Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: Yay, finalmente estou atualizando Haunted! o/
Caso encontrem algum erro, podem me informar na review que eu vou arrumar! Fico feliz quando vocês me ajudam com os erros, viu? Eu não me sinto mal por isso, pois isso me ajuda a arrumar e deixar a leitura da fanfic mais agradável, então é uma forma de me ajudarem também a melhorar.
Um beijo aos leitores, e vamos lá! Espero que gostem.
HAUNTED
Capítulo XXXIII
Itachi adentrou no consultório improvisado de Kakashi sem nem olhar para trás, automaticamente caminhando para a maca e deitando-se, sem qualquer necessidade de maiores instruções. Ouviu vagamente o seu psicanalista fechar a porta, tomar dois goles do seu copo d'água sempre cheio e se sentar na cadeira principal. Aguardou alguns instantes, mas Kakashi nada fez.
– Vamos Kakashi, – ele exclamou, um pouco mais afobado do que de costume – estamos perdendo tempo aqui!
– Você está muito ansioso Itachi, nem se eu fosse um mágico conseguiria te hipnotizar nessas condições. – o moreno, surpreso pelas palavras, se sentou na maca subitamente, fitando Kakashi no processo – Acho válido uma conversa rápida antes de tentarmos um relaxamento.
Hatake parecia mais calmo agora, até mesmo sereno, apesar de ter praticamente recebido uma pena de morte diante das informações passadas poucos minutos atrás por Karin. Geralmente ele adquiria uma postura mais profissional quando adentravam aquele consultório, mas o Uchiha jamais imaginou que mesmo nessas circunstâncias ele fosse capaz de agir dessa maneira.
– Não temos tempo! – ele o censurou, evidentemente transtornado ao ver em Kakashi a calma que não compartilhava.
Itachi não era o tipo de pessoa que se exaltava com frequência, mas de certo a convivência com Naruto também trazia alguns contras, e ele imaginou que por estar sempre perto do Uzumaki o grisalho também estaria um pouco fora de controle. Contudo, Kakashi se limitou a suspirar pesadamente e levantar de sua cadeira, caminhando até a maca e se pondo frente a frente com seu paciente.
– Eu realmente achava que você precisava tomar um banho pra relaxar e facilitar nossa sessão, mas você preferiu vir pra cá fazendo fantasiado de Carrie (1). Escute o que eu tenho a dizer, não vou perder nem dez minutos explicando isso pra você, são informações novas que adquiri ontem de noite e podem nos ajudar.
Itachi fez uma careta pelo comentário de Kakashi, pois ele sabia muito bem quem era "Carrie", afinal, ele lera todos os livros que existiam na quitinete de Sasuke. Mas optou por fazer um sinal afirmativo com a cabeça, permitindo que Kakashi revelasse as novas informações. Não era como se ele não estivesse curioso.
Ao receber a afirmativa de que poderia continuar, o grisalho relaxou visivelmente e começou seu discurso:
– Como eu havia informado depois que você me revelou toda essa situação de transferência de memórias do Izuna, os estudos científicos de "back ups cerebrais" ocorrem em vários lugares do mundo, sem sucesso, e não são levados muito a sério pela sociedade cientifica. – Ele escolheu aquele momento para alcançar um envelope pardo que trouxera consigo ao hospital naquele dia, tirando de lá um calhamaço de papeis – Até evidenciar a veracidade das suas informações através da hipnose de ontem, eu sinceramente duvidava que a equipe de Madara tivesse conseguido sucesso nessa pesquisa, já que ainda é um grande sonho de toda comunidade científica.
Kakashi folheava os documentos, procurando um particular que trouxera para mostrar à Itachi. Eram impressões novas, pesquisas recentes, que fizera na noite de insônia logo após discutir com Naruto, conversar com Iruka e desistir de contatar o seu loiro fujão pelo celular; dizem que todos os males trazem ao menos um bem, e certamente Kakashi não teria esses dados pesquisados se não tivesse brigado com Naruto.
Finalmente, encontrou o que procurava e entregou o artigo de pouco mais de 20 páginas ao Uchiha. Itachi o agarrou com curiosidade e passou os olhos pelo título.
– As pesquisas sobre "back ups" não atingiram nenhum nível satisfatório de experimentos até então, mas as de "bloqueio de lembranças" sim. É isso que eu acredito que fizeram com determinadas lembranças de Izuna, após serem colocadas, de alguma forma que eu ainda não compreendo, em sua mente.
Ele parou de falar, aguardando que Itachi lesse as informações contidas no artigo. Kakashi sabia que provavelmente o Uchiha não compreenderia a maioria dos termos utilizados ali, mas gostaria de ver se algum nome mencionado na pesquisa traria qualquer tipo de emoção à expressão estóica de Itachi – seria bom saber se, de alguma forma, Madara ou a Akatsuki tiveram contato com algum daqueles cientistas.
– Eu não consigo entender os termos deste documento, mas Sasori eliminou o cientista mencionado na página três há uns três anos. – Itachi folheou um pouco mais o documento – E o cientista mencionado na página sete eu eliminei no ano retrasado.
Kakashi fez um barulho de compreensão no fundo de sua garganta, concluindo que, ao menos parcialmente, sua tese estava correta.
– Ok Itachi, largue esses papeis e olhe pra mim. – o moreno obedeceu e fez o que lhe fora instruído; Hatake parecia bem mais sério do que antes – O que esse artigo faz é um compilado das principais linhas de pesquisas sobre o assunto, dos testes feitos e das drogas utilizadas. Na verdade, os cientistas acreditam que no máximo em três décadas será possível selecionar, com precisão, que memórias gostaríamos de esconder de nossa mente, ou apagar completamente. Eles apostam no uso diferenciado de uma droga que já existe no mercado, o propranolol*.
– Mas Madara-nii... – Kakashi interrompeu qualquer coisa que Itachi fosse falar com uma tosse forçada.
– Só Madara, Itachi. – ele censurou, como se educasse uma criança para não falar palavrões – Controle os impulsos de Izuna.
Itachi não gostava de ser ordenado daquela forma, mas entendia o propósito daquela censura; ele tinha que se esforçar pra conseguir diferenciar de uma vez por todas as duas "pessoas". Respirou fundo, mordeu a língua como se estivesse se castigando, e voltou a falar:
– Madara conseguiu fazer esse tal "back up de memória" há muito tempo.
– Ess da questão: Sim, ele conseguiu e não apenas isso, também conseguiu inserir a memória de outra pessoa em você. – Kakashi concluiu, afirmando positivamente com a cabeça – O que isso significa Itachi?
O Uchiha parou para refletir, tentando compreender a questão ao passar os olhos sobre as informações contidas no artigo e se irritando por não conseguir compreendê-lo como gostaria, tanto pela sua ignorância com relação aos termos científicos, quanto pela piora considerável em sua visão depois da perda da proteína com o sangue derramado naquela madrugada.
– É por isso que Madara não descarta Orochimaru... – comentou despreocupadamente, sabendo que não era aquilo que o outro queria que ele concluísse; era lógico demais.
Kakashi pareceu surpreso e franziu o cenho em questionamento.
– Hum? Que informação é essa Itachi?
Itachi deu de ombros, não achando que fosse dizer algo tão importante assim, mas respondendo a pergunta de qualquer forma.
– Quem realizou minhas sessões foi Orochimaru, a mando de Madara. E acho que se era um experimento tão importante pra ele, ele não deixaria na mão de outra pessoa caso soubesse como realizá-lo. Madara não sabe fazer isso, quem sabe é Orochimaru. É por isso que ele aguenta as audácias frequentes de Orochimaru.
Itachi simplesmente parece não fazer ideia de como essas informações são relevantes. – Kakashi não pode deixar de pensar, sentindo-se ainda mais curioso ao ver as peças se encaixarem aos poucos.
– Orochimaru está na equipe de Madara desde quando? – ele perguntou, um pouco mais afobado do que antes.
– Não me lembro, desde sempre, acredito eu. Nas minhas memórias, ao menos, Orochimaru sempre fez parte da equipe de Madara, desde quando eu era criança.
– Eu acho que Madara sabe extrair a memória, fazer o "back up", mas Orochimaru é quem sabe inseri-la novamente. Eu andei pesquisando tudo que pude sobre Orochimaru, mas não achei nada, provavelmente quando ele começou a trabalhar para Madara eles trataram de limpar todo o histórico da sua vida na internet e dos dados particulares do governo; assim como Madara excluiu tudo sobre sua família e sua pessoa, e demais Akatsukis. – Kakashi recolheu os papeis das mãos de Itachi e os guardou novamente no envelope pardo – Nós precisamos saber se Orochimaru já conhecia Madara enquanto Izuna ainda era vivo nas próximas sessões de hipnose.
Itachi não parecia muito contente com a perspectiva de novamente vivenciar a vida escondida de Izuna, mas Kakashi preferiu ignorar seu desconforto por hora.
– Por quê? – ele perguntou com o tom de voz frio e indecifrável.
– Porque se Izuna morreu sem Madara conhecer Orochimaru, está claro que foi o próprio Madara quem extraiu a memória, e não o Orochimaru. Os dois podem ser gênios em grandes aspectos, mas não conseguem driblar a morte. Com a morte cerebral de Izuna, as memórias estariam perdidas, portanto o processo aconteceu antes disso.
– E que tipo de ajuda isso vai nos dar para encontrarmos o QG?
