Comentário; Bem, queria primeiramente dizer obrigada às pessoas que me mandaram reviews e às pessoas que se deram ao trabalho de ler minha fic :)

Prelúdio Para o Amor

CAPITOLO TERZO

Quando seu despertador tocou, já eram 9:30am. Ele abriu os olhos, sua cabeça um pouco zonza enquanto se acostumava com a escuridão do quarto. Resolveu sentar, olhou seu redor, ficou alguns minutos sentado, pensando em nada. Procurou sua janela, o sol penetrando as pequenas frestas de suas fortes venezianas marrons. Ia fazer calor, ou só bastante sol. Olhou novamente o relógio, resolveu levantar, colocou os óculos escuros, hábito do qual não podia largar. Foi até a cozinha, preparou seu café e pegou uma barrinha, enquanto esperava o café, resolveu dar uma checada em seus... Hm... Companheiros?

Abriu a porta do quartinho, não era muito grande, mas tampouco apertado, uma sala quadrada com luzes negras e vários tipos diferentes de aquários, mas não eram peixes que viviam ali. Foi até sua criação de besouros, já estava na hora de terem começado a acasalar-se, ficou feliz em ver que suas expectativas estavam corretas. Verificou se todos tinham comida, escutou o apito do café e voltou para a cozinha. Tomou seu café e foi se trocar.

Eram 11:00am quando estava pronto, lendo o jornal e fazendo hora na sala. Era isso que dava fazer faculdade à noite, pensou. Passava o dia todo sem fazer nada (pelo menos enquanto não tinha um estágio). A campainha tocou. Ele sentiu um frio na barriga, tinha um mau pressentimento, não era uma pessoa muito supersticiosa então resolveu empurrar o pensamento para fora de sua cabeça, como se algo fosse acontecer.

Abriu a porta.

Teve vontade imediata de fechá-la no mesmo momento e nunca mais abri-la, mas claro, isso nunca aconteceria, a vassoura prendia a porta e num piscar de olhos a porta estava escancarada e o carrinho já estava metade para dentro do apartamento.

— Bom dia Shino-san! — ela disse. Aquele sorriso manipulador, o brilho travesso nos olhos, aquele jeito de vovó que traz doces para os netos e aquela voz docemente adocicada. Ele podia sentir suas mãos tremerem, ele não merecia isso, COMO ELE PODIA ESQUECER QUE HOJE ERA SEGUNDA?

— B-bom dia... Chiyo-san... — respondeu miseravelmente.

— Hoje é segunda Shino-san, sabe o que isso significa? — claro que ele sabia o que significava, por isso mesmo que tinha vontade de enfiar a cabeça no chão e nunca mais tirá-la do buraco.

— O segundo dia da semana?

— Não, tolinho! — sentiu um arrepio, tolinho... — dia de limpeza!

Ele deu uma risada nervosa enquanto ela ria sozinha.

Inventou que tinha que escovar os dentes, faria hora em seu quarto. Ele sabia que ela não o deixaria ir tão facilmente, tanto que meia hora depois ele ouviu uma exclamação, na verdade mais como um gritinho escandaloso... Suspirou, levantou e foi até o quartinho.

— Shino-san! Não acredito que o senhor ainda guarda essas coisas aqui, sabe, daqui a pouco pode acontecer uma peste aqui! Imagina se espalhar para todos os moradores? Sabe, conheço esse dedetizador muito bom, grande amigo meu, sempre conversamos nos fins de semana, homem honesto e de família, trabalha bem e tem um preço muito justo, se o senhor quiser, posso te passar o telefone dele, porque nem soltar essa bicharada toda pode mais né, são tantos!

Não sabia nem mais o que responder, já dera tantas respostas e ela sempre parecia dizer a mesma coisa.

— Hm... Muito obrigado Chiyo-san, mas não se preocupe... Eles não vão fugir...

— Hm... Você que sabe querido, mas não diga que não te avisei viu? Com esse monte de bicho aqui, ai DEUS, tem até barata! — ela fez uma expressão horrorizada — você não vai arranjar uma namorada tão cedo, viu?

— Pode deixar que levarei seu conselho em conta Chiyo-san...

