Desclaimer: Jared e Jensen não me pertencem, o que é uma pena, e escrevo essa fic apenas para a minha diversão e para a diversão de quem vai ler e sem nenhum fim lucrativo.


Titulo: Refuge
Beta-Reader: EmptySpaces11
Fandom:
Supernatural / RPS
Classificação: M/NC-17/Slash.
Avisos: Universo Alternativo, Repostagem.

Sumário: Jared Padalecki resolve seguir seu sonho e viajar pelo mundo com uma mochila nas costas. Jensen vive uma pacata vida nas montanhas como um caçador. E se conhecem graças ao bondoso e maquiavélico Jeffrey. Padackles - AU.

FanMix: http : / br4 . in / aVrxS ; Por Draquete. Obrigada querida, você sabe o quão importante foi essa fanmix pra mim.

Capa: http : / br4 . in / ubp7o ; Por EmptySpaces11. Obrigada amor. Você me surpreendeu quando me mandou. Amei muito ela.


Capítulo V


Jared fechou os olhos mergulhando na sensação de estar nos braços de Jensen. Ele era quente e vivo, e, a forma como ele o abraçava confirmava a sua própria necessidade, e do que precisava.

O rosto de Jensen estava imerso na curva de seu pescoço, sentia a respiração dele bater contra sua pele, e os braços tremiam quando ele o pressionava contra si, mas nem por um segundo Jared se importou. Em vez disso, seus próprios braços o envolveram, fazendo com que os corpos se aconchegassem mais um no outro. E suspirou. De prazer. O corpo dele era maravilhoso. Musculoso e firme, acomodando-se e moldando-se, para encaixá-lo perfeitamente.

Mesmo tendo sido amante de Tom por longos anos, ele jamais se movera para acomodá-lo, e sentia falta disso, tanto física quanto emocionalmente. E o fato de Jensen não saber nada sobre ele, e de não saber de sua necessidade, tornava o momento ainda mais maravilhoso e único.

Mas deixaria para pensar nisso depois. No momento estava ocupado em absorver o máximo de conforto que aquele corpo ao seu lado poderia proporcionar. Moveu as pernas de forma que elas enlaçassem as de Jensen. E seus dedos acariciavam os cabelos dele, de uma forma que nem mesmo sabia que poderia fazer. Acariciava como se quisesse reconfortá-lo.

Jensen também estava repleto de uma sensação gratificante. Sentia Jared da cabeça aos pés, e sorvia aqueles toques como se estivesse sofrido um longo tempo, sem ter com quem contar.

Assim como aconteceu com consigo, desde o nascimento. Seus pais foram pessoas maravilhosas, mas os dois trabalhavam demais, envolvidos nas carreiras, não tendo tempo para dar atenção a ele. Ele nascera com necessidade de toque físico?

Se fosse isso, estava explicado porque se voltara para as mulheres e homens assim que teve idade para isso. Só que não ficava satisfeito nunca, sempre queria mais e não conseguia apreciar o que possuía.

Até aquele momento. Envolvendo Jared Padalecki em seus braços, e sendo envolvido da mesma forma, sentindo o calor e a força que ele tinha, fazendo-o mergulhar em uma das melhores experiências de sua vida. Ser abraçado de forma reconfortante pelo que é. E não por seu status como Super Star ou por seu dinheiro. Jared precisava dele, assim como ele precisava de Jared.

Jared deixava escapar alguns sons de sua garganta, que para Jensen era muito gratificante, e sabia que os mesmo sons escapavam da sua também, pois estavam se completando, dando ao outro o que precisava. Carinho e aconchego.

Por um longo tempo permaneceram nos braços um do outro. A proximidade era um bálsamo de cura. Expulsando memórias dolorosas do passado. Nada existia, a não ser o presente, e era tão reconfortante, que nenhum dos dois queria quebrar o contato.

Ironicamente, o que perturbou foi aquilo que o conforto trouxe. Isolados da tristeza e da solidão, veio uma nova consciência;

Jared sentiu o cheiro e o calor de Jensen, da mesma forma que o outro estava sentindo. Os toques cada vez tomavam um caminho diferente: ao invés de reconfortar estava instigando, excitando.

Não estivera pensando em sexo quando tomara Jared em seus braços. Queria apenas abraçá-lo e sentir-se abraçado.

Desejara naquele momento sentir outro ser humano junto ao corpo, porem seu corpo era insistente. Seu coração começara a bater mais forte ao sentir as carícias mais ousadas de Jared. Sentiu seus músculos assim como os dele ficarem tensos cada vez que se tocavam.

Ele estava com a camiseta, mas estavam tão próximos que ela quase não era sentida. Teve vontade de rasgá-la. Nunca fora atingido por essa sensação, tão boa de forma inesperada e desesperada.

