Tempos de Mudança - Capítulo 15

Recados:

- Olá. Pensaram que eu tinha me esquecido de vocês? Não mesmo rs

- É o capítulo 15. Preparem-se para momentos emocionantes.

- A programação continua. Depois desse, mais dois capítulos e o epílogo. E para deixar vocês felizes, semana que vem já tem mais um capítulo.

- Legenda: As falas em texto normal são conversas em Grego. As falas em Itálico são conversas em Francês. As falas "entre aspas" são conversas em Inglês.

Boa leitura n_n.


Em um canto do Salão, a conversa entre Shura e Shina estava perto do fim.

- Você acha que ele está nos observando?

Perguntou a Italiana.

- Provavelmente.

- Então eu acho que você cumpriu sua missão, Shura. Mas eu não vou deixar você de mãos abanando.

Ela segurou o rosto dele com as duas mãos e deu um rápido selinho. O Espanhol não escondeu o sorriso.

- Obrigado.

Enquanto os dois começavam a caminhar de forma separada de volta, Miro estava em choque ao ver os dois se beijando. Quando percebeu, eles já tinham ido embora, e não tinha visto para onde. Saiu de onde estava caminhando apressado em busca deles. Tinha que tirar as dúvidas sobre o que estava sentindo na verdade. Kamus havia acabado de comer, e estava sentado na mesa quando Miro voltou.

- Você os viu?

- Quem?

- O Shura e a Shina. Você os viu?

- Não, não vi. Que desespero é esse?

- Eles se beijaram, e depois sumiram.

O Francês ergueu a sobrancelha com o que ouviu, achando aquilo bem estranho.

- Eles se beijaram?

-... Não foi bem um beijo. Foi um selinho, algo rápido, mas isso não é importante agora.

- Certo... Isso é de certa forma, inesperado. Mas por que está agindo assim?

- OK, eu admito. Posso estar com ciúmes.

O escorpiano disse andando de um lado para outro.

- Pode?...

- Sim. Posso. No condicional. Preciso achá-la para confirmar isso.

- Já disse. Aqui eles não passaram mais.

- Então vou continuar procurando.

Partiu da mesma forma que chegou. Kamus suspirou e resolveu se levantar para dar uma volta. No caminho, pegou uma taça de espumante e continuou a caminhar. Apesar de estar caminhando entre pessoas, sentia-se solitário, mas isso não era obrigatoriamente ruim. Sentia como se às vezes precisasse de um momento assim. Só não imaginava que ouviria uma conversa no caminho...

- Devo parabenizá-lo por conseguir manter a companhia em alta mesmo com a crise, Senhor Verger.

- Obrigado. Realmente são tempos difíceis, então é preciso ter um pulso firme para não se perder.

Kamus travou no lugar. Conhecia aquela voz. Aquela voz que pensou que nunca mais ouviria na vida. Seu pai estava ali a poucos passos dele. Foi um choque tão grande que seu cosmo oscilou de forma incomum, chamando a atenção de quem podia sentir. Saori e Julian se olharam, com a Deusa fazendo feição de preocupada. Com o olhar, pediu a Shaka que fosse ver o que havia acontecido. Shion disse aos que estavam perto dele que iria ver o que tinha ocorrido, assim como Saga, Kanon e Afrodite. Shura estava sozinho e foi por conta própria, e mesmo Miro, desistiu de procurar Shina para ver o que tinha acontecido com o Francês, com quem havia falado instantes antes. Nesse intervalo, o Senhor Verger, e quem o acompanhava, começou a caminhar pelo salão, afastando-se do local. Miro foi o primeiro a chegar, encontrando o Francês em choque.

- Kamus... Kamus!

Ele então acordou, olhando para o Grego na sua frente, bem como os outros que também chegavam. Olhou para sua taça, percebendo que o líquido estava congelado dentro dela.

- Preciso de ar...

Ele caminhava sozinho, mas todos estavam de olho para alguma necessidade. Subiram as escadas, indo em direção à varanda mais larga do local, que tomava todo o comprimento do prédio. No caminho passaram por Atena, e Shaka balançou a cabeça de forma positiva, o que fez ela se acalmar parcialmente. Ao chegarem ao local, Kamus se apoiou na beirada enquanto tentava se recompor, respirando de forma pesada.

- Kamus, o que foi que aconteceu?

Shion perguntou de forma séria.

- Perdão. Eu acho que tive um mal súbito, ou algo do tipo.

