Prelúdio Para o Amor

CAPITOLO SECONDO

Essas sacolas ecológicas foram uma das melhores invenções já feitas, pelo menos pra mim, carregar minhas compras nunca foi mais prático! Lembro-me de quando eu costumava usar sacolas plásticas porque não sabia das ecológicas... Era um horror, agradeço do fundo do meu coração a senhora da fila do mercado que me indicou essas sacolas. Só de pensar que já fazia um ano que elas haviam sido inventadas e eu continuava com as sacolas de plástico (nem das sacolas de papel eu sabia!), realmente, às vezes sinto que vivo em um mundo completamente paralelo a esse.

Ah, meu peso saiu do lugar! Estava próximo ao meu apartamento, então resolvi andar com o peso fora do lugar e arrumar no hall, não estava com muita vontade de agachar na rua, levantar minha calça e arrumar meu peso, que cena agradável e feminina! Passei meu cartão na entrada, corri até o hall, coloquei minha sacola em cima da mesinha e fui arrumar meu peso. A porta para o hall abriu e entrou alguém, dei uma olhadinha, não sabia quem era, devia ser a nova vizinha. Terminei de arrumar meu peso e a cumprimentei;

— Olá!

— Olá... — respondeu ela timidamente, silêncio, ninguém falou nada, mas ela parecia ter um grande interesse pela minha sacola. A observei por uns minutos era provavelmente mais baixa do que eu, cabelos escuros e cumpridos, magra e... Peituda, ah, eu queria ser peituda, mas isso não vem ao caso... Ela tinha uns olhos de cores curiosas, olhava da minha sacola para seus pés, mexia os dedos continuamente, ela parecia querer falar algo. Parecia uma pessoa um tantão tímida.

— Hmm... — bem, talvez eu devesse me apresentar, mas achei tão engraçado ela ali tentando falar alguma coisa, não pense que sou malvada, estou fazendo uma boa ação, às vezes é preciso tomar a iniciativa para superar certas dificuldades, como a timidez por exemplo.

— H-h-hm... Sabe, é que... Eu estava pensando em comprar uma dessas sacolas... E... Será que eu poderia ver a sua, sabe, queria saber se elas funcionam mesmo... — Ah, por isso que ela estava olhando tão intensamente a minha sacola.

— Pode sim! — disse entregando a sacola a ela, ela a pegou, segurou um pouco, colocou-a no ombro, pesou, deu um pulinho, sorriu e me devolveu.

— Elas parecem ser ótimas mesmo!

— E são sim, essa daí salvou minha vida, vou te contar, antes era uma e agora sou outra! — brinquei para quebrar um pouco o ar tenso. Ela riu, eu também.

— Ah! Sou Hyuuga Hinata, a nova moradora do quinto andar!

— Eu moro no primeiro andar, Xian Tenten, muito prazer!

— Xian?

— Sim, venho de uma família chinesa.

— Xian... Xian... Eu já ouvi esse nome antes, meu pai já o mencionou algumas vezes... — Hmm... Provavelmente deveria conhecer meu pai, também, parecia que todas as pessoas desse prédio eram mais ou menos do mesmo ciclo social.

— Somos conhecidos por nossas academias de Kung Fu aqui no Japão e em alguns outros lugares, costumo entrar em competições também, talvez seu pai conheça o meu.

— Sim! Isso mesmo, das academias de Kung Fu, minha irmã costuma freqüentar uma de suas academias.

— Oras, fico contente em saber.

Ficamos conversando por mais um tempo, ela parecia ser uma pessoa muito boa e gentil, o tipo de pessoa que eu mais adoro, acho que poderíamos ser grandes amigas. Já estava cansando de ficar cercada de homens suados e fedidos o tempo todo (já que passei as férias ajudando meus pais na academia, e bem, meninas não freqüentam muito nossas academias).

— Bem, tenho que ir andando, meu almoço não se cozinha sozinho! — disse olhando pro relógio, o Lee provavelmente viria mendigar almoço comigo, já que ia fazer Cury, então era melhor a cozinhar cedo.

— Ah sim, claro! — ela corou um pouco olhando pro relógio, imagino se ela pensou que era culpa dela por ter me segurado aqui até agora, que fofa.

— Se você não estiver ocupada, pode vir almoçar comigo hoje, vou estar fazendo Cury, meu amigo Lee também vai estar para o almoço, ele mora no 7B! — sim, seria ótimo apresentá-la para o Lee, e muito engraçado também.

