Tempos de Mudança - Capítulo 2
Recados:
- Olá. Aqui está o segundo capítulo.
- Essa fic terá vários casais. Casais normais, Yaoi, personagens próprios... Enfim, um "mundo" novo
- Se você gostou, por favor, deixe um recadinho. Incentiva a gente a continuar.
- Se não for pedir demais, quem gostou, indique a fic para um conhecido. Propaganda é sempre bom ^^''
- Acho que é isso. Aproveitem.
No dia seguinte, depois do almoço, os Cavaleiros de Ouro ficaram no Santuário. Era dia de treinamentos. Logo os treze estavam divididos em vários grupos, em treinamentos que variavam entre força, agilidade e concentração.
- Você vai à festa?
Saga pergunta ao seu colega de serviço enquanto ambos trocavam socos. Primeiro o Grego atacava para o Francês desviar, para depois inverterem os papéis.
- Eu pensei melhor e vou sim. É uma oportunidade para sair da rotina.
- Você não vai reclamar de sair da rotina? Milagre.
- Eu gosto de sair da rotina. O que eu não gosto é quando ela não existe.
Em outro canto, Shaka meditava para concentrar seu Cosmo, e Mu treinava sua telecinese movendo rochas enormes de um lado para o outro.
- Pelo jeito a essa festa é o tema do momento.
Disse o Ariano para puxar conversa.
- Eu ainda tenho minhas dúvidas. Acho que vou, apenas para garantir que nada aconteça com Atena.
- Gostei da desculpa.
Máscara da Morte, que treinava ao lado, respondeu no ato, chamando a atenção dos outros dois.
-... Deu pra se intrometer na conversa dos outros agora? Gian...
Shaka podia passar uma imagem de sério, mas sabia como ser ferino no momento correto, e o Italiano demonstrou na hora seu descontentamento, voltando a se concentrar no seu treinamento com o orgulho levemente ferido. Mentalmente imaginava o que poderia fazer com Afrodite para se vingar do "apelido carinhoso" que o outro havia lhe arranjado.
- Eu não entendo o porquê do incômodo com isso...
Aioros, o parceiro de treino de Máscara, disse enquanto tentava atingi-lo.
- É pessoal.
- Tudo bem. Poderia então me responder outra pergunta?
- Depende...
- Por que resolveu chamar a si mesmo de "Máscara da Morte"?
- A antiga decoração da Casa de Câncer não é o suficiente?
- Em parte. Mas por que excluir o nome? Poderia usar: "Giancarlo, o Máscara da Morte"
O Canceriano parou o punho de Aioros e depois o baixou como se pedisse um tempo. Realmente, ele não tinha um motivo para querer tirar o seu nome de sua vida, apenas o apelido, que lhe trazia lembranças da infância.
- Sinceramente, não sei. Mas por que pergunta isso apenas pra mim? Eu não sou o único que faz isso.
Giancarlo parecia querer tirar o foco da conversa de si, então mudou o rumo das coisas, desviando o assunto.
- Como assim?
- Você não sabe? Têm outros aqui que não usam nomes verdadeiros...
O teor da conversa chamou a atenção dos outros dourados, que se aproximaram, alguns com olhares bem curiosos.
- É sério?
Miro perguntou.
- Sim. Eu vi as fichas de todos um dia que eu e Afrodite tivemos que pegar algo nos arquivos. Só não falo quem são por respeito...
Dizia olhando para Afrodite com um sorrisinho irônico. Havia sido o pisciano a revelar a todos que o nome de Máscara era Giancarlo, cerca de um ano atrás, o que havia feitos alguns dos outros darem algumas risadas.
- Você nunca pediu para que eu não falasse.
O Sueco então virou a cabeça para o lado, desconversando.
- Não, mas calma lá. Isso é importante. Agora eu fiquei curioso. Como podem guardar um segredo assim por tanto tempo?
Miro falava a todos.
- Pensei que éramos todos amigos, e que não precisassem esconder coisas assim
- Talvez eles não quisessem você enchendo o saco, como fez comigo.
Giancarlo voltou a falar. Os dois começaram uma discussão sobre obrigação ou não de revelarem suas identidades, até que de repente, Kamus, demonstrando irritação, cortou ambos.
- Eu gostaria de saber o motivo dessa discussão a chegar nesse ponto. Tem algum problema com isso? Quer saber meu nome? Eu digo. Auguste. Auguste Kamus. Prazer.
