Tempos de Mudança - Capítulo 24
- Olá a todos. Demorei um pouco, mas dessa vez estava avisado. Está tudo resolvido, então tem capítulo novo.
- Como diz o título, vai se passar todo em Paris. Glossário: Arrondissement é como se chamam as regiões nas quais a cidade se divide. São 20 no total.
Boa leitura a todos.
Da janela do carro, Kamus observava a cidade. O cotovelo estava apoiado na porta, e a cabeça em seu punho fechado. Não podia evitar um sentimento nostálgico. Podia considerar Paris seu quintal. Quando criança, sua mãe o levava para visitar as praças e museus. Depois de crescido, usava o tempo livre nos treinamentos, quando visitava sua família, para explorar os cantos escondidos dos Arrondissements. Paris sempre tinha uma surpresa para quem soubesse procurar direito, era o que pensava. Não voltava desde que havia sido expulso de casa pelo pai. Em sua mente estava a lembrança contínua de que precisava ver a mãe. Olhou para o lado e viu Shura com um olhar admirado em direção à cidade. No banco da frente, Saga estava da mesma forma, mas mais discreto. Os carros pararam em frente ao Hotel Plaza Athénée, um dos mais luxuosos de Paris. Em localização privilegiada, próximo à Torre Eiffel e à Avenida Champs-Élysées. Após todos fazerem o check-in, foram para seus aposentos. Kamus desfez sua mala e vestiu algo mais casual antes de sair do seu quarto. Não iria ficar ali, com a cidade à sua disposição. Estava empolgado, tinha que admitir. Mas não podia simplesmente sair sem avisar. Bateu nas portas dos quartos de Saga e Shura, que aceitaram o convite para um passeio. Resolveram avisar Atena antes de sair. Bateram na porta e anunciaram que estavam de saída.
- Aonde vocês vão?
Perguntou uma Saori curiosa.
- Nós vamos conhecer a cidade, com a ajuda de um guia especial.
Shura respondeu, olhando para o Francês em seguida.
- Esperem um pouco.
Em seguida a porta fechou-se. Os três cruzaram olhares curiosos até a jovem Deusa sair do seu quarto. O que mais se destacava no vestuário era a boina que escondia a maior parte do cabelo, que certamente estava preso debaixo do tecido. Também estranharam o par de óculos. Era praticamente um disfarce.
- Importam-se se eu for com vocês?
Não esconderam a surpresa do pedido.
- Claro que não. Mas eu pensei que a senhorita já conhecesse Paris.
Kamus comentou.
- Conheço, mas ficar no hotel seria um desperdício. E como Shura disse, ter alguém que conhece a cidade pode revelar algumas surpresas.
Os quatro finalmente partiram. Já estavam na rua quando Saori resolveu falar.
- Sei que devem estar curiosos do porque dessas roupas. Ao contrário de Kavos, é fácil eu ser reconhecida aqui. E não quero curiosos e fotógrafos estragando nosso passeio.
Comentou enquanto caminhava ao lado de seus Cavaleiros, que já desconfiavam que o motivo fosse algo similar. Ela então continuou.
- Mas estou tranquila, porque eu tenho vocês para me proteger caso algo aconteça.
Saori não tinha ideia de como aquela frase significava para os três. Aqueles já chamados de traidores. Logo estavam na Avenida Champs-Élysées. Resolveram começar pelas grandes atrações, já que Saga e Shura não as conheciam. Os dois não imaginavam que tantas atrações turísticas da cidade ficassem relativamente próximas. A Torre Eiffel e Arco do Trunfo eram separados por apenas dois quilômetros. O Museu do Louvre ficava a quatro quilômetros dali. Como não tinham muito tempo, não entraram em filas para conhecer os locais por dentro, e Kamus usava de todo seu conhecimento da cidade para mostrar os seus segredos mais interessantes. Sempre havia um museu, uma praça, um lugar fora do grande círculo de atrações, mas que era tão encantador quanto. O passeio seguiu até o anoitecer. As luzes deixavam a cidade ainda mais encantadora. Resolveram jantar em um Bistrô charmoso que havia no caminho. A conversa era animada. Não eram apenas uma superior e seus subordinados. Eram amigos, divertindo-se. Voltaram para o Hotel, e antes de se recolherem, Saori disse.
- Obrigada a todos por esse dia tão divertido.
Shura respondeu.