Ela tirou o esfregão e começou a limpar a sala, para evitar qualquer tipo de acidente, Shino resolveu ficar por perto, só por precaução. Chiyo continuava falando, Shino se perguntou se tinha feito algo de errado para merecer isso, pra que ele queria saber se o cara do sexto andar gostava da moradora do segundo que gostava do cara do sétimo? Por que diabos ele gostaria de saber se o cara do primeiro andar dava orgias em plena tarde de domingo?

Pressionou seus dedos sobre seus templos, ele podia sentir a dor de cabeça chegando.


Dizer que ela estava nervosa seria puro eufemismo, Hinata estava elétrica, tensa, nervosa, ansiosa e extremamente corada.

Suas mãos soavam, seu coração batia acelerado, com dificuldade ela controlava sua respiração, seus dedos dos pés se cutucavam. Ela estava a um quarteirão do conservatório. Não queria nem imaginar como ficaria quando chegasse aos portões do mesmo.

Parou, respirou, estava sendo extremamente boba, ficar nervosa assim não a ajudaria em nada e só pioraria as coisas, lembrou-se de seus primeiros dias de aula durante a escola, é, isso não a ajudaria em nada mesmo. Olhou para si mesma, não queria chamar atenção em seu primeiro dia, estava com um vestidinho branco de algodão, básico com alguns pequenos adornos, não muito curto, acabava antes de seus joelhos, fazia um pouco de vento essa manhã, então vestiu um casaco de crochê branco por cima, tinha o mesmo comprimento que o vestido, mas de mangas compridas, usava suas sandálias de cano baixo gladiador, que estava na moda agora, não queria parecer muito alienada então resolveu usá-las. Levava sua bolsa de coro claro combinando com as sandálias. Estava bem, não chamava muito a atenção, pensou, sim, tudo iria dar certo!

Um pouco mais confiante, levantou sua cabeça e continuou seu caminho para o conservatório.

Já podia ver vários estudantes entrando e conversando no campus, isso a motivou e a assustou ao mesmo tempo, será que ela faria amigas também? Sempre fora tão problemático... Ah se ela pudesse jogar sua timidez na lixeira!

Como era seu primeiro dia, Hinata fez a coisa mais sensata a se fazer, foi até a recepção atrás de seu horário e sua classe. A recepção estava bastante cheia, havia uma fila em frente à mesa das secretárias, assumiu que seria a fila que ela deveria entrar.

— Ei!

Ficou imaginando se levaria muito tempo, essa fila.

— Oi?

Olhou o relógio, bem, ela ainda tinha tempo.

— Olá? — alguém cutucou seu ombro, ela deu um pulinho de susto.

— O-oi...?

— Hm! Finalmente, achei que você não tava me escutando — disse a menina rindo, ela estava atrás de Hinata, na fila — aluna nova?

— S-sim... E você?

— Também! Não conheço ninguém aqui, acredita? Achei que ia encontrar mais pessoas sozinhas, mas parece que todo mundo veio pra cá com os amigos — ela apontou para as pessoas da fila, que pareciam conversar entre si, agora que ela havia reparado — mas e ai, vi você sozinha e resolvi aproveitar a oportunidade! — ela riu — Yoshimura Tamaki! — ela estendeu a mão, Hinata sorriu. Tamaki era uma menina bastante charmosa, tinha cabelos castanhos curtos, repicados e olhos verdes que pareciam estar sorrindo o tempo todo. Usava um short jeans e uma camiseta verde, Hinata achou adorável o fato de ela usar, presos em seu short, suspensórios amarelos, usava um par de Converse azul claro. Hinata se encantou com a menina na mesma hora.

— Sou Hyuuga H-Hinata!

Ela sentiu alguns pares de olhos em sua direção, olhou para seus pés, com vergonha.

— CARACA! Que sortuda eu! Super demais te conhecer, sabia que tinha achado você familiar, sempre escuto seus concertos! Sou uma grande admiradora!

— H-h-hm, obrigada!

— Que bonitinha, você fica toda vermelha! — ela riu.

— E-então, Yoshimura-san, qual instrumento você toca?

— Sou, orgulhosamente, uma praticante de Clarinete! E nada de Yoshimura-san não, pareço uma velinha assim, pode me chamar de Tamaki!

— Que demais! Gosto muito d-de Clarinete, Tamaki-san...

— PRÓXIMO!