Jensen poderia muito bem ter se controlado se cada carícia de Jared, que deslizava seus dedos pela pele exposta pelo fino pijama, se não tivesse jogado seu autocontrole para longe daquele quarto. Havia notado que a respiração dele era curta, assim como a sua, e os movimentos que faziam com os quadris, não eram nem de longe, considerados inocentes.

Não sabia quem havia começado, mas também não queria saber. A única coisa que sabia naquele momento era que queria sentir mais daquele contato. Puxava e apertava Jared contra seu corpo, movimentando o corpo na mesma intensidade que ele, indo para frente e para trás.

Não sabia como, mas os toques que Jared dava em suas costas por baixo do tecido eram como se enviassem uma onda de prazer que refletia em seu membro.

Jared não sabia em que momento daquele abraço havia desviado para o que estava acontecendo, mas não seria ele a ser o sensato e realista. Deixou suas mãos deslizarem das costas de Jensen para seu quadril, prensando-o contra o seu. E foi nesse momento que percebeu, que o prazer que estava sentindo, era o mesmo que Jensen estava sentindo ao seu lado.

Levando lentamente as mãos para dentro do calção do pijama de Jensen, e sendo seguido por Jensen que fazia o mesmo. Tocou o membro dele, quase no mesmo instante em que foi tocado. Arfaram. Os movimentos que sua mão iniciou, foram por puro instinto. Escutando Jensen suspirar um pouco mais forte, intensificou os movimentos, enquanto ele movia os quadris requerendo mais contato.

Movia os quadris, investindo contra a mão de Jensen que lhe proporcionavam o mesmo prazer que estava proporcionando a ele. Afundou a cabeça no pescoço do loiro, deliciando-se com o cheiro que ele emanava. E com um longo gemido despejou seu prazer, puxando Jensen para mais próximo de si, sem parar os movimentos que sua mão fazia, intensificando as investidas para que ele sentisse o mesmo prazer que havia sentido. Não demorou muito para que Jensen despejasse também sua satisfação, e sentiu gosto de ver o rosto dele se contorcer em puro prazer.

Estavam satisfeitos, permaneceram abraçados até normalizarem suas respirações, mas nenhum dos dois queria acabar com aquele contato. Estavam cansados demais, e com um último aperto, num abraço, dormiram um envolvido nos braços do outro. Eles não veriam, mas havia um sorriso estampado no rosto de cada um.

—X—

Jared abriu os olhos e tateou a cama ao seu lado, vendo que estava sozinho. Olhou para janela, e a chuva continuava há cair um pouco mais forte que nos dias anteriores e suspirou.

Sentou-se sobre a cama, sentindo-se levemente disposto, com certeza se estivesse em New York, se arrumaria para uma longa e gratificante corrida no Central Park. Suspirou novamente. Seria maravilhoso correr mata adentro, mas aquela chuva não ajudava em nada.

Estranhou não ter escutado barulho algum vindo da cabana. Pensou em procurar Jensen, mas lembrou-se da noite que tiveram. Sorriu, lembrou-se também que precisava de um banho. E foi o que fez, seguiu para o banheiro antes de sair à procura de Jensen.

Não sabia o porquê, mas o sorriso que estampava seu rosto não queria e não iria sair tão cedo. Se fechasse os olhos ainda poderia sentir o calor dos braços de Jensen. Nunca havia sentido aquela sensação na vida, de ser compreendido sem nunca ter lhe dito o que havia acontecido, de ser abraçado da forma que sempre desejara.

Estava tentando entender o porquê de Jensen tê-lo abraçado, mas sentiu que ele precisava daquele contato tanto quanto ele. Sua cabeça não parava de pensar no que havia acontecido. Quando saiu do banheiro, deu de cara com Jensen saindo do quarto. Havia se esquecido de levar as roupas que Jensen havia lhe emprestado, pois as suas não estavam nem um pouco boas para vestir naquele momento.

Sentiu o olhar de Jensen queimar sua pele assim que notou que ele olhava para seu tórax. Sorriu e caminhou em silêncio para o quarto, com certeza ele não iria querer falar naquele momento, pois quando viu seu sorriso, tratou de desviar o olhar envergonhado.

Quando saiu do quarto, vestido, com a camisa apertada de Jensen e com sua blusa de moletom, pois parecia ainda mais frio o dia, caminhou diretamente para a cozinha.

Precisava colocar alguma coisa no estômago e ficou impressionado com o que encontrou na mesa feita. Jensen estava sentado, esperando-o. Havia notado que ele evitava olhá-lo diretamente nos olhos.

