Desclaimer: Jared e Jensen não me pertencem, o que é uma pena, e escrevo essa fic apenas para a minha diversão e para a diversão de quem vai ler e sem nenhum fim lucrativo.


Titulo: Refuge
Beta-Reader: EmptySpaces11
Fandom:
Supernatural / RPS
Classificação: M/NC-17/Slash.
Avisos: Universo Alternativo, Repostagem.

Sumário: Jared Padalecki resolve seguir seu sonho e viajar pelo mundo com uma mochila nas costas. Jensen vive uma pacata vida nas montanhas como um caçador. E se conhecem graças ao bondoso e maquiavélico Jeffrey. Padackles - AU.

Fanmix: http : / br4 . in / aVrxS ; Por Draquete. Obrigada querida, você sabe o quão importante foi essa fanmix pra mim.

Capa: http : / br4 . in / ubp7o ; Por EmptySpaces11. Obrigada amor. Você me surpreendeu quando me mandou. Amei muito ela.


Capítulo VIII


Os dias haviam passado tão rápido que ambos nem haviam percebido, pois agora eles tinham coisas melhores para fazer, como trabalhar juntos em uma maquete, onde Jared mais destruía as coisas do que ajudava, e Jensen tentar dar temas para as sátiras de Jared que ele simplesmente ignorava, afinal, não tinham a menor graça. Mas estavam felizes.

Tudo estava calmo e na sua mais santa paz. Era como se eles estivessem vivendo ali há anos. Talvez os três primeiros dias que eles passaram, fossem só o momento para eles se conhecessem, e conhecer a mania de cada um.

Para Jensen estava sendo maravilhoso ter alguém ali, com ele, na cabana. Até Jared chegar, jurava que conseguiria passar o resto de sua vida sozinho, sem precisar de ninguém. Porém, uma pergunta que ele havia lhe feito no dia anterior tinha o intrigado. Se ele morresse sozinho, quem iria descobri-lo, lá? E foi só então que constatou o quão excluído do mundo estava.

Agora, Jared estava ao seu lado. Agora não sabia como tinha conseguido viver seus trinta e um anos, sozinho, mesmo sabendo que precisava de alguém. Mas tinha que ser o alguém certo. E esse era Jared.

E o que estava achando maravilhoso, era que o moreno não se deixava abalar facilmente pelas coisas. Ele havia lhe dito o quão conturbado fora viver ali os três primeiros dias, mas aqueles quatro dias que haviam passado haviam mudado tudo, para melhor.

Havia descoberto que sorrir era a coisa mais fácil do mundo quando tinha ele ao seu lado. E não pôde deixar de sorrir naquela manhã quando Jared o acordou, dando pulos de alegria sobre a cama. Estava se acostumando a acordar tarde novamente, e iria reclamar com ele, mas foi então que percebeu o porquê de tanta felicidade.

— Jen... A chuva parou. – Jared pulava e quase batia a cabeça no teto. Se sua cama fosse daquelas fracas já havia se quebrado.

— Eu vi Jared, agora pelo amor de Deus, pára de agir como uma criança de dois anos e volta a deitar! – resmungou sentindo seu corpo pular sobre o colchão.

Jared desceu da cama, dando a volta na mesma e parando em frente de Jensen, que sorriu ao vê-lo nu em pé a sua frente.

— Jen, a chuva parou! – Jared disse abaixando-se na altura da cama. – Agora podemos ir desatolar meu carro, ir a cidade fazer milhares de coisas! – disse Jared sorrindo aquele sorriso que Jensen classificou como o de um milhão de dólares.

— Não podemos deixar para mais tarde? – Jensen perguntou afundando o rosto no travesseiro. – O que acha de voltar pra cama, dormir mais um pouco, deixar que esse sol que saiu seque um pouco a lama? Aí, sim, sair para desatolar seu carro, ir à cidade e fazer milhares de coisas?

— Mas, Jen... – Jared o olhou com um olhar que, até então, ele não tinha visto. Era como o de um cachorrinho abandonado, necessitando de uma casa, e que, no caso de Jared, era que Jensen levantasse da cama.

— Jay, agora não, eu nem sei que horas fomos dormir e, é sério, eu estou cansado! – Jensen resmungou virando o rosto para o outro lado, não agüentaria muito tempo com aquele olhar em cima dele.

Mas o que o pegou de surpresa foi Jared pular por cima dele, e deitar ao seu lado, olhando-o nos olhos, com o mesmo olhar pedinte. Era como se ele estivesse suplicando, implorando, mas ele não o faria verbalmente.

— Tudo bem, você ganhou. – Jensen disse sentando-se sobre a cama. – Vamos tomar um banho e depois tomar o café. Arrumar a sua bagunça e só então sair, estamos entendidos? – falava como se Jared tivesse realmente dois anos de idade. E o viu balançar a cabeça positivamente, lhe abrindo um sorriso. Ele havia ganhado aquela batalha e sabia disso.