Era a vez de Hinata, pegou seu papel, tirou umas dúvidas e saiu da fila, resolveu esperar por Tamaki. A mesma saiu minutos depois.

— Hm, agora vou para o segundo andar, B-2, ótimo, tenho aula de teoria, e você?

— Vou para o segundo andar também... Mas para a sala B-3 é teoria também.

— Então a gente pode ir juntas!

— S-sim!

As duas saíram da recepção, seguindo as placas, encontraram as escadas, estudantes que desciam e subiam, entraram na correnteza. Não demorou muito e chegaram ao segundo andar, ouviram alguém comentar sobre a existência de um elevador, mas que era preciso um cartão especial para o uso dele.

— Ei, Hinata-chan, vamos almoçar juntas? Conheço um restaurante aqui perto que é bem gostosinho!

— Claro!

— Então a gente se encontra na hora do almoço, já sei; me passa seu celular?

Trocaram de celulares, se despediram e cada uma foi para sua sala.

A classe não estava tão cheia, ainda era cedo, as pessoas conversavam entre si, Hinata escolheu um lugar ao lado da janela, ficava no meio da classe, seguiu o conselho de Hanabi de não sentar muito na frente nem muito atrás. Sentou e deixou sua bolsa pendurada no gancho. Apoiou sua cabeça em sua mão, observava as pessoas na classe.

— Hinata?

Surpresa virou-se, seus olhos se arregalaram e sorriu, reconheceria essa pessoa em qualquer lugar.

— Sasuke-kun, não sabia que você estudava aqui.

— Hm, não estudava mesmo, me transferi esse ano — disse sentando-se ao lado da menina.

— P-porque sair de Tóquio?

— Hn, aquela cidade me dava nos nervos, resolvi mudar um pouco...

— Tóquio pode ser agitada de vez em quando, como estão seus pais, faz tempo que não os vejo, Itachi-niichan se mudou pra cá também?

— Eles estão bem, obrigado, sempre comentam de vez em quando que sentem saudades de vocês, não, Itachi continua em Tóquio, mas de vez em quando vem pra cá, é amigo de umas pessoas que moram no prédio, falando nisso, acho que moro no mesmo prédio que você.

— A-ah! — disse, perguntou o endereço e confirmou — então moramos no mesmo prédio! Deve ser por isso q-que meu pai escolheu esse então, seus pais devem ter comentado algo...

— Provavelmente, como estão todos? Neji sente muito minha falta? — ele sorriu maliciosamente, Hinata riu.

Nunca que Neji sentiria falta de Sasuke, durante a infância deles, Sasuke dedicara grande parte dela infernizando Neji.

— Vamos todos bem, Hanabi vive dizendo que você deveria aparecer mais vezes por lá — ele pareceu sorrir com a informação, Hanabi era uma grande cúmplice de Sasuke quando se tratava de infernizar Neji.

O professor entrou, eles pararam de conversar, a aula começou.

A verdade era que a família Hyuuga e a família Uchiha eram muito unidas, e antes dos Hyuuga se mudarem para Sapporo, há dez anos, eles viviam em Tóquio e eram vizinhos dos Uchiha, o que fez com que as crianças convivessem bastante.

Hinata lembrava mais ou menos da primeira vez que conhecera Sasuke, ficaram amigos na mesma hora, Sasuke e Itachi-niichan eram seus protetores e irmãos mais velhos, como Neji, Sasuke e Hanabi eram parceiros de crime e Itachi e Neji eram as vítimas constantes. Ela sorriu, nunca imaginaria que encontraria Sasuke-kun e que eles viveriam no mesmo prédio!


— Eu vou querer um Lamen especial de porco tamanho extra-grande e o especial de carne com tudo o que você tiver ai! — disse entregando o cardápio — ah, e uma Coca-Cola, por favor, quê que você quer Lee?

— Vou querer um Cury extra-grande apimentado e uma Sprite, por favor!

A garçonete anotou os pedidos e saiu.

— E ai Lee, como foi o treino?

— Foi bem, foi bem! Gai-sensei disse que agora temos que treinar bastante para o torneio do fim do ano! E como anda a faculdade?

