Antes de vocês lerem, um pequeno aviso: tenho um grupo no facebook, junto com mais duas escritoras que eu amo, onde coloco avisos das minhas postagens, trechos inéditos entre outras coisas. É uma maneira legal de estar mais próxima de vcs, lá vocês podem tirar suas dúvidas, comentar e pentelhar o quanto quiserem por novos capítulos (não garanto sucesso hauhauha). Não deixem de se juntar a nós :) Aqui está o link: groups/1779275052355810/
Além disso, para aqueles que preferem, eu também posto essa história no Nyah (está até mais adiantada por lá) com o mesmo nome.
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Os meses de férias se arrastaram, eu nunca quis tanto que as aulas começassem. Passei aquela infinidade de dias vagando pelos incontáveis cômodos da minha casa. Eu percebi que meus pais me olhavam meio desconfiados, estranhando - da mesma maneira que o Albus havia feito - que eu estava mais quieto do que o normal. No dia de voltar a Hogwarts, eu quase nem dormi direito, levantei antes do sol e já estava mais do que pronto quando minha mãe veio me chamar para o café da manhã. Ao chegar à estação, meus olhos foram atraídos imediatamente para a pessoa que eu mais queria ver. Mesmo com ela estando longe, em meio aos pais, eu podia ver como ela continuava linda, os cabelos soltos brilhando com o pouco sol disponível. De repente ela levantou o rosto e nossos olhos se encontraram, me sobressaltei por ser pego olhando tão atentamente e desviei o olhar tentando disfarçar, por sorte a minha mãe entrou na frente da minha linha de visão, passando a mão pelos meus braços antes de me dizer baixinho.
-Então essa é a garota que deixou o meu filhote todo pensativo nas férias? - ela me olhava com a certeza de quem conhecia a minha alma.
-Hã? - eu não sabia como responder àquilo.
-Escolheu bem, querido, ouvi coisas ótimas sobre ela - sua voz tranquila era embalada pelo sorriso que sempre me lembrava de casa.
-Ouviu? Quer dizer, não! Nada a ver, mãe.
-Diz para a Rose que eu mandei um beijo - ela provocou ante de me abraçar e se despedir.
Minha mãe era muito perspicaz para o meu próprio bem, eu só esperava que ela não decidisse contar essa descoberta particular para o meu pai, pois eu não sabia ainda como ele reagiria a isso, não existia muito amor entre ele e os pais da Rose. A surpresa do dia não parou ali, um tempo depois que eu e o Albus nos encontramos e nos acomodamos em uma das cabines do trem, a porta foi aberta revelando a Rose.
-Al, a tia Gin mandou essa mochila, você esqueceu na plataforma - ela jogou a mochila para ele e sentou ao seu lado, o que por si só já era estranho - ela estava furiosa, sempre esquecendo as coisas, seu cabeçudo - ela deu um tapinha nele, que mostrou a língua de volta, antes de adicionar como se não fosse nada - Oi, Scorpius.
-Oi - eu tive que me conter para não rir com as caretas de surpresa que o Albus fazia em minha direção.
Ela ainda ficou um tempo conosco, comendo os doces que eu sempre trazia, então da mesma maneira que chegou, ela saiu: do nada.
-Só eu achei isso estranho? - o Albus perguntou assim que a porta fechou.
-Não, e olha que eu queria ela aqui - respondi e acabamos rindo juntos.
Eu precisava falar com ela a sós para conseguir determinar com que Rose eu estava lidando. Eu esperava a Rose brava e fujona de sempre, mas parecia que as coisas haviam mudado durante o verão. Infelizmente, eu não tive oportunidade até depois do jantar. A cerimônia de seleção não permitia nossa movimentação no salão e aquele maldito chapéu não quis fazer a minha vida mais fácil nos colocando na mesma casa. Assim que fomos liberados para nos recolhermos em nossas casas eu corri para alcançá-la, mas o mar de estudantes entre nós não me permitiu o contato, eu teria que tentar novamente no próximo dia.
Após o café da manhã seguinte, eu fui encontrá-la e, novamente pela minha surpresa, ela me cumprimentou e nem se importou de eu caminhar ao seu lado enquanto fazíamos o caminho em comum para a nossas primeiras aulas, que embora não fossem da mesma disciplina, ficavam no mesmo andar.
-Então você não me evita mais? - perguntei em tom debochado.
-Alguém me disse que só se evita quem significa alguma coisa, não quero dar a impressão errada para ninguém - ela deu de ombros sem nem olhar para mim.
