Comentários; hn... Aqui o capítulo quatorze, estou postando mais tarde ultimamente, é que as aulas começaram e daí fica um pouco mais difícil, principalmente agora que eu estou tentando ser uma aluna dedicada (y)
Importante; Trate de abrir uma janela do YouTube e colocar; Rob Thomas – Smooth e deixar carregando, você vai entender isso pro final da fic, não vale escutar antes de começar senão perde a graça!
Prelúdio Para o Amor
CAPITOLO QUATTORDICESIMO
― Nossa, tipo, muito obrigada mesmo pelo CD! ― agradeceu devolvendo o CD que havia pegado emprestado para o vizinho, tinha passado uma das melhores tardes em muito tempo escutando aquele CD na varanda e tomando uma caneca de chocolate quente... Que delícia...
Ele riu e pegou o CD de volta.
― O CD é bom mesmo, os caras são fodas demais ― comentou.
― São mesmo! Fiquei até surpresa, tenho que pegar mais CDs com você depois, porque eu sou totalmente inculta quando o assunto é música, nem as da rádio eu conheço! ― riu ela abobada, estranhando um pouco a si mesma ― vou indo então! ― antes que ficasse mais estranha do que já estava, melhor sair.
― Tenten! ― escutou ele chamar quando já estava na metade do corredor. Parou meio que num tranco os seus passos apressados. Virou-se sorrindo.
― Oi...?
― Hn... Você vai fazer alguma coisa hoje à noite? ― perguntou com um ar descontraído. O braço apoiado no vão da porta.
― Nem vou ― droga! Seu sistema automático que não sabia mentir...
― Ótimo! Te pego as nove! ― disse acenando e fechando a porta.
Ótimo. Ótimo... Ótimo o cão.
Tenten estava estranha.
Tenten ia a um encontro com Kankuro.
Kankuro pelo amor dos céus.
Ela definitivamente estava estranha.
Suspirou.
Vou é tomar um banho.
Segundo o site de relacionamentos ela deveria estar triste.
Muito triste.
Chorando aos prantos, comendo caixas e caixas de chocolate e descontando toda sua tristeza nas suas amigas e nos doces.
Deveria. Porque não estava. Ino na verdade estava bastante... Digamos... Confusa. Só que o "confusa" dela não tinha nada haver com o motivo de cabelos morenos e temperamento indiferente pelo qual ela realmente deveria estar confusa sobre.
O 'confusa' dela era mesmo sobre uma hiperatividade representada por um físico alto, em boa forma, cabelos louros e olhos azuis. Não... Não ela mesma. Cá entre nós, essa descrição bem que podia servir para ela. Mas enfim, era sobre outro ser assim, bastante parecido com ela, mas que não era ela. Porque convenhamos, ela era inteligente e ele não.
Talvez chamá-lo de burro seja demais... Tadinho, não era culpa dele que ele era meio bobão. Apesar de que esse bobão dele até que servia de charme... Que nem quando ele fica todo confuso e começa a pisar nas palavras e fala coisas sem sentido. Ou também quando ele quer ser engraçado e conta uma piada sem graça que só ele dá risada. Tem também às vezes em que ele quer parecer o bonzão e acaba sempre queimando o próprio filme. Ela riu.
Mas é claro que tem também as vezes que ele é fofo, tipo quando ele a elogia ou fala bem das suas receitas (às vezes não muito boas) de chá. Quando ela começa a falar e ele para tudo o que esta fazendo para escutá-la, como se ela fosse a pessoa mais importante do mundo... É verdade, ele fazia isso... Pensou agora.
Colocou sua mão sobre sua bochecha e olhou seu reflexo surpreso no espelho da sala.
Ai Deus.
― Eu não acredito pai! Olha essa festa caída! Por que diabos eu tive que vir?! ― resmungou a menina entre dentes olhando o bando de velhos fazendo social pela casa do amigo de seu pai.