Não esperou ser convidado para sentar-se à frente dele, assim como das outras vezes. Esperou que ele dissesse alguma coisa, mas nada veio. Quando viu Jensen destampar os pratos que estavam à frente dele, acabou esquecendo-se de tudo que pensava em falar.

— Panquecas! – Jared disse com os olhos brilhando. Não se lembrava da ultima vez que havia comido panquecas. Na verdade se lembrava, antes de sair de casa para ir para New York. Sua mãe havia feito em grande quantidade, para que ele comesse e para poder se lembrar, e como ela havia dito: "Quando sentir falta das panquecas volte, pois elas sempre estarão aqui esperando por você!". Sorriu tristemente ao lembrar-se de sua mãe. – Não como panquecas há anos.

— Fique à-vontade! – disse Jensen. Ele havia percebido todas as expressões que Jared havia feito. Ele ficara feliz, depois pensativo como se lembrasse coisas boas de sua vida, e depois, triste por ter tido tais lembranças.

— Você tem geléia ou mel? – Jared perguntou enquanto encarava as panquecas a sua frente.

— Mel. – disse Jensen levantando-se e indo ao armário. Voltou com o mel, colocando-o em frente ao prato de Jared.

— Valeu cara! – Jared mal esperou Jensen sentar, colocou quatro panquecas em seu prato e as banhou de mel. Jensen estava olhando abismado para Jared, nunca conhecera ninguém que colocava tanto mel em uma simples panqueca.

Viu Jared pegar o garfo e a faca e cortar as panquecas em quatro partes, e afundar o garfo em uma das partes, levantando-a para levá-la a boca. O mel pingava por causa do excesso. Viu a expressão de Jared mudar várias vezes, enquanto ele mastigava, mas a que mais havia impressionado era a que ele estava fazendo no momento. Ele sorria como se tivesse oito anos de idade e comia como tal, derramava mel por todos os lados, lambia os lábios tentando livrar-se do mel que ficara em seus lábios.

Percebendo que o olhar de Jensen estava preso nele, parou subitamente o que estava fazendo, sentindo-se envergonhado. Estava agindo como uma criança. Não ligava. O olhar de Jensen não o recriminava. Não o olhava como uma criança, e por isso não ficou envergonhado por muito tempo.

— Desculpe, é que faz muito tempo que não como panquecas! – Jared repetiu, encolhendo os ombros.

— Percebi, mas pelo menos parece que estão boas! – Jensen disse arrependendo-se, pois havia prometido a si mesmo falar o básico.

Não sabia ao certo o que estava sentindo, mas queria manter Jared afastado de si. Não queria sentir novamente o que havia sentido. E estava achando que começava a sentir-se dependente de Jared. Queria que ele fosse embora, mas não queria. Apreciava a companhia dele, mas o que acontecera na noite anterior, continuava a ecoar em sua mente.

Lembrava do abraço, dos toques e do prazer que havia sentido. Nunca em sua vida havia sentido alguma coisa parecida. Sempre esteve atrás de conforto, mas quando não achou nos braços das mulheres, foi em busca dele nos braços dos homens, e da mesma forma não havia encontrado.

Quando deixou Los Angeles, pensou em desistir de encontrar um sentimento assim. Aquele que todos descreviam como a pessoa perfeita, que os corpos se completavam, um único toque era o suficiente para despertar o prazer. E estava com medo, muito medo.

— Não estão como eram a da grande Sharon, mas estão boas! – afirmou levando outra porção de panquecas a boca.

— Sharon? – Jensen perguntou, não percebeu, mas seu tom de voz havia mudado. Estava sentindo ciúmes? Mas com certeza Jared estava tão entretido com as panquecas que nem percebeu.

— Minha mãe! – Jared respondeu olhando nos olhos de Jensen, e sem querer deixou o sorriso sumir de seu rosto por milésimos de segundos.

Jensen não disse mais nada, pois sentiu o peso que era para Jared falar sobre sua mãe. Começou a comer, lembrando que era para isso que ainda estava sentado a mesa. Estava tenso, não queria ter que conversar com Jared, mas estava vendo que era uma missão quase impossível.

Percebeu que ele estava o olhando, e que provavelmente não falaria antes de ter seu consentimento. Talvez ele também estivesse com medo. Levantou o olhar, encontrando o dele. Com certeza ele estava com muito medo.

— Jensen... – Jared começou, falando o nome dele levemente, estava pensando em uma forma de falar o que deveria ser dito, mas não estava encontrando as palavras certas para tal. – Só queria dizer que eu normalmente não faço isso...

— Eu sei. – Jensen respondeu, sabendo do que se referia. Se fosse ele, há quatro anos atrás, poderia dizer que fazia isso normalmente, mas o Jensen de ontem a noite, não era mais acostumado com isso.

