Tempos de Mudança - Capítulo 16
Recados:
- Oi. É um capítulo curtinho, mas vocês vão entender mais a rixa entre Kamus e o pai, e deixar tudo pronto para o final.
Boa leitura a todos.
A pequena comitiva saiu daquele local, seguindo Julian até a Biblioteca. Ao chegar na porta, Shion falou.
- Isso é entre Atena, Kamus e eu. Por favor, fiquem aqui.
- Por favor, Mestre. Se permitisse, queria que Saga, Shura e Afrodite pudessem entrar.
Kamus falou, causando estranheza ao Mestre.
- Por que eles?
- Eles precisam saber do resto da história.
Shion olhou para Atena, que concordou. Então os seis entraram.
- Eu vou voltar para a festa. Fiquem à vontade.
Julian disse e retirou-se. Kanon, Shaka e Miro ficaram aguardando do lado de fora.
- O que você acha de tudo isso?
Miro perguntou.
- Eu não sei. É uma situação inusitada. Eu não sei o que aconteceu para que Kamus e o pai se odeiem tanto. Ele não estava preparado para esse reencontro... Mas o que me deixa mais surpreso é saber que ele pertence a uma das famílias mais ricas da França.
Respondeu Kanon
- Isso explica porque ele tem aquele "refinamento" todo. Acha que ele será castigado?
- Isso é com Atena e Shion. Mas eu acredito que ela terá bom senso.
Shaka falou, sentando em uma cadeira.
Dentro da Biblioteca, o Mestre e a Deusa estavam na frente do Francês. Ele estava apoiado em um dos joelhos, com a cabeça baixa.
- Espero que tenha uma boa explicação para tudo o que aconteceu aqui hoje, Kamus.
Shion cruzou os braços, esperando. Kamus suspirou profundamente antes de começar.
- Como vocês já sabem, aquela é a minha família. Minha mãe, irmão... E pai. Eu os visitava durante as férias dos treinamentos. Meu pai sempre foi uma pessoa difícil de lidar. Por muitas vezes eu não concordei com seu modo de agir, mas sete anos atrás ele fez algo que eu considerei imperdoável. Acabamos discutindo, e ele me expulsou de casa. Nunca mais os vi, até hoje. Eu acabei descontrolando meu cosmo mais cedo por ouvir a voz dele em uma conversa por qual eu passava. Eu realmente não esperava reencontrá-los aqui. Eu sabia que a Verger tinha negócios com as Empresas Kido, mas não com as Empresas Solo.
- E eu poderia saber o que ele fez? Tem algo a ver com aquilo que você falou sobre Vankor?
Perguntou a Deusa.
- Não. Isso foi depois. Ele desejava incorporar uma Indústria Química à Verger, mas o dono não se interessava em vendê-la a meu pai. Ele então armou um flagrante durante um encontro de empresários. Ele contratou uma prostituta para seduzi-lo. Ela não conseguiu então ele a mandou botar uma droga na bebida dele. Outro homem contratado do meu pai tirou fotos do "encontro", e ele usou essas fotos para chantageá-lo e conseguir o que queria. O homem não resistiu à pressão, e acabou cometendo suicídio. A esposa dele já estava pronta para vender a empresa que era do falecido marido, mas eu acabei descobrindo o que ele fez antes dela fechar o acordo, e contei a ela. Até hoje me lembro do dia que ela chegou na minha casa e deu um tapa no rosto do meu pai, dizendo que não venderia mais a Indústria para ele. À noite, eu disse a ele o que tinha feito. Foi quando eu fui expulso.
O silêncio reinou depois do fim da história. Ninguém imaginava que seria uma história tão pesada. Aquilo mexeu com todos, especialmente Afrodite, que também tinha uma relação desgastada com o pai.
Enquanto a reunião continuava, do lado de fora, outros chegavam, querendo explicações do que havia acontecido, e não escondiam a surpresa quando sabiam o motivo do descontrole de Kamus.
- Família? A família do Kamus está aqui?
Aioria, junto de Marin, perguntou a Miro, ainda não acreditando.
- Sim, e você perdeu a discussão. Kamus e o pai se odeiam.
- Minha nossa. E agora?
- Atena, Kamus e o Mestre estão lá dentro. Saga, Shura e Afrodite também, não me perguntem o motivo.
