sorriso mais lindo que Sasuke já vira na vida, tirando completamente o seu fôlego e o fazendo esquecer prontamente da sua indignação.

_ Isso foi a maior prova de amor que você podia dar pra mim Sasuke. – Itachi constatou, sentando-se na cama e levando seu corpo para mais perto de Sasuke.

_ Prova de amor o caral... – pretendia reclamar e negar até a morte (tudo isso enquanto tentava ignorar o gargalhar intenso das outras mentes em sua cabeça), mas não conseguiu continuar a reclamar: Itachi o puxou para baixo e o beijou, entrelaçando seus braços ao redor de seu pescoço e puxando-o para mais perto de si, tentando trazê-lo de volta à cama e indicando, de uma maneira bem afobada, que gostaria que o outro subisse acima de seu corpo.

Sasuke concedeu seu pedido, também voltando a endurecer com aqueles beijos. "Itachi-doce" estava de volta e Sasuke sinceramente não sabia qual tipo de Itachi ele preferia naqueles momentos carnais, mas certamente não tinha o que reclamar ao se sentir tão... tão... adorado daquela forma. Sentou sobre a ereção do mais velho, encostando-a junto a sua e fazendo-a endurecer ainda mais rápido com aquele contato.

Começou a rebolar, devagar e com calma, se preocupando muito mais em retribuir o beijo do que estimular ambos sexualmente. De alguma forma, Sasuke sentiu que estaria completo mesmo se não houvesse o sexo em si; os beijos de Itachi, naquele momento, pareciam ser mais intensos do que qualquer orgasmo.

Itachi acariciava seus cabelos, seu rosto, seus braços, todas as partes de seu corpo que conseguia alcançar. Ambos gemiam de paixão, entorpecidos pelos corpos um do outro, pela sensação de paz e completude daquele momento. Sem brigas, sem provocações e sem qualquer estresse no momento de ternura, Itachi ergueu um pouco o quadril de Sasuke e o penetrou, lentamente, para não machucá-lo – Sasuke até podia se contentar apenas com beijos, mas Itachi precisava de mais.

_ Eu te amo... – ele sussurrou contra os lábios de Sasuke ao sentir o corpo de seu amado por dentro, algo que ansiava há muito tempo.

Sasuke suspirou fundo, satisfeito por ouvir aquela declaração e sentindo seu coração bater ainda mais forte, mas não respondeu as palavras de Itachi. Voltou a beijá-lo docemente enquanto se acostumava com a invasão, entrelaçando suas pernas ao redor do corpo de Itachi com mais firmeza, ansiando sentir o corpo com o maior contato possível contra sua pele.

Em pouco mais de um minuto, Sasuke se sentiu confortável o suficiente para se mover. Agora, os beijos já não bastavam mais: queria sentir Itachi, queria ter certeza de que aquele momento era real, queria memorizar cada segundo em sua mente; precisava fazer aquele momento de felicidade durar para sempre em sua memória. Começou a se mover de maneira experimental, sem pressa, sem afobação.

Itachi novamente envolveu os braços ao redor de seu pescoço e o puxou para mais perto, colando seu peito ao de Sasuke, sem jamais desfazer a união de lábios que tornavam todo o ato algo muito diferente das outras ocasiões, mas nem por isso menos intenso. Intenso... quem conseguiria adivinhar que uma suave dança de corpos como aquela poderia gerar muito mais prazer que o sexo veloz e animalesco que geralmente faziam?

Em meio a gemidos, suspiros e sibilos de prazer, adquiriram um ritmo um pouco mais rápido, mas nem por isso forte o suficiente para chamar de selvagem. Itachi parou de beijar Sasuke e abriu os olhos, levando suas mãos aos cabelos agora completamente bagunçados do menor e impedindo-o a interrupção da troca de olhares; Sasuke nem sequer piscava.

_ Eu te amo de verdade Sasuke. – ele repetiu, sem fôlego, e Sasuke gemeu alto naquele momento, encontrando sua próstata em meio a movimentação que ele mesmo comandava. Itachi mordeu o lábio, acariciando a cintura do mais novo com uma devoção imensa, mapeando cada pedaço de seu corpo com os dedos minuciosamente – Você é maravilhoso demais...

_ I-tachi... eu... – Sasuke quase se permitiu falar, mas interrompeu sua frase antes que ela saísse de sua boca em um ímpeto de autocontrole.