O Francês surpreendeu a todos com aquela revelação repentina
- Kamus é seu sobrenome?
Aioria perguntou
- É sim. Repito. Algum problema?
- Não, nenhum...
O silêncio se abateu sobre os Cavaleiros, até o Brasileiro resolver falar.
- Eu... Achei que meu nome não causaria tanto impacto, por isso que eu mudei para Aldebaran, o nome da maior Estrela da constelação de Touro.
- E qual seu nome?
Miro perguntou, querendo acabar com o suspense
- Edvaldo.
Um silêncio abateu-se em seguida sobre eles, e Aldebaran já esperava pelo menos três começaram a rolar de rir, mas para a sua surpresa, apenas Miro disse algo.
- É um nome... Diferente.
O Brasileiro estava surpreso com a reação discreta, então se sentiu mais confortável para continuar.
- Meus pais me falaram da origem dele e tal, mas não me sai da cabeça que eles simplesmente juntaram os nomes. Minha mãe chamada Edite, e meu pai, Osvaldo.
- Edith...
Kamus repetiu o nome apenas movendo os lábios e suspirou profundamente. Depois de tantos anos, pensou que não ouviria mais aquele nome, e de repente várias lembranças que pensou ter apagado vieram à sua mente.
- É verdade, resulta em Edvaldo.
Miro abriu um sorriso com aquela lógica que pareceu tão óbvia depois que o Brasileiro disse.
-Bom, e agora? Alguém mais quer aproveitar para revelar que também não usa seu nome verdadeiro?
Todos se olharam novamente, e de repente outra voz rompeu o silêncio.
-... Thomas.
Todos se voltaram para o dono da voz. Era Afrodite quem havia falado.
- Você também?
- Claro. Ou você acha que algum pai Sueco colocaria o nome de uma Deusa Grega em seu filho?
- Realmente... Não faz muito sentido.
Giancarlo disse, em seguida olhou para baixo pensativo.
- Então por que Afrodite?
- A beleza era a coisa que eu mais adorava no mundo. Nos piores momentos do Santuário, até mais que Atena...
Doía para ele falar daquilo agora, que sabia que não era o verdadeiro Mestre quem dominou o Santuário por treze anos com mão de ferro e que o apoiou, se tornando um dos seus assassinos mais cruéis. Saga também desviou o olhar, ao lembrar-se do que havia ocorrido naqueles tempos.
- Então nada mais óbvio de começar a usar o nome da Deusa da Beleza para se referir a mim. Sei que tudo acabou agora, mas eu gosto desse nome, então quero continuar sendo chamado de Afrodite.
Ninguém pareceu discordar do pedido. Ainda havia mais um cavaleiro escondendo seu nome verdadeiro, e esse parecia o mais preocupado em revelá-lo.
- Eu...
Shura parecia constrangido, mas já que os outros também haviam o feito, por que ele também não?
-... Apenas prometam que não vão rir, por favor.
Todos se viraram para ele, e Aioria não conseguiu esconder sua surpresa
- Você? Eu jurava que Shura era seu nome mesmo.
- Mas não é. Meu nome é diferente, nada parecido com nenhum nome Espanhol.
- E qual é? Não fica fazendo esse suspense.
O Espanhol suspirou profundamente antes de falar.
- Aramis.
- Como o mosqueteiro?
Mu perguntou no ato. Ele possuía uma grande biblioteca em Jamiel, e "Os Três Mosqueteiros" era um dos seus livros favoritos.
- Sim.
- Mas esse nome é Francês.
- Não é Francês, não é Espanhol, é Basco. Eu já contei para vocês não é? Que eu nasci em Pamplona, e apesar de não estar dentro do que o mundo chama de País Basco, é considerado território Basco.
- Pra mim você nunca falou isso.
- Bom, é possível. Você passa mais tempo no Tibete que na Grécia. Pode ser que você não estivesse na conversa naquele dia.
- Bem possível.
- Eu treinei para ser Cavaleiro nas montanhas dos Pirineus, que tem parte cadeia dentro do território Basco também.
- Então você treinou bem perto de casa. Que sorte.
- É... Acho que se pode dizer que sim...
A voz dele não saía muito confiante, e ninguém teve coragem de perguntar o porquê, mas Kanon ainda estava curioso com algo.
- Então como um mosqueteiro Francês acabou com um nome Basco?
- Essa eu respondo.
Kamus tomou a palavra.