— Bom, só queria que soubesse que essa foi praticamente a primeira vez que fiz algo assim. – Jared continuava a falar. Jensen sabia que ele não fazia, pois suas ações eram medidas, e ele só continuara por que havia deixado.

— Eu sei. – Jensen disse somente, fazendo Jared arquear uma das sobrancelhas.

— Tem certeza? – Jared perguntou, pois o olhar de Jensen não era de uma pessoa que acreditava no que ele estava falando.

— Tenho. – então Jensen começou novamente a comer a panqueca já fria.

— Então tudo bem, só queria que soubesse que não sou um puto! – Jared disse rindo e voltou a comer como estava comendo há minutos atrás.

O café seguiu silencioso até seu final, fazendo com que eles trocassem somente algumas palavras. Jensen ainda estava digerindo o que havia acontecido e o que estava sentindo. Mas queria saber por que essa droga de sentimento era tão... Complicado.

Jared não estava dando muita atenção a isso. Estava mais preocupando em saber o que Jensen estava achando de tudo aquilo, e com certeza ele não estava nem um pouco feliz com o que havia acontecido. Havia ido para a sala para ler seu livro, que havia deixado pela metade no dia anterior. Com certeza teria tempo o suficiente para terminar aquele livro e mais uns quatro daquela estante.

Jensen não havia ido para a sala para ler seu querido e companheiro livro. Não entendia o que o interessava tanto naquele livro, pois quando ele começava a ler não parava mais, mas não mudava de página durante um bom tempo. Bateu com a palma da mão na testa lembrando que havia se esquecido de ajudar Jensen com a limpeza da cozinha, mas não porque não queria. Sua mente estivera vagando para muito longe dali, e com certeza Jensen, com a cara que fez ao perceber, quisera expulsá-lo dali a murros e pontapés.

Tentou pensar em alguma coisa que tivesse feito e que talvez tivesse deixado Jensen naquele estado, mas nada vinha a sua mente.

Jensen terminou o que estava fazendo, e passou por Jared, sem ao menos olhá-lo. Temia que se o fizesse não agüentaria e falaria tudo o que estava em sua mente, mesmo que não tivesse certeza do que estava passando por sua mente. Caminhou até a sala e sentou em sua poltrona, pegando seu livro. Havia percebido que Jared havia permanecido na cozinha olhando-o de lá. Mas não se atreveria a virar para olhá-lo.

As horas haviam passado lentamente, era como se estivessem zombando da sua cara. Jared o olhava de vez em quando. Sabia que ele estava fingindo ler o livro que havia pegado. Ele tinha muito a falar e pouco a ser realmente dito, pois com certeza ele estava estranhando a situação.

Com certeza estava especulando coisas que nem passava por sua cabeça, mas não queria esclarecer nada, não naquele momento. Quando olhou pela janela que ficava ao lado da lareira viu que a chuva continuava a cair, e com ela, cada vez o frio aumentava. Precisava de lenha.

Caminhou até o hall da porta, e colocou sua jaqueta e suas botas, tendo o olhar atento de Jared sobre si. Sabia que ele queria perguntar aonde iria, mas ele não o faria. Então saiu.

Jared estava cansado de pensar sobre o que estava acontecendo com Jensen. Não o conhecia bem para poder dizer o que estava pensando, ou se estava agindo estranhamente. Desde que chegara ele era silencioso, e só falava o que era realmente necessário, mas o que mais estranhou foi o fato de Jensen não querer falar sobre o que aconteceu. De certa forma compreendia.

Poderia ser o caso de ele nunca ter se envolvido com um homem, e estava pensando muito sobre o que acontecera. Pois quando havia tido essa experiência, de certa forma ficara encabulado. Sabia que se pensasse demais iria pirar, então resolveu levar tudo numa boa.

Viu Jensen entrar carregando uma grande quantia de lenha para a lareira e entendeu a saída repentina dele. Resolveu ajudá-lo. Levantou e foi até ele, pegando a madeira cortada, carregando-a para colocá-la ao lado da lareira.

Quando abaixou para organizá-la, não pôde deixar de sentir uma pontada de dor em seu ombro. Até então não havia lembrado que estava com o ombro cortado. Levou a mão ao ombro massageando-o para que a dor diminuísse. Quando terminou de arrumar as madeiras em uma bela pilha, levantou e percebeu Jensen atrás de si.

— Havia me esquecido do seu ombro. – Jared estranhou, pois ao olhar o rosto de Jensen, ele não estava mais tenso. Talvez o tempo que ele teve do lado de fora, e gastando sua força cortando os troncos para transformá-los em lenha, tinha o feito extravasar toda tensão.

