Tempos de Mudança - Capítulo 18

Recados:

- Oi. Finalmente chegamos ao último capítulo da "Fase Festa"

- Foi até fácil no começo, mas depois ficou difícil escrever e postar. Vários fatores atrapalharam.

- Espero que gostem desse capítulo final.

Boa leitura a todos.


Miro e Shina resolveram ficar e se juntaram ao grupo. Pouco depois, Kanon e a namorada chegaram também.

- Onde vocês estavam?

Perguntou Saga.

- Dando uma volta por aí com a Karin. É bom ter alguém que conheça bem o local, e saiba de todos os segredos e cantos escondidos...

Kanon falou aquilo de uma forma bem maliciosa.

- Eu vou fingir que não ouvi isso.

Saga retrucou, o que fez o gêmeo rir. Kanon então percebeu que Miro e Shina estavam juntos, e decidiu ir com Karin cumprimentá-los. Dohko estava animado com a movimentação, mas Shion parecia incomodado com tantas mudanças acontecendo ao mesmo tempo. Ikki mantinha uma fachada, mas na verdade estava se segurando para não ir atrás do irmão. Já havia deixado ele sozinho com o General Marina por muito tempo. Acabou não resistindo e levantando-se, indo procurá-los. Caminhou pelo salão, e depois subiu as escadas, e acabou os encontrando no mesmo lugar, conversando de forma animada. Dessa vez foi até eles.

- Shun.

A voz de Ikki chamou a atenção dos dois.

- Ikki. Desculpe, acho que eu perdi a noção do tempo. Há quanto tempo estou aqui?

- Tempo o bastante para que eu acabasse curioso para saber o que o que você fazia de bom.

O mais novo ficou sem jeito com a resposta.

- Desculpe, mas é que a conversa estava muito boa mesmo. Ikki, eu quero te apresentar...

- Não se preocupe Shun. Nós já nos conhecemos. Como está, Sorento?

- Eu estou bem Fênix. É um prazer revê-lo.

Os dois se cumprimentaram sem um contato. Por alguns instantes, os dois se encararam em silêncio, o que deixou Shun incomodado.

- De onde vocês se conhecem?

- Após você deixar o pilar do Atlântico Sul, eu fui até o pilar do Atlântico Norte tirar algumas dúvidas que tinha sobre Kanon e seus planos, e encontrei Ikki em batalha com ele.

Sorento respondeu virando a cabeça para Shun.

- Foi um encontro rápido, mas pude conhecê-lo bem mesmo assim.

Ele continuou, agora virando a cabeça para o irmão mais velho. Após mais um rápido silêncio, Ikki continuou.

- E eu posso saber o que você e meu irmão conversaram por tanto tempo?

- Ikki!...

Shun falou baixo, mas em tom relativamente bravo, sem jeito com a forma que o irmão se dirigiu ao outro.

- Eu precisava agradecer ao Shun, por ele ter mudado a minha vida depois do nosso encontro no Reino Submarino. Depois... Bom, a conversa fluiu como se fôssemos amigos de longa data.

A resposta deixou Ikki desarmado e curioso. Podia ver que ele tinha respeito, e até certo carinho pelo seu irmão mais novo.

- Shun me responda uma coisa. Aquela pessoa que você me disse que queria encontrar aqui era ele?

Ao se dirigir ao irmão, começou a falar em japonês. Queria conversar com ele sem que o outro soubesse do que se tratava. Shun ficou com a face vermelha de vergonha com a pergunta. Demorou um pouco, mas acabou respondendo.

- Sim.

- Está bem.

Ikki voltou a olhar para o Austríaco.

- O que quer que aconteça entre vocês, se por um acaso você magoar meu irmão de alguma forma, vou pegar a sua flauta, e enfiar em um lugar onde vai doer muito.

- Ikki!

Dessa vez o mais novo não resistiu, e deu um tapa no ombro do seu irmão. Agora sim estava completamente vermelho, não sabendo onde enfiar a cara. Sorento também não escondeu a surpresa, mas tinha noção de que aquela era a forma do Japonês dizer que não se oporia a alguma relação que os dois pudessem vier a ter.

- Eu entendi o recado Fênix. Foi claro como água.

- Ótimo.

O que eles não sabiam, é que estavam sendo observados. Julian e Saori observavam curiosos aos três desde quando Ikki havia chegado. Quando Shun deu o tapa, resolveram se aproximar. Shaka mantinha-se como guarda de Atena, alguns passos afastado.

