Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.

Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.


N/A: Oiiii lindos e lindas!

Sem notas iniciais! Milagreeeee!

Leiam as notas finais depois de terminarem a leitura do capítulo, ok?

Obrigada a todos que me deixaram reviews e favoritos, vocês são maravilhosos! Espero que gostem da leitura! ^^


HAUNTED

Capítulo XLI

Um pouco assustado pelo tom de voz da mãe, Naruto se retirou da cozinha, mas não obedeceu ao comando dado. Observou da sala o que acontecia no outro cômodo, e se surpreendeu quando um homem alto, de longos cabelos negros, apareceu subitamente ao lado do balcão lateral. O loiro não conseguia observar o rosto do homem naquela posição, mas não era preciso observá-lo de frente para saber que algo não estava certo ali. (1)

— Orochimaru... — Naruto murmurou, recordando-se instantaneamente da primeira vez que seu caminho cruzou ao dele, quando ainda era criança, pouco antes de sua mãe ser capturada pelo maldito e seus pais inventarem uma mentira sobre o acontecimento, a qual ele engoliu até ler a carta secreta que seu pai o deixou.

— Olá Naruto! Há quanto tempo não nos vemos? — o moreno mais velho comentou ironicamente, cruzando os braços e não parecendo nada intimidado com o olhar fuzilaste que recebia — Você cresceu bastante!

Bem verdade que a primeira vez que ele viu Orochimaru, não teve o desprazer de fitar seu rosto, mas de nada a aparência dele o surpreendeu, já que ele era tão apavorante quanto Naruto imaginava: suas feições eram relativamente bonitas e exóticas, ele parecia inclusive mais jovem do que realmente era, mas algo em todo o contexto era apavorante, não era o tipo de pessoa que transmitia qualquer tipo de bons sentimentos. Orochimaru tinha belos olhos cor de âmbar que, apesar de exóticos, exibiam um ar predatório bastante evidente, deixando claro que naquela pessoa não era muito prudente confiar.

Não que ele esperasse ter alguma confiança, claro. Orochimaru e Madara eram comparsas, tudo farinha do mesmo saco. Naruto não seria enganado tão facilmente por ele, apesar de perceber naquele momento o quão evidente era a intenção do outro de enganá-lo com conversinha.

— O que você está fazendo aqui? — Sasuke perguntou na defensiva, interrompendo os pensamentos de Naruto.

O Uchiha parecia mais preocupado com a presença de Orochimaru do que com a presença de Kakuzu há poucos minutos, o que era algo estranho de se constatar. Orochimaru, até onde Naruto sabia, não era um Akatsuki e, porquanto, não detinha força física para nocautear Sasuke. Qual era o motivo daquela intimidação?

Mas o que Naruto não entendia era o impedimento físico que Sasuke tinha quando se tratava de bater em Orochimaru. E se ele precisasse defender Naruto, seria muito complicado por conta dessa "trava" que nem ele entendia como funcionava. Maldito Orochimaru e suas cartas nas mangas!

— Bom eu ouvi uma barulheira, Kakuzu não é muito silencioso, e logo vim averiguar o motivo da alegria do número nove. Quero dizer, agora número um, né? Ele nem tentou esconder, anunciou exatamente o que aconteceu para mim.

Orochimaru parecia se divertir com a reviravolta da situação; Sasuke se sentiu envergonhado e humilhado, mas fez o que pôde pra manter sua compostura:

— Você mesmo disse que não tem nenhuma correlação com a hierarquia da Akatsuki, que seu controle no QG é outro. — Sasuke agarrou discretamente Naruto pelo braço e dando um passo a frente, tentando proteger o loiro de alguma forma. Curioso com o conteúdo diálogo, o Uzumaki nada disse, permitindo que Sasuke enfrentasse Orochimaru — Ponha-se no seu lugar!

— Olha lá como fala comigo, Uchiha. — Orochimaru desfez o sorriso prepotente, aparentando irritação; essa era uma expressão rara de se ver, pois o médico quase nunca deixava a ironia de lado quando o assunto era conversar com Sasuke — Você sabe muito bem o que eu possofazer, e o que você não pode fazer.

Naruto puxou seu braço do alcance de Sasuke e deu um passo a frente, ficando cara a cara com Orochimaru. Seu irmão protestou, tentando puxá-lo novamente, mas antes que este pudesse botar tudo a perder, Naruto resolveu agir: porque nunca que ele ia conseguir deixar uma oportunidade dessas passar, mesmo que se ferrasse consideravelmente depois disso.

O maldito já tinha ofendido demais sua família, e ofender Sasuke na sua frente foi o suficiente para fazê-lo perder a compostura. Ergueu o punho, tomou impulso e acertou o comparsa de Madara bem no meio das fuças, fazendo-o cambalear para trás e cair sentado no chão.

— NARUTO! — Sasuke gritou, num misto de preocupação e euforia, não sabendo ao certo se parava o loiro, ou permitia que desse uma lição na maldita cobra.

Ao menos alguém pode dar o soco bem dado que o Orochimaru merece receber!

Ahhh como eu queria estar na pele do Naruto agora!

Sasuke parou de tentar segurar Naruto, deixando ele fazer o que bem entendia fazer, apreciando o show com uma expressão que beirava ao orgulho.

— Mas... o que...? — atordoado, Orochimaru tentava entender o que acontecia. Até hoje só recebera golpes físicos de Madara (porque, infelizmente, ele ainda não conseguira o momento certo para 'condicionar' Madara) e receber um soco de outra pessoa, mesmo que não tão intenso quanto o do Uchiha, era desnorteante.

Naruto se ajoelhou a sua frente e o puxou pela camisa, fitando-o ferozmente com uma promessa de dor e desespero do olhar, demonstrando que Orochimaru não era o receptor de nenhum tipo de afeto de sua parte. Sim, ele era contra violência, ô se era, quantas vezes recriminou Gaara e Sasuke por brigarem sem motivo algum. Todavia, o loiro estava longe de ser perfeito: na sua cabeça, Sasuke e Gaara não mereciam a troca de socos, mas Orochimaru merecia uma surra muito bem dada.

E quem iria lhe provar o contrário?

— Isso foi pela minha família, que você e Madara conseguiram destruir!

— Você não sabe o que está falando, Uzumaki. — Orochimaru, rebateu, levando a mão ao lábio cortado pelo golpe e observando o sangue na ponta de seus dedos, parecendo impressionado — Você me acertou bonito, Sasuke deve estar te invejando mundo agora...

— Não seja por isso. — Naruto rosnou, olhando para Sasuke por canto de olho — Não nos ensinaram a brincarmos juntos, Teme? Então vem aqui dar um soco nesse filho da puta!

Sasuke não se moveu, mesmo com o convite. Isso chamou a atenção de Naruto por completo, que virou o rosto para encará-lo de frente.

— Eu não posso. — o Uchiha declarou, sua voz fraca e rouca.

— Como assim "não pode"? — Naruto parecia cada vez mais confuso na presença deste Sasuke. Seu irmão de verdade não o impedira de dar o soco bem dado que Orochimaru merecia, mostrando que também não gostava nem um pouco dele, mas porque ele se recusava de participar? Sasuke nunca foi moralista ao ponto de não se render à violência, na verdade era o próprio Naruto quem agora ia contra os seus princípios em nome da raiva.

Apesar de não admitir totalmente, Naruto só não havia moído Orochimaru na porrada até ele perder a consciência por causa de Karin. Ouvir-la falar daquela cobra maldita como se fosse alguém importante em sua vida era nojento e insuportável, mas ele respeitava os sentimentos dela, e ele tinha certeza que Karin não ficaria nada feliz em saber que ele arrancou alguns dentes dele num momento de fúria. Se não fosse pela sua irmã de sangue, Naruto não responderia por si.

— Sasuke, mostre pra ele. — Orochimaru provocou, abrindo mais ainda o seu sorriso sujo de sangue.

— Cala a boca.

Naruto, preocupado, colocou-se de pé num pulo e encarou Sasuke com indignação.

— Você não vai me dizer que tá do lado dele também!

— Lógico que não! — Sasuke respondeu, também indignado — Mas esse maldito fez alguma coisa comigo, eu não consigo bater nele. E, acredite, não foi por falta de tentar!

— Como...? — Naruto voltou a encarar o sorriso prepotente de Orochimaru, mas antes que pudesse entender o que acontecia, se rendeu a mais um momento de raiva e desferiu novos golpes no mais velho, acertando-o sem muitos problemas, percebendo que estava claro que alguém ali não tinha nenhum treinamento físico de combate.

Naruto realmente perdeu o controle ao receber toda a raiva acumulada de uma vez só. A chantagem que Orochimaru fez com seus pais para conseguir o DNA de Sasuke foi imperdoável, a maneira como os privou de um contato com Karin (se é que sua teoria estava certa, mas de fato tudo indicava que sim) o deixava nauseado, enfurecido. Mas pensar este maldito idiota bagunçou a mente de Itachi e o fez sofrer com aquelas memórias de Izuna, e agora havia, de alguma forma, mexido na cabeça de Sasuke, fez Naruto perder o pouquinho de compaixão que poderia ter.

Quando se deu por si, Sasuke o segurava com força, imobilizando-o, enquanto Orochimaru tossia e tentava respirar, com marcas vermelhas em seu pescoço. Naruto estava tão furioso que não lembrava exatamente o que tinha acabado de fazer, foi o mais puro instinto de animal que tomou conta de seu corpo, ainda sim estava evidente para quem quisesse interpretar a cena: Naruto tentou enforcá-lo.

Ainda bem que Sasuke me parou...— Naruto concluiu, estremecendo de leve. Não, Orochimaru não merecia sua compaixão, mas ele não iria se tornar como esses monstros por causa de um momento de raiva. Ele não era assim! Orochimaru seria preso junto com todos os outros bandidos desse QG e levado a julgamento, ponto final. O Uzumaki não estava ali pra bancar o justiceiro, e sim para salvar Sasuke.

— Eu não sou contra esse maldito morrer, acredite. — Sasuke sussurrou ofegante em seu ouvido, ao perceber que Naruto voltava a si — Eu até gostaria se isso acontecesse, tanto que deixei você fazer o que queria com ele até o limite. Mas Madara não pode vê-lo morto, ele é uma mente necessária nos experimentos, então eu não posso te deixar fazer isso Usuratonkashi.

— E eu aqui pensando que você estava tentando me salvar de uma possível condenação por homicídio. — Naruto comentou, chateado por ouvir Sasuke se preocupar com os objetivos de Madara. De novo.

O Uchiha sorriu de canto de boca, ainda apreciando a cena estonteante que era ver Orochimaru tossir sangue daquele jeito.

— O que acontece no QG fica no QG. Você não seria condenado de nada, tenha certeza disso.

— Pior do que uma condenação seria a minha dor de consciência.

— Você é muito mole, Naruto. — Sasuke balançou a cabeça negativamente — Eu entendo sua raiva por Orochimaru...

— Não Teme, você não entende. — Naruto sussurrou baixinho.

Sasuke não sabia nada a respeito de Karin e da chantagem emocional que Orochimaru fizera com seus pais. Sasuke só sabia dos acontecimentos superficialmente, e Naruto não queria contar naquele momento: iria piorar ainda mais a sede de vingança de Sasuke e, do jeito que ele era, era capaz de transferir toda a raiva para o Itachi, mais uma vez.

Alheio ao que se passava na cabeça do mais novo, o Uchiha continuou a explicar seus motivos:

— ... Mas não entendo como você consegue perdoar o Itachi pelo que ele fez! É ainda pior do que o Orochimaru!

— Ai bastardo, às vezes eu sinto uma vontade de bater sua cabeça no chão pra ver se ela para de ser assim! — Naruto suspirou, entristecido. Que droga, ele precisava conversar direito com Sasuke, mas os dois não conseguiam paz pra isso!

Enquanto os garotos discutiam, Orochimaru tentava se recuperar. Mesmo evidentemente machucado como nunca estivera em sua vida (Madara podia ser forte, mas nunca chegou a descontar tanto a sua raiva nele) ele não perdeu a chance de deixar uma risadinha singela escapar de seus lábios assim que recobrou o fôlego: lógico que Sasuke o protegeria, ele era cachorrinho do Madara e prezava pelos seus interesses, sabia que ele valia muito mais vivo do que morto para o Uchiha mais velho. Orochimaru não sabia como por algum momento teve medo do pior acontecer.

De qualquer forma, Naruto realmente cresceu, isso era fato. E tinha um bom soco de direita.

— Agora que parou de bancar uma de macho, me diga Naruto: o que pretende fazer? — Orochimaru questionou com a voz calma, olhando para os dois garotos e mantendo sua expressão de superioridade, mesmo que estivesse jogado no chão e machucado.

Afinal, tudo isso era um mero detalhe. Eventualmente ele iria sarar; mas não podia dizer o mesmo sobre a sanidade de certas pessoas.

— Não é da sua conta! — o loiro respondeu furiosamente; Sasuke firmou ainda mais a sua imobilização sem machucá-lo.

— Mas é da conta de Sasuke, não é? Você está no território inimigo e agora os Akatsukis sabem que você é importante pro Sasuke. Kakuzu fez chantagem, fato, mas ele não é o único daqui capaz de fazer isso. Você está em perigo, garoto.

— OLHA QUEM FALA! EU TÔ A UM PASSO DE TE MATAR! QUEM TÁ EM PERIGO É VOCÊ!

