Prelúdio Para o Amor

CAPITOLO DICIASSETTESIMO

– Temari... – a voz choramingando do outro lado do telefone já fazendo com que a menina suspirasse.

– O que aconteceu pra você tá choramingando assim Kankuro?

– Eu estraguei tudo...

– Estragou tudo o que?

– Com a Tenten...

Um momento de silencio seguiu-se.

– Você é um idiota e você sabe disso né?

– Eu tenho que responder essa pergunta?

– Tem.

– Sim... – respondeu derrotado – eu sou um idiota e eu sei disso, agora por favor, me ajuda! – implorou, a irmã sentiu um pouco de pena, melhor ajudar o babaca antes que ele estragasse mais alguma coisa.

– Ok, então escuta e não me interrompe. Você vai fazer assim, - ela então começou a explicar o plano mais brilhante que ele já tivera ouvido e que se alguém um dia falasse que ele estaria disposto a fazer algo desse tipo ha uns meses atrás, ele teria rido e socado a cara do mesmo. Mas agora era diferente, ele estava mais do que disposto para fazer, ele estava determinado!


Hanabi estava tendo o jantar mais interessante de sua vida, e o melhor é que ela estava assistindo tudo o que estava acontecendo enquanto desfrutava de seu delicioso raviolli di mussarella al pomodoro.

Contudo estava sentindo um pouco de pena de sua irmã, a linguagem corporal da coitada mostrava que para ela esse jantar estava sendo algo parecido como ter que dar uma entrevista, e ela sabia o quanto Hinata odiava falar em público.

A cena se desenrolava mais ou menos assim, por sua perspectiva: Gaara encarava sua irmã, que por sua vez olhava para todos os lugares menos o mesmo e mandava pequenos sorrisos nervosos em direção a Sakura, que tinha uma expressão um pouco irritada no rosto, mas que era facilmente distraída por sua mãe, que de vez em quando fazia um pequeno comentário, mas que na maior parte do tempo mantinha uma conversa dinâmica com Hiashi, que por grande surpresa de Hanabi olhava a mulher com grande ternura que chegava a ser um pouco desconcertante para a filha mais nova do patriarca.

Assim que todos terminaram a refeição ela percebeu o alivio da irmã mais velha, porém, infelizmente, Hanabi se via obrigada de portar más noticias, porque assim que o garçom se aproximou da mesa perguntando se alguém gostaria de pedir mais alguma coisa ela foi a primeira a falar:

– Você poderia me trazer o cardápio de sobremesas, por favor? – e com um sorriso de alguém que ao mesmo tempo pede desculpas por algo que não se pode controlar ela olhou em direção a expressão assustada de sua irmã.


O fim de semana no SPA havia sido extremamente agradável e com poucas casualidades na opinião de Sasuke... Franzindo o cenho um pouco ao recordar as aparições de Karin um tanto quanto inconvenientes em certos momentos.

A caminho de seu apartamento, pouco sabia o mesmo, encontrava-se Shizune, que por acaso cruzou com seu vizinho.

– Shizune, bom te ver – cumprimentou.

– Sim, aliás, queria trocar algumas palavras com você mesmo.

– As coisas estão indo mal com o idiota do meu vizinho? – perguntou um pouco preocupado.

Ela riu.

– Não, não, estão indo bem! Tirando uma certa pessoa que parece adorar ser uma inconveniência – essa ultima parte resmungando com cara de desgosto, fazendo com que Neji desse uma risada. – e a Anko, como vai?

– Bem e doida que nem sempre, mas não escolhemos essas coisas não é?

– Fato, o que queria falar na verdade era que acho que chegou a hora de pararmos de infernizar a vida deles e tentar acertar as coisas, não acha?

– Acho uma ótima ideia.

Continuaram a conversa compartilhando alguns acontecimentos dos quais deram risadas até que Neji olhou para seu relógio e percebeu o quanto estava atrasado e apos se despedir, saiu num passo apressado em direção ao elevador e Shizune tocou a campainha do apartamento de Sasuke.