– Isso não nos dá uma localização do QG, mas nos dá uma dica: as informações científicas que Madara e Orochimaru possuem valem ouro, muito mais do que você pode imaginar. Quem nesse mundo não sofreu dores sentimentais e quer apagar uma recordação ruim? Quem nesse mudo não quer um "atalho" para aprender conhecimentos científicos com mais facilidade, implantando a memória de outra pessoa em si? Alias, indo ainda mais além: quem não quer o poder de ficar imune a doenças, mesmo que tenha que tomar uma droga para não perder seus sentidos?
Itachi sempre soube que seu irmão era um gênio, mas nunca imaginou que suas descobertas fossem tão surreais até começar as missões fora do QG. Ao entrar em contato com a humanidade e ter contato com as enfermidades que assombram a vida de todos os seres humanos, ele compreendeu que a descoberta de Madara era única. Mas apenas recentemente começou a refletir a fundo sobre isso, e agora com a nova demonstração de Kakashi de que as descobertas correlacionadas às memórias também eram igualmente valiosas, Itachi tinha um pouco mais de noção do tamanho da genialidade de seu irmão e ex-amante.
Talvez por causa do parasita ou talvez por saudosismo à época boa do passado, Itachi sentiu uma pontinha de orgulho no meio de todas as demais emoções conflitantes que o assolavam desde aquela madrugada.
Alheio a tudo isso, Kakashi continuava a explicar suas conclusões:
– Madara e Orochimaru poderiam vender essas informações e se tornarem os homens mais ricos do universo, mas continuam trabalhando em um laboratório não muito avançado, pelo que você me diz, e criando cobaias para propósitos de milícias.
Itachi entendeu, finalmente, onde Kakashi queria chegar.
– Você está querendo dizer que há um interessado por trás disso? – ele sabia que não necessitava indagar para ter a certeza disso, mas ainda sim quis compreender se estava tirando as conclusões certas. O grisalho respondeu com um aceno afirmativo de cabeça – Alguém que está bancando para que Madara e Orochimaru não vendam seus conhecimentos científicos?
– Eu temo que há outro alguém por trás disso. Eu não sei se é um governo, ou uma pessoa extremamente rica, mas alguém está financiando Madara e Orochimaru para que eles continuem esse empreendimento. E digo mais: – o mais velho ergueu o envelope pardo, colocando-o no campo de visão de Itachi novamente – Isso daqui prova que boa parte dos trabalhos da Akatsuki se resume em impedir que outras pessoas cheguem ao mesmo conhecimento científico que os dois possuem. Afinal, se mais pessoas souberem a resposta, a descoberta deles não terá valor.
Kakashi jogou os envelopes na mesa e cruzou os braços, exibindo um olhar de quem acabara de resolver um mistério indecifrável. Apesar de estar longe de ter conseguido a solução para todos os problemas, Itachi não podia negar que aquilo era melhor do que tatear no escuro, como estavam fazendo anteriormente.
Faz sentido. – Itachi concluiu, observando o mundo de um jeito diferente. Era como se, finalmente, conseguisse entender um pouco do porquê de todas aquelas missões.
– Você acha que a morte dos pais de Sasuke pode ter uma ligação com isso?
Kakashi ainda achava particularmente gozado como Itachi tratava Mikoto e Fugaku com uma distância tão grande, ao ponto de nunca mencionar que eram também seus pais, ou que fora ele o ceifador de suas almas. Todavia, ele sabia que não seria nada bom intervir no caminhar lento do processo de aceitação de Itachi, e resolveu não entrar no mérito por hora.
– Eu não sei, mas é uma hipótese a se considerar. Talvez os Uchihas tivessem algum envolvimento com as pesquisas... – Itachi abaixou o olhar, mostrando estar incomodado ao falar dos pais. Kakashi decidiu que era o momento certo de dar fim aquele assunto – Tudo que podemos concluir com precisão é que temos um inimigo maior do que Madara e Orochimaru, aquele que comprou o silêncio dos dois. E isso não é muito reconfortante, porque se Madara e Orochimaru já causam esse nível de dor de cabeça, imagine a dificuldade que será lidar com quem detém mais poder do que eles...
Itachi suspirou fundo e passou as mãos sobre os olhos, provavelmente tentando relaxar um pouco a mente. Depois, ficou novamente estático. Encarava Kakashi com um olhar entediado, ou talvez contrariado, era difícil saber.
– Essa era a sua tentativa frustrada de me deixar mais calmo pra hipnose?
Kakashi riu de maneira divertida empurrando o ombro de Itachi para que ele se deitasse novamente na maca. Itachi grunhiu baixinho, mas acabou obedecendo.
– Bom, Naruto costuma dizer que eu não sou uma pessoa muito boa para lidar com situações de crises emocionais alheias, por incrível que pareça.
O Uchiha girou os olhos, cruzando os braços sobre seu peito, tentando se sentir a vontade naquela maca dura e desconfortável.
– Oh, Naruto fala algo que presta de vez em quando, não fazia ideia disso. Agora entendo porque você não seguiu a profissão de psicanalista profissional.
Kakashi riu mais uma vez e não se sentiu ofendido (Itachi estava certo, afinal de contas). Caminhou até o interruptor de luz e diminuiu a intensidade das lâmpadas.
– Apenas relaxe Itachi. Eu sei que dei novas informações e seu cérebro deve estar fervendo, mas acredito que você é capaz de relaxar com facilidade. As respostas de muitas questões estão na sua cabeça... – o psicanalista voltou para perto de Itachi e descruzou seus braços; manter uma postura defensiva não ajudaria em nada o processo de hipnose – Hoje vamos tentar acessar suas memórias, não as de Izuna, para que possamos encontrar logo as temperaturas do QG e informar ao Shikamaru para fazer a parte dele no trato. Assim que tivemos sucesso nisso, vamos nos concentrar em explorar as memórias de Izuna e descobrir um pouco mais sobre a relação de Orochimaru e Madara.
Itachi não respondeu, apenas fechou os olhos e se concentrou em diminuir a velocidade de sua própria respiração, tentando ouvir as palavras suaves de Kakashi na indução à hipnose. Estava mais relaxado do que na sessão passada, tanto por confiar em Hatake quanto por saber que, de certa forma, tiveram sucesso no dia anterior. Era reconfortante tentar algo que ele sabia ser capaz de fazer.
Devido a isso, dentro de poucos minutos Itachi estava hipnotizado.
(***)
Os primeiros raios solares daquela manhã adentraram as frestas das cortinas e incomodavam um adormecido Izuna. Inconscientemente, ele grunhiu baixinho, desejando se esconder da luminosidade que o atingia certeiramente. Virou-se, agarrou um dos travesseiros e voltou a adormecer por alguns instantes.
Acordou novamente com pequenos barulhos e sussurros. Com contragosto, desistiu de vez do mundo dos sonhos. Abriu os olhos e bocejou enquanto se sentava, tentando focalizar quem invadira seu quarto tão cedo aquela manhã; apesar de que, no fundo, Izuna nem precisava abrir os olhos pra saber quais pessoas estariam ali.
Yoshiro, Hideki e Naoki estavam de pé, próximos a sua cama. Os três exibiam as idênticas feições travessas. Izuna não precisou pensar muito para compreender quais eram as intenções de seus irmãos.
– Da próxima vez sejam mais silenciosos. – ele disse, irritado com os seus irmãos e suas manias de pegarem no seu pé a todo o momento. Será que não conseguiria dormir em paz nunca mais em sua vida?
Izuna já estava com quase doze anos e os trigêmeos com dezesseis. Ele achou que a maturidade chegaria mais cedo para os seus irmãos; eles eram os mais velhos, afinal de contas! Mas estava enganando, e pelo andar da carruagem estava fadado lidar com esse tipo de situação até ter idade suficiente para sair de casa e morar com Madara.
Aliás, sentia uma falta de Madara que chegava a doer em seu peito. Já fazia praticamente quatro semanas que não se viam. Se seu pai fosse mais compreensível, ele não teria que esperar tanto tempo pra poder ter um momento com seu irmão mais velho...
Suspirou pesadamente e fechou os olhos cobrindo-os com as mãos e se sentindo extremamente irritado naquela manhã. Maldita sina, três irmãos patetas que pegavam no seu pé todo santo dia, o pai e o irmão mais velho em guerra constante e uma saudade imensurável que o assombrava todos os dias.
– Hein Izuna-chan, – um de seus irmãos falou, o caçula não conseguiu identificar qual pelo tom de voz – Hoje nós vamos ao parque!
O mais novo balançou a cabeça negativamente, abaixando as mãos de seus olhos e encarando seus irmãos de frente, como um adulto, na tentativa de por bom senso na cabeça travessa dos três.
– Não, vocês estavam pensando em rabiscar meu rosto com o marca texto que o Naoki está segurando na mão direita. E eu não acho que isso seja um tipo de convite interessante pra sair com vocês.
Yoshiro e Naoki riam sonoramente; Hideki balançou a mão em um gesto despreocupado e divertido.
– Claro, claro, depois disso né! Temos nossas prioridades: sacanear Izu-chan primeiro, depois vamos para os deveres. Mas pelo jeito falhamos com a primeira missão dessa vez. – Hideki respondeu beliscando seus irmãos para que eles parassem de rir e apreciassem as feições de Izuna.
O caçula sabia que os irmãos faziam travessuras com ele por causa de suas reações, e quanto mais que se controlasse para não se irritar ou agir com indiferença, mais parecia atiçar o lado lúdico dos três. Sendo assim, desistiu de tentar manter a compostura e revelou que estava completamente irritado, cruzando os braços e encarando os irmãos, especialmente Hideki, de forma desafiadora.
