Tempos de Mudança - Capítulo 22
- Olá. Dessa vez eu reapareci mais rápido
- Mesmo pra quem não deixa comentário, agradeço por estar lendo, e espero que goste desse capítulo. Ele tem um "quê" de passeio turístico.
Boa leitura a todos.
3 dias depois
Kamus estava visivelmente estressado, e isso era raro de se ver. O dia começou com a discussão entre Miro e Shina chegando aos seus ouvidos enquanto ele passava pela Casa de Escorpião. No serviço, estava concentrado nos preparativos para a reunião com a diretoria da Verger, e o encontro com o pai, em duas semanas. Aquilo estava tomando todas as forças dele. Ainda tinha que ir para as aulas, mas seria até um alívio depois do dia que teve. Chegou alguns minutos mais cedo para encontrar-se com o Diretor. Queria informações sobre a sua aluna que havia sido detida. O homem explicou que a quantidade de droga com ela a fez ser fichada como usuária. Ela foi liberada no dia seguinte e, em teoria, deveria estar na aula de hoje.
O Francês agradeceu e enquanto esperava a chegada dos alunos ao Ginásio, resolveu dar uma olhada mais cuidadosa na ficha dela. 19 anos, mas ainda no 3º ano do Colegial, e com notas que a deixam no limite entre a aprovação e a reprovação. Sabia que era apenas temporário, mas sentia-se na obrigação de tentar ajudá-la no tempo que ainda estaria lá. Enquanto eles chegavam para a aula, prestava atenção para ver se a via. Ela foi uma das últimas. Passou sem cumprimentá-lo, indo direto para o vestiário. Ela possuía um corpo magro, até mesmo franzino. A expressão no rosto era dura, triste, como de alguém que já havia sofrido bastante na vida. Os cabelos dela chamaram sua atenção. Negros e curtos, mas com a lateral tingida de rosa. Além disso, o cabelo também cobria o olho direito. Pelo esquerdo, viu que os olhos eram negros também. Quando percebeu que havia ficado distraído mesmo depois dela ter sumido do seu olhar tomou um leve susto, mas logo se recompôs, ordenando o inicio do aquecimento. A aula transcorreu sem percalços, e depois de encerrar, todos estavam se retirando. Mas o Francês chamou a atenção da jovem.
- Lydia, um momento. Quero conversar com você.
Percebeu a jovem fazer uma expressão de desconforto, mas mesmo assim parar e voltar em sua direção. Com um gesto a chamou para sentarem em um longo banco de madeira que havia próximo à parede. Lydia acomodou-se, mas sem olhar diretamente para o cavaleiro. Era como se sabia o que viria. Kamus começou a falar.
- Fiquei sabendo o motivo da sua falta. Preocupa-me imaginar que você esteja desperdiçando sua vida dessa forma. Você jovem, não precisa disso.
Ela permaneceu olhando para o nada, impassível. Ele então continuou.
- Percebo que você tem interesse nas aulas. Acha que drogas e esporte combinam?
- Obrigada pela sua preocupação, professor. Mas por que alguém que é apenas temporário se preocuparia comigo, ou qualquer um de nós?
Finamente ele a ouvia falar algo.
- Mesmo sendo temporário, essa é a minha obrigação. Se eu puder mudar a vida de vocês um pouco que seja. Eu terei cumprido o meu objetivo.
- Eu não preciso disso. Você nem me conhece e já vem querer dizer o que é melhor pra minha vida? Eu já estou cheia de ouvir isso de todo mundo.
Lydia se levantou e começou a ir embora.
- Espere. Desculpe-me, OK? Vamos conversar sobre outra coisa então.
- Não estou interessada.
Ela afastava-se cada vez mais.
- Por que?
Kamus perguntou, fazendo-a parar e virar-se.
- Por que o que?
- Por que você resolveu começar a usar?
Ela ficou em silêncio por alguns instantes antes de responder. Ela tinha uma expressão levemente maliciosa no rosto.
- Parecia divertido.
O cavaleiro não esperava uma resposta tão direta.
- Parece divertido agora, mas logo não vai ser mais.
- Cala a boca. Para de encher meu saco. Não fale como se soubesse de tudo. Entenda uma coisa, professor. Todo mundo nasce só para sofrer, e procura a melhor forma de tentar aliviar isso.
Kamus não escondeu a surpresa com palavras tão intensas e tristes vindas dela. Perguntou-se o que a fez sofrer tanto para ir por esse caminho.
- Isso é fugir dos problemas. O que precisamos fazer é enfrentá-los, e vencê-los.
- Falar é fácil para alguém que nunca teve problemas na vida.