— Naruto! — Sasuke o censurou em voz ríspida, forçando Naruto a se acalmar e se pondo entre os outros dois, impedindo que aquela conversa continuasse — Orochimaru está certo, você está em perigo aqui, eu não posso permitir isso.

— Você vai dar ouvidos a essa cobra, Teme? — o Uzumaki questionou, seus olhos azuis brilhando em decepção e descrença — Ele está te manipulando na cara dura!

— Eu sei que ele está tentando me manipular. — Sasuke respondeu, um pouco enfezado por Naruto duvidar de sua inteligência daquela forma. Ele não nasceu ontem, oras! — Mas ele está certo, se qualquer outro Akatsuki souber que você está comigo, você estará em perigo. Kakuzu vai ficará no comando a partir de agora, mas eu ainda sou o mais próximo de Madara, e eles sabem que através de você podem conseguir coisas com chantagem.

— O Madara não tá nem ai pra você! Só você não percebe isso!

Mas Sasuke não prestava atenção nas palavras de Naruto, pois estava em um conflito interno naquele momento.

.

Kakashi e Naruto não estão seguros aqui. Nem o Naruto, ao nosso lado, está seguro.

'Isso é verdade, mas o que podemos fazer? Nós temos que capturar o Itachi independente de qualquer coisa, e não podemos levar o Naruto conosco. É perigoso.'

Existe só um lugar que é seguro deixar o Dobe, e você sabe onde é.

.

— Pense bem Sasuke, vale a pena arriscar a segurança de seu amado irmãozinho deixando-o solto dessa forma?

— VOCÊ CALE A B... Eiii! — Naruto tentou argumentar, mas foi interrompido antes de formular uma frase completa: Sasuke o puxou pelo braço e, sem se importar por ainda vestir roupas de dormir, o levou para fora do quarto sem olhar para trás.

Orochimaru continuou no chão, tentando se por de pé, mas Sasuke já não dava mais a mínima para o que a cobra iria fazer. O importante agora não eram as artimanhas do médico, e sim deixar Naruto em segurança.

— Teme, que diabos!? Onde você tá me levando?

— Shii Naruto, quieto, não acorde os Akatsukis!

O loiro resolveu dar um voto de confiança à Sasuke, afinal, ele era uma das pessoas em quem mais confiava a sua vida. Mesmo que o Uchiha estivesse precisando urgentemente rever seus conceitos, o mais novo sabia que ele seria incapaz de fazê-lo mal, e por isso aguardou. Assim que estivessem a sós, ele daria um jeito de convencer Sasuke que estava interpretando as coisas de um jeito bastante errôneo.

Andaram bastante, Naruto estava ficando cansado. Jamais imaginou que o QG pudesse ser tão grande e escuro: se não fosse pela iluminação dos olhos violetas de Sasuke, ele com certeza já teria tropeçado muitas vezes.

Desceram vários lances no subsolo, lugares que Naruto recordava ter visto no mapa que Itachi recebera de Sasori, mas nada pontuou a respeito. Não sabia se Sasuke tinha algum conhecimento sobre que lado Sasori realmente estava, mas do jeito que o Uchiha se encontrava, era melhor não revelar essa informação.

Sasuke está muito instável pra saber detalhes como esse no momento...

Chegaram à frente de uma porta diferente das demais: todas as portas do QG pareciam portas simples, de madeira, com fechadura de ferro enferrujado e provavelmente facilmente destrancadas com uma chave simples. No entanto, essa porta era de metal, reforçada, e sem fechadura. Havia um painel de senha digital, totalmente destoante do ambiente cavernoso do local. Sasuke, sem dizer uma palavra, digitou uma senha longa, de mais de quinze dígitos, que Naruto com toda certeza nunca seria capaz de decorar.

— Teme... o que é...?

A porta se abriu para fora e quando Naruto se aproximou do interior para ver o que acontecia, Sasuke o empurrou com força para frente e Naruto caiu no chão de barriga para baixo, surpreso pela movimentação brusca. As luzes se acenderam no interior claro do ambiente, provavelmente eram lâmpadas com sensor de movimentação, mas Naruto não teve tempo para analisar seus arredores.

— BASTARDO! — o loiro gritou, e dessa vez não foi com aquele tom de voz que utilizava ao falar o "apelido". Não, Naruto realmente o xingou, indignado.

Colocou-se de pé em um pulo e, quando estava prestes a sair para esgoelar Sasuke, ele conseguiu puxar uma grade de ferro que saiu de dentro da parede, há alguns centímetros da porta de metal que acabara de se abrir.

Sasuke o havia prendido em uma cela.

— Me desculpe, Usuratonkachi, mas isso é necessário.

Os olhos de Sasuke estavam negros novamente e ele parecia extremamente emotivo. Naruto podia não compreender muito bem como a cabeça dele funcionava, mas acabara de perceber que o garoto havia trocado de personalidade mais uma vez.

— Como você ousa me prender, seu maldito! Eu vim te salvar! Vim por juízo na sua cabeça! — ele sussurrou, estupefato demais para gritar, decepcionado demais para se revoltar.

Pois no momento que Sasuke fechou a grade, ele entendeu perfeitamente o que acontecia ali...

— Eu não posso arriscar sua segurança, tente entender! — o moreno exclamou, agarrando as barras de metal, tentando tocar em Naruto ao estiar o braço entre elas; o loiro deu dois passos para trás, balançando a cabeça em negação, observando-o nos olhos — Você vai estar seguro aqui, só eu e Madara temos a senha, os Akatsukis não vão te pegar pra chantagem!

O Uzumaki não falou uma palavra, olhando para Sasuke com uma sensação dolorosa em seu coração. Ele entendia o desespero do outro, entendia o medo e a tentativa de protegê-lo daquela forma, mas não acreditava que Sasuke fosse capaz de ir tão baixo. Nem Kakashi o impediu de vir para a ilha, mesmo com toda a preocupação.

— Eu não reconheço você. — o loiro exclamou depois que quase um minuto; Sasuke mordeu o lábio, apreensivo — O meu Sasuke confiaria em mim, estaria do meu lado, mesmo com nossas diferenças! Ele é meu parceiro!

— Eu confio em você, mas você não tem noção do que essas pessoas são capazes!

— NÃO INTERESSA! — O Uzumaki exclamou, finalmente lívido — NÃO INTERESSA PORRA ALGUMA! VOCÊ ESTÁ ME PRENDENDO, ME PRIVANDO DE LUTAR PELO SEU BEM! DE LUTAR ATÉ POR MIM! DE TENTAR!

— Eu estou te protegendo, é diferente!

— Então ao menos ouça o que eu tenho pra dizer, ouça! Sasuke, por favor! Aconteceu muitas coisas, muitas coisas que você não sabe!

— Eu... — Sasuke olhou para o corredor, e depois novamente nos olhos de Naruto — Agora não dá Dobe, está quase amanhecendo, eu preciso fazer o que tem que ser feito. Eu preciso proteger o Kakashi. Você entende isso, não entende?

Naruto balançou a cabeça em negação, se aproximando das grades e agarrando-as por cima das mãos de Sasuke.

— Itachi está protegendo o Kakashi, escute o que eu tenho a dizer. Só escute, fique aqui uma hora comigo e escute! Você pode fazer o que quiser depois de me ouvir, mas, por favor, me escute!

O loiro se sentia a beira de lágrimas. Ele nunca implorou para Sasuke daquela forma, nunca se sentiu tão impotente diante da cabeça dura do moreno. Tinha que acontecer isso justamente quando Sasuke resolveu ser a pessoa mais teimosa do mundo!

Não é hora pra Sasuke ser teimoso desse jeito!

— Você não se preocupa com o que pode acontecer com o Kakashi? — o outro questionou, deixando claro que não estava cogitando conversar com o mais novo.

Naruto deu um murro nas grades, afastando-se do Uchiha e deixando as lágrimas de raiva escorrerem.

Teme teimoso de uma figa!

— Eu confio no Itachi. — sua voz soou firme, ele tinha certeza que Itachi faria de tudo pra proteger Kakashi. Céus, ele viu Itachi proteger Kakashi do ataque de Kakuzu! E ele gostaria, sinceramente, que Sasuke lhe desse uma abertura para que pudesse explicar tudo isso.

Todavia, o moreno ficou quieto por vários segundos, se sentindo traído e indignado com o que acabara de ouvir da boca de Naruto.

Itachi envenenou todos eles!

Não pode ser...

Itachi conseguiu o inacreditável: eu estou ainda com mais raiva daquele maldito agora!

Nós vamos nos vingar, nós vamos! E depois a gente conta toda a verdade pro Kakashi e Naruto. Eles vão entender. Eles vão pedir desculpas por terem acreditado tão cegamente na conversinha do Itachi!

— Sasuke, escute, o Orochimaru e Madara fizeram com o Itachi uma coisa horrível, eles...

— Eu não quero ouvir! — Sasuke exclamou, furioso, ativando os olhos violetas e batendo na grade com força, amassando-a de leve pelo impacto. Naruto, temeroso, recuou — Eu não quero saber!

— Você prefere viver na mentira por pura covardia de enfrentar a verdade? É isso?

— Você não tem ideiado que está falando Naruto, só digo isso! — Sasuke exclamou, dando-lhe as costas — Eu volto em algumas horas pra saber como você está, assim que Itachi estiver capturado e Madara voltar para me dar os méritos, eu solto você e você vai pra casa com Kakashi. A sela tem um frigobar e um banheiro pequeno no final, você consegue ficar algumas horas sem mim.

— Quem te garante que o Madara não vai entrar aqui antes de você e me matar, Sasuke?

Sasuke abriu e fechou a boca, parecendo refletir sobre o assunto pela primeira vez, mas não manteve a dúvida por muito tempo, e logo tinha uma resposta na ponta da língua:

— Eu tenho um trato com ele. Nós combinamos que eu vou ficar com ele e vocês estão livres de qualquer represália. Por isso e só por isso vocês ainda estão vivos, Madara queria matar Kakashi, mas eu o convenci à...

Mas parecia que para cada resposta que Sasuke tinha, Naruto tinha uma nova pergunta, ainda mais afiada:

— Você está me dizendo que está trepando com esse bosta por causa da gente?!

A voz de Naruto soava ríspida, seu olhar era recheado de censura. Sasuke se sentiu inferiorizado naquela posição, já que Naruto nunca o recriminou quando o assunto era com quem ele dormia ou deixava de dormir. Pelo contrário, Sasuke geralmente era quem insinuava que Naruto deveria parar de trair as namoradas, mas não chegava a ser uma recriminação. Eles nunca tiveram uma conversa como essa, e isso o deixava envergonhado e perdido.

— Não. — ele respondeu, com a voz fraca, não tendo a certeza se essa era a resposta que o loiro gostaria de ouvir — Eu não estou fazendo isso por esse motivo. Eu apenas uni o útil ao agradável. Eu gosto do Madara.

Nesse momento Naruto começou a chorar pra valer, silenciosamente, sentindo seu coração se acelerar ainda mais. O nível da preocupação que sentia por Sasuke naquele instante era absolutamente imensurável.

— Você não sabe o tamanho da cagada que está fazendo com a sua vida. — ele sussurrou, levando as mãos no rosto e olhando com ares assombrados para Sasuke, como se ele acabasse de confessar que estava com uma doença incurável e prestes a morrer.

— Olha quem fala! Você teve mais relacionamentos do que eu, se declarou apaixonado mais vezes do que...-

— Não Sasuke, você não tem ideia de como o Itachi te ama. Você não faz ideia da loucura que está fazendo jogando tudo isso pro alto, se prendendo a uma vingança e a alguém que você nem sabe se é sua paixão ou não.

— EU DISSE QUE...!

— Está na cara que você não tem certeza do que sente pelo Madara.

— Como pode dizer isso?!

— Porque eu me lembro muito bem de como é que você fica quando está apaixonado de verdadeSasuke. Ou se esqueceu que foi pra mim que você revelou pela primeira vez que estava apaixonado pelo Itachi?

Sasuke fechou os olhos, suspirando fundo e contando um mantra mental para se acalmar. Naruto realmente conseguia tocar na ferida quando essa era sua intenção.

— Era o principal, não era eu, nós reagimos diferentes e...

— MENTIRA! — Naruto gritou novamente, aproximando-se da grade e puxando o Uchiha pela gola — É TUDO UMA MENTIRA QUE VOCÊ ESTÁ TENTANDO SE CONVENCER DE QUE É VERDADE, E NO FUNDO VOCÊ SABE DISSO!

— Fique quieto! — ele pediu com urgência, preocupado em chamar a atenção de algum Akatsuki para aquele corredor.

— A única verdade é a seguinte: você confia num merda como o Madara e não confia em mim!

— Não diga isso! Estou fazendo isso pelo seu bem!

— Mas tudo bem Sasuke, tudo bem. Você não confia em mim, mas eu confio em você! — Naruto disse, soltando sua gola e agarrando a cabeça de Sasuke com as duas mãos, fitando os olhos cor de ônix profundamente, deixando claro tudo que sentia pelo olhar — Eu sei que você vai perceber a verdade cedo ou tarde, eu só espero que não seja tarde demais quando isso acontecer.

Sasuke abriu e fechou a boca diversas vezes, sem saber exatamente o que falar para Naruto. Por fim, quando o outro deixou uma lágrima espessa e solitária escorrer de um de seus olhos, ele teve a certeza de que não conseguiria continuar olhando para Naruto sem quebrar em mil pedacinhos mais uma vez. Agarrando-se desesperadamente no seu próprio orgulho, retirou as mãos de Naruto de si e deu-lhe as costas, murmurando um "voltarei em breve" por cima do ombro antes de se retirar.

