Desclaimer: Jared e Jensen não me pertencem, o que é uma pena, e escrevo essa fic apenas para a minha diversão e para a diversão de quem vai ler e sem nenhum fim lucrativo.

Titulo: Refuge
Fandom: Supernatural / RPS
Classificação: M/NC-17/Slash.
Avisos: Universo Alternativo, Repostagem.

Sumário: Jared Padalecki resolve seguir seu sonho e viajar pelo mundo com uma mochila nas costas. Jensen vive uma pacata vida nas montanhas como um caçador. E se conhecem graças ao bondoso e maquiavélico Jeffrey. Padackles - AU.

P.S.: Eu sei que demorei... Digamos que 04 anos, 02 meses e 20 dias para atualizar, mas não desisti, ok? Leiam com amor e carinho, ok? Capitulo oferecido especialmente para todos que tiveram paciência e não desistiram de mim durante todo esse tempo!

Boa leitura ;3~


Capítulo XVI


Os dias haviam se arrastado, um atrás do outro. E as palavras de Tom ainda ecoavam em sua mente. Tentou a todo custo evitar o questionamento que se formava em sua mente, afinal, confiava demais em Jensen e sabia que ele não beijaria o Welling por livre espontânea vontade.

Se o beijo tivesse mesmo acontecido, Jensen teria lhe contado. Mas o problema, é que não confiava em Tom, sabia que ele faria de tudo para tentar assustar o loiro.

Pensar nisso tudo, já estava começando a fritar seus neurônios. Definitivamente, era melhor perguntar do que se deixar seus pensamentos serem envenenados com as palavras do outro.

Jensen estava sentado à sua frente, lendo a revista de fofoca sobre famosos, que havia saído após a coletiva. A matéria era escrita pela Emily Perkins, e dela, o mais velho gostava. Não dava para negar que a mulher era uma fã de romance.

Jensen lhe contara que as perguntas dela, foram as mais fáceis de responder, pois quase todas eram relacionadas ele, sobre o lugar que havia vivido nos últimos anos e por último, sobre o relacionamento que mantinha com Jared. Da forma como ela perguntava, e depois de ler o artigo dela na revista, percebeu que ela tinha feito um marketing não remunerado sobre New Hampshire.

Jensen sorria vez ou outra, murmurando coisas que não conseguia entender, mas sabia como ele estava se sentindo. Em um filme de romance, onde todos torciam para que o mocinho fique com a mocinha, mas no caso deles, que o mocinho fique com o mocinho.

— Nunca me senti tão gay, em toda a minha vida! – escutou Jensen comentar para si mesmo, rindo logo em seguida.

Não sabia quando chegaria a hora perfeita para terem aquela conversa, mas sabia que quanto mais demorassem, pior seria.

— Jensen? – chamou, torcendo para que ele notasse o tom sério em sua voz.

E logo em seguida o loiro o olhou, e o sorriso que ele tinha nos lábios sumiu aos poucos.

— Acho que precisamos conversar... – falou, olhando-o diretamente nos olhos.

— Não gosto quando você fica sério desse jeito! – Jensen falou, enquanto colocava a revista de lado e se endireitando no sofá. – Da ultima vez que você ficou sério dessa forma, eu tive que me deslocar de Hampshire até aqui.

— Não! – afirmou. Jared sabia que tinha que falar, mas olhando ali para Jensen, não conseguia encontrar a forma certa de acordar o assunto.

— Jay, fale de uma vez! Você está me deixando aflito! – Jensen pode ver o moreno puxar o ar pesadamente para dentro de seus pulmões, e sentiu-se ainda mais aflito.

— No dia da audiência, o Tom me disse uma coisa, mas no momento eu não quis acreditar, mas agora que os dias passaram, eu venho pensando nisso com freqüência... É meio estranho. As coisas não se encaixam bem, mas se eu adicionar o que ele disse, tudo fica explicado... – Jared falava sem parar, então Jensen o interrompei.

— Porque você não para de fazer rodeios e pergunta de uma vez? Eu não estou entendendo nada do que você está dizendo!

— O Tom realmente lhe beijou? – Jensen pediu que ele fosse direto, e assim o fez. E pode ver Jensen perder a cor.

Tom realmente havia beijado Jensen, e isso era um fato.

— Ok, já entendi... E o soco veio depois disso, certo? – Jared perguntou, olhando diretamente nos olhos de Jensen, que vez ou outra tentava desviá-lo.