― Cuidado com a sua linguagem mocinha. E você sabe muito bem porque esta aqui ― respondeu seu pai num tom baixo o suficiente para apenas ela escutar. Sua expressão continuava serena, mas ela sabia que ele não estava nem um pouco sereno.
― Eu já disse que dessa vez eu não tive nada haver com a bombinha da privada caramba! Foram aquelas meninas filhas da puta que não vão com a minha cara pai! Só porque aquelas mal comidas não pegam...
― Hanabi! ― ela logo começou a mover os lábios, antecipando a fala do pai ― eu já disse para você tomar cuidado com a sua língua menina, acha que é bonito uma menina falar desse jeito? E se você sabe o que é bom pra você então é melhor você parar com essas brincadeirinhas ― disse referindo-se a ela movendo os lábios, como quem zomba de alguém falando.
― Pô pai. Achei que você sabia que eu na verdade sou um homem. Daí porra. Eu posso falar feio, ta ligado velho? ― bastou que Hiashi virasse a cabeça na direção da menina pra ela começar a rir e sair correndo para o outro lado da festa, não dando tempo para que seu pai a seguisse.
E ela estava cem por cento correta quando disse que essa era a festa mais caída do mundo. Pelos simples motivos de;
a) só ter velhos.
b) só ter velhos chatos.
c) segundo o tio Jiraya e a tia Tsunade (os únicos adultos legais, mas que tinham que ficar fazendo social) o Souji estava com febre e não pode vir à festa.
d) os únicos adolescentes que estavam na festa eram uns nerds chatos e umas criancinhas jogando seus DSs e PSPs.
Não quis nem saber e se jogou num sofá em algum canto da casa fazendo com que o vovô que estava tirando o maior cochilo desse um ronco abominável (fazendo-a rir).
― Mal aí vovô, nem te vi ― desculpou-se para o velinho, mesmo que ele não fosse escutar, já que o cara devia estar no décimo quinto sono daquela noite.
Tirou o celular da sua bolsinha.
Um pouco longe de onde estava acontecendo a festa, um pobre e humilde pintor assistia ao seu seriado favorito na TV enquanto matava a última garrafa de coca-cola da geladeira. A falta de gás deixando a bebida com um gosto não muito agradável, mas ao mesmo tempo suportável, naquelas em que você toma mais por tomar do que pelo gosto.
Sentiu o celular vibrar sobre a almofada do sofá, olhou com preguiça para o aparelho, mas pegou-o mesmo assim. Rindo logo em que viu a pequena e não muito educada frase;
"você nem ta fazendo nada, eu quero ir no fliperama, me pega em dez minutos."
E o nome "Hanabi" em baixo.
Releu a mensagem mais uma vez e riu. Mas que menininha ein. Sorte dela que ele realmente não estava fazendo nada.
Discou os números e esperou enquanto tocava.
― Ei ― escutou ela dizer.
― Endereço ― disse.
― Ahn?
― Como você quer que eu te pegue se eu não sei o endereço?
― Ah! Endereço do lugar, ah ta, então, é... ― anotou o endereço que ela passou, desligou o celular, pegou o casaco e trancou a porta de casa.
Fazia tempos que não ia ao fliperama.
De uma coisa Neji tinha certeza; Ele nunca mais levaria Anko para um passeio de barco.
Ou essa também; Ele nunca mais contaria dinheiro na frente de Anko.
Ou; Ele nunca mais deixaria que ela escolhesse um hotel.
Ou; Ele nunca mais superaria seu mais novo trauma de pensões.
É, essa última ele tinha bastante certeza.
― Ai Neji, você é pior que aquelas donas de casa quando perdem a liquidação de carne no supermercado ― como? ― deixa de ficar pensando no passado ― referiu-se à pequena aventura dos dois na pensão ― apesar de ter sido puta engraçado! ― riu do ocorrido ―, mas enfim, se te incomoda tanto assim, mesmo que eu não veja razão, é só não pensar!