Com a cabeça latejando e o coração doendo de um jeito que não sentia há muito tempo, Naruto se virou para sua cela e deixou as costas escorregarem nas barras de ferro, até se sentar no chão e permitir que suas próprias lágrimas também escapassem em um choro silencioso e frustrado, enquanto escondia a cabeça em seus braços cruzados acima dos joelhos.

Droga... Se ao menos ele fosse um pouco menos cabeça dura e me ouvisse...

Mas agora sem a barulheira da discussão, Naruto ouviu o barulho de maquinas hospitalares que soavam no ambiente. Ergueu o olhar, curioso, e se de conta pela primeira vez que ele não era o único prisioneiro naquele lugar.

(***)

Naruto não tinha mais dúvidas: a identidade de sua "companhia" era o número um (ou ex-número um, vai saber) da Akatsuki, Pain. A descrição batia com a que Itachi havia revelado: os cabelos ruivos alaranjados, porte físico semelhante ao do próprio Uchiha, os piercings bastante diferentes decorando o rosto do Akatsuki. Pain estava deitado em uma maca e parecia adormecido, mas Naruto não era burro de acreditar nisso.

Ele ficou uma boa quantidade de tempo revirando a cela, inspecionando os detalhes do maquinário ali presente, e descobriu que aquele lugar era, de fato, a "salinha do castigo". Itachi disse uma vez que ficara três anos sem proteína, vegetando, e Naruto sabia só podia ser ali. Aliás, pensando na disposição do mapa revelado por Sasori que ele (tentou) decorar, essa cela ficava relativamente perto da equipe laboratorial. Decerto durante o castigo do Itachi, Madara abria a cela quando era momento de "cuidarem" do Uchiha, mas não dividia a senha com outros.

Ou, ao menos, era o que Sasuke imaginava. O Uzumaki não botava a mão no fogo quando o assunto era qualquer mentira que o Madara pudesse ter dito para o Uchiha mais novo, mas, com toda certeza, os outros Akatsukis não tinham a senha.

De qualquer forma, o local era no mínimo bizarro: Havia uma máquina de hemodiálise, agora desligada, mas Naruto podia apostar sua vida que haviam a utilizado para que pudessem retirar a concentração de proteína do corpo de Pain. Era óbvio que ele não estava dormindo: estava vegetando.

Pain respirava normalmente, mas não piscava e não se movia de nenhuma outra forma. Naruto tentou tocar em sua pele de leve e posteriormente repetiu o gesto com cada vez mais força, mas o Akatsuki não reagiu aos impulsos. Claro, ele perdera todos os sentidos com a ausência de proteína, inclusive o tato, então ele não devia nem ter a consciência de que tinha companhia naquele momento. Decerto recebia alimentação intravenosa e cuidados especiais como Kakashi recebeu no período que esteve em coma, e só por isso ainda estava vivo.

Depois de concluir que sua companhia era Pain e que ele estava de castigo, o loiro tentou entender como isso aconteceu. Não foi uma tarefa muito difícil, pois pelo jeito as especulações eram corretas: Pain ficou do lado de Konan e dividiu a proteína com ela, e agora Madara descobrira a traição dos dois, retirando-os de circulação.

Naruto não era idiota de achar que aquele seria um mero castigo momentâneo como aconteceu com Itachi no seu momento de revolta; Pain só era mantido vivo para um castigo pior, ele poderia apostar sua vida nisso. Madara era do tipo de pessoa que com certeza adoraria ser um carrasco para execução em praça pública do Século XVI: ele gostava de dar exemplos, de mostrar aos outros o que acontecia com quem o traia. E era óbvio que ele só estava esperando a captura de Itachi pra fazer o "showzinho duplo", almejando que fosse ainda mais impactante que o castigo que Itachi recebera há seis meses.

Madara era simplesmente doente, e de pessoas doentes como ele pode-se esperar qualquer coisa.

— Puta merda. — Naruto falou pra ninguém em particular, coçando os olhos e tentando pensar — O que eu faço?

Naruto tinha uma seringa de proteína em seu bolso, recolheu quando Kakuzu deixou cair no meio da briga. Ao menos ele achava que era proteína; se Kakuzu não procurou a seringa contra Itachi quando eles ficaram cara a cara, possivelmente não era algum tipo de arma química, e se não era arma química o mais provável é que fosse proteína.

Partindo do princípio que aquilo era proteína, ele poderia utilizar a dose e ajudar Pain a se recuperar. Entretanto, como ele esconderia isso na próxima visita a cela? Com toda certeza alguém vinha cuidar do Pain de tempos em tempos, poderia até ser o próprio Sasuke, já que, aparentemente, ele era o único que tinha a senha.

— Por que sou sempre eu que tenho que decidir se acordo ou não a pessoa que está vegetando? — Naruto se questionou, novamente fitando os olhos fechados de Pain, se recordando de quando se questionara mil vezes se deveria continuar induzindo o coma de Kakashi conforme as instruções de Itachi ou permitir que ele acordasse daquela situação deplorável.

Naquela ocasião Naruto resolveu deixar Kakashi acordar (mesmo Kisame atrapalhando seus planos). Mas e agora? Ele não conhecia Pain, apesar de saber que ele provavelmente faria de tudo para que eles saíssem dali e encontrasse Konan. Itachi disse que Pain era apaixonado por ela, não? Eles podiam trabalhar juntos pra sair dali, talvez com a força de um Akatsuki poderiam, ao menos, derrubar a barra de ferro e escapar quando Sasuke abrisse de novo a porta metálica...

Ou Pain podia não lhe dar um momento de chance pra falar e arrancar sua garganta com as unhas quando acordasse do sono de efeito colateral da proteína...

Decisões... Decisões...

— Oh, foda-se. — Naruto murmurou, retirando a seringa de proteína do bolso, agora certo do que deveria fazer — Eu não consigo ver uma pessoa sofrendo e não fazer nada.

Só espero que essa seja a escolha certa.

(***)

— Me solte!

— Eu preciso de proteína. — Kakuzu declarou e Sasuke, mais do que rapidamente arrancou seu braço da pegada do outro, olhando-o com fúria.

Estava quase entrando na sala de reunião para declarar sua derrota, quando foi abordado pelo Akatsuki no corredor. Kakuzu parecia um pouco fraco, mas disfarçava bem: se Sasuke não percebesse que o brilho de seu olhar estava extremamente suave, possivelmente nem desconfiaria que ele não tomara a proteína na noite anterior ou havia se ferido quando foi atrás de Itachi.

— Peça para o Madara quando ele chegar. Se vira! Não é mais da minha conta o seu problema. — Sasuke declarou, dando-lhe as costas e intencionando entrar no salão o quanto antes, mas o outro se pronunciou mais uma vez antes que ele atingisse a entrada.

— Me de proteína e eu asseguro que o tal de Kakashi vai ficar bem.

Sasuke parou de andar, olhando para trás e observando os olhos verdes de Kakuzu com seriedade.

— Vamos fazer diferente. — o Uchiha disse, cruzando os braços e olhando para o outro com superioridade. Afinal, Sasuke era sim mais forte que Kakuzu — Traga Kakashi até mim, e eu te dou a proteína. Não vou simplesmente confiar na sua palavra.

— Você esta brincando com a sorte me desafiando desse jeito moleque...

— Bom, é você quem sabe. Você pode muito bem deixar para tomar sua dose quando Madara voltar, né? Tomara que ele não demore semanas, que nem demorou da outra vez e...-

Kakuzu, perdendo a paciência, tentou acertar Sasuke, mas ele fez um contra ataque que permitiu uma defesa mais do que esplêndida, imobilizando com maestria.

Sasuke fora treinado muito bem por Pain, e a velocidade de sua movimentação só provava isso.

— Eu poderia te matar agora. — Sasuke declarou rispidamente, forçando um dos braços de Kakuzu num ângulo que com certeza era doloroso, mesmo que o outro não fizesse qualquer ruído de desconforto — Ninguém ia notar sua falta.

— Se você me matar, uma revolução vai acontecer dentro do QG. — o mais alto respondeu, não parecendo temer a ameaça feita — Ninguém vai ficar a mercê da sua tirania, com medo de ser eliminado. Com isso você vai declarar que a hierarquia não existe mais, e eles vão matar você Uchiha, ou pior: te botar numa redoma de vidro e sugar todo esse seu sangue que você nem deveria ter o prazer de comportar em suas veias, fazendo milhões de proteínas que poderiam ser usadas durante toda a nossa vida. Acredite, há conversas do gênero no QG, só não fizeram isso ainda por causa de Madara. Mas agora ele está fora... não é?

Sasuke o soltou, recuando dois passos para trás e olhando para Kakuzu com ferocidade.

— Me de a proteína ou a conversa entre os demais Akatsukis vai mudar de conteúdo, Uchiha.

O mais velho se sentia aliviado por Sasuke acreditar em sua mentira. Não era verdade isso que ele falou, pessoas como Zetsu, Deidara e Sasori jamais iriam contra Madara e tentariam uma revolução. Mas se o Uchiha acreditou, ele tinha mais uma carta na manga.

— Eu te dou a proteína e você ordena aos demais Akatsukis que Kakashi não pode ser machucado. E tem que falar isso minha frente.

Hn... ok. Isso não vai fazer diferença alguma mesmo.

— Sem problemas. — Kakuzu concordou. Kakashi não oferecia risco algum, era apenas um, matando os demais o que o coitado iria fazer contra todos os Akatsukis? Tsk.

— E não se esqueça que o Itachi é meu. — Sasuke disse, seus olhos brilhando ainda mais com a simples menção do nome do prodígio desertor — Quando ele entrar aqui, eu irei pessoalmente cuidar de seu cárcere enquanto Madara estiver fora.

— Claro, bonequinha. — Sasuke não gostou nada de ouvir a chacota, mas Kakuzu não parou de falar ao observar o olhar do Uchiha brilhar mais intensamente; não é como se o garoto pudesse entrar em frenesi, afinal de contas — Vingança contra o Itachi é sempre bem vinda. Pode preparar seu 'terno de gala', você via 'dançar' o quanto quiser com o traidor até Madara chegar, desde que ele esteja vivo e lúcido para que o líder também tenha a sua vingança. Alias, aguardo ansiosamente por isso, faz tempo que não temos um entretenimento como esse aqui no QG.

Isso dito, Kakuzu abriu a porta do salão e adentrou na presença de Sasuke, sendo acompanhado de perto por este. Os Akatsukis, que estavam conversando e provavelmente não ouviam a conversa deles do lado de fora, pararam de falar para prestar atenção no que Sasuke teria a dizer.

Vamos, acabe logo com isso.

É o que vou fazer.

O Uchiha respirou fundo e falou de uma vez, sem grandes delongas:

— Kakuzu e Hidan foram promovidos à número 1 e 2, respectivamente. — Sasuke murmurou, evitando ao máximo olhar nos olhos de seus colegas da Akatsuki, fixando seu olhar em um ponto na parede oposta.

— O QUÊ!?

A exclamação foi uníssona, bem como a surpresa. Todos olhavam para Sasuke com extrema descrença, menos o maldito Kakuzu, que sorria de canto de boca.

— Vocês ouviram o Uchiha, então parem de olhar para ele como se fosse trazer a solução dos seus problemas. — Kakuzu anunciou, chamando a atenção de todos os presentes — Agora vocês se reportarão a mim na ausência de Madara.

O silêncio reinou por alguns instantes, nenhum estava preparado para aquela revelação. Sasori olhava para Kakuzu com a apatia de sempre, mas Zetsu, Tobi e Deidara observavam o ruivo com certa expectativa.

Sasuke era um novato, estúpido e inconsequente, mas não o jogaria aos leões e, por isso, eles aceitaram, torcendo um pouco o nariz é claro, a liderança. Mas Kakuzu era do tipo "ou tudo ou nada": ele não prezaria pelo bem estar de seus companheiros. Nenhum deles sabia ao certo o que acontecera na noite anterior, mas certamente algo ruim acontecera com o ex-número dez; afinal, Hidan acabara de ser promovido e não estava ali pra jogar na cara de todo mundo, e só algo fora do comum o impediria de ter esse prazer.

Sabendo que era esse pensamento que se passava na cabeça dos companheiros, Sasori tentou fingir não perceber o olhar dos colegas, mas quando ninguém falou por um longo período e Kakuzu soltou um suspirou irritado, ele não pode mais evitar:

— Vocês ouviram o que Kakuzu disse, por que agora estão olhando pra mim? — Sasori se pronunciou, dando de ombros e não modificando nem um pouco sua expressão. Eles queriam que Sasori reivindicasse o cargo de líder substituto, isso estava mais do que claro, mas talvez se fingir de bobo tirasse essa loucura da cabeça dos demais Akatsukis!

— Mas Sasori-danna, você é...!

Nesse momento, Kakuzu bateu o pé com força no chão, deixando um ruído feroz escapar de sua garganta e os olhos brilharem em aviso de frenesi eminente. Estava muito irritado por ter perdido a proteína na briga da madrugada passada e não iria aceitar petulância dos subordinados de jeito nenhum! Entendo que Kakuzu estava de péssimo humor, Deidara se calou no mesmo segundo, não pretendendo iniciar uma briga (pois ele sabia muito bem que se os dois começassem a brigar, aquele QG iria ser demolido em minutos).