— Eu também! – Jared sorriu sem graça, levando novamente a mão ao ombro.

— Deixe-me dar uma olhada – Jensen pediu, chamando Jared para mais perto.

— Tudo bem! – disse tentando se afastar. – Nem está doendo tanto assim! – afirmou andando até seu sofá.

— Mesmo não estando doendo, é bom passar um remédio para não inflamar. – Jensen o repreendeu, e Jared achou que ele parecia sua mãe quando estava falando e sorriu.

— Mas aquela merda arde pra porra! – Jared disse, sentando no sofá. - E eu estou bem, sente ali e pegue seu livro, e finja que eu nem estou aqui!

Jensen não entendeu as palavras de Jared. Mas lembrou de sua atitude mais cedo, e sabia que a culpa era totalmente dele. Agora que havia conseguido colocar os pensamentos no lugar, Jared agia daquela forma. As coisas não estavam certas. Bufou, passando as mãos pelos cabelos.

— Acho que isso é impossível. – Jensen disse sentando em sua poltrona e pegando seu livro. Jared não esperava por aquela resposta.

— E por que não? – Jared perguntou sentando no canto esquerdo do sofá, pois se Jensen virasse o rosto de onde estava, daria de cara com ele.

— Você é muito grande! – zombou.

Jared ficou estático. Jensen havia zombado dele, com um pouco de sarcasmo, mas não era ácido como havia sido a outra vez que ele havia falado sobre seu tamanho.

— Desculpe-me por ser maior que você. – Jared entrou no jogo, zombando com ele também, e viu um pequeno sorriso curvar nos lábios do mais velho. Era um sorriso cínico, mas era um sorriso. O primeiro em três dias.

— Pelo menos minhas roupas não ficam apertadas em mim! – Jensen respondeu, vendo o rosto de Jared se contorcer ao olhar as próprias roupas, e ver a camisa de Jensen lhe marcando todo o corpo.

— Sinto muito se eu não sabia que a cabana de Jeffrey estava queimada, se meu carro ficou atolado e que minha camisa tenha ficado suja ontem a noite. – Jared respondeu gargalhando. Pois havia lembrado o quão fodido estava.

— Acho que você tem sérios problemas mentais. – Jensen disse vendo o outro gargalhar daquela formas. – Só os loucos riem da própria desgraça.

— Você queria que eu fizesse o quê? – Jared perguntou ainda rindo. – Deitasse nesse sofá, abraçasse os joelhos e chorasse? – riu ainda mais. – Com certeza eu nãofaria isso!

— Mas também não deveria ficar rindo como um doido!

— Bom, doido eu vou ficar quando conseguir falar com Jeffrey! – Jared disse pegado seu livro e abrindo-o, pois só de pensar em seu bom e velho amigo Jeffrey, um ódio crescia em seu peito.

— Estive pensando sobre isso! – Jensen revelou, fazendo com que Jared o olhasse novamente. – Conte-me como Jeffrey falou sobre a cabana dele?

— Ele disse que era magnífica, que tinha três cômodos, que estava em ótimo estado, e que eu iria amar morar nela! – Jared disse lembrando-se de como Jeffrey fala. – Mas ele parecia aflito, pensei que fosse preocupação, sei lá.

— Jeffrey aflito? – Jensen não conseguiria acreditar.

— Isso mesmo! – Jared disse também achando estranho. – É estranho de se imaginar, mas ele estava. E ele me perguntou umas quinhentas vezes se eu queria mesmo vir, e ficou me avisando que eu não teria ar-condicionado, televisão, telefone ou qualquer outro tipo de comunicação.

— Tudo o que você descreveu... – Jensen levantou e olhou para Jared. – Foi a minha cabana!

— Como assim? – Jared não entendeu o que Jensen estava falando. Como assim a cabana dele.

— Primeiramente, a cabana do Jeffrey tinha dois andares, e um total de dez cômodos. E está queimada a mais ou menos três meses, e eu mesmo me encarreguei de ligar para ele! E em ótimo estado minha cabana sempre esteve, pois antes de me mudar para cá, mandei reformar. – Jensen estava parado dizendo tudo lentamente para que Jared pegasse no ar o que estava acontecendo, mas parecia que estava difícil. Então resolveu continuar. – E na cabana de Jeffrey sempre teve televisão, telefone e tudo que o pai dele tinha direito!

Jensen de certa forma estava analisando Jared. Se ele começasse a andar de um lado para o outro e explodisse em uma grande raiva descomunal ou a ponto de quebrar alguma coisa, saberia que ele estaria atuando. E pelo visto estava certo, ele era mais um coadjuvante da grande tramóia de Jeffrey Dean Morgan.

