Desclaimer: Jared e Jensen não me pertencem, o que é uma pena, e escrevo essa fic apenas para a minha diversão e para a diversão de quem vai ler e sem nenhum fim lucrativo.
Titulo: Refuge
Beta-Reader: EmptySpaces11
Fandom: Supernatural / RPS
Classificação: M/NC-17/Slash.
Avisos: Universo Alternativo, Repostagem.
Sumário: Jared Padalecki resolve seguir seu sonho e viajar pelo mundo com uma mochila nas costas. Jensen vive uma pacata vida nas montanhas como um caçador. E se conhecem graças ao bondoso e maquiavélico Jeffrey. Padackles - AU.
Fanmix: http : / br4 . in / aVrxS ; Por Draquete. Obrigada querida, você sabe o quão importante foi essa fanmix pra mim.
Capa: http : / br4 . in / ubp7o ; Por EmptySpaces11. Obrigada amor. Você me surpreendeu quando me mandou. Amei muito ela.
Capítulo IX
Jensen abraçou Jared o máximo que pôde, queria senti-lo. Antes, ele tentou se afastar; e isso lhe causou medo, mas agora, ele o abraçava da mesma forma. O que era bom. Não tinham mais segredos, não precisavam deles. Agora poderia ter uma vida real, uma vida plena com quem amava. E ele amava Jared. Havia dito isso antes de lhe contar a verdade.
— Eu amo você, Jared! – Jensen repetiu antes de beijar-lhe os lábios.
Aquelas palavras era música para o ouvido de Jared. Já havia escutado essas palavras da boca de Genevieve no colegial, e de Tom, mas nada se comparava a escutá-las vindas de Jensen. Era como se aquelas palavras tivessem um significado sublime, intenso, que enchia seu peito de forma que não cabia dentro de si.
— Eu também amo você, Jensen. – Jared respondeu, vendo um sorriso se formar nos lábios de Jensen.
— Não tenho mais segredos, não mais. – Jensen falou apertando ainda mais o abraço que eles davam.
— Nós não precisamos deles! – Jared disse, olhando-o nos olhos.
Jared tomou os lábios de Jensen em um novo beijo que era correspondido com paixão e amor, muito amor. Jensen o conduziu até o pequeno sofá que haviam abandonado e sentou sobre o colo de Jared. Queria dar-se por completo a Jared. Agora ele estava completo, pois sabia que Jared não o deixaria, mesmo sabendo quem ele era. E estava pouco ligando para quem um dia ele fora. Tudo poderia ser esquecido. Não, não poderia ser esquecido, porque a pessoa que um dia ele fora, o fez transformar-se no que era. E era essa pessoa que Jared dizia amar. E aquilo não importava, não naquele momento.
Sentia as mãos de Jared lhe acariciar levemente. Cada toque fazia seu corpo tremer. Era como se o que faltava antes, não faltasse mais. Eram as três palavras que foram ditas, que agora faziam todo o sentido do mundo.
Tirou lentamente a camiseta que Jared usava, e sorriu ao ver os olhos dele brilhando em desejo. Não era somente isso, e sabia o que era. Não conseguir deixar seus lábios muito tempo separados dos dele. Era como se ali, nos lábios dele estivesse todas as promessas para o futuro, um futuro que queria ter ao lado dele.
Jared não mais sentia medo. Aquele medo de Jensen ser uma pessoa igual ao Tom havia sumido de sua mente. Aquele que estava sentado em seu colo, aquele que beijava seus lábios, era o Jensen, o seu Jen. Aquele que, assim que chegou em sua cabana, o tratava mal, era irônico, cínico e sarcástico. Aquele que o fez lutar para conseguir a confiança, aquele que lhe abraçou e lhe curou de alguns medos sem nem ao menos saber. Aquele que lhe ensinou o que era amar de verdade. Se Jensen dizia que Ross Ackles não existia mais. Então aquele cara também não existiria para ele. Só existiria porque foi por conta dele que Jensen era o Jensen que conhecia.
Jensen era aquela pessoa que fazia seu sangue correr acelerado para seu coração, para fazer seu coração bater igualmente. Aquele que com apenas um sorriso conseguia alegrar seu dia.
Desceu os beijos para o pescoço de Jensen, escutando-o gemer baixinho contra seu ouvido. Amava aquele homem. Amava como nunca havia amado ninguém.
Levantou segurando Jensen pelos quadris, fazendo com que ele enlaçasse as pernas em sua cintura.
— Aqui não é o lugar mais indicado para fazermos isso. – Jared disse contra o pescoço de Jensen, e o escutou sorrir.
— Não temos vizinhos, Jared! – Jensen disse apertando ainda mais as penas na cintura de Jared. Estava se sentindo uma donzela, sendo carregado daquela forma, mas ao ser depositado na cama, e quando sentiu o peso de Jared sobre seu corpo, esqueceu isso. Na realidade estava se sentindo um homem amado.
— Mesmo que tivéssemos... – Jared disse depositando um suave beijo nos lábios de Jensen. – Aquele sofá é pequeno demais para mim, imagine para nos dois juntos... – Jared disse sorrindo malicioso. – Se essa cama já fica pequena conosco... – Jared sorriu todo covinhas e malícia. Esse era um dos sorrisos que Jensen mais amava. E sem dar tempo dele desfazer aquele sorriso o beijou novamente.
As roupas eram um acessório desnecessário naquele momento, tanto que foram tiradas, lentamente, conforme as carícias se tornavam mais intensas.
Cada toque transmitia o amor que eles sentiam, cada carícia era especial. Jared deixou Jensen rolar o corpo para cima do seu, sentindo os lábios dele contra o seu tórax. Os lábios dele queimavam sua pele e o intoxicavam de prazer. Jensen era o único que conseguia fazer isso.
— Jen, eu quero você! – Jared disse com a voz embriagada de prazer. Jensen o estimulava com a uma de suas mãos, enquanto a outra segurava seus cabelos. – Quero sentir você!
Jensen ficou estático.
Até então, quem tinha sido o ativo era Jared, e ele estava lhe pedindo, para ser amado. Já havia tentado, mas Jared não deixava brechas, sempre controlava o ritmo da relação, mas ali, naquele momento, ele estava entregue.
Subiu os lábios até a altura dos dele e o beijou. Assim com ele, Jensen, Jared tinha suas defesas, suas barreiras, e ele tinha deixado aquela cair. Havia percebido que, igualmente, Jared precisava confiar na pessoa para que as deixasse cair. Sorriu entre o beijo.
Estava meio incerto. Não tinha o porquê de reclamar do Jared sendo o ativo. Tinha a vontade, mas naquele momento... Era diferente.
— Jensen, eu amo você! – Jared disse quando desgrudou os lábios do dele e o olhou nos olhos. E então o beijou apaixonadamente.
Jared precisava de amor, precisava ser amado e cuidado. Como uma criança que necessita de atenção. O abraçou ternamente, deslizando as mãos pela cintura dele, não deixando os lábios dele um único segundo.
Descobriu que depois que contou toda a verdade a Jared, ele se entregaria inteiramente, e aquele pedido era a prova, não hesitaria. Aquela seria sua forma de provar o quanto o amava, o quanto era intenso o seu amor.
Desceu os beijos para o pescoço, tórax e abdômen, deixando pequenas marcas avermelhadas por onde passava. Tomou a ereção dele novamente com uma de suas mãos, estimulando-a calma e intensamente. Não precisou pedir, pois Jared pegou o lubrificante no criado mudo e lhe entregou.
Palavras não eram necessárias, os gemidos preenchiam esse espaço. Derramou um pouco do lubrificante em uma das mãos, e afastou um pouco as pernas de Jared.
Quando introduziu o primeiro dedo na entrada até então intocada de Jared, viu-o gemer. Para desviar os pensamentos do moreno, da dor incômoda que sabia que ele estava sentindo, pressionou os lábios sob a glande do pênis dele, e ouviu-o gemer, de prazer dessa vez.
Introduziu o segundo dedo, no mesmo instante em que abocanhou sua ereção. Sentia que ele estava relaxando. E colocando o terceiro, o sugou com vigor. Não sabia quanto tempo Jared não fazia aquilo, mas não queria machucá-lo. Queria que ele sentisse prazer, apenes prazer.
Continuou movendo a mão lentamente, fazendo com que seus dedos entrassem e saíssem lentamente de Jared. E quando o escutou gemer, arqueando as costas, sabia que havia tocado naquele lugar especial, que normalmente Jared o tocava com facilidade. Os quadris dele, vinham de encontro a sua mão, e ele pedia mais, muito mais.
Retirou-se de dentro dele, e subiu os beijos, fazendo todo o percurso de volta, beijando-lhe todo o corpo que lhe era acessível até chegar aos lábios. Posicionou-se entre as pernas de Jared, levantando-lhe o quadril, e o olhou nos olhos.
Jared sentia arrepios ao sentir o pênis de Jensen pressionando sua entrada. Doía, mas era uma dor suportável. Ele entrava lentamente. Era como se seu corpo estivesse sendo rasgado ao meio, mas Jensen lhe dava leves beijos em seu pescoço, e falava o quanto o amava em seu ouvido, tentando desviar sua atenção daquele ponto para outra coisa.
Passou as penas ao redor da cintura de Jensen, forçando-o a penetrá-lo mais rápido, para aquela dor aguda acabar de vez. E conseguiu. Sentiu Jensen completamente dentro de si. Era dolorido, mas era uma sensação boa. Segurou os quadris de Jensen, impossibilitando-o de se mover e sorriu, da melhor forma que pôde.
— Você é o primeiro!
Jensen estava aprendendo a ser um bom entendedor para as meias palavras de Jared, mas talvez ele estivesse falando de outra coisa, não? Viu a face corada de Jared e secou dos lábios uma lagrima que ele deixou escorrer ao ser totalmente penetrado.
— Primeiro... Primeiro? – Jensen perguntou, olhando nos olhos de Jared, e viu refletir um brilho diferente.
— Nunca deixei ninguém me tocar como está me tocando, Jensen! – Jared disse e soltou o quadril de Jensen, tentando se mover.
Jared pôde ver que novamente Jensen estava relutante. E viu medo refletir-se nos verdes dos olhos dele.
— Jensen, é a minha primeira vez, mas, por favor, quer tratar de fazer direito? – Jared disse sorrindo. Viu um sorriso malicioso brotar nos lábios de Jensen. – Não sou uma garota de família.
Era um sorriso pequeno, onde só aparecia metade dos dentes, e alcançavam os olhos, que brilhavam em malícia e desejo igualmente ao sorriso, mas esqueceu-se totalmente disso, quando Jensen se colocou totalmente fora de seu corpo e entrou com tudo. Gemeu e não se deu por conta se tinha gritado. O fato é que não se importava, pois ele havia feito novamente.
Jensen movia-se para dentro e para fora do corpo de Jared, com precisão, sem medo de machucá-lo, o que na realidade não estava acontecendo; Porque Jensen tocava em um ponto dentro de seu corpo, que fazia seus pelos arrepiarem, sua garganta gritar, e seu corpo mover-se contra o dele.
Se conseguisse ficar com os olhos abertos o tempo inteiro, sabia que gozaria somente de olhar o rosto de Jensen banhado em prazer, mas o prazer que ele lhe proporcionava, já era o bastante para lhe fazer gozar. E não demorou muito.
Jensen sentiu ser contraído por Jared, quando ele atingiu seu êxtase. E continuou a se mover dentro dele, fazendo-o sentir ainda mais prazer enquanto sujava-os com seu sêmen.
Seu nome sendo chamado por Jared daquela forma tão... Apaixonadamente sexy, o levava a loucura. Não demorou muito para gozar também, preenchendo Jared com o seu líquido, vendo-o gemer novamente ao sentir a nova sensação. E não pôde deixar de gritar o nome dele, enquanto ele o envolvia em um abraço frouxo por conta do cansaço.
Deixou-se desabar em cima dele, e selou os lábios dele com os seus em um leve beijo.
A respiração dele estava tão ofegante quanto a sua, e pelo sorriso que estampava o rosto, sabia que havia sido igualmente maravilhoso. Mantinha-se dentro dele, era maravilhoso estar ali. E o contato da pele dele contra a sua era perfeito. Tudo se tornava perfeito quando estavam juntos.
Quando já estavam quase totalmente recuperados e seus corações com os batimentos normalizados, escutou Jared gargalhar.
— Precisamos curar esses seus problemas mentais! – Jensen disse zoando. E beijou a face de Jared.
— Estou te amaldiçoando! – Jared disse ainda gargalhando. Olhou para o rosto de Jensen, e viu ele arquear uma das sobrancelhas e sorrir. – Por que não me disse que era tão bom ser... Comido?
E dessa vez quem teve que gargalhar foi Jensen. Não sabia como ele conseguia fazer essas coisas. Esses comentários do nada, pareciam ser feitos somente no intuito de lhe fazer rir.
— Vai ficar só rindo ou vai me responder? – Jared perguntou fingindo indignação. – Se eu soubesse não teria me guardado tanto tempo!
— Eu não sabia que você nunca tinha sido comido, Jared! – Jensen respondeu. – E foi bom você ser um virgem quase-puritano.
— E qual o bom nisso, além da dor que vou sentir amanhã? – Jared perguntou, sentindo as leves carícias de Jensen em seu cabelo.
Ele ainda permanecia dentro de seu corpo, e aquela era uma sensação boa. Era como se estivesse completo, como se fossem um.
— Que eu fui o único, e que sou exclusivo! – Jensen disse beijando os lábios de Jared, sentindo-se animar, da mesma forma que sentia Jared se animar.
— Pensei que já tinha entendido isso mais cedo! – Jared zombou, rolando o corpo para cima do de Jensen.
— Eu tinha, mas eu precisava verbalizar!
Jared sorriu, e o beijou novamente. Sentia-o contrair sua quase ereção, fazendo-o ficar ainda mais ereto.
— Agora só basta você me ensinar as maravilhas de ser...
— Amado? – Jensen o cortou, sabendo que ele iria dizer novamente aquela palavra, comido, mas ele não estava comendo ou fodendo Jared, ele o estava amando. E viu um novo sorriso nos lábios dele. – Com toda a certeza!
— X —
Quando Jared acordou, estava sozinho na cama, o que achou estranho. Depois que Jensen estava se acostumando a acordar tarde, ele nunca mais tinha ficado na cama sozinho. Tentou sentar na cama, mas aquela idéia não foi muito boa, pois sentiu uma dor forte em seu traseiro. E resolveu permanecer deitado, de bruços.
Quando Jensen entrou no quarto, vestindo somente uma cueca, viu que ele não o havia deixado por muito tempo. Viu-o deitar ao seu lado, e lhe depositar leves beijos nas costas.
— Como consegue? – perguntou olhando nos olhos de Jensen.
— O que? – Jensen perguntou sem entender a pergunta de Jared.
— Como consegue sentar depois disso? – indagou, e Jensen riu.
— Se você continuar nessa posição, vai acabar me seduzindo, e eu não respondo por mim! – Jensen disse roucamente no ouvido de Jared.
— Não tem como ficar de outra forma, e acho que já estou dolorido o suficiente!
— Tadinho dele! – Jensen zombou, vendo Jared fazer um bico, como o de uma criança que acabou de perder seu brinquedo favorito. – Vem, vou lhe dar um banho.
Jared tentou pular da cama como sempre fazia, mas não foi uma boa escolha, pois quando ficou de pé, sentiu novamente aquela dorzinha aguda e incomoda.
— Jared, não é pra tanto! – Jensen disse levantando e passando os braços em volta da cintura de Jared.
— Não é você que está com a bunda doendo, Jensen.
— Não hoje, Jay, mas lembre-se, foi minha primeira vez como ativo!
E Jared refletiu; aquilo era verdade. Jensen ficava da mesma forma todas as vezes e não reclamava. Bom ele era homem o suficiente para conseguir agüentar isso.
— Vamos logo para o banho ou eu desisto e fico nessa cama o dia todo! – Jared disse passando por Jensen e esse teve que rir. – O que foi?
— Eu queria ter uma câmera para gravar você andando desse jeito.
— Cala a boca, Jensen!
— Também amo você, Jay! – Jensen o seguiu até o banheiro.
— X —
Naquele instante um carro de luxo preto se aproximava da entrada de New Hampshire.
Tom não sabia o porquê Jared havia se enfiado em uma cidade como aquela, não tinha aeroporto, e então teve que ir de carro e enfrentar o árduo trânsito até a saída de Nova Iorque. E quando chegou a pequena cidade, estranhou ainda mais.
Aquele lugar não era o tipo de lugar que Jared gostaria de estar. Não havia muita tecnologia, e também não tinha muitos assuntos para as sátiras que ele amava fazer. Realmente não entendia o que ele estava fazendo ali.
Quando chegou ao pequeno centro, descobriu que só havia dois hotéis. E verificou se Jared estava hospedado em um deles, mas não estava em nenhum.
Aquilo tudo estava estranho de mais. Como havia levado dois de seus homens consigo, os fizera procurar por Jared pela cidade, em vão.
Parecia que ninguém naquela pequena cidade o havia visto, mas tinha certeza que ele estava ali ou talvez tenha sido roubado e a pessoa que roubou seu celular estaria ali.
Já eram quase quatro horas da tarde e nenhum sinal dele. Havia deixado Nova Iorque pela manhã, e estava faminto, mas não tinha um único lugar digno naquela cidade. Então resolveu escolher o restaurante mais razoável.
Quando entrou, uma bela moça loira sorriu os chamando para sentar em uma das mesas. E assim fizeram.
A moça era simpática e falava muito. Seus seguranças logo fizeram seus pedidos. E ele pensou que aquele falatório dela talvez valesse de algo.
— Senhorita... – Tom tentou procurar um crachá, mas não encontrou, então ela mesma se apresentou.
— Clarisse, ao seu dispor. – ela sorriu abertamente.
— Clarisse, - Pegou a mão da garçonete e depositou um leve beijo, vendo-a corar e então se apresentou – Me chamo Tom. Eu estou procurando um amigo meu, talvez você o tenha visto... – Tom sorriu para ela, e pegou uma foto de Jared que estava com seu segurança. – Ele se chama Jared, a senhorita o viu?
Tom virou a foto para que ela desse uma olhada, e ela logo sorriu, confirmando que havia visto o rapaz da foto.
— Ele esteve aqui ontem... Como estávamos na época da chuva, ninguém saia de casa, mas como ela acabou, ele veio aqui com o Jensen. – ela comentou sorrindo. – Fiquei impressionada como ele se dá bem com o Jensen, e como o sorriso dele, é muito lindo!
Clarisse disse num tom sonhador, como se Jared ou talvez esse tal de Jensen, fosse o seu príncipe encantado.
Finalmente alguma pista sobre Jared, pensou Tom sorrindo amigavelmente para a garçonete.
— Teria como me dizer onde ele está hospedado? – a voz de Tom era macia e calma. – Tenho assuntos importantes a tratar com ele.
— Se ele veio com o Jensen – Tom pôde ver novamente os olhos da garçonete brilharem, somente por pronunciar aquele nome. – Ele deve estar na cabana dele. A única cabana que sobrou por aquele lado.
— Cabana?
E a moça prontamente responde:
— Sim! Cabanas. Jensen mora numa. Havia outra, a de Jeff, mas pegou fogo há uns três meses atrás. Foi um alvoroço só. E foi uma pena. A cabana era a última lembrança que Jeff tinha de seu pai. Jensen mora perto dessa cabana.
— Jeff? Quem é Jeff?
— Jeffrey Morgan, senhor. Creio que não o conheça.
Tom não pôde deixar de xingar Jeffrey mentalmente. O bastardo estava a par de tudo! E não quis lhe contar, assim como Eric também não o fez. Provavelmente os dois sabiam disso. Mas não precisava mais tanto segredo, afinal, ele o tinha encontrado.
— Teria como me dizer onde fica a cabana dele? – Tom perguntou novamente com sua voz amigável, não deixando que a garçonete percebesse a raiva que havia crescido dentro de si.
A moça pensou um instante. Olhou para o homem a sua frente. Ele sorria, um sorriso que poderia ser julgado puro e de uma pessoa de boas intenções, e se ele estava atrás de Jared, o amigo de Jensen, talvez não tivesse problemas dizer onde ficava a cabana dele, certo? E foi o que fez.
— Para chegar à cabana do Jensen é fácil! – Clarisse disse sorrindo. – É só você pegar a estrada para o Lago Hampshire. Quando chegar a uma enorme pedra, ande mais três quilômetros. Tem uma pequena entrada, que dará para a cabana dele, mas vou lhe avisar: Jensen não gosta de ser incomodado em sua cabana. Se quiser falar com ele, espere ele vir para o centro, normalmente ele vem três vezes por semana, e amanhã é o dia dele vir.
Tom agradeceu a moça e esperou seus seguranças terminarem de comer. Havia perdido totalmente a fome, algo que estava acontecendo constantemente desde sumiço de Jared.
Tom alugou dois quartos em um dos hotéis que tinha na cidade, e disse aos homens que estava indo até a cabana. Mandou que os dois ficassem ali, no caso de Jared aparecer na cidade.
— X —
Jensen estranhou ao ver aquele carro de linhas arrojadas e caro se aproximar de suas propriedades, e de dentro dele sair um homem vestindo um terno fino e caro. Super caro!
O homem era alto e tinha os cabelos escuros. O viu sorrir amigavelmente e era estranho ter uma figura daquelas em seu quintal. Da última vez que vira alguém vestido daquela forma tinha sido seu agente, Misha Collins, quem há muito não via.
Viu o homem se aproximar, e largou os instrumentos de caça que estava arrumando. Logo teria início a temporada de caça e tudo deveria estar ajeitado.
— Boa tarde. – escutou aquele homem dizer, e o respondeu somente com um aceno.
Tom parecia reconhecer aquele homem a sua frente, mas isso era irrelevante no momento. O importante de tudo era saber se aquele homem a sua frente era o tal de Jensen que a garçonete havia dito, e se Jared estava com ele.
— Perdão por estar entrando em suas terras sem permissão, mas é que eu estou procurando um amigo meu... – Tom disse calmamente, tentando parecer o mais confiável possível.
— Amigo? – Jensen perguntou.
— Sim... – Tom disse sorrindo, um sorriso que conquistava as pessoas, ou achava que conquistava.
Jensen olhava aquela pessoa a sua frente como se ela tivesse algum distúrbio. Estar em meio à mata vestido com aquelas roupas, somente um louco faria isso.
— Desculpa, nem me apresentei... – Tom estendeu a mão esperando que Jensen lhe cumprimentasse. – Tom Welling.
Ao escutar aquele nome o coração de Jensen acelerou de uma forma que pensou que ele fosse parar a qualquer momento por trabalhar rápido demais. Olhava para a mão estendida de Tom e para o rosto dele.
O pânico de ser reconhecido lhe assombrou. Virou as costas pegando as cordas que estavam no chão e disse:
— Não conheço nenhum amigo seu. Talvez ele esteja na outra cabana! – Jensen disse rapidamente e entrou para a varanda.
— Você deve ser o Jensen, certo? – Tom perguntou, impossibilitando-o de entrar.
Em milésimos de segundos, Jensen pensou, iria interpretar. Afinal de contas ele já fora um ator. Não poderia deixar que as pessoas o assustassem. Virou e olhou na direção de Tom.
Tom olhou para Jensen, e estranhou. Não encontrou vestígios do homem assustado que vira a poucos instantes em sua frente e sorriu, aquele homem era interessante.
— E se fosse? – Jensen perguntou usando o seu tom mais ríspido.
— Gostaria de ver Jared. – Tom falou parecendo casual.
— Não será possível. – Jensen disse saindo da varanda e parando na frente de Tom. – Ele foi embora pela manhã.
— Sério? – Tom perguntou sarcástico. – Ele foi e deixou seu filho com você?
Tom apontou para o carro de Jared, estacionado do lado de fora da casa, e dava para ver a caminhonete de Jensen estacionada dentro da garagem.
— Sim, eu mesmo o levei! – Jensen disse e sorriu de canto de lábio.
— Jared não voltaria para Nova Iorque deixando o carro dele para trás! – Tom disse olhando o carro com atenção.
— E quem disse que ele voltou para NY? – Jensen retrucou. Sua voz era gélida, como se dentro de seu corpo não houvesse vida.
— Ele não voltaria para o Texas. – Tom disse pensativo. – E na Pensilvânia ele não está ou eu já estaria sabendo... Então ele continua aqui!
Jensen o olhou com atenção, e viu o sorriso cínico que Tom deixava transparecer na sua máscara de falsidade.
— E quem você pensa que é para vir até minha casa e dizer se uma pessoa está ou não? – Jensen perguntou, olhando-o com indiferença. – Mesmo se ele estivesse não o chamaria. Eu já disse: ele não está!
— Tudo bem! – Tom disse virando as costas e andando até seu carro. – Eu vou encontrá-lo.
Quando Tom estava entrando no carro, Jensen entrou em pânico. Jared havia saído para chamá-lo para comerem. Amaldiçoou-se.
Viu o olhar de Jared pousar no carro e depois na figura que estava parada ao lado do carro e seu sorriso sumiu. Seu rosto tomou uma expressão fria e seus olhos perderam o brilho, como se aquele Jared que via a sua frente fosse um totalmente diferente do que havia conhecido.
E em menos de um minuto o viu mudar novamente. Um enorme sorriso tomou conta de sua face e escutou ele dizer, rindo:
— Até aqui eu sou um cara lindamente fodido! – Jared disse e começou a caminhar em direção ao carro. – Deveria ter imaginado que estava me rastreando! – escutou Jared, a voz dele era como facas prestes a cortar quem atingissem.
— Você sabe que iria até o inferno te procurar! – Jensen escutou Tom dizer enquanto se aproximava de Jared.
— Então, por que não foi? – Jared perguntou gargalhando. – Acho que o capeta iria se apaixonar por você!
— Você sendo apaixonado por mim é o que me basta! – Tom respondeu.
Jensen não estava entendendo nada, toda vez que Jared falava do Tom, era como se ele fosse uma ferida, mas agora, com ele ali na sua frente, ele o tratava normal. Não o normal Jared, que ele havia conhecido, mas o normal que ele imaginava que era.
Quando Jared o olhou e sorriu desolado, entendeu. Ele havia colocado sua máscara, uma das que ele usava.
— Jen, poderia nos deixar a sós por um instante? – Jared perguntou, com a voz cansada, mas notou a diferença no tom que Jared usava. – Me espere para o jantar, não vou me demorar!
Com um aceno sorriu para ele, tentando passar confiança. Deu as costas para ele e entrou na casa.
— Quem esse cara pensa que é? – Tom perguntou, se aproximando ainda mais de Jared. – Ele disse que você tinha ido embora…
— Ele não pensa, ele é meu namorado! – Jared quase cuspiu as palavras na cara de Tom e sorriu ao ver o rosto dele se contorcer em desgosto. – O único que pensa que ainda é alguma coisa para mim aqui, é você!
— Eu não penso… Eu sou! – Tom disse. – Eu sou o homem que você vai amar, o homem que tem um futuro para lhe dar, o homem que vai ser o pai dos nossos filhos…
Jared não se agüentou e começou a gargalhar. Não sabia de onde Tom tirava aquelas idéias. Ele era louco. Filhos? Olhou com frieza para ele e disse o mais ríspido que pôde:
— Mesmo se você fosse o último homem da Terra, nunca seria o pai dos meus filhos!
— Me diz: O que esse Jensen pode lhe oferecer? – Tom perguntou olhando a pequena cabana. – Essa cabana? Uma vida pacata no meio… Do nada? – Tom viu o sorriso de Jared aumentar. Não era um sorriso que ele conhecia, era um sorriso que mostrava o quanto Jared estava em paz, e feliz.
— Ele conseguiu me dar em uma semana o que você não me deu em quase três anos! – Jared disse, e sorriu novamente um sorriso que Tom conhecia bem, o sorriso de escárnio.
— Uma boa foda? – Tom perguntou sarcástico.
— Não Tom… – Jared se aproximou dele e disse olhando nos olhos dele. – Amor… Amor mútuo!
E dessa vez foi a vez de Tom rir. Ver Jared, o cara que não acreditava em amor, falando dele com tal naturalidade. Era no mínimo engraçado.
— Amor? – Tom perguntou com cinismo em sua voz. – E você sabe o que é amor, Jared?
— Eu descobri Tom! – Jared disse dando as costas para ele e andando em direção a cabana. – Eu descobri, e aconselho você a fazer o mesmo.
Quando Jared ia abrir a porta escutou a voz de Tom.
— Eu já o fiz, e estou correndo atrás dele, Jared! E não pense que eu vou embora agora. – Tom disse e Jared pôde perceber que a voz dele estava fraca. Talvez tenha sido a punhalada que ele tinha levado, ao escutar de sua própria boca que estava amando, mas não ligava. – E vou levar você embora comigo.
Jared virou-se para falar que não iria embora. Mesmo se perdesse o emprego, e que nunca mais conseguisse trabalhar em um jornal em Nova Iorque novamente. Não teve tempo, pois Tom havia entrado no carro e dado partida.
— X —
Ao entrar na cabana, estranhou Jensen estar sentado em sua poltrona e com seu livro de latim no colo, mas logo percebeu que ele não estava prestando a mínima atenção no livro. Percebeu também que ele havia virado a poltrona estrategicamente para poder ver o que estava acontecendo do lado de fora. E, também, parecia que ele também não estava olhando para o lado de fora.
Ele parecia estar pensando em algo muito sério, e quando percebeu que estava sendo observado, olhou para o lado de fora da janela e viu que o carro não estava mais lá.
Sorriu miudamente para Jared que se aproximou e estendeu a mão para que ele, Jensen o acompanhasse.
— Não vamos deixar que ele acabe com o nosso maravilhoso dia! – Jared falou calmamente.
Jensen acenou positivamente com a cabeça, e seguiu com Jared até a cozinha, para poderem jantar. Nenhuma outra palavra fora proferida. Era como se ambos estivessem absortos em seus próprios pensamentos, o que não os agradava nem um pouco.
Jared mexia a comida de um lado para o outro, e Jensen fazia o mesmo. Apos aquela visita inesperada, era como se Tom tivesse levado com ele a fome que ambos sentiam antes dele chegar.
— Acho que precisamos conversar! – Jared disse levantando-se.
— Acho que sim!
Jensen levantou também e foi para a sala, deixando seu prato onde estava, sendo seguido por Jared.
— Acho que deixei de lhe contar algumas coisas. – Jared disse sentando no sofá. Viu Jensen ficar aflito e o puxou para sentar-se ao seu lado. – Desde que terminei com o Tom, ele vive me perseguindo. Quando me mudei para o meu loft, eu fingia que morava com o Chad, que é um amigo meu da faculdade. Tom descobriu pelas minhas correspondências que eu estava morando lá, e foi me procurar. E quando isso aconteceu, eu me mudei novamente para a casa de outro amigo meu, Chris… E assim foi até esses dias atrás quando ele descobriu que eu realmente morava naquele loft...
Jensen não sabia o que dizer, ele havia fugido de Los Angeles para New Hampshire por conta da fama e tudo mais, e se isolou, mas Jared não, ele vivia fugindo de Tom. Conseguia driblá-lo e se fazer sumir durante um bom tempo, mesmo trabalhando em uma empresa onde ele tinha muita influência. Suspirou cansado, e o olhou.
Jared esperava algum comentário e como esse não veio, abraçou Jensen, aconchegando-o em seus braços, e sorriu sentindo o cheiro único que Jensen tinha.
— E como em todas as outras vezes ele me achou, mas dessa vez estou disposto a não fugir mais! – Jared tinha convicção em sua voz, o que aliviou um pouco do peso das costas de Jensen, mas não muito.
Ficaram naquela posição um bom tempo, apenas digerindo a informação que Tom estava na cidade e imaginando o que teriam que enfrentar. Quando Jared puxou Jensen para um beijo, o loiro o interrompeu como se tivesse sido arrancado de seus pensamentos.
— Se ele me reconhecer? – Jensen perguntou, antes que Jared pudesse falar qualquer coisa. - E se ele trouxer repórteres?
— Ele não vai! – Jared afirmou, mas Jensen não estava tão convicto disso.
— X —
Se soubesse que Jared iria se apaixonar por um cara baixinho como aquele tal de Jensen, nunca teria o deixado sair de dentro da sua casa.
Fazia três anos que Jared havia deixado sua casa. Ainda se lembrava do semblante que ele tinha quando o viu em sua editora pedindo um emprego. Ele parecia machucado, inocente e acima de tudo puro. Faziam o que, cinco anos?
Em toda a sua vida, Jared fora o único que lhe chamou atenção, que fez seu coração palpitar e ter a vontade de passar o restante da vida ao lado dele, mas parecia que Jared não o deixava, e ainda agora não o deixava. Era como se ele nunca tivesse lhe dado a oportunidade de amá-lo.
Mas sabia que era mentira, sabia que ele já havia lhe dado essa chance e a desperdiçou usando o rostinho bonito que ele tem para se dar bem. Naquela época, não pensava muito nessas coisas, pois ele estava ao seu lado, e todo dia poderia amá-lo quando chegasse em casa, mas agora não mais. E só se deu conta quando o perdeu.
Mas queria outra chance, queria ter uma nova oportunidade de amá-lo, de poder mostrar o quanto o amava. Agora, com aquele tal de Jensen, isso seria impossível.
E foi quando lembrou, pegou o celular e ligou para o detetive que havia contratado e passou o nome de Jensen e as características dele para o sujeito. Sabia que conhecia aquele cara de algum lugar, mas não sabia exatamente de onde, ou talvez estivesse o confundindo com alguém, o que não era muito provável, pois sua mente nunca se esquecia de um rosto, já o nome era outro caso.
— X —
Tom acordou com o seu celular tocando incansavelmente e quis matar quem estava o ligando àquela hora da manha, mas esses pensamentos foram logo abandonados, pois era o detetive e ele disse que estava lhe enviando a ficha completa de Jensen Ross Ackles.
E aquele nome não lhe era estranho.
Quando abriu sua caixa de email e viu as fotos da série que ele fazia, da cicatriz postiça que ele usava e todo o resto lembrou-se de imediato quem era Ross Ackles.
Não pôde conter o sorriso ao constatar que aquela era uma ótima carta. E com uma única cartada, colocaria fim nisso tudo.
Não queria mais esperar, correu para o pequeno banheiro que aquele hotel de quinta lhe proporcionava.
A garçonete havia dito que Jensen sempre ia para a cidade pelas manhãs, então se tivesse sorte, encontraria Jared sozinho na cabana, o que seria muito bom.
Quando chegou a cabana, sorriu vitorioso. A caminhonete de Ross não estava na garagem, e podia ouvir a música alta que Jared sempre gostou de escutar quando estava sozinho.
Lembrou de um dia em que ele lhe falou que ajudava a não pensar na vida e desestressar. Sabia que bater não iria adiantar, então entrou mesmo sem permissão.
E a visão que teve ao entrar na cabana lhe agradou e muito. Jared estava levando algumas coisas para cozinha vestido somente uma cueca boxer branca. Sorriu, fazia anos que não o via daquela forma. E como ele havia mudado. O corpo mais másculo, mais homem.
E quando ele voltou, o viu, achou graça no susto que ele levou. E novamente lembrou-se dele quando morava em sua casa. Sempre que invadia o quarto dele, durante a noite, fazia aquela mesma cara de susto. E sorriu.
— O que está fazendo aqui? Aqui dentro? – Jared perguntou olhando-o como se ele fosse um delinqüente, e aquele olhar não o agradou.
— Eu bati – mentiu – mas a música está alta e vi que a porta estava aberta, então tomei a liberdade de entrar!
— Então ponha-se pra fora, agora! – Jared gritou. Olhou para o próprio corpo e ficou ainda mais indignado. – Saia! Vou me vestir e conversamos lá fora! Não há lugar nessa cabana para você!
Tom estranhou a forma como Jared estava falando com ele. Era como se ele estivesse invadindo a vida dele, realmente estava invadindo a vida de Jared, mas agora não era somente a dele e também a do maldito Ross Ackles.
— Tudo bem! – Tom disse indo na direção da porta. – Vou estar lhe esperando.
Saiu, e se amaldiçoou por isso. Queria ter aproveitado ainda mais a visão de Jared somente de boxer, cantando a música e o corpo movendo conforme a batida.
Caminhou até seu carro e escorou-se nele, esperando-o. Sabia que Jared não demorava muito para se trocar, o que era bom, pois queria sair rápido dali. Ainda queria encontrar-se com Ross Ackles e ter uma conversa não tão amigável com ele.
E como havia previsto, Jared saiu totalmente vestido, o que era uma pena. E então notou o quão irritado ele tinha ficado.
— Já não basta invadir a minha vida, agora vai também invadir a do Jensen? – Jared perguntou, mas não deixou que respondesse. – Não sei até quando vai ficar correndo atrás de mim. Sério, Tom. Eu não entendo essa sua obsessão por mim. Já não lhe deixei rico o suficiente? Já não abusou o suficiente? O que quer?
— Jared, não abusei de você! E vim aqui somente para conversar! – Tom disse calmamente. – Eu amo você, e quero que fique comigo. Sei que pode aprender a me amar se me der outra chance! Você não quer nos dar essa nova chance, mas… Eu mudei, mudei muito.
— Não abusou? – o jornalista gargalhou. – Quando comprou o loft onde eu morava, dizendo que não queria nada em troca, eu até cheguei a acreditar por um momento, mas depois quando disse que se eu quisesse eu poderia ir em um jantar de negócios com você... – o olhou nos olhos inquisitivo – Tenho certeza que era para te ajudar a passar a perna em mais meia dúzia de idiotas! – Jared riu, pois lembrou que naquela mesma noite Tom havia tentado lhe seduzir.
— Você estava concorrendo ao prêmio de melhor escritor para o Times, mas queria lhe fazer uma surpresa. No final você acabou não indo e nem ganhando o prêmio. – Tom disse querendo dissolver aquela imagem da cabeça de Jared. – Eu só preciso de mais uma chance!
— Já disse que não inúmeras vezes, e aqui vai mais uma delas. Não! – disse quase esfregando as palavras na cara de Tom. – Eu amo o Jensen. E mesmo que eu não estivesse com ele, eu não voltaria a ficar com você!
Tom sentiu o peso daquelas palavras. Na realidade já sentia o peso delas há muito tempo. Mesmo antes de Ross aparecer na vida de Jared, ele já não o queria mais, mas se ele não ficasse com Jared, o tal de Jensen também não ficaria. Sorriu malevolente e o encarou.
— Você fica me acusando, mas nem sabe com quem está dormindo! – Tom disse com sua voz banhada em rancor. – Se você soubesse que esta dormindo com um assassino, o que faria?
Jared gargalhou. Se Tom descobrisse quem Jensen era, com certeza iria usar aquela tática contra eles, mas não funcionaria.
— Ross Ackles não existe mais! – Jared disse dando de ombros aquele fato. – O verdadeiro assassino apareceu há dois anos, e sei disso porque leio jornais, aliás, trabalho em um!
— Mas se ele não tivesse outras culpas no cartório, o que ele estaria fazendo aqui? No meio do nada, um refúgio para um fugitivo. Onde ninguém iria reconhecê-lo. – Jared tentava ao máximo não dar ouvidos as palavras de Tom. Ele e Jensen já haviam conversado sobre isso, e já estava tudo resolvido.
— Sei com quem estou! – Jared disse. – Conheço-o melhor do que ninguém. Em nove dias consegui compreendê-lo, e coisa que eu não consegui ao seu lado, mesmo passando aquele tempo todo que fiquei com você!
— Tudo bem! – Tom disse entrando no carro. – Mas não diga que eu não tentei avisar!
— X —
Quando foi ao restaurante, teve que aturar Clarisse em seu ouvido, falando como ele estava bonito, e que ele deveria sair mais vezes da cabana, que ficar isolado não fazia bem a ninguém e etc.
Mas quando ela começou a falar sobre o amigo do Jared que havia aparecido, aguçou os ouvido pedindo para que ela repetisse tudo novamente.
— Então foi você que contou a ele onde Jared estava? – Jensen perguntou incrédulo.
— Eu sei que você não gosta de pessoas indo a sua casa, ainda mais um desconhecido, mas é que ele pareceu ser uma pessoa de bem…
— Clarisse… Quantas vezes já lhe disse, que quem vê cara não vê coração? – Jensen perguntou, cansado. Havia sido a mesma coisa quando Misha foi vê-lo, mas a diferença entre Misha e Tom era gritante.
Mesmo que não quisesse ver Misha, tinha sido bom conversar com ele. Ele era uma pessoa boa, e a única que não o abandonou no momento mais difícil de sua vida. E quando cortou relacionamento com ele, mesmo ciente, dissera que nunca mais queria vê-lo. Clarice foi quem o levou até sua cabana, contrariando seu pedido. E agora, novamente, ela havia feito outra vez a mesma coisa.
— Você não pode acreditar nas pessoas, só porque elas têm um sorriso bonito! – Jensen disse repreendendo-a. – Nesse mundo existem pessoas que usam máscaras, e não deixam transparecer a verdade…
— Assim como você! – uma voz vinda da porta o assustou e quando olhou, viu Tom parado ao lado da porta.
Clarisse olhou para Tom, tentando encontrar algum vestígio do homem amigável que havia visto no dia anterior, mas não encontrou nada. Via somente um rosto diabólico no homem.
Jensen levantou-se e caminhou ate o homem, pedindo para que Clarisse cancelasse seu pedido.
— Vejo que a conversa com o Jared não o mandou embora! – Jensen disse assim que saiu do restaurante.
— Não vou sair da cidade sem ele ao meu lado… - Tom sorriu perversamente – Ross Ackles.
O coração de Jensen disparou. Depois de Jeffrey, ninguém nunca mais havia lhe reconhecido. Pensou que havia caído no mar do esquecimento, mas parecia que ainda existiam fantasmas como Tom, que o reconheceriam. Esse era o seu medo.
E o pior de tudo? Tom era uma pessoa influente nesse meio, no meio jornalístico. Somente de imaginar outros jornalistas ali, faziam seu corpo tremer.
Tom havia notado o quão branco Jensen havia ficado ao pronunciar seu nome artístico. Parecia que ele tinha medo daquele nome, da pessoa que era. E sorriu novamente.
Não tinha conseguido essa brecha com Jared, mas a conseguiria com Jensen.
— Sabia que conhecia você de algum lugar. – Tom disse em um tom ameno. – Nunca me esqueço de um rosto!
Jensen sentiu seu corpo tremer novamente. Precisava, necessitava se mostrar forte, mas estava sendo difícil.
— Então Ackles, o que lhe trás a Hampshire? – Tom perguntou irônico. – Fuga?
Aquela pergunta ecoou em sua mente. Não estava fugindo, estava? Não. O verdadeiro culpado das mortes já havia sido até julgado.
— Se não é fuga, o que ainda faz aqui se o verdadeiro culpado de tudo isso já não está entre nós e sim em uma prisão?
— Não tenho do que fugir! – Jensen disse tentando se manter calmo, ou melhor, se acalmar. Estava sendo difícil encará-lo.
— Não se esqueça Jensen que com um telefonema, eu consigo pelo menos vinte repórteres que queiram fazer uma exclusiva com você. E, sem esforço, com um único telefonema posso estourar uma noticia bombástica… Imagine: Ross Ackles, encontrado em New Hampshire após quatro anos de sumiço. – Tom expressava com as mãos imaginando aquela matéria estampada em todos os jornais e revistas. – Vai ser fabuloso!
E foi nesse momento que Jensen realmente tremeu.
Sentiu suas pernas bambas, seu corpo mole, e começou a respirar pesadamente.
— Podemos fazer uma troca. – Tom disse calma e lentamente. – Você deixa o Jared ir, e eu lhe deixo aqui, e finjo que nada disso aconteceu.
— Você é louco!
Jensen disse isso e saiu na direção de seu carro. Precisava de Jared, precisava falar com ele. Ele, Jensen, assim como Jared ainda não tinham contado alguns detalhes sobre sua vida. E talvez esse fosse o mais difícil de encarar. O trauma.
Nota: Hi people. Eu sei que eu demorei. Não vou me desculpar. Pq sei que não tem desculpa! Só peço desculpas, e olha... Leiam com carinho, e comentem, ok? Quanto mais comentários, mais capítulos. Pelo menos assim eu espero. –q. Beijos. Até mais.