- Está tudo bem por aqui?

Julian chamou a atenção dos três. Ao ver os dois Deuses encarnados, Sorento fez uma reverência.

- Senhor Julian. Senhorita Saori.

Shun e Ikki também cumprimentaram os dois, mas de forma mais discreta.

- Shun, por que bateu no Ikki?

Saori perguntou, mas antes que ele respondesse, Ikki se adiantou ao irmão.

- Foi minha culpa. Eu disse algo inapropriado.

- Tem algo a ver com o longo tempo que seu irmão e Sorento passaram juntos?

Julian perguntou, se dirigindo a seu General.

- Vocês dois estão juntos faz mais de uma hora, a sós. Pode não parecer, mas estou sempre observando o que acontece ao meu redor.

Sorento ficou sem jeito, bem como Shun.

- Meu senhor, Shun e eu descobrimos ter muitos interesses em comum, e nossa conversa acabou por se estender.

- Interesses... Hum, vejo que são muitos interesses mesmo, afinal já está íntimo dele o bastante para chamá-lo pelo nome.

Os dois ficaram ainda mais envergonhados, enquanto Ikki e Saori apenas observavam, e pareciam se divertir com a forma que Julian provocava seu General.

- Er... Bem... Sim. Acredito que esse possa ser o início de uma grande amizade.

Aquela frase fez Shun sentir um leve aperto no peito.

- Amizade? Uma pena. Vocês ficam muito bem juntos.

O Austríaco fez uma expressão assustada enquanto Poseidon olhava para ele com um sorriso diferente, levemente malicioso. Shun queria sumir. Odiava ser o centro das atenções. Saori dirigia seu olhar para o "casal" com uma expressão curiosa no rosto. Julian se moveu até a beirada do Mezanino, olhando para baixo por alguns instantes e então chamando os outros. Shun e Sorento seguiram imediatamente. Saori olhou para Ikki, tentando descobrir o que ele achava daquilo. Rapidamente ele respondeu apenas para ela ouvir.

- Será como ele quiser.

E eles foram se juntar aos outros. Ikki na frente com Atena logo atrás. Após todos chegarem à beirada, perceberam que estavam bem acima das mesas dos convidados do Santuário.

- Vejam. Estão todos se divertindo, comemorando esse novo momento na vida deles...

Enquanto Julian falava, viram Marin e Shina se abraçando. A Japonesa estava cumprimentado animada a Italiana, pois só ficou sabendo que ela e Miro haviam se acertado naquele momento, já que estava dançando com Aioria. Shiriyu e Shunrei também haviam voltado aos seus lugares, conversando com outros enquanto estavam abraçados.

-... Tudo que eu posso falar, é que não deixem passar as oportunidades da vida.

- Está bem, Senhor. Não me esquecerei disso

Sorento comentou, olhando para Shun uma última vez. Logo depois, Kamus apareceu, junto de sua mãe e irmão.

- Senhor Solo, me perdoe pelasituação tão desagradável em sua residência.

- Não se preocupe. Tenho certeza que não era sua intenção.

O Francês abriu um suave sorriso, e apresentou sua família ao grupo. Saori estava muito feliz em finalmente conhecer a família de seu cavaleiro.

- O que vocês observam com tanta curiosidade?

Kamus quis saber, também olhando para baixo.

- Estávamos observando nossos "amigos", e comentando como o destino resolveu mover todas as suas peças de uma só vez.

Saori comentou, não usando a palavra "cavaleiro" para não chamar a atenção da mãe e do irmão de Kamus.

- Tenho que concordar com isso. O que aconteceu comigo hoje é uma prova.

Ele olhou mais uma vez para a família, e depois para baixo, focando em algo que não havia percebido ainda.

- Miro e Shina?... Finalmente eles se acertaram?

- É o que parece. Com isso é o quarto casal que se forma entre nossos amigos nos últimos tempos.

Saori comentou com um sorriso franco no rosto.

- Acho que deveria refazer as contas. Eu acho que são cinco.

Julian disse logo em seguida

- S-senhor, eu...

Sorento voltou a ficar envergonhado, acreditando que ele estava novamente falando de Shun e ele.

- Não estou falando de você, Sorento.

A resposta deixou todos curiosos.

- Então de quem?