— Se não for incomodo, eu adoraria!

— Sem problemas! — o elevador chegou, entramos as duas.


— Ah... Nem acredito que as aulas voltam amanhã — comentou uma garota de cabelos rosados aconchegando-se melhor sobre corpo de seu namorado.

— Hn...

— Ei, Gaara, sabe o que... Eles acabaram de abrir aquele restaurante no centro — disse ela, apoiando seus braços em seus ombros, beijando-o levemente — e eu queria muito jantar lá hoje... — sua mão descia e fazia pequenos círculos em seu peito nu, ele já sabia onde isso acabaria e mesmo que ele tivesse aquela pilha enorme de documentos em sua mesa, ele acabaria cedendo — então... Você bem que podia me levar hoje... Né? As mãos dela o deixavam louco.

Ele virou, agora estava no topo, ela riu, ele beijou seu pescoço, ah... Como ela adorava fazer isso...


— Ei, Shikamaru, eu bem que queria aprender a jogar GO! — comentou Ino, enquanto folheava seu livro de receitas — será que você podia me ensinar? 'vai, vai, diz que sim!'

— Hm... Que problemático... — disse ele coçando a cabeça e olhando para o tabuleiro.

'Ah não! Droga! Diz alguma coisa, rápido!'

— M-mas não precisa ser agora mesmo...

— Eu não devia ter colocando essa peça aqui... — ele mexeu outra peça. Então ele nem a estava escutando...

— Eu podia te ensinar! — que ótimo, porque o Naruto tinha que estar no apartamento do Shikamaru todo o santo dia que ela vinha?

— Ah, não precisa não, acabei de lembrar que eu tenho que... — rápido! Ela sabia que não ia conseguir nada hoje, melhor ir saindo agora — testar umas receitas de chá que eu estava pensando — e claro, ela não podia deixar assim senão ficaria muito óbvio que ela não queria mais perder tempo ali, Shikamaru estava demasiado concentrado e passar duas horas aprendendo GO com Naruto era tudo o que ela não precisava agora — se você quiser, já que você sempre gosta de experimentar, eu posso deixar na sua casa — perfeito! — eu posso trazer pra você também Shikamaru! — ela era uma gênia, agora ela tinha mais uma desculpa pra voltar aqui!

— Ah! Eu vou querer sim! — respondeu Naruto entusiasmado, ele poderia ver Ino mais uma vez.

— Hn, pode ser... — respondeu Shikamaru olhando para o relógio.

— Vou indo então! Até mais gente! — disse a loira e saiu.

Naruto voltou a jogar vídeo-game e Shikamaru recomeçou seu jogo. Ele tinha um projeto da faculdade pra fazer, mas o jogo estava tão interessante... RPG's eram com certeza os melhores jogos, ele estava na parte em que o herói ia salvar a menina na torre, bem próximo do último chefão. A menina principal lhe lembrava de Ino, ele sorriu, mesmo tendo acabado de encontrá-la, só de pensar nela o fazia feliz, ele não sabia por que, talvez fosse amor, ou só uma paixão, Naruto não entendia muito dessas coisas, mas quando ele a via sorrir seu coração pulava e ele tinha vontade de sorrir junto, quando ela ria, ele ria junto. Era uma coisa estranha, mas ele parecia gostar desse sentimento. Ele conheceu Ino ano passado quando tinha acabado de se mudar e conheceu Shikamaru, os dois ficaram amigos e em uma das vezes que Naruto viera jogar vídeo-game ou cartas com Shikamaru, ele conhecera Ino, foi pulação de coração a primeira vista. O que o deixava meio pra baixo era o fato de que ela parecia não dar muita atenção a ele e sempre ficava olhando Shikamaru jogar, ele suspeitava que ela fosse uma fanática por GO, mas nunca perguntou. Depois de conhecer Ino pela primeira vez ele ficou desesperado para saber de seus gostos, costumes e tudo, tanto que, ao saber que ela adorava criar novas receitas de chás com flores e que distribuía pra quem quisesse, ele correu pro supermercado e passou uma semana experimentando e decorando todos os sabores de chás existentes (ou só grande parte). É. Naruto era um tanto hiperativo e costumava levar as coisas um tanto ao extremo, mas digamos que seja parte de seu charme.


Ele queria comer um pão doce, ele queria muito comer um pão doce e tinha que ser agora. Então ele foi até a padaria, fato.