– Que espécie de dever é "ir ao parque"? Se bem conheço vocês, só vão pregar peça nas pobres famílias que imaginaram, na sua nobre inocência, que iam ter um momento de paz num domingo pela manhã.
Os três gargalharam sonoramente, aproximando-se do menor e começando a fazer cócegas suaves em sua barriga.
– Ai, eu adoro quando o Izuna-chan fala como se fosse adulto! – Yoshiro exclamou, apertando as bochechas do caçula enquanto este gritava e esperneava para fugir da tortura de seus irmãos – Izuna-chan! Izuna-chan! Izuna-chan!
– Me larga! – Izuna grunhiu, conseguindo se desvencilhar dos seus irmãos e escapar por debaixo das pernas de Hideki, intencionando correr para fora do quarto e se esconder na sala, onde rezava para seu pai estar. Na frente de Tajima, os trigêmeos costumavam se comportar como gente.
– Shi, não foge! – um dos irmãos o chamou, de costas Izuna não conseguia saber qual deles era (visto que suas vozes eram praticamente idênticas).
Izuna sentiu seu pijama ser agarrado pela barra da calça e soube que se desse mais um passo a frente iria cair... ou rasgar a peça de roupa. As duas opções seriam bem constrangedoras, por isso cruzou novamente os braços, expirou pelo nariz, e aguardou.
– Eu odeio vocês. – ele murmurou baixinho, enquanto os trigêmeos os circundavam e voltavam ao seu campo de visão. Nesse meio tempo, Hideki foi até a porta de seu quarto e a trancou, guardando a chave em seu bolso.
Logo voltou ao lado dos outros irmãos, e os três olharam para Izuna com aquela maldita expressão sapeca: eles eram idênticos, diferenciando apenas no corte de cabelo (depois de cansarem da confusão frequente que causavam em todas as pessoas em sua vida, decidiram que seria uma boa ajudarem um pouco na diferenciação). Todos possuíam um olhar infantil e bagunceiro que condizia totalmente com a personalidade que possuíam. Tinham o nariz fino e longo, pele branca, levemente rosada, e sorrisos largos; eram um pouco mais altos do que Izuna, pouca coisa, mas o suficiente para que o tratassem como um bebê. Hideki usava os cabelos negros amarrados em um rabo de cavalo firme e alto, enquanto Yoshiro optara por um corte militar e Naoki deixava as madeixas soltas, à altura dos ombros, levemente desfiadas. Apesar de a convivência ter obrigado Izuna a aprender a diferenciar os irmãos, ele não podia negar que a diferença no corte de cabelo facilitava muito as coisas – Izuna podia jurar que os três possuíam o mesmo timbre de voz, o que era praticamente impossível, mesmo sendo gêmeos.
Claro, ele amava seus irmãos, muito... Mas tinha que confessar: não via a hora que os três arranjassem namoradas e sumissem de casa de tempos em tempos.
– Que isso Otouto, não era você que queria desesperadamente uma chance de encontrar Madara-nii? A gente ta aqui te dando um presente e você nos agradece desse jeito? – Naoki fez uma expressão de ofendido, limpando falsas lágrimas invisíveis – Isso parte meu coração...
– Madara? – Izuna nem se preocupou em tentar esconder o tom de voz empolgado, abrindo um sorriso radiante no mesmo instante e encarando seus irmãos com olhos brilhantes de emoção – Madara-nii? Ele vai estar lá!?
– E alguma vez na vida a gente mentiu pra você maninho? Não responda. – Yoshiro levou sua mão novamente para a barra da calça do pijama do mais novo, puxando o elástico e soltando-o com força contra a pele branca do caçula, fazendo-o gemer de irritação e causando risadinhas baixas nos outros irmãos – Vai se vestir!
Izuna queria brigar com os três por o tratarem dessa forma, ele não entendia como eles podiam ser tão idiotas! Mas concluíra em conversas com seus colegas na escola que isso era um comportamento natural entre os irmãos mais velhos e mais novos. Contudo, isso não acontecia com Madara, não senhor.
Madara o tratava como igual, um adulto! Ele era o único que compreendia o quão... diferente... do resto do mundo ele era.
Optando por deixar a briga pra mais tarde, Izuna rapidamente arrancou suas roupas e se trocou, ignorando a presença dos irmãos durante todo o processo. Enquanto escolhia que calça jeans vestir, os trigêmeos vasculhavam seu quarto atrás de algo interessante para fazer. Izuna ouviu, sem muito prestar atenção, a empolgação dos três ao acharem seu mais novo quadrinho, e teve a certeza de que nunca mais veria aquela revistinha novamente.
Tsk, não era como se fosse o fim do mundo, já fazia tempo que não se importava mais com aquelas histórias manjadas e repetitivas de super-heróis. Ainda sim, a prova de sua ausência total de propriedade sobre os seus objetos só o fazia concluir uma coisa: era um saco ter irmãos mais velhos... uma verdadeira porcaria!
Agora vestido e praticamente pronto pra sair, chegou próximo dos irmãos e pegou a chave no bolso de Hideki sem que ele percebesse (aposte na DC Comics para manter um garoto de 16 anos totalmente concentrado). Izuna abriu a porta, foi até o banheiro, escovou os dentes o mais rápido que conseguiu e, logo em seguida, já voltava para o quarto e puxava a gola do moletom de seus irmãos.
– Vamos logoooo...! – ele implorava com impaciência, tentando trazer a atenção dos três de volta para si. Naoki foi o primeiro a lhe dar ouvidos, e depois de muita insistência, chacotas e maldade fraternal, os quatro saíram juntos da casa onde moravam, se despedindo do pai (a figura estoica e controladora, sempre sentada na cadeira de balanço da sala com o seu jornal matinal aberto no caderno esportivo) com um aceno comedido de cabeça.
Izuna estava radiante, caminhando a frente dos irmãos com uma empolgação praticamente palpável. Tajima não costumava deixar que ele saísse sem companhia, pois tinha um receio grande de que Madara pudesse levá-lo para longe de si. Na verdade não era uma preocupação desmedida, visto que Madara e Izuna planejavam esse dia com ansiedade, mas o primogênito não seria besta de tentar tirar Izuna do convívio com o pai antes de ele atingir a maioridade.
Não era como se Izuna não amasse seu pai, muito pelo contrário, ele gostava de Tajima e o admirava como progenitor. Mas os dois constantemente discutiam por causa de Madara, e apesar de Tajima nunca mais ter levantado a mão para os dois filhos como fizera quando Izuna ainda tinha quatro anos, aquele assunto se tornou um verdadeiro carma e tabu na relação dos três.
Apesar dos problemas emocionais com o pai, Madara se mostrou um verdadeiro gênio estudantil e, com dezessete anos, já era formado em química pela principal universidade do país. Com sua colação de grau, Madara adquiriu o status de "emancipado" e pode gozar da maioria dos direitos da vida civil antes mesmo de completar dezoito anos. Sendo assim, Tajima perdeu a grande voz de comando que tinha para com Madara, e ele logo conseguiu dinheiro o suficiente para se manter, apesar de ter sofrido dificuldades financeiras e emocionais com a morte de sua mãe e ter precisado morar alguns meses de favor na casa de tios maternos. Aliás, a família materna de Madara parecia ser um mistério eterno para Izuna e os trigêmeos...
De qualquer forma, Izuna nunca teve dúvidas que Madara teria uma carreira de sucesso. Desde o primeiro ano na faculdade, a maioria das empresas desejava o serviço do jovem gênio, de modo que Madara recebeu a educação de vários cursos pagos por essas empresas durante toda a vida acadêmica. Era impressionante o conhecimento cientifico e técnico que um garoto, agora com dezoito anos, tinha: superava, de longe, a grande maioria do mercado de trabalho de sua área no mundo – e Izuna não estava exagerando por conta de sua admiração.
Ainda sim, Tajima agia como se seu filho primogênito estivesse escolhido o pior curso, não compreendendo porque um adolescente com aquele intelecto não optara por cursar medicina. Eles tiveram muitas brigas na época da escolha do curso, mas Madara foi irredutível em sua escolha (afina, não era como se precisasse pagar sua faculdade). Tajima afirmava para quem quisesse ouvir que a profissão escolhida pelo filho não traria sucesso financeiro nem tampouco estabilidade profissional, acreditando que o interesse particular do seu filho mais velho fosse viver às custas do pai pelo resto da vida.
Durante o curso, Tajima continuou a ignorar o sucesso do filho; o pai ainda o tratava como um irresponsável, um "bastardo que só se interessava pela herança e não em trabalhar duro; ele deixou de fazer medicina por preguiça!". Izuna nem tinha mais certeza se seu pai acreditava nos absurdos que falava, ou apenas continuava falando por causa do seu jeito ranzinza e teimoso de ser.
Foram anos difíceis, Izuna se recordava bem. Pelo menos, assim como na escola, Madara se formou logo: em dois anos já havia completado todas as disciplinas do curso, se transformando no jovem mais novo a se formar em sua universidade. Atualmente, Madara estava empregado em uma multinacional famosa no ramo farmacêutico e vivia com uma boa estabilidade financeira.
Mesmo assim, Tajima nunca dera o braço a torcer, mas ao menos as brigas com o seu primogênito não eram mais frequentes como antigamente, o que não quer dizer que a relação entre eles estivesse boa – apenas aceitável. Os irmãos Uchiha ainda precisavam esconder do pai quando iam se encontrar com Madara para não ouvirem muito desaforos, e era exatamente isso que faziam naquele momento.