- Kamus, eu estou preocupado com você. Essa não é a primeira vez que isso acontece...

Saga falou, chamando a atenção dos outros, enquanto o Francês parecia pedir com o olhar que ele parasse de falar.

- Como assim?

Shion perguntou

- Faz alguns dias. Ele passou mal da mesma forma na Empresa. Kamus, o que você está escondendo?

- Nada de mais. É pessoal...

Respondeu o Francês. Fazendo Saga, Shura e Afrodite ficarem mais atentos.

- Se é algo com sua saúde, eu preciso ser informado.

O Mestre continuou.

- Minha saúde está ótima, Mestre Shion. Eu prometo.

- "O que está acontecendo?"

Indagou um convidado, curioso com o aglomerado de pessoas na varanda, a Kanon que estava mais próximo. Perguntou em inglês para facilitar a comunicação, e o Grego respondeu da mesma forma.

- "Um amigo nosso passou mal. Teve uma queda de pressão, mas ele já está melhorando."

- "Ah, sim. Está bem então"... Agora é essa a desculpa que dão quando alguém bebe demais?

Disse o fim da frase já se afastando, mas na sua língua nativa, Francês. O que ele não imaginava é que alguém compreenderia aquilo, e como ele havia sido sarcástico ao falar. Kamus respondeu, de costas para o rapaz.

- Você falou da mesma forma que alguém que eu conheço agora.

O Cavaleiro falou, lembrando-se da forma como o pai gostava desses comentários ácidos. O convidado ficou claramente assustado e sem jeito quando percebeu que o outro o compreendia.

- Perdão. Eu não imaginava que você falava Francês.

- Outro defeito dele. Adora falar o que der na telha, e se preciso só depois se arrepender. Sabe, às vezes é bom ter um pouco de...

Continuava comentando sobre o pai, falando em Francês com o rapaz desconhecido enquanto virava-se. Quando visualizou o rosto dele, parou a "lição de moral" e calou-se, encarando-o surpreso. O outro reagiu da mesma forma. Os dois ficaram em silêncio, olhando um para o outro enquanto os outros cavaleiros se olhavam, sem entender o que acontecia.

- Pierre? Pierre é você mesmo?

O rapaz se aproximava do aquariano, olhando para ele como se quisesse ter certeza de algo. Kamus por sua vez permanecia sem se mover. Se seu pai estava na festa, era óbvio que o resto da sua família estivesse também. Não via seu irmão há sete anos, ele agora era um homem feito. Imaginava o que havia perdido se afastando daquela forma. Deveria se afastar apenas do pai, mas sua mãe e irmão também sofreram por isso.

- Yannick...

Quando o cavaleiro chamou pelo irmão, pareceu ter acabado com as dúvidas do outro, que abriu um sorriso e o abraçou de forma emocionada. Kamus ainda demorou a responder ao gesto, mas também envolveu o corpo do irmão com os braços.

- Finalmente... Finalmente eu te encontrei...

Aquilo fez Kamus ficar com o coração ainda mais apertado. Deveria ter buscado contato com ele, com seu irmão, mas não teve coragem. Os outros cavaleiros ainda observavam à cena chocados, sem entender o porquê daquele rapaz abraçava o Francês. Foi Saga quem teve a primeira idéia do que poderia estar acontecendo.

- Eu acho que eu sei quem ele é...

- Quem?

Shion, que parecia o mais incomodado com a falta de informação, perguntou.

- O irmão do Kamus...

O Mestre virou a cabeça na direção do Grego, surpreso.

- Como é?

Antes que Saga pudesse continuar, uma voz diferente tomou o local.

- Yannick, o que significa isso? Por que está abraçando esse homem?

O casal Verger se aproximava e o homem não parecia feliz ao ver aquilo. De onde estava, via apenas o rosto do filho, abraçando um homem, que estava de costas para eles. A voz do pai fez Kamus ficar tenso novamente.

- Meu Deus...

A mãe levou as mãos até a boca, Jean-Baptiste olhou para ela, que parecia querer começar a chorar, depois voltou a olhar para os dois. Kamus desfez o abraço. Nunca pensou que isso aconteceria, e muito menos que fosse naquela festa. Respirou profundamente, para então virar o corpo e encarar novamente os pais depois de sete anos. O homem ficou em choque, e a mãe correu para abraçá-lo.

- Pierre, meu filho...