-Não estou reclamando… ainda mais se você quiser me dar a resposta para a pergunta que te fiz antes das férias - agora eu estava abusando da sorte, mas tudo estava indo tão bem que resolvi apostar alto.
-Pergunta? Que pergunta? - ela parou em frente a uma das estátuas horríveis que enfeitavam a escola, me encarando com a sobrancelha levantada.
-Nem vem com essa, Rosie - mais uma aposta ao chamá-la por seu apelido - eu sei que você não esqueceu - dei um passo à frente chegando mais perto dela.
-Ah, essa pergunta… - ela revirou os olhos, mas os lábios tinham um pequeno sorriso - já te avaliei direitinho não preciso de mais amostras, mas quem sabe? Você até que beija bem - ela olhou para os dois lados rapidamente, me deixando sem entender a atitude, e mais rápido ainda, me deu um selinho e saiu andando.
Fiquei aturdido no lugar, sem mover um músculo, eu nunca conseguia prever direito as reações dela. Antes de virar no outro corredor, ela ainda olhou para trás e disse:
-E nada de me chamar de Rosie! - o tom foi o autoritário de sempre, mas os olhos dela me contavam outra história.
A nossa relação passou a apresentar um contorno diferente naquele novo ano letivo. Ela voltou a se fazer presente quando eu e o Albus convidávamos e já não me evitava nos momentos em que eu procurava a sua atenção. Ela manteve firme a opinião de que não precisava de mais amostras dos meus beijos, mas o sorriso irônico que eu recebia toda vez que o assunto surgia, me mostrava que ela pensava e muito no que tinha acontecido entre nós, eu precisava apenas de mais tempo e paciência para convencê-la a repetir a cena. Passamos a conversar mais, e mesmo que ela tenha se mantido longe, ela aceitou estudar ao meu lado quando me encontrou na biblioteca, ao meu ver tudo estava indo muito bem, apesar da falta de beijos ou de contato real entre nós, chegaria a hora.
O momento de conseguir tê-la bem perto de mim se apresentou com o anúncio do baile de inverno que a escola ofereceria naquele ano. Todos os alunos entraram em estado de animação extrema com a oportunidade de passar uma noite diferente e eu sabia que só tinha uma pessoa que eu gostaria que fosse comigo. Para não parecer muito afoito, eu esperei uma semana para abordar o assunto com a Rose.
-Você vai mesmo convidar a Rose? - o Albus perguntou antes que eu fosse falar com ela.
-Claro. Ela está bem mais receptiva esse ano - sorri.
-Isso não quer dizer que ela vá querer ir com você, ainda mais para todo mundo ver.
-Albus Potter, mais conhecido como o poço de otimismo!
-Só estou sendo realista.
-Bom, se eu não perguntar não vou saber, certo?
Sem esperar pela resposta, eu levantei da mesa e fui esperá-la sair da aula onde eu sabia que ela estava. Ao me ver, ela deu um sorrisinho, mas continuou em frente com duas amigas do lado. Fui em sua direção em a chamei para conversar.
-O que você quer, Scorpius? - eu já estava feliz com a aceitação em falar comigo, abri a porta da sala ao lado e pedi para que ela entrasse - não tenho muito tempo, do que se trata?
Era bem mais fácil convidá-la na minha mente, mas eu não tinha ido até lá para fazer papel de bobo e não falar nada.
-Você deve estar sabendo do baile de inverno que vai ter em duas semanas…
-Claro, tenho olhos e ouvidos - ela respondeu sem rodeios.
-Então… eu queria saber se você quer ir comigo. - fiz o maior esforço do mundo, mas não desviei meus olhos dos dela. Meu estômago era um nó só, e eu sentia o meu pulso acelerando com a ansiedade pela resposta.
-Ir com você? Claro que não, não sou sua namorada - ela falou de modo tão descontraído que doeu mais ainda, porém eu não deixaria transparecer, não tinha necessidade de esfregar a minha própria cara no chão.
-Ok - dei de ombros como se tivesse perguntado qual seria o tempo amanhã.
-E eu nem gosto de você assim, Scorpius, não queremos dar a impressão errada, certo? - ela completou.
Tinha uma diferença muito grande em pensar que a garota que você gosta, não pensa em você da mesma forma e ouvir isso em alto e bom som. Eu usei todo o poder de dissimulação herdado da família Malfoy e apenas assenti antes de responder.
-Sem problemas - ela pareceu meio confusa com a minha reação, mas não falou nada - já vou indo, deixei o Albus me esperando, te vejo mais tarde.
