Tempos de Mudança - Capítulo 23
- Olá. Estou inspirado esses dias. Já tem capítulo novo.
- Tem um leve crossover. Quem souber de qual anime é, deixa um recado.
- Como ninguém disse nada, eu decidi como vai ser a apresentação das peças que eu escolhi para fazer parte do concerto. Irei deixar os links aqui nas notas iniciais, com asterisco indicando quando elas aparecem na fic. Se for apenas parte da peça, indicarei de qual movimento o link se trata.
* Nikolai Rimsky-Korsakov - Capriccio Espagnol
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** Joseph Haydn - Sinfonia No. 104
watch?v=BzoqqIdOWqk (Movimento 1 de 4)
*** Johann Sebastian Bach - Concerto para Piano em Ré Menor
watch?v=cHybNLDc-h0 (Movimento 1 de 3)
Boa leitura a todos.
31 de Agosto
Havia chegado o dia da estreia. Sorento tentava esconder, mas estava ansioso. Sempre ficava. Shun havia dito que não precisava preocupar-se com ele, mas o Austríaco disse que seria bom para ele distrair se saíssem um pouco. Voltaram ao Innere Stadt, dessa vez indo direto ao Museumsquartier, um quarteirão que concentrava um grande número de museus. Passearam entre os edifícios até a hora do almoço. Depois da refeição voltaram para o apartamento e passaram o resto da tarde lá. Ao entardecer, começaram a arrumar-se. Depois de trocado, Shun saiu do seu quarto vestindo uma camisa de botões verde musgo, calça social preta e sapatos pretos. O paletó estava em seu braço. Não usava gravata, o que dava um ar mais despojado. Havia usado um pouco de gel nos cabelos. Arrumava o punho da camisa distraído quando ouviu a voz de Sorento.
- Você está ótimo.
Ergueu a cabeça vendo o flautista vestido de forma parecida, mas a camisa era branca, e ele estava com o paletó do fraque em um cabide.
- Você também está, Daniel.
O outro não escondeu a surpresa ao ser chamado assim.
- Nossa. Nunca pensei que você me chamaria dessa forma.
- E por que não? É assim que todos o chamam, não é mesmo?
- Sim... Mas eu não sei se prefiro você me chamando se Daniel ou de Sorento.
- Quando decidir me avise.
- Pode deixar.
Os dois esperaram na frente do apartamento um táxi para levá-los. Quando chegaram ao Musikverein, faltava uma hora para o concerto. Sorento entregou o ingresso que havia comprado para Shun e se dirigiu à entrada dos músicos. O Japonês vestiu o paletó e entrou no salão, recebendo a programação. Seguindo as indicações encontrou a sala onde aconteceria o concerto, já que o local continha muitos espaços. Leu na placa "Goldener Saal", lembrando imediatamente que Sorento havia dito que aquela era a maior delas. Resolveu gastar um pouco de tempo andando pelo local antes de ocupar seu assento, que estava em uma posição privilegiada. Sentado, ficou admirando os detalhes. Conforme o local ia enchendo, estranhou que a cadeira ao seu lado continuava vazia. Aos poucos os músicos tomavam seus lugares, e reconheceu Sorento rapidamente. Quando o maestro entrou, todo o salão aplaudiu pronto para o espetáculo que iniciava.
A apresentação começou com uma composição para Orquestra do Russo Rimsky-Korsakov*. Uma peça animada em homenagem às canções folclóricas da região das Astúrias. Shun ficou encantado com a forma como a música enchia o local. Era totalmente diferente de ouvir uma gravação. Aplausos intensos foram ouvidos depois do fim da peça, seguido pelo recado dos alto-falantes que haveria uma pausa de 10 minutos. Muitos se levantaram, mas Shun ficou no lugar. Passado o intervalo a segunda peça iniciou. Era a última sinfonia do compositor Joseph Haydn, conhecida como Sinfonia de Londres**. Uma peça bem mais densa que a primeira apresentada. Shun fechou os olhos, deixando a música chegar aos seus ouvidos sem interferência dos outros sentidos. Ao fim, um novo intervalo, agora de 15 minutos. Resolveu levantar dessa vez, esticando seu corpo e relaxando antes de retornar. Estava prestando atenção ao folheto quando sentiu alguém tocando em seu ombro.
- Oi
- Sorento? O... O que?...
Olhava para o Austríaco ao seu lado, e depois para o palco, onde um piano era colocado ao centro.