- O País Basco não se encontra exclusivamente dentro da Espanha. Parte dele também está na França, dentro do Departamento dos Pirineus Atlânticos.
- Como você sabe disso?
Perguntou Shura curioso.
- Passei as férias em Biarritz uma vez quando era criança.
- Entendi. Bom, Os Bascos gostam se de considerar independentes. Tem língua e cultura própria, e isso já causou muitos problemas...
- Por isso sempre lhe chamavam para resolver as crises envolvendo o ETA?
- Sim.
- Não sei por que a vergonha. É o nome de uma figura conhecida, um herói.
Mu tomou a palavra novamente.
- Parte é justamente por isso, mas a outra parte é que... Bem, os Bascos ficaram com uma fama realmente ruim por causa das ações terroristas do ETA, então eu resolvi adotar o nome de Shura para poder ter menos problemas para viajar dentro da Espanha e da Europa.
Alguns santos abaixaram a cabeça. Não imaginavam que o Espanhol tivesse passado por uma situação tão delicada, tendo que desistir do seu nome e origem.
- Mas assim como Afrodite, eu estou muito bem acostumado com isso, então eu também gostaria de ser chamado de Shura.
- Pelo menos aqui entre nós, não é?
Uma voz que não havia se manifestado até agora se fez ser ouvida, e Dohko seu um passo a frente. Shura deu uma risada e concordou.
- É pelo menos aqui.
- Do que vocês estão falando?
Aioria perguntou olhando para os dois. Assim como ele, os outros também pareciam querer uma resposta.
- Bom, é que para nós ele é o Shura, mas na faculdade ele é o professor Aramis.
Dohko e Shura haviam aproveitado seus conhecimentos em línguas diferentes e acabaram se tornando professores no curso de Letras na Faculdade de Atenas. Dohko, professor de Cantonês, e Shura, professor de Basco.
- Ah, entendi. Você usa seu nome verdadeiro na faculdade. Mas... Vocês perceberam a coincidência?
Miro chamou a atenção para si, e todos sabiam que isso não poderia ser boa coisa.
- Aramis é um mosqueteiro, e Shura usa a Excalibur para derrotar seus adversários. Você, mesmo que não quisesse se tornou um herói de capa e espada.
Shura revirou os olhos, bufando em seguida.
- Era disso que eu estava falando. Por isso que eu não queria falar nada.
Ele estava muito bravo, então deu a volta, ameaçando ir embora.
- Está bem, eu entendi. Desculpe, eu prometo não falar mais nada.
O Espanhol parou, virando de volta para as outras doze pessoas.
- Está bem. Agora vamos voltar ao treinamento antes que o Shion apareça e faça mais reclamações sobre como estamos vivendo depois de voltarmos.
Todos concordaram. Shion havia pedido a Atena para manter pelo menos parcialmente as sessões de treinos para os Cavaleiros de Ouro. Após muita discussão, eles entraram em um acordo agradável para todos. Até o fim daquele dia a única coisa que aconteceu a mais foi dois cavaleiros avisando a Atena que aceitavam o convite para a festa. Kamus e Shaka.
Anoiteceu, e todos foram para as suas residências, mas a noite foi difícil para o Kamus. Ouvir o nome da mãe de Aldebaran havia aberto algumas feridas que pensava estarem fechadas. Não podia acreditar na coincidência das mães dele e do Brasileiro ter o mesmo nome. Toda vez que fechava os olhos lembrava-se da última vez que a viu. Já estava sendo treinado para ser um Cavaleiro, mas para ela, e todos se sua família, ele apenas estudava em um Internato em Atenas, para o qual foi convidado a entrar por sua inteligência. Nem desconfiavam de que na verdade ele passava a maior parte do tempo na Sibéria. Após uma briga séria com o pai, ele foi expulso de casa, e nunca mais a viu. Levantou-se da cama, resolvendo mudar a estratégia. Foi para a sua Biblioteca, pegou um bom livro e um pouco de um licor suave, tentando se concentrar até o sono chegar. Deu certo, e nem percebeu quando caiu no sono sentado, com o livro em seu colo.
Na manhã seguinte, Saori estava resolvendo assuntos internos do Santuário, e à tarde iria para o escritório das Empresas Kido. Porém, sua mente estava em outro lugar, exatamente na Festa na qual Julian Solo seria o anfitrião.
- Atena, o que a aflige?
Shion pergunta ao ver que ela não prestava total atenção ao que ele dizia. Ela virou a cabeça para ele e em seguida disse.
