Tempos de Mudança - Capítulo 3

Recados:

- Olá. Mais um capítulo para felicidade de todos.

- Acho que faltou uma rápida explicação sobre o que é o ETA: Em basco, Euskadi Ta Askatasuna. Em português, Pátria Basca e Liberdade. Grupo que procura a independência da região do País Basco, de Espanha e França. O ETA possui ideologia separatista e revolucionária, por várias vezes recorrendo ao terrorismo na busca de seus objetivos. O grupo cessou as ações militares 2011.

- Em outro site fizeram essa confusão, então eu já vou deixar claro aqui. Eu sou um HOMEM, de verdade. Não é uma garota por trás do personagem...

Agradecimentos:

- Virgo Nyah - Eu também gosto muito de fics com esse tema, por isso escolhi fazer minha 1ª fic assim. Não defini ainda se serão dois ou três casais Yaoi. Dos dois garantidos, um será bem conhecido, e um bem diferente. Que bom que você está gostando. Obrigado pelos elogios n_n.

- Kaito Hatake Uchiha- No entiendo lo que tu quería decir, pero muchas gracias por su review.

- Mari - Obrigado por ter me ajudado a achar um título para o capítulo XD.

Boa leitura.


La Défense, França

Na sede da Petrolífera Verger, acontecia uma reunião de Diretoria.

- Acredito que nesse momento o pedido já tenha chegado a Atenas. Não irá demorar a alguém das Empresas Kido ligar.

- Perfeito. Obrigado, Bertrand.

- De nada, senhor Verger.

Na cadeira de Presidente sentava-se Jean-Baptiste Verger, um homem de 56 anos, de feições duras, que dirigia a empresa fundada por seu pai com mãos de ferro.

- Qual é o próximo assunto?

- A queda na previsão de lucro da empresa ao final do ano.

Ao ver os números, o homem fechou ainda mais a face.

- Isso é mal. Não vão ser pequenas alterações que vão mudar o cenário. Quantos funcionários têm trabalhando na Refinaria em Istres?

- Atualmente temos 600.

- Parece muito para uma fábrica daquele tamanho. Abra um programa de demissão voluntária. Quero que pelo menos 200 funcionários saiam.

- Mas senhor Verger, com 200 funcionários a menos os outros vão ficar sobrecarregados.

- Espere eu terminar eu acabar, Patrick. Nós vamos contratar 100 novos funcionários, com salários mais baratos. Com 500 funcionários, e alguns ganhando menos, podemos melhorar bem essa previsão.

- E se não conseguirmos 200 demissões?

- Aí vocês dão um jeito. Simplesmente demitam. Melhor, arranjem um jeito de eles serem demitidos por justa causa. Eu só quero que eles saiam. Entendido?

-S-Sim senhor.

- Certo. Essa reunião acabou.

Então todos os homens, exceto o Presidente, ficaram na sala. Depois de alguns instantes, batidas são ouvidas na porta.

- Entre.

- Com licença, senhor Verger.

- O que foi Marie?

A secretária então entrou, entregando um envelope para ele.

- Acabou de chegar, é para o senhor.

- Obrigado.

Depois de entregar o envelope, a mulher na casa dos 30 anos retirou-se imediatamente, enquanto o homem abria o envelope, que tinha o timbre das Empresas Solo.


- Kamus foi embora? O que aconteceu?

Saori sabia que para o Francês ter indo embora era porque algo muito sério havia acontecido.

- Ele passou mal. Disse que não tinha dormido bem, e quase desmaiou na minha frente hoje cedo.

Saga explicava o que havia acontecido a alguns minutos, e isso deixou a jovem Kido incomodada.

- O que ele fazia na hora?

- Preparava um café enquanto eu comentava algo sobre a empresa. Nada de mais.

- Estranho. Bom, obrigada por avisar, Saga.

-De nada. Com licença.

Saga então sai do escritório onde ela estava deixando a Deusa bem preocupada com Kamus. O Francês acordou no meio da tarde, ainda com dor de cabeça. Tomou um remédio e foi para a sala ver um pouco de televisão e esquecer o se passou naquele dia.


Saint-Cloud, França

Jean-Baptiste Verger chegava em sua casa depois de um dia de serviço excepcionalmente complicado. Seu motorista atravessou o grande portão após os seguranças liberarem passagem. Após deixar o homem na porta da grande mansão, o motorista foi levar o carro até a garagem. Com sua pasta em mãos, entrou em casa. O barulho da porta abrindo chamou a atenção de sua esposa, que saiu do quarto de leitura para recepcioná-lo.

