Disclaimer: As personagens originais desta fanfic são minhas, mas os cavaleiros pertencem a Masami Kurumada. Respeitem nossos direitos autorais viu? Não tenho nenhuma finalidade lucrativa com esta história. Neste capítulo a musica incidental é: "Romance Ideal" dos Paralamas do Sucesso.O QUE PODE MUDAR A SUA VIDA?
Capítulo II- Raízes do Passado
Aioros nunca se sentiu satisfeito diante do sofrimento alheio. E ao perceber aquela moça tão frágil quanto uma flor no meio do deserto deixando escapar tantas lágrimas daquelas duas ônix negras que eram seus olhos, sentiu-se obrigado a ir em seu auxílio imediatamente.
_ Está tudo bem com você?
Ela é só uma menina
E eu pagando pelos erros
que eu nem sei se cometi
Ela levanta o rosto e enxuga uma de suas lágrimas com as costas da mão, enquanto ri da pergunta que ele fizera.
_ Sei que é uma pergunta idiota a se fazer para alguém que está chorando, mas seu eu puder ajudar...
Sofia solta um suspiro, tentando se recompor e encorajar-se para falar com o estranho.
_ Acho que sobrevivo.
_ Meu nome é Aioros.
Ele lhe estende a mão e após alguns segundos de dúvida, a garota retribui o gesto.
_ O meu é Sofia.
_ Você e o Miro são amigos? – ele faz uma pausa e pigarreia. - Desculpe, sei que não é da minha conta.
_ Primos. Os tios dele me adotaram quando eu era bebê. E você deve ser... – a menina olha com atenção para a armadura que ele usava - ... O cavaleiro de Sagitário. É uma grande honra conhecê-lo.
Ela curvou-se respeitosamente, mas as lágrimas ainda insistiam em brotar de seu rosto, tão independentes e constantes quanto o vento, fazendo de sua luta para secar o próprio rosto, uma tentativa vã.
_ Perdoe-me pela indiscrição, mas me intriga vê-la do lado de fora da casa e ainda por cima tão perturbada. Será que posso ajudá-la?
_ Está tudo bem, só estou um pouco arrependida de ter vindo. Mas que isto fique entre nós.
A menina faz uma careta engraçada ao dizer a última frase.
_ Como quiser, senhorita. Mas se me permite a pergunta, qual é a razão de seu arrependimento?
_ Por favor, me chame de Sofia. Não aconteceu nada, mas é exatamente esse o problema.
Sua expressão tornou-se séria e ela desistiu de enxugar o rosto, baixando o olhar.
_ Desculpe-me se a estou incomodando.
_ Não está. Mas acontece que... É melhor que eu não diga mais nada.
Ela é só uma menina
E eu deixando que ela faça
o que bem quiser de mim
Neste momento ela se afasta não só da presença do cavaleiro, mas da porta da casa de Miro, como se isto também pudesse afastá-la de seu problema. Aioros a acompanha, mantendo ainda um certa distância mas usando de um tom de voz um pouco mais baixo e cúmplice.
_ Isto por que tem algo a ver com Miro ou com o fato de este anel não estar em seu dedo?
Ela volta-se para a direção de Sagitário, com um sorriso rápido e de ar cansado, os olhos ainda úmidos. Mas havia uma luz naquele sorriso que permaneceria na memória de Aioros para sempre.
_ Você é insistente.
_ Se quiser me contar, ficará apenas entre nós. Mas posso jurar que aquele Escorpião teimoso aprontou alguma com você.
Sofia tentou conter-se, novas águas inundaram seus olhos sob efeito da frase de Aioros. Ela cobriu parte do rosto com uma das mãos, virando-se para sol e tentando respirar mais pausadamente. Agora o jovem podia ver o quão grande era a perfeição daqueles traços: seu rosto deveras teria sido esculpido por Deus com afinco. Mas quão profunda também era aquela melancolia, talvez guardada consigo até o presente momento. Quando deu por si, já a envolvera pelos ombros. Ela pareceu sensibilizada e cobriu ainda mais o rosto, entregue a própria emoção e soluços involuntários. Por um longo tempo ele permaneceu em silêncio, esperando que ela se acalmasse.
