Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: Sobre o aviso que postei recentemente aqui no fanfictionnet, quero esclarecer algo que não ficou muito claro. Alguns leitores entraram em contato comigo de forma privada, e os que entraram em contato são leitores presentes, para os quais eu não direcionei o aviso. Demorar para ler um capítulo não quer dizer que vocês abandonaram a fanfic ou se tornaram fantasmas, eu sei disso e entendo isso. Esse aviso foi direcionado para leitores que não se manifestam há vários capítulos, desde o ano passado ou antes disso, ok? Então me perdoe se eu ofendi algum leitor presente com o que escrevi, a intenção não foi ofendê-los e sim mandar minha mensagem para outras pessoas.
Se você for um leitor presente, mesmo que demore a ler uma atualização, desconsidere o que escrevi no aviso. Ficarei feliz quando tiver um tempo para ler e se pronunciar sobre o capítulo, mas eu entendo a ordem de prioridade das pessoas e sei que certamente a minha fanfic não está na lista de prioridades de alguém (a não ser na minha, por motivos óbvios). Além disso, não precisam me dar satisfação sobre a demora da leitura ou prometer que lerão em breve e tudo mais, eu entendo que pessoas têm problemas, e quem sou eu para exigir satisfação de vocês? Leia quando quiser, se quiser, se puder. No entanto, se desejar desabafar sobre os problemas através de mensagem, estarei sempre à disposição para conversar e dar um ombro amigo.
Enfim, desculpe qualquer mal entendido. Espero que gostem da atualização.
Divirtam-se! S2
HAUNTED
Capítulo XXXVIII
Não conseguiu um segundo sequer de tranqüilidade para adormecer, nem mesmo tomando aqueles remédios de enjôo que sempre o deixavam sonolento. Enquanto ele agonizava de impaciência e irritação no seu assento de avião, virando de um lado para o outro na tentativa de ficar mais confortável e adormecer, Naruto, Itachi e Shikamaru já estavam no décimo sono.
Naruto até parecia acordar de tempos em tempos, e quando isso acontecia o loiro o abraçava da maneira que conseguia com aquele maldito cinto impedindo-o de se movimentar muito, tentando deixá-lo mais a vontade para que também adormecesse; todavia, isso não era o suficiente para que seu corpo relaxasse. Por fim, ele desistiu de criar um torcicolo naquela poltrona e foi para o banheiro, pensando que se esticasse as pernas por alguns instantes talvez conseguisse adormecer quando voltasse para o seu lugar.
Agora Kakashi olhava o seu próprio reflexo no banheiro do avião com grande aflição, pois quando se viu sozinho dentro do ambiente minúsculo, sentiu-se ainda mais nervoso do que outrora.
Eles estavam loucos, só podiam estar! Mesmo com toda a discussão de estratégia, mesmo com o apoio da equipe do Sai, mesmo com Itachi, com o mapa e as chaves, era inimaginável o que estavam prestes a fazer! Não tinham chances de sair vivos de lá, a não ser que fossem muito sortudos e todos os Akatsukis estivessem ocupados em missões externas. Não havia como derrubar Madara no próprio território inimigo. Isso era... suicídio!
— O que vai ser de nós? — murmurou olhando para o próprio reflexo, falando consigo mesmo numa tentativa de fugir daquele desespero que o assolava.
Kakashi esteve muito ocupado nos últimos dias. Há semanas não usufruía de tempo livre para tentar limpar sua mente, pois na maioria do tempo que tinha em silêncio ou estava dormindo, ou tentava desvendar a cabeça de Itachi e Madara. Por isso, todo desespero o atingiu de uma vez só; a insônia contribuiu para isso, e é na mente vazia que mora o perigo. Claro, ele sabia que estavam correndo perigo antes de entrar naquele avião, mas parecia que agora a ficha havia caído de uma vez por todas.
E Naruto... O que eu vou fazer com o Naruto lá?!
Sua preocupação com a integridade de Naruto era maior do que a que tinha com a sua vida ou a de qualquer outro presente nessa investida. Kakashi ainda estava preocupado com os outros, mas a situação com Naruto era algo diferente.
Itachi era um gênio de combate e detinha técnica o suficiente para, ao menos, assegurar sua vida. Shikamaru estava na ativa como militar e mesmo se o corpo falhasse, sua mente com toda certeza pensaria em uma escapatória. Ele também sabia que Sasuke agora tinha capacidade suficiente pra se defender pela maneira como Itachi o descrevera, mas Naruto não tinha treinamento especifico para tanto.
Se até mesmo ele, como policial, ainda que afastado e sem treinamento pesado por seis meses e não podia garantir muita coisa sobre a sua própria integridade física, quem dirá o seu namorado que nunca precisou enfrentar uma situação de risco de vida? Naruto era estudante de educação física e, portanto, era fisicamente forte, mas não detinha técnica de verdade para enfrentar aqueles inimigos! E apesar de Itachi ter jurado que iria fazer de tudo para protegê-los (longe de Kakashi duvidar disso), essa promessa não era o suficiente para acalmar seus ânimos.
Em meio ao seu pânico particular, Kakashi escutou alguém bater urgentemente na porta do banheiro. Piscou algumas vezes e tentou recobrar a compostura, acalmando o leve tremor de suas mãos (nem percebeu que estava nervoso ao ponto de tremer daquela forma!) e destravou a maçaneta. Ele não precisava usar o banheiro, e por isso não impediria alguém de fazê-lo só porque passava por uma crise de nervos naquele cubículo.
Ao abrir a porta, no entanto, Kakashi deu de cara com alguém que julgava estar dormindo até então.
— Naruto? — ele questionou, sendo empurrado para trás e se vendo obrigado a sentar no vaso sanitário com a tampa abaixada. Naruto adentrou ao cubículo, fechando e trancando a porta assim que entrou — O que você está faz-...
Nem teve tempo de questionar, pois o mais novo foi mais rápido, aproveitando a posição em que ele se encontrava e subindo acima de seu corpo, selando seus lábios aos dele num beijo íntimo e extremamente necessitado.
Kakashi retribuiu por alguns segundos, mas logo a racionalidade tomou conta de si novamente e ele percebeu que aquele não era lugar, nem momento, para fazer algo assim com seu namorado. Agarrou os ombros do loiro, empurrando-o para trás e interrompendo o beijo com um estalo levemente obsceno.
— Você não tem limites!? — ele indagou, irritado — Estamos num avião, tem um monte de gente aqui, estamos prestes a fazer algo que nunca fizemos, temos que nos concentrar e não-...
— Kakashi. — Naruto o interrompeu, com a voz baixa e levemente fraca, pegando grisalho completamente de surpresa — Não seja tão irredutível.
Ele encarou o mais novo, finalmente percebendo nuances em sua aparência que não se deu conta até então: o Uzumaki não parecia especialmente libidinoso naquele momento, como era de se esperar quando a palavra "Naruto" e "sexo" estavam na mesma frase; na verdade, ele parecia tão preocupado quanto o próprio Kakashi, exibindo um olhar tenso, tremendo de leve acima de seu corpo.
Evidentemente, aquele tremor não era de prazer.
— Naruto, o que...
— Kakashi, tenha santa paciência! Você sabe que eu preciso disso! — ele retirou as mãos de Kakashi do seu ombro delicadamente, se curvando para ficar mais próximo, encostando sua testa à do mais velho — Não era você que dizia que essa era a minha sublimação?
— Você nunca aceitou essa minha analise... — ele respondeu baixinho, tendo uminsight momentâneo e finalmente compreendendo o que acontecia ali.
É claro... Naruto está estressado também, por isso tenta transar a qualquer custo!
Antes dos dois iniciarem o relacionamento amoroso propriamente dito, Kakashi já percebera que sexo funcionava como uma sublimação para Naruto, e por conta disso entendeu o codinome "Kyuubi" e a vida dupla que o garoto levava antes de assumir abertamente a sua sexualidade. Naruto fazia sexo quando estava nervoso e como naquela época andava estressado constantemente por conta das suas tentativas frustradas de namorar garotas, ele acabava aliviando a constante tensão através de sexo casual com aqueles que realmente lhe despertavam interesse sexual. Sendo assim, naquele momento, Naruto estava querendo fazer isso com ele.
— Eu não pretendia aceitar isso, mas você está certo Kakashi... — Naruto se pronunciou, um pouco preocupado e com medo do mais velho interpretar mal aquela confissão — Eu preciso relaxar, eu não vou conseguir salvar o Teme desse jeito, eu estou muito nervoso. Eu preciso de você, e não é de agora. Eu estou há diasprecisando disso.
— Você precisa de sexo, não de mim. — Kakashi respondeu secamente, se sentindo um pouco ultrajado com aquela situação.
Ver Naruto sentado em seu colo naquele banheiro de avião o fez se recordar do momento que descobriu a real sexualidade do garoto, espionando-o pela ventarola do banheiro da boate e flagrando-o com Sai. O ambiente era praticamente o mesmo e a motivação para o sexo também; isso não fazia nada bem para o ego de Kakashi. Além disso, também o fazia se lembrar de quando pensava que Naruto tinha dado em cima dele porque queria sublimar, ocasião em que trocaram o primeiro beijo e quase destruíram de vez o relacionamento que possuíam.
— Não. — o loiro respondeu, agarrando o rosto de Kakashi e forçando-o a encarar nos olhos, percebendo que ele não estava entendendo perfeitamente a situação — Não de qualquer sexo, eu preciso de você, Kakashi! Apenas de você! Eu amo você e eu prometi que não faria isso com mais ninguém, se lembra?
O grisalho encarou o olhar preocupado de seu namorado por alguns instantes, mas logo o envolveu em um abraço apertado. Sim, ele estava exagerando por causa de ciúmes e orgulho ferido, ele sabia disso. Naruto não surtou com ele por aquela insinuação, o que era um grande avanço na personalidade complicada do loiro, e Kakashi não conseguia se manter decepcionado depois de vê-lo agir como um adulto naquele relacionamento.
Naruto suspirou fundo, retribuindo o gesto de bom grado, abraçando-o fortemente e inalando o perfume do pós-barba de Kakashi que tanto o agradava. Era bom a sensação de ter escolhido as palavras certas para evitar uma briga, tão melhor do que vencer uma discussão! Quem sabe devesse fazer isso mais vezes.
E, de qualquer forma, não apenas pela sublimação que ele estava nessa necessidade quase incontrolável de transar com Kakashi, o seu receio do pior acontecer sem ele ter conseguido um momento assim com quem amava também tinha um grande peso na suas ações desesperadas. Naruto sabia que não era necessário falar em voz alta cada detalhe da sua motivação, Kakashi o conhecia muito bem e compreenderia o que se passava em sua mente com uma simples troca de olhar; ele tinha certeza disso!
E foi isso que Naruto fez: fitou de maneira penetrante os olhos escuros de Kakashi, tentando deixar bem claro tudo que sentia e necessitava naquele momento. Como se respondesse uma pergunta jamais feita, o grisalho lhe concedeu permissão com um aceno de cabeça, compreendendo seu dilema.
Aliviado, Naruto inclinou o rosto para frente e roubou um beijo breve do outro, percebendo pela primeira vez a forma como ele também tremia de nervosismo.
— Você também está nervoso, não é? — o loiro murmurou em meio ao abraço, levando os braços aos ombros de Kakashi e sentindo a tensão de seus músculos — Nem consegue disfarçar.