Naquele momento, eu preferia não vê-la por um bom tempo, não era como se eu não estivesse acostumado com recusas e patadas por parte dela, mas acabei me deixando levar pela nova simpatia e realmente achei que ela aceitaria. Cheguei na sala comunal com o coração batendo apertado e a cara fechada.
-Já vi que ela não aceitou - meu amigo falou assim que eu entrei no dormitório e me joguei de costas na cama colocando o braço sobre o rosto.
-Que perceptivo, como você adivinhou? - respondi cáustico.
-Se ela tivesse aceitado, teriam corações pulando dos seus olhos e não essa tromba na sua cara.
-Você é tão engraçado, Potter…
-E você um amigo ingrato, Malfoy! Te falei que isso ia acontecer.
-Não precisa ficar me lembrando.
-E agora, ainda vai ao baile? - o Albus indagou.
Eu não tinha pensado nisso ainda. Quem eu queria como companhia tinha recusado o meu convite. Por causa disso eu ia me privar de comparecer ao evento? Não mesmo! Claro que eu preferiria ir com a Rose, mas já que ela "não era a minha namorada" como fez o favor de colocar de maneira tão enfática, eu convidaria outra pessoa. Não era como se ela fosse se importar, e se se importasse, melhor ainda.
-Vou, e quer saber? Vou resolver isso agora! - pulei da cama com uma nova onda de ânimo,
-Hã? Como assim?
-Já volto - não respondi ao olhar inquisidor dele, apenas ajeitei a minha gravata que tinha saído do lugar com o movimento de me deitar e fui novamente em direção à sala comunal.
Ali, sentada numa cadeira perto da lareira, estava a segunda garota que eu convidaria para ir ao baile, e tudo foi mais fácil dessa vez. As palavras não ficaram engasgadas na minha garganta, quando não se tem nada a perder, o nervosismo não existe. A resposta dela foi também mais fácil e agradável, recebi um sim sorridente e pude voltar para a minha cama um pouco menos contrariado.
-Pronto, já tenho par.
-Quem? - meu amigo quis saber imediatamente.
-A Polly.
-Polly Chapman? Scorpius!
-O que foi? Ela sempre fica olhando pra mim… e além de tudo é simpática e bonita.
-Linda ela é mesmo, agora simpática? Ela está é atrás dos seus genes Malfoy, isso sim!
-Isso não importa, ela aceitou e pronto, pelo menos não jogou na minha cara que não gosta de mim - resmunguei amargurado.
-Ah, então a cara feia é por isso… - ele me olhou com simpatia - Scorpius, você sabe como a Rose é, ela não vai mudar…
-Sim, eu sei como ela é, e por isso doeu mais… ela não precisava ter dito isso, Albus! Qual era o problema com só recusar?
-Aí não seria ela, você sabe que com aquela ali é sempre o trabalho completo, mesmo quando o assunto é esmagar corações.
-Bom, tanto faz - dei de ombros, tentando convencer a mim mesmo - eu vou ao baile de qualquer jeito, ela que se vire para achar alguém que ature aquela língua afiada.
Não nos falamos nem uma vez durante as semanas que levaram ao baile, afinal o que eu tinha a dizer? Ela deixou bem claro o que pensava de mim, e mesmo que eu não tivesse desistido, estava precisando de um tempo para recompor as minhas reservas de paciência e esperanças. Na tarde do baile nos recolhemos bem cedo aos nossos dormitórios para começar a nos arrumar. As vestes formais eram mais complicadas de colocar, e nem eu nem o Albus estávamos acostumados com elas. Pelo menos demos sorte de nossas roupas serem pretas e de bom gosto, no final acabamos parecendo versões mais sofisticadas de nós mesmos.
-Olha só, e não é que você até tá parecendo gente, Scorpius? - zombou o Albus, assim que eu terminei de ajeitar o meu cabelo.
-Você também não está mal - rimos em uníssono da piada que era estarmos tão bem vestidos.
No horário que combinamos, fomos buscar as nossas companhias. A Polly esperava por mim na sala comunal, muito bem vestida num vestido verde. Quase me espantei com o olhar que ela me lançou, era estranho ver refletido no semblante de alguém a satisfação com a minha chegada. Dei o braço a ela e partimos em direção ao salão principal. A garota que o Albus tinha convidado era da Crovinal, então eles se encontraram no caminho. Entramos os quatro juntos no local que estava todo enfeitado para o acontecimento.
