Tempos de Mudança - Capítulo 9

Recados:

- Olá. Chegamos ao capítulo 9

- Nunca pensei que essa fic seria tão grande. Pra ter uma idéia, a primeira cena que eu criei para ela ainda nem apareceu XD.

- Vamos sair do Santuário, agora cenário será as Ilhas Jônicas.

- Algumas revelações surgirão nesse capítulo.

Pra quem não descobriu, aqui vão os donos dos apelidos

Mr. Freeze - Kamus, óbvio

Sua Santidade - Shaka, óbvio

Querubim - Aioros, como dito na fic

Cérebro e Pinky - Quem tem seus 20 e poucos anos com certeza já viu o desenho

- O que faremos amanhã à noite, Cérebro?

- O que fazemos todas as noites. Tentar dominar o mundo.

Ok, esses dois ratinhos tem planos muito mais mirabolantes, mas pelo contexto, Saga e Kanon merecem os apelidos.

Pai Mei - Esse é o mais difícil. Quem viu Kill Bill, sabe quem ele é. Mas o que pouca gente sabe que ele já havia aparecido em outro filme, chamado Carrascos de Shaolin, de 1977. No filme, diz-se que ele foi um dos únicos cinco sobreviventes do incêndio do monastério Shaolin, provocado pelos Manchus em 1768. Chinês, com mais de 200 anos... Só pode ser o Dohko.

Agradecimentos:

- Virgo Nyah - É que é assim... É o passado de um, que vale por dois. Deu pra entender? Vou tentar desenterrar o passado de todos, mas é como as questões de casais. Às vezes melhor trabalhar bem alguns do que jogar todos. Que bom que gostou do casal Aioros X Seika. Já o Aldebaran... Bem, eu não sei ainda se ele vai ficar com a professora, mas quem sabe.

Boa leitura a todos.


Um belo dia nasceu em Atenas, e tratava-se de um dia histórico, pois pela primeira vez todos os cavaleiros de ouro estariam fora do santuário de uma só vez sem ser por motivo de guerra. Eram 9 horas da manhã. Todos estavam com roupas casuais, junto com os cavaleiros de bronze, suas convidadas, e as amazonas de águia e de ophiuchus, esperando as vans para irem em direção ao aeroporto de Atenas. Enquanto alguns conversavam de forma animada, outros não escondiam estar ansiosos, e surpreendentemente haviam aqueles que pareciam estar com cara de quem não queria ir a lugar nenhum.

- Mas será que nem num momento como esse ele faz uma cara melhor?

Kanon comentava com Saga, Mu, Shaka e Shura, sobre o cavaleiro de câncer, encostado em uma parede, de olhos fechados, e cara mais fechada que o normal, se isso fosse possível.

- É o jeito dele, não podemos fazer nada.

Shura comentava.

- Não... Algo mais aconteceu.

Shaka respondeu. Algo dentro de si dizia que havia um grande motivo para Giancarlo estar daquele jeito.

- Bom, ele está assim desde ontem cedo. Deve ter acontecido algo na noite anterior.

Mu, que até aquele momento estava em silêncio, resolveu dizer o que sabia.

- Certo, já chega. Estamos aqui para ir a um evento sem igual. Em vez de ficar fofocando sobre o que teria virado o ovo daquele Italiano que já vive com o ovo virado, vamos falar sobre o que importa.

- Tem razão, Saga.

Kanon percebeu que o irmão parecia mais agitado que o normal, e sabia o porquê. Ele também se sentia assim.

- Você sabe como faremos para chegar lá?

- Sim. Atena deve avisar no avião, mas posso adiantar. Kavos é uma cidade minúscula, então vamos ter que pousar em Kérkyra, e ir de van até Kavos. É cerca de uma hora de viagem.

- Nada comparado para quem já viajou ao inferno, não é?

A resposta do Espanhol arrancou risadas. Do outro lado, os que vieram do Japão, mais Atena, Dohko e Shion também conversavam.

- Acalme-se meu amigo.

Dohko falava para Shion, que era o que mais demonstrava o incômodo de deixar o Santuário apenas com cavaleiros de prata como principais defensores. Contudo, havia algo mais o incomodando.

- Sabe... Às vezes não me sinto no direito de poder fazer isso...

- Por que?

