Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: Olá leitores, bem vindos mais uma vez à Haunted.
Sim, o capítulo demorou e está bem menor que os anteriores. Lembram-se de quando eu falei que a depender da participação dos leitores eu faria o meu tempo pra atualizar, não ia ficar me sacrificando pra escrever e tudo mais? Pois é, o capítulo passado teve uma queda de 50% da participação, e foi o capítulo mais trabalhoso da fanfic inteira, além de ser o que eu mais estava animada para escrever.
Eu não esperava por isso, e isso demoliu minha motivação, me machucou e eu não consegui escrever antes a atualização antes. Também não me animei para escrever algo grande, já que recebi mensagem de diversos leitores falando coisas do tipo "não comento porque seus capítulos são grandes demais e dá preguiça"... E, bom, é isso.
Isso não é uma bronca, eu não estou mais disposta a pedir participação e tudo mais. Participa quem quer, mas mantenho o combinado de antes: se a participação for pequena, consequentemente meu ânimo pra escrever vai diminuir e a atualização vai demorar (e vai ser menor também). Eu não estou fazendo nada diferente do que já tínhamos combinado.
Desculpe aos maravilhosos leitores que comentaram, vocês não deveriam ter que esperar esse tempo pra receber atualizações... Mas saibam que eu só não abandonei a fanfic ainda por causa de vocês, ok? Eu já disse isso várias vezes, mas não custa repetir: vocês carregam um monte de fantasmas nas costas.
Dúvidas que surgiram no capítulo anterior: Sobre o comportamento do Sasuke com o Itachi, por favor leiam as notas finais do capítulo anterior (de qualquer forma, eu vou tratar do assunto no corpo desse capítulo também); sobre a idade da Karin e Sasuke se relacionando como amigos coloridos, eles tinham quinze anos (meses antes da morte da Kushina e Minato).
Pra quem está perdido na timeline da fanfic, o Capítulo 1 da fanfic diz que os pais do Sasuke morreram quando ele tinha nove anos, e os pais do Naruto morreram quando eles tinham quinze. Teve gente achando que Sasuke e Karin tinham dez anos mais ou menos nesse flashback, que estavam muito "precoces", e eu achei necessário pontuar isso pra vocês. Aliás, ao mesmo tempo que Sasuke e Karin tinham a amizade colorida, Naruto e Gaara também tinham — eles já são adolescentes nesse momento da fanfic, não mais crianças.
Independente do meu desânimo, boa leitura a todos.
HAUNTED
Capítulo XLIV
Itachi nunca sentiu tanta dor emocional em sua vida quando finalmente entendeu a intensidade do sentimento de um coração partido; em pensar que tantas vezes leu os livros de Sasuke, os quais ele herdara de Mikoto, sem compreender o masoquismo de um amor não correspondido. Achava exagerado, achava que o autor certamente só poderia ser uma pessoa que não passara por verdadeiras crises na sua vida para descrever com tanta intensidade aquela sensação. Grande engano, agora ele entendia bem como poderia ser mil vezes pior do que ele imaginava. A dor chegava a reverter fisicamente; seu peito parecia se comprimir, como se ele tivesse levado um soco forte demais ao ponto de quebrar seu osso esterno. Fazia sentido o porquê das pessoas utilizarem a expressão "coração partido": era literalmente o que ele sentia.
Nada que Madara tivesse feito no passado se comparava com o imenso sentimento de perda que agora enfrentava, o que era um absurdo, visto que ele imaginava estar preparado para receber um "não" de Sasuke; ele já tinha recebido tantos "nãos", afinal de contas. O problema é que não importa o quanto alguém tente se convencer de seu destino, sempre há aquela esperança mínima de que, ao final, tudo ocorra de um jeito diferente. Itachi, por alguns minutos, achou que sua esperança havia se concretizado; o gosto de Sasuke ainda estava em seus lábios e isso enganava seus sentidos, porque Sasuke retribuiu suas carícias e sua devoção, fazendo-o crer que estariam juntos, apenas para depois afirmar que tudo aquilo foi um simples "momento de fraqueza" era muita...
Crueldade.
Itachi abaixou o rosto, sentando-se sobre suas penas doloridas, deixando as lágrimas caírem sobre seus joelhos, permitindo o início de um choro silencioso e lamurioso. Sentia o olhar de Orochimaru e Sasuke em sua cabeça e, envergonhado, fazia de tudo para não encará-los. Não queria ser flagrado tão oprimido e emocionalmente debilitado, mas não era forte o suficiente para engolir mais uma vez suas dores e fingir que não sofria.
Não agora. Ele precisava de lágrimas, ele já as segurara durante tempo demais para conseguir manter suas emoções contidas. Ele sofreu tantas vezes em sua vida que havia considerado, mesmo que por poucos minutos, que finalmente chegara o seu momento de ser feliz; ele precisava lamentar a sua decepção, se não, não conseguiria seguir em frente e completar a missão que se propusera a fazer.
Sasuke não ouvia sequer um ruído de Itachi, mas sabia que ele estava chorando. Algumas gotas de suas lágrimas caiam no chão de concreto, e os pingos tornavam a superfície mais escura, denunciando o momento de fraqueza. Ele também sentia vontade de chorar, principalmente porque sua mente, agora una, ainda encontrava-se instável para lidar com sentimentos como aquele. Ver Itachi triste daquela forma o deixava miserável e fazia seu corpo gelar, uma intensa vontade de consolá-lo o atingiu; todavia, ele foi forte o suficiente para se refrear.
Procurando manter sua sanidade e foco, Sasuke girou os calcanhares, saindo do salão com passos rápidos e determinados. Orochimaru o seguia, ele conseguia ouvir os passos mancos que evidenciavam que o médico machucado estava atrás dele; mas ele não tentou correr, sabendo que não poderia evitar uma conversa com Orochimaru àquela altura do campeonato.