Deidara tinha acordado nesse domingo com um enorme desejo de comer pão doce, e ele nem sabia por que, não era comum, ele nem gostava tanto assim de pão doce, mas só sabe que acordou e que precisava de um. Ele teria ido mais cedo, pensou olhando agora para o relógio, já eram 14:27, mas a preguiça era tanta, só de pensar que amanhã voltavam as aulas faziam sua preguiça multiplicar-se por quatro, ou seja, ele só saiu da cama as 12:50.

Eis que ele estava a caminho da padaria, ficava a um quarteirão do prédio, o prédio era até que bem localizado, ficava perto de muitas coisas, mas ainda assim era um pouco afastado do centro. O dia estava fresco e fazia sol, um daqueles dias que deixa qualquer pessoa de bom humor, ou seja, Deidara estava infeliz. Ele queria pintar alguma coisa, mas o que ele queria pintar não era uma tela, nem um papel, nem uma caixa, nada assim, ele queria pintar algo grande, comprido, mas não uma tela, ele queria pintar uma porta.

Mas Deidara já havia pintado todas as portas de sua casa e também todas as suas paredes (ele pintou até a privada!), ele queria muito pintar uma porta, mas não sabia para quem pedir...

— Posso ajudá-lo? — perguntou o senhor do balcão.

— Un, eu queria um pão doce... Por favor... — respondeu ele meio descontento.

— Algum sabor em especial?

— Un, não... Alguma sugestão?

— Tenho sim, acho que o senhor vai gostar, acabou de sair do forno — comentou o atendente entusiasmado — é o nosso famoso pão doce de baunilha com lascas de chocolate!

Deidara pareceu se animar com a idéia do pão — Aham, pode ser esse mesmo.

Agora ele aguardava ansioso pelo seu pão, ele estava com desejo desde manhã cedo, mas os pensamentos da porta pareceram empurrar seu desejo pelo pão, mas agora eles estavam de volta e o pão era a única coisa na mente de Deidara.

— Aqui esta senhor, vou deixar a comanda aqui do lado, tudo bem?

— Tudo... — ele não começou a comer o pão, ele atacou o pão. Ah... Isso sim, pão doce, fazia tanto tempo que ele não comia... E nem era tão bom assim, mas só por seu desejo um tanto quanto estranho ter se realizado, o gosto do pão se triplicava. Enquanto comia o pão sua mente pareceu ficar um tanto mais clara, seus pensamentos voltando para a porta e...

Ele limpou as mãos no guardanapo, procurou o celular no bolso e discou;

Oi?

— Un, Naruto, sou eu!

Aaah! E ai Deidara! Como andam as coisas? Já faz o que? Duas semanas que você não aparece pra jogar com a gente?

— É, eu tenho andado meio ocupado, mas as coisas tão sossegadas, e você? Feito algum progresso? — Deidara era um dos poucos que Naruto contara sobre sua paixonite por Ino, não que o resto não soubesse pelo fato de ele ser extremamente óbvio, mas das pessoas que ele contou, Deidara era o segundo a saber.

SHHHH! Não fala essas coisas que alguém pode escutar! Alguém pode ter grampeado meu telefone e pode ta gravando a nossa conversa agora meu! — seu amigo podia ser, amm... Digamos, extremo? Talvez — maas, de qualquer jeito, ta tudo bem comigo e... E... A Ino disse que vai me mostrar mais uma receita nova de chá, ou seja, eu vou ver ela mais uma vez e quem sabe, dessa vez eu consigo chamar ela pra sair!

Quantas vezes ele já tinha escutado essa mesma frase? Foram tantas as vezes que ele nem se lembrava mais, e tudo sempre acabava do mesmo jeito, Ino levava o chá novo pro Naruto (ou ele ia na casa dela), ele tentava chamá-la para sair mas acabava se confundindo todo e ia embora sem dizer nada...

— Un, aham... De qualquer maneira, eu posso pintar sua porta? Sabe o que é, é que eu tou com essa inspiração aqui e eu preciso pintar a sua porta, eu faço uma coisa bem legal e tudo, posso?

Ah, pode sim, mas pode ser na sexta de manhã? Você só vai pra faculdade a tarde na sexta, não é? E sexta eu fico fora na parte da manhã e da tarde e você sabe como eu sou meio alérgico ao cheiro de tinta, daí eu ia ficar espirrando e ia ser miado, daí pode ser na sexta?