- Nós estamos tendo uma oportunidade ímpar de poder viver como uma pessoa normal... Mas e quanto a Kardia? Degel? Asmita?... Todos os nossos companheiros que não tiveram essa chance? Eu sinto como se não merecesse.

- Shion...

Atena tomou a palavra

-... Não se sinta assim. Verdade, eles não puderam, mas não se sinta culpado por eles. Tenho certeza que de onde eles estiverem, estão felizes por você, e por todos os outros.

As palavras dela pareceram ter acalmado o Mestre. Os outros cavaleiros estavam na outra roda de conversa, mas Afrodite permaneceu o tempo todo mudo, com a cabeça em outro lugar. Mais alguns minutos e as vans chegaram. Não demoraram a chegar ao Aeroporto, decolando em um avião fretado para Kérkyra. Em questão de segundos a imensidão do mar, bem como algumas manchas de terra que eram as Ilhas Jônicas apareceram pelas janelas. Os que podiam olhavam admirados, mas um olhava com um sorriso triste no rosto. Saga observava o cenário, e várias lembranças de sua infância surgiam.

- Será que já passamos?

- Como?

Kanon, que lia uma revista, ergueu o olhar na direção do irmão.

- Será que já passamos por Lakka?

Finalmente entendeu a pergunta. Tirou o cinto e pediu espaço para poder também ver.

- Não sei...

- Tanto tempo... Fazia tanto tempo que não chegávamos tão perto de casa...

- Pois é. Como estarão todos?

- Você gostaria de saber, Kanon?

-... Não sei. Realmente não sei. Não há nada que me ligue mais àquele lugar.

Saga parecia sentir mais que Kanon a proximidade com o local de nascimento dos gêmeos, pois ele sim havia deixado algo para trás. Depois daquela conversa, chegaram a Kérkyra em menos de meia hora. Da pista, todos foram direto para as vans, e em minutos estavam entrando em Kavos. Era uma cidade de população fixa de cerca de mil habitantes, voltada quase que exclusivamente para o turismo. Muitas pessoas vinham de cidades no entorno para trabalhar nos hotéis e pousadas. A maior parte dos hotéis ficava à beira-mar, e as lojas nas ruas próximas. Após as vans chegarem ao hotel San Marina, o passo seguinte foi o check-in. Três andares foram reservados para todos, e cada um ficaria em um quarto individual. Após uma rápida discussão, dividiram os andares. No primeiro andar Atena, Seiya, Seika, Ikki, Shun, Hyoga, Shiriyu e Shunrei. No segundo, Shion, Dohko, Mu, Shaka, Kamus, Afrodite, Shina e Marin. No terceiro. Aldebaran, Giancarlo, Aioria, Aioros, Miro, Shura, Saga e Kanon.

- Antes de subirem para os quartos, quero dizer que estão livres para fazer o que quiserem até amanhã á tarde. Eu quero todos vocês às 16h para se arrumarem para a festa.

Após o recado de Atena, aos poucos todos foram se acomodando em seus quartos, mas muitos deles queriam aproveitar a folga, mas Miro tinha um plano diferente. Assim que guardou suas coisas, desceu e foi até o quarto de Afrodite, batendo na porta dele. O outro abriu a porta e não escondeu a surpresa por vê-lo.

- Pois não?

- Preciso de um favor...

- O que?

- Uma rosa. Simples, sem veneno, por favor?

- Eu tenho cara de que? Florista?

- Por favor, Afrodite. Uma simples rosa. É demais?

O pisciano bufou levemente, chamando-o para dentro do quarto antes de fazer uma bela rosa vermelha surgir, e em seguida a entregar para o outro.

- Obrigado.

O Grego deu um sorriso de agradecimento, mas Afrodite percebeu que havia mais. Estava na cara que ele iria aprontar algo.

- Obrigado, até mais.

Voltou a caminhar pelo corredor. Havia prestado atenção para ver qual era o número do quarto em que Shina estava, e bateu na porta. Não demorou a ela aparecer, fechando a cara ao ver quem era.

- O que você quer?

- Eu gostaria de pedir desculpas.

A Italiana arregalou os olhos ao ouvir aquilo, para em seguida estreitá-los.

- O que você está aprontando?

- Eu? Nada. Estou apenas aqui me desculpando por ter te tratado mal. Aqui, um sinal de paz.

