Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: Olá leitores! Saudades! *recebe tijoladas* Adianta eu me explicar a demora? Uh... bom, eu vou explicar mesmo assim, espero que vocês me entendam. ^^
Os leitores que acompanham minha página sabem que eu mudei toda minha vida: eu parei de trabalhar apenas como advogada autônoma, comecei a trabalhar com consultoria (e com carteira assinada), e eu fiz vestibular de novo. Pois é, eu vou mudar de área, percebi que Direito está longe de ser a minha área dos sonhos. Como estava fora de cogitação pagar uma nova faculdade, eu precisei estudar bastante pra passar na federal, algo difícil para alguém que ficou mais de oito anos sem estudar pra vestibular, mas eu consegui e comecei meu curso de bachalerado em Biblioteconomia dia 10 de agosto! Eeeeee!
Por conta disso, eu deixei Haunted parada por um tempo, porque eu estava estudando em todo meu tempo livre do trabalho, e escrevi apenas uma atualização em Owari (pois é mais fácil de escrever do que Haunted) e uma fanfic de BH6 curta e já finalizada para diminuir meu estresse (vão ler, tem lemon hahaha!). Assim que o vestibular passou, eu tive o auge daqueles meus problemas pessoais que eu sempre mencionava nas notas: minha irmã, a qual criei como filha, foi embora de minha casa, e agora está morando com o pai. Eu sofri bastante pela perda e não conseguia de jeito algum escrever Haunted, por causa de toda essa coisa de "irmãos" e "vínculos diferentes do vínculo de sangue". Mas agora eu me recuperei, estou bem e feliz, e pude voltar a trabalhar nesta fanfic.
Desculpe pela demora! Agora é só Haunted e Owari, e não vou começar outra fanfic antes de terminar essas duas, eu juro! Ambas estão no finalzinho, então focarei nelas. E para comemorar a canonização do amor do Itachi pelo Sasuke (quem não sabe o que estou falando, procure as fofocas sobre o Itachi Shinden), vamos a Haunted!
Boa leitura a todos, capítulo sem betagem (só pra variar), espero que não se incomodem com os errinhos!
HAUNTED
Capítulo XLV
— Madara voltou.
Durante pouquíssimos instantes, os quatro presentes se entreolharam alarmados, evidentemente apavorados e não parecendo assimilar de fato o que Orochimaru acabara de falar. Todavia, antes que qualquer um se recompusesse e tentasse bolar um plano de emergência, Pain praticamente voou para fora da sala, possivelmente desesperado para cruzar com Madara e, assim, ter alguma chance de encontrar Konan. Decerto ele temia que se ficasse parado por mais um segundo, Sasuke e Itachi o impediriam de sair (o que muito provavelmente seria o plano deles).
— Pain! — Itachi gritou, tentando agarrá-lo, sem sucesso: por ter agido de surpresa enquanto os outros dois ainda assimilavam a novidade, o prisioneiro conseguiu fugir pela porta do cofre que, na correria, os irmãos Uchiha deixaram aberta quando viram Pain prestes à matar Naruto.
Não podiam chorar pelo leite derramado; erros foram feitos, e agora teriam que lidar com eles. O Uchiha mais velho trocou um olhar breve com Sasuke que, totalmente pálido após receber a notícia catastrófica de que Madara retornara, limitou-se a dar um simples aceno positivo com a cabeça, espantado demais para lidar com Pain naquele momento e confiando à Itachi esse dever.
Itachi correu de forma tão veloz quanto Pain, deixando de lado a dor que sentia em suas pernas por forçá-las dessa forma. Ele era o mais rápido dos Akatsukis, e a dose concentrada de proteína anulava o desempenho inferior de seu estado físico deplorável; estava com uma relativa vantagem se contar o dia anterior, mesmo depois da luta com Sasuke. Tinha que dar certo, ele tentaria a todo custo chegar até Pain antes que ele encontrasse o inimigo. Caso Pain se descontrolasse ao cruzar com Madara e entrasse em frenesi, o resultado seria catastrófico; caso ele se controlasse e não entrasse em frenesi, a chance de ele ficar do lado de Madara para salvar Konan era grande.
Se qualquer um dos dois cenários se concretizassem, estariam todos perdidos.
Naruto só respirou depois que a porta de ferro bateu subitamente após a saída de Itachi, sentindo seu corpo formigar de medo e ansiedade. Nem três segundos haviam se passado desde o anúncio de Orochimaru, mas parecia que uma sentença de morte detalhada e dolorosa acabava de ser anunciada. Piscou algumas vezes, focalizando o rosto de Sasuke em seu campo de visão e percebendo que ele abria a boca para lhe dar uma ordem; já prevendo as espécies e absurdos que teria que ouvir, Naruto estreitou o olhar e sibilou uma ameaça raivosa antes que o Uchiha pudesse se pronunciar.
— Não ouse, Teme. — ele disse, esticando a mão pra Sasuke com a sua palma para cima, como se o convidasse a agarrá-la.
— Naruto, não começa-...
— Confie em mim, desta vez vamos juntos.
— Eu tenho um plano! Eu não tive tempo de falar, mas você tem que ficar longe do Madara e-...
— Sasuke! — o loiro o interrompeu, agarrando o braço do outro já que ele não segurava sua mão de jeito algum; o puxou para frente, olhando firme nos olhos cor de violeta que Sasuke ativara inconscientemente no seu momento de pavor — Eu confio em você, então confie em mim também! Por nós, confie em mim!
Naruto puxou o seu irmão teimoso pelo braço, não o dando tempo para se explicar enquanto saia daquela cela e corria pelo o corredor, cruzando com Orochimaru pelo caminho, o qual parecia vir ao encontro dos dois (talvez ele só quisesse ver o circo pegar fogo de perto, vai saber).
— E você, cobra maldita! — Naruto exclamou, agarrando a gola de Orochimaru com a mão livre, fazendo-o erguer uma sobrancelha com ares de surpresa — Você pode até ter avisado que o filho da puta do Madara chegou, mas não pense que eu esqueci tudo que você fez, seu idiota! Me entendo com você... depois!
Isso dito, Naruto empurrou Orochimaru para trás com força, fazendo-o perder o equilíbrio e quase cair de encontro ao chão de uma maneira que faria Sasuke rir com gosto, se não estivesse apavorado demais temendo pelo pescoço das pessoas mais importantes de sua vida naquele momento.
— Hn... — O médico murmurou, retomando seu equilíbrio e olhando para Naruto com um verdadeiro brilho de interesse nos olhos cor de âmbar, deixando um sorriso superior emoldurar seus lábios como se ignorasse totalmente a ameaça recebida — Você consegue ser tão esquentadinho quanto o Sasuke quando quer, o parentesco é inegável.
Naruto não lhe deu ouvidos, continuando seu caminho e arrastando pelo braço um Sasuke ainda levemente catatônico.
— Só um detalhe, Naruto. — Orochimaru sibilou, sua voz soando divertida, como se o apocalipse não estivesse prestes a acontecer.
— O que é, porra!? — Naruto gritou por cima do ombro, e isso fez Sasuke recobrar seu foco, puxando Naruto para que parasse de andar e olhando para Orochimaru como se esperasse a declaração de um milagre.
— Madara está aterrissando na ilha. — o médico explicou; Sasuke enrijeceu sua postura, enquanto Naruto parecia ter dificuldade para entender o que lhe fora dito — Por um acaso você sabe onde fica o heliporto, ou prefere ficar correndo pelos corredores do QG?
Heliporto? Onde ficava mesmo? — O loiro pensou, coçando a cabeça brevemente antes de soltar o braço de Sasuke e tatear seus bolsos.
— Mapa... mapa... Cadê o mapa...?
Sasuke soltou um ruído de frustração, desta vez ele próprio agarrando o braço do Uzumaki, e forçando-o a voltar a correr; desta vez na direção oposta.
— Acho bom você não fazer nada de absurdo, Usuratonkachi! — Sasuke exclamou por cima do ombro enquanto puxava o Uzumaki para a saída mais próxima ao heliporto do QG — E acho bom cumprir sua promessa e confiar em mim.
— Tá bom, tá bom! — Naruto exclamou, sentindo um pouco de vontade de sorrir, apesar de tudo que acontecia. Sasuke não ofereceu o tanto de resistência que ele esperava, e confiou nele! Isso era algo a se comemorar, com toda certeza!
Depois que nós saímos vivos e inteiros desta maldita ilha, é claro. — otimismo, afinal de contas, sempre foi a marca registrada de Naruto Uzumaki; seu passado negativo ficou para trás, e agora ele tinha que ter fé no plano de Sasuke e de Shikamaru. Os dois eram gênios e, mesmo não planejando suas investidas em conjunto, certamente teriam uma solução de última hora.
Naruto estava confiante.
(***)
Itachi estava desesperado.
Tinha vontade de gritar para que Pain parasse de correr, mas ele sabia que era inútil. Pain era tão teimoso quanto ele quando o assunto era sua pessoa mais especial: afinal, paixão fazia qualquer pessoa ter esse tipo de comportamento, e ele entendia da irracionalidade que esse sentimento causava.
