Desclaimer: Jared e Jensen não me pertencem, oqueéumapena, e escrevo essa fic apenas para a minha diversão e para a diversão de quem vai ler e sem nenhum fim lucrativo.


Titulo: Refuge
Beta-Reader: EmptySpaces11
Fandom:
Supernatural / RPS
Classificação: M/NC-17/Slash.
Avisos: Universo Alternativo, Repostagem.

Sumário: Jared Padalecki resolve seguir seu sonho e viajar pelo mundo com uma mochila nas costas. Jensen vive uma pacata vida nas montanhas como um caçador. E se conhecem graças ao bondoso e maquiavélico Jeffrey. Padackles - AU.

FanMix: http : / br4 . in / aVrxS ; Por Draquete. Obrigada querida, você sabe o quão importante foi essa fanmix pra mim.

Capa: http : / br4 . in / ubp7o ; Por EmptySpaces11. Obrigada amor. Você me surpreendeu quando me mandou. Amei muito ela.

P.S.: Ainda não sei quando postarei o próximo capítulo, mas queria dar um presente de natal aos meus leitores queridos. Me perdoem pela demora, mas a falta de ânimo e inspiração é mais forte que eu.


Capítulo XV


Estava vestido a rigor, terno e gravata, para seu depoimento no tribunal. Jared estava torcendo para que aquele dia nunca chegasse. Se fosse possível, que o calendário sumisse com ele e com tudo que o deixava aflito.

E Jensen, que estava ao seu lado, vestido normalmente, com uma camiseta fina com outra xadrez por cima, a calça um tanto surrada, e um boné, escondendo sua identidade. Exatamente igual ao Jensenque encontrara em seu primeiro dia em New Hampshire.

Sabia que ele estava tremendo por dentro. Estavam a caminho da casa de Jeffrey. Tinham combinado assim: iriam para lá, e lá, seria o ponto de partida de ambos, e quando voltassem fariam o mesmo.

Quando chegaram, estranharam não ter ninguém vigiando a casa, mas a lembrança da coletiva fez os ossos de Jensen tremer.

Seriam somente cinco repórteres convidados. Uma coletiva pequena. Com um jornalista de cada grande jornal. USA Today, The Los Angeles Times, New York Times, e a repórter da revista semanal que lia, e um jornal de outra revista que nunca ouvira falar.

Esperava que tudo desse certo. Os contatos de Misha eram confiáveis, tirando Mark, que Jared tanto o alertara nos dois últimos dias. A preocupação dele o deixava ainda mais temeroso com essa coletiva.

Jim que ainda estava na cidade, tinha lhe dito que estaria ali, ao lado dele o tempo todo, muito embora, quem realmente quisesse ao seu lado, era Jared, da mesma forma que queria estar ao lado dele.

Quando entraram na casa, todos já estavam prontos. Misha com seu impecável terno, Jeffrey afrouxando a gravata - ele sempre falava que se sentia extremamente desconfortável com gravatas. E Jim, vestido quase igual a Jensen. A única diferença era o colete cheio de bolsos que ele usava.

— Todos prontos? – Jeffrey perguntou, pegando sua maleta que estava em cima do sofá.

— Nem um pouco! – Jensen respondeu, olhando para todos da sala. – É como se a coragem que eu juntei durante essas semanas, se esvaísse a cada minuto.

— Jen, lembra quando você disse a mesma coisa antes de entrar no prédio do Times? E você saiu de lá, com um sorriso na cara e com uma mão doendo? – Jim perguntou, tentando animá-lo. – Dessa vez não vai ser diferente!

— Você só não pode sair batendo nos jornalistas! – Misha completou. – De resto, você vai se sair super bem, acredite.

— Confio em você; sei que é capaz. E vai dar tudo certo. – Jared o puxou para um abraço, vendo que os outros estavam olhando, e os olhou pelo canto dos olhos.

— Nós estamos indo para o carro, não demorem! – Jeffrey tirou todos os outros de dentro da casa.

— Você sebe que estarei com você, sempre! Então quando alguma coisa lhe afligir, ou nas perguntas que o Mark fizer, porque ele com toda a certeza, não será gentil, lembre-se de que tem que voltar inteiro pra mim. – Jared sorriu, beijando os lábios de Jensen, querendo que o sabor dele ficasse em seus lábios até a hora de se encontrarem novamente.

— Voltarei, prometo. – Jensen beijou-o rapidamente, e o olhou nos olhos. – E você também, volte inteiro.

—X—

Quando Jared chegou ao tribunal, teve a má sorte de chegar ao mesmo instante que Tom Welling. Parecia que o mundo estava conspirando contra ele.

Tom lhe sorriu displicente. Não correspondeu; somente virou o rosto ignorando-o.

O local estava cheio de jornalistas. E com a repercussão de suas fotos com Jensen nas capas de jornais e revistas, tinham-no deixado, praticamente famoso. Seria aquele, tão sonhado por muitos, quinzeminutosdefama.

Queria poder explodir cada um daqueles repórteres, mas conhecia muitos deles. Tendo a mesma profissão que eles, não poderia fazê-lo. Agora entendia o porquê de Jensen não gostar de repórteres. Eles pareciam abutres, e da forma que eles o olhavam, seria a refeição perfeita.

Jeffrey havia lhe alertado antes de saírem do carro: "Sefalaremcomvocê,nãoresponda.Seperguntarem,nãoresponda,e,senãofalaremnada,équevocênãorespondemesmo,estamosentendidos?"

Às vezes achava que Jeffrey esquecia que tinha a idade que tinha, e que também era um repórter, sabia lidar muito bem com eles.

Quando finalmente conseguira entrar no fórum, já estava praticamente cego e surdo. Os flashes e as perguntas gritadas em seu ouvido o deixaram tonto.