- Como é?
- É fácil perceber que você não é um de nós. É um riquinho, que achou que seria divertido fazer esse trabalho voluntário e depois gabar-se disso para gente como você.
O Francês não parava de se surpreender. Não imaginava que seria "lido" dessa forma.
- É isso mesmo que pensa?
Ela respondeu apenas com um aceno.
- Está certa em partes. Só que você não sabe que fui expulso de casa aos 16 anos. Só fui reencontrar minha mãe e meu irmão 20 dias atrás. Meu pai me odeia. Fiz sacrifícios que você nem imagina. E foi tudo isso que me trouxe aqui. Porque eu nunca desisti.
Lydia não conseguiu manter-se impassível àquela declaração. Nem Kamus conseguia entender porque havia desabafado. Nem mesmo com seus companheiros havia se aberto daquela forma.
- Lydia, eu só quero que saiba que eu estou aqui para te ajudar. Você tem celular?
- Sim
- Anote meu número. Pode me ligar a hora que for. Para conversar, desabafar, o que quiser fazer.
Com uma expressão que indicava que só fazia aquilo para não tê-lo mais eu seu pé, pegou o aparelho em seu bolso e anotou o número dado pelo Francês. Despediu-se e a passos apressados foi embora, deixando-o sozinho, pensativo por alguns instantes antes dele também partir. Lydia seguiu a pé pelas ruas do bairro. Os passos ainda apressados mostravam a vontade de chegar logo em casa. Apesar de ser conhecida pela maioria das pessoas, o perigo sempre existia. Abriu a porta de sua casa e trancou assim que entrou. Sentiu o cheiro de comida que vinha da cozinha.
- Pai, eu cheguei.
- Oi, Lydia. Como foi na escola?
Disse o homem vindo de dentro da casa
- Bem.
- Você foi mesmo?
- Fui sim, pai.
Respondeu sem paciência.
- Está bem... Quer jantar?
Não tinha muita fome, mas aceitou mesmo assim. O jantar foi quase todo em silêncio. O pai ainda estava decepcionado por causa da prisão da filha. Já havia conversado bastante com ela, e esperava que a mesma tomasse a iniciativa e parasse de usar. Mesmo porque, não teria condições de pagar um tratamento. Depois do jantar, Lydia foi direto para o quarto. Jogou a mochila num canto e foi tomar um banho. Enquanto secava-se, virou-se para o espelho.
No fundo queria acreditar ser forte, cumprir os pedidos do pai para não fazer mais aquilo. Ter forças como aquele homem que pouco conhecia disse que deveria ter para superar, mas ao fitar seu rosto sem o cabelo cobrindo-o, aquilo ficava impossível. Precisava fugir. Foi até a mochila e pegou algo dentro. Uma pequena trouxinha. Sentou-se em uma cadeira e abriu o pacote, despejando o pó sobre a mesa de estudos. Havia tornado-se um ritual. Pegou o cartão da escola e o usou para fazer a carreira, e com uma folha de caderno enrolada aspirou o pó. Logo o torpor tomou conta dela, seguida pela euforia, a sensação de esquecer tudo de ruim. Foi assim que se levantou e vestiu-se para ir dormir. Deitou na cama, esperando o pior da palpitação passar. O efeito passava, e junto aparecia a depressão e o arrependimento. Porém, o último pensamento que passou por sua cabeça é que daria um jeito de comprar duas doses no dia seguinte.
Aeroporto de Viena, 29 de agosto, 19 horas.
Sorento não escondia a ansiedade enquanto esperava o voo de Shun chegar. Enquanto isso, Shun se preparava para o pouso. O Japonês teve autorização de Atena e do irmão para a viagem. Ikki o fez prometer que não faria "nada de errado". Ter aquele tipo de conversa deixava o virginiano sem jeito, mas sabia que Ikki não ficaria sem falar alguma coisa do tipo. Desembarcou depois de um voo tranquilo e assim que entrou no Aeroporto encontrou o Austríaco o esperando. Um sorriso surgiu no rosto de ambos antes de um longo abraço.
- Oi, Shun. Fez boa viagem?
- Olá, Sorento. Fiz sim, foi tudo tranquilo.
- Que ótimo. Venha, vamos pegar suas malas e vamos para minha casa.
Com as malas em mãos, pegaram um táxi. Era uma viagem de cerca de 20 quilômetros até o distrito de Landstrasse, praticamente no centro da cidade. Já havia anoitecido, e apesar de ainda ser verão, um leve vento frio começava a soprar. O táxi parou em frente ao prédio onde Sorento residia. Um prédio baixo, de 5 andares, de fachada clássica. O apartamento do flautista ficava no segundo andar.