Enquanto estava procurando Sasuke, Itachi provavelmente não ouviria nenhum pedido de "pare". Ele só foi um pouco menos inconsequente em se tratando desse assunto simplesmente porque ele estava machucado demais e ainda não tinha a certeza da localização do QG; os meses de espera o fizeram acalmar os ânimos e agir com mais prudência. Todavia, se fosse sincero consigo mesmo, caso estivesse com a proteína em nível máximo, físico perfeito e certeza da localização de Sasuke, Itachi correria da mesma forma que Pain agora corria, agindo por instinto e sem muito questionar seus próprios atos.
O ex-Akatsuki sabia onde Madara estava e, pela direção que tomava, Pain também tinha uma ideia de onde era. Se Madara acabara de chegar à ilha, ele estava no heliporto, chegando de mais uma reunião de negócios: o líder não sabia navegar, mas sabia pilotar helicóptero, e não era um segredo que ele jamais confiaria sua vida nas mãos de outra pessoa: Madara fazia questão de dirigir qualquer meio de transporte que botasse os seus pés, sua desconfiança atingia essa intensidade.
A construção do heliporto foi inevitável, e ele ficava no centro do pátio de treinamento da ala sul, rodeado por mata fechada e áreas inexploradas do QG. Era uma região raramente utilizada, visto que os Akatsukis costumavam treinar em ambientes internos, apesar deste pátio estar dentro das muralhas, o treinamento em campo aberto não era muito funcional. Por isso, Madara resolveu aproveitar a área com outra instalação mais útil para as suas "missões externas" específicas.
Quando Itachi conseguiu esticar a mão e agarrar a gola da camisa de Pain, a dupla já havia percorrido alguns metros do pátio de treinamento. O helicóptero de Madara pousava, mas Itachi não tinha tempo para verificar a presença de seu aniki na cabine de comando: estava preocupado demais em empurrar Pain no chão, imobilizando-o de uma forma totalmente improvisada e desesperada.
— Pense! — ele gritou alto contra o ouvido do antigo número um, tentando se fazer ouvir em meio ao barulho ensurdecedor do motor do helicóptero — Sasuke está conosco, Orochimaru também, e com eles podemos fazer o antídoto! Você estará livre se ficar ao nosso lado! (1)
— Eu preciso de Konan! — Pain respondeu por cima do ombro, sua voz soando rasgada e tão alta quanto a de Itachi — De nada adianta se ela não estiver comigo!
— Nós a salvaremos. Fique do nosso lado!
Então todo o barulho cessou de maneira gradual, e os dois pararam de respirar enquanto levantavam a cabeça de forma desconfortável, cessando parcialmente o combate em solo e encarando o helicóptero com temor.
Madara foi o primeiro a descer, e Itachi inicialmente teve a certeza de que nada mudara nele desde a última vez que o viu: o mesmo terno de grife, o mesmo porte inabalável e cabelos ao vento, mostrando a selvageria que aquele visual aparentemente formal escondia; todavia, seu irmão agora tinha uma cicatriz na parte esquerda de sua mandíbula, longa e facilmente perceptível, aparentando não ser muito antiga. Esse detalhe, aos olhos de Itachi, quebrava a postura inabalável e invencível que o líder da Akatsuki sempre parecia possuir, mas nem por isso dava ares de que o inimigo a frente seria fácil de derrotar; mesmo sem saber detalhes, Itachi sabia que a única pessoa capaz de machucar Madara daquela forma era Sasuke. (2)
Quando Madara colocara os dois pés no chão firme de concreto, os desertores ouviram um tilintar típico de metal e perceberam que ele carregava em sua mão direita uma corrente prateada. Madara olhava para os dois com expressão indecifrável e, antes de fazer qualquer comentário, puxou a corrente e forçou uma pessoa a sair de dentro do helicóptero: Konan estava amordaçada e com os braços algemados na parte de trás do corpo e não parecia machucada; ainda sim, estava descuidada, com os cabelos embaraçados, roupas rasgadas e olheiras profundas. Ela cambaleou para fora do helicóptero e caiu de joelhos ao chão, não levantando o olhar para presenciar quem os estaria esperando no heliporto; ela parecia totalmente sem esperanças.
Itachi cruzou olhares com Madara por poucos instantes, não tendo dificuldade alguma em ver o asco e decepção nos olhos cor de lavanda. Antes que pudesse fazer ou falar qualquer coisa, Madara ergueu a outra mão e apontou uma arma para a testa do traidor, sem vacilar um único segundo.
Os olhos avermelhados de Itachi se arregalaram de surpresa. Não pelo fato de Madara o ameaçar, isso era totalmente previsível, mas sim por reconhecer muito bem que arma era aquela apontada para sua cabeça: infelizmente não era uma pistola qualquer, era a sua tão conhecida e cobiçada Desert Eagle.
— Há quanto tempo não tenho o prazer de vê-lo, Otouto. — Madara ironizou, sua voz soando rouca, mas sem qualquer vestígios de emoção; isso com certeza não era um bom sinal. Quando seu aniki agia assim, ele estava ocultando suas emoções propositalmente, suas reais emoções com certeza eram bem... intensas — Você viu? Eu fui um Nii-san exemplar e fui buscar o presentinho que você perdeu. Acho que você deveria tomar conta melhor das suas coisas, Itachi. Onde já se viu? Perder um presente que eu te dei com tanto carinho...
Itachi estremeceu, sentindo seu corpo todo arrepiar e uma fina camada de suor frio banhar a sua pele. Ele não achava que Madara fosse matá-lo depois de tudo que enfrentaram, pelo menos não naquele momento; ele pretenderia torturá-lo por pelo menos algumas semanas antes de sua cartada final, não havia qualquer dúvida ai. Entretanto, o fato de ele utilizar essa arma em específico, a arma que era o compromisso deles, detinha um significado maior do que qualquer outra pessoa poderia imaginar.
(***)
— Não chega a ser customizada, mas eu consegui com contatos de Israel e é direto de fábrica, feita sob medida para os seus padrões. — Madara declarou, entregando a caixa de madeira e veludo para Itachi aos seus quinze anos de idade, logo na mesma semana que tiveram sua primeira noite juntos — Desert Eagle .50 action express: é difícil de conseguir, pesada, e um tranco que poucos atiradores são capazes de suportar. Por ser tão complicada de manusear, algumas pessoas a consideram pouco prática, mas todos sabem o poder que ela possui. Só os fracos conseguem criticá-la, e você é forte demais para se importar com essas críticas. Eu acho que ninguém mais na Akatsuki a mereça como você, pois se é destreza alta e força inabalável o necessário para manusear essa arma, isso com certeza você tem.
Itachi abriu a caixa e se deparou com a arma mais linda já vista em sua vida: prateada, reluzente e grande, muito maior do que qualquer outra que já utilizara. Ele podia compreender muito bem como alguém poderia chamá-la de "pouco prática": seu tamanho indicava que ela possivelmente causaria um tranco muito forte, uma pessoa normal provavelmente escolheria uma arma mais fácil por conta de sua própria incapacidade de mira e falta de preparo físico.
— Quanto de munição? — Itachi questionou, empunhando a arma pela primeira vez e sentindo o peso e as curvas da pistola letal. Certamente mais interessante do que a Colt M1911 que utilizavam nos treinamentos e eventualmente em missões externas. Era muito mais do que uma arma, ele podia ver isso na forma simbólica como Madara o presenteava naquele momento.
— Sete.
— Só sete? É pouco.
— Acredite Otouto, se um tiro desse pegar, nem vai ser preciso mais do que uma bala. — Madara respondeu, sorrindo de canto de boca da expressão de surpresa de Itachi — Essa arma é utilizada para caça de animais grandes, como ursos. Em um ser humano, faz um estrago inimaginável.
Itachi sentiu uma onda de curiosidade e adrenalina invadir seu corpo, desejando o quanto antes testar seu novo presente. No entanto, estava tarde, e se a arma fizesse tanto barulho quanto ele imaginava que faria, os Akatsukis acordariam com os seus tiros. Por isso, colocou a arma de volta na caixa forrada de veludo, vendo-a brilhar intensamente sobre a luz da lua antes que Madara retirar a caixa de seu colo e depositá-la na mesinha de cabeceira.
— Ela é a prova de que você é o meu favorito. — Madara afirmou, encarando-o de forma penetrante — Ela é o símbolo da minha confiança, Itachi. Nunca se esqueça disso.
Itachi se enchera de orgulho naquele momento, sentindo uma vontade súbita de agarrar Madara mais uma vez e transar com ele todo o restante da noite (mesmo que já tivessem feito isso três vezes antes de Madara decidir lhe dar aquele presente). O número três da Akatsuki nunca se sentiu tão realizado em sua curta vida do que naquele exato momento, ouvindo palavras tão honrosas de satisfação e lealdade.
Valeu a pena. Ser 'destruído' valeu a pena! — Itachi pensou, lembrando-se de todas as dolorosas sessões com Orochimaru, de todos os momentos em que pensara em desistir de reaver em seu corpo as memórias de Izuna, de toda frustração que sentia ao estar tão dolorido e com a mente tão bagunçada depois dessas horas diárias de sofrimento. Ele se perguntava reiteradamente se valeria a pena passar por tudo isso, e finalmente a resposta estava ali: ele era o favorito, ele era o Izuna que Madara desejava ter de volta em sua vida. Ele era especial! (3)
Madara adorou a forma radiante como Itachi sorria, contornando seus lábios com o indicador em um gesto de carinho, percebendo as semelhanças intensas desta expressão de felicidade de Itachi com aquela que Izuna costumava fazer no passado. Ou melhor, era Izuna: seu irmão finalmente voltou para ele! Se Itachi estava se sentindo radiante naquele momento, ele mal conseguiria imaginar o nirvana que Madara sentia.