Saori voltou a olhar para baixo, apoiando as mãos na grade de proteção, tentando descobrir de quem a reencarnação de Poseidon falava. Julian apontou para a pista de dança, perto da banda, que acabava de começar a tocar "Dancing Queen". A Deusa buscou rapidamente, e quando encontrou arregalou os olhos surpresa.

- Não acredito.

Os outros procuravam o que ela havia visto. Até mesmo Shaka, que havia colocado voluntariamente no papel de guarda de Atena aproximou-se curioso. Foi Kamus quem os encontrou primeiro, também não escondendo a surpresa.

- Giancarlo e... Thomas?

Kamus, que sabia o nome verdadeiro de Afrodite, lembrou-se de chamá-lo assim em tempo. Ikki, Shun e Sorento estranharam, mas entenderam assim que viram os dois cavaleiros dançando juntos.

- Eu não acredito.

Shun se limitou a repetir o que Atena disse. Já Ikki, resolver deixar seu comentário.

- Quem diria. Ele sempre teve fama machão... Pegador... Será que ele resolveu mudar de lado ou está só experimentando?

- Ikki! Por que falar desse jeito?

Disse Shun o reprimindo.

- Porque é a verdade.

Enquanto os dois irmãos iniciavam uma leve discussão, o Francês continuava olhando para os dois companheiros de batalha, e lembrando-se do que tinha ouvido no dia anterior. Olhou para o lado e viu Atena de olhos fechados, com as mãos junto ao peito, aparentemente em uma prece silenciosa. Ela na verdade estava agradecendo pelo destino estar dando aos seus cavaleiros um "amanhã". Por permitir que eles pudessem deixar qualquer tipo de arrependimento para trás e pudessem ser felizes. Também rezava por aqueles que ainda sofriam, para que pudessem obter o que procuravam em suas vidas. Após pouco mais de um minuto ela abriu seus olhos.

- Você está feliz por seus cavaleiros?

Julian perguntou em um tom para apenas ela ouvisse.

- Muito. Eles merecem.

- Mas não apenas eles deveriam merecer. Como eu disse mais cedo, depende apenas de você para que essa contagem de casais aumente para seis.

Enquanto deixava Saori refletindo sobre aquelas palavras, ele aumentou o tom de voz para anunciar

- Peço licença a todos. Eu vou dar uma volta por aí. Divirtam-se

Ele então partiu. Logo em seguida, a mãe de Kamus virou para ele.

- Já está tarde. Eu não tenho mais o pique de vocês. Yannick e eu vamos embora, mas amanhã nós nos encontraremos, certo?

- Sim, mãe. Amanhã cedo nos encontraremos. Boa noite.

Então abraçou a mulher de forma carinhosa. Deu um abraço apertado no irmão também, e então os dois foram embora.

- Bom. O que acham de voltarmos lá pra baixo? Quero estar perto para ver a cara dos outros ao receberem a notícia.

O comentário de Ikki fez os outros rirem.

- Eu vou. Quero falar com os dois.

Saori respondeu.

- Não sei se devo ir. Eu vou me sentir deslocado.

Sorento estava em dúvida. Apesar de Karin ser uma conhecida, ela estava com Kanon.

- Bobagem. Você vai estar comigo.

Shun respondeu com um sorriso que acabou fazendo o Austríaco ceder.

- Está bem. Vamos.

Ikki, Sorento, Shun, Saori, Kamus e Shaka, desceram juntos. Assim que chegaram, Saga, Shura e Miro foram até Kamus para perguntar como havia sido a conversa com sua mãe e seu irmão. Ele contou que eles haviam combinado de se encontrarem amanhã antes de irem embora.

- Então eles já foram? Que pena. Eu gostaria de poder conversar com eles também. Quem sabe saber de alguma coisa que você aprontou quando era criança...

Miro comentou com um sorriso travesso no rosto. Em sua cabeça, ele não acreditava que o Francês tivesse passado sua infância sem ter feito alguma "arte". Kamus fez uma feição de "Não acredito que ouvi isso"

- Amanhã no Hotel, com menos gente, eu vou apresentá-los a vocês. Mas acho que você tem coisas mais importantes que a minha infância para se preocupar agora. Eu vi lá de cima. Parece que o que você estava sentindo era mesmo ciúmes, tanto que agora quer a Shina apenas para você.

- Ah, você viu? Estragou a surpresa então.

