Tempos de Mudança - Capítulo 8
Recados:
- Está no ar o seu, o meu, o nosso, oitavo capítulo dessa saga criada por quem vos fala.
- Esse é bem grande, como eu prometi. Hora de ver como os guerreiros se saem em outra praia XD.
Agradecimentos:
- Virgo Nyah - Não é que ele fraco pra bebida, é que ele enche o copo mesmo, pra afogar as mágoas. Muito do motivo vira num futuro que eu não espero que seja distante, e não tem nada a ver com o Giancarlo. Obrigado pelos elogios e por acompanhar a fic n_n
Boa leitura a todos.
Mais um dia nasceu em Atenas. No Santuário e na Vila de Rodorio, as pessoas acordavam preguiçosas, mas a maioria delas tinham compromissos que consideravam importantes. Aldebaran descia de Touro para Áries. Havia acordado cedo. Decidiu ir logo cedo para essas aulas de etiqueta. Não admitia, mas estava sim ansioso para ir para essa festa. Ao passar pelo corredor comum da casa de seu vizinho, sentiu o cheiro de café vindo da cozinha, resolvendo mudar a direção, encontrando Mu sentado, comendo.
- Com licença.
- Olá Aldebaran. Sente-se
O Brasileiro pediu licença novamente antes de sentar-se, pegando uma xícara de café.
- Vai para Rodorio?
Perguntou o dono da casa
- Sim. Vou às aulas da manhã.
- Então vamos juntos.
- Como é?
- Resolvi ir também.
- Mesmo? Que bom. Mas... Você acha que precisa disso?
- Por que não precisaria?
O ariano perguntou estranhando a pergunta do outro.
- Sei lá. Você parece ser o tipo de cara entendido no assunto.
- Não é bem assim. Eu sei algumas coisas, mas preciso tirar algumas dúvidas.
- Entendo. Bem, vamos acabar aqui e vamos descer.
Após Mu terminar de comer, Aldebaran o ajudou a arrumar tudo antes de saírem. No corredor toparam com Giancarlo, que estava com cara de pouquíssimos amigos.
- Bom dia, Giancarlo.
- Bom dia.
Respondeu seco ao Brasileiro, que resolveu ficar em silêncio. Os três caminharam para fora do local, seguindo a mesma direção. O Italiano não havia dormido pensando no que havia acontecido na boate. Havia pensado tanto que não agüentava mais, e por isso resolveu ir às aulas da manhã, pra ver se conseguia se distrair. Se fosse possível e necessário iria à tarde também. Com o Italiano um passo à frente, Mu e Aldebaran conversavam baixo.
- Acha que ele está indo pra lá?
Perguntou o Brasileiro.
- Provavelmente.
- E quem mais você acha que vai aparecer por lá?
- Muita gente. Mais fácil dizer quem eu acho que não vai aparecer.
- Bom vejamos... Quem eu acho que não vai dar as caras... Cérebro... Pinky... Sua Santidade... E o Mr. Freeze.
O ariano não evitou uma risada mais alta quando ouviu o Brasileiro falar. Ele havia dado a cada cavaleiro um apelido "carinhoso", mas que mantinha para si para evitar maiores confusões. Apenas Mu sabia deles.
- Eu colocaria o "Querubim" e o "Pai Mei" na lista.
Disse entrando na brincadeira.
- Pode ser, mas eu não dou certeza.
Seguiram uma conversa informal até chegarem à sede da Fundação em Rodorio. Lá encontraram os cavaleiros de bronze e as garotas que os acompanhavam. Mais uma vez, quando viu o cavaleiro de câncer, Shunrei se escondeu atrás do cavaleiro de dragão, mas Giancarlo não prestou atenção nem nela, nem nos outros. Indo para o outro lado do Hall e lá ficando. Conforme o horário para as aulas começarem se aproximou, apenas mais uma pessoa chegou para as aulas da manhã. Aioros. Aldebaran comentou com Mu.
- Parece que o "Querubim" resolveu aparecer.
- Pois é ele quebrou minha cara.
Após alguns minutos, eles foram chamados até uma sala de aula que parecia preparada para aquele tipo de lição. Lá dentro, uma bela mulher na casa dos 35 anos, longos cabelos loiros e olhos verdes. Usava óculos, e vestia um terninho executivo.
