Hm, só vou dizer uma coisa, se eu fosse vocês, não me preocuparia nem ligaria para o pairing dito ali em cima (aponta pro Hinata x Gaara). Not so soon.

Prelúdio Para o Amor

CAPITOLO SESTO

― Hn... ― Ino afundou mais a cabeça em seu travesseiro, ou o que supostamente seria seu travesseiro, não queria acordar agora, não estava com a mínima vontade de abrir os olhos e sair de seu conforto, estava quentinha, aconchegada, confortável, mas sua consciência não queria mais ficar em estado de repouso.

Abriu os olhos, na esperança de encontrar seu relógio em algum lugar na cabeceira de sua cama, mas não encontrou nada disso, na verdade, não estava nem em seu quarto, Shikamaru dormia ao seu lado, num sobressalto, sentou-se na cama, o lençol caindo, aquela sensação de falta de roupa batendo, olhou para si mesma, notou a falta... A ausência de qualquer tipo de roupa, não... Não, não. Levantou o lençol para se certificar de uma coisa, olhou, abaixou.

― Droga! ― exclamou, fazendo o homem ao seu lado se mexer um pouco e murmurar algo inaudível ― droga, droga, droga! Eles haviam transado e ela estava bêbada demais pra lembrar de alguma coisa! Que merda! Uma puta chance por água a baixo!

Ino estava brava, mas não brava por ser virgem ou alguma coisa assim, havia perdido a virgindade quando estava no último ano do colegial, mas fazia tempo que não dormia com ninguém, e agora ela nem lembrava como tinha sido, e aquela dor de cabeça maldita já estava chegando, pegou qualquer peça de roupa que estava no chão, colocou e foi até a cozinha, procurou um remédio pra dor de cabeça, tomou e voltou pra cama, que Shikamaru acorde e descubra por si mesmo.


Essa semana ― pensou ―, o movimento até que estava bom, normalmente vendia apenas algumas coisas por semana, talvez fosse o fato do natal estar chegando.

O telefone tocou, ele atendeu.

― Galeria Sabaku, Sasori falando, posso ajudá-lo?

Sasori! É a Temari!

― Ah, quanto tempo, como andam as coisas?

Hm, vai tudo bem, você sabe, Tóquio é meio corrida.

― É alguma coisa sobre os modelos que eu encomendei? Se você precisar das medidas de novo, eu posso passar...

Sasori e Temari eram como sócios, Sasori fazia seus bonecos, Temari era uma estilista nova, mas que no momento que lançou sua marca ficou bastante conhecida, todas as meninas queriam vestir os modelos de Temari, era um sucesso entre adolescentes de quinze até mulheres de quarenta anos, e era ela quem fazia os modelos e desenhos dos bonecos de Sasori, o que só os tornavam mais populares. O único problema era que ela morava em Tóquio e ele em Sapporo.

Nah, não, não é isso não, eu consegui não perder as medidas dessa vez ― ela brincou ― é que eu falei com o Gaara esses dias, e sabe, ele parecia meio perturbado...

― Você acha que aconteceu alguma coisa?

Claro que acho, senão não estaria ligando, não sou irmã dele por nada.

― Sei lá, não entendo dessas coisas.

Eu sei, eu sei, vocês dois são super parecidos, apesar de que você tem senso de humor e ele não... Enfim, como eu não posso ir até Sapporo porque tenho que fazer um desfile no fim desse mês, daí fica tudo uma loucura aqui no atelier, eu queria que você tentasse conversar com ele, ver se tem alguma coisa errada.

― E eu vou falar o que? Já disse que não entendo dessas coisas.

Sei lá cara, você que é homem! Vocês se entendem, tenta dar uns conselhos...

― Hn...

Mas e ai, faz tempo que a gente não se fala, como anda o movimento por ai?

― Vai bem, melhor do que nos últimos meses.

É o natal, é o natal.

― Eu sei, seria bom se o natal estivesse chegando o ano todo...

Ela riu.

Ah! Sabe o que?

― Hn?

Lembra daquele cara que eu te apresentei que quis comprar os quadros do Deidara que tão ai?

― Lembro ― ele olhou para os quadros expostos na parede.

Então, ele disse que vai passar por ai esse mês, e vai levar mais algumas pessoas, acho que eles vão comprar uns quadros!

Ah... Sasori passaria o resto do ano no sossego se o movimento continuasse assim.

Sabe, pensei esses dias, não teria sido melhor você ter continuado na faculdade não? Você até que tinha jeito pra pintura e tudo.