No que estava se transformando? Bom, nem ele mesmo sabia, mas estava mais expressivo, sorria mais, falava mais e tinha deixado o sarcasmo e a ironia de lado. Fazia dias que não usava. Lógico, só usava quando Jared fazia ou falava alguma coisa totalmente absurda. O que com aqueles dias havia descoberto que não era tão difícil, mas na maioria das vezes fazia sentido.

— E o que estamos esperando? – perguntou Jared levantando da cama. – Se você ficar ai nem vou te esperar para o banho!

Jensen não pôde deixar de sorrir novamente, pois Jared havia saído do quarto totalmente nu, rebolando excessivamente enquanto fazia o caminho para o banheiro.

Se um dia pensasse em uma pessoa para amar, ela não seria nem um pouco parecida com Jared. Isso há anos atrás, quando corria atrás de um amor perfeito. Essa pessoa seria totalmente o contrário dele. Seria quieta, centrada, séria e acima de tudo menor que ele, mas estava satisfeito com a pessoa que o destino, ou o senhor do destino, Jeffrey, havia lhe dado de bandeja.

Seria melhor deixar para pensar depois, pois o moreno já estava cantarolando em alto e bom som dentro do banheiro, e sabia que quando ele fazia isso, era para lhe chamar atenção, e não o deixaria só por muito tempo.

Jared estava inquieto, sabia que agora, sim, poderia aproveitar a beleza de New Hampshire, mas Jensen não estava ajudando-o. Parecia que o loiro não queria que ele fizesse nada além de ficar dentro daquela cabana. Jensen estava demorando duas horas para coar o café. Logo hoje que ele precisava que as coisas andassem rápidas, Jensen resolvera fazer café manualmente, fazer misto quente no forno e não no microondas. Sabia que tudo isso era por conta da sua ansiedade. Jensen fazia isso de vez em quando, ou melhor, um dia sim outro não.

Mas não conseguia ficar nervoso com ele por esses detalhes, pois havia descoberto que Jensen não era como ele. Jensen fazia tudo conforme seu tempo. Detestava pressão, e levava a vida calmamente. Também não seria para menos, ele havia vivido sozinho durante anos, e ele, Jared era o intruso ali. Sabia se por em seu lugar, ou até o momento em que sua sanidade deixasse.

— Por que não para de ficar batendo o pé no chão com pressa e vai pegar suas roupas que estão jogadas no quarto e no banheiro? – Jensen perguntou enquanto terminava de colocar a água no coador. – Assim a parte da limpeza vai estar pronta antes do café, e assim poderemos sair mais rápido!

— Tem razão! – Jared disse levantando-se da cadeira que estava e seguindo para o quarto.

Com certeza Jensen era uma pessoa muito inteligente e organizada. Jared, que era um bagunceiro de primeira, nunca pensaria numa coisas dessas. Bom, até pensaria, mas ficaria tão ansioso que acabaria se esquecendo logo em seguida. Sempre fora uma pessoa que não gostava muito de organização. Seu antigo apartamento falava por si, mas estava aprendendo a ser organizado com Jensen. Mentira. Estava aprendendo a ser menos bagunceiro.

Saiu pela casa procurando coisas suas jogada pela cabana, e não acreditou: em todos os cômodos tinha ou uma camisa ou uma calça. Viu Jensen rir enquanto ele passava pela cozinha e ia para a pequena lavanderia colocar lá as roupas. Também queria descobrir como conseguia sujar tantas roupas em tão pouco tempo, mas pensaria naquilo mais tarde, pois escutou Jensen o chamar para ir tomar o café.

— Conseguiu carregar tudo? – Jensen perguntou sorrindo.

— Sou o super-homem. Sempre consigo essas façanhas! – disse Jared rindo.

— Viu, a pressa é o inimigo da perfeição... – Jensen disse enquanto bebericava seu café. – E viu, agora que limpou tudo, podemos sair assim que terminarmos aqui!

— E tomara que a gente tome logo esse café! – Jared disse praticamente engolindo o pão que lhe fora preparado.

Jensen riu. Jared se parecia mesmo com uma criança, e daquelas que sempre quer saber qual o presente de Natal, antes mesmo desse chegar. Reparou no olhar de Jared, que não entendia o porquê dele estar rindo, e foi o que o fez começar a rir ainda mais.

— Que foi?

— Você é adorável, sabia? – Jensen disse em tom zombeteiro.

— Vá se foder, Jensen! – Jared respondeu tomando seu suco, e viu que o loiro riu mais ainda.

— Com a sua ajuda? – o loiro perguntou com malicia. – Com certeza!

E toda aquela ansiedade que Jared estava sentindo se esvaiu com aquele comentário, dando lugar a um sorriso malicioso. Jensen tinha esse poder, de fazê-lo esquecer tudo o que estava pensando, somente para desviar para seu corpo, seu toque e as sensações que sentiam quando estavam juntos. Quando Jensen levantou avisando que havia terminado viu seu sorriso murchar. Aquilo teria que esperar, mas o que ele queria fazer mesmo? Antes de sentir uma vontade insana de foder Jensen ali, naquela cozinha mesmo... Ah, sim, ir desatolar o carro. Não se lembrava o porquê estava com tanta vontade de fazer aquilo.