— E tem como ficar tranquilo com tudo que está acontecendo?! — ele parecia cansado, afastando Naruto um pouco para observar seus olhos com ternura e preocupação — Eu não queria que você estivesse aqui.
O mais novo girou os olhos e suspirou fundo, entendendo perfeitamente o motivo daquela afirmação, mas nem por isso apoiando o que Kakashi dizia.
— Vai lá se juntar ao Itachi e dizer que eu sou inútil, vai! — Naruto fez um bico de birra ao se pronunciar, sentindo-se realmente ultrajado com a falta de confiança que todos depositavam nele.
Hatake, por sua vez, sentiu o instinto masculino falar mais alto e considerou adorável a maneira como os lábios de Naruto se contraíram no biquinho de irritação. Acabou depositando um beijinho em seus lábios, gesto que acabou arrancando um sorriso que Naruto tentou a todo custo esconder, sem sucesso.
— Não te acho inútil, Kyuu. — ele disse, baixinho, ao pé de seu ouvido, puxando-o para perto novamente, fazendo-o se sentasse bem no meio de seu colo — Eu só queria poder ter certeza de que você estaria a salvo, não te levar direto para o perigo. E, veja só: no fim acabei te levando pro ninho de cobras. Você entende isso, não entende? Você também quis que eu não fosse ao júri pelos mesmos motivos.
Apesar de Naruto compreender o sentimento, ele não queria dar o braço a torcer e não desfez sua expressão contrariada e indignada.
— Não sei se você se lembra, mas eu sou um adulto capacitado e consciente, que toma as próprias decisões em sua vida. — o Uzumaki estava com a voz seca, até mesmo para os seus ouvidos — Você não é meu tutor faz um bom tempo, então se eu estou aqui é porque eu quis vir.
Kakashi sorriu de canto de boca, um pouco satisfeito por Naruto ter se controlado novamente para não explodir, apesar do seu tom de voz irritado. Sentia-se até um pouco mais leve por ver o outro na defensiva, pois não sabia explicar perfeitamente o sentimento, mas aprecia que ele se tornava ainda mais interessante quando estava irritado. Beijou o pescoço bronzeado, sussurrando um "boa resposta" antes de mordê-lo de leve e deixar uma pequena marca abaixo de seu colarinho. Naruto levou as mãos aos cabelos dele, incentivando a caricia e rebolando de leve no colo do mais velho.
— Kakashi... — sussurrou baixinho, pensando em algo longe de ser agradável; o grisalho nem parou de beijar o seu pescoço, apenas deixou claro que estava ouvindo com um breve pigarrear — Se eu morrer, voc-...
Ele não conseguiu terminar sua frase, pois foi obrigado a se afastar, quase sendo derrubando em meio à movimentação súbita, tendo que ficar de pé para não cair de costas no chão, agarrando a pia como apoio enquanto recobrava a firmeza nas pernas. Pretendia se virar e ralhar com Kakashi até seus ouvidos sangrarem, mas, antes que pudesse fazer qualquer coisa, sentiu seu corpo ser novamente manuseado pelo mais velho.
Um segundo depois, Naruto sentia a pia pequena bater contra as suas cochas e, instintivamente, levou as mãos para o espelho, tentando se proteger para não dar de cara no vidro. Kakashi o encoxava sem nenhuma cerimônia, apoiando seu queixo no ombro de Naruto e encarando-o pelo reflexo sem sequer piscar; ele o prendia tão firmemente com seu corpo que o Uzumaki quase sentia dor. Quase.
— Nunca mais fale algo assim. — ele grunhiu baixinho, estreitando o olhar e não parecendo nada feliz com o que acabara de ouvir — Nunca mais, Naruto. Entendeu?
— É uma possibilidade. — o loiro rebateu, apesar de ter desviado o olhar se sentindo um pouco intimidado pelo tom de voz de Kakashi.
— Não é uma possibilidade, porque eu não vou deixar isso acontecer, fui claro dessa vez? — ele quase gritou ao rebater, mas talvez só se conteve para não chamar atenção da tripulação — Hipocrisia pura sua falar algo assim pra mim depois daquele chilique!
Naruto piscou, não captando a referencia de Kakashi num primeiro momento.
— Mas do que você está...? — ele se calou, acessando a memória até que fresca em sua mente e, agora, se sentindo um completo babaca por ter dito o que disse.
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— Naruto, falo sério, eu estou enlouquecendo. — o grisalho revelou, levando as mãos aos cachos dourados de Naruto e fitando seus olhos com firmeza — Eu não aguento mais essa espécie distorcida de cárcere privado. Eu estou chegando a um ponto que quero arriscar, porque não dá mais pra continuar assim. Se eu for descoberto e morrer, era pra acontecer.
O Uzumaki deixou o queixo cair em completa perplexidade, fitando Kakashi com um ar de descrença por longos três segundos. Em seguida, mudou sua expressão facial para algo que se assemelhava a completa fúria e, com um impulso que o outro sequer pôde prever, deferiu-lhe um soco forte que acabou errando por poucos centímetros a sua mandíbula.
Kakashi deitou bruscamente sobre o colchão para se esquivar, mas nem por isso Naruto parou de tentar golpeá-lo, subindo cima dele e tentando iniciar uma briga violenta. Por sorte, o grisalho possuía treinamento corpo a corpo, e conseguiu se esquivar dos golpes violentos de Naruto com certa facilidade agora que superara o susto inicial.
Naruto era bom de briga, mas extremamente impulsivo, o que o tornava um combatente fraco contra pessoas que possuem técnicas de defesa pessoal e mente limpa. O mais velho, em um dado momento, conseguiu imobilizar Naruto, prendendo seus braços contra as costas de Naruto, forçando-o a ficar com a barriga contra o colchão.
— Por que você tá me batendo?! — ele questionou entre os urros de fúria do loiro, tentando encará-lo, mas tendo dificuldade nisso. Naruto virava o rosto a todo momento, aproveitando a posição em que se encontrava para evitar o olhar penetrante de Kakashi.
— VOCÊ CONTINUA O MESMO IDIOTA DE SEMPRE! — o Uzumaki gritou em plenos pulmões, enfiando a cabeça nos lençóis e deixando as lágrimas de raiva rolarem — COMO PODE DIZER ISSO PRA MIM!? IDIOTA!
Com essas palavras Kakashi percebeu o grande erro que acabara de cometer. (1)
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— Me desculpe. — Naruto murmurou baixinho, recobrando o foco em seu olhar e encarando o mais velho com a mais pura sinceridade estampada nos olhos cor de safira — Eu não devia ter dito isso, eu...
— Eu desculpo. — apesar do tom ríspido que utilizara para responder, Kakashi falava com sinceridade — Diferente daquela ocasião, Naruto, eu não vou deixar que algo externo nos atrapalhe. Existem coisas que a gente só parece compreender de "outro jeito".
O loiro sorriu, entendendo bem o que o mais velho queria dizer: eles brigavamdemais, mas conseguiam se entender sem grandes desavenças quando o assunto era sexo. Kakashi e Naruto não formavam o tipo de casal que era capaz de ter uma discussão de relacionamento pacifica e compenetrada (talvez porque Naruto não tinha um gênio muito fácil para conversar) e acabavam se irritando antes de chegarem a uma conclusão, terminando a desavença com sexo, que variava dependendo da intensidade do problema.
Naruto não tinha o que reclamar desse aspecto; Kakashi ainda parecia tentar o método das DRs, mas sempre desistia depois de perder a paciência. De qualquer forma, eles se entendiam mais cedo ou mais tarde caso extravasassem os sentimentos carnalmente. Sendo assim, o loiro percebeu que aquela briga passada jamais foi finalizada, porque eles não chegaram a fazer o sexo de reconciliação.
Melhor resolver isso de uma vez por todas, não?
— Não temos cama aqui... — ele respondeu num tom de voz baixo, deixando um sorriso sacana emoldurar seus lábios.
Kakashi respondeu sua afirmação empurrando o corpo de Naruto ainda mais para frente, até ele encostou o rosto no vidro, que agora embaçava pouco a pouco com a respiração cada vez mais acelerada do mais novo.
— E desde quando a gente precisa de cama?
Kakashi exibia um tom de voz dominante, algo que inicialmente pegou Naruto de surpresa. Ainda sim, não podia negar que estava afetado por aquele comportamento de uma maneira que nunca julgou ser capaz: sentia-se excitado ao ver Kakashi falar daquele jeito e o agarrar daquela forma, apesar de não estar nem um pouco acostumado com aquilo.
No relacionamento de Naruto e Kakashi, fisicamente o loiro costumava adotar a posição passiva, enquanto o mais velho era o ativo; todavia, independente da posição física do sexo, Naruto era o dominante psicologicamente falando. Não tinha como interpretar as coisas de um modo diferente, Kakashi nem seria doido de discordar dessa constatação, pois o mais novo era quem geralmente iniciava o contato sexual, era quem dominava a velocidade da penetração e escolhia a maioria das posições (e vale a pena frisar que em mais de sessenta por cento das vezes Naruto acabava "por cima").
Kakashi soube desde a primeira vez dos dois que o mais novo gostava de ter o comando e deixou que ele adotasse essa posição para si sem nunca questioná-lo — o que também não quer dizer que o policial não tivesse suas vontades ou que se submetesse totalmente aos caprichos de Naruto. Ele permitia que Naruto fizesse as escolhas e controlasse a intensidade do sexo na maioria das vezes, mas isso acontecia por causa da sua vontade. Nenhum dos dois forçava o outro a fazer algo que não era o seu mais profundo desejo.
E naquele momento eles não estavam adotando a mesma posição de dominância: Sim, Naruto estava de costas para Kakashi e sentia muito bem a ereção pressionada contra o seu traseiro, o que era algo comum entre eles. Todavia, naquele dia Kakashi não parecia estar apto a abrir mão totalmente da dominação por algum motivo que o loiro não entendia, mas que o excitava consideravelmente.
Ainda sim, como costume é costume, Naruto tentou recobrar sua dominação:
— Deixa eu me virar. — o loiro ordenou, com o tom de voz que sempre utilizava quando tentava convencer Kakashi a obedecer as suas ordens sexuais — Quero te ver de frente.
— Não. — o grisalho retrucou com a voz firme, deixando bem claro que não havia conversa naquele momento: ele iria ter mais comando daquela vez e se Naruto não gostasse da ideia seria melhor que interrompessem o sexo ali mesmo, pois ele não estava disposto a ceder daquela vez.
O loiro não era nem um pouco doido de negar algo assim para Kakashi, e não apenas por sentir seu pênis endurecer mais e mais a cada segundo que mantinha a briga de olhares através do espelho; ele nem sequer piscava, por pura teimosia.
Não, não era só pelo sexo. Naruto sabia que algo motivou Kakashi a agir daquela forma, algo importante, e por isso o deixaria continuar na sua investida até o fim. Não era pela transa, era por Kakashi — e o prazer seria apenas um adendo.
— Então faz comigo o que você quiser. — Naruto disse por fim, seu tom de voz firme e decidido, fechando os olhos e aguardando a próxima movimentação de seu amor. Não iria adotar uma posição inferior naquele momento dos dois (e nem imaginava que Kakashi quisesse algo assim), mas decidiu ceder, ao menos um pouquinho, o controle.
Era tudo que eu queria ouvir! — Kakashi pensou, satisfeito demais por ter conseguido o que queria. E, agora, trataria de fazer Naruto entender suas verdadeiras motivações!