— Há! Sexta então, daí eu posso repensar em algumas coisas também! Então, té mais que eu vou terminar de comer meu pão aqui.

FILHO DA MÃE! Você foi na padaria e nem me chamou... É bom você me trazer um pão, da ultima vez que eu fui no Ichikaru eu te trousse um Ramen, viu? É BOM VOCÊ ME TRAZER UM PÃO! — e ele desligou.

— Com licença! — chamou Deidara, guardando o celular no bolso.

— Pois não?

— Me vê mais um desse pão, por favor?


— Peraí, Maki! — ela podia ser tão desesperada as vezes — pronto! Mas veja lá, essa comida — apontei para os dois potes de comida — é para o jantar também, já que não vou estar aqui, sei que está cedo, mas vou passar o resto do dia praticando, certo? Isso vale para você também Tora — informei o desavisado que entrava na cozinha agora.

Uff, às vezes podia ser cansativo cuidar de duas crianças, eu ri, mas depois a gente via aquelas carinhas deles e o quão companheiros eles podiam ser, que valia a pena todo o cansaço.

Sentei um pouco, liguei a TV, ah... Domingos sempre me dão preguiça, principalmente domingos um dia antes do primeiro dia de aula, ou conservatório, preferi fazer conservatório a fazer faculdade de música (tem os que fazem os dois, mas como não gosto muito de correria, optei só pelo primeiro mesmo), quero fazer novos amigos, ou pelo menos, espero fazer novos amigos, às vezes eu não queria ser tão tímida... Hmm... Acho que vou ensaiar um pouco, já estou me sentindo meio culpada, faz três dias que não subo na ponta...

Saindo do sofá, com um tanto de dificuldade, Hinata foi até a sala de práticas, colocou seu uniforme do balé e foi ensaiar. Sua escola de balé iria apresentar o Quebra-Nozes na semana do natal, e Hinata estava mais do que contente de ter conseguido os papéis da fada açucarada e da dançarina russa, na última ela dançaria em Pas de Deux e ela estava super ansiosa.

Hinata se posicionou ao lado da barra, preparou em quinta posição, apertou play e a música começou.

Já eram por volta das quatro quando ela parou de ensaiar, foram quatro horas intensas de ensaio, mas ela já estava quase lá, havia algumas partes para melhorar... Ela precisava de mais confiança também, mas isso ela conseguia resolver com um pouco de tempo e ajuda de suas colegas do balé. Ela foi tomar banho, não gostava muito de ficar toda suada, afinal, quem é que gosta?

Era uma tarde tranqüila, pelo menos para ela, considerando o dia de amanhã, normalmente ela ficava freneticamente maluca antes do primeiro dia de aula, o que ela estranhou um pouco, ela se perguntou se seu pai havia colocado algum calmante no bolo que ele mandou hoje de manhã, ela riu. Óbvio que não. Ela estava lendo quando a campainha tocou, quem podia ser? Ela olhou o relógio, eram quatro e meia, ainda era cedo para Tenten vir chamá-la para o jantar, a não ser que ela precisasse de ajuda. Melhor atender.

Não era Tenten.

— Gaara-san, o que posso fazer por você? — perguntou curiosa para seu vizinho.

— Hm... Será que você podia me emprestar um pouco de chocolate em pó? — chocolate em pó? Ele não podia ir comprar no mercado ali do lado? Bem, Hinata sendo o ser amável que é não perguntou nada e considerou dar chocolate em pó a seu vizinho, mas o estado em que ele estava a impedia de mover-se. Gaara estava coberto de chocolate e o que parecia ser leite condensado, suas mãos eram chocolate em pó puro.

— A-ah... Você precisa de ajuda em alguma c-coisa? E-eu não sou m-muito boa mas s-sei cozinhar u-um pouco... — indagou, olhando para sua camiseta toda suja, ele pareceu entender aonde ela olhava.

— Hn... Pode ser... Eu tava testando uma receita que me passaram de brigadeiro de microondas, mas não estou conseguindo acertar — ele comentou parecendo um pouco frustrado. É claro que não daria certo, Hinata sabia que brigadeiro nunca funcionaria se fosse feito em microondas, mas, estamos falando da Hinata, sua bondade não permite que ela diga essas coisas, as pessoas podem pensar que ela esteja tirando sarro delas.

— Então e-espere um pouquinho q-que eu já volto — ela foi até a cozinha, pegou chocolate em pó, seu avental e uma lata de leite condensado, assumindo que provavelmente ele tinha esquecido também.