Quando chegaram ao corredor, a primeira coisa que Sasuke fez foi encostar-se a parede e deixar seu corpo deslizar de encontro ao chão, agarrando suas pernas e olhando para a parede oposta enquanto tentava conter o choro que quase deixou escapar na frente de Itachi, tremendo da cabeça aos pés e respirando fundo para se acalmar.
Orochimaru olhava o seu comportamento com grande interesse, mas aguardou até o garoto parecer mais recomposto e colocar-se de pé novamente antes de lhe dirigir a palavra. Não demorou muitos minutos; Sasuke poderia estar emocionalmente instável, mas seu orgulho ainda se mantinha intacto para permitir que o descontrole passasse do aceitável.
— Por que mentiu? — o médico sussurrou, apenas por precaução; sabia que Itachi estava imerso demais na própria dor para prestar atenção em qualquer tipo de conversa que eles teriam do lado de fora, mas era melhor não depositar todas as suas esperanças na sorte.
— Eu não menti. — Sasuke respondeu com a voz fraca, suspirando fundo, esfregando as mãos no rosto e decidindo que seu ego não aguentaria um novo rompante na frente de Orochimaru; estava determinado a não chorar — Tudo aconteceu do jeito que eu falei e você sabe disso.
— Não me refiro à sua história. — Orochimaru contestou, estalando a língua nos dentes e não gostando da forma como Sasuke estava tentando, inutilmente, contornar o assunto — Me refiro aos seus sentimentos por Itachi: eu sei a intensidade deles, eu precisei compreendê-los para manipular seus sentimentos por Madara no segundo gatilho; você o am-...
— Não fale essa frase. — Sasuke o interrompeu, encarando-o com uma autoridade que havia perdido desde o começo de todo aquele reencontro; Orochimaru não tinha o direito de confrontá-lo daquela forma, e Sasuke trataria de colocá-lo em seu devido lugar novamente — Não ouse falar isso! O que eu sinto por Itachi ou deixo de sentir não é relevante, muito menos pra você.
Orochimaru optou por calar-se, analisando as feições de Sasuke e sua mudança abrupta de melancolia para irritação, tentando encontrar o sentido de suas atitudes. O garoto sempre foi complicado e ele, como médico estudioso da psiquiatria, detinha uma verdadeira paixão pela complexa mente do Uchiha. Os Uchihas eram interessantíssimos de se estudar, uma verdadeira mina de ouro para assuntos acadêmicos, principalmente Sasuke: algumas atitudes dele que dificilmente eram compreendidas pelas outras pessoas podiam ser facilmente desvendadas pro Orochimaru, já que ele o estudava indiretamente há mais de dez anos.
Sempre era revigorante entender alguém tão dificilmente compreendido como o menino Uchiha, era um desafio pessoal que Orochimaru amava superar.
— Eu prometi a Karin que te protegeria no QG e seguiria o seu plano. Eu jurei que não atrapalharia nos seus objetivos. — Orochimaru declarou; Sasuke já sabia disso, pois recobrou suas próprias memórias há poucos minutos, inclusive esses detalhes que não convinha mencionar à Itachi — Mas não é apenas pela Karin ou pelos meus objetivos profissionais ligados a Madara que eu te ajudei e te observei durante todos esses anos. (1)
Essa abordagem deixou Sasuke na defensiva; ele franziu o cenho, desconfiado.
— Não vai dizer que se afeiçoou por mim.
— Não seja ridículo. — Orochimaru declarou, deixando um sorriso torto brotar em seus lábios — Afeição? Por alguém como você? Nunca. Eu chamaria mais de curiosidade acadêmica.
— Curiosidade acadêmica? — Sasuke questionou, duvidoso.
— Sim. — ele respondeu, balançando a cabeça em afirmação — Sua mente é curiosa, você é um dos meus principais cobaias, suas atitudes e decisões muito interessam para as minhas pesquisas. É por isso que eu quero saber: por que você mentiu?
Sasuke ainda o encarava com extrema desconfiança, mas até cogitou a possibilidade de se explicar para o mais velho. Todavia, concluiu que de nada adiantaria perder tempo com esse tipo de conversa, simplesmente dando de ombros e optando por nada falar.
— Eu sei porque. — Orochimaru murmurou baixinho, abrindo um sorriso sarcástico.
O pior era que provavelmente Orochimaru sabia; ele sempre sabia mais do que deveria saber. Sasuke tentou sair pela tangente mais uma vez:
— Você não deveria sorrir assim quando seu rosto ainda está inchado pela surra de Naruto, fica ridículo.
Mas Orochimaru alargou ainda mais o sorriso, indicando que não estava caindo na provocação do Uchiha e que, decerto, tinha uma tese bastante forte sobre a motivação de suas ações.
— Não tente mudar de assunto, eu sei seus motivos: você está mentindo porque você está preocupado com ele.
— Não seja ridículo, eu não-...
— Eu já te vi fazer isso por Naruto algumas vezes. — o mais velho respondeu, não deixando de notar a singela palidez que se formara no rosto do Uchiha — Aliás, você não acabou de fazer isso ainda pouco? Ele está escondido atrás de uma porta de aço, se me recordo bem.
Sasuke ficou sem palavras por alguns segundos, engolindo em seco e tentando encontrar outra justificativa. Mas não havia outra forma de encarar a situação; só que ele não podia deixar alguém como Orochimaru ter a certeza de seu blefe.
Afinal de contas, Sasuke não confiava totalmente em Orochimaru, mesmo depois de tudo que aconteceu entre eles.
— Não haja como se você conhecesse cada objetivo e pensamento que eu tenho em minha cabeça, Orochimaru.
— Oh Sasuke, eu é que digo: não haja como se eu nãoconhecesse cada detalhe da sua mente. Eu a inspecionei muito bem, caso não se recorde deste detalhe. A mim você não engana.