Ergueu a mão e ofereceu a rosa que estava nela. A amazona fitou a flor em silêncio por algum tempo. Seu sentido lhe dizia que não deveria aceitas, mas pegou mesmo assim.

- Obrigada.

- Que é isso. Até mais.

Miro despediu-se e foi embora. Shina fechou a porta e apoiou-se com suas costas na parede ao lado, encarando a flor em sua mão em silêncio por um bom tempo, aproveitando para aspirar o perfume dela. O cavaleiro de escorpião poderia ser infantil, arrogante, cafajeste, e todos os outros adjetivos negativos que já havia falado sobre ele, mas não podia negar que era bonito, um verdadeiro pedaço de mau caminho. Se ele realmente estivesse disposto a mudar, quem sabe não poderia arriscar mais. Era o que ela pensava enquanto ia tomar um banho para se recompor da viagem e sair para conhecer a cidade. Pelos corredores do hotel, já se podiam ouvir conversas sobre o que fariam. Uns queriam ir para a praia, outros queriam apenas caminhar pelas ruas como pessoas normais. Shura, prático, foi até a recepção do hotel e pediu um guia, logo apontando para algo interessante.

- Tem boates por aqui também. Temos que combinar de ir junto a uma delas.

- Depois pensamos em boates, agora tem algo que me incomoda. Fome...

Aldebaran falou colocando a mão sobre a barriga, fazendo alguns dos presentes rirem.

- Tem razão. Já é hora do almoço, e quero aproveitar tudo se bom que a culinária Grega pode oferecer.

Saga falava com um sorriso diferente do que era acostumado a dar. Parecia ser mais... Tranqüilo.

- Nós estamos na Grécia. Não fale como se fosse um turista.

Aioria reclamou.

- Em Atenas não é a mesma coisa, e as Ilhas Jônicas tem algumas coisas que são difíceis de serem encontradas por lá.

- Você fala como se já tivesse vindo aqui...

- Claro. Essas ilhas são a minha origem.

- Como é?

As vozes de vários dos presentes mostraram surpresa ao o ouvirem falar aquilo.

- Kanon e eu nascemos em Paxos. A ilha logo ao sul de onde estamos.

Saga olhou para o gêmeo ao seu lado, que pareceu sorrir apenas de forma discreta

- Nossa, nem imaginava.

Falou Aioria.

- Você está bem perto de casa. Por que não pede para Atena permissão para vocês irem até lá?

Aioros falou, e em resposta recebeu um sorriso meio sem jeito de ambos.

- Eu não tenho motivos para voltar...

Kanon falou, e logo em seguida foi a vez de Saga

- Eu não sei se quero. 16 anos é muito tempo. Deve estar tudo diferente, e talvez não encontre ninguém que eu conhecia...

- Espera, 16 anos? Saga, nós saímos de lá faz 22 anos...

Então Saga arregalou os olhos, como se tivesse sido pego em flagrante fazendo algo errado.

- Saga, você está escondendo algo de mim?

- Não. Não estou. Vamos logo, o almoço já deve estar sendo servido. Vamos parar no andar de baixo e ver se mais alguém quer ir.

Saga tomou a direção do elevador, deixando todos os outros parados no lugar, tentando entender o que foi aquilo. O almoço transcorreu sem mais problemas. Todos se deliciaram com uma refeição tipicamente Grega. Após um tempo de descanso eles começaram e se dividir em grupos. Uma parte ficou no hotel, outra resolveu explorar a cidade, apesar de ela ser minúscula, enquanto alguns foram para a praia direto. No grupo que foi para a praia estavam Aldebaran, Giancarlo, Aioria, Aioros, Miro, Shura, Shina, Marin, Shun, e Ikki. Após arranjarem alguns guarda-sóis e estenderem as toalhas, logo todos estavam curtindo a areia e a azul do mar Jônico. Os homens vestiam sungas ou shorts. As duas mulheres estavam um pouco separadas do resto do grupo, mas mesmo assim chamavam a atenção dos homens, e dos outros turistas, bem como pela beleza. Marin vestia um biquíni liso preto, Shina um estampado, na cor predominantemente branca.

- Já tinham visto amazonas com tão pouca roupa?

Ikki provocava os outros.

- Você está brincando? Ter o título de cavaleiro de ouro dá alguns privilégios... Mas claro, sempre por baixo dos panos...