Jensen afirmou com um movimento. Era vergonhoso demais se mostrar tão fraco, ao ponto de ter outro homem lhe ameaçando. Deveria ter desconfiado que Tom iria fazer isso. Contar ao Jared sobre o beijo forçado que lhe dera.

— Por que não me contou? – Jared perguntou. Não estava nervoso, não estava com raiva, só estava magoado. – Se fosse outra pessoa, já teria estourado em cima de você, mas eu conheço o Tom, e tudo o que passamos, fez com que eu te conhecesse. E eu sei que você não o beijaria. Eu só não entendo porque não me contou.

Pensara que Jensen tinha confiança nele, e que ele contaria os mínimos detalhes de seus problemas, e mesmo que ele não precisasse, queria estar ali ao lado dele para ajudá-lo a superar todos os problemas, mas nesse, ele nem havia pedido sua ajuda.

— Por que não achei necessário... – Jensen falou tentando mascarar seus sentimentos, sabia que essas palavras o machucaria.

— Não achou necessário?

Jared poderia aceitar qualquer desculpa. Vergonha, medo... Mas achar que aquele fato era desnecessário ao ponto de não contá-lo era demais. Era como se todos aqueles quinze dias que passou pensando e refletido nas palavras do Welling, tivesse voltado no tempo, e o feito escutar as palavras dele. Era como se o moreno estivesse morando em seus pensamentos, e perturbando-o a ponto de enlouquecê-lo.

— Eu pensei que saberia sua resposta, e só por esse motivo que eu não perguntei antes, mas eu precisava saber a sua resposta, e no final, acabo sabendo que sou desnecessário.

Jensen viu Jared levar, ele estava chateado. Sabia que não tinha escolhido as palavras corretamente. Ainda não estava preparado para falar como Tom o havia tratado aquele dia, mas precisaria fazer um esforço, e falar tudo.

— Você não é desnecessário! – Jensen falou apressadamente, levantando-se e parando em frente a Jared. – É que eu não sei como contar...

— Se você não começar a falar, não tem como contar... – Jared estava mesmo magoado.

Ele sabia que Jensen só estava ali, em New York por sua causa, mas quando viu que era desnecessário em algo que julgava importante, sentiu-se minimizado na vida do outro.

Jensen respirou fundo, sabia que Jared sempre esperaria por ele, e queria poder ter contado tudo isso, no instante em que se encontraram, mas sua cabeça estava de pernas para o ar, por vê-lo, ali em sua frente. E sabia que Tom iria usar isso para tentar separá-los, mesmo sabendo disso, não tinha conseguido falar.

— Eu estava com medo de você pensar que sou fraco. Aquele desgraçado pensou que eu era fraco, e eu sei que sou fraco. – Jensen começou a falar, ainda parado em frente a Jared. – E para esconder isso, eu arranjei motivos para que esse fato do beijo fosse desnecessário... Mas ele não é!

Jensen deu as costas para Jared, não queria que ele visse seu rosto naquele momento, agora entendia a gravidade do erro que havia cometido.

— Ele pensou que poderia me amedrontar, pensou que eu era fraco ao ponto de deixá-lo abusar de mim. Pensou que eu o deixaria fazer o que quisesse. Pensou que eu não revidaria... – Jensen se aproximou da janela, e via o fluxo dos carros, eles estavam pequenos e corriam nas direções que seus pilotos moviam. Queria poder ser como eles, seguir sem medo de nada. – Mas assim que senti os lábios dele contra os meus, e suas mãos asquerosas segurando meu rosto, forçando a língua dentro da minha boca, eu senti nojo. Foi uma repulsa tão grande, que por reflexo, meu braço moveu-se sozinho, e o soco foi dado.

Jensen sentiu seus ombros mais leves. Era como se um enorme peso havia saído de suas costas. Só que a vergonha de ter que admitir que se deixou parecer fraco ao ponto de ser abusado por outra pessoa.

Isso o envergonhava e fulo consigo mesmo.

— E mesmo eu sabendo que o Tom iria usar isso para nos fazer brigar, eu não tive coragem de contar... Ele sabia que seria vergonhoso falar o quão fraco sou!

Jensen ainda olhava os carros, que pela altura do prédio, ficavam minúsculos a sua visão, quando sentiu os braços de Jared envolvendo sua cintura, e sentiu os lábios dele contra a curva de seu pescoço, depositando ali um singelo beijo.