_ Eu vou sempre ser a "priminha", a maldita "priminha" que não larga do pé dele. Eu sou mesmo uma idiota de achar que ele me enxergaria algum dia.
Aquela frase fez com que as coisas começassem a fazer algum sentido para Aioros. A bela grega estava apaixonada por seu amigo Miro e sentia-se impedida por seu parentesco e talvez também pela idade.
_ Bobagem. Tenho certeza que você não é nenhuma idiota.
Os soluços continuavam. Sagitário se sentia cada vez mais um intruso que não estava ajudando em nada e já não sabia o que fazer, quando uma pergunta escapou de sua boca.
_ Desde quando você o ama?
A pergunta era ousada. Mas a surpresa foi do cavaleiro de ouro que a fez, porque recebeu dela uma resposta imediata e sincera, de uma voz ainda embargada pelos sentimentos que a tomavam.
_ Desde quando ainda era uma criança desengonçada e via nele o herói mais perfeito e bonito do mundo. Desde que ele se foi, está sempre nos meus sonhos e até nos meus pesadelos, quando o vejo morrer numa batalha horrorosa.
Aioros a apertou mais forte com aquelas últimas palavras. Imaginou se aquele pesadelo teria sido uma visão da real morte que o companheiro sofrera. Ficou ali a indagar-se o que ela diria ou pensaria, se descobrisse que todos ali já haviam morrido em batalha e seriam apenas fantasmas - não fosse pela piedade de Athena. Sofia revelava nutrir um amor tão puro pelo cavaleiro de Escorpião, um sentimento tão natural e verdadeiro... Que por um instante ele realmente desejou que fosse recíproco. Porque era exatamente o que seu amigo merecia depois de voltar dos mortos: uma vida que não se resumisse a proteger o Santuário de Athena e alguém que se importasse realmente com ele.
_ Achei que vindo aqui, esta minha obsessão acabaria ou... Que ele me olharia diferente. Mas nada mudou para mim e pelo visto muito menos para ele.
Se eu queria enlouquecer
essa é a minha chance
É tudo que eu quis
Se eu queria enlouquecer
Esse é o romance ideal
Naquele momento, Sagitário se indagou como seria possível que Miro não a tivesse olhado com espanto e encantamento. Logo ele que era tão atento a beleza feminina, não devia ter deixado isto passar, ainda que ela fosse sua prima. E também não conseguia entender qual era o real problema com sua idade.
_ Não é pergunta muito educada a se fazer a uma mulher, mas... Quantos anos tem?
Aos poucos Sofia pareceu se acalmar, mas ainda tampava parte do rosto com a mão.
_ Doze à menos do que deveria.
_ E você deveria ter...?
_ Vinte sete.
Vinte e sete era a idade de Miro. Mas isso significava que... Por Athena! Ela tinha tão somente quinze anos e já sofria por amor... Mas também eles eram jovens demais quando largaram tudo para enfrentar suas primeiras guerras em nome da paz.
_ Praticamente uma mulher. Porque desejar mais, enquanto tantos querem retornar a esta época?
Ela finalmente afasta a mão do rosto, olhando diretamente em seus olhos.
_ O problema se concentra na palavra "praticamente". – disse enxugando os olhos no meio de outra careta. – Muito provavelmente se ela não existisse na frase em que as pessoas me definem e nem fosse substituída por "quase" ou alguns de seus sinônimos, eu até poderia concordar com você. Mas o fato é que ela me persegue feito uma sombra, de complô com a palavra "prima" e seus diminutos abomináveis!
Era quase engraçado vê-la disparar a falar de repente, naquele tom revoltado e irônico ainda de olhos vermelhos.
_ É compreensível. Quando foi que se viram pela última vez?