— Se não está satisfeito com a disposição da hierarquia, leve sua reclamação para o Madara. Tenho certeza que ele vai adorar ouvir o que você tem a dizer, Deidara. Mas, é claro, ele talvez não dê muita atenção para os seus argumentos quando eu jogar Itachi Uchiha amarrado aos seus pés. — Kakuzu rosnou, encarando o olhar desafiador do loiro com irritação — Se quer brincar de democracia, esteja pronto pra assumir as conseqüências de seus atos!

Deidara trincou os dentes, tentando controlar o nó na garganta que sentia por conta de sua irritação. Queria falar tantas coisas, jogar tantas verdades na fuça desse idiota do Kakuzu. Alias, só porque ele conseguiu alguma chantagem com o Sasuke não significa que Madara fosse aceitá-lo como número um da Akatsuki! Afinal, o loiro ainda detinha a confiança do líder bem mais do que esse maldito!

— Deidara, acalme-se. — Sasori falou baixinho, apenas para o parceiro, passando de leve sua mão à dele, num gesto de conforto praticamente imperceptível — Madara vai resolver a situação quando voltar, então é melhor não se meter na confusão deles.

O loiro se sentiu um pouco reconfortado pelas palavras de Sasori e o gesto suave. Piscou forte, diminuindo a intensidade vermelho-claro do seu olhar e tornando a tonalidade de seus olhos mais puxados para sua cor azul natural. Encarou os olhos apáticos de Sasori por alguns instantes e fez um sinal afirmativo com a cabeça, deixando de lado sua irritação, confiando nas palavras de sua dupla. Sasori era o verdadeiro braço direito de Madara, e não era como Kakuzu, pois não deixaria sua dupla para trás em nome de um objetivo mesquinho. Deidara não tinha o que temer. Mesmo se Sasuke e Kakuzu caíssem nas desgraças do líder depois de toda essa zona, ele e Sasori não teriam problemas; não havia porque tomar partido nessa briga.

Kakuzu, percebendo que a dupla que sempre lhe causava problema permaneceria quieta, direcionou seu olhar à dupla mais silenciosa da Akatsuki.

— E vocês? Querem requisitar "algo" na democracia?

Zetsu, como sempre, apenas deu de ombros, não participando ativamente do problema. Ele era sempre assim: nunca tinha voz direta nas reuniões, mas todos apostavam que Zetsu era capaz de envenenar Madara por baixo dos panos; não que o objetivo deles fosse diverso, mas Zetsu era, sem sombra de dúvidas, uma das pessoas que mais conhecia a respeito dos planos de Madara naquele QG.

A "aparência de louco" do número oito da Akatsuki contribuía para que muitos do QG não o levassem a sério: ele tinha os cabelos pintados de verde musgo; os olhos âmbar, num tom semelhante aos olhos de Orochimaru (o que, naturalmente, causava certa antipatia por todos); e traços do rosto relativamente comuns. Na maioria do tempo, ele mudava de índole, alternando-a entre uma concentração grande (e, eventualmente, perversa) para uma expressão divertida. Esse seu "temperamento" peculiar causava indagações entre os colegas: Alguns achavam que ele possuía dupla personalidade, o que não era verdade; Orochimaru o havia diagnosticado como transtorno bipolar misto quando Zetsu adentrara a adolescência.

Tiveram que manter esse detalhe escondido dos fornecedores e demais companheiros de QG, pois encontrar uma falha de saúde em uma cobaia principal era um problema e tanto para Madara. O diagnostico de Zetsu demonstrava que nem tudo poderia ser curado com a proteína. Um pouco temeroso com relação ao financiamento das pesquisas, Madara tinha pensado em descartar o Akatsuki, mas Orochimaru não permitiu, pois queria continuar estudando sua mente e encontrar uma solução para o seu problema, uma cura efetiva, com seus métodos.

Afinal, um dos grandes problemas de Zetsu era que não conseguia tratar sua doença com medicação, já que toda medicação era descartada pelos anticorpos do usuário da proteína (2). Pra piorar ainda mais o problema, seu quadro era bastante instável, os ciclos de fase maníaca e depressiva, que geralmente variavam em no mínimo uma semana para pacientes normais em estado crítico, chegavam a alterar várias vezes durante um único dia, diagnostico totalmente assustador. Orochimaru sabia que essa alteração drástica do ciclo no período de vinte quatro horas podia ser um efeito colateral da proteína, e por isso estudar Zetsu era bastante importante — de que adiantava a descoberta de Madara se ela causaria problemas para o tratamento de transtornos mentais?

Orochimaru cuidava da mente, Madara cuidava do físico. Tecnicamente Madara não queria Zetsu na equipe de elite, entre os Akatsukis, mas depois que este mostrou suas habilidades espiãs, o líder se viu obrigado a aceitar sua utilidade e o manteve na equipe. O relacionamento entre os dois era relativamente bom, mas por conta do transtorno bipolar, Madara nunca pôde elevar muito a posição dele na hierarquia, e isso puxava sua dupla, Tobi, para a parte inferior da hierarquia também.

Em resumo, Zetsu era o espião, os olhos do Madara fora do QG (e talvez dentro do QG, vai saber). Foi ele quem filmou todos os encontros de Itachi e Sasuke, aqueles que Madara havia mostrado na vingança contra o ex-número três. E dentre todas as coisas que Zetsu sabia, uma se destacava: no QG, quem come quieto come duas vezes. Ele sabia que era melhor não se opor a qualquer tirania de seus colegas.

Tobi, no entanto, parecia irritado consideravelmente com aquela situação. Mas ele também não seria o único a ir contra à tirania de Kakuzu, ele não era louco de enfrentar sozinho aquele cara. Tentou olhar a reação de Sasuke que estava muito quieto desde que anunciara aquela bomba, e o Uchiha simplesmente abaixou o olhar, encarando seus pés com um sinal de derrota evidente.

Não. Definitivamente ele não seria louco de tentar enfrentar Kakuzu sozinho, já que nem Sasuke o apoiaria se ele impugnasse aquela "promoção". Por isso, simplesmente balançou a cabeça negativamente, deixando a situação correr como deveria correr.

— Agora que estão todos de acordo, vou explicar o planejamento de captura, mas não se esqueçam de um detalhe: Itachi só entra nesse QG vivo,não o matem na ausência de Madara.

— Kakuzu, — Sasori se pronunciou, chamando a atenção do comandante para si — eu conheço alguns lugares que sei que nenhum outro Akatsuki tem acesso no QG. Eu pretendia falar isto na reunião de hoje, para Sasuke, mas como ele não está mais no comando devo repassar essa informação pra você.

Kakuzu o olhou desconfiado por alguns instantes, mas Sasori manteve a expressão calma e entediada.

— Que garantia eu tenho de que as informações que você vai me passar são reais?

— Que interesse eu teria em prejudicar o QG? — Sasori declarou, girando os olhos — Eu tenho tantos privilégios quanto você terá quando Madara voltar.

Kakuzu ainda o olhou com ares duvidosos por alguns instantes, mas por fim aceitou a oferta, permitindo que Sasori falasse.

Deidara precisou virar o rosto para que ninguém conseguisse ver seu sorriso de vitoria, entendo perfeitamente o que Sasori estava fazendo. Ele estava liderando mesmo sem ter a liderança, fazendo Kakuzu achar que liderava enquanto era ele quem propunha planos. Kakuzu iria concordar (pois os planos com certeza seriam bons) e no fim a vontade de Sasori seria feita. Perfeito! Era muito melhor do que brigar por um título que no fim não faria diferença alguma! Decerto foi por isso que nem a tirania de Sasuke ele impugnou, pois pretendia fazer o mesmo com o menino Uchiha.

Ainda sim, Deidara não sabia como seu parceiro conseguira descobrir tantas informações sobre as áreas restritas do QG, o que era uma grande surpresa.

Sasuke prestou atenção em tudo, tanto nas informações reveladas sobre o QG quanto o plano que Sasori aceitara (e Kakuzu aceitara em quase toda sua integralidade), e quando todas as tarefas estavam distribuídas. Ao final do planejamento, Kakuzu realmente frisou que Kakashi não poderia ser ferido, descrevendo seus traços e deixando claro que se alguém quisesse capturá-lo poderia, mas desde que não causasse ferimento no homem. As pessoas pareceram desconfiadas, mas ninguém questionou a ordem.

O plano foi repassado algumas vezes e, quanto todos já o haviam decorado e se retiravam, Kakuzu entregou uma seringa vazia para Sasuke, que pelo jeito ele trouxera consigo, considerando que iria ter sucesso naquela negociação com o número três.

— Me de a amostra de sangue. Eu faço a dose.

Sem se preocupar em perder um pouquinho de sangue (ele retirara um monte no dia anterior e estava bem, o que seria apenas mais uma seringa?) retirou uma amostra generosa com uma maestria de quem já bem conhecia como aplicar uma agulha em si mesmo, e entregou à Kakuzu.

— Todo seu. Se não cumprir sua palavra, a vingança destinada à Itachi será direcionada à você.

Kakuzu o olhou com irritação, mas nada disse, dando-lhe as costas e saindo da sala.

Suspirando fundo para se acalmar, Sasuke passou as mãos nos olhos e se sentiu mais leve. Kakashi ficaria bem, os Akatsukis não descumpriram ordens; Naruto estava em segurança; e, aliado a isso, Itachi estaria logo dentro do QG, à sua mercê.

Mal posso esperar por esse momento.— As duas mentes pensaram, finalmente concordando em algum aspecto opinativo: a vingança seria saborosa e fenomenal, e ele mal podia esperar pelo reencontro com o maldito assassino de Mikoto Uchiha.

(***)

Antes dos primeiros raios de sol anunciarem que seu sono revigorante deveria chegar ao fim, Itachi sentiu alguém sacudir seus ombros e obrigá-lo a despertar.

— Acorde. — a pessoa disse simplesmente, e Itachi piscou os olhos algumas vezes para recuperar o foco e se lembrar de onde estava.

Oh... Sim... Ilha, QG, ataque do combo zumbi, Naruto capturado. Lembrei. Droga.

Ele soltou um gemido de desconforto, sentindo uma leve pontada nas costas. Ele planejou despertar um pouco depois e dormir dentro de uma barraca quando elas já tivessem armadas novamente, mas pelo jeito apagou completamente e dormiu toda a noite escorado naquela árvore, claro que acordaria com um torcicolo. Porém, assim que se obrigou a mover seu corpo, Itachi se sentiu incrivelmente bem.

O torcicolo sumiu como num passe de mágica. Aliás, nada de seu corpo doía, e ele achou que teria ao menos uma luxação no dia seguinte. Percebendo a estranheza disso tudo, Itachi despertou de uma vez e finalmente reconheceu a identidade daquele que estava ajoelhado ao seu lado.

— Por que a cara de assombro? — Gaara perguntou, franzindo o cenho. Não era como se Itachi não tivesse percebido que ele estava ali, então não havia porque se surpreender agora.

— Eu... eu estou estranho.

— Estranho?

Itachi esticou o braço que Hidan havia machucado no combate anterior e puxou o esparadrapo que amarava a faixa que o imobilizava.

— Acho bom você não tirar... — Gaara comentou, mas Itachi ignorou o seu apelo, desamarrando mais do que rapidamente o curativo e chegando logo até o ferimento, ainda com os pontos no devido lugar, mas muito mais cicatrizado do que o esperado. O ruivo, percebendo a estranheza da situação, agarrou seu braço e também inspecionou o ferimento de perto — Você não se machucou ontem?

— Sim. — Itachi disse com a voz fraca, surpreso, olhando para o ferimento praticamente cicatrizado de seu braço.

— Então como...? — Itachi puxou seu braço do alcance de Gaara e voltou a enfaixá-lo, deixando a perplexidade de sua expressão ser substituída por uma irritação imediata.

— É proteína em dose concentrada. — Itachi rosnou, prendendo a faixa de qualquer jeito ao redor do machucado (não que ainda precisasse usar essa porcaria depois de ter sarado tão rapidamente) — Alguém deu proteína concentrada pros Akatsukis e, como eu peguei a do Hidan, eu também a recebi; Madaranunca faria isso.

Ouvindo a confusão do canto do acampamento, Kakashi, Shikamaru e Sai se aproximaram dos outros dois, interessados na conversa.

— Como assim? — Gaara questionou, observando a chegada dos demais pelo canto do olho.

— A intensidade dos estudos do Madara é numa concentração especifica de proteína. — Itachi declarou, testando o olhar e acendendo seus olhos vermelhos, colocando sua mão a frente do rosto para medir a intensidade do brilho; estava tão brilhante que ouviu Kakashi engasgar de surpresa — Madara não nos dá mais do que o necessário para ficarmos bem e saudáveis, porque ele sabe que se der proteína a mais, a chance de superarmos a força dele em conjunto é grande. Madara não se arriscaria a dar uma dose tão concentrada para eles, poderia colocá-lo numa posição de vulnerabilidade se todos se unissem contra o líder. Claro que um só tomando uma grande quantidade de proteína não oferece riscos à Madara, se não eu teria pedido mais sangue do Sasuke quando estávamos juntos... Mas em conjunto o perigo é grande.

— Então por que ele resolveu dar essa dose de proteína? — Kakashi se intrometeu na conversa, questionando em voz alta o que todos se perguntavam mentalmente.

— Foi Sasuke. — Shikamaru respondeu antes que Itachi pudesse se pronunciar mais uma vez.