— Só o fato de você ter dado um soco nele, mostrou que você não era fraco como ele pensou que era. – Jared falou em seu ouvido, a voz dele estava livre daquela magoa que havia escutado a momentos atrás.

Sabia que o moreno havia entendido suas aflições. Gostaria de poder voltar no tempo e fazer tudo diferente. Jared tinha confiança em sua pessoa, e mesmo ele tendo em toda essa confiança, às vezes não acreditava, e se deixava dominar pelo medo que sentia. O que menos queria era magoá-lo, mas isso sempre acabava acontecendo.

Virou-se de frente para ele, envolvendo-o em um abraço.

— Perdão por magoá-lo, e por não lhe contar tudo o que passa... – Jensen apertou o outro ainda mais em seus braços. – Só peço que tenha paciência comigo... Eu superei muitas coisas, mas não todas... Não ainda...

Separou-se do abraço, sem deixar-se sair dos braços dele.

Jared sabia como Jensen estava se sentindo. Tom já havia feito a mesma coisa com ele. E sabia como era ter aquela sensação dentro do peito e por esse motivo o entendia.

E o que realmente o deixava bravo consigo mesmo, era o fato de ter pressionado Jensen. Não era do seu feitio. Sempre foi calmo, não deixava que as opiniões das outras pessoas interferissem nas suas, mas havia deixado o Welling penetrar em seus pensamentos.

Desde o momento em que conheceu Jensen, sabia que ele precisava confiar nas pessoas para se abrir, mas com o tempo, havia aprendido que ele precisava primeiramente voltar a confiar em si mesmo para contar sobre sua antiga vida.

— Sou eu, quem devo me desculpar, eu tinha prometido pra mim mesmo não pressioná-lo, mas não consegui... Eu sei que quando estiver preparado, você virá até mim e me contará tudo! – Jared sorriu, cobriu o rosto do loiro com suas mãos, e o beijou nos lábios.

— Pode ter certeza que sim! – Jensen respondeu, sem desgrudar seus lábios dos dele.

Aquele assunto estava resolvido. Mesmo que Tom Welling tentasse separá-los, ele não iria conseguir. Mesmo que às vezes o dialogo fosse difícil de ser iniciado, eles sempre encontrariam uma forma de se entenderem.

— X —

Após aquela conversa, a vida tinha voltado ao normal. Jensen e Jared passavam mais tempo dentro do apartamento do que fora dele. Já que haviam adquirido o costume de ficarem juntos em silencio, respeitando o momento do outro, durante o tempo em que passaram trancados dentro da cabana. E assim, era fácil conviver um com o outro.

Não negariam a ninguém que as brigas ocorriam às vezes. E elas ficaram um pouco mais freqüente, quando a segunda audiência se aproximava. Jared estava a ponto de explodir, a cada minuto que passava. E aqueles eram os últimos momentos de espera.

O Rosenbaum estava crente que tudo estava certo, que se as provas fossem aceitas, aquele seria o último julgamento de Tom; ele poderia perder a liberdade provisória, e receber seu querido mandado de prisão, embrulhado em papel de ouro.

Jensen estava hiper-ventilando desde o momento em que colocou os pés no fórum. Anos atrás tinha sido suspeito de assassinato e tinha fugido, como se só sua vida importasse, agora, ele estava ali; em um fórum, esperando o veredicto do ex de seu namorado. A vida dava voltas incríveis.

Sabia muito bem que não deveria ter a cara de pau de aparecer no julgamento, mas não iria se aguentar ficando em casa esperando por Jared com uma boa noticia. Queria ver com os próprios olhos o que iria acontecer com Tom.

Quando fugiu, sabia que era inocente. Somente às vezes, quando começava a pensar muito sobre o assunto, sentia-se culpado. Só que Tom era diferente da sua pessoa. A índole dele era totalmente o contraria a sua, sabia que se ele fosse sentenciado à prisão, estaria pagando por seus próprios erros.

Jared não precisaria testemunhar uma segunda vez. E por esse motivo ele estava sentado ao seu lado. Segurava a mão dele, na mesma intensidade em que ele segurava a sua. Jared queria que a justiça fosse feita. Muitas pessoas com uma boa índole haviam perdido muito dinheiro, trabalho e muitas outras coisas, e por não suportar a culpa que o consumia. Havia deixado que tudo isso acontecesse debaixo de seus olhos e não tinha feito nada para pará-lo.