— É bom você me dar um convite pra o torneio, e tem que ser grátis viu, porque eu não vou pagar não! Ah! Vai tudo bem, só que o povo lá é meio sério demais sabe, daí é meio chato, meu professor é um cara engraçado, acho que era Iruka-sensei o nome, fica nervoso rapidinho, é hilário! Ele pediu pra gente fazer uma planta de um apartamento lá pra terça, mó saco, mal começaram as aulas e já tem lição, achei que ia me livrar delas quando saísse do colégio... — comentou coçando a cabeça.

— Não diga isso Naruto-kun! Você está parecendo um velho sem disposição! E disposição é uma das coisas mais importantes na juventude, segundo o Gai-sensei!

— Hn, esse seu professor ai é meio estranho, sabe... De qualquer maneira, sabe do que a gente precisa?

— O que?

— A gente precisa dar uma festa!

— Ótima idéia Naruto-kun! Mas uma festa do que?

— Err... Uma festa de... — ele olhou para os lados, pensando, uma festa do que? Qual seria um bom motivo para dar uma festa? Olhou o lado de fora do restaurante... Leu um cartaz que dizia "reservado para confraternização das empresas(...)", sorriu, já sabia do que.

— Uma festa de confraternização do povo do nosso prédio!

— Sim! Sim! Ótima idéia! Admiro sua inteligência Naruto-kun!

— Sô um gênio, né?


— Shikamaru, não é melhor você voltar para seu apartamento?

— Não, problemático demais, é incrível, não dá pra ter sossego lá, aqui pelo menos ninguém sabe onde eu estou — comentou enquanto recolhia as peças de seu tabuleiro, ele se deu ao trabalho de trazer o tabuleiro, e recomeçava o jogo.

— Naruto? Ino?

— Os dois — suspirou — loiros, são um problema quando querem...

Chouji riu; seu amigo não tinha jeito mesmo.

— Que cheiro é esse?

— Estou fazendo Risotto de tomate, minha professora me passou a receita hoje, resolvi tentar.

— Hm...

— Vai ficar pro jantar?

— Aham...


Hoje não era seu dia, definitivamente não era. Primeiro ela foi acordada por um bando de corvos malditos berrando em sua janela, depois o seu pão queimou, ela teve que tomar um banho voando porque acordou atrasada, e como tinha esquecido de separar uma roupa no dia anterior, não pode pensar muito e teve que colocar uma roupa qualquer. E ainda teve a faculdade, ela quase foi atropelada enquanto atravessava a rua e como chegou atrasada teve que sentar na fileira da frente, com os nerds.

Ino estava fumegando quando chegou em casa. A única notícia boa é que ela poderia passar o resto da tarde na casa de Shikamaru dizendo que seu fogão estava com problema e que por isso ela teria que usar o dele. A desculpa já estava formada, ela já havia saído de casa, o problema? ONDE ESTAVA O IMBECIL DO SHIKAMARU?

Ela já estava tocando a maldita campainha há uns dez minutos e o filho da mãe não aparecia! AI dele quando ela o encontrar!

Bem quando o chato do Naruto parecia estar fora, e seria sua chance de ficar sozinha com Shikamaru, o idiota tinha que desaparecer? Alguém lá em cima estava contra ela!


Hinata estranhou quando chegou em casa e Maki não apareceu para pedir comida ou derrubá-la no chão. Nem o pequeno Tora havia feito questão de dar-lhe as boas vindas.

Resolveu procurar os dois e ver se havia algo de errado, fechou a porta e guardou as chaves em sua bolsa, largou a bolsa em cima da mesinha e acendeu as luzes, procurou pela cozinha, nada, procurou na sala, nada, procurou no seu quarto, nada, suspirou, foi procurar na sua sala de práticas.

— MAKI! — gritou. Maki estava deitada no chão, parecia estar sofrendo, Tora estava ao seu lado, lambia seu rosto, como quem tenta ajudar.

Hinata correu para sua cadela, pegou Maki no colo, ela estava fervendo, começou a entrar em desespero.

O que fazer?

Veterinário!

Sim, Hinata precisava ir a um veterinário, onde havia um veterinário? Carregou Maki até a sala e colocou-a no sofá, Tora logo atrás.

Pegou o telefone, discou o número de informações e perguntou sobre algum veterinário em sua região. Anotou o endereço, era há três quarteirões de seu prédio. Pegou Maki novamente, disse que Tora deveria ficar em casa, pegou a bolsa, trancou a porta e saiu.