_ Uns onze anos. Eu poderia te dizer exatamente há quantos dias e talvez até mesmo as horas, mas soaria muito deprimente.
Ele fica pensativo por um instante e afasta-se novamente, percebendo-a mais centrada.
_ A senhorita aceitaria um conselho?
Ela deu de ombros.
_ Vindo de um amigo dele, é um pouco assustador... Mas que tenho a perder?!
_ Onze anos é quase uma vida. Nesse tempo, vocês mudaram muito e passaram por muita coisa que o outro nem se quer consegue conceber. Entenda que este Miro não é a mesma pessoa que você amou na infância e que ele também não te conhece mais.
_ Amá-lo é tudo que eu sei sobre quem eu realmente sou. Não me importo com quem ele tenha se tornado, porque ainda me lembro de quem ele queria ser e de tudo que fez por mim.
Aioros engoliu em seco aquela confissão sincera. Ela podia ser uma menina, mas seus sentimentos eram quase palpáveis de tão reais... Tinham motivos suficientemente fortes para derrubar a estrutura de qualquer adulto que bancasse o durão.
_ Vamos colocar isto em outro ângulo. Imagine-se na posição dele: Há onze anos, sua prima era uma criança e, de repente, ela vem visitá-lo tão linda e moça quanto uma ninfa grega. O choque para qualquer um seria dantesco. Mas entre distinguir se é apenas instinto de homem avisando que sua prima se tornou uma mulher bonita, ou que ela realmente mexeu com seus sentimentos, existe uma lacuna enorme.
Ela suspira longamente, terminando de enxugar a face.
_ Até entendo o que quer dizer, senhor Aioros. E agradeço pelo elogio. Mas é que depois de onze anos esperando por este dia, é um pouco frustrante descobrir que fui a única que ficou presa aos próprios sentimentos.
_ Só o tempo vai poder mostrar a verdade. Dê um tempo para o Miro raciocinar. Até porque esse não é bem o forte dele... Do jeito que o conheço, ele se quer desconfia do que você sente. Precisa dar alguma pista mais óbvia, se quiser chamar sua atenção.
Ela sorri divertida, ante a brincadeira de Sagitário sobre o temperamento do primo.
_ Obrigada, você foi muito gentil. Ainda que sejam falsas esperanças, me sinto melhor sob este ponto de vista.
Não pedi que ela ficasse
Ela sabe que na volta
Ainda vou estar aqui
_ Não há o que agradecer. Acabo de conhecê-la e mal ouvi como é o seu nome e o que nos dá a honra de sua presença.
Sofia franziu a testa, sem compreender muito bem o que Sagitário estava fazendo. Ele apontou o olhar rapidamente para a direção da porta da casa de Miro e, compreendendo com a mesma rapidez, ela conteve o riso, com um olhar ainda mais agradecido.
_ Meu nome é Sofia. Estava sentindo falta de ar e precisei sair um pouco.
Miro aproximara-se, observando Sagitário com ar de quem lhe perguntava o que aquele cavaleiro estúpido estava fazendo ali, flertando com sua prima. Ele a toca nas costas levemente, o que a faz sentir um arrepio percorrer-lhe o corpo.
_ Sente-se melhor, Sofia?
Ela apenas acena em afirmativo com a cabeça.
_ Espero que tenha um ótimo aniversário, Miro.
Sagitário disse ainda sem saber o que fazer para que Escorpião não o matasse mais tarde.
_ Obrigado, Aioros.
Cumprimentaram-se com um aperto de mão e um breve abraço.
_ Minha tia está aqui e os convidou para um almoço. Ela adora esse tipo de coisa e não consegui fazer com que mudasse de ideia. Será que pode avisar os outros por mim?
_ Claro.