- Foi um prazer acompanhar a Senhorita. E eu também gostaria de agradecer. Mesmo sabendo que era necessário, que no final tudo deu certo, não é fácil esquecer o que eu fiz na Guerra Santa. Saber que a Senhorita tem total confiança em nós é algo que me ajuda a aliviar o peso.
- Não só seu, Shura. Nosso.
Kamus completou, sorrindo para ele e para Saga em seguida. O Grego respondeu com um aceno positivo. Era especialmente difícil para ele, pois fora o responsável por erguer a adaga que atentou contra a vida da Deusa. Saori não escondeu a surpresa. Não imaginava que aquilo ainda os afetava daquela forma. A jovem aproximou-se dos três, dando um abraço apertado em cada um.
- Vocês passaram por momentos terríveis. Fizeram coisas horríveis por causa da sua missão. Vocês já foram perdoados. Apenas precisam se perdoar.
A emoção tomou conta dos quatro naquele momento. Um pouco mais daquela cicatriz se fechava. Os cavaleiros fizeram uma discreta reverência e se retiraram para seus quartos. Shura ficou admirando a paisagem da cidade pela varanda do seu quarto por um bom tempo. Saga ligou para Kanon para conversarem um pouco. Kamus fez o mesmo com a mãe, combinando de se encontrarem no dia seguinte. Também trocou algumas mensagens com Lydia, antes de ir dormir.
No dia seguinte, uma Segunda-feira, os três cavaleiros tomaram café da manhã juntos. Saga e Shura dariam mais uma volta pela cidade, agora acompanhados por um guia do Hotel. Saori tinha um compromisso relacionado ao braço da Fundação em Paris. Kamus, depois de se arrumar-se, dirigiu-se à Notre Dame de Paris. A Catedral era um dos lugares favoritos da mãe. O reencontro se deu no meio da manhã com um caloroso abraço. Yannick também estava lá. Passaram o dia juntos. Com mais tempo, Kamus contou com calma o que fez durante esses anos. Obviamente, escondendo o fato de ser um Cavaleiro de Atena. Disse que havia assumido outra identidade por um tempo, e viajado constantemente entre a Grécia e a Rússia a serviço. Por isso ela não conseguia encontrá-lo. O dia passou rápido para os três. Já estava entardecendo quando tomavam o caminho de volta para o Plaza Athénée. Estavam no Hall, despedindo-se, quando uma voz fez todos virarem-se.
- Ora. Quer dizer que a família decidiu reunir-se sem mim?
Os três não esconderam a surpresa e o desconforto ao ver o pai ali.
- Jean? O que faz aqui?
A esposa perguntou.
- Eu sabia que o Pierre estaria em Paris. Só precisei saber onde a Senhorita Kido estava hospedada para encontrá-lo. Quando liguei pra casa e soube que não estava, foi só ligar os pontos. Pierre, meu filho, como está?
Kamus estava se remoendo por dentro, mas dessa vez não faria o mesmo escândalo que na Mansão Solo.
- Estou ótimo, pai.
- Bom saber disso. Fiquei surpreso ao saber que está hospedado aqui. Se bem que quem está pagando as diárias é sua chefe, eu suponho.
Uma das coisas que Kamus mais odiava era aquela violência gratuita, apenas para fazê-lo sentir-se superior a todos. O Pai estava o provocando, mas dessa vez não responderia, apesar da vontade de criar uma pedra de gelo e atirar na cabeça dele. Jean-Baptiste continuou a falar
- Bom, já que a família está reunida, deveríamos celebrar. Eu fiz uma reserva para o Jantar no restaurante do Hotel. O que acham?
Aquela não parecia uma boa ideia, mas não faria essa desfeita com a mãe e o irmão. Sem ele lá, o alvo das provocações do pai poderia mudar.
- Está bem. Eu estarei lá.
Viu Saga aparecendo do elevador, e assim que trocaram olhares, fez um pedido mudo de ajuda. O Grego veio de encontro à família.
- Boa noite a todos.
- Boa noite. Lembro-me de você. É um dos amigos do Pierre que estava na festa de Julian Solo.
- Exatamente. Eu sou Saga, amigo do... Pierre.
Não estava acostumado a chamar o amigo daquela forma.
- Prazer em revê-lo. Bom, então está combinado. Nos encontramos às 20h. Até mais, filho.
O pai despediu-se e foi embora, junto da mãe e do irmão. Depois de ficarem sozinhos, Saga perguntou.
- Do que ele estava falando?
- Ele marcou um jantar em família no restaurante do Hotel. Bom, eu vou me arrumar.