Carregando Maki, andou o mais rápido que pode, já que parecia não ter taxis por aqui. Avistou o veterinário, nem pensou duas vezes e entrou.

Parecia ser um lugar movimentado, foi até a recepção.

— Posso ajudá-la?

— Minha cadela, eu a encontrei em casa e não sei o que fazer, ela parece estar inconsciente! — estava tão nervosa que nem reparou que disse tudo isso sem gaguejar.

— Aguarde um momento, vou avisar os doutores — a recepcionista estava saindo do balcão quando um cachorro começou a latir.

— Akamaru, peraí, cara, que desespero é esse? — comentou alguém que vinha da direção das salas de atendimento.

— Kiba!

— Hinata, fazendo o que por aqui? — perguntou sorrindo, mas ficou sério novamente quando reparou que Akamaru se apoiava no balcão onde estava Maki — O que aconteceu?

— Segundo a dona da cadela, ela a encontrou inconsciente e — a recepcionista colocou a mão sobre a cabeça de Maki — parece estar com febre.

— Ayako, por favor, da um copo de água pra Hinata e depois leva ela pra minha sala, eu mesmo vou cuidar da Maki — disse pegando a cadela e voltando pelo corredor por onde aparecera.

Hinata acompanhou Ayako e tomou um copo de água.

— Kiba-kun é realmente um menino competente — comentou a recepcionista, era uma mulher baixinha e um pouco gordinha, parecia ter por volta de seus trinta anos.

Um pouco mais calma, Hinata se tocou agora que ele provavelmente trabalhava aqui.

— A-Achava que ele era da minha i-idade...

— Na verdade deve ser a mesma coisa, Kiba-kun tem dezoito, fez no começo do ano — ela olhou a expressão confusa de Hinata — ah! Não, essa clínica não é dele, seus pais são donos desse lugar, ele ajuda de vez em quando aqui, mas já é tão competente quanto os pais!

— A-ah...

— Bem, aqui estamos, boa sorte com sua cadela!

Hinata abriu a porta, a sala tinha as paredes brancas (como o resto da clínica), era de tamanho mediano, tinha uma escrivaninha com um computador e milhares de papel espalhados, um balcão com todos os instrumentos e remédios e no centro uma maca, onde se encontrava Maki, Akamaru apoiava as duas patas na maca, ficando de pé enquanto Kiba cuidava de Maki.

— Ela vai ficar bem — disse, olhando Hinata enquanto ela caminhava até a maca — teve uma infecção intestinal, provavelmente comeu algum inseto ou coisa parecida, vou dar a injeção nela, mas ela vai ficar bem, não se preocupe — sorriu.

Sabe àquela hora em que você respira profundamente, como se você não respirasse há muito tempo? Bem, Hinata respirou assim. Aliviada.

— Muito obrigada Kiba.

— Nah, nem esquenta! — tirou a injeção de Maki, foi até a bancada, jogou a injeção no lixinho, tirou as luvas e começou a escrever em um papel.

Aliviada e mais calma, Hinata observava seu vizinho do prédio, ele ficava realmente bem nesse jaleco branco, e seu estilo meio desleixado de bermudas xadrez, camiseta branca básica e havaiana nos pés só o deixavam mais irresistível de não olhar, corou sentindo-se meio descarada por ficar olhando o menino, mas afinal de contas, ela era uma menina, não era? As meninas da sua idade faziam isso, mesmo assim ela não podia evitar de se sentir envergonhada...

— Aqui é a receita médica da Maki, são dois remédios, um pra conseguir eliminar o que ela comeu e causou a infecção e o outro é pra baixar a febre.

— Obrigada mesmo Kiba — pegou o papel.

Ele riu — nem esquenta, o Akamaru aqui parecia um louco desesperado — comentou, fazendo-a rir, ela pegou Maki, ele abriu a porta e saíram para a recepção.

— Quanto eu t-te devo?

— Ih, nem vem com essa, essa vai ser por conta da casa, só de você ter aparecido por aqui já pagou por tudo — disse piscando, fazendo Hinata de semáforo.

— M-mas, e-eu tenho que te pagar! E-eu insisto!