O Uchiha não retrucou, mantendo um olhar gélido e indecifrável e focado no horizonte, mas Kakashi deixou as emoções sobressaírem.

— Por que Sasuke daria proteína a mais pros Akatsukis? — Kakashi perguntou, apesar de no seu íntimo já saber que a resposta não seria nada boa.

Só que ele não queria acreditar nisso...

— Sasuke não sabe fazer a dose. — Itachi disse, segurando a testa e apoiando o cotovelo no joelho — Ele nunca fez, sempre fui eu quem fiz a dose quando usávamos amostra do sangue dele. Se eles usaram proteína do corpo de Sasuke pra fazer essa dose e colocaram proteína a mais, significa que foi ele quem fez essa leva; Madara não deixaria Sasuke por uma leva a mais na proteína, então com certeza Sasuke fez sem a ajuda dele.

— Tem certeza que Madara não decidiria por proteína a mais por causa da suposta invasão? — Sai questionou, entendendo a gravidade da situação, mas tentando visualizar outra opção para o que acontecia.

— Não haveria necessidade, nós não somos tão fortes pra que os Akatsukis precisem de uma maior dose de proteína. — Shikamaru constatou, fitando Itachi até ele erguer o olhar e encará-lo — Com certeza foi um erro de dosagem, erro que Madara não cometeria. Você está certo, Sasuke fez sozinho.

— Sasuke... está do lado deles? — Kakashi questionou, pedindo implicitamente para que Itachi negasse aquela pergunta.

Mas ninguém respondeu, e o silêncio perdurou por um longo período, até Itachi suspirar com letargia e Gaara soltar um ruído feroz do fundo de sua garganta.

— Típico do Uchiha, típico! — o ruivo exclamou, furioso, socando a árvore mais próxima com o soco inglês, desejando que a cabeça de Sasuke estivesse esculpida no tronco — Como sempre agindo como um idiota e botando tudo a perder!

Itachi, muito mais rápido do que qualquer um deles já o viram se mover, colocou-se de pé e puxou Gaara pela gola, pegando-o de surpresa com aquela atitude ofensiva.

— Você nem penseem ofender o Sasuke! — ele ameaçou, deixando bem claro em cada centímetro de seu rosto que não admitiria isso de forma alguma.

Já estava bastante irritado pelo que teve que ouvir sobre Sasuke de Hidan no dia anterior, e seu humor não estava bom o suficiente pra lidar com a rivalidade besta de Gaara. Eles não se conheciam direito, era verdade, mas Naruto mencionou que havia uma rivalidade ali, e isso fez com que Itachi pegasse certa aversão ao ruivo, mesmo antes de conhecê-lo.

— Se não o quê? Vai bater em um dos poucos mercenários que ficou a sua disposição e diminuir ainda mais a ajuda?

Isso fez Itachi voltar a si, soltando o ruivo e olhando ao seu redor com velocidade. O sol estava começando a nascer e a iluminação ainda era fraca, mas com a proteína em dose máxima (ou bem alem disso) Itachi não precisava se preocupar com a escuridão para poder enxergar. Quer dizer, ao ver o acampamento próximo dali totalmente vazio, Itachi até preferiria acreditar que estava com problema na visão...

Mas ele não estava.

— Onde estão os outros?

— Adivinha. — Gaara respondeu sarcasticamente, ajeitando a gola de sua camiseta e fuzilando o Uchiha com o olhar.

Itachi voltou a se sentar, adotando novamente a posição de derrotado e abaixando a cabeça.

— Tudo que precisávamos...

Kakashi se ajoelhou ao lado do Uchiha, colocando a mão sobre seu ombro e lhe lançando um olhar de compreensão, mesmo que o outro não tivesse erguido a cabeça para encará-lo.

— Não houve muita coisa que pudéssemos fazer. Eles decidiram ir, eu acabei deixando porque, se eles ficassem, poderiam acabar vendendo informações nossas para o inimigo, virando casaca no meio do combate. Seria pior, a confiança já estava destruída.

O Uchiha ergueu a cabeça, descansando-a novamente no tronco da árvore, olhando para os colegas com apatia.

— E Hidan? — questionou, dando pela falta do albino pela primeira vez no dia.

Os outros olharam para Sai, o qual pigarreou algumas vezes, como se tomasse coragem para responder a pergunta.

— Eles levaram Hidan para o chefe. — Sai respondeu; o olhar de Itachi brilhou ainda mais intensamente — Levaram como pagamento pelos serviços prestados até aqui.

Comovocês puderam deixar isso acontecer?! — Itachi detinha tanta insatisfação no tom de voz que Kakashi não pode deixar de perceber as mudanças evidentes que aquela pessoa sofrera.

Claro, Itachi mudou muito e Kakashi sabia disso, mas nunca o viu com tantas emoções de uma vez só, pois nenhuma situação tão complexa assim tinha ocorrido até agora. De fato, o Uchiha parecia outra pessoa, parecia finalmente consertado emocionalmente.

Mas não era momento para vangloriar a evolução do mais novo, e sim tentar resolver os problemas que deixavam todos os presentes nervosos e preocupados.

— Itachi, não havia nada a se fazer. — o grisalho respondeu, apertando de leve o ombro de Itachi e conseguindo finalmente a sua atenção — Eles simplesmente apontaram armas pra nossas cabeças e disseram que estavam partindo, dentre os males esse foi o menos pior, pois eles poderiam muito bem ter virado a casaca pra não saírem no prejuízo financeiro.

— E eles deixaram um auxílio para nós. — Shikamaru declarou, abrindo o sobretudo e mostrando as armas ainda escondidas em sua vestimenta — Deixaram armamento e os walkie-talkies, mas só porque o Sai resolveu ficar conosco. Teremos que devolver depois.

O ex-Akatsuki novamente encarou Sai, parecendo finalmente perceber o significado que era ter aquela pessoa ali na ilha depois de toda a deserção dos mercenários. Sai era o líder deles na missão, não era?

— Você pode fazer o que fez? — Itachi questionou, sentindo um pouco de preocupação.

Sai balançou negativamente a cabeça.

— Eu não poderia ficar aqui se todos desistissem.

— Então por que ficou?

— Por causa de Naruto e Gaara.

Nesse momento, o ruivo, que até então olhava para Itachi enraivecido, amaciou as suas feições, observando Sai com uma curiosidade nascente.

— Os únicos vínculos que eu criei na vida foram com essas duas pessoas. — o mercenário se explicou, falando a verdade sem medo de se entregar, já que não havia mais porque escondê-la dos demais — Eu não quero deixá-los em perigo aqui. Eles são importantes pra mim.

— Mas o seu chefe não vai...? — o ruivo não terminou o seu questionamento, pois Sai o interrompeu antes que o fizesse por completo:

— Com meu chefe eu me entendo depois. — declarou firmemente, ainda deixando claro que não revelaria identidade ou segredos do seu chefe, mesmo que não tivesse voltado com os demais mercenários para casa. Se eles muito perguntassem, em algum momento o obrigariam a revelar informações, e ele não estava disposto a fazer isso.

Gaara suspirou fundo, coçando os olhos com força numa tentativa de recobrar o foco.

— Eu vou é enfiar essas armas no cu de cada um desses mercenários quando essa "missão" acabar, isso sim. — declarou, decidindo retomar o foco anterior da conversa simplesmente por não lidar muito bem com a gratidão que sentia; ele realmente não sabia o que dizer a respeito daquela declaração do seu colega de apartamento (se é que ainda podiam se considerar colegas de apartamento depois de tudo que aconteceu com os dois), então era melhor deixar uma conversa como aquela para depois — E agora? O que fazemos? Sasuke está dificultando as coisas, os mercenários partiram, Naruto foi capturado e eu me recuso a sair daqui sem libertá-lo!

— Foi por isso que não acompanhou os demais? — Itachi questionou curiosamente, mas como Gaara já não estava no melhor dos humores, ele rebateu de maneira ácida:

— Pelo seu sorriso é que não foi, otário.

— Sei lá Gaara, pelo que eu me lembre você era um louco internado na porcaria de um manicômio, ter surgido aqui do nada só corrobora com esse diagnostico.

— Então o lunático que tem "duas pessoas dentro de uma só" está com a ousadia de me chamar de louco? Interessante isso, fale-me mais a respeito.

Itachi detestou um pouquinho mais o Sabaku naquele momento, se perguntando como Naruto conseguira ficar tanto tempo dormindo na mesma cama que aquele infeliz. Se desse corda para os insultos, provavelmente acabariam brigando, e Itachi não seria puritano em negar que estava com muita vontade de fazer exatamente isso.

— Ei, controlem os ânimos, crianças. — Kakashi falou, esticando a mão para Itachi e o ajudando-o a se levantar; o Uchiha recusou a ajuda, talvez por orgulho, mas se botou de pé e não deixou seu olhar diminuir a intensidade de iluminação (suas pernas também não estavam mais doendo, o que era uma boa notícia entre tantas péssimas revelações) — Não vamos deixar o estresse prejudicar o que já está bem ruim.

Gaara e Itachi não trocaram olhares nem fizeram as pazes, mas ambos concordaram com um aceno afirmativo de cabeça.

— Não temos tempo pra conversar sobre porque Gaara está aqui ou sobre os motivos de Sai, temos que nos mover e rápido. Vamos continuar com os planos que tínhamos para a ausência dos mercenários. — Shikamaru declarou com energia, entregando folhas de papeis para todos os presentes enquanto falava — Talvez seja melhor assim, eu nunca confiei muito neles e depois do show de covardia de ontem, não sei se estávamos ganhando muita coisa com a companhia deles.

— Ao menos tínhamos números, números nunca é algo ruim. — Kakashi comentou com um suspiro, apreciando a folha que recebera com os olhos apertados: não conseguia enxergar direito com aquela luz fraca.

— Quando desejamos entrar na espreita, número alto de pessoas não é uma vantagem. — Shikamaru respondeu, acendendo uma lanterna que estava presa nos óculos infravermelho e vendo todos repetirem o seu gesto; menos Itachi, que obviamente não precisava de mais luz — Essa é uma copia simplificada do mapa e essas, — Shikamaru tirou vários molhos de chaves dos bolsos, que tilintaram de maneira ruidosa no ambiente — são as copias das chaves. Cada um vai ficar com um chaveiro.

— Você fez isso quando? — Kakashi questionou, se achando um estúpido por não ter pensado em copiar as chaves antes de Shikamaru assim fazê-lo.

Bom, é por isso que ele é o líder aqui, né?

— Quando estávamos na capital. — Shikamaru declarou, entregando agora os chaveiros e deixando bem claro com o olhar significativo que deu a cada um que era impensável perder as chaves — Nos não sabemos quais chaves abrem o que, mas Itachi pontuou o material das fechaduras de alguns lugares do QG que ele conhecia, então essas estão com indicadores, pra diminuir o número de tentativas.

— Nós vamos ter tempo pra testar as chaves lá dentro? — Sai questionou, recebendo seu molho de chaves — Alias, nos vamos ter tempo sequer pra entrar nesse lugar? Como nós vamos fazer isso Shikamaru? Eu e Gaara não sabemos esse plano.

— Certo, eu vou explicar novamente o plano. Itachi e Kakashi, vocês já o ouviram no nosso primeiro vôo, mas agora ele terá algumas alterações. Prestem atenção, todos vocês: estamos correndo contra o tempo aqui...

(***)

— Eu me pergunto o que esses dois jogam tanto nesse vídeo-game...

— Não sei, não parece interessante.

— Nada parece interessante pra você Danna, mas dessa vez eu concordo: não é nada artístico.

Sasori não se incomodou a responder, voltando sua atenção para a janela fechada da casa dos Namikaze-Uzumaki. Os meninos tinham aberto as cortinas da sala, mas não conseguiam vê-los do ângulo onde se encontravam, então Deidara e Sasori poderiam vigiar a casa do galho da árvore costumeiro, sem se preocupar em serem descobertos.

Sasuke e Naruto entraram na adolescência mais cedo do que eles esperavam, e era bastante interessante ver esses meninos crescerem: como eram importantes para os planos de Madara (e a dupla não sabia o motivo disso), os dois ficaram sob a vigia dos favoritos do líder. Sendo assim, Sasuke era vigiado por Sasori, Deidara vigiava Naruto. (3)

Era peculiar porque, em alguma escala, a personalidade de Deidara batia com a de Naruto e o mesmo acontecia com Sasori e Sasuke. Claro, não em todos os aspectos, mas Naruto era tão falante quanto Deidara, enquanto Sasori era mais ranzinza, assim como Sasuke. Era interessante vigiar os meninos, e a dupla gostava de voltar pro ponto de espreita, algo que faziam regularmente, mesmo que tivessem outras missões pra cumprir.

— Naruto está bem grande já. — Deidara comentou casualmente, tentando entender o que se passava na tela da televisão enquanto os meninos jogavam o vídeo-game — Ele e o garoto Gaara estão dormindo juntos, já flagrei os dois duas vezes.

— Hmm... — Sasori contemplou, nada acrescentando à conversa, mesmo que soubesse que a intenção da sua dupla em puxar aquele assunto era ouvir alguma novidade sobre Sasuke. Se Deidara dividia informações, esperava que Sasori fosse fazer o mesmo.