Mais do que rapidamente, ele abriu o cinto, botão e zíper da calça que separava a pele que tanto desejava sentir contra a sua. Apesar de suas mãos tremerem pela carga emocional complexa que sentia, ele realizou o procedimento e dentro de quinze segundos conseguiu envolver as duas mãos fortemente ao redor da masculinidade de Naruto, estimulando-a energicamente.
O mais novo tentava, dentre gemidos impudicos e múrmuros de desejo, esticar a mão para trás e abaixar as calças do parceiro. Entretanto, Kakashi não o permitiu que fizesse isso, estapeando sua mão com força, causando um estalo alto no ambiente minúsculo.
— Porra, por que você me bateu!? — o mais novo indagou, indignado. Não que tivesse doído (fez mais barulho do que doeu), mas porque ele apenas queria retribuir a carícia, não havia porque Kakashi se comportar daquela forma!
— Você percebeu que isso que está acontecendo aqui não é uma "sessão de sexo corriqueira" entre a gente, não é mesmo?
Kakashi respondeu de maneira arrastada, sussurrando tão grave no ouvido de Naruto que ele foi incapaz de conter o estremecer resultante da lascividade que sentia ao ouvir a voz do seu amante adotar aquele timbre.
— Eu não sou burro, e você é a porra do amor da minha vida. — ele respondeu, tentando esconder o quanto afetado estava — Lógico que eu sei te decifrar, seu cuzão.
— Quem te vê falando assim nem acredita que você me ama, sabia?
Kakashi passou o seu dedo médio no lábio inferior de Naruto, levemente. Não precisou pedir para que o mais novo agisse, pois logo sentiu a língua de Naruto circundá-lo e trazê-lo para dentro de sua boca, chupando com força, lubrificando-o com maestria. Segundos depois, Kakashi o puxou pelos cabelos e o dedo foi liberado com um ruído depravado de sucção.
Agora, com a boca livre, Naruto resolveu responder:
— Pois eu te amo mais do que qualquer pessoa no mundo pode amar alguém, você sabe disso. — ele disse, virando o rosto para encarar Kakashi pela sua visão periférica — Foda-se o que os outros pensam.
O mais velho sorriu largamente, aproximando seus lábios dos úmidos e avermelhados de Naruto, murmurando e roçando de leve sua boca à dele a cada palavra.
— O enrustido, o Kyuubi, dizendo "foda-se o que os outros pensam"?
Naruto, que contornava o lábio de Kakashi com a sua língua, implorando para ganhar um beijo, sorriu de canto de boca antes de morder o lábio superior de Kakashi com desejo e, em seguida, responder de maneira provocativa:
— Algumas coisas mudaram. E eu descobri que até que gosto de mudanças.
— Não podia concordar mais com você. — ele respondeu, levando o dedo lubrificado para dentro da cueca de Naruto, enfiando-o até a metade dentro do corpo daquele que sempre o deixava louco de desejo.
A resposta de Naruto foi agarrar seus cabelos e capturar seus lábios em um beijo intenso, arqueando suas costas num indicativo de que queria mais do que um simples dedo dentro de si. Ainda sim, Kakashi retribuiu o beijo por alguns minutos e manteve o vai e vem rápido com apenas aquela pequena invasão, até o loiro fazer um ruído de frustração no fundo da garganta, arrancando uma risadinha divertida do mais velho.
Quando se sentiu impaciente para continuar provocando Naruto daquela forma, Kakashi se afastou um pouco do corpo de Naruto, fazendo-o choramingar de maneira frustrada com a separação; ele queria o corpo de Kakashi contra o seu, dentro do seu, o quanto antes! E de preferência sem aquele quantidade de tecido para atrapalhar! Mas quando ele percebeu o que seu amor iria fazer, calou prontamente a reclamação que já estava na ponta da língua.
Kakashi, sem nem dar tempo para Naruto se acostumar com a ideia, ajoelhou-se no espaço minúsculo do banheiro abaixou totalmente as calças do outro, liberando apenas uma das pernas da vestimenta (estava sem paciência para tirar toda a sua roupa). Instintivamente, Naruto se afastou um pouco da pia e arrebitou seu traseiro, aguardando ansiosamente.
O que Kakashi fez certamente era algo inédito na relação dos dois: ele separou as nádegas de Naruto com as duas mãos e chupou sem cerimônia alguma a parte mais íntima do seu corpo. Se não fosse pelas mãos de Kakashi agarrando seu traseiro e empurrando-o de maneira firme contra a pia novamente, o loiro certamente teria escorregado até cair sentado no chão, tamanha surpresa que sentiu com aquela carícia.
Kakashi nunca fez isso com Naruto e ele, por desconhecer esse tipo de prazer (não por ignorância, mas por jamais ter sido o passivo com outra pessoa antes de Kakashi e não ter recebido esse tipo de estimulação de seus amantes anteriores), jamais pediu algo assim. É o que dizem: não há como sentir falta de algo que não se conhece, e por desconhecer o prazer de uma boa anilíngua nunca pensou no assunto. Agora, depois de sentir essa estimulação tão íntima e intoxicante, estava certo de que teria vários sonhos eróticos revivendo esse momento singular. (2)
— Kakashi! — Naruto exclamou, agarrando a pia e fechando os olhos, envergonhado demais para continuar observando seu próprio reflexo — KAKASHI! — Ele exclamou ainda mais alto, ao sentir uma leve mordida bem ali! — Oh meu D-deus!
Como diabos ele nunca havia implorado pra Kakashi fazer algo assim antes!? Era bom demais!
— Não, amor, não é Deus. Sou só eu. (3) — o grisalho ironizou, arrancando um resmungar que logo se converteu em um gemido languido de lascividade.
— Seja mais original. — ele respondeu, sarcasticamente, tentando manter a compostura e falhando quando Kakashi voltou a estimulá-lo com a língua; o mais velho, dessa vez, levou um dedo ao seu ânus e reiniciou o vai-e-vem mais rapidamente do que antes, intensificando ainda mais a incoerência de Naruto — Ah... droga... Ahn... Kakashiii...
— Eu acho que fazer o que estou fazendo contigo agora pode ser considerado "original" entre a gente.
— Putz, pode ser considerado o que você quiser! Só continua! Por favor!
— O "grande Naruto Uzumaki" está me pedindo por favor? — ele murmurou alto o suficiente para que o loiro ouvisse, ganhando um suspiro recheado de tesão em resposta — Ou seria o "Kyuubi, demônio incubus" quem está me pedindo por favor?
Kakashi inseriu o segundo dedo e os curvou os dois para cima, atingindo a próstata de Naruto precisamente. Eles já tinham experiência na cama o suficiente para conseguir algo assim na primeira tentativa. Não que fosse muito difícil, o corpo dos dois parecia encaixar perfeitamente em todos os aspectos: até os dedos de Kakashi tinham o tamanho exato para estimular com maestria o loiro libidinoso que, no presente instante, rebolava sem pudor algum.
— OH PUTA QUE PARIU! KAKASHI! EU TE AMO! PORRA! — seu tom de voz só não pode ser considerado um grito porque Naruto falou tudo com os dentes cerrados, tentando ao máximo se controlar para que eles não fossem descobertos.
A última coisa que queria é que o Itachi empata-foda aparecesse batendo naquela porta e perguntando "você está gritando por que Naruto?".
Seria bem típico desse maldito fazer isso!
No entanto, antes que o trauma em sua vida sexual (vulgarmente conhecido como "Itachi") pudesse permanecer em sua mente pelo tempo necessário para que ele brochasse, Kakashi inseriu um terceiro dedo, pegando-o desprevenido com a velocidade bem mais rápida do vai e vem e do dedo extra inserido em tempo recorde.
— AHHN! — Naruto gemeu alto, arrebitando-se um pouco mais apesar do leve desconforto; no fundo, estava adorando o descontrole de Kakashi — Eu... Nhnm... E-eu ainda não tinha me acostumado com o s-segundo d... Ah, esquece!
Naquele momento Kakashi endireitou sua postura, se colocando de pé enquanto continuava o vai e vem de seus dedos, levando as mãos aos cabelos de Naruto e forçando-o a abrir os olhos com um gesto levemente brusco. E então ele quase gemeu ao ver o desejo estampado nas íris dilatadas de seu namorado, conseguindo se controlar a tempo de manter a postura predatória que adotava naquele momento.
— Você é forte o suficiente pra aguentar. Não é, Naruto? — ele sussurrou contra o ouvido do mais novo, mordendo o lóbulo de sua orelha e adorando a forma o outro voltou a rebolar vividamente em seus dedos.
— Óbvio. Eu sou forte. — Naruto respondeu sem muito pensar, mais preocupado em sentir o prazer do que falar besteiras com Kakashi.
— Você é tão forte quanto eu te considero ser.
— Não Kakashi. — o garoto piscou e recobrou um pouco o seu olhar competitivo, arrancando os dedos de dentro de si e usando toda a sua maestria para liberar a ereção de Kakashi de suas roupas o mais rápido que conseguia — Eu sou muito maisforte do que você considera!
Isso dito, Naruto guiou o membro de Kakashi em sua entrada e puxou o quadril dele pelas calças abertas, forçando-o a penetrá-lo de uma vez só e aguentando firme a dor que sentiu. Não, ele ainda não estava pronto para uma penetração, ainda mais sem qualquer lubrificação além do líquido pré-seminal de Kakashi, mas ele tinha um ponto a provar. Agora, ele entendia exatamente o que o outro queria com tudo aquilo...
Hatake instintivamente forçou seu quadril para frente quando sentiu o calor de Naruto envolvê-lo, penetrando-o ainda mais e agarrando as mãos que ficavam as unhas em suas roupas. Forçou os braços do mais novo contra o espelho, segurando-o pelos pulsos enquanto o empurrava para frente com seu quadril.
Naruto, no entanto, conseguiu libertar sua mão direita e agarrou os cabelos de Kakashi, trazendo-o para perto de seu ombro e aguentando a mordida acabou recebendo naquele ponto de seu corpo sem sequer choramingar. Céus, estava tão excitado com tudo aquilo que não era nem engraçado! Se Kakashi começasse a se mover agora, ele com certeza não conseguiria impedir seu orgasmo.
— Viu como você é forte, Naruto? — o grisalho rosnou contra o seu ouvido, observando-o pelo espelho e sentindo sua pele cada vez mais quente pelo desejo. Estava se sentindo especialmente conectado com Naruto naquele momento, e mal podia conter sua luxúria ao perceber que Naruto finalmente compreendia seus motivos para agir assim — Como que alguém forte assim vai morrer nessa porra de invasão?
Naruto riu alto, rebolando forte no membro de Kakashi e ganhando um chupão no pescoço, forte o suficiente para marcá-lo de leve.
— Eu não vou morrer, e nem você vai. — ele falou, confiantemente, deixando bem claro que realmente acreditava nisso, ao menos naquele aquele momento.
Para qualquer um, aquela conversa poderia parecer desnecessária ou simplesmente "papo de cama", mas o casal se compreendia de tal forma que entendia a importância disso. Kakashi queria que Naruto tivesse um pouco mais de confiança na sua capacidade física, enquanto Naruto sabia que se pronunciar daquela forma sobre o assunto era importante pra Kakashi. Eles sabiam que aquela afirmação não era uma certeza absoluta: o pior poderia acontecer, mas se eles não tivessem ao menos confiança em si próprios, o pior certamente iria acontecer.