A tensão naquele ambiente estava horrível. Era como se ela subisse sutilmente nos ombros de cada pessoa que estava ali, sentasse sobre eles.

O juiz entrou, e sentou-se em seu lugar, dando voz ao promotor, que reapresentou os fatos de acusação, somando as novas provas. E contou sobre todos os outros casos, as causas ganhas injustamente sobre seus antigos empregados ou sócios, como todos os novos documentos poderiam provar que em todo aquele tempo, o réu, Thomas John Patrick Welling era culpado, tanto nesse quanto nos outros julgamentos.

E com uma busca que havia mandado fazer na residência do então presidente do Jornal New York Times, havia descoberto muitas outras fraudes.

Era como se só o roubo de posição e status não bastasse, Welling sempre usava documentos falsos para apresentar para seus novos sócios.

E como Jeffrey havia dito que nesses casos, o júri popular não era necessário, Tom poderia muito bem sair dali com um novo endereço.

E o mais interessante, era que o advogado de defesa tentava intervir hora ou outra, mas o juiz o ignorava, ou o mandava se calar quando as objeções começaram a ficar frequentes.

Tom se mostrava inabalável. E os olhares frios que lançava em sua direção, fazia com que seu corpo se arrepiasse por conta da tensão. E pela calma que ele estava, e pelo tanto que o conhecia, Jared tinha a certeza que ele havia planejado alguma coisa. Queria poder ir embora. Mas não poderia, estava ali, porque, mesmo não testemunhando, ele era testemunha de acusação. Sempre teria que estar presente.

A primeira pausa fora feita duas horas depois do inicio da audiência. Jensen assim como Jared estava exausto. Não conseguiam entender como Jeffrey, uma pessoa tão agitada e alegre como ele, conseguia ficar tanto tempo de daquela enorme sala silenciosa e chata.

Assim que saíram para esticar as penas, sentiram seus ossos estralando, por terem ficado tanto tempo parados em uma única posição. Esticaram-se, e enquanto atravessavam o saguão, indo em direção a pequena cantina, quando Jensen estancou no meio do corredor, totalmente sem cor.

— Jensen, tudo bem com você? – perguntou preocupado.

Assim que Jared olhou mesma direção em que o loiro olhava, não entendeu muito bem por qual motivo ele estava olhando para aquela senhora a sua frente, e ter perdido toda e qualquer reação. E acima de tudo, Jensen não conseguia lhe responder.

— M-Mãe? – Jensen gaguejou ao chamá-la.

Faziam exatos quatro anos e meio que não falava com ela, e agora ela estava ali, na frente dele.

Durante todo aquele tempo, Jensen pensou em muitas desculpas para dar a ela. Pensou em várias coisas que deveria fala, mas agora não conseguia. Sentia seu corpo sem forças. Era como se tivesse sido congelado ali. Sentiu as mãos de Jared em seus ombros, ele movimentava seu corpo levemente, tentando chamar sua atenção, mas não conseguia desviar os olhos da mulher a sua frente.

Jared também estava transtornado. Queria poder tirar Jensen dali naquele mesmo instante, pois sabia que não iria sair coisas boas dali.

— O que faz aqui? – Jensen perguntou. Sua voz não era nada mais que um sussurro. Mas como o corredor estava silencioso, suas palavras soaram na mesma intensidade de um grito.

A mulher caminhou lentamente até eles e os mediu com os olhos.

— Vejo que o tempo não mudou absolutamente nada em você. – as palavras da mulher eram cortantes aos ouvidos de Jensen. Estava se segurando para sair correndo dali, voltar para o seu canto escondido no meio do nada.

— Faz tanto tempo que não nos vemos... – Jensen tentou iniciar a suas desculpas para talvez uma reconciliação, mas Donna o cortou.

— Só faz esse tempo, pois você fugiu. Foi covarde e fugiu! – ela cuspia as palavras, e elas cravavam em Jensen como facas afiadas.

— Eu sabia que não era o culpado... – Jensen tentava se defender, mas ela não o deixava. Era como se as palavras dele não tivessem importância.