O Uchiha sentiu-se provocado e ainda mais irritado. Todavia, antes que pudesse tomar qualquer atitude com relação a Orochimaru, Itachi abriu a porta do salão principal, encontrando-os no corredor.
Seus olhos estavam levemente inchados, mas ele parecia controlado. Estava com expressões frias e evitava olhar diretamente para o rosto de Sasuke. Carregava novamente todo o seu equipamento de combate e adotava uma áurea determinada, apesar de toda sua evidente tristeza escondida atrás de sua máscara estoica. Itachi estava determinado a tirar Sasuke do QG, mesmo depois de tudo que aconteceu.
Sasuke instantaneamente amaciou suas feições, detestando ver Itachi triste daquela forma. Nenhum sentimento de raiva que tinha por Orochimaru naquele momento superaria a sua fraqueza emocional ao ver Itachi sofrer. E era por isso que ele precisava, desesperadamente, proteger Itachi: para que ele não sofresse mais.
Ele não aguentaria sofrer a dor da perda mais uma vez...
— Qual o plano. — Itachi murmurou, focando seu olhar em Orochimaru, mas claramente fazendo a pergunta para os dois presentes.
Itachi evitava olhar diretamente para Sasuke; e o mais novo sabia muito bem o motivo.
— Eu desliguei as câmeras de segurança antes de vir pra cá. — Orochimaru declarou, gostando da forma como os olhos dos dois Uchihas se arregalaram em surpresa — Todos os funcionários do QG estão sobre o efeito de soníferos, eu coloquei uma grande quantidade no café da manhã: eles levantaram, foram comer e já adormeceram novamente. Não houve droga o suficiente para as cobaias de baixo escalão, mas também não houve movimentação entre os Akatsukis para recorrer a ajuda deles. Não acredito que isso será um problema. O único problema são os Akatsukis propriamente ditos.
Sasuke ouviu as informações com atenção, algumas eram novas até para ele. Orochimaru acabou se mostrado bem mais útil do que ele imaginava, e isso era esplêndido: se as cobaias de baixo calão não entrassem na briga, talvez ele tivesse alguma chance contra os Akatsukis. Tudo que ele precisava fazer era manter Itachi longe dessa briga, e conseguir eliminar os Akatsukis antes da volta de Madara.
— Sasori e Deidara estão do nosso lado. Não sei se lutarão conosco, mas contra eles não estão. Podemos descartar essa ameaça. — Itachi declarou, ainda ignorando a presença de Sasuke, direcionando sua fala à Orochimaru.
— Como assim? — Sasuke questionou, desejando que Itachi ao menos olhasse para ele antes de responder. Era informação nova, e ele precisava entender o que estava acontecendo.
Entretanto, Itachi não respondeu, dando de ombros, não fitando o rosto de Sasuke de forma alguma. Orochimaru achou melhor intervir antes que a situação entre os irmãos Uchiha ficasse pior, respondendo a pergunta que não foi feita para ele.
— Sasori é um traidor, e não é de hoje. — Orochimau declarou, atraindo a atenção de Sasuke, apesar dele ainda olhar de canto de olho para o outro Uchiha — Como você deve se recordar, ele me encobriu quando relatou os acontecimentos do seu passado para Madara. O saudoso "líder" nunca soube que eu e Sasuke tínhamos contato no passado. A traição de Sasori vem de muito tempo.
— Vocês formaram uma parceria? — Itachi indagou, um pouco surpreso por não ter percebido esse detalhe no momento da revelação.
É claro que Sasori deveria saber dos encontros de Orochimaru e Sasuke, ele vigiava seu irmão durante várias horas na semana, não havia como esses acontecimentos passarem despercebidos. O planejamento da traição de Sasori vinha de muitos anos, ao que tudo indicava.
Sabendo o que se passava na mente de Itachi, Orochimaru balançou a cabeça em negativa.
— Nós nunca trocamos palavras sobre uma suposta parceria, mas sempre soubemos que estávamos jogando no mesmo time, ainda que nossos interesses não fossem os mesmos. Como você acha que Sasori conseguiu acesso às chaves e ao mapa completo do QG para te dar? Fui eu quem ofereci isso a ele, e tenho certeza que essa informação foi essencial para você chegar até aqui.
Itachi pensou em questionar diversas coisas sobre Sasori, no entanto, Sasuke foi mais rápido e fez uma pergunta de caráter diferente para Orochimaru.
— Mas e Deidara? Deidara parece idolatrar Madara, até mais do que Sasori parecia.
Orochimaru fez um barulho de contemplação com a garganta, também achando um pouco peculiar a mudança de ânimos do número cinco.
— Às vezes colocar alguém num pedestal pode ser um problema, principalmente se essa pessoa se transformar em seu objetivo de superação. — ele declarou, ainda pensativo — Sasori, e agora Deidara, querem se sentir superiores à Madara. Eles muito provavelmente sequer compreendem sua conduta como uma traição, e sim como uma forma de provar sua superioridade ao superar seu ídolo.
Sasuke tentou entender a traição observando por essa ótica, mas ainda sim faltava algum sentido em suas palavras. Deidara parecia estar disposto a manter o ideal de Madara ainda ontem, na reunião. Sasori estava bastante calado e se abstendo de maiores lideranças no planejamento; mas Deidara não.
Não faz sentido...
— Arte, religião e amor são três coisas que libertam ou prendem uma pessoa. — Itachi acrescentou à explicação de Orochimaru, erguendo o olhar e fitando Sasuke pela primeira vez desde que saíram do salão de treinamento; fingindo não notar a maneira como ele pareceu surpreso ao receber sua atenção — Se a pessoa não se prender nessas três características, ela pode utilizá-las ao seu favor para se libertar. Hidan teve acesso à religião no mundo exterior, mas não a utilizou da maneira correta, apenas trocando o "senhor" de sua devoção; e como os interesses de Madara condiziam com os do "Deus" de Hidan, ele permitiu a troca.