- Bom dia a todos vocês. Meu nome é Ariadne, e eu serei a professora de vocês. Fui informada pessoalmente pela Senhorita Kido sobre a ocasião especial que vocês irão, e que por isso precisam aprender alguns traquejos sociais. Não é nada muito complicado, pois acredito que já tenham uma boa noção de educação. Ela me disse que não tem muita certeza de como será o evento, então vamos tentar cobrir tudo. Vamos começar com quando vocês estiverem nos cumprimentos. Quando for ser apresentado a uma pessoa que não conhece, sempre mantenha o olhar focado nela, e esperar que ela tenha a iniciativa de esticar a mão para o cumprimento. Se estiver cumprimentando um casal, deve primeiro cumprimentar a mulher. Não se devem usar os beijinhos quando não se há intimidade com a mulher cumprimentada, a não ser que a iniciativa parta dela. E rapazes, se estiverem sentados quando forem apresentados a alguém, por favor, levantem-se para os cumprimentos.
Enquanto a mulher falava, todos pareciam anotar mentalmente as informações que eram passadas por ela.
- Certo. Agora a situações de conversa. Esse é fácil também, nada de muito diferente do que vocês já fazem habitualmente. Quando estiverem conversando com uma pessoa, demonstrem interesse, mantenham o olhar próximo. Evitem se distrair com alguma coisa. Evitem conversas polêmicas. Religião, política... Falar mal dos outros, fofocas... Isso é desagradável. Não interrompam a pessoa que está falando, esperem ela acabar. Histórias longas também são cansativas. Tentem ser rápidos e objetivos. E é lógico, se estiverem comendo, pelo amor de Deus não falem com a boca cheia.
Alguns dos presentes se olhavam. Principalmente os cavaleiros de ouro. Alguns como Aldebaran e Giancarlo se seguravam para não rir. O que ela falava era exatamente o oposto que de passava em alguns jantares coletivos. Era normal ver Aioria, Miro e Shura discutindo de boca cheia, e Afrodite gritando mais alto que os três, implorando para que eles parassem. Aldebaran em específico lembrou-se da passagem de Shaka obrigando-os a ouvir por uma hora sobre um sonho que tivera. Um sonho iluminado, como ele mesmo havia descrito, mas que serviu para que metade dos presentes tivessem seus próprios sonhos. Shura, coitado, teve um pesadelo onde ele se imaginava correndo sobre a palma da mão de Buda enquanto tinha que ouvir Shaka falando. Isso ele havia confidenciado ao Brasileiro alguns dias depois.
- Se alguém tiver alguma dúvida, basta perguntar. Agora vamos para uma dos momentos mais importantes, e preferidos. A hora das refeições. Como vocês já devem ter visto, temos uma mesa especial para isso.
Disse apontando para uma mesa comprida, já devidamente posta. Aos poucos os presentes foram tomando assento. Alguns olhavam para quantidade de coisas na sua frente como se fossem algo de outro mundo. Coçavam a cabeça, e rezavam para que não fosse algo tão formal como essas aulas aparentavam ser.
- Aqui estão todos os talheres que vocês por ventura possam precisar. Na esquerda, o prato para o pão e em cima dele a faca própria para manteiga. O pão sempre é partido e comido com a mão.
- Ora, então esses engomadinhos também botam a mão na massa...
Ikki comentou por cosmo, fazendo novamente alguns risos terem que ser contidos.
- No meio, o prato, garfo e faca. O garfo sempre à esquerda, e a faca sempre à direita, e é nessas mãos que eles devem ficar. Provavelmente haverá um guardanapo, que vocês devem por no colo antes de comer. Estão vendo que tem duas taças? A menor é para vinho, e a grande para água. Antes de beberem, limpem a boca com o guardanapo para que as taças não fiquem manchadas. São os pequenos detalhes que fazem a diferença. As taças sempre devem ser pegas pela haste, nunca pela parte de cima.
- Assim?
Aldebaran resolveu ir para a prática, resolvendo pegar a taça como ela havia falado, mas no mesmo instante o cristal estilhaçou em sua mão.
- Oh, meu Deus. Você se cortou?
A mulher disse em tom de preocupação.
- Não, eu estou bem.