— Lógico que não vou morrer, meu incubus. — Kakashi falou de maneira divertida, arrancando um sorrisinho sacana de Naruto, que logo foi substituído por uma expressão de êxtase intensa quando ele começou a se mover vagarosamente — Eu não vou morrer sem te dizer as "três palavras mágicas".
Naruto sentiu todo seu corpo arrepiar com aquilo. Como queria ouvir Kakashi dizer "eu te amo" num sentido de relacionamento amoroso! Como ele ansiava por isso, como ele necessitava ouvir!
— Naruto, eu te...-
Ele queria, muito, mas não iria deixar isso acontecer. Não agora, não naquele momento. Não!
— Não diga! — ele o interrompeu, agarrando novamente os cabelos do Kakashi e forçando-o a encará-lo pelo espelho, sem jamais parar suas investidas precisas e lentas — Não diga, será nossa garantia. Você vai me dizer as "três palavras mágicas" quando nós voltarmos pra casa e o Itachi estiver bem longe da gente, porque quando eu ouvir você falar isso eu vou querer transar durante três dias seguidos!
Kakashi só não gargalhou com a espontaneidade das palavras de Naruto porque seu corpo estava ocupado demais tentando sobreviver ao êxtase que o assolava perante o olhar totalmente selvagem que recebia do reflexo do espelho.
— Ok. — ele respondeu, sorrindo de canto de boca — Trato feito!
— Mas eu posso dizer... — Naruto empurrou Kakashi bruscamente para trás, aproveitando o momento de movimentação para se girar e sentar na pia, agarrando-o novamente com as pernas e puxando-o para dentro de si mais uma vez — Eu te amo!
Ele o observava nos olhos, intensamente, agarrando o rosto do mais velho e o beijando sensualmente, apertando o pênis de Kakashi com seus músculos internos e recebendo arranhões fortes em suas costas. Considerando que não estava sentindo o suficiente do corpo de Naruto, Kakashi interrompeu o beijo e agarrou a barra de sua camiseta, retirando-a bruscamente, jogando-a para trás e fincando as unhas com força nas costas de Naruto, arranhando-o de cima a baixo.
— Eu te amo! — o Uzumaki repetiu, ainda mais alto, puxando Kakashi para mais um beijo e sendo correspondido na mesma intensidade.
A intensidade do sexo aumentou gradativamente, e beijos intensos foram trocados até a velocidade da penetração tornar essa tarefa impossível. Naruto respirava e gemia sem pudor algum e Kakashi já tinha desistido de manter a sua compostura de outrora, deixando ruídos de intenso prazer escaparem do fundo da sua garganta enquanto de enterrava cada vez mais fundo no corpo do menor.
— EU TE AMO! — o Uzumaki gritou ao sentir sua próstata ser novamente atingida, arqueando as costas e sentindo Kakashi praticamente esmagá-lo em um abraço, gesto resultante da excitação que o mais velho sentiu quando, involuntariamente, Naruto apertou sua ereção ainda mais.
— Putz Kyuu...! — o grisalho grunhiu, aumentando a velocidade da penetração e colando a sua testa à de Naruto, encarando as safiras com uma intensidade jamais vista em seu olhar —Cumpra a porra do trato e não ouse morrer naquele inferno!
— E quando... anh! E q-quando foi que eu faltei com a minha p-palavra?! — Naruto respondeu gaguejando, fechando os olhos e inspirando fundo pela boca, tapando-a com a própria mão para tentar conter o seu grito de prazer.
Kakashi, especialmente estimulado com a visão privilegiada que era apreciar um orgasmo de Naruto, não conseguiu se controlar e também chegou ao ápice, arrancando a mão de Naruto de sua boca e mordendo o queixo do mais novo enquanto grunhia o nome de Naruto.
Eles demoraram quase dois minutos para estabilizar sua respiração e conseguirem olhar com foco um para o outro. Naruto sorriu abertamente, passando as mãos carinhosamente sobre os cabelos bagunçados de Kakashi, enquanto o mais velho depositava um selinho suave em seu nariz e o encarava com total paixão e compreensão.
A felicidade que Naruto sentia era descomunal, mal parecia que estava tão nervoso há pouco tempo. E ele sabia que isso não era resultado apenas de sua sublimação...
Kakashi o amava! O seu amor retribuía o sentimento! E ele nem precisava dizer isso em voz alta: os olhos serenos e cheios de admiração do mais velho entregavam a verdade. E isso deu ainda mais confiança a Naruto de que eles iriam sair vivos dessa confusão.
Porque nem fodendo que ele ia deixar de ouvir aquelas benditas "três palavras mágicas"!
(***)
Karin adentrou o estabelecimento lotado com confiança em si mesma, sabendo que tarefas como aquela nunca eram muito complicadas de se cumprir quando se tinha a ajuda da proteína dar um amparo. Seus olhos bem treinados analisaram o ambiente rapidamente, procurando a oportunidade perfeita para agir.
Encontrou um casal que aparentemente estava no começo de um relacionamento amoroso, dada a atenção que prestavam um no outro. Direcionou sua atenção especialmente para o homem do casal: ele era pouco mais velho do que a namorada, tinha um celular simples, daqueles que provavelmente não necessitariam de senha para desbloquear, e talvez por não se preocupar com furtos ao utilizar um aparelho antiquado como aquele não dava a devida atenção para o objeto, deixando-o no canto da mesa enquanto acariciava e beijava com ternura a sua companheira.
Considerando que aquela seria a oportunidade perfeita, ela se movimentou rapidamente para o corredor de mesas e depois de se certificar que ninguém prestava atenção em sua movimentação, agarrou o aparelho celular enquanto passava. Sem diminuir a passada, tomou o caminho para o banheiro do café, procurando privacidade.
Não tinha a intenção de furtar o aparelho, mas ela não era louca de usar seu próprio celular ou um telefone público para ligar para aquela pessoa. Karin sabia que havia chances do seu próprio aparelho estar grampeado naquele momento, por isso ela não iria arriscar.
Discou rapidamente, aguardando com impaciência que fosse atendida. Depois do que pareceu uma eternidade ouviu o toque de chamada cessar, indicando que alguém atendeu.
— Qual o código? — Orochimaru falou do outro lado da linha sem cumprimentá-la, já sabendo pelo DDI de qual país era a ligação, percebendo que só poderia ser de Karin.
A ruiva girou os olhos, se lembrando da ironia que esses "códigos" significavam. Orochimaru costumava criticar Madara por desconfiar demais, mas atitudes como essa não o deixavam muito atrás no quesito confiança.
— Hebi. — ela disse, utilizando a palavra chave que indicava estar "tudo limpo". Eles tinham vários códigos de comunicação, e se ela fosse descoberta usaria outra palavra-chave, indicando que aquela seria uma conversa assistida.
— Por que ligou Karin? — Orochimaru questionou, provavelmente interessado ao perceber que ela se utilizava de outro aparelho para se comunicar.
— Naruto, Kakashi, Itachi e Shikamaru estão a caminho do QG. — ela respondeu, sem grandes delongas, trancando a porta do banheiro apenas para assegurar sua privacidade. Sua audição sobrenatural não captou passos naquela direção, mas não era demais se prevenir — Eles contrataram mercenários e devem chegar aí dentro de pouco tempo.
— Hm... Interessante, eu achei que iriam demorar mais. — a voz dele soou divertida e empolgada, como se estivesse realmente feliz por essa "surpresa fora de época" — Tenho que dar as boas notícias aos interessados!
Novamente, Karin exibiu impaciência, observando sua própria expressão preocupada através do espelho.
— E Sasuke? Está bem?
— Sasuke está ótimo. Não se preocupe com ele. — ele respondeu displicentemente. Alguns ruídos de gavetas abrindo e fechando foram ouvidos do outro lado da linha; Orochimaru, decerto, já estava se preparando para tomar as devidas providências — Eu preciso desligar, se eles estão chegando temos que nos preparar agora.
— Orochimaru, você vai manter a sua palavra, não vai? — ela questionou com a voz fraca, extremamente preocupada com a integridade física de Sasuke.
— Você está duvidando de mim Karin?
— Não... — ela sussurrou em resposta, com total certeza de suas palavras — Eu só quero me certificar de que a situação não mudou.
Karin nunca duvidou de Orochimaru, era totalmente leal a ele e se revelou a Naruto por influência dele. Não que ela não gostasse de Naruto, conforme o conhecia se apegava ainda mais ao seu irmão de sangue, mas Orochimaru era a sua família e o seu porto seguro, e ela certamente confiava nele com todas as forças. Ela sabia cada plano de Orochimaru, cada detalhe de sua investida, cada planejamento; por isso estava agindo de acordo com o combinado.
Sendo assim, raramente requisitava que ele falasse isso em voz alta, mas naquele momento sentiu uma grande vontade de ter certeza absoluta das intenções de Orochimaru.
— Está tudo ocorrendo como o plano e eu vou manter minha palavra. — Orochimaru falou com irritação e Karin confirmou a verdade pelo tom de voz utilizado. Ele desligou o telefone logo em seguida, provavelmente se sentindo ofendido pelo pequeno teste.
Karin tinha uma habilidade peculiar, um pouco parecida com a de Konan, mas mais eficiente por ser possível de se utilizar a distância. Karin conseguia verificar as emoções reais de alguém prestando atenção em uma diferença mínima de timbre da voz dessa pessoa; o que significava dizer que ela percebia se alguém estava mentindo ou falando a verdade, e essa era uma habilidade extremamente útil para Orochimaru.
Ela e Orochimaru trabalhavam em conjunto nesse aspecto: ele usava um ponto de escuta auricular, tecnologia avançada, e quando precisava verificar a veracidade das palavras de alguém (geralmente Madara), Orochimaru ligava para o celular dela e deixava no viva-voz para ela ouvir a conversa. Karin respondia se a pessoa falava verdade ou mentira e Orochimaru escutava seu veredito pelo ponto no ouvido. (4)
Concluindo que a voz de Orochimaru só exibia traços de indignação e não de mentira, Karin checou as últimas chamadas do celular e deletou a sua ligação. Em seguida saiu do banheiro, fazendo o caminho de volta e deixando o celular no mesmo ponto que o havia encontrado; o casal nem parecia ter se mexido nesse meio tempo, quem dirá ter notado falta do aparelho.
Chegando à saída do estabelecimento, Karin arrumou melhor seu casaco, suspirou fundo e encarou a noite fria com determinação. Sasuke ficaria bem, ela tinha certeza disso.
Tudo vai continuar de acordo com o plano...
(***)
Itachi tinha certeza que ouviu um grito no avião, apesar de não ter mais ninguém acordado naquele vôo. Como Kakashi e Naruto não estavam em seus assentos, isso o preocupou consideravelmente. E se houvesse alguma emboscada ali? E se a equipe do Sai fosse apenas uma fachada de Madara e eles estiverem correndo perigo? Sai sabia o vôo que eles pegaram, poderia muito bem ter um Akatsuki ali para fazer o trabalho sujo!
Mais preocupado do que era capaz de admitir, ele andava rapidamente pelos corredores, ignorando o leve formigar em suas pernas que, na verdade, deveriam estar latejando de dor, mas a adrenalina com certeza anestesiou algo que já não causava tanto impacto em Itachi devido a sua alta tolerância a dor. Tentou chegar o mais próximo possível de onde ouvira o grito, mas assim que entrou no corredor que dava aos sanitários, deu de cara com Naruto.