O Grego respondeu coçando a cabeça.

- Não, a grande surpresa vai vir ainda. Esperem.

- Como assim?

Shura tentou arrancar mais alguma informação.

- Apenas esperem. Não deve demorar.

Nenhum deles entendeu, mas resolveram esperar, como Kamus disse. Naquele momento, a banda parava para um intervalo, mas uma música suave continuava tomando o ambiente, em um volume bem menor. Aproveitando o momento, Giancarlo e Afrodite voltaram para perto das mesas. Ninguém prestaria muita atenção, não fosse o fato deles estarem de mãos dadas.

- Aí, cambada. Prestem atenção que eu vou falar apenas uma vez.

A voz do Italiano chamou a atenção de quem havia não percebido ainda.

- Eu e o Afrodite conversamos bastante, e percebemos que podemos ter mais coisas em comum do que pensávamos. Então resolvemos ver o que acontece. Sim, nós estamos juntos a partir de hoje. Não gostaram? Podem ir até a minha casa, que eu terei todo o prazer em dizer que me ne sbatto il cazzo para o que vocês pensam.

Ninguém disse nada nos instantes seguintes. Pareciam chocados demais com o que acabaram de ouvir. Atena foi a primeira a fazer algo, ficando na frente dos dois e pegando uma mão de cada.

- Só o futuro decidirá se é o melhor caminho pra vocês, mas até lá, aproveitem.

Depois se virou para o pisciano.

- Foi tão difícil assim falar o que sentia?

- Ah, foi.

Quem respondeu foi o canceriano.

- Custou pra eu conseguir arrancar algo. Acho que se dependesse só dele, ele ia pro túmulo sem abrir a boca.

- Pior que é verdade...

Afrodite respondeu sem jeito.

- Então ele era o homem misterioso de quem você falou ontem à noite?

Shura aproximou dos três.

- Aquele por quem você estava apaixonado era mesmo o coveiro metido à besta?

- Sim Shura. Era ele. Você acertou seu palpite.

- Quer dizer que com outros você não teve problema de falar...

Giancarlo perguntou, com um tom meio sarcástico na voz.

- Eu só disse pra alguns, que gostava de uma de nós. Seu nome nunca foi mencionado.

- Está bem então...

Ele fingia estar ofendido, mas o sorriso no rosto dele demonstrava que estava brincando. Enquanto isso, os outros ainda pareciam muito surpresos para falar algo.

- Eu não acredito.

Miro comentou, quebrando o silêncio.

- Você é o terceiro que fala isso.

Ikki respondeu.

- Mas... É verdade. Quem de vocês imaginaria essa cena um dia?

Perguntou aos outros.

- Não estou falando de dois de nós juntos, mas de serem eles dois. Desculpem-me, mas vocês são completamente opostos.

- Você enlouqueceu, Miro? Os dois sempre foram amigos próximos. Sinceramente, eu sempre suspeitei que acabasse assim.

Kanon respondeu.

- Você merece um prêmio Afrodite, por conseguir colocar juízo na cabeça desse aí.

Ele continuou, deixando o Sueco sem jeito. Shaka foi o seguinte a falar.

- Pra mim fica claro como vocês ficam em paz quando estão próximos. Isso é um ótimo sinal.

- Pode até ser, mas ele continua o mesmo boca suja de antes. Não entendi o que você falou, mas com certeza foi muito feio. Não se preocupe, acho que ninguém vai na sua casa reclamar. Acho que eles estão até felizes por você.

Aioria comentou, o que fez alguns rirem.

- Vocês são tão amorosos... Tenho vontade de chorar.

O Italiano respondeu de maneira sarcástica e um sorrisinho na face às brincadeiras. Ao olhar para Shion, ficou com a feição séria, pois notou que era o único que mantinha se impassível, enquanto os outros já haviam relaxado. Fora o Mestre, nenhum deles parecia estranhar, ou desgostar da situação, e sinceramente, isso o aliviava.

- Mestre Shion, nós temos sua aprovação?

Todos se viraram para ele, esperando uma resposta. Ele levantou-se e falou.

- Eu acho que o mundo está mudando muito rápido, e eu estou ficando velho para acompanhá-lo. Eu nunca havia imaginado essa situação, mas acho que apenas preciso de tempo para me acostumar. Além disso, se Atena está de acordo, quem sou eu para discordar. Como ela disse, aproveitem esse momento.