_ Fala... Vai, fala que você me ama também. – Itachi respondeu, erguendo o quadril e aumentando um pouco a intensidade da penetração. Podia sentir que Sasuke estava perto do auge, ele também estava; aquela relação estava muito intensa para ele se segurar durante horas de sexo, como geralmente fazia.

_ Eu... eu... – mais uma vez ele tentou, mas suspirou em derrota quando não conseguiu; era pedir demais pro seu ego falar algo como aquilo.

Não dá.

Itachi o puxou para um beijo rápido, um breve selinho. Ao interromper o singelo ósculo, Itachi sorriu melancolicamente e começou a acariciar mais uma vez os cabelos suados do mais novo, colocando os fios rebeldes atrás da orelha. Não receber a declaração em retorno era algo que o machucava, mas ainda sim ele compreendia a confusão que devia ter se instaurado na cabeça de Sasuke.

E, mais uma vez, ele o perdoou, pois mesmo sem ouvir aquelas palavras o momento já valia por uma vida toda. Bastava, ele amava pelos dois e sabia que no fundo, bem lá no fundo, Sasuke o amava também... Nem que fosse só um pouquinho.

_ Você não precisa falar, eu sinto que você me ama. – ao ouvir aquelas palavras, inconscientemente Sasuke apertou ainda mais o seu canal ao redor de Itachi, arrancando um gemido de ambos. Itachi foi o primeiro a voltar a si, sorrindo radiante com aquela reação – Viu só?

_ Metido arrogante. – Sasuke respondeu, também com o sorriso à postos, aumentando a velocidade de sua movimentação.

Itachi riu e apertou a ponta do nariz de Sasuke de maneira provocadora, gostando da forma como ele corou um pouco mais com esse gesto.

_ Não estou vendo você negar... – ele respondeu com uma voz melodiosa, até mesmo um pouco provocadora. Esperava que Sasuke fosse negar, fosse reclamar, qualquer outra coisa; mas não esperava ouvir o que acabaria ouvindo:

_ Pois é... Nem eu... – Sasuke respondeu com as feições sérias, um pouco preocupadas, mas tendo a certeza de que não falava nada que não fosse verdade. Era incapaz de dizer que amava Itachi, isso era demais para o seu ego ferido; mas nem por isso conseguiria negar.

Porque ele amava. Muito, muito mesmo! Só que às vezes amor não é a única coisa que importa para que um casal possa ficar junto. Ele sabia que Itachi não era tolo e também tinha a consciência disso.

Não havia futuro para os dois.

Suspirando pesadamente, Itachi forçou Sasuke a parar de se mover e o colocou deitado ao seu lado na cama, sem sair de dentro do seu corpo. Naquela posição, Itachi conseguia abraçar todo o corpo do mais novo, tanto com suas pernas quanto com seus braços, e fazia tudo isso sem machucar ainda mais o seu corpo ferido. Era bom, era intoxicante, e ele não desejava soltar Sasuke nunca mais.

_ Eu te amo tanto, tanto, mas tanto... – Itachi sussurrava baixinho, agora dominando a velocidade da penetração e aumentando-a consideravelmente. Levou uma das mãos ao membro de Sasuke e passou a estimulá-lo em conjunto, desejando que eles chegassem ao ápice junto.

_ Ahn... humm... mais forte... vai...! – as palavras de Sasuke soavam quase incoerentes, mas ainda eram minimamente inteligíveis. Sasuke guiou seu braço esquerdo para trás, segurando o quadril de Itachi com suas unhas, o encorajando a penetrá-lo com mais velocidade; ele estava quase lá! – T-tão bom...!

_ Sasuke, me prometa uma coisa. – Itachi murmurou, sem parar sua movimentação, apertando a base do pênis de Sasuke para atrasar o orgasmo; ele parecia estar muito próximo do ápice, mas Itachi não conseguia deixar com que aquele momento acabasse sem conseguir aquela promessa.

_ Qualquer coisa. – Sasuke respondeu, entendendo o motivo da atitude de Itachi, virando-se um pouco para trás para fitá-lo nos olhos, tentando passar uma segurança e encorajando-o a falar.