— Você está bem? Eu ouvi um grito! — ele sussurrou com urgência, inspecionando a aparência de Naruto e erguendo a sobrancelha pelo sorriso gigante que ele exibia.
Itachi se sentiu um tolo por ter se preocupado tanto assim com o Uzumaki, já que ele estava bem, apesar de um pouco descabelado (provavelmente por ter dormido um pouco durante a viagem). Ele só aparentava estar circulando por aí, e isso fez Itachi perceber que deveria parar de se preocupar tanto, pelo menos enquanto não estivessem no QG.
Contudo, interrompendo a auto-repressão de Itachi, Naruto o surpreendeu como nunca havia sido surpreendido: o loiro simplesmente respondeu sua pergunta com um abraço e um beijo estalado na bochecha do Uchiha.
— Naruto! Mas que porra...?!
Como assim o Naruto me beijou?! Tá certo que foi no rosto, mas ainda sim! Ele só pode estar doente!
— Eu gosto de você também Itachi-bastardo, então nada de morrer no QG, hein? — Naruto respondeu animadamente, bagunçando os cabelos de Itachi e recebendo um empurrão relativamente forte em seu ombro como resposta.
Itachi exibiu os olhos avermelhados que sempre ascendiam quando estava irritado, mas também sentiu seu rosto esquentar perante a declaração de Naruto, sentindo vergonha e não sabendo ao certo o que responder. O Uzumaki, no entanto, achou tudo muito engraçado e deu mais uma risadinha, ultrapassando Itachi no corredor e voltando em direção ao seu assento.
— Ah, empata-foda: — Naruto cantarolou por cima do ombro; Itachi virou o rosto para encará-lo, tentando ao máximo disfarçar seu rubor — Dessa vez você não foi rápido o suficiente!
O ex-Akatsuki, um pouco perdido diante da afirmação, recomeçou seu caminho, seguindo em direção ao banheiro da onde Naruto acabara de sair, a procura de uma resposta para o inacreditável bom humor dele. Ao adentrar o recinto, o Uchiha instantaneamente cruzou os braços e balançou a de um lado para o outro, abrindo um sorriso de canto de boca enquanto observava a pessoa que ali estava.
— Tsk Tsk... — ele fez um ruído de estalo com a língua nos dentes, encarando Kakashi com ares divertidos enquanto o mais velho tentava arrumar o seu cabelo totalmente despenteado, fingindo prestar total atenção ao seu reflexo no espelho — Depois falam de mim.
— Nem uma palavra, Itachi. — Kakashi murmurou, observando-o pelo canto do olho.
Ele acatou o pedido e nada mais disse, virando as costas e deixando o grisalho a sós enquanto voltava para o seu lugar, agora bem mais relaxado ao perceber que não acontecera tragédia alguma. Afinal, até mesmo ele, com todas as suas dificuldades de interpretação comportamental, era capaz de entender o que acabara de acontecer ali. E ele não poderia censurar, pois se os papeis fossem invertidos e Sasuke estivesse consigo naquele vôo, em um relacionamento estável com sua pessoa, com toda certeza eles passariam as cinco oras de vôo dentro daquele bendito banheiro.
Kakashi e Naruto tinham sorte demais de ter um ao outro e apesar de Isso causar um sentimento de auto-piedade em Itachi, ele não podia negar que estava feliz pelo casal. Diacho, apesar de não ter respondido de volta a Naruto, não tinha como negar: Ele também gostava dessas duas pessoas e entendia perfeitamente porque Sasuke os considerava sua família.
Mas sem beijos no rosto, por favor.
(***)
Por quanto tempo os dois permaneceram em silêncio um olhando para o outro era difícil saber. Parecia uma eternidade, apesar de Konan suspeitar que se passaram apenas vinte minutos. Nem ela e nem Pain sabiam ao certo o que falar depois da declaração de Sasuke, e ela instintivamente começou a prestar mais atenção em seu baixo ventre, como se procurasse alguma sensação que declarasse se ele estava falando a verdade. Ela nada sentia além do medo, desespero e um pouco de cólica.
No QG, eles ensinam como acontece uma concepção e como a gestação funciona, justamente porque precisam explicar esse tipo de coisa para os Akatsukis tentarem se cuidar para não acontecer uma gravidez indesejada em missões sexuais com vítimas do sexo feminino. A maioria não se preocupava muito com isso, pois as missões do tipo costumavam ser rápidas e mesmo que as vítimas engravidem, não há tempo para a gestação ser diagnosticada. Era natural entre os membros da Akatsuki nunca pensar muito nesse detalhe e até mesmo ela não havia questionado a monstruosidade desses atos até agora, já que Orochimaru havia assegurado que ela não engravidaria e não precisava se preocupar com isso.
Quantas mulheres grávidas foram assassinadas a sangue frio nessas missões? Quantas dessas crianças em formação eram de Pain? Quantas foi ele mesmo quem arrancou suas vidas? Pensar que ela estaria grávida, mesmo que fosse um blefe de Sasuke, trouxe esse tipo de questionamento na sua mente. Pelo olhar de Pain, ele também estava seguindo uma linha de raciocínio semelhante. Gravidez, para um Akatasuki, é algo tão surreal que eles até esquecem a sua existência, e trazer a toda nesse questionamento trouxe consigo muitas incertezas.
Orochimaru havia mentido? Como ela teria engravidado agora se, até então, isso nunca havia acontecido? Poderia ter alguma relação com a sua falta de proteína? Pois essa foi a única coisa que mudou em sua vida de uns tempos para cá. Mas, além de todas as suas dúvidas pessoais, o que certamente a deixava preocupada era como Pain estava reagindo a essa nova informação.
— Eu sei o que você está pensando. — ela murmurou, agora sem os efeitos eminentes do frenesi, não aparentando mais raiva e sim uma grande compreensão em olhar os olhos de seu amado, apesar do medo de ele estar sofrendo pelo fim da vida de seus próprios filhos nas missões sexuais — Não pense nisso agora...
Mas apesar de esse sentimento ter sim cruzado a cabeça do número um da Akatsuki, ele estava muito mais preocupado com Konan do que com o seu passado sombrio.
Passado não se muda, o presente sim.
— Você fez missão sexual recentemente? — ele questionou com a voz trêmula, mordendo o lábio inferior assim que terminou de falar, numa tentativa de esconder suas expressões faciais de Konan.
Ela entendeu perfeitamente o conteúdo da pergunta. Não era uma demonstração de ciúmes ou algo do gênero, apesar de ela saber que Pain nunca gostou quando ela partia em missões sexuais (e, por isso, ela evitava informá-lo quando fosse o caso). Ele queria saber se, caso a gravidez fosse real, havia chances do filho não ser seu; e ele não estava pensando isso para evitar responsabilidades.
— Eu não vou em missões sexuais desde que a missão de Itachi com Sasuke começou. — ela murmurou, também abaixando a cabeça e evitando fitar os olhos de Pain; não queria encarar a expressão desesperada que ele provavelmente iria adotar.
— O que nos vamos fazer? — ele sussurrou, sua voz tremendo assim como todo o seu corpo — Se você estiver grávida mesmo, o bebê é meu, e Madara vai...
Pain estava apavorado e ela compreendia isso. Ele já estava preocupado com a vida dela e, em poucos minutos, passou a se preocupar com a vida de mais uma pessoa. Se o bebê fosse de uma pessoa normal, alguém que não é um Akatsuki, conjuntamente com ela, o interesse de Madara na criança não seria tão grande, pois haveria uma possibilidade da criança nascer normal, sem anomalias decorrentes do uso da proteína (até porque Konan estava usando bem menos proteína atualmente). Se esse fosse o caso, não haveria interesse algum para Madara.
Todavia, como ela não saiu em missão sexual, Madara imagina que a probabilidade dela ter engravidado de Pain é quase que total, podendo suspeitar de algum outro Akatsuki (mesmo sabendo que eles eram um dos poucos casais da Akatsuki que não costumavam interagir sexualmente com os outros membros); ou seja, a gravidez ofereceria um objeto de pesquisa extremamente interessante tanto para Madara quanto para Orochimaru, já que os dois pais da criança eram usuários da proteína em questão.
Isso, inicialmente, poderia parecer uma boa notícia, pois Konan teria alguns meses de vida garantidos. Eles não iriam matá-la antes de ela dar a luz e provavelmente a iriam fortalecer um pouco para que ela não perdesse o bebê, talvez ela recebesse a dose certa de proteína logo logo. Por outro lado, ela ficaria presa nesse período e seria descartada depois do nascimento de seu filho, que obviamente seria separado de seu convívio. Se não a matasse depois disso, poderia contar com Madara utilizando-a em experimentos do tipo por tempo indeterminado, o que seria imensamente pior do que ser morta a sangue frio.
Pain não podia deixar isso acontecer, ele não iria permitir isso!
— Konan, nós temos que fazer alguma coisa, nós não podemos deixar Madara pegar você, nós...
— Pain, — ela o interrompeu, erguendo novamente a cabeça e olhando-o com os olhos cheios de lágrimas — Não use nosso pouco tempo falando besteiras.
— Não é besteira! Nós precisamos-...
— Eu te amo!
Essa declaração certamente foi pronunciada de maneira enfática o suficiente para fazer Pain se calar e arregalar o olhar.
— Eu te amo! — Konan repetiu, piscando as lágrimas de uma vez e deixando um soluço do fundo da sua alma escapar — E é por isso que eu queria ajudar o Itachi e o Sasuke! Eu sempre te amei e eu vi neles o sentimento que eu tinha por você, apesar de não compreender isso exatamente naquela época. Eu queria entender, e eu entendi Pain, eu entendi! Eu sou capaz de morrer e matar por você, sou capaz de arriscar tudo pra viver ao seu lado, queria aprender como lidar com todos esses sentimentos e estar presente em todos o momentos da sua vida. Eu queria... eu poderia... Mas infelizmente eu esqueci o maior problema que acontece com alguém que ama.
O ruivo encarava Konan com total surpresa, sentindo sue coração bater ainda mais forte naquele momento. A mistura de sentimentos que a declaração causou em Pain era totalmente desconhecida por ele, mas um dos sentimentos ele conseguia definir perfeitamente.
Como fui imbecil o suficiente para não perceber antes?
— O que é? — ele questionou docemente; o tom de voz dele a fez erguer a cabeça e encarar os seus olhos. Pain sorriu, encorajando-a a continuar a falar.
— Eu sonhei demais. — ela disse entre um soluço, ainda chorando, mas se acalmando o suficiente para trocar olhares com Pain enquanto se declarava — Eu sonhei e por tirar os pés do chão esqueci a improbabilidade de todos os meus sonhos darem certos. Eu amei e me coloquei em um conto de fadas, esquecendo que não é nesse tipo de realidade que nós vivemos. Perdoe-me meu amor, eu não devia...
— Não ouse se arrepender de ter tentado. — ele disse, interrompendo-a antes que a declaração fosse estragada por palavras que ele não desejava ouvir — Não se arrependa agora, Konan.
— M-mas... nós...
— Não se arrependa no momento que pode ser o nosso último encontro em vida, não jogue para trás o que tentou conquistar. — a calma de Pain em pronunciar aquelas palavras era tão inacreditável que Konan subitamente parou de chorar — E daí que não deu certo? E daí que nós vamos morrer? Se pudesse voltar atrás, você realmente faria diferente? Você iria se fechar para Sasuke e Itachi e não ia desmistificar seus sentimentos?
