Tempos de Mudança - Capítulo 7

Recados:

- Olá. Chegamos ao capítulo 7

- É um capítulo curtinho, só pra deixar vocês querendo mais *Risada do Saga*, mas bem forte. Talvez o mais surpreendente até aqui.

Agradecimentos:

- Virgo Nyah - Acho que já disse sim, mas eu agradeço novamente. Quanto ao Shun, bom, você está indo bem em suas suspeitas. OCs são importantes na história, para não deixar ela engessada. Estou começando a achar que logo eu vou demorar mais que uma semana pra postar... O segredo e escrever um monte antes. Pra ter uma idéia, eu já tinha 75 páginas prontas quando eu comecei a postar. Ah, eu li todas da série "Não estou vendo Isso". Coitado do Saga XD

Boa leitura a todos.


Afrodite caminhou para o banheiro ainda meio em choque. Por um lado não queria o Italiano grudado em seu calcanhar, por outro... Logo em seguida balançou a cabeça, tirando aquela idéia besta de sua cabeça. Foi tomar banho e preparar-se. Não deixaria a presença do outro estragar sua noite. Depois de chegar à sua casa Giancarlo foi fazer o mesmo. Depois que um banho rápido, vestiu-se. Calça sarja, camisa pólo e sapatos, tudo preto. Passou um perfume e foi para entrada da casa de Câncer. Havia se trocado com certa pressa, pois não queria perder o Sueco de vista, apesar de não ser prioridade cuidar para que ele não causasse problemas, queria mesmo era se divertir. Afrodite demorou, chegou a pensar que ele tivesse conseguido escapar, mas não. Vindo de Leão ele apareceu. Vestia uma camisa social branca, pra fora da calça jeans escura, bem justa ao corpo, além dos sapatos.

- Vai querer ir mesmo?

Perguntou uma última vez para ver se ele mudava de idéia?

- Certeza absoluta.

Respondeu o Italiano. O Sueco então deu nos ombros continuando a caminhar, seguindo abaixo junto com Giancarlo até saírem do Santuário. As ruas de Atenas estavam agitadas, pronta para aqueles que queriam se divertir, ou que vivessem da noite. Após uma caminhada de uns 20 minutos, os dois já podiam ouvir o som da música eletrônica abafado pelas paredes. Após virarem a esquina, podiam ver o letreiro luminoso, onde estava escrito "Πόθος".

- Póthos... Desejo. Gostei do nome.

Giancarlo falou, fazendo o outro abrir um sorriso. Não precisaram pegar fila, por Afrodite era um dos sócios do local. Após um curto corredor estavam em salão onde a música eletrônica tocava, e as luzes piscavam freneticamente. Em um canto mais iluminado, um bar onde as pessoas bebiam ou levavam copos para as pistas. Assim que os dois entraram vários olhares se dirigiram para eles. O Sueco estava acostumado, o Italiano nem tanto. Sentaram-se no bar para pedirem algo para beber. Giancarlo foi de whisky com gelo, Afrodite pediu uma garrafa de Ice. Após um gole, o Italiano virou-se para o outro lado, observando a pista.

- Tenho que admitir, ficou muito bonito...

- Obrigado.

O outro fez o mesmo gesto em seguida.

- E não é só isso. Naquela direção há um ambiente mais disco e músicas alternativas... E naquele lado um ambiente próprio para pegação, com luz indireta, sofás. É o mesmo som daqui, mas chega em menor volume.

- Interessante.

- Dite!

Uma voz chamou a atenção dos dois.

- Alex!

Levantou-se e cumprimentou o recém-chegado, abraçando o ruivo de cabelos curtos e olhos verdes com vontade.

- Veio acompanhado hoje?

- Sim, quero lhe apresentar um amigo. Alex, esse é o Giancarlo. Giancarlo, esse é o Alexandros, ou Alex, para os íntimos. Ele é um dos sócios da boate.

Depois dos cumprimentos, Afrodite continuou.