- Fique à vontade.
Disse o Austríaco ao abrir a porta. Ajudando Shun com a mala, entraram no apartamento. O local não era grande, mas confortável.
- Seu apartamento é muito bonito. Adorei a decoração.
- Obrigado. Agora eu posso dizer, bem vindo à Viena. Espero que goste.
- Obrigado. Tenho certeza que vou.
- Você parece cansado.
A expressão no rosto de Shun acusava a fatiga que o mesmo sentia.
- Sim, estou. A viagem e o jet lag me derrubaram um pouco.
- Vá tomar um banho. Vou preparar uma mesa para caso queira comer algo depois.
Shun agradeceu, e após a indicação de Sorento, dirigiu-se ao banheiro com um muda de roupa. O banho foi rápido, e após trocar-se foi até a cozinha, onde o dono da casa o esperava para um lanche. Depois de satisfeitos, Sorento comentou.
- Uma pena que você possa ficar tão pouco. Não poderei mostrar tudo que eu queria para você. A cidade tem mais de 100 museus, fora os teatros, óperas, e outras coisas.
- Nossa. Mas não se preocupe. Se der tudo certo logo eu estarei por aqui por muito tempo.
- Eu torço pra isso.
Ficaram em silêncio. Um silêncio incômodo. A impressão é que ambos queriam dizer algo, mas não conseguiam. Foi Sorento quem tomou alguma iniciativa, repetindo o gesto de semanas atrás, esticando sua mão na busca pela do cavaleiro, que aceitou o contato. Os dois ficaram assim algum tempo. Sentiam-se bem na presença um do outro, e no momento aquilo bastava. A conversa foi retomada com Shun querendo saber mais sobre os bastidores de uma orquestra. Instrumentos, ensaios, escolhas de peças... O cavaleiro parecia estar mesmo curioso. A conversa, porém, não durou muito tempo.
- Me desculpe, mas eu preciso ir dormir.
Shun comentou.
- Claro. Vá descansar. Os próximos dias serão cheios para nós.
Sorento mostrou onde era o quarto de hóspedes, então se despediram. Shun apenas teve tempo de mandar uma mensagem ao irmão informando que chegara bem antes de cair no sono. Na manhã seguinte, estava desperto antes mesmo das 8 horas. Trocou algumas mensagens com Ikki até ouvir que Sorento também estava acordado. Saiu e cumprimentou o Austríaco antes de sentarem-se para o café da manhã.
- Você planejou algo para hoje?
Shun perguntou
- Infelizmente só consegui pensar em um "programa de turista" com o tempo que temos. Desculpe-me, mas tem o último ensaio geral essa tarde.
- Não se preocupe. Esse é o seu trabalho, eu compreendo.
- Mas temos bastante tempo até lá. Vamos aproveitar.
Pouco depois os dois saíam. O próprio distrito de Landstrasse podia ser considerado uma atração turística. Às margens de um canal do rio Danúbio, é uma região bem arborizada, apesar de ser bem no centro. O local mais conhecido é o Palácio Belvedere. Construído no século 18, e famoso por seus jardins, hoje é uma galeria de artes. Foi o primeiro lugar onde Sorento levou Shun. O Japonês ficou encantado com a arquitetura do local. Depois de uma visita à parte interna, deixaram o local e tomaram um ônibus. O coletivo ia em direção ao centro, e logo chegaram ao Innere Stadt, o distrito central, a parte mais antiga. Sorento mostrou a Shun as ruínas de um acampamento de Legiões Romanas enquanto contava um pouco da história milenar da cidade.
A última parada antes do almoço foi na Catedral de Santo Estevão, cuja construção data do século 12. Reformada várias vezes, hoje possui uma arquitetura de estilo Gótico. A construção é famosa pelo seu telhado multicolorido, e a imensa torre Sul. Uma das maiores do mundo quando se trata de igrejas. Sorento comentou que foi criado como Católico, e mesmo servindo a Poseidon, ainda vem esporadicamente às missas para admirar a beleza do local e as apresentações de canto. O almoço foi em um restaurante agradável. Depois, foram conhecer um lugar muito importante para o flautista. Wiener Musikverein, a imponente sala de concertos onde a Filarmônica se apresentava. Considerada uma das melhores do mundo.
- É linda.
Shun comentou, admirando a construção.
- É ainda mais por dentro. Você poderá conhecer amanhã.
- Não vejo a hora.