- Surpreso?
- Muito. O que você está fazendo aqui?
Enquanto Shun perguntava, o flautista tomou o lugar vago ao lado dele.
- Vim assistir a última peça com você. A flauta não participa. Apenas as cordas acompanham o piano.
- Entendi. Que bom que vai me fazer companhia. Eu estava tentando ler a programação, mas está em Alemão. O pianista é esse aqui? Frank Latoine?
Perguntou apontando um nome com o dedo.
- Sim, é um Francês que está começando a ganhar espaço. Na verdade essa é a primeira apresentação dele com uma grande Orquestra. É um momento bem importante para o futuro da carreira dele.
- Nossa. Espero que dê tudo certo.
- Vai sim. Eu vi os ensaios, ele é muito bom. E Shun, se vai mesmo vir para Viena, eu recomendo que comece a ter aulas de Alemão.
- Bem lembrado. Eu vou sim.
As palmas chamarem a atenção deles para o palco. Seguido do maestro, apareceu o pianista. Depois da reverência aos músicos e à plateia, ele tomou seu lugar. Assim que as palmas cessaram o som de um dos mais conhecidos concertos para piano de Bach*** invadiu a sala. Originalmente foi composto para o Cravo, e possui várias características das composições da época Barroca. Shun prestava especial atenção ao Cello, que nessa peça fazia parte do Continuo, um estilo de tocar bem característico da época, que ao mesmo tempo dava a estrutura harmônica e permitia aos músicos improvisarem e demonstrarem seu talento. Trocaram um rápido olhar, e dessa vez foi o Japonês quem colocou sua mão sobre a do outro, que estava no braço da cadeira. Ficaram assim durante toda a apresentação, que foi aplaudida de pé ao final. Quando todos começaram a se retirar, Sorento perguntou.
- Quer ir aos bastidores?
- Eu posso? Quero sim.
Os dois seguiram até a entrada dos bastidores. Sorento deu sua autorização para Shun entrar com ele. Seguiram pelos corredores até o camarim do Maestro. Já era um senhor de 65 anos, com um sorriso muito carismático. Sorento o apresentou como um amigo que pretendia entrar no Conservatório. Em Inglês, Shun o parabenizou, e o Maestro lhe desejou boa sorte, dizendo queria vê-lo na Filarmônica um dia. Em seguida foram para o camarim do Pianista. Depois dos cumprimentos, para surpresa dos dois, o Francês tentou comunicar-se com Shun em Japonês. Ele explicou que tinha curiosidade pela cultura, e que aprendeu um pouco da língua com um casal de Japoneses que havia conhecido enquanto estava no Conservatório de Paris. A conversa seguia animada até baterem na porta. Uma bela mulher com traços orientais entrou no camarim.
- Frank.
- Rui.
O Pianista foi até ela e lhe deu um rápido beijo nos lábios.
- Parabéns, foi uma apresentação maravilhosa.
- Obrigado. Shun, Daniel, esta é minha namorada, Son Rui.
Shun não escondeu a surpresa ao vê-la. A Chinesa era uma pianista de renome. Já havia lhe visto em reportagens e até comprado um álbum dela. Os quatros conversavam até Sorento e Shun avisarem que estavam de saída. Antes da despedida, Shun também recebeu desejos de boa sorte em sua carreira. Resolveram ir embora de ônibus. Sorento estava com a caixa do seu instrumento em mãos, e Shun se ofereceu para carregar o paletó dele. Saltaram na estação próxima ao Palácio Belvedere. Shun não se conteve.
- Foi incrível, Sorento. Muito melhor do que eu imaginava, e eu ainda tive a chance de conhecer a Son Rui.
- Fico feliz que tenha gostado.
- Feliz? Eu estou mais que feliz. Obrigado por essa noite mágica.
- De nada. Mas pra mim ainda falta uma coisa pra ser mágica...
- O que?
Andrômeda parou e virou-se de frente para ele. Estavam em frente aos jardins do Palácio.
- Shun, eu...
O General parecia querer falar algo, mas não conseguia.
-... Na verdade, tem outro motivo pra eu ter o convidado.
- Qual?
- Eu queria... Precisava ver você de novo.
O Cavaleiro sorriu.
- Eu também precisava. Eu me sinto bem ao seu lado.
Sorento não escondeu o alívio e a alegria de ouvir aquelas palavras.