- Me desculpe. Essa taça já deveria estar com defeito. Eu vou chamar alguém para recolher esses cacos. Com licença
Ela levantou-se, e logo depois dela sumir pela porta, Giancarlo abriu a boca.
- Eh, Aldebaran. Delicado como um elefante dançando balé.
- Foi mal. Eu não tinha idéia que essas taças fossem tão delicadas.
Algumas risadas foram ouvidas antes do próprio cavaleiro de câncer sentar de forma mais relaxada na cadeira, tapando o rosto com as mãos.
- Não sabia que ser rico era tão difícil.
- E eu que pensei que nunca mais teria que me preocupar com isso...
Uma voz que até agora não tina sido ouvida chegou aos ouvidos dos outros. Era Hyoga. Após alguns instantes de silêncio, Seiya falou.
- Você já teve aulas do tipo?
Hyoga suspirou profundo, para em seguida pegar uma das taças à sua frente, parecendo admirar o cristal.
- Já. Por incrível que pareça, Mestre Kamus também incluiu algumas aulas de etiqueta no meu treinamento. Ele disse que serviria para o caso de alguma missão que envolvia disfarce ou infiltração...
Os cavaleiros presentes assentiram com a cabeça. Conhecendo o Francês, ele bem que seria capaz disso.
- Mas por que está aqui então?
Foi a vez de Shiriyu perguntar.
- Se ele souber disso eu vou ouvir uma bronca, mas a verdade é que eu nunca as levei a sério como os treinamentos de verdade. Preciso lembrar algumas coisas.
Era o que ele falava, mas a verdade era outra. Ainda precisava falar com Shun, mas Ikki não o deixava sozinho com ele, e precisava buscar qualquer chance que tivesse. Logo em seguida, a mulher volta com uma faxineira, que recolheu os cacos e se retirou.
- Pronto, agora podemos continuar. Claro, algumas das dicas que eu já havia falado antes também contam. Não interrompam alguém que esteja falando à mesa. Não falem de boca cheia. Se por acaso a comida estiver na mesa, mas o que quer está longe, peça para alguém pegar pra você. Acho que isso encerra a parte da mesa de jantar. Agora vamos para a aula de dança.
- Dança?
Vários dos "alunos" disseram em momentos próximos, e começaram a se olhar surpresos. Atena não tinha falado nada sobre dança.
- Não precisam se preocupar. É coisa simples. Apenas se por acaso tiver algum tipo de evento envolvendo uma valsa. Os rapazes aprenderão a como conduzir, e as meninas como acompanhá-los. Mmm... Só que temos meninas a menos, então eu também vou participar, mas mesmo assim vamos ter que triplicar o serviço. Tudo bem, garotas?
Seika e Shunrei pareceram meio acuadas, mas aceitaram a proposta.
- Certo. Então vamos ver... Quem vão ser os primeiros?
Seiya e Shiriyu logo se aproximaram, respectivamente, da irmã e da namorada. Os outros cavaleiros olharam entre si, mas o primeiro a ter coragem para dar o passo à frente foi Aldebaran. Ariadne deu um sorriso.
- Finalmente os corajosos apareceram.
A mulher foi até um aparelho de som e o ligou. Logo uma música própria para uma dança de salão começou a tocar. Usando Aldebaran, a professora ensinou aos outros casais onde o rapaz deveria pegar no corpo da mulher, e como deveria segurar as mãos.
- Prontos? Agora o rapaz que tem que começar. Primeiro pra lá, depois pra cá... Isso, um passo pra cada lado...
Logo os três casais bailavam pelo local. Os cavaleiros de bronze e seus respectivos pares pareciam desajeitados. Aldebaran, acompanhado, da professora, parecia pegar o jeito mais rapidamente.
- Você aprende rápido, e tem mãos fortes.
O Brasileiro ficou vermelho com o elogio, sorrindo de forma mais larga para a professora, que também observava os outros dois casais dançando pelo local.
- Não é difícil mesmo...
Comentou Seiya para a irmã, ao mesmo tempo em que mantinha a concentração para não pisar nos pés dela. Shiriyu e Shunrei iam bem também. Os olhares mantinham-se cruzados, e a cumplicidade ajudava a fazer os movimentos serem fluidos. Após alguns minutos a música acabou.
- Isso mesmo, perfeito. Estão de parabéns. Agora, quem serão os próximos três?