— Pain pode ser o número um na hierarquia, mas você é o número um em minha confiança. — Madara complementou, e o sorriso de Itachi se alargou ainda mais — A Desert Eagle brilha como uma aliança, fazendo todos perceberem a importância que você. Ninguém ousará falar algo a respeito, mas depois de ver a pistola, todos saberão que você não é apenas o prodígio: você é o mais especial. Você é meu, e eu lhe dou essa arma como um simbolismo de que você é meu braço direito, para que você me auxilie em meus objetivos, ao meu lado.
— Hai, Onii-san! — Itachi respondeu, jogando-se nos braços de Madara e beijando a lateral de seu pescoço com ternura — Será uma honra para mim!
(***)
— Você já ouviu falar em Seppuku, Itachi? — Madara falou casualmente, olhando para o Uchiha mais jovem com os olhos arroxeados brilhando em raiva contida, ainda mantendo a arma apontada para o centro de sua testa, sem vacilar em sua determinação vingativa — É o nome dado ao suicídio dos samurais quando o seu senhor feudal era capturado, ou quando traziam desonra ao clã. Consistia em um cerimonial bastante longo e pormenorizado onde o samurai enfiava a lâmina da própria katana em seu ventre, purificando sua alma para toda eternidade; seja por ter traído o seu senhor, ou no desejo de acompanhá-lo em caso de sua derrota.
Itachi não piscava, fitando Madara com um olhar firme, sem demonstrar qualquer vacilo em sua convicção ou um mínimo de vontade de implorar por perdão. Se era para morrer, ele morreria com a dignidade que ainda lhe restava. No entanto, Madara não gostou de toda essa firmeza na expressão de Itachi, e puxou o ferrolho da pistola, engatilhando-a com um "click" audível.
— Acho bastante pertinente que a Desert Eagle seja utilizada como uma forma moderna de seu Seppuku pessoal por conta da traição que cometeu contra seu senhor; contra seu líder. Não se preocupe, quando eu tiver dó de você o suficiente, eu vou te devolvê-la para você acabar com sua própria miséria: com um tiro na barriga, é claro. Porque você merece uma morte lenta!
Um disparo alto ecoou no ambiente e Itachi deixou seu corpo rolar para direita, soltando Pain no processo: Madara atirou, não dando chance alguma para que o outro Uchiha pudesse se esquivar. O tiro acertou certeiramente em seu braço anteriormente deslocado, fazendo-o gritar de dor e agarrar a ferida por impulso.
Pain, agora livre, colocou-se de pé em um pulo e correu em direção a Konan, não se importando com o ferimento e sangue do ex-companheiro da Akatsuki que agora banhava suas roupas e sujava a lateral de seu rosto: o tiro certeiro, causando um estrago muito maior do que Pain anteveria, mas ele não tinha a mínima intenção e se preocupar com outra pessoa que não fosse a sua dupla.
Para o seu desespero, agora Madara apontava a pistola para a têmpora de Konan, encostando o cano prateado em seus cabelos roxos, fazendo-a hiperventilar e tremer de medo.
— Um passo a mais e os miolos dela vão respingar na sua cara, número um. — Madara ameaçou, sua voz soando firme e brusca.
Konan ergueu a cabeça ao ouvir Madara se referir a Pain, finalmente trocando olhares com a sua dupla e se dando conta de sua presença. O ruivo, por sua vez, rosnou e estremeceu em fúria, mas parou de correr, abrindo e fechando os pulsos enquanto tentava decidir o que deveria fazer.
Itachi ainda se contorcia de dor, se perguntando como diabos era possível um tiro doer daquela forma. Chegou a se questionar se Madara poderia ter trocado a munição da Desert Eagle por balas dum dum (4), mas sabia que muito provavelmente esse não era o caso. Não era atoa que esta arma causava um estrago tão grande e era usada para caça de animais, claro que iria doer muito além da normalidade receber um tiro como aquele. Além de sentir dor, o cheiro da própria carne queimada pelo projétil não ajudava em nada a sensação de agonia diminuir.
Pain, escutando os ruídos de agonia de Itachi e percebendo sua reação anormal com relação ao tiro, temeu ainda mais pela vida de Konan. Fitou-a com extrema intensidade, implorando com o olhar para que ela ativasse de uma vez o frenesi. E ela conseguia interpretá-lo sem grande dificuldade, mas ela balançava a cabeça minimamente num gesto de "não", olhando para ele com olhos assustados, estremecendo enquanto tentava a todo custo conter o rötschreck iminente que invadia todo o seu corpo: afinal, era impossível não temer pela própria vida enquanto Madara mirava uma arma como aquela para a sua cabeça.
Madara riu com gosto, tanto em presenciar a expressão de dor de Itachi, quanto por ver os traços de rötschreck em Konan e o desespero estampado no rosto de Pain. Parecia um circo de horrores, do tipo que ele amava presenciar. Estava tudo tão perfeito!
— Não adianta, traidor. Konan percebeu dá pior forma possível que se ela se render ao frenesi ou ao rötschreck, ela perderá a criança. — Madara olhava fundo nos olhos de Pain, deixando um sorriso de vitória emoldurar seus lábios; Konan fechou os olhos e soluçou, tentando conter suas lágrimas de desespero e desesperança — A tolinha achou que iria se livrar de mim ativando um frenesi ralo, quase sem proteína; acabou quase sofrendo um aborto. Foi engraçado de ver, até porque ela implorou pela minha ajuda! Se ela ativar frenesi com a quantidade de proteína que está em seu corpo agora, ela vai perder a criança, sem dúvida alguma. Mas não se preocupe: nós já fizemos um acordo, e quando a criança nascer eu vou ter o maior prazer do mundo de acabar com a vida desta traidora aqui. — Madara declarou, empurrando Konan no chão com um chute lateral, ainda deixando-a sobre a mira da Desert Eagle.
Pain trincou os dentes com raiva, mas controlou qualquer iminência de frenesi: precisava pensar, tinha que arranjar alguma solução. Não sabia o que poderia fazer para ajudar Konan, mas sabia que qualquer movimento em falso poderia resultar em algo letal. Ele não estava armado, Madara tinha uma pistola de grande calibre e, mesmo que não fosse matar Konan enquanto ela ainda carregava um novo "experimento científico" em seu ventre, ele poderia muito bem machucá-la ou até mesmo atirar nele se desse ele algum movimento em falso. Itachi tinha armas, ele conseguiu sentir no meio da imobilização, mas era impossível pegá-las sem chamar a atenção de Madara. Não havia o que fazer, todos estavam perdidos.
A não ser que...
— Eu te ajudo! — ele declarou, rendendo-se ao se ajoelhar no chão e abaixar a cabeça; Konan gritou algo incompreensível por detrás da mordaça e, apesar de nenhum deles compreender o que ela dizia, era possível adivinhar com a expressão de indignação que ela fazia — Eu faço o que você quiser, chefe. Eu te ajudo com os traidores, eu deixo a criança com você, mas deixe Konan livre!
Itachi fechou os olhos com força, sentindo um aperto em sua garganta que quase superava a dor dilacerante em seu braço. Apesar das circunstâncias diferentes, Pain estava tentando agir como Fugaku agira ao dá-lo à Madara para salvar a vida de Mikoto. E isso machucava Itachi mais do que ele poderia admitir: não porque isso o fazia se sentir rejeitado de alguma forma, mas porque ele sabia que era um erro e que Pain se arrependeria disso ao perceber que Konan jamais o perdoaria; Itachi sabia muito bem como uma história como aquela terminava.
Depois de um longo silêncio, Itachi abriu os olhos e movimentou sua cabeça para olhar às costas de Pain, mas seu olhar cruzou com o olhar estupefato de Konan antes de Itachi visualizar os dedos cruzados às costas do número um. Ele o dava um sinal: Pain estava mentindo, possivelmente ganhando tempo. Itachi precisou se controlar para não respirar em alívio: no fim das contas, ele não faria o mesmo erro que Fugaku.
Enquanto isso, o sorriso de Madara aumentou ainda mais, apreciando de forma escancarada o fato de Pain se ajoelhar daquela jeito à sua frente. Era como nos velhos tempos: Pain, o mais poderoso, pronto para servi-lo, não importa o fato de suas motivações serem diferentes agora. Seria maravilhoso e incrivelmente recompensador; mas Madara não era, nem de longe, alguém que dava segundas chances. A única vez que abriu uma exceção e deu uma segunda chance resultou em algo catastrófico: o fato de Itachi ainda estar vivo era a prova disso. Ele deveria tê-lo matado no primeiro indício de rebeldia, mas nunca é tarde para concertar seus erros, não é mesmo?
Itachi, ao fitar o rosto de Madara e se dar conta da real emoção que ele sentia, percebeu que o plano de Pain era falho, e suas esperanças se esvaíram por completo.
— S-seu idiota... — Itachi suspirou dentre os ruídos de agonia; apesar da voz ter soado baixa, todos foram capazes de compreender o que ele dizia — Madara nunca mais vai confiar em você...
Pain não se moveu, respirando de forma ofegante, estremecendo enquanto encarava o chão e esperava por uma resposta.
— Me dói bastante dizer isso, mas Itachi está certo. — Madara declarou, um pouco risonho, fazendo Pain erguer a cabeça em uma expressão de surpresa — Dispenso sua ajuda.