― Acho que não, não gosto muito de pintar, sempre gostei mais de fazer bonecas.

Eu sei! Lembro de quando você me fazia umas bonecas quando a gente era menor!

Sasori havia abandonado a faculdade de artes após dois anos e deu uma virada na sua vida, saiu de casa, abriu uma pequena galeria na cidade, comprou um apartamento e vivia da renda de suas bonecas e os quadros de Deidara, às vezes era meio desesperador, quando o movimento não vinha, mas ele sempre conseguia dar um jeito.

Bem, tenho que ir andando, minhas modelos chegaram!

― Boa sorte.

Obrigada! Caara, você tem que aparecer por aqui, mostrei umas fotos suas pras minhas modelos e elas ficaram super ansiosas pra te conhecer!

― Até logo Temari.

Ela riu e desligou.


Depois da manhã que passaram juntos no parque, Hinata descobriu que Kiba sempre saia pela parte da tarde para passear com Akamaru, pelos arredores do prédio, ela, "coincidentemente" ia à mesma hora passear com Maki, onde eles "por coincidência" do acaso se encontravam e passavam a tarde conversando e passeando com seus cães.

Ele, por sua vez, descobriu o dia em que ela ia ao mercado, fazer as compras do mês, e também "por acaso" ia no mesmo dia, e sendo o bom homem que era, carregava as compras dela.

Como hoje, por exemplo.

Ele estava no mercado não fazia muito tempo, olhava para o relógio, depois para a porta, mais uma vez para seu relógio, e depois para a porta do mercado. Viu-a entrar, tinha que pegar alguma coisa, certo, certo, pegou qualquer coisa que estava na estante, ela pegou o carrinho e foi até a seção de laticínios, ao lado de onde ele estava, esperou um pouco até que virou a esquina, ficou parado vendo se ela percebia sua presença, mas essa pareceu não perceber.

― Hinata? ― tentando o máximo possível parecer surpreso em vê-la, como se não tivesse chegado antes só pra encontrá-la, pensando assim, ele meio que se sentia um idiota.

Ela pareceu surpresa em escutar alguém lhe chamando, virou-se.

― Kiba! ― ela sorriu, fazendo Kiba sorrir de volta.

― Fazendo compras? ― como se não fosse óbvio.

― Sim, acabou o Yogurt lá de casa, e você? ― ela terminou de colocar os grandes potes de Yogurt no carrinho e se aproximou dele.

― É, vim comprar... ― olhou para sua mão, teve vontade de bater sua cabeça contra a parede ― um creme de depilação...

Ela olhou-o incerta.

― É muito bom pra limpar paredes! ― foi à primeira coisa que veio em sua cabeça. Ele tinha que ser tão idiota?!

― Hm, não sabia, talvez experimente da próxima vez ― ela meio que riu, mas não parecia que ela estava rindo dele, também não pensava que ela fosse do tipo de pessoa que risse da cara dos outros, pelo menos não parecia ― bem, tenho que pagar, você já está indo?

― A-Ah! Já, eu já tava de saída.

Foram juntos para o caixa, pagaram às compras, Hinata colocando as suas na sua mais nova sacola ecológica e Kiba ganhando um olhar suspeito da mulher do caixa.

Ele, obviamente, se ofereceu para levar sua sacola, e não aceitou um "não" como resposta. Ela sorriu.

Já tinha certas opiniões sobre Inuzuka Kiba, ele era um homem bastante otimista, parecia sempre ter um sorriso grudado no rosto, adorava contar piadas, tinha um pé para as travessuras, as histórias de quando ele era criança e aprontava com os amigos a lembraram muito de sua irmã mais nova, adorava o que fazia e era muito dedicado. Falava bastante, o que ela achou engraçado, normalmente não falava muito, por ser tímida, mas quando encontrava com Kiba, acabava virando uma tagarela junto dele. Ela gostava muito do efeito que ele causava.

De vez em quando, ia encontrá-lo no parque para passarem a manhã juntos, conversar, falar sobre nada, tomar sorvete, jogar frisbee e descansar na beira do lago.


Naruto estava saindo de casa quando viu Sasori parado em frente à porta de Deidara, segurando algo coberto por um pano branco, a curiosidade batendo.

― Sasori! ― chamou.

O ruivo virou, viu o loiro fechando a porta.

― Naruto, e ai?

― Hm, hm, esperando pelo Deidara?

― Suponho que sim.

― Acho que ele saiu.

― Deve ser, porque estou tocando a campainha há um tempo já.

O arquiteto coçou a cabeça, olhava o vulto coberto com o pano, queria perguntar o que era...