Parecia até que estavam combinados. Ikki, Shun e Hyoga foram juntos. Os casais formados eram: Hyoga X Seika, Shun X Shunrei, Ikki X Ariadne. Como da primeira vez, ela rapidamente ensinou a posição dos corpos, e logo a música começou a tocar novamente. Desde o começo era claro que Hyoga era o mais desenvolto dos três, também resultado das aulas que recebeu de Kamus. Contudo, Shun e Ikki também desenvolveram bem os passos. Faltavam apenas mais três. Mu, sabendo do medo que Shunrei tinha do cavaleiro de câncer, aproximou-se dela para ser seu par, o que a fez sorrir aliviada. Aioros, sem saber muito o porquê, queria ficar com Seika, e assim se aproximou dela. Giancarlo, ficando por último, foi até a professora. Pela terceira vez a música tocou no local. Todos estavam curiosos sobre como o Italiano se sairia em uma coisa tão diferente como uma dança, e ter todos os olhos sobre ele o fez se sentir nervoso no começo, mas logo pegou o jeito da coisa. A concentração geral sobre um casal fez passar despercebida uma conversa que ocorria com outro.
- O senhor pegou rápido como se faz, cavaleiro de sagitário.
- Por favor, me chame apenas de Aioros.
- E- Está bem.
- Eu apesar de não estar presente nos eventos que aconteceram, fiquei sabendo de sua história, e a do Seiya. Fico feliz que puderam se reencontrar. Eu não sei o que faria se por acaso Aioria sumisse. Você é uma mulher corajosa para ter vindo sozinha procurá-lo.
Então houve uma troca de sorrisos mais largos.
- Obrigada.
A dança prosseguiu ate a música acabar, tendo ao final, aplausos da professora.
- Meus parabéns a todos vocês. Tenho certeza que vocês não terão problemas se seguirem tudo direitinho. Claro, um último pedido. Controlem-se na hora de beber. Dar um vexame por causa de bebida é o fim.
Giancarlo, no mesmo instante, fechou a cara. Havia conseguido esquecer o que havia acontecido na noite anterior, e agora ela jogava na cara dele esse fato. Procurou evitar que ela visse para que não houvesse um mal entendido.
- Agora poderão testar o que aprenderam aqui. Na sala ao lado vai começar um pequeno coquetel para "celebrar" o fim da aula. Estão todos convidados, mas eu vou ficar de olho.
Olharam-se com sorrisos no rosto, e então foram para a outra sala, onde já havia uma mesa posta com alguns petiscos e algumas taças de bebida. Dividiram-se em rodas começando uma conversa informal. Os dois mais afastados eram Hyoga e Giancarlo, mas que mesmo assim aproveitavam o coquetel, que aconteceu sem maiores imprevistos. Aioros e Seika continuaram a conversa começada na dança, junto de Seiya, Shiriyu e Shunrei. Os outros formavam a outra roda, com Aldebaran pedindo mais algumas dicas, e sendo prontamente ajudado pela professora. Quando perceberam, já era quase meio-dia. Despediram-se, com os cavaleiros de bronze retornando para a pousada, e os de ouro para as Doze Casas.
Casa de Peixes
- Ai, minha cabeça...
Afrodite desperta com a pior dor de cabeça que já sentiu na vida. Após virar-se na cama e ficar de barriga para cima, com o braço sobre os olhos, tentava juntar em sua mente os cacos de sua memória. Lembrava-se de chegar à boate, de ter que sair pra resolver um problema, voltar e encontrar ele dando uns amassos em uma vadia qualquer, e então... Tudo ficava embaralhado. Tinha flashes de estar brigando com alguém, de ser jogado em um beco, e... Ao ter um flash dele se declarando, saltou e sentou na cama, com os olhos arregalados. Agora sua dor de cabeça e mal-estar eram o de menos. Levantou e começou a andar de um lado para o outro desesperado.
- Zeus... Atena... Por favor, que isso tenha sido só uma invenção da minha cabeça. Mas e se for verdade... Ele não vai falar comigo nunca mais. Espera... Ele... Ele me trouxe pra casa...
Agora estava de olhos fechados, tentando se concentrar em lembrar-se de mais alguma coisa.
- Ele me trouxe pra casa, sim... Mas, e antes?