- Boa tarde, Jean. Como foi seu dia?

- Olá, Edith. Meu Deus, como o dia foi complicado hoje...

Ela sorria para ele de uma forma triste. Edith Verger era uma mulher de 50 anos, que mantinha uma grande beleza, mesmo com uma idade já avançada.

- Onde está o Yannick?

- Ele está no quarto.

Ele então suspirou profundamente, subindo as escadas, indo em direção ao quarto do filho. Quanto mais se aproximava, mais podia ouvir os acordes que vinham de dentro do recinto. Bateu na porta, e como não teve resposta, abriu a porta. Lá dentro, um rapaz de 21 anos, olhos azuis, e cabelos castanhos revoltos, estava sentado no sofá, com uma guitarra em mãos, tirando dela uma melodia suave. O homem que acabara de entrar aproximou-se da caixa de som, e desplugou a guitarra, fazendo o jovem sair de sua concentração.

- Ah, oi pai.

- Olá Yannick, como foi seu dia?

- Foi tudo bem.

- Como andam os trabalhos da Faculdade?

- Já estão todos adiantados, o senhor não precisa se preocupar com isso.

- Se você tem tanto tempo livre, poderia usá-lo melhor, estudando um pouco mais por exemplo. Eu não quero que você apenas se forme, quero que seja o melhor. Afinal é você quem vai assumir a presidência da Verger quando eu me aposentar.

- Pai, nós já discutimos sobre isso...

- Eu não quero mais tocar nesse assunto.

- O senhor sabe que eu não tenho interesse em virar administrador de empresas, quem gostava disso era o...

- Pare, pare agora. Eu já disse esse nome não é mais dito dentro dessa casa. Seu irmão está morto, entendido?

O jovem ficou em silêncio, então o homem partiu do quarto, indo em direção ao seu. Yannick surgiu na porta, e viu sua mãe que provavelmente ouviu tudo. Os olhos dela pareciam querer encher-se de água, então ele foi abraçá-la. Ele pensou que o tempo amoleceria o coração do seu pai, mas parecia que estava errado.

- Não chore...

- Onde será que ele está? O detetive disse que o tal Colégio Interno em Atenas não tem nenhuma informação dele como aluno lá. O que ele fez naqueles anos? E depois?... Foi minha culpa.

- Não fique se culpando. Tenho certeza que ainda vamos reencontrá-lo.

- Assim espero.

A mãe e o filho se abraçaram mais forte. Tudo que restava era a esperança.


Santuário

Naquela mesma noite, já em horário bem adiantado, Giancarlo dormia na casa de câncer quando um barulho de algo quebrando o acordou. O barulho parecia vir da sua cozinha. Enquanto se levantava, imaginava quem, ou o que ousaria estar dentro da casa dele naquele momento. Imaginava muitas coisas quando acendeu a luz, menos ver Afrodite bêbado, tentando tomar um copo de água enquanto outro estava no chão, espatifado. Quando a luz acendeu, o pisciano virou e encontrou com o dono da casa.

- O que significa isso?

- Giaaaaaaan, me ajuda.

O Sueco vestia um camisa social de botões, branca, uma calça jeans que aparentava ser se um número menor por estar bem colada ao seu corpo, e sapatos.

- O que você está... Como você chegou aqui nesse estado?

- Eu passei por fora das outras casas, mas... Entrei aqui porque sabia que você iria me ajudar.

A voz dele saía arrastada.

- Ajudar? Eu devia botar você fora daqui a pontapés.

- Eu não vou conseguir chegar em Peixes... Então eu pensei que você poderiaaaai...

O Italiano pegou o braço do outro com força, puxando como se quisesse levá-lo para fora de casa. Não queria que ele causasse mais bagunça lá dentro.

- Você não é meu problema. Fora!

Porém o corpo dele estava cada vez mais pesado. Virou a cabeça para trás na intenção de pedir que o outro colaborasse, mas o prestar atenção, sentiu pena do estado do pisciano, encarando-o por algum tempo.

- Que foi? Tá gostando do que vê?

Afrodite sorria enquanto via o outro olhando para si. A voz do dele tirou Giancarlo dos seus devaneios.

- Vai sonhando, peixinho dourado.

Então ele passa seu braço por baixo do braço do outro, o apoiando melhor enquanto o dono da casa o guiava para o banheiro, praticamente dormindo. Ele abre o Box, ligando o chuveiro, propositadamente bem gelado antes de colocar o visitante embriagado embaixo, de roupa e tudo, acordando-o assustado.