O ruivo sentiu seu corpo inteiro congelar: ele tinha certeza que Madara aceitaria sua ajuda, já que ele era o mais forte. Isso não podia estar acontecendo!
— Você está sobre uma invasão! — exclamou, estupefato — Outros estão aqui, não é só Itachi! Você não está em vantagem tão grande assim! Você precisa de mim!
Madara gargalhou alto naquele momento, deixando de apontar a arma para Konan por um segundo e balançando a mão em divertimento, como se Pain tivesse contado a maior piada da face da Terra. Os três ameaçados, no entanto, não tiveram nem tempo de temer por um disparo acidental, pois naquele momento um ruído estranho foi perceptível na mata que circundava o pátio de treinamento, e Madara se recompôs rapidamente quando as folhagens começaram a estremecer.
— Acho que você deveria verificar melhor quem são os seus informantes. — o líder da Akatsuki declarou com prepotência, enquanto o Uchiha mais novo tentava desesperadamente se apoiar no cotovelo do braço ainda forte e olhar em direção ao barulho — Ponha uma coisa na sua cabeça, número um: ninguém é insubstituível.
Itachi teve a completa certeza que seu sangue congelou e parou de circular quando, um a um, os Akatsukis foram aparecendo dentre as folhagens, cada um com um prisioneiro em seu encalço: Zetsu foi o primeiro a aparecer, trazendo Sai firmemente amarrado e empurrando-o de encontro ao chão; Tobi foi o segundo, puxando Kakashi, o qual trocou um olhar desesperado com Itachi antes de ser jogado ao lado de Sai; Deidara e Shikamaru vieram na sequencia, e o militar sequer levantou o olhar para fita-lo, possivelmente envergonhado em demasia pela derrota. Mas o pior de tudo foi quando Sasori apareceu agarrando Gaara pelo pescoço, forçando-o a olhar para Itachi e perceber, que de todos os presentes, provavelmente Gaara tinha sido o mais difícil de capturar: os machucados vastos em seu rosto e o sangue que escorria de algum ferimento em sua cabeça e sujava seu olho direito era apenas um dos indícios do quanto ele reagira.
Todos estavam machucados, apesar de não exibirem ferimentos graves, mas de forma bastante evidente pareciam derrotados. Itachi não tinha como sonhar como foi aquela luta, e a surpresa de ver Shikamaru entre os capturados foi grande: afinal, ele iria coordenar de longe, e não se meter no meio da batalha. Se Shikamaru foi pego, muito provavelmente enquanto Itachi e Sasuke se reencontraram, ele teve que se meter na briga numa tentativa frustrada de salvar seus companheiros. E o Uchiha se sentia um lixo por isso, uma verdadeira escória. Enquanto ele estava lá, tentando fazer Sasuke aceitá-lo de volta, seus amigos foram capturados. O pior: Shikamaru, o líder dessa operação, foi capturado.
Ele imaginou que num cenário de derrota o seu vínculo com Kakashi e Naruto fosse fazê-lo temer mais pela vida dos dois, mas ainda sim seu desespero em ver Shikamaru capturado foi maior: não por ser Shikamaru de fato, mas por causa de Miya. Ela ainda era uma criança recém-nascida, e não merecia perder o pai tão cedo. De todos os presentes, o que mais precisava voltar vivo para casa era o Nara.
Naquele momento Itachi se arrependeu de tudo: de ter permitido que eles o acompanhassem em sua investida, de ter se embrenhado no QG atrás de Sasuke e de ter se deixado levar pelas emoções. Itachi deveria ter agido com mais racionalidade; céus, ele foi treinado a vida toda para não deixar as emoções tomarem conta das suas atitudes desse jeito! Não havia tempo para conversas e, ainda sim, ele deixou Sasuke falar enquanto beijava cada pedaço da pele dele que conseguia tocar. E enquanto ele estava lá, afagando Sasuke e ouvindo o seu relato, preso em suas próprias emoções e sua devoção pelo irmão mais novo, todos os outros foram capturados.
Mas Itachi entendia que retomar a sua humanidade fazia com que todos os defeitos da conduta humana viessem de brinde: ele não era mais racional como antes, ele tinha seus momentos de egoísmo sentimental, e a perspectiva de ter Sasuke em seus braços mais uma vez o fizera deixar no fundo de sua mente todos esses detalhes. Se pudesse voltar atrás e refazer suas condutas, ele faria.
Agora era tarde demais...
(***)
Gaara estava furioso!
Todos eles desistiram, todos! Tudo bem, a batalha chegou num ponto extremamente complicado, lutar em pequeno número contra os Akatsukis (que valiam por muitos) não era uma perspectiva muito interessante, ainda mais depois que Deidara e Sasori, os quais o encontraram logo depois que Itachi entrou no QG, afirmando que estavam ao lado deles e lutariam contra os demais, subitamente mudaram de time e passaram a atacá-los. Ainda sim, quando Sai ergueu as mãos e se entregou, ele não esperava que Shikamaru e Kakashi fossem imitá-lo com tanta facilidade!
Gaara ficou sozinho naquela batalha, e o seu grau de machucados maior do que os dos demais companheiros demonstra que ele foi o que mais aguentou. Se Deidara já não era fácil de enfrentar, Sasori conseguia ser ainda pior, e ele teve a infelicidade de receber o equilíbrio daquele trabalho de equipe quando os dois o atacaram em conjunto. Por que diabos Deidara e Sasori voltaram atrás em suas intenções? Não podia ser apenas por conta da chegada de Tobi e Zetsu, já que esta segunda dupla era infinitamente menos habilidosa que a dupla de artistas. Não fazia sentido, se Deidara e Sasori realmente queriam capturá-los desde o princípio eles não necessitariam esperar por reforços!
Tudo fez sentido para Gaara quando a sua audição normal captou finalmente o barulho de helicóptero que muito provavelmente os usuários da proteína já ouviam há minutos. Não foi difícil somar dois mais dois: todos pensavam que Madara não estava no QG por conta da proteína concentrada que possivelmente Sasuke dera aos Akatsukis (já que isso não era algo que Madara aprovaria, palavras de Itachi), portanto aquele barulho de helicóptero só podia significar a chegada do líder. Até os Akatsukis que o haviam traído resolveram voltar a trás em seu planejamento.
Covardes! Bando de covardes! Todos eles!
Mesmo durante sua indignação, a curiosidade falava mais alto. Era surreal para Gaara ver pela primeira vez quem era Madara Uchiha: um homem, certamente que imponente e com pinta de poderoso, mas ainda sim um homem. Parecia ser um grande desafio, mas não parecia o monstro de histórias de terror que todos afirmavam que ele seria. Mas as aparências enganam, se Madara conseguia controlar pessoas totalmente bestiais como Kakuzu, por exemplo, ele certamente tinha um poder superior a todos eles.
Gaara estaria mentindo se dissesse que não estava morrendo de medo. Todo o medo que ele não teve ao reencontrar Orochimaru parecia ter se acumulado para esse momento em que ficara frente a frente com o lendário Madara Uchiha.
(***)
— Você parece um pouco pálido, Sabaku. — a voz arrastada que Gaara não ouvia há anos se fez soar no ambiente, e foi inevitável para ele não erguer a cabeça, surpreso ao reconhecer quem era a sua visita daquela tarde pacata no manicômio.
Orochimaru, com uma prancheta na mão e um nome falso bordado no guarda-pó, aproximava-se dele em passos lentos. Não parecia ter envelhecido um único ano, apesar de ser totalmente impossível algo assim. Já fazia bastante tempo que eles não se viam, e Orochimaru não era o tipo de pessoa que ele associaria com jalecos brancos e pinta de doutor. Orochimaru era um traficante, e se as suas lembranças de ex-usuário não lhe falhavam, ele estava sempre rodeado de gente da laia mais suja do mercado e não entre pessoas que, ao menos na teoria, existiam para salvar vidas.
— O que você está fazendo aqui? — Gaara perguntou, ainda surpreso, enquanto Orochimaru chegou ao pé de sua cama e começou a analisar os papeis de sua prancheta como se não estivesse fazendo nada de anormal num lugar como aquele.
— Seus exames estão normais, vejo que você está limpo há bastante tempo. Parabéns Sabaku, mesmo usando as doses mais impuras você conseguiu se livrar do vício. Qual o nome do tratamento que você fez? Chuto que talvez se chame "Naruto Uzumaki". Devíamos patentear!
Gaara sentiu seu corpo ficar tenso e estreitou sua vista, desejando que pudesse se liberar daquela camisa de força e dar a Orochimaru a surra que ele tanto merecia. Já estava preso naquele lugar mesmo e muito provavelmente ficaria ali o restante da sua vida, não faria diferença alguma se o quebrasse a cara de Orochimaru como ele merecia.
— O que sabe sobre Naruto? — ele perguntou, porque infelizmente ainda estava amarrado e não poderia fazer Orochimaru sentir o gosto do próprio sangue tão cedo.
— Eu? Oras... eu nunca sei muita coisa. Mas há quem saiba.
Orochimaru retirou discretamente um aparelho de celular antigo de seu bolso, colocando-o abaixo do travesseiro de Gaara e ignorando sumariamente o olhar mortal que ele o direcionava.