- Por que veio hoje? Geralmente você vem só nos fins de semana.

- Ah, você nem acredita. O Johann me ligou falando que deu um pepino daqueles com um distribuidor. Ele está furioso, me pediu para vir pra cá. Ele está lá em cima no escritório. Ainda bem que eu te achei. Vem comigo e me ajuda a entender o que está acontecendo.

"Era o que faltava", pensava o Sueco. Não queria abandonar o outro ali e agora. Olhou para seu amigo, e depois para o Italiano, que havia ouvido tudo.

- O que está esperando? Vai logo, é seu serviço.

- Tá... Volto assim que der.

Meio a contragosto, ele seguiu o ruivo escadas acima.

- Me desculpe melar seu encontro, Dite.

- O que? Ah, não. Não é nada disso que você tá pensando. Ele é só um amigo... E não gosta da coisa...

Falou não se dando conta da cara de desapontamento que fez ao dizer aquilo.

- Mesmo, que pena. Porque ele é lindo.

Alex falou aquilo antes de bater na porta do escritório, puxando Afrodite para dentro. O cavaleiro de câncer então de repente se viu sozinho em um lugar desconhecido. Pegou o copo de bebida e foi na direção do outro ambiente que Afrodite tinha lhe falado. Ao chegar lá, havia um grupo de pessoas dançando. O ambiente era mais iluminado que o primeiro, além de uma decoração que o Italiano descreveu mentalmente como "Psicodélica". Apoiou-se na parede para observar o movimento. Afrodite tinha razão. Havia uma boa parcela de homens e mulheres que procuravam diversão com o sexo oposto. Entrou na pista, dançando com alguma desenvoltura e chamando a atenção de várias pessoas. Surpreendendo até a si mesmo, dispensou os rapazes que vinham dar em cima dele com certa educação, pois seu alvo naquela noite já estava decidido. Uma bela morena de olhos verdes e cabelos lisos até o meio das costas, vestindo um vestido preto justo. Após uma troca de olhares, ele se aproximou. Após uma rápida conversa ao pé do ouvido por causa da música, os dois saíram do meio da pista para conversarem próximos à parede, onde a música não era tão alta. Quarenta e cinco minutos haviam se passado desde que Afrodite havia entrado no escritório, mas para ele, era como se o dia já tivesse amanhecido. Só faltou agradecer de joelhos quando o problema foi resolvido, saindo junto com Alex de volta para a balada.

- Vai ficar por aí?

- Acho que sim. Já que estou aqui vou aproveitar um pouco. E você? Vai atrás do seu amigo?

- Sim, eu vou. Ele não está acostumado com ambientes assim. Estou preocupado do que ele pode fazer se algum desavisado der em cima dele.

- Vai lá então. Até mais.

Despediram-se, e então Afrodite começou a procurar Giancarlo. Saiu de onde estava, e depois ter certeza de que ele não estava por ali foi para o segundo ambiente. Parou na entrada, olhando para todos os lados até o encontrar, não da forma como queria. Ele conversava com uma mulher, mulher mesmo. Preocupou-se dele sem querer dar em cima de um travesti, mas não era esse caso. Ela estava encostada na parede de frente para o Italiano. Afrodite observou por alguns minutos, ate que eles caminharam em sua direção, rapidamente o cavaleiro foi para pista e depois que o casal passou por ele foi atrás. Acabou vendo-os entrar no terceiro ambiente, o da pegação. Sabia que deveria estar pronto para aquilo, mas ao vê-lo sumindo com a mulher, era como se algo se partisse dentro de si. Sentiu-se idiota e ridículo por ainda ter algum tipo de esperança. Voltou o mais rápido que pôde para o bar, onde pediu uma dose de Vodca e virou na mesma hora, pedindo um segundo antes de ir para o meio da pista, e beijar o primeiro que viu pela frente. Uma hora de passou. Afrodite continuou bebendo seguidamente para ver se esquecia o que havia visto e conseguia se divertir. Alex também havia aproveitado um pouco a balada, e estava no bar quando encontrou um Afrodite já bem alterado.