— Se tivesse tanta certeza, teria ficado e provado sua inocência. E sabe o que é irônico nisso tudo? – Donna olhou para Jared, e o encarou longamente. Seu rosto se contorcia em desgosto. – Foi daqui que saiu a primeira prisão para você, depois saiu à segunda por você estar em fuga. Depois, quando descobriram que Marthin era o verdadeiro causador das mortes, eu pensei que você voltaria para vê-lo ser julgado. E pagar pela morte de seu pai, mas não. Você nem mesmo apareceu!

A voz dela era baixa, mas a dor era o que mais chamava atenção.

— Você era meu único filho, e eu pensei que estaria ao meu lado, sempre, mas não... Nem para isso você prestou! – ela falou olhando diretamente nos olhos de Jensen.

Ela jogava toda a culpa em cima de Jensen, e Jared já não estava agüentando escutar sem dizer coisa alguma. Todo esse tempo que havia passado ao lado de Jensen, já sabia o suficiente dos pais dele. Das raras vezes em que ele havia falado da mãe, era sempre a mesma coisa. Que ela era linda, mas nunca havia realmente se preocupado com ele, nunca havia realmente se importado com seus sentimentos, e os únicos sentimentos que realmente importavam, eram os dela.

Jared apertou o punho, e olhou diretamente nos olhos dela, queria que ela saísse dali, sem que ele precisasse intervir, mas ela não parecia disposta a fazer isso.

— E agora, você abraçou uma causa que nem mesmo é sua, e está aqui, na mesma sala em que aconteceu o julgamento de Marthin, com o mesmo juiz que o declarou inocente, e que deu a voz de prisão ao outro... E nem mesmo entrou em contato comigo, assim que chegou em New York. – Donna falava como se ela fosse a dona da verdade.

Ela realmente se mostrava decepcionada com o filho. E Jared não agüentando mais segurar todas as palavras que estavam presas em sua garganta, começou a falar.

— Você diz que ele não foi um bom filho, que ele lhe abandonou, mas tem certeza que não foi o contrário? – Jared perguntou, aproximando-se perigosamente dela. E pela falta de resposta, o moreno continuou. – Quem foi a mãe desnaturada que acusou o filho, que o colocou pra fora, que o julgou, antes de todos, que o bateu, sem nem mesmo saber o veredicto do juiz, e mesmo depois de saber, não procurou saber onde ele estava para se desculpar das palavras horríveis que disse a ele.

Jared bufava e falava o que vinha mente. Jensen segurava seu braço e pedia que parasse. Que não se envolvesse, só que não deixaria mais ninguém fazer Jensen sofrer novamente.

— Não vou parar Jensen, ela precisa entender que a única errada nessa história, é ela! – Donna olhava-o assustada. Nunca ninguém tivera a coragem de falar tudo o que pensava em sua cara. – Você passou um mês em coma, e nem mesmo lhe visitar ela foi. Muitas mães de bandidos vão a todas as visitas, porque, criminosos ou não, são filhos delas. Mas essa mulher, não é uma mãe. É só uma mulher que colocou mais uma pessoa no mundo, e tenho certeza que a única coisa boa que ela fez, foi ter te colocado no mundo.

— Você é só mais um dos amores dele, pode até estar durando um pouco mais, não vejo motivo para tanta preocupação, você só está com ele, por ele ser o grande Ross Ackles. Todos foram assim, e quando você se cansar, ou quando ele se cansar de você, ele vai vir a mim, pois era exatamente isso que ele fazia.

— Sinto informar, faz quase cinco anos que ele não vai a sua procura. E mesmo sendo só um amor momentâneo, eu quero estar ao lado dele durante esse tempo.

Donna riu, aquele homem que estava com seu filho era corajoso. Não se sentia intimidado por ela e por seu poder. E isso sempre lhe chamou a atenção. E pela primeira vez na vida, aprovou umas das escolhas de Jensen.

— E peço uma coisa, enquanto não estiver disposta a se desculpar e rever seus conceitos, não se aproxime de nós novamente!

Jared deu a ultima palavra, não deixaria que ela trabalhasse mais com a mente de Jensen. Só aquelas palavras já tinham feito um grande estrago. Sabia disso. E precisaria de tempo para curar as novas feridas. Tomou uma das mãos de Jensen entre as suas e o levou em direção a saída.

Jensen ainda estava confuso. Tinha acompanhado tudo o que ambos haviam dito. Sabia que deveria agir, mas não conseguia. Deixava-se levar por Jared, porque sabia que com ele estaria seguro.