Eles já estavam na recepção quando ele falou;

— Então faz o seguinte, todos os sábados eu vou com o Akamaru no parque passar a manhã por lá, é só você aparecer e me acompanhar em uma dessas manhãs e pronto, ta bom?

— M-mas...

— Chega de "mas" — carinhosamente empurrando ela para a entrada, chamou um taxi, abriu a porta — olha que eu vou ficar triste se você não aparecer! E leva a Maki senão o Akamaru fica triste também!


A cena que Sakura assistia não era nem um pouco incomum.

Gaara procurava, como um louco, em seu escritório extremamente bagunçado e cheio de papéis espalhados para todos os lados, alguma coisa, provavelmente um único papelzinho, ela tinha certeza.

O que a incomodava não era o fato de seu escritório, que ela passara horas arrumando pra ele, estar todo bagunçado, era o fato de ele nem ter se dado ao trabalho de dar "oi". Ela se perguntou se ele ao menos havia reparado que ela estava ali. Pelo visto, não.

— Kankuro, eu vou te matar!

Era a única coisa que parecia sair de sua boca.

— Eu vou arrancar unha por unha, quebrar osso por osso e depois dar pro Akamaru comer de jantar... Ah, vou arrancar sua cabeça fora! — ele resmungava baixinho, mas alto o bastante para ela escutar.

Depois de alguns minutos ele sentou no chão, em meio a um mar de papéis e livros, respirou e disse oi.

— Oi pra você também — respondeu ela.

— Kankuro devia ter deixado o papel em cima da minha mesa, eu disse para ele deixar em cima da minha mesa, é incrível, ele parece que é surdo, agora não acho esse maldito papel — xingou Kankuro mais um pouco e parou de falar.

Sakura pensou um pouco, hora do silencio era sempre boa pra pensar, ela sorriu travessamente, tinha vindo aqui porque não tinha nada melhor pra fazer e a faculdade havia sido um tédio, Ino estava estressada e era um saco escutar a amiga quando ela estava daquele jeito, falando em Kankuro sua mente trabalhou rápido, quase tinha se esquecido de ontem, havia melhor hora do que agora para contar sobre as aventuras orgiásticas, como se essa palavra existisse, de Kankuro para seu irmão do que agora?

— Sabe, ontem um passarinho me contou que seu irmão — ganhando a atenção de seu namorado — esteve dando orgias em plena tarde de domingo, e pelo que parece, não é a primeira que ele dá.

Gaara a olhou, ele parecia estar considerando alguma coisa, ela sorriu, ele reparou em seu sorriso, sua raiva pelo irmão tomando conta dele, sorrindo ele respondeu;

— Achei que tivesse te contado... Você não sabia que o Kankuro tem aquela doença que ele não consegue controlar os hormônios muito bem e por isso é viciado em sexo?

— Não! — ela disse chocada, isso valia ouro!

— É, ele até freqüenta aqueles encontros anônimos... E aqueles "bordéis" no centro.

— Que nem aqueles de pessoas viciadas em bebidas alcoólicas, drogas e tudo?

— É...

— Só que eles são viciados em...

— Sexo.

Amanhã era terça, né? Ótimo, era o dia que a Chiyo fazia limpeza em seu apartamento.


Comentário; Gente, eu morri de rir quando decidi com a minha amiga que o Kankuro ia ser viciado em sexo... Ah, para os curiosos e confusos; Hinata não faz faculdade (pelo fato de já ser considerada uma profissional), mas queria ter uma vida mais normal e optou só por fazer o conservatório, Sasuke faz conservatório de manhã e faculdade de música pela tarde até a noite (ele é compositor e faz regência), Naruto faz faculdade de arquitetura, Chouji faz gastronomia (e ajuda no restaurante dos pais), Deidara faz de artes, Ino faz nutricionismo, Sakura faz medicina, Kiba faz medicina veterinária, Shikamaru é profissional de GO (sobrevive do dinheiro que ganha em torneios e o dinheiro que seus pais mandam), Lee e Tenten são lutadores profissionais (Tenten faz Kung Fu e Lee faz Karatê), Gaara já é presidente das empresas Sabaku, mas faz economia, Kankuro cursa administração e é vice-presidente das empresas Sabaku, Sasori fabrica bonecas BJD e tem sua lojinha e Shino faz biologia.

Aguardo seus reviews!