Tempos de Mudança - Capítulo 17

Recados:

- Olá. Foi um pouquinho (MUITO) mais demorado do que eu queria, mas finalmente consegui acabar.

- Como eu disse a vocês no recado. A fic não vai acabar com a festa. Eu tinha imaginado uma fic diferente para cada história a partir de agora, mas vai ficar tudo por aqui

- Acabou que eu escrevi tanta coisa que acabou tendo material para dois capítulos, então semana que vem tem mais.

Boa leitura a todos.


Passava da meia-noite. As pessoas de mais idade, e os mais comportados, começavam a se retirar, não sem antes agradecer ao anfitrião pela festa. Aos poucos o clima foi mudando. Com a presença majoritária de jovens, entrou em cena uma banda e um DJ para tornar as coisas mais animadas, e mesmo a iluminação do salão foi diminuída. As mesas mais próximas foram removidas para criar uma pista de dança próxima ao palco. Miro seguia Shina pelo salão. A tarefa era um pouco mais difícil com a iluminação baixa. Assim foi até ela parar, em um canto vazio do salão, do lado oposto ao da banda. Ela virou-se na direção dele, ainda com aquele mesmo sorriso no rosto, o que deixava o Grego mais irritado.

- Pronto, estou aqui. O que você quer comigo?

Miro disse, demonstrando impaciência.

- Eu quero conversar com você. Sem piadas, planos, segundas intenções... Apenas uma conversa séria, para colocarmos essa situação em pratos limpos.

- Se quer uma conversa séria, então tire esse sorrisinho bobo do rosto.

- Me desculpe, mas eu não consigo. Não depois de saber que você ficou mexido com o selinho que eu dei no Shura.

Ela falou.

- Por que?

- Todos os homens são bobos assim, ou é só você?

Miro pareceu ofendido com a pergunta, ameaçando ir embora, mas foi segurado pelo braço por ela.

- Desculpe, mas é que eu não consigo entender como você não percebe. Eu fiz isso para saber o que você sentiria.

Ele ficou em silêncio por um longo tempo, e então ela continuou.

- O que você sentiu?

Depois de mais um bom tempo, ele acabou respondendo.

- Eu... Não gostei do que vi.

- Por que?

Miro não entendia porque não conseguia responder àquelas perguntas. Não acreditava que a Italiana poderia estar tendo todo esse poder sobre ele. Enquanto procurava algo para falar, observava os olhos verdes sobre si, e o rosto curioso da mulher. O sorriso que antes o incomodava agora dava a impressão de deixá-la mais bonita.

- Eu vou responder por você. Você ficou com ciúmes em me ver com ele. Isso significa que você sente algo por mim.

- Eu não...

Antes que ele pudesse terminar a frase, ela o cortou.

- É melhor aproveitar a oportunidade para ser sincero comigo pela primeira vez, ou pode se arrepender depois.


Em meio às pessoas que dançavam na pista, Giancarlo puxava Afrodite pelo pulso. Discretamente o Sueco tentava se soltar. Sabia que Atena poderia não gostar de mais um "barraco" envolvendo seus cavaleiros. Depois de passarem pela pista, o Italiano começou a subir as escadas.

- Me solta...

Sabendo que agora poderia ser ouvido, falava em meio aos dentes. A verdade é que ele estava desesperado. Não se sentia pronto para conversar com Giancarlo depois do que havia feito naquela noite. Não queria ouvir o que o outro tinha para falar, pois tinha certeza que acabaria sofrendo. O Canceriano seguia pelo mezanino até encontrar uma pequena varanda vazia, puxou Afrodite para o lado de fora, ficando entre ele e o corredor.

- Agora você não foge mais...


Miro suspirou, e resolveu começar a falar tudo o que viesse em sua cabeça, sem pensar muito.

- Eu... Queria vingança. Você me humilhou diante dos outros Cavaleiros de Ouro, eu precisava colocar você no seu lugar... Mas eu não me senti tão bem quanto eu pensei que sentiria depois de fazer aquilo. Eu não consigo me esquecer daquele beijo que demos na Boate. Foi bom...

Shina ouvia tudo atenta. Finalmente conseguiu fazer aquele cabeça-dura se abrir.

- Quer saber por que eu me senti tão mal depois de você fazer aquilo? Porque você parecia muito sincero no que falava e fazia. Será que, no fundo, você não estava realmente sendo?

Novamente as palavras fugiram da boca do Grego. Mas talvez ela estivesse certa. Mesmo enquanto levava seu plano de vingança adiante, estar perto dela era muito agradável. Apenas depois do que fez pensou que pudesse ter exagerado, mas era orgulhoso demais para admitir, ou pedir desculpas.