- Dite? Dite, você está bem?

- Eu estou... Ótimo

Parou de falar para entornar mais um copo de bebida, e quando quis se levantar, só não caiu por causa do ruivo.

- Por favor, Dite. Já chega por hoje.

- Nnnnnnão...Você não entende...

- Não entendo mesmo. E se você não vai parar, vou proibir o barman de te servir. Eu posso fazer isso.

Ao mesmo tempo ao que ocorria no bar, Giancarlo saía do ambiente íntimo com a morena. Após trocarem telefones ela se despediu dele. O canceriano ainda a acompanhou com os olhos antes de voltar a atenção para o ambiente a procura do Sueco. Não precisou procurar muito, pois de longe via a cena desenrolar no bar, e mentalmente recriminou-se por tê-lo deixado tanto tempo sozinho.

- Você é um chato, Alex. Se eu não posso beber aqui, vou procurar onde eu consiga

Afrodite falou desvencilhando do ruivo, tomando a direção da saída. Alex tentou segui-lo, mas a multidão o fez perder o Sueco. Giancarlo foi atrás dos dois, conseguido alcançar o ruivo.

- O que aconteceu?

- Graças a Deus. Estou tentando ir atrás do Dite. Ele disse que vai embora, mas ele está completamente bêbado. Estou preocupado com o possa acontecer com ele.

- Pode deixar eu o levo pra casa.

Então foi em direção á saída, olhando em volta para ver se o conseguia ver em que direção ele tinha ido. Afrodite já tinha virado o quarteirão, e caminhava devagar e cambaleante. Em um momento tropeçou, caindo no chão e não conseguiu levantar-se. Para piorar, três rapazes seguiam pelo mesmo caminho, e viram a cena.

- Ih, olha só. A moça bebeu todas e não consegue se levantar.

- Moça? Você bebeu? Olha direito, é um homem

-... Nossa, é verdade. Esse cabelo todo me confundiu.

Então pararam em pé em volta dele. Dite tentou mais uma vez se levantar, tentando olhar para ver se conseguia reconhecer quem eram aqueles homens.

- Mas ele é muito bonito pra ser homem...

- Só pode ser bicha...

Assim que falou, o rapaz olhou para os lados e disse.

-... Ei, eu tive uma idéia. Já que ele gosta da coisa, que tal nos divertirmos um pouco?

- Eu gostei da idéia.

- Vocês estão loucos?

- Olha pra ele, ele nem vai se lembrar. Ajude-me aqui...

Os dois que haviam concordado com a idéia pegaram o corpo de Afrodite e o tiraram do meio da rua, jogando-o em um beco.

- Já que não quer participar, fica de olho pra ver se não aparece ninguém.

O rapaz dizia colocando o cavaleiro de bruços e se ajoelhando entre as pernas separadas. Primeiro puxou a calça de Afrodite para baixo, para em seguida abrir a própria calça. O sueco tentava juntar as pernas novamente, mas o álcool circulando em seu corpo não o ajudava. Uma parte de sua mente dizia para lutar, mas a outra dizia para deixar acontecer. Queria se sentir ainda mais machucado do que já estava.

- Anda logo com isso... Droga tá vindo alguém.

- Disfarça. Se ele desconfiar de algo a gente dá um jeito. Nós estamos em três, certo? Certo?...

Virou a cabeça na direção da rua, apenas para ver seus dois amigos nocauteados, e um par de olhos assassinos na sua direção. Levantou-se colocando as calças novamente e foi para o canto do beco, sentindo-se acuado. Giancarlo caminhou na direção dele, agarrando-o pelo pescoço.

- Escolheu a pessoa errada para querer se divertir.

Encarou o rosto amedrontado até que finalmente o atirou contra a parede, também o nocauteando. Em seguida caminhou na direção do homem deitado. Ao ouvir a voz do seu salvador sentiu seu corpo gelar, começando desesperadamente a se recompor, mas deixando metade da bunda ainda descoberta. Não queria que ele o visse daquela forma. Giancarlo por sua vez, em parte sentia-se culpado por não ficar de olho, mas sabia que se havia alguém culpado por estar naquele estado, era Afrodite.