– Gaara? Tá em casa? – ouviu o amigo chamar na porta enquanto tocava na campainha. Suspirando Gaara saiu de seu escritório e foi em direção a porta. Ia fazer essa conversa o mais direta e pequena possível.

– E ai, como você tá? – Kiba perguntou entrando na casa e se acomodando no sofá.

– Ocupado, cheio de trabalho, um pouco irritado – antes que o moreno pudesse perguntar qualquer coisa ele decidiu tratar do assunto – Kiba, a Hinata é muito especial pra mim, e eu gosto dela, romanticamente falando.

Kiba que estava distraído parou todos os movimentos e ficou tenso no sofá. Passados alguns segundos olhou indignado para Gaara, e sem abrir espaço para qualquer raciocínio socou o rosto do amigo.

– Você tem coragem de falar uma coisa dessas? – gritou nervoso – pra mim? – enquanto tentava acerta-lo novamente, mas sem muito sucesso e recebendo um soco de volta caiu no chão.

– Não me vem com essa conversa Kiba, você sabe muito bem o que fez e ela quem decidiu não ficar mais com você, cedo ou tarde outro alguém ia aparecer!

Eles agora eram uma massa de corpos no chão se debatendo uma contra a outra.

– Seu desgraçado!

– E você nem é idiota né?

– E você é uma criança!

– E você o cara mais maturo que eu conheço!

– Filho da puta!

– Você que é filho da puta!

– Não vem xingar minha mãe seu escroto!

Os xingamentos foram ficando cada vez mais surreais e ridículos conforme as energias iam acabando e as respirações ficando ofegantes até que estavam os dois jogados no chão um ao lado do outro.

– Você gosta dela, e eu gosto dela. – não era uma pergunta, Gaara estava apenas constando fatos.

– E eu não vou desistir, nem você – continuou Kiba.

Um tipo de compreensão mutua pairava no ar e após alguns minutos de silencio Kiba expressou:

– Essa foi a briga mais ridícula que eu já tive com você. Não digo o motivo, mas desnecessária.

– Que bom que eu não fui o único que pensei nisso – respondeu Gaara, rindo um pouco, e o amigo logo se juntou na risada.


– Obrigada por vir Tamaki – agradeceu Hinata com toda honestidade.

– Que isso, já disse que to aqui pra essas coisas! – comentou a amiga se deliciando com o sorvete enquanto escutava a epopeia que foi o jantar dos Hyuuga com as Haruno e um certo convidado ruivo – mas esse tal de Gaara, você gosta dele? – perguntou sem malicia.

Hinata suspirou, frustrada e tristonha.

– Não sei, tudo tem acontecido muito rápido e eu não sei muito bem o que achar das coisas, tudo o que eu queria fazer era sumir por um tempo...

– Hm... – começou a amiga, dando mais uma colherada no seu sorvete e continuando com a boca cheia, fazendo Hinata sorrir um pouco – sei que eu to me intrometendo um pouco, mas eu ouvi o seu agente falando com o meu professor de composição que você tinha sido convidada pra tocar no festival de verão de Viena, porque você não vai?

– O festival de verão! Eu tinha me esquecido! – comentou ela surpresa, um brilho novo em seus olhos – não acredito que esqueci... Sim, sim! Eu vou, com certeza, não só para a minha carreira, é a solução perfeita – um sorriso aliviado decorava o rosto branquinho e pequeno da menina.

– Isso ai, vai ser bom pra arejar a cabeça, varrer as ideias erradas, organizar a bagunça mental, e descansar, sair dessa cidade por um tempinho.

Dando uma grande colherada de seu sorvete Hinata pegou o celular decidida e pressionou o numero de ligação rápida, seu agente atendendo no mesmo segundo.

– Pode confirmar minha presença no festival de verão de Viena.


– Você o que...?

– Eu acredito que a melhor solução agora é a de nos separarmos Sakura... Para o beneficio de ambos... – Gaara respondia pela segunda vez a indignação de Sakura irritado, mas disfarçando bem a irritação com sua mascara de paciência.