Izuna foi o primeiro a visualizar Madara, e não pode deixar de sentir seu coração bater mais forte e acelerado quando seu Nii-san abriu um sorriso radiante. Madara estava vestido com roupas leves, o cabelo preso de maneira despojada em suas costas, e um sorriso radiante e jovial nos lábios. Ele parecia feliz, muito feliz, e Izuna se sentiu triplamente satisfeito ao constatar isso.
Ainda sim, tinha uma reputação a zelar perante os trigêmeos e não queria dar motivos para ser chamado de "bebezinho da família" mais uma vez: enquanto Yoshiro, Hideki e Naoki corriam em direção a Madara e o abraçavam com entusiasmo, Izuna se aproximou de maneira comedida, segurando suas mãos à frente do corpo e aguardando que a atenção fosse direcionada a ele no momento oportuno.
– E ai Nii-san! Como está essa vida de adulto? – Hideki questionou, dando um soquinho de brincadeira no ombro de Madara e ganhando um afago nos cabelos em retorno.
– Ah que pergunta idiota, deve estar perfeita como tudo que Madara faz, não é? – Yoshiro respondeu o questionamento que não fora direcionado a ele, mas antes que Hideki ou Madara pudessem falar qualquer coisa, Naoki se jogou entre os irmãos, apoiando-se em seus ombros e quase derrubando Yoshiro.
– Madara-nii! Trouxe presentes, não trouxe? Hein, hein? – Naoki falava com entusiasmo, iniciando uma briga de brincadeira com o irmão mais velho, até que Madara se deu por vencido e, se desvencilhando das "garras" dos trigêmeos, conseguiu espaço o suficiente para tirar de seu bolso uma sacola de papelão de tamanho mediano; pelo barulho, aparentemente recheada de alguma coisa que se assemelhava a moedas.
– Credo, vocês nem me deixam dar "oi" e já estão pedindo coisas. – Madara censurou os mais novos com um ar divertido, admirando as feições empolgadas que os três fizeram ao ver o conteúdo do presente. Não era como se ele não esperasse aquele tipo de recepção; os seus irmãos do meio costumavam agir daquela forma sempre que o viam.
Ele os mimava com esses presentinhos... Mas fazer o quê? Alguém tinha que mimar aquelas crianças, oras!
– De verdade!? Mesmo? – Os três perguntaram em conjunto, ganhando um aceno afirmativo de Madara.
Entusiasmados, os três correram em direção ao caminho de onde vieram, gritando elogios e palavras de "você é o melhor irmão do mundo" enquanto aceleravam cada vez mais a velocidade da corrida.
Izuna, pego de surpresa pela reação dos irmãos, sentiu seu rosto corar quando Madara direcionou a atenção exclusiva para ele; como de costume, Madara sorriu e esticou a mão para cumprimentá-lo.
Madara não costumava dar presentes a Izuna, porque coisas materiais não agradavam o irmão caçula. Mas Izuna, no auge de sua admiração platônica, considerava que ele sempre recebia o melhor presente do seu irmão mais velho: a sua presença.
Ainda envergonhado, Izuna estendeu tomou a mão do irmão mais velho à sua e, assim que Madara a agarrou ele foi puxado de encontro ao seu peito, sendo abraçado com força e ternura. Inevitavelmente deixou seus olhos fecharem e se perdeu em meio à sensação de prazer que era ter o calor da pessoa que mais amava ao seu redor.
Sentia tanta falta de Madara, que ficar assim com ele era como voltar a respirar depois de vários minutos debaixo d'água. Um dia ele morreria de saudades, se essa coisa de demorar semanas para ver o irmão se tornasse um hábito.
Como queria fazer dezoito anos logo, morar com Madara e vê-lo todos os dias...
– Bom dia Izuna. – Madara murmurou baixinho, deixando de lado o "chan" que os outros irmãos geralmente usavam para se dirigir a ele. Era esse um dos motivos de Izuna gostar tanto de Madara: ele o tratava com maturidade, sem apelidinhos infantis e bobeirinhas do gênero.
– Bom dia Nii-san. – Izuna respondeu, ganhando um beijo na testa de cumprimento e sentindo o mais velho se afastar dele para olhar em seus olhos – O que você deu pra eles?
– Fichas de fliperama, umas cem delas, eles ficarão entretidos por pelo menos duas horas. Depois eu vou ao Arcade na esquina de baixo pegá-los pra almoçarmos juntos. – Madara se explicou, começando a caminhar na ciclovia do parque enquanto chamava Izuna com um aceno breve. Mais do que rapidamente, Izuna acelerou o passo para segui-lo – Você quer ir brincar com eles? Se quiser, eu tenho mais fichas.
– Até parece né Aniki... – Izuna respondeu, fazendo um biquinho contrariado e arrancando uma risada de Madara.
– Bom, vai que um milagre aconteceu na minha ausência.
Madara não falou nada além disso, mas Izuna sabia o que ele queria dizer. De certa forma, seu Aniki amado sabia que ele possuía um intelecto diferenciado, e muito provavelmente teria a mesma evolução escolar e maturidade que o mais velho um dia tivera. Os irmãos Yoshiro, Hideki e Naoki não eram anormais, se portavam como crianças da sua idade, apenas isso, enquanto Madara e Izuna sempre tiveram uma maturidade muito maior do que o esperado para a sua idade.
Mas o mais velho achava que isso não era uma coisa boa. Acreditava ser um fardo, e por isso desejava, de todo coração, que Izuna tivesse um intelecto normal. Implorava aos céus (o que era apenas uma expressão, visto que Madara era um ateu convicto) que Izuna jamais precisasse se sentir tão afastado do restante do mundo, como ele se sentia. Desejava, por mais egoísta que essa afirmação pudesse soar, que ele fosse o único gênio Uchiha. Ele sabia, no entanto, que seus desejos eram quase impossíveis de se realizar.
Era por isso que denominava uma suposta vontade de Izuna de brincar como um "Milagre". Seria um milagre, Madara até se converteria caso isso ocorresse. Se isso ocorresse, Izuna seria poupado de muita dor; Madara tinha certeza disso.
Izuna entendia a forma de pensar do irmão; no fundo, ele também gostaria de ser uma criança normal... Mas como não era, gostaria de ser tratado como a pessoa diferenciada que era, e não como um "bebê grande".
Caminharam em silêncio até chegarem á um banco de madeira recém-pintado que ficava logo abaixo da sombra de um grande carvalho, um pouco isolado das demais pessoas presentes no parque. Madara se sentou e Izuna repetiu seu gesto, se aconchegando ao seu lado sem jamais desgrudar os olhos de seu eterno ídolo.
Um pouco distraído, Madara tirou do bolso de sua camisa um maço de cigarros, levou um até os lábios, ascendendo-o rapidamente com um isqueiro bic. Izuna apreciou a cena com fascinação, verdadeiramente intrigado pelo que via. Ele não sabia, nem desconfiava que Madara fosse fumante. Mas ao mesmo tempo em que a revelação o deixou preocupado, ele não pode deixar de se sentir levemente curioso e admirado ao ver a fumaça cinza sair da ponta da cigarrilha.
– Desde quando você fuma?
Madara, percebendo pela primeira vez que estava fumando na frente de Izuna (aparentemente toda a movimentação de antes parecia um impulso rotineiro), tragou fundo o seu cigarro e deu de ombros, expelindo a fumaça de uma vez só antes de voltar a encarar o seu irmãozinho.
– Faz uns três anos. Ajuda a aliviar o estresse.
– Eu ouvi algumas pessoas dizerem que isso faz mal a saúde. – Izuna comentou, mordendo o lábio ao ver a forma como Madara segurava o cigarro apenas entre o seu lábio superior e inferior, tragando distraidamente enquanto dava aquele sorriso torto que era sua marca registrada, apreciando a vista como se não fizesse nada além do natural.
Izuna podia não entender muito sobre coisas artísticas ou sentimentos, mas achava que se alguém pintasse Madara naquela posição, naquele momento, sentado daquela forma e fumando com aquela peculiaridade, teria em mãos uma das mais belas obras-de-arte do universo. E, talvez por egoísmo, ele não desejou mais que seu irmão deixasse de fumar.
– Não há comprovação cientifica, Otouto. – Madara o espiou pelo canto do olho, se sentindo reconfortado por Izuna se preocupar com sua saúde, apesar de não achar que estivesse prejudicando-a de qualquer forma (3) – Eu prometo que se provarem que faz mal, eu paro.
Izuna girou os olhos.
– Você e a sua "ciência"... – ele resmungou, se aproximando de Madara e sentindo o cheiro de canela que o cigarro expelia. Realmente, não parecia tão ruim assim – Se não faz mal, posso provar?
– Não. Você é criança. Isso é coisa de adulto.
– Agora me trata como criança é? – Izuna apertou os olhos, demonstrando não estar gostando nada do comportamento de Madara – Eu não sou uma criança 'aqui' Nii-san – ele apontou para a própria cabeça.
– Não se engane, conhecimento não é sinônimo de experiência de vida. Você ainda é uma criança, Otouto. – Madara respondeu com simplicidade, levando os dedos até o cigarro preso em seus lábios e colocando-o ao lado do corpo, dando um tapinha de leve no filtro para desprender as cinzas da ponta.
Por fim, Madara olhou para Izuna, identificando a maneira como ele estava irritado (ao ponto de até fechar os olhos com braveza) e decidindo que não necessitaria fumar mais hoje para aliviar o seu estresse: jogou o cigarro na grama, pisou na ponta para apagar a brasa, e virou-se novamente para seu irmãozinho.
– ANIKI! Pare com isso! Eu não...!