Sasuke retribuía o olhar de Itachi, de forma penetrante, ouvindo bem as palavras que ele dizia e se sentindo um pouco nostálgico, tentando se lembrar de onde vinha esse sentimento de déjà vu.
Itachi, satisfeito pela atenção recebida, recomeçou sua explicação.
— Sasori e Deidara conheceram a arte, e se apaixonaram por ela. Eles se tornaram sedentos por cultura. Chegaria um momento que viver no QG não supriria mais as suas necessidades, principalmente depois que eles começaram a fazer visitas no mundo exterior, tendo algum acesso superficial com a arte que lá existia. Eles não querem mais ficar aqui, apreciando as atitudes de Madara, as quais eles consideram erroneamente como arte.
Tanto Sasuke quanto Orochimaru aguardaram Itachi continuar seu discurso, mas ele ficou vários segundos em silêncio, não querendo entrar na terceira "forma de libertação" de sua lista.
— E o exemplo do amor, Itachi Uchiha? — Orochimaru questionou, não se importando em esconder o sorrisinho provocador.
Itachi suspirou pesadamente, ainda encarando Sasuke com extrema intensidade, fazendo os batimentos cardíacos do caçula acelerarem ainda mais. Agora o Uchiha mais novo entendeu porque Itachi se calara, não deveria ser muito fácil usar o que ele mesmo sentia como um exemplo; ainda mais depois do que acabara de acontecer entre eles.
— Não creio que haja necessidade de dar exemplos sobre a libertação do amor, acredito eu. — ele respondeu, ainda fitando o outro Uchiha — Sasuke sabe o quanto o amor pode libertar.
Ou aprisiona... — o caçula não pôde deixar de pensar, sentindo-se fraco e derrotado perante o olhar determinado e melancólico que recebia.
— A liberdade na escolha de suas ações, a unicidade humana de poder fazer o certo ou o errado, é o que aqueles que abriram os olhos dentro do QG desejam. — Itachi complementou sua resposta, sentindo sua voz ficar cada vez mais firme e condizente com suas palavras — A capacidade de se arrepender e de se rejubilar, não por ordens superiores, e sim por seus próprios erros e acertos. Eu vejo as pessoas do mundo exterior sofrendo por amores não correspondidos, por perdas, por problemas; mas eles não sabem o quão livres são, e o quão longe nós estaríamos dispostos a ir para sofrermos o tanto que eles sofrem.
Algo na intensidade do discurso de Itachi fez Sasuke sentir uma pitada de indireta, como se Itachi estivesse chamando-o de covarde por tabela. Ele não era covarde! Não é por isso que ele se privava de certas coisas; será que era tão difícil assim entender que ele não queria cometer erros e que a única forma de não cometê-los era não permitir que a oportunidade surgisse?
— Você tem certeza que prefere trocar uma vida certa e relativamente pacífica ao lado de Madara por uma incerteza de liberdade? — Sasuke questionou, evidentemente interessado no que ouvia. — Nós podemos morrer, você sabe disso. Não seria muito mais conveniente ficar do lado de Madara em segurança do que sofrer tudo isso por mim?
Itachi levantou uma sobrancelha, a frieza em seu olhar era evidente, mas Sasuke não se deixou abater.
— Está insinuando que eu fiz isso apenas por você?
Sasuke sentiu a temperatura de seu corpo abaixar; não estava preparado por uma resposta tão fria como aquela. O que Itachi estaria fazendo ali se não fosse para libertá-lo também?
— Eu... — ele inutilmente tentou responder, mas foi interrompido antes de formular uma frase.
— Você me mostrou a possibilidade de ser feliz ao seu lado, mas quando eu tomei minha decisão de buscar a liberdade eu aceitei os riscos de ser infeliz também. — Itachi elaborou, sua voz soando compenetrada, como se explicasse algo complexo de se entender— Eu troquei meu cargo, minha posição segura de amante de Madara, e todas as honras que eu tinha aqui no QG para ter o direito de errar e sofrer uma decepção amorosa, perdas, dores, e a morte, se for o caso. E eu não me arrependo dessa decisão, mesmo você não retribuindo o que eu sinto. Eu estou livre, e se eu morrer tentando te tirar daqui, eu vou morrer livre. É isso que interessa.
Sasuke compreendeu a intensidade do discurso de Itachi, admirando sua coragem e sentindo-se inferior por não conseguir abraçar tão facilmente a possibilidade da dor emocional como ele fazia. Afinal, ele queria ser feliz, é lógico que queria, mas não conseguia suportar a possibilidade de sofrer uma nova perda em sua vida; e para não sofrer de novo, ele preferiu se fechar totalmente.
Subitamente Sasuke lembrou-se de algo que lera em um livro que não havia prestado muita atenção quando leu pela primeira vez, mas que agora fazia bem mais sentido. E, curiosamente, parecia que esse livro ajudou mais nas escolhas de Itachi do que ele imaginaria inicialmente:
"Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo autêntico, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado!
— Em suma — disse Mustafá Mond — o senhor reclama o direito de ser infeliz.
— Pois bem, que seja! — retrucou o Selvagem em tom de desafio. — Eu reclamo o direito de ser infeliz." (2)
— Você reclama o direito de ser infeliz. — Sasuke murmurou, compreendendo um pouco mais a força imensurável que Itachi possuía, e se sentindo mil vezes mais orgulhoso e admirado do que antes sentia a cada nova conquista de Itachi em sua vivência inédita no famigerado "mundo exterior".
Itachi deixou claro com o sorriso torto que se formou seus lábios ainda levemente sujos de sangue que captara a citação de Sasuke. Todavia, optou por mudar de assunto, julgando que agora não era momento para filosofias. Muito menos para tratá-las com alguém que até podia compreendê-las, mas não parecia corajoso o suficiente para segui-las.
E falando em coragem...