Jeffrey estava ao seu lado, o rosto dele mantinha-se fechado e incrivelmente sério. Ele estava mesmo parecendo um verdadeiro advogado. Um profissional, mas sorriu ao lembrar-se dele fazendo churrasco ao fundo da sua casa, com um avental rosa, que pertencia a Samantha. E todo aquele profissionalismo não parecia tão real.

Somente imaginar coisas inusitadas, tiraria sua preocupação de Jensen.

Passaram por várias salas. Pessoas saiam chorando, outras rindo, outros entravam nas salas. Aquele fórum era enorme. Andaram alguns minutos até chegarem à sala onde ocorreria a audiência de Tom, e sorriu amargamente ao ver que a porta ainda se mantinha fechada, e que Tom também estava parado em frente dela.

— Bom vê-lo, Jared. – Tom ironizou olhando-o nos olhos.

— Não posso dizer o mesmo. – Jared manteve o olhar e também o sorriso amargo que mantinha nos lábios. Viu Tom se aproximar, e manteve-se parado.

— Senhor Welling, não dê mais um passo na direção do Senhor Padalecki. Não se esqueça que o senhor tem que manter uma distância considerável dele. – o agente guardava a porta, o olhou diretamente nos olhos, fazendo com que Welling recuasse seus passos.

— Tudo bem, o comentário que eu gostaria de fazer era pessoal, mas vou fazê-lo mesmo assim. – Tom sorriu cinicamente e encostou-se a parede. – Agora entendo o porquê de você estar com o Ackles... – Tom percebeu que os olhos de Jared prenderam os seus e deixou seu sorriso aumentar ainda mais. – Ele tem uma boca deliciosa, e o beijo dele é realmente muito bom.

Tom gargalhou quando viu Jared avançando em sua direção.

Jeffrey tinha-o freado, e tinha lhe dito para não dar ouvidos ao que o outro dizia. Iria dar uma resposta, mas no mesmo instante, escutou seu nome ser chamado.

— Sr. Padalecki, preciso que me acompanhe.

— Jared, como disse, você irá ficar em uma sala diferente, eu estarei sentado ao lado do promotor Rosenbaum.

Jared confirmou com um aceno, sem desviar os olhos de Tom que ainda ria cínico, e acompanhou o agente que o levaria para a saleta.

Aquele dia não estava sendo nem um pouco agradável.

Tom tinha insinuado ter beijado Jensen. Jensen não tinha lhe dito nada, então, não poderia ser verdade. Não poderia mesmo ser verdade.

Lembrava-se de todos os detalhes que o loiro contara do seu encontro com Welling, mas nenhuma vez tinha falado sobre o tal beijo. Se pensasse bem, tinha percebido que Jensen escondia algo, quando mencionava o soco. A causa do soco não fora muito bem explicada. Talvez aquela fosse a causa. Não iria pensar naquilo agora, precisava pensar e muito no que iria dizer. Sabia que o advogado de Tom não era uma pessoa que entrava em um caso para perder. Era um dos advogados mais bem pagos e requisitados de toda a New York.

Muitas pessoas temiam entrar em um caso contra Mark Sheppard, pois sabiam que se entrassem, iriam entrar para perder. Até mesmo Jeffrey já tinha perdido dois ou três casos para ele, e tinha ganhado uns dois ou três também.

Jeffrey o considerava seu eterno rival. E essa rixa vinha desde os tempos da faculdade.

Evasivas, meias respostas e respostas não ditas seriam as melhores para dar ao cara. Esperava que sua tática desse certo.

—X—

O transito até o New York Palace fora horrível. A coletiva começaria às treze horas, e faltavam apenas vinte minutos. Não tinha conseguido se acostumar com a idéia de falar com vários jornalistas ao mesmo tempo.

Se falar somente com um lhe deixava tenso, não conseguiria imaginar como se sentiria ao falar com cinco. Respirava fundo cada vez que pensava nas palavras: repórteres e perguntas.

O único repórter gentil que tinha conhecido fora o Jared, e ele ainda lhe dava medo as vezes, mesmo sabendo que ele só escrevia sua comédia.

Mas ao ler a matéria que ele escrevera sobre sua vida em New Hampshire lhe impressionara. Jared realmente tinha o dom para a escrita. Ele descrevera o lugar, conseguindo colocar no papel a beleza dele em poucas palavras. Era como se Jared tivesse feito uma entrevista indiretamente. Explicara seu modo de vida, e alguns motivos que o levaram a ir para Hampshire, não deixando transparecer que era realmente uma fuga.

Desejava que todos os jornalistas fossem assim, mas sabia estar pedindo demais.

Misha o chamou, dizendo que todos já estavam em seus postos só esperando que ele entrasse. Não tinha visto seus últimos vinte minutos passarem. Ficar divagando sobre Jared realmente lhe tiravam de sua órbita.

Respirou fundo, dando uma última olhada em Misha e em Jim. Eles seriam seu porto seguro enquanto estivesse ali.

Caminhou até o centro da bancada, sem nem mesmo olhar para os flashes que o capturavam, e sentou-se em seu lugar, de frente para os repórteres. Fechou os olhos sem olhá-los e respirou fundo, abrindo lentamente os olhos.

Assustou-se quando olhou as pessoas a sua frente. Sabia que Misha iria mentir ao dizer que eram somente cinco repórteres. Só não pensou que ele iria usar um percentual tão baixo para a quantidade de pessoas que ali tinha.

Os jornalistas estavam sentados na primeira fileira, logo atrás vinham os fotógrafos, e algumas câmeras estavam posicionadas estrategicamente em sua direção.

Respirou fundo, tentando recuperar sua calma, que há muito havia lhe abandonado. Não deixaria que os jornalistas percebessem seu medo. Antigamente era o mestre em não expor suas fraquezas. Agora precisava lembrar como fazer isso, e usá-la. Sua sanidade dependia disso.

Como só seriam cinco repórteres, Misha tinha montado um cronograma para cada um. Respirou fundo e lançou um olhar considerável para cada um que estava naquele salão, suspirou uma última vez e disse:

— Boa tarde a todos. – aquele seria o primeiro passo. Agora só teria que aguentar o turbilhão de perguntas que eles fariam.