- Eu também, Shun. Você me faz tão bem. Me faz sentir vivo como nenhuma pessoa fez até hoje.
Não precisaram de mais palavras pra finalmente quebrarem aquela barreira. Beijaram-se ali mesmo, demoradamente. Ao fim, Sorento comentou.
- Agora sim está sendo uma noite mágica.
Os dois riram e depois de mais um beijo seguiram para a casa do flautista, agora de mãos dadas. Ao chegarem, Sorento abriu uma garrafa de vinho e serviu uma taça para cada um, para brindarem o momento. Depois das taças vazias, se preocuparam em recuperar o tempo perdido desde que o Japonês havia chegado. Shun ainda ficou mais um dia, onde aproveitaram para fazer a troca de presentes prometida. Ele partiu no dia 02 de manhã, mas já prometendo se reencontrarem o mais cedo possível, e com o convite de passar o Ano Novo em Viena, para o tradicional concerto que a Filarmônica faz.
Lakka
Era uma tarde de sábado comum. Elena estava cuidando da horta, e Ioannis em seu quarto, estudando. Ouviu palmas no portão, mas não se preocupou. Sabia que o filho iria atender. Estava entretida com a mangueira quando uma voz chamou sua atenção.
- Mãe, temos visita.
Virou-se e não escondeu o susto ao ver Saga ao lado do filho. Somente depois de um tempo, e de uma observação melhor, que resolveu falar.
- Kanon?
O General sorriu de maneira mais franca.
- Incrível. Você ainda tem o dom de nos diferenciar. Estou surpreso.
Respondeu antes de ir ao encontro dela para um abraço. Saber que não se tratava de Saga não aliviava totalmente a angústia que ela sentia. Se ele estava ali, só havia um motivo. E ao contrário de Saga, Kanon sempre foi uma incógnita para ela. Irresponsável, impulsivo e com certa "malícia" em volta dele que não a deixava confortável. Perguntava-se como gêmeos podiam ter personalidades tão distintas. E pior, dessa vez Ioannis estava em casa.
Os três seguiram para a sala, onde a conversa girou quase que totalmente na infância de Saga, Kanon e Elena. Ioannis parecia divertir-se bastante. Após algum tempo, Elena pediu ao filho que fosse ao mercado comprar algumas coisas. Ioannis não escondeu a estranheza daquele pedido, mas o rapaz foi depois de Kanon prometer que estaria ali quando ele voltasse. Ao ficarem sozinhos, Elena voltou-se para o gêmeo ao seu lado com uma expressão de raiva contida.
- Foi o Saga quem pediu pra você vir?
- Saga não faz ideia que eu esteja aqui. Ele acha que estou na casa da minha noiva.
- Então o que faz aqui?
- Você sabe. Vim pra te ver, e conhecer meu possível sobrinho. Ele é exatamente como o Saga disse.
- Então eu vou falar para você exatamente o que disse ao Saga. Esqueçam-nos. Eu não irei mexer nessa história. Saga não possui o direito de arruinar minha vida de novo. Além disso, não irei deixar meu filho perto de alguém que pode ser mentalmente instável como ele disse que era. Se bem que essa história de dupla personalidade é ridícula.
- Ridícula, mas real, infelizmente. Não vou negar que tive responsabilidade no que ocorreu. Eu pressionei Saga, e o fiz tomar decisões erradas. Mas ele já teve sua punição, e eu também. Só que ele ainda martiriza-se, especialmente pelo que fez a você. Não é fácil para mim ouvi-lo sonhando e chamando seu nome, e eu tenho medo que essa dúvida possa fazê-lo ficar mentalmente instável novamente. Ele está tentando fazer a coisa certa dessa vez, Elena. E tomando pra mim o que você disse antes, eu não vou deixar você arruinar a vida do Saga.
- É fácil você falar. Mas não foi você que foi enganada, seduzida, convencida, usada e depois descartada. Não importa o que vocês digam. Eu nunca vou acreditar nessa história.
Kanon não conseguiu segurar o uma risada. Se ela não acreditava naquela parte, o que dirá da parte em que Saga era um Cavaleiro de Ouro, a serviço de Atena. Só que Elena não achou que aquilo teve tanta graça.
- Do que você está rindo?
Perguntou com raiva.
- Nada. Nada de mais. Não era do que você me contou, eu juro. Olha, eu não vou negar que Saga fez algo terrível com você, mas acredite, não foi de propósito. Na verdade eu estou bem triste com essa situação. Ele sofrendo de lá, e você daqui.