— Onde está Naruto? — Itachi indagou, sabendo que antes de saírem da fortaleza do QG tinham que encontrar o loiro em alguma daquelas salas.
— Naruto... — Sasuke respondeu de maneira afobada, arregalando o olhar — Ele...
— O Uzumaki está na sala de segurança máxima. — Orochimaru declarou, sabendo que Sasuke se enrolava para responder pois estava tentando arranjar uma mentira para Itachi.
Dito e feito, o garoto Uchiha olhou para ele com raiva, como se o acusasse de traição, mas Orochimaru não deu a mínima para isso. Ele apenas induziu Sasuke para deixar Naruto naquele lugar àquela noite para que o loiro não atrapalhasse a ativação do último gatilho de Sasuke; mas agora precisavam tirar ele de lá o quanto antes, pois certamente Madara não teria o mínimo de piedade com Sasuke e seus "acordos" quando voltasse ao QG.
— Vamos buscá-lo. — Itachi disse, caminhando em direção a sala de segurança máxima, deixando para questionar como Naruto foi parar naquele lugar em outra ocasião.
Sasuke não o impediu de ir, mas não faria diferença se ele fizesse isso. Afinal de contas, Sasuke não era o único que um dia teve a confiança de Madara e a senha de acesso para esse lugar.
Isto servia apenas para ilustrar o quão volúvel poderia ser uma suposta confiança de Madara Uchiha...
(***)
Naruto acordou sobressaltado e sentiu seu coração bater de maneira frenética quando Pain começou a dar os primeiros sinais de que despertava: grunhia baixinho, acelerando a respiração e mantendo os olhos fechados com força enquanto balançava a cabeça de um lado para o outro; ele parecia ter um pesadelo, ou estar sentindo algum tipo de dor. Muitas coisas passaram na cabeça do loiro naquele momento, mas certamente a mais preocupante era que, talvez, na seringa que ele injetara em Pain não tivesse proteína, e sim algo prejudicial a sua saúde. Se este fosse o caso, explicaria os ruídos de dor que o outro emitia.
Ficou extremamente preocupado naquele momento: já seria ruim se Madara aparecesse e o encontrasse ali; seria ainda pior se percebesse que, de alguma forma, ele matou Pain antes do tempo. Isso sem contar que, de uma forma ou de outra, Naruto nunca quis matar alguém. Era contra sua natureza, ele estava querendo ajudar! Por mais que Pain tivesse muita culpa no cartório, ele não queria de forma alguma ser o justiceiro daquela história.
— Puta merda, não é possível isso. — ele murmurou, levantando-se de onde estivera sentado nas últimas horas, mal se importando com o formigar de suas pernas por ficar tanto tempo na mesma posição, e correndo em direção a cama do Akatsuki.
Se debruçou sobre seu corpo, tentando entender o que acontecia com ele e pensar em alguma forma de ajudá-lo.
— Ah cara, por favor, não morra... — o Uzumaki murmurou, sentindo seu corpo suar frio e sua preocupação aumentar ainda mais a cada novo ruído de dor.
Foi ai que Pain parou completamente de se mexer, voltando a posição serena de antes, como se estivesse dormindo. Naruto se desesperou, pensando no pior, aproximando ainda mais seu rosto ao rosto de Pain, na intenção de ver se ele estava respirando.
Sua resposta não tardou a vir: alguém que não estivesse respirando não teria aquela força para esticar sua mão, agarrar seu pescoço e apertar sua garganta com tanta precisão e violência. Pego de surpresa pelo violento cumprimento de "bom dia", Naruto se desesperou e não conseguiu pensar com a cabeça fria para escapar do estrangulamento.
— Onde ela está? — Pain perguntou com uma voz ríspida e ácida, voltando a consciência e abrindo os olhos avermelhados que exibiam intensa raiva que ele sentia desde que todo aquele processo vegetativo começou (mas que ele não pôde demostrar até então).
Pain era muito mais assustador do que Naruto poderia imaginar; agora ele conseguia entender porque esse Akatsuki era o número um. Nem Kakuzu parecia tão intimidador quanto ele conseguia parecer naquele momento, mesmo tendo acabado de despertar de um estado físico deplorável. Naruto só não sentiu dor com a pegada forte em seu pescoço porque recebeu uma carga de adrenalina tão grande que tudo em seu corpo parecia anestesiado.
O Uzumaki tentou falar, mas som nenhum saiu de sua boca; estava paralisado e quase sem poder respirar.
— Não vai responder? — o Akatsuki indagou, apertando mais a garganta de Naruto e fazendo-o engasgar; se ele aumentasse um pouco mais a força, iria deteriorá-la de forma definitiva.
Àquela altura do campeonato, Naruto já estava crente de que iria morrer, mas a dor intensa lhe tirou de seu estado catatônico e o fez brigar por sua vida, se debatendo na tentativa de se soltar: em vez de tentar tirar a mão de Pain de seu pescoço, tentou acertar nele um golpe sujo, mirando um soco muito na virilha de seu agressor. Ele sabia que só um golpe assim o faria sentir dor o suficiente para soltá-lo.
Todavia, o número um da Akatsuki não tinha esse título à toa, e conseguiu prever a movimentação, girando seu corpo na maca e caindo no chão com Naruto, rapidamente imobilizando-o e o impedindo de escapar. Ao menos ele soltou a garganta de Naruto, o qual tossiu com força, respirando desesperadamente e tentando recobrar o ritmo normal de seus batimentos cardíacos.
— Eu não estou com paciência aqui. Ou você me diz onde Konan está, ou meu próximo golpe será o último que você receberá. — Pain sussurrou ao ouvido de Naruto, puxando seu braço atrás de suas costas, deixando claro que estava pronto para quebrá-lo a qualquer momento.
— Eu não sei! — Naruto disse com a voz rasgada, cada sílaba dita fazia sua garganta arder ainda mais — Eu sou...