- Sabe Shion, estou realmente preocupada que algum dos meus Cavaleiros manche o nome do Santuário de alguma forma na festa...
Na cabeça do Grande Mestre, os nomes de Miro e Afrodite vieram imediatamente. O primeiro, por seu estilo mais despojado e tendência a ser inconveniente, e o segundo por ter o costume de exagerar nas bebidas quando se trata de uma festa.
- E a Senhorita vai fazer algo a respeito?
- Sim. Assim que Seiya e os outros chegarem do Japão, vou colocar todos que acho que precisam em um curso rápido de etiqueta. Não quero transformá-lo em Lordes Ingleses ou algo do tipo, apenas quero que eles aprendam as regras básicas de como se comportar em um ambiente mais refinado.
- E quem você acha que precisa dessas aulas?
- Eu pensei em Aldebaran, Giancarlo, Aioria, Miro, Shura, Afrodite, Seiya e Ikki. Eu vou prestar atenção para ver se essa lista precisa ser mudada
- Talvez Afrodite não precise das aulas, apenas de uma boa conversa para que ele se controle.
- Pode ser. Bom, temos três dias antes dos cavaleiros de bronze chegarem do Japão, então podemos pensar nisso.
Ela estava mais aliviada depois de dividir o assunto, e logo continuaram a resolver o serviço burocrático.
Edifício das Empresas Kido
- Nossa. Você está com uma cara horrível.
Saga havia ido cedo para a Empresa, e assim que chegou encontrou Kamus com uma xícara de café em mãos.
- Dormi pouco, e de mau jeito. Foi uma noite horrível.
- Estou vendo. Mas você está bem para trabalhar?
- Estou. Não se preocupe.
O Francês então terminou o líquido quente de uma vez e balançou o pescoço como se quisesse colocar algo no lugar.
- Pronto. Preciso ir, hoje vai ser um dia cheio... Mas acho que vou precisar de outro café.
Enquanto Kamus falava e preparava mais uma xícara para si, um funcionário entregou alguns papéis para Saga, que após lê-los rapidamente bufou como se estivesse incomodado.
- O que houve?
- É essa empresa, que quer renegociar, de novo, os valores pagos pelo transporte.
- Sei, é um modo de tentar lucrar um pouquinho mais por meio de chantagem comercial. Ou abaixa o preço, ou procuramos outra Empresa. Qual o nome?
- É a Petrolífera Verger.
No momento seguinte, o único som a ser ouvido foi a xícara que o Francês segurava se espatifando no chão, e o mesmo apoiando as mãos para evitar ter o mesmo destino.
- Kamus!
Saga foi até ele e o ajudou a se apoiar novamente.
- Kamus, o que aconteceu?
- Não se preocupe. Acho que foi uma queda de pressão.
Mentalmente, ele se perguntava o porquê do destino lançar esse segundo golpe contra ele, ainda mais intenso que o primeiro.
- Você não está bem. Deveria ir para a casa.
- Não. É um dia importante...
- Você só vai atrapalhar nesse estado. Vá, eu aviso o pessoal.
Kamus queria falar que estava tudo bem, mas não conseguia. Sentia as mãos geladas, e seu rosto estava pálido.
- Tudo bem, eu vou. Avise a Senhorita Saori, por favor.
Conseguindo por-se de pé, caminhou a passos lentos até a saída, e em seguida chamou um táxi para levá-lo até próximo do Santuário. Após a partida dele, Saga começou a juntar os cacos, imaginando se o que o Francês havia sentido havia sido apenas um mal súbito ou havia algo mais profundo que isso. Kamus, por sua vez sentiu a subida até a casa de aquário lhe parecer enorme pela primeira vez. Após chegar, foi direto para o chuveiro, tomando um banho quente antes de colocar uma roupa leve e deitar-se. Parecia que o cansaço havia vencido dessa vez, e não demorou para que ele adormecesse.
Continua...
- As informações dadas na fic são as mais reais possíveis
- Muné Tsenpo foi um Imperador Tibetano durante o século VIII, e foi dele que eu tirei o nome do Mu
- O País Basco não se limita ao território geográfico chamado assim. Historicamente, pertencem a ele também a Comunidade Autônoma de Navarra (onde fica Pamplona), e a porção oriental do Departamento do Pirineus Atlânticos, já na França.
- Biarritz - Cidade costeira na região do País Basco Francês. É um local conhecido por seus famosos Resorts de luxo, e por suas praias.
Até a próxima