Kamus seguiu para seu quarto. Saga foi atrás. Na porta do aposento, o Grego perguntou.
- Está tudo bem?
- Sim, eu acho. Estou preocupado de não resistir às provocações.
- Se você quiser alguém vai com você.
- Não. É um jantar em família. Eu vou ficar bem.
- Está certo. Até mais, e boa sorte.
Ele então entrou no quarto. Após o banho vestiu-se formalmente e esperou dar 20h para dirigir-se ao Restaurante. Chegou junto com sua família. O jantar parecia transcorrer sem problemas, até o pai propor um brinde.
- Um brinde. À nossa família reunida novamente.
- Um brinde.
Após a saudação, o homem continuou falando, agora na direção de Kamus, que estava à sua frente.
- Apenas lamento que eu e meu filho estejamos em lados opostos.
- O senhor quem desejou que fosse assim, pai.
O Aquariano respondeu.
- Mas há tempo para reparar isso. Você precisa de alguém que lhe ensine de verdade a como ser um executivo, e não a ser como aqueles frouxos das Empresas Kido. Você não merece ter uma adolescente como sua chefe.
- Jean, por favor. Será que você não pode se orgulhar do que nosso filho conseguiu sozinho?
A mãe tentou intervir para acalmar os ânimos.
- Não. Apenas quando ele parar com essa brincadeira e assumir o papel de direito nele na Verger que ele terá meu total respeito novamente.
Kamus cerrava o pulso embaixo da mesa para conter sua raiva. Além das ofensas pessoais, agora ele expandia para seus colegas e sua Deusa.
- Eu já lhe disse isso. Enquanto a Verger não mudar sua forma de agir, eu me recuso a participar.
- Isso é uma pena. Bom, na reunião amanhã você vai ver que eu tenho razão. Você vai ver como um verdadeiro homem de negócios age. Idealismo é algo inútil nos tempos modernos.
O jantar continuou naquele clima até o fim. Kamus, depois de despedir-se da família, suspirou pesado. Havia sido cansativo suportar em silêncio. Não era do seu feitio, mas decidiu ir até o bar do hotel beber algo. Sentou-se na bancada e pediu uma taça de vinho. Bebia sem pressa e distraído quando percebeu alguém sentar ao seu lado.
- Olá.
Uma voz feminina estranha o fez virar a cabeça. Uma bela mulher, ruiva, olhos verdes e em um longo vestido preto estava ao seu lado.
- Posso sentar aqui?
Ela perguntou.
- Claro. Fique à vontade.
- Obrigada. Chamo-me Giselle, e você?
- Pierre.
- Bonito nome.
A mulher pediu ao garçom um drink qualquer e após ele se retirar ela continuou.
- Está em Paris a passeio?
- Não. Estou a serviço.
- Hum, mas você trabalha à noite? Porque eu queria saber se poderíamos nos conhecer um pouco melhor...
Ela usava de todo seu charme para seduzi-lo
- Me desculpe. Mas infelizmente não estou interessado no momento.
Ele respondeu cordialmente.
- Perdão. Não sabia que não se interessava por mulheres.
- Não. Não é isso. Eu apenas não estou de bom humor hoje. Além disso... Bom, digamos que tem alguém esperando por mim em Atenas.
- Entendo. É sua namorada?
Kamus parou para pensar naquela pergunta, fechando seus olhos por alguns instantes. O que Lydia significava realmente para ele? Alguém com que se importava, mas em que sentido?
- Não... Mas quem sabe.
A resposta que deu o deixou surpreso.
- Bom, mas se ainda não há compromisso, não devia preocupar-se tanto.
Ela respondeu abrindo um largo sorriso. Aquilo estava começando a incomodá-lo. A bebida dela havia chegado. Ela pegou a taça e a ergueu.
- Um brinde?
Não havia porque negar. Kamus pegou sua taça e tocou na da mulher. Logo em seguida outra voz chamou sua atenção.
- Kamus.
Era Saori, que observava os dois com uma expressão diferente. Ela havia descido de seu quarto para saber como Kamus estava depois do jantar.
- Senhorita Kido. Boa noite.
Ele respondeu após virar-se. Ela aproximou-se dos dois antes de falar.
- Quem é sua companhia?
- Giselle, prazer. Você é amiga do Pierre?
A mulher respondeu.
- Sim, eu sou amiga do Pierre.
- Ótimo. Eu estava falando que mesmo estando a serviço, ele poderia aproveitar um pouco mais da estadia em Paris.
- Concordo, e também acho que há coisas mais interessantes para ele fazer do que aturar uma vadia como você.