Sasori percebeu o olhar curioso do loiro e sorriu.

― É um boneco que fiz esses dias, queria mostrar pro Deidara.

― Ah, ah! Posso ver?

― Pode sim ― apoiou o boneco no braço e usou a outra mão pra tirar o pano.

― PUTA MERDA! ― exclamou o loiro.

― O que?

― É O CHUCK!

― Chuck?

― O boneco assassino, cara, é igual! Só que o Chuck tem cabelo laranja e umas cicatrizes, velho, que zoado, me caguei agora!

― Sério? ― ele virou o boneco para si e ficou observando-o ― hm... É verdade, eu tava dormindo quando a idéia veio na minha cabeça, talvez eu tenha visto alguma coisa ontem que me lembrou do filme, não sei.

― Zoadásso!


Sasuke estava decidido, já fazia uma semana que Sakura havia passado o telefone de sua amiga fisioterapeuta e não importava a quantidade de comprimidos que ele tomava, a dor simplesmente não ia embora, resolveu ligar para a mulher, não agüentava mais a dor e ele precisava de suas costas.

Pegou o celular, encontrou o número, apertou send.

Tocou.

Alô? ― respondeu uma voz, uma mulher, óbvio.

― Hn... ― não estava mais tão certo de sua decisão, mas agora que tinha falado nada podia fazer ― a Sakura me passou seu telefone...

Ah! Você deve ser o Uchiha-san, certo? ― e como diabos ela sabia seu nome? ― Sakura comentou de você esses dias, estava esperando pela sua ligação.

Sakura às vezes deveria cuidar da própria vida, era o que ele pensava.

― Bem, então você já sabe pra que eu liguei, certo?

Sei sim, é sobre as suas dores nas costas, né?

― Isso...

Então, eu atendo nas casas, aliás, pra você não ficar preocupado, já estou fazendo pós-graduação, então já sou formada em fisioterapia, pra você não achar que vai ser tratado por uma maluca que ainda não se formou ― ela riu ― só preciso saber quantos dias por semana e que horário você queria fazer.

― Hm... ― pensou no que tinha que fazer na semana ― pode ser de quarta e sexta?

Um segundo ― ele esperou, provavelmente estaria olhando sua agenda ― posso sim! Pode ser às três da tarde?

Pensou ― pode, não tem problema.

Então está combinado!

― Hn...


― Hn... ― não tava dando certo, ele provavelmente não devia ter feito aquela jogada da partida anterior... Coçou a cabeça, que saco. Agora teria que virar o jogo.

― Ei! Shikamaru! ― suspirou, o que ele queria agora?

― Hn...

Esperou o amigo vir até a sala, mas ele só colocou a cabeça pra fora da porta.

― Minha Soda acabou, posso pegar a sua?

― Pode, pode, ta na geladeira.

Nem se passou um minuto e seu amigo já estava saindo apressado pela porta, o que fez com que ele levantasse uma sobrancelha, normalmente Naruto viria encher sua paciência, jogar um pouco de vídeo-game, comer todas as suas bolachas e depois ia embora.

O que ele não sabia, era que na mesma manhã, algo bastante peculiar havia sido deixado em sua geladeira, escrito em um papelzinho azul com letras roxas.

"Amor. Não vou estar de volta para o jantar, mas prometo que amanhã eu apareço aqui de novo, hahahahaha.

Beijos, Ino!

PS: Você viu minha camiseta? Acho que devo ter esquecido por ai!"

E bem, Naruto podia ser meio bobão, mas não era burro.


Sinceramente, às vezes se perguntava como podia ser tão azarado. Ele conseguia estar em seu apartamento todas as vezes que ela vinha limpar.

... E é assim que o mundo provavelmente estará se as florestas continuarem a ser destruídas, antes somente animais eram conhecidos por serem extintos, mas hoje em dia a história já é outra, várias espécimes de árvores já foram adicionadas ao catálogo de seres vivos extintos...

O estranho era que ela estava bastante quieta, ela apenas limpava o redor da sua sala, arriscou olhá-la, suas sobrancelhas arqueando-se um pouco, Chiyo parecia bastante entretida com o documentário que se passava na TV.

Soubesse antes, teria deixado a TV ligada no Discovery Channel todas as vezes que ela viesse limpar.


Bom dia! Moradores do prédio ― Tenten pulou da cama, começou a procurar em seu quarto de onde saia à voz ― hoje iremos fazer algo muito especial, algo para a nossa sociedade, então preciso que vocês se dirijam ao térreo, aguardo vocês...