- Obrigado.

Logo em seguida todos começaram a bater palmas e festejar com assovios.

- Calma aí pessoal. Está faltando o mais importante. O beijo.

Aioria comentou.

- É verdade. Vocês só falaram até agora. Eu só vou acreditar quando tiver beijo.

Dohko comentou em tom de brincadeira. Aquilo fez Afrodite gelar. Tudo bem que eles já haviam se beijado, mas havia sido algo rápido, e sem ninguém ver. Não sabia se ele estaria pronto pra tal demonstração de carinho em público.

- Gente, o que é isso. Pode ser que tenha alguém aqui que fique ofendido. Não podemos causar problemas na fes...

Estava inventando alguma desculpa para que eles mudassem de idéia, mas sentiu Giancarlo o puxando para ficar de frente para ele.

- Fica quieto.

Antes que pudesse responder ou fazer algo, foi beijado por ele. Um beijo de verdade, não só um selinho como antes. Estava de olhos fechados, então só pode ouvir os aplausos, que pareciam ainda mais altos. Foi um beijo rápido, e assim que o Italiano o desfez, virou-se para Dohko.

- Espero que agora esteja satisfeito, Nonno.

O Chinês respondeu com um aceno positivo. Segundos depois, a banda anunciou que estava de volta.

- Vamos voltar pra lá, Gian? Depois de tudo que sofri à toa, preciso extravasar um pouco.

- Está bem.

Eles pediram licença e voltaram para a pista.

- Vocês imaginavam ver isso um dia? Giancarlo realmente foi dobrado pelo Nemo.

Aldebaran parecia um dos mais surpresos ainda.

- Vai ter que se acostumar agora, Aldebaran. Eu estou feliz pelos dois.

Mu comentou.

- E quem não está?

Perguntou Saga, sem algo definido.

- Querem saber? Vou cair na dança também. Essa festa já está acabando e eu quero aproveitar. Com licença.

Shura falou já indo na direção da pista.

- Vamos também?

Shina perguntou pegando no braço de Miro, que apenas moveu a cabeça positivamente. Enquanto iam, ele perguntou para ela.

- O que foi que o Giancarlo falou naquela hora?

- Que não se importa nem um pouco para o que pensávamos.

- Pareceu-me uma coisa bem mais feia.

- E foi. Essa é a tradução mais leve que eu achei.

- Hum... Acho que vou querer aprender alguns xingamentos em italiano.

O Grego riu, em seguida da Italiana. Aos poucos parecia que o clima ia contagiando a todos. Aioros tomou coragem e foi até onde Seika e Seiya estavam sentados.

- Gostaria de ir também?

Ele perguntou, estendendo a mão para a jovem. Ela parecia em dúvida, pois não queria deixar o irmão sozinho. Seiya ficou surpreso no início, mas ao ver a reação da irmã, disse.

- Vai lá. Eu vou ficar bem.

Ela sorriu, e foi com ele.

- Olha só o Aioros...

Kanon comentou.

- Ele já vinha dando sinais desde aquelas aulas de etiqueta. Parece que ele finalmente resolveu agir.

Aldebaran respondeu.

- Ele faz bem. Além disso, não se pode negar que a irmã do Pégaso é bonita.

Karin deu um tapinha no braço dele.

- Esqueceu que eu estou aqui?

- Calma, foi só um comentário Karin. Ela é bonita, mas não tanto quanto você.

A beijou rapidamente.

- Está bem... Mas mesmo assim como castigo vai ter que ir dançar comigo. Agora.

- OK, Karin. Vamos

Os dois saíram. A maioria seguiu para a pista. Saori ainda estava nas mesas, agora parecendo impaciente, querendo tomar coragem. Pensava em Afrodite, e dava razão a ele por seus medos. Fechou os olhos, e lembrando-se do conselho de Julian, levantou e caminhou com toda sua coragem até a mesa ao lado.

- Seiya...

- Sim?

- Você... Quer ir lá também?

Pégaso percebeu que ela estava corada, e abriu um sorriso largo.

- Claro. Estarei ao seu lado, sempre.

Pegou na mão da Deusa e foram. Shaka pensou em segui-los, mas reteve-se no último instante. Ficaram nas mesas apenas Saga, Shaka, Kamus e Shion.

- Agora é oficial. Os tempos mudaram.