– Beneficio de ambos? Como beneficio de ambos se eu não concordo com isso? – ele só queria sair correndo pela porta, Sakura nervosa era algo que ele odiava ter que lidar com.

– Mas eu concordo, não existe uma relação de um lado só, eu estaria mentindo para você e para mim mesmo e ninguém ficaria contente, seria tudo uma grande mentira, Sakura eu realmente sei que é o melhor para mim e para você, sinto muito... – sem dar chance dela continuar, ainda mais com seu argumento que a deixou um pouco chocada ele se foi em direção da porta sem olhar para trás quando escutou o barulho de algo quebrar dentro do apartamento.


Kankuro sorria maniacamente para a tela de seu computador enquanto fazia as ultimas edições no arquivo .mp3 que acabara de gravar. Mais uma vez olhando orgulhoso para o microfone encostado sob a mesa.

Dando um gole de seu shot de whisky, afinal um empurrãozinho de coragem nessas horas era sempre bom, ele colocou o laptop em baixo do braço e andou em direção a sua varanda e com muito cuidado pulou para a do lado, suas suspeitas sendo confirmadas: Tenten estava fora de casa e sua varanda destrancada.

Cuidadosamente ele entrou no apartamento e perambulou pela sala, em busca de um objeto em particular.

Ficando um pouco frustrado, pois não o encontrava ele policiou sua respiração, nada de entrar em pânico, olhando com calma novamente ele viu o que procurava ao lado da pia da cozinha, o iPod de Tenten, sorrindo ele pegou o objeto, confirmou qual era a musica mais escutada, dando uma risada alegre quando percebeu que ele gostava da musica, e conectou o iPod em seu computador, substituindo o arquivo da musica com o que ele havia gravado.

Desconectando tudo e com muita cautela ele colocou o objeto em seu devido lugar e saiu apressado do apartamento, como se sua presença jamais tivesse entrado ali antes.


Despreocupado com o resto do mundo, como sempre, Naruto cantarolava uma musica qualquer segurando sua sacola de compras enquanto passava o cartão da portaria do prédio, mas sussurros de conversas no hall de entrada colocaram sua cantoria em pause, tinham poucas coisas que atraiam Naruto como uma boa fofoquinha.

Se escondendo não muito bem atrás de um dos vasos ele tentou escutar a conversa entre Kankuro e Chiyo-san, ele falava alguma coisa de flores, que precisava de flores e algumas outras coisas do supermercado, e entregava dinheiro na mao da mulher que sorria.

Hm... isso não parecia muito interessante, ele tava com fome, mas também não podia sair de trás do vaso agora que já tinha se escondido...

– Comida... – Kankuro dizia e o pensamento de Naruto estava distante e ao mesmo tempo em sintonia com o discurso do morador do primeiro andar, o loiro sorriu quando lembrou do peso que faziam os lamens em sua sacola – musica... – musica? O que Kankuro queria falar de musica com Chiyo-baachan? Peraí, comida e musica? Mas que filho da mãe, Kankuro ia dar uma festa escondido!

Assim que Kankuro e Chiyo-baachan partiram por seus caminhos Naruto saiu correndo em direção ao elevador, já que Kankuro optara pelas escadas, apertou o quarto andar e ainda com as sacolas na mão bateu desesperado na porta de Sasori, que em poucos minutos abriu, um pouco assustado.

– Aconteceu alguma coisa?

– Hn, não... Digo sim! Aconteceu! Nosso boneco funcionou, e apesar do Gaara ter negado eu sei que ele se assustou! – disse ele triunfante, e depois se socou mentalmente – mas não era isso que eu ia falar! Sasori, o Kankuro vai dar uma festa, hoje a noite, e ele não ia convidar a gente, mas a gente vai! – disse ele decidido.

Apos discutir os detalhes de como iriam invadir a festa de Kankuro, Naruto se lembrou do que estava planejando fazer antes de se distrair com tudo o que tinha acontecido, e xingando seu déficit de atenção ele foi correndo para seu apartamento, onde deixou suas sacolas, e sem pensar duas vezes deu meia volta e pegou o elevador novamente, dessa vez descendo para o segundo andar e tocando a campainha.