- Pode ser...

A Italiana sorriu novamente, aproximando seu corpo do dele e colocando as duas mãos sobre o peito do cavaleiro.

- Se esse "Pode ser" for mais um "sim" que um "não", quer dizer que aquelas suas palavras na Boate podem ter valor. Podemos esquecer as rixas, as humilhações. Se o que você sente... E o que eu sinto for forte o bastante nós podemos ser felizes juntos...

Miro seguiu as mãos dela com o olhar, e depois voltou a olhar para rosto Ela parecia esperar uma resposta. Ele sempre gostou de aproveitar a vida, e sentir-se tão ligado assim a alguém era algo novo. A verdade é que ele estava com medo de ser mais uma vingança, mas não tinha nada a perder. Com uma de suas mãos tocou o rosto dela de forma delicada, e em seguida o segurou pelo queixo, aproximando seu rosto e beijando os lábios de forma tranqüila. Um beijo que não demorou muito. Assim que se afastou só conseguiu falar uma coisa.

- Me desculpe.

Ao ouvir aquilo, a Italiana passou seus dois braços por trás do pescoço do Grego e o puxou para um beijo mais quente. Miro ficou surpreso, mas logo correspondeu, a ponto de prensá-la levemente contra a parede. Quando o fôlego dos dois acabou, se afastaram e ficaram em silêncio algum tempo, até que Miro falou.

- Melhor eu me preparar, porque o que eu vou ter que ouvir dos outros quando a gente aparecer junto...

- Eles vão ficar é com inveja por você ter uma mulher linda ao seu lado.

- Está bem então, senhorita modéstia. Vamos lá contar a novidade para eles?

- Por quê? Temos coisa muito melhor para fazer agora.

Então ela o puxou para mais um beijo.


- Giancarlo, deixe-me sair.

- Não. Temos muito sobre o que conversar, e não é de hoje.

Afrodite suspirou profundamente.

- Não sei do que você está falando.

E levou o copo que tinha na mão à boca para tomar mais um gole, mas o Italiano deu um tapa na mão do outro, o que fez o copo voar pela varanda, e cair no mar que beirava o Palacete.

- Preste atenção em mim em vez de fugir para um copo de bebida! Eu já estou cansado disso. Seja homem para assumir o que fez Afrodite de Peixes!

Giancarlo estava claramente irritado, prensando o outro contra a beirada da varanda. Afrodite olhava para ele assustado.

- Se você acha mesmo que não temos nada o que conversar...

Ele deu um passo para o lado.

-... Pode ir embora, mas nunca mais olhe na minha direção, muito menos me dirija a palavra, pois eu vou te ignorar da mesma forma que você está me ignorando esses dias.

Quando viu o caminho livre, o Sueco pensou seriamente em ir embora, mas a ameaça de Giancarlo o fez pensar por alguns instantes. Não importava o que decidisse, tinha certeza que ambas as opções seriam péssimas.

- Eu... Fico.

Resolveu ficar, e ouvir o que o canceriano tinha para falar. Giancarlo, ao perceber que ele não sairia mais, voltou a se colocar de frente para o Sueco.

- Melhor assim.

O Italiano então cruzou os braços na frente do corpo e respirou de forma mais profunda. Afrodite teve a sensação de que ele parecia tão incomodado quanto si com aquela situação.

- O que é estar apaixonado, Afrodite?

- Hã?

O pisciano esperava muitas coisas. Um fora, uma briga... Mas nunca imaginava uma pergunta como aquela. Antes mesmo que ele pudesse pensar em uma resposta, Italiano continuou.

- Porque eu não vou negar. Eu sinto atração por mulheres, mas nenhuma delas me faz sentir tão bem quanto eu me sinto perto de você. Você é alguém com quem me importo, com quem me preocupo, e droga dá para parar de fazer essa cara?!

Surpreso era o mínimo que podia ser dito da expressão do Sueco. Giancarlo estava se abrindo para ele como nunca pensou que faria. Ele poderia estar até imaginando, mas aquilo se parecia com uma... Declaração.

- D... Desculpe-me, mas eu não esperava isso. Eu pensei que você falaria... Faria coisas horríveis comigo depois do que aconteceu...

- Por que?

- Ainda pergunta? Eu vi você com aquela morena naquela noite. Você é conhecido por fazer sucesso entre as mulheres. Eu pensei... Que você não gostaria de saber que seu melhor amigo se apaixonou por você.

- E por causa disso você decide por conta própria se afastar, sem saber o que eu penso...

Afrodite só abaixou a cabeça, consentindo com Giancarlo.

- É claro que eu fiquei surpreso com o que você falou, mas isso me fez pensar, e muito...