Misha entrou logo em seguida, e sentou-se ao lado de Jensen, sorrindo para os jornalistas.

— Espero que a tarde de vocês esteja sendo melhor que a minha. – comentou fazendo com que os repórteres rissem e continuou — Como combinamos anteriormente, cada repórter terá dez minutos para suas perguntas, pois não queremos cansar nosso querido Jensen. Afinal, ele não faz uma coletiva há anos.

Jensen viu todos concordarem. Até que não estava sendo difícil ficar ali. Se falasse a verdade, estava até gostando de ter aqueles olhos interrogativos o encarando.

— Vamos começar com você, da TheLosAngelesTimes. – Misha pegou o formulário e leu o nome do homem – Pode começa quando estiver pronto, Sr. Kurt Fuller.

O homem já era um veterano, e já o conhecia de longa data. Gostava das matérias que ele escrevia. Entre os famosos, ele era chamado de misericordioso, pois não escrevia coisas que os difamavam. Ele escrevia somente a verdade.

— Boa tarde, Sr. Ackles, sentimos sua falta durante todos esses anos. – Kut falou sorrindo para ele. Conseguia ver que o loiro não estava à-vontade com aquilo. – Posso começar?

— Claro... – Jensen respondeu, olhando diretamente nos olhos do repórter. Confiava nele. Seria mais fácil ignorar os outros enquanto respondia as perguntas dele.

— Pelo que soubemos nessas últimas semanas, você tem vivido em New Hampshire, uma cidade muito pequena. Como se sentiu ao mudar de vida tão drasticamente?

Entre todas as perguntas que esperava que ele fizesse, aquela seria a última. Sorriu. Falar sobre Hampshire não era difícil.

— Eu precisava mudar. Pensava que tinha feito algo horrível. Não tinha coragem de me entregar. E Hampshire é uma pequena cidade onde as pessoas não ligam para quem você era antes de chegar lá, e sim, para o que você é depois de chegar lá.

O loiro pode escutar uma risada vinda do tal Pellegrino, o repórter do N.Y Times. Respirou fundo e continuou.

— Eu não tinha planos de continuar na cidade, mas ela é acolhedora, e resolvi ficar. Dar um tempo por lá.

— Entendo... – Viu Kurt escrevendo algo em seu notebook. E só naquele momento reparara que todos os repórteres tinham um. – Muitas pessoas estão curiosas para saber o que você ficou fazendo lá, todo esse tempo.

O homem estava mesmo sendo generoso. Não perguntava nada que o ferisse.

— Durante todo o tempo em que fiquei em Hampshire, tive várias ocupações. – Jensen sorria ao se lembrar de sua pequena cabana. Não sabia que sentia tanta falta dela. Foi somente ao começar a falar, que percebeu que estava sentindo falta do ar puro, da grama, das árvores, do canto dos pássaros. – Fui desde caçador de guaxinins à escultor de madeira. Hampshire não é uma cidade que tenha muito o quê fazer, então me empenhei em estudar, plantar, colher e caçar.

Jensen estancou no lugar ao escutar alguém murmurar, "Nãobastavamataroprópriopai,tinhaquecomeçaramataranimaisinofensivos.". Sentiu o sangue ferver. Todos ali sabiam que não tinha nada a ver com a morte de seu pai. E aquele comentário o fez parar. Seria sempre assim. Todos o olhariam torto quando passasse.

— Presumo que seja muito interessante esse local. – Kurt chamou a atenção de Jensen com suas palavras e sorriu amigavelmente para ele. – Ficamos sabendo de uma aparição sua aqui em New York há praticamente dois anos, logo após condenarem o verdadeiro assassino de todas aquelas pessoas no estúdio anos atrás. Qual foi a sensação de ser reconhecido novamente? E como se sentiu ao descobrir que não era o culpado pelas mortes?

— Vou confidenciar isso a você, Kurt. – Jensen sorriu ao ver os olhos do repórter brilhar. – Como já deve saber, desmaiei no meio do cartório, assinando os papéis para a compra do meu apartamento aqui em New York. Fiquei assustado com as pessoas me reconhecendo, me fazendo perguntas, as quais eu ainda não tinha respostas, as quais eu não queria responder. Foi extremamente cansativo encarar tudo isso de uma única vez.

Sentia-se leve. Estava feliz por poder contar tudo o que havia passado sem se intimidar pelas perguntas. O treinamento que Jared lhe dera, Jared sendo o repórter e ele fazendo seu próprio eu, estava lhe ajudando.

O jornalista do Los Angeles Times estava se preparando para fazer outra pergunta, quando o Mark Pellegrino, do N. Y. Times tomou à frente de suas perguntas.

— Não considerou um ato covarde isolar-se numa comunidade pequena enganando seus moradores? – o homem sorria como se estivesse possuído.

Misha levantou. Jensen já sabia o que ele iria fazer, e não queria provocar um escândalo. Segurou o pulso do moreno, fazendo-o sentar-se. Estava nervoso,mas não deixaria que um aspirante a Tom Welling acabasse com seu dia.

Sabia que Misha era periódico e perfeccionista e tudo o que fazia, e não iria aturar a mudança em seu cronograma. Em todas as coletivas que já dera na vida, somente uma tinha dado certo.

Isso porque, eram somente dois repórteres, e quando eles começaram a embaralhar as perguntas, Misha disse que ou eles paravam ou cancelaria a coletiva, arrancando deles tudo o que Jensen tinha falado, e que se caso algo saísse, mesmo em uma mínima nota, eles seriam processados.

— Sim, concordo que de certa forma fui covarde, só que não enganei ninguém, meu nome continua o mesmo, só que agora uso o meu verdadeiro também. Não gosto de lembrar que um dia fui o RossAckles.

— Sabia do envolvimento de Jared Padalecki com o Sr. Tom Welling? Seu envolvimento com Jared Padalecki teve início em New Hampshire ou muito antes?