Disse Kamus, vendo Seiya e Saori de costas, já afastados. Shion já havia desistido de se surpreender naquela noite.

- Por que vocês estão aqui. Deveriam estar com os outros.

Ele comentou.

- Eu já ganhei a minha noite. Reencontrei minha família.

Dizia o Francês com uma taça de espumante na mão.

- Além disso, não me sentiria à vontade. Quando se trata de dançar, eu tenho as juntas... Congeladas.

- E aí está mais uma coisa que não se vê todo o dia. Kamus fazendo piadas. Quantas taças você bebeu?

Saga perguntou em meio a uma risada.

- O suficiente para me sentir solto, livre, porque é assim que me sinto agora. E você, Saga? Por que não está lá?

- Bom, digamos que essa onda de bênçãos que cobriu a todos não tenha me alcançado ainda. Mas eu sei que é por minha culpa. Apenas preciso criar coragem para dar o passo à frente.

- Você já demorou a fazer isso Saga. Existe um provérbio budista que diz. "Mais glorioso não é quem vence em batalhas milhares de homens, mas sim quem a si mesmo vence."

Shaka comentou, e então continuou.

- A minha felicidade depende apenas de mim, e eu me sinto feliz apenas com o necessário.

- Respeito o que diz Shaka, mas não consigo deixar de pensar que você apenas não encontrou a pessoa certa.

Respondeu Saga.

- Apenas o futuro dirá.

- E o Senhor, Mestre Shion? Perdoe-me falar assim, mas quando o Senhor disse estar velho, é apenas em pensamento. O Senhor está de volta ao seu corpo jovem, com toda uma vida pela frente, assim como eu ou Shaka.

Kamus disse, esperando por uma resposta.

- Tem razão, mas sinceramente, não sei o que fazer. Eu estou vivendo literalmente uma segunda vida, mas sem saber se a mereço.

- É claro que merece. Atena acha que o Senhor merece. Deveria ir atrás do que o faz feliz.

- Eu me considero feliz sendo o Mestre, apesar de todas as responsabilidades do cargo, mas acho que tem razão, tenho que descobrir o que mais me faz feliz.

- Sim, porque essa é a nova ordem no Santuário: "Sejam Felizes"

Kamus respondeu, erguendo a taça em um brinde. Os outros três complementaram o brinde. Eles continuaram ali, observando os outros, até a banda anunciar que estava encerrando o Show, indicando que a festa estava praticamente no fim. Todos decidiram que era hora de partir. Usaram os mesmos carros para voltarem ao Hotel, indo para seus quartos. Mas nem todos foram para os próprios quartos. Aioria e Marin passaram o resto da noite juntos, assim como Miro e Shina, Kanon e Karin, e Giancarlo e Afrodite. No dia seguinte, reuniram-se no café da manhã e em seguida se dividiram para aproveitar os últimos momentos de folga. Alguns ficaram em seus quartos. Outros saíram para a cidade, como Shun, que se encontrou com Sorento para caminharem juntos. Kamus reencontrou a mãe e o irmão, e aproveitaram para conversar e conhecer alguns dos amigos do Francês. Miro tentou descobrir como Kamus havia sido na infância, mas não conseguiu. O almoço foi o último encontro. Depois, todos foram para seus quartos arrumarem as malas. Foi difícil para a mãe de Kamus vê-lo partir, mas agora sabia onde encontrá-lo. Shun e Sorento prometeram manter contato. Enquanto voavam de volta, Atena olhava para o mar abaixo deles pela janela, e pensava que praticamente nenhum deles estava voltando da mesma forma que haviam chegado. Os dois casais "escondidos" da ida, agora eram cinco que podiam se amar sem medo. E esse número poderia aumentar para oito em um futuro próximo. Todos poderiam pensar em um "amanhã" sem medo, pois sabiam que ele chegaria. Bastaria a eles ter a vontade para consegui-lo.

Fim?


- É isso, chegamos ao fim dessa fase da fic. Espero que tenham gostado.

- Pra quem não sabe, "Nonno" é vovô em Italiano

- Obrigado a todos eu acompanharam até aqui, e tiveram paciência de esperar mais de um ano pelo fim.

- Mas "Tempos de Mudança" não acaba aqui. Espero que logo eu tenha novidades, pois como vocês perceberam, ainda existem vários assuntos pendentes.

Até mais a todos.