— Você parece bem saudável, sua mente não está nem um pouco perturbada. Se você está preso agora, tenha certeza que é pela influência de outra pessoa. — quase não poderia chamar aquilo de uma insinuação, estava mais do que claro que a internação de Gaara fora encomendada. Orochimaru, ainda sim, exibia um ar de inocência repugnante enquanto falava, afrouxando as amarras da camisa de força de uma forma que o ruivo poderia se soltar se assim desejasse, sem deixar muito na cara para o próximo médico ou enfermeiro que entrasse naquele quarto o auxílio que Gaara recebera — Dentro da agenda deste celular há um único contato, e a pessoa que atender essa ligação vai ter muito o que lhe informar.
— O que te faz achar que eu vou trabalhar para o maldito que me prendeu num manicômio, seu demente? — Gaara questionou, sua voz soando áspera e irritada; apesar de ter percebido que de alguma forma surreal Orochimaru o ajudava, ele não era idiota o suficiente para acreditar em um traficante de meia tigela.
Já tinha errado muito em fazer acordos com aquela pessoa no passado, não tinha a mínima intensão de manter o mesmo erro; pelo menos não sem um bom motivo.
— O fato de que talvez assim você consiga proteger Naruto daqueles que o ameaçaram pode ser algo que ative sua curiosidade, talvez?
Gaara nada disse, ainda olhando-o com julgamento e repulsa. Orochimaru sorriu de canto de boca, sabendo que não seria preciso falar nada além disso para que Gaara discasse o número de Sai; como eles tinham um histórico juntos, ele acabaria confiando cegamente em Sai. Sabaku apenas teria que esperar até a calada da noite chegar, e possivelmente não estaria mais naquela cela pela manhã.
— Espero que você tenha um bom restante de tarde, Sabaku. — Orochimaru falou com despreocupação, colocando alguns remédios acima da mesa de Gaara, só de fachada, e dando-lhe as costas para se retirar daquele quarto.
— Se alguma coisa acontecer com Naruto, eu te mato. — Gaara ameaçou em voz alta, sentando-se abruptamente na cama e encarando as costas de Orochimaru da forma mais ameaçadora que conseguia, apesar de evidentemente não oferecer perigo nenhum ao farsante naquele momento.
Orochimaru não se incomodou em se virar para encarar Gaara novamente, apenas colocando a mão na maçaneta e falando por cima do ombro:
— Poupe suas forças para derramar o sangue de quem realmente o está ameaçando, Sabaku. Desta vez, só desta, posso te assegurar que não sou eu.
Isso dito, retirou-se rapidamente do recinto, fechando a porta com um ruído suave; mas sem o característico barulho de chave sendo girada para trancar a porta.
Naquela madrugada, Gaara pensou durante muitas horas em suas opções, mas no fim acabou se desprendendo da camisa de força e discando o único número da agenda de seu celular. Por Naruto, ele era capaz de voltar à sua parceria com Orochimaru.
Por Naruto, ele era capaz de tudo!
(***)
Foi em meio ao seu momento de relembrança, indignação e confusão que Gaara observou Sasuke Uchiha aparecer no pátio do heliporto, arrastando um ofegante, e muito saudável, Naruto Uzumaki. O ruivo expirou com força, sentindo um alívio momentâneo, e posteriormente uma raiva animalesca surgir com relação a Sasuke: como ele ousava trazer Naruto e colocá-lo a frente de Madara Uchiha? Sasuke estava fora de si? Naruto não tinha nenhum preparo físico para enfrentar alguém como esse! Ele tinha que ser poupado! Ele tinha que estar escondido! Ele...!
— N-naruto...! — Kakashi murmurou ao seu lado, parecendo tão surpreso, temeroso e aliviado quanto ele; somente Naruto tinha o poder de causar tantos sentimentos contraditórios em tantas pessoas, ele era especial nessa magnitude e não deveria estar envolvido naquela loucura toda. O lugar de dele não era ali!
O ruivo, no entanto, nada falou, desviando seu olhar para tentar se acalmar, mas sua tentativa frustrada teve efeito oposto: seus olhar cruzou com o de Sasuke e, como era de se esperar, sua raiva apenas se multiplicou. O Uchiha assimilou rapidamente a sua presença, mas não olhava diretamente para ele, preocupando-se bem mais em averiguar o estado físico de Kakashi.
— Sasuke...! — Kakashi murmurou o nome do Uchiha da mesma forma surpresa, também demorando mais tempo em olhar para Sasuke, depois de se certificar que Naruto estava, ao menos aparentemente, intacto. E Gaara entendia porque Kakashi se demorava analisando o Uchiha: ele parecia outra pessoa, idiota e desprezível como sempre, mas definitivamente outra pessoa.
Itachi foi o único que viu de fato Sasuke depois que ele passou a residir no QG, então era natural que todos os outros estivessem surpresos com a mudança em sua aparência: o evidente aumento de seu condicionamento físico, o tom levemente mais bronzeado de sua pele, e todas as demais características que o antigo Sasuke Uchiha não possuía, em especial os olhos cor de violeta, as quais Gaara não tivera a oportunidade de apreciar até o presente momento. Seria mentira dizer que não temeria um combate com este novo Sasuke, mesmo que há pouco mais de seis meses ele se considerasse bem mais forte do que o Uchiha. Sasuke exibia um ar predatório que Gaara nunca viu em sua pessoa, deixando claro que o treinamento que recebeu naquele lugar não foi brincadeira de criança.
Bom... O jeito é torcer que ele esteja do nosso lado. Kakashi e Naruto estão aqui, afinal de contas; ele pode ser idiota, mas ele preza pelo bem desses dois. — Gaara tentava desesperadamente se consolar: afinal, se Sasuke era tão poderoso quanto aparentava ser naquele momento, talvez ele pudesse lidar com Madara, ou soltá-los para que todos voltassem ao combate, ou... — Ok, deixa pra lá, eu não consigo ser otimista dessa forma por tanto tempo.
Sasuke pareceu igualmente assustado ao vê-los ali, principalmente em cruzar o olhar com ele, mas Gaara só conseguiu ver essa expressão de surpresa por breves instantes. Em seguida, o Uchiha se recompôs perfeitamente, apresentando uma expressão indecifrável e totalmente neutra. Ele nunca viu Sasuke fazer uma expressão como aquela, tampouco controlar suas emoções daquele jeito, mas não era difícil de adivinhar de quem ele aprendera esse pequeno dote.
— Oh, Sasuke... — Madara falou subitamente, atraindo a atenção de todos os presentes para ele mais uma vez, seu tom de voz demonstrando que ele estava extremamente despreocupado, até mesmo um pouco satisfeito pela chegada do Uchiha mais jovem — Eu me perguntei quanto tempo mais você demoraria. Logo você, que costumava ser tão pontual, foi se atrasar!
Sasuke soltou o braço de Naruto, dando alguns passos à frente, vagarosamente aproximando-se de Madara. Apesar de Naruto gritar seu nome e correr em sua direção, Itachi conseguiu se recompor um pouco e agarrou a perna do loiro quando este passou ao seu lado, fazendo-o cair no chão ao seu lado. O Uchiha mais velho murmurou alguma coisa para Naruto, algo que certamente Gaara e as demais pessoas que não usavam a milagrosa proteína não puderam ouvir, mas que os Akatsukis e Madara conseguiram compreender perfeitamente, visto que todos soltaram uma risadinha sarcástica e breve. Sasuke apertou os punhos, também ouvindo seja lá o que Itachi dissera, mas não comentou nada a respeito.
Madara ainda apontava a Desert Eagle para a cabeça de Konan, mas estava claro que prestava atenção em cada passo de Sasuke e conseguiria facilmente modificar sua mira, se assim fosse necessário. O Uchiha caçula, no entanto, não vacilou em suas passadas, aproximando-se cada vez mais do líder da Akatsuki, até ficar frente a frente com ele.
Foi então que Sasuke se curvou para frente e lhe deu um beijo, causando um ruído de surpresa coletivo em todos os invasores e um soar de risada esporádicos, provavelmente vindo dos Akatsukis, enquanto entrelaçava seus braços ao redor do pescoço do homem mais alto. O beijo não durou muito, não porque foi interrompido, mas sim porque Madara agarrou Sasuke para mais perto, puxando-o contra o seu corpo com a mão que ainda segurava a corrente que prendia Konan, apalpando de maneira explicita a coxa e traseiro do mais novo e fazendo-o para de beijar seus lábios e mordiscar seu pescoço, transformando o contato em algo ainda mais sexual.
Enquanto recebia as mordidas de desejo, Madara abriu os olhos e encarou Itachi por cima do ombro de Sasuke, lhe lançando um sorriso satisfeito e superior.
Eu ganhei! — Ele claramente dizia com o olhar, deliciando-se cada vez mais em apertar cada pedaço do corpo de Sasuke que Itachi conseguia ver, mostrando a quem aquele garoto pertencia. Sentia-se evidentemente realizado, pois ele sabia que aquilo era, acima de qualquer coisa, a maior vingança que ele conseguira fazer contra Itachi Uchiha.
O desertor, no entanto, ainda estava surpreso demais vendo Sasuke nos braços do inimigo daquela forma para perceber o ar de desafio que Madara o direcionava. Gaara chegou até a sentir pena de Itachi naquele momento, vendo a dor de coração partido estampada claramente em seu olhar; não sabia ao certo o que ocorreu entre Itachi e Sasuke no tempo que estiveram dentro do QG, mas certamente alguma coisa deveria ter acontecido para Itachi aparentar uma indignação tão grande ao ver Madara e Sasuke juntos.