Ele não respondeu, ajeitou-se no banco do carro e continuou fitando a estrada. Como se ele pudesse esquecer...
― Ah, olha só, nem é tão ruim assim! ― comentou Anko se ajeitando no meio dos lençóis para dormir ― a cama é boa e o lençol tem cheiro de sabão em pó, o que quer dizer que está limpo.
― Pode estar bom pra você e sua política positivista, mas eu não vejo nada de bom na nossa situação... Se você não fosse teimosa e tivesse me deixado contar aquele dinheiro...
― Para de resmungar Neji, até parece um velho. Sério, daqui a pouco começam as rugas, daí o cabelo branco, daí as coisas começam a cair... ― não conseguindo terminar a frase ela desatou a rir.
― Há. Há. ― não quis perder tempo respondendo às brincadeiras bobas dela, já estava de mau humor o bastante e ir na onda de brincadeiras dela acabaria tirando-o do sério, o que ele não queria ― boa noite Anko ― e para evitar mais problemas, virou de costas para ela.
― Boa noite velhote!
Bem, pelo menos sobre uma coisa ela estava certa, o cheiro de sabão em pó meio que ajudou enquanto ele tentava pegar no sono, porque conseguia tirar sua cabeça da sujeira do hotel, pensar que estava pelo menos dormindo em alguma coisa limpa...
― Ahh!
E o colchão não era tão ruim assim, dava pra dormir, só de pensar que o quanto mais rápido ele dormisse o dia seguinte ficava mais próximo, o que era ótimo...
― Ahh! Mais rápido!! Ahh!!
Que coisa! Que barulho...?
Notou que a cama começou a tremer de leve, o que fez com que ele virasse as costas para a parede. Anko tentava, sem muito sucesso, conter a sua risada, e isso fazia com que ela se contorcesse toda, até ela não agüentar mais e começar a gargalhar.
― Eu vou...! Ah! A-A-A-Ah!
A essa altura do campeonato já estava bastante óbvio o que acontecia no andar superior ao deles. Nenhum dos dois precisou dizer nada, dessa vez nem ele conseguiu evitar rir.
― AAAh! ― ecoou por provavelmente todos os corredores daquela pensão que ameaçava despencar a qualquer minuto.
Até ai não teria problemas, tinha sido engraçado e tudo. Mas três horas depois e os mesmos barulhos pertinentes ecoando pelo quarto, bem, deixaria qualquer um enfurecido. E pra piorar... Digamos que não eram apenas os sons, mas também o fato do teto estar tremendo por causa do uso exaustivo da pobre cama, porque a essa altura eles já haviam descoberto que o andar de cima tinha uma cama, que se espancava contra o chão.
É óbvio que o teto caiu. E caiu bem em cima do quarto deles. Por sorte e por um triz que não pegou no pobre colchãozinho onde se encolheram Neji e Anko. A última coisa... A última coisa que ele preferiu lembrar foi a cara do casal assim que a poeira toda saiu de cena e eles se entreolharam.
― Olha, olha Neji! Ali ta falando que a gente pode passar o dia num campo de arroz! Vamo! Vamo! ― exclamou Anko animada apontando para uma das placas da estrada.
Ele também não respondeu, apenas acelerou mais o carro.
Isso esta ficando cada vez mais ridículo. Pensou enquanto dirigia seguindo as instruções do GPS, não agüentando resmungou algo inaudível e desabotoou o colarinho da camisa. Só porque era a primeira vez que ele saia com uma menina (além de sua mãe, tias e o demônio em roupas de ginástica) elas não precisavam ter ido duas horas antes no seu apartamento pra atazanar sua vida com essa história toda de "roupa certa para o encontro" e afins.
Suspirou. Mesmo que inexperiente, ele sabia que o melhor a fazer era não ficar nervoso, mas com a malucagem toda de suas tias, agora já era tarde demais pra se acalmar.