Mas então Izuna teve seu protesto subitamente interrompido por uma sensação suave e desconhecida em seus lábios. Sentiu duas mãos agarrarem seus ombros com firmeza e a sensação nos seus lábios se tornou mais forte. Izuna abriu os olhos apenas para confirmar suas suspeitas, porque não acreditava que aquilo podia estar acontecendo. Mas não havia mais dúvidas: Madara o beijava, de verdade, na boca!
A confusão de sentimentos no menino mais novo foi tão grande que, por um instante, ele agarrou a gola da camisa de Madara e o puxou para mais próximo de seu corpo. Mas assim que o outro interpretou aquele gesto como um convite para algo mais intenso e apertou levemente os lábios para aprofundar o beijo, Izuna se deu conta da loucura que fazia. Instintivamente, empurrou seu irmão o mais longe de si que conseguiu, praticamente caindo do banco com a força que utilizara.
E depois de alguns segundos de choque, se deu conta de que respirava ofegante, e tentou entender o que diabos acontecera ali...
– Ma-madara-nii, por que fez isso? – ele questionou com a voz baixa, levando as mãos nos lábios na esperança de, agindo assim, dar algum sentido para o beijo que ocorrera. Ainda sentia o leve gosto de canela e tabaco em seus lábios mesmo sem o aprofundamento do beijo, e sua boca inteira formigava, ansiando por sentir aquela maciez novamente.
Será que ele descobriu? – Izuna pensava, aos poucos entrando em desespero. Será que Madara descobriu um de seus maiores segredos e o estava testando?
Claro, Izuna ainda tinha doze anos, mas não era estúpido de achar que o que sentia pelo seu irmão mais velho era apenas uma atração fraternal. Izuna sonhava com Madara desde que começara a atingir a puberdade; sentia falta de seu cheiro, de seu toque, e agora tinha certeza que morreria de saudades de seu gosto. Ele sabia que era errado, imoral, tanto pelos dois terem o mesmo sexo quanto por serem irmãos; mas enquanto esses sentimentos estivessem escondidos, não teria problema algum, não é mesmo?
Só que ele nunca, nunca mesmo, imaginou que um dia Madara descobriria ou que, pior ainda, fizesse algo do tipo! Só podia ser uma espécie de castigo! Por qual outro motivo seu irmão o beijaria daquela forma?!
– Eu só estou te provando como você não é um "adulto" ainda, muito menos um adolescente, como afirma ser. – Madara respondeu despreocupadamente, puxando Izuna para próximo de si mais uma vez e, desta vez, o colocando-o sentado em seu colo, de frente para si e com as pernas ao redor de sua cintura, fitando seus olhos de maneira penetrante.
Izuna estava tão petrificado em ser manuseado daquela forma que só conseguia tremer da cabeça aos pés. Olhava para Madara como se visse um fantasma, temendo pelo pior. Madara iria castigá-lo, iria dizer que esse tipo de comportamento não era admissível, que era uma paixonite infantil ridícula e incestuosa, e romperia os planos de morarem juntos. Madara iria deixá-lo!
– A-aniki... por favor... – ele tentou implorar, mas sua voz soou tão fraca que ele mal conseguiu escutar a si próprio.
Entretanto, Madara não pareceu lhe dar ouvidos. Ainda o mantendo firmemente em seu colo, ele se aproximou de seu rosto mais uma vez, quase encostando em seu nariz. Izuna começou a ficar preocupado com possíveis expectadores, mas o mais velho não parecia dar a mínima para isso.
– Se você fosse um adulto Izuna, você não iria interromper o beijo.
O mais velho levou as mãos para as costas do caçula, puxando-o para mais perto, o fazendo se sentar em sua virilidade desperta. Izuna prendeu a respiração e arregalou ainda mais o olhar, tremendo tanto que seus dentes chegavam a bater de leve. Seu coração batia forte demais e ele sentia muitas emoções que não sabia definir, mas uma coisa era certa: ele não queria, de jeito nenhum, sair do colo de Madara.
Podia ser alucinação sua, mas Madara parecia gostar daquilo... Seria possível que a sorte estivesse do seu lado?
De qualquer forma, Izuna definitivamente estava gostando. Ele nunca vira o rosto de seu irmão tão de perto, e não pode deixar de se sentir mesmerizado com os detalhes. Naquela posição, conseguiria contar cada cílio, cada sarda, cada marquinha de expressão. Izuna estava tão apaixonado que tinha dificuldade até para respirar, mas ainda sim o instinto falou mais forte: antes que compreendesse o que seu corpo fazia, Izuna se moveu timidamente sobre a ereção recém-desperta de Madara, e observou com admiração a maneira como este mordeu o lábio inferior em deleite e fechou os olhos com força.
– Não Izuna... – ele sibilou, abrindo os olhos e agarrando o quadril do caçula, o impedindo de se mover – Não faça isso. Não agora.
Izuna estava confuso. Seu irmão parecia querer aquele tipo de contato, mas ao mesmo tempo o impedia. Era porque estavam em público? Ou realmente estava tentando castigá-lo e ele acabou deixando seus instintos tomarem conta da racionalidade e interpretou errado os sinais?
– Por que você está fazendo isso comigo Madara? – ele não usou os apelidos corriqueiros, falando o nome de seu ídolo com uma seriedade que fez o mais velho se arrepiar por completo.
Céus, como ele queria que Izuna crescesse logo... Era tão errado ter desejos por uma criança, mesmo que o cérebro de Izuna não fosse nada infantil.
– Se você fosse realmente adulto Izuna, entenderia o que eu estou sentindo. – dito isso, Madara ergueu o mais novo com facilidade, colocando-o de pé no chão e se levantou. Olhou rapidamente os arredores, constatando que ninguém vira seu momento de descontrole com certo alívio.
Precisava dar um jeito nos seus hormônios. Izuna ainda nem tinha doze anos! Ele sabia que o garoto eventualmente seria seu amante, ele sempre soube. Izuna e ele eram iguais, e os iguais acabam juntos, não acabam? Na mente incestuosa e distorcida de Madara, não havia um meio termo, nem outra possibilidade. Izuna seria seu, já era seu; só precisava amadurecer um pouquinho mais para ele tomá-lo para si.
– Vamos tomar um sorvete enquanto Hideki, Naoki e Yoshiro brincam nas máquinas. – ele anunciou, iniciando uma conversa despreocupada.
Izuna ficou para trás, olhando as costas do seu irmão enquanto ele se afastava lentamente de si, tentando colocar seus neurônios no lugar. Depois de dez segundos, compreendeu que não podia deixar as coisas daquela forma. Estava ocorrendo um mal entendido! Madara não entendia que ele também ansiava seu toque, da mesma maneira!
Madara tinha que ouvi-lo!
Por isso, Izuna correu em sua direção, agarrando sua mão com força, puxando-o para olhar para baixo. Madara não parou de caminhar nem de fitar o horizonte.
– Nii-san, eu entendo você! Eu também... eu...
(***)
Itachi foi trazido de volta à realidade por um barulho, acordando sobressaltado. Quase caiu da maca, mas Kakashi o segurou e tampou seus olhos, sussurrando baixinho para que ele respirasse fundo e se acalmasse, explicando que estava despertando de um transe.
Ele ainda conseguia sentir o gosto de Madara em seus lábios e todos os demais sentimentos conflitantes de Izuna, e precisou respirar profundamente algumas vezes para recobrar sua compostura e entender que acabava de despertar de uma hipnose. Sentia lágrimas se formarem em seus olhos, saudades de Madara, ódio de seja lá quem o despertara daquele sonho maravilhoso.
Mas aos poucos as coisas foram clareando em sua mente: ele se lembrou de quem realmente era, de Sasuke, da verdade sobre Madara. A saudade ainda permanecia ardendo como chama em seu peito, mas a racionalidade o fazia voltar a criar coesão em seus pensamentos. Decidindo que de nada adiantaria pensar como Izuna naquele instante, Itachi voltou a prestar atenção nos ruídos do ambiente real, percebendo pelo tom de voz de Kakashi que ele não estava muito feliz com alguma coisa.
– Você sabe a quantidade de problemas que uma interrupção dessa natureza pode gerar ao paciente!? – ele falava em voz alta para alguém. Itachi levou sua mão esquerda ao braço de Kakashi, puxando-o para que deixasse de cobrir seus olhos.
– Eu não sei, não sou da área, não interessa! Eu tenho boas informações!
Ainda um pouco tonto, Itachi sentou-se na cama e finalmente se deu conta da nova companhia do ambiente. Se tratava de um Shikamaru extremamente... empolgado? O que diabos acontecera durante sua hipnose pra Shikamaru agir dessa forma? Ele geralmente era a personificação do tédio!
– Itachi, o que houve com você? – Shikamaru questionou, provavelmente se referindo a quantidade de sangue que ainda estava evidente sobre o corpo do Uchiha e as lágrimas em seus olhos.
Itachi piscou algumas vezes na tentativa de limpar seus olhos das lágrimas e conseguir focalizar melhor o ambiente; chegou a perceber que Shikamaru trouxera uma mochila consigo e a depositara no chão ao lado de seus pés, mas antes que pudesse tomar mais detalhes do local, Kakashi apareceu em seu campo de visão, fitando-o com cuidado.
– Você está bem? – ele perguntou, um pouco preocupado. Itachi balançou a cabeça afirmativamente e levou a mãos aos olhos – Dessa vez você não narrou... Consegue se lembrar do que vivenciou na hipnose?
– Sim. – ele respondeu com a voz rouca, pigarreando e tentando recobrar a compostura o mais rápido possível – Nada de útil pra nossa investigação. Me recordei de momentos afetivos entre Izuna e Madara... Não é importante agora, veja o que Shikamaru tem a dizer.