- Bom. Resta-nos então esperar.
Dohko falou, recebendo acenos positivos.
- O que está acontecendo?
Todos olharam na direção da voz. Era Shina, que depois de ouvir todas as explicações, foi esperar ao lado de Miro o desfecho dessa história. Após um curto silêncio, ele falou baixo, apenas para ela ouvir.
- Veio reclamar com o Kamus por ele ter estragado seu encontro?
- O que?
Respondeu da mesma forma.
- Ora, você estava com Shura, daí ele apareceu sozinho naquela confusão com o Kamus. Ele deixou você sozinha?
- Por que a curiosidade?
- Bom, depois do beijo, pensei que vocês ficariam junto os o resto da noite
- Então você viu o beijo?
Ela perguntou com um sorriso no rosto.
- Pelo jeito funcionou. Eu só o beijei para ver isso. Você morrendo de ciúmes.
Miro ficou sem saber o que responder.
- Você o beijou para causar ciúmes em mim? Por quê?
- Eu já te disse Miro. Eu não tenho planos de vingança.
- Então o que você quer?
Ela ficou em silêncio, com um sorrisinho travesso no rosto. O Grego pensou consigo mesmo que se ela queria irritá-lo, ela estava conseguindo. Enquanto ela estava cada vez mais feliz por seu plano estar dando certo.
- O que aconteceu em Vankor?
Atena foi quem quebrou o silêncio. A pergunta fez Kamus erguer a cabeça.
- Do modo como você falou mais cedo, você parece saber mais do que disse...
O tom dela era sério.
- Se você quiser, podemos deixar isso apenas entre nós.
Ela continuou olhando para os outros cavaleiros presentes.
- Não. Como eu disse, eles precisam saber o resto da história.
Ele mais uma vez respirou de forma profunda.
- Um ano depois de eu ser expulso, estava na Sibéria em treinamento, quando eu comecei a ouvir boatos. Resolvi ir verificar, e realmente, uma Empresa Petrolífera estava mantendo funcionários e moradores de uma vila próxima em cárcere privado. Quando eu vi que era a Verger... Eu deixei o ódio que nutria pelo meu pai falar mais alto. Eu deveria ter ido às autoridades, mas queria vingança. Uma noite, eu invadi o complexo, e sabotei a tubulação, congelando o óleo dentro e esperando que ela rompesse. Depois soube pelas notícias que apenas o vazamento foi anunciado. Imagino quanto meu pai gastou para manter o resto por baixo dos panos...
Novamente o silêncio reinou. Todos pareciam digerir o que o Francês havia dito. Agora Saga, Shura e Afrodite entendiam o porquê dele falar que havia cometido um crime.
- Kamus, você tem idéia da gravidade do que está falando?
Shion falou.
- Sim.
Ele respondeu no ato. Shion olhou para Atena, que estava de olhos fechados, pensativa. Quando ela abriu os olhos, virou-se para Saga.
- Como que a discussão começou?
- Primeiro foi o irmão quem apareceu. Enquanto eles se abraçavam, os pais apareceram. Até o momento em que a Senhora chegou, os dois apenas conversavam. Sim, havia alguma alteração na voz, mas em nenhum momento pareceu algo muito fora do padrão. As coisas pioraram no momento em que o Senhor Verger ofendeu Kamus na hora em que ele foi se desculpar com a Senhora.
- Shion, você confirma isso?
- Sim. Desde o princípio, o pai parecia bem mais agressivo.
O Mestre disse.
- O que ele falou naquela hora em que você ameaçou avançar contra ele, mas eu o chamei?
Atena esperou a resposta.
- Ele disse que existem pessoas como ele dentro das Empresas Kido, e que eu só não tinha descoberto ainda.
Ela não escondeu sua surpresa ao ouvir aquilo. Refletiu por algum tempo antes de falar novamente.
- Como você se sente agora, Kamus?
Ele não esperava aquela pergunta, mas acabou respondendo depois de algum tempo.
- Eu me sinto... Aliviado, apesar de tudo. Incomodava-me demais não saber como minha mãe e meu irmão estavam. E eu sei que estava errado em esconder o que fiz.
A tensão tomou conta do local enquanto a Deusa parecia pensar em um veredito para aquela situação.
