Prelúdio Para o Amor
CAPITOLO DICIANNOVESIMO
Shizune não precisou esperar muito, depois de sua breve conversa com Neji no corredor, para que Sasuke abrisse a porta, com um pequeno sorriso no rosto, quase imperceptível, mas não para ela.
- Em que posso ajuda-la, Shizune-san? – ela tentou controlar os pensamentos quando percebeu que ele estava com o cabelo molhado e deveria ter saído do banho recentemente.
- Bom, Sasuke-san, passei para comprar algumas coisas na farmácia homeopática aqui perto e como estava a caminho do centro para ir ao cinema, pensei em passar aqui e perguntar se você não gostaria de me acompanhar.
Sasuke a encarou um pouco surpreso, sem saber se era verdade o convite que ela estava fazendo, afinal de contas, ela raramente iniciava qualquer convite.
- Então? – indagou a mulher novamente, sorrindo.
- Vou pegar minha carteira.
O músico não teve tempo de perceber a pequena risada triunfante que saiu dos lábios da fisioterapeuta.
A concentração de Kiba se dispersou quando ele ouviu o sinal que indicava o término da prova enquanto ele preenchia as ultimas duas questões. Suspirando aliviado e exausto ele juntou seus materiais e aguardou em seu lugar até que um dos supervisores passou recolhendo o papel de respostas.
Se ele tinha ido bem, não fazia ideia, a mais vaga ideia, o que era estranho... Havia respondido todas as questões, confiante em algumas e nem tanto em outras, e claro, aquelas que ele não fazia ideia do que estava escrito no papel e rezava para que sua sorte fosse boa ao circular uma alternativa qualquer.
Espreguiçando os braços sobre a cabeça e estalando os dedos enquanto saia pelas portas de vidro do prédio ele ficou surpreso ao ver Gaara encostado em seu carro. Pensar que ele estava ali aguardando Kiba sair parecia uma ideia surreal, mas era o único motivo plausível que passou pela sua cabeça.
- Dando uma volta pela cidade? – perguntou Kiba tentando fazer uma graça.
- Me disseram que tinha alguma coisa interessante acontecendo por aqui, mas um monte de gente destruída saindo de um prédio não é o que eu chamo de entretenimento – brincou Gaara, aproveitando a deixa de Kiba para quebrar qualquer tipo de tensão.
- E você vai me oferecer uma carona né? É maldade vir até aqui e me fazer pegar o metro.
- Kiba... – o tom de Gaara agora era um pouco sério – você sabe, que não importa o que aconteça... Eu sempre vou te considerar meu amigo, não sei como é pra você, mas espero que seja a mesma coisa
- Gaara você não é a pessoa mais fácil de se lidar – Gaara olhou para o amigo um pouco duvidoso, sem saber onde ele queria chegar com isso – e se eu continuo do seu amigo até hoje, é porque eu vou ficar por um bom tempo, a gente se conhece ha uma cota já, não vai ser uma situação meio cabeluda que vai estragar tudo que a gente tem de bagagem junto né – e dando uma risada ele passou o braço pelo pescoço de Gaara, abraçando-o meio de lado.
- Até que você é capaz de dar um bom discurso, me surpreendi – Kiba fez cara de quem se sente insultado, depois dando risada.
- Vamo que eu to com fome, e você vai me pagar um almoço!
Resmungando algumas palavras feias de brincadeira Gaara no fundo se divertia em ter o amigo de volta.
Sakura expirou profundamente quando começou a sentir o seu estado de consciência aumentar conforme ela ia acordando de seu sono, podia sentir seu corpo cada vez mais fazendo com que ela espreguiça-se as pernas, braços, tronco, ocupando quase todo o espaço de sua cama.
Como era bom dormir em paz e acordar naturalmente.
