Desclaimer: Jared e Jensen não me pertencem, o que é uma pena, e escrevo essa fic apenas para a minha diversão e para a diversão de quem vai ler e sem nenhum fim lucrativo.
Titulo: Refuge
Beta-Reader: EmptySpaces11
Fandom: Supernatural / RPS
Classificação: M/NC-17/Slash.
Avisos: Universo Alternativo, Repostagem.
Sumário: Jared Padalecki resolve seguir seu sonho e viajar pelo mundo com uma mochila nas costas. Jensen vive uma pacata vida nas montanhas como um caçador. E se conhecem graças ao bondoso e maquiavélico Jeffrey. Padackles - AU.
FanMix: http : / br4 . in / aVrxS ; Por Draquete. Obrigada querida, você sabe o quão importante foi essa fanmix pra mim.
Capa: http : / br4 . in / ubp7o ; Por EmptySpaces11. Obrigada amor. Você me surpreendeu quando me mandou. Amei muito ela.
P.S.: Para aqueles que já liam a fic antes, esse é um capítulo inédito. De agora em diante, tudo é novidade. Espero que gostem!
Capítulo XIV
Quando finalmente conseguira terminar de escrever a matéria de ouro, sorriu com o resultado que tinha atingido. Estava orgulhoso de si mesmo. Há muito não escrevia, mas com aquelas palavras, tinha percebido que não tinha perdido a prática, e isso o deixava muito, mais muito feliz.
Conectou-se, vendo se alguma foto de Ross entrando no jornal já estava circulando pela Internet. E percebeu que as pessoas eram realmente rápidas. Encontrou várias. Copiou a que mais gostou, e colou sobre o texto que havia escrito. Novamente procurou alguma foto de Ross, só que dessa vez, uma antiga, com ele incorporado no papel do policial Ben, colando-a também sobre o texto.
Deu uma última olhada em seu trabalho, e sorriu com o resultado. Aquela seria a matéria da sua vida. Salvou o arquivo e desligou seu laptop. Assim que o aparelho desligou, viu seu sorriso refletir no monitor do aparelho. Se não fosse ele mesmo refletindo ali, teria medo de seu sorriso. E com esse pensamento, sorriu ainda mais.
Olhou para o relógio. Precisava correr. As impressões para o jornal da manhã começavam as duas horas, e já era uma da manhã. Teria que se apressar se realmente quisesse aquela reportagem na primeira página de seu jornal.
Pegou tudo o que precisava e deixou seu apartamento.
Faria tudo o que estivesse ao seu alcance. Desde a primeira noite, em que Jared esteve em seus braços, em sua cama, havia jurado que faria tudo que estivesse ao seu alcance para não perdê-lo. Não deixaria que outro qualquer tomasse seu lugar.
Não desistiria nunca. Afinal, Jared era sua alma gêmea. Descobriu isso quando sentiu o toque dele em seu corpo pela primeira vez. Nunca pensara que um dia chegaria a amar uma pessoa. Sua vida toda fora ditada. Sempre o dinheiro e o poder vinham em primeiro lugar. E a única vez que teve vontade de largar tudo, fora quando o perdera pela primeira vez.
E quando conseguira trazê-lo de volta, era como se toda aquela coisa que o movia para o poder fosse mais forte e intensa. Queria ser o melhor. Por ele, pra ele.
Ainda se lembrava das sensações que o toque dele lhe proporcionava. Era como se seu mundo fosse ele. Era como se o ar que ele respirava, fosse o único que abastecesse seus pulmões. Entregava-se de corpo e alma. E era tão intenso, que seu corpo chegava à doer, enquanto clamava por mais. Sua boca secava, seu corpo tremia e suava, e o ele era o único que o fazia se sentir assim.
E foi dessa maneira que se sentiu quando o viu sentado na sala de espera de seu jornal.
E somente de pensar que aqueles olhos, aquela boca, aquelas mãos e aquele corpo, poderiam estar ao lado de outra pessoa naquele exato momento... Era como enfiar uma faca em seu peito. Aquela parte já tinha sido arrancada de si, mas saber que aquela parte pertencia a outra pessoa agora, lhe deixava furioso.
Enquanto Jared estiva sozinho, não se preocupava. Pensara que um dia iria reconquistá-lo. Só que aquele maldito Ross Ackles tinha entrado em seu caminho. Não só no seu caminho, como também tinha tomado seu lugar.
Só de imaginar a intensidade de Jared, sendo direcionada a ele, era como se seu corpo doesse. Ira. Sentia vontade de ir atrás deles novamente, e destruir com suas próprias mãos o amor dos dois. E ainda trazer de volta Jared, e, mostrar para ele que o lugar dele era ali, ao seu lado.
Amor. Jared tinha lhe dito que amava Jensen. Não teria como ele amar Jensen. Eles não se conheciam. O amor não acontecia da noite para o dia. E iria provar que o amor deles não era real. Pelo menos queria acreditar que sim.
O moreno nunca havia lhe dito tais palavras. Ele nunca lhe dissera um misero eu te amo. Ele nunca tinha lhe permitido conhecê-lo por completo. Nunca lhe falara sobre sua família, e tudo o que sabia, era por conta dos detetives que havia contratado. Mas parecia que Jensen, estava muito a par da vida dele. Afinal, ele sabia quem era desde o primeiro momento.
Sentia-se de certa forma traído. Jared era seu único e verdadeiro amor. Todo o amor que sentia por ele, poderia ser muito bem sentido pelos dois. Queria ser amado também, mas se ele não o amasse, ficaria feliz em tê-lo ao seu lado. E mesmo que ele não estivesse ao seu lado, ele estando sozinho, ainda tinha esperanças, mas agora, ele não estava. E sentia raiva.
Sentia raiva de Jared, por ter deixado uma pessoa tomar seu lugar. E de Jensen por ele estar em seu lugar. Sentia raiva ao lembrar-se da forma que o moreno defendia o outro; sentia raiva ao imaginá-los se amando. Inveja.
Invejava Jensen. Em uma semana ele tinha conseguido, o que nunca conseguira em quatro anos. Há muito tempo corria atrás de Jared, para conseguiu um pouco do amor do moreno, mas as únicas coisas que tinha conseguido era desprezo. Ódio.
Quando se lembrava de seus momentos ao lado de Jared, o rosto de Jensen se infiltrava, e tomava o seu lugar. E se odiava por ser fraco e não conseguir mudar seus pensamentos, mas odiava ainda mais Jensen Ross Ackles, pelo simples fato de ele existir.
E iria destruí-lo. Como já deveria ter feito há muito tempo.
— Vamos ver se o amor de vocês resiste a tudo! – falou consigo mesmo, enquanto estacionava o carro.
Entrou no elevador, indo para a sala de publicações, e pensando em como ficaria o rosto dos dois apaixonados quando visse a reportagem, sorriu satisfeito. Aquela seria uma de suas vinganças.
— X —
Acordou sentindo o corpo quente e aconchegante de Jensen ao seu lado, e sorriu. Não estava sorrindo somente pelo fato de tê-lo ao seu lado, mas sim por ter vontade de sorrir. Vê-lo como o semblante e com a respiração calma dele vir de encontro ao seu corpo era reconfortante.
Ainda não conseguia acreditar que Jensen estava ali, e por isso que vez ou outra puxava o corpo dele mais de encontro ao seu. Ele tinha conseguido passar por seus medos, somente para estar ao seu lado. E isso aquecia seu coração, e fazia uma felicidade brotar em seu peito; aquele tipo de felicidade espontânea. Aquela que não se esforçava para sentir. E há muito não se sentia daquela maneira. Lembrava que a última vez que se sentiu daquela maneira, fora quando vira sua irmã e sua mãe dançando pela cozinha, enquanto preparavam o jantar do dia de ação de graças. E pela primeira vez, não sentiu a dor tomar conta de seu peito, por conta da lembrança.
Jensen era a cura para todos seus males. E não poderia mais viver sem ele.
Sentiu-o remexendo sobre a cama, e se acomodou melhor, para poder olhá-lo. Poder vê-lo acordar lentamente, resmungando coisas inaudíveis, era como se estivessem novamente na cabana em New Hampshire. Era como se tivesse sido transportado novamente, para aquela semana magnífica que havia ficado trancado com ele dentro da cabana.
Não pôde deixar de sorrir um pouco mais, quando Jensen resmungou algo, que, como sempre não entendia, e colou ainda mais seu corpo ao dele. E sabia que o intuito dele era voltar a dormir. Abaixou a cabeça, fazendo com seus lábios tocassem o topo da cabeça dele.
— Não vou deixar você voltar a dormir! – disse enquanto sentia Jensen afundar o rosto em seu peito, querendo fugir da claridade que entrava pela janela. – Não adianta, estou com fome, e por incrível que pareça, quero seus deliciosos lanches.
Jensen levantou o rosto e olhou o moreno desconfiado; ainda mentinha um dos olhos fechados. Notou o sorriso que Jared tinha nos lábios e sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Aquele sorriso era totalmente diferente dos que já tinha presenciado. Era como se aquele fosse o único sorriso que Jared não se deixava dar.
— Vai ficar somente me olhando? – o moreno perguntou ainda olhando-o, e não pôde deixar um sorriso cínico brincar em seus lábios, sabendo que aquilo iria irritá-lo. – Eu estou com fome aqui, sabe?
— Quando eu estava disposto a fazer, você não os queria, agora fique com fome. – sua voz saia rouca pelo sono. – Agora, por favor, deixe-me dormir, você acabou comigo essa noite. – e novamente enterrou o rosto no tórax de Jared.
O cheiro dele invadia suas narinas embalando-o novamente naquele sono que o forçava a manter os olhos fechados. Sabia que não conseguiria mais dormir, mas não tinha mal algum em ficar aproveitando do corpo dele como travesseiro.
— Tudo bem... Eu me rendo! – escutou Jared falar, sentindo os braços dele o abraçar mais forte. – Você venceu.
Sorriu contra a pele dele, dando um beijo, sentindo a textura da pele, somente sorvendo cada sensação que aqueles minutos de paz lhe proporcionavam.
Não sabiam quanto tempo haviam ficado somente deitados, naquela cama, sentindo o corpo do outro, enquanto descansavam e reabasteciam as forças. E só notaram que já deveriam ter levantado quando o celular de Jared começou a tocar incansavelmente. O sol entrava quente pela janela, e mostrava já ser tarde o suficiente para levantarem da cama e almoçarem.
Jared levantou da cama, procurando sua calça, que deveria estar jogada em um canto qualquer do quarto, já xingando a pessoa por estar importunando-os. E quando ele achou, retirou o aparelho do bolso, e sem nem ao menos olhar o visor atendendo a ligação.
— Espero que seja algo realmente importante... – escutou Jared dizer, sem nem ao menos dar a chance da pessoa se identificar. Pôde ver o rosto de Jared se contorcer em desgosto enquanto praticamente cuspia o nome da pessoa que estava do outro lado da linha. – Tom!
Não pôde deixar de fazer uma careta ao escutar o nome, mas escutar aquele nome não lhe provocava as mesmas sensações que antes. Era como se aquele nome não significasse mais nenhum perigo para a sua pessoa. Sentou-se na cama, enquanto apreciava a visão de ter Jared, parado a sua frente, totalmente nu, enquanto falava com o outro no telefone.
— Acho que, sendo você, posso desligar o telefone agora mesmo! – o moreno falou já tirando o telefone do ouvido, quando escutou uma risada maldosa vinda do outro lado.
"Do jeito que fala, parece que ainda não ficou sabendo das noticias..." – a voz dele era cínica, e, ele não parava de emitir suas risadas divertidas.
— Noticias?
"Sim, meu querido Jared. As noticias!" – olhou para Jensen, já preocupado com as conseqüências que aquele comunicado traria. E depois de uma longa pausa, Tom continuou: "A primeira pagina do New York Times: O Grande Retorno de Ross Ackles. Afinal, esse grande acontecimento não poderia ser deixado de lado." – Tom ironizou, enquanto ria em seu ouvido.
Tinha estancado no lugar, não que estivesse se mexendo muito, mas o mundo tinha parado de girar naquele exato momento. Escutou o irritante barulho de quando a ligação cai, mas continuou com o telefone preso no ouvido.
Ele tinha feito. Tinha colocado Jensen nos jornais, e era isso que temia. Não queria que a vida do loiro se tornasse turbulenta por sua culpa. E era isso o que estava acontecendo. Agora lembrava bem dos motivos de ter deixado Hampshire. Não queria pressioná-lo, e sabia que Tom faria esse favor. Escutava seu nome ser chamado ao longe, mas ignorava, tentando achar uma solução para tudo aquilo que estava acontecendo. Sabia que Welling não deixaria barato a visita que Jensen fizera.
— Jared! – sentiu-se ser chacoalhado e olhou na direção de Jensen, que estava bem a sua frente. – Me conta o que aconteceu, não fica aí parado como uma estátua.
— Jen... – olhou nos olhos dele, tentando passar toda a confiança que poderia dar. Estaria ao lado dele.
E então pensou novamente. Jensen tinha sido forte o suficiente para deixar seu anonimato de lado e vir para New York, somente para estar ao seu lado. Ele disse que iria tentar ser o mais forte. Já tinha se superado.
Olhou para o semblante confuso e conturbado dele e sorriu confiante. Se Jensen conseguia confiar em si mesmo, depositaria toda a sua confiança nele também.
— Veste uma roupa, preciso lhe mostrar algo. – Jared pegou a calça que ainda estava em sua mão e a vestiu.
Viu Jensen pegar sua calça e vesti-la também. Fez o caminho que os levara para a porta em que eles haviam entrado no dia anterior. Pegou sua bolsa que estava no chão e sentou-se sobre o sofá. Tirou de dentro da mochila seu laptop e o colocou sobre o colo.
— Não é mais fácil você falar? – negou balançando a cabeça levemente para os lados e bateu a mão sobre o sofá, em um pedido mudo para que ele se sentasse ao seu lado.
— Esteja preparado, ok? – disse enquanto ligava o aparelho.
Conectou-o na Internet, e digitou o endereço eletrônico do jornal.
Pôde ver o rosto de Jensen ir perdendo a cor levemente enquanto a pequena imagem, que ficava bem no centro da pagina carregava. Viu os olhos dele percorrerem lentamente o título do anúncio. Queria poder abraçá-lo e falar que nada daquilo poderia afetá-los, mas sabia que não era uma verdade. E não iria pressioná-lo a nada.
Jared resolveu parar de olhá-lo, e ver quem havia feito a tal matéria. E surpreendeu-se quando viu a assinatura do próprio Tom Welling embaixo das imagens da reportagem.
Antes que começasse a ler, Jensen tomou o computador de suas mãos e o colocou sobre o colo. Via-o passar a língua nos lábios nervosamente, enquanto seus olhos iam e vinham conforme as linhas se acabavam. Notava que ele estava cada vez mais pálido. E sabia que ele estava tremendo.
Queria poder confortá-lo. Dizer que com aquela matéria ou sem ela, nada mudaria, mas sabia que não seria verdade.
Se dissesse que não esperava por uma investida dessas, vindas de Tom, estava mentindo. Estava consciente que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde, mas preferia que fosse mais tarde, porque assim, teria tempo de se preparar psicologicamente. Nesse instante queria não temer nada, como não temia quando interpretava o Ross Ackles.
Buscou o olhar de Jared, sabia que ele estaria ao seu lado, sempre. E pelo olhar dele, ele se mostrava tão aflito quanto estava. Ele estava sofrendo por sua causa, por causa desse seu maldito trauma. Não queria que ele se sentisse assim. Sabia que ele se culpava por tudo que estava acontecendo.
E esse era um dos motivos que o faziam se sentir pior, pois, sabia que era o único culpado de tudo isso. E de certa forma de Tom, por estar lhe fazendo sentir todo esse turbilhão de sentimentos de uma vez.
Soltou o ar que nem percebeu estar segurando, e sorriu tristemente para Jared. Não sabia o que fazer, precisava colocar os pensamentos nos lugares certos e tomar coragem. Só que antes disso, precisava conversar com Jared.
— Não comece Jared! – cortando o que o moreno iria dizer. – Já lhe conheço o suficiente para saber que vai começar a falar que era por esse motivo que não queria que eu permanecesse do seu lado. Só que eu sabia que isso iria acontecer, e estou aqui, não estou?
Viu que ele acenou a cabeça positivamente e tentou sorrir confiante.
— Vim atrás de você, porque, você é mais importante do que a mídia e estou disposto a enfrentar tudo e todos, se você estiver do meu lado. – Jensen viu um sorriso pequeno aparecer nos lábios de Jared, e o acompanhou.
— Se você tem fé em você mesmo, quem sou eu para contestar isso? E outra, eu sempre estarei ao seu lado. E você sabe disso, só não quero que se pressione, não quero que acelere o processo...
— O Welling fez o favor de acelerar esse processo... – Jensen o interrompeu. – Agora o que eu tenho que fazer é me acostumar com a idéia.
Estava tentando segurar a angústia que sentia dentro do peito. Não queria explodir na frente de Jared. Não podia. Tinha tomado uma decisão, e iria arcar e passar por cima das consequências.
— Eu também conheço você, Jensen. – Jared sorriu, vendo o conflito refletindo pelos olhos do loiro. – Não quero que se esforce demais.
— Não vou. – "Pelo menos, não pretendo" – Jensen concluiu em pensamento.
— X —
Não sabia se era sorte ou destino. Ainda não tinha conseguido classificar, mas até o final da tarde conseguiria.
Tinha ido até New York somente para negociar uma exposição de um de seus clientes. E assim que chegou, recebeu a noticia de que Jensen estava na cidade. Não foi preciso que saísse do aeroporto, para que visse o rosto dele estampado na primeira pagina do jornal, como era antigamente. E não pôde deixar de sorrir.
De duas uma: Jensen tinha voltado a ser o mesmo de antes ou alguém tinha o feito voltar a ser o mesmo de antes, mesmo que por um curto período de tempo.
Conhecia Jensen mais que ele mesmo. E sabia que a resposta daquela questão era fácil. Alguém foi capaz de tirá-lo do casulo que ele havia se enfiado. E daria um beijo na sujeita ou sujeito.
Até naquele momento não estava acreditando que tinha ido até o prédio do New York Times, fazer sabe-se lá o que. Só que iria descobrir. Assim como sempre descobria coisas sobre ele.
Não soube de onde tirou paciência para conversar com aquele maldito diretor da Galeria de Artes. O homem mais falava de suas exposições antigas, do que mostrava interesse em seu cliente. Só não mandou o homem se lascar, porque, aquela era uma das mais conceituadas galerias de toda Nova Iorque.
Quando conseguiu fechar o contrato com o homem, correu para a casa daquele que era praticamente o guardião de Jensen nesses últimos anos. Jeffrey Dean Morgan.
Ele tinha feito contato uns anos antes, quando pensou que Jensen estava pronto para voltar. Quando o verdadeiro assassino daquelas pessoas e de seu pai foi preso. Também chegou a acreditar que ele estava. Porque, quando o encontrou no hospital, todo entubado, soube que ele nunca mais voltaria a atuar na vida. Não depois de pensar que era o assassino do próprio pai. E assim como Jeffrey, estava enganado sobre Jensen.
Sempre soube que Jensen era uma pessoa sensível por baixo daquela casca grossa que ele sempre aparentava ter, mas não sabia que chegaria aquele extremo.
E todas as vezes que passava por Nova Iorque, ia falar com Jeffrey, para ter notícias de seu amigo. E todas as vezes era a mesma coisa. Jensen sempre continuava na mesma. Se escondendo naquele fim de mundo, chamado New Hampshire.
Só que daquela vez soube que seria diferente, e, Jeffrey deixou que isso, transparecesse em todas as suas atitudes ao abrir a porta.
— Dessa vez tenho muitas novidades!
— Imagino! – foi o que disse ao entrar na casa.
Jeffrey narrava toda a história que tinha feito com que Jensen deixasse Hampshire. Tinha começado a ter certeza que ele estar ali, era mesmo obra do destino.
Não sabia como deveria encarar toda aquela historia. Tinha entendido a parte que Jeffrey era o culpado de apresentar o rapaz chamado Jared para Jensen. E também tinha entendido a parte de que o ex-namorado do tal de Jared era o diretor do New York Times. Tinha entendido também que Jeffrey tinha feito isso de propósito. Só não entendia o porquê dele ter feito isso.
Jeffrey sabia que a possibilidade dos dois se apaixonarem eram mínimas, mas sabia que se isso acontecesse, Jensen estaria em apuros.
— Você fez tudo isso, mesmo sabendo das consequências? – Misha perguntou, mesmo já sabendo que a resposta de Jeffrey seria a de que ele não tinha pensado nas conseqüências.
— Eu sabia das consequências, sempre soube... Só não pensei que chegaria a esse extremo. – Jeffrey bufou, passando as mãos pelos cabelos.
Dava para ver que ele estava parcialmente arrependido de ter apresentado Jensen ao Jared. E sorriu ao chegar a conclusão de que com problemas ou não, Jensen tinha ido até o jornal, e dado um belo soco na cara do Tom. E daria tudo para ter estado naquela sala, para ver Jensen voltar a ser o Jensen de antes.
— Acho que você fez bem! – não pôde deixar de rir ao ver Jeffrey o olhar estranhamente.
— Pensei que você, como amigo dele a mais tempo que eu, iria brigar comigo. – Jeffrey olhou para Misha tentando decifrar o sorriso que ele estampava no rosto, mas era impossível.
— Pra que me preocuparia com você, pelo que você fez? Você pensou estar fazendo o certo, e de certa forma fez. Ele está aqui por livre e espontânea vontade, não?
— Acho que um pouco mais que isso!
— Então não existem culpados. Ele está aqui. E aproveitar a oportunidade é a questão. – Misha viu que Jeffrey ainda não entendia, ou fingia não entender, ou até estava cansado demais, para tentar entender e sorriu solidário. – Aproveitar a oportunidade de limpar a imagem do Jensen com os fãs. Fazendo isso, não tem o porquê dele temer a mídia, então os ataques desse Tom não vão ser válidos.
Pôde ver que Jeffrey começou a acompanhar seu raciocínio e sorriu novamente. Essa seria sua única oportunidade de fazer o que sempre teve em mente, desde que Jensen fora considerado inocente de todas as acusações.
— Vou precisar fazer umas ligações para Los Angeles, e acho que amanhã cedo já estou com tudo que preciso em mãos. Vou fazer o que estiver ao meu alcance para livrar Jensen dessa!
— E eu nem sei por onde começo! – Jeffrey disse, levantando e começando a andar de um lado para o outro. – Tenho que preparar a defesa do Jared, pois sei que ele vai ser acusado, de ocultar provas. E com certeza vou ter que aguentar essas malditas ligações... Preciso mudar meu número de celular!
— Espero que consiga resolver tudo! – Misha levantou-se e caminhou até a porta. – Só me diz uma coisa, Jensen está seguro até amanhã?
— Muito mais que seguro, pode apostar nisso!
Quando saiu, pôde identificar um ou dois paparazzi que conhecia muito bem do outro lado da rua e sorriu maroto. Tudo aquilo seria muito interessante.
Pegou seu telefone e ligou para sua assistente. Era bom ter pessoas de total confiança trabalhando consigo. Já tinha quase todo o plano maquinado na mente.
— Traci, pegue aqueles materiais do Ackles e algumas roupas e voe para cá o mais rápido possível. – disse assim que escutou Dinwiddie falando.
"Pode deixar, Collins. Estarei no próximo avião para New York"
Agora a única preocupação que teria era a de encontrar um hotel para se hospedar durante sua longa estadia na cidade que não dorme.
E agora tinha a certeza absoluta. Era o destino que tinha o levado até ali.
— X —
Tinham decidido ficar na casa de Jensen durante aquele longo dia. Seria melhor não fazer uma aparição. Já sabiam que todas as revistas e jornais estavam rondando Jeffrey, e que ele estava pirando por isso.
Com todo o dia livre, tiveram muito tempo para conversar. Só que parecia que Jensen não estava com muito ânimo para isso. Jensen tinha voltado a ser como fora nos primeiros dias que se conheceram.
Ele estava sentado em um canto da sala, com um livro nas mãos e não fazia menção em tentar mudar isso. Sabia que ele tinha se fechado novamente, e que teria que dar um tempo para que as coisas melhorassem dentro da cabeça dele.
Não tentava uma aproximação, porque sabia que ele iria repeli-lo com todas as forças. Teria que esperá-lo vir ao seu encontro, e quando ele viesse, daria tudo de si, para ajudá-lo a esquecer o que estava acontecendo.
Respirou fundo e olhou para o monitor de seu notebook. Estava escrevendo uma matéria, que sabia que iria ajudar a melhorar a imagem depois da reportagem infame que Tom havia feito.
Não conseguia entender como ele conseguia ir tão longe. Tudo que ele falara sobre Jensen na maldita reportagem, não passava de mentiras e tentativas de fazer as pessoas desconfiarem ainda mais da imagem do loiro. A matéria falava sobre o sumiço de quatro longos anos de Jensen, e também da briga com a mãe, o levara a fugir de Los Angeles, que o esconderijo dele, tinha sido uma cabana no meio do nada em estado precário. Que a vida social de Jensen tinha se resumido a zero. E que depois de tanto fugir, ele tinha ido atrás dele, Tom, tentando causar um novo escândalo para poder voltar para a mídia e quem sabe, talvez ganhasse um novo papel em uma série de televisão.
Só mesmo a mente de Tom para bolar uma coisa como essa. E como conhecia bem Jensen, estava escrevendo uma matéria verídica, com os verdadeiros motivos que o levaram a fazer o que estava fazendo.
Sabia que Jensen não iria aprovar, e que talvez, mandasse até excluir o arquivo, mas deixá-lo-ia escrito caso, ele quisesse outra versão de sua história estampada no jornal.
Não esperava que seu telefone tocasse tão logo. Sabia que Tom não iria entregar seu telefone a qualquer um, porque sabia que envolvê-lo seria um erro, mas talvez não estivesse tão certo disso. Quando pegou o aparelho em cima da mesinha de centro, estranhou, pois não conhecia o número.
E quando atendeu, estranhou mais ainda.
"Boa tarde, eu sou o Misha Collins, e gostaria de falar com Jensen Ackles, por favor?" Nunca escutara aquela voz na vida, e pelo tom de voz do homem ele estava feliz. Muito feliz, diga-se de passagem. O timbre dele era divertido e risonho.
— E eu poderia saber o porquê eu faria isso? – perguntou. Pensou em dizer que Jensen não estava ali, mas sabia que mentir não seria bom, e que o homem não iria dizer o que realmente importava.
"Porque eu sou um amigo." Escutou ele responder simples e direto. E resmungar alguma coisa consigo mesmo e depois continuar: "Peço desculpas. Não deveria falar assim com a pessoa que o Jensen está amando, só que é uma mania, se é que me entende... Mas gostaria de falar com o Jensen." O homem sorria, e não conseguia entender nada do que estava acontecendo.
— Continuo sem saber o porquê eu deveria deixá-lo falar com você! – Jared continuou impassível. Jensen já estava calado, como se tivesse se fechado em sua concha e não deixaria que ninguém, nem mesmo um amigo, chegar perto do loiro. – E mesmo sabendo o motivo, não deixaria você falar com ele.
"Jared..." O moreno estranhou. Não tinha falado seu nome uma única vez, e o outro já sabia, mas antes que pudesse perguntar algo, ele já tinha voltado a falar: "Se eu não fosse uma pessoa de confiança, o Jeffrey não tinha passado seu número a minha pessoa. E outra, eu sou o agente de Jensen, e estou em New York para ajudá-lo, por isso gostaria de falar com ele."
Jared relaxou. O tal de Misha só poderia mesmo ser um amigo. Eram raras as vezes que alguém estranho o ligava. Mesmo não passando seu número para o Tom, ele sempre conseguia, mas sabia que ele nunca iria sair espalhando, mesmo porque, não era um cara famoso, e bem como tinha pensado, não fora ele.
— Sinto muito, mas o Jensen não pode falar agora, ele... – iria dar uma desculpa qualquer quando escutou um sorriso sincero ecoar em seu ouvido. Agora entendia como Jensen se sentia quando ria por tudo. O cara parecia um louco.
"Eu sei que ele não deve estar bem, mas eu preciso mesmo falar com ele. Sei que ele me atende." Não soube muito bem o que dizer. Jensen falara uma vez de seu agente, mas após aquele dia, nunca mais tocaram no assunto.
E quando o dito cujo afirmou que Jensen o atenderia, não soube o que sentir. Sabia que Jensen poderia sim ter bons amigos, assim como também os tinha, mas ter um ligando era estranho. Todos os amigos de Jensen eram aqueles que tinham em comum. Tirando Jim, pelo menos era o que achava. Estava enciumado, mas se esse tal de Misha Collins fosse como o Jeffrey e como Jim, poderia ficar tranquilo.
Levantou e caminhou até o outro lado da enorme sala daquele apartamento e estendeu o aparelho celular para Jensen. Viu-o arquear uma as sobrancelhas em uma pergunta muda e disse:
— Seu agente, Misha Collins. Jeffrey deu meu telefone a ele... – antes mesmo que Jared terminasse de falar, Jensen já tinha tomado o aparelho de sua mão e caminhava em direção do quarto, trancando-se lá dentro.
Ainda estava abalado por tudo que tinha acontecido, e ter Jensen daquele jeito novamente lhe perturbou ainda mais, não sabia como lidar com aquilo.
Sabia que não deveria agir daquela forma com Jared, ele era tudo a pessoa que o mantinha firme e forte, mas precisava de um tempo para pensar. Conversaria com ele depois.
O que lhe impressionou foi Misha ter ligado. Há muito não falava com ele. Sentia falta das horas de conversa que tinha com ele. E o afastara, mesmo sem saber explicar, mas ele estava ali na linha falando como se não o tivesse mandado embora de sua vida.
Ele falava sem parar, contando sobre as novidades, e as não novidades, dos planos que tinha, e sobre os planos que o envolvia.
Contou tudo o que estava lhe afligindo. Os medos, estava com medo... Medo das pessoas, e do que elas poderiam falar e fazer. E Misha o tranqüilizou, dizendo que já estava tudo sob controle.
"Traci está vindo para cá, está trazendo todas as informações que venho coletando nesses últimos anos. Desde as antigas reportagens, até a conclusão dos processos de difamação que mandei mover contra os que te acusaram impiedosamente."
— Misha, não quero alvoroço. Não quero chamar atenção, não quero mais me envolver com a mídia. – Jensen que estava sentado ao pé da cama, deitou, tentando relaxar. – Não quero mais aparecer na mídia.
"Querido, isso não é possível e eu sei que você sabe disso!" A voz de Misha era tranquila. Ele sempre lhe fazia perceber as coisas que não queria admitir. "Faremos assim, soltarei para os tablóides tudo o que tenho em mãos, começarei a limpar sua imagem sem que você esteja por perto. Não saia da cidade, ande normalmente, mandarei paparazzi de minha confiança para seguir seus passos; não se intimide, estarei aqui para resolver tudo por você!"
Misha sempre fora assim, não sabia se ele era assim com seus outros clientes, mas desde o momento que o contratou, a amizade fora mais forte que o contrato que tinham.
Mesmo não aprovando suas decisões, sempre estava ao seu lado para lhe livrar de todo problema que arranjava. E não sabia como não tinha pensado nele antes.
"Pelo que o Jeffrey disse, você está em boas mão com esse Jared, e que talvez ele esteja escrevendo uma matéria sobre você. Posso contar com a ajuda dele?"
Levantou-se olhando seu reflexo no espelho que tinha em frente a cama e estranhou seu rosto. Estava surpreso. Não sabia se Jared estava ou não escrevendo uma matéria, e nem a queria. Não queria envolver o nome dele em seu rolo.
— Não quero que ele se envolva nisso! – falou apressadamente. Misha sempre fora assim, sempre estava um passo a frente de todos. Se Jeffrey era maquiavélico, não sabia como nomear Misha Collins.
"Jensen, não é questão de querer ou não. Avaliemos os fatos... Jared fora a única pessoa que você deixou entrar em sua vida nesses últimos quatro anos. Ele vai saber escrever uma matéria coerente e verídica sobre você, sem que vocês assumam algum relacionamento. Ou teremos que entrevistá-lo. Você escolhe. Afinal, a culpa de você ter voltado para a civilização é inteiramente dele"
Tinha sentido falta do sorriso de Misha. Era leve e sempre sutil. Como se ele escondesse muitas cartas na manga, ele denunciava saber, mesmo não saber de nada, mas naquela questão, ele sabia tudo, e, mais um pouco.
— O Jeff contou tudo, não foi?
"Desde a tramóia para juntar os dois, até a sua entrada triunfal e o belo soco na cara do Todo-Poderoso-Tom-Welling" a risada de Misha era sarcástica e pôde sentir a acidez dela. "Só fiquei triste por não ter sido uma idéia minha, mas o bom disso tudo é que deu tudo certo."
— Não deu nada certo, mas não sei como vocês agentes conseguem ver coisas boas em uma catástrofe. – Jensen deu de ombros, mesmo sabendo que o outro não veria.
Estava mais calmo. Conversar com ele sempre lhe tranqüilizava.
"Deixe que eu resolvo tudo isso, e entro em contato quando precisar que você faça algo, pense como antigamente..." Misha tinha ficado sério, e ainda descobriria como seus amigos conseguiam mudar de humor tão drasticamente. E o escutou completar: "Agora pára de se fechar novamente e faça muito sexo selvagem com esse Jared, porque é isso que você está precisando para ver que nem tudo é tão ruim quanto parece!"
— Pode ser pior! – Jensen completou, como era de costume, nos tempos de série, Misha sempre falava a mesma coisa, e sempre repetia a mesma coisa, e como sempre ele completava:
"Poderia ter sido pior, muito pior, Jen... Acredite!"
Com esse último comentário, encerrou a ligação. Sentia-se leve e um pouco conformado com a sua situação. Estava seguro. Sempre estivera, mas agora se sentia ainda mais. Tinha Jeffrey, Misha, Traci e o principal, tinha Jared. E era isso que importava.
Saiu do quarto com um sorriso no rosto, e ao avistar Jared tentando permanecer calmo e concentrado em seu notebook, sorriu ainda mais. Caminhou até ele, e lhe entregou o celular.
— Queria me desculpar por ter ficado em estado vegetativo de novo. Só que eu precisava pensar... – Jensen sentou ao lado de Jared, e olhou para o tórax dele, pois ele ainda estava sem camisa. E sentiu sua boca secar, mas precisavam conversar. – E conversar com o Misha, me mostrou que eu não preciso pensar muito, a merda está feita, Tom fez esse favor, agora é só esperar que as coisas melhorem...
— Eu sei! – Jared o olhou nos olhos, e depois colocou o laptop sobre a mesa de centro. – Por isso lhe dei o espaço que precisava para pensar, mas não se esqueça, estou aqui.
— Eu sei que está, e é isso que me mantém firme! – Jensen sorriu levemente e relaxou sobre o sofá. – Misha vai começar a soltar as informações que tem para a mídia. Não vou ter sossego. E ele até disse que precisaria da sua ajuda... Da matéria que está escrevendo.
Olhou Jared com o canto dos olhos, e viu que mais uma vez, Misha Collins estava certo.
— Não estou pedindo para que exclua ou coisa do tipo. Ele disse que sua ajuda vai ser indispensável, mesmo eu não querendo isso... Então, se você achar que deve. Só se você achar que deve mesmo, entregar essa matéria a ele, o faça.
Jared ainda estava surpreso, não conhecia esse tal de Misha Collins, mas ele já sabia o suficiente para que descobrisse seus próximos passos.
— Como ele sabe...
— Jeffrey! – Jensen viu que Jared perdeu a voz a tentar entender o que estava acontecendo.
— Sim, eu sei do Jeffrey, mas como ele sabe da matéria, eu nem mesmo queria contar para você. Iria soltá-la anonimamente... – Jared confessou, vendo que Jensen continuou a olhá-lo pelo canto dos olhos.
Tinha percebido que a conversa com o agente dele, tinha feito bem a Jensen, queria ter sido a pessoa que tinha feito isso, mas estava feliz por Jensen estar melhor.
— É mal de agente. Pense no Jeffrey mais novo e muito mais maquiavélico que ele. Esse é o Misha Collins. Mas não se preocupe, ele é do bem. – sorriu com as próprias palavras. Nem de longe Misha era do bem, ele passava por tudo e por todos, para poder satisfazer e conseguir manter a imagem de seus contratantes.
— Já não bastava só um Jeffrey na nossa vida? – Jared perguntou tentando aliviar a tensão que estava sentindo.
— Parece que não, mas vamos sobreviver a isso! – Jensen virou o rosto para Jared, vendo que ele ainda estava surpreso com tudo o que estava acontecendo. – Vai continuar escrevendo essa matéria, ou quer ir para o quarto comigo? – sorriu ao ver o rosto de Jared mudar de preocupado e surpreso, para totalmente excitado.
Levantou-se lentamente sendo seguido pelo moreno, iria fazer o que Misha tinha lhe aconselhado. Jared era a cura para todos os males que lhe afetavam, e iria aproveitar tudo daquela cura prazerosa.
— X —
Uma semana e meia já tinha passado desde que a matéria da sua súbita volta tinha saído na primeira capa do Times. Os paparazzi praticamente o comiam vivo; não saiam do seu pé nem por um único segundo.
Só saia de seu apartamento para ir à casa de Jeffrey, e sabia que sempre era fotografado.
A pior parte de tudo isso, era que começavam os boatos de que ele e J.T. Padalecki estavam tendo um caso. Realmente estavam, mas não queriam que isso vazasse; contudo, fora impossível. Misha tinha-o alertado que isso era uma boa mídia, tirando o fato de ser relacionamento gay. Pelo menos, viam que tinham convivido bem o suficiente durante todos aqueles anos para conquistar um homem como aquele.
E realmente tinha sido bom. Revistas de fofocas semanais lançavam que a primeira matéria de Tom Welling no jornal fora por pura dor de cotovelo. E essas matérias difamando o não-mais-todo-poderoso-Tom-Welling eram assinados pela Emilly Perkins. Ela sempre fazia questão de colocar uma foto sua com Jared na primeira capa da revista. Gostava dela, mesmo sem conhecê-la.
Tinha descoberto que ela era um dos inúmeros contatos de Misha, assim como os que assinavam as fotos que saiam na revistava para qual ela escrevia. E esses eram Jake Abel e Katie Cassidy. Só que deles, não gostava. Eles eram como parasitas. Se dependesse deles, estariam com ele até mesmo na sua hora de banho.
Estava lendo o exemplar da semana, onde a matéria que Jared havia cedido para Emilly havia saído. Misha tinha conseguido que a mesma matéria saísse no jornal mais lido de todo os Estados Unidos, o USA Today.
Como ele mesmo tinha dito, "Nada melhor do que cutucar o leão no seu ponto mais frágil". Misha sabia que lançar uma matéria em um jornal de tamanha repercussão, até maior que a do Times Iria deixar o Welling furioso. E ele tinha conseguido. Pois no jornal das cinco, do Times, outro ataque contra o Famoso Ross Ackes tinha sido noticiado.
Estava começando a se divertir com todas aquelas matérias. Se a situação não fosse tão preocupante, estaria realmente se divertindo com tudo aquilo.
Faltavam apenas dois dias para a primeira audiência de Tom Welling. Jared tentava manter a calma, mas parecia que a cada minuto que passava a calma se esvaia de seu corpo.
— Você vai abrir um buraco no chão se continuar andado de um lado para o outro. – comentou levantando os olhos da revista, e vendo Jared passar as mãos nervosamente pelos cabelos. – E vai ficar careca também.
Jared parou a mão onde estava e deixou-a cair ao lado do corpo. A intimação para seu depoimento havia chegado há somente dois dias, e seus nervos ficaram a flor da pele.
Jeffrey tinha lhe dito que se uma intimação trazida por oficiais, não chegassem, era porque Michael tinha conseguido livrar sua cara com promotoria. Sabia que essas intimações chegavam com pelo menos uma semana de antecedência, só que a primeira audição tinha sido adiantada, e era isso que estava lhe preocupando.
— Eu sei... – Jared confessou, andando até Jensen que parecia absorto em sua leitura, mas sabia que ele estava lhe ouvindo. – É que eu não consigo parar de pensar...
— Isso é impossível, Jared. – Jensen confidenciou, rindo levemente. Também estava preocupado. Estava tentando manter mais a calma do que o próprio Jared.
— Jensen, você está me entendendo... – Jared reclamou levantando-se novamente.
Não era somente a audiência que estava lhe preocupando. Há uma semana, ele tinha conhecido o agente de Jensen, o Misha Collins. Gostara dele e de sua eterna amante, como ele mesmo tinha dito, a tal de Traci Dinwiddie, sua secretaria.
Misha tinha sido uma pessoa totalmente boa em todo o tempo em que passaram juntos. E ele era realmente, muito pior que Jeffrey Dean Morgan, quando o assunto era conseguir o que queria. As faculdades que ele comentara que tinha feito, tinha lhe feito entender como ele conseguia pensar tão rápido e avaliar as alternativas e só seguir em frente com as melhores. Nunca imaginaria que um agente, teria faculdade de direito, teoria social e EMT, mas a resposta que Misha tinha lhe dado, o fez pensar que ele estava certo. "Trabalhar com artistas dá mais dinheiro do que tudo isso junto."
— Não é só a audiência que me preocupa... Você e o Misha, sozinhos em uma coletiva de imprensa... Eu queria estar lá para te... – até então, não tinha tocado no assunto. Certo, tinha reclamado quando ficara sabendo, e não aprovava essa decisão.
— Jare, você sabe que vai ser melhor assim. – Jensen estava sentindo a mesma aflição de Jared, e preferia que ele estivesse ao seu lado, mas a estratégia que Misha tinha montado era infalível. – Você sabe que, com Tom fora do caminho, podemos ter sucesso nessa coletiva.
— Eu sei disso... Eu entendo a estratégia, e entendo como jornalista, mas eu... O meu eu... – Jared bateu a mão levemente no peito, tentando expressar o que não conseguia colocar em palavras. – Eu não entendo por que não pode ser em outro dia, um dia que eu possa estar com você, lá.
— De qualquer forma, se fosse outro dia, você não poderia estar lá, sabe disso. – Jensen levantou, deixando a revista de lado e andou até Jared, parando em frente dele, fazendo-o parar de andar. – Isso só pioraria as coisas para o seu lado.
— Não me importo, sempre fui ferrado de todas as formas; ferrar mais um pouco não faria diferença. – Jared se deixou puxar até o sofá e sentou ao lado de Jensen. – O Mark vai estar lá... Ele vai... Jensen, não posso deixá-lo respirar o mesmo ar que você!
— Eu ficarei bem... Vou tentar ficar bem. – Jensen prometeu – Da mesma fora que eu quero que você fique bem na audiência e faça tudo o que for possível para ajudar a colocar o Tom atrás das grades.
Jared respirou fundo, tomando Jensen em seus braços. Estava muito preocupado. Não entendia porque Misha tinha liberado uma credencial para Mark Pellegrino, para a coletiva.
Ele era ainda pior que Tom. As últimas matérias que difamavam Jensen estavam sendo assinadas por ele, mas sabia que era Tom quem as escrevia. Podia sentir a raiva do moreno em cada linha da reportagem. Mesmo distante do jornal, ele ainda conseguia mover seus pauzinhos. Iria acabar com Tom, nem que tivesse que mentir no tribunal.
Jensen sentiu o corpo de Jared tremer contra o seu. Ele estava preocupado, temeroso, nervoso e acima de tudo, com um ódio mortal do Welling. Precisava encontrar uma maneira de acalmá-lo.
— Jared, não fique assim... Sei me cuidar, e você sabe, eu sei que você estará comigo, mesmo estando naquele tribunal. Não faça nada que possa lhe prejudicar, escute atentamente o que o Jeffrey diz... – soltou-se do abraço em que estavam e tomou o rosto do moreno em suas mãos. – E eu estarei lá, com você. – Beijou-o rapidamente nos lábios e sorriu. – Isso vai ser gay, não ria... Eu estarei aqui – Jensen bateu o dedo indicador contra o peito de Jared bem em cima do coração e sorriu. – É só você não se esquecer disso.
Jared sorriu, pela primeira vez no dia. Tomou os lábios de Jensen em um beijo sôfrego e apaixonado, e quando o olhou nos olhos novamente disse:
— Realmente, foi muito gay! – Jared levantou, puxando Jensen pela mão, levando-o para o quarto. – Que tal fazermos coisas gays, agora?
Jensen balançou a cabeça negativamente, percebendo o quão impossível Jared era, mas era isso que amava nele. Deixou-se ser puxado apressadamente para o quarto. Aquela noite com certeza seria longa.
Nota: Sei que não estou em posição de me explicar. Sei mesmo. Estou atrasada com o capítulo, e ainda não terminei de responder as reviews, mas vou fazer isso. Vou sim! Me aguardem!
Obrigada a todos que leram e deixaram suas reviews. Vocês não sabem como é animador voltar a receber review de leitores antigos. Vocês trouxeram alegria para esse coração sombrio. Sério mesmo! Obrigada. Amo vocês! sz ~
Até o próximo capítulo. Ele está pela metade – da revisão. KKK. Assim que der, eu continuo com a revisão dele, do 16, e continuo a escrever o 17. Vamos cruzar os dedos, e pedir para todos os deuses me ajudem com a inspiração para a fic não entrar em um novo hiatus. E lógico, mesmo eu demorando pra responder e tal, eu amo reviews e elas ajudam bastante.
Obrigada por voltarem, continuarem aqui comigo. Até o mais. ;*