Jared continuou sentado, mas soltou seu peso sobre o sofá. Deixando-se desabar ali mesmo. Sua mente estava trabalhando a mil. Como Jeffrey pôde ter feito uma coisa dessas. Não conseguia entender.

Mas agora tudo fazia sentido, o porquê dele falar tão rapidamente da cabana, e toda vez que falava dela, sempre se lembrava de comentar sobre Jensen Ackles, o caçador. Sobre todas as precauções, sobre avisar-lhe que não teria telefone, e sobre a carta, e tudo. Sabia que Jeffrey era bom em pensar rápido, mas não sabia que ele conseguiria tramar uma coisa dessa magnitude em tão pouco tempo.

— Mas que porra! – Jared disse, sua voz saiu por um fio. – Maldito Jeffrey!

— Digo o mesmo! – Jensen afirmou sentando-se novamente. – Quando estava cortando lenha, me lembrei de algo que ele havia me falado, da última vez que esteve aqui.

Jensen esperou algum comentário de Jared, o que não recebeu, então voltou a falar:

— Da última vez que ele esteve aqui, ele disse que conhecia alguém que iria amar conhecer New Hampshire! – Jensen passou uma das mãos sobre os cabelos. – E essa pessoa era você, Jared Tristan Padalecki, o jornalista; que eu falei para ele mandar para o quinto dos infernos! – Jensen sorriu envergonhado pelas suas próprias palavras.

Jared o olhou. Não estava entendendo a reação dele e o porquê Jeffrey teria falado dele para Jensen, mas as peças daquele quebra-cabeça estavam se encaixando. Devagar, mas estava se encaixando. Agora só faltava descobrir o que Jensen tinha contra os jornalistas.

— Obrigado! – Jared disse com sarcasmo em sua voz. – Espero que Jeffrey o leve também, para o mesmo lugar!

Jared esperava que Jensen falasse o motivo pelo qual o mandara para o inferno sem ao menos conhecer, mas essa resposta não veio.

Ficaram em silêncio por longos minutos, que mais pareceram horas, apenas digerindo aquela informação. Talvez Jensen já tivesse digerido, mas para Jared estava sendo difícil, pois confiara em Jeffrey, e ele lhe aprontar uma dessas. E aprontara com Jensen da mesma forma.

Achava que Jeffrey não estava com sua sanidade bem o suficiente, quando lhe falara da cabana e sobre tudo, mas agora tinha percebido que ele estava com a sanidade mental boa o suficiente. E não conseguiu agüentar mais. Riu, gargalhou, gargalhou tanto de sua desgraça e chegou a lacrimejar.

Percebeu o olhar de Jensen sobre si, e o que ele havia dito mais cedo. Sendo olhado daquela forma, mais parecia que Jensen estava vendo alma penada ou um ET verde cheio de escamas. E gargalhou mais, se é que isso era possível.

— Com certeza você tem problemas. – Jensen disse levantando-se. – Precisamos de café!

— E dos fortes! – afirmou Jared assim que conseguiu recuperar o fôlego.

Pelo menos havia um ponto positivo nisso tudo. Jensen estava falando, zombando, brincando. E era uma coisa que Jared nunca pensou que ele seria capaz de fazer. Lógico, estava escondida atrás do sarcasmo, da ironia e do cinismo, mas estava lá. E sua face não estava mais tensa. Chegou a pensar que ele ficaria entupido de rugas se continuasse daquela forma.

Quando conseguiu se controlar, foi ao encontro de Jensen na cozinha. Ele já havia colocado o café na cafeteira, para que ela fizesse seu trabalho, e estava tratando de fazer algo comestível para os dois.

— Sinto muito! – Jared disse de súbito, assustando Jensen.

— Pelo quê? – Jensen o indagou sem entender.

— Por ser forçado a me aturar! – Jared sorriu envergonhado pelas atitudes de seu amigo, mas até que não estava sendo assim tão ruim, então sorriu verdadeiramente. – Pois sei que essa não é uma tarefa fácil!

— Se é assim... – Jensen deu um pequeno sorriso, daqueles que se curva um canto dos lábios. Jared achou perfeito, e teve uma louca vontade de tomar aqueles lábios em um beijo, mas antes que seus pensamentos continuassem a brincar consigo, escutou-o concluir o que falava. – Isso vale para você também!

Jensen estava certo, da mesma forma que ele estava sendo forçado a lhe aturar. Ele também estava sendo forçado a aturar Jensen. E sorriu.

— Então acho que tem que concordar comigo quando digo que estamos maravilhosamente fodidos! – Jared gargalhou com a cara que Jensen fez, mas logo foi seguido por um pequeno sorriso do mesmo. E era o suficiente.