Itachi sabia que deveria conversar sobre as lembranças de Izuna com Kakashi, apesar de se sentir um completo inútil por ter recordado daquilo ao invés de se lembrar das temperaturas do QG. Qual era o problema dele? Por que não conseguia acessar suas memórias passadas, apenas as de Izuna?
De qualquer forma, ele compreendia que naquele instante isso não era importante. Se Shikamaru estava ali naquele momento, deveria ter um bom motivo para sua interrupção – não era como se ele não pudesse discutir a respeito disso daqui um tempo. Por isso, permaneceu quieto e, tal qual Kakashi, aguardou as palavras de Shikamaru com ansiedade.
O militar sorriu tão radiante que Itachi chegou a se perguntar se não estava delirando devido a efeitos pós-hipnóticos. Shikamaru até o fazia se lembrar de Naruto ao sorrir daquela forma.
– Miya nasceu! E ela é linda, graças a Deus puxou a mãe! – ele anunciou com um orgulho tão palpável que Kakashi desistiu de censurá-lo por atrapalhar a sessão. Shikamaru sorriu para Itachi, ainda mais largamente do que antes – Temari quer que você vá conhecê-la.
Itachi corou um pouco, não acreditando que Temari realmente pedira isso a Shikamaru. Era bem verdade que os dois se aproximaram um pouco nos últimos meses, e talvez pela sua curiosidade sobre a gestação feminina, Temari acabava achando engraçadas suas perguntas, ou considerando que ele estava interessado com seu bem estar – o que não era, de fato, uma mentira. Mas ela requisitar sua presença para ver a recém-nascida era algo que ele acreditava ir além da relação que os dois possuíam.
– Hum... ok... – ele não negou o pedido, colocando o pé para fora da cama e intencionando ir até o berçário. Itachi podia não admitir em voz alta, mas esperava ansioso para o nascimento da pequena Miya; ele nunca vira um bebê de perto, afinal de contas.
– Não, não agora. Temari dormiu depois de tanto esforço e Miya foi levada pelos médicos pros cuidados iniciais. Você acha que eu estaria aqui se estivesse com minhas garotas acordadas? – ainda empolgado, Shikamaru buscou a cadeira de Kakashi e se sentou, sem cerimônia alguma, ignorando o censurar do olhar do grisalho – Acho que ver Miya me inspirou de tal forma que eu consegui chegar a uma conclusão útil pra o nosso problema de localização do QG. Eu, sinceramente, estou decepcionado por não termos pensado nisso antes.
– O que quer dizer? Ainda não temos as temperaturas, como você solucionou esse problema? – Kakashi questionou de maneira duvidosa, não acreditando que Shikamaru pudesse ter pensado em uma solução milagrosa de uma hora pra outra.
– Não é isso. O que quero dizer é que agora eu imagino mais ou menos onde está o QG, baseado em informações que você, Hatake, me disse ontem de tarde.
– ... Eu?
Shikamaru se colocou de pé em um pulo, caminhando até Itachi e agarrando seus ombros, fazendo com que o Uchiha ascendesse o avermelhar de seus olhos por instinto. O moreno, todavia, não se sentiu acuado com a ameaça.
– Você fuma, não fuma, Bloody Mary (2)?
– Bloody Mary é como vai ficar a sua cara se não me soltar nesse instante. – Itachi ameaçou. Não é que tivesse algum tipo de desavença com Shikamaru, mas não gostava muito do fato de ele não se dar muito bem com Sasuke, e certamente não tinha intimidade o suficiente para aquele tipo de contato. Shikamaru, apesar de não parecer desanimado com a animosidade, o soltou – Sim, eu fumo. O que tem?
– E você dizia que era um cigarro de canela e que Madara riscava o nome do cigarro, não é mesmo?
– Mas que diabos Shikamaru... é, é isso, é um cigarro de canela que Madara riscava o... – Itachi se calou, parecendo entender o porquê daquelas perguntas - ... Oh.
– Não estou entendendo o que está acontecendo aqui. – Kakashi comentou perdido, olhando ora para Itachi, ora para Shikamaru; os quais agora trocavam olhares de compreensão e esperança.
– É simples Kakashi, mais simples do que a gente imaginava. – ele girou a cabeça para olhar Hatake de frente enquanto se explicava – Madara escondia a marca de cigarro que dava a Itachi, e que provavelmente era a marca favorita de Izuna e até mesmo dele. Não teria problema em mostrar a marca do cigarro se fosse algo comercializado mundialmente, pois isso não poderia ser usado como pista. Mas ele riscou, ele escondeu, ele deu ração à vida toda para os Akatsukis para não dar comida regional e indicar indícios da localização do local onde se encontravam.
Shikamaru levou a mão ao bolso de sua jaqueta, procurando por algo enquanto continuava sua explicação.
– Madara fez de tudo pra esconder a localização do QG, se preocupando com coisas simples que poderiam nos levar até lá... Só que seu desespero para esconder essas coisas pode trazer o interesse de alguns curiosos. No caso, meu interesse.
Kakashi fez um barulho de contemplação com a garganta.
– Então você acha que se descobrirmos a marca de cigarro que o Itachi fumava, nós vamos descobrir em que país o QG está? – Kakashi suspirou pesadamente, sentindo-se um pouco entristecido por Shikamaru ter pensado num plano falho – Isso não significaria nada, Madara pode importar.
– Sim, ele pode, mas vamos resolver um problema de cada vez. – Shikamaru tirou um pequeno maço vermelho do bolso, retirando de lá um cigarro e entregando para Itachi, que automaticamente levou aos lábios, reconhecendo o cheiro por ele tão conhecido e almejado. Shikamaru pegou seu isqueiro zippo do bolso, o ascendeu e levou a chama à ponta do cigarro de Itachi, que tragou fundo assim que a brasa se firmou – E aí Uchiha, qual seu veredito?
Itachi gemeu de um jeito que Kakashi sentiu suas bochechas corarem. Ele realmente devia estar sentindo falta daquele cigarro...
– É esse. – ele respondeu, antes de expirar rapidamente e tragar mais uma vez como se sua vida dependesse disso.
Kakashi, dando um momento de privacidade para Itachi e seu cigarro (ele jamais pensou que alguém fosse capaz de fumar tão obscenamente!), virou-se para Shikamaru com mil perguntas na ponta da língua; mas o mais novo parecia ler sua mente.
– É um Gudang Garam... – Shikamaru respondeu simplesmente, dando de ombros.
– Não pode ser, eu dei um Gudang Garam e ele jurou que não era! – Kakashi respondeu com irritação – Com certeza não fumou aquela droga como uma atriz pornô!
– ... da Indonésia. – o mais novo completou sua afirmação, ignorando a interrupção de Kakashi por completo.
Itachi até parou de tragar naquele instante, voltando à atenção para Shikamaru com olhares curiosos, ignorando completamente as palavras de Kakashi em nome da sua curiosidade.
– Como...?
– O Gudang Garam fabricado no nosso país tem uma composição menos invasiva que o original da Indonésia, e ainda sim foi proibido. – Kakashi e Itachi prestavam atenção nas palavras de Shikamaru, e este, por sua vez, parecia ainda mais encorajado a se explicar – Eu era fumante antes de me casar com Temari, parei por causa dela. No dia da nossa cerimônia, no entanto, nós estávamos na Austrália, e eu me lembrei das palavras do meu comandante, o Capitão Asuma, pouco antes do seu casamento.
Shikamaru estava pensativo, olhando para cima ao tentar recordar das palavras exatas de seu comandante.
– Ele disse: "Compre uma carteira de cigarros e só fume nos momentos importantes do casamento, independente de serem bons ou ruins. Se a carteira de cigarros chegar ao fim antes de um divórcio, significa que, mesmo com os momentos ruins, foi um casamento cheio de emoções, digno de ser vivido e, provavelmente, digno de uma nova carteira. Se a carteira não chegar ao fim antes do final do casamento, significa que não houveram emoções o suficiente para transformarem aquela relação em algo digno de ser vivido; peça divórcio e encontre alguém digno de uma nova carteira."
– Que filosofia de vida minimalista e simplista. Como se um casamento pudesse ser comparado a isso. Pra mim parece uma desculpa besta pra fumar. – Kakashi respondeu, sorrindo um pouco com a filosofia infantil que acabara de ouvir. Jamais achou que Shikamaru fosse alguém que seguisse essas tradições bestas.
– Ouvi dizer uma vez que as pessoas mais simples são as que não complicam tanto a arte de viver. – Itachi complementou, dando mais um trago no seu cigarro e, em seguida, olhando para o objeto com devoção – E desculpa pra fumar nunca é algo ruim.
Shikamaru deu de ombros e bocejou; Itachi finalmente se sentiu familiar com Shikamaru ao vê-lo agir daquela forma, e continuou a fumar seu cigarro despreocupadamente.
– Como podem imaginar, eu comprei a carteira de Gundang da Indonésia na Austrália, visto que são países vizinhos e a importação é fácil lá. Eu trouxe a carteira hoje, acredito que o nascimento da minha filha seja algo significativo o suficiente pra ascender um dos meus "cigarros matrimoniais". Fui para fora dar um trago enquanto Temari descansava, e então tive um insight. Eu confesso que não tinha absoluta certeza, mas não custava testar.
– Indonésia... – Kakashi murmurou pensativo, enquanto Shikamaru não parava de falar.