Respirou fundo assim que desceu do carro e andou até a porta e tocou a campainha. Não demorou a vir uma resposta, logo sendo cumprimentado por uma velinha.
Não era o que ele esperava encontrar, convenhamos. Será que ela morava com a avó? Era uma casa de tamanho mediano afinal de contas, não muito pequena, mas grande demais pra uma pessoa só.
― Você deve ser Chouji-san, certo? ― perguntou a velinha sorrindo.
― Aham... Hm... Eu vim pegar a Momoko ― disse meio sem jeito.
― Sim, sim, ela já esta descendo ― nenhum dos dois falou nada e depois disso e ficaram em silencio até que os ruídos de sapatos batendo apressadamente pelos degraus da escada ecoaram pela casa.
― Chouji! ― exclamou ela correndo em direção à porta, uma de suas sandálias ficando pelo meio do caminho, fazendo com que a senhorinha que estava na porta risse.
― Tenha calma minha filha, tenho certeza de que Chouji-san irá te esperar ― o comentário fazendo com que a modelo risse enquanto colocava sua sandália e Chouji ficasse um pouco sem graça.
― Desculpe a demora ― disse, segurando o braço meio sem jeito assim que se despediram da senhora que depois ele descobriu chamar-se Nana e foram até o carro.
― Ah, não tem problema ― deu partida no carro e ligou o GPS mais uma vez ― hm... Nana-san é sua avó?
― Não ― ela riu ― a Nana é a dona da casa onde você foi me buscar, mas não tem nenhuma relação de sangue comigo, ela era casada e nunca teve filhos, ficou viúva há uns cinco anos e como não gostava de ficar sozinha na casa e tinham quartos vagos ela começou a alugá-los e foi assim que eu acabei conhecendo ela, quando eu me mudei pra Sapporo atrás de trabalhos e não podia ficar em um lugar muito caro já que meu salário nunca é de valor fixo ― contou.
― Você não morava em Sapporo? ― perguntou surpreso.
― Não, eu morava em Okinawa ― comentou ganhando um "Caraca!" de resposta ― vim pra Sapporo pela primeira vez com os meus pais e me apaixonei pela cidade, tinha decidido que quando ficasse mais velha me mudaria pra cá, depois foi até que bem simples, consegui trabalhos como modelo em Okinawa, Tóquio e umas outras cidades, isso foi quando eu tinha quinze anos, quando eu cumpri dezessete eu recebi um contrato de uma agencia em Sapporo e daí o resto é história. O ruim é que agora eu não costumo parar muito aqui pelo Japão.
― Vida de modelo, só pra quem pode ein? ― brincou fazendo-a rir.
O plano era ficar esperando na porta do conservatório até que ela saísse e a surpreendesse (por estar ali) só que no meio de muitas pessoas, fazendo impossível ela tentar escapar ou ignorá-lo. Era um plano meio maldoso, mas ele não conseguia pensar em mais nada.
O que ia dizer? Já fazia quatro dias desde o ocorrido, quatro dias que ele passou pensando no que dizer, mas as palavras pareciam que desapareciam e as frases não faziam mais sentido.
Ele não tinha a mínima idéia do que ia dizer.
Ia dizer que tinha sido tudo um mal entendido e não era o que parecia? De boa, ele queria que tivesse sido isso, mas o pior era saber que não tinha sido. Ele era mais do que culpado na historia toda, tinha sido culpa sua e ela tinha todo o direito de terminar com ele e não querer olhar na sua cara. Mas isso era tão ruim! Ele queria ter a sua Hinata de volta, se quatro dias sem ela já faziam com que ele ficasse assim, imagina pra sempre!
Passou a mão freneticamente pelo cabelo quando viu as primeiras pessoas saindo do prédio. Não tardou até ele avistar uma pequena figura rosa de cabelos azulados carregando um instrumento que podia aparentar ser grande demais pra ela.