Dois pares de olhos chocados voltaram-se para a jovem Japonesa. Ofendida, a mulher respondeu.
- Escute, sua pirralha...
- Acho melhor você sair daqui nesse instante, ou chamarei a Segurança do Hotel e falar que vi você colocando algo na bebida do meu funcionário.
A mulher paralisou, alternando a vista entre o rosto impassível de Saori e o surpreso de Kamus. Perdida, levantou-se e saiu apressada dali. A Deusa tomou o lugar que havia acabado de desocupar. O Francês voltou o olhar para a taça de vinho à sua frente, demorando a perguntar.
- É verdade?
- Sim.
A resposta o fez dar um leve murro da bancada.
- Que droga. Era eu quem deveria ter mais cuidado, e acabei me distraindo.
- Acha que foi seu pai?
- Claro. Ele queria que eu perdesse a reunião. Pra ele, isso seria algo que me faria perder o emprego, e então ele me convenceria a voltar pra França.
- Acalme-se. Talvez no fundo você só quisesse acreditar que você seria a última pessoa com a qual ele tentaria algo. Mas ele não conta com duas coisas. Um, você é mais que um simples funcionário pra mim. É meu cavaleiro. Dois, eu tenho total confiança em você. Eu saberia que você não faria algo assim de propósito.
- Obrigado.
Ele abriu um leve sorriso. Saori continuou
- Mas isso serviu para eu tomar uma decisão. Na verdade... Vamos dar um pequeno voto de confiança ao seu pai antes. Pode ser que ela fosse uma ladra comum, não? Você vai ter uma missão amanhã cedo, antes da reunião. Precisamos conversar com todos. Vamos até meu quarto. Se ele quis que fosse jogado assim, que assim seja.
Uma pequena reunião com todos foi realizada no quarto de Saori. Ela expôs o que havia ocorrido, e sobre seus planos. Apesar de alguma relutância dos executivos, eles concordaram. Na manhã seguinte, vinte minutos antes da reunião, Kamus se encontrava em frente ao prédio da Verger. Estava vestido como pedia a ocasião, um alinhado terno escuro, camisa branca, gravata e sapatos. Entrou, e na recepção se anunciou como filho do presidente e pediu para encontrá-lo. Após ter autorização, seguiu para o elevador. Subiu até o último andar, onde eram a sala de reuniões e o escritório do pai. A secretária o acompanhou até entrar no escritório. Lá, seu pai o esperava.
- Pierre. Não imagina a surpresa que tive ao ouvir que você estava aqui.
- Ainda mais se seus planos fossem para que eu não estivesse, não é mesmo?
- Do que está falando?
- Eu passei por um "incidente" ontem à noite. Uma mulher tentou me drogar. Isso lembra o senhor de algo?
O homem ficou em silêncio por alguns instantes.
- Quer dizer que vai me culpar de tudo que acontecer com você a partir de hoje?
- Estou apenas seguindo os antecedentes. Sinceramente, eu quero acreditar que o senhor não seria capaz de fazer isso comigo. Com seu próprio filho.
- O que está fazendo aqui então?
- Quero ter certeza. Olhe pra mim e me diga que não fez isso.
- E o que eu ganharia?
- Admita. Você está se remoendo de ódio por saber que mesmo fazendo o oposto do que você faz, eu consegui tanta coisa. E você sempre tenta destruir o que não lhe satisfaz. Não passa de uma pessoa mimada, que não vai parar enquanto não acabar com tudo que tenho para poder me controlar de novo. Mas eu tenho algo pra lhe falar. Isso não vai acontecer. Nunca.
- Cale-se! Você acha que todo esse discurso moralista vai me enganar? Eu sei o que você está armando.
- Do que está falando?
- Você teve sorte ontem à noite, não? Soube que a Senhorita Kido foi quem lhe salvou no último instante.
Kamus sentiu o chão sumir debaixo de si. Era a prova definitiva de que seu pai estava envolvido. O homem continuou falando.
- Eu devia ter percebido antes. Vocês são muito amigos, e o que aconteceu ontem ajudou ainda mais a formar seu papel de bonzinho e inocente. Você está se aproximando dela, só esperando o momento certo para conquistá-la e dar o gol...
Não conseguiu terminar a frase, pois o Aquariano saltou furioso sobre ele, o agarrando pelo colarinho.
- Não ouse terminar essa frase, ou juro que não respondo por mim.