– Naruto, aconteceu alguma coisa? – Ino perguntou um pouco preocupada com o estado ofegante e cansado do loiro.

– Por que ta todo mundo perguntando isso hoje? – questionou ele um pouco baixo e sem ar.

– Bem, você é meio estranho, então não me surpreende muito, mas então... – ela continuou, sem saber muito bem o que ele queria, e um pouco encabulada.

– Ino-chan! Eu pensei que a gente podia dar uma volta no parque! – convidou ele empolgado, e ela sorriu.

– Podemos, mas depois, antes tenho que passar em um lugar – só agora ele reparara que ela estava com uma bolsa pendurada no ombro e pronta para sair – mas só se você quiser.

– Aonde a gente vai? – ela achou muito fofo que ele perguntou, mas mesmo assim continuava seguindo ela

– Eu marquei da fazer a minha tatuagem hoje, vou entender se você não quiser vir – disse ela honesta, apesar de que esperando que ele fosse. Riu um pouco do pensamento.

– Eu vo! Obvio que eu vo! Porque dai se doer você segura minha mão! – os olhos da menina brilharam, a resposta perfeita.

E segurar a mão dele ela segurou, e Naruto não se arrependeu nem um pouco quando olhou para sua mão roxa, ele apenas sorriu e muito contente e honesto elogiou a tatuagem na costela de Ino, uma belíssima e delicada pena.

– Obrigada mesmo por vir Naruto... – ela disse meio sem jeito, mais ainda quando olhou a mao roxa dele – desculpa, acabei apertando demais a sua mão – ela riu meio nervosa.

– Que isso! Eu disse que vinha pra isso – o sorriso nunca deixando o rosto dele.

Dando uma risadinha ela o pegou pela mão e o levou até um carrinho de crepe perto do centro onde eles estavam e o agradeceu com um crepe de nutella com morango e um beijo docinho.


– Ele acha que me engana, sei muito bem que foi por causa daquela megera dissimulada que ele terminou comigo! – Sakura não se encontrava em um de seus melhores estados psicológicos, e estava, francamente, pouco se preocupando se alguém escutasse seus gritos psicóticos.

– "Ai, eu sou uma coitada, ai, eu não sei falar direito, ai, eu sou tão inocente e eu toco um instrumento maior do que eu, e eu pareço uma retardada carregando essa bosta!" – ela dizia em uma voz aguda fazendo uma impressão afetada de Hinata – "e eu sou virgem e não vou dar pro meu namorado pra depois terminar com ele porque uma outra vadia quis abrir as pernas antes do que eu!" – uma risada um pouco descontrolada saiu depois dessa frase, suas risadas levando-a até o chao, risadas que logo se transformarão em choro, e sons agoniantes de dor, ela realmente amava Gaara, e ele não era uma pessoa fácil de se lidar, tampouco a mais agradável de todas, mas ela amava ele pelo que ele era, e eles davam certo. E isso tudo machucava.

– Imbecil, sem coração, como se ele fosse a pessoa que todo mundo mais quisesse transar! Tomara, tomara, mas tomara tanto que essa filha da puta parta o coração dele, tomara que ele sofra tudo o que eu to sofrendo, imbecil! Imbecil! Imbecil! – seus gritos se tornavam mais altos conforme os xingamentos alternavam, ela agora rasgava fotos, quebrava copos, chutava os sofás, até que sua casa se tornou uma bagunça e em meio ao caos Sakura Haruno teve uma epifania.

– Se eu não vou ser feliz, então ninguém mais vai ser, eu posso fazer a vida de todo mundo miserável que nem eu me sinto! – e com um sorriso que ocupava seu rosto inteiro ela saiu de seu apartamento e delicadamente fechou a porta, andando, graciosa, em direção ao elevador.


Comentários; crianças, a vida é complicada e difícil, e no final das contas a gente tá sozinho, por isso aprendam desde já a dependerem apenas de si mesmos, sejam completos consigo mesmos, que baste a própria companhia. Amém.