Jensen havia lhe dito que iriam em sua camionete, que até então não sabia de sua existência, e que ela estava estacionada na garagem da cabana, que também não sabia da existência. E quando chegaram lá, percebeu o quanto o Jensen era um caçador.

A camionete estava toda suja de lama, e na caçamba dela tinha vários tipos de aparelhos que serviam como armadilhas. Não demoraram muito ali, logo entraram e tomaram o caminho para a outra cabana, que teria que ser feito pela estrada. Não pôde deixar de sorrir quando Jensen ligou o som e escutou um belo country começar tocar.

Lembrava de já ter escutado aquela música quando era pequeno na companhia de seus pais no Texas. Eram daquelas músicas clássicas que qualquer um sabia. E havia ficado tão distraído com a música que nem se deu conta quando chegaram a estrada onde estava seu carro. Não pode deixar de sorrir, mas ao mesmo tempo amaldiçoar a maldita chuva. Seu carro estava um horror, todo cheio de lama, mas pelo menos estava inteiro.

— Jared, lá na caçamba tem uma corda, pegue-a e amarre-a em seu carro, solte o freio de mão enquanto eu dou o arranque. – Jensen disse vendo Jared sair, e assim que ele saiu e pegou a corda, manobrou o carro e esperou-o dar o sinal para que pudesse dar arranque. O carro havia sido desatolado com facilidade, agora só restava eles voltarem para a cabana e deixá-lo lá.

— Tomara que essa lama toda não tenha acabado com o meu carro! – Jared disse descendo do carro e vendo que Jensen o olhava da janela.

— Vamos voltar para a cabana, e amanhã damos uma olhada nele, se não estiver bom, levaremos para a borracharia da cidade.

Jared concordou e seguiu Jensen pelo caminho que ele fazia. Que não era estranho. Mal chegaram na cabana, e já saíram novamente, dando tempo somente de Jared pegar seu laptop e celular, para que pudesse então mandar suas atualizações para Eric, que deveria estar louco atrás dele.

— Com certeza o Eric vai querer me matar! – Jared disse entrando novamente na camionete de Jensen.

— Eric?

— Meu editor, ele disse para eu mandar algumas atualizações. Eu disse que iria enviar novos temas, mas passei uma semana sem contato com o mundo externo. Ele já deve ter mandado o FBI atrás de mim! – Jared riu ao lembrar do amigo, mas estava melhor assim.

Sem cobranças conseguia trabalhar melhor, estava fazendo sátiras sobre a vida nas montanhas, sobre a incansável chuva de New Hampshire, de como uma pessoa que não faz nada o dia todo pode ter a mente brilhante se quiser. E sabia que Eric iria ficar impressionado com temas diferentes que ele havia conseguido abranger.

Quando chegaram à cidade, era de longe o que havia imaginado. Tinha sim muitas pessoas nela, talvez todos daquela região tinham pensado o mesmo que ele: que depois de toda aquela chuva, não tinha o porquê ficar dentro de casa, e percebeu que Jensen sabia disso, e não estava nem um pouco feliz com isso.

Havia estranhado como Jensen andava, e como ele havia ficado quieto de uma hora para a outra. Também aquele boné estranho que ele estava usando não estava ajudando em nada, mas achou melhor fazer logo o que tinha para fazer, e perguntar depois, pois a cara que Jensen fazia, quando passavam por entre os carros não era nem um pouco boa.

Lembrou de ligar o aparelho celular e ele não parou de tocar por um bom tempo. Com certeza eram mensagens de voz, das pessoas perguntando por ele e onde estava. Afinal, Jeffrey era o único que sabia realmente onde estava. Não que não tivesse contado para o Eric onde estava indo, mas falou que estava indo para a Pensilvânia, pois assim conseguiria manter seu paradeiro escondido de Tom. Não que não confiasse no Eric, mas era melhor assim. E não estranhou quando escutou a voz dele na primeira mensagem de voz.

"Jay, onde você está cara? Tentei te encontrar na Pensilvânia de todas as formas, mas não consegui, aconteceram várias coisas aqui e eu precisava falar com você. E você nem sabe quem ta doido atrás de você. Ele mesmo, já mandou umas três pessoas diferentes aqui. E só tem um dia que você viajou. To vendo que vai ser insuportável ficar falando: ele está na Pensilvânia. Me ligue assim que der. Eric."

Teve que rir após ouvir aquela mensagem e viu o olhar de Jensen sobre ele.

— Não disse que o Eric tava doido atrás de mim? E pelo o que ele disse na mensagem não é só ele!

— Tom? – Jensen perguntou com o tom de voz seco.

Jared já até havia se esquecido de como era escutar aquele tom vindo de Jensen, mas deu de ombros.

— Ele mesmo.

Enquanto Jensen seguia para o mercado, Jared ouvia o restante das mensagens, e constatando que quase todas elas eram de Tom, dizendo que estava procurando-o, e que não pararia enquanto não o encontrasse. E o xingou até não poder mais.

— Vamos ver se eu adivinho... Tom? – Jensen perguntou, e viu Jared balançar a cabeça positivamente. – Por que não manda esse cara ir a merda?

