Comentários; - respira fundo -. Peço sinceras desculpas a todos que vem acompanhando Prelúdio Para o Amor por estar tão atrasada esses dias. Não vou escrever a bíblia contando meus problemas (saúde, etc etc) até por que eles são particulares, enfim, esse vai ser um capítulo com mais conteúdo, com duas intenções; de me desculpar com todos os leitores e como presente de aniversário para a minha mais árdua fã Luzoca, você é linda gata (L).
Prelúdio Para o Amor
CAPITOLO QUINDICI
Num espirro brusco Kankuro acordou pulando da cama, fazendo com que ele se sentisse um pouco tonto, tentou respirar o que só fez com que sua cabeça doesse mais assim que sentiu seu nariz congestionado e seu corpo um tanto mais pesado. Arrastou-se até o banheiro e olhou espantado quando viu seu reflexo no espelho, ele parecia um camarão.
Horrorizado começou a pensar, era alguma coisa que ele tinha comido? Não, sempre ia naquele restaurante. Resfriado? Não, parecia mais uma alergia. Alergia? Olhou com olhos acusadores para o frasco de remédios na cabeceira de sua cama, lembrando-se agora do fax que sua média havia lhe mandando;
Kankuro, o remédio que te mandei pode causar alguns efeitos colaterais, que podem ou não ser ruins, o mais comum de todos sendo uma reação alérgica, caso isso aconteça me mande fax ou me ligue imediatamente e pare de tomar o remédio, porque se você morrer eu acho que seu irmão me mata.
- Tsunade.
Na mesma hora ele se arrastou mais uma vez para perto da cama e com toda a raiva do mundo tacou o frasquinho de remédios no lixo, hoje ele não saia de casa e ponto.
― Mas daí eu cheguei, virei pra ela e disse "querida, se você dá valor a sua bunda, você nunca mais aparece aqui Akane vaquinha" e ela quase me mostrou o dedo do meio! ― Sakura deu uma risada debochada abraçando o braço esquerdo de Gaara com menos força ― tadinha dela se tivesse, mas eu meio que já tinha acabado com a vida dela e tal, quem mandou ela mexer com o Kiba, menina tosca. É uma pena...
Ele nem escutava direito o que a namorada falava, só sabia que ela não parava de falar e quando lhe perguntava alguma coisa ele respondia sempre com seu típico "hum..." o que parecia satisfazê-la já que ela tornava a falar novamente.
― Os dois combinavam tanto, a gente devia fazer alguma coisa sabe, pra fazer eles ficarem juntos de novo e tal... ― olhou-o como quem insinua algo.
― Hum... ― respondeu olhando curioso a pequena figura que trazia, com grande dificuldade, três bolsas de compras.
― S-Sakura-san! Gaara!
― Hinata! ― exclamou Sakura ― voltando das compras? ― perguntou o óbvio.
― É-É, minha irmã veio almoçar daí eu tive que comprar umas coisas... Nem pra me ajudar aquela folgada ― sussurrou a ultima parte. Pensando que algo estava errado Sakura deu uma cotovelada no namorado, que pasmava na menina mais baixa e suas sacolas grandes demais, era uma cena peculiar.
― Hinata ― cumprimentou, fitando-a.
― G-Gaara ― cumprimentou de volta, as bochechas corando, o que era estranho já que não estava frio... E ela evitar tanto o olhar dele não passou despercebido por Sakura.
― A-A-Ah! ― saindo de seu transe Sakura percebeu uns legumes no chão e a alça de uma das sacolas arrebentada, sem nem pensar abaixou no mesmo momento e começou a ajudá-la, nada pior do que uma sacola de compras arrebentada. Apenas Gaara ficou de pé com cara de vegetal.
― Gaara! ― chamou ela brava ― vem ajudar! ― gritou tirando-o do estado vegetal.