Quando saíram do tribunal, Jared não pensou duas vezes antes de pegar o primeiro taxi. Levando-os para bem longe daquele fórum.

Nos últimos dias, tudo estava sendo difícil e muito complicado, Jensen já não conversava tanto como antes, e Jared estava tão preocupado com as audiências, que vivia lendo e relendo aqueles papeis que Michael havia lhe enviado.

Mas agora seria diferente. Eles estavam precisando de uma pausa também. Uma pausa para não pensar em tudo que estava acontecendo. E Jared já sabia onde levá-los.

O taxi parou em frente ao Central Park, entregando algumas notas para o motorista, Jared puxou Jensen para o lado de fora, forçando-o a sair do carro.

Jared sabia que Jensen ainda não estava totalmente preparado para uma saída assim, em um lugar onde haveria muitas pessoas, e pessoas que pudessem o reconhecer.

— Para onde vamos? – Jensen perguntou tentando puxar Jared de volta na direção do taxi, mas era inútil.

— Vamos para um lugar onde teremos alguns minutos em paz com a natureza!

Jared andava rápido, e o forçava a fazer o mesmo. Fazia muito tempo que não ia ao Central Park e estando ali, percebera que ele não havia mudado muito. Andavam por entre as arvores, chegando a um canto mais escondido. Um canto onde poucas pessoas estavam. Dava para perceber que aquelas pessoas estavam pouco ligando se eles estavam ali ou não.

Quando chegaram à metade da subidinha, Jared sentou-se no chão, mesmo de terno, e puxou o puxou para que fizesse o mesmo. Da onde estavam, tinham uma boa visão de alguns prédios, e de boa parte do centro do parque. Era relaxante escutar os risos das crianças, as conversas baixinhas de casais apaixonados. E o canto dos passarinhos que ficavam ali. E se olhassem para cima, as nuvens faziam vários desenhos. Tudo ali era calmo e reconfortante, assim como os braços de Jared em volta do seu corpo.

— Sempre que eu quero relaxar, me acalmar, esquecer o passado ou simplesmente curtir uma bela visão nessa selva de pedra... Eu venho pra cá. – Jared falava baixinho em seu ouvido. E a voz dele era como calmante. – Quando eu era pequeno, foram poucas as vezes que meus pais me trouxeram para Manhattan. E foi aqui que meu pai me trouxe quando minha mãe e a Meg saíam para fazer compras. E nesse mesmo local; A cidade, as árvores, tudo que temos aqui, conversou comigo. E eu sabia, desde aquela época, eu seria mais um morador dessa grande cidade. Meu objetivo era New York. E foi esse o local que me salvou várias vezes de entrar em parafuso.

Jensen realmente não sabia o por que, de Jared estar lhe contando aquela parte da sua história, mas ela era bonita, ainda mais por estar lhe mostrando seu lugar especial. O fez perceber que Jared conseguira atingir seu objetivo. E mudando o foco de seus pensamentos o fez esquecer um pouco da conversa que tivera com sua mãe. Não queria continuar pensando nela.

— Eu não quero que você se feche de novo, não quero que você volte ser aquele Jensen que eu conheci nos primeiros dias na cabana. Mesmo ele sendo o mais sexy, - Jared sorriu, mas logo voltou ao tom sério. – não quero que você se feche dentro de você só porque encontrou sua mãe novamente. Eu sei que é difícil. Só que também sei o quanto você progrediu nesses últimos tempos. Você não saia quase de casa Jensen... E agora você está em Manhattan. Você está morando em um apartamento no centro de New York. Não posso deixar que ela bagunce seu mundo novamente apenas com palavras.

Jensen concordou com a cabeça, não confiava em sua voz para respondê-lo. Jared o conhecia bem demais, muito mais que qualquer outra pessoa; e era por isso que ele estava ali, salvando-o de si mesmo. Fez com que Jared apertasse ainda mais os braços dele em sua cintura. Não queria sair dali nunca mais.

— Eu sei que você ainda não está preparado, mas não tem como estarmos preparados para tudo. Você precisa pelo menos aceitar a idéia de que as coisas vão acontecer. A vida não espera. – Jared fez que Jensen o olhasse nos olhos e o beijou levemente. – Por isso não deixe que o medo tome conta, ok?