Era algo importante, Sasuke podia até sentir a apreensão de Itachi em seu próprio peito, e não faria pouco caso disso. Quando Itachi retribuiu seu olhar, Sasuke parecia agir como se ambos fossem um só: Eles sentiam como se o tempo houvesse parado, nada mais interessava a não ser aquele momento, aquela união, aquela dança de corpos, aquela paixão que ninguém conseguiria medir. As pálpebras de ambos estavam repletas de lágrimas, uma fusão de muitos sentimentos em apenas duas pessoas para que pudessem enfrentar sem se sentirem afetados.

Era estranho, único, maravilhoso e assustador – mas Sasuke queria que essa fusão nunca mais acabasse.

_ Qualquer coisa. – Sasuke repetiu sem fôlego.

Itachi piscou as lágrimas de seus olhos, agarrando-o para mais perto de si para que pudesse sussurrar em seu ouvido.

_ Prometa que quando eu morrer você vai estar do meu lado, não importa em qual papel ou circunstâncias. – ele pediu, sua voz soando chorosa e quebrada, mas não se importando com aquilo no momento. Ele realmente precisava ouvir uma promessa de Sasuke, era uma necessidade primordial estar ao lado do mais novo no seu último suspiro – Por favor.

Sasuke também piscou as lágrimas de seus olhos, levando a mão que estava no quadril de Itachi para os seus cabelos, aproximando ainda mais o rosto do outro para si, beijando suas bochechas e sugando as lágrimas salgadas se acumulavam em sua pele.

_ Eu juro. – Ele respondeu baixinho, fechando os olhos, se deixando levar pelas imensas sensações contraditórias que se formavam em seu corpo: prazer, amor, paixão, tristeza, completude, solidão...

Se ao menos a história deles fosse um pouquinho mais fácil, só um pouquinho!

_ Obrigado, meu amor. – Itachi sussurrou em resposta, puxando o quadril de Sasuke para si e soltando sua ereção, permitindo que dentro de mais alguns movimentos os dois chegassem ao final, juntos.

E foi o que aconteceu: em menos de um minuto chegaram ao orgasmo, cada qual gemendo alto o nome do outro, agarrando como podiam o corpo daquele que amavam com a mesma intensidade que chegaram ao prazer doloroso e melancólico. Itachi desfaleceu-se dentro de Sasuke com um suspiro esmorecido, e Sasuke choramingou baixo, apreciando o prazer intimo e a promessa triste do fim. No fundo não desejavam que aquele momento acabasse, porque significaria o fim do sonho... o fim do momento de paz e o despertar para a realidade dura e infernal.

Mas não foi o que aconteceu instantaneamente, porque Itachi não deixou de abraçar o corpo de Sasuke, mantendo-o com as costas coladas contra o seu peito, beijando o pescoço suado do garoto com o mesmo nível de paixão. Não havia dúvidas: os dois gostariam de permanecer abraçados daquela forma pelo resto de suas vidas.

Mas a vida simplesmente não era um conto de fadas.

_ Itachi... me solta... – Sasuke pediu, e não ordenou. Ele tinha algumas perguntas para fazer antes de partir, como o que Itachi quis dizer quando falou sobre "missão pessoal envolvendo morte", dizendo que ele também recebera uma assim.

Mas, com toda sinceridade, no momento tudo que ele queria era ouvir um "não" de Itachi e dormir em seus braços aquela noite.

_ Fique comigo mais um pouco... – o outro pediu, acariciando o corpo de Sasuke, sem intencionar um contato sexual, fazendo-o simplesmente para demonstrar carinho.

_ Eu quero te perguntar umas coisas.

_ Agora não. Eu falo tudo que você quiser depois, você ainda vai voltar, não vai? – Itachi questionou, agarrando Sasuke com mais força.

Mas Sasuke não respondeu.

Itachi sentiu seu lábio inferior tremer, mas ainda conseguiu se controlar por alguns minutos. Murmurou com o mesmo tom de voz quebrado de antes, fazendo o coração de Sasuke se espremer dentro de sua caixa torácica:

_ Por favor, só fique aqui.

Ele suspirou pesadamente, mas compeliu o seu pedido; virou-se de frente para Itachi, permitindo que o outro o envolvesse em um abraço, puxando-o para perto de seu peito. Naquela posição Sasuke pôde retribuir o abraço e o fez sem hesitar, encostando o ouvido no peito de Itachi e ouvindo seu coração acelerado.