Esqueceu do pai para abraçar a mãe. Não imaginava que sentia tanta falta daquele abraço.

- Me desculpe...

Pediu perdão à mãe por ter desaparecido daquela forma.

- Tudo bem, acabou. Agora nos encontramos novamente.

Depois de receber um beijo na bochecha, ele desfez o abraço, olhando em volta, e vendo seus amigos esperando uma explicação.

- Me desculpem. Quando eu disse meu nome a vocês, eu omiti parte dele para que vocês não soubessem que eu sou. Meu nome completo é Pierre Auguste Kamus Verger.

- Verger... Da Petrolífera Verger?

Saga perguntou, finalmente juntando as pontas soltas. Kamus respondeu com um acendo positivo.

- Sim. Meus amigos, essa é minha família. Meu irmão, Yannick. Minha mãe, Edith... E meu pai... Jean-Baptiste Verger, Presidente da Petrolífera Verger.

Falou olhando na direção dele. Dava para perceber a raiva no olhar de ambos.

- O que você está fazendo aqui?

Perguntou o pai

- O que parece? Eu fui convidado, assim como você.

- Haha, poupe-me. Você deve ter entrado aqui de penetra. Ou como serviçal, que trouxe um terno escondido para se passar por importante.

Kamus sorriu de forma irônica.

- Continua o mesmo, não é? Não está conseguindo admitir que eu consegui ter sucesso sem precisar passar por cima dos outros?

A discussão continuava em Francês, então eles não entendiam o teor da conversa. Enquanto isso, Saori e Julian chegaram para ficar a par do ocorrido.

- O que está acontecendo aqui?

Perguntou Atena a Shion, que pareceu pensar antes de explicar aquela confusão.

- Kamus encontrou sua família.

- O que?

Ela perguntou surpresa.

- Foi o que ele disse. Aqueles são o irmão e a mãe dele...

Falou apontando para os dois, que viam a discussão preocupados.

-... E aquele homem com quem Kamus está discutindo é o pai dele.

- Eu não sabia que ele tinha família.

- Eu sabia. Ele os visitava, mas de repente as visitas pararam. Aparentemente ele discutiu com o pai, por isso não foi mais.

A Deusa então voltou a prestar a atenção nos dois.

- Se você foi mesmo convidado para a festa, me diga o que você fez para merecer isso...

O tom da voz do homem era jocoso, o que fez o sangue de Kamus ferver. Teve vontade de dizer que era por ser um Cavaleiro de Atena, mas sabia que não podia fazer isso.

- Eu fui convidado por ser um dos Diretores das Empresas Kido em Atenas.

- Diretor... Se quisesse, poderia ser Vice-Presidente da Verger.

- Eu lhe disse isso sete anos atrás. Recuso-me a trabalhar com alguém que fez o que você vez.

- Você é idealista demais. Tem que aprender que o mundo dos negócios é sujo.

- É mesmo? Então por que eu nunca vi alguém fazer isso dentro das Empresas Kido?

- Você só não soube...

- Chega. Eu não vou ter essa discussão de novo com você, e não vou permitir que você pense em difamar meus colegas.

O Francês ameaçou dar um passo a frente, quando Atena falou.

- Kamus.

Ele pareceu despertar. Estava tão alterado que nem havia percebido que outras pessoas estavam observando a cena, inclusive Atena e Poseidon. Ele respirou fundo, indo até ela e falando com a cabeça baixa.

- Perdoe-me por ter causado tudo isso. Eu sei que a senhora falou, mas...

A voz dele foi cortada pela risada do pai, que começou a falar em inglês, como se quisesse que todos o entendessem.

- "Olha só para você. Abaixando a cabeça para uma garota. Ainda bem que você não está trabalhando na Verger. Você levaria a empresa para o buraco."

Aquilo mexeu com os brios de todos que conheciam o Francês. Saga, Afrodite e Shura agora entendiam o porque dele não gostar do pai. Kamus ameaçou voltar para continuar a discussão, mas Atena não permitiu. Ela tomou a frente, caminhando devagar na direção do homem.

- "Eu sei quem você é. Jean-Baptiste Verger, Presidente da Petrolífera Verger. Prazer em conhecê-lo. Eu sou Saori Kido, Presidente das Empresas Kido, chefe e amiga do Kamus. Eu não sei o que houve entre vocês dois, mas pelo que eu conheço dele, eu tenho que discordar do que você diz. Kamus é um homem competente, íntegro, capaz de fazer qualquer coisa para cumprir as suas tarefas."