– Não é atoa que Itachi não sente a mesma satisfação com outros cigarros, esse cigarro tem uma composição de tabaco bem maior que os outros, disfarçado com a essência. No dia que fumei o primeiro cigarro, no dia do casamento, eu tive um acesso de tosse terrível, mesmo sendo um ex-fumante compulsivo.
O grisalho interrompeu o falatório, certamente não estava nem um pouco interessado naquele papo nojento de cigarros.
– Então agora nos sabemos que o cigarro de Itachi é de lá, mas não podemos ter certeza que o QG fica na indonésia Shikamaru. Madara pode importar, mesmo que ilegalmente.
– Se não fosse na indonésia, Madara não se preocuparia em esconder tanto a marca do cigarro, poderia até utilizá-la como pista falsa.
Kakashi ficou quieto por alguns instantes, avaliando as novas informações. Certamente fazia sentido o que Shikamaru dizia, mas eles não podiam ter a completa certeza de como a mente distorcida de Madara funcionava.
– É de lá Kakashi. – Itachi respondeu, deixando bem claro que concordava com a teoria de Shikamaru – Madara certamente não tentaria esconder a marca se fosse uma pista falsa, Shikamaru está certo. E mesmo se não for da Indonésia, é um bom chute. É um começo.
Shikamaru pareceu feliz com o aval de Itachi, mas logo exibiu feições sérias aos demais presentes. Provavelmente chegara ao momento que falariam sobre os "contras".
– Mas agora temos um pequeno problema.
– Qual? – Itachi e Kakashi questionaram em uníssono.
– A Indonésia é um arquipélago da Oceania com mais de dezessete mil ilhas, sendo que nem todas possuem o acompanhamento meteorológico, pois não são habitadas... Nosso plano de usar as temperaturas da memória de Itachi não vai funcionar.
Kakashi estava prestes a jogar a mesa em Shikamaru, Itachi não parecia nem um pouco feliz também. Isso significava que eles estavam fazendo todo o esforço de hipnose por nada?
– Você está de brincadeira comigo... – o Uchiha grunhiu, ascendendo ainda mais o olhar. Sabia que não era culpa de Shikamaru, mas alguém tinha que receber a fúria de sua ira, e Naruto estava longe!
Shikamaru finalmente pareceu amedrontado com a expressão furiosa de Itachi, e por isso resolveu que seria melhor mostrar dados concretos do que piorar as coisas ao tentar se explicar. Alcançou sua mochila esquecida no chão e retirou de lá o notebook companheiro de guerra. Levantou a tela e aguardou que o aparelho saísse do modo de hibernação, e assim que o sistema operacional se estabilizou, mostrou um programa que nem Kakashi, muito menos Itachi, poderiam conhecer.
– O que é isso? – Kakashi olhava para a tela com curiosidade, identificando o mapa mundial e as milhares de linhas de rotas terrestres e oceânicas.
– Faz parte do meu trabalho, mas essas rotas não interessam – Shikamaru tirou um microchip do bolso e o encaixou em um adaptador. Enfiou na entrada de cartão de memória do computador e aguardou o processador da máquina trabalhar. – Vocês ficariam surpresos com o que se consegue fazer com tecnologia de ponta acoplada na armação de um par de óculos de grau.
Itachi sorriu e deu sua última tragada antes de apagar o cigarro, entendendo o que Shikamaru fizera antes de Kakashi ligar os pontos e compreender o que acontecia. Mas logo Kakashi arriscou o primeiro chute.
– Óculos de Karin?
– Ela troca de roupas com frequência, mas ela nunca troca de óculos, apesar de tirá-los do rosto às vezes e largá-los por aí... Acho que têm um modelo só, não é? Acabei de pegar o microchip num momento de descuido dela.
Kakashi sorri fez uma expressão de completa euforia, se debruçando sobre a tela do aparelho quando uma nova rota começava a aparecer no mapa.
– Ela vai ficar furiosa com você. – o grisalho comentou brevemente. Shikamaru respondeu com um gesto despreocupado de ombros.
– Não... A gente vai salvar o precioso Sasuke dela com isso, ela vai me perdoar.
– Sasuke não é dela. – Itachi quase rosnou ao falar aquelas palavras, e Shikamaru optou por ficar quieto para não cutucar ainda mais o Uchiha ciumento.
O computador congelou a tela, exibindo uma rota gigantesca. Aparentemente, em pouquíssimo tempo Karin percorreu uma grande extensão de lugares no mundo, de modo que Kakashi se perguntou como era possível alguém viajar daquela forma em tão pouco tempo.
Shikamaru fez um barulho de contemplação por alguns instantes, Kakashi e Itachi aguardaram pacientemente que o estrategista formulasse sua teoria.
– A reunião de Karin com Orochimaru, com toda certeza, foi aérea. – ele apontou para a tela em alguns pontos, e logo depois deu zoom em alguns pontos da rota – Observe que eles fazem paradas em grandes centros urbanos, mas logo voltam a circular. Deve ser os momentos de abastecimento. Pelo jeito, Orochimaru cogitou a possibilidade de Karin ter um microchip rastreador em suas roupas.
– Então isso foi inútil... – Itachi suspirou pesadamente, mas Shikamaru não pareceu nem um pouco menos empolgado.
– Não, porque aí está: o excesso de zelo de Madara o prejudicou. Observe essa rota, e essa, e essa. – o mais novo apontou para três pontos onde haviam falhas na rota – São grandes centros militares, países de primeiro mundo, eles bloquearam o sinal no GPS, eu já imaginava essas falhas... Mas olhe essa daqui – ele apontou para um ponto em especifico do arquipélago da Indonésia, mostrando uma quase imperceptível falha na rota; deu um zoom ainda maior – Esta pequena falha de pouco mais de oitenta quilômetros de distância comportam cinco ilhas do arquipélago da indonésia.
– A Indonésia não é o tipo de país que instalaria bloqueadores de sinal de GPS. Não possui uma renda financeira para esse tipo de coisa, mal tem um exército formado. – Kakashi complementou a informação, mostrando que não tinha um conhecimento de geografia tão mundano quanto Shikamaru esperava.
Shikamaru concordou enfaticamente com um aceno de cabeça, sorrindo cada vez mais.
– E como se não bastasse – ele continuou a falar – A parada mais demorada do vôo de Karin e Orochimaru se deu na cidade de Jacata, na ilha de Java, capital do país. Orochimaru com certeza foi até uma das ilhas, enquanto ela esperou no avião, que deve ser um laboratório improvisado. Talvez o avião seja o esconderijo principal de Orochimaru.
Itachi não aguentou sua empolgação naquele momento, deixando um sorriso satisfeito brotar-lhe os lábios. Os oficiais, no entanto, estavam perdidos demais em sua teoria para dar atenção á sua mudança de comportamento.
– Cinco ilhas... Nossa busca que há poucas horas se resumia no mundo inteiro acabou de se reduzir para cinco ilhas... – Kakashi olhou para Shikamaru com total descrença – Por que você não trabalha nas forças especiais do governo?
– Pode ser que eu trabalhe, já pensou nisso Kakashi?
Kakashi ficou sem palavras por alguns segundos, mas quando seu cérebro conseguiu formular mais mil indagações e chegou a abrir a boca para questioná-las em voz alta, Itachi o interrompeu, se levantando da maca com certa dificuldade.
– Shikamaru, meus sinceros comprimentos a sua genialidade. – Itachi se pôs de pé rapidamente e agradeceu, curvando-se em um cumprimento semelhante a saudações de artes marciais. – Eu jamais imaginaria que você conseguiria resolver isso com um plano ainda melhor que o anterior.
Era a primeira vez que Kakashi e Shikamaru viam Itachi agradecer alguém daquela forma, com total admiração e respeito. Os dois pareceram surpresos inicialmente, mas logo Kakashi tossiu baixinho para indicar que Shikamaru deveria fazer algo.
– Humm... Valeu cara. – Shikamaru respondeu, totalmente sem jeito, dando um tapinha no ombro de Itachi e fazendo-o voltar a posição ereta. Kakashi mordeu o lábio para não rir do comportamento estranho de seu paciente.
– Aprecie o momento Nara. – o grisalho comentou, com o tom de voz bem mais divertido e aliviado do que antes – Não é todo dia que um assassino profissional se curva diante de um militar.
– Não é todo dia que um psicanalista de meia tigela tira sarro de um assassino e vive pra contar história. – Itachi murmurou, com ares rabugentos, virando o rosto para o lado e cruzando os braços.
– Eu diria que está acontecendo com certa frequência. – Kakashi comentou, sorrindo ainda mais e adorando o retorno de seu bom humor.
Shikamaru riu sonoramente, e Itachi se sentiu levemente envergonhado. Ainda sim, estava feliz demais para brigar ou reclamar daqueles assuntos. Estavam a um passo de encontrar Sasuke, próximos demais, e agora tudo parecia mais claro do que antes!
A felicidade que Kakashi e Itachi estavam sentindo naquele minuto só não podia ultrapassar a de Shikamaru: o sentimento de utilidade, conjuntamente com a esperança de finalmente ter sua família em paz logo depois de se tornar pai, não tinha preço.
Finalmente, estavam chegando a algum lugar.
(***)
Naruto estava exausto, com dor nas costas e enxaqueca. Quem diria que uma madrugada no aeroporto pudesse quebrá-lo daquela forma? Céus se soubesse que seria tão complicado conseguir uma mudança de vôo teria passado a noite no hospital com Itachi, como era previsto inicialmente.