As trocas de olhares e bochechas coradas impossíveis de não dar náuseas em Sakura, o clima tenso quase consumindo a atmosfera. É. É. Tinha alguma coisa errada aqui.
― Mais uma vez Inuzuka Kiba teve a nota mais alta no exame semestral, parabéns Inuzuka-san ― parabenizou o professor, os alunos batendo palmas pelo sucesso do aluno, alguns sorrindo e o grupo de amigos de Kiba assoviando.
― Obrigado ― agradeceu meio sem jeito coçando a cabeça.
― Se você continuar assim, com certeza conseguirá a bolsa de estudos para terminar a faculdade na Europa, lembre-se que a bolsa é para a faculdade de Veterinária na Suécia que é a melhor de todas ― comentou o professor.
― Sim ― ele sabia que se queria se dar bem no ramo veterinário teria que se esforçar para essa bolsa, e com tudo acontecendo a única coisa que o fazia esquecer de seus problemas além de ajudar na clínica de seus pais, era, bizarramente, estudar.
― Feliz aniversário Neji! ― gritou Hanabi pulando no primo e abraçando-o assim que ele abriu a porta do apartamento.
― Parabéns Neji ― disse Hinata docilmente sorrindo para o primo que devolveu Hanabi no chão, riu e agradeceu as duas.
― Você ta ficando velho Neji, já tem vinte e um, agora você pode oficialmente entrar em todos os cassinos em Las Vegas, tipo, FESTA! ― exclamou Hanabi entusiasmada fazendo os dois familiares rirem.
― Verdade, pena que pra você ainda falta muito ― zombou bagunçando o cabelo da mais nova que mostrou a língua.
― Na verdade nós viemos aqui de passagem porque temos que ir pra casa hoje, você sabe como é o papai com jantares de aniversário, falando nisso você vai não é? ― perguntou Hinata com um tom implorador.
― Claro que vou ― respondeu como se fosse a coisa mais obvia ― é meu aniversário afinal de contas, vou chegar por volta das oito, pode ser?
― Pode sim!
― Então a gente vai indo, a Hinoto-san ligou falando que o papai decidiu entrar na cozinha e tipo, você sabe como ele é ― comentou Hanabi fazendo uma careta, sua irmã arregalando os olhos e segurando o rosto com uma das mãos e Neji sentindo pena dos cozinheiros.
Nem passou uma hora direito depois que as duas haviam ido e a campainha tocou mais uma vez, ele agora estranhando já que ainda era cedo.
― Neji! Feliz aniversário! ― gritou Anko e da mesma maneira que Hanabi pulando em cima dele assim que a porta se abriu. Neji quase perdeu o equilíbrio, mas conseguiu fixar os pés no chão.
― Obrigada Anko ― agradeceu, não ia ficar esquentando a cabeça, principalmente hoje.
― Ui! Alguém acordou de bom humor hoje, isso merece uma segunda comemoração, vamos indo? ― perguntou a mulher abrindo a porta novamente.
― Ir para onde exatamente...? ― perguntou desconfiado.
― Eu não vou te falar né, senão perde a graça, mas é o seu presente de aniversário, você vai adorar! ― disse ela entusiasmada, até demais.
O barulhinho das chaves ganhando a atenção do moreno.
― Eu dirijo! ― exclamou pegando as chaves dela ― só me fala pra onde eu tenho que ir.
― Ta bom, ta bom senhor nervosinho.
― Só pra saber, esse presente não envolve nenhum tipo de transporte não é...?
― Nem!
Ele não ia esquentar a cabeça hoje, não ia, não ia, mesmo com aquele mau pressentimento em sua barriga, era seu aniversario. Pelo menos esse dia sua divindade superior costumava estar do seu lado.
― ANKO! ― gritou ele olhando aterrorizado pela porta aberta do pequeno avião.
― Vai logo sua bixinha! ― zombou ela gritando por causa do barulho do vento. Era quase impossível escutar o que estavam dizendo.