Foi como levar uma facada ver como ela travou ha poucos metros dali e sua expressão igualou-se a de quem vê um fantasma. Sabia que o que ela mais queria era com certeza sair correndo.
― Ki-Kiba...
Assim, sinceramente, ela tava pior do que adolescente antes do seu primeiro encontro, tipo, isso não era do seu feitio!
Mordeu o lábio inferior e brigou mentalmente consigo mesma, isso era ridículo e se ela continuasse assim, as chances dela pagar um mico só iam aumentando.
― Tenten! ― a voz foi tão repentina que ela levou um susto e num movimento brusco se virou, batendo o braço na mesinha do hall. Pode sentir as lágrimas fazendo seu caminho por seus canais lacrimais. A dor!
― Você ta legal? ― perguntou Kankuro que veio correndo em sua direção.
Ela não conseguiu responder, mas um barulho bizarro que ele tomou por um sim saiu de sua boca, sua cabeça concentrada demais em manter suas mãos fechadas sobre o braço para amenizar a dor, e também pra não olhar o machucado.
Dez segundos depois ― os quais ela contou ― soltou o braço e respirou como se não respirasse fazia mais de uma hora.
― Estou bem ― finalmente olhou para Kankuro e se sentiu meio idiota.
― Certo... ― meio desconfiado olhou para o roxo no braço da mulher, doeu até nele ― vamos?
― Aham! Eu to morrendo de fome! ― se no caso eles estivessem acompanhados de alguém como Ino, por exemplo, ela já teria olhado horrorizada para Tenten, mas os dois só riram e foram em direção ao metro.
Quando chegaram no restaurante-bar ele já estava bastante movimentado e Kankuro agradeceu por ter feito reserva, daqui pra frente o lugar o lugar só ia ficar mais cheio.
― Kankuro! Tenten! ― ouviram alguém chamar assim que sentaram na sua mesa, que ficava perto do pequeno palco.
― Onde...? ― perguntou ele meio confuso, procurando por quem os tivesse chamado.
― Chouji! ― virou para ver Tenten acenando para seu amigo que sentava não muito longe deles, acompanhado por uma menina tão bonita que ele podia jurar que já a tinha visto em algum lugar.
― Ah! Momoko-chan! ― cumprimentou Tenten, referindo-se à menina, que pareceu ficar bastante contente com o reconhecimento.
― Tenten-san! Quanto tempo! ― gritou ela acenando de volta e depois voltando a conversar animadamente com Chouji que prestava atenção intrigado.
― Quem é? ― perguntou curioso.
― Hanazono Momoko ― respondeu tornando sua atenção para Kankuro ― a conheci já faz um tempo... Ah! Ela é modelo, você deve ter reconhecido ela de alguma revista ou coisa assim ― adicionou como se tivesse lido os pensamentos dele.
― Saquei... ― isso aê Chouji! ― pensou orgulhoso do amigo.
A garçonete veio e anotou os pedidos dos dois, logo se retirando. A conversa estava bastante casual, nada muito bobo, porém nada muito sério. E teria continuado assim;
― Boa noite meus caros amigos! ― bastou apenas uma olhada e os dois tiveram que cobrir as bocas pra não começar a rir, o pior é que nem era tão engraçado assim, quero dizer, a maneira como o homem se vestia em seu terno roxo beterraba, sapatos brancos e gravata laranja, era só, ridículo demais. Como quem tenta parecer engraçado demais, só que pelo menos ele tinha uma cara simpática ― acho que todos aqui conhecem os procedimentos, acredito, eu ― ele fez uma pausa para ver se alguém iria dizer o contrario.
― Procedimentos? ― perguntou ela curiosa. Era a primeira vez que vinha a esse lugar.
― Você vai ver, é mais engraçado do que se eu te explicar ― respondeu ele não tirando o olho do palco.
― Bem, então quem se candidata a ir primeiro? ― risadas e gritos ecoaram mais fortes pelo estabelecimento e finalmente um homem se levantou, de uma mesa que devia ter por volta de umas quinze pessoas.