Mark interrompera novamente Kurt Fuller, que somente deu de ombros. Se ele quisesse perder sua oportunidade de perguntas, tudo bem. Conhecia bem como Misha Collins trabalhava. Não eram muitas pessoas que saíam impunes. Sabia o que iria acontecer com ele.

Agora entendia o que Jared quis dizer quando ele disse que Mark não seria gentil. Todos os outros repórteres mantinham-se na linha. Sabia que Misha só chamaria os que lhe eram de confiança. E podia ver que o moreno confiava em várias pessoas, e essas pessoas o respeitavam por depositar tal confiança neles.

Pensou que não iriam envolver Tom Welling em sua entrevista, ou só perguntariam o motivo de ele estar na sede do New York Times, mas não esperava que envolvessem Jared também.

Mas em suas antigas experiências, com repórteres, sabia que eles eram como sanguessugas. Eles tiravam tudo e mais um pouco.

Suspirou e respondeu a verdade, pois esse era o intuito da coletiva.

— Conheço Jared Padalecki a mais ou menos um mês, e antes disso, não sabia da existência dele, nem a de Tom Welling.

— Se considera que Tom Welling foi responsável diretamente por sua volta, quanto recebeu para voltar? Pelo que todos sabem, o Sr. Welling paga muito bem.

— Se for para colocar em uma balança, o Sr. Welling teve muita influência, mas esse não é um assunto que gostaria de tocar no momento. E não estamos aqui para falar de Tom Welling.

— Não gosta de lembrar que foi Ross Ackles? Então não gosta de lembrar-se de seu envolvimento na morte de seu próprio pai.

Jensen sentiu o corpo tremer. Todas as respostas que não queria responder ele as fazia. Era como se ele soubesse onde cutucar para lhe perturbar. Sentiu a mão de Misha segurando seu pulso por debaixo da mesa, e olho-o nos olhos. Ele indicava que deveria responder, o homem estava fazendo de propósito. Ele trabalhava para o Tom e com certeza o moreno deveria ter contado seus pontos fracos.

"Imaginequesoueulá.Sorria,esimplesmenteresponda" – lembrou-se de uma das frases que Jared havia lhe dito no dia anterior e respirou fundo antes de olhar diretamente nos olhos do Mark Pellegrino.

— Realmente, não gosto de me lembrar de que um dia fui Ross Ackles. Não fiz nada de bom além da minha interpretação. Hoje sou o que sou por conta dele, mas se pudesse voltar ao passado, mudaria muitas coisas. E como todos sabem, nunca tive envolvimento com a morte do meu pai.

Tentava se manter calmo. Estava sendo difícil falar. Engolir aquele enorme nó que havia se formado em sua garganta. Sentia seus olhos lacrimejarem, mas não deixaria que o outro percebesse. Seu corpo tremia, mas mantinha-se firme.

— Talvez por eu ser como era na época, acharam que eu poderia, talvez ser o autor do incêndio, mas como todos sabem, o verdadeiro culpado está preso.

— Seu processo na justiça ainda está aberto? Considera isso um empecilho para a sua volta?

— Não pretendo voltar para televisão, ou me envolver com qualquer meio de comunicação. Pretendo continuar sendo Jensen Ackles, um simples caçador de New Hampshire. E todos os processos que o meu advogado estava movendo, todos eles, já estão concluídos.

— Pelo que temos como informação, conseguiu dividir sua família ao ser acusado da morte de seu pai. Sua família sabe de seu retorno?

Falar da sua família era difícil. A única família que ainda tinha era a sua mãe, e ela não queria vê-lo.

A única vez que fora atrás dela para uma conversa, antes de desaparecer pelo mundo, fora renegado como filho. Ela bem o disse. Nunca deveria tê-lo tido. Que não o criara para ser um assassino, e ela não tinha falhado. Ela nunca falhava. E a culpa era toda dele mesmo.

Era sua culpa ser sozinho, era sua culpa sentir aquele vazio. Era sua culpa não ter toda a atenção de seus pais. E era por sua culpa que seu pai veio a falecer. Pelo menos fora isso que pensara naquele instante.

Aquela ferida ainda doía. Doía muito. Muito mais que todas as outras. O olhar de ódio de sua mãe ainda o queimava. Ainda lembrava o olhar de nojo que ela tinha quando o expulsou de sua casa.

— Não mantive contato com minha família, não porque não quis, mas porque fora preciso. – sua voz saiu arrastada. Queria sair correndo daquele lugar. Queria fugir. Voltar para New Hampshire. O único lugar que se sentia seguro. O único lugar que era realmente sua casa.

Então, se lembrou de Jared. Jared era o seu porto seguro. Era por ele que estava ali. Era por ele que estava naquela coletiva. E tinha prometido voltar inteiro para ele. Não poderia mais fugir. Não deveria mais fugir.

— O que pretende fazer agora que todos sabem de seu retorno? Pretende ficar aqui? Vai esclarecer seu envolvimento na morte de seu pai?

Mais uma vez a voz de Mark foi ouvida com tom de cinismo mal contido. Ele insistia nas mesmas perguntas, mas as reformulava de forma diferente a cada vez. Esperava que Jensen escorregasse em algum momento, esse deslize seria seu momento de glória. E Jensen sabia que era isso que ele queria.

— Como já disse, e repito: Eu não pretendo fazer nada a respeito desse suposto retorno que você teima em perguntar. – Jensen respirou fundo, tentando se acalmar. – Pois esse retorno não existe. Assim que tudo se resolver, pretendo voltar para minha casa. E também, como já disse antes, não tenho nenhum envolvimento na morte do meu pai.

Era cansativo ter que responder as perguntas de Mark. Pellegrino era venenoso, fazia a mesma pergunta, de modo diferente, para ver se conseguia confundir sua mente, e estava sendo difícil ter de se explicar de varias formas diferentes para o homem.