- Ai, seu grosso...

Enquanto ele tentava sair, o Italiano segurava sua cabeça embaixo da água

-Não reclama.

Após se debater por algum tempo, parecia que ele parecia se acostumar, apoiando os braços na parede enquanto movia sua cabeça e deixava a água fria cair sobre seu corpo. Ao ver que ele parecia acomodado, saiu do banheiro, indo até seu quarto e pegando uma muda de roupa e uma toalha. Colocou-a sobre a pia enquanto via o outro ainda debaixo do chuveiro.

- Eu queria saber por que você bebe assim toda vez que vai pra suas festas.

Para surpresa do Italiano, provavelmente por causa da bebida, o outro respondeu.

- Eu bebo por que me faz esquecer a droga de vida que eu tenho.

- Droga de vida?! Você devia era agradecer todos os dias por estar vivo, de novo. Sua besta.

Respondeu com raiva. Não imaginava que o outro seria tão volúvel com esse tipo de assunto.

-... Minha família me odeia, e eu nunca vou conseguir ter o homem que eu amo... Se for pra ser assim, era melhor continuar morto.

Não conseguiu responder ao outro depois daquela confissão repentina. Após alguns instantes de silêncio perturbadores, onde apenas a água caindo poderia ser ouvida, ele respondeu.

- Sorte sua que você ainda tem família. Tem uma muda de roupa aí. Depois que achar que está em condições, é só virar à esquerda e dormir no quarto. Boa noite.

Então saiu batendo a porta e indo para outro quarto, que ele mesmo chamava de "quarto da bagunça". Era onde ficava a maior parte do tempo. Após deitar-se no sofá-cama, ligou a TV, prestando atenção para ver o que o outro faria. Depois que a porta foi fechada, Afrodite retirou suas roupas ensopadas, jogando-as num canto do box e terminando de tomar banho. Desligou o chuveiro, e fazendo tudo de forma devagar, secou-se e colocou a roupa que o dono da casa havia deixado para ele. Lembrando-se das instruções, foi até o quarto e praticamente se jogou na cama, nem vendo quando pegou no sono.


Kamus acordou com despertador tocando, batendo a mão para desligá-lo. Voltou a deitar-se, de olhos abertos. Havia dormido bem aquela noite, mas sua cabeça ainda pensava no que havia acontecido nos últimos dias. Felizmente se sentia bem, e disposto. Saltou da cama, indo para o banheiro preparar-se para mais um dia de serviço. Na casa de câncer, Giancarlo levantou em seu horário normal. Foi até o quarto e viu que Afrodite ainda dormia. Deixou-o dormindo e foi para a área de treino. Hoje era seu dia de treinar os aspirantes a Cavaleiros, e liberar um pouco do seu lado sádico com aqueles pobres garotos.

Na sede das Empresas Kido, Kamus chegou animado, dando bom dia a todos que passavam por ele. Quando chegou em seu escritório, surpreendeu-se com quem esperava por ele.

- A-Atena?

Ela fechou levemente a feição, parecendo repreendê-lo.

- M-Me desculpe. Senhorita Saori. O que devo a sua visita?

- Eu vim ver como você estava. Eu fiquei preocupada depois que o Saga falou como você foi embora ontem.

- Foi apenas um mal-estar. Agradeço a preocupação da senhorita, mas já estou bem melhor.

- Eu fico preocupada com todos vocês. Depois de tudo os que vocês passaram por minha causa, não querem mais que sofram, e algo me diz que você está sofrendo. Não vou obrigá-lo a nada, mas saiba que se você precisar, eu farei de tudo para ajudá-lo.

- Obrigado.

Abriu um sorriso suave para agradecê-la. A presença da sua Deusa sempre o tranqüilizava. Ela despediu-se, voltando para a sala de presidência enquanto pensava em outros cavaleiros que achava precisar de ajuda.


- Ai... Onde eu estou?