— E você acha que adianta? – Jared perguntou, sem saber o que mais responder.

Resolveu ver a última mensagem, e essa sim fez ele rir. Era a mensagem de Jeffrey.

"Acho que já está ao lado de Jensen agora... E aí? Só tente não me matar, tenho um filho para criar! – escutou ele rindo. – Fiz isso porque te amo cara! E amo o Jensen também! – escutou ele rir novamente, mas daquela forma que ele ria quando estava aprontando uma e a mensagem acabou"

— Eu ainda mato o Jeffrey! – Jared disse passando o telefone para Jensen escutar a mensagem, e o viu bater a mão sobre o volante, enquanto estacionava o carro.

— Filho da mãe! – Jensen disse entregando o celular a Jared e descendo do carro. – Ainda hoje eu ligo para ele.

Saíram do carro e foram ao mercado, onde Jensen comprou o que estava precisando para a alimentação de ambos. E então Jensen lhe mostrava a pequena cidade, lhe falando o que era tal coisa. A cidade não era grande, se resumia em três quarteirões. Mas onde tinha de tudo um pouco, desde lojas de roupas a lan house. As pessoas se vestiam basicamente umas iguais às outras, sempre com calças jeans, camisa branca e uma outra de flanela por cima. Algumas mulheres da mesma forma ou de vestidos. E novamente sentiu uma nostalgia. O que não durou muito, pois Jensen já o puxava para outro lado da cidade.

Estava estranhando a forma que Jensen estava agindo, pois ele estava agindo como o Jensen que ele havia conhecido a sete dias atrás, e não como o seu Jensen, o Jensen tímido e sorridente. Era como se ele tivesse pegado uma máscara no meio do caminho e colocado sobre seu rosto.

— Esse restaurante é bom. – escutou Jensen dizer, e então o seguiu.

E ao entrarem foram bem recebidos por uma garçonete loira e sorridente, e que Jared percebeu que tinha uma certa quedinha por Jensen, que o deixou com uma sensação muito estranha dentro do peito. E sabia muito bem como nomeá-la. Ciúme!

— Como? – perguntou a Jensen, que havia lhe perguntado algo, mas havia esquecido totalmente do mundo olhando para a loira que estava se insinuando para Jensen.

— O que vai querer comer? – sentiu o olhar de Jensen preso nele e o olhou. O rosto dele estava mais fechado que o normal. Será que ele também estava sentindo ciúme? E teve que rir.

— O que ele pedir, traga um pra mim também! – Jared disse secamente para a atente.

— Temos torta de amora hoje, especialidade da casa, Jensen. – disse a loira para Jensen que desviou o olhar de Jared para ela.

— Traga uma para ele... Jared adora doces! – Jensen disse e sorriu educadamente.

Quando viram a moça se afastar Jared perguntou:

— Que cara feia é essa?

— Nada comparada a sua secando a Clarisse!

— Você viu como ela ficou olhando você? – Jared perguntou furioso. – Você tinha que ver como ela comia você com os olhos, e você fica preocupado como eu estou olhando pra ela... – Jared bufou cruzando os braços.

Jensen sorriu, e com gosto. Jared estava com ciúme dele, isso era novo, mas também não ficava atrás, estava com ciúmes dele também. Deveria ter percebido que o olhar dele não era de alguém que a desejava e, sim, de alguém que a desejava matar.

— Ciúme, Jared? – Jensen perguntou sorrindo.

— Não, precaução... Manter vadias como ela longe de você é meu dever! – Jared disse ainda emburrado. – Muita areia para o caminhão dela!

— Sério? – Jensen perguntou irônico. – E para o seu?

Jared o olhou, sorrindo malicioso e esquecendo-se totalmente da atendente, e se aproximando de Jensen que não estava entendendo nada e sussurrou:

— É a quantidade perfeita para o meu!

E ambos riram, mas logo param, pois Clarisse chegou com a bandeja e os pedidos.

Comeram trocando olhares, pois era a primeira vez que ambos tocavam no assunto de ciúme. Jared não havia deixado passar despercebido que Jensen também havia sentido o tal sentimento, mas preferiu não comentar, pois sabia que Jensen iria ficar tímido, e queria que aquela timidez fosse demonstrada na cabana e não ali, onde muitos poderiam ver o rosto dele corar. Aquela era uma parte de Jensen que somente ele conhecia, e não queria que mais ninguém descobrisse.

Jared se deliciou com a torta de amora, que Jensen havia pedido para ele. Fazia dias que não comia um doce, jurava que poderia ter um orgasmo somente por comê-la, mas constatou que era melhor ter orgasmos diferentes. Aqueles orgasmos que só sentia com Jensen. Era melhor não pensar naquilo, ou o arrastaria para o banheiro daquele restaurante e a coisa não ficaria legal.

Assim que terminaram, foram para uma cabine telefônica, se adiassem mais, a ligação para o Jeffrey acabaria esquecida. Então lá estavam eles, prontos para ligarem para ele.

— Olá Jeffrey! – disse Jared com sarcasmo.

— Jared – escutou ele suspirar de alivio. – Só Deus sabe o quanto eu estava preocupado!