O ruivo não gostava de Sasuke, isso era fato, mas esse não era um de seus motivos para não dividir a rotina de Sasuke com Deidara. Até porque, se fosse ser sincero consigo mesmo, quando Sasuke saia para aqueles "passeios", a rotina dele se tornava muito diferente da que o Uzumaki possuía — e diferente no mau sentido. Esses "passeios" ocorriam na ausência de Naruto e, portanto, Deidara nunca o acompanhava na vigia e não sabia o que o Uchiha fazia — o que deixava o loiro cada vez mais curioso, e o silêncio do número quatro em nada ajudava a sua curiosidade. Mas, na opinião de Sasori, era melhor que continuasse assim: existem coisas que Deidara não precisa saber, para o seu próprio bem.

Alheio aos seus pensamentos, e possivelmente entretido com questões pessoais, o loiro trouxe a tona uma conversa praticamente esquecida pela sua dupla:

— Lembra o que você falou quando nos éramos pequenos sobre "incompletude"?

— Não. — Sasori respondeu sem pestanejar. O assunto não era estranho, mas ele não se lembrava quando falou isso.

— Nós estávamos questionando sobre o prodígio número três e o assunto chegou a um ponto onde você se perguntou se o Itachi era feliz. Eu te perguntei se você se achava infeliz e você me disse que não, mas levantou a hipótese de incompletude. (4)

Sasori parou de observar os adolescentes e virou o rosto totalmente para a sua dupla, a fim de entender por que aquele assunto, há tanto tempo mencionado, voltava a tona. Deidara parecia um pouco entristecido, Sasori franziu o cenho.

— Nós devíamos ter oito anos quando isso aconteceu. Deidara, que conversa é essa?

— É que já faz um tempo que eu me pergunto se eles seriam completos. — o número cinco respondeu, dando de ombros e abaixando o olhar — Eles se divertem bastante, principalmente o Naruto.

Pensativo, Sasori novamente usou seu direito de ficar calado. Definitivamente ele não consideraria a vida dos meninos uma "completude", mas, eventualmente, ele chegava a pensar que talvez eles fossem mais completos do que à população do QG... Do que todos os Akatsukis...

Não que ele fosse admitir algo assim em voz alta, é claro.

— Não fale asneiras Deidara, eles vão perder a família cedo ou tarde, você sabe disso. — se pronunciou depois de um longo período de quietude — Se há alguma completude na vida deles, tudo vai virar um pesadelo quando chegar a hora de Kushina e Minato.

— É, eu sei. — o outro respondeu, girando os olhos. — Eu só estava me perguntando...

— Madara diz que a pior coisa que fazemos é nos questionar esse tipo de coisa.

Apesar de evidente, Deidara não percebeu o grau de censura, ajeitando sua postura e apreciando novamente os garotos com ares empolgados.

— Oh olha, finalmente algo artístico!

Sasori voltou sua atenção para o interior da casa, apenas para girar os olhos enquanto os dois rolavam pelo chão em mais uma briga sem motivo algum. Possivelmente discutiram que um deles roubara no jogo, o outro negou e a discussão evoluiu para uma briga física. Deidara gostava muito de assistir essa parte, e o número quatro considerava esse tipo de "prazer" bastante estranho pra ser chamado de arte.

Deidara discordava.

— Eles lutam relativamente mal, principalmente o Naruto, mas os hematomas que ficam depois na pele deles são artísticos! — o loiro comentou, bastante empolgado — Marcas que a mente nunca vai esquecer, mas que a natureza vai curar com o tempo. Estonteante!

— Arte não é isso. — a voz do mais velho soou tediosa e levemente irritada. Sabia que mais uma vez ele e Deidara teriam uma discussão sobre o que seria arte.

A diferença era que, apesar de discutirem frequentemente, eles nunca acabavam "rolando pelo chão" em meio a uma briga física como os moleques faziam agora na sala. Quer dizer, as vezes eles "rolavam pelo chão" sim, mas não nesse sentido... Ok, talvez nem fosse tão diferente assim. Aliviava a frustração da mesma forma, não é mesmo? Seja numa briga como os objetos de sua vigia, ou no sexo, como a dupla fazia.

— Arte é uma explosão de adrenalina momentânea, um estouro de emoções! As brigas dos moleques não são as coisas mais artísticas do mundo, mas são uma amostra do caos, são inovadoras cada vez que eles brigam. É único!

— Não vou perder meu tempo discutindo isso. De novo.

— Não se preocupe, eu vou te provar que um contato físico pode ser bastante artístico. — Deidara respondeu, sorrindo de canto de boca e olhando para Sasori com uma expressão lúdica — Como eu sempre provo, né Danna?

Sasori girou os olhos, conseguindo impedir qualquer tipo de rubor de aparecer em seu rosto (ato esse que não foi muito bem impedido por Deidara, que corou um pouco).

A relação dos dois era extremamente peculiar. Sasori e Deidara, como esperado, eram parceiros sexuais também, mas Sasori era um tanto quanto "apático" nesse sentido. Deidara, talvez pela sua natureza de achar qualquer coisa temporária algo artístico, gostava muito de sexo e, pasme, achava artístico (que dúvida). Madara gostava muito dessa característica de Deidara e, por conta disso, se juntava à eles de tempos em tempos — Sasori era indiferente quanto a necessidade de fazer sexo, mas quando o ato se iniciava ele bem que gostava. Deidara considerava seu súbito interesse no sexo como uma demonstração de apreciação artística — e Sasori não podia negar que se "aquilo" fosse arte, Deidara realmente tinha talento.

Deidara era um pouco envergonhado com Sasori, talvez pelo medo de ser rejeitado (já que era ele quem iniciava qualquer tentativa de contato físico), mas não era com Madara ou outras eventuais duplas que se juntaram a eles em algumas ocasiões. Deidara era envergonhado apenas com Sasori e, por isso, sempre corava quando insinuava algo sexual, mas ainda sim o fazia por saber que caberia a ele colocar o outro no clima.

Aproveitando que sua missão estaria entretida nos próximos minutos (rolando pelo tapete com Naruto), e decidindo ignorar o flerte de Deidara (afinal, não era hora pra isso), Sasori pegou seu bloquinho pequeno do bolso interno da jaqueta e seu toquinho de lápis 2B, começando um esboço. Precisaria comprar mais lápis pra desenho em breve.

— Pff... Mainsteam. — Deidara murmurou, fazendo uma expressão entediada enquanto observava seu parceiro desenhar, um pouco chateado por não ter conseguido uma reação do outro com a sua insinuação.

— É mais um protótipo, só um rascunho de angulação. — ele disse, traçando rapidamente um desenho de Sasuke e Naruto brigando — Eu quero aprimorar novos fantoches, eu quero pegar essa essência da adolescência deles.

— Quantos fantoches você já fez do Sasuke, hein?

— Uns cinco.

— Daqui a pouco o deposito vai ficar cheio e o líder não vai gostar. (5)

— Madara gosta dos fantoches. — Sasori respondeu, sem desprender a atenção de seu rascunho — Eu acho que o Sasuke se parece fisicamente com alguém importante pro chefe, às vezes o vejo olhando pros fantoches com tristeza.

— Nah, ele só esta triste em ver tanto potencial artístico desperdiçado com mainsteam, Un.

— Como se essa besteira que você chama de superflat fosse capaz de ser levada a sério.

— Madara-sama respeita minha arte! Ele incentiva minha expressão artística, me dá missões onde eu posso mostrar o poder da adrenalina e do caos! O líder é um artista nato, o caos que ele causa, as missões que ele delega... Ah... Madara é meu maior ídolo, ele me entende!

Nisso podemos concordar.— Sasori pensou, realmente aprovando as palavras de Deidara.

Sasori e Deidara admiravam Madara como artista, mas porque viam nuances diferentes em sua "expressão artística". Deidara via toda a articulação do caos e da destruição que Madara orquestrava e achava tudo extremamente interessante; Sasori, por sua vez, via Madara como um verdadeiro manipulador de pessoas, de fantoches, de obras vivas.

Sasori queria, algum dia, conseguir fazer o mesmo que Madara fazia, e não apenas fantoches inanimados de madeira esculpida.

— Um dia nós vamos superar o mestre. — Deidara comentou sonhadoramente, voltando a apreciar a briga dos meninos e deixando Sasori desenhar em paz.

O ruivo nada respondeu, se perguntando se faltava muito tempo pra Sasuke sair de casa e ir atrás de Orochimaru. Certamente, um dia ele iria superar o mestre e, para isso, precisava continuar vigiando o moleque Uchiha, aproveitando-se das besteiras que ele fazia para articular todo o seu plano.

(***)

— Isso é ridículo. — Deidara murmurou, se sentando no chão e cruzando os braços — É obvio que eles não vão chegar até essa entrada Sasori-Danna, Kakuzu está querendo nos deixar de fora!

— Eu também acho que essa é a intenção dele. — Sasori respondeu despreocupadamente, encarando o céu claro e sem nuvens.

Quem prestasse atenção na atitude de Sasori e o conhecesse de outros encontros, saberia que ele estava levemente ansioso por alguma coisa. Mas o loiro estava irritado demais para se prender a esse tipo de interpretação.

— Que dizer, nem eu sabia que existia essa entrada, se duvidar nem Kisame devia saber quando ainda estava no QG. Itachi com certeza nem sabe chegar aqui!

Sasori nada respondeu, abrindo um singelo sorriso confiante enquanto mantinha as costas voltadas para Deidara; o loiro, não desconfiando de seus pensamentos, continuava a reclamar sem parar. Ele o deixava falar, sem interrupções, ora concordando com um breve ruído de garganta, incitando-o a continuar seu monólogo.

Havia uma confiança recíproca com sua dupla. Sasori confiava em Deidara e o loiro certamente confiavademaisnele; mais do que o saudável. Tanto é que a arma secreta do rötschreck que o loiro utilizava eventualmente era parada por Sasori: uma das maneiras de se acalmar a besta, seja no frenesi ou no rötschreck, era com machucados físicos de grande intensidade ou perceber que através do seu descontrole colocaria alguém importante em perigo (6). A mera presença de Sasori retirava Deidara do rötschreck, mas é claro que Madara não sabia disso, pois se soubesse desconfiaria da relação deles, já que eles encontraram uma alternativa de parar a besta que não era conhecida pela maioria dos Akatsukis: isso poderia fazer com que o líder os visse como uma ameaça, até porque Pain e Konan já deixaram bem claro o quanto um relacionamento emocional mais profundo podia retirar a confiança do líder na dupla.

Não os levem a mal, a dupla artística sentia mais um respeito mútuo do que um amor. Deidara, apesar de não admitir, amava o talento de Sasori (e vice-versa), não exatamente a 'pessoa' do outro. Mas como não havia como diferenciar uma coisa da outra, inevitavelmente eles prezavam um pelo bem de sua dupla, pois queriam que as obras de artes continuassem a ser realizadas. Não era, nem de longe, algo que se assemelhasse ao relacionamento de Pain e Konan, ou da devoção que Itachi parecia ter com o menino Sasuke, era mais o tipo de amor que se tem perante o trabalho de um ídolo.

Ao menos era assim que eles interpretavam os sentimentos e, como Deidara era mais falante que qualquer um da Akatsuki, eles já haviam até conversado a respeito (ok, Sasori apenas ouviu, mas se não retrucou significa que concordou).

— ... e que ideia é essa do... — subitamente, Deidara foi obrigado a se calar: Sasori cobriu sua boca com uma das mãos e, com a outra, levou o dedo indicador aos lábios, pedindo silêncio. O loiro piscou algumas vezes, mas não tornou a falar quando seus lábios foram liberados, prestando atenção nos sons do ambiente.

Estava baixinho ainda, mas eram sons de passos; a nova dose de proteína que tomaram na noite anterior ampliaram ainda mais os sentidos aguçados, de modo que Deidara podia ter certeza que apesar do som já ser perceptível, o "visitante" estava longe daquela entrada do QG.

— Não acredito! — Deidara falou, ganhando um "shiii!" de Sasori, diminuindo consideravelmente o volume da voz na seqüência — Por que falar baixo? Ele não vai ouvir, está longe!

Os dois já tinham percebido pela quantidade de passadas que era apenas uma pessoa se aproximando dali, e não um grupo grande.

Um corajoso, louco e suicida, se quer minha opinião. — Deidara pensou, sentindo-se cada vez mais empolgado.

— Pode ser Itachi. — Sasori sussurrou com urgência, puxando o loiro pelo braço e o obrigando a ficar de pé.

— E? Itachi deve estar sem proteína há semanas!

— Tsk. — o ruivo reclamou, fitando os olhos azuis com apatia — Não conte tanto com a sorte. Nunca se sabe.

Deidara deu de ombros e nem se preocupou em esconder sua expressão: estava evidentemente animado. Sorrindo da sua maneira maníaca típica de quem estava bem disposto a "mostrar sua arte" em breve, abriu o sobretudo que utilizava e inspecionou seu arsenal de explosivos, pegando uma de suas granadas na mão.

— Estamos com sorte. — comentou, alargando ainda mais o seu sorriso ao encarar a apatia do companheiro — O que foi? Madara não me manda pra campo há meses, estou com abstinência.

O número quatro nada disse, andando a frente de Deidara alguns passos e se virando quando estava longe dele, à uns cinco metros de distância.

— Ow, sai do caminho! — o loiro pediu, erguendo um pouco o tom de voz e gesticulando enfaticamente — Você sabe que você tem que ficar atrás de mim nos ataques em dupla, se não os explosivos vão machucar você.