- Shion, eu não sei quanto a você, mas para mim esse evento não foi provocado pelo Kamus. Ele apenas foi reflexo de uma incrível coincidência.
- Eu concordo. Talvez ele pudesse ter controlado-se um pouco mais, mas acabou se deixando levar pelas provocações do pai. Mas agora se conhecendo todo o cenário por trás, ele até que foi comedido.
- Kamus, levante-se.
O Francês se levantou, e Atena continuou.
- Não acho que o que houve aqui seja algo passível de punição. Quanto à sua confissão, eu vou decidir o que fazer depois de voltarmos ao Santuário. Está liberado. Vá matar as saudades da sua família.
- Obrigado.
Ele respondeu com um sorriso. Parecia estar emocionado. Depois de uma rápida reverência, foi em direção à porta. Quando a abriu, viu que havia vários dos seus colegas esperando uma resposta. Antes de qualquer um falar, ele já respondeu.
- Me desculpem por deixá-los preocupados. Eu prometo explicar tudo em outra hora, mas agora preciso ir.
E partiu, deixando todos surpresos com a impulsividade dele, coisa que não era comum. Dentro da Biblioteca, Atena começava a se retirar também. Ao passar pelos outros cavaleiros presentes à reunião, ela perguntou.
- Por que ele quis vocês aqui?
Afrodite quem respondeu.
- Nós sabíamos parte da história. Ele nos contou ontem. Todos nós nos revelamos um pouco para os outros. Às vezes é bom colocar para fora o que está lhe incomodando, não é mesmo?
Ele disse com um sorriso diferente no rosto. A Deusa ao lembrar-se da conversa dos dois no dia anterior, respondeu com o mesmo sorriso misterioso.
- Tem razão Afrodite.
Então se retirou, deixando Saga, Shura e Shion curiosos sobre aquela conversa. Ao chegar próximo aos que esperavam, disse que o assunto tinha sido resolvido, e que todos deveriam voltar ao salão. Assim que voltou ao local, Atena seguiu o mesmo caminho que fez na ida, até o local onde a discussão havia ocorrido, vendo ao longe o abraço carinhoso de Kamus com sua família. Ela sorriu aliviada, torcendo para que os demais também pudessem resolver seus problemas. Os outros também voltavam para o local. Antes de entrarem no salão, Shina parou em frente ao Miro, e disse.
- Quer mesmo saber o que eu quero? Venha comigo.
O Grego parecia receoso, mas acabou cedendo. Concordou com a cabeça, e seguiu atrás dela para o lado oposto ao que os outros iam, sobre olhares curiosos.
- Isso não vai dar certo...
Disse Aioria.
- Pelo contrário... Aposto que eles não se desgrudam mais.
Aioros respondeu com um sorriso.
- Concordo com ele Aioria. Esses dois vão acabar juntos.
Marin também falou, agarrando no braço do namorado. O Leonino respondeu com uma expressão de dúvida no rosto.
- Se você diz... A verdade é que agora eu estou curioso para saber como vai ser esse encontro.
- Não Aioria. Deixem os dois resolverem isso sozinhos. Vocês vão saber o resultado mais tarde de uma forma ou de outra.
Shura falou, discretamente empurrando o Grego na mesma direção do grupo. Aos poucos foram se dispersando, e Afrodite viu-se sozinho. Um garçom passou por ele com uma bandeja de bebidas, e acabou pegando um copo com whisky com gelo. Enquanto dava o primeiro gole, pensava que não deixava de ser certa hipocrisia o que havia comentado com Atena, afinal ele mesmo ainda não havia resolvido seu problema. Estava distraído quando de repente trombou em alguém.
- Descul...
Quando viu quem era, perdeu a voz. Giancarlo o encarava de forma séria.
- Precisamos conversar. Agora.
Sem dar tempo para o outro responder, segurou no pulso dele, puxando-o pelo salão.
Continua...
- Pois é, deixei os casais mais complicados para o fim. Vou deixar vocês na vontade.
- Queria agradecer de novo a cada um que clica no título da fic para lê-la. Eu não imaginava que ela teria 16 capítulos, e que seria tão bem avaliada.
- Quem pensa que todos terão seus problemas resolvidos, aguardem cenas dos próximos capítulos...
Até mais