Pela primeira vez o pai perdeu o ar superior e pareceu preocupado com o que Kamus poderia fazer, mas isso não o impediu de continuar.
- Está bem. Vou fingir que acredito nessa encenação.
O telefone tocou, o que fez Kamus soltar o pai antes que perdesse a cabeça totalmente. Jean-Baptiste atendeu, e logo depois desligou o aparelho, comentando com o filho.
- Seus amigos chegaram. Vamos terminar logo com isso.
O Cavaleiro tomou a direção da saída sem esperá-lo.
- Espero que um dia você tenha noção do tamanho dos erros que cometeu
Saiu, esperando por eles na porta do elevador. Estava com uma expressão desapontada, e ao trocar olhares com Atena, fez um leve gesto positivo. A Japonesa devolveu o gesto. Entraram juntos e tomaram seus lugares antes do Presidente e dos Diretores da Verger também entrarem.
- Bom dia. Vamos dar inicio à reunião.
Disse o Presidente.
- Antes de iniciarmos a reunião, eu tenho um anúncio para fazer...
Saori levantou-se, olhando para todos os presentes antes de continuar.
- A reunião não será necessária porque... Nesse momento as Empresas Kido estão encerrando suas atividades com a Verger. Inclusive os acordos em andamento serão interrompidos
A Diretoria da empresa Francesa parecia transtornada, olhavam-se e cochichavam entre si.
- Podemos saber o motivo dessa mudança de opinião?
Perguntou um dos Diretores
- Ontem à noite um dos meus funcionários sofreu um atentado à sua integridade, e agora a pouco eu soube que o responsável foi o Presidente dessa empresa.
Ao ter todos os olhares sobre si, Jean-Baptiste mantinha sua expressão de incredulidade à situação.
- E a senhorita tem tanta confiança assim na palavra do seu funcionário?
Ele perguntou
- Não é necessário. Kamus...
O cavaleiro então levou sua mão ao bolso, retirando um gravador e o colocando em cima da mesa.
- Eu fico triste em saber que tive que descer ao seu nível.
Ele então fez a gravação rodar. Não escondeu o constrangimento quando o pai mencionou que ele estava tentando dar um golpe em Atena. Após o fim da gravação, Saori continuou.
- Acho que isso é prova mais que o suficiente.
O homem agora não escondia sua raiva.
- Tem ideia do que fez? Por sua causa vamos ter que interromper a produção por dias. Espero que esteja satisfeito.
O pai dizia em direção à Kamus.
- Claro que não. Nada disso teria acontecido se você não tivesse sido tão baixo.
- Eu juro que vai pagar por isso, Pierre.
Foi Saori quem respondeu ao homem.
- Já que falou dessa forma, Senhor Verger, melhor eu dizer que se o Senhor continuar assediando meu funcionário, seja aqui ou em Atenas, farei com que essa gravação chegue às autoridades, e vamos revelá-la a outros possíveis parceiros comerciais dessa Empresa. Duvido que alguém gostaria de manter negócios com alguém que age dessa maneira.
A ameaça fez o homem ficar em silêncio, mas não eliminou sua expressão de ira.
- Pense nessa situação como uma forma de mudar suas atitudes. Estamos de saída. Bom dia a todos.
O grupo retirou-se sem falar nada. Kamus ainda cruzou olhares com o pai antes de sair. Manteve-se em silêncio o tempo todo enquanto retornavam ao Hotel. Talvez ainda achasse que seu pai poderia mudar, mas os acontecimentos encerraram suas expectativas. Seguiu no automático até o corredor dos quartos. Foi Shura quem quebrou o silêncio.
- Senhorita Kido, não sei se é a melhor hora, mas eu tenho um pedido para fazer.
- Diga, Shura.
- Eu gostaria de uns dois dias de licença para ir até Pamplona visitar minha família.
- Está bem. Pode ir. Na verdade, eu também não vou voltar para Atenas agora. Eu aproveitei que viria para Paris, e falei para o Seiya vir pra cá por uns dias...
A jovem Deusa corou com a revelação. Os cavaleiros olharam entre si e sorriram. Parecia que o Pégaso e Atena estavam finalmente prontos para revelarem seus sentimentos. A pequena comitiva voltou desfalcada para Atenas. Shura pegou um avião para Madri, de lá iria para sua cidade. E Saori ficaria para aproveitar os encantos da cidade com uma companhia mais íntima.
Continua...
- O que acharam da Saori desbocada? Rs
- Agora vou poder escrever com mais constância. Espero que a inspiração ajude.
Até a próxima.