Sasori não se moveu, mas percebeu que não podia mais adiar a conversa inevitável:

— Se lembra quando você comentou que um dia nós iríamos superar o mestre? — Sasori indagou, erguendo um pouco o tom de voz, como se quisesse que o 'estranho' que se aproximava soubesse de sua presença.

Se tudo havia ocorrido como ele planejara, era claro que esse estranho só podia ser Itachi.

— Shii Danna! O invasor vai te ouvir! — Deidara respondeu baixinho, mas com urgência — Isso não é um assunto pra agora!

— Eu discordo. Eu acho que agora é a melhor hora que temos pra conversar sobre isso.

— Mas o...-

E então o número cinco compreendeu o que aquilo significava. Finalmente entendeu porque Sasori havia mantinha o mesmo afastamento que utilizavam quando iam treinar. Naquele momento, Sasori o considerava seu inimigo, e não seu aliado de combate.

Sasori o traia!

— Eu não acredito que você fez isso... — Deidara murmurou, verdadeiramente assombrado com aquela constatação.

Sasori agia exatamente como Pain, Konan e Kisame. Ele sabia o fim que teria por trair Madara, mas ainda sim estava traindo todo o QG! Na cara dura! O próprio braço direitode Madara o traia! E não apenas isso, traia sua própria dupla!

— Por quê? — ele indagou, verdadeiramente irritado, ouvindo os passos acelerarem ainda mais.

— Porque eu não quero mais ser o fantoche do Madara. — Sasori respondeu simplesmente, amaciando um pouco sua expressão — Eu não quero mais ser ordenado, quero comandar também, ter meus fantoches, ter o controle ao menos de mim mesmo. Superar a arte do mestre, eu sei que sou capaz disso.

— Isso é inacreditável! — Deidara rosnou, erguendo uma das combinações químicas de explosivos que fizera na noite anterior (7), mantendo a posição ofensiva — Madara não vai perdoar isso!

— Eu não quero que ele me perdoe, apenas que reconheça minha superação.

— Você...! — suas mãos tremiam. Ele queria atacar, queria fazer Sasori pagar pela traição! Mas ele não conseguia, ele não era capaz de atirar o explosivo. E, por isso, tentou ganhar tempo com conversa. — Por que você não está me atacando então? Por que você resolveu me contar isso antes da merda do invasor chegar? Un? Me diz!

— Porque eu quero te dar o direito de escolha. — Sasori respondeu suavemente, não aparentando, nem de longe, a mesma irritação que Deidara.

Ele já imaginava que o loiro fosse ficar furioso daquela forma, e não podia dizer que estava feliz em vê-lo assim. No fundo, Sasori não queria esconder aquilo de Deidara durante tanto tempo, mas era inevitável para que o plano desse certo. Na verdade não era nem para ele revelar a verdade antes do plano estar concluído, mas ele não foi forte o suficiente para esconder de Deidara até o fim.

Porque ele queria que, no fim, Deidara estivesse ao seu lado, e não no lado de Madara...

Escolha?! — o loiro gritou, indignado, gargalhando sem alegria em seguida — ESCOLHA!?

— Você escolhe se quer tentar superar Madara ao meu lado, ou se quer continuar ao lado dele. Eu só vou atacar depois que você der o primeiro golpe, não antes disso.

— Que piada! Que piada sem graça! — o mais novo exclamou, furioso — Você me controla como seu bonequinho até aqui, sei lá há quantos anos você planeja isso, pra no fim me dar uma "escolha"?

Incapaz de se conter ao ouvir aquelas palavras, Sasori cruzou os braços e abriu um sorrisinho de prepotência.

— Oh, então você reconhece que eu te fiz de fantoche? Isso eu considero uma grande crítica artística.

Deidara perdeu o controle de seu temperamento naquele momento, mas não jogou o explosivo em Sasori: pelo contrario, o atirou para trás, o mais longe que conseguiu, acertando a mata densa da ilha, deixando o barulho estrondoso de explosão ecoar no ambiente outrora silencioso e se jogou em direção a Sasori, intencionando socá-lo até um nocaute acontecer.

Estava tão irritado que nem pensou em um combate mais técnico, tudo que queria era dar uns socos bem dados no traidor!

— SEU IDIOTA! — Ele exclamou enquanto realizava uma seqüência de golpes, todos defendidos por Sasori com maestria: apesar de ambos serem combatentes à distancia, o mais velho era melhor em combate físico do que Deidara — Eu vou fazer você engolir essa prepotência, un!

A briga continuou por alguns minutos até que Sasori conseguiu imobilizar Deidara contra o chão; mas o loiro, mesmo praticamente sem movimentação, conseguiu liberar um de seus braços e colocar a ponta da lâmina de sua kunai no pescoço de Sasori, fitando-o com os olhos ameaçadores de cor vermelho-claro, quase magenta, demonstrando que estava a um passo de entrar em rötschreck ao sentir sua vida ameaçada.

— Por que está se segurando hein? — o ruivo sussurrou em seu ouvido, aproximando o seu pescoço à lâmina. Deidara retraiu o objeto, impedindo-o de se machucar; apesar da retração de seu braço e afastamento da kunai, esta ainda estava posicionada bem próxima da pele de Sasori e, se o loiro assim desejasse, poderia finalizá-lo com um golpe só. Sasori percebeu isso. — Vamos lá, um golpezinho seu pode me matar. Ou melhor, entre em rötschreck, você vai conseguir me destruir se fizer isso!

Era verdade. Quando Deidara estava em rötschreck, era difícil decidir quem era o mais mortal daquele QG: ele em rötschreck ou Kakuzu em frenesi?

— Eu já dei o primeiro golpe! — Deidara exclamou, verdadeiramente incomodado com aquela situação, se questionado a cada segundo porque simplesmente não interrompia a vida do número quatro de uma vez — Por que você não está usando as suas malditas kunais envenenadas?

Será que não está obvio porque eu não quero atacar esse 'drama queen'?

Sasori girou os olhos, impaciente.

— Ah Deidara, cala a boca.

Sasori agarrou a kunai dos dedos do loiro e atirou-a para longe, puxando a gola deste para obrigá-lo a se sentar. O loiro o fez em meio a um gemido de surpresa, e quando se deu conta ele estava sentado abaixo de Sasori, que se sentava sobre seu colo, e ainda o segurava firmemente pela gola.

— Escolhe. — murmurou, também deixando o brilho de seu olhar se intensificar.

Não que realmente achasse que seria fácil convencer Deidara, mas ele estava fazendo um dramalhão maior do que o ruivo imaginou.

— Sasori! Seu imbecil!

— Escolhe. — Sasori repetiu, aproximando ainda mais seu rosto do rosto do mais novo — Eu ou o Madara. Escolhe agora, não temos tempo.

— O-o que te faz achar que você é uma opção aqui?! — a voz de Deidara falhara enquanto ele desviava o olhar, evidentemente desconfortável em ser colocado contra a parede daquela forma.

— Eu ainda estou vivo, então sei que sou uma opção pra você. Então escolhe, pois nós não temos muito tempo...

Foi naquele momento que Itachi chegou próximo à entrada dos fundos do QG, saindo do meio da mata fechada e conseguindo finalmente visualizar a briga que já ouvia há alguns minutos enquanto se aproximava. A posição que a dupla se encontrava era constrangedora, e Itachi não conseguiu deixar toda sua preocupação falar mais alto.

Ele tinhaque provocar.

— Eu estou atrapalhando algo? — questionou com um tom de voz lúdico, quase sorrindo diante do olhar perdido de Deidara.

Vai ver a convivência com Naruto está me fazendo meio suicida só para não perder a oportunidade de aproveitar de uma piada...

Os dois viraram o rosto para Itachi, como se percebessem a chegada dele pela primeira vez (certamente deveriam estar muito entretidos se pararam de prestar atenção em suas passadas).

— UCHIHA! — Deidara exclamou, tentando sair de baixo do corpo de Sasori, mas ele firmou ainda mais a sua pegada e não se afastou. Deidara poderia se soltar se quisesse, mas não o fez, decidindo reclamar em vez de dar um soco em Sasori e correr para o seu alvo — Me solte! Me solta seu traidor!

Está tão na cara que ele nem está se esforçando. — Sasori e Itachi pensaram a mesma coisa.

— Decide Deidara. Qual o problema de decidir? — o ruivo falou, ainda não desviando o olhar para encarar Itachi, se preocupando em por bom senso na cabeça oca do seu parceiro — Se você escolher o Madara, eu te solto e você luta de igual pra igual contra eu e Itachi. É você quem decide.

O moreno suspirou em alívio: ele achava que o ruivo estava do seu lado, isso era óbvio, mas a pontinha de dúvida sempre se mantinha. Acabara de ter certeza que ele realmente podia ser considerado seu aliado.

— Argh! Como você é insuportável, Danna!

Sasori nada respondeu e não se moveu um centímetro. Deidara nada disse por algum tempo, respirando de forma descompassada, controlando seu emocional aos poucos de modo que seu olhar voltava cada vez mais à tonalidade azul.

O mais velho, sentindo-se ainda mais vitoriosos quando os orbes de Deidara demonstravam que ele não estava mais a um passo do rötschreck, relaxou. Qualquer sentimento de dúvida que assolou sua mente nos últimos minutos se esvaiu, ele não tinha o que temer. Pois se Deidara acalmou mais uma vez da iminência do rötschreck por causa dele, a suposta "traição" não havia mudado o que o loiro pensava a respeito dele.

— Acho que tem a sua resposta, número quatro. — Itachi comentou casualmente, atraindo um gesto de Deidara para si, que atirou um de seus explosivos a metros de Itachi, quase o acertando.

Com um humor extremamente peculiar, Itachi quase deixou uma risada singela escapar pelo nariz, mas conseguiu se controlar. Deidara o detestava e Itachi sempre se divertiu ao provocá-lo quando ainda morava no QG.

Talvez por isso ele e Naruto começaram essa relação de picuinha tão facilmente. Naruto e Deidara eram semelhantes em diversos aspectos (mas é claro que Itachi preferia o Naruto, só que nunca iria admitir algo assim).

— Uchihas nunca sabem quando calar a boca! Un! — o loiro exclamou, irritado, estreitando o olhar.

Itachi sempre me tira do sério!

O desertor nem aparecia amedrontado, fitando o rubor de vergonha no rosto de Deidara com compreensão. Então ele percebeu que o número cinco podia ser bastante parecido com Naruto em alguns aspectos, mas havia nele uma semelhança com Sasuke em outros: a teimosia e a facilidade de corar (em vez de admitir as coisas mais do que óbvias) era uma delas.

E, pelo jeito, Sasori chegou à mesma conclusão. Pois ele puxou o queixo do loiro para si e o beijou, sendo correspondido por alguns instantes até ouvir a risada breve e debochada de Itachi trazê-lo de volta a realidade. Ao voltar à realidade, o loiro o empurrou para soltá-lo, e desta vez Sasori realizou o pedido implícito.

— Você me beijou! — Deidara exclamou, arregalando o olhar e tentando se afastar de Sasori, que o impediu ao segurar seus braços com força — Você nunca me beijou!

— Como assim? Vocês trepavam sem beijar? Que insensibilidade Sasori... — Itachi comentou sarcasticamente, ganhando uma rajada de estelas ninjas envenenadas e arremessadas em sua direção.

Pelo jeito Sasori não gostou muito do seu comentário, até direcionou sua atenção para ele.

Que novidade...

— Você tá precisando de um convite por escrito pra entrar no QG, número três?

— É por isso que odeio Uchihas, eles nunca sabem a hora de parar! — Deidara resmungou, permitindo que seus olhos brilhassem mais uma vez, mas numa intensidade bem mais comedida.

Itachi balançou a cabeça negativamente, tentando controlar seus lábios para não abrir mais um sorriso de chacota. Tinha que ter foco e entrar no QG, procurar Sasuke e tirá-lo de lá. Estava mais do que claro que Deidara e Sasori se manteriam ocupados por bastante tempo e nada fariam para impedí-lo de realizar seu resgate. Então, sem maiores delongas, ele adentrou ao QG.

Fácil assim.

Ah... A ironia... quem imaginou que um dia o traidor Itachi Uchiha conseguiria entrar no QG com aquela facilidade? Madara tinha que rever bem seus conceitos na próxima ocasião (que se dependesse dele, nunca iria existir). Despreocupado, ao menos por hora, Itachi apertou o botão em seu pescoço enquanto andava com passos firmes na área desabitada do QG.

— Entrei. — Itachi murmurou no seu walkie-talkie, ouvindo uma resposta quase que instantaneamente de Shikamaru.

— Eu sabia que seja lá quem estivesse comandando a segurança do QG acabaria colocando Sasori para fiscalizar a entrada dos fundos, já que decerto ele é o único Akatsuki que a conhece.— o moreno respondeu do outro lado da conexão, realmente aliviado. — Ok, essa parte do plano deu certo, é um alivio. Que bom que Sasori estava realmente do seu lado. Vamos perder o sinal daqui a pouco, você sabe que quanto mais no subsolo você adentrar, pior o sinal fica.

— Sim.

— Se lembra do mapa? Conseguiu decorar uma boa parte? Você sabe que não vai poder ficar consultando toda hora, né?

— Sim.

— Então boa sorte Uchiha, eu tenho que ajudar o Kakashi e Gaara agora. Eles poderão não ter a mesma sorte que você teve.

Itachi ficou um pouco preocupado com aquelas palavras, mas não adiantava mais protestar sobre o plano. Ele já tentara de todas as formas convencê-los de não usarem a entrada da frente, mas quem disse que alguém deu ouvidos aos seus argumentos.