Naruto, Kakashi, Sai e Shikamaru, por sua vez, estavam ainda mais surpresos, com idênticos queixos caídos diante da cena. Kakashi chegava a estar horrorizado, analisando a conduta de Sasuke como se visse um estranho a sua frente; o Sasuke que ele conhecia certamente era bem mais comedido em seus assuntos particulares, enquanto este estava descaradamente se esfregando em Madara. Como diabos Sasuke poderia estar beijando Madara Uchiha daquela maneira? Como esse absurdo era possível?
— Me diga, Sasuke. — Madara falou, deixando a cabeça cair um pouco para o lado, permitindo que o garoto beijasse seu pescoço com mais facilidade — Você está cheirando a suor e sangue, então chegou a lutar com Itachi, foi?
Sasuke ainda demorou alguns segundos marcando a pele de Madara antes de se afastar um pouco dele para responder, também olhando por cima do ombro para Itachi, exibindo em seu rosto a mesma expressão superior que Madara fazia.
— Claro, e ele ainda tinha pensado que eu estava do lado dele. — Sasuke disse, virando-se totalmente em direção dos prisioneiros e cruzando os braços enquanto escorava o seu corpo no corpo de Madara, o qual despreocupadamente abraçou Sasuke por trás com os dois braços, ainda empunhando a Desert Eagle sem, contudo, apontá-la para alguém em particular — Ele é tão manipulável, não sei como você foi capaz de confiar nele por tanto tempo.
— Todos erramos, Sasuke. Mas nunca é tarde demais para fazer a coisa certa.
— Concordo totalmente.
Sasuke, apesar de todos os pesares, não olhava para Itachi nos olhos; poucos percebiam essa demonstração de incerteza, mas Gaara conseguia perceber o desconforto que o Uchiha mais jovem parecia sentir: apesar de evidentemente não fugir do abraço de Madara, Sasuke estava levemente inclinado para frente; apesar de agora receber beijos em seu pescoço, ele não parecia imerso na carícia. E se Gaara tinha alguma dúvida a respeito do comportamento de Sasuke, olhar para os "familiares" de Sasuke retirou todas as suas incertezas:
Naruto não estava revoltado, gritando ou dando o maior chilique da face da Terra como era de se esperar. Sim, ele parecia furioso, fuzilava Sasuke com os olhos de safira recheados de raiva, mas não de decepção. O Uzumaki também parecia perceber que Sasuke estava agindo de forma estranha, mas não vocalizava suas certezas e incertezas para Itachi. Enquanto isso, ao lado de Gaara, Kakashi voltava a respirar com mais tranquilidade assim que a surpresa inicial foi sendo assimilada.
Foi em meio a todos esses questionamentos mentais que Sasuke trocou olhares mais demorados com Gaara. O ruivo se surpreendeu com o que via: a maneira do Sasuke o olhar, a expressão em seu rosto, o jeito de se movimentar e se portar...
Era difícil descrever, era complicado pôr em palavras e fazer alguém que desconheceu Sasuke na adolescência compreender a comparação, mas aquele Sasuke não era o Sasuke dos últimos seis anos, muito menos um "novo" Sasuke. Foi como voltar no tempo, foi como ver um vestígio de confiança e força que ele não via em Sasuke desde a traumática morte de seus tios.
Foi como estar de volta à presença do seu verdadeiro rival.
Gaara e Sasuke nunca se deram bem, isso era um fato. Mas Sasuke era um rival à altura, alguém que o Sabaku tinha até certo orgulho de ter como inimigo. Uma das grandes brigas que os dois tiveram foi depois da morte de Kushina e Minato, quando Sasuke mudou bastante, tentando ajudar Naruto a superar o trauma, mas agindo de uma forma totalmente desmembrada: pensativo demais, demorando a reagir, com um olhar incerto que deixava Gaara totalmente furioso. Aquele Sasuke não era o seu rival, era apenas a sombra de quem um dia Sasuke fora. Gaara não sabia dizer exatamente o que aconteceu, mas ele não via mais a mesma chama no olhar de Sasuke, a mesma intensidade, a mesma pessoa de antes. Até a personalidade mudou, Sasuke parecia bem mais covarde do que outrora.
Ao menos até aquele momento, pois agora Gaara tinha a certeza que o brilho do verdadeiro Sasuke Uchiha acabara de voltar àquele olhar.
— Ele está de volta. — Gaara sussurrou para ninguém em particular, num tom de voz tão baixo que nem os ouvidos treinados da Akatsuki poderiam captar, ainda mais quando não lhe direcionavam a atenção.
Agora fazia sentido: Sasuke estava interpretando, Kakashi e Naruto já tinham percebido isso, ele foi um dos últimos a de fato se dar conta desse detalhe.
— Sim, ele está de volta. — Sasori murmurou ao pé de seu ouvido, causando um arrepio em Gaara pela súbita surpresa. De forma inesperada, começou a afrouxar as amarras das cordas que envolviam seus pulsos, soltando-o aos poucos. Mesmo surpreso, o Sabaku não se moveu, e deixou Sasori soltá-lo sem qualquer impedimento — Siga o plano dele. — o Akatsuki murmurou, colocando uma pequena kunai na mão de Gaara e forçando a lâmina a cortar a corda com uma leve movimentação de pulsos, demonstrando o quão afiada estava a arma branca.
Com os punhos soltos, Gaara manteve a posição dos braços. Ele queria olhar para trás e ver o que Sasori intencionava com aquilo, ou até mesmo perguntar como ele também conseguia interpretar Sasuke daquele jeito (afinal, Sasori não conhecia de fato o Uchiha... não é mesmo?). O que o número quatro da Akatsuki sabia sobre o passado de Sasuke Uchiha? Gaara estava confuso, mas não seria idiota o suficiente de desfazer a farsa naquele momento; Madara estava beijando Sasuke, mas não estava de todo modo distraído, e os demais Akatsukis perceberia que ele estava solto se desse mexesse seus braços.
Deu um breve olhar para Sasuke, naquela intensidade de quem prometeria que em breve os dois colocariam suas habilidades em cheque. Sasuke deu um milimétrico sorriso de desafio antes de desviar o olhar para não gerar suspeitas, mas Gaara sabia o que aquilo significava: era a chance que eles precisavam, tudo que ele tinha que fazer era arranjar uma escapatória, e Sasuke faria Madara dar uma abertura em breve.
Madara decidiu naquele momento que já havia judiado o suficiente de Itachi, e parou de mordiscar a pele salgada de Sasuke, ainda abraçando-o enquanto olhava para seus prisioneiros com ares de diversão.
— Veja só o tanto de brinde que acabou vindo com o Itachi. — Madara comentou, arrancando uma risadinha baixa de todos os Akatsukis — Quem diria que Itachi encontraria tantos loucos para servirem de aperitivo nesse seu ato heroico de merda?
— Itachi é um bom ator, lógico que ele enganaria essa laia toda. — Sasuke comentou, ainda evitando de todo jeito olhar para Itachi, sentindo-se internamente grato pelo Uchiha ter se mantido quieto até aquele momento.
— Estou tentando me decidir morte cada um deles merece... — Madara comentou, de uma forma tão casual que, para alguém de fora, até pareceria que o casal estava simplesmente discutindo sobre a decoração de casa, e não sobre a morte de seres humanos.
— Eu não ligo para nenhum deles. — Sasuke comentou, dando de ombros e fazendo Madara desprender os braços de sua cintura enquanto se virava para encará-lo de frente — Apenas não se esqueça do nosso combinado, Madara.
— Ah, é verdade, nós temos um trato. — Madara falou, erguendo o queixo de Sasuke e lhe dando um selinho breve, antes de dar-lhe as costas e chamar um dos Akatsukis com um estralar de dedos, entregando a corrente que envolvia o pescoço de Konan para Tobi, o qual aceitou a responsabilidade de bom grado.
Madara começou a andar em direção aos prisioneiros, mas ainda fez um pequeno desvio em seu caminho para passar ao lado de Pain, apenas para provocá-lo, ajoelhando-se ao seu lado e usando a Desert Eagle para retirar os cabelos de seus olhos avermelhados em ira e evidente desespero.
— Vocês vão morrer, e eu vou apreciar cada grito de agonia como se fosse a mais maravilhosa das melodias. Eu tenho um dom para maestro que vocês não fazem ideia... — ele comentou, erguendo o queixo de Pain com a arma, vendo-o respirar de forma cada vez mais ofegante e adorando os ruídos de choro que conseguia ouvir de Konan — Mas vou deixar o filet mignon para depois, vou começar com os fracos que acharam que podiam invadir o meu território. Coitadinhos.
Naquele exato momento, Naruto desprendeu seu calcanhar da pegada de Itachi e correu em direção à Kakashi, praticamente se jogando na sua frente, defendendo-o de Madara como se estivesse pronto para morrer em seu lugar (o que muito provavelmente aconteceria, se Madara estivesse de fato tentando matar o grisalho).
— Fique longe dele! — Naruto gritou ferozmente, mostrando os dentes, assemelhando-se bastante a uma raposa selvagem perante o olhar astuto de Madara. Ele achou interessante a coragem do garoto, mas sua tolice o fez rir pelo nariz e balançar a cabeça em negação enquanto se colocava de pé e continuava a andar em direção aos prisioneiros.