Depois de horas acordado no aeroporto, um vôo completamente instável e repleto de turbulência e um atraso de quarenta minutos do taxi, Naruto finalmente chegou ao hotel e jogou suas bagagens de qualquer jeito acima da cama de casal que obviamente não seria mais o palco de nenhum tipo de diversão naquela noite. Tomou uma ducha rápida e logo saiu do hotel, pois já estava em cima da hora marcada com Neji.
Por nada nesse mundo ele deixaria de encontrar o bastardo maldito... Nem que fosse só pra dar um soco bem dado em suas fuças. Ainda não conseguia acreditar que era por causa do maldito Neji que ele deixara Kakashi em casa, próximo das garras de Iruka, e sem a sua supervisão.
Que ódio!
Mas ele não daria o braço a torcer para o seu namorado, não dessa vez. Kakashi tinha que entender que ferira seus sentimentos ao colocá-lo para escanteio daquela forma. Naruto podia ser completamente louco pelo Hatake, mas jamais deixaria sua honra ser denegrida daquela forma. Ele podia não ser um Uchiha, mas nem por isso o "orgulho Uzumaki" pode ser menosprezado dessa forma.
Seguindo as instruções passadas por sms, Naruto chegou a um estabelecimento pequeno, um café local. Duvidando um pouco da escolha do lugar, ele abriu a porta e ouviu o soar de um pequeno sininho anunciando sua chegada.
O estabelecimento possuía apenas três mesas de quatro lugares cada, alguns anúncios de cafés diferentes, um balcão de pedidos, uma porta para a cozinha, e nada mais. O local estava vazio, o que o deixava ainda mais desconfiado; Neji não costumava se atrasar em seus encontros e não era comum um comerciante de pequeno estabelecimento deixar sua loja desprotegida dessa forma.
– Oi! – ele falou em voz alta, caminhando até o balcão e se debruçando para olhar atrás dele – Tem alguém aqui!?
Ninguém respondeu, ele realmente estava só. Não soube ao certo se deveria gritar ou rir diante daquela situação: é lógico que Neji errou o endereço... ou fez isso de propósito para sacaneá-lo.
Enfezado por ser vítima de tantas dificuldades de a noite do dia anterior, o loiro se sentou em uma das cadeiras e buscou seu celular, procurando nos contatos o telefone de Neji com impaciência.
– Aquele bastardo... – ele murmurava, tentando digitar e errando as teclas devido ao sono – Egocêntrico filho da puta, deve ter feito isso de propósito pra tirar uma com a minha cara...
Subitamente um barulho tirou Naruto de sua guerra contra a agenda do celular; ele rapidamente virou a cabeça em direção ao ruído, sentindo seu coração bater mais forte e seu corpo todo se arrepiar.
Havia alguém de costas para si, virado pra porta e, pelo ruído, trancando-a com um girar de chaves. Esse mesmo alguém puxou uma cortininha e cobriu a pequena e única janela do recinto, deixando o ambiente bem mais escuro pela fraca iluminação do estabelecimento.
– Mas que bosta...? – Naruto colocou-se de pé mais do que rapidamente, sentindo a adrenalina acabar com todo o sono e cansaço do momento.
Estava com medo, completamente apavorado. Será que ele acabou caindo em uma cilada da Akatsuki? Justo ele, que sempre tentava se prevenir, acabou caindo só porque achava que podia confiar em Neji? Isso era um absurdo! Naruto se recusava a creditar que deixara sua guarda baixar daquele jeito!
– Quem é você!? – ele gritou para o estranho que ainda estava de costas para si, encoberto por um moletom de capuz bastante suspeito – O que você quer de mim, seu bosta!?
O Uzumaki abriu e fechou as mãos com força, estralando os dedos no processo. Se fosse mesmo um Akatsuki, ele sabia que não teria muitas chances, mas ainda sim não iria se dar por vencido sem lutar. E se fosse um ladrãozinho qualquer... Naruto esperava que ele tivesse vivido uma boa vida.
Quando já estava perdendo a paciência e se preparava para correr e dar o primeiro golpe, o estranho se virou e Naruto parou de correr em meio ao processo, deixando seus braços caírem pesadamente ao lado de seu corpo. Seu corpo perdeu as forças diante da cena, e ele caiu sentado de qualquer jeito em uma cadeira de madeira; suas penas tremiam e ele temia que não conseguisse se por de pé novamente tão cedo.
Apesar de não se tratar de nenhum estranho, ainda sim a surpresa fora imensa. Ele piscou algumas vezes, tentando se certificar de que não estava delirando. Mas não era imaginação, era realidade: e ele reconhecia aquele sorriso amarelo em qualquer lugar do mundo.
– Sai?
... Continua...
(1) "Carrie" é o primeiro livro de "Stephen King", adaptado para o cinema em 1976 (e ouvi falar que teve uma regravação pra agora em 2013, se duvidar até já está em cartaz, visto que outubro é o mês que estréia a maioria dos filmes de terror). Eu citei que o livro de cabeceira do Sasuke era de autoria de Stephen King no terceiro capítulo de Haunted, apesar de não ter entrado mais a fundo no gosto literário dele nessa fanfic. Eu nunca disse qual livro do King seria o livro de cabeceira de Sasuke, mas por conta de todas as nuances do personagem de vingança, problemas com sangue, traumas e outras coisinhas mais, eu sempre considerei que Sasuke tinha um exemplar de "Carrie" em sua gaveta...
Mas vamos abstrair Sasuke agora. Kakashi está fazendo essa comparação com Itachi por causa da famosa cena da Carrie coberta de sangue na coroação do baile da escola, mas logicamente ele está exagerando, pois Itachi não está tão coberto de sangue assim.
(2) Também uma piadinha ligado ao fato de Itachi estar coberto de sangue. Todo mundo aqui sabe quem é Bloody Mary, não sabem? Não estou falando do coquetel haha.
(3) Eu não entrei nos méritos do país onde Madara e Izuna moravam, mas vocês podem considerar que é um país mais avançado do que o nosso Brasil varonil, ao menos naquela época. Por isso, há fliperama mesmo em uma época onde ainda não se tinha certeza dos males do cigarro. Interpretem a reação dos personagens de acordo com a época em que eles viveram – eu não quero, em NENHUM aspecto, fazer apologia ao fumo com essa fanfic. Cigarro faz mal, se vocês leitores fumam eu espero sinceramente que um dia parem, e Madara e Izuna só estavam interessados nisso porque eles não tinham comprovações cientificas de que isso fazia mal. Hoje em dia nós sabemos a verdade, certo?
* As informações citadas por Kakashi tem um grande "quê" de realidade. Sim, pasmem. Inicialmente comecei minha pesquisa sobre "bloqueio de memórias" por um artigo em português, não vou citar o nome da doutora que produziu esse estudo aqui porque se não o google vai vincular o nome dela a essa fanfic, o que eu acho que não é bom pra ela profissionalmente. Se alguém tiver curiosidade de ler, me mande uma review que eu mando o link pro artigo por mensagem.
A partir daí, li alguns artigos de autores por ela citados, a maioria em inglês, e não convém citar todas as minhas fontes aqui, justamente para não prejudicar qualquer credibilidade cientifica do estudo desses profissionais. Eu me senti verdadeiramente inspirada ao ler esses estudos, e foi daí que toda a trama de Haunted surgiu. Sim gente, artigos científicos me inspiram também hahaha.
Eu tenho problemas, como podem ver. -_-
Nota: Ok, nós temos OCs (original characters – personagens originais) agora. Quem me conhece sabe que eu não gosto muito de OC em fanfic, apesar de abrir algumas exceções pra determinados OCs bem desenvolvidos que li em algumas fanfics.
Yoshiro, Hideki e Naoki são pseudo-OCs, porque Madara e Izuna tiveram sim mais três irmãos na trama original do Ksihimoto, mas já tinham morrido quando Madara conheceu Hashirama, portanto não apareceram no mangá. Eles PODEM aparecer ainda em algum flashback que o Kishimoto fizer, mas como por enquanto não temos nenhum dado a respeito da família do Madara, fora o nome de seu pai e seu irmão (e que ele tinha outros irmãos que acabaram morrendo), eu tomei a liberdade de nomeá-los e dar suas características físicas e mentais. De qualquer forma, não é como se esses OCs fossem aparecer muito nessa fanfic... Portanto, se você é como eu e não gosta de OC em fanfic, me perdoe, mas eu tive que preencher as lacunas do Kishi pra continuar a fic. Eu sinceramente torci pra ele revelar como eram os irmãos de Madara antes de eu chegar nesse capítulo, mas o Kishi tá lá brincando de Pokémon e não fez isso auhauhauau.
Miya era um OC previsto, desde que eu anunciei a gravidez da Temari vocês sabiam que em breve haveria um OC bebê. Ainda sim, ela é um bebê, não fará um graaaaande papel na trama. Portanto... aguentem a Miya e seu cheirinho de talco. ^^
Respostas reviews "guest":
.
Mayara:
Oie Mayara! o/
Siiiim, Konan gravidinha, Temari com bebezinho, Haunted já está cheirando a talco aeuhaeuheauheau! xD
Detesto OCs, mas são bebezinhos, acho que vou sobreviver com eles.
Que amor você gostar tanto de PainKonan, Imagina Itachi fazendo curso de padrinho na igreja? Acho que ele pega fogo antes de entrar na igreja auehuaehuae!
Lógico que o Orochimaru se lambeu todo, isso é Cannon! E ainda fez isso com aquela língua imensa dele auhauhauhau!
Ok não se preocupe em demorar! Eu fico feliz que você aparece mesmo depois de um tempo. ^^
Um beijão querida, muito obrigada pela review, adorei!
S2