A noite estava até sendo divertida, comemos e bebemos das mais variadas opções à nossa disposição. O salão estava apinhado de alunos conversando e dançando. Assim que a música começou a ficar mais animada, a Polly pediu para dançar e eu aceitei, mas fiz questão que ela soubesse que eu não tinha a menor ideia de como dançar.
-Não tem problema, eu te ensino - ela falou sorridente, me puxando pela mão.
Achamos um lugar na pista de dança, ela passou meus braços pela cintura dela, colocando os dela em volta do meu pescoço. Começamos a nos mover no ritmo da música, e até que eu não era tão ruim naquilo. Consegui me soltar e a aproveitar o momento. Em uma das voltas que demos, meus olhos se encontraram com a pessoa que, se dependesse de mim, estaria nos meus braços agora. A Rose estava parada com um copo na mão simplesmente linda. O vestido prateado ressaltava ainda mais os cabelos vermelhos e se ajustava com perfeição ao corpo dela antes de cair em movimentos esvoaçantes até o chão. Me forcei a tirar os olhos dela, porém foi inútil, ainda mais quando vi que ao seu lado, estava um dos alunos da Grifinória e, pela mão que ele havia pousado em seu corpo, tinha ido como seu par.
Eu sabia que não tinha nenhum cabimento, mas aquilo me enfureceu. Ela recusou o meu convite para ir com aquele cara que todo mundo sabia ser um babaca? Não conseguia colocar nem duas sentenças em ordem de coesão. Não sei se ela me viu ou não, mas eu não queria nem saber. Se era daquele tipo de pessoa que ela gostava, realmente eu não tinha chances, pontos de qi não eram algo que desse para perder. Decidi que ia aproveitar a minha noite e não pensar mais nela. Eu tinha uma garota linda nos braços e que, diferente de uma certa outra, parecia muito feliz com a minha presença.
-Acho que cansei de dançar… - ela falou ao meu ouvido - quer ir para outro lugar?
-Pode ser - concordei.
Perguntei onde ela queria ir e ela apenas respondeu para eu segui-la, então foi o que eu fiz. Saímos do salão, deixando a festa toda para trás.
-Não quer mais ficar na festa? - perguntei achando aquilo estranho.
-Estava muito abafado e barulhento lá, prefiro ficar onde podemos… conversar - ela me deu um sorriso enigmático, antes de achar uma sala destrancada e me puxar para dentro.
-Bom, aqui está bem tranquilo… sobre o que você quer conversar? - perguntei.
Ela apenas riu, levou as mãos ao meu rosto antes de dizer.
-Talvez seja melhor não dizer nada - o tom de voz, o olhar provocante e a pressão dos dedos dela no meu rosto já me diziam exatamente o que ela ia fazer.
A Polly ia me beijar. Por um instante, um vislumbre da garota de vestido prateado passou pela minha mente, mas eu me livrei logo dele, eu e a Rose não tínhamos nada, como ela bem gostava de repetir, então por que eu não podia aceitar alguém que realmente quisesse me beijar? Os lábios dela tocaram os meus e eu estranhei a diferença que era para a outra boca que eu já tinha beijado. Mais um pensamento que foi jogado fora. Ela era decidida e se colou contra mim. Num gesto automático, levantei as mãos para a cintura dela. A pressão dos seus dedos em meus cabelos e a voracidade daquela boca, me diziam que ela estava gostando, mas eu não conseguia sentir nada além de estranheza, não tinha pulso acelerado, frio na barriga, fôlego entrecortado. Eu estava prestes a me afastar quando escutei o que eu jamais pensei que escutaria naquela noite.
-Scorpius! - a Rose estava a alguns passos de nós, eu nem a tinha percebido entrando.
Seu olhar estava furioso e fixo em nós, a Polly afastou a boca de mim e a olhou de cima a baixo.
-Quer dar licença, querida? Estamos ocupados - o tom condescendente da Polly foi o que bastou para fazer as faíscas nos olhos da Rose pegarem fogo e me deixar mais confuso ainda.
-Não, não dou - ela andou até nós e me encarou - preciso falar com você, agora!
Eu abri a boca para responder, mas a Polly foi mais rápida.
-Olha, faz o favor de ir procurar o seu par e não estragar a festa dos outros! - ao ver a Rose apertando os olhos, eu sabia que nada de bom aconteceria, porém não estava preparado para o que ela de fato fez.