A música que ele cantou? Nenhum dos dois fazia a menor noção de qual era, mas devia ser alguma musica Enka daquelas que Tenten só conseguiu identificar porque reconheceu a melodia que costumava tocar na casa de sua avó.
A cada vez que as pessoas subiam e cantavam horrivelmente mal (tirando algumas exceções) ela não podia evitar começar a rir e olhar para Kankuro, que espelhava sua expressão risonha. Em estado de choque ficou quando esse se levantou da mesa e foi até o palco.
― Não... ― disse ela baixinho olhando aterrorizada para o palco que há pouco estava vazio agora com Kankuro segurando o microfone e falando com a equipe das musicas.
― Isso aê Kankuro! ― ouviu Chouji gritar, seguido por Momoko e o resto do salão após descobrir o nome do homem.
Ele parou em frente do palco, segurou o microfone e olhou na sua direção, como quem diz "essa é pra você" bem brega mesmo, o que ficou muito obvio porque a mesa ficava em frente ao palco e o fato dela ter se afundado na cadeira de vergonha, bem, não a ajudou muito.
Pelo menos ele não disse nada, só piscou, o que ganhou mais uns gritos aleatórios e a musica começou a tocar, ai ela já nem conseguiu escutar nada direito, mas reconheceu a melodia e só conseguiu rir.
Man it's a hot one
Like seven inches from the midday sun
I hear you whisper & the words melt everyone
But you stay so cool
My muñequita, my Spanish harlem mona lisa
Your my reason for reason
The step in my groove
Sua vergonha meio que a essa altura já tinha ido pro espaço e ela só conseguia olhar para Kankuro e rir, ele realmente era um cara único.
A sorte dele foi que ela estava rindo tanto que só foi perceber que não estava mais na sua cadeira quando estava na metade do caminho entre a mesa e o palco, porque senão ela com certeza teria saído correndo.
And just like the ocean under the moon
Well that's the same emotion that I get from you
You got the kind of lovin that can be so smooth
Gimme your heart, make it real
Or else forget about it
Ele a puxou, segurou sua cintura com uma mão e com a outra a sua outra mão o microfone e começou a dançar. No começo ela olhou horrorizada para ele, mas quando viu que ele estava sorrindo e parecendo se divertir tanto jogou o resto de vergonha e bom senso que tinha guardado e começou a dançar junto.
A musica acabou com os dois quase no canto do palco e sem fôlego, os aplausos na verdade só fez com que eles rissem mais.
― Ah! Eu acho que ele tem que beijar ela! ― ecoou pelo salão.
― Ih! Agora tem que beijar! ― veio a resposta.
Tenten olhou tentando procurar a fonte no meio das pessoas, não era lutadora de Kung Fu por nada!
― E então...? ― ouviu Kankuro perguntar, ele olhou tão bonitinho e charmoso pra ela que se ela tivesse dito não teria sido capaz de alguém tacar um sapato nela. Apenas riu mais uma vez e o beijou, mais gritos e aplausos agora como trilha sonora no restaurante.
― Certo, certo ― disse o apresentador ganhando a atenção das pessoas ― isso tudo foi super romântico e etcétera, mas a próxima dupla que cantar La Cucaracha vai ganhar o jantar de hoje grátis! ― anunciou.
― Agente! ― logo gritaram Chouji e Momoko recebendo uma onda de aplausos e indo até o palco.
Eram poucas as vezes em que ela ficava brava, Hinata sempre fora uma pessoa de natureza passiva e compreensiva, mas assim, quando ela saiu pelas portas do conservatório rindo da piada sem sentido de sua amiga Tamaki e com a cabeça livre de problemas e avistou parado no portão a pessoa que ela estava tentando o máximo não pensar... Pode sentir seu sangue correr três vezes mais rápido e uma sensação, que mais tarde ela veio entender por nervosismo, subir por suas entranhas.
