Tempos de Mudança - Capítulo 5
Recados:
- Olá. Chegamos ao quinto capítulo de "Tempos de Mudança".
- Pelo título, acho que dá pra ter idéia do que acontecerá. Espero que dêem boas risadas.
- Agradeço a todos que estão acompanhando, mesmo que não deixem recados. Já tive visitantes do Brasil, França, Argentina, Suíça, Chile, Portugal, Colômbia, Estados Unidos e (ufa) Venezuela. Muito obrigado mesmo.
Boa leitura.
Santuário
Era fim de tarde enquanto Aioros subia pelas Doze casas. Iria confirmar com Shion sua presença na festa, coisa que não havia feito ainda. Passara tranquilamente pelas casas de Capricórnio e Aquário, pois sabia que elas estavam vazias. Afrodite deveria estar em Peixes, mas sabia que não deveria ter problemas para passar por lá.
- Afrodite? Afrodite eu estou passando...
Caminhava, mas não via o morador da casa em lugar nenhum. Já estava do outro lado quando viu ele em uma mesa ao ar livre, próxima ao jardim, concentrado em um livro e com fone de ouvidos, falando algo que não compreendia.
- Afrodite!
Disse em um tom mais alto, que finalmente o outro ouviu, tirando os fones e virando a cabeça. Aioros foi até lá.
- Olá. Estou indo ao salão do Grande Mestre para avisar que vou à festa. O que está fazendo?
- Eu estou fazendo um daqueles cursos rápidos de idiomas.
- Que língua é essa? Parece... Italiano.
- É. Meus cantores preferidos são Italianos, e eu quero poder entender o que eles falam direitinho.
- Por que não pede aulas ao Giancarlo?
- Eu? E você acha que ele vai fazer algo do tipo?
- Provavelmente não. Bom, eu vou indo, até mais.
- Até mais.
Aioros seguiu seu caminho, e o pisciano voltou a ouvir as palavras vindas do seu fone, enquanto acompanhava o livro e repetia as palavras. Já estava em um nível intermediário, e algumas palavras já fluíam quase que naturalmente. Aioros chegou à sala particular de Shion e bateu na porta.
- Entre.
Assim que foi autorizado, abriu a porta.
- Com licença.
- Olá Aioros. O que deseja.
- Mestre Shion, eu vim comunicar que irei à festa.
- Ah sim. Eu vou marcar seu nome na lista. Eu também gostaria de pedir-lhe um favor.
- Pois não.
- Os cavaleiros de bronze chegam amanhã cedo, e Atena me disse que fará uma reunião com todos amanhã às 20 horas no Salão do Grande Mestre, mesmo os que não confirmaram presença. Gostaria que você avisasse quem encontrasse, e pedisse para que o recado fosse levado adiante.
- Tudo bem, Mestre. Com licença.
Aioros então saiu e começou seu caminho de volta para Sagitário, vendo novamente Afrodite. Novamente se dirigiu a ele, agora para dar recado de Shion. Ele agradeceu e disse que avisará quem ver. Depois de mais uma rápida caminhada, encontrou Shura no caminho entre Sagitário e Capricórnio, e também o avisou. Finalmente chegou em sua casa, pronto para mais uma noite de descanso. O dia encerrou-se, e logo a noite caiu. Escondido por ela, Aioria se esgueirava pela vila das amazonas até bater na porta da residência de sua namorada. Marin a atendeu com um sorriso no rosto, vestindo um roupão de seda negro. Ele entrou rapidamente e enquanto ela ainda trancava a porta, ele a abraçou por trás.
- Finalmente. Não via a hora de poder te encontrar.
- Ei, vai com calma, mocinho.
Disse ela se desvencilhando do abraço e se colocando de frente para ele.
- Vamos para o quarto. Tudo que precisamos está lá.
- Tá bom, tá bom. Mas eu não vejo a hora de tirar esse roupão e o que tiver debaixo dele.
- Ah, é? E se eu te falar que não tem nada por baixo dele?
Em seguida ela riu e deixou o cavaleiro com cara de bobo enquanto ia para o quarto. Aioria acordou depois de se ver sozinho, e logo seguiu atrás dela.
Aeroporto de Narita
Finalmente havia chegado o dia da viagem dos cavaleiros de bronze para a Grécia. Estavam os cinco, mais Seika, numa área do Aeroporto própria para vôos privados. A excitação pela viagem deveria ser o sentimento vigente, porém não era bem assim.
- Fala sério. Por que temos que chegar duas horas antes do vôo partir?