Naquele momento, Itachi não se controlou mais. As lágrimas que escaparam aquela noite voltaram a correr, mas sem o mesmo silêncio de antes. Ele chorou, muito, de uma maneira que ninguém nessa vida o vira chorar. A dor que Itachi parecia sentir contagiava ainda mais Sasuke, mesclando-se a sua própria dor e arrancando lágrimas também de seus olhos, bem como alguns soluços baixinhos.

Sasuke queria chorar como Itachi, queria se afogar em lágrimas e ver se aquela dor diminuía. Mas o orgulho não permitia, ainda era muito mais forte do que ele. Sasuke tentava se conter da melhor maneira possível, aguentando o maldito nó na sua garganta pelo medo de parecer mais fraco.

Mas um deles tinha que ser o forte naquela noite, não é mesmo?

_ Acredite em mim quando eu digo que te amo... – Itachi murmurava palavras de amor sem parar, ainda acariciando-o, chorando, recebendo o mesmo toque suave de Sasuke, acompanhado de suas lágrimas espessas e silenciosas; Sasuke nada dizia, apenas ouvia e confirmava com breves acenos de cabeça.

Você sabe que ele diz a verdade, não sabe?

Sim, eu sei.

E você o ama também Sasuke, por que não diz? É só por causa do ego? Por causa da vingança? Do parentesco?

Não... não é só por isso.

Então por quê?

Porque se eu disser, não vai mais ter volta. Eu não vou conseguir mais matá-lo...

E é realmente isso que você quer Sasuke?

O passado não pode ser alterado. Nada vai mudar o fato que Itachi matou a minha mãe e mentiu pra mim todo esse tempo.

O passado não pode mudar Sasuke, mas as pessoas mudam. Itachi claramente mudou.

O mais novo não continuou a discussão com suas mentes, não havia por que, era uma discussão inútil e ele estava exausto demais para pensar. Prestou atenção nas palavras carinhosas de Itachi, retribuindo cada beijo, cada carinho, cada suspiro, até que finalmente o sono tomou conta dos dois amantes, obrigando-os a terminar aquela noite especial de uma vez por todas.

Itachi dormiu primeiro, Sasuke ainda ficou a observá-lo por vários minutos antes de se levantar da cama e colocar suas roupas. Infelizmente, não podia se dar ao luxo de dormir nos braços de Itachi, por mais que cada célula do seu corpo protestasse contra a sua partida.

Depois de se vestir, destrancou a porta do quarto do maior para que ele não precisasse caminhar com sua a perna ferida pela manhã, voltou à cama uma última vez para acariciar seus cabelos, colocar a camisola hospitalar em seus braços para se vestir ao acordar e cobri-lo com cobertores limpos que estavam dobrados no sofá.

O observou mais uma vez e se inclinou para beijar sua testa, repetindo o mesmo gesto que Itachi fizera tantas vezes aquela noite ao acariciar de leve o rosto do mais velho com seu indicador.

_ Quando eu me decidir, você vai ser o primeiro a saber, nii-san. – ele murmurou para o Itachi adormecido, gostando da forma como a palavra soou de seus lábios.

Por fim, deu-lhe as costas e buscou sua ninja-tō e limpando as lágrimas que em algum momento voltaram a correr de seus olhos. Suspirou fundo e olhou para a noite estrelada e sem nuvens pela janela, a qual ainda se encontrava aberta.

Caminhou em sua direção, com passos firmes e decididos. Sabia que se olhasse para trás mais uma vez não conseguiria sair daquele quarto tão cedo, subiu no parapeito da janela, ativou os olhos violetas e deu um impulso noite à dentro.

Bem vindo ao inferno mais uma vez, Sasuke Uchiha.

... Continua...


(1) Referência ao capítulo 11.

(2) Fixador Externo: Vocês já devem ter visto isso alguma vez na vida na perna de alguém, e talvez alguém aqui já tenha se machucado ao ponto de precisar usar isso. É usado em casos onde a perna se quebra de tal forma que o tratamento não pode ser feito com gesso, seja porque há enxerto de osso ou porque há muitas feridas na pele que não podem ser abafadas. Ai uma geringonça de metal fica por fora da perna, penetrando dentro da sua pele até se fixar no osso. Por isso, é necessária uma cirurgia para colocá-lo e para retirá-lo.

(3) Referência ao capítulo 11 também.