Na hora em que Tamaki se tocou que sua amiga estava travada alguns passos atrás e viu quem esperava no portão ela se despediu no mesmo minuto e saiu (quando viu Hinata concordar com a cabeça como quem diz que tudo bem).
Hinata não ficou brava porque ia ter que encarar a situação ou porque ela se sentia traída ou coisa parecida. Ela estava brava porque se tocou que ele provavelmente tinha planejado aquilo tudo pra falar com ela e não poder escapar. Era tão difícil assim ir no seu apartamento ou mandar uma mensagem pedindo pra conversar? Ele achava que ela realmente ia recusar discutir a relação deles?
― K-Kiba... ― não conseguiu evitar o gaguejo que saiu assim que disse o seu nome, mesmo com todo aquele nervosismo, o pior de tudo era que nem ela mesma entendia por que.
― Hn... Oi Hinata... ― começou ― eu precisava falar com você...
Não me diga.
― Eu estou indo pra casa ― dessa vez disse mais firme e saiu andando.
― Ah! ― exclamou se tocando da deixa para segui-la.
O silêncio que seguiu foi tão desconfortante como aquele silêncio que aparece no funeral de alguém que você fez alguma coisa de ruim pra ele antes de morrer, aquele silencio que da um nó na garganta.
― Hm... ― ele já havia meio que pensado no que ia dizer, mas colocar os pensamentos em ação era muito mais difícil do que só pensá-los ― sobre o que aconteceu no outro dia... ― ele parou de falar na esperança de ver a reação dela e na expectativa dela falar alguma coisa, pena que ela continuou com a face indiferente e quieta olhando pra frente. Suspirou.
― Eu queria me desculpar ― por fim disse, pegando-a de surpresa. Não que ela não tivesse pensado na possibilidade dele se desculpar, mas assim, essa era uma das ultimas alternativas.
― D-Desculpas aceitas ― disse, não queria mesmo ficar com esse clima de briga mais, não gostava de brigar, e agora sentiu parte do peso que carregava nas costas cair assim que os dois respiraram mais uma vez.
Claro que o problema não estava resolvido cem por cento, porém parte dele sim.
Estavam já na porta do elevador quando ela se abriu e ele jogou a bomba;
― Então você vai voltar comigo? ― perguntou esperançoso.
― N-Não ― ela respondeu olhando-o um tanto indignada, ainda estava muito confusa sobre seus sentimentos e tinha o beijo com Gaara ― pensou meio culpada e ao mesmo tempo feliz ― sentiu-se triste quando viu o olhar desolado do ex-namorado ― e-estou u-um pouco confusa sobre algumas coisas...
― Confusa?
― Então... Vocês vão entrar ou não? ― enquanto conversavam os dois sequer notarão que assim que a porta do elevador se abriu, ali dentro estavam Gaara e Sakura que voltavam de um almoço segurando a porta para os outros dois, obviamente escutaram o argumento todo, nem Hinata, nem Kiba perceberam a presença dos outros dois.
― A-A-A-Ah! ― exclamou Hinata sua face ruborizando-se. Desculparam-se e entraram no elevador.
Kiba triste e deprimido sentindo-se perdido e sem rumo.
Hinata envergonhada e confusa sem conseguir pensar em nada direito.
Sakura com a maior bomba das fofocas em sua mão e um prédio de oito andares pra começar a espalhar.
E Gaara parecendo muito satisfeito consigo mesmo e ao mesmo tempo sentindo-se um pouco culpado.
Que climinha ein.
Comentários; Desculpa mesmo pelo atraso pessoas, como disse, estou tentando ser uma aluna dedicada e estou passando por uma fase psicológica um tanto instável na minha vida (hoho), daí prefiro não me forçar a escrever.
Agradecimentos; À todas as lindas e super gatas leitoras que me mandaram reviews, amo ler os seus reviews meninas, juro por Deus que eles fazem o meu dia.