Jensen havia pensado rápido no que Jared havia dito, mas resolveu não comentar o que sua mente gritava: "Não estamos maravilhosamente fodidos, mas podemos ficar!". E teve que sorrir aquele pensamento, pois era um pensamento que não vinha a sua mente há quatro anos. E até que aquela sensação não era tão ruim.

— Vamos comer! – disse Jensen ao tirar um prato de dentro do microondas, com dois mistos quentes. E depois daquele pensamento, aquelas simples palavras soavam com duplo sentido. E dava graças a Deus, que Jared não tinha super poderes, e que não conseguia ler mentes, pois se conseguisse certamente estaria fodido ou sendo fodido.

Talvez fosse melhor parar de pensar naquelas coisas. Jared estava olhando-o estranhamente. Com certeza ele estaria pensando se havia feito alguma outra besteira, pois estava com um olhar de pedido de desculpas mudo. Achou fofo, mas não falaria aquilo também. Colocou o prato com os lanches em cima da mesa e pegou o café colocando-o também sobre a mesa, juntamente com as canecas que já havia pegado.

— Daqui um pouco não vou mais agüentar ver lanche na minha frente! – Jared disse pegando seu misto quente.

— Se não está satisfeito... – Jensen disse dando uma bela mordida no seu lanche. Assim que terminou de mastigar e engolir completou: - A porta da rua é serventia da casa! – deixou um sorriso cínico brincar no canto de seus lábios, vendo o rosto de Jared se torcer e logo forçando um sorriso.

— Que belo anfitrião que Jeffrey me arranjou! – Jared disse com falsa indignação. – Acho que até o cara que toma conta do quinto dos infernos é mais acolhedor que você, Jensen Ackles.

Jensen nada respondeu, pois estava mais ocupado em comer seu lanche, e o que havia percebido em Jared era que ele odiava ficar em silencio. E odiava ainda mais ficar sem uma resposta, pois a cara que ele fez era digna de uma boa gargalhada, mas não o faria.

Jared sabia que o clima entre eles estava melhorando, aos poucos estava melhorando. Jensen agora falava e atirava farpas, mas era melhor que nada, não era? Para ele tanto fazia, mas sentia-se bem ao escutar a voz dele, coisa que já havia notado no dia anterior. Sentia-se ainda melhor quando conseguia arrancar dele um sorriso. Nem que fosse um sorriso cínico.

Com sua pequena análise, notou que Jensen precisava confiar para poder agir como ele mesmo, mas o tempo que havia passado sozinho havia feito dele tímido. Ou talvez já fosse tímido, e só havia se tornado mais cauteloso. Mas conseguiria fazer com que ele confiasse nele. Conseguia fazer com que várias pessoas que nunca havia visto, confiassem nele em apenas cinco minutos de conversa, porque seria diferente com Jensen?

"Por que ele é diferente". Respondeu para si mesmo em pensamento, mas não importava quanto tempo iria demorar. Conseguiria a confiança dele.

Quando terminaram de comer, continuaram apenas sentados olhando um para o outro como se aquele olhar pudesse responder todas as questões pendentes. E ambos sabiam o que era. A noite anterior.

Jared foi o primeiro a quebrar o contato visual. Não estava agüentando ficar olhando para aqueles lindos olhos verdes e não poder se aproximar para olhá-lo de perto. Levantou-se pegando seu prato e o prato de Jensen juntamente com o restante de louça que estava na mesa.

— Por eu ter me esquecido de te ajudar hoje cedo! – Jared afirmou enquanto abria a lava louça colocando nela os pratos e copos.

— Como se três pratos e dois copos fizessem alguma diferença! – Jensen disse ainda sentado a mesa. – Mas dessa vez eu deixo passar.

— Valeu, senhor-bom-anfitrião! - zombou encostando-se sobre a bancada da pia.

— Disponha!

Nada disseram, apenas continuaram a se olhar, como antes. Jared estava pensando em perguntar que tipo de bicho havia mordido Jensen, pois a personalidade dele havia mudado da água para o vinho em duas horas que ele tinha saído. E estava começando a ficar preocupado, mas esse Jensen com certeza era melhor que o outro.

Só não estava perdendo a graça ficar com ele ali porque ele continuava sendo uma grande interrogação. Não tinha contado nada sobre seu passado, sobre nada da sua vida. E isso continuava atormentando-o, mas se ele não falava, não seria ele quem iria perguntar. Como já havia pensado antes, fora difícil conseguir chegar a esse ponto. E qualquer deslize, iria fazer com que ele se afastasse. E era o que não queria.

Jensen foi quem não agüentou o olhar interrogativo de Jared e desviou-o. Levantou sem dizer nada, mas sabia que dessa vez Jared não ria ficar pensando besteiras, ou era o que esperava.