- Shun, é o seguinte. Em uns 40 minutos começa o ensaio. Deve demorar umas duas, duas horas e meia. Se você quiser eu posso levar você em casa, ou você pode ficar. Tem um parque muito bonito aqui perto. O que você prefere?
O Japonês pensou por alguns instantes.
- Eu... Vou ficar. Não se preocupe, prometo não me afastar muito.
- Está bem. Se você seguir por aqui e virar à esquerda em uns 10 minutos vai chegar ao Stadtpark. É aquele mesmo que vimos do ônibus. Até mais.
Enquanto o flautista entrava, Shun começou a caminhar. Estava sozinho, em um país desconhecido. Sentia-se um pouco solitário, obviamente, mas isso era normal acontecer naquela situação. Passava prestando atenção em todas as construções, tão diferentes da arquitetura Japonesa. Não demorou em chegar ao parque indicado por Sorento. Entrou e sentou-se no primeiro banco disponível. Mentalmente agradecia que o verão Austríaco não fosse tão intenso como Japonês. Não deveria estar mais 25 graus naquele momento. Pelo celular procurou algumas informações sobre o local, e logo estava a caminhar novamente. Descobriu que o parque era dividido em dois pelo Rio Viena, e vários artistas Vienenses estavam homenageados em monumentos pelo local. Os mais conhecidos por ele eram Johann Strauss II e Franz Schubert. Gastou bastante tempo procurando todas. Depois, seguiu para Kursalon. Um pavilhão em estilo Renascentista até hoje usado para Bailes, Concertos e Congressos.
O tempo acabou passando sem que o Japonês visse. E no fim teve que apressar o passo enquanto seguia o caminho oposto ao que havia feito mais cedo, de volta à sala de concertos. Lá, encontrou Sorento já o esperando com expressão preocupada. Depois de se desculpar, os dois seguiram de volta para a casa do flautista. O sol já começava a ficar baixo. Após o jantar, iniciaram uma longa conversa, contando um pouco de suas vidas. Shun sobre a infância difícil, e Sorento sobre seu talento com a música, que vinha de cedo, a ponto de ser admitido no Conservatório de música com 13 anos. Mas mesmo com esse talento, não conseguia ter a paixão pela música que sente atualmente, e reafirmou que o encontro com o Cavaleiro de Andrômeda que o fez mudar.
Riram bastante quando descobriram que fazem aniversário em dias consecutivos, 9 e 10 de setembro, e combinaram de fazer uma troca de presentes antes de Shun ir embora, afinal as datas estavam perto. Sorento aconselhou Shun sobre como é a carreira de um músico. Contou como a teoria poderia ser tão importante quanto a prática. Os estudos, treinos e ensaios eram constantes. Não o desencorajava, mas o alertava que era algo que deveria dedicar-se de corpo e alma se fosse realmente o que queria. A conversa poderia ir até bem tarde, mas tiveram que interrompê-la. O flautista precisava de uma boa noite de sono para a apresentação no dia seguinte.
Santuário
Era uma noite tranquila. Os Cavaleiros de Ouro voltavam para suas casas depois de uma reunião de rotina. A descida das escadarias servia para poderem concentrar-se em seus pensamentos. Shura havia sido informado que ele seria o terceiro Cavaleiro a ir para Paris com Atena, e pensava em usar a viagem para revirar um pouco do seu passado. Saga ainda pensava em Elena e Ioannis, mas sabia que teria que esperar se quisesse respostas. Pensava também no final de semana que passaria sozinho já que Kanon iria para a casa da noiva, o que já estava tornando-se comum. Pensava naquilo como uma forma de acostumar-se, afinal o irmão não moraria mais com ele depois do casamento. Giancarlo não podia negar que estava feliz ao lado de Afrodite, mas algumas coisas em relação ao Sueco começavam a incomodar, como o fato de ter quase sempre que arrancar dele na marra alguma informação mais pessoal. Falar do passado parecia ser algo que o perturbava. Precisou de três dias para conseguir convencê-lo a falar que havia nascido em Estocolmo. Havia se convencido de que precisava ajudá-lo. Depois da reunião, convidou Afrodite para jantar na Casa de Câncer. No meio da refeição, o Italiano começou a falar.
- Afrodite, precisamos conversar.
- Sobre o que, Gian?
- Nós já falamos sobre isso, então você não vai gostar. Eu consigo sentir que tudo relacionado ao seu passado parece um tabu para você, e tenho a impressão que isso está te fazendo mal.
Afrodite não escondeu a expressão de incômodo.
- Eu não acho. Se eu não falo, é porque não é importante.
- Não acredito. Lembra-se daquele dia que você entrou bêbado na minha casa?