- Ué Seiya. Temos que fazer o check-in, embarcar bagagem... Aquela burocracia de sempre. Até parece que você nunca esteve em um aeroporto antes.
Shiriyu responde a Seiya, que não parava de reclamar.
- Mas eu pensei que como vamos num avião particular, seria um pouco mais fácil. Além disso. Por que o vôo tinha que ser às seis horas da manhã? Se tem uma coisa que eu não gosto é de acordar cedo.
- Seiya, por favor. Não vamos começar essa viagem já estressados. Eu quero ir para a Grécia, rever as pessoas de Rodorio e aproveitar essa festa.
A voz da irmã parecia acalmá-lo.
- Tem razão Seika. Afinal não é sempre que temos uma oportunidade dessas.
O cavaleiro de Dragão então pode voltar às suas palavras cruzadas, enquanto Seiya e Seika conversavam. Sentados em bancos de frente para eles, Shun e Ikki também conversavam. Hyoga estava afastado, apoiado em uma das paredes de vidro que davam vista para as pistas. Seu passatempo era ver os aviões pousando e decolando. Desde que Shun terminara com ele, não tivera uma única oportunidade para poderem conversar a sós. Queria falar com ele, mas também não saberia o que dizer. Restava a ele esperar por uma oportunidade. Todos se sentiram aliviados quando foram autorizados a embarcar no avião. Mais alguns minutos, e uma voz foi ouvida através dos alto falantes.
- Bom dia. Aqui é o Comandante Harada e quero lhes dar boas vindas. Estamos partindo agora com destino a Atenas, com escala em Guangzhou, China. A previsão de horário de chegada é nove horas, hora de Atenas. Tenham uma boa viagem.
- Espera aí, escala em Guangzhou por quê?
Seiya pareceu ter perdido novamente a paciência
- Seiya, por favor...
Seika mais uma vez tentava acalmá-lo. Sabia bem como o irmão era intempestivo.
- Bom, é que...
Shiriyu, envergonhado, parecia querer tentar terminar uma frase.
-... Vamos pegar mais um passageiro. Melhor, passageira.
- Em Guangzhou? Ah, Shiriyu, seu safado. Vai levar a Shunrei na festa, não é?
Ikki falou, deixando Shiriyu ainda mais envergonhado.
- Sim, eu liguei para a Saori no dia seguinte, perguntando se eu podia, e ela disse que não tinha problema. M-mas não é nada disso que vocês estão pensando não.
- Sei, acredito. Devia a acabar logo com essa enrolação e pedir ela logo em namoro.
Enquanto os outros riam, Shiriyu encolhia-se ainda mais em seu banco. Sabia que essa hora chegaria, mas não sabia que ficaria tão envergonhado em contar que a havia convidado, e com a reação dos seus amigos. Foi nesse clima que o vôo partiu.
Aeroporto de Atenas
Após uma viagem tranqüila, os cavaleiros de bronze chegaram à Grécia. Na rápida escala na China, Shunrei subiu a bordo. Apesar de Ikki e Seiya tentarem provocar Shiriyu fingindo rostos apaixonados na direção dele, o dragão os ignorou completamente, e passou praticamente a viagem toda conversando com ela. Após pegarem suas malas, para surpresa deles, Shaka estava junto com dois motoristas para esperá-los.
- Namastê, meus jovens. Bem vindos novamente à Grécia.
- Namastê para você também, Shaka.
Disse Shun, devolvendo o cumprimento. Gostava do cavaleiro de virgem, tinham várias coisas em comum por serem do mesmo signo. Apresentaram a ele as duas jovens. Seika ficou um pouco nervosa por estar pela primeira vez diante de um cavaleiro de ouro, mas logo Shaka a deixou à vontade.
- Você foi o escolhido pela Saori para nos levar até o Santuário essa vez?
- Sim, vamos. Entrem nos carros.
Então eles se dividiram nos carros. Em um, Shun, Ikki, Seika e Seiya. No outro, Hyoga, Shiriyu e Shunrei e Shaka. Partiram do Aeroporto em direção ao Santuário.
- Vocês ficarão em uma pousada em Rodorio, mas terão livre acesso ao Santuário.
Shaka falava para os presentes no carro.
- Também precisam saber que Atena marcou uma reunião para todos que vão para a festa à noite. Parece que ela dar alguns recados e avisos.
- Talvez sobre como nos comportarmos...
Falou Hyoga meio seco, chamando a atenção de todos.
- Creio que esse seja um dos pontos, Cisne. Mas eu também não sei de detalhes maiores.