Jensen sentou em sua poltrona pegando seu livro e começou a ler, sabendo que o olhar de Jared ainda estava preso em si. Não soube o porquê, mas disse:

— É Latim. – falou sem desviar os olhos do livro.

— Professor?

— Não, estudante. – disse buscando os olhos de Jared, para então perceber que ele estava ao seu lado.

— Deve ser difícil! – Jared comentou tomando o livro das mãos de Jensen.

— Quando se tem empenho, nada é difícil! – Jensen disse, e o que Jared pensou o fez rir. Jensen parecia seu pai falando daquela forma.

— Tente escrever uma sátira sobre lideres de torcida! – Jared comentou devolvendo o livro para Jensen e seguindo para o seu sofá.

— Não sei fazer sátiras!

— É o que eu sei fazer melhor!

E o assunto morreu, pois ambos afundaram-se em seus livros. O clima estava leve, e mesmo com questões inacabadas, aquilo não os atormentava tanto.

Não viram o tempo passar. Jared só havia percebido que estava começando a ficar tarde quando Jensen levantou e começou a acender a lareira. Queria saber como ele sabia que horas eram, ou que estava de noite, pois para ele, tudo permanecia igual. O céu escuro das nuvens carregadas da chuva, não o deixava saber se ainda era noite ou dia.

— Como sabe que é hora de acender a lareira? – Jared perguntou.

— Eu não sei! – Jensen respondeu pegando novamente seu livro. – Eu só sinto frio e acendo.

Jared achou que aquela resposta era mesmo óbvia. Então voltou a se enterrar em seu livro. Não que a história fosse realmente interessante, mas ele realmente amava ler. E não sabia que realmente sentia falta de uma boa leitura.

Nada mais fora dito, além de algumas trocas de olhares e alguns sorrisos perdidos, pois quando um olhava, o outro desviava o olhar. Jensen estava achando aquilo tudo muito engraçado, pois nunca tivera aquilo na vida. Seu pai o levou para Hollywood muito cedo, e não soube o que era realmente se apaixonar, se é que estava apaixonado.

E Jared estava se sentindo um adolescente bobo que não conseguia encarar o cara de quem gostava. E ele já havia admitido; estiva gostando de Jensen. Gostava. Não estava apaixonado ou amando, mas estava gostando. Era um bom começo, não?

Cansado de ler e de ficar quieto, achou que o melhor que poderia fazer naquele momento era dormir, e foi o que resolveu fazer. Jensen estava tão concentrado em seu latim, que resolveu não atrapalhá-lo. Seguiu para o quarto tirando a blusa de frio e colocando-a sobre a cadeira que tinha ali e deitou.

Depois da noite que tivera com Jensen, era estranho estar deitado naquela cama, completamente sozinho. Sentia como se estivesse em seu loft. E foi quando começou a pensar em sua vida. Ela era tão vazia, e ao mesmo tempo tão cheia. Não tinha tempo nem para pensar direito no que queria fazer da vida, mas quando estava sozinho em seu apartamento, lembrava de sentir essa mesma melancolia ao deitar na cama, vazia e gelada.

Seus pensamentos foram interrompidos pela luz da sala que havia sido apagada, e o quarto sendo somente iluminado pelo fogo da lareira, e viu Jensen entrar no quarto, indo na direção do guarda roupa para pegar um pijama e se trocar. O que achou estranho, mas ao mesmo tempo gratificante e super sexy, foi ver Jensen trocando-se no escuro. De forma lenta e talvez de propósito. Jared mordeu o lábio inferior ao ver os músculos das costas movimentarem-se e ele empinar aquela bunda, e que bunda, para colocar o short do pijama. Quando Jensen virou já vestido fingiu estar dormindo, e perdeu o sorriso vitorioso que Jensen havia dado.

Jensen havia ficado na sala um tempo mais para terminar pelo menos aquela pagina, mas sua paciência não durou muito. Então ali estava ele entrando de baixo daquele edredom, e inocentemente, se aproximando de Jared para poder abraçá-lo novamente.

Quando sentiu os braços de Jensen sobre seu corpo, fora como se uma onda de conforto se apoderasse de seu corpo, e o estivesse puxando para suas profundezas. Não sabia que estava tão cansado, mas juntou todas as forças que tinha, e virou de frente para Jensen, que também parecia tão cansado, puxando-o para seus braços. E dormiram um sono que nenhum dos dois tivera antes. Calmo e leve, assim como o resto do dia havia sido. E o último pensamento que Jared teve antes de cair naquele magnífico e profundo sono foi que ele realmente estava feliz. Maravilhosamente feliz.


Continua...