O silêncio se fez por um instante. Aioros observou o olhar cabisbaixo de Sofia, que parecia vermelha pelo simples toque de Miro em seus ombros enquanto a beijava no topo da cabeça, como se tentasse demonstrar silenciosamente o quanto a amava. E olhando os dois supostos primos um ao lado do outro, distraiu-se pensando em como formavam casal harmonioso. Ao mesmo tempo que se pareciam, eram tão diferentes que suas personalidades provavelmente iriam se encaixar com a perfeição dos amantes que se completam. Percebeu então que depois de conversar com a menina, havia tomado partido. Já estava torcendo tanto para que ficassem juntos, que seria difícil imaginá-los separados dali em diante.
_ Será que o Saga também viria? – Miro enfim continuou.
_ Daremos um jeito. Eu vou subir e começar a avisá-los. Foi um prazer conhecê-la, senhorita Sofia.
_ Igualmente, senhor Aioros. Obrigada pela sua atenção.
Assim que ele saiu, deixando-os sozinhos, o silêncio perdurou por mais alguns minutos, formando um vácuo terrivelmente desconfortável. Sofia suspirou longamente e voltou-se para Escorpião com um brilho no olhar muito diferente de minutos atrás.
_ Seu amigo é um doce.
_ Não posso reclamar de ninguém. Todos nós cavaleiros temos nossos defeitos, mas no geral nos entendemos.
Sofia jamais notaria, mas havia uma grande falha na voz do cavaleiro ao pronunciar a palavra "defeito", se referindo mentalmente a intromissão de Sagitário, em um traiçoeiro ataque de ciúmes.
Ela é só uma menina
E eu pagando pelos erros
Que eu nem sei se cometi
_ Quer voltar lá para dentro?
_ Aposto que a tia Madge já me chamou de claustrofóbica.
_ Algumas vezes.
E aquele sorriso tão cínico e típico do escorpiano, a fez perder toda a força nas pernas por um instante.
_ Você bem que podia voltar para casa, assim quem sabe ela parasse de implicar comigo em dobro!
Sofia sorriu e sustentou o olhar sobre aquele mar azul que a fitava. Por um segundo, algo nos olhos dele lhe roubou o fôlego. Por um instante achou ter visto algum desejo contido por trás da falta de resposta do primo, que permaneceu extremamente sério a observá-la.
Mas o instante foi quebrado por um grito de sua tia, vindo de dentro da casa e não teve mais certeza de nada. O queria tanto, que já devia estar imaginando coisas.
_ Sofia! Pode vir aqui me ajudar, filha?! (Madge)
_ Não estou dizendo? Mal amanhece e ela já está na cozinha para um almoço das treze horas! Já estou indo! – gritou em resposta à tia. - Vamos entrar, antes que ela tenha um troço.
Escorpião acena em afirmativo e ela escapa de seus braços. Quando ambos retornam para dentro ele percebe, incomodado, o quanto aquele brusco afastamento lhe frustra.
Se eu queria enlouquecer
essa é a minha chance
É tudo que eu quis
Se eu queria enlouquecer
Esse é o romance ideal.
CONTINUA..
N/A: Bom, ando com o tempo super apertado e não estou conseguindo uma brechinha para escrever! Até porque a correria está tamanha, que até a inspiração fugiu para beeem longe. Então resolvi voltar a corrigir esta história que terminei há alguns anos atrás, mas que pretendia melhorar algumas partes. Confesso que ainda não estou totalmente satisfeita com o diálogo da Sofia com o Aioros, mas já melhorou horrores comparado ao original. Um pouco é meu perfeccionismo falando mais alto... Eu acho... rs... Mas como a intenção deste capítulo era mostrar o ponto de vista da Sofia e a confusão que ta começando a rolar na cabeça do Miro, acho que cumpriu sua função.
Espero que gostem. Reviews e dicas são sempre bem vindos!
Peço desculpas a todo mundo que acompanha minhas fics, mas estou realmente enrolada. Graças a Deus estou com bastante trabalho, mas isto Tb significa que estou ralando pra caramba. Quando acalmar um pouco, volto com meus projetos. Agradeço a todos pela compreensão. Abraços e até a próxima...