— Eu sei quem você é, Naruto Uzumaki.
Isto fez com que Naruto ficasse ainda mais desesperado: se Pain o reconhecia e ainda sim o atacava, o que isso significava? O desertor tinha que ficar ao lado dele! Ficando ao lado dos inimigos de Madara ele teria alguma chance de encontrar Konan! Pain era um traidor, não era? Por que ele não estava do seu lado!?
Como se adivinhasse seus pensamentos, Pain explicou sua atitude, deixando claro seus ares de prepotência e superioridade.
— Eu não dou a mínima pra você, Itachi, ou o idiota do Sasuke. — ele aplicou um pouco mais de força no braço de Naruto, fazendo-o estalar; o loiro choramingou, tendo a certeza de que seu braço quebraria se fosse movido mais um centímetro para cima — Eu só quero saber onde Konan está. Se você não sabe, lamento te informar, Uzumaki: mas você não tem serventia pra mim, e não sou eu que vou carregar peso morto por aí.
Naruto sentiu a pressão em seu braço ficar mais forte, mas antes que Pain pudesse quebrá-lo de vez, ouviu um ruído de dor escapar dos lábios de seu agressor e sentiu um impacto forte as suas costas. Seu corpo foi movimentado mais do que rapidamente, e antes que ele se desse conta do que acontecia, estava frente a frente com olhos avermelhados e ferozes.
Mas, desta vez, não eram os olhos de Pain.
— Itachi?
— Seu idiota. — o Uchiha primogênito respondeu, soltando Naruto no chão de qualquer jeito e mirando sua pistola para a cabeça de alguém do outro lado do cômodo.
Naruto, tentando recobrar o foco diante da dor dilacerante em seu braço, olhou para o outro lado do quarto e viu Sasuke pressionando o pescoço de Pain contra a parede, seus olhos cor de lavanda a postos, indicando que estava a um passo de matar aquele Akatsuki. Não exibia sinais de frenesi, afinal de contas, não sofria esse tipo de efeito; mas parecia estar prestes a perder a cabeça em ira.
Isso fez Naruto reconsiderar todas as suas conclusões até então: se Pain conseguia ser mais intimador do que Itachi, Kakuzu e companhia, Sasuke certamente superava todos eles. Ele parecia a pessoa mais intimidadora que Naruto vira em sua vida. E ele sabia muito bem porque seu irmão agia assim...
— Sasuke, largue o Pain, você vai matá-lo. — Itachi gritou e, pela primeira vez, Naruto percebeu que ele apontava a arma para Sasuke, não para o ex-colega de Akatsuki.
— O que tá acontecendo? — Naruto questionou roucamente, assustado com toda aquela mudança de cenário.
Itachi não esperou resposta, atirando bem próximo de Sasuke, fazendo a bala penetrar contra a parede de aço da cela de segurança máxima. Naruto gritou e tentou agarrar Itachi, mas ele não conseguiu se mover; ainda estava com muita dor para se mexer. Sasuke, todavia, riu sonoramente, olhando por cima do ombro e encarando Itachi com os olhos violetas extremamente brilhantes e ferozes.
— Você realmente acha que eu penso que você vai me matar porque eu estou machucando o seu 'amiguinho'?
Itachi abaixou os olhos em tom de derrota, desfazendo sua farsa. É claro que não seria capaz de atirar em Sasuke de verdade, mas tentou enganá-lo para ganhar algum tempo. Desistindo dessa forma de investida, aproximou-se de Sasuke que, por sua vez, desembainhou sua ninja-tō e pressionou contra a garganta de Pain, não dando a mínima atenção para Itachi ou se importado com sua presença.
— Pain não é meu amigo, mas ele vai nos ajudar assim que entender o que está acontecendo. Não o mate, precisamos de aliados. — Itachi explicou, sua voz soando alta e determinada — Solte-o, Sasuke. Você não é um assassino.
— Você fala com uma certeza tão besta que me dá até pena da sua inocência. — Sasuke respondeu, sua voz soando ríspida, apreciando intensamente o terror nos olhos arregalados de Pain — Eu nunca gostei dele, agora ele quase mata o meu irmão, e você quer que eu não faça nada?
Itachi e Naruto notaram a forma como Sasuke chamou Naruto de "irmão". O Uzumaki até ficaria feliz se a situação não fosse tão desesperadora; ele também não queria ver Sasuke matando uma pessoa, principalmente na sua frente. Além disso, ele sabia que mais cedo ou mais tarde a raiva passaria e Sasuke se arrependeria do que fez. Era sempre assim...
... Só que em nenhuma das outras ocasiões a situação foi tão crítica.
— Teme, por favor, não faça isso! — Naruto implorou, sua voz rouca falhando em diversos momentos por conta do ferimento interno em sua garganta, mas conseguido ser audível para o Uchiha — Por mim!
Sasuke relaxou um pouco a pegada do pescoço de Pain, fitando Naruto por cima de seus ombros, mostrando um olhar firme e avaliador, e desativando o olhar violeta na sequência, deixando o corpo de Pain cair no chão ao ser solto. O ex-Akatsuki ofegava, mas Sasuke não dava a mínima mais para a sua presença, correndo em direção à Naruto e ajoelhando-se em sua frente, sendo instantaneamente puxado para um abraço caloroso.
— Me desculpe. — ele pediu para o amigo loiro, aceitando o abraço sem, contudo, abraçá-lo em retorno. — Eu não devia ter te prendido aqui, se Madara tivesse aparecido...
Naruto sentiu-se feliz por isso, porque significava queseu Sasuke, de alguma forma, estava de volta. Este Sasuke não era tão afetivo como o de outrora, ele estava agindo mais conforme ele realmente é naquele momento. Bom, a não ser pelo pedido de desculpas, isso realmente era uma afronta muito grande para o orgulho Uchiha e algo que dificilmente via Sasuke fazer.