A cabeça de Afrodite latejava. Olhou em volta o suficiente apenas para se lembrar onde estava para depois fechar os olhos novamente. A única coisa que se lembrava era estar chegando ao Santuário, e em seguida ver a cara furiosa de Giancarlo na cozinha da casa de câncer. Estava surpreso por estar em uma cama, que não reconheceu, concluindo ser a do Italiano. Tremeu ao imaginar que provavelmente teria que enfrentar a fúria dele por tê-lo acordado no meio da noite. Levantou-se da cama, caminhando devagar para fora. Tinha sede, precisava ir para a cozinha tomar água. Passou em frente ao outro cômodo da casa, e não evitou parar para dar uma olhada melhor. Estava surpreso com o que via no local. Além do sofá-cama desarrumado, onde ele provavelmente havia dormido, havia uma televisão, e um conjunto completo de som. Mas surpresa maior foi ver que ele tinha armários lotados de livros. Não resistiu e entrou para dar uma olhada melhor, e viu títulos clássicos, de todos os estilos. Quanto mais via, mais ficava surpreso. Livros sagrados de todas as religiões, inclusive pagãs... Marx... Dostoievski... Nietzsche... "A Arte da Guerra"... Aventuras clássicas como "O Conde de Monte Cristo", mais modernas como os livros da série "O Senhor dos Anéis"... Ficções científicas como "1984"... Não era imensa como a biblioteca da casa de aquário, mas competia em qualidade. Não conseguia entender o porquê de ele esconder sua "cultura" dos outros, e manter aquela imagem completamente diferente. Olhou em volta, encontrando um violão sobre um apoio, um banco e várias partituras espalhadas, vendo que se tratava de um curso, e que ele já se encontrava em nível avançado. De novo, perguntou-se por que ele escondia aquilo dos outros. Quando escutou um barulho vindo da porta, saiu rapidamente de lá de dentro, caminhando até a cozinha, e encontrando Giancarlo em roupa de treinos, com uma sacola em mãos. Escondeu sua presença enquanto via ele se dirigindo para a cozinha. Após colocar a sacola sobre a pia, percebeu que eram alimentos. Curioso, manteve-se quieto. Então o viu pegando e picando alguns tomates e dentes de alho. Em seguida, em uma frigideira colocou azeite, refogando o que havia picado, adicionando sal e alguns temperos. Enquanto aquilo cozinhava, colocou uma panela com água para ferver. Enquanto limpava suas mãos, o Italiano perguntou sem olhar para trás.

- Vai ficar aí até quando?

- Ah!

Afrodite não escondeu o susto que levou, em seguida abaixou o rosto envergonhado enquanto caminhava para dentro da cozinha, sentando-se à mesa no centro.

- Bom dia.

-... Boa tarde.

Respondeu demorando um pouco para responder para ter tempo de olhar o relógio. A resposta fez o visitante abaixar mais a cabeça.

- O que... Foi que eu fiz?

Perguntou receoso da resposta que teria do outro.

- De danos materiais, apenas um copo quebrado.

O Sueco suspirou aliviado, mas não era a reposta que eu queria.

- E eu falei alguma coisa?

O Italiano parou o que fazia por alguns instantes. Não sabia se o que ele havia dito debaixo do chuveiro era o que o deixava tão angustiado, então resolveu deixar pra lá, pois aquilo também não o interessava.

- Nada digno de nota. Apenas conversa de bêbado.

Aquilo realmente havia aliviado a face do Sueco, que se deu ao direito de relaxar na cadeira.

- Ai minha cabeça...

- Come alguma coisa, depois toma o remédio.

Enquanto falava, ele colocava um pacote de massa na água fervendo, desligando o refogado, que naquela altura já havia virado um molho. Em seguida, ele também se sentou à mesa, encarando o Sueco de frente, o que deixava o outro extremamente desconfortável.

- Me desculpe. Por invadir sua casa, te acordar, quebrar seu...

- É isso mesmo que você quer da sua vida, Thomas?

Chamou o outro pelo seu nome verdadeiro, cortando o que ele dizia para ver se realmente chamava a atenção dele. Funcionou, pois o outro levantou o olhar, mostrando estar bem bravo.

- Eu não me lembro de ficar me metendo na sua vida.

- Não, mas eu também não me lembro de ter um comportamento autodestrutivo, nem de importunar os outros com meu comportamento.

Os argumentos do canceriano iam minando a defesa de Afrodite.

- Olha, pode não parecer, mas você é um dos poucos com o quem eu me importo realmente aqui nesse Santuário. Se você não quer se ajudar, tudo bem, mas eu quero ter a consciência limpa de que pelo menos eu tentei.