― Você disse que isso não envolvia nenhum tipo de transporte! ― gritou irritado.
― Nenhum tipo de transporte terrestre, sem contar que pára-quedas não é teoricamente um transporte, porque você só cai ― respondeu gritando de volta (para ser escutada) um pouco entediada agora. Sorrindo logo depois ― agora VAI! ― e com um empurrão de suas pernas nas costas dele Neji foi empurrado sem o mínimo de delicadeza pela porta do avião, seu grito sendo abafado pelo barulho forte do vento e das turbinas do avião.
― Minha vez ― cantarolou e num salto pulou da porta também.
Sakura, Sakura, você é um gênio! ― pensava sorridente a rósea indo em direção oposta ao apartamento de seu namorado, estranhando a sensação de dar ás costas para o caminho que ela sempre fazia, não que isso fizesse muita importância.
Mas sinceramente, ela era um gênio.
Flash Back
― E a menina do quinto andar, é um doce sabia Sakura-san, você devia conhecê-la, pobrezinha sabe, ter encontrado o namorado no banheiro com uma menina bem no aniversário de namoro deles, a secretária da clínica quem me contou, sobrinha de uma amiga minha sabe, sempre me ajuda, querendo o bom do próximo, difícil encontrar alguém assim nos dias de hoje vou te contar.
― É mesmo? Deve ser uma menina muito boa mesmo... ― respondeu ela com um sorriso amarelo. Tinha alguma coisa na relação dessa menina com o seu namorado que não lhe cheirava bem.
― Daquelas que morreria se fizesse mal ao próximo sabe?
― Sei sim...
/Flash Back
Ah se ela sabia... Seu sorrisinho cínico sumindo assim que chegou em frente a porta do apartamento, respirou fundo e concentrou-se na imagem de si mesma triste, colocou alguns pensamentos que a perturbavam em ação e pronto, perfeito. Tocou a campainha.
― Sa-Sakura-san? ― perguntou a voz tímida por traz da porta, provavelmente olhando pelo olho mágico, já que em seguida confirmou seu nome e ouviu um barulho de porta destrancando.
― Ei Hinata, tudo bom? ― perguntou ela fingindo curiosidade.
― Tudo sim, e com você? Por favor, entre ― as duas entraram até a sala e se sentaram.
― Mais ou menos pra falar a verdade...
― Aconteceu alguma co-coisa? ― perguntou um tanto relutante, não era muito íntima da moça então não sabia se era certo perguntar, podia incomodá-la.
― Hinata-chan... ― ela olhou para a garota que a olhava com preocupação, isso ia ser tão fácil, tão fácil... Juntou um pouco de lágrimas e encheu seus olhos, preparando-se para o momento chave ― eu acho que o Gaara está me traindo! ― logo tampou os olhos com as mãos e fingiu estar chorando, olhando disfarçadamente a expressão de horror na cara da morena.
― T-T-T-Traindo?! ― exclamou ― e-e-e v-você s-sabe com q-quem?
― Eu acho que é com uma mulher do seu trabalho, ou alguém da faculdade, mas eu tenho certeza disso... Mas Hinata eu amo tanto ele sabe, como ele pode fazer isso comigo! Sabe, a gente namora desde o colegial, acredita?! E se ele estiver me traindo mesmo... Será que eu fiz alguma coisa errada? Será que meu amor não vale a pena?! ― chorou mais ainda, sorrindo maliciosamente quando sentiu ser abraçada.
― N-Não! De jeito nenhum! V-V-Você é muito importante p-p-pra ele, tenho c-certeza Sakura-san! ― disse com vontade, mas com um pingo de culpa também.
― Eu sei, e pensar que eu já até tinha imaginado nós dois casados, sabe, meus pais adoram o Gaara, ele já é praticamente da nossa família, ele não deve mais me amar já que fez uma coisa dessas!
― T-Tenho certeza que não! Ele t-t-te a-a-ama sim...