Parou bem à frente de Naruto, abaixando-se à sua frente e analisando os detalhes no rosto do Uzumaki de perto pela primeira vez. Naruto era corajoso, seu rosto sequer denunciava qualquer sensação de medo, se bem que a tremedeira involuntária que ele sentia denunciava seu pavor. Kakashi falava idiotices sem sentido ao pé do ouvido de Naruto, tentando convencê-lo a sair de sua frente; o loiro não lhe dava ouvidos, e Hatake se desesperava cada vez mais por isso.
O líder achava toda essa movimentação muito interessante: tanta exibição de fraqueza em tão poucas pessoas... Tomara que os Akatsukis não assimilassem essas demonstrações ridículas e infundadas de sentimentalismo barato, Madara gastou tempo demais de sua vida ensinando a todos eles o quanto isso era ridículo; o showzinho que dera com Itachi já devia ter sido o suficiente para nenhum deles se submeter ao ridículo de ter sentimentos por alguém que não fosse o seu líder, mas ainda sim Pain e Konan caíram na armadilha. Ele não estava nem um pouco disposto a passar por esse tipo de traição mais uma vez, então torcia para que seus subordinados fossem mais espertos agora.
— Madara! — Sasuke alertou, aproximando-se da confusão em um piscar de olhos — Lembre-se do trato!
O problema era que Sasuke também demonstrava essa fraqueza perante os Akatsukis.
Tsk, mal exemplo. Vou precisar corrigi-lo com o tempo. — Madara pensou, girando os olhos com impaciência.
— Eu apenas vim ver o que de tão especial esses dois tem pra você se importar tanto com eles. — Madara respondeu, dando de ombros — Mas não ligo, para ser sincero. São mundanos, tão mundanos quanto Fugaku e Mikoto, tão sem sal quanto Kushina e Minato. Nada de especial, como sempre. Não compreendo porque as pessoas se apegam a outras pessoas inferiores. Você é tão superior a isso, Sasuke.
Sasuke fez uma expressão de quem estava mordendo a língua para não responder, mas Madara estava preso demais em seus próprios pensamentos e sua divagação para perceber o claro desprazer no olhar do outro Uchiha.
Contudo, Gaara percebeu e girou a kunai entre os dedos, rezando para Madara se aproximar um pouco mais pela direita. Se ele pudesse falar com Sasuke, se ele pudesse insinuar o quão próximo ele estava de um golpe que poderia ser fatal... Talvez eles tivessem uma chance!
— Você não vale nada! — Naruto gritou rispidamente, ignorando todas as preces de "Cale a boca, Naruto!" que Kakashi murmurava em seu ouvido — Você acha que só porque é um gênio é superior as pessoas? Você acha que um Q.I. diferenciado te torna mais especial? Narcisista, prepotente! Você esqueceu que você teve três irmãos tão "sem sal" quanto qualquer pessoa no mundo!?
— Naruto! — Itachi gritou lá do outro lado, evidentemente desesperado, tentando se colocar de pé e chegar mais próximo da confusão, sem muito sucesso: estava perdendo sangue demais e se sentindo tonto, não sabia ao certo por quanto tempo ainda conseguiria manter a consciência.
Madara estreitou o olhar, possivelmente sentindo um dedo forte em sua ferida, estupefato demais para responder Naruto, o qual optou por continuar o seu comportamento kamikaze de sempre:
— O que foi? Vai me dizer que não amava Hideki, Yoshiro e Naoki? Que eles eram simplórios demais para você sentir alguma coisa por eles? Vai mentir e dizer que nenhuma dessas mortes o afetou?!
Madara ergueu a mão, pronto para surrar o rosto de Naruto de uma forma que ele jamais se esqueceria. O loiro fechou os olhos, aguardando o impacto que nunca chegou a receber. Depois de um longo período de silêncio, tornou a encarar Madara, se dando conta do porquê da ausência do golpe: Sasuke, com os olhos violetas em brilho máximo, agarrava o braço de Madara, impedindo-o de acertar seu irmão de criação.
— Nós. Temos. Um. Trato! — Sasuke repetiu pausadamente, sua voz soou realmente ameaçadora e, pela primeira vez, Sasuke aparentou ser mais poderoso do que Madara: era apenas uma aparência momentânea, mas isso com certeza fez com que Kakashi e Naruto se encherem de orgulho; a expressão em seus rostos não mentia.
Madara ofegou, piscando forte e parecendo se controlar na sequência. Não por medo de Sasuke, Madara não tinha medo de ninguém, mas ele realmente fez esse trato com o Uchiha visando cumpri-lo: poupar a vida de Naruto e Kakashi não era algo que o agradava, mas Sasuke pediu para que fosse assim, e ele estava realmente disposto a fazer as coisas funcionarem com o Uchiha caçula.
No entanto, uma coisa o estava deixando preocupado, e foi por isso que ele encarou Sasuke por cima do ombro, olhando-o com tom de desafio.
— Onde está Orochimaru?
O moreno piscou, evidentemente supresso com aquela pergunta. Foi Zetsu quem respondeu, no entanto:
— Orochimaru deve estar dentro do QG. — ele disse, aproximando-se do líder e trazendo a atenção deste para si — Por quê?
— Se Naruto sabe da existência de meus irmãos, Itachi falou sobre algo que não era para ele se lembrar. — Madara disse, calmamente, olhando para o outro Uchiha por cima do ombro com certo desprezo — Memorias que Orochimaru disse ter suprimido, e ele não falha, nunca falha. Se essas memorias voltaram à tona, Orochimaru planejou isso.
Kakashi piscou, tendo um insight momentâneo. Nunca havia de fato passado pela sua cabeça que Orochimaru poderia ter planejado isso: será que de fato o Orochimaru queria que no futuro Itachi passasse por um tratamento e aquelas memórias ficassem facilmente acessíveis para alguém como ele encontrá-las em dado momento?
Será que até isso foi proposital?
Orochimaru... Nos ajudou? — Kakashi pensou, trocando um olhar breve com Itachi.
O ex-Akatsuki, todavia, estava preocupado demais em chegar perto da confusão para notar o questionamento indireto que Hatake o fazia com o olhar, fitando o grupo de com um desespero intenso, murmurando o nome de Sasuke em meio a um delírio pela falta de sangue e forças.
Isto funcionou como um alerta: Kakashi voltou novamente sua atenção para Madara e captou o olhar feroz que o líder da Akatsuki agora direcionava à Sasuke, sentindo seu corpo arrepiar e temendo pela vida do Uchiha caçula.
— Orochimaru me traiu. — Madara murmurou, dando um passo a frente, encarando o mais jovem com um brilho predatório em seus olhos violetas, empunhando a Desert Eagle com maior firmeza; Sasuke deu um passo para trás, instintivamente — Orochimaru não é confiável.
— B-bom, se ele te traiu, vamos fazê-lo pagar também, oras! — Sasuke tentou parecer indignado e alheio à ameaça que Madara o desferia, mas estava nervoso demais para sua atuação continuar intacta.
— Alguém já te disse, Sasuke Uchiha, que você é facilmente decifrável quando está excitado? — Madara sibilou, esticando a mão livre e agarrando o queixo de Sasuke, forçando-o a manter a cabeça erguida — Sua temperatura sempre aumenta meio grau, seu cheiro fica diferente, suas pupilas se dilatam e você rebola mais do que deveria.
A farsa já era. — Sasuke pensou, suspirando fundo e exibindo os olhos violetas para Madara, não se preocupando mais em esconder o seu desprezo.
— Pois é, alguém já me disse isso. — ele respondeu, lembrando-se bem de quando Itachi falou algo extremamente semelhante para ele, bem antes de toda essa confusão chegar a esse ponto — E eu não tenho culpa se meu corpo te acha indigno desse comportamento. Eu até que me esforcei, juro, mas não dá... Por você eu só sinto desprezo, principalmente agora.
Sasuke tateou o cabo de sua ninja-tō, pronto para iniciar um combate de fato com Madara. Esperava que o maldito fosse facilitar as coisas e pelo menos tirar Kakashi e Naruto dali antes de desconfiar de Orochimaru e perceber a traição. Madara era esperto e desconfiado demais, a partir do momento que descobrisse que Orochimaru o traiu, iria imaginar que a traição atingia o comportamento de Sasuke também, visto que não foi apenas Itachi que fora manipulado por Orochimaru e Madara sabia bem disso.
No entanto, o líder deu um passo para trás e soltou o queixo de Sasuke, apesar de ainda manter a postura ofensiva e não parecer ter desistido de seus planos.
— Não tem problema. — ele respondeu, pensando rápido — Nada mudará, só teremos mais um morto no fim das contas. Talvez uma ordem diferente de eliminação dos vermes, mas no fim o resultado vai ser o mesmo.
— Madara! — Itachi gritou, conseguindo forças para chegar mais perto, mesmo que a sua vista estivesse turva e sua consciência lhe escapulisse os dedos, ver Madara ameaçar Sasuke daquela forma causou uma onda ainda maior de adrenalina em seu corpo, e ele conseguiu se movimentar um pouco mais rápido — Não toque nele!
— Oh. — a voz de Madara soou recheada de nojo, deixando um suspiro de cansaço escapar e fechando os olhos por alguns instantes antes de fitar Sasuke mais uma vez, agora com total desprezo — Você poderia ter tido um futuro brilhante ao meu lado, mas então você realmente escolheu a ele.