- Meus parabéns Afrodite de Peixes, você conseguiu chegar ao mais baixo que um cavaleiro... Melhor, uma pessoa pode chegar. Está tão bêbado que nem mesmo conseguiu evitar que três moleques tentassem te estuprar. Por que, Thomas? Dê-me uma única explicação razoável para isso...

O outro não respondia, apenas sentou no chão e começou a chorar, escondendo o rosto enquanto as lágrimas escorriam.

- Quer saber, eu deveria dizer a Atena que você não tem condições para ir a essa festa. Eu tentei de tudo, mas pelo jeito você não quer ser ajudado. Pra mim chega. Você não merece esse esforço todo. Espero que tenha a mesma sorte da próxima vez.

Virou se para ir embora o deixando ali, mas sentiu algo prender suas pernas. Olhou para baixo.

- NÃO. Por favor, não Giancarlo. Eu posso suportar a dor, a humilhação... O desprezo de qualquer um, mesmo de Atena... Menos o seu...

Giancarlo encontrou o rosto do outro olhando em sua direção. Ele chorava, além de estar visivelmente alterado.

- Como assim, Thomas? Por que eu?

Ele falava erguendo os braços, e uma expressão de quem não entendia o que estava acontecendo.

- Eu sou um idiota. Eu... Eu estou apaixonado por você, Giancarlo.

O Italiano não escondeu o susto ao ouvir aquelas palavras.

- Eu sou um idiota. Quando eu vi você com aquela mulher... Não pensei em mais nada, só queria beber pra poder esquecer aquilo. Eu não espero mais do que nossa amizade, mas, por favor, não me tire isso também.

O Italiano não respondeu nada. Parecia ainda raciocinar as palavras que o outro tinha acabado de falar. Agora as palavras de Afrodite no chuveiro da casa de câncer faziam sentido. Não conseguia acreditar que ele tivesse escondido tão bem o que dizia sentir, a ponto de só conseguir falar nesse estado. Isso deveria estar deixando-o doente. Não poderia deixá-lo ali. Ajudou-o a se levantar, carregando-o de volta até o Santuário, e o caminho das doze casas. Afrodite deixou-se carregar até começar a subida, só então fazendo algum movimento. A bebida já começava a diminuir o efeito, e ele sentia a ressaca moral tomar conta. Subiram até peixes, e apenas na entrada do quartos que o dono da casa teve coragem de dizer algo mais.

- Desculpa...

- Não vou falar com você nesse estado...

Disse o jogando na cama.

-... Se o que você diz sentir é verdade, quero você ter coragem de falar sem estar assim.

Depois de falar aquilo, fechou a porta e começou a descer novamente. Restou ao Sueco chorar mais até dormir. Enquanto Giancarlo descia, as palavras de Afrodite martelavam em sua mente. Afrodite estava apaixonado... Por ele. Aquelas palavras o faziam pensar. Sempre teve a morte como sua companheira mais próxima, e todas as pessoas com quem esteve nunca sentiu mais que uma atração física. A única pessoa com quem sentia algo mais que isso era... O próprio Afrodite. Uma amizade surgida durante tempos de traição por causa de ideais parecidos, e mesmo depois da morte, da segunda traição, e da ressurreição, ele era o único com quem se importava e com quem conseguia deixar cair um pouco sua máscara. Mas e agora? Era só apenas amizade, ou...

- Droga... Só você pra me fazer pensar esse tipo de coisa, peixinho dourado...

Resmungava baixo, mas com um sorriso nervoso no rosto.

Continua...


- Bom, aí está. O que Giancarlo fará com essa revelação? Qual será o destino dos dois? Aguardem cenas dos próximos capítulos.

- Para compensar, o próximo capítulo será talvez o maior até aqui

Até semana que vem