Elas ficaram por alguns minutos em silêncio, Sakura trabalhando em seu choro e milhares de coisas passando pela mente da pequena Hinata, arrependimento e culpa sendo a maior parte delas, como ela podia fazer isso com alguém? Olha o estado em que Sakura-san estava, e só por culpa sua, se ela tivesse pensado melhor nada disso teria acontecido, tudo culpa sua! Ela não devia nem ter saído de casa no primeiro lugar, não teria conhecido Kiba, não teria conhecido Gaara, não teria partido seu coração, depois concertado-o e destruído ele mais uma vez, estaria com sua irmã em sua antiga casa tocando seu violoncelo como sempre, como deveria estar!
― V-você quer chá? ― perguntou.
― Vou querer sim, obrigada Hinata ― agradeceu a rósea sorrindo.
Andando em direção à cozinha Hinata foi parada por um chamado de Sakura.
― Obrigada mesmo Hinata, sei que não nos conhecemos muito bem, mas me sinto muito melhor depois de ter desabafado essas coisas, sabe, acho que vamos ser muito amigas a partir de hoje, sei que posso contar com você ― enxugou as lágrimas.
― De nada Sakura-san... ― só para Hinata começar a chorar enquanto preparava o chá, como ela podia ser tão suja e horrível, ela não merecia uma amiga como Sakura-san. Mas já sabia o que fazer; ia evitar Gaara a todo custo, não tinha mais o luxo de causar problema e desgraça a mais ninguém. Isso já estava decidido.
É, não to com vontade de sair, então não tem problema se eu chamar ele pra vir aqui ver filmes comigo, não é como se eu tivesse insinuando nada... Meu, que saco! Nem pareço mais eu, dane-se, não quero saber de mais nada. Tenten pegou o interfone e discou para o apartamento vizinho.
― Alô ― disse aquela voz boba dele.
― Ei Kankuro...
― Ei Tenten, de boa?
― Aham... Hm... Eu aluguei uns filmes, você ta ocupado? ― ela só podia ser idiota, como não perguntou isso antes de começar a falar dos filmes! Ela tava tipo, fazendo tudo errado segundo o site de relacionamentos que sua agente indicou.
― Uh! Eu quero sim, você disse que ia alugar aquele filme do cara que nasce velho, não era?
― Benjamin Button...? Esse mesmo ― riu com o entusiasmo dele.
― Chego ai em meio minuto.
E em meio minuto mesmo, tempo de ligar a TV e colocar a pipoca no microondas.
Nada como assistir o por do sol de uma montanha. Mesmo sendo temporada um pouco mais quente, por causa da altitude a temperatura era mais baixo, deixando o clima mais agradável, e os raios de sol e o café com leite só contribuíam.
― Neji, feliz aniversário ― disse Anko saindo do pequeno estabelecimento da montanha para a varanda elevada onde ele se encontrava, ela carregando uma torta de limão em suas mãos e ele olhando-a curioso com seu café com leite em mãos. O lugar estaria vazio se não fosse pelos dois e o casal que administrava o lugar; um pequeno restaurante, todo de madeira, como um pequeno chalé nas montanhas, madeira escura e aconchegante.
― Obrigado Anko ― sorriu e pegou um pedaço da torta ― ei, você lembrou que eu não gosto de merengue ― comentou meio surpreso.
― Huhu, escrevi na minha mão pra não esquecer ― disse ela mostrando a palma com um "nada de merengue!" escrito em preto e piscou. Ele riu.
― Só você... ― em uma garfada comendo um grande pedaço de sua torta.
O filme, assim, era legal, super interessante e tudo, e olha que Kankuro era um grande apreciador de cinema, mas na boa, puta que o pariu, o que era aquele par perfeito de pernas expostas apoiadas no pufe em frente ao sofá, era uma perdição, parecia que tinham posto o maior pedaço da melhor torta de morango em sua frente e ele sabia que não podia comer (a não ser que quisesse estragar sua relação com o belíssimo par e sua dona).