Com os pés descalços Sakura caminhou até a cozinha e preparou um café, prendendo os longos cabelos rosados e bagunçados em um coque bem mais ou menos, pouco se importando com a estética da coisa. Ela pegou a granola e o iogurte e deu inicio a sua rotina matinal, numa tranquilidade que ha duas semanas atrás parecia ser impossível de se alcançar... Desde sua conversa com Sasori, ela havia encontrado uma parte de si mesma que sequer conhecia, e sinceramente, estava gostando muito desse seu novo estado de espirito, aprendendo a lidar consigo mesma, conviver com a própria companhia, sozinha.
Sua contemplação de existência foi interrompida quando algo fora do comum chamou sua atenção, um dos envelopes de sua correspondência não correspondia a sua pessoa; o endereço estava certo, o andar também, porém o nome e o numero do apartamento estavam errados. O envelope não tinha remetente, e com exceção do nome e endereço escritos bem pequenos no canto não trazia consigo nenhuma informação, com medo de ser algo importante Sakura foi até seu quarto, trocou a camisola por um simples vestido camiseta cinza, colocou um par de alpargatas e atravessou o corredor.
- Sakura? – Sasori não disfarçava a surpresa ao ver a vizinha em sua porta.
- Bom dia, entregaram uma correspondência sua no meu apartamento por engano, - explicou ela entregando o envelope para o ruivo – não sabia se era importante, então resolvi entregar agora antes que esquecesse.
- Ah... Obrigado.
- Um bom dia pra você – desejou ela, mas antes que pudesse se virar sua barriga resolveu dar um oi pra todo mundo, e o rosto ruborizado e em pânico de Sakura fez com que Sasori começasse a rir – desculpa... – disse ela muito sem graça.
- Não tem problema – ele disse entre risadas, deixando-a ainda um pouco mais sem jeito, poxa, ela tinha saído pra entregar a carta sem nem tocar na sua granola direito... – eu acabei de pedir comida chinesa, chegou faz pouco tempo e tem muito mais do que eu pedi, afim de uma culinária asiática?
Sasori não conseguiu identificar a expressão no rosto dela, mas quando ela sorriu ele entendeu que estava tudo bem.
- Por que não, né? – e pedindo licença ela entrou na casa dele.
Mitarashi Anko era muitas coisas, entre suas características, algumas que se destacavam mais eram: imprevisível, inconsequente e algumas vezes, ou muitas vezes, perversa. Ou pelo menos Neji tinha certeza de que ela era perversa, porque isso só podia ser maldade, quem faz uma coisa dessas com outra pessoa.
Era uma tarde de garoa, e o habitante da cobertura descansava em seu sofá lendo um livro qualquer de filosofia dos sonhos, sua hora de paz e desconexão com o mundo externo.
Mas como todas as vezes que ele tentava descansar e se desligar do resto do mundo, algo sempre o trazia de volta, como a sequencia de batidas na porta que anunciava a presença de certo individuo. E apesar de muito querida, agora era uma das horas em que ele definitivamente prezava a sua solidão. Porém levantando de seu aconchego ele abriu a porta.
E depois se perguntou por que diabos abriu a bendita porta.
O forte impacto em seu rosto, ele só sentiu o efeito alguns segundos depois do choque ter passado, e tinha certeza que a falta de reflexos ia deixar uma grande marca vermelha em seu rosto, e antes que pudesse argumentar ou expressar qualquer tipo de indignação sentiu seu rosto ser puxado bruscamente por duas mãos e seus lábios entrarem em contato com outro par.
E assim, desse mesmo jeito surreal que tudo aconteceu, Anko desapareceu, como se nunca o tivesse visitado em primeiro lugar.
Neji se sentiu violado, por alguma razão.
- Hanabi, estou planejando levar Haruka-san para viajar e gostaria de saber se isso te incomodaria – comentou Hiashi durante o jantar, quase fazendo a filha cuspir a comida.
Seu pai jamais lhe dava satisfação, muito menos uma satisfação que viesse com pedido de autorização. O que quer que esta mulher estivesse fazendo com seu pai, ela tinha certeza que era bruxaria, e não sabia se gostava ou não.
- Hm... Não...? – respondeu um pouco incerta.
- Pensamos em te convidar, mas Haruka-san disse que provavelmente a viagem seria muito tediosa para você, já que vamos para Kyoto.