Ele tentava negar, mas a única imagem que se formava em sua mente era aquela. Ele ajoelhado na frente de Giancarlo, declarando-se a ele enquanto haviam três homens desacordados em torno deles. Aquilo fez a cabeça dele latejar. Resolveu entrar no banho, deixando uma ducha de água gelada cair sobre seu corpo, enquanto apoiava a testa no azulejo. Se aquilo era verdade, talvez tivesse perdido mesmo a amizade dele, para sempre. Saiu do chuveiro com a toalha em sua cintura, pegando seus remédios para ressaca e em seguida indo para a cozinha, onde os tomou, emendando três copos de água em seqüência. Sentou na cadeira, usando suas mãos como apoio. Queria apagar aquilo de sua cabeça, mas as imagens voltavam e voltavam, deixando-o ainda mais desesperado. Olhou para o relógio. Era quinze para o meio dia. Com certeza as aulas da manhã já haviam acabado. Perguntava-se se o Italiano iria àquelas aulas. Se sim, de manhã ou à tarde? Tudo o que menos queria era vê-lo agora. Precisava esperar a poeira abaixar. Talvez depois que voltassem de Kavos poderia resolver tudo. Mais perguntas vinham à sua cabeça. Giancarlo tinha razão? Era tão fácil ele perder o controle sobre si? E se isso acontecesse na festa, o que seria dele? Ontem a idéia das aulas soou absurda, mas nesse momento começou a cogitar ir, pois seria uma ótima distração, e talvez o ajudasse a ter um pouco de autocontrole. Saiu da cozinha, voltando para o quarto já pensando no que vestiria.
Entrada do Santuário
- Quem diria. Aldebaran, o conquistador.
- O que é isso Aioros, não exagera.
- Exagero nada. Eu vi como a professora olhava pra você. Ela parece ser do tipo que gosta dos fortões.
O comentário fez o Brasileiro corar ainda mais.
- Você gosta de falar, mas também resolveu mostrar suas garras, melhor, suas asas, essa manhã, não é Aioros?
Mu provocou indo ao auxílio do amigo
- Não sei do que está falando...
- Eu percebi como você olhava para irmã do Seiya. Está ficando apaixonado?
- Está exagerando. Não posso mais admirar a beleza de uma mulher?
- Ei, essa é a minha desculpa. Se você não acredita nela, por que eu tenho que acreditar?
Aldebaran interferiu, e os três continuaram com aquela conversa, tão distraídos que não perceberam Giancarlo ficando para trás. Sua cabeça estava longe, mais precisamente naquele beco ontem à noite. Não conseguia esquecer aquilo, por mais que tentasse. Os passos ficavam cada vez mais lentos, e logo ele sumiu da vista dos outros três. Enquanto isso, Afrodite descia as Doze Casas. Resolveu ir mais cedo para Rodorio, almoçar por lá mesmo e ficar até quando fosse possível. Não sentia o cosmo do cavaleiro de câncer na casa dele, nem nas Doze Casas, então iria aproveitar. Fora dali, poderia esconder-se melhor. Entre touro e gêmeos, encontrou Aioros, cumprimentando-os rapidamente. Nas duas casas em seu caminho, pediu passagem e logo estava na última escadaria. Já estava no fim quando seu coração falhou uma batida. Ele, justo ele, estava vindo na direção oposta. Afrodite abaixou a cabeça, tentando passar por ele sem evitar contato. Contudo, sentiu sua mão sendo presa. Quando virou a cabeça, viu que Giancarlo o segurava pelo pulso. Olhou na direção dele, percebendo que ele o olhava de uma forma diferente.
- Precisamos conversar.
- Sobre o que, Giancarlo? Quer que eu peça desculpas por ter arruinado sua noite?
- O que você se lembra de ontem?
- Apenas de você me carregando pelas Doze Casas. Desculpe-me se eu atrapalhei seu encontro com aquela moça.
Giancarlo fez uma cara de estranheza. Ele se comportava de forma completamente oposta à primeira vez. Estava seco, arredio... Agressivo. O que havia mudado daquela vez para essa? Bom, de acordo com o que ele dizia, não tinha lembranças da declaração, mas... Ele simplesmente poderia estar tentando evitar o assunto.
- Posso ir agora?
A voz do Sueco o tirou dos seus pensamentos. No instante seguinte o soltou.