O Italiano voltou a respirar profundamente, como se procurasse as palavras certas.


A maioria dos convidados vindos do Santuário com eles estava reunida em torno das mesas. Kamus ainda estava com sua mãe e irmão, conversando em outra parte do salão. Precisavam daquele momento particular para colocar anos de conversa em dia. A banda começava a tocar clássicos dançantes dos anos 60 e 70, o que era um convite para os convidados irem para a pista de dança. Em uma das mesas, estavam Aioros, Saga, Aioria, Marin, Dohko, Shion e Shura.

- Vamos lá, Aioria. Eu estou cansada de ficar aqui sentada.

Marin se levantou, e começou a puxá-lo da cadeira onde estava sentado.

- Mas Marin, eu não...

- Se vai falar que não sabe dançar, melhor ficar quieto. Você foi naquelas aulas, lembra?

- Eu fui, mas...

- Eu vou estar com você. Não precisa ficar envergonhado.

Dando-se por vencido, Aioria se levantou e foi junto com a ruiva para onde outros dançavam.

- Vamos também, Shiriyu?

Shunrei pediu, e o Chinês se mostrou mais solícito, levantando logo em seguia para irem juntos. Os dois estavam na segunda mesa, junto com Ikki, Hyoga, Seiya, Seika, Mu e Aldebaran.

- Onde será que estão Miro e Shina? Como será que acabou aquele encontro dos dois?

Shura batia os dedos na mesa enquanto segurava um copo de bebida com a outra mão. Estava sentado, claramente impaciente. Aioros logo respondeu.

- Acalme-se. Se nenhum dos dois apareceu ainda, acho que é porque eles estão ocupados com outras coisas. Mas por que você quer saber?

- Porque eu quero zoar com a cara do Miro, óbvio. Depois de tudo, ele acabar dobrado pela Shina?! Claro que, se acontecer, vou ficar feliz pelos dois, mas não posso perder essa oportunidade.

O comentário faz alguns rirem.

- Entendi. Só não exagere com ele.

Respondeu Aioros.

- E cadê o Giancarlo? Não acredito que ele vá sumir bem nessa hora... Ele iria adorar fazer isso também.

- Na verdade, não só o Giancarlo. Afrodite também sumiu, desde os eventos na Biblioteca.

Dohko comentou, e só então o Espanhol deu falta do cavaleiro de peixes. Lembrou-se da conversa do dia anterior, e olhou para Saga, que também estava na mesa.

- Eu acho que seu palpite estava certo.

O Grego falou, deixando os outros sem entender a conversa. Agora uma leve preocupação tomava os dois, pois não sabiam como o Italiano reagiria a uma possível confissão.

- Bom Shura, se você estava esperando sua chance para "zoar" com o Miro, prepare-se, pois ele está chegando.

Dohko apontou para a parte de trás do salão, de onde Miro e Shina surgiam de mãos dadas, o que chamou a atenção de todo o grupo. O Grego parecia sem jeito com todos aqueles olhares. Já a Italiana estava muito feliz para se preocupar com aquilo. Shura se levantou e começou a falar com um sorriso no rosto.

- Então resolveram acabar com aqueles joguinhos confessar o que realmente sentem?

- Sim. Finalmente colocamos nossas diferenças de lado.

Shina respondeu.

- E você, Miro? Não vai falar nada?

- Olha Shura, faça as piadinhas que tem que fazer, e depois nos deixe em paz.

- Piadas? Você fala coisas do tipo "Finalmente a cobra deu o bote no escorpião", ou "Miro está apaixonado por uma cobra", ou ainda "Agora a Shina tem mais uma cobra pra cuidar, além da Bianca"...

Enquanto os dois ficavam sem jeito, as mesas pareciam se divertir.

- Eu poderia passar a noite toda falando esse tipo de coisa, mas tem algo mais importante. Fico feliz que os dois estão juntos. Acho que todos nós estamos.

Virou-se para os outros, que acenaram com a cabeça.

- Agora que tal um beijo para celebrarmos?

Mais tranquilos, os dois sorriram e se beijaram de forma demorada, o que fez todos celebrarem com aplausos e assovios.


Giancarlo, depois de pensar, começou a falar

- Sempre me falaram que amor e sexo eram coisas diferentes, e eu nunca acreditei. Mas eu comecei a pensar que pode ser verdade. Thomas, eu já disse isso. Eu gosto de você. Eu me sinto bem quando eu estou perto de você, mesmo com seu mau humor nas reuniões que o Shion marca de manhã cedo.

Pela primeira vez Afrodite esboçou um sorriso.