Ela parou de respirar, deixando sua mente repensar todo o caminho percorrido até então. Ela seria capaz de fazer diferente? Mesmo se soubesse que o final seria trágico dessa forma, ela conseguiria desejar voltar a viver a vida mentirosa que vivia antigamente? Valeria a pena morrer como uma simples ferramenta de Madara, sem entender um pouco melhor a complexidade do ser humano e de seus próprios desejos e anseios?
— Eu... Eu não me arrependo. — ela respondeu, por fim — Se eu fizesse diferente, eu não teria percebido os meus sentimentos por você.
Ela abriu um sorriso e, apesar de não estar tão calma como Pain, parecia ter se convencido um pouco mais do fim que se aproximava. Uma vez ela dissera a Sasuke que preferiria morrer tentando escapar do QG do que continuar naquela fantasia, não era na beira do desastre que ela mudaria de opinião. Não, ela não se arrependia, e se Pain também não estava arrependido, não havia motivos para se martirizar.
Eles continuaram a observar um ao outro durante alguns minutos, um pouco mais calmos, mantendo o sorriso a postos. Sentiam-se levemente sonolentos, não compreendendo se aquele efeito era resultante da falta de proteína ou da calma depois de aceitar seu destino.
— Eu te amo também. — Pain disse, baixinho, quase adormecendo.
— Eu sei. — ela respondeu, tão sonolenta quanto ele, ainda com o sorriso a postos — Nem precisava falar...
— Claro que eu precisava... eu me recuso a morrer com essas palavras entaladas na minha garganta. — ele bocejou, seu corpo cada vez mais relaxado — Te espero quarta-feira para assistir você montar as dobraduras, Konan.
— Tomara que o chefe do inferno seja mais bonzinho que o Madara. — ela deixou uma risadinha escapar de seus lábios, se sentindo quase totalmente envolta pelo o sono.
— Ah Konan... com você não importa as adversidades: qualquer lugar se torna o paraíso.
Ela não respondeu mais, adormecendo com um sorriso nos lábios, sentindo-se muito mais feliz do que no começo daquele desespero. Pain ainda conseguiu forças para abrir os olhos e apreciar sua amada por alguns segundos, antes de repetir baixinho um "eu te amo", mesmo sabendo que ela já não conseguiria mais ouvir.
Ele dormiu menos de um minuto depois.
(***)
Madara olhou no relógio, percebendo que muito provavelmente o oxido nitroso já atingira o efeito desejado em Pain e Konan. Ele sinceramente não queria ter necessitado utilizar essa ferramenta nos dois números superiores da Akatsuki, mas agora não se arrependia da instalação do reservatório há mais ou menos um ano. Como químico experiente, Madara sabia os efeitos do gás hilariante nos Akatsukis e compreendia que os dois já deviam estar bastante sonolentos, se já não estivessem dormindo. (5)
Esse seria o momento certo para agir.
— Sasori — ele chamou a atenção do subordinado que mais confiava e o ruivo se aproximou, observando o líder procurar algo no armário de componentes químicos — Você vai anestesiar o Pain antes de tirá-lo de lá.
Isso não era algo novo para Sasori visto que, de todos os Akatsukis, o que mais sabia lidar com envenenamento e outros componentes químicos era o número quatro. Não haveria perigo de ele errar o procedimento, Madara sabia muito bem disso.
— Mesmo se ele tiver dormindo, não o retire nas condições em que ele se contra agora, porque os efeitos do gás hilariante passam em no máximo cinco minutos; ele despertará. — explicou, colocando a caixa com a seringa e o anestésico nas mãos de Sasori — Se ele acordar e perceber que está longe de Konan, muito provavelmente vai se render ao frenesi e fugir. Você sabe bem como Pain pode ser perigoso em estado de frenesi, mesmo que ele esteja levemente debilitado.
— Eu sei, chefe. Pode deixar comigo.
— Ótimo. — o Uchiha declarou, encarando Sasori nos olhos e deixando claro que não aceitaria qualquer tipo de falha — Você sabe o que fazer.
O ruivo confirmou com um aceno de cabeça, marchando em direção ao quarto da primeira dupla da Akatsuki, pronto para tirar Pain de lá.
— Número cinco.
— Sim, líder? — Deidara declarou, dando um passo a frente e aguardando as instruções.
— Vá chamar Orochimaru. — ele declarou, secamente — Precisarei dele para dar um jeito em Konan.
O loiro concordou com uma breve reverência, seguindo os passos de Madara e se retirando do laboratório. Quando o Uchiha se viu sem a companhia da dupla favorita, deixou um sorriso vitorioso emoldurar seus lábios, suspirando e leve, bem mais calmo do que outrora.
— Fim da linha, traidores.
(***)
Era de se imaginar que a equipe de Sai não fosse muito normal, por isso não foi surpresa alguma se deparar com vinte homens mascarados sentados nas poltronas de vôo daquele avião particular. Ainda sim, Naruto não conseguiu desfazer a cara de espanto.
Eles usavam roupas simples, negras, e máscaras de pano igualmente negras, cobrindo todo o rosto e deixando a mostra apenas os olhos enigmáticos e predatórios. Apesar de não ser uma vestimenta do tipo, era inevitável não associar o visual aos ninjas dos filmes hollywoodianos, principalmente pelo fato das máscaras serem de pano e envolverem toda a cabeça (ou, talvez, fosse exagero da criatividade grande que Naruto possuía).
Sai estava à frente deles e não usava a máscara, mas ela estava presa firmemente a sua cintura, indicando que a colocaria quando chegassem ao local. Ele provavelmente era o único que mostrava o rosto, pois já Naruto e os demais já conheciam sua identidade, enquanto os outros gostariam de permanecer no anonimato.
Era uma medida de segurança razoável para uma missão como essa, mas ainda sim tal gesto de desconfiança não agradou nem um pouco Kakashi, Itachi, Shikamaru.
— Conseguiram embarcar sem grandes problemas? — Sai perguntou, cumprimentando Naruto com um breve sorriso e erguendo o queixo dele com o indicador. O loiro engoliu em seco e voltou seu olhar para Sai, percebendo que até então encarava os homens mascarados de boca aberta.
Kakashi, observando a maneira casual que Sai se dirigia ao seu namorado, sentiu um pouco de ciúmes, sentimento que acabou mesclando com sua indignação perante as máscaras, irritando-o consideravelmente.
— Tivemos um pouco de problema com o Itachi, não pela falta de passaporte, já que conseguimos documentos falsos, mas porque ele está doente e os funcionários falaram que ele não poderia embarcar nessas condições. — ele respondeu secamente, trazendo a atenção de Sai (e dos vinte mascarados) para si — No fim, conseguimos voar até este aeroporto, e entrar nesse vôo privado foi bem mais fácil. Por que será?
Naruto sabia que boa parte do tom hostil de Kakashi advinha do ciúme, mas não era apenas isso. Todos ficaram particularmente irritados quando souberam que o segundo vôo que pegariam era um vôo particular, ainda que no aeroporto da capital daquele país. Shikamaru tinha levantado essa possibilidade, mas Kakashi havia descartado-a ao afirmar que eles não seriam loucos de fazer uma manobra suspeita como essa.
No fim, eles agiram da forma prevista por Shikamaru. Agora os quatro se encontravam em um avião particular, provavelmente do misterioso chefe de Sai e, é claro, estavam duplamente mais nervosos por conta desse detalhe; Itachi, por exemplo, seria capaz de iluminar um ambiente escuro com o brilho rubro e feroz que escapava de seus olhos.
Sai, todavia, não parecia intimidado com isso.
— Acho que vocês não estão muito felizes pelo vôo ser particular... — Sai comentou casualmente, parecendo interessado em presenciar o nível de insatisfação dos companheiros; Naruto sabia o quanto Sai poderia ser curioso quando o assunto era 'comportamento humano'.
No entanto, os demais não conheciam Sai tão a fundo e acharam aquele comentário uma afronta ainda maior, considerando-o irônico. Itachi perdeu o pouco da paciência que tinha e deu um grande passo à frente, de uma maneira tão imponente que Sai acabou dando um passo para trás instintivamente. Ninguém podia negar, Itachi estava especialmente furioso naquele momento, nada lembrava o Uchiha machucado e entristecido do hospital.
— Você acha?! — Ele rosnou, estreitando o olhar e encarando Sai com jura de morte estampada em cada milímetro de seu corpo, indicando que ele deveria escolhermuito bem as palavras para não acabar com todos os ossos quebrados dentro de instantes.
— Vocês realmente pensaram que nós iríamos conseguir levar armamento em um avião comum? — Sai respondeu, adotando a compostura de antes e encarando Itachi em pé de igualdade — Não teria como levarmos todo o equipamento num vôo de companhia aérea.
Estava com medo, sim, mas ele já tinha se deparado com outro Akatsuki antes e sabia o quanto eram perigosos, mas naquele momento ele estava na vantagem: havia várias pessoas ali que salvariam sua pele se a situação ficasse complexa demais.
— Itachi, acalme-se. — Naruto falou, puxando o mais velho pelo antebraço — Sai é meu amigo, ele não vai nos trair.
— Naruto, você vive num conto de fadas. — Itachi respondeu secamente, dando as costas aos dois e voltando para trás, ficando ao lado de Shikamaru, que só observava toda a movimentação com olhares analíticos.
Naruto suspirou fundo. Não queria brigar com Itachi agora, já que não era o momento para isso, e por isso optou por não rebater a ofensa. Fez um sinal para Sai com o olhar, indicando que seria bom ele reconquistar a confiança de seus companheiros o quanto antes, até porque ele também já estava começando a se irritar com a situação.
No entanto, quando o moreno abriu a boca para se pronunciar, Kakashi o interrompeu:
— E cadê esse armamento? Só estou vendo um bando de gente que não é capaz nem de mostrar a cara para aqueles que dizem ser seus aliados.
— Kakashi, não confunda as coisas. — Sai respondeu, admirado em ver tamanha hostilidade no famoso "amor de Naruto"; sempre pensou que Kakashi fosse mais calmo, visto que Naruto já era bastante esquentadinho e precisava de uma personalidade diferente no relacionamento para balancear — Somos aliados temporários, não há relação de confiança, e assim como vocês estão desconfiados de entrarem em um vôo particular, eles estão desconfiados em mostrar sua real identidade para vocês. Esse tipo de argumento não é plausível... Ainda sim, vamos mostrar o armamento.
Dez homens, os que estavam sentados na cadeira do corredor, se levantaram ao mesmo tempo e abriram os compartimentos de bagagem de mão, retirando de lá vários tipos de armas de fogo, das mais comuns a outras que Naruto só havia visto em jogos de vídeo game.
O loiro se sentiu intimidado o suficiente para dar um passo para trás as armas apontadas em sua direção, mesmo que aparentemente descarregadas.
— E aqui está. — Sai disse por fim, abrindo o seu sorriso amarelo característico para Kakashi, que simplesmente olhava para as armas com o mesmo assombro que Naruto.
Todos ficaram em silêncio por um período longo de tempo, até que Itachi resolveu agir. Aproximou-se dos mercenários sem ser impedido e começou a analisar as armas com curiosidade, pegando algumas para inspecionar melhor.