A Rose se adiantou em direção a menina, que ainda estava em meus braços, colocou as mãos entre nós nos empurrando em direções contrárias. Acabei cedendo contra a pressão dos dedos dela, para que ninguém se machucasse, porém a Rose agarrou a Polly pelo braço e praticamente a arrastou até a saída, onde deu um empurrão e bateu a porta sem cerimônia, ainda se dando ao trabalho de tirar a varinha da bolsa e murmurar um encantamento para trancar a sala. O que tinha dado na Rose? Não consegui entender nada. Ela se virou novamente para mim e veio batendo o pé até ocupar o lugar a minha frente.
-O que foi isso, Rose?
-Não, quem pergunta aqui sou eu! O que você estava fazendo com essa garota? - o olhar reprovador me perfurava, mas com que direito ela vinha até ali exigir explicações?
-O que pareceu que eu estava fazendo? - respondi fechando a cara.
-Se agarrando com aquela sonsa.
-Exatamente - rebati irônico fazendo-a ficar ainda mais brava.
-Até que enfim ela conseguiu colocar as mãos em você, tentou bastante, ela deve estar morrendo de felicidade - ela destilou a insatisfação.
-Não sei do que você está falando, eu apenas a convidei para o baile e ela aceitou - coloquei ênfase na última palavra pois era exatamente o que ela não havia feito.
-Qual é o seu problema?
-Meu problema? Você que veio aqui toda alterada,,.. pensei que me queria longe.
-Você… - ela bufou, extravasando a raiva - como você convida essa garota?
As reações dela estavam me deixando perigosamente esperançoso de novo, por mais que eu ainda estivesse irritado com a prepotência dela de achar que tinha qualquer direito a saber da minha vida, aquele interesse todo estava me soando extremamente como um ataque de ciúmes, e o meu coração idiota não conseguia parar de desejar que fosse verdade.
-É simples, você chega, pede e a pessoa diz uma palavrinha muito difícil pra você: sim! - provoquei, agora já tentando conseguir mais provas de que ela estava ali movida por nada menos do que ciúmes.
-Você falou que gosta de mim! - ela vociferou me acusando com os olhos, seu rosto agora bem próximo ao meu.
-E você que não gosta de mim - dei de ombros, permanecendo no lugar.
-Isso não vem ao caso.
-Ah, não? Então por que você está tão brava com isso? - levantei a sobrancelha, lançando o desafio.
-Eu… - ela ficou alguns instantes sem palavras, meu coração já martelando nos meus ouvidos, mesmo que eu ainda estivesse conseguindo esconder a minha satisfação com aquela cena - você não pode gostar de mim e sair beijando outras garotas - ela declarou por fim.
-Você não pode dizer não para o meu convite e depois sumir com o meu par, não é assim que funciona.
-Você nem liga para aquela garota! - ela não daria o braço a torcer, não seria ainda aquele o momento em que eu escutaria o que eu realmente queria ouvir, mas por hora resolvi que era o suficiente.
-Não mesmo - a minha afirmação repentina quebrou a linha de argumentos dela, deixando-a mais uma vez sem palavras.
Eu não ia mais ficar esperando, venci o último passo que nos separava e colei a minha testa na dela, que agora olhava diretamente nos meus olhos, e para minha felicidade sem se afastar. Nossas respirações se misturavam, e eu notei que a dela já estava tão descompassada quanto a minha.
-Isso aqui não é nada, Scorpius! É só que seus beijos são melhores do que os daquele babaca que me convidou - eu quase ri da desculpa, mas achei melhor não.
-Devia ter aceitado quando eu te chamei então - falei em tom displicente, afundando os dedos na cintura dela.
-Não tire conclusões erradas disso, Scorpius.
-Jamais.
Ficamos paralisados por alguns instantes, absorvendo o que estava acontecendo, até que ela quebrou o silêncio.
-Ela bagunçou o seu cabelo - a Rose murmurou me parecendo ressentida.
-E isso é crime? - brinquei
-É!
-Então você deveria ir presa também - respondi sorrindo
-Não, eu posso - ela sorriu também, antes de levar a mão aos meus cabelos e prender a minha boca num beijo.
X-X-X-X-X
E então o que acharam? Eu particularmente amo esse capítulo que tem essa cena final da Rose toda enciumada! Bem abusadinha de jogar o par do Scorpius pra fora, né? Mas ela ainda não consegue entender o que sente, vamos ver o que o lindinho do Scorpius faz para ajudar.
Já adianto que o próximo capítulo é um dos meus favoritos e foi todo escrito com intenção de arrancar muuuuitos suspiros s2
Não se esqueçam de me dizer nos comentários todas as suas opiniões e pensamentos, adoro ouvir o que vocês tem a dizer.
Bjus