Certamente Sasuke estava diferente, mas se parecia bem mais consigo mesmo do que antes. E isso era revigorante e animador!
— Não se preocupe: eu vou te dar umas porradas mais tarde, Teme maldito. Aí estaremos quites. — o Uzumaki respondeu, abrindo um sorriso radiante, trocando um breve olhar com Itachi no outro lado do cômodo, constatando como ele parecia feliz em vê-los juntos novamente.
Depois de quase um minuto de abraço, Naruto afastou seu corpo de Sasuke, observando-o com cuidado e passando os dedos sobre o sangue seco próximo aos lábios do moreno, vendo a semelhança com as manchas no rosto de Itachi e conseguindo somar dois mais dois. De fundo, ouvia Itachi interagir com Pain, sendo bastante ríspido com o número um e possivelmente também castigando-o um pouco. Os Uchihas estavam trabalhando juntos, ao que tudo indicava; e as manchas de sangue demonstravam que eles fizeram algo além de "trabalhar".
Mas Naruto não seria idiota de questionar aquele tipo de coisa no momento; ainda não era hora.
— Eu espero que você tenha acordado pra vida agora, Sasuke. — Naruto falou, ainda sorrindo, recebendo um pequeno repuxar de lábios do Uchiha em retorno.
— Vamos pra casa, Dobe. — Sasuke respondeu, ganhando uma risada gostosa e animada em resposta.
Mas eles não podiam perder tanto tempo em reencontros e comemorações: precisavam buscar os outros colegas e sair de lá o quanto antes. Sasuke se levantou, dando a mão para ajudar o Uzumaki a se erguer também. O loiro, mantendo um certo grau de orgulho, não aceitou a ajuda e se colocou de pé em um pulo. Seu pescoço ainda doía, mas seu corpo estava bem; ele não precisava de ajuda.
Chegaram perto de Itachi e Pain, que pareciam iniciar uma guerra de olhar digna de fazer qualquer marmanjo estremecer de medo. Pain não parecia nada feliz com a companhia, mas Itachi não estava tão descontrolado como Sasuke, e certamente não causava tanto medo.
— Eba, Sasuke voltou pra gente continuar brincando de "tira bom e tira mau". — Pain falou com desdém, olhando para Sasuke como se fosse superior à ele, apesar da clara desvantagem em números que ele possuía.
Se Itachi e Sasuke decidissem enfrentar Pain juntos, ele não teria chances, nem mesmo com o nível de proteína no máximo.
— Você quer achar a Konan, não quer? — Itachi perguntou, tentando fazer Pain deixar de lado toda essa prepotência e voltar ao foco — Você tem duas escolhas: ou vem com a gente, nos ajuda e depois pegamos Konan; ou fica aqui na cela enquanto nós saímos da ilha e depois se entende com o Madara.
Pain fez um barulho de impaciência com a garganta, irritado porque parecia que ninguém entendia a situação dele. Será que era difícil para eles entenderem que não havia sequer possibilidade de escolha?
— Eu preciso encontrar o Madara. — Pain respondeu mais uma vez, olhando para o teto — Konan não está no QG.
— Como pode ter certeza? — Naruto perguntou, se intrometendo na conversa e fazendo Pain desviar um pouco sua atenção de Itachi para ele.
Por um momento, o Akatsuki pareceu se perguntar o quanto Naruto sabia sobre tudo que acontecia ali dentro do QG. Mas ele decidiu não pensar muito a respeito; nada iria melhorar sabendo a resposta para essa pergunta.
— Ela está grávida, Madara não confia em Orochimaru ao ponto de deixar ele cuidar da gravidez de um de seus maiores "experimentos". — a voz de Pain soou rancorosa, e seus olhos piscaram em um tom avermelhado de raiva e sede de vingança; Naruto, no entanto, não exibiu medo, decerto confiante que Itachi e Sasuke o protegeriam de qualquer nova agressão — Se ele saiu, ele deve ter levado ela para exames em médico fora. E mesmo que não fosse esse o motivo da saída, ele não a deixaria aqui sem a presença dele; Madara não confia em ninguém.
— Você não conseguirá enfrentar o Madara sozinho, você sabe disso! — Itachi tornou a insistir — Enquanto a gravidez estiver em andamento, Konan vai estar a salvo. Nos ajude e eu prometo que nós voltamos pra...
— CALE A SUA BOCA! — Pain gritou, perdendo bastante de sua compostura e mostrando estar cada vez mais próximo de um frenesi; odiava aquele tipo de interrogatório, ele só queria que os malditos Uchihas e o Uzumaki saíssem dali e o deixassem em paz — Eu não posso! Eu preciso encontrar a Konan! Eu preciso dela, ela é a minha vida!
Itachi amaciou visivelmente as feições, entendendo exatamente o que Pain queria dizer. Já vira aquele olhar desesperado em seu próprio espelho, já ouvira aquele tom de voz apavorado e cheio de medo; ele já esteve naquela posição e, de certa forma, ainda se encontrava nela.
E isso causou um grande misto de compaixão em Itachi: porque outra pessoa, além dele, despertara da manipulação de Madara por conta do amor; e ele podia muito bem se correlacionar com isso.
— Eu fico com você. — Itachi anunciou.
Pain simplesmente o olhou com total descrença, sem saber bem o que responder.
— O quê!? — Sasuke e Naruto questionaram, evidentemente surpresos. Sasuke ficou em choque, não conseguindo falar nada além disso. Naruto, no entanto, continuou a expressar sua indignação — Itachi, nós temos a oportunidade de sair daqui sem cruzar com o Madara! Você não pode...!
— Se o Madara não for parado, ele vai voltar atrás de nós.
— Ô seu demônio imprestável! — Naruto exclamou, aproximando-se de Itachi e pegando-o pela gola, quase o sacudindo para colocar bom senso em sua mente — A Akatsuki está despedaçada! O que Madara vai fazer sem eles, hein!?