- Ahn, não, não quero mesmo, prefiro ficar por aqui.
- Pois bem, vou avisar o cozinheiro de que será somente você aqui.
- Na verdade... Eu falei com a Hinata, e eu vou ficar na casa dela essa semana, então só vou precisar de comida semana que vem – obvio que ela não tinha falado com a irmã, mas Hinata não ia se importar.
- Tem certeza? – a menina confirmou com a cabeça – bem, nós voltamos em duas semanas, partimos amanhã.
E foi assim que Hanabi terminou passando suas tardes no apartamento de Chouji, assim que Deidara descobriu que ela ocupava o apartamento do quinto andar, jogando intensas rodadas de UNO e Poker com Lee, Tenten, Kankuro, Sasori, Shino, Deidara e o dono da casa, que a cada dia criava uma nova receita de aperitivos.
Foi na sala de espera do seu dentista que Naruto teve a maior epifania de sua vida, se considerarmos o fato de que todas as vezes que o loiro passava por uma epifania ele a considerava a maior de todas.
Suas mãos seguravam com força a revista, abrindo-a o máximo possível, em seus olhos, um olhar de muita concentração e choque, o conteúdo da página estava impresso em uma batalha de tons cor-de-rosa, roxo, dourado e muita, muita poluição visual, típica de revistas de Gal Girls japonesa.
Segundo a lista de passos para um relacionamento estável e duradouro, Naruto tinha feito praticamente tudo errado, pois ele não havia levado Ino em um primeiro encontro oficial, com esse conhecimento seus olhos se dirigiam a imagem ilustrada de um casal andando de mãos dadas tomando sorvete enquanto andavam descalços ao entardecer meio a uma linda praia, ele não podia acreditar... Como poderia ter cometido tal gafe?
Mas as coisas não iam ficar assim, ele ia bolar um plano...
E não ha nada mais irritante do que lidar com a hiperatividade de Naruto quando ele está inspirado, então foi preciso um belo shot de morfina e muita luta para que o bendito ficasse quieto e o dentista finalmente conseguisse fazer o tratamento na boca do paciente, nada que ele não estivesse acostumado.
Em meio ao seu estupor de morfina, ele se deu conta de que estava em casa com pelo menos cinco abas de internet abertas com as informações que ele precisava, para fazer um encontro perfeito, porém nenhuma das atrações locais pareciam ser suficientes para o tipo de efeito que ele queria causar...
Um momento... Mas... É isso!
- Isso! – e pulando da cadeira Naruto foi correndo para o quarto buscar sua carteira e depois voltou para frente do laptop, se sua memoria não lhe falhava, a revista também dizia que um dos passos importantes de um relacionamento estável e duradouro era ter uma primeira viagem juntos, então por que não tirar proveito das duas coisas? Sua confiança era tanta de que seu plano era perfeito que quando ele comprou os ingressos e alugou um quarto de hotel ele sequer pensou na possibilidade de Ino dizer não...
E ela não disse, muito pelo contrario, ficou tão animada quanto Naruto para o plano, afinal de contas, não é sempre que você consegue companhia para ir aos três dias do Fuji Rock Festival! Praticamente todas as bandas que eles mais gostavam iriam tocar nos três dias e a pousada que Naruto conseguira um quarto era uma típica e charmosa pousada tradicional.
Lembraremos dessa viagem como uma daquelas viagens que você não quer esquecer os mínimos detalhes, sabe? Que qualquer coisinha se torna tão preciosa, que da até pena de esquecer, desde o medo que os dois partilharam do avião e destruíram um a mão do outro de tanto apertar, até o carro alugado que era muito meia boca e fazia um barulho ridículo, até a subida que o carro não conseguiu subir e ele teve que descer e empurrar o carro enquanto ela chorava de rir e mesmo assim o sorriso nunca saia do rosto dele... E a chegada na pousada, quando eles só foram até o quarto e sem nem trocar de roupas se tacaram no futon e dormiram profundamente, e na manhã do dia seguinte em que devoraram o café da manhã e depois de um longo banho nas fontes termais se encontraram em meio aos cobertores e sorrisos, na primeira vez que se tornaram um...