- Por que diz isso?
- Porque mesmo que queira negar, Saga ainda mexe com você. Eu vi a cara que você vez quando pensou que eu fosse ele.
Aquilo a deixou sem jeito.
- Não fique tirando conclusões. O que eu sinto pelo Saga é...
- Eu acho que você ainda gosta dele, mas a mágoa é grande demais. Se você pensar em derrubar essa parede, eu acredito, e gostaria que vocês ficassem juntos.
Elena estava surpresa pelas palavras. Kanon podia ir da provocação à ternura em alguns instantes.
- Bom, agora que eu sei o endereço de vocês, vai ser mais fácil.
- Fácil pra que?
- Pra mandar o convite para meu Casamento. Vai ser dia 20 de abril do ano que vem. E vou fazer uma aposta. Você e Saga já estarão juntos até lá.
- Você parece bem confiante. Eu não teria tanta certeza.
Kanon sorriu de forma desafiadora para ela, mas as máscaras foram recolocadas quando barulho do portão abrindo indicou a volta de Ioannis. Kanon ficou na casa até o entardecer, então se despediu. Não havia se hospedado na mesma pousada que Saga. Não queria encontrar Nikos agora. Queria que sua visita passasse despercebida. Foi embora no dia seguinte, indo para a casa da noiva, sua "cúmplice" nessa missão.
Faculdade de Atenas
Shura estava fazendo plantão em sua sala, apesar de ser sábado. Devido à viagem para Paris, se ausentaria de algumas aulas, e deixou alguns trabalhos para seus alunos. Havia se colocado à disposição deles para alguma possível dúvida. Estava atendendo Diana, uma de suas alunas mais dedicadas. Após as dúvidas esclarecidas, a conversa acabou indo para o lado pessoal. A jovem escondia bem, mas tinha uma admiração pelo Cavaleiro. Ela acabou perguntando.
- Alguns de nós vamos sair essa noite. Não gostaria de ir conosco?
- Dessa vez eu não posso. Eu tenho assuntos relacionados à minha viagem para resolver.
- Que pena. Quem sabe outro dia, não é?
- Sim.
- Sabe professor, o senhor é um homem muito misterioso sabia?
- Eu? Por que?
- O senhor não parece alguém do tipo que não tem vida social, mas também ninguém da nossa turma já te viu fora da Faculdade. Bar, boate, nas ruas... Nada. É como o senhor não existisse.
Shura não escondeu a surpresa com o comentário.
- Pra começar, me chame apenas de Shura, ou você. Senhor me faz sentir velho. Isso é só coincidência. É que eu não moro para esse lado da cidade. Por acaso você é uma das que fica prestando atenção nisso?
- Pra falar a verdade, sim.
Percebeu a jovem ruborizar levemente. Na mente do Espanhol veio uma conversa que teve com Dohko há algum tempo, sobre ter algo mais na dedicação dela. Séculos de experiência devem ter o feito ver algo que só agora está suspeitando. Ele resolveu continuar.
- E o que mais falam de mim?
- Bom... A maior curiosidade das meninas é saber se você tem namorada.
- Você é uma delas?
-... Sim
- Então avise a elas que eu não tenho namorada, mas não pretendo namorar nenhuma mulher que seja minha aluna... Enquanto ela for minha aluna.
A resposta manteve as esperanças da jovem vivas.
- Eu vou dar o recado. Eu estou indo. Até mais.
Após despedirem-se, Shura relaxou em sua cadeira, pensativo. Começava a sentir inveja dos casais recém-formados no Santuário. Imaginava como seria ter alguém especial ao seu lado, e pensar na sua aluna o fazia o sentir-se bem. Talvez devesse dar um pouco mais de atenção aos sinais que a vida lhe dava.
As conversas entre Kamus e Lydia estavam cada vez mais constantes. Tanto depois das aulas quanto pelos aparelhos telefônicos. Conversavam sobre todos os assuntos possíveis. A jovem não tinha mais aquela atitude belicosa, e Kamus se permitia relaxar ao lado dela. A aula havia terminado há instantes, e os dois conversavam em frente ao portão do Colégio. De repente a jovem para de falar e foca seu olhar em algo do outro lado da rua. Kamus vira sua cabeça para acompanhá-la, e depara-se com um homem de expressão suspeita, que também olhava na direção deles enquanto seguia seu caminho. Depois de ele afastar-se, o Francês pergunta.