Hinata quase chorou de pena pelo microondas destruído de Gaara, havia chocolate por todos os lados, a portinha do microondas estava aberta e coberta de leite condensado, a luz estava acesa, o que sinalizava que não estava quebrado, mas o estado em que ele estava era lamentável. Ela sugeriu que eles primeiro limpassem a cozinha, já que tinha sujeira no chão também.

— Acho m-melhor fazer no fogão, daí e-eu faço a primeira vez e você olha, t-tudo bem?

— Uhun...

Hinata ligou o fogão, colocou os ingredientes e começou a mexer com uma espátula. No começo ninguém falava nada, mas como é bem simples fazer brigadeiro, depois de um tempo não tinha mais o que olhar então Hinata resolveu arriscar uma conversa.

— Algum m-motivo especial para f-fazer o brigadeiro? — não a culpem, ela é meio ruim na parte de social.

— Não, eu só quis... — respondeu ele, ele reparou que ela estava parecendo um pouco nervosa, provavelmente ela pensava que devia dizer alguma coisa, ele quase, disse quase, sorriu, ele não morreria por continuar a conversa — comi outro dia em uma confeitaria, achei muito bom e resolvi perguntar se alguém sabia fazer, o Kiba me contou dessa receita de microondas, e fui tentar, mas aparentemente perguntei para a pessoa errada.

Ela riu. A conversa foi fluindo o que a deixou mais feliz, era sempre bom conhecer mais sobre as pessoas que vivem ao seu redor. Hinata descobriu que Gaara cursava economia mas que já era presidente das empresas Sabaku, por causa do falecimento de seu pai, uma empresa muito famosa de publicidade. Ele parecia não ser uma pessoa fácil de conversar, mas depois que você conseguia fazê-lo falar, ele era até que uma ótima companhia, além de muito bonito, tipo, não, Hinata repreendeu-se, os vários retratos de Gaara com uma linda moça de cabelos rosados espalhados pela entrada não lhe passaram despercebido, ele tinha uma namorada, óbvio. Quando Hinata olhou no relógio eles já haviam acabado com o pote de brigadeiro e já eram sete e quarenta. Melhor ir andando...

— Bem, Gaara-san, tenho que ir, pois tenho um compromisso hoje à noite — disse ela sorrindo.

— Hn... Muito obrigado pela ajuda com o brigadeiro...

— De nada! — ele abriu a porta, eles se despediram, ela já estava na metade do corredor;

— Hn, Hinata! — chamou ele.

— Sim? — ela se virou.

— Só Gaara não tem problema — disse, e fechou a porta.

Ela sorriu, o rosado em suas bochechas não passando despercebido


Chiyo estava de bom humor hoje. Chiyo sempre parecia estar de bom humor para os que a vissem, mas isso nem sempre era verdade. Chiyo nunca estava triste, isso é um fato, suas emoções variavam entre; contente, entediada, cansada e brava (a última só ocorria em casos extremamente raros). Por que ela estava de bom humor? Bem, se você a fizesse essa pergunta, especialmente hoje, ela responderia "Oras, a vida é só uma e a minha já está em seus últimos anos, nunca se sabe quando nós vamos descansar então melhor aproveitar e dar uns sorrisos colgate agora".

Ninguém sabia ao certo a idade de Chiyo, nem muito sobre ela. Sabiam que ela devia ter por volta de seus cinqüenta e oito para sessenta e quatro, ninguém nunca teve coragem de perguntar, e convenhamos, não é uma pergunta que se faça. Sabiam também que ela era a única faxineira do prédio e que fazia limpeza em todos os apartamentos, sabiam que ela morava na casinha no jardim dos fundos do prédio e que você quase sempre a podia encontrar no elevador. O que eles não sabiam era que Chiyo não tinha nada melhor para fazer então usava e abusava de seu tempo livre pra saber da vida dos moradores do prédio, ou seja, Chiyo era uma intrometida que sabia de tudo sobre todos que viviam no prédio. E, felizmente ou infelizmente para alguns, ela fofocava tudo o que sabia com Sakura, moradora do 4B. Mas faremos uma pausa e continuaremos futuramente falando sobre a vida de Chiyo. Agora, ela tinha coisas melhores para fazer, como limpar o 1B, em outras palavras, fazer uma faxina no apartamento de Kankuro.