O olhar de Afrodite agora era de surpresa. Nunca pensou em ver o temido Máscara da Morte dizendo palavras como aquelas para ele. O Italiano deixou o outro pensando enquanto levantava-se da cadeira. Foi até a panela e viu que o macarrão estava quase cozido. Em seguida trouxe dois pratos, garfos e copos, separando-os sobre a mesa. Agora sim o macarrão deveria estar pronto. Após desligar e escorrer a massa jogou o molho por cima e colocou a travessa sobre a mesa.

- Come enquanto ainda está quente.

Afrodite não ousou recusar a ordem, mesmo porque estava faminto. Após servir-se, provou uma garfada.

- Hummm, acho que vou contratar você para fazer meu almoço depois que eu voltar das baladas.

- Melhor não se aproveitar da minha boa vontade...

Em seguida os dois continuaram a comer em silêncio. Depois que Afrodite sentiu-se satisfeito, foi até a pia e lavou os talheres que usou.

- Onde estão minhas roupas?

- No lugar onde você as deixou. Provavelmente encharcadas em algum canto do banheiro.

- Me arranja algo para eu levar elas?

- Usa a sacola que eu trouxe as coisas.

Então Afrodite pegou a sacola plástica, indo até o banheiro e pegando as roupas ensopadas e colocando na sacola. Voltou para a cozinha, vendo o dono da casa também lavando sua louça.

- Obrigado.

- Só espero que isso não se repita.

- Pode deixar. Até mais.

- Até.

O pisciano saiu da casa de Câncer, começando a subir para Peixes. Ao chegar lá, jogando as roupas molhadas que estavam na sacola plástica no tanque. Resolveria o que fazer com elas depois. Dirigiu-se ao banheiro e ligou o chuveiro. Seu corpo parecia não querer obedecer todas às ordens de seu cérebro. Claro sinal da ressaca em que estava. Apenas depois de ficar nu, percebeu que as roupas que vestia pertenciam ao cavaleiro de Câncer. Pegou a camiseta mais uma vez, olhando para ela. Antes que percebesse a aproximou de seu rosto, fechando os olhos e aspirando o perfume que vinha dela. Após fazer isso, sentiu-se ridículo, como um mendigo catando migalhas deixadas pelos outros. Jogou a camiseta longe e entrou debaixo do chuveiro. O banho quente foi reconfortante. Saiu, e após se secar, vestiu roupas próprias. Camiseta e um short de tecido fino, além de sandálias no estilo grego. Após prender seu cabelo em um rabo de cavalo e tomar um remédio para dor de cabeça, adormeceu e acordou já no fim da tarde, levantando da cama e indo até o jardim, onde cultivava uma grande quantidade de rosas. Agachou em frente a algumas delas que pareciam começar a murchar. Perguntava a si se elas sentiam e acompanhavam seu estado de espírito. Estava distraído quando ouviu uma voz chamá-lo.

- Afrodite?

Virou seu corpo, vendo Atena surgir vinda do salão do grande mestre.

- Atena.

A deusa vestia um vestido simples. Assim que ela entrou, ele levantou-se e fez uma rápida reverência.

- A que devo a honra de sua visita, Atena?

Ela então se aproximou do mesmo canteiro que o cavaleiro observava anteriormente, agachando-se, e também observando como o as flores haviam perdido seu viço.

- Eu vim aqui porque estou preocupada com você.

Ele fez cara de quem não compreendia muito o porquê daquelas palavras, mas já tinha idéia do que se tratava. Ela então continuou.

- Não apenas com você. Venho percebendo que vários de vocês vêm sofrendo em silêncio desde que voltaram. Não vou forçar nada, mas quero que saiba que estou aqui para ajudá-los. Vocês não precisam mais sofrer sozinhos...

Enquanto falava, ela se aproximava dele, segurando em suas mãos de forma carinhosa. A preocupação da deusa, bem como sua presença, fazia o cavaleiro relaxar, o fazendo deixar escapar uma lágrima, que prontamente é seca.

- Me desculpe, mas não sei se a senhorita tem como resolver o meu problema.

- Por que não tenta? Eu estarei lá quando você quiser tentar.

- Obrigado.

Então a deusa despediu-se, deixando Afrodite sozinho, refletindo sobre sua vida até o momento.

Continua...


Notas:

- Espero que tenham gostado.

- La Défense - Centro financeiro localizado na cidade de Paris. É considerado o maior de toda a Europa, construído para esse propósito. Praticamente todas as grandes empresas Francesas têm sua sede no local.

- Saint-Cloud - Cidade de 30 mil habitantes, localizada a cerca de 10 quilômetros de Paris. É considerada a 17ª cidade mais rica da França.

- Até semana que vem.