- Quem é ele?
- Meu fornecedor. Ele deve ter vindo ver porque eu não tenho mais aparecido tanto.
- Você ainda não parou?
Ela desviou o olhar, mostrando uma expressão envergonhada.
- É difícil. Mas eu nunca mais fiz como daquela vez. Teve até um dia que eu consegui ficar sem, mas...
- Tudo bem. Você está tomando a iniciativa de parar. Isso me deixa orgulhoso.
Lydia sorriu por alguns instantes antes da preocupação tomar seus pensamentos.
- Mas agora eles sabem de você. Isso pode lhe causar problemas...
O Francês colocou as mãos sobre os ombros dela, fazendo-a virar-se em sua direção.
- Lydia, preste atenção. Acredite em mim quando eu digo que eles jamais poderão me machucar. Eu sei me defender muito bem.
- Está bem, eu vou acreditar.
Kamus a soltou antes de falar novamente.
- Eu preciso te falar uma coisa. Semana que vem eu vou precisar viajar. Vou passar alguns dias na França a serviço. Infelizmente eu vou ter que ver meu pai também...
Ele não escondia o desgosto pela situação. Já Lydia, expressava chateação.
- Então vamos ficar sem nos ver alguns dias.
- Sim. Mas eu vou ligar pra você de lá pra saber como você está.
- Tá bom... Professor, eu posso pedir uma coisa?
- Sim.
- Eu posso te dar um abraço?
A pergunta pegou o cavaleiro de surpresa.
- Pode... Pode sim.
Com a resposta positiva, a jovem abraçou o corpo de Kamus. Recostando a cabeça no peito do Francês. Ele demorou alguns instantes, mas também envolveu o corpo dela com seus braços. Lydia sentia-se protegida, como a muito não se sentia. O abraço foi demorado, e depois de desfeito, mantiveram-se próximos. Havia uma tensão no ar, como se os dois quisessem algo mais. Num gesto carinhoso, Kamus quis tirar o cabelo na frente do rosto da jovem para poder vê-lo melhor, mas para sua surpresa a resposta dela foi um tapa em sua mão.
- Não!
Ela afastou-se assustada.
- Lydia?
Kamus a chamou. Ela pareceu ficar fora de si um instante, e voz dele a trouxe de volta. Olhou para o Francês que parecia esperar uma resposta para aquela reação. Dessa vez sem perguntar ela o abraçou novamente, dessa vez com força.
- Desculpa. Só... Não faz mais isso, por favor...
- Tudo bem. Eu peço desculpas também. Deveria ter avisado antes.
Agora ele sabia que ela escondia algo, e suspeitava o que podia ser. Lembrou-se das palavras dela. Talvez aquele fosse o motivo dela ir para as drogas e aliviar seu sofrimento. Queria saber mais, mas não iria pressionar agora. Já Lydia se arrependia do gesto tão impulsivo com alguém que queria ajudá-la de verdade. Mas ainda era difícil conviver com aquilo, e tinha medo que ele se afastasse. Ao perceber que tipo pensamento estava tendo, não soube como reagir. Desfez o abraço e despediu-se depois de garantir ao Francês que estava bem. Tomou um caminho mais longo para sua casa para evitar contato com o traficante. Havia mais um motivo para ele estar atrás dela. Os dias seguintes transcorreram sem percalços, e então o dia da viagem chegou.
Saori, Saga, Kamus, Shura e os altos funcionários das Empresas Kido embarcaram em um jato particular para Paris. Shura ainda esperava um momento oportuno para pedir uma dispensa e esticar a viagem até Pamplona, sua cidade natal. Kamus estava com seus pensamentos divididos entre Lydia e seu pai, e Saga revisava anotações. No meio da tarde, o avião pousou no Aeroporto Charles de Gaulle.
Continua...
- Quando o Sorento se refere a "Cordas", se trata de todo o conjunto básico de cordas de uma Orquestra. Geralmente é composto de:
16 Primeiros Violinos
14 Segundos Violinos
12 Violas
10 Violoncelos
8 Contrabaixos
Essa é uma formação básica. Esse número pode variar de acordo com a peça, e instrumentos podem ser retirados ou adicionados, como a Harpa.
- Eu não vou garantir que a próxima atualização será rápida, pois vou ter uns assuntos pessoais para resolver. Peço desculpas desde já por alguma demora.
- Deixem um recado dizendo o que acharam. Até mais.