- "Prazer em conhecê-la Senhorita Kido. Eu não estou dizendo que ele não é competente. Estou dizendo que ele é fraco, incapaz de aceitar que às vezes, é preciso sujar as mãos para se ter o que quer."

- "Isso inclui acabar com a vida de um homem?"

Kamus falou, voltando a se aproximar.

- "Se ele resolveu acabar com a própria vida, não é culpa minha. O que você fez é que não tem perdão. Cuidado, minha jovem. Um dia ele ainda irá apunhalá-la pelas costas."

- "Basta. Você não tem o direito de falar assim com a Senhorita Kido."

Saga, cansado de ficar apenas observando, resolveu intervir.

- "E você, quem é?"

- "Saga Venetis. Vice-Presidente das Empresas Kido na Europa, e também amigo do Kamus, assim como todos os outros presentes aqui. Pode falar o que quiser dele, mas isso não vai mudar o que nós pensamos a respeito do Kamus."

- "Está bem... Está bem."

O homem ergueu os braços, dando um passo para trás.

- "Eu não vou continuar numa batalha inútil. Eu lavo minhas mãos. Já falei tudo o que penso, e estou com minha consciência limpa."

- "Me surpreende você conseguir dormir quando você deita na cama. Você é ainda pior do que eles imaginam. Por que não conta a eles o que você foi capaz de fazer?"

- "Eu apenas fiz um movimento agressivo para conseguir o que eu queria."

- "Eu não estou falando daquele pobre homem... Eu estou falando sobre Vankor, na Sibéria."

A expressão do homem se alterou completamente ao ouvir aquilo.

- "Você..."

- "O que foi? Perdeu a fala? Pensou que esse assunto estaria enterrado?"

Kamus perguntou com um sorriso levemente maldoso no rosto.

- "O... O que aconteceu lá foi um infeliz acidente. Um vazamento de Petróleo. Todas as famílias da localidade foram muito bem indenizadas."

- "Isso é o que foi noticiado, e claro que eles foram. Os moradores e os funcionários. Senão elas teriam revelado que antes do acidente, você os mantinha praticamente como escravos trabalhando naqueles poços de extração e na Refinaria. Com direito a guardas armados com metralhadoras."

Todos ouviam àquilo horrorizados, mesmo a mãe e o irmão não sabiam dessa história.

- "Cale-se! Você não tem provas do que diz!"

- "Não, infelizmente. Foi mesmo muita sorte que aquele vazamento chamou a atenção para aquele local, senão eles estariam naquela situação até hoje. Aquele "acidente" salvou a vida deles."

O tom da voz do Francês era cheia de sarcasmo, o que surpreendeu a Atena e aos Cavaleiros que nunca tinham o visto daquela forma.

- "Eu não vou ficar aqui ouvindo esse tipo de coisa." Edith, Yannick, venham. Nós vamos embora.

- Não.

O homem já ia embora, e quando ouviu a voz da esposa, parou e olhou para trás.

- O que?

- Não vou embora. Não agora que encontrei meu filho.

Ele ficou em silêncio alguns instantes, e depois olhou para o filho mais novo.

- Eu também vou ficar.

O homem balançou a cabeça erguendo as mãos e depois as abaixando, num gesto como se tivesse desistindo, e então foi embora sozinho. Aos poucos o ambiente foi se amenizando. Kamus mantinha se em silêncio. Havia causado uma confusão inadmissível para um local como aquele. Exatamente o que Atena falou que não admitiria. Sabia que iria ser castigado, mas ao mesmo tempo se sentia aliviado por botar tudo que estava engasgado esse tempo todo, e feliz por ver que sua mãe e irmão ficaram ao seu lado. Sua mãe foi a primeira a se aproximar, abraçando-o, gesto que foi correspondido. Em seguida deu outro abraço no irmão antes de falar.

- Fiquem aqui. Eu preciso dar algumas explicações, e depois eu volto para conversarmos.

Eles concordaram, e então o Cavaleiro foi até Atena. Ela então perguntou a Julian.

- Tem algum lugar onde podemos conversar em particular?

- Venham. Vou pedir para abrirem a Biblioteca.

Continua...


- Momento "Casos de Família" em Tempos de Mudança XD

- O Kamus devia saber que muita raiva contida faz mal

- O que acharam? Deixem seus comentários.

Até semana que vem.