— Eu não escolhi ninguém. — Sasuke rosnou, praticamente cuspindo veneno — Eu não tenho nada com ele, nem com você! Eu estou protegendo aqueles importantes pra mim, apenas isso.
— Tem certeza?
Madara se moveu rapidamente, muito mais rapidamente do que olhos destreinados poderiam acompanhar: correu os poucos passos que ainda separavam Itachi da confusão, dando-lhe uma rasteira precisa e fazendo-o cair de encontro ao chão, de barriga para cima. Se debruçou sobre seu corpo, não se preocupando em imobilizá-lo: a queda o fizera ter mais dificuldade em manter a consciência, a falta de sangue estava mais do que evidente.
O líder da Akatsuki ouviu gritos, alguns pertenciam aos seus combatentes, outros aos prisioneiros. Tilintar de armas e gatilho de pistolas soaram em alto e bom som, e Madara sabia que os Akatsukis lhe davam cobertura. Ele nem se preocupou em olhar para a cena, ouvindo os gritos desesperados de Sasuke e Naruto em uma melodia que quase lhe daria satisfação...
Se ele não estivesse tão imerso em sua própria ira.
— Você tirou tudo que é meu, número três. — Madara rosnou, olhando os olhos vermelhos de Itachi com tanta raiva que sentia lágrimas de fúria se formarem em suas próprias pálpebras — Agora eu vou tirar de você tudo que te resta!
... Continua...
(1) Eu puxei uma referência nesse ponto do capítulo porque não sei se vocês se lembram disso, pois apesar de ser extremamente importante para o enredo, já fazia muitos capítulos que eu não retomava esse assunto.
No Capítulo XV o Itachi conta para o Sasuke que algo no corpo de Sasuke poderia resultar na "cura" para o problema deles. Ele diz com todas as letras o seguinte: "Ele sabe que seu sangue possui a solução para a nossa degradação de proteína, resumindo: Se o QG tiver acesso a você, a cura para o único efeito colateral nocivo dessa "experiência do poder" estará feita. Nós não precisaríamos de injeções periódicas."
Foi por isso que foi lançada a recompensa para a captura de Sasuke, sendo que essa recompensa seria a cura para os efeitos colaterais e a necessidade de injeção de proteínas periodicamente; Madara queria ver quem desejava isso, pois quem assim o fizesse estaria tentando se "libertar", e ele não queria que os Akatsukis almejassem a liberdade, considerando isso algo ruim. Era, então, um teste de lealdade, pois Madara nunca teve de fato a intenção de dar a cura para quem capturasse o Sasuke.
Alias, quem acabou capturando foi o Orochimaru, e ele não é usuário da proteína. Ele só capturou porque a "caça ao Sasuke" estava encerrada, Madara já não confiava mais em Itachi e Orochimaru queria seguir os planos que ele e Sasuke fizeram no passado. Como Madara queria se vingar, Orochimaru viu aquela como a oportunidade perfeita pra trazer Sasuke para dentro do QG. Enquanto Madara achava que estava sob total controle das coisas, Orochimaru o manipulou indiretamente.
Bom, quem não se lembra de nada disso realmente deveria dar uma relida na fanfic, pois o que eu acabei de dizer é puramente plot, e nós vamos entrar em outros aspectos da fanfic que vão tratar desses plots passados.
Observem, no entanto, que em nenhum momento eu disse na fanfic que o Orochimaru sabe fazer a "cura" (ou o "antídoto", como o Itachi disse nessa fala do capítulo atual). Foi o Itachi quem disse isso, o que poderia ser um blefe pra convencer o Pain, ou o que pode ser verdade realmente. Descobriremos mais pra frente, podem fazer teorias a vontade. ;)
(2) No Capítulo XXVIII o Sasuke, em meio a confusão "pós-Tsuki no Me", atacou Madara e causou uma cicatriz em seu rosto. Itachi até o dado momento ainda não tinha visto essa cicatriz no Madara, por isso esse detalhe foi pontuado na narração.
(3) Referência ao Capítulo XX.
(4) Bala dum dum é o nome para os projéteis de armas de fogo feitos para se expandir e fragmentar durante o impacto, causando um dano muito maior dentro do corpo das pessoas atingidas. Esse tipo de munição é proibida pelo Tratado Internacional da Convenção de Haia, por ser considerada uma ofensa grave aos direitos humanos.
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Aviso sobre Plágio: Plágio é crime (artigo 184 do Código Penal) e quem plagiar qualquer fanfic minha, seja totalmente, parcialmente, ou seguindo os mesmos acontecimentos e apenas escrevendo com outras palavras (plágio conceitual) será denunciado e processado judicialmente. Eu sou advogada, sei meus direitos e não vou hesitar em buscá-los, pois pra mim vai ser só mais um processo pra levar a diante, enquanto para você será uma imensa dor de cabeça. Tenha em mente o que te aguardará caso você decida plagiar algo meu, e tenha certeza do seguinte: se eu ou algum leitor meu encontrar o seu plágio de fanfics de minha autoria, eu não terei piedade. Quem não teve respeito com minhas obras não merece minha consideração e meu perdão.
Resposta das reviews deslogadas:
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Guest:
Opa! Muito obrigada! Fico feliz que tenha gostado tanto do capítulo anterior.
Beijinhos!
S2
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Zih s2:
Eu já respondi essa review por mensagem como a Zih pediu, mas para deixar registrado, como a review foi deslogada, eu vou postar a resposta aqui também:
Ok, eu vou responder assim, mas eu vou ter que responder menor do que eu responderia se você tivesse com a conta do site, porque tem um limite de palavras. Quando a mensagem fica muito grande, o ffnet põe "This message has been truncated due to length. To view in full, please visit site", e aí você tem que abrir o site pra ler tudo…
Mas vamos lá! Vou ser mais sucinta pra você conseguir ler! Qualquer coisa mando duas mensagens!
Ahhh sim, finalmente a fanfic foi atualizada! Hahahaha! Tava na hora né?
Obrigada por entender minha situação... É realmente complicado pra mim escrever dessa forma, ainda mais numa fanfic que eu já estou cansada de escrever (são muitos anos escrevendo Haunted), então falta a animação própria, que deveria ser estimulada pelos leitores. Mas fico contente que não se estresse comigo e entenda meu lado. =D
Que bom que o capítulo ficou legal mesmo com esse tamanho! ^^
Acho que a gente sempre morre de raiva e amor pelo Sasuke... Esse menino é complicado demais, tá louco! =X
Itachi está realmente se humanizando mais. Ele chorou em outros momentos na fanfic, mas esse choro foi na frente do Orochimaru, foi algo que o Itachi do começo da fanfic nunca faria, justamente para mostrar a mudança.
Gostou das analogias dele? Huahuahuahuahua!
Orochimaru atrapalhou o que o Sasuke ia falar, fazer o que... Ainda não era a hora certa. ;)
Huahuhauhau vocês pensam que os personagens vão ficar bonzinhos do nada uahauhau! Oh, lembra do Itachi no começo da fanfic? Como ele tinha pouco senso de humanidade e tudo mais? Pois então, Pain está naquele patamar... Afinal, o que mudou o Itachi foi a convivência com o "mundo exterior", e o Pain não passou por isso. Heuheuheuehu!
A Konan é tudo que o Pain tem, é literalmente a vida dele. Ele quer a Konan dele! S2
Sasuke podia aprender mesmo auhauhauahuahua!
Obrigada pelos elogios! Fico feliz que tenha gostado do capítulo! Eu não sei qual tamanho terá, mas farei o possível pra atualizar antes. =) Eu também não entendi muito a alegação dessas pessoas, mas mais da metade fala isso pra mim, e eu fico numa cilada porque nunca consigo agradar a todos.
Eu também acho que é desculpa, porque ninguém tá obrigando ninguém a ler um capítulo inteiro num dia, e pode comentar no dia seguinte ne...
Eu ainda não sei sobre os novos projetos flor, o projeto que eu tinha em mente era continuação de Elysium, mas não deu ibope. Eu vou pensar mais a respeito, quando eu souber o que vou fazer eu aviso, ok?
Obrigada pela review! Fico feliz que tenha gostado da atualização!
Desculpa mandar em duas mensagens, foi pra ter certeza de que vc conseguiria ler!
Beijinhos!
S2
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Ale:
Oie!
Hahaha né!? Pain ficou desesperado, coitado. Também tenho muita peninha dele, é complicado.
Eu não vou desistir, fique tranquila. Eu demoro, mas eu não falho. Não vou desistir agora que está bem no finalzinho. o/
Eu só não quero um Pain porque ele é muito nervoso haha!
Beijinhos, obrigada pela review e elogio!
S2
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Carol:
Oie Carol!
Antes de mais nada, muito obrigada pelas reviews nas minhas fanfics ShiIta, no último capítulo de "Q.I. é diferente de Q.E" e por esse comentário aqui! Fica complicado pra mim responder os comentários deslogados nas fanfics que não terão mais atualização, mas então quero gastar um minutinho aqui para agradecer o seu comentário. o/
Sim, agora começa uma parte importante da fanfic, espero que tenha gostado desse "começo" da nova fase hahaha! *-*
Está apaixonada pelo Itachi? É mesmo? Sasuke tá fervendo de ciúmes aqui no cantinho, tô tendo que segurá-lo auhauhauhau!
Um beijão, muito obrigada pela review e por continuar ao meu lado durante tanto tempo.
S2