Sai ainda sorria, um pouco satisfeito pelo gesto de Itachi, considerando que logo estariam se entendendo melhor.
— Precisamos não apenas de armas de fogo. — ele disse, olhando para a Carl Gustav M-45 com reprovação; não tinha a intenção de usar submetralhadora naquela investida — Precisamos ser silenciosos para não nos notarem.
— Óbvio que sim, mas temos que ter arsenal suficiente para nos defender se o plano der errado. — Shikamaru se pronunciou pela primeira vez, se aproximando de Itachi e também se interessando com o armamento, pegando uma Ares Predator IV nas mãos com bastante curiosidade — Submetralhadoras com coronha dobrável, que possamos levar nos sobretudos, pistolas automáticas são uma boa pedida. Granadas não, pois explosões poderiam causar rötshereck coletivo e Itachi deixou bem claro que devemos evitar isso a todo custo. (6)
— Vocês estão falando sério? — Naruto murmurou quase sem voz ainda em choque diante de todo aquele armamento.
Naruto sempre achou que conhecesse bastante de armas de fogo: estava enganado, havia armamento ali que ele jamais tinha visto em sua vida, nem em filmes e muito menos em jogos de vídeo game. Quem ele queria enganar? Tudo aquilo o estava deixando apavorado! Claro que sabia que eventualmente eles teriam que usar armas de fogo (mesmo que ele não tivesse a mínima ideia de como manusear uma), mas... Para que tantas!? Ele achou que uma pistola para cada um iria bastar!
— Fique calmo, Kyuu. — Kakashi falou baixinho, ao pé de seu ouvido — É só precaução, a intenção é entrar e sair sem sermos notados e usar apenas armas brancas. Isso é apenas um plano B.
O loiro não respondeu, observando a discussão de Itachi e Shikamaru na tentativa de mudar o foco de sua preocupação.
— Temos que evitar ao máximo as armas de fogo, a não ser que tenham silenciador muito bom para pistolas e estejamos em campo aberto. Ainda sim, os Akatsukis são capazes de ouvir o tiro a quilômetros de distância, mesmo com o silenciador. — Itachi instruiu a todos, mantendo contato visual com cada um que lhe direcionava atenção.
Por algum motivo, os mascarados pareciam bastante interessados no que Itachi tinha a falar, e isso fez os quatro perceberem que, sem sombra de dúvidas, eles sabiam exatamente o que Itachi era capaz de fazer. Por óbvio, todos ali já conheciam as particularidades da Akatsuki e estavam curiosos para observarem um ex-membro em ação.
— Não imaginei que você prezasse tanto pelo silêncio de uma arma. Não era você que foi encontrado por Sasuke com uma Desert Eagle? — Shikamaru questionou, franzindo o cenho diante as instruções de Itachi.
— Estilo nem sempre tem correlação com silêncio, Shikamaru. — alguns dos mercenários deixaram escapar uma risadinha, provavelmente concordando com a opinião de Itachi — Mas eu prefiro armas brancas orientais; eu carregava mais aquela pistola por valor sentimental, nunca cheguei a usar em missões.
Itachi pareceu um pouco entristecido ao se lembrar de sua arma de fogo (que, muito provavelmente, ainda estava retida na polícia federal). Naruto percebeu prontamente a mudança de comportamento e ficou curioso para saber a história por trás da famosa Desert Eagle de Itachi; mas aquele certamente não era o momento para conversar sobre isso com ele.
— As armas brancas estão no destino, conseguimos transportar de outras localidades. — Sai falou calmamente, atraindo a atenção de Itachi para si mais uma vez. Ele não estava mentindo quando disse que preferia armas brancas — Como elas são fabricadas no oriente e o QG de Madara está na Oceania, elas foram direto para a capital. Vamos pegar essas armas em um container, no porto.
— Quais você encomendou?
— De tudo, Itachi. — ele respondeu, dando de ombros — Hamidashi, katar, wakizashi, nunchaku, shuriken, ninja-to...
Diacho, quanto de dinheiro esse maldito chefe do Sai possui? — todos pensaram naquele momento, verdadeiramente impressionados com o arsenal apresentado. Itachi, que certamente não tinha noção de como era difícil pagar por tudo aquilo, não pareceu impressionado, e sim empolgado.
— Ok, já é o suficiente pra mim. — Itachi o interrompeu, abrindo um sorriso de canto de boca que indicava estar muito feliz com a escolha das armas.
— Independente disso, temos que discutir a tática de combate. — Shikamaru se pronunciou, trazendo a atenção de todas as pessoas presentes para si.
Todos já sabiam que Shikamaru seria o cérebro da operação, e portanto ninguém se prontificou a tomar a liderança naquele momento. Isso era muito bom, pois Shikamaru já tinha um ótimo plano de invasão que precisava ser repassado a todos o quanto antes.
— Quanto tempos teremos de vôo? — ele questionou, consultando o próprio relógio enquanto falava.
— Dezenove horas, com paradas para abastecimento.
Shikamaru fez um ruído de impaciência com a garganta, levando a mão ao rosto e murmurando um "que problemático". Ninguém ali estava muito contente com a viagem longa, mas seria inevitável para chegarem o mais próximo possível da ilha do QG.
— Chegaremos cansados, não seria muito prudente invadirmos no mesmo dia que chegarmos na capital. — Kakashi comentou casualmente — Naruto também precisa de um treinamento rápido para aprender a manusear ao menos uma pistola Colt.
Naruto cruzou os braços, emburrado. Dentre tantas possibilidades surreais, eles iriam lhe dar uma simples Colt? Ele certamente esperava mais do que isso...
— Mas é claro! Não vamos pro barco assim que chegarmos na capital, precisaremos de três dias, ao menos, para arrumar todo transporte do armamento para seguirmos destino. — Itachi comentou, colocando as armas que segurava de volta ao compartimento de bagagem superior — Naruto terá tempo para treinar tiro com Kakashi enquanto eu, Shikamaru e Sai fiscalizaremos esse transporte. Levar tudo para a ilha do QG será demorado e necessitará de mais de uma viagem de barco, até por uma questão de segurança, e vamos ter que desembarcar do outro lado da ilha, pra não sermos vistos. Os demais mercenários só irão para a ilha quando tivermos uma base instalada na mata nativa.
Esse planejamento já era o combinado por Shikamaru, Kakashi e Itachi. Apesar de Naruto ter mencionado o perigo que era deixar o hospital desabitado durante tanto tempo, já que Madara certamente perceberia a ausência deles e juntaria os pontos, não havia escolha a se fazer nesse aspecto. Tinham que agir rapidamente, sim, mas não havia a mínima possibilidade de sair do avião direto para um barco assim que chegassem à terra firme.
Todo tempo era precioso, e como provavelmente não conseguiriam mais juntar todos os homens em um local só antes da invasão propriamente dita, Shikamaru considerou que aquele era o momento ideal para repassar seu plano aos mercenários.
— Então, senhores, acho bom ficarem confortáveis. — ele falou em voz alta, atraindo a atenção de todos para si — Porque nós teremos uma longa, loooonga conversa nesse vôo...
(Cinco dias depois)
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Into a strange new world, into the after
All your tears might find you've fallen too far
Take another look, take another ride
Can't we make them leave the hate behind?
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Num estranho novo mundo, dentro do depois
Todas as suas lágrimas poderiam descobrir que você caiu longe demais
Dê outra olhada, dê outra volta
Não podemos fazê-los deixar o ódio para trás?
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Sasuke já estava há uma hora sentado em umas pedras à beira da praia mais distante da base do QG, apoiado os cotovelos no joelhos e apreciando os últimos vestígios do tom de vermelho no céu do crepúsculo; totalmente distraído, sequer percebeu a lua surgir no céu e a escuridão da noite se intensificar. Para qualquer espectador da cena, ele provavelmente estaria refletindo sobre os seus problemas, ou talvez fugindo um pouco de toda confusão do QG e repensando seus últimos atos. Seria o normal de se imaginar que Sasuke, em algum momento, questionasse toda a sua mudança comportamental.
Todavia, Sasuke, o verdadeiro Sasuke, sequer estava presente naquele momento...
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Você acha que ele se foi de vez, florzinha?
Eu não sei. Até sinto um pouco de falta dele, está "menos cheio" aqui dentro, mas ainda sim não parecemos completos sem ele.
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Sasuke piscou, ajeitando sua postura despreocupadamente, adquirindo um pouco de foco no olhar e entreabrindo os olhos, suspirando melancolicamente. Era a mente mais egocêntrica e petulante que estava no comando naquele instante, mas nem por isso ele conseguia deixar de lado o esmorecimento que aquela situação causava.
De certa forma, as duas mentes remanescentes tentavam agir como se não houvesse problemas, principalmente quando estavam no QG ou próximo de Madara e, portanto, devidamente ocupadas, não interessando qual das duas estava no controle nestas situações. Ainda sim, era unânime compreender que nunca se sentiam na plenitude de seu bom humor, já que a sensação de incompletude os acompanhava desde o sumiço da mente principal.
Pelo menos costumavam acreditar que era apenas esse o motivo dos momentos de tristeza.
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And I still believe in nothing…
Will we ever see the shape of tomorrow?
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E eu continuo não acreditando em nada...
Será que um dia veremos a forma do amanhã?
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Se ele voltar, ao menos vai ver que demos um jeito nessa confusão. Juro pra você que ele se enrola demais, por mim já tínhamos agido há eras!
Eu também acho, até agora não consigo entender o sentido em toda essa indecisão dele! Quero dizer, poxa, nem tem o que escolher, olha o Madara ali oferecendo mil opções sensacionais pra vida do Sasuke, e ele ficou seis meses tentando decidir se matava o Itachi ou não? Tenha santa paciência!
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Agora que a personalidade principal desapareceu, as outras estavam dividindo o corpo de maneira organizada, cada qual adotando a dianteira quando a situação requisitasse uma ou a outra personalidade. Ainda discordavam em alguns aspectos (principalmente quando o assunto era transar com Madara, mas pelo menos a mente mais libidinosa sempre assumia nesses momentos e a outra podia se manter distante da humilhação do seu ego), mas apesar disso o objetivo final era o mesmo: conseguir a vingança e destruir Itachi.
Parecia surreal imaginar que há pouquíssimo tempo tinham tentando convencer a personalidade principal de que isso não era o certo, enquanto agora tudo que desejavam era a permissão de Madara para que fossem buscar Itachi de uma vez. Não viam a hora de botar as mãos nele e destruírem aquela mediocridade que ele chamava de vida!
Madara, no entanto, tinha outros planos. Não queria que Itachi fosse simplesmente eliminado, gostaria que ele recebesse sua punição no QG e fosse devidamente torturado antes de ter sua vida encerrada. As mentes, depois de avaliar rapidamente, chegaram a conclusão de que isso seria bem condizente com a ideia de vingança que possuíam, e por isso decidiram aguardar mais um pouco. Madara estava preparando o "circo" novamente, e logo Sasuke estaria em missão para capturar Itachi e trazê-lo de volta ao seu maior pesadelo.
Todavia, mesmo com a atração física por Madara e a sede de vingança, elas não podiam dizer com cem por cento de certeza que acreditavam totalmente nesse ideal. O faziam por ser conveniente, apesar de nem sequer admitirem para si mesmas que essa era a motivação daquela conduta; elas também não conseguiam entender porque ainda havia uma ínfima dúvida sobre o assunto, mas por ser ínfima acabavam deixando-a de lado.