Encontrou um despertador na porta de seu quarto, pequeno e preto, quase o arremessou contra a parede quando viu a hora, 5:25am. De um sábado.

Caso vocês não venham, o alarme de incêndio está programado pra tocar às 6:00am de qualquer maneira.

Bufou, quem acorda às cinco da manhã em um sábado?!

Nem se preocupou em se arrumar, com a calça de moletom do pijama, seu crocks, uma camiseta e um moletom por cima saiu do apartamento, o cabelo todo bagunçado, chamou o elevador, seu vizinho saiu de casa também, ela quase riu, ele parecia um zumbi, o cabelo parecia uma grande bagunça, estava com uma calça azul de moletom e um casaco vermelho, descalço.

― Bom dia... ― tinha que ao menos ser educada, mesmo que não fosse muito com a cara dele.

― Hn... Bom dia... ― ele coçou o olho, ela conseguiu ver rastros de baba saindo pela sua boca, começou a rir, ele não entendeu e bocejou.

A porta do elevador abriu, ela já estava mais acordada agora, olhou para as pessoas dentro do cubículo como quem acha graça.

― Bom dia ― ela cumprimentou, entrando.

― Bom dia... ― respondeu Hinata, que não estava em uma situação muito melhor que a sua, usava uma grande camisa de cetim azul, provavelmente uma camisola, mas por baixo usava uma calça de flanela rosa com bolinhas marrons, seu crocks rosa grande demais para seu pé. A cabeleira toda bagunçada virando moda naquele elevador.

― Hn... ― Gaara parecia ser o único vestido decentemente por ali, estava com um jeans escuro e uma pólo verde, mas o cabelo ainda bagunçado, a roupa dele parecia amassada, perguntou-se se ele teria dormido assim.

― Bom dia Tenten... ― respondeu baixinho Sakura que apoiava sua cabeça no ombro de Gaara, Tenten perguntou-se como ela não sentia frio, com aquela camisola rosa de algodão, estavam em pleno outono... E Sapporo era conhecido por seus dias frios de outono e inverno.

O elevador parou no térreo, todos desceram no hall, Chiyo estava parada com um grande sorriso estampado no rosto.

― Esperaremos aqui até que todos cheguem ― informou. Como haviam sido os primeiros a chegar, aconchegaram-se nas grandes poltronas do hall, Kankuro se jogou no sofá, Hinata e Tenten começaram a conversar baixinho dividindo uma poltrona juntas e Sakura se ajeitou no colo de Gaara, os dois provavelmente voltando a dormir.

Não tardaram vinte minutos e o resto dos moradores já estavam no térreo, quase todos de pijama, com exceção de Gaara, Deidara, Sasori, Sasuke e Shikamaru.

Chiyo guiou todos para o jardim do prédio, onde havia uma fila de pás, uma ao lado da outra.

― E pra que seriam essas pás, Chiyo-san? ― perguntou Lee.

― Nós iremos fazer uma boa ação para a sociedade e o meio ambiente, hoje! Iremos plantar uma árvore cada um!

Ou Shino nunca mais deixaria a TV ligada quando ela aparecesse por lá.

Alguns murmúrios passeavam pelo ar, alguns indignados, outros achando graça e alguns até que motivados, os indiferentes não diziam nada.

― Bem, o que estão esperando? Vamos!

Lee e Naruto foram os primeiros a começar, o resto seguindo.

Tenten até achou que estava sendo divertido, sabe, todo mundo fazendo alguma coisa junto. Pra ajudar em alguma coisa, que não fosse só para eles, ela teve uma vontade de se juntar àquelas ONGs que vivem por ai.

Bem, isso até um pedaço de terra espatifar-se na sua cabeça, daí ela ficou maluca e jogou terra de volta na direção de Kiba que estava tentando acertar Lee, mas sua pontaria não era uma das melhores, e ela acertou o Naruto, que daí a coisa ficou doida e começou uma guerra de terra. Que acabou com um monte de gente suja, todos os chuveiros ligados ao mesmo tempo e muita água fria por causa do curto. O que deixou o Sasuke de mau humor.

Quem visitasse o jardim do prédio, acharia graça nas quinze árvores plantadas uma ao lado da outra, com quinze plaquinhas bem peculiares em frente a cada uma delas.


Há, de volta ao tamanho normal dos capítulos :)

Só tem uma coisa que eu queria comentar; nessa capítulo (e provavelmente os próximos), não terá dias definidos, então é só ler sem se preocupar muito com isso.

Acho que só... Claro, mandem reviews, reviews me encorajam a escrever mais ;P