— Você não faz ideia do poder que o Madara tem, Naruto. — Itachi respondeu simplesmente.
Naruto o soltou, dando um passo para trás e olhando para cima como se pedisse ajuda divina.
— Todo mundo fica falando isso, mas eu não ligo! — ele exclamou, voltando a encarar Itachi com total determinação — Nós não podemos ficar aqui, ainda mais se ele é tão poderoso. Nós temos que ir embora, mudar de país se for o caso. O mundo é gigante, ele não vai nos encontrar tão cedo!
— Mas eventualmente ele vai.
Naruto se calou, agarrando os cabelos e abaixando a cabeça, desesperado. No entanto, não mais argumentou, pois Sasuke deu um passo à frente e fez com que todos prestassem atenção nele; principalmente pelo olhar suplicante que ele direcionava à Itachi.
— Eu não permito que você faça isso. — ele falou, praticamente sussurrando, como se fosse contra todos os seus ideias falar algo assim para Itachi.
Provavelmente era. Sasuke estava tentando a todo custo fingir que não se importava, mas naquele momento ficou bem claro que ele se importava bem mais do que deixava transparecer.
— Sasuke, eu sou livre...
Nenhum presente ousou falar nos segundos que se seguiram, e Sasuke sentiu seu coração gelar por completo. Se Itachi ficasse, ele tinha ínfimas chances de sobreviver. Madara era poderoso demais e, mesmo com a ajuda de Pain, a morte seria inevitável. Itachi ainda não estava cem por cento recuperado de seus ferimentos e tinha adquirido outros na briga que eles tiveram no início da manhã; o cenário não era nada favorável à uma milagrosa vitória.
Sasuke não podia deixar Itachi morrer. Não era sequer uma possibilidade deixa-lo para trás. E se a única forma de impedir o pior de acontecer fosse abrir seu coração para Itachi, ele faria isso.
— Itachi, eu...
— Lamento interromper a calorosa conversa, mas acho que isso não é mais pertinente de ser discutido. — a voz de Orochimaru novamente soou pela caixinha de som da cela, assustando Naruto e deixando Pain com ares alertas.
Sasuke suspirou, entediado, se perguntando se Orochimaru teria um acesso de voz em cada cômodo do QG. Que inapropriado!
— O que você quer agora, porra!? — Sasuke perguntou em voz alta, olhando para o teto como pudesse ver Orochimaru pintado sobre suas cabeças.
Orochimaru não deu rodeios em sua resposta; não havia tempo para brincar e tirar sarro do Uchiha.
— Madara voltou.— ele respondeu, tendo a certeza que não precisaria de câmeras para ver o rosto de todos os presentes na cela empalidecerem com aquela curta, mas relevante, revelação.
... Continua...
(1) No capítulo 38, há uma cena onde Karin e Orochimaru falam no telefone e nessa cena fica claro que eles possuem um combinado. Karin fez Orochimaru prometer que prezaria pelo bem de Sasuke quando ele fosse para o QG.
(2) Citação do livro "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley. Eu também não sei se vocês lembram, mas esse livro já foi citado diversas vezes na fanfic, e o Itachi o leu na época que morava na quitinete do Sasuke.
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Resposta das reviews deslogadas:
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Brubasaur:
Ahhhh eu faço isso porque sou má! Huahuahuahuahu!
Na verdade é culpa do Sasuke, ele sempre foi e sempre será super complicado, né? É inevitável... Seria fácil demais se ele já se rendesse aos sentimentos deste jeito. Mas não perca as esperanças, a fanfic ainda não foi finalizada. ^^
Também tem toda essa questão de realismo, estou tentando fazer algo crível em Haunted. Não posso simplesmente fazer ele aceitar tudo de uma hora pra outra.
Itachi está bastante triste, coitadinho dele. =/
Muito obrigada, estou contente que tenha gostado do capítulo! =D
Espero que tenha gostado da atualização. ^^
Beijinhos, até a próxima. Obrigada pela review!
S2
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Ale:
Oie Ale!
Estou feliz que goste tanto assim desta fanfic! =D
Pode deixar, eu vou sim publicar um livro e farei o possível e impossível pra avisar todos os leitores. Quero ver você comprar, hein? Claro que dou autógrafo hahaha!
Sim, a fanfic está acabando... É uma pena, mas todas tem que acabar em algum momento, né? Mas espero que você goste dos meus próximos trabalhos também.
Um beijão, muito obrigada pela review! Tomara que tenha gostado da atualização.
S2
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Carol:
Olá Carol!
Estou feliz que tenha voltado a comentar, espero que continue comigo pelo menos até o finalzinho da fanfic. Comentários me ajudam a escrever, me motivam, e fazem a fanfic ser atualizada mais rapidamente. Neste final de fanfic é muito difícil escrever sem deixar pontas soltas, o trabalho é cansativo e muitas vezes entediante (bem diferente do começo da fanfic, seja ela qual for), mas eu continuo por vocês e pela participação que vocês me dão. =)
Muito obrigada pelo elogio! o/ Fico feliz que goste do que eu escrevo.
Eu também fico muito feliz que seu amor por Haunted superou o de Pride and Joy, pois significa que você considera que eu evolui na minha escrita de alguma forma. É ótimo saber disso, muitoooo obrigada!
E, mais uma vez, obrigada pelo apoio! Meus problemas estão se resolvendo aos poucos, eu estou bem mais feliz agora.
Eu não sei como posso te avisar pessoalmente, mas eu vou avisar em todos os sites que publico e na minha página quando o livro for publicado. Quero ver você comprando, hein? E se você comprar diretamente de mim, mando autografado sim hahaha!
Muito mas muito obrigada pelo apoio! Se é seu sonho, que ele se realize pois assim o meu será realizado também. Hihihihi!
Um beijo! Obrigada pela review!
S2