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And I still believe in nothing…
Will we ever see the cure for our sorrow?
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E eu continuo não acreditando em nada...
Será que um dia veremos a cura para nossa tristeza?
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Não fazia sentido a mudança de opinião, mas doía menos, bem menos, e isso era o suficiente para continuar a seguir por aquele caminho. Odiar Itachi era muito mais fácil do que amar Itachi. E nenhuma delas queria seguir o lado mais complicado e sofrido.
Sendo assim, a decisão estava tomada e não era rediscutida. Matariam Itachi e ficariam ao lado de Madara, por mais que Madara tivesse uma personalidade bastante complicada — nada que o tempo não o mudasse, certo?
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Sabe, às vezes eu penso que depois que nós matarmos o Itachi, o principal vai voltar.
Por que pensa isso?
Bom, acho que ele pode ter nos abandonado no momento de crise e deu carta branca para escolhermos. Como ele se ausentou, nós conseguimos ver a realidade mais claramente, sem a paixão doentia dele por Itachi, e chegamos a conclusão de que vingar nosso sofrimento seria mais razoável do que ficar ao lado do assassino de nossa mãe. Algo óbvio, mas que não conseguíamos ver quando ele estava conosco, dividindo nossas emoções.
Faz sentido, Sasuke vivia naquele mar de confusão sentimental, podia ter nos influenciado. Isso explicaria a nossa certeza de que, agora, estamos no caminho certo.
É... certeza.
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Que certeza? Elas não tinham certeza de nada! Elas estavam até convenientemente deixando de lado o fato que a mente mais complacente costumava ser a mais apaixonada por Itachi, mais até que a principal! De fato, para elas era melhor acreditar na inexistência dos fatos do que assumi-los e compreendê-los.
Balançando a cabeça para espantar essa insegurança toda (porra, a atração por Madara estava ali! O ódio pelo Itachi também! o que mais eles queriam?), Sasuke se colocou de pé e se espreguiçou, pronto para voltar ao QG. Ele e Madara se desentenderam de novo àquele dia e talvez agora a barra estivesse mais limpa para que fizessem as pazes. Além disso, ele queria rediscutir os planos para a captura de Itachi, porque já estava cansado de esperar o prazo de imposto pelo líder. Queria, ao menos, enviar o maldito filme de uma vez!
Mas quando ele estava se preparando para voltar aos muros do QG, algo no horizonte do mar chamou a sua atenção.
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Nothing is sacred when no one is saved
Nothing's forever, so count your days
Nothing is final and no one is real
Pray for tomorrow and find you're empty still
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Nada é sagrado quando ninguém é salvo
Nada é para sempre, então conte seus dias
Nada é final e ninguém é real
Reze pelo amanhã e descubra que você continua vazio
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— Uhn? Não é possível...! — ele comentou em voz baixa, ativando os olhos violetas para tentar enxergar melhor e ter certeza de sua suspeita.
Não havia erros, era sim uma embarcação: pequena, motor à gasolina, nada muito absurdo para aquele lugar. Havia mais de uma pessoa no barco, apesar de ele não conseguir ver direito quantas eram por causa da distância e da vestimenta escura que usavam. Sasuke continuou forçando o olhar intensamente, na esperança de que visualizasse um pouco melhor conforme eles se aproximavam da praia.
Se todos não estivessem no QG atualmente, Sasuke poderia pensar que era a equipe de transporte trazendo os Akatsukis para casa, mas essa não era a ocasião nesse momento. Então quem eram aquelas pessoas? Seriam invasores? Deveria ele voltar e contar para o Madara ou aguardar e tentar decifrar a identidade daquelas pessoas?
Não foi preciso ficar nesse dilema durante muito tempo, pois logo uma pessoa em específico foi identificada. Claro, a grande maioria estava camuflada, eles usavam até mascaras para tampar a pele de seu rosto, ele não duvidaria que até os olhos estivessem pintados de negro. Ainda sim, um homem em específico não usava máscara e permitia que a luz da lua cheia refletisse a sua pele clara e feições belas, de modo que Sasuke não precisou pensar duas vezes para compreender quem era aquela pessoa.
Itachi Uchiha.
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How can I believe in nothing?
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Como eu posso não acreditar em nada?
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— Oh... — Sasuke murmurou, abrindo um sorriso de refletia empolgação e sadismo — Bem dizem que o filho pródigo à casa retorna...
Ele gargalhou, sabendo que àquela distancia nenhum deles conseguiria ouvir sua risada. Quando conseguiu controlar sua empolgação e calou a barulheira que a outra mente fazia em sua cabeça, girou os calcanhares e correu em direção ao QG.
Era hoje que ele botaria um fim naquela confusão. Ele não via a hora de resolver tudo de uma vez por todas.
Tudo!
...Continua...
(1) Citação do Capítulo 32.
(2) Heh, eu estava com vontade de usar o termo correto do nosso lindo português pra isso, apesar de ser desconhecido pela maioria do fandom e todo mundo optar por "beijo grego" ou sinônimos em inglês. Pois é gente, o nome disso é "anilíngua", e eu acho mais bonitinho que "cunete" auhuahuahua!
(3) Capítulo 24: o Kakashi está repetindo as palavras que Naruto falou no primeiro lemon dos dois.
(4) Ok, essa nota vai ter várias nuances:
- Ponto de escuta auricular: é aquele aparelhinho que os policiais/detetives/espiões usam em filmes de ação. Fica dentro da orelha e eles conseguem ouvir a voz de outra pessoa por meio disso. Quem quiser ver como é esse aparelho procura no Google, quanto menor for (e, portanto, mais imperceptível for), mais caro é.
- Capitulo 26: nesse capítulo o Orochimaru "testa" o Madara na cena final, verificando se ele estava falando a verdade. Madara sabe que o Orochimaru tem alguma forma de detectar mentiras, só não sabe como ele faz isso. Bom, agora vocês sabem: é a Karin.
- Capítulo 28: nele é revelado que a Karin recebe uma dose de proteína mais límpida, e por isso tem os sentidos mais apurados do que os membros da Akatsuki. Portanto, o pessoal do "Time Itachi" sabe que ela tem uma audição melhor, e por isso confiaram bastante na vigília dela quando o Itachi estava internado no hospital. É por conta dessa audição ainda melhor que a dos Akatsukis que a Karin conseguiu desenvolver sua técnica de detecção de mentiras ou outras emoções na fala de outra pessoa.
Bom, eu acho que todo mundo percebeu que eu estou fazendo um contraste entre o "detector de mentiras" da Karin em Haunted com a Karin do mangá, que consegue detectar mudanças na natureza do chakra de alguém, percebendo se essa pessoa está nervosa, feliz, etc. Ela analisou o chakra do Sasuke algumas vezes no mangá, percebendo que ele estava cada vez mais "envolto em trevas". Acho que vocês se lembram disso né? Pois bem, essa habilidade dela é bem semelhante na fanfic, mas como não temos chakra ela faz isso através da voz alheia.
(5) Gás hilariante ou óxido nitroso é um anestésico utilizado para relaxar o paciente em casos de cirurgia (dentre outros usos). Ao contrario do que alguns filmes de comédia popularmente disseminaram, ninguém fica gargalhando feito um louco quando é submetido a esse gás. Alguns leitores que já fizeram procedimentos cirúrgicos com anestesia geral podem ter usado esse gás na cirurgia, pois ele é utilizado em procedimentos assim. Ele relaxa, te deixa mais calmo, levemente sonolento.
No entanto, não é normal que alguém caia em sono profundo apenas sobre o efeito do gás hilariante. Vocês se lembram do efeito que um Akatsuki tem com opiáceos? Pois bem, considerem que no caso do gás hilariante os Akatsukis também têm uma reação diferente, como se fosse um efeito colateral.
Madara, como vocês podem perceber, tem "armas químicas" para usar contra os Akatsukis no caso de uma traição, e é isso que ele acabou de fazer.
(6) Capítulo 25: nesse capítulo está a explicação do que é Rötshereck, para aqueles que não lembram.
N/A: A partir desse capítulo, muitas armas de fogo e armas brancas serão citadas. Como serão muitas, eu citarei o nome de todas no corpo do capítulo, mas não explicarei em notas os detalhes. Então se vocês possuírem curiosidade de saber as especificações dessas armas, apenas procurem no Google, nem que seja para ver uma imagem delas e imaginarem melhor. Todas as armas citadas são reais.
A música da última cena se chama "Believe in Nothing — Nevermore". Quem quiser baixar, está disponível no dropbox, pegue o link no meu perfil! ^^
Beijos a todos! Amo vocês! S2
Respostas reviews "guest":
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Jac
Oi querida! Muito obrigada pela sua review, só agora respondi porque a "atualização" passada foi uma nota, preferi esperar pra responder no capítulo mesmo, ok?
Então, é, o Sasuke apareceu menos nos últimos capítulos, mas foi proposital pra vocês criarem teorias sobre o que se passava na cabecinha dele. A partir do capítulo que vem ele aparecera bastante.
Huahuahuahuahua Naruto converte pessoas mesmo, converte todo mundo pro lado laranja da força! xD
Bom flor, agora que você já leu a nova atualização deve ter percebido que não é uma questão de fingimento, mas o Sasuke realmente não está normal. Era um ótimo chute o seu e eu "manipulei" os leitores pra pensarem que era fingimento do Sasuke, mas agora eu tive que revelar um pedacinho da verdade... Hehehe mas ainda tem mais coisas sobre o comportamento do Sasuke para revelar, aguarde os próximos capítulos! ^^
E pode ter certeza que o Orochimaru tem participação nisso! Hahahaha! Aquele tarado. =P
Agora, sobre o "Sasuke macho man" e o "Sasuke brabuleta", você estava super certa! Meus parabéns por ter acertado! São as outras mentes que estão no controle!
Revelações sobre o Sasori! Huehuehuehue! Será que ele está do lado do Itachi mesmo? Pode ser um truque... Nunca confie totalmente em nenhum personagem dessa fanfic. Hahahaha! E sim, ele até tava afim de dar uns pegas no Sasuke hahaha!
O Deidara... bom, aguarde pra saber o que o Deidara pensa.
Naruto vingou a vida sexual dele nesse capítulo! Itachi não conseguiu agir como o bom empata-foda que é! Huahuhauhauhau!
Ounti também não sei como não amar o Izuna. *-* Mas não é bem isso, o Madara deve ter amado sim o Izuna como irmão, entende? Mas por conta do seu narcisismo ele confundiu esse amor com um amor de paixão... Essa é a questão.
Nossa aiuehueaiheiauheui! Rihanna te lembra o Tobirama? Pelo menos rima auhauhauhau! Vamos descobrir se você acertou logo logo! Mantenha o chute! ^^
E viaje nas teorias mesmo! Gosto demais disso! Adoro quando leitores criam várias e várias teorias.
Um beijão! Muito obrigada pelos elogios e pelo apoio!
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Ale:
Oi flor, farei o possível para continuar atualizando, espero que os leitores que não se manifestam procurem aparecer mais vezes. Eu não mordo, e não tem mal algum dizer pra mim a sua opinião a respeito do capítulo. Gostei bastante que você me deixou uma review, espero que continue participando!
Ah, e fico contente que você leia a fanfic por conta do Pain e da Konan, eu adoro muito esses dois! =D
Um beijo, obrigada pela review!