O resto da viagem foi tranqüila, com Shunrei admirando a cidade pela janela. Era a primeira vez que ela viajava à Grécia. No outro carro, a conversa era mais aberta entre os quatro. Seika estava cada vez mais ansiosa para chegar a Rodorio, e Seiya para chegar ao Santuário e rever os cavaleiros de ouro.
Santuário, Casa de Áries
Mu limpava a entrada da casa de Áries. Como era a primeira casa, podia ver todo o movimento pelo local. Já havia visto Saga, Kanon e Kamus indo para seus serviços, logo seriam Shura e Dohko a passarem por lá, e claro, sempre havia aqueles que passavam casualmente.
- Olá Mu.
A voz veio de dentro da casa, ele virou-se, encontrando Aldebaran. Ele sempre vinha passar um tempo em Áries durante a manhã. Pela proximidade, o Brasileiro era seu amigo mais próximo entre os cavaleiros.
- Olá Aldebaran, quer chá?
- Não, obrigado. Já tomei café em Touro.
Disse se sentando nas escadarias.
- E então, alguma novidade?
Perguntou o Brasileiro, continuando a conversa.
- Shaka foi buscar os cavaleiros de bronze, de resto, o mesmo. Já decidiu se vai a tal festa?
- Eu pensei bem, e vou sim. Tem razão, ficar não vai ajudar com minha timidez. Preciso ser um pouco mais comunicativo.
- Faz muito bem.
Logo Giancarlo chegou, cumprimentando os dois. Nem estranhou que a casa de Touro estava vazia, pois sabia que encontraria o seu guardião em Áries.
- Bom dia rapazes. Eu estou indo para mais uma "sessão de tortura".
Ele chamava assim seu turno de treinamentos. Era sabido por todos que ele gostava de pegar pesado com os aspirantes. Pretendia ir logo, mas acabou ficando para uma conversa mais demorada com os outros dois. De repente, vindo de uma direção incomum, apareceu Aioria, que engoliu em seco ao ver os três.
- B-bom dia pessoal.
- Ué Aioria, você acordado há essa hora?
Perguntou Aldebaran.
- Pois é eu acordei cedo e resolvi fazer uma corrida.
- Cedo mesmo, pois eu acordei era quinze para as sete e não me lembro de ver você passando...
Foi a vez de Mu falar.
- Não tá escondendo nada da gente, não é Aioria?
O Italiano falou com um discreto sorriso no rosto, fazendo os três virarem para ele esperando respostas. Aioria tentava pensar em uma desculpa, ou esperava por um milagre que fizessem eles mudar o foco da conversa. Para sua surpresa a segunda opção se cumpriu, e de uma forma que jamais esperava. Era Shina, que chegava com algo que deixou os três até um pouco assustados.
- Bom dia senhores.
- Sh-Shina, o que significa isso?
Perguntou Aioria. Ela deu uma leve gargalhada com a reação dele.
- Isso? É uma surpresa que eu tenho para aquele escorpiano abusado. Ele achou que poderia me provocar e me humilhar na frente dos meus alunos e que não teria volta? Essa é minha resposta para ele. Vocês autorizam a minha subida até Escorpião?
Enquanto ela se explicava, Shura e Dohko apareceram, achando aquela cena tão surreal quanto os outros três. Após um rápido silêncio, Giancarlo falou com um sorriso no rosto.
- Cara mia, para dar um castigo no Miro, com todo o prazer lhe dou passagem pela casa de Câncer.
- Grazie, Giancarlo. Posso ter a mesma boa vontade de vocês?
Disse se dirigindo aos outros. Aldebaran e Aioria também autorizaram prontamente. Mu e Dohko pensaram um pouco mais, mas também deixaram a Italiana passar. Ela então começou a subir as escadarias. Assim que ela sumiu dentro da casa de Áries, Giancarlo disse.
- Aposto 100 que vai dar para ouvi-lo gritar de Câncer.
- Eu ia para a Faculdade preparar aulas... Mas acho que isso é mais interessante. Câncer é muito longe, acho que não passa de Virgem.
Disse Shura.
- Aposto que não passa de Leão.
Foi a vez de Aioria falar.
- Ah, que droga. Agora eu não sei se fico em Câncer para ver se dá pra escutar ou não, ou subo até Escorpião pra ver mais de perto...
Giancarlo dizia com um sorriso incontido no rosto, coçando a cabeça e pensado bem no que eu faria.
- Eu tenho uma Idéia. Mu, Dohko e eu ficaremos em Câncer, Leão e Virgem. Somos mais confiáveis que vocês três nessa questão.
Aldebaran deu uma idéia que pareceu satisfazer a todos. Mesmo Dohko havia ficado curioso para ver onde isso acabaria.
- Demorou. Vamos logo.
Shura falou, e foi seguido por todos. Como combinado, Aldebaran, Mu e Dohko ficaram pelo caminho, e os outros três seguiram Shina de perto, esperando ela entrar em Escorpião. Dentro da casa, Miro ainda dormia. A amazona entrou no quarto. Ele dormia ocupando toda a cama, e com as cobertas jogadas no chão. Observou por algum tempo o cavaleiro dormindo. Não podia negar que ele era bonito, mas sua personalidade era intragável. Sem receio, colocou o que trazia sobre a cama, e esperou. Miro despertou levemente quando sentiu algo balançando sobre sua cama, o fazendo querer se ajeitar, mas quando moveu seu braço, sua mão bateu em algo roliço, gelado e... Escamoso.
- O que diabos é isso?!
Abriu seus olhos, apenas para encontrar uma língua bifurcada silvando bem em frente aos seus olhos.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHH HHHHHHHHHHHHHHHHHH!
Saltou para a beirada oposta da cama, encarando assustado a serpente em sua cama.
- O que é isso? Quem colocou esse bicho aqui?!
- Oi Miro.
Virou a cabeça na direção da voz, encontrando Shina, que tinha um sorriso nos lábios, e parecia conter-se para não cair na gargalhada.
- Shina? Como você chegou aqui? E que brincadeira é essa?
Ela se aproximou da cama e para sua surpresa pegou a serpente, enrolando-a em volta de seu pescoço
- Quando você me chamou de "mulher da cobra", sem saber você tinha um pouco de razão. Essa aqui é a Bianca, minha Píton de estimação. Geralmente eu a alimento com ratos e ovos de galinha, mas eu resolvi mudar o cardápio dela, e ver se ela gostava de escorpião também.
- Sua louca! Como você... Como você chegou aqui?
- Seus "amigos" me deram passagem quando disse o que pretendia fazer. Nesse momento eles devem estar rolando nas escadarias de tanto rir.
Ela tinha agora um sorriso maldoso no rosto. Miro, que ainda estava acuado, levantou-se da cama com os olhos faiscando de ódio.
- Eu devia...
- Vai fazer o que? Me atacar? Eu sou uma amazona, e estou aqui com autorização dos outros cavaleiros de ouro das casas abaixo. Eu te falei pra não brincar comigo, agora agüente as conseqüências.
Ele ainda estava de boca aberta, não acreditando na coragem e na petulância naquela mulher.
- Bom, agora que já fiz o que eu queria fazer, estou indo. Arrivederci, Miro.
Então ela saiu do quarto. Quando Miro fez o mesmo logo em seguida, viu que Giancarlo, Shura e Aioria estavam na entrada da casa, contendo-se ao máximo, mas depois que ela passou por eles com um sorriso vitorioso, não resistiram, começando a gargalhar alto. Giancarlo rolava no chão, enquanto Aioria e Shura apoiavam-se na parede. O dono da casa passou por eles, gritando para a amazona que já havia descido um lance de escadas.
- Isso não vai ficar assim. Você ainda vai aprender a respeitar hierarquia, sua louca!
O piti do escorpiano pareceu ter dado mais motivos para os três rirem. Miro voltava para dentro da casa, e quando passou por eles, Shura disparou.
- Que foi Miro? Assustou quando viu que a Shina tem uma cobra maior que a sua?
Miro sabia que não tinha mais moral, então foi embora para dentro sem responder, batendo a porta do quarto, para tentar abafar as risadas. Sabia que seria motivo de piada pelo resto do ano. Andava pelo quarto como um animal enjaulado pensando no tamanho da petulância da Amazona, e que precisava fazer algo para recolocá-la em seu devido lugar.
Continua...
- Guangzhou - Em Português, Cantão. Cidade localizada na Província de Guangdong (Que também pode ser traduzida em Português para Cantão), na região sul da China. Com quase 13 milhões de habitantes, é a terceira maior cidade do País, e um importante centro administrativo, industrial, financeiro e portuário.
- Namastê - Saudação comum na região sul da Ásia, principalmente na Índia e no Nepal. Apesar de ter origem no Hinduísmo, hoje é aceito como saudação mesmo para outras religiões.
- Se vocês se divertiram tanto ao ler quanto eu me diverti escrevendo, já valeu a pena XD.
Até semana que vem.