— Você preocupado? Conta outra! – Jared riu sem humor e continuou: — Você me joga na cova dos leões e depois fica preocupado?

— Não foi bem assim! – Jeffrey disse, rindo um pouco. – Depois que você saiu, Samantha me lembrou que a cabana tinha pegado fogo.

— E acima de tudo, nem sabe mentir! – Jared ironizou.

— Mas como estão as coisas?

— Se dependesse de você... Eu estaria atolado dentro de um carro sem ter o que comer por sete dias!

— Você pediu ajuda ao Jensen?

— Sim, e ele é a pior pessoa que conheci na face da terra! – Jared mentiu tentando parecer o mais sarcástico possível, mas o soco que Jensen lhe deu no braço fez com que tudo fosse por água a baixo. – Ei, não me bata, Jensen!

— Ele está aí com você? – escutou uma sonora risada de Jeffrey ecoar em seu ouvido e bufou. – Então vocês estão bem?

— É estamos!

— Sabia que vocês iriam se acertar!

— Jeffrey, me faz um favor? – Jared perguntou e quando Jeffrey fez um som engasgado com a garganta continuou: — Vá se foder!

— Não preciso, vocês devem estar fazendo isso por mim!

Filho da puta!

— Também te amo Jared, agora passe o telefone para o Jensen, e não se esqueça de mandar os e-mails para o Eric. Ele não me deixa em paz!

Jared sem nem responder passou o telefone para Jensen, e fez uma careta. Avisou que iria usar a Lan House que ficava ali na esquina, e para Jensen o encontrar lá.

— Jeff? – Jensen perguntou assim que viu Jared se afastar.

— Estamos sendo ouvidos?

— Não! – Jensen respondeu, vendo Jared entrar na Lan House.

— Não quero ver o Jared ser machucado outra vez, Jensen.

— Nem eu quero isso! – Jensen respondeu suspirando, só de imaginar ver Jared sofrer já o fazia sofrer.

— Leu minha carta? Se leu, sabe que ele é um jornalista digno de confiança.

— Não precisei ler para saber disso.

— Ele já passou por muita coisa, e não quero mais vê-lo sofrer, da mesma forma que não quero que você viva em volta de seu umbigo! – escutou Jeffrey dizer apreensivo, mas logo ele suspirou e sorriu. – Se quiserem me odiar, não olhar mais na minha cara ou até me castigar ou matar, eu estarei pronto, mas se você o fizer sofrer, ou se ele fizer você sofrer, escute bem o que vou dizer, e já disse isso a ele em uma mensagem que mandei: Procurarei você até no inferno e baterei tanto em vocês... E se eu estiver morto, eu levanto da cova só pra fazer vocês dois se acertarem novamente!

Jensen riu com o comentário. Jeffrey sempre fora extravagante com as palavras, nem parecia que era um advogado, um dos mais requisitados de toda a Nova Iorque.

— E se por acaso algo não der certo, quero ele de volta, aqui!

— Não... – Jensen disse apressadamente. – Nós nos damos bem.

— Bem quanto? – Jeffrey perguntou. – Bem que dê para pensar em futuro ao lado dele?

— Sim.

— Se é assim, não vou me envolver mais! – Jeffrey suspirou novamente, parecia que ele estava tirando um peso enorme das costas. Talvez estivesse mesmo tirando. – E nesse caso você precisa contar a ele. Sabe disso, não sabe?

— Eu sei.

— Vai contar?

— Vou.

— Se esperar muito tempo pode piorar as coisas!

— Sei disso, Jeffrey. – Jensen disse já sentindo o peso de ter que contar a verdade. – Venho pensando nisso cada vez mais a cada dia.

— É bom que pense, e fale logo. Bom, eu vou desligar, pois o Jared já me mandou uns três e-mails.

— Falando de mim pelas minhas costas?

— Se você visse o que ele escreveu, cairia para trás. Não sei como agüento ele!

— Isso é uma coisa fácil de fazer! – Jensen disse sorrindo, e escutou o Jeffrey rindo também.

— Sei disso, às vezes eu acho que ele tem a mesma idade do Paul.

— Eu também! – Jensen disse rindo. – Vá responder esses e-mails, que vou comprar umas coisas e encontrá-lo lá. Até mais.

— Até Jensen.

— X —

— Senhor, eu o encontrei! – disse um homem que estava sentado em frente ao computador.

Tom Welling, que andava incansavelmente de um lado para o outro parou abruptadamente no meio da sala, e seguiu para onde o homem estava.

— Onde? – Tom perguntou com a voz numa mescla de irritação e felicidade.

— New Hampshire.

— Ótimo! – Tom pegou o celular e discou alguns números e o levou ao ouvido. – Prepare tudo, amanhã partirei para New Hampshire o mais cedo possível!

— X —

Aquela noite havia sido especial. A verdade do que eles sentiam veio á tona num momento inesperado. Jared estava fazendo o jantar, vendo-o fazer tudo com perfeição, e o cheiro que a comida emanava pela casa era fabuloso. Mas não fora a comida que o fez constatar aquilo, e sim a forma como Jared sorria para ele, a forma como falava e agia.

Tirando as vezes que teve que falar aquelas palavras na série que fazia, não havia dito. Não de verdade, para uma pessoa que realmente amava, e foi então que teve a necessidade de falar.

Era como se, se não as falasse naquele momento, não teria outra oportunidade. Jared o olhava de vez em quando, e sorria. Ele sabia que estava acontecendo alguma coisa, mas não comentaria. Ele era assim, sempre o esperava, respeitava o seu tempo. E era mais um dos atributos dele. E sorriu.

— Jared... – chamou-o, fazendo com que o moreno desviasse a atenção das panelas e o olhasse. Quando o viu olhá-lo, resolveu que seria aquele momento a dizer. – Eu amo você!

Jared fez uma cara, que novamente era digna de uma foto. Amaldiçoou-se por não ter uma câmera ali. Havia prometido a si mesmo que nunca mais posaria para uma foto, mas queria ter uma, várias fotos de Jared espalhadas pela cabana. Viu Jared piscar algumas vezes, e abrir a boca para falar alguma coisa, mas a voz não saia. Talvez tivesse falado cedo demais, e já estava se arrependendo do que havia dito, quando viu Jared apagar o fogo das panelas e andar em sua direção.

Não esperava por aquele ato, mas Jared sentou em seu colo e o beijou. O beijou como se sua vida dependesse disso. Como se o ar de seus pulmões fosse mais precioso que ar que ele mesmo poderia puxar. Sentia que aquele beijo era diferente de todos os outros que haviam dado. Tinha mais sentimento, mais paixão, mais amor. Não, muito amor.

— Eu também Jen! – Jared disse quando separou os lábios dos de Jensen. – Você não sabe o quanto!

E tomou os lábios dele novamente. Só Deus sabia o quanto ele vinha reprimindo a vontade de dizer aquilo a Jensen. Só Deus sabia o quanto ele estava remoendo aquilo dentro si.

— Você não sabe o quão difícil foi eu falar isso – Jensen disse enquanto segurava o rosto de Jared. – Eu nunca disse isso a ninguém!

Jared sorriu, e tomou os lábios de Jensen novamente. Era impossível ficar com os lábios longe dos dele. Era como se quisesse sorver toda a saliva que havia lhe dito aquelas palavras.

— Jared, agora não é mais difícil – Jensen disse, olhando-o nos olhos. – Agora eu posso falar.

Não precisou de mais nenhuma palavra. Jared se levantou e puxou Jensen para a sala. Em fim, eles teriam aquela conversa, onde Jensen iria lhe contar quem era e porque estava ali. Quando sentaram no sofá, Jensen estava meio aflito, mas teria que falar. Odiava seu passado.

— Eu vim para New Hampshire primeiramente por estar fugindo! – Jensen disse, vendo Jared somente mover a cabeça positivamente. Sabia que quando quisesse falar, Jared iria lhe escutar e era o que estava fazendo. Então Jared lhe puxou para que deitasse a cabeça em sua perna, e apreciou, pois sentia ele lhe fazendo uma leve carícia nos cabelos. – Quando sai de Los Angeles, pensei que havia matado o meu próprio pai e mais algumas pessoas no set de filmagens.

Viu Jared arquear as sobrancelhas.

— Los Angeles? Set de filmagens? – Jared perguntou, pois o silêncio que Jensen fez fora um tanto incomodo. – Trabalhava lá?

— Trabalhava. – Jensen respondeu, vendo os olhos de Jared tentando se manter calmo, então resolveu se levantar, aquela conversa não seria fácil.

— Por quanto tempo?

— Por dez anos.

Jared o encarou fixamente. Quando Jensen virou o rosto, seu coração disparou. Sabia que Jensen queria lhe perguntar, mas não o faria, ele havia aprendido que com ele era assim, sempre esperaria Jensen dizer.

— Fui ator.

— Como? – Jared perguntou, com certeza havia ouvido errado. Não tinha como.

— Fui ator. – Jensen repetiu olhando nos olhos de Jared, que mesclavam em tristeza e frustração.

— Um ator. – Jared repetiu, mais para si. Somente para poder acreditar no que havia acabado de escutar. Olhou para Jensen, e ficou examinando-o – Cinema?

— Também, mas fiz mais Televisão.

Jared o encarava fixamente, tentando puxar em sua memória, não conseguia lembrar de Jensen. Nada vinha a sua mente.

— Não me lembro de você, não lembro do seu nome...

— Eu usava nome artístico.

Jensen era um homem reservado, o homem que quando o conheceu era super-reservado, melhor dizendo... Um ator? Era quase impossível de imaginar. Talvez ele fosse um reserva, um double.

— Ia sempre ao ar?

— Todas as semanas, durante cinco anos. – Jensen disse tendo a sensação que a qualquer momento seu coração iria pular pela boca, mas a forma como Jared lhe olhava, fazia com que ele tentasse se segurar.

— Era um papel importante, então. – Jared perguntou, e viu Jensen confirmar com um aceno com a cabeça. – Qual o seu nome?

— Você sabe o meu nome!

— Seu nome artístico?

— Ross Ackles.

Jared empalideceu. Não se ouvia um som na cabana. Ele sentiu o impacto de ouvir o nome, mais do que escutar somente. Era como se o mundo tivesse saindo de sua órbita. Nunca fora fã de televisão, mas tinha olhos. Mesmo que não possuísse memória excelente, mas teria que ser muito alienado para não se lembrar. O nome era mencionado nas manchetes de jornais e revistas nas bancas. Além das fotografias autografadas no balcão das lojas e posters nas paredes de mercados.

— Não pode ser! – Jared disse passando as mãos pelos cabelos.

— Mas é.

— Não reconheço você! – Jared disse olhando atentamente para Jensen, que estava aflito.

— Ontem você mesmo disse que preferia livros a televisão.

— Mas lia jornais, estava na faculdade de jornalismo. Via suas fotos, e colegas de sala falando em você todos os dias.

— Agora estou diferente.

Jared tentou analisar as feições dele, e nada encontrou de Ross Ackles em Jensen Ackles. Jensen Ross Ackles. Já havia escutado inúmeras vezes esse nome, e como pôde não ter associado ele ao grande super star Ross Ackles? Olhando-o, parecia mesmo outro homem, outra pessoa.

Quando o via nas revistas, sempre o via com um óculo de sol, ou com um enorme sorriso malicioso no rosto.

— Você deveria ter me contado antes.

— Não consegui.

— Mas... Você é... Mas você é o astro Ross Ackles. – Jared disse com a voz trêmula.

— Era, Jared! – corrigiu.

Jared abaixou a cabeça e esfregou as têmporas. E tentou raciocinar com clareza. Estava sendo difícil. Pensar que Jensen era um astro, um super star que todos amavam, e que sempre via manchetes sobre escândalos, com mulheres, todos os tipos. Festas em que ele saia bêbado, drogado ou até hospitalizado. Era difícil de imaginar.

— Você fazia a série...

— "Linha de Fogo". – Jensen completou, vendo que Jared não conseguia se lembrar. – Mocinhos e bandidos, eu fazia o policial corrupto Ben, que tinha uma cicatriz no rosto. Um seriado horrível, onde falar que roubar era o melhor.

— Que milhões de pessoas assistiam todas as semanas!

Jensen viu Jared recuar para o outro canto do sofá, e se aproximou. Não sabia o que se passava naquela cabeça para ele tomar tal atitude. Jensen o abraçou, sentindo que o corpo dele tremia levemente. Era como se seu mundo tivesse acabado de sumir de seus pés.

— Eu era um ator, Jared, mas isso acabou – Jensen afirmou – Agora sou Jensen Ackles, caçador, estudante de latim, entalhador e fabricante de maquetes. O homem que você ama.

— Não posso amar um ator! – Jared disse querendo se distanciar de Jensen, mas ele não o deixava. – Não conseguiria viver nesse ambiente, não mais.

— Nem eu Jared. – disse Jensen, o abraçando ainda mais forte. – Ross Ackles morreu. Ele não existe mais. Por isso eu estou aqui, na montanha. Eu, Jensen. Essa é a minha vida. A vida que construí. A vida que você está vendo e tem visto desde que está aqui.

Jared gargalhou, estava fodidamente fodido. Havia fugido de Nova Iorque, por não querer estar ao lado de Tom, que não era um ator, mas era um super star, e ainda por cima empresário e o mais novo presidente da New York Times. E agora o destino havia lhe mandado para mais um, mais um como o Tom. Que só estaria com ele por sua aparência e por seu corpo.

— Não Jared, eu não vou deixar você colocar a sua máscara de novo. – Jensen disse segurando o rosto de Jared com as mãos enquanto ele gargalhava. – Não agora, não precisamos disso.

— Você foi um sucesso. Um super astro.

— Fui, mas isso acabou.

— Não pode ser assim! Você não pode ficar fora para sempre. Eles não vão deixar você.

— Eles não me querem Jared, e eu não os quero. A vida que eu quero, é aqui, nessa montanha e com você nela.

— Mas é isso, você vai querer voltar... Eu sei que vai!

— Não Jared. Eu não quero voltar. – Jensen disse em um tom, que surpreendeu Jared, e o fez olhar nos olhos. E os olhos de Jensen não mentiam. Eles estavam determinados, sem medo, como se aquilo que a boca dele dizia era realmente o que ele queria. Respirou fundo para que pudesse raciocinar melhor, tentando se acalmar.

Jensen via os olhos verdes de Jared refletirem muitas coisas, e duas delas eram medo e incerteza. Voltou a abraçá-lo, puxando-o contra seu corpo.

— Não pretendo voltar, Jay. – Jensen disse calmamente. – E não poderia voltar, mesmo que quisesse, eu estraguei tudo.

Jensen engoliu seco, agora viria a pior parte de toda aquela história. Olhou para Jared, que já parecia um pouco mais calmo e deu um fraco sorriso.

— O que aconteceu?

Jensen respirou fundo, sentia suas mãos suarem. Levantou, e caminhou até a janela, e olhou para fora. Sentia seu peito doer toda vez que lembrava daquela história. A sua história.

— Há quatro anos... Estávamos no inicio de mais uma filmagem de um episódio, quando tudo aconteceu. – Jensen parou e suspirou pesadamente e virou de frente para Jared que permanecia sentado. – Foi tudo muito rápido. Eu tinha acabado de brigar com o meu agente, que queria que eu fizesse um filme, mas eu não estava disposto a fazer tal filme. Então encontrei meu pai, que brigou comigo por eu estar atrasado para a gravação... Meu pai, Roger Ackles, era o roteirista da série em que eu fazia o papel principal. E eu explodi! Disse que naquele dia não iria gravar. No final conseguiram me convencer. Durante toda a filmagem eu bebia, bebia muito. Era proibido beber e fumar no set, e eu o fiz.

Jensen deixou o corpo escorregar para o chão, mas continuou olhando Jared, e então continuou:

— Naquela época, a fama tinha subido à minha cabeça. Eu achava que era o mais importante, achava que era o melhor, o dono do mundo. Não aceitava não como resposta, e quando eu dizia não era a cartada final, tinha que ser. Comecei a beber, a usar drogas e estava me acabando. – Jensen dava voltas para realmente não dizer.

— O que aconteceu naquele dia, Jensen?

— Falaram que naquele dia iríamos trabalhar com fogo, pois o episodio, era um que eu entrava em um galpão para salvar meu parceiro, mas deu tudo errado. – Jensen abaixou a cabeça e passava as mãos no cabelo, não se deixaria chorar mais uma vez por conta daquela história. – E então eu estava bêbado, totalmente alcoolizado, e entrei no set fumando, e joguei o cigarro no chão, havia esquecido meu script no trailer e voltei para pegar, quando cheguei novamente no set estava tudo queimado. E naquele dia, meu pai e mais sete pessoas da produção morreram, por minha causa. Não agüentei, não pude. Peguei o carro e sai, sai correndo de lá. Tive medo de me prenderem. Tive medo de saber que pessoas haviam morrido, tive muito medo. Quando estava saindo da Califórnia, sofri um acidente.

Jensen se calou, pois sentiu os braços de Jared o envolverem. Olhou para ele, e só então pôde deixar as lágrimas escorrerem de seus olhos. Sentiu Jared o puxar para que sentisse que ele estava ali, do seu lado, e só então teve coragem para continuar.

— Acordei vinte dias depois. Eu estava sendo procurado por matar as pessoas do set, e um deles o meu próprio pai. Meu agente foi o primeiro a me encontrar, e disse que eu não poderia voltar, e que minha carreira tinha acabado. Eu conhecia muita gente, muitas pessoas que julgava importantes e especiais, mas nenhuma delas foi me visitar enquanto eu estava em um leito, nem mesmo a minha mãe. E quando recebi alta, resolvi que não voltaria mais para aquele meio, que não era mais o meu lugar. – Jensen olhou para Jared, que escutava atentamente a tudo o que ele dizia, e cada vez que sentia seu corpo tremer com as lembranças, o envolvia cada vez mais. – Resolvi procurar um lugar onde eu poderia morar o resto da minha vida sossegadamente. E foi aqui que conheci o Jeffrey. E ele disse que tinha o lugar certo para mim. E esse foi meu refúgio. Em New Hampshire ninguém me reconheceu, e as poucas que me reconheceram não se importavam. Quando fez dois anos que eu estava morando aqui, recebi a notícia de que o verdadeiro culpado fora preso e julgado, e ele era um dos roteiristas da série. Aquele que meu pai mais confiava. E meu agente veio atrás de mim, e eu não quis voltar. Aqui é o meu lugar.

Jared o abraçou e sorriu. Todo aquele medo que havia sentido antes, por perceber alguma semelhança entre Jensen e Tom fora totalmente desnecessária. Sentia-se um inútil, por ter ficado daquela forma. Envolveu Jensen o máximo que pôde e o levantou. Depositou um suave beijo nos lábios dele e sorriu.

— Me perdoe. – disse e o beijou novamente.

— Você tinha razão, eu deveria ter contado antes, mas não tive coragem! – Jensen disse abraçando Jared. – Para dizer a verdade eu tenho medo.

— Eu também!

— Você não precisa ter medo, não de mim ou por mim. Você me conhece melhor do que qualquer outra!

— Esse outro homem...

— Não existe mais! – Jensen disse tomando os lábios de Jared com os seus. – Ele nunca chegou a existir. Era uma imagem falsa, como todo rosto em Hollywood. Uma imagem de plástico, sem alicerce, então era inevitável que não ruísse um dia. Não quero mais esse tipo de vida. Precisa acreditar nisso, precisa acreditar em mim. A única vida que quero é a vida que tivemos nessa última semana. Real. Plena.

— E essa necessidade de reconhecimento público, o gosto do sucesso? Não está no seu sangue?

— Esteve e quase me matou. Foi como uma doença, e a cura quase letal, mas funcionou. Não deixe que meus erros do passado interfiram em nossa vida. Foi com eles que aprendi. Só Deus sabe o quanto aprendi.


Continua...