- Eu imagino.

Ikki e Giancarlo riam baixo, enquanto Shun ficava vermelho ao ouvir aquilo. Outro que ficava mudo era Aioria, que naquele momento queria estar mais perto da mulher que namorava em segredo, mas não podia.

- Bom, com licença. Vou procurar algo mais interessante para fazer.

Miro levantou, e foi até um local onde alugavam pranchas de surfe. Os outros se olharam, apenas ajeitando-se melhor para ver o show de caldos que o outro levaria. Mas para a surpresa de todos, ele levava jeito para a coisa. Depois de alguns minutos no bar, saiu com a prancha sob o braço, e para surpresa de todos foi sentar-se ao lado das mulheres.

- Olá, meninas.

As duas não esconderam a surpresa ao vê-lo sentando ao lado delas.

- Posso saber o que você deseja, Miro de escorpião?

Shina ainda mantinha um pé atrás com ele.

- Eu apenas queria uma companhia melhor que um bando de homens para contemplar uma vista tão linda como essa. E me chame apenas de Miro, por favor.

Ele dizia olhando em direção o oceano. Não muito longe, vários olhares estavam dirigidos para os três.

- O que ele tá fazendo?

Aldebaran perguntou abaixando o tom da voz.

- Não sei, mas tá com cara de quem vai aprontar algo.

Foi a vez de Giancarlo responder no mesmo tom.

- Se ele resolver dar uma de conquistador eu vou dar uns tabefes nele...

Aioria respondeu com raiva na voz, o que chamou a atenção de todos no grupo.

- Que é isso, Aioria? Você está com... Ciúmes?

Aioros perguntou, e todos esperam respostas de um leonino claramente sem jeito.

- Não é isso. É que... Eu não quero que a fama de cafajestes caia sobre nós... E também não vão querer lidar com uma Shina com um coração partido por causa de um de nós, não é?

Todos os cavaleiros de ouro balançaram a cabeça de forma positiva. Mais uma vez conseguia escapar de um deslize. A alguns passos de distância, a conversa continuava.

- Os rapazes estão pensando em ir a uma Boate à noite. Gostariam de ir também?

Miro perguntou, fazendo as duas se olharem sem jeito.

- Eu vou pensar nisso ainda, Miro. Mas agradeço o convite.

Marin disse, enquanto Shina ficou muda.

- Bom, acho que deveriam ir. Não sabemos quando teremos outra chance como essa. Acho que vou voltar para o mar. Até mais.

Disse as duas últimas frases erguendo-se, saindo em seguida, deixando as duas amazonas sem saber muito o que fazer.

- O que você acha?

Perguntava Marin para a outra, que ainda manteve-se em silêncio por algum tempo.

- Algo me diz que tem alguma coisa errada... Mas, e se ele simplesmente percebeu que estava errado? Ele veio me pedir desculpas mais cedo.

- É mesmo?

- Sim, até me deu uma rosa.

- Jura? Me conta direito essa história.

Aquilo chamou a atenção da amazona de águia, e a reação dela fez a Italiana abrir um sorriso sem jeito e começar a contar exatamente o que havia acontecido antes do almoço. No grupo dos homens, parecia que a volta do cavaleiro de escorpião ao mar havia instigado outros a entrarem na água.

- Quer saber, eu vou pra água. Alguém mais vem?

Aldebaran levantou-se e esperou resposta.

- Demorou.

Giancarlo levantou, junto com Shura, e logo os três estavam na água.

- Ikki, se quiser ir, tudo bem. Eu vou esperar um pouco mais.

Shun falava ao irmão, preocupado em atrapalhar a diversão dele.

- Eu já vou Shun. Só estou pensando em pegar uma prancha e ver se o Miro me dá umas aulas de surfe.

O virginiano deu um largo sorriso, fazendo Ikki sorrir de volta, pois desde o termino do relacionamento do irmão com Hyoga não o via sorrir daquela maneira. Sem demora foi até o mesmo lugar onde Miro havia pegado uma prancha. Foi questão de tempo o divertimento contagiar a todos.

Continua...


- Espero que tenham gostado.

- O próximo capítulo terá mais algumas revelações sobre o passado dos cavaleiros de ouro. Fiquem de olho.

- Consegui voltar a escrever. Tem fic garantida nas próximas duas semanas.

- Até semana que vem.