Ela tocou a campainha, esperou, esperou, mas que coisa, essas pessoas sem educação que deixam os outros plantados na porta. Onde estava o respeito pelo próximo? Ela já ia começar a reclamar quando alguém abriu a porta. Pronta para dizer umas poucas e boas para o menino folgado;

— Oh... — não era o folgado que tinha aberto a porta, mas sim uma mulher. Chiyo a olhou com cuidado, de longos cabelos loiros e olhos castanhos, bem mais alta que Chiyo (que tinha seus 154cm), mas o que chamou sua atenção não foi o sex appeal da mulher não, foi o fato dela estar vestida somente com uma camisa preta com os botões de cima abertos expondo grande parte de seus seios. Ela nem quis pensar se ela vestia algo por baixo disso, mas já foi guardando as informações para fofocar depois.

— Posso ajudá-la? — indagou a mulher em um tom monótono.

— Sim, estou aqui para limpar o apartamento.

— Ah, um segundo — a mulher virou-se — ei! Kuro! Tem uma moça aqui falando que veio limpar o apartamento. Ela esperou.

— Un, pode deixar ela entrar — respondeu uma voz.

— Tudo bem então, pode entrar, mas não precisa limpar o quarto que a gente ta usando agora — e com isso a mulher voltou para o quarto e fechou a porta.

Chiyo entrou no apartamento, ai se esse menino não ia escutar dela depois, por que diabos ele tinha que sempre deixar o apartamento dele parecendo um chiqueiro? Como alguém podia viver aqui, ah, mas ele ia levar um puxão de orelha. Ela começou a limpar, se perguntando qual seria a relação dele com essa mulher.

Sua namorada? Não, não, ele não tinha uma dessas, ela se lembrava de sempre ver uma menina diferente a cada semana, talvez fosse só mais uma dessas também...

— Que barulho é esse? — cochichou ela; Huhuhuhu, ela sorriu e caminhou lentamente para a porta do quarto, já estava quase acabando mesmo a faxina, contou até três e olhou pela fechadura da porta.

...

Boquiaberta ela se levantou, terminou a faxina voando, fechou a porta e foi até o elevador, olhou seu relógio, já eram quase oito horas.

Chamou o elevador, as portas fecharam, não apertou nenhum botão, deixou o elevador subir, parou no oitavo andar.

— Chiyo!

— Sakura-san! — perfeito, a pessoa de quem ela precisava agora. A menina entrou no elevador e apertou o térreo.

— Visitando Sasuke-san de novo?

— Aham, e ele parece que fica mais rabugento a cada dia que passa, não solta aquele caderno e a caneta...

— Ser músico deve ser uma vida difícil não?

— Ser músico deve ser o ó, o povo sem vida social, mas então, alguma novidade?

— Você não sabe!

— O que?

O elevador parou no primeiro andar.

— Boa tarde, Chiyo-san, Sakura-san.

— Ah, oi Tenten.

— Boa tarde Tenten-san!

— Mas então! Eu estava indo limpar o apartamento do Kankuro-san quando uma mulher seminua atendeu a porta, eu entrei e comecei a limpar—

O elevador parou no térreo. Ninguém saiu. As portas fecharam.

— Hm?

— Então, ouvi uns barulhos estranhos, peraí, que andar estamos indo?

— Pro quinto — respondeu Tenten.

— Ah, continuando, fui olhar pela fechadura, alguém podia ter engasgado ou coisa assim, nunca se sabe. Mas você não acredita!

— O que?

— Ele estava na cama com aquela mulher, mas não só ela. Tinham MAIS TRÊS com eles! — exclamou ela horrorizada.

— Não!

— Sim!

— Ai meu Deus!

— Eu sei!

As portas abriram, Tenten desceu, as duas mulheres continuaram no elevador fofocando. Enquanto ia até a porta de Hinata, a único pensamento em sua cabeça era;

'Que cafajeste! Imagina, que horror, com quatro mulheres ao mesmo tempo! O maior playboy, deve se achar o gostosão! Odeio pessoas assim!'


Nota; moradores e andares.

8A: Uchiha Sasuke

8B: Vago.

7A: Nara Shikamaru

7B: Rock Lee

6A: Uzumaki Naruto

6B: Deidara

5A: Hyuuga Hinata

5B: Sabaku no Gaara

4A: Sasori

4B: Haruno Sakura

3A: Inuzuka Kiba

3B: Aburame Shino

2A: Akimichi Chouji

2B: Yamanaka Ino

1A: Xian Tenten

1B: Sabaku no Kankuro