Jensen balançou a cabeça afirmando, ou pelo menos tentando afirmar para Jared que não deixaria o medo tomar conta. Só que depois daquelas palavras, sentia-se leve novamente. Jared sempre sabia o que falar para acalmá-lo.

E aquela magnífica vista estava acalmando-o também. Desde que se mudou para New York, aquela era a primeira vez que de fato, apreciava as belezas da cidade.

— X —

Pensou que Jared iria estar ali quando voltasse, mas se enganou. E pelas contas, sem ser aquela, a próxima seria sua ultima audiência. E mesmo antes de receber o veredicto, já sabia qual seria ele. Pois, muitos dos processos antigos por falta de prova estavam sendo reabertos, muitos dos seus antigos sócios estavam voltando para acusá-lo e vê-lo atrás das grades.

Ajeitou-se na cadeira onde estava sentado ao lado de seu advogado, tentando sentir-se confortável, mas estava impossível. Desde a primeira audiência, que eles colocaram dois oficiais cuidando para que não sumisse. Achava tudo isso um grande exagero, afinal estava dentro de um fórum, e fora dele, não teria para onde ir. Não tinha mais trabalho, todas suas contas bloqueadas, e todos os seus bens apreendidos. Não sabia por que, mas uma vontade insana de rir daquela situação tomou conta de seu ser. Agora entendia como Jared se sentia sempre que ria daquela forma, mas estava dando graças, enquanto ainda não estava preso.

Queria poder sair e gritar.

Principalmente agora que se encontrava sozinho. Nem mesmo seus capangas estavam lhe atendendo mais. Eles não queriam mais prestar serviços para uma pessoa que estava a um paço de se enforcar. Entendia isso, mas ainda esperava que eles fossem fieis, até o ultimo segundo, mas enganou-se.

E as horas dentro daquela sala estavam matando-o. Nunca deveria ter contratado Sheppard como seu advogado. Ele não estava fazendo seu dever direito. E ele saia caro. Muito caro.

Talvez, se fosse uma pessoa boa, se fosse uma pessoa séria em seus propósitos, e em nenhum segundo se deixasse desviar da verdade e das coisas certas, talvez ainda estivesse com Jared. Foi isso que percebeu ao olhar para Jeffrey fazendo as acusações contra si.

Ele sim deveria ter sido seu advogado. Uma pessoa de caráter e verdadeira.

Sua vida estava toda errada, e nada poderia mudar isso agora. Inocente até provarem o contrário. E estavam conseguindo provar tudo.

Até mesmo sua coragem de bater de frente com Jensen e Jared já não existia mais. Existia o orgulho que não o deixava ficar quieto quando os via, mas a coragem fugiu com o rabo entre as penas… E era assim que se sentia.

Viu o martelo de Juiz bater no alicerce, e suspirou cansadamente.

— Daqui dois dias será o julgamento. – Sheppard repetiu as palavras do Juiz olhando para Tom. O rosto do advogado não mostrava um sorriso se quer, não era animador vê-lo daquela forma.

— Eu ouvi. – Tom estava mais áspero que o normal. E em sua vida não estava nada diferente. – Só quero que isso acabe logo.

Sua vida estava muito pior que o usual. Ter que ver Jared e Jensen nas capas de revista e jornais quase todos os dias, estava lhe enlouquecendo. Quando Jared estava com ele, as coisas eram diferentes, não podiam falar para ninguém sobre o que estavam tendo, mesmo que Tom quisesse gritar para os quatro cantos da Terra que estava ao lado da pessoa que amava, ele não podia. Jared não o deixava.

Só que agora, Jared não se importava em aparecer de mãos dadas com o Ross. Ele não se importava de ser flagrado beijando-o, acariciando-o. Ler os comentários sobre o casal gay do ano. Tudo aquilo estava lhe cansando muito. A raiva o consumia de tal forma, que só o cansaço sobrava em seu corpo.

Tentara de todas as formas culpar Jared, colocando-o como seu cúmplice, mas sempre que Mark tentava fazer uma acusação informal, tentando plantar provas ou coisa parecida, o Morgan estragava tudo com suas palavras sabias e mostrando a todos que Jared não passava de um brinquedo nas mãos de Tom, na época em que estavam juntos. E depois que não estavam mais, Jared sempre manteve-se o mais distante possível de Tom.

Em tudo isso que estava pensando, não sabia como ainda não estava morrendo de dor cabeça. Jared era uma doença em sua vida. E foi então que começou a rir sozinho.