Giancarlo resolveu ser mais agressivo.
- Sim
- Você falou algo naquela noite. Disse que a sua família o odiava.
O pisciano ficou lívido com aquela revelação. Giancarlo continuou.
- O que quer que tenha acontecido ficar remoendo sozinho não está lhe fazendo bem. Eu posso ajudar você.
- Não, você não pode.
O Sueco falou com raiva, levantando-se da mesa antes de continuar falando.
- Isso não lhe diz respeito, Giancarlo. Nunca mais toque nesse assunto, entendido? Isso é algo que não lhe interessa.
- Como não interessa? Nós estamos juntos, mas você simplesmente não confia em mim para deixar essa máscara de "Afrodite" e me mostrar quem é o Thomas de verdade. Eu já lhe contei tudo sobre mim, e você continua um mistério total.
- Por favor, Gian. Não quero mexer nessas feridas.
- Mas assim elas nunca vão cicatrizar. Não é assim que um relacionamento funciona, Afrodite? Um apoiando-se no outro?
- Sim... Mas se você acha que isso é mesmo necessário... Talvez então não vá funcionar conosco...
Para surpresa do Italiano, Afrodite tomou o caminho da saída. Demorou a acreditar que o outro preferia terminar a expor-se. Levantou-se apressado e o alcançou na porta de saída, o segurando pelo pulso.
- Então vai ser assim? Depois de tudo que passou vai preferir terminar comigo a contar o que aconteceu com você?
Giancarlo esperou resposta, mas ela não veio. Cansou de esperar, soltando o pulso dele.
- Talvez você não estivesse tão apaixonado assim por mim.
Para sua surpresa, o Sueco virou-se o abraçou. Podia sentir o ombro molhado por causa do choro e a voz embargada.
- Por favor... Eu ainda não estou pronto...
O Italiano demorou a reagir, mas logo o abraçou de volta, deixando o outro acalmar-se. Cada vez mais se perguntava o que havia acontecido a Afrodite, mas certamente foi algo muito ruim. Um pouco mais tarde, na Casa de Aquário, Kamus se preparava para ir dormir quando seu telefone tocou.
- Alô?... Alô?
Não obteve resposta. Quando resolveu desligar, ouviu uma voz.
- Professor Kamus?
Raciocinou por um instante antes de responder.
- Lydia?
- Sim
- Oi. Tudo bem?
- Eu... Não sei.
- Onde você está?
- No meu quarto, deitada. Você falou que eu podia ligar na hora que fosse...
Falou com algum receio.
- Sim, sim. Pode falar. Você disse que não sabe se está bem?
O Francês sentou-se na cama para ficar mais à vontade.
- É... Eu... Estou com medo
- Medo do quê?
- Eu usei... Três vezes... É a primeira vez que eu faço isso... Eu estou me sentindo estranha... Não quero morrer...
Ouviu lamento desesperado, seguido do choro da jovem do outro lado da linha, o que fez sentir-se impotente do outro lado da linha por não poder ajudá-la.
- Lydia, acalme-se. O que você está sentindo?
- Meu peito. Parece que vai explodir. Está demorando mais o que o normal pra passar.
- Está doendo?
- Não mais.
- Está bem. Acho que o pior já passou, mas se começar a doer de novo me diga.
- Tá... Me diz uma coisa. Como você conseguiu?
- Consegui o que?
- Se é verdade o que me disse, onde conseguiu forças pra nunca desistir?
O Francês ficou em silêncio por alguns instantes, pensando em como responder àquela pergunta.
- Acreditar em mim foi o mais importante. Quando eu pensei que não podia mais, eu tive amigos. Amigos que me levantaram e me fizeram acreditar de novo, seguir em frente, ter certeza que o amanhã seria melhor.
- Parece tão simples...
- Mas não é. É fácil perder as esperanças, não ver o futuro. É preciso muita vontade pra mudar.
Os dois continuaram conversando por mais de uma hora. Ela pediu para que ele contasse um pouco da sua história. Ele contou o que podia. Novamente perguntou-se porque se sentia à vontade para conversar sobre aqueles assuntos com ela. Kamus ficou mais aliviado quando ela disse que ela estava sentindo-se melhor e que estava com sono. Combinaram de continuar a conversa pessoalmente, no dia seguinte, depois da aula.
Continua...
- Assim como a Elena, eu baseei fisicamente a Lydia em outra personagem. No caso dela, na Kirishima Touka, de Tokyo Ghoul, mas com algumas leves mudanças.
- O próximo capítulo não deve demorar, mas posso adiantar. Vai ter um leve Crossover.
Até a próxima.