— Certo. Câmbio e desligo.

Enquanto o Uchiha adentrava a fortaleza do QG, Deidara ainda tentava entender o que acabara de acontecer com sua vida em tão poucos minutos.

— Você me beijou. — ele tornou a acusar Sasori, agarrando-o pela gola da camisa — Por que você fez isso!?

O ruivo deu de ombros, mas Deidara pareceu tão irritado que ele decidiu se pronunciar:

— Estou feliz que você decidiu se juntar a mim.

— E quemdisse que eu me decidi juntar a você?!

— Bom, não estou te vendo correr atrás do Uchiha.

— Tsk. Não mude de assunto. — o rubor de Deidara aumentou ainda mais e Sasori deixou uma singela risada escapar, reação que nem de longe era algo comum de sua personalidade. Ele realmente estava feliz que o plano dava certo e Deidara optara por seguí-lo. — Você nunca me beijou em todos esses anos, porque me beijou agora?

Mas que teimoso...! — o agora desertor ex-número quatro pensou, suspirando fundo e girando os olhos pela enésima vez naquele dia.

— Ok Deidara, vamos fazer assim: Você finge que não está do meu lado...

— Eu não estou! — Deidara interrompeu de novo, mais Sasori cobriu seus lábios com a mão, silenciando-o enquanto continuava a pronunciar seu "acordo".

— ... e eu finjo que não estou te beijando, ok?

Foi a vez de o outro girar os olhos, mas no fim ele respondeu à pergunta com um gesto afirmativo com a cabeça. Sasori retirou a mão de seus lábios para seus cabelos, acariciando-o e puxando-o para um beijo mais suave do que o outro, e incrivelmente surpreendente pela meiguice do gesto.

Não era mentira, Sasori nunca o beijara. As poucas vezes que chegaram a se beijar nessa vida era Deidara quem tinha iniciado a carícia. E, por isso, o loiro sentia como se seu estômago estivesse repleto de borboletas — na sua cabeça, só a estranheza da situação explicaria uma reação corporal como aquela.

Ainda teriam muito que conversar, isso era fato, mas Deidara não podia negar que estava curioso para ver como seria essa tal "vida de liberdade". Sem proteína não chegariam longe, mas se Itachi foi buscar Sasuke, quem sabe nem tudo estivesse perdido.

Quem sabe a gente pode visitar o Louvre se essa liberdade for de verdade... — Deidara pensou, sorrindo em meio ao beijo, se perdendo ainda mais nos lábios do outro e o puxando para mais próximo de si.

E em meio aquela sensação de emoções, nem passou pela cabeça de Deidara que ele só desejava visitar o Louvre por causa de Sasori. Afinal, não havia absolutamente nada de superflat naquele museu, apenas os disseminadores do mainsteam,tudo que Sasori amaria ver e ele repugnava com veemência.

Mas sabe como é: sempre dizem que quando se gosta de alguém você eventualmente coloca os interesses daquela pessoa acima dos seus, abrindo mão de algumas coisas, pelo simples prazer de vê-la feliz.

Não que Deidara gostasse de Sasori ou vice versa. Afinal, eles só gostavam da arte um do outro. Que fique bem claro isso!

(É... Só da arte... Tá certo...)

... Continua...


(1) Cena Capítulo 21.

(2) Esse fato foi citado em alguns pontos da fanfic, mas ficou comprovado na cena que o Itachi descobre que a proteína que ele tomava da Konan tinha anticoncepcional (Capítulo 32), mas ele não tinha efeitos colaterais porque seu corpo destruía a droga. A Konan consegue manter o anticoncepcional no corpo dela sem destruí-lo porque ele é feito de drogas naturais do corpo feminino, é um anticoncepcional sem drogas sintéticas (nossa medicina atual tenta fazer isso nos nossos anticoncepcionais — o mais próximo que temos do "anticoncepcional com estrogênio natural" é o Qlaira, e ainda sim não é totalmente natural —, mas a Konan toma um que o Madara fez pra ela), mas como a maioria dos medicamentos são compostos sintéticos e não orgânicos, os usuários da proteína não são afetados pela medicação, destruindo-a quando entra em seu corpo. Não adianta, portanto, tomar antidepressivos, então se um Akatsuki tem depressão, ele não tem como curar isso. É uma das falhas da proteína, e por isso o estudo de Madara e Orochimaru não está completo ainda.

Por enquanto, é isso que vocês têm que saber. Ainda tem mais informações a serem dadas sobre o estudo dos dois.

(3) Desde o Capítulo 23 nós sabemos que alguém da Akatsuki vigiou o Naruto (e o Naruto desconfiava disso), mas eu ainda não havia revelado quem era, apesar de Itachi saber (ele mencionou que sabia na conversa); agora vocês sabem que é o Deidara.

No Capítulo 37 foi revelado que Sasori era quem vigiava Sasuke.

(4) Gaiden do Capítulo 12.

(5) O depósito do Deidara e Sasori foi mencionado no Capítulo 30.

(6) No Capítulo 23 o Itachi consegue parar o frenesi quando o Naruto menciona o Sasuke. Eu já tinha deixado indícios que algo emocional poderia parar o frenesi e rötschreck, mas na verdade os únicos que entendem bem como isso funciona são Deidara e Sasori (Kakuzu e Hidan param o descontrole com a dor, eles não usam o emocional como Deidara e Sasori).

(7) Eu juro por Deus que tentei entender um pouco de química de explosivos. Passei alguns dias lendo sobre tricloreto de nitrogênio, nitroglicerina, diazodinitrofenol... e ai eu lembrei porque química era a minha pior matéria na época de escola. Não dá gente, simplesmente não entendo nada que está escrito, eu sou um zero a esquerda em química desde sempre e morrerei sem entender o que é uma cadeia de carbono (pra vocês terem uma noção do nível da minha ignorância nessa matéria). Essa parte da fanfic ficou bem superficial e leiga, eu não disse exatamente o que o Deidara atirou e como o composto se funcionava pra não falar besteira. Preferi não ir para um caminho que eu sabia que ia acabar falando merda. =(


Nota final: Mais um capítulo finalizado! Eu sei que vocês estão loucos pra saber mais sobre o passado do Gaara, Sasuke e Orochimaru; sobre como o Gaara foi pro QG; sobre o chefe do Sai. Mas não dava pra falar dessas coisas porque pra chegar nesse assunto eu preciso fazer o Itachi chegar até o Sasuke antes, então alguns personagens já sabem algumas respostas pra essas perguntas, pois eles conversaram em "off", mas eu tive que manter vocês no escuro por mais tempo.

Então aqui vai a bomba: Sasuke e Itachi vão se encontrar no capítulo que vem. Eu nem vou esconder isso de vocês, estou declarando que capítulo que vem eles vão se encontrar. O que vai sair desse encontro, no entanto, vocês vão ter que esperar pra ler.

Como encontros dos Uchihas são sempre muito emocionais, o capítulo será difícil de escrever. Então eu já de antemão peço desculpas se eu passar do prazo de 30 dias pra atualizar, porque vai ser novamente um dos capítulos mais trabalhosos da fanfic. Além disso, eu quero fazer uma oneshot de Halloween (não se preocupem, não vai 'digievoluir', garanto que o plot é só pra oneshot, escrevo em dois ou três dias), então talvez atrase um pouco. Ainda sim, farei o possível pra atualizar dentro do prazo!

Ah, e já anunciando formalmente: dia 31 de outubro eu vou postar oneshot de Halloween, estão todos convidados a ler um lemonzinho básico, para aqueles que estão com saudades dos meus lemons. ^^

Muito obrigada a todos pelo apoio e por terem lido o capítulo até o fim! Desculpa qualquer erro! ^^ Espero que tenham gostado, aguardo opiniões ansiosamente. *-*


Respostas das reviews deslogadas:

.

Jac:

Oieee! xD

Ahhh que bom que gostou do capítulo! o/

Tadinho do Kakuzu, ele só tá sendo ele mesmo aeuheauheauheauheau! Ele é um cuzão! xD

Concordo, esses mercenários não tão com nada. =P

O Gaara estava provisoriamente internado no hospício até julgamento, e ai dependendo de como fosse o julgamento ele saia, ia pra cadeia (caso o condenassem e decidissem que ele não estava louco) ou continuava no hospício (se fosse condenado mas considerado louco). Mas isso tudo ainda vai ser explicado com detalhes em momento oportuno, que infelizmente não foi nesse capítulo, porque eles estão sem tempo pra conversar. Logo ocorrerá, prometo. ^^ Mantenha essa informação no ar!

O mesmo eu digo a respeito do Orochimaru! HUAHUAHUAHUA! E sim, o Sasuke não lembra. ;)

Espero que tenha gostado da atualização, mesmo eu não respondendo as suas perguntas ainda uaehuaehuea!

Mas JURO que tudo vai ser respondido!

Um beijão! Obrigada pela review!

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Luu:

Ahhhh que bom! Aguenta que já tá acabando, falta pouco aeuhaeuheauheauheua!

Eu vou explicar a reação do Naruto... lembra quando o Itachi estava quase entrando em frenesi na frente do Naruto e o Naruto começou a falar do Sasuke e ele se acalmou? Pois bem, ele fez a mesma coisa, porque na cabeça dele mencionar o Sasuke faria o Itachi não fazer besteira. Ele perdeu o controle auehauehauehuea!

Mas agora ele está com o Sasuke. Mais ou menos. =P

Nah, Hidan está preso! E agora você já viu o que aconteceu com ele com essa atualização.

Sim! Sasuke e Orochimaru se conhecem! Mas calma que eu ainda vou explicar isso bem direitinho. ^^

Um beijão! Muito obrigada pela review!

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Ana:

Oie! Exatamente! Naruto tem que provar que o talk no jutsu dele tem poder! Mas o Sasuke tá tão complicado ¬¬ precisa levar uns tapas, to dizendo...

O passado do Sasuke é bastante interessante, não vejo a hora de escrevê-lo pra vocês! *-* E explicar tudinho!

Não... não era o Maddy... Ainda bem né, acho que a situação estaria muito pior se fosse o Maddy. Mas nem por isso o Sasuke deixou de fazer merda pelos dois. ¬¬

Um beijão! Obrigada pela review!

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Bianca:

Oii! Que bom que gostou do capítulo! =D

Kakashi (ainda) está bem. Comemore enquanto ele está inteiro eauheauaehuaehuaehuea!

Bom, essa é a resposta que não quer calar: o que aconteceu com o Sasuke principal? Mas calma, eu vou começar a responder na próxima atualização. ;)

Isso que você falou do Orochimaru usar o Sasuke nos experimentos é uma teoria! Esta devidamente anotada, vamos ver se você acertou daqui a pouquiiiinho!

Um beijão! Muuuito obrigada pela review!

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Ale:

Ahhhh tá, agora entendi eauhaeuhaeuheauheauea! Fez sentido! xD

Opa, fechou então! Eu fico com o Itachi e você fica dando um trato no Sasuke. Quando ele entrar na linha, ele volta pros meus braços. Valeu pela ajuda aueheauheauheau!

Ainda vai acontecer algumas coisas com o Sasuke, mas não posso dizer o que. Aguarde!

Naruto não morreu, ainda bem! =D

Orochimaru... o maior mistério dessa fanfic. Logo você vai descobrir!

Ouuun que bom que pensa assim! Fico feliz por conseguir surpreender vocês! =D

Um beijão! Obrigada pela review!

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Ai:

Oie!

Nossa... eu nem sei o que dizer. Sinceramente, estou sem palavras diante desse relato. Meus pêsames querida, eu realmente espero que você consiga superar isso. Eu fiquei tão surpresa e entristecida com o comecinho da sua review, uma pena que demorei um mês pra responder (maldito ffnet que não me deixa responder as reviews deslogadas antes da atualização). Espero que você esteja bem e superando.

Eu fico muito contente quando vocês mesmo com uma dificuldade consideram a fanfic uma distração de seus problemas. Eu me sinto lisongeada por isso, de todo coração! Espero que esse capítulo também tenha te distraído da sua dor, nem que seja por alguns minutos. Assim sinto que consegui fazer um pouquinho pra ajudar alguém a superar os problemas, e esse é um sentimento muito satisfatório pra mim! ^^

Gostou das revelações bombásticas? Siiim Gaara está vivinho! E ele não é tão fraquinho assim, vai ser difícil matar esse menino euheuheuheu! Huhauhauhau eu não costumo revelar essas coisas antes da hora, mas te garanto que o Gaara não vai terminar com a Sakura nessa fic, então pode ficar tranqüila. Vou dar um destino conveniente pra ele. ^^

Ahhh mas perder a paciência com o Sasuke já é rotina! Huahuhauahuhau! Acho que ta todo mundo virando ainda mais a mesa por causa do mangá essa semana. Ainda bem que o Sasuke é fictício, porque se não fosse já ia ter um monte de gente linchando ele na rua hahaha!

E não se preocupe! O ffnet demora alguns minutos pra postar o comentário, mas ele sempre posta euheuheuheu! Não precisa virar vegeta. xD

Muito obrigada pelo elogio! Ainda vai demorar um pouco pra acabar, mas bem pouco, estamos caminhando pros acontecimentos finais. Vamos ver quem termina antes: eu ou o Kishimoto. Hehehehe!

Espero que esteja bem, viu?

Um beijão, obrigada pela review!

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Um beijo e mil corações a todos, obrigada pela leitura! Espero que tenham gostado!