Como ele nunca reparara nisso antes?! É como se uma parte dele estivesse faltando durante todo esse tempo! Mas sinceramente, não estava muito contente em recuperá-la agora... Com toda sua força de vontade, Kankuro enfiou uma mão cheia de pipoca em sua boca e focou, ou pelo menos tentou focar, toda sua atenção no filme. Suas pequenas unhas fincando no sofá quando Tenten resolveu dormir e usá-lo de travesseiro.
Muito bem, Lee e seu professor, Gai, estavam acampando no meio da floresta, ou melhor dizendo "aproveitando a juventude em contato com a natureza" enquanto há tempo. Perder tempo não estava no dicionário de nenhum dos dois. Até porque, pessoas que viajam pra floresta com latas e mais latas de cerveja, que eles agora chamavam só de BREJA, e apenas um frango congelado, fósforos, a roupa do dia seguinte e um violão, tinham que ser jovens, ou apenas plenos imbecis.
― Gai-sensei!
― Lee!
― Gai-sensei!
― Lee!
― Gai-sensei!! ― gritou o mais alto possível ― toque seu violão!
― Tocarei meu caro Lee, tocarei a música da minha vida! ― anunciou Gai pegando seu violão e ajeitando suas calças de spandex verdes.
― Sim! ― ele agora estava totalmente atento.
― Mas antes vamos arrumar as coisas.
Depois de alguns gritos de entusiasmos, alguns gravetos e os fósforos, eles acenderam a fogueira, e colocaram seu frango congelado para assar, que devido à viagem no porta-malas do fusca de Gai já estava parcialmente descongelado, abriram as cervejas e Gai começou a cantar seu hino.
― Água da fonte cansei de beber prá não envelhecer...
[...] Como um sapato velho,
Mas ainda sirvo se você quiser,
Basta você me calçar
Que eu aqueço o frio dos seus pés"
Enxugando suas lágrimas Lee aplaudiu tomando mais um gole de sua quinta cerveja.
― Nossa, estou como um sapato velho, Lee, vamos beber! ― dessa vez colocando Saque junto as quatro próximas garrafas de cerveja que tomaram.
― Pegue sua lanterna Gai-sensei! Vamos dar uma volta! ― gritou Lee tentando conseguir equilíbrio para levantar. Enquanto passeavam Gai apenas reclamava de sua juventude perdida, e em seu apogeu bêbado Lee gritou;
― OLHA! FONTE DA JUVENTUDE! Eu não vou envelhecer! Vou tomar a água da fonte!
E correram até a tal poça de chuva no chão da floresta. O guarda florestal que fazia sua rota e passou pelo local uns cinco minutos depois apenas rindo dos dois malucos vestidos iguais, em suas roupas verdes, cabelos preto tigela iguais e resolveu intervir antes que morressem com a água infectada.
― Com licença senhores, o que estão fazendo?
― Bebendo água da JUVENTUDE! ― apontou Lee agora sentado e limpando sua boca.
― É isso ai que ele disse! ― disse Gai levantando a cara da poça e depois caindo novamente.
― Ah cara, eles tão bêbados! ― disse o guarda com a maior cara de tédio.
― Não! ― disse Lee tentando impor seu respeito.
― Como ousa dizer isso?! ― continuou Gai agora finalmente sentando.
― Onde moram?
― Aqui! ― Lee enfim estendeu um cartão com seu nome, telefone e endereço, apenas o número do apartamento faltando.
― Vou levar vocês pra casa.
Depois de uma pequena viagem de vinte minutos o guarda chegou com os dois bêbados no prédio, Lee passou seu cartão e o guarda chamou o elevador.
― Qual andar?
― 5B!! ― gritou Gai.
Finalmente, finalmente Gaara terminara aquele trabalho maldito e difícil que estava fazendo desde que voltara pra casa, sua vontade agora era dormir ali mesmo, na mesa. Com o resto de bom senso que restava dentro de si ele conseguiu se arrastar até seu quarto, apagou a luz e entrou de baixo das cobertas, caindo no sono instantaneamente. Apenas quinze minutos depois de ter começado seu sono de beleza a campainha tocou.
Abrindo a porta num movimento brusco, não soube o que pensar quando viu um guarda-florestal segurando Gai e Lee que estavam meio acordados meio dormidos.
― Encontrei seu pai e seu irmão na floresta bebendo água da chuva, é melhor você dar alguma coisa pro estomago senão eles podem ter alguma infecção. Estão entregues, tenha uma boa noite ― empurrou os dois para dentro do apartamento e num 'baque' a porta fechou-se.
Um olhar do demônio se formou na face de Gaara, Lee e Gai encolhendo-se.
― Ah, Hinata, tudo bom? ― perguntou Gaara assustando Hinata quando os dois se encontraram no corredor entre seus apartamentos.
― Tudo sim... ― respondeu ela meio ociosa ― v-você?
― Também... Hm, eu queria saber— começou ele, mas antes que pudesse terminar a frase foi interrompido.
― D-Desculpa, m-mas é que eu e-e-estou u-um pouco o-ocupada, c-conversamos outro dia, c-certo? ― seus olhos focados no molho de chaves em sua mão e sem ao menos esperar por uma resposta, ela entrou no seu apartamento e trancou a porta, dirigindo-se diretamente para sua cozinha, sem nem hesitar.
Estranho... ― Pensou ele, não fazendo muito caso.
Assim, essa mulher não tinha casa não?
Shizune fitava com olhos raivosos, como se estivesse fazendo buracos na cabeça da mulher ruiva, parecia que todo o santo dia que ela vinha aqui essa mulher estava aqui também. E Shizune, mesmo que uma pessoa super tranqüila e zen, também como uma humana qualquer tinha seu limite, e além do mais, ela nunca gostou de competição.
Como se tivessem lido os pensamentos umas das outras, as duas viraram os olhos para o moreno que se entretinha com uma partitura na qual fazia anotações, seus óculos de leitura apoiados no seu nariz, seu cabelo negro contornando seu rosto e dando um aspecto mais branco a sua pele perfeita e seu braço apoiado ao lado das teclas do piano... Ui.
Ela pode jurar que escutou Karin rosnar quando a mulher encarou-a mais uma vez, eu ein.
Decidindo que era hora de colocar um ponto nisso, ela se levantou e andou em direção ao piano.
― Sasuke ― chamou ela, ele havia pedido para tirar os honoríficos agora que se conheciam melhor.
― Eu ― respondeu ele tirando os olhos do papel.
― O seu tratamento ta quase pra acabar, a única parte que falta mesmo agora é o relaxamento, daí se você quiser, aqui tem o telefone e o endereço de um SPA ― entregou o cartão ― que é muito bom, e eu vou estar trabalhando lá no fim de semana, então caso você precise de algo específico, pode me chamar, mas eu vou deixar a sua ficha com eles de qualquer jeito, caso você queira ir, vai ser muito bom pra você, tenho certeza ― concluiu.
― Ah, acho que vou sim, fim de semana certo? ― pergunta retórica, ela não respondeu ― obrigado Shizune ― ele meio que sorriu.
Andando em direção ao sofá mais uma vez, Shizune olhou vitoriosa para Karin, não percebendo que no momento em que virou suas costas, a ruiva sorria cinicamente, já estava tudo planejado, quem olharia vitoriosamente pra outra no final das contas seria ela, segundo seus cálculos, tudo daria certo.
Por quê? Por que Hinata, por que você foi responder "já vou!" sem nem saber quem estava na porta? Agora ela não podia fingir que não estava em casa, bem que ela merecia. Quem mandou se meter nessa história culpou-se.
Batendo a cabeça de leve na parede, assustando Maki e Yun que brincavam ali perto, ela finalmente abriu a porta.
― O-O-Oi ― disse sem graça para a figura de cabelos avermelhados e olhos turquesa que estava de pé em sua frente.
― Hm, 'tarde ― cumprimentou ― eu fui na locadora agora e aluguei a trilogia do De Volta Para O Futuro, e da última vez você disse que queria ver, eu vou ver agora, você quer vir? ― ah não, ah não, ah não, isso era um castigo, ela queria tanto, mas tanto ver essa trilogia! Por quê?! Por quê?! Com vontade de chorar ali mesmo ela engoliu o choro e com uma força de vontade monstro respondeu;
― D-D-Desculpa... Mas é-é que eu tenho q-que... Visitar meu p-p-pai, ele machucou a c-c-coluna ― mentiu, Jesus ela era uma mentirosa horrível, desculpou-se com seu pai mentalmente por usá-lo como desculpa e rezou para que isso não voltasse contra si e realmente acontecesse.
― Ah ta... Fica pra próxima ― disse ele levantando uma sobrancelha inexistente e fechando a porta.
Sem nem pensar duas vezes ela correu para sua sala de práticas, fechou todas as portas, todas as janelas, e no escuro mais escuro tocou, tocou naquele escuro todo porque lá ela não podia ver nada, tudo estava escondido, nada era claro, assim como seus sentimentos, suas idéias, suas vontades, no momento nada parecia claro, nada parecia vir no momento em que ela precisava, a solução não chegava, a solução que sua mente e seu coração concordassem.
A única coisa que tinha certeza era que tinha que continuar tocando.
Um pouco mais tarde, nesse mesmo dia, Ino cozinhava seu jantar tranqüila cantando alguma música aleatória que passava no rádio. Sem compromisso. Hoje tudo parecia estar calmo e nenhum problema a vista, esperava terminar a noite assim e ir dormir com a cabeça leve, mesmo com todas as coisas que aconteceram até então. Um dia sem preocupações fazia bem.
Escutou a campainha tocar, limpando as mãos na toalha e arrumando seu avental, foi atender a porta cantarolando. Sendo surpreendida ao abrir a porta e Naruto começar a gritar em sua cara.
― Quer saber? Não agüento mais essa pressão! Eu sou apaixonado por você desde que te conheci! ― e do mesmo jeito brusco e surpreendente que entrou, ele fechou a porta e foi embora, deixando-a completamente chocada, pasma, surpresa e sem reação.
Uns dez minutos depois de fitar sua porta, na espera da campainha tocar novamente, ela saiu de seu transe. Uma raiva subiu por sua espinha.
Nervosa, por ele ter feito isso mais uma vez, ela, sem nem tirar seu avental, saiu de seu apartamento, marchou até o elevador e apertou o sétimo andar, bateu na porta do apartamento até que sua cara boba atendeu a porta, dando uma respirada bem grande ela grita de volta;
― Seu idiota! Eu acho que me apaixonei por você! ― fechando a porta num estrondo ela vira de costas, dá uma risadinha baixinha e vai embora, deixando dessa vez, Naruto surpreso, sem palavras e um sorriso bobo no rosto.
Comentários; ah, acabei... Jesus, eu demorei muito pra fazer esse capítulo, e pensar que a maior parte dele eu escrevi hoje, o comentário do começo da página eu escrevi mês retrasado se eu não me engano, fiquei com preguiça de tirar.
Próximo capítulo; estou aqui dando minha palavra de escoteira que no próximo capítulo vai ter muito Gaara x Hinata, e uma surpresa pra todo mundo, eu ainda morro com essa minha idéia, mas enfim. Espero que vocês não tenham abandonado minha fic, porque eu não abandonei, só tive que deixar por um tempinho maroto 8)