- Mas eu também estou preocupado com você. Eu estou vendo você viver de forma inconseqüente desde que tivemos uma nova chance. Festas, bebidas... Foi difícil ver o que eu vi naquela noite, ainda mais depois de saber que eu era o responsável por você se colocar naquele estado...

Novamente Afrodite abaixou a cabeça. Nunca passou pela sua cabeça que poderia estar fazendo Giancarlo sentir-se mal por agir dessa forma.

- Olha pra mim...

O Sueco ergueu o rosto, encarando o canceriano.

- Eu te pergunto de novo, Afrodite. O que é estar apaixonado por alguém?

O Italiano parecia falar sério. Afrodite viu aí a chance que precisava para finalmente criar coragem e botar pra fora tudo que estava sentindo.

- Quando se está apaixonado por alguém, é como se você perdesse o chão quando está perto da pessoa. Você fica feliz quando ela está feliz. Você fica triste quando ela está triste. Você quer estar perto, mesmo que seja por um instante. E quando você está perto, sente seu corpo ficar com todos os seus sentidos alertas. Só um toque é capaz de fazer a pele arrepiar completamente... Eu poderia ficar aqui falando e falando, mas a verdade que isso é algo que você tem que descobrir Giancarlo. Eu não posso te dizer se você está apaixonado.

O silêncio reinou novamente. O Italiano fechou os olhos, parecendo assimilar o que havia ouvido. Enquanto Afrodite estava com seu coração saltando pela boca, esperando por alguma resposta vinda dele.

- Olha Afrodite. Tudo que eu sei é que eu sinto algo quando estou com você. Não sei te dizer se é amor, amizade, ou outra coisa. Eu queria que você me ajudasse a descobrir que sentimento é esse, mas eu não queria te dar falsas esperanças, porque tem a chance de não ser o que você espera...

As pernas do Sueco bambearam com o que acabara de ouvir. Queria se beliscar para ter certeza de estar acordado. Conhecia bem o Italiano. Fora treinado para que ignorasse seus sentimentos e fosse o soldado perfeito, então tinha noção de que ele desconhecia o que sentia. Ele também precisava decidir. Queria mais que tudo ficar com ele, mas tinha que ter em mente que seria uma aposta, e que poderia não dar certo.

- Eu sei Giancarlo. Eu sei que pode dar tudo certo, ou falhar miseravelmente, mas...

Ele se aproximou mais do outro, ainda receoso

-... Eu estou disposto a arriscar. E você Giancarlo? Está disposto a mudar assim tão radicalmente apenas por um experimento?

O Italiano abriu um leve sorriso, usando a mão para segurar o rosto do outro pelo queixo de forma delicada. Afrodite travou no lugar esperando para ver o que ele faria. Ele então aproximou seu rosto e beijou os lábios do outro de forma rápida, para depois se afastar novamente e falar.

- Eu gostei de fazer isso. Acho que você está com sorte por enquanto, Thomas.

Os olhos de Afrodite marejaram, e ele abraçou o outro com força.

- Obrigado por fazer isso por mim Gian.

- Eu já falei pra não me chamar... Ah, quer saber, esquece. Pode me chamar do que você quiser.

O outro não respondeu, apenas continuou abraçado a ele. Depois de algum tempo, o Italiano fez os dois se separarem, olhando novamente para o rosto de Afrodite.

- O que quer fazer agora?

- Eu... Não sei. Queria sair por aí gritando como estou feliz, mas Atena não gostaria disso. Podemos voltar lá pra baixo. Tudo bem para você os outros saberem?

- Sim. Por que teria problema? Vai ser até divertido ver alguns queixos caídos até o chão.

- Bobo. Então vamos.

Giancarlo respondeu com um aceno positivo, então pegou a mão do Sueco, agora de forma mais gentil, conduzindo-o pelo mezanino. Os dois tinham noção de que aquela era uma aposta arriscada, mas que valia a pena. Enquanto passavam pela pista de dança, a música fez Afrodite mudar de idéia.

- Vamos ficar um pouco por aqui. Eu preciso extravasar de alguma forma, e dançar é algo que eu adoro fazer.

- OK, só não me culpe se eu pisar nos seus pés.

O Sueco riu, e puxou o outro para mais perto antes de começar a mover seu corpo no ritmo da música, acompanhando de um Giancarlo que se movia de forma mais discreta.

Continua...


- Bom, é isso. O que acham? O relacionamento do Máscara e do Afrodite vai dar certo ou não? Miro e Shina se entenderam ou vão viver entre tapas e beijos?

- Semana que vem tem mais. Agora sim, o último capítulo da "Fase Festa".

- Obrigado a todos que leram.

Até mais.