- Pode, por enquanto. Onde está indo?
- Pra Vila. Não estou a fim de fazer almoço, e depois vou ter aulas de etiqueta, afinal tem gente que acha que eu não tenho condição de ir a festa alguma no meu estado atual.
Disse em tom irônico para depois se virar. Mas dois passos depois, a voz do outro o fez parar.
- Espera aí... Você se lembra disso?
Sentiu um frio na espinha e arregalou seus olhos, ainda de costas para ele. Mentalmente se perguntava como havia sido tão estúpido a ponto de não conseguir sustentar uma mentira por um minuto. Só podia ser a ressaca agindo no corpo dele.
- E se você se lembra disso que eu lhe falei...
Afrodite não deixou que ele acabasse a frase. Não queria ouvir aquilo. Antes que percebesse, saltou os últimos degraus e saiu correndo pela trilha, rezando para que o outro não viesse atrás dele. Não queria ter que encará-lo, tinha medo do que iria ouvir, então fugiu da forma mais covarde possível. Não parou de correr até ter certeza de que não era seguido, então se apoiou nas rochas que formavam a trilha do santuário até a vila para poder recuperar o fôlego. Giancarlo havia ficado parado lá, vendo o outro sumir. Suas suspeitas se confirmaram. Afrodite se lembrava, e agora não tinha coragem de falar sobre isso. Balançou a cabeça de forma negativa. Iria ser paciente, mas não sabia até quando. Voltou a subir as escadarias, indo para sua casa. Naquela tarde, além de Afrodite, Aioria, Dohko, Miro, Shura, Shina e Marin apareceram para as aulas. O clima entre a amazona de ophiuchus e o cavaleiro de escorpião ainda era bem pesado, mas isso não atrapalhou o andamento das aulas, mesmo porque Miro já havia começado a traçar um plano de vingança. A noite chegou, e com ela um leve agito nas Doze Casas com preparação de malas para o dia seguinte. Mesmo Atena estava mais agitada que o normal.
- Ai, meu Pai... Será que eu coloquei tudo que precisava?
Ela dizia olhando para uma grande mala, e fora dele, já devidamente protegido, o vestido de gala que usaria na festa. Não o levaria dentro da mala, pois certamente amassaria. Do lado de fora, Shion caminhava pelo corredor, e quando passou pela porta aberta dos aposentos da Deusa e viu o nervosismo em seus olhos, bateu na porta.
- Atena, algum problema?
- Ah, olá Shion. Não, creio que não... Apenas a ansiedade por tudo que irá acontecer nos próximos dois dias.
- Eu compreendo. Pela primeira vez o Santuário ficará tão vulnerável, mas com tempos de paz como esse, acho que podemos nos dar essa pequena "fuga"
- Sim, mas não será uma fuga, no sentido da palavra. Eu estou preocupada, com o que eles possam fazer. Se eu os mandasse para uma batalha, minha confiança seria plena, mas em se tratando de relações humanas... Muitos deles não têm certeza do que fazer. Recebi uma mensagem da Senhorita Ariadne, falando que o comparecimento foi ótimo, e que eles não tiveram problemas mais sérios, mas... Estou com um pressentimento. Muitas vidas serão mudadas depois dessa viagem.
- Atena, você tem que confiar neles, mesmo nessa situação. Quem nos diz que essas mudanças nas sejam para melhor?
- Sim, eu já pensei nisso. Quem está preocupada é meu lado "Saori", a jovem capaz de tomar conta do Império empresarial deixado por seu avô. Pronto, acho que não falta mais nada.
Disse fechando a mala.
- Agora é torcer para que tudo dê certo.
Continua...
- Aposto que alguns já estão com vontade de agarrar meu pescoço e falar "Cadê a Festa?". Calma, ela vai chegar. Não sei quando, mas vai.
- Máscara da Morte aprendendo a dançar... Essa entra pra lista de cenas "O que se passou pela minha cabeça?", junto com a "pegadinha" da Shina
- A história agora vai para o local da festa, e ele com ele o surgimento de informações sobre o passado de um cavaleiro de ouro.
*Um só? Essa matemática está certa*
Quieto, cérebro u_u
- Conseguiram descobrir quem foram os "apelidados" pelo Aldebaran? XD. Se sim, deixem no recado.
Até semana que vem