Até a imagem, que nem ele, nem ela, jamais terão coragem de esquecer... No meio de uma multidão, de sorrisos honestos e boas energias, de estranhos dançando, rindo e pulando, e de um som que consigo trazia uma promessa de esperança e verdade, ela, com o cabelo num coque bagunçado e uns fiapos grudando em seu pescoço suado e o rosto com diferentes luzes, ainda mais de seus colares de neon reluzentes e ele, já sem camisa e com o peito inteiro pintado de tinta colorida, presente de um estranho qualquer, recebeu dela o maior presente de todos. Três palavras, sete letras, ausência de som.
- Eu também – ele respondeu.
Cada pessoa tem a sua maneira particular de lidar com os acontecimentos de suas vidas... Gaara nunca fora uma pessoa muito emocional, nunca tivera que lidar com esse tipo de vazio que ameaçava tomar conta de seu consciente e transforma-lo em uma maquina de procrastinação.
Estaria mentindo se nunca tivesse sentido tristeza ou um outro tipo de vazio... Apesar de distante de seu pai, quando o mesmo faleceu ha algum tempo, sentira parte de sua infância se desfazer, e afinal de contas, o homem era seu pai, independente da proximidade dos dois, ambos desfrutaram alguns momentos especiais juntos...
Mas estes sentimentos, referentes a ausência da pequena presença do outro lado do corredor, ele não entendia, não sabia como lidar com eles e faze-los desaparecer, então a única maneira que encontrou de fazer com que sua cabeça esquecesse dessa preocupação foi se submergir de trabalho, pilhas e pilhas de documentos ocupavam sua mesa e deixavam seu escritório com uma atmosfera caótica.
Gaara estava utilizando de suas férias para analisar contrato por contrato de todos os clientes com quem eles trabalhavam, antigos, novos e até os que não tinham mais conexão com a empresa. Era um trabalho que um dia precisaria ser feito, porém quando feito, com certeza seria feito por um estagiário qualquer, e não o presidente... Contudo, nesta pilha de abominações, ele enxergava sua salvação.
- Você vai ser engolido por esses documentos um dia... E vai parar num mundo imaginário com várias assinaturas te perseguindo e eu quero isso bem longe de mim, sabia?
Tirado de seu estupor pelo comentário extremamente ridículo Gaara olhava a presença que o tirara de sua concentração; Kiba estava encostado na parede e em sua mão direita estava uma sacola de plástico com um cheiro delicioso.
- Não tenho ideia do que você tá falando...
- Ah, e é melhor não ter mesmo, porque quando isso acontecer eu vou escrever uma ficção e lucrar em cima da sua historia, ficar milionário e nunca mais trabalhar – Kiba afastava algumas pilhas de documentos abrindo espaço em meio a zona que era a escrivaninha de seu amigo – se eu não trouxesse comida pra você todos os dias a sua empresa não ia mais ter um chefe, você já ia tá morto de fome e desidratação.
Gaara olhou um pouco atravessado para o outro, sabia da verdade em suas palavras, mas não precisava e nem queria admitir que era irresponsável, ou agradecer. Apesar de que não agradecer era mais para provocar o amigo do que qualquer outra coisa.
- Indiano, de novo? – o sorriso maldoso nos lábios de Gaara deixou claro que ele não tinha gostado do comentário, mas quanto a isso Kiba deu risada e retrucou.
- Não me vem com essa, se não fosse eu você nem taria comendo seu babaca.
Comentário; eu sei, vai ter gente que vai me xingar por não ter nenhum Gaara x Hinata aqui, mas honestly, já deu pra perceber que a fic não é só deles, adoro todos os meus personagens (tanto que, esse trecho do Naruto com a Ino me deu vontade de escrever um oneshot dessa viagem deles, mas isso mais pra frente, ainda tenho duas fics pra terminar haha), sem contar que a Hinata tá viajando, seria meio nada haver ela aparecer nesse capitulo, em fim, pequenos, mais dois capítulos pela frente!