Sabia, por experiência própria, que dar coletivas era cansativo. Mesmo no auge de sua carreira, era gratificante, mas não menos cansativas.

Sempre soube falar e comentar sobre o seu trabalho, e como se sentia a respeito dele. Só que agora, falando sobre sua vida, não era nada gratificante.

— Como todos sabem, pois ficou duas semanas inteiras estampado em tudo quanto foi jornal, eu fui inocentado de todas as acusações. Marthin é o verdadeiro culpado. – deu ênfase quando falou sobre sua inocência e no nome do assassino de seu pai. – Foi julgado e condenado a uns bons anos de prisão.

Ao terminar sua resposta, tomou um gole da água que estava à sua frente. Sentia sua garganta seca, e as forças de seu corpo ir se esvaindo a cada resposta que dava para ele. Mal acabou de beber a água, já escutou outra pergunta sendo feita.

— Sua fuga da mídia justificada por seu pânico à mídia, ilustra muitas das suas ações anteriores. Considera nosso trabalho prejudicial à classe artística?

De todas as perguntas, aquela seria a mais fácil de responde. Suspirou, pensando em como começar, e sorriu cansadamente.

— De maneira alguma. Como você mesmo disse, esse é um trabalho, e o respeito como qualquer outro trabalho. Só que algumas vezes, os artistas não têm liberdade para fazer coisa alguma, pois sempre tem algum paparazzi em seu encalço. No meu caso, foi prejudicial, pois me sentia preso, incapacitado de fazer o que queria. Sempre seria um escândalo, e assumo que não fui um santo, por tanto, na minha vida pessoa, foi prejudicial. Hoje em dia, prefiro viver no anonimato, e realmente pretendo ser totalmente esquecido um dia.

— Podemos entender suas ações como promoção, senhor Ross Ackles. Considera possível uma volta depois de tudo o que aconteceu? Seria uma hipótese possível a dos estúdios não lhe quererem e por isso seu retorno tão fantástico?

— Não, Mark. Eu não pretendo voltar para a televisão. Eu não estou aqui me promovendo. Estou aqui somente para esclarecer as pendências do passado. Boatos se formaram com o meu sumiço, e não devo nada a ninguém. E é por esse motivo, que essa coletiva está acontecendo. Essa será minha ultima entrevista.

Estava tentando se mostrar forte por fora, não deixava sua voz tremer por nada, e estava conseguindo, mas não aguentaria responder mais nenhuma pergunta do jornalista infernal do New York Times. Suspirou, esperando outra pergunta, e tentando se preparar mentalmente para ela, mas sentiu-se aliviado quando Misha se colocou de pé, anunciando uma pausa, para que todos reformulassem suas perguntas e descansassem.

Jensen agradeceu-os antes de sair de seu lugar, e caminhou lentamente, tentando não deixar seu nervosismo transparecer.

Assim que chegou a sala de descanso que Misha havia preparado, jogou-se no sofá que ele colocou lá. Seu corpo pesava muito mais do que realmente pesava, e estava completamente dolorido. Sentia partes de seu corpo, que antes nunca havia prestado atenção.

Sabia que teria que responder muitas perguntas, mas não pensou que seria bombardeado daquela maneira. Pelo menos, já havia acabado. Deixou seu corpo relaxar um pouco sobre o sofá e preparando-se para a nova enxurradas da perguntas que viria após aquela breve pausa.

— X —

Estava inquieto. Não aguentava mais esperar. Andava de um lado paro o outro, tentando especular o que acontecia no tribunal, e tentava adivinhar como Jensen estava se saindo na coletiva. Não levara o celular, para não perder o foco. Para não ficar mais aflito, mas agora, tinha percebido a burrada que havia feito. Deveria estar com o aparelho, assim poderia ligar para Jensen, mesmo que não falasse com ele. Poderia perguntar para o Jim como ele estava, ou talvez, até para o Misha.

Enquanto dava mais uma volta pela minúscula sala onde estava, um guarda entrou, chamando-o. Tinha chegado há horas. Seguiu o guarda, e sentou-se onde fora ordenado.

Fez todos os procedimentos, tais como apresentações e juramentos. E quando chegou ao fim das preliminares o advogado de Tom levantou-se e caminhou até ele.

— Então, senhor Padalecki... De acordo com as informações que recebemos, o senhor estava em posse de documentos importantes, que acusam o meu cliente, o senhor Welling de estelionato.

— Sim, os tinha em mãos, mas todos eles já foram entregues para a promotoria. – Jared estava calmo agora, seu tom de voz era limpo, livre de nervosismo ou medo. Estava preocupado somente com as coisas que iria falar.

— Já sabemos os fatos, a questão aqui, não são as provas em si, pois elas podem ter sido forjadas, até que se prove o contrário. – Mark sorriu cínico e caminhou até sua mesa, parando ao lado de Tom, que olhava Jared com um tipo de veneração. –A questão vigente é o tempo... Pelas informações que tenho, você manteve as provas guardadas consigo durante três longos anos... E eu pergunto: Por que entregá-las somente agora?

— Essa questão é simples. Eu não queria mais nenhum tipo de envolvimento com o réu. E por esse motivo, esses documentos ficaram anos guardados. – Jared respondeu sendo simples em suas palavras, mas mantendo seu ar sério e obstinado.

— Mesmo sabendo que o que tinha em mãos era algo supostamente importante, você preferiu abster-se? Evitar envolvimento com meu cliente? Até onde eu sei vocês são bem íntimos... – Sheppard sorriu ao ver o rosto de Jared se contorcer em desgosto.

— Acho que o senhor e todos os outros estão bem cientes que tenho três ordens de restrição contra o seu cliente... E é claro, estou completamente envolvido intimamente com ele. – Jared ironizou, recebendo uma chamada do juiz, que pediu que só respondesse o que lhe fora perguntado. – Eu não queria mais nada que me ligasse ao senhor Welling, e por esse motivo, não dei muita importância para os documentos que estavam em minha posse.

— Então, para ajudar seu novo amante, e seu querido amigo promotor... – o advogado apontou o dedo indicador na direção do Michael Rosenbaum, sorrindo cínico. – Resolveu que essa seria a maneira mais fácil de livrar-se do meu cliente, estou certo?

Estava sendo difícil manter-se calmo naquele momento. Mark Sheppard parecia o advogado do diabo, e havia tocado em um ponto sensível, pois estava ali para ferrar com Tom, somente porque ele colocou-se entre ele e Jensen. Tentou afastar Jensen de seus pensamentos naquele instante. Ele era seu ponto fraco, e não deixaria que os dois o usassem para que deslizasse. Jensen não iria querer isso. Concentrou-se na pergunta, e responde tão calmo quanto o possível.

— Não posso negar que meus assuntos pessoais interferiram muito na minha decisão. – Sheppard queria que ele deslizasse, mas isso não iria acontecer. Sabia qual era o jogo dele e do Tom. Mas sempre fora melhor que o outro nesse aspecto. – Além de trabalhar para a empresa que ele tomou posse a pouco mais de um mês, que está cada vez mais deplorável... Tem a questão dele não respeitar as ordens de restrição, de entrar em minha casa no meio da noite. Invadir a minha vida privada, a qual ele não faz mais parte. Se você pergunta se eu estou usando a maneira mais fácil de me livrar dele, eu posso dizer que sim, eu estou! E espero que a justiça seja feita contra uma pessoa como ele.

Pelo olhar que o advogado tinha, sabia que tinha o desconcertado. Ele tinha tentado táticas ardilosas para que o levasse a falar o que ele queria, só que Mark não esperava tanta sinceridade de sua parte. Viu-o sentar, e deteve-se antes de soltar uma sonora gargalhada, e limitou-se em sorrir mentalmente.

— Sem mais perguntas meritíssimo.

Seus olhos encontraram com o de Jeffrey, e sabia que ele estava orgulhoso. Agora iria se preparar para as perguntas da promotoria, mas Michael já tinha lhe passado algumas coisas antes, então seria fácil responder as questões dele, e ele faria de tudo para que não caísse na mente do juiz que Jared era cúmplice do réu ou coisa parecida.

— X —

Jensen tentava a todo custo relaxar, mas estava sendo difícil. Sua cabeça estava uma confusão.

Falar sobre sua família era um enorme tabu. Ainda sentia-se culpado pela morte de seu pai, e ainda conseguia sentir o peso das acusações de sua mãe sobre seus ombros.

E foi só falar sobre ela, foi quando percebeu que sentia falta dela. Queia que ela estivesse ali para lhe ajudar naquele momento difícil. Lembrou-se que desde mesmo antes de toda aquela confusão, ela nunca lhe apoiara em nada.

Na realidade, queria que Jared estivesse ali, tudo seria tão mais fácil. Só que ele estava lá, no tribunal, e sabia que não poderia falar com ele até que a audição terminasse. Queria que ele estivesse ali do seu lado, pois seus problemas sumiam quando estava com ele.

Cobria os olhos com um dos braços, tentando bloquear a luz que fazia sua cabeça latejar, quando ouviu uma leve batida na porta. Jim entrou pouco depois, ele estava ajudando Misha no que fosse preciso. Sabia que ele se sentia responsável, afinal, fora ele quem o levara até ali. E Misha já gostava dele por esse motivo.

— Jen, está na hora de voltar pra lá! – o mais velho o avisou, sentando-se em outra cadeira, enquanto Jensen se endireitava sobre o sofá.

— Eu não sei se eu quero voltar. – choramingou, vendo um sorriso solidário surgir no rosto de Jim, e tentou sorrir. – Não sei se aguento mais uma rodada de perguntas daquele repórter!

— Acho que você não precisa se preocupar com ele! – Jim levantou-se, caminhou até a mesa no canto da sala, e apanhou um copo de água, oferecendo para Jensen. – Ele foi embora.

Jensen que havia aceitado o copo de água, quase engasgou quando escutou as palavras de Jim. E quase que instantaneamente, sentiu um pouco do peso que estava sobre seus ombros, sumirem.

— Ele foi embora? – perguntou ainda débil, não acreditando nas palavras de Jim. Seria muito bom continuar a coletiva sem aquele cara lhe alfinetando a todo o momento.

— Sim! – Beaver sorriu ao ver o semblante do mais novo ir se acalmando e tomando cor novamente.

Não tinha como não se preocupar com Jensen. Desde quando o conheceu, Jensen nunca fora bom em falar sobre sua vida, o que sabia, eram fragmentos do ele lhe contava. Confiança era algo sagrado para o loiro, e demorava a ser conquistada, e mesmo depois de anos não conseguia falar muito sobre sua vida.

Chegou a pensar que aquela ferida iria continuar aberta para o resto da vida, mas tinha se enganado. Jared chegara, e com ele veio um mar cura e mudanças.

Toda essa mudança era boa pra Jensen, mas mesmo assim, não deixava de se preocupar. Jared fez com que ele encarasse seus temores de frente, todos de uma única vez, e estava orgulhoso dele. Ele continuava inteiro. Mesmo que cansado e sem forças, mas inteiro.

Agora mais calmo, sentindo o corpo um tanto mais leve, leve o suficiente para ficar de pé, e conseguir raciocinar por si mesmo. E não pode deixar de sorrir com o pensamento que lhe veio.

— Ele simplesmente foi embora, ou foi convidado a se retirar? – perguntou, e por ver o sorriso malicioso nos lábios de Jim, já sabia a resposta, e o mais velho acrescentou:

— Ele foi convidado a se retirar, levando com ele um pedido gentil de pensar duas mil vezes antes de escrever uma matéria com palavras ardilosas.

Não pode deixar de sentir-se ainda mais leve.

Misha era uma das melhores pessoas que tinha conhecido em sua vida. Ele era engraçado, amigo, bom no que fazia e muito profissional. Ele tinha muito mais qualidades que defeitos. Da mesma forma que era fácil trabalhar com ele, às vezes era complexo demais. E quando ele colocava alguma coisa na cabeça, nem o diabo o pararia antes dele atingir o que ele queria.

Quando estava trabalhando, ele era temido por muitos. Talvez fosse seu currículo que intimidava. Normalmente, agentes não tem muito destaque, mas Misha Collins não era um agente comum. Ele era oagente. Por muitas vezes, era destaque nas revistas.

Como já havia trabalhado na Casa Branca, e por ter muitas faculdades em seu currículo, ele era um dos solteiros mais cobiçados de toda o Estados Unidos. Misha nem precisava trabalhar, se quisesse, mas ele gostava de agenciar famosos. Era seu hobbie espalhar a arte pelo mundo.

Jensen era um dos seus menores clientes, levando em conta os outros artistas que agenciava.

Sentia-se honrado em tê-lo como seu agente, mesmo sabendo que não o merecia.

— Às vezes fico feliz em ser amigo do Misha... – Jensen comentou, deixando um sorriso brincar em seus lábios.

— Pelo que percebi, eu não o quereria como inimigo!

— Nem eu!

Os dois deixaram a sala de descanso, e Jensen subiu novamente para a bancada, e sentou-se em seu lugar.

Definitivamente, o local estava pesado por contra do jornalista que havia ido embora. E os que ficaram, sorriam solidários para ele. Dali por diante, seria mais fácil responder as próximas perguntas.

— X—

A audiência ainda não tinha terminado, iriam fazer um recesso para fazerem a analise das provas colhidas.

Não sabia quanto tempo iria agüentar, sabia que esse tipo de caso, não se resolveria com apenas uma ou duas audiências.

Após tomarem seu depoimento, teve que esperar para assiná-los e voltou para a pequena sala. E foi lá que ficou o restante do dia.

Muitas horas depois, tinha chegado à casa de Jeffrey.

Sabia que a coletiva de Jensen já tinha terminado, e que eles já estavam esperando-os, tinha falado com o loiro no caminho de volta. Jensen estava abalado e muito cansado por ter que responder milhares de perguntas. Pôde perceber pela voz dele o quão cansado estava, a primeira coisa que fez ao passar pela porta da casa, foi procurá-lo e tomá-lo em seus braços.

Tudo ficava melhor quando o tinha por perto. Sentiu o corpo de Jensen relaxar contra o seu, e se deixou fazer o mesmo.

Estavam todos na sala. E assim como eles, estavam cansados e tensos.

— O jantar fica pronto em alguns minutos. – Samantha falou, da cozinha, quebrando o silêncio que tinha se instalado na sala.

Estava sentado, com Jensen ao seu lado e com os braços dele em volta de seu corpo, quando percebeu o olhar fixo de Jeffrey no loiro. Ele também tinha percebido, e sorriu cansado para o mais velho. E o outro recebendo o consentimento do loiro, perguntou:

— Como foi a coletiva? – o moreno perguntou, sentando-se em sua poltrona, que ficava do lado do sofá onde estavam.

— Cansativa, mas sobrevivi a eles! – Jensen sorriu cansado.

— No começo foi um pouco difícil, pois o NY Times não conseguiu esperar sua vez, e fez muitas perguntas desagradáveis, mas depois ficou tudo sob controle. – Misha completou a resposta de Jensen, sabendo que ele não estava em condições de falar muito.

— Então eles mandaram mesmo o Mark Pellegrino? – Jared perguntou, olhando pra Jensen que cada vez mais se deixava escorregar, para deitar no sofá.

— Sim. – foi a única resposta que ouviu da boca do loiro.

— Ele seria o penúltimo a fazer as perguntas, pois tinha criado um cronograma para eles, mas ele foi o único que o desrespeitou. Assim que eu achei que o Jen tinha respondido o suficiente, eu o convidei a se retirar. – Misha completou novamente. Ele estava imparcial, não se mostrava cansado, mas também não estava completamente bem. Mantinha-se firme. – Depois que ele se foi, a coletiva correu muito bem.

— E como foi na audiência? – Jim, que até então tinha se mantido quieto no canto da sala, perguntou.

— Muito boa. – Jeffrey respondeu sorrindo. – Nunca tinha visto Jared tão seguro de si. Você foi fabuloso, filho.

Jared sorriu, lembrando-se de seu depoimento, e não conseguia lembrar-se de onde tinha tirado aquela coragem e aquelas palavras que falara para o advogado de Tom, mas se Jeffrey estava orgulhoso de si, não iria se preocupar com isso.

— Pela conversa que tive com os promotores, é certeza que você não será acusado. – Jeffrey deixou-se relaxar na poltrona, e sorriu. – Pelas contas que fiz, a primeira ordem de restrição que fez contra ele, é de três anos atrás. A segunda tem mais ou menos dois anos e a última tem seis meses, e temos todos os documentos das vezes que você pediu que a polícia interviesse. Dessa vez, Tom Welling não sairá impune. Ele pode até tentar driblar um pouco e conseguir poucos anos, mas ele não vai ficar fora da cadeia.

— É tudo o que eu mais quero! – Jared não via a hora de se ver livre de Tom. Ele já tinha passado dos limites.

— E dependendo de qual forem os resultados das análises, em menos de vinte dias ele já estará atrás das grades. E o Michel tem mais uns trunfos contra o Todo-Poderoso-Welling.

— O que eu mais quero, é esquecer que esse cara existe e tocar a minha vida! – a convicção de Jared era tanta, que Jensen que estava ao seu lado, sentiu a vibração em seu próprio corpo.

— É o que eu mais quero também! – o loiro disse baixinho.

Jared olhou para Jensen ao seu lado. Percebeu que estava no mesmo estado que ele: Muito cansado.

Não tiveram tempo para falarem mais nada, pois Samantha vinha com os pratos e talheres para arrumar a mesa da sala de jantar. Ajudaram-na a pôr a mesa, e sentaram-se em seus respectivos lugares. Samantha e Jeffrey sentaram nas pontas. Jim, Misha e Paul a esquerda do anfitrião, e Jared e Jensen à sua direita.

Samantha guiava a conversa com assuntos amenos, sabendo que todos ali estavam cansados e aflitos pelo que o futuro guardava para eles. Mesmo que Jensen não quisesse comer, o obrigou a comer apenas o necessário para que ele não ficasse doente. E não pôde deixar de sorrir ao perceber que ele agia da mesma forma que Paul. Só que com ele era mais fácil de lidar.

Assim que todos terminaram de comer, ou pelo menos comeram um pouco, no caso de Jensen e Jared, deixaram a mesa. Jensen como sempre quis ajudá-la com a bagunça feita, mas tomou à frente e disse:

— Querido, não precisa... – Sorriu passando as costas das mãos no rosto dele, em um carinho leve, fazendo com que o loiro fechasse os olhos, adorando receber aquele mimo. – Vá para casa, descanse. Eu sei que você precisa de uma boa noite de sono, amanhã quando acordar, estará se sentindo novinho em folha.

Jensen sorriu consentindo e a abraçou, sentindo o conforto que aquele contato lhe oferecia. Sempre lembrava o quão distante estava de sua mãe, quando era abraçado por Samantha. Ficava observando como ela tratava Paul, a forma carinhosa com que falava, sorria e também como brigava. Era sempre com muito amor e carinho.

Nunca tivera nada disso com Donna, mas ela era a única mãe que tinha, e mesmo assim, sentia falta sua.

E só de ter falado sobre ela naquela maldita coletiva de imprensa já tinha feito a vontade de vê-la novamente crescer em seu peito, mas sabia que era ela quem não queria vê-lo. Pensou em deixar sua frustração agir por si só. Só que antes que isso acontecesse sentiu as mãos de Samantha contornar seu rosto delicadamente.

— Tudo a seu tempo, querido... Tudo a seu tempo. – ela lhe sorriu, aquecendo seu coração. Ela era a única que sabia a história completa. Ela era a única que sabia tudo sobre sua vida com seus pais. E era sempre ela que lhe confortava naqueles momentos mais difíceis. – Ela já sabe que você não fez nada, e tenho certeza que o orgulho não a deixa voltar atrás em suas atitudes.

— Eu sei... – respondeu, não tendo forças para pensar em uma resposta melhor.

— Pode ser difícil de acreditar, mas tudo na vida tem sua hora, é só esperar ela chegar. – ela o abraçou novamente. – Agora pegue o Jared, e o leve para casa descansar. Vocês dois precisam de uma boa noite de descanso.

Ela lhe deu um último beijo no rosto, despedindo-se. Fez o mesmo com todos que estavam ali presentes. E juntamente com Jared, voltaram para seu apartamento.

— X —

A casa estava silenciosa e escura quando entraram, mas mesmo assim, aquele ambiente era reconfortante. E muito calmo também. Ninguém os atrapalharia ali. Ali, eles não seriam questionados, e muito menos acusados. Era como um refúgio, no meio da cidade que nunca dorme. Assim como a cabana era um refúgio no meio do nada.

Jensen suspirou, sentindo aquele cheiro familiar da sua casa. E sentiu a tensão de seus ombros irem embora aos poucos. Mesmo depois de ter ido pra casa de Jeffrey, não era a mesma coisa. Lá estavam Jim, Misha, Samantha e não teria como relaxar por completo. E agora, estando em um lugar só seu, e de Jared, não teria como não relaxar.

Jared tinha ficado quieto todo o caminho, sabendo que era melhor a fazer. Já conhecia Jensen, e quando ele estivesse preparado para falar, ele simplesmente falaria, e como ele não tinha se pronunciado, era porque as perguntas da coletiva ainda estavam frescas em sua mente, e não iria forçar a barra, fazendo ainda mais perguntas.

Já tinha ficado sabendo o que era preciso por Misha, quando ele o chamou para conversar na casa do Jeffrey.

Quando fechou a porta atrás de si, pôde ver como Jensen tinha relaxado, somente de estar ali, em sua casa, sabendo que ninguém iria incomodá-lo ali. Sorriu, sentindo-se aliviado. Todo aquele peso que tinha sobre os ombros há mais ou menos duas semanas, estava se esvaindo agora.

Estava distraído nas sensações que aquele alívio trazia, que sobressaltou-se quando sentiu Jensen segurar uma de suas mãos e levá-lo em direção ao quarto.

Tomaram um banho, juntos, mas somente carinhos inocentes eram trocados. Estavam cansados, e a água contra fazia toda a tensão dissipar de seus corpos, deixando-os levemente entorpecidos, revelando o quão cansados estavam.

Quando voltaram para o quarto, secaram-se e vestiram uma única peça, para cobrir a nudez, e caíram na cama, um nos braços do outro.

A paz que precisavam para descansarem estava ali. Para Jensen, Jared era seu refúgio, sua paz, e ali, estaria seguro. E Jared, se sentia da mesma forma com relação a Jensen.


Nota: Como vai pessoas mais bonitas do fanfiction? Demorei, não é? Sorry. Não vou me desculpar tanto, pq sei que não estou no meu direito. Podem brigar comigo, vou ficar quietinha enquanto escuto as broncas, prometo. Estava com o capítulo pronto a meses no meu PC/email, mas estava sem ânimo para dar a revisada que a minha querida EmptySpaces11 pediu que eu fizesse. Eu estava sendo incoerente. Muito incoerente no texto, e acho que consegui dar uma arrumada. Se vocês acharem algum erro, me avisem.

Espero que gostem do capítulo.

Agradeçam a minha beta linda por ter feito esse imenso favor de betar a fic, mesmo eu estando tãããão... Bleah. rs.

Reviews são muito bem vindas, beijos.