Nos últimos seis anos, nunca havia pensado assim. Jared como o amor da sua vida. Como a pessoa certa para ficar ao seu lado o resto de seus dias. Como a única pessoa que lhe faria feliz, mas não como doença, jamais.

E vendo tudo o que estava acontecendo consigo, só por causa da sua obsessão por ele, lhe fez perceber que Jared lhe trouxe mais tristezas do que prazeres. A primeira vez que ele sumiu. Lembrava como se ainda fosse hoje, havia chorado como uma criança. Sentia um buraco enorme em seu peito. Esse buraco ainda existia, mas agora sabia que ele não poderia ser completo por Jared.

E no caminho pra casa, sendo levado pelos oficiais que estavam tomando conta de si, chorou e riu sozinho. Pouco se importando com o que eles estavam achando.

— X —

Quando chegaram ao apartamento, não estranharam a presença de Jeffrey sentado no sofá que ficava de frente para a porta de entrada.

— Vejo que estão de bom humor. – falou o mais velho, irônico. Jeffrey sempre fora bom observador, mas com eles, ele não precisava disso. Ele sabia que alguma coisa estava errada – Eu devo me preocupar?

— Não sei, deveria? – Jared perguntou para Jensen que só balançou a cabeça negativamente.

— Eu realmente acho que devo me preocupar, pois acho que sei o que aconteceu! – o moreno olhou diretamente para Jensen. – Também me encontrei com Donna.

Jared pode ver o sorriso que adornava os lábios de Jensen sumir ao escutar o nome da mãe ser pronunciado.

— Ela me disse o quão desrespeitoso foi o homem que está com você no momento. E ela não aprova seu relacionamento. – Jeffrey falava as coisas e dava de ombros como se as palavras da mãe de Jensen não importassem. – Bem... Não importa, eu aprovo seu relacionamento.

— Jeffrey, você veio aqui só para dizer isso? – Jared estava incrédulo. Jeffrey sabia que Jensen ficava aflito quando mencionavam a mãe, ou quando a encontravam, e ele estava ali somente para tirar com a cara dos dois... Não podia acreditar nisso.

— Não, estou aqui para fazer meu papel de amigo, e mostrar para Jensen que ele não precisa se preocupar com o que ela faz ou diz, porque ele tem a nós. Eu, Sam, Jim, Paul, você e muitas outras pessoas que gostam dele pelo o que ele é. E que ele não precisa fazer nada para que nos gostemos dele. Já a Donna, não se tem como agradar. Ela vai perceber um dia como está errada... Só espero que não seja tarde demais.

Jensen não esperava uma declaração daquelas de Jeffrey.

— Agora vamos, Sam está fazendo seu jantar predileto! – Jeffrey olhou para Jensen e fez uma careta. – Lanches. E com direito a manteiga de amendoim.

Um sorriso iluminou o rosto de Jensen levando de encontro à porta novamente. Não entendia como as pessoas ao seu redor poderiam se sacrificar tanto, ou simplesmente fazer inúmeras coisas, pelo simples fato de vê-lo bem e fazê-lo feliz.

— O que vocês estão esperando? – perguntou ao Jeffrey e ao Jared que permaneceram parados em meio à sala. – Eu vou, e vou deixá-los para trás.

E sendo seguido pelos dois, percebeu que, importante, eram as pessoas que estavam ao seu lado, lutando por ele e com ele todos os dias que tinham direito de mexer com suas emoções. E pensando assim que percebeu, tendo todos seus amigos, Sam, Jeffrey e principalmente Jared, era o homem mais sortudo do mundo.

Se não, o mais feliz.


N/A: Olá, Olá! Quanto tempo, não? Saudades de deixar uma nota de final por aqui...

Eu disse que não iria desistir e não desisti. Me perdoem pelos erros, me tudo mais, mas não quis esperar mais e já postei o capitulo. Caso tenha algo, por favor, me avisem, ok?

Senti muitas saudades de vocês! Sério. Obrigada por ler até aqui.

Temos somente mais um capítulo pela frente. Esse e o próximo já estavam prontos, porém, faltava betagem e meu pc da época deu pau e consegui recuperar os documentos do HD somente esses dias. \oo/ - Amém.

Espero algumas reviews, e assim que eu conseguir reaver o outro capítulo, já posto também para dar essa fic como finalizada! Obrigada mesmo!

Seeya ~~