Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.

Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.


N/A: Bom leitores, se eu fosse explicar tudo que aconteceu essa nota ficaria quilométrica, e a maioria de vocês deve estar a par do problema. Resumidamente: aconteceram alguns problemas com Haunted nesses dias, por isso essa atualização demorou. Quem quiser saber o que houve entre na página do facebook que tem no meu perfil (e lá tem alguns tópicos explicando os problemas), mas basta vocês saberem que eu fiquei alguns dias revisando a fanfic (e corrigindo erros de português) e depois tive uns problemas com a atualização do site no Nyah, portanto não conseguia postar novos capítulos por conta de bugs. Eu até achei que ia perder a fanfic e dei uma surtadinha básica...

Mas como podem perceber, as adversidades foram superadas, voltemos a rotina de sempre! xD Então não briguem comigo porque dessa vez a culpa não foi minha! Huahuahua!

Bem, plot rolando, vocês tiveram dois lemons no capítulo passado então não reclamem! Huhauhauhau! Se estiverem com saudades de lemon, deem uma conferida na oneshot que postei esses dias, chamada Satiríase...

Mas aqui o bagulho tá sério, então chega de lenga-lenga e força no enredo!


HAUNTED

Capítulo XXXII

Naruto desligou o celular, suspirando pesadamente ao encarar os olhos contrariados de Kakashi, os quais prometiam uma noite longa e nada agradável pela frente.

– Já avisou o Itachi? – o grisalho questionou rispidamente, evidenciando mais uma vez que não estava com um humor muito bom naquele momento.

– Você acabou de ver que eu liguei pra ele. – Naruto respondeu baixinho, sua voz soando frustrada e envergonhada. Deixou um beicinho de birra brotar em seus lábios e parou de encarar Kakashi nos olhos, fitando a porta como se estivesse, inconscientemente, tentando fugir daquela situação.

Tentar dar a notícia em meio a uma investida sexual não foi uma boa ideia. Kakashi até estava bem receptivo, nem achou estranho Naruto tentar fazer sexo mais uma vez naquele dia (bom, na verdade não havia nada de estranho nisso mesmo), afinal ele estava feliz pelos progressos hipnóticos com Itachi (algo que contou brevemente enquanto Naruto tentava boliná-lo) e ansioso com a viagem, acreditando que poderia ficar um pouco longe daquela cidade e se dedicar ao relacionamento deles entre as pausas do julgamento. Foi quando Naruto trouxe à tona a súbita decisão de viajar sozinho.

E, como esperado, tudo desandou.

Kakashi o interrompeu e não deixou mais que o tocasse, praticamente ordenando que ligasse para Itachi e informasse que os dois conversariam aquela noite, portanto era para ele estar preparado para uma madrugada de prontidão e solidão.

Naruto pode até dominar na maioria das vezes aquela relação, mas uma coisa é certa: quando Kakashi falava sério, sério de verdade, não havia dengo que o fizesse mudar de ideia ou melhorar seu ânimo irritadiço. Todavia, essa foi a primeira vez que Naruto se sentiu acuado por não conseguir o que queria com Kakashi desde que começaram a namorar, pois como das outras vezes suas táticas de "dominação" haviam funcionado, o Uzumaki considerou que provavelmente essa característica de Kakashi tinha ficado no passado. Mas pelo jeito a essência nunca muda; ele teria que encarar a situação de frente desta vez.

– Agora fale. – o grisalho ordenou, cruzando os braços e mantendo sua postura ereta, sentado de pernas cruzadas sobre a cama. Naruto, nervosamente, voltou ao seu lado e tentou abraçá-lo, mas Kakashi se esquivou – Anda Naruto. Sem joguinhos.

– Por que você está bravo desse jeito comigo? – o Uzumaki questionou, começando a ficar verdadeiramente preocupado com a perspectiva de brigar sério com seu namorado por conta de um capricho de Neji – Você está agindo como se eu fosse trair você!

Kakashi girou os olhos e cedeu por um momento, aceitando o abraço de Naruto. O loiro o envolveu com força, enterrando o rosto em sua camiseta e soltando um leve suspiro dengoso.

– Eu não estou achando que você vai me trair. Do jeito que você transou comigo hoje de manhã seria loucura da minha parte pensar uma coisa dessas... E se a preocupação fosse algo do gênero, garanto que seria menos desesperador.

Ao ouvir tais palavras, Naruto se sentiu confuso e se afastou de Kakashi, sem soltá-lo por completo.

– O que quer dizer?

– O que eu quero dizer é que nossos problemas não se restringem a dívidas ou falta de fidelidade como acontece com a maioria dos casais. Nosso principal problema é maior que isso: tem gente na nossa cola que bagunça nossa vida há anos, o tipo de gente que não hesitara em nos eliminar quando não encontrassem mais utilidade para nós. Somos peões de um jogo que nem sequer compreendemos, e podemos ser eliminados a qualquer momento em uma jogada de Madara...

Bom, era verdade, o loiro compreendia isso perfeitamente. Se existia alguém em toda aquela confusão que se preocupava com isso, esse alguém era ele. Afinal, ele já perdera muitas pessoas na sua vida por causa dos malditos Akatsukis, e nem por um segundo esquecia completamente daquela situação (nem mesmo em meio ao melhor orgasmo do planeta). Era simplesmente uma assombração sem fim na sua vida.

De qualquer forma, Naruto resolveu que aquele seria o momento perfeito para dizer a desculpa que pensara para manter Kakashi longe; a conversa propusera o gancho, mas independente disso não era mentira o que ele pretendia dizer:

– Justamente. – ele concordou, exibindo as feições sérias e preocupadas – É perigoso, você sabe que Madara ainda acha que você está no hospital. Se alguém te reconhecer nessa viagem...

– Naruto, nós já tínhamos todo o planejamento para que eu passasse despercebido. Eu sou policial, já consegui toda a documentação, já entrei no Sistema de Assistência a Vítimas Ameaçadas sem triagem, já tenho a identidade nova e...

Naruto puxou Kakashi para perto de si subitamente e depositou um selinho em seus lábios.

– Não interessa toda essa suas baboseiras de policial. – ele disse, olhando fundo nos olhos do namorado enquanto sustentava veementemente seus argumentos – Essas pessoas não são pessoas normais, eles nos caçam como animais: na espreita, na vigília, na raça. Não vai ser um documento falso que vai impedir a Akatsuki de nos encontrar!

Kakashi sentiu seu corpo se arrepiar com aquelas palavras, mas não tinha como negar a veracidade daquela conclusão. Entretanto, ele também não queria se tornar um prisioneiro do seu próprio medo, e estava cansado de ter sua mobilidade diminuída nos últimos seis meses.

– Eu estou fazendo o que posso fazer, mas eu não posso viver o resto da minha vida trancado nesse lugar, só saindo pra ir pro hospital em um carro com vidro fumê. Eu não sou um criminoso pra ficar em prisão domiciliar!

Não era como se o Uzumaki não entendesse isso. Se para ele havia muitas limitações de locomoção e isso já o deixava totalmente incomodado, imagina a situação de Kakashi? Mas mesmo que Neji não tivesse colocado aquelas condições para o encontro, Naruto não podia negar que não estava muito confortável em tirar Kakashi de sua rotina e levá-lo para uma viagem; no fundo, o medo de que Kakashi fosse descoberto ainda existia, mesmo com toda a cautela. As condições de Neji só serviram para que ele criasse uma motivação maior para dizer "não" à Kakashi, visto que negar algo ao seu amado não era muito fácil para Naruto, ainda mais algo que ele parecia desejar tão veementemente.

– Kakashi, você sabe que...

– Naruto, falo sério, eu estou enlouquecendo. – o grisalho revelou, levando as mãos aos cachos dourados de Naruto e fitando seus olhos com firmeza – Eu não aguento mais essa espécie distorcida de cárcere privado. Eu estou chegando a um ponto que quero arriscar, porque não dá mais pra continuar assim. Se eu for descoberto e morrer, era pra acontecer.

O Uzumaki deixou o queixo cair em completa perplexidade, fitando Kakashi com um ar de descrença por longos três segundos. Em seguida, mudou sua expressão facial para algo que se assemelhava a completa fúria e, com um impulso que o outro sequer pôde prever, deferiu-lhe um soco forte que acabou errando por poucos centímetros a sua mandíbula.

Kakashi deitou bruscamente sobre o colchão para se esquivar, mas nem por isso Naruto parou de tentar golpeá-lo, subindo cima dele e tentando iniciar uma briga violenta. Por sorte, o grisalho possuía treinamento corpo a corpo, e conseguiu se esquivar dos golpes violentos de Naruto com certa facilidade agora que superara o susto inicial.

Naruto era bom de briga, mas extremamente impulsivo, o que o tornava um combatente fraco contra pessoas que possuem técnicas de defesa pessoal e mente limpa. O mais velho, em um dado momento, conseguiu imobilizar Naruto, prendendo seus braços contra as costas de Naruto, forçando-o a ficar com a barriga contra o colchão.

– Por que você tá me batendo?! – ele questionou entre os urros de fúria do loiro, tentando encará-lo, mas tendo dificuldade nisso. Naruto virava o rosto a todo momento, aproveitando a posição em que se encontrava para evitar o olhar penetrante de Kakashi.

– VOCÊ CONTINUA O MESMO IDIOTA DE SEMPRE! – o Uzumaki gritou em plenos pulmões, enfiando a cabeça nos lençóis e deixando as lágrimas de raiva rolarem – COMO PODE DIZER ISSO PRA MIM!? IDIOTA!

Com essas palavras Kakashi percebeu o grande erro que acabara de cometer. Soltou o corpo de Naruto, que milagrosamente não voltou a atacá-lo e continuou enfiando o rosto nos lençóis, deixando um soluço baixinho escapar. Tomado por um sentimento de culpa, Kakashi afagou os cabelos de seu namorado com carinho e paciência, aguardando até que o choro frustrado fosse parcialmente controlado.

Depois de alguns minutos, Naruto fungou algumas vezes e se sentou na cama, olhando para o outro com os olhos azuis brilhantes e levemente inchados, mas sem o mesmo descontrole de antes. Ele respirou fundo algumas vezes, e quando teve a certeza de que sua voz não soaria falhada demais, declarou:

– Se você morrer, eu não vou ter mais nada na minha vida.

– Naruto...

– Não Kakashi, não. Não comece, não me venha com discursos motivacionais, não apela pra psicologia reversa, não tem como você me convencer o contrário. – ele soluçou, mas nem por isso parou de falar, sua voz soando cada vez mais ríspida pela tentativa de conter o choro – Eu perdi minha família, perdi o Sasuke, perdi meus amigos; não venha tratar a tragédia como algo natural, porque não é!

– Eu sei, me desculpe, eu me expressei mal.

– Não me peça desculpas! – Naruto gritou alto, e nesse momento Kakashi o puxou para si mais uma vez. Mesmo contrariado, o Uzumaki aceitou o abraço – Se você morrer Kakashi, eu juro que vou te buscar no inferno só pra te matar de novo! Você não pode me deixar!

– Eu não vou deixar você.

O telefone de casa começou a tocar e Kakashi não deu a mínima importância para isso. O importante, naquele minuto, era fazer Naruto se acalmar, mas o mais novo não parecia ouvi-lo de forma alguma.

– Não comece a agir com descaso com a sua segurança só porque está cansado! Nós já fazíamos a vigilância há anos, não é agora que...

– Naruto. – Kakashi foi o brigado a usar um tom de voz mais firme para se fazer ouvir e acabou forçando o loiro a olhar para cima. Aproveitou a posição para limpar com os polegares as bochechas molhadas, que ainda derramava lágrimas silenciosas de desespero – Eu errei, falei besteira, mas se acalme. Eu vou continuar me cuidando, eu vou continuar vivo e lutando com você, e nós vamos descobrir onde está o Sasuke, resgatá-lo, ajudar seus amigos... E aí vamos ser uma família normal novamente, ok?

O Uzumaki manteve o olhar firme e agora sem lágrimas, mas logo expirou pesadamente e voltou a abraçar Kakashi, beijando seu pescoço e inalando a fragrância que tanto amava sentir.

– Você é o amor da minha vida. – ele murmurou, depositando mais um breve selinho na pele exposta de Kakashi e abraçando-o mais forte – Não esqueça disso, nunca.

O mais velho mordeu o lábio, não sabendo o que responder diante daquelas palavras; por isso limitou-se a repetir o gesto de Naruto, depositando beijinhos em sua clavícula e afagando seu corpo por cima das roupas.

O fato é que desde que confessara sua atração e o amor criado pela convivência que tinha com Naruto, Kakashi nunca chegou a declarar se o amava ou não como homem. Claro, já havia dito várias vezes estar apaixonado (e certamente fizera atitudes condizentes para que o próprio Naruto não duvidasse disso), mas declarar o amor como um verdadeiro amante faz... Isso Kakashi ainda não fizera, e não sabia quando poderia fazer.

Kakashi era o tipo de pessoa que só falaria as "três palavrinhas mágicas" uma vez na vida, tal qual Naruto. Isso não significa que era puritano ao ponto de nunca se apaixonar por outras pessoas, ou que havia se guardado apenas para o "amor da sua vida", mas para eles essas três palavras tinham um poder indiscutível, de modo que nenhum dos dois a falara para outras pessoas, a não ser no sentido fraternal ou familiar – inclusive para Naruto. E apesar do jovem já ter percebido que amava Kakashi como nunca amara outra pessoa na vida, o mais velho ainda estava naquele processo de reflexão. Naruto entendia isso, demorou anos até que ele admitisse para si mesmo que o amava, de modo que tentou inutilmente buscar um amor enquanto seu coração já estava ocupado, o que resultou em todas aquelas decepções.

Isso, todavia, não o impedia de se sentir inseguro, apesar de entender que não deveria se sentir diminuído por isso; e certamente a insistência de Iruka de permanecer na vida dos dois não o ajudava a lidar com essa insegurança.

O telefone tocava incessantemente enquanto os dois ainda se acariciavam, mas eles não se incomodavam com o barulho; Naruto já estava bem mais calmo quando seu namorado chamou sua atenção novamente, quebrando o clima romântico do momento.

– Eu sei que você está me escondendo algo. Por que não quer que eu vá com você?

Naruto resmungou baixinho, se sentindo idiota por ter imaginado que estava livre daquele assunto; aparentemente Kakashi não era do tipo que se distraia tão facilmente com contato físico como ele.

Ele havia cogitado a possibilidade de ao menos dizer para Kakashi que iria encontrar Neji, mas no fim optou por não falar nada enquanto não tivesse informações palpáveis para entregar. Kakashi já estava passando por uma grande pressão nas tentativas de hipnose de Itachi, de modo que não havia a necessidade de lhe trazer mais um tipo de preocupação por enquanto. Sim, ele iria contar a respeito do encontro depois que tivesse novas informações, mas por hora não havia necessidade de deixá-lo ainda mais ansioso sendo que sua ansiedade não mudaria a sequencia dos fatos.

E isso não era mentir, era?

– Eu só estou preocupado com sua segurança e quero um tempo para refletir sobre algumas coisas... – ok, isso era mentir. Mas era por uma boa causa, não era?

– Eu sinto que você está me escondendo algo Naruto. Você se lembra da nossa promessa de não omitir mais nada?

O loiro se afastou e o olhou com irritação, preparado para iniciar uma nova briga. Sim, ele estava escondendo algo, mas era algo inofensivo e ele ia revelar depois! Não era como Kakashi, que apesar de não esconder que ainda conversava com Iruka e o ajudava em seus problemas, tentava ao máximo fingir que aquele empecilho não existia na relação dos dois, evitando até falar sobre o assunto e atendendo as ligações do amigo às escondidas! Se Kakashi queria jogar pesado e colocá-lo contra a parede, tudo bem, mas isso não ia ficar assim!

Naruto decidiu naquele momento que iria revelar a situação com Hinata e Neji, mas Kakashi teria que ouvir poucas e boas antes disso!

Só que falando em Iruka...

Kakashi, você está em casa?

O casal interrompeu a guerra de olhares e redirecionou sua atenção para o corredor do apartamento, de onde vinha o som da voz de Iruka acompanhado pelo leve chiado de interferência característico da gravação da secretária eletrônica. Ambos reconheceram a identidade do dono da voz de primeira, e Naruto nem fez questão de tentar esconder a careta de desagrado que surgira em seu rosto.

Você não está atendendo o celular. Se tiver em casa, por favor, pegue o telefone.

– Naruto eu vou atender o Iruka, ok? – Kakashi falou baixinho, saindo da cama e ficando de pé, massageando seu pulso direito que quase havia torcido no meio da briga com Naruto.

Ele sabia que Naruto não deveria estar com um humor muito bom no momento, tanto pela discussão quanto pelo chamado de Iruka, mas a situação com certeza era mais importante. O seu namorado iria sobreviver a um ciuminho besta como aquele.

– Nosso assunto também é importante.

A voz de Naruto soou mais grave que o convencional, em um tom de rancor que Kakashi jamais havia escutado. Ainda sim, ele não olhou para trás, continuando seu trajeto para fora do quarto a fim de chegar próximo ao telefone a tempo.

– Mas pode esperar. – ele disse, sabendo que se não respondesse nada seria pior ainda lidar com Naruto depois.

– Kakashi. – a maneira como seu nome soou fez com que o mais velho parasse de andar e prestasse atenção – Se você me ignorar pra ir atender o Iruka agora, pode ter certeza que eu vou adiantar essa viagem e dentro de cinco minutos 'tô saindo daqui sem você, independente dos meus motivos ou de qualquer discussão que teríamos a respeito disso. Você não está dando a importância para o que eu quero discutir.

Apesar das palavras centradas, Kakashi sabia que Naruto estava agindo com impulsividade mais uma vez por estar completamente furioso. A falsa calma não o enganava nem por um momento, era chantagem... De novo!

– Não seja infantil. – ele o censurou, pois isso era infantilidade! Onde já se viu? Cinco minutinhos não iram matar ninguém, tinham a madrugada toda para conversar!

– Não me ponha pra escanteio porque o babaca do Iruka está impaciente! – a maneira como Naruto alterou seu tom de voz só demonstrou a veracidade da teoria de Kakashi.

Kakashi, retorne a ligação o quanto antes...

Naruto aguardou por dois longos segundos, mas Kakashi não se moveu. Irritado, levantou da cama e escancarou a porta de seu guarda-roupa, e nem o barulho do final da gravação o fez diminuir sua ira e vontade de sair dali o quanto antes.

– Naruto, pare com isso!

– Não Kakashi! Não! Quer saber de uma coisa? Apesar de você ficar jogando na minha cara que eu ainda tenho contato com a Hinata e afirmar que por isso você pode ter contato com Iruka, eu nunca deixei de fazer nada com você por causa dela. E você? Avinha! Você constantemente me deixa sozinho em momentos que eu preciso pra atender o Iruka!

Kakashi sabia que isso não era uma mentira, mas Naruto não estava pesando muito bem as coisas naquele julgamento. No momento, Iruka precisava da ajuda de Kakashi, pois sua vida tivera um desfecho cruel nos últimos dois meses. E apesar de não haver indícios, Kakashi não conseguia tirar da cabeça que talvez, apenas talvez, houvesse o dedo da Akatsuki no desastre da família de Iruka também, e isso o fazia se sentir um pouco culpado.

– Ele também está passando por problemas Naruto, você sabe disso! Os pais dele...

– MORRERAM! VEJA SÓ! COMO OS MEUS!

Kakashi ficou em silencio, olhando para as costas de Naruto enquanto ele se vestia rapidamente, não gostando nada da chantagem emocional que ocorria ali. Sim, os pais de Naruto morreram de uma forma trágica e traumatizante, mas já fazia muito tempo e o loiro não demonstrava os mesmos sinais de trauma que Sasuke, por exemplo. Iruka, já adulto, perdera os dois pais mês passado para mortes naturais (ou era isso que a certidão de óbito apontava: parada cardíaca) e apesar de já ser maduro e independente, ainda sim a dor o atingia. Iruka precisava de um amigo e o ciúmes de Naruto não o permitia enxergar isso.

Alem disso, Kakashi não conseguia acreditar 100% no laudo médico. Apesar de entender que mortes acontecem todos os dias no mundo, para ele a desgraça atingia a vida das suas pessoas próximas de tal forma que ele não descartava a possibilidade da intervenção da Akatsuki na morte dos pais de Iruka.

– Seus pais morreram há anos Naruto, Iruka ainda está no processo de aceitação. Tenha um pouco de paciência com ele. – ele falou, tentando manter a calma, respirando fundo para se controlar. Precisava adotar uma nova postura para ser ouvido, bater de frente não seria a solução para essa discussão.

Todavia, Naruto não parava de se vestir para olhá-lo.

– O caralho! Ele quer é usar isso como desculpa e te tirar de mim!

– Pare de ser ciumento Naruto! Você acha que alguém em luto estaria preocupado com isso!?

– Ah não se preocupe Kakashi, tenho certeza que mesmo no momento de dor Iruka não para de pensar em você! – Naruto soou irônico demais, o que fez Kakashi se lembrar prontamente de Itachi.

Esses dois estão passando muito tempo juntos...

Kakashi fez uma careta, detestando as palavras de Naruto que parafraseavam uma mensagem que Iruka mandara para ele há uns dias atrás, mas certamente bem mais inocente do que Naruto fazia parecer ao repeti-la.

Contudo, ele não era tolo e sabia que Iruka nutria algum sentimento por si. O que Naruto tinha que entender é que ele já havia deixado claro para o amigo de infância o tipo de relação que ele e Naruto possuíam! O que mais seu namorado queria? Que abandonasse um amigo no momento de necessidade por causa de ciúmes desmedido? Mesmo que Naruto não confiasse em Iruka, ele tinha que lhe dar um pouco mais de confiança nele, oras!

Agora vestido para a viagem, Naruto alcançou sua mala (que já estava pronta há algumas horas do lado da cama de casal), fechou-a rapidamente e decidiu sair de casa naquele instante. Sua passagem era só para o dia seguinte, mas com alguma sorte conseguiria trocar o horário do voo, ou na pior das hipóteses cochilaria na sala de embarque do aeroporto.

Kakashi segurou seu braço quando Naruto passou a sua frente e o forçou a se virar, beijando-o com frustração e até mesmo um pouco de violência. Mesmo contrariado, Naruto retribuiu o beijo feroz, e ele devia confessar que isso até o ajudou a se acalmar um pouco. Os dois continuaram trocando mordidas fortes e estalos selvagens até que necessitaram se separar para respirar e acalmar os ânimos. Naruto já estava até excitado e se perguntava porque mesmo queria ir para o aeroporto tão cedo.

Mas Kakashi logo tratou de lembrá-lo do motivo.

– Você está puto comigo agora, mas vai passar. – Kakashi murmurou, dando mais um beijo nos lábios de Naruto antes de continuar a falar – Me ligue quando sua raiva passar e me explique o que está acontecendo.

Seria melhor pra ele ter ficado quieto!

– Você é muito prepotente mesmo! – Naruto grunhiu entre os dentes, mas Kakashi, por algum motivo, parecia estar com um humor bem melhor depois do beijo, e riu baixinho.

– Não, eu apenas te conheço de outros carnavais. – Kakashi respondeu, apertando a ponta do nariz de Naruto e se divertindo um pouco com o olhar indignado que os olhos azuis o presentearam – Aguardo seu contato Naruto, e quem sabe você não pense bem nessa besteira e aceite minha companhia... Talvez toda essa babaquice só sirva pra você ter que voltar no aeroporto pra me buscar quando eu chegar, já pensou nisso?

– Já pensou que esse tipo de comentário seu não me acalma nem um pouco e só piora as coisas?

Como se chamar meus sentimentos de "babaquice" fosse melhorar as coisas!

Naruto puxou o braço e se desprendeu da pegada de Kakashi, e aproveitou para sair do quarto com passos firmes e largos.

– Até daqui a pouco, Kyuubi!

Irritado, Naruto mostrou o dedo do meio para Kakashi enquanto continuava a sair do quarto, batendo a porta atrás de si com bastante força assim que puxou sua mala para o corredor.

Assim que se viu sozinho, Kakashi se jogou na cama de qualquer jeito. Se sentia emocionalmente esgotado, apesar da tentativa frustrada de parecer se divertir com tudo aquilo – ao menos achava que a tentativa poderia amenizado um pouco os ânimos. Naruto, às vezes, tornava aquele namoro muito mais difícil do que já era, e de vez em quando ele até pensava em terminar; só não o fazia porque seu coração parecia quase implodir toda vez que ele pensava nessa possibilidade.

Era uma fase, uma fase complicada, apenas isso. Decidiram iniciar um relacionamento no meio de um turbilhão de problemas, era óbvio que o relacionamento em si acabaria afetado por todas essas adversidades. Mas ele sabia que valia a pena, pois quando tudo acabasse eles finalmente poderiam ficar juntos, e em paz.

Fechou os olhos, suspirando pesadamente e passando as mãos nos seus cabelos algumas vezes para se acalmar. Quase adormeceu, mas foi despertado pelo ruído característico do vibrar de seu celular; Iruka provavelmente o ligava mais uma vez. Kakashi esticou o braço e alcançou o celular na mesinha de cabeceira, se preparando para esquecer todos os seus problemas e preocupações e dar o ombro amigo mais uma vez.

Se havia alguém que não tinha um minuto para sofrer com suas preocupações particulares, este alguém certamente era Kakashi Hatake.

(***)

Kakashi já estava exausto mesmo antes de começar a "trabalhar" aquela manhã, mas isso não era desculpa para fazer corpo mole; tinha sessão com Itachi e provavelmente conseguiriam algum sucesso desta vez, já que na sessão anterior recuperaram uma memória oculta de Izuna. Todavia, Kakashi estava preocupado, pois Naruto não o telefonara e ele não poderia viajar mais para ir atrás do loiro.

Muita coisa aconteceu em poucas horas... Muita coisa mesmo.

Shikamaru era o encarregado de cuidar de Itachi nos próximos dois dias, enquanto Kakashi e Naruto estivessem viajando e Karin permanecesse ausente. Todavia, alguns minutos antes de sair de casa, Shikamaru o ligou aos berros e informou (ou melhor, anunciou totalmente fora de si) que Temari entrara em trabalho de parto, e isso fez com que o grisalho revisse suas prioridades e optasse por ficar com Itachi. Afinal, seria demais pedir para o pobre e desesperado Shikamaru direcionar sua atenção para Itachi naquelas circunstâncias, certo?

Portanto, Kakashi apenas passou rapidamente no aeroporto para solicitar a conversão do valor da passagem em milhagem e foi direto ao hospital, se deparando com uma correria desmedida entre todos os funcionários que sequer prestaram atenção na sua chegada.

Isso era estranho, porque o Hospital X costumava ser bastante organizado e pacato (não graças ao Diretor, é claro, pois Jiraiya certamente não era bom em organizar esse tipo de coisa), esse era um quadro muito diferente do que estava acostumado encontrar naquele local.

– Senhor Hatake! – ele escutou alguém chamá-lo e virou-se no mesmo instante, reconhecendo a enfermeira Shizune de imediato.

Ela era uma das poucas enfermeiras que eventualmente cuidava de Itachi (nas raras ocasiões que deixavam alguém fora do "circulo da confiança" botar os olhos no Uchiha). Seu contato nunca passava de uma pequena ajuda com o banho e ministrações de medicamentos, pois Jiraiya não gostava de deixar sua inocente equipe muito tempo com Itachi; preservando-os com a ignorância – poderiam entrar nessa confusão caso descobrissem a real identidade de Itachi. Kakashi considerava esta atitude do diretor particularmente sábia.

A jovem mulher, com não mais do que vinte e oito anos, parou por alguns instantes a sua frente, levemente ofegante, tentando recuperar o fôlego e lhe passar informações. Kakashi aguardou pacientemente.

– Senhor Hatake, por favor, pode checar o Itachi? Não tivemos um membro da equipe do Doutor Jiraiya disponível para fazer isso essa manhã, estamos sobrecarregados com o trabalho, e ele fez muito barulho ontem de noite, parecia frustrado.

Ela parecia realmente exausta, muito mais do que ele. Shizune não era o tipo de pessoa que pedia para alguém fazer o seu trabalho, então Kakashi só pode supor que a situação era realmente desesperadora.

– O que aconteceu?

– Um acidente. Dois ônibus de viagem colidiram em uma rodovia próxima daqui, todas as vítimas sobreviventes foram encaminhadas pra esse hospital, estamos correndo contra o tempo para salvar todos e transferir os que possuem os menores ferimentos.

Kakashi estremeceu de leve ao ouvir aquela informação, mas relaxou logo em seguida. Acidentes acontecem, pessoas morrem, isso é normal. Ele não podia esquecer que o ciclo da vida (caótica) do ser humano continuava acontecendo, independente da existência dos Akatsukis. Apesar de ser algo lamentável, não havia qualquer indício de que aquele acidente tivesse alguma ligação com os atos de Madara. Ele precisava parar de paranóia, estava quase virando um "Sasuke dois".

– Ok, deixe Itachi comigo, ele não está passando por nenhum risco de vida, eu tenho uma sessão com ele agora mesmo. – respondeu com um aceno afirmativo de cabeça.

– Obrigada, Senhor Hatake!

Depois de agradecer com um sorriso cansado, a morena correu pelo corredor em direção a sala de emergências, onde Itachi ficou durante algum tempo quando chegou todo estraçalhado por conta de Madara. Kakashi ainda se lembrava muito bem do ar particularmente pesado daquela área do hospital, mas parecia que aquela energia havia se espalhado para todo o ambiente.

Céus, estava tudo uma loucura mesmo naquele hospital, nem sequer pediram sua identificação para deixá-lo entrar nos leitos! Kakashi até sentiu pena de Temari, imaginando como deveria ser difícil para ela lidar com um trabalho de parto naquela loucura, quase desejou que ela tivesse ido para outro hospital, mas sabia que desde que assumira o caso de Itachi com Shikamaru ela estava se consultando com um obstetra do Hospital X. Kakashi decidiu que assim que checasse se o Uchiha estava bem iria passar na ala de cirurgias e dar uma força para Shikamaru, a sessão de hipnose poderia esperar alguns minutinhos.

Mas todos os seus planos de solidariedade foram por água abaixo quando Kakashi abriu a porta do quarto de Itachi e se deparou com aquela cena.

O cheiro metálico impregnava o quarto todo, e o sangue seco no chão e colchão demonstrava muito bem de onde vinha odor. Itachi estava ali, deitado de barriga pra cima na cama suja de sangue, apesar de estar com o corpo parcialmente coberto por um lençol limpo; sua camisola hospitalar estava jogada de qualquer jeito no chão e estava igualmente imunda.

– I-Itachi! – ele exclamou o nome do moreno em voz alta e quase choramingou em alivio quando Itachi reagiu e virou a cabeça em sua direção. O estrago no ambiente o fizera imaginar que talvez Itachi estivesse... bem... – O que aconteceu aqui?

O moreno fechou os olhos pesadamente e se endireitou na cama. Kakashi tentou aguentar sua afobação e aguardar, mas quando já ia abrir a boca novamente para censurar o silêncio do Uchiha recebeu um simples comando.

– Entre e feche a porta. – o ex-membro da Akatsuki falou, abrindo os olhos e encarando o teto branco com calma. Sua voz soara levemente rouca, aquele tipo de voz que indicava que alguém havia chorado a noite toda e hoje amanhecera com uma tremenda dor de garganta.

Mais do que rapidamente, Kakashi realizou o pedido de Itachi: fechou a porta e trancou-a com duas voltas na chave, não perdendo tempo em correr em direção a cama ensangüentada, encarando os olhos negros (e já com pouquíssima coloração avermelhada) do mais novo com preocupação.

– Madara veio aqui? – ele não tinha outra teoria, estava muito claro que Itachi fora violentado mais uma vez. Havia muito sangue no colchão, na roupa de cama e até no chão; seu corpo, apesar de coberto por um lençol praticamente limpo, exibia algumas manchas de mordidas e ele evidentemente estava nu por debaixo daquela fina camada de algodão. Quem mais poderia fazer algo assim com Itachi se não fosse Madara?

– Não, Madara não veio aqui. – Itachi respondeu, suas feições indecifráveis para Kakashi. Mas, de certa forma, parecia que o próprio Uchiha tinha dificuldade em compreender que tipo de sentimento deveria sentir agora.

– Então quem veio aqui? Quem fez isso com você?

Itachi, em vez de responder, apenas piscou e finalmente focalizou de verdade Kakashi em seu campo de visão pela primeira vez no dia.

Naquele momento, o grisalho conseguiu compreender um pouco a dualidade que o Uchiha sentia: seus olhos estavam frios, tristes, melancólicos, enquanto ainda sim ele abriu um sorriso, um sorriso verdadeiro, um pouco contido, mais ainda sim genuíno. Itachi estava desnudo não apenas de roupas, mas também de suas máscaras protetoras, mostrando sentir emoções muito humanas e complicadas naquele instante. Isso certamente pegou o grisalho de surpresa, porque Itachi não demonstrou aquele tipo de emoções quando efetivamente foi estuprado por Madara há pouco mais de seis meses.

Só uma pessoa era capaz de fazer o que fizera com Itachi e ainda lhe causar esse tipo de sentimento. Kakashi sabia que isso só podia significar uma coisa...

– Sasuke veio aqui?! Foi ele que fez isso com você!? – Kakashi questionou, mortificado. Não era possível que Sasuke fosse capaz de fazer aquilo com alguém! Aquilo era... desumano! Olha a quantidade de sangue que havia naquele quarto! – Anda Itachi, me diz! Sasuke estuprou você?

Itachi balançou a cabeça negativamente, ainda com o leve sorriso nos lábios e os olhos nostálgicos e entristecidos. Sentou-se na cama, deixando um leve ruído de desconforto escapar pelos seus dentes, e aproveitou a nova posição para erguer o lençol que cobria suas pernas, mostrando os curativos feitos por Sasuke para Kakashi, que visualizava tudo sem entender qual era a sua intenção.

– Ele fez esses curativos em você? – questionou, apensar de achar que seria impossível Sasuke fazer esse tipo de coisa. Afinal, ele costumava apresentar um quadro de hematofobia(1) muito grave desde a morte de seus pais.

Ao ouvir a pergunta, Itachi sorriu ainda mais, acariciando a borda do micropore com uma delicadeza estonteante, como se estivesse acariciando pétalas de rosas ou um presente igualmente romântico.

– Sasuke fez muita coisa por mim ontem, me fez a pessoa mais feliz e mais miserável da face da terra. Ainda sim, se eu pudesse voltar no tempo viveria esta noite pelo resto da minha vida.

Kakashi não parecia compreender uma única palavra que Itachi dizia. Pelo jeito teriam muito que conversar antes de qualquer tipo de sessão de hipnose. Mas ele não podia negar: mesmo que Sasuke tivesse realmente machucado Itachi, era um reconforto inimaginável ter a prova real de que o seu filho de coração estava vivo e saudável de corpo.

Ele só gostaria que o garoto também estivesse saudável de mente e alma...

(***)

Kakashi ouviu tudo que Itachi tinha a dizer com calma, sem interrupções, apesar do seu nível estratosférico de curiosidade. Itachi, ironicamente, parecia mais apaixonado do que nunca ao citar o nome de Sasuke, como se a visita da noite anterior houvesse reascendido uma chama que nunca deixara de queimar, mas que já estava mais platonizada pela distância. Isso era absurdo porque certamente não fora o encontro mais romântico entre os dois, mas para Itachi parecia ter sido a melhor noite de sua vida.

Seu julgamento inicial estava errado, Sasuke não havia estuprado Itachi. Ainda sim, ele não se comportara como uma pessoa normal, pois apesar de Itachi ter oferecido o seu corpo para provar o seu ponto, ele não estava nem um pouco confortável em adotar aquela situação de submissão dolorosa novamente. Sasuke percebeu isso em algum ponto e explodiu, teve uma crise de choro e quando Kakashi recebeu essa informação de Itachi, não pode deixar de suspirar com alívio. Ainda havia alguma humanidade dentro do seu garoto.

Isso foi verdadeiramente reconfortante depois de toda narração doentia do sexo dos dois – Itachi ainda continuava agindo como se sexo não fosse tabu algum e, portanto, era bem detalhista em suas narrações. Kakashi geralmente o censurava, mas nesse momento em especifico ele quis saber todos os detalhes, para interpretar indiretamente a cabecinha dos Uchihas.

Interpretar Sasuke foi mais fácil do que ele imaginou, ou talvez fosse algo que apenas Kakashi era capaz de fazer, visto que já convivera bastante com o garoto e, inclusive, fora seu terapeuta por um bom tempo.

Itachi, contudo, ainda era um pouco mais complicado de entender.

– Você acha que ele vai voltar? – Foi a primeira pergunta que fez quando Itachi parou de narrar os acontecimentos daquela noite, e o mais novo nem pareceu pensar para responder.

– Voltar para ficar comigo não, mas ele vai voltar para me matar. Ele prometeu que estaria do meu lado no momento de minha morte.

Em situações como aquela Kakashi não sabia se batia a cabeça na parede ou se batia a cabeça de Itachi na parede. Como ele era capaz de pensar uma coisa dessas quando tudo estava tão claro? Bom, talvez Sasuke ainda não houvesse compreendido seus sentimentos, mas todo mundo já sabia que Sasuke amava Itachi!

– Itachi, por Deus do céu, você realmente acha que Sasuke vai te matar? Se ele quisesse te matar, teria te matado ontem!

– Você não entende... – Itachi murmurou, virando o rosto e olhando distraidamente para as nuvens brancas, visíveis pela janela de vidro – Eu sei que Sasuke me ama, eu também o amo.

– E então? Você verdadeiramente acha que Sasuke vai amar alguém que ele ama?

– Sasuke tem uma natureza um pouco vingativa, e Madara não é a melhor influencia pra ele no momento. – Itachi respondeu, e apesar de tudo Kakashi não pode deixar de concordar; Sasuke era sim uma pessoa extremamente influenciável. – Eu sei que o Sasuke que nós conhecemos não seria capaz de fazer isso, mas ele estava muito diferente. Ele só demonstrou vestígios do seu "eu antigo" quando se sentiu acuado. Se ele me confrontar quando estiver se sentindo superior a tudo, ele vai acabar agindo dessa forma. Nem que se arrependa depois.

Kakashi suspirou e passou as mãos pelos cabelos, não sabendo ao certo se deveria rir da situação ou se sentir preocupado. Por fim, voltou a olhar para a figura completamente irreconhecível de Itachi e se deu conta de que seria tolice discutir esse tipo de coisa. O tempo encarregaria de mostrar aos dois Uchihas como eles eram completamente tapados, ele tinha certeza disso. E quem era ele para julgar? Durante muito tempo sequer percebeu os sentimentos que Naruto tinha para consigo.

– Tá bom Itachi, tá bom, como você preferir.

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, até o ex-Akatsuki raciocinar um pouco e se lembrar da ligação da noite anterior de Naruto.

– Onde está Naruto?

– Viajou. – Kakashi respondeu rapidamente, buscando uma nova camisola hospitalar no armário para Itachi; Itachi não estava mostrando nada "perigoso" para Kakashi, mas ainda sim saber que ele se encontrava nu debaixo do lençol não era algo muito confortável – Julgamento do Gaara, lembra?

– Mas você não ia junto?

Aí estava um assunto que o grisalho certamente gostaria de evitar.

– Vamos falar de outra coisa, que tal? – ele respondeu instantaneamente, estendendo a camisola limpa para Itachi pegar.

O moreno deu de ombros e pegou a vestimenta, colocando-a com certa agilidade. A única vantagem daquelas camisolas ridículas era que ele conseguia vestir sozinho, ao contrario de calças, que ainda necessitava de ajuda por causa dos machucados da perna.

– Você precisa tomar banho, tem sangue até no seu cabelo. – Kakashi comentou, estremecendo um pouco com as suas palavras. Era até estranho pensar que Itachi, apesar de ter perdido tanto sangue, ainda estava bem; antes desse sangramento acontecer ele tinha suas dúvidas a respeito da proporção de proteína no corpo de Itachi, e depois disso ele não podia deixar de torcer para que Konan voltasse logo com mais plasma... Fazer sessões de hipnose com alguém sem os sentidos humanos básicos seria algo totalmente inútil, não é mesmo?

– É uma boa ideia, eu...

Antes que Itachi pudesse falar seus planos, alguém começou a bater na porta do quarto com força e afobação.

– Itachi! Kakashi! Vocês estão aí? Abram a porta, rápido!

– Karin? – Kakashi murmurou, certificando-se que Itachi estava devidamente vestido antes de caminhar até a porta e destrancá-la com agilidade.

A ruiva estava ofegante, levemente corada e parecia ter se esforçado para chegar ao hospital o mais rápido possível. Seus cabelos estavam amarrados em um rabo de cavalo apertado e ela vestia roupas brancas; Kakashi não pode deixar de perceber como ela parecia um dos membros da equipe hospitalar vestida daquela forma. Era óbvio que ela estava ainda pouco em um laboratório, provavelmente o laboratório de Orochimaru; e pelo nível de afobação trazia notícias.

Ele só torcia para que fossem boas notícias, apesar de saber que provavelmente a sorte não estava ao seu lado naquela semana.

– O que houve com você? – ela questionou Itachi com um tom de desespero na voz, olhando para o sangue com um pavor gigantesco. Karin nunca parecia se acostumar a ver os ferimentos de Itachi, quem dirá uma cena grotesca como aquela.

– Acho que você tem coisas mais importantes pra falar agora. – Itachi respondeu secamente.

Ok, falar sobre Sasuke com Kakashi era uma coisa, mas com Karin era pedir demais. Itachi certamente não se sentia confortável para fazer isso no momento, portanto achou melhor se esquivar daquela pergunta.

A garota fez um barulho de confusão com a garganta, mas por fim deixou a curiosidade para depois. Itachi parecia bem apesar do estrago no ambiente, isso bastava no momento. Ela tinha que correr e dizer suas novas informações antes que algo ruim acontecesse.

– Eu tenho informações oficiais do Orochimaru para passar pra vocês. Precisamos agir, rápido, porque nossas situação vai piorar muito se deixarmos essa bomba explodir!

Suas palavras foram o suficiente para que Itachi e Kakashi assumissem uma postura profissional em décimos de segundos. Kakashi a puxou para dentro do quarto e olhou o corredor, vendo se alguém ouvia a conversa dos três. Por fim, fechou a porta e puxou a garota para próximo de Itachi, questionando-a com uma voz urgente, mas ainda sim num tom baixo:

– O que aconteceu?

Karin mordeu o lábio, um pouco apreensiva em dar aquelas novidades não muito boas. Gostaria que Naruto estivesse ali, ele tinha uma natureza extremamente reconfortante em situações de crise, mas pelo jeito eles teriam que se virar sem o seu irmão.

– Kakashi foi descoberto.

Ninguém ousou falou por vários minutos, o tom de pele de Kakashi adotou uma coloração tão pálida que Karin ficou até preocupada. Itachi a encorajou a falar com o olhar, e ela se deu conta de que deveria diminuir um pouco o impacto dessa informação, já que os outros não a estavam digerindo muito bem.

– Não estamos em perigo inicialmente, pelo menos não são os planos oficiais de Madara no momento. Quem está em perigo é Pain, o número um da Akatsuki.

Itachi parecia cada vez mais curioso, Karin estava falando a respeito da Akatsuki como se fosse familiarizada com seus membros. Kakashi, contudo, não captou aquela tímida nuance, provavelmente por estar preocupado com a sua própria existência no momento.

– Por quê? – o grisalho questionou, sem fôlego, desejando que ela fosse direto ao ponto; esse tipo de informação não é condizente para esse tipo de rodeios, oras! – E por que nós deveríamos nos preocupar com uma ameaça ao inimigo?

Karin respondeu a pergunta imediatamente, mas desta vez olhando para Itachi enquanto falava, aguardando a confirmação da veracidade de suas informações.

– Itachi, Madara mandou você "calar" Kakashi quando ele descobriu a real relação entre você e Sasuke, não é mesmo? – o Uchiha acenou afirmativamente com a cabeça – Não necessariamente destruí-lo, mas mantê-lo em coma para atingir Naruto e Sasuke de alguma forma.

– Depois que Kakashi foi internado, eu precisei conversar muito com Madara, mas ainda sim acho que ele já tinha isso em mente. Ele não queria matar Kakashi naquele momento, queria brincar com os sentimentos de Sasuke e Naruto.

– Esse homem é nojento, me perdoe Itachi, mas é. – Kakashi respondeu, um pouco emburrado.

Karin percebeu que aquele comportamento demonstrava certa semelhança com o jeito de Naruto. A convivência do relacionamento dos dois já estava afetando o jeito particular do grisalho agir; isso é o primeiro indicio de que o namoro estava ficando sério. E, ao constatar isso, ela deixou um sorriso de satisfação brotar em seus lábios por poucos segundos, antes de voltar a posição profissional de antes.

Não era momento para felicitações.

– Certo. Quando Madara anunciou a você que deveria dar um jeito em Kakashi, logo em seguida ele delegou uma missão a Pain. (2) A missão consistia em assegurar que Itachi não falhasse, ou seja, que Kakashi realmente saísse de circulação enquanto fosse necessário. Madara também deixou claro que se Itachi falhasse, Pain morreria.

Itachi pareceu extremamente surpreso com aquela informação, e ainda mais preocupado com a forma como Karin tinha acesso a tudo isso.

– Como você soube disso? Se Madara deu essa missão no momento que eu imagino, só havia Pain e Konan no mesmo ambiente que ele.

Karin abaixou o olhar, evidentemente desconfortável com aquele questionamento.

– Isso não interessa agora Itachi... Apenas siga o meu raciocínio. – ela respondeu, com a voz fraca, mas ainda sim tentando transparecer certa segurança – Você acha que seria impossível Madara dar uma ordem como essa? Acha que estou mentindo?

– Muito pelo contrário, acho que condiz perfeitamente com a maneira que o cérebro do Madara funciona, com toda certeza ele deve ter feito isso. Mas isso não responde minha pergunta Karin.

– Isso tudo é muito interessante, mas depois conversamos sobre a fonte de Karin. – Kakashi interrompeu o dialogo dos dois, demonstrando que ainda estava bastante preocupado – Continue a sua explicação Karin. Uma suposta morte de Pain nos prejudica no que?

Mas Itachi respondeu antes que a ruiva pudesse se pronunciar, trazendo a atenção dos dois de volta a si.

– Eu acho que entendi o problema. – ele murmurou, e ambos ficaram calados, encorajando-o a continuar a falar – Andei pensando muito de um tempo pra cá... Essa manhã cheguei a algumas conclusões sobre certos membros da Akatsuki e entendi porque Konan me dá a proteína.

Karin pareceu ainda mais afobada ao ouvir aquilo, e agarrou uma das mãos de Itachi com as suas, pegando o moreno de surpresa com o gesto afetivo.

– Diga sua teoria Itachi, quero ver se bate com os dados que Orochimaru me informou! – ela pediu, animada e entusiasmada com aquela nova perspectiva.

Itachi, desconfortável com aquele contato físico, liberou sua mão dos dedos da garota antes de começar a falar, pensando que deveria haver um pouco de "falta de bom senso" em todo Uzumaki da face da Terra.

– Eu sempre percebi que dentre as duplas, Pain e Konan eram os que trabalhavam melhor juntos. Portanto, foi inevitável que eles subissem logo para as duas posições mais altas da hierarquia. Pain e Konan se ajudavam, cresciam juntos, e a parceira era tanta que conseguiam treinar coisas difíceis como o frenesi e o rötschreck juntos. Dentro de pouco tempo estavam no topo, abaixando Sasori e Deidara, que são a segunda dupla com melhor entrosamento de lá.

Itachi falava tudo bastante rapidamente, tentando resumir ao máximo; até porque Kakashi já estava cansado de ouvi-lo falar sobre o entrosamento das duplas do QG. Mas eram informações que ele precisaria repetir para seguir a linha de raciocínio de Karin.

– Então, quando isso aconteceu, Deidara ficou irritado e desistiu de vez de treinar o rötschreck, utilizando-o como sua fonte de ataque através de sua indução com explosões. Madara achou isso muito peculiar, mas em virtude da propositura do sistema de hierarquia e por saber que não seria nada seguro incentivar os outros a agirem dessa forma, manteve as posições como antes. – ele respirou fundo e fitou Kakashi nos olhos, pedindo paciência com a intensidade do seu olhar. O grisalho suspirou, mas fez um gesto para que prosseguisse. – Todavia, jamais deixou de prestar atenção do poder e na lealdade de Sasori e Deidara; nos números, Pain e Konan são numero um e dos, mas na pratica Sasori e Deidara sempre foram comandados para as missões de caráter mais... hum... importante.

– Isso eu já tinha percebido há algum tempo quando conversávamos sobre as duplas. – Kakashi respondeu, concordando afirmativamente enquanto Itachi mais uma vez se preparava pra falar.

– Exatamente. E apesar de Madara nunca ter me explicado porque as duplas numéricas se toram as duplas carnais, eu compreendi com algumas conversas com Karin que isso foi condicionado desde que éramos crianças, o costume fez com que eles se sentissem mais confortável um com o outro ao ponto de iniciar as relações sexuais entre si. Mas aconteceu algo que nem Madara poderia prever, algo tão improvável naquele lugar que Madara nem deve ter levado essa possibilidade em consideração: Konan e Pain se apaixonaram.

Karin sorriu, murmurando um "bingo" bem baixinho, enquanto Kakashi ainda olhava para Itachi tom ares desafiadores.

– Como pode ter certeza disso?

Itachi deu de ombros, mas decidiu tentar explicar melhor sua teoria.

– Eu sempre percebi que eles interagiam diferente, mas não entendia porquê. Só que quando me apaixonei por Sasuke, eu aprendi a ver a paixão nos olhos de outras pessoas. Pain e Konan são apaixonados e eu não sei se eles sabem disso, mas certamente fazem coisas que não fariam se não fossem apaixonados.

– Como o quê?

Esta pergunta foi Konan quem respondeu:

– Dividir a proteína. – os dois voltaram a fitar a garota, e ela arrumou os óculos que escorregava no seu nariz, adotando novamente uma postura profissional – Itachi está recebendo integralmente a proteína de Konan enquanto Pain e Konan estão dividindo uma proteína; portanto, cada qual está vivendo com 50% da proteína do Pain. Os dados dos últimos exames de rotina que Orochimaru fez resultaram nisso, e Madara teve acesso a esses exames.

Kakashi fez um ruído de compreensão com a garganta, entendendo agora o caminho que Karin queria percorrer.

– Certo, então os dois estão apaixonados. – o mais velho afirmou para se certificar de que não estava se perdendo naquela conversa – E se Pain morrer, Konan fica sem a proteína e vai parar de entregá-la a Itachi, este é o maior problema?

Itachi interrompeu Karin antes mesmo de ela responder a questão de Kakashi.

– Isso seria o menor dos problemas, porque se Madara realmente cumprisse o juramento e tentasse matar Pain, Konan iria reagir e os dois morreriam. Nós temos que pensar em outra forma de adquirir a proteína.

Neste momento, Karin colocou a mão sobre o ombro de Itachi de uma maneira até mesmo penosa.

– Você está enganado Itachi, ela não vai morrer agora, nem mesmo se reagir. Konan é a cobaia mais interessante de Madara no momento, ele não vai a descartar mesmo que o traia. Não pelos próximos meses, pelo menos.

– Por quê? Madara nunca hesitou de matar alguém, ainda mais um traidor.

– Porque Konan está grávida.

Karin lançou a bomba, mas não imaginou que os dois ficassem completamente mortificados com aquela informação. Itachi arregalou o olhar, absolutamente surpreso, enquanto Kakashi teve uma crise de tosse bem inoportuna.

– C-como...? – Itachi questionou, verdadeiramente perdido. Nunca, nunca mesmo, imaginou que um Akatsuki fosse capaz de engravidar, mesmo que Konan fosse mulher, ele sempre achou que Madara já teria arrancado o útero dela ou algo assim! Konan era uma arma mortífera, como que um instrumento de guerra poderia gerar crianças?

– Oh tenha santa paciência Itachi, você não vai me dizer que não sabe de onde vêm os bebês?

– Eu sei de onde vêm os bebês! Temari está ganhando um bebê! Não subestime minha inteligência dessa forma! – ele respondeu, odiando essa mania que todo Uzumaki tinha de querer inferiorizá-lo em qualquer mínima oportunidade para tal.

Karin riu brevemente, mas Kakashi fez um ruído de impaciência com a garganta e ela logo adotou a mesma postura séria de antes e voltou a explicar. Certamente não queria testar a paciência do cunhado (que já não parecia muito grande aquele dia).

– A proteína dada a Konan possui efeitos contraceptivos e, portanto, é diferente da proteína dada a todos os demais Akatsukis, pois ela é a única mulher. Madara nunca quis tirar a capacidade de Konan ter bebês, pois provavelmente faria um experimento com ela quando ela ficasse mais velha, mas ela engravidou antes do previsto. Porque como agora ela esta tomando a proteína de Pain, ou seja, sem os contraceptivos, ela voltou a entrar no período fértil como toda mulher e recentemente engravidou. Ela sequer sabe que está grávida, muito menos ele, apesar de que muito provavelmente Pain é o pai da criança.

– Mas, espera... Isso significa que eu estou tomando essa proteína com anticoncepcional?

Uma risada alta soou no quarto, e os três presentes olharam para a porta, se deparando com um Jiraiya sorrindo de orelha a orelha enquanto segurava uma pilha de papeis e andava em direção a cama do leito, mal parecendo preocupado com a quantidade de sangue do local. Jiraiya parecia observar a conversa de longe já há algum tempo, e Kakashi quase bateu sua cabeça na parede ao constatar que não havia trancado a porta assim que Karin entrou.

– Sim, você realmente está, eu vi nos exames. E dê graças a Deus que você é todo "combado" Uchiha, porque se você fosse um homem normal que pode adoecer e certamente já estaria com mil efeitos colaterais. Seria engraçado.

Naquele momento Kakashi não pode deixar de rir, e até pensou em Naruto. Seu namorado ia ficar furioso quando soubesse que não estivera presente para zoar Itachi naquele momento, porque aquela informação era um prato cheio para a mente movida à chacota alheia do loiro.

Portanto, ele precisava fazer uma pequena homenagem, mesmo que não fosse digna das brincadeiras épicas de Naruto:

– Acredito que o humor sensível de agora decorra disso, não? – Kakashi aproveitou o momento para tirar sarro de leve, e logo pegou o grande calhamaço de papeis da mão de Jiraiya, analisando rapidamente os exames de Itachi.

Itachi corou, um pouco envergonhado com a situação, mas antes que pudesse rebater com uma ofensa maior, Jiraiya veio em sua defesa.

– Itachi está sensível porque está em processo de mudança emocional, e porque é um Uchiha e Uchihas são umas flores. – que espécie de defesa era aquela? Itachi tinha certeza que seus olhos até ascenderam o avermelhado depois daquelas palavras – De qualquer forma, o corpo de Itachi destrói naturalmente esses hormônios contraceptivos assim que entram no seu organismo, justamente porque não é algo natural no organismo dele; devido ao experimento de Madara, Itachi elimina todo e qualquer objeto estranho para não adoecer. É por isso que ele consegue fumar sem prejudicar seus pulmões, ou transar sem proteção e não apodrecer de sífilis.

– Certo, deixando a feminilidade alienígena do Itachi de lado, – Qual o maldito problema de todas essas pessoas?! Itachi direcionou seu olhar raivoso para Karin, mas ela não deu a mínima para a ameaça – Konan esta grávida, Madara não vai matá-la, pois deseja saber como o bebê irá nascer e vai tirá-la de circulação, talvez antes mesmo de atacar Pain. Ele não quer que Konan sofra qualquer ameaça física, não quer que sua cobaia perca o bebê.

O ar de seriedade voltou a atingir todos os ocupantes do quarto, e Jiraiya foi o primeiro a falar o grande problema que tudo aquilo geraria:

– Se Konan sair de circulação Itachi fica sem proteína... E já está na hora de ele tomar mais uma dose.

– Não apenas isso. – Kakashi se pronunciou, olhando para todos com nervosismo palpável – Por Madara saber que Konan e Pain estão apenas com metade da proteína em seu organismo e que os anticoncepcionais não estão presentes no corpo de nenhum dos dois, é obvio para ele deduzir que a proteína de Konan tem sido entregue à outra pessoa. Por isso, ele já sabe que Itachi está desperto, com toda certeza.

Entristecido, Itachi acrescentou mais uma informação ao quadro desesperador:

– Ele sabe. Sasuke veio me visitar a mando de Madara. Ele está jogando...

Karin ficou estupefata diante desta informação, finalmente compreendendo a quantidade de sangue derramado naquele leito. Fora a visita de Sasuke que causara tudo aquilo?

– Itachi, você está bem? – ela questionou, verdadeiramente preocupada com o moreno.

Antes que o Uchiha pudesse responder, Kakashi interviu. Não deixaria que todas aquelas pessoas perdessem de foco o que era importante: precisavam, de uma vez por todas, descobrir a posição do QG. Agora, ou nunca.

– Precisamos hipnotizar Itachi, agora. Eu gostaria da presença de Shikamaru para a criação de um plano B, mas eu sei que é pedir demais para que ele pense nisso no presente momento.

– Talvez não, Shikamaru com toda certeza vai entender a seriedade deste problema e pode contribuir com algo. – Karin respondeu, girando os calcanhares e caminhando para fora do quarto – Eu vou tentar falar com ele.

– Eu vou junto! – Jiraiya anunciou, despedindo-se com um aceno de mão – Trate de fazer o Uchiha lembrar de tudo Kakashi, eu confio na capacidade de vocês dois.

Com um clique suave de porta sendo fechada, Kakashi voltou a atenção exclusiva para o Uchiha, sentindo verdadeira pena das feições decepcionadas e preocupantes que ele exibia.

– Nós vamos conseguir ok? Não se preocupe com isso... Tome um banho e aí vamos pro consultório e...

– Sem banho. – o mais novo se pronunciou, ficando de pé com certa dificuldade, enquanto Kakashi o ajudava a permanecer de pé – Não temos tempo. Vamos logo pra sua sala.

Kakashi até pensou em discutir, mas Itachi estava certo. Banho era um supérfluo imenso na falta de tempo que possuíam naquele momento.

– Ok. Vamos.

E, assim, os dois iniciaram a briga contra o relógio.

(***)

Sasuke estava há mais de vinte minutos observando o pôr-do-sol na beira do mar, apreciando com melancolia a beleza daquele ambiente. Sasuke não sabia onde ficava o QG, como os demais membros da Akatsuki, mas sabia que estava em uma ilha do hemisfério sul, pela posição das constelações e coisas básicas como a direção em que a água gira no ralo. (3) Isso, contudo, não o ajudava a tomar conhecimento de mais nada a respeito daquele lugar.

Itachi nunca demonstrou ter uma grande curiosidade para saber onde o QG ficava, de forma que nem disse que era em uma ilha, provavelmente nunca saíra das instalações do QG e visualizara o mar. Sasuke, todavia, fez este reconhecimento logo que voltou do seu encontro com Itachi, tentando entender um pouco mais os mistérios que o rodeavam (ou, talvez, na ânsia de conseguir fugir das suas dúvidas e problemas em longas caminhadas na selva).

Não, ainda não decidira o que fazer, e certamente não descobrira sua posição. Mas ele gostaria de saber, pois se fosse se rebelar seria melhor saber onde ficava esse maldito lugar, a fim de denunciá-lo para a polícia internacional ou, então, para conseguir voltar e explodir todo mundo... Seria absurdo da parte dele querer destruir Madara sem qualquer informação a seu respeito, certo?

Pensar nisso o fez se recordar das palavras de Itachi, quando ele afirmou que não poderia terminar com Madara porque precisavam descobrir mais dados antes de tomar qualquer atitude. Apesar de Sasuke ter entendido, em partes, os planos de Itachi, apenas agora ele compreendia perfeitamente o que seu irmão (e como ele odiava essa palavra no momento) pretendia fazer. Afinal, ele sabia que assim que Madara voltasse da sua viagem, teria que agir como se a visita de Itachi não tivesse balançado seu coração, deveria continuar dormindo com ele e aceitando suas missões e o cargo imposto. Sasuke tentaria ganhar tempo, e quem sabe se decidir nesse meio tempo tendo informações relevantes para por seus planos em prática.

Seja lá quais fossem seus planos.

– Você tem permissão para sair dos muros do QG, Uchiha?

Sasuke reconheceu a voz de primeira e não se moveu, não estava em perigo. Sentiu que sua companhia logo se sentou ao seu lado na areia, e durante algum tempo os dois permaneceram quietos, apreciando as ondas do mar revolto e o reflexo alaranjado do sol na praia. O cenário fez Sasuke se lembrar de Naruto por algum motivo, e então ele optou por iniciar uma conversa, talvez por não se sentir ainda mais melancólico ainda por causa da saudade.

– Nunca me falaram que é proibido sair do QG.

– É, não é proibido. O muro está lá como uma pressão psicológica na verdade... Madara foi genial em não fazer uma regra proibitiva, pois o ser humano tem uma grande vontade de quebrá-las. O simples fato de nunca ter mencionado que era proibido sair do QG já foi o suficiente para ninguém tentar sair, porque no momento da revolta isso não parecia uma proibição. A maioria dos membros da Akatsuki está feliz lá dentro e nem desejam sair, mas se por ventura alguém saísse perceberia que estamos em uma ilha e que não temos como escapar daqui sem um barco ou helicóptero.

Às vezes a maneira como ela falava fazia Sasuke se lembrar um pouco de Itachi, talvez porque os dois passaram pelo mesmo processo de libertação e tiveram uma criação semelhante, vai saber. E talvez fosse por isso que ele gostasse um pouco dela.

Mas ele jamais admitiria sua afeição em voz alta.

– A cada dia que passa você parece mais e mais com o Itachi. – ele comentou baixinho, mais para si próprio do que para ela, sabendo que ela ouviria de qualquer forma.

Sasuke finalmente olhou para a sua companhia e ficou surpreso com o sorriso radiante que Konan exibia em seus lábios. Para ele era um pouco surreal imaginar que alguém estava feliz enquanto ele sofria daquela forma, mas ele não era estúpido ao ponto de ver isso como uma afronta. Pelo menos não agora, quando ele estava pensando mais nas suas atitudes ao invés de agir impulsivamente diante de um problema.

Ele também se sentia um pouco diferente do que era há alguns meses... até que ponto ele não saberia dizer.

– Eu vou tomar isso como um elogio. – ela respondeu, fitando o sol com um brilho emocionado nos olhos – Já que agora você conhece o mar também, poderíamos marcar as conversas ligadas a Itachi aqui, pois mesmo se Madara tiver instalado câmeras na selva, na região da praia não teria como.

Sasuke não respondeu, não desejando falar sobre Madara naquele momento, muito menos sobre Itachi. Bem verdade que sua raiva pelo mais velho parecia ter dado espaço a uma parcela ainda maior do que antes de dor, mas ele não conseguia dizer com todas as letras que o havia perdoado, ou que poderia ter uma relação de qualquer natureza com ele.

Ao mesmo tempo em que desejava sua vingança, sofria em imaginar o corpo inerte de Itachi aos seus pés. E essa dualidade o estava deixando louco... Sentia falta de suas mentes e da forma como elas o indicariam o caminho certo (ou não) a seguir. Não seria conversando com Konan que ele iria suprir essa necessidade, não é mesmo?

Mas mesmo não desejando conversar, isso não impediu a mulher de continuar a falar.

– Se você decidir ficar ao lado de Itachi, eu vou te ajudar. – ela declarou subitamente, e Sasuke praticamente parou de respirar com aquela confissão.

– O... o quê? – ele questionou estupefato, tentando entender de onde surgira aquela afirmação.

Konan tinha um coração bom, Sasuke sempre percebeu a diferença dela entre os demais moradores do QG. Todavia, ele não imaginava que ela chegaria ao ponto de efetivamente fazer algo contra todos os planos de Madara. Claro, ela compartilhava a proteína com Itachi e porquanto já fazia algo que Madara não aprovaria de forma alguma, mas ainda sim era algo inofensivo para os planos do déspota...

Afinal, que perigo Itachi ofereceria a Madara naquelas condições, com os sentidos a postos ou sem os sentidos? Foi um ato curioso de Konan, até mesmo inofensivo; algo relacionado apenas a sua nova perspectiva perante uma demonstração de paixão e revolta. Mas sua proposta de agora significaria em bater de frente contra os ideais de Madara, e isso ia contra todas as certezas que Sasuke tinha a respeito dos moradores do QG.

Konan estava decidida a ir contra a maré. Por quê? – E mais uma vez não foi necessário expor sua dúvida, Konan parecia ter aprendido a lê-lo como um livro aberto.

Malditas microexpressões faciais.

– Eu e Pain conversamos. – ela explicou calmamente, observando-o nos olhos e analisando as expressões que ele fazia ao ouvi-la – E decidimos que poderíamos negociar com você, Sasuke.

– Como assim? Negociar comigo?

Ela sorriu ainda mais, deixando Sasuke cada vez mais confuso. Konan parecia muito feliz, como se estivesse prestes a fazer alguma traquinagem. Bom, de certa forma era isso que ela pretendia fazer.

– Pain e eu nunca pensamos muito a respeito disso, mas agora que essa nova perspectiva de mundo surgiu para nós, decidimos que gostaríamos de viver no novo mundo. Mas não conseguiríamos sobreviver mais do que quatro semanas sem a proteína e, portanto, precisaríamos de uma fonte. – Ela apontou para Sasuke, quase encostando o indicador em seu peito – Você seria essa fonte.

Ele já imaginava isso. Na verdade Sasuke sempre achou que no momento que os membros da Akatsuki descobrissem que ele era capaz de sintetizar a proteína também, de certo tentariam fugir com ele para mantê-lo em cativeiro pelo resto da vida – se ele fosse um Akatsuki de berço, certamente pensaria nisso. Mas não, surpreendendo todas as suas expectativas ninguém pareceu alterar seu comportamento conforme o rumor se espalhou entre os membros; todos pareciam leais a Madara, muito satisfeitos em adquirir a proteína através dele.

Até agora.

– E quem garante que eu iria fazer isso por vocês? – Sasuke provavelmente ajudaria Konan (Pain... precisaria pensar), mas ainda sim queria compreender os planos da colega, e por isso a questionou.

Ela parecia esperar aquele tipo de resposta, pois continuou sua explanação sem qualquer demonstração de surpresa.

– Bom, se você decidisse ficar ao lado do Itachi, vocês teriam que dar um jeito de pegar droga o suficiente, seja lá qual fosse os planos de vocês. Eu e Pain podíamos usufruir dos benefícios, como pagamento pela nossa ajuda, seriam apenas mais duas ampolas de sangue e você continuaria a tomar a mesma quantidade de pílula, não iria alterar em nada o seu organismo. Não vejo porque você negaria isso.

– Você está me propondo poder físico contra Madara em troca de um estoque de proteína vitalício. – Não era uma pergunta e não soou como uma, mas ainda sim Konan optou por confirmar sua afirmação.

– Sim, supondo que você sobrevivesse. – ela graciosamente começou a pentear seus cabelos com a ponta dos dedos, demonstrando estar completamente a vontade do lado de Sasuke – Nós seriamos os encarregados de assegurar sua vida, porque se você morrer nós inevitavelmente morreríamos sem a droga, portanto realmente daríamos todo nosso suor pra te manter vivo. Acho que você tem a ganhar com esse acordo, não acha Uchiha?

Sasuke fez um barulho de ironia com a garganta, esticando os braços para frente e colocando-o atrás da cabeça, deitando na areia e olhando o céu alaranjado, procurando a lua nova que provavelmente já estava visível naquele fim de pôr-do-sol. Sasuke não sabia, mas Konan percebera: ao exibir aquela posição relaxada, ele demonstrava que também não a via mais como alguém perigoso e de certa maneira até confiava nela.

– Achei que você não tivesse nada contra Madara... O que mudou?

– As circunstâncias mudaram. Não é como se eu odiasse Madara e quisesse ele morto, longe de mim. Mas, eventualmente, ele vai descobrir meu ato de rebeldia e vai tentar me matar; Pain vai interferir e ser morto também. Quero evitar isso, quero continuar vivendo ao lado de Pain longe daqui. – ela fez uma pequena pausa, respirou fundo e criou coragem para admitir em voz alta – Eu o amo demais pra imaginar que ele morreria por causa de um ato impensado meu.

Sasuke se sentou abruptamente, virando o rosto para encarar a número dois da Akatsuki. Konan evitava seu olhar, ainda observando o mar revolto com uma falsa concentração.

– Você está admitindo que o ama? Você nunca fez isso.

Sasuke sabia, sempre soube que Pain e Konan eram apaixonados um pelo outro. Ainda sim, ouvir a confissão de alguém que há pouquíssimo tempo sequer saberia diferenciar os seus próprios sentimentos era algo incrível para um Akatsuki criado desde bebê naquele ambiente.

Konan respirou fundo e tentou explicar o que sentia para o novato.

– Eu achava que não seria capaz de amar por ter sido criada aqui no QG. Achava que era um sentimento que enfraquecia as pessoas, e que eu era superior a isso; achava que mesmo se desejasse eu não conseguiria amar. – ela narrava tudo aquilo calmamente, como se já tivesse pensado naquela questão muitas vezes – Não é algo tão simples... e em um dado momento eu comecei a me questionar se o que sentia por ele era amor, e fiquei durante algum tempo nesta dúvida. Mas então eu entendi que existe uma prova real, algo que podemos nos perguntar para ter certeza de que o que sentimos é amor.

– E qual seria essa prova real?

– "Seria eu capaz de dar minha vida para manter a vida daquela pessoa?" Se a resposta for "sim", é amor. É por isso que Madara nos faz matar as vítimas das missões sexuais, porque nessas circunstancias as respostas seriam "não". – ela encarou Sasuke com um olhar sereno, apesar de estar falando de situações extremamente trágicas e saber que a chance de vitória naquela guerra não seria muito grande. Provavelmente ela acabaria morrendo por Pain... – Mesmo se eu morresse por Pain, eu morreria muito mais feliz do que morrer de braços cruzados, sem tentar lutar pela nossa vida juntos. E se um dia Madara tentasse matar Pain na minha frente, eu seria capaz de me sacrificar minha vida para salvar a dele.

As missões de iniciação são missões de cunho pessoal. Ele passou essa a você, pois é pessoal, vai te por em xeque e você terá que me matar ao final da missão. Ele fez a mesma coisa comigo na minha iniciação. E sabe o que isso significa Sasuke? [...] Você sabe o que isso significa... [...] Isso significa que Madara sabe, que eu sei, que todos sabem; só basta você admitir. Você me ama Sasuke. [..] Madara quer testar você, ver se você é forte o suficiente para colocar o seu amor de lado e me matar. (4)

Sasuke fechou os olhos com força e engoliu um grito de frustração. Se lembrar das palavras de Itachi naquele momento só podia ser brincadeira... Seu cérebro realmente era defeituoso e traiçoeiro.

– Você acha que conseguiria mesmo matar Itachi, ou preferiria morrer para mantê-lo vivo? Responda essa pergunta e todos os seus problemas de indecisão serão resolvidos.

E você o ama também Sasuke, por que não diz? É só por causa do ego? Por causa da vingança? Do parentesco?

Não... não é só por isso.

Então por quê?

Porque se eu disser, não vai mais ter volta. Eu não vou conseguir mais matá-lo... (5)

Não era só uma questão de falar em voz alta ou guardar no seu interior. Ele sabia que amava Itachi, mas achava que enquanto escondesse esse sentimento de si e dos outros conseguiria matá-lo e realizar sua vingança. Achava, inutilmente, que tudo seria uma questão de interpretação, que esconder uma coisa a tornaria menos real.

Uma mentira dita mil vezes não deveria se tornar uma verdade? Aparentemente, quando o assunto era amor, esse ditado popular não fazia o mínimo sentido...

Konan estava certa. Ele jamais conseguiria matar Itachi. Jamais. Nem se se tornasse o homem mais forte do mundo, não conseguiria. E isso era frustrante, porque apesar de Konan não ver mais o amor como uma fraqueza, ele ainda o via como um ponto fraco.

Perder as pessoas que se ama em sua vida dói. Dói muito. E ele não queria mais sentir essa dor, queria eliminar o amor do seu coração e se sentir protegidos desta fraqueza humana. O que diabos ele poderia fazer para deixar de amar Itachi?

Essa era a única coisa que ele queria responder...

– Eu vou voltar, estou um pouco enjoada. – Konan anunciou, se pondo de pé em um pulo e mantendo o olhar baixo para fitar Sasuke – Meu tempo é curto, você tem um dia para decidir a respeito da minha proposta, me encontre aqui neste mesmo lugar e neste mesmo horário amanhã. Madara está fora, então será bom fazer um planejamento em sua ausência.

– Você fala como se já soubesse que resposta eu vou dar amanhã.

– É porque eu sei, Uchiha. – ela respondeu, virando de costas e caminhando para dentro da mata mais uma vez, não permitindo que o garoto visualizasse o pequeno sorriso de vitoria que brotava em seus lábios.

Era uma questão de tempo, a humanidade estava muito enraizada no coração de Sasuke. Amanhã ele iria ceder e deixar de tentar agir como alguém que não era, como alguém que nunca seria. Ele não é um Akatsuki, ele não é um rato de laboratório. Ele é um humano normal, que amou e foi amado, e por mais traumatizante que suas experiências foram para a sua vida, ele sabia o quão quente e inexplicavelmente grande o amor podia ser, ao ponto de tornar todo o sofrimento anterior algo inofensivo. Ela sabia, pois ela sentia o mesmo. E já havia passado do tempo de ela conseguir viver seu amor na plenitude, nem que fosse para morrer tentando.

E, perdida em sua felicidade momentânea, Konan não percebeu os olhos amarelados de Orochimaru espionando a conversa dos dois, de longe, com um sorriso malicioso.

_ Agora é a minha vez, Madara. – ele murmurou para si próprio, caminhando lentamente até o local onde Sasuke se encontrava, e preparando o discurso que faria a seguir.

Vai ser moleza!

... Continua ...


(1) Hematofobia: medo de sangue.

(2) Referencia ao capítulo 18.

(3) Não sei se vocês sabem, mas água gira no sentido horário se estivermos no hemisfério sul, e no sentido anti-horário se estivermos no hemisfério norte. Eu comprovei essa "lenda" isso quando conheci o hemisfério norte, enchi uma pia com o ralo tampado, destampei e aguardei o efeito. Minha mãe achou que eu era louca, então como o Sasuke tem um pouquinho de mim aqui ele fez a mesma coisa lá no QG, já que ele é meio doidinho mesmo hihihi!

(4) Citação de algumas falas do Itachi do capítulo 31.

(5) Citação de uma conversa mental do Sasuke, também do capítulo 31.

LEITORES DO FFNET: Os três amados leitores que comentaram com palavras de apoio na nota que eu postei e deletei não vão conseguir comentar nesse capítulo (Uchiha Hin, Srta Laila e Tekinha-chan). Porque o ffnet é frescurento! URGH! Comentem nesse capítulo deslogadas meninas, eu respondo por PM normal pra vocês. No próximo capítulo não haverá mais bugs. ^^
Os outros leitores não tem problema algum. =)


Respostas reviews "guest":

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Mayara:

Oi flor!

Eu vou usar esse espaço para responder suas duas reviews, de Haunted e de Satiríase, já que foram duas reviews deslogadas e eu sei que aqui você vai ver a resposta uahauhaua!

Fico feliz em te ver por aqui novamente depois de tanto tempo! Que bom que está gostando do desenvolvimento dos personagens e da fanfic Haunted.

Obrigada pelo elogio as minhas fanfics, eu entendo que não possa ler sempre e que a vida nos cobra outras atividades, mas é sempre bom quando o leitor volta pra nos dar uma palavrinha de apoio. ^^ Nós ficwriters nos sentimos felizes em saber que os leitores tiveram vontade de voltar a ler.

Sobre Satiríase, fico feliz que tenha achado "nose bleed" hahahaha! Sasuke foi terrível, Naruto pior ainda, nem mesmo o Itachi se safou da perversão nessa. Eu quis fazer esse "filminho" antes do lemon em si pros leitores se envolverem com os personagens, pra não ficar aquele pwp puro sem sentido da maioria das threesomes que tem por aí.

Enfim, fico feliz que esteja gostando dos meus trabalhos! Obrigada pela força, pelas palavras de incentivo. Espero que tenha gostado